Reunião de arte e sustentabilidade.

26/maio

Celebrando a trajetória de Hugo França, será lançado no próximo dia 02 de junho o livro “Esculturas Mobiliárias” na sede da Embaixada do Brasil em Lisboa com autoria e curadoria de Paulo Herkenhoff.

Lançado pela FGV Arte o livro marca a primeira publicação dedicada exclusivamente ao trabalho de Hugo França. A obra destaca sua trajetória na criação de móveis funcionais partindo de resíduos florestais, nos quais reúne arte e sustentabilidade.

Nascido em Porto Alegre, em 1954, Hugo França construiu sua trajetória a partir de uma relação profunda com a Natureza. Nos anos 1980, ao viver em Trancoso (BA), passou a observar o desperdício na extração da madeira – experiência que transformou completamente seu olhar artístico. Desde então, desenvolve as chamadas “esculturas mobiliárias”, peças únicas criadas a partir de resíduos florestais e urbanos, como troncos, raízes e árvores condenadas pela ação do tempo ou do homem. Hugo França, é um dos maiores nomes do design sustentável brasileiro. Suas criações estão presentes em espaços icônicos como o Palácio do Itamaraty, o Instituto Inhotim, a Fundação Getúlio Vargas Arte, além de galerias renomadas no Brasil e no exterior.

O patrimônio e suas comunidades.

A mostra permanente Arte Pública Cerâmica – Edição Saquarema está entregue para preservar a memória de Saquarema, valorizar o patrimônio e suas comunidades tradicionais, com 67 imagens em fotocerâmica, em painel com 2m². Fixado no dia 07 de maio em área externa da emblemática Casa da Pedra, o painel resgata as memórias do município, que estão preservadas e aberta para visitação dos moradores, turistas e público em geral que frequenta o espaço.

Idealizado pela artista visual e ceramista, Julia Botafogo, com curadoria de Joanna da Hora, a partir da pesquisa histórica de Tainá Miê, o projeto Pedagogia do Barro destaca um dos eixos centrais da realização, quando uma chamada pública reuniu mais de 400 fotografias – cerca de metade enviadas por moradores, revelando narrativas sobre pesca, modos de vida, relações familiares, transformações da paisagem e memórias afetivas do território.  

A artista destaca que o conceito de “Pedagogia do Barro” amadureceu ao longo da experiência, especialmente a partir da reflexão sobre memória e permanência. “Uma das ideias que surgiu desse processo foi pensar a criação de vestígios para o futuro. A cerâmica permanece. Mesmo que um dia o painel não exista mais na parede, esses fragmentos podem sobreviver enterrados, como acontece com os sambaquis. Talvez daqui a milhares de anos alguém encontre esses cacos e reconstrua histórias sobre esse lugar.” Para Julia Botafogo, essa dimensão amplia o sentido da obra pública: “O projeto não fala só do presente. Ele cria marcas materiais capazes de atravessar o tempo.”

Fotografias do arquivo pessoal das comunidades e, também, com a colaboração de instituições locais, responsáveis por cerca de 200 fotografias provenientes de diferentes acervos, como: o Museu do Sambaqui; o Templo do Rock; o Museu de Conhecimentos Gerais; e, o acervo do Centro de Memória de Saquarema, de onde vieram mais de 170 imagens e que foi fundamental como ponto de partida para a pesquisa e para a definição dos recortes curatoriais da ação.

O momento certo para emergir.

Cris Ioschpe abriu as portas de seu atelier, Pinheiros, São Paulo, SP, para a primeira exposição individual de Renata Ramalhosa. A mostra “Sedimentos” reúne 17 pinturas recentes em acrílico sobre tela e papel e se integra no espaço em que a artista encontrou um lugar de encantamento. A exposição “Sedimentos” fica em cartaz até 19 de junho, de segunda a sexta, das 10h às 18h, as visitas devem ser agendadas previamente. 

Sedimentos. 

(…) Há talentos que dormem em silêncio, acumulados em camadas, como a própria terra que atravessa as telas de Renata Ramalhosa. Não por escolha deliberada, mas por necessidade. Algo que já estava lá, esperando o momento certo para emergir. Renata é uma mulher multifacetada. Quem a conhece sabe da sua inteligência, da sua presença, da forma como transita com naturalidade por mundos diferentes. Mas havia ainda uma dimensão que ela guardava, talvez de si mesma. Uma sensibilidade que não cabia nas palavras, nas funções, nos papéis que já exercia com tanta competência. Essa dimensão encontrou, finalmente, a tela. Começou a pintar há pouco tempo. E ainda assim, as obras surpreendem.

Stella Villares

Sobre a artista. 

Renata Ramalhosa nasceu em 1973 em São Tomé e Príncipe e é portuguesa. Construiu uma carreira internacional de mais de 25 anos nas áreas de diplomacia econômica, estratégia, inovação e governança, com atuação no Reino Unido, Portugal, França, Brasil e América Latina. Autodidata nas artes plásticas, sempre cultivou a pintura como expressão pessoal.

Sobre Cris Ioschpe.

Cris Ioschpe nasceu em Porto Alegre em 1967, vive em São Paulo desde 2000. Formada em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1992. Nos anos 80 estudou pintura e gravura em Porto Alegre com Maria Tomaselli e Anico Herskovits, e em São Paulo, com Paulo Pasta e Claudio Mubarac, respectivamente. Nos anos 1990, vivendo em Buenos Aires e novamente Porto Alegre, trabalhou no Museo del Grabado e no atelier da Fundação Iberê Camargo, com Eduardo Haesbaert e pintura com Regina Ohlweiler. Em seu atelier em São Paulo recebeu orientação de Evandro Carlos Jardim e Ernesto Bonato, participando de vários projetos na área da gravura, como o “Projeto Lambe-lambe”. Frequentou o curso de Paulo Pasta, “pintura: prática e reflexão” no Instituto Tomie Ohtake em 2013 à 2019.

Poetic Living por Jean-Michel Othoniel.

25/maio

Jean-Michel Othoniel apresenta sua primeira exposição institucional, “Poetic Living”, na Casa de Vidro, Morumbi, em São Paulo, SP. Com texto de Bruno Simões, curador do InstituBardi/Casa de Vidro, reúne novas obras do artista francês, criadas especialmente para ocupar a casa em diálogo com a arquitetura e a produção de Lina Bo Bardi, além de aquarelas inspiradas nas flores do jardim da casa.

Por ocasião da abertura, foi lançada a coleção cápsula Zodiac Signs, criada em prata, ouro e pedras preciosas em colaboração com a THEYA. A exposição tem apoio da Simões de Assis e permanecerá em cartaz até 11 de julho.

Sobre o artista.

Jean-Michel Othoniel (Saint-Étienne, França, 1964) é um dos grandes nomes da arte contemporânea internacional, graduado pela École Nationale Supérieure d’Arts, na França, e com formação na Villa Medici, na Itália. Suas esculturas, em diálogo com dimensões arquitetônicas, operam uma geometria monumental. Esculpe peças que se assemelham a joias, tanto pelo aspecto formal, quanto pelo preciosismo dos materiais, que vão de contas a tijolos de vidro de Murano soprado. Suas formas contemplativas navegam pelos reinos paradoxais da monumentalidade e delicadeza, do ornamento e do minimalismo. Com mais de 100 exposições individuais ao redor do mundo, além de centenas de exposições coletivas, Jean-Michel Othoniel foi amplamente premiado, com destaque para a distinção de Cavaleiro da Ordem de Artes e Letras da França. Suas obras integram importantes coleções internacionais como, o Centre Pompidou, a Fondation Cartier pour L’art Contemporain, em Paris; o Musée National d’Art Moderne de Paris; o Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, o Brooklyn Museum, em Nova York; o Museum of Glass, em Tacoma; a Peggy Guggenheim Collection, em Veneza; o Museum of Contemporary Art (MoCA), Miami; e o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York.

Sobre a Casa de Vidro.

Considerada um ícone da arquitetura moderna brasileira, a Casa de Vidro foi o primeiro projeto construído da arquiteta Lina Bo Bardi. Residência do casal Bardi por mais de 40 anos, foi, desde sua inauguração em 1951, ponto de encontro de artistas, arquitetos e intelectuais. Hoje, enquanto sede do Instituto Bardi/Casa de Vidro, continua sendo um espaço ativo e de troca de conhecimento aberto ao público, cumprindo seu papel de perpetuar o pensamento e a obra de Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi.

A trajetória independente de Cícero Dias.

No dia 02 de junho, a Simões de Assis inaugura, em São Paulo, a exposição “Cícero Dias – Pioneiro da Arte Abstrata no Brasil”, com texto crítico do curador e historiador Gerardo Mosquera. Em cartaz até 18 de julho, a mostra apresenta um conjunto de obras que evidencia o papel singular do artista como precursor de uma linguagem abstrata desenvolvida antes da consolidação do concretismo no país.

A exposição reúne trabalhos produzidos entre as décadas de 1940 e início dos anos 1960, período em que Cícero Dias transita da figuração para a abstração. Nas telas dos anos 1940, formas orgânicas começam a dissolver a imagem figurativa; na década seguinte, surgem composições geométricas mais estruturadas. Ao longo desse percurso, sua produção revela-se em constante transformação, articulando elementos líricos e construtivos entre o rigor formal e a memória sensorial de Pernambuco.

Além da mostra

Um dos aspectos centrais da mostra é a coexistência, em uma mesma obra, entre abstração lírica e geometria. Nas pinturas da década de 1940, referências à abstração europeia dialogam com elementos cromáticos e formas que evocam a paisagem pernambucana. Já nas obras dos anos 1950 – núcleo da exposição – as composições exploram movimentos em espiral e diagonal, tensionando a geometria no espaço pictórico. Essa produção desafia leituras estritamente formais. As obras de Cícero Dias são atravessadas por cor, luz e movimento, refletindo uma relação profunda com suas origens culturais. Como pontua Gerardo Mosquera, trata-se de uma obra que convoca “mais um olho-corpo do que um olho-máquina racionalista”. A exposição também destaca a trajetória independente do artista no contexto latino-americano. Ainda no início dos anos 1940, o artista já desenvolvia experiências abstratas – um movimento que, no Brasil, só se consolidou na década seguinte com o Concretismo e o Neoconcretismo – antecipando tendências que marcaram gerações posteriores.

Radicado na Europa a partir do final dos anos 1930, o artista integrou o Groupe Espace e a Galerie Denise René, epicentro da arte construtiva na França, mantendo diálogo com relevantes núcleos artísticos internacionais. Ao longo de sua trajetória, manteve um contato contínuo com o Brasil, para onde viajou com frequência e onde realizou obras de grande escala.

A linguagem rigorosa e investigativa de Mavignier.

A Galeria Dan Contemporânea, Itaim Bibi, São Paulo, Sp, exibe até 15 de agosto panorama da obra de Almir Mavignier. 

A exposição “Almir Mavignier – A Espiral e o Ateliê”, a partir da leitura crítica de Luiz Armando Bagolin, apresenta um percurso em que arte, percepção e existência se encontram. A mostra parte da experiência decisiva do ateliê de pintura criado em 1946 no Centro Psiquiátrico Nacional de Engenho de Dentro, a partir do encontro entre Almir Mavignier e Nise da Silveira. Ali, a pintura surgia como espaço de acolhimento, expressão e reorganização interior para artistas como Emygdio de Barros, Raphael Domingues, Carlos Pertuis, Fernando Diniz e Isaac Liberato.

Esse núcleo inicial revela uma dimensão essencial da exposição: a arte como necessidade vital. No ateliê, Mavignier atuava sem interferir na forma dos trabalhos, respeitando a força própria de cada imagem. As obras produzidas naquele contexto não nasciam de um programa estético prévio, mas de uma urgência interna, de uma ordem construída pelo próprio gesto de ver, sentir e pintar. Ao lado dessas obras, a exposição acompanha a trajetória de Mavignier rumo à construção de uma linguagem rigorosa e investigativa. Sua passagem pela Europa, especialmente pela Escola de Ulm, aprofundou sua pesquisa sobre cor, retícula, repetição, sistema e percepção. Nas pinturas de pontos, nas permutações, nos cartazes e nas séries posteriores, o artista transforma a imagem em um campo de experimentação visual, onde pequenas variações produzem movimento, vibração e surpresa.

A mostra aproxima, assim, dois caminhos distintos: de um lado, a imagem que nasce de uma experiência subjetiva intensa; de outro, a imagem construída por meio de sistemas racionais, cálculo, método e variação. O que une esses dois universos não é uma semelhança formal simples, mas uma pergunta comum: como uma imagem ganha força própria, para além da vontade direta de seu autor? Entre o ateliê e a espiral, entre a intuição e o sistema, entre o gesto e a regra, a exposição revela a arte como forma de conhecimento e como modo de existência. Como afirmou Mavignier, “a arte é uma solução para existir” – e é justamente essa dimensão vital que atravessa toda a mostra.

Texto elaborado a partir do ensaio crítico de Luiz Armando Bagolin

Até 15 de agosto.

A obra singular de Niobe Xandó.

A Galeria Frente, Cerqueira César, São Paulo, exibe até o dia 22 de agosto mostra retrospectiva de Niobe Xandó, na qual podem ser vistas cerca de setenta obras divididas em diveras técnicas como pinturas, desenhos, gravuras e objetos. 

Niobe Xandó

O inusitado

A relevância da obra de Niobe Xandó (1915 – 2010) sugere a realização de uma exposição abrangente pautada pelo inusitado de suas criações e pelo contraste entre suas diversas fases.

Nascida em Campos Novos no interior paulista, vivendo em São Paulo e no exterior, em ambiente culto e intelectualmente estimulante, Niobe desenvolveu, a partir dos anos 1940, uma carreira discreta e independente. Sempre fiel a seus desígnios íntimos, ela não aderiu a movimentos ou grupos, embora tenha usufruído da proximidade de colegas, críticos e teóricos da arte e de disciplinas afins.

Passar ao largo dos “ismos”, tão presentes em meados do século 20, possibilitou à artista dedicar-se a uma pintura singular, fruto da introspecção, do aprimoramento de técnicas e da livre inspiração. Esse isolamento voluntário surpreendeu a muitos. Entretanto, com o passar do tempo, sua obra, notadamente depois da retrospectiva na Pinacoteca do Estado de São Paulo em 2007, vem sendo cada vez mais reconhecida.

Isso porque poucos são os artistas que, à margem de escolas ou tendências, criam uma linguagem própria. E esse é o caso de Niobe Xandó, em especial no que se refere ao seu desenho caligráfico, às formas de inspiração arcaica com acentos ameríndios e africanos que desembocam no letrismo e no mecanicismo. Precursora na incorporação de elementos provenientes das culturas indígena e negra na arte contemporânea, mesmo em outras fases, seu trabalho nunca é banal. A começar pelas flores exóticas do início de sua pintura até o geometrismo lírico da década de 1980, sua obra nunca deixa de surpreender pelo inusitado dos temas e soluções plásticas que adota.

A mostra apresenta cerca de 70 obras entre pinturas, desenhos, serigrafias, objetos de diferentes fases e alguns documentos de época.

Curadora: Maria Alice Milliet

Até 22 de agosto.

Natureza, consumo e sobrevivência.

A Gentil Carioca inaugura Mão Amiga, parte da nova exposição individual de José Bento. Fruto da parceria entre A Gentil Carioca e a Galeria Sardenberg, a mostra ocupa simultaneamente os espaços das duas galerias em São Paulo.

A exposição parte de um antigo encaixe da marcenaria tradicional brasileira chamado “mão amiga” – técnica usada para unir grandes peças de madeira sem pregos ou cola. A partir dessa imagem, José Bento desenvolve uma reflexão sobre interdependência e convivência: sobre os modos como sustentamos, ou deixamos de sustentar, o mundo ao redor.

Na mostra, esculturas inéditas aproximam utensílio, paisagem e arquitetura em trabalhos que atravessam temas como escassez, permanência e transformação. Colheres monumentais, pratos escavados em troncos antigos e recipientes preenchidos por feijão compõem um conjunto que tensiona as relações entre natureza, consumo e sobrevivência.

Ao longo da exposição, elementos contrastantes coexistem no espaço. Floresta e construção civil, delicadeza e peso, abrigo e devastação articulam formas de coexistência em um cenário marcado por tensão constante.

O texto de apresentação é assinado por Ricardo Sardenberg.

A ética do fazer manual de Tiago Cavaliere.

22/maio

A Galeria Silvia Cintra + Box4, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, inaugurou a primeira exposição individual do artista Tiago Cavaliere, intitulada “Todos os modos do mundo”. A mostra apresenta um conjunto de aproximadamente 40 objetos escultóricos e 5 vídeos produzidos entre 2022 e o presente, que sintetizam a pesquisa do artista sobre a potência do que é ignorado e a ética do fazer manual. 

A exposição propõe um diálogo entre o rigor processual e o que o artista define como uma memória muscular atávica, relacionada à maneira como as coisas se comportam no mundo. Por meio de materiais corriqueiros, como gesso, madeira e arames, e de um humor físico, Tiago Cavaliere busca elevar pequenas situações do cotidiano, frequentemente ignoradas, a outro nível na hierarquia perceptiva.

Nestas composições, a escala íntima e a valorização de gestos mínimos sobrepõem-se a qualquer desejo de monumentalidade. Tiago Cavaliere volta o olhar para as sutilezas espaciais, encontrando vigor no que hesita, no que parece inacabado ou no que tropeça com certa graça. Há um humor físico e um leve desconforto que reorganizam a nossa relação com o visível, permitindo que materiais originalmente alheios ao universo das artes ganhem um novo lugar na hierarquia dos sentidos, expostos em sua total transparência e fragilidade. Ao explorar o limite entre o silêncio e a intensidade, Tiago Cavaliere transforma pequenas situações do cotidiano, muitas vezes invisibilizadas pelo olhar apressado, em ferramentas críticas para refletir sobre a transparência dos processos e a beleza do que é instável.

A exposição conta com texto curatorial de Pollyana Quintella.

Até 12 de junho. 

Objetos e desenhos de Edival Ramosa.

A Galatea, São Paulo, SP, apresenta a exposição “Edival Ramosa: Alfabeto solare”, individual do artista Edival Ramosa (1940, São Gonçalo, RJ – 2015, Niterói, RJ) que reúne pinturas, esculturas, objetos e desenhos produzidos ao longo de quase cinco décadas. A abertura acontece dia 28 de maio na unidade da galeria na Oscar Freire.

Resultado de uma pesquisa desenvolvida por André Pitol, que assina a curadoria e o texto crítico da exposição, “Edival Ramosa: Alfabeto solare” resgata trabalhos que permaneceram por longo período em coleções no Brasil e no exterior. Parte do conjunto apresentado integrou a 36ª Bienal de São Paulo, marco recente do processo de retomada crítica da obra do artista.

A obra de Edival Ramosa foi profundamente marcada pela sua vivência no continente africano e também europeu durante os anos 1960 e 1970. A influência de correntes da arte europeia e norte-americana no pós-guerra se vê nas suas investigações em torno de um estilo construtivista, com jogos ópticos e referências à visualidade urbana no uso de materiais como madeira esmaltada, aço inoxidável e acrílico.

Elementos como esferas, casulos, luas, cometas, sois e outros “objetos-forma”, como o artista descreve muitas de suas peças, ocuparam lugar central em sua produção, variando entre gradações cromáticas e formas geométricas. A partir da década de 1970, integrou à sua prática referências da estética indígena e afro-brasileira, empregando materiais como palha, peles, plumagens, miçangas e bambus

Até 25 de julho.