Oito décadas de arte brasileira.

28/maio

A Galatea tem o prazer de apresentar “Memórias particulares – Oito décadas de arte brasileira”, coletiva que reúne obras produzidas entre as décadas de 1880 e 1980, muitas delas raramente exibidas e preservadas por décadas em acervos privados, fora do circuito expositivo. A abertura acontece dia 28 de maio, das 18h às 21h, na unidade da galeria na Padre João Manuel, São Paulo, SP.

Mais do que uma reunião de obras históricas, a mostra revela um imaginário específico do Brasil construído ao longo do século XX. O núcleo principal da exposição atravessa paisagens urbanas, litorâneas e agrárias, com trabalhos que acompanham as transformações do país e os deslocamentos da visualidade diante da modernização.

Das cenas portuárias de Benedito Calixto às composições de Alfredo Volpi, passando pelas marinhas de José Pancetti, pelas paisagens de Di Cavalcanti e Alberto da Veiga Guignard, a seleção aproxima artistas brasileiros de diferentes gerações, com trajetórias de amplitude nacional e internacional, em torno de um mesmo horizonte simbólico.

A exposição reúne ainda obras de Candido Portinari, Lasar Segall, Victor Brecheret, Milton Dacosta, Flávio de Carvalho e Anita Malfatti. Entre os destaques estão duas pinturas raras de Guignard, incluindo a monumental Paisagem Imaginária (1952), além de marinhas de Pancetti e um importante conjunto de obras de Di Cavalcanti produzidas entre as décadas de 1940 e 1960.

Até 25 de julho.

A Pintura Italiana Hoje.

A Triennale Milano, o Consulado-Geral da Itália e o Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro apresentam, de 04 de junho a 26 de setembro, no Polo Cultural ItaliaNoRio do Rio de Janeiro, a exposição “Pintura italiana hoje. Uma nova cena”, iniciativa promovida pelo Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional.

Projeto concebido pela Triennale Milano, com curadoria de Damiano Gullì – curador de Arte Contemporânea e Public Program da instituição milanesa -, a mostra é viabilizada pelo estreito trabalho conjunto das instituições que coordenaram sua realização na cidade brasileira.

Terceira etapa da turnê internacional, a mostra representa um momento-chave de valorização da pintura italiana contemporânea e de diálogo com o público brasileiro, em linha com a missão do Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro. A presença da artista ítalo-brasileira Giulia Mangoni, que já realizou obras site-specific, favorece ainda o intercâmbio direto entre as cenas artísticas e contribui para fortalecer os já excelentes laços culturais entre os dois países.

Na mostra, estão expostas obras de 27 artistas: Beatrice Alici, Bea Bonafini, Roberto de Pinto, Alice Faloretti, Alessandro Fogo, Andrea Fontanari, Giorgia Garzilli, Genuardi/Ruta (dupla composta por Antonella Genuardi e Leonardo Ruta), Emilio Gola, Cecilia Granara, Diego Gualandris, Viola Leddi, Giulia Mangoni, Andrea Martinucci, Pietro Moretti, Ismaele Nones, Jem Perucchini, Edoardo Piermattei, Aronne Pleuteri, Giuliana Rosso, Davide Serpetti, Mario Silva, Sofia Silva, Marta Spagnoli, Maddalena Tesser e Eva Chiara Trevisan.

O limiar entre colapso e rompimento.

A Galeria 18, Vila Madalena, São Paulo, SP, inaugurou a exposição individual do artista James Rowland, “Ossos da terra”, com curadoria de Valquíria Prates. Reunindo cerca de 20 esculturas.

James Rowland constrói suas obras com materiais como madeira, couro, látex, gesso, tecido e chifres, pigmentando-os com terra, argila e lama de mangue, uma combinação de elementos minerais, vegetais e animais que posiciona o trabalho em um lugar entre organismo e território, arquitetura e armadura, criando formas que parecem ser, simultaneamente, tanto estruturas quanto corpos e resíduos.

As esculturas investigam o limiar entre colapso e rompimento, tentando capturar o momento em que algo já não consegue ser contido. Rasgos, perfurações, saliências e deformações aparecem como marcas das forças que pressionam a matéria de dentro para fora, enquanto os espinhos, ossos e protuberâncias se apresentam como elementos de dualidade que sustentam e atravessam, protegem, mas também tensionam.

O uso de materiais maleáveis e instáveis, como látex e o couro, aprofundam a busca do artista pelo biomórfico, gerando corpos vivos atravessados por forças internas que são, ao mesmo tempo, frágeis e ameaçadoras. Em “Ossos da terra”, James Rowland constrói um espaço onde tudo é corpo vivo, atravessado por memória, pressão e transformação. As esculturas tornam visíveis as tensões que sustentam a vida, tanto em um corpo quanto no próprio mundo.

Sobre o artista.

James Rowland, nasceu na Austrália, mudou-se para a Escócia ainda criança. É formado em Geofísica pela Universidade de Edimburgo, Reino Unido, com um curso de designer-maker em marcenaria, pela escola britânica Waters & Acland.

Até 27 de junho.

Exposição individual de Alexandre Canonico.

27/maio

No dia 30 de maio às 12h, a Kubikgallery, Barra Funda, São Paulo, SP inaugura “A pele do furo”, exposição individual de Alexandre Canonico.

Alexandre Canonico (1974, Pirassununga, Brasil) formou-se em Arquitetura pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo e frequentou o programa de pós-graduação da Royal Academy Schools, em Londres. O desenho está no centro da sua prática. Esculturas, relevos de parede e instalações exploram a relação entre o desenho da coisa e a coisa em si. Sua prática se baseia na articulação de linhas, vazios, formas e cores, resultando frequentemente em composições abstratas que, por vezes, sugerem formas reconhecíveis. Os materiais e procedimentos usados pelo artista se aproximam mais do universo do ‘DIY’ do que de métodos artísticos tradicionais, refletindo as limitações e circunstâncias (orçamento, espaço, disponibilidade de materiais, tempo e etc) de cada projeto. A interdependência entre as diferentes partes que compõem as obras e as marcas dos gestos envolvidos no seu processo de criação reforçam o seu caráter anti-ilusionista. A coisa é a coisa.

Mostra O Que Vem Depois na FDAG Barra Funda.

What Comes Next / O Que Vem Depois é uma exposição coletiva na FDAG Barra Funda, com curadoria de Tamar Guimarães e Kasper Akhøj, reunindo artistas do programa da Fortes D’Aloia & Gabriel de diferentes gerações. Partindo de seu interesse contínuo por estruturas narrativas, pela circulação e pelo estatuto instável das imagens, Guimarães e Akhøj concebem a mostra como uma proposição espacial que resiste a definições fixas. O que se reúne aqui pode ser entendido como um arquivo, uma sala corporativa ou um sítio sacrificial – estruturas que jamais se estabilizam por completo, mas que condicionam o que acontece nelas.

Obras de Anderson Borba, Cerith Wyn Evans, Cristiano Lenhardt, Efrain Almeida, Erika Verzutti, Ernesto Neto, Frank Walter, Gokula Stoffel, Ivens Machado, João Maria Gusmão & Pedro Paiva, Leda Catunda, Mauro Restiffe, Rivane Neuenschwander, Robert Mapplethorpe, Rodrigo Matheus, Tadáskía, Tamar Guimarães & Kasper Akhøj, Tiago Carneiro da Cunha, Valeska Soares e Wanda Pimentel são colocadas em proximidade de modo a se complicarem e se expandirem mutuamente, formando uma constelação moldada mais por associações do que por taxonomias.

Entre escultura, fotografia, filme e instalação, a exposição se desenvolve por meio de um conjunto de relações mutáveis nas quais corpos, objetos e imagens permanecem em fluxo. Uma figura reclinada pode sugerir tanto lazer quanto antecipação; um objeto pode surgir como corpo, suporte ou vestígio, dependendo de onde e de como é encontrado. Nada se contém inteiramente em si mesmo, mas continua em outro lugar, assumindo novas formas à medida que circula. O banco inteiramente em pedra Altar menor, de Guimarães e Akhøj, registra essa condição em forma mineralizada, como se um estado anterior, animado, tivesse se convertido em um local de oferenda que não se separa completamente da troca, da espera e da negociação. Nesse contexto, a exposição reflete sobre o mercado de arte como um campo em que o valor acompanha o desejo e se intensifica através da transformação: as obras são oferecidas, retidas e alteradas conforme circulam, acumulando significados e condições para além de seu ponto de origem.

A exposição é acompanhada por um texto de Tamar Guimarães & Kasper Akhøj.

Até 20 de junho.

Ciclo comemorativo da trajetória de Nara Roesler.

A Nara Roesler, Jardim Europa, São Paulo, SP, convida para a abertura da exposição “O fascínio e o afeto”, com curadoria de Agnaldo Farias e Catarina Duncan e obras de Abraham Palatnik, Amelia Toledo, Artur Lescher, Brígida Baltar, Julio Le Parc, Tomie Ohtake, Rodolpho Parigi, Vik Muniz e José Cláudio da Silva. 

“O fascínio e o afeto” é a segunda exposição do ciclo comemorativo dos 50 anos da trajetória de Nara Roesler, e Agnaldo Farias escolheu 30 obras de artistas que mostram um aspecto talvez não percebido pelo público: a profunda afetividade que envolve a relação profissional de Nara. “Nara sempre agiu como legítima e necessária interlocutora. Além disso, cuidou bravamente em levar suas descobertas ao maior número de pessoas, no seu dever de compartilhá-las com elas”, escreve o curador, ele próprio amigo de muitos anos de Nara Roesler.

Agnaldo Farias, atuante no universo da arte, tanto na vida institucional como acadêmica, curador de diversas bienais e exposições, autor de numerosas publicações, destaca: “Das experiências cinéticas e lumínicas de Julio Le Parc e Abraham Palatnik ao quebra-cabeça imagético de Vik Muniz, passando pelas estruturas orgânicas de Tomie Ohtake e pelas poéticas íntimas de Brígida Baltar, o que se vê nesta exposição é não apenas um conjunto de grandes artistas, mas também a trama de relações construídas por Nara Roesler ao longo de décadas de convivência, interlocução e acompanhamento contínuo de suas trajetórias”.

Um debate na Galatea Salvador.

Esta é a última semana para conferir a coletiva “Barracas e Fachadas do Nordeste”, em cartaz na unidade da Galatea em Salvador até o próximo sábado, dia 30. Realizada em colaboração com a Nara Roesler, a mostra abriu a temporada de exposições de 2026 da Galatea Salvador e se encerra com uma conversa entre o artista Zé di Cabeça, cujas obras integram a mostra, e Alana Silveira, diretora da Galatea Salvador e co-curadora da exposição. O evento acontece no espaço da galeria, dia 30 de maio, às 15h30.

Durante o encontro, os dois abordarão as articulações, pesquisas e interesses estéticos e políticos presentes na produção do artista, dialogando sobre sua trajetória nas artes, bem como sobre as memórias e materialidades que coleta, pinta e resgata em seu cotidiano a partir da vida e da estética do Subúrbio Ferroviário de Salvador.

A partir de materiais coletados em suas derivas pelo território, Zé di Cabeça reinventa itens como madeiras e os transforma em pinturas figurativas com repertório visual de casa de platibandas e fachadas que outrora pertenciam previamente a um imaginário coletivo de uma das regiões periféricas de Salvador.

A presença de Alana Silveira e a atuação da Galatea Salvador intuem a construção de diálogos que inserem artistas nordestinos no debate contemporâneo, mas que instrumentalizam institucionalmente um modo de colaboração e relação entre o campo das artes visuais e o Nordeste brasileiro.

Reunião de arte e sustentabilidade.

26/maio

Celebrando a trajetória de Hugo França, será lançado no próximo dia 02 de junho o livro “Esculturas Mobiliárias” na sede da Embaixada do Brasil em Lisboa com autoria e curadoria de Paulo Herkenhoff.

Lançado pela FGV Arte o livro marca a primeira publicação dedicada exclusivamente ao trabalho de Hugo França. A obra destaca sua trajetória na criação de móveis funcionais partindo de resíduos florestais, nos quais reúne arte e sustentabilidade.

Nascido em Porto Alegre, em 1954, Hugo França construiu sua trajetória a partir de uma relação profunda com a Natureza. Nos anos 1980, ao viver em Trancoso (BA), passou a observar o desperdício na extração da madeira – experiência que transformou completamente seu olhar artístico. Desde então, desenvolve as chamadas “esculturas mobiliárias”, peças únicas criadas a partir de resíduos florestais e urbanos, como troncos, raízes e árvores condenadas pela ação do tempo ou do homem. Hugo França, é um dos maiores nomes do design sustentável brasileiro. Suas criações estão presentes em espaços icônicos como o Palácio do Itamaraty, o Instituto Inhotim, a Fundação Getúlio Vargas Arte, além de galerias renomadas no Brasil e no exterior.

O patrimônio e suas comunidades.

A mostra permanente Arte Pública Cerâmica – Edição Saquarema está entregue para preservar a memória de Saquarema, valorizar o patrimônio e suas comunidades tradicionais, com 67 imagens em fotocerâmica, em painel com 2m². Fixado no dia 07 de maio em área externa da emblemática Casa da Pedra, o painel resgata as memórias do município, que estão preservadas e aberta para visitação dos moradores, turistas e público em geral que frequenta o espaço.

Idealizado pela artista visual e ceramista, Julia Botafogo, com curadoria de Joanna da Hora, a partir da pesquisa histórica de Tainá Miê, o projeto Pedagogia do Barro destaca um dos eixos centrais da realização, quando uma chamada pública reuniu mais de 400 fotografias – cerca de metade enviadas por moradores, revelando narrativas sobre pesca, modos de vida, relações familiares, transformações da paisagem e memórias afetivas do território.  

A artista destaca que o conceito de “Pedagogia do Barro” amadureceu ao longo da experiência, especialmente a partir da reflexão sobre memória e permanência. “Uma das ideias que surgiu desse processo foi pensar a criação de vestígios para o futuro. A cerâmica permanece. Mesmo que um dia o painel não exista mais na parede, esses fragmentos podem sobreviver enterrados, como acontece com os sambaquis. Talvez daqui a milhares de anos alguém encontre esses cacos e reconstrua histórias sobre esse lugar.” Para Julia Botafogo, essa dimensão amplia o sentido da obra pública: “O projeto não fala só do presente. Ele cria marcas materiais capazes de atravessar o tempo.”

Fotografias do arquivo pessoal das comunidades e, também, com a colaboração de instituições locais, responsáveis por cerca de 200 fotografias provenientes de diferentes acervos, como: o Museu do Sambaqui; o Templo do Rock; o Museu de Conhecimentos Gerais; e, o acervo do Centro de Memória de Saquarema, de onde vieram mais de 170 imagens e que foi fundamental como ponto de partida para a pesquisa e para a definição dos recortes curatoriais da ação.

O momento certo para emergir.

Cris Ioschpe abriu as portas de seu atelier, Pinheiros, São Paulo, SP, para a primeira exposição individual de Renata Ramalhosa. A mostra “Sedimentos” reúne 17 pinturas recentes em acrílico sobre tela e papel e se integra no espaço em que a artista encontrou um lugar de encantamento. A exposição “Sedimentos” fica em cartaz até 19 de junho, de segunda a sexta, das 10h às 18h, as visitas devem ser agendadas previamente. 

Sedimentos. 

(…) Há talentos que dormem em silêncio, acumulados em camadas, como a própria terra que atravessa as telas de Renata Ramalhosa. Não por escolha deliberada, mas por necessidade. Algo que já estava lá, esperando o momento certo para emergir. Renata é uma mulher multifacetada. Quem a conhece sabe da sua inteligência, da sua presença, da forma como transita com naturalidade por mundos diferentes. Mas havia ainda uma dimensão que ela guardava, talvez de si mesma. Uma sensibilidade que não cabia nas palavras, nas funções, nos papéis que já exercia com tanta competência. Essa dimensão encontrou, finalmente, a tela. Começou a pintar há pouco tempo. E ainda assim, as obras surpreendem.

Stella Villares

Sobre a artista. 

Renata Ramalhosa nasceu em 1973 em São Tomé e Príncipe e é portuguesa. Construiu uma carreira internacional de mais de 25 anos nas áreas de diplomacia econômica, estratégia, inovação e governança, com atuação no Reino Unido, Portugal, França, Brasil e América Latina. Autodidata nas artes plásticas, sempre cultivou a pintura como expressão pessoal.

Sobre Cris Ioschpe.

Cris Ioschpe nasceu em Porto Alegre em 1967, vive em São Paulo desde 2000. Formada em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1992. Nos anos 80 estudou pintura e gravura em Porto Alegre com Maria Tomaselli e Anico Herskovits, e em São Paulo, com Paulo Pasta e Claudio Mubarac, respectivamente. Nos anos 1990, vivendo em Buenos Aires e novamente Porto Alegre, trabalhou no Museo del Grabado e no atelier da Fundação Iberê Camargo, com Eduardo Haesbaert e pintura com Regina Ohlweiler. Em seu atelier em São Paulo recebeu orientação de Evandro Carlos Jardim e Ernesto Bonato, participando de vários projetos na área da gravura, como o “Projeto Lambe-lambe”. Frequentou o curso de Paulo Pasta, “pintura: prática e reflexão” no Instituto Tomie Ohtake em 2013 à 2019.