Um novo olhar.

27/ago

O Ministério da Cultura e a Fundação Vera Chaves Barcellos convidam para a abertura da exposição coletiva “Uma Força Estranha”, que será inaugurada no dia 29 de agosto de 2026, sábado, das 11h às 17h, na Sala dos Pomares, em Viamão, RS.
Dando continuidade à programação expositiva de 2026, dedicada à produção de artistas mulheres, “Uma Força Estranha” traz um novo olhar para o Acervo Artístico da Fundação, reunindo 53 obras de 36 artistas brasileiras e internacionais. O conjunto contempla trabalhos em desenho, pintura, gravura,  fotografia, vídeo, objeto, instalação, entre outras técnicas e linguagens. A organização é de Vera Chaves Barcellos, com expografia de Arthur Bonfim e textos de Ana Albani de Carvalho

Nas palavras de Vera Chaves Barcellos:
“Uma Força Estranha se inspira em uma das obras primas da música popular brasileira de todos os tempos, a criação de 1978, de Caetano Veloso, eternizada pela incomparável voz de Gal Costa. Em Força Estranha, Caetano traça poeticamente a defesa da criação e da linguagem artística como uma força incontida que impulsiona o/a artista a criar de forma verdadeira e atemporal. Aqui, podemos ver exemplos dessa força estranha nessas verdades expressas em suas mais diversas formas, nas obras deste conjunto de mulheres.”

Artistas participantes.

Regina Silveira, Lia Menna Barreto, Maria Lídia Magliani, Gisela Waetge, Wanda Pimentel, Karin Lambrecht, Marina Camargo, Maria Lucia Cattani, Débora Bolzsoni, Teresa Poester, Helena D’Avila, Fernanda Chemale, Romy Pocztaruk, Dione Veiga Vieira, Ío (Laura Cattani e Munir Klamt), Paula Krause, Brígida Baltar, Lurdi Blauth, Ananda Kuhn, Elaine Tedesco,  Thereza Miranda Alves, Ana Maria Tavares, Lily Hwa, Suely Anna Kelling, Vera Chaves Barcellos, Mara Alvares, Sarah Bliss, Mariana Silva da Silva, Virginia de Medeiros, Heloisa Schneiders da Silva, Carla Borba, Begoña Egurbide, Monika Funke Stern, Marlies Ritter, Teresa Puppo, Francesca Llopis.

Ateliê de portas abertas.

Jacqueline Belotti mantém seu próprio ateliê, que na segunda quinzena de setembro abre as portas para receber colecionadores, artistas, curadores e amantes da arte no evento Ateliê Aberto_Jacqueline Belotti convida Ney Valle.

Como parte do calendário cultural que tomará conta do Rio de Janeiro durante o mês de setembro, quando acontecerão a ArtRio e a Semana de Arte do Rio, as visitas serão realizadas entre os dias 16 e 30, sob agendamento. No dia 15, haverá um evento de abertura das 17h30 às 21h.

“Enquanto a casa que abriga meu ateliê não ganha um novo destino, sigo ocupando esse espaço onde morei, anos atrás, e pude pintar livremente suas paredes. Voltar a criar nesse ambiente tem sido um reencontro profundamente afetivo”, diz Jacqueline Belotti.

Foi desse sentimento que nasceu o convite para dividir esta ocupação com Ney Valle, seu amigo de longa data desde os tempos das aulas de pintura no Parque Lage.

“Reunir nossos trabalhos nesta casa, ainda que por um breve período, transforma este momento de transição em uma celebração da amizade, da pintura e da criação compartilhada”, conclui Ney Valle.

Sobre os artistas.

Jaqueline Belotti é artista visual e doutora em Artes Visuais. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Recebeu o Prêmio Funarte de Arte Contemporânea (2014) e o Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais (2013). Realizou exposições individuais no Brasil, participou de uma residência artística no Mosteiro Zen Budista de Ibiraçu-ES, e exposições em Portugal e Londres. Em 2024, apresentou a exposição individual E de Todas as Coisas Um, na Galeria Mercedes Viegas, com curadoria de Paula Terra-Neale.

Ney Valle é artista visual, designer e poeta. Nos anos 1990, fez a sua formação na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. E participou de diversas mostras coletivas e do último Salão Carioca de Arte (Parque Lage -1996). Após um longo período dedicado prioritariamente ao seu estúdio de Design (com projetos como ArtRio, Jogos Rio 2007 e Rio 2016, entre muitos outros ligados à arte e à cultura), desde 2017 vem participando de coletivas no Brasil assim como em Londres e Berlim. Em 2021, concluiu a pós-graduação em Escritas Performáticas – Procedimentos Artísticos e Invenção, na PUC. Vive e trabalha no Rio.

Visitação de 16 a 30 de setembro, sob agendamento. 

WhatsApp (21) 99783-6827 (Jacqueline) e 

                 (21) 99974-0056 (Ney)

Rua Fernando Magalhães, 396 – Horto – Jardim Botânico. 

Luiz Carlos Paulino e o céu de concreto.

 

A Central Galeria, Higienópolis, São Paulo, SP, apresenta “Céu de Concreto”, primeira exposição individual de Luiz Carlos Paulino (Bizil) na galeria, em cartaz até 19 de setembro. A mostra reúne três núcleos de obras que incorporam diferentes perspectivas da vida dos egressos da Casa de Detenção, integrando-as ao debate do programa anual da galeria – voltado aos tempos políticos e ao campo aberto da liberdade, da experimentação e da imaginação.

Luiz Carlos Paulino é sobrevivente do massacre do Carandiru (1992), uma das maiores barbáries da história do país. Em sua produção, transforma essa experiência em obra, dando forma à violência da ação policial que deixou 111 mortos, segundo dados oficiais. Entre representações do horror e dimensões imateriais e espirituais, suas obras denunciam a negação de direitos básicos, as violências do Estado e também afirmam sua sobrevivência como um milagre.

A exposição evidencia a pluralidade técnica da pintura de Luiz Carlos Paulino e a singularidade de uma obra que se afirma a partir de seu testemunho e liberdade: “A técnica de Luiz Paulino se destaca no conjunto das telas: o colorido preciso, o jogo entre primeiro e segundo plano, a perspectiva que faz as edificações parecerem cavernas, o jogo dos corpos que opõe subjugação e violência, a prepotência frente à humilhação. Trata-se, portanto, não apenas de um registro, mas de um projeto artístico que não abdica do lugar da denúncia e do testemunho – de lembrar de não esquecer”, escreve Lilia K. Moritz Schwarcz, que assina o texto crítico da mostra.

Multiplicidade de vozes e identidades.

26/ago

A Nara Roesler, Jardim Europa, São Paulo, SP, convida no dia 29 de agosto, das 11h às 15h, para a aberturada da exposição “Speaking in Tongues” (Falando em línguas), com curadoria de Magalí Arriola, que apresenta obras – esculturas, pinturas, desenhos, fotografia, objetos – dos artistas Antonio Dias, Dan Graham, Carlos Bunga, Tania Pérez Córdova, Jonathan Torres, Ann Lislegaard, Petrit Halilaj, Gino De Dominicis, Adriano Amaral, Julia Gallo e a dupla Guadalupe Rosales e rafa esparza.

A curadora explica que “Speaking in Tongues” (Falando em línguas) se opõe à “lógica contemporânea que busca nos categorizar como indivíduos – apagando todas as formas de opacidade – criando categorias e associações”. Contra essa tendência, a mostra reúne uma multiplicidade de vozes e identidades, e “reativa a especulação, o sonho e outras formas de subjetividade como estratégias para resistir à urgência de cristalizar o futuro”.

“Aquilo que se apresentava como futuro deixa de ser o lugar das grandes narrativas, previsões, promessas ou adivinhações e passa a ser, em vez disso, um campo conjectural no qual tecnologia e messianismo, medo e nostalgia, espera e utopia, conspiração e linearidade, trama e profecia se entrelaçam”, afirma Magalí Arriola. 

A mostra integra o ciclo comemorativo dos 50 anos de trajetória de Nara Roesler, e celebra o Roesler Hotel, projeto iniciado em 2004 e que, ao longo de 29 edições, acolheu artistas, curadores e ideias de diferentes partes do mundo, como um espaço de experimentação. Nesta edição especial, foi convidada a escritora e curadora Magalí Arriola, ex-diretora do Museo Tamayo, na Cidade do México, e curadora do Pavilhão do México na 58ª Bienal de Veneza (2019), e curadora chefe da Bienal Internacional de Arte e Cidade de Bogotá (Bog27) em 2027, entre muitas outras funções.

Até o dia 24 de outubro. 

Imagens em trânsito provisório.

25/ago

A artista Vera Chaves Barcellos apresenta trabalhos inéditos na Galeria Zielinsky, Higienópolis, São Paulo, SP. Em “Não lugares”, uma das pioneiras da arte conceitual e da experimentação fotográfica no Brasil, investiga espaços de passagem, deslocamentos e presenças fugidias.

Com mais de seis décadas de trajetória artística, Vera Chaves Barcellos reúne trabalhos inéditos nos quais investiga espaços de trânsito e permanência provisória por meio da fotografia, do vídeo e de procedimentos de montagem, inversão e sobreposição de imagens. Um texto crítico assinado por Cristiana Tejo acompanha a exposição.

Referência da arte contemporânea brasileira, Vera Chaves Barcellos participou de movimentos decisivos para a renovação das práticas artísticas no país a partir dos anos 1970. Uma das fundadoras do Espaço N.O., dedicado à produção experimental. Ao longo da carreira, participou das bienais de São Paulo (1967, 1977, 1983, 1989), Veneza (1976), Havana (1984) e Mercosul (2005), além de ter integrado a histórica exposição “Mulheres Radicais”. Sua obra foi incorporada a importantes acervos nacionais e internacionais.

“Lido muito com a experimentação com imagens, com aquilo que elas podem fornecer de interessante para formar um trabalho, um conceito ou uma ideia”, explica. “Percebi, olhando meus arquivos, que tinha muitas fotografias de não lugares, de espaços de trânsito e aeroportos. Havia ali um viés interessante a ser explorado.” As obras nasceram de registros realizados em diferentes períodos e circunstâncias, muitos deles feitos espontaneamente com o celular. 

Sobre a artista.

Vera Chaves Barcellos nasceu em Porto Alegre, 1938. Dedicou-se à gravura nos anos 1960. Entre 1961 e 1962, realizou cursos na Central School of Arts and Crafts, em Londres, e na Académie de la Grande Chaumière, em Paris. Em 1975, quando sua produção já estava centrada na fotografia, estudou no Croydon College, em Londres, com bolsa do British Council. Com a série Testarte, composta por fotografias e textos, representou o Brasil na Bienal de Veneza (1976). Entre 1976 e 1978, integrou o grupo Nervo Óptico, conhecido pelo uso experimental da fotografia e pela investigação de novas linguagens. Entre suas mostras de maior abrangência destacam-se O grão da imagem, no Santander Cultural, em Porto Alegre; Imagens em Migração, no Museu de Arte de São Paulo; e O estranho desaparecimento de Vera Chaves Barcellos, na Fundação Iberê, em Porto Alegre. Em 2010, apresentou a instalação multimídia Per Gli Uccelli na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Suas obras integram importantes coleções públicas e privadas, entre elas as do MACBA (Barcelona), Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (Madri) e Coleção Jorge M. Pérez (Miami). Desde 2004, dirige a Fundação Vera Chaves Barcellos (FVCB), no Rio Grande do Sul, instituição dedicada à arte contemporânea que preserva parte significativa de sua produção.

Até o dia 03 de outubro.

Ernesto Neto, Vonta de vi dada dada.

24/ago

Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Vonta de vi dada dada, uma nova exposição individual de Ernesto Neto, inaugurada simultaneamente nos espaços Barra Funda e Jardins da galeria, em São Paulo. 

Reunindo um novo conjunto de instalações escultóricas, trabalhos sobre papel e intervenções textuais, a mostra amplia a investigação de longa data do artista sobre a interdependência entre corpos, materiais e sistemas vivos. Distribuídas entre os dois espaços, esculturas em crochê de algodão, cordas trançadas, bambu, aço corten e argila assumem configurações orgânicas que evocam insetos, raízes, montanhas, florestas e outras formas híbridas, propondo a escultura como um campo de relações, movimento e transformação contínuos.

No centro da exposição está uma nova série de esculturas murais que Ernesto Neto denomina InsePás: estruturas tensionadas e celulares que se expandem pelas paredes, tetos e cantos da arquitetura como organismos vivos ou fluxos de energia atravessando o espaço. Desenvolvidos a partir de pesquisas anteriores sobre suspensão, equilíbrio e estruturas relacionais, esses trabalhos aprofundam a compreensão do artista da escultura como algo ativado pelo encontro, e não como forma estática. Em diálogo com eles, a exposição inclui uma escultura de grande escala em aço corten cuja estrutura ramificada evoca simultaneamente uma paisagem montanhosa e um corpo vivo sustentado por relações de equilíbrio e apoio mútuo.

Em conjunto, as obras transformam a galeria em um ecossistema permeável, mais do que em um espaço expositivo neutro. Escultura, desenho, escrita e som articulam-se como manifestações de uma visão de mundo marcada pelo pensamento cosmológico, pela interdependência ecológica e pelo conhecimento incorporado. Em vez de estabelecer separações entre natureza e cultura, ou entre arquitetura e corpo, a exposição propõe um ambiente em que formas humanas e não humanas coexistem em constante intercâmbio, reafirmando a compreensão de Neto de que a vida se sustenta por meio das relações, da reciprocidade e da vitalidade compartilhada entre todos os seres.

Até 24 de outubro.

Expoente da arte têxtil realiza duas exposições.

A Nara Roesler São Paulo convida para a abertura, no dia 29 de agosto, das 11h às 15h, da exposição “Autobiografia de um fio”, com trabalhos inéditos e recentes, além da obra histórica “Zapallar Domingo II” (1957), de Sheila Hicks (1934), um dos grandes nomes da arte contemporânea internacional, e expoente da arte têxtil. A curadoria é de Luis Pérez-Oramas.

Com obras presentes nos acervos dos principais museus do mundo, Sheila Hicks há mais de seis décadas é expoente da arte têxtil. Sua prática expande as possibilidades do fio e da fibra, articulando abstração, cor, escultura, pintura e arquitetura. Nascida em 1934, em Hastings (Nebraska, Estados Unidos) e residente em Paris desde 1964. 

Simultaneamente, o Instituto Tomie Ohtake fará a mostra monumental “O que que é isso?” em torno da obra de Sheila Hicks, com um recorte histórico sobre a trajetória da artista e suas relações com a arte pré-colombiana e com a América Latina. A curadoria é de Ana Roman, Luis Pérez-Oramas e Paulo Miyada. As exposições serão acompanhadas por uma publicação conjunta do Instituto Tomie Ohtake e da Nara Roesler Books.

A exposição individual de Sheila Hicks na Nara Roesler São Paulo estava inicialmente prevista para 2020, mas o projeto foi interrompido pela pandemia. Em 2025, ao mesmo tempo em que Nara Roesler retomava a ideia de uma individual de Sheila Hicks, Paulo Miyada – então diretor artístico do Instituto Tomie Ohtake – e Ana Roman decidiram convidar a artista para uma exposição. A coincidência dos calendários, a brecha na supersolicitada agenda da artista e a relação histórica entre as duas instituições – marcada também pela amizade entre Tomie Ohtake e Nara Roesler – tornaram o momento especialmente propício para articular as duas mostras. 

As duas mostras consagradas a Sheila Hicks no Brasil fecham um circuito de exposições na América Latina iniciado no Museo Amparo (Puebla, México, 2017) e continuado no Museo Precolombino (Santiago do Chile, 2019), representando com sua presença em São Paulo um grande retorno às fontes históricas do seu trabalho como artista têxtil.

Fragmentos de histórias.

A Galatea anuncia a representação de Romildo Rocha (1989, vive e trabalha em São Luís do Maranhão, Brasil). Este mês, o artista integra o estande da Galatea na SP-Arte Rotas, em uma apresentação conjunta com Zé di Cabeça, de 26 a 30 de agosto, na ARCA, em São Paulo.

Romildo Rocha utiliza a pintura como linguagem artística através da qual desenvolve e retoma um repertório imagético que possui afinidade com as culturas populares do nordeste brasileiro.

Em especial, suas obras se relacionam às práticas, ambientes e imaginários com os quais convive em seu território de origem no Maranhão, incluindo seu universo familiar como filho de um caminhoneiro e uma quebradeira de coco.

Suas pinturas atuam como fragmentos de histórias, povoadas por personagens, relações e acontecimentos que sugerem enredos da vida comum convocados por sensações e situações como tensão, humor, felicidade, medo e amor, entre outros sentimentos, a partir de telas de variadas proporções, em tons harmoniosos em tinta a óleo e acrílica.

Em sua trajetória artística, Romildo Rocha integrou projetos como Estrondo: vibrações da memória (Coletiva, Lima Galeria, Espaço Fátima Lima, São Luís do Maranhão, Brasil, 2026), 17º Salão dos Artistas Sem Galeria (Coletiva, Zipper Galeria, São Paulo, Brasil, 2026); 1ª Bienal das Amazônias – Bubuia: Águas como Fonte de Imaginações e Desejos (Coletiva, Centro Cultural Bienal das Amazônias – CCBA, São Luís do Maranhão, Brasil, 2023), Xilograffiti (Coletiva, Sesc Consolação, São Paulo, Brasil, 2022) e Paratodos (Individual, Galeria do Sesc Centro, São Luís, Brasil, 2020).

Luz, movimento e matéria.

21/ago

A Simões de Assis apresenta “Reverbero”, um diálogo entre Abraham Palatnik e Juan Parada na galeria em Curitiba, PR. A exposição aproxima duas gerações de artistas a partir de suas pesquisas sobre luz, movimento e matéria. Em Abraham Palatnik, camadas, sequências e relevos exploram ritmo e volumetria. Em Juan Parada, a cerâmica se transforma a partir do encontro entre argila, esmaltes, tempo, temperatura e atmosfera. “Reverbero” coloca essas duas pesquisas em relação, revelando diferentes maneiras de pensar a forma e seus processos de transformação.

Abraham Palatnik (Natal, 1928 – Rio de Janeiro, 2020). Pioneiro da arte cinética, expande os caminhos das artes visuais ao relacionar arte, ciência e tecnologia. De modo criativo, e ao longo de mais de 60 anos de carreira, desenvolve maquinários com experimentações artísticas e estéticas diversas. Filho de uma família de judeus russos que se instalou no Brasil em 1912, mudou-se em 1932 para a região onde hoje se localiza o Estado de Israel. De 1942 a 1945, estudou na Escola Técnica Montefiori, em Tel Aviv, onde especializou-se em motores de explosão. Entre os anos 1943 e 1947 frequentou o Instituto Municipal de Arte de Tel Aviv, período importante em sua formação. Em 1948 retornou ao Brasil, fixando-se no Rio de Janeiro. O contato com os artistas locais e as discussões conceituais com o crítico Mário Pedrosa, o fizeram romper com os critérios convencionais, partindo para relações entre a forma e a cor. Por volta de 1949, iniciou estudos no campo da luz e do movimento, que resultaram no Aparelho Cinecromático, caixas com lâmpadas que se movimentam por mecanismos acionados por motores, projetando fontes luminosas sobre a tela. Exposto em 1951, na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, na qual recebeu menção honrosa do júri internacional. Em 1954, Abraham Palatnik passou a integrar o Grupo Frente, ao lado de Ivan Serpa, Ferreira Gullar, Mário Pedrosa, Franz Weissmann e Lygia Clark. A partir de 1964, surgem os Objetos Cinéticos, formados por hastes ou fios metálicos, tendo em suas extremidades figuras geométricas coloridas, que se movimentam lentamente, acionados por motores e eletroímãs. Se nos Aparelhos cinecromáticos a parte eletromecânica não fica aparente ao espectador, nos Cinéticos, parte dessa estrutura é visível. O rigor matemático é constante em sua obra, atuando como importante recurso de ordenação do espaço. É considerado internacionalmente um dos pioneiros da arte cinética, tendo participado de exposições relevantes como algumas edições da Bienal de São Paulo, da XXXII Bienal de Veneza e da exposição Los Cinéticos no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid, 2007. Sua obra está representada em museus e coleções importantes, entre elas: MOMA – Museum of Modern Art, Nova York; Fundación Patricia Phelps de Cisneros, Caracas e Nova York; Museum of Fine Arts, Houston; Royal Museums of Fine Arts of Belgium, Bruxelas; William Keiser Museum, Krefeld; MALBA – Museo de Arte Latinoamericano, Buenos Aires; MAM – Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro; MAC – Museu de Arte Contemporânea, Niterói; MAM – Museu de Arte Moderna, São Paulo; MAC – USP – Museu de Arte Contemporânea, São Paulo; Instituto Itaú Cultural, São Paulo; MAC – Museu de Arte Contemporânea, Curitiba; MON – Museu Oscar Niemeyer, Curitiba e MAC – Museu de Arte Contemporânea, Brasília.

Juan Parada (Curitiba, 1979) graduou-se pela Escola de Belas Artes do Paraná em 2002 e iniciou sua pesquisa em cerâmica em 2003. Desde então, vem trabalhando com instalações, esculturas e intervenções urbanas. Sua investigação contorna principalmente questões sobre a tridimensionalidade e as relações de tempo-espaço. Um recorte significativo de sua poética são os “Relevos Geométricos”, que apresentam um interesse particular do artista por questões gráfico-escultóricas exploradas em relevos no plano bidimensional da parede. Sendo experiências de progressão e fluxo de formas geométricas e orgânicas, advindas de soluções estruturais e fenômenos naturais. Aparecem também referências a formas generativas, tanto em escala micro quanto macro, com padrões que emergem em volumes que atuam em uma lógica matemática. Por volta de 1949, iniciou estudos no campo da luz e do movimento, que resultaram no Aparelho Cinecromático, caixas com lâmpadas que se movimentam por mecanismos acionados por motores, projetando fontes luminosas sobre a tela. Exposto em 1951, na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, na qual recebeu menção honrosa do júri internacional. Foi indicado ao Prêmio Pipa em 2015 e recebeu Menção Honrosa no 2º Salão Nacional de Cerâmica, em Curitiba, em 2008. Participou de diversas exposições, das quais destacam-se: “Upstream Focus” (2022), Upstream Gallery, Amsterdam; “Orgânico” (2021), com curadoria de Marc Pottier, São Paulo; “Turbulências cerâmicas” (2020), Simões de Assis, São Paulo; “Bienal Internacional de Curitiba” (2017), MON – Museu Oscar Niemeyer, Curitiba; “Desenho” (2017), SIM Galeria, Curitiba; “Duas Décadas de Arte Contemporânea: Artistas do Paraná na Bienal de Curitiba” (2012), MON – Museu Oscar Niemeyer, Curitiba. Possui trabalhos na coleção do Museu Oscar Niemeyer, Brasil.

Até 17 de outubro.

Duas maneiras de narrar o Brasil.

A Galatea traz para o estande E04 da feira SP-Arte Rotas 2026 os projetos de Romildo Rocha (1987, São Luís, Maranhão) e de Zé di Cabeça (1969, Salvador, Bahia).

A feira acontece na ARCA, em São Paulo, entre os dias 26 e 30 de agosto. O estande, dividido em dois conjuntos expositivos, converge produções que encontram no território forças inventivas para afirmar outras maneiras de narrar o Brasil e, principalmente, o Nordeste brasileiro.

É do encontro da cultura popular maranhense com o repertório familiar e pessoal, enquanto filho de um caminhoneiro e uma quebradeira de coco, que Romildo Rocha extrai a matéria de sua pintura. O artista constrói cenas em que a lida dos vaqueiros, o Bumba-Meu-Boi, paisagens do interior e situações que acionam sentimentos profundamente humanos surgem como fragmentos de uma memória viva.

Já Zé di Cabeça faz do Subúrbio Ferroviário de Salvador o seu laboratório criativo. Suas pinturas utilizam madeiras de demolição e objetos descartados como suporte para representações de velas, igrejas, terreiros, animais e plantas medicinais que se tornam memórias vivas da periferia soteropolitana.