A artista Vera Chaves Barcellos apresenta trabalhos inéditos na Galeria Zielinsky, Higienópolis, São Paulo, SP. Em “Não lugares”, uma das pioneiras da arte conceitual e da experimentação fotográfica no Brasil, investiga espaços de passagem, deslocamentos e presenças fugidias.
Com mais de seis décadas de trajetória artística, Vera Chaves Barcellos reúne trabalhos inéditos nos quais investiga espaços de trânsito e permanência provisória por meio da fotografia, do vídeo e de procedimentos de montagem, inversão e sobreposição de imagens. Um texto crítico assinado por Cristiana Tejo acompanha a exposição.
Referência da arte contemporânea brasileira, Vera Chaves Barcellos participou de movimentos decisivos para a renovação das práticas artísticas no país a partir dos anos 1970. Uma das fundadoras do Espaço N.O., dedicado à produção experimental. Ao longo da carreira, participou das bienais de São Paulo (1967, 1977, 1983, 1989), Veneza (1976), Havana (1984) e Mercosul (2005), além de ter integrado a histórica exposição “Mulheres Radicais”. Sua obra foi incorporada a importantes acervos nacionais e internacionais.
“Lido muito com a experimentação com imagens, com aquilo que elas podem fornecer de interessante para formar um trabalho, um conceito ou uma ideia”, explica. “Percebi, olhando meus arquivos, que tinha muitas fotografias de não lugares, de espaços de trânsito e aeroportos. Havia ali um viés interessante a ser explorado.” As obras nasceram de registros realizados em diferentes períodos e circunstâncias, muitos deles feitos espontaneamente com o celular.
Sobre a artista.
Vera Chaves Barcellos nasceu em Porto Alegre, 1938. Dedicou-se à gravura nos anos 1960. Entre 1961 e 1962, realizou cursos na Central School of Arts and Crafts, em Londres, e na Académie de la Grande Chaumière, em Paris. Em 1975, quando sua produção já estava centrada na fotografia, estudou no Croydon College, em Londres, com bolsa do British Council. Com a série Testarte, composta por fotografias e textos, representou o Brasil na Bienal de Veneza (1976). Entre 1976 e 1978, integrou o grupo Nervo Óptico, conhecido pelo uso experimental da fotografia e pela investigação de novas linguagens. Entre suas mostras de maior abrangência destacam-se O grão da imagem, no Santander Cultural, em Porto Alegre; Imagens em Migração, no Museu de Arte de São Paulo; e O estranho desaparecimento de Vera Chaves Barcellos, na Fundação Iberê, em Porto Alegre. Em 2010, apresentou a instalação multimídia Per Gli Uccelli na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Suas obras integram importantes coleções públicas e privadas, entre elas as do MACBA (Barcelona), Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (Madri) e Coleção Jorge M. Pérez (Miami). Desde 2004, dirige a Fundação Vera Chaves Barcellos (FVCB), no Rio Grande do Sul, instituição dedicada à arte contemporânea que preserva parte significativa de sua produção.
Até o dia 03 de outubro.






















