Exposição individual de Alexandre Canonico.

27/maio

No dia 30 de maio às 12h, a Kubikgallery, Barra Funda, São Paulo, SP inaugura “A pele do furo”, exposição individual de Alexandre Canonico.

Alexandre Canonico (1974, Pirassununga, Brasil) formou-se em Arquitetura pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo e frequentou o programa de pós-graduação da Royal Academy Schools, em Londres. O desenho está no centro da sua prática. Esculturas, relevos de parede e instalações exploram a relação entre o desenho da coisa e a coisa em si. Sua prática se baseia na articulação de linhas, vazios, formas e cores, resultando frequentemente em composições abstratas que, por vezes, sugerem formas reconhecíveis. Os materiais e procedimentos usados pelo artista se aproximam mais do universo do ‘DIY’ do que de métodos artísticos tradicionais, refletindo as limitações e circunstâncias (orçamento, espaço, disponibilidade de materiais, tempo e etc) de cada projeto. A interdependência entre as diferentes partes que compõem as obras e as marcas dos gestos envolvidos no seu processo de criação reforçam o seu caráter anti-ilusionista. A coisa é a coisa.

Mostra O Que Vem Depois na FDAG Barra Funda.

What Comes Next / O Que Vem Depois é uma exposição coletiva na FDAG Barra Funda, com curadoria de Tamar Guimarães e Kasper Akhøj, reunindo artistas do programa da Fortes D’Aloia & Gabriel de diferentes gerações. Partindo de seu interesse contínuo por estruturas narrativas, pela circulação e pelo estatuto instável das imagens, Guimarães e Akhøj concebem a mostra como uma proposição espacial que resiste a definições fixas. O que se reúne aqui pode ser entendido como um arquivo, uma sala corporativa ou um sítio sacrificial – estruturas que jamais se estabilizam por completo, mas que condicionam o que acontece nelas.

Obras de Anderson Borba, Cerith Wyn Evans, Cristiano Lenhardt, Efrain Almeida, Erika Verzutti, Ernesto Neto, Frank Walter, Gokula Stoffel, Ivens Machado, João Maria Gusmão & Pedro Paiva, Leda Catunda, Mauro Restiffe, Rivane Neuenschwander, Robert Mapplethorpe, Rodrigo Matheus, Tadáskía, Tamar Guimarães & Kasper Akhøj, Tiago Carneiro da Cunha, Valeska Soares e Wanda Pimentel são colocadas em proximidade de modo a se complicarem e se expandirem mutuamente, formando uma constelação moldada mais por associações do que por taxonomias.

Entre escultura, fotografia, filme e instalação, a exposição se desenvolve por meio de um conjunto de relações mutáveis nas quais corpos, objetos e imagens permanecem em fluxo. Uma figura reclinada pode sugerir tanto lazer quanto antecipação; um objeto pode surgir como corpo, suporte ou vestígio, dependendo de onde e de como é encontrado. Nada se contém inteiramente em si mesmo, mas continua em outro lugar, assumindo novas formas à medida que circula. O banco inteiramente em pedra Altar menor, de Guimarães e Akhøj, registra essa condição em forma mineralizada, como se um estado anterior, animado, tivesse se convertido em um local de oferenda que não se separa completamente da troca, da espera e da negociação. Nesse contexto, a exposição reflete sobre o mercado de arte como um campo em que o valor acompanha o desejo e se intensifica através da transformação: as obras são oferecidas, retidas e alteradas conforme circulam, acumulando significados e condições para além de seu ponto de origem.

A exposição é acompanhada por um texto de Tamar Guimarães & Kasper Akhøj.

Até 20 de junho.

Ciclo comemorativo da trajetória de Nara Roesler.

A Nara Roesler, Jardim Europa, São Paulo, SP, convida para a abertura da exposição “O fascínio e o afeto”, com curadoria de Agnaldo Farias e Catarina Duncan e obras de Abraham Palatnik, Amelia Toledo, Artur Lescher, Brígida Baltar, Julio Le Parc, Tomie Ohtake, Rodolpho Parigi, Vik Muniz e José Cláudio da Silva. 

“O fascínio e o afeto” é a segunda exposição do ciclo comemorativo dos 50 anos da trajetória de Nara Roesler, e Agnaldo Farias escolheu 30 obras de artistas que mostram um aspecto talvez não percebido pelo público: a profunda afetividade que envolve a relação profissional de Nara. “Nara sempre agiu como legítima e necessária interlocutora. Além disso, cuidou bravamente em levar suas descobertas ao maior número de pessoas, no seu dever de compartilhá-las com elas”, escreve o curador, ele próprio amigo de muitos anos de Nara Roesler.

Agnaldo Farias, atuante no universo da arte, tanto na vida institucional como acadêmica, curador de diversas bienais e exposições, autor de numerosas publicações, destaca: “Das experiências cinéticas e lumínicas de Julio Le Parc e Abraham Palatnik ao quebra-cabeça imagético de Vik Muniz, passando pelas estruturas orgânicas de Tomie Ohtake e pelas poéticas íntimas de Brígida Baltar, o que se vê nesta exposição é não apenas um conjunto de grandes artistas, mas também a trama de relações construídas por Nara Roesler ao longo de décadas de convivência, interlocução e acompanhamento contínuo de suas trajetórias”.

Um debate na Galatea Salvador.

Esta é a última semana para conferir a coletiva “Barracas e Fachadas do Nordeste”, em cartaz na unidade da Galatea em Salvador até o próximo sábado, dia 30. Realizada em colaboração com a Nara Roesler, a mostra abriu a temporada de exposições de 2026 da Galatea Salvador e se encerra com uma conversa entre o artista Zé di Cabeça, cujas obras integram a mostra, e Alana Silveira, diretora da Galatea Salvador e co-curadora da exposição. O evento acontece no espaço da galeria, dia 30 de maio, às 15h30.

Durante o encontro, os dois abordarão as articulações, pesquisas e interesses estéticos e políticos presentes na produção do artista, dialogando sobre sua trajetória nas artes, bem como sobre as memórias e materialidades que coleta, pinta e resgata em seu cotidiano a partir da vida e da estética do Subúrbio Ferroviário de Salvador.

A partir de materiais coletados em suas derivas pelo território, Zé di Cabeça reinventa itens como madeiras e os transforma em pinturas figurativas com repertório visual de casa de platibandas e fachadas que outrora pertenciam previamente a um imaginário coletivo de uma das regiões periféricas de Salvador.

A presença de Alana Silveira e a atuação da Galatea Salvador intuem a construção de diálogos que inserem artistas nordestinos no debate contemporâneo, mas que instrumentalizam institucionalmente um modo de colaboração e relação entre o campo das artes visuais e o Nordeste brasileiro.

Reunião de arte e sustentabilidade.

26/maio

Celebrando a trajetória de Hugo França, será lançado no próximo dia 02 de junho o livro “Esculturas Mobiliárias” na sede da Embaixada do Brasil em Lisboa com autoria e curadoria de Paulo Herkenhoff.

Lançado pela FGV Arte o livro marca a primeira publicação dedicada exclusivamente ao trabalho de Hugo França. A obra destaca sua trajetória na criação de móveis funcionais partindo de resíduos florestais, nos quais reúne arte e sustentabilidade.

Nascido em Porto Alegre, em 1954, Hugo França construiu sua trajetória a partir de uma relação profunda com a Natureza. Nos anos 1980, ao viver em Trancoso (BA), passou a observar o desperdício na extração da madeira – experiência que transformou completamente seu olhar artístico. Desde então, desenvolve as chamadas “esculturas mobiliárias”, peças únicas criadas a partir de resíduos florestais e urbanos, como troncos, raízes e árvores condenadas pela ação do tempo ou do homem. Hugo França, é um dos maiores nomes do design sustentável brasileiro. Suas criações estão presentes em espaços icônicos como o Palácio do Itamaraty, o Instituto Inhotim, a Fundação Getúlio Vargas Arte, além de galerias renomadas no Brasil e no exterior.

O patrimônio e suas comunidades.

A mostra permanente Arte Pública Cerâmica – Edição Saquarema está entregue para preservar a memória de Saquarema, valorizar o patrimônio e suas comunidades tradicionais, com 67 imagens em fotocerâmica, em painel com 2m². Fixado no dia 07 de maio em área externa da emblemática Casa da Pedra, o painel resgata as memórias do município, que estão preservadas e aberta para visitação dos moradores, turistas e público em geral que frequenta o espaço.

Idealizado pela artista visual e ceramista, Julia Botafogo, com curadoria de Joanna da Hora, a partir da pesquisa histórica de Tainá Miê, o projeto Pedagogia do Barro destaca um dos eixos centrais da realização, quando uma chamada pública reuniu mais de 400 fotografias – cerca de metade enviadas por moradores, revelando narrativas sobre pesca, modos de vida, relações familiares, transformações da paisagem e memórias afetivas do território.  

A artista destaca que o conceito de “Pedagogia do Barro” amadureceu ao longo da experiência, especialmente a partir da reflexão sobre memória e permanência. “Uma das ideias que surgiu desse processo foi pensar a criação de vestígios para o futuro. A cerâmica permanece. Mesmo que um dia o painel não exista mais na parede, esses fragmentos podem sobreviver enterrados, como acontece com os sambaquis. Talvez daqui a milhares de anos alguém encontre esses cacos e reconstrua histórias sobre esse lugar.” Para Julia Botafogo, essa dimensão amplia o sentido da obra pública: “O projeto não fala só do presente. Ele cria marcas materiais capazes de atravessar o tempo.”

Fotografias do arquivo pessoal das comunidades e, também, com a colaboração de instituições locais, responsáveis por cerca de 200 fotografias provenientes de diferentes acervos, como: o Museu do Sambaqui; o Templo do Rock; o Museu de Conhecimentos Gerais; e, o acervo do Centro de Memória de Saquarema, de onde vieram mais de 170 imagens e que foi fundamental como ponto de partida para a pesquisa e para a definição dos recortes curatoriais da ação.

O momento certo para emergir.

Cris Ioschpe abriu as portas de seu atelier, Pinheiros, São Paulo, SP, para a primeira exposição individual de Renata Ramalhosa. A mostra “Sedimentos” reúne 17 pinturas recentes em acrílico sobre tela e papel e se integra no espaço em que a artista encontrou um lugar de encantamento. A exposição “Sedimentos” fica em cartaz até 19 de junho, de segunda a sexta, das 10h às 18h, as visitas devem ser agendadas previamente. 

Sedimentos. 

(…) Há talentos que dormem em silêncio, acumulados em camadas, como a própria terra que atravessa as telas de Renata Ramalhosa. Não por escolha deliberada, mas por necessidade. Algo que já estava lá, esperando o momento certo para emergir. Renata é uma mulher multifacetada. Quem a conhece sabe da sua inteligência, da sua presença, da forma como transita com naturalidade por mundos diferentes. Mas havia ainda uma dimensão que ela guardava, talvez de si mesma. Uma sensibilidade que não cabia nas palavras, nas funções, nos papéis que já exercia com tanta competência. Essa dimensão encontrou, finalmente, a tela. Começou a pintar há pouco tempo. E ainda assim, as obras surpreendem.

Stella Villares

Sobre a artista. 

Renata Ramalhosa nasceu em 1973 em São Tomé e Príncipe e é portuguesa. Construiu uma carreira internacional de mais de 25 anos nas áreas de diplomacia econômica, estratégia, inovação e governança, com atuação no Reino Unido, Portugal, França, Brasil e América Latina. Autodidata nas artes plásticas, sempre cultivou a pintura como expressão pessoal.

Sobre Cris Ioschpe.

Cris Ioschpe nasceu em Porto Alegre em 1967, vive em São Paulo desde 2000. Formada em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1992. Nos anos 80 estudou pintura e gravura em Porto Alegre com Maria Tomaselli e Anico Herskovits, e em São Paulo, com Paulo Pasta e Claudio Mubarac, respectivamente. Nos anos 1990, vivendo em Buenos Aires e novamente Porto Alegre, trabalhou no Museo del Grabado e no atelier da Fundação Iberê Camargo, com Eduardo Haesbaert e pintura com Regina Ohlweiler. Em seu atelier em São Paulo recebeu orientação de Evandro Carlos Jardim e Ernesto Bonato, participando de vários projetos na área da gravura, como o “Projeto Lambe-lambe”. Frequentou o curso de Paulo Pasta, “pintura: prática e reflexão” no Instituto Tomie Ohtake em 2013 à 2019.

Poetic Living por Jean-Michel Othoniel.

25/maio

Jean-Michel Othoniel apresenta sua primeira exposição institucional, “Poetic Living”, na Casa de Vidro, Morumbi, em São Paulo, SP. Com texto de Bruno Simões, curador do InstituBardi/Casa de Vidro, reúne novas obras do artista francês, criadas especialmente para ocupar a casa em diálogo com a arquitetura e a produção de Lina Bo Bardi, além de aquarelas inspiradas nas flores do jardim da casa.

Por ocasião da abertura, foi lançada a coleção cápsula Zodiac Signs, criada em prata, ouro e pedras preciosas em colaboração com a THEYA. A exposição tem apoio da Simões de Assis e permanecerá em cartaz até 11 de julho.

Sobre o artista.

Jean-Michel Othoniel (Saint-Étienne, França, 1964) é um dos grandes nomes da arte contemporânea internacional, graduado pela École Nationale Supérieure d’Arts, na França, e com formação na Villa Medici, na Itália. Suas esculturas, em diálogo com dimensões arquitetônicas, operam uma geometria monumental. Esculpe peças que se assemelham a joias, tanto pelo aspecto formal, quanto pelo preciosismo dos materiais, que vão de contas a tijolos de vidro de Murano soprado. Suas formas contemplativas navegam pelos reinos paradoxais da monumentalidade e delicadeza, do ornamento e do minimalismo. Com mais de 100 exposições individuais ao redor do mundo, além de centenas de exposições coletivas, Jean-Michel Othoniel foi amplamente premiado, com destaque para a distinção de Cavaleiro da Ordem de Artes e Letras da França. Suas obras integram importantes coleções internacionais como, o Centre Pompidou, a Fondation Cartier pour L’art Contemporain, em Paris; o Musée National d’Art Moderne de Paris; o Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, o Brooklyn Museum, em Nova York; o Museum of Glass, em Tacoma; a Peggy Guggenheim Collection, em Veneza; o Museum of Contemporary Art (MoCA), Miami; e o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York.

Sobre a Casa de Vidro.

Considerada um ícone da arquitetura moderna brasileira, a Casa de Vidro foi o primeiro projeto construído da arquiteta Lina Bo Bardi. Residência do casal Bardi por mais de 40 anos, foi, desde sua inauguração em 1951, ponto de encontro de artistas, arquitetos e intelectuais. Hoje, enquanto sede do Instituto Bardi/Casa de Vidro, continua sendo um espaço ativo e de troca de conhecimento aberto ao público, cumprindo seu papel de perpetuar o pensamento e a obra de Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi.

A trajetória independente de Cícero Dias.

No dia 02 de junho, a Simões de Assis inaugura, em São Paulo, a exposição “Cícero Dias – Pioneiro da Arte Abstrata no Brasil”, com texto crítico do curador e historiador Gerardo Mosquera. Em cartaz até 18 de julho, a mostra apresenta um conjunto de obras que evidencia o papel singular do artista como precursor de uma linguagem abstrata desenvolvida antes da consolidação do concretismo no país.

A exposição reúne trabalhos produzidos entre as décadas de 1940 e início dos anos 1960, período em que Cícero Dias transita da figuração para a abstração. Nas telas dos anos 1940, formas orgânicas começam a dissolver a imagem figurativa; na década seguinte, surgem composições geométricas mais estruturadas. Ao longo desse percurso, sua produção revela-se em constante transformação, articulando elementos líricos e construtivos entre o rigor formal e a memória sensorial de Pernambuco.

Além da mostra

Um dos aspectos centrais da mostra é a coexistência, em uma mesma obra, entre abstração lírica e geometria. Nas pinturas da década de 1940, referências à abstração europeia dialogam com elementos cromáticos e formas que evocam a paisagem pernambucana. Já nas obras dos anos 1950 – núcleo da exposição – as composições exploram movimentos em espiral e diagonal, tensionando a geometria no espaço pictórico. Essa produção desafia leituras estritamente formais. As obras de Cícero Dias são atravessadas por cor, luz e movimento, refletindo uma relação profunda com suas origens culturais. Como pontua Gerardo Mosquera, trata-se de uma obra que convoca “mais um olho-corpo do que um olho-máquina racionalista”. A exposição também destaca a trajetória independente do artista no contexto latino-americano. Ainda no início dos anos 1940, o artista já desenvolvia experiências abstratas – um movimento que, no Brasil, só se consolidou na década seguinte com o Concretismo e o Neoconcretismo – antecipando tendências que marcaram gerações posteriores.

Radicado na Europa a partir do final dos anos 1930, o artista integrou o Groupe Espace e a Galerie Denise René, epicentro da arte construtiva na França, mantendo diálogo com relevantes núcleos artísticos internacionais. Ao longo de sua trajetória, manteve um contato contínuo com o Brasil, para onde viajou com frequência e onde realizou obras de grande escala.

A linguagem rigorosa e investigativa de Mavignier.

A Galeria Dan Contemporânea, Itaim Bibi, São Paulo, Sp, exibe até 15 de agosto panorama da obra de Almir Mavignier. 

A exposição “Almir Mavignier – A Espiral e o Ateliê”, a partir da leitura crítica de Luiz Armando Bagolin, apresenta um percurso em que arte, percepção e existência se encontram. A mostra parte da experiência decisiva do ateliê de pintura criado em 1946 no Centro Psiquiátrico Nacional de Engenho de Dentro, a partir do encontro entre Almir Mavignier e Nise da Silveira. Ali, a pintura surgia como espaço de acolhimento, expressão e reorganização interior para artistas como Emygdio de Barros, Raphael Domingues, Carlos Pertuis, Fernando Diniz e Isaac Liberato.

Esse núcleo inicial revela uma dimensão essencial da exposição: a arte como necessidade vital. No ateliê, Mavignier atuava sem interferir na forma dos trabalhos, respeitando a força própria de cada imagem. As obras produzidas naquele contexto não nasciam de um programa estético prévio, mas de uma urgência interna, de uma ordem construída pelo próprio gesto de ver, sentir e pintar. Ao lado dessas obras, a exposição acompanha a trajetória de Mavignier rumo à construção de uma linguagem rigorosa e investigativa. Sua passagem pela Europa, especialmente pela Escola de Ulm, aprofundou sua pesquisa sobre cor, retícula, repetição, sistema e percepção. Nas pinturas de pontos, nas permutações, nos cartazes e nas séries posteriores, o artista transforma a imagem em um campo de experimentação visual, onde pequenas variações produzem movimento, vibração e surpresa.

A mostra aproxima, assim, dois caminhos distintos: de um lado, a imagem que nasce de uma experiência subjetiva intensa; de outro, a imagem construída por meio de sistemas racionais, cálculo, método e variação. O que une esses dois universos não é uma semelhança formal simples, mas uma pergunta comum: como uma imagem ganha força própria, para além da vontade direta de seu autor? Entre o ateliê e a espiral, entre a intuição e o sistema, entre o gesto e a regra, a exposição revela a arte como forma de conhecimento e como modo de existência. Como afirmou Mavignier, “a arte é uma solução para existir” – e é justamente essa dimensão vital que atravessa toda a mostra.

Texto elaborado a partir do ensaio crítico de Luiz Armando Bagolin

Até 15 de agosto.