Novos sentidos e sonoridades

05/set

 

 

Anita Schwartz Galeria de Arte, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a partir de 06 de setembro a exposição “Klangfarbenmelodie – Melodia de timbres”, com obras de Lenora de Barros, Rosana Palazyan, Waltercio Caldas, Augusto de Campos, Paulo Vivacqua, Yolanda Freyre, Cristiano Lenhardt e Antonio Manuel.

 

Os trabalhos gravitam em torno da ideia de melodia de timbres criada em 1911 pelo gênio Arnold Schoenberg (1874-1951), autor da revolução que introduziu um novo campo na música, a música atonal, que rompe com o sistema verticalizado da harmonia, e cria a música horizontal, serial. A melodia passeia entre os vários timbres dos instrumentos, e cada nota passa a ter igual valor no espaço e no tempo, como pontos que flutuam. A mostra antecipa a celebração de 70 anos de “Poetamenos” (1953), de Augusto de Campos, com poemas desenvolvidos a partir da ideia de Schoenberg, e que é apontada como obra precursora do concretismo brasileiro.

 

A exposição reúne trabalhos de artistas que pesquisam, em variadas formas, as poéticas da ressonância como lugar de encontro, seja na intimidade do próprio ser ou no desejo de encontro com o outro. As obras manifestam um espaço para que as vibrações, em suas múltiplas potências, possam se somar entre si, ecoando novas palavras, sentidos e sonoridades.

 

Exibição de Pedro Weingärtner

25/jul

 

 

Com obras distribuídas entre pinturas e desenhos de um dos grandes nomes da arte brasileira inaugura a exposição “Pedro Weingärtner, nosso contemporâneo” em 30 de julho, e segue até 27 de agosto na Galart, Porto Alegre, RS. A mostra coordenada pelo empresário, colecionador e marchand Heitor Bergamini inclui obras apresentadas pela primeira vez  ao público.

 

Exposição de caráter histórico “Pedro Weingärtner, nosso contemporâneo” apresenta 23 obras do célebre artista sendo apresentada pelo historiador da arte e professor Paulo Gomes, um dos principais pesquisadores da obra do artista que afirma: “Seu diálogo preciso com seu tempo, visível nas pinturas de paisagens e de gênero, colocaram o Rio Grande do Sul no mapa artístico do Brasil, um feito inigualável na arte brasileira, talvez equiparado somente às realizações do Clube de Gravura e do Grupo de Bagé, isso mais de cinquenta anos depois”.

 

Trata-se de uma oportunidade para o público conhecer obras raras de Pedro Weingärtner. Boa parte das produções integra o acervo da própria GalArt, além de peças raras do período neoclássico e do modernismo. “Há uma década, quando colecionador iniciante, adquiri a primeira obra de PW (eu me permito tratá-lo assim pela intimidade adquirida nesses anos de convívio). A obra está comigo até hoje. É um retrato de um velho com barba longa com os olhos baixos como a fitar o chão. O desenho é autenticado por nada mais nada menos que Ângelo Guido (outro dos grandes) e integra a exposição”, revela Heitor Bergamini. “Em Pedro Weingärtner eu vejo um artista admirado e valorizado, um dos mais importantes que já surgiu no Rio Grande do Sul e que foi e continua sendo reconhecido nacionalmente”, ressalta.

 

A exposição, antes de sua abertura, já é considerada como fundamental para quem quiser conferir aspectos até então inéditos da obra (atemporal) de um dos mais importantes artistas brasileiros de uma época e da história do Rio Grande do Sul.

 

Sobre o artista

 

Filho de imigrantes alemães, Pedro Weingärtner nasceu em Porto Alegre, RS, em 1853, onde viveu até 1929. Foi pintor, desenhista e gravador. Estudou na Europa e viveu um longo tempo em Roma. Nas obras que compõem a presente exposição destacam-se os retratos, as cenas cotidianas da aristocracia, as paisagens e os desenhos. São justamente os desenhos, a parte menos conhecida e acessível de toda a produção de Weingärtner, mas não menos meritória. “Sua maestria no desenho, disperso em dezenas de folhas, demonstra, de modo cabal, todo o intenso e cuidadoso trabalho de concepção de suas obras, marcado pelos modos da pintura acadêmica (aqui no sentido de filiada aos modos de fazer das academias) que exigia o desenho como base de todo o trabalho”, analisa o historiador Paulo Gomes. Neles, o artista registra seu trabalho em campo nas anotações para paisagens. Denotam ainda a observação atenta dos modos e expressões de modelos nos retratos. Sobre os outros elementos presentes na exposição, Paulo Gomes faz algumas reflexões. “Suas paisagens eram identitárias, fator importante na sua consolidação como artista do Sul do Brasil. Suas pinturas de antiguidades atendiam a um gosto de época. Seus retratos ficaram para trás, perdidos no passado”, reconhece. “Mas restam valores inquestionáveis, como a excelência da sua fatura artística, da sua pintura, do seu desenho e da sua gravura, que impressionam ainda hoje pela qualidade, pela beleza e pelo requinte e finalmente, o seu testamento para nós, seus conterrâneos distantes no tempo”, finaliza.

 

 

Gilvan Nunes volta a expor no Brasil

14/jul

 

 

 

Radicado nos Estados Unidos, Gilvan Nunes abre individual, – até 14 de agosto em exibição -, com curadoria de Fernando Cocchiarale na Galeria Patricia Costa, Copacabana, Shopping Cassino Atlântico, Rio de Janeiro, RJ.

 

“O caminho sempre acaba convergindo”, definiu Gilvan Nunes ao falar sobre as pinturas a óleo, desenhos, cerâmicas e porcelanas que apresenta na individual “Hilomorfismos”, após um hiato de cinco anos sem expor no Brasil. As obras são fruto de um processo que aconteceu durante a pandemia, entre 2020 e 2022. Este período se revelou bastante fértil, tendo o artista produzido trinta pinturas em grandes e pequenos formatos, vinte e oito desenhos desenhos e cincoenta cerâmicas, entre vasos e peças de parede. Segundo Gilvan, as cerâmicas ganharam força a cerca de dez anos, quando se transferiu para a Filadélfia, onde adquiriu um forno e pôde evoluir na técnica. “Meu trabalho sempre foi matérico: paisagens e todas as pinturas. De repente, foi como se eu tivesse uma necessidade de retirar um pouco a matéria e organizar em outro lugar. Talvez tenha sido esse o desejo maior: reorganizar a matéria, separando nas telas e nas superfícies. A experiência de morar fora proporcionou mais tempo para pensar, redirecionar as ideias. Esse “hiato” possibilitou uma espécie de recomeço”, diz Gilvan Nunes que já participou de duas exibições coletivas nos Estados Unidos, onde também já tem marcada uma individual para o ano que vem.

 

A palavra do curador

Anotações sobre gosto, demiurgo

 

Esta mostra de Gilvan Nunes reúne obras em pintura, desenho, cerâmica e porcelana por ele recentemente produzidas. Parte considerável das obras expostas pode ser associada ao abstracionismo, posto que são de difícil identificação levando-nos a buscar no título dado pelo artista à exposição maior consistência poética: Hilomorfismo.

 

Tal conceito remete-nos ao pensamento de Aristóteles, há mais de dois mil anos, segundo o qual todos os seres corpóreos são compostos por matéria e forma. A poética de Nunes e o hilomorfismo encaminham-nos a áreas contíguas como a questão do demiurgo, que trabalhava a matéria ou o caos para dar-lhes forma. No pensamento grego, particularmente no de Platão, é um deus ou o princípio organizador do universo que não cria formas, apenas as modela, com base na contemplação do mundo das ideias.

 

A distinção entre matéria e forma observável na dinâmica poética da obra Gilvan Nunes, de outra maneira, parece ser bastante próxima. A partir desse ponto é que a consideramos importante para certos jogos que exercitam, alimentam e produzem a invenção poética.

 

Gosto é o critério ou o cânone usado para julgar os objetos do sentimento. Foi somente a partir do século XVIII que o gosto foi reconhecido como uma faculdade autônoma, distinta da faculdade teorética (filosófica e matemática), posto que possuía um campo e um pensamento técnico próprio, fato percebido por Leonardo da Vinci já no século XVI (“pittura é cosa mentale”) e, progressivamente, por Kant e Baumgarten no século XVIII.

 

Fernando Cocchiarale, julho de 2022.

 

Sobre o artista

 

Gilvan Nunes nasceu em Vermelho Novo, Minas Gerais, em 1966. Sempre foi fascinado pela natureza, suas cores e formas e passava muito tempo desenhando e pintando. Quando ingressou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, em meados dos anos 1980, teve a oportunidade de interagir com outros artistas de sua geração e com professores fundamentais para sua formação. Naquele momento, ocorria o renascimento da Pintura Brasileira e o Parque Lage era o epicentro desse movimento. Gilvan é enormemente conhecido pelas suas pinturas densas, e também trabalha com desenhos, colagens e gravuras de temas invariavelmente relacionados à sua visão da constante transformação da natureza. Esculpir e trabalhar com cerâmica são paixões mais recentes, paralelamente à pintura. Seu trabalho tem sido exibido em diversas mostras coletivas e individuais, além de feiras de arte em diferentes cidades do Brasil, África, Europa e EUA. Em 2017, Gilvan mudou-se para os Estados Unidos, o que inspirou o artista a criar uma nova série de pinturas a óleo e cerâmica esmaltada. Atualmente, é representado por duas galerias: Galeria Patricia Costa no Rio de Janeiro e InLiquid Gallery na Filadélfia, EUA.

 

 

 

Coletiva na Galeria BASE

27/jun

 

 

 

(A) Parte do Todo na Galeria BASE

O todo sem a parte não é todo,

A parte sem o todo não é parte,

Mas se a parte o faz todo, sendo parte,

Não se diga, que é parte, sendo todo.

Gregório de Matos “O todo sem a parte não é todo”

 

A Galeria BASE, Jardim Paulista, São Paulo, SP,  apresenta a coletiva “(A)PARTE DO TODO”, com obras de Andrea Fiamenghi, Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino, Antonio Dias, Bruno Rios, Christian Cravo, Gilvan Samico, Lucas Länder, Luiz Martins, Lygia Pape, Mario Cravo Neto, Mira Schendel, 32 trabalhos de técnicas e suportes variados: xilogravura, cerâmica, guache, acrílica, nanquim, lápis de cera, aquarela, monotipia, colagem e fotografia. A curadoria é de Daniel Maranhão.

 

(A)PARTE DO TODO, estrofe de um poema de Gregório de Matos, oferece uma reflexão fundamental sobre a importância das “partes” que compõe o todo. Na exposição, com trabalhos criteriosamente selecionados pelo curador, a importância do coletivo está centrada no valor artístico das partes; histórias pessoais se entrelaçam e tecem um “mosaico narrativo” único e harmônico. O conceito criado por Daniel Maranhão propõe “pensar paredes temáticas, de modo a que cada uma estabeleça um diálogo entre artistas, movimentos e momentos da história da arte brasileira, abrindo muitas discussões possíveis e relacionando trabalhos aparentemente apartados”.

 

No primeiro segmento, onde o ponto de convergência é Oswaldo Goeldi, tem-se o diálogo entre as xilogravuras de Gilvan Samico interagindo com obras da mesma técnica de Anna Maria Maiolino, datadas de 1967, época na qual a artista produziu a sua importante série de xilogravuras, obras seminais do Movimento da Nova Figuração que eclodiria no ano de 1970, onde se destaca a antológica obra “Glu, Glu,Glu” uma franca alusão à antropofagia, define Daniel Maranhão. Interessante registrar que por serem ambos aprendizes de Goeldi, de alguma forma faz com que as confluências dos trabalhos excedam o aspecto técnico de produção. Na sequência, tem-se Lygia Pape, artista visual e cineasta, com uma obra da série “Tecelar” e trabalhos de Antonio Dias da série “Nepal”. “Ambos foram artistas contemporâneos brasileiros de peso, e que também tiveram como referência o trabalho do gravurista carioca: Pape produziu um curta metragem intitulado “O Guarda-Chuva Vermelho” a partir de algumas gravuras de Goeldi, e Antônio Dias foi também seu aprendiz”, diz o curador.

 

Um novo recorte, agora com obras únicas feitas por três artistas mulheres durante o século XX, compõe a sala do primeiro andar. Nele temos trabalhos adicionais de Anna Maria Maiolino com obras das séries “Marcas da Gota” e “Cartilhas”, bem como obras de Mira Schendel, em especial da série “toquinhos” e uma ecoline produzida com ouro, assim como trabalhos da multi artista Anna Bella Geiger das séries “Burocracia” e “América Latina”.

 

No segundo pavimento, a fotografia ocupa o lado direito da sala expositiva com simbologias associadas a ritos afro-brasileiros registrados pelas lentes de Mario Cravo Neto e Andrea Fiamenghi, com suas imagens, celebram uma ancestralidade básica, fundamental, que compõe nossa história enquanto povo. Como complemento, uma imagem de Christian Cravo registrada no deserto da Namíbia, sul do continente africano, conclui essa seleção.

 

A parte final que compõe o todo advém de um conjunto de obras que Daniel Maranhão selecionou a partir de alguns trabalhos de artistas, representados pela BASE: Bruno Rios, Lucas Länder e Luiz Martins que desenvolvem suas próprias poéticas através de pesquisas formais em torno dos pigmentos, técnicas e texturas que resultam em belas composições abstratas.

 

De 29 de junho a 12 de agosto.

 

 

Mostra original

01/jun

 

 

O convite – ressalte-se que original – é para o dia 04 de junho passar a tarde na loja Pra presente, no Instituto Ling, Porto Alegre, RS. Lá, estará a dupla Rodrigo Núñez e Adriana Daccache,  das 14 às 18 horas, atendendo à titulação da mostra/encontro, exibindo trabalhos de cada um e os que fazem juntos no projeto “Trabalhos de casal”.

 

As possibilidades da argila

27/abr

 

 

 

Sob a titulação de “poros e acúmulos”, entra em cartaz a exposição individual de Carla Santana no Aquário, espaço frontal da Carpintaria, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ, dedicado a introduzir novas vozes do circuito. A mostra reúne um conjunto de obras inéditas que reforça o interesse da artista carioca pela argila e suas possibilidades. A partir da mistura do barro com pigmentos naturais extraídos da terra, Carla Santana produz uma massa aquosa que ela deposita sobre o papel e trabalha por meio de um processo de subtração e acúmulo, criando um surpreendente vocabulário morfológico.

 

 

“A minha relação com a argila tem uma dimensão de materializar o imaterial. O barro é uma máscara de expurgação de dores internas, uma via para criar uma narrativa sobre o meu corpo”, explica a artista. O papel se transforma em pele sobre o qual ela cria texturas que se assemelham a poros, a veias e a vísceras, uma lupa sobre corpos – humanos e animais – tingidos de tons de mostarda, terracota, branco e preto, com inserções pontuais de azul.

 

 

Formada em teatro, tendo trabalhado nas companhias Terraço Artes Integradas e Mundé, Carla Santana adentra o universo artístico a partir do palco, refletindo acerca da dimensão narrativa do corpo. Referenciando essa fase formativa, ela esgarça a experiência sensorial e faz do elemento tátil peça primordial de sua prática. No início de sua trajetória depositou a argila sobre o próprio corpo; depois, adentrou ao processo de modelagem e escultura, para chegar a uma dimensão instalativa do material e então desmanchá-lo até transformá-lo em tinta. A foto-performance em preto e branco que integra a exposição sintetiza seu trabalho: um corpo imerso de cabeça na argila. “Eu preciso do acúmulo para subtrair e criar uma imagem, a foto também é sobre o acúmulo, uma montanha de argila. Da terra viemos, para a terra voltaremos”, conclui.

 

 

Sobre a artista

 

 

Carla Santana nasceu em São Gonçalo, Rio de Janeiro, 1995. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Dentre suas exposições destacam-se: Vou ao redor de mim, Centro Cultural Paschoal Carlos Magno (Niterói, Brasil, 2019); Submersiva – Ato 1, Auroras (São Paulo, Brasil, 2021); Crônicas cariocas, MAR – Museu de Arte do Rio (Rio de Janeiro, Brasil, 2021); Engraved into the Body, Tanya Bonakdar Gallery (New York, USA, 2021); Escrito no corpo, Carpintaria (Rio de Janeiro, Brasil, 2020) e Sob a Potência da Presença, Museu da República (Rio de Janeiro, Brasil, 2019).

 

 

Até 18 de junho.

 

 

Antonio Parreiras no MAC-Niterói

10/jan

 

 

Abrindo as comemorações dos 80 anos do Museu Antonio Parreiras (MAP), o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, RJ, em parceria com a Fundação de Arte do Estado do Rio de Janeiro – FUNARJ, apresenta de até 23 de janeiro a exposição “Antonio Parreiras: paisagens e marinhas”.
Com curadoria de Vanda Klabin, a mostra reúne 37 telas realizadas pelo pintor, entre 1887 e 1937, e evidencia o pioneirismo do Museu Antonio Parreiras, como primeiro museu de arte do estado do Rio de Janeiro e o primeiro no Brasil, dedicado à memória de um artista.

Reconhecido como um dos principais paisagistas brasileiros, Antonio Diogo da Silva Parreiras nasceu em Niterói, em 1860. Em 1884, quando aluno do artista alemão Georg Grimm, abandonou a Academia Nacional de Belas Artes, acompanhando o mestre e outros colegas para formar o Grupo Grimm, no bairro de Boa Viagem.

 

Realizou diversas viagens de aperfeiçoamento à Europa, pintou paisagens, nus, retratos e quadros de temas históricos, sendo escolhido como o maior pintor brasileiro em votação realizada pela revista Fon-Fon, em 1925. No ano seguinte, amplamente consagrado como artista, publicou o livro autobiográfico “História de um pintor contada por ele mesmo”.

Sobre a obra de Parreiras, Vanda Klabin destaca a forte relação do artista com a paisagem: “Sua sensibilidade pictórica e o constante fascínio que a natureza observada de perto exerceram no seu vocabulário visual traduzem a sua contribuição inovadora para o universo da arte brasileira”.

A intepretação singular da natureza pelo pintor poderá ser conferida, no salão principal do MAC, em telas como “A tarde”, vendida em 1887 para a Academia Imperial de Bellas Artes, para financiar a primeira viagem de estudo do artista à Europa, e “O fogo”, integrante da última exposição de Antonio Parreiras, em 1936, e que denuncia as queimadas nas florestas brasileiras.

Antonio Parreiras faleceu a 17 de outubro de 1937, deixando viúva a Dona Laurence Palmyre Martigué Parreiras, sua segunda esposa. Por sugestão dela, o governo do Estado do Rio fundou o Museu na casa onde o artista morou por 43 anos, na rua Tiradentes, 47, bairro do Ingá. A inauguração, com caráter solene, foi realizada a 21 de Janeiro de 1942. Como primeiro diretor, foi designado o arquiteto e pintor italiano, naturalizado brasileiro, Pedro Campofiorito.

A mostra “Antonio Parreiras: paisagens e marinhas”, que é patrocinada pela SPE Praia de Boa Viagem, conta também com duas obras do artista alemão George Grimm, mestre de Parreiras, e um retrato do homenageado, por Numa-Camille Ayrinhac.

Em cartaz na Silvia Cintra + Box4

05/set

A artista plástica mineira Ana Maria Tavares inaugura no próximo dia 17 de setembro sua terceira mostra individual na galeria Silvia Cintra + Box4, Gávea, Rio de Janeiro, RJ. Em “O Real Intocável”, Ana Maria Tavares apresentará dez trabalhos inéditos que exploram a relação entre arte e arquitetura, temática constante de toda a sua obra. Além da arquitetura que é sempre o ponto de partida da artista, outro aspecto que é fundamental em sua produção é a cultura industrial presente na feitura de suas obras, que são sempre criadas em fábricas. “O território que mais me inspira é a indústria. Os lugares que me levam realmente a ter grandes ideias são sempre esses das técnicas, porque quanto mais eu sei como fazer, mais eu posso expandir aquilo que eu quero fazer”, ressalta a artista.
Embora esse rigor industrial seja visível nas obras, o fazer das mesmas obedece outro ritmo, quase artesanal. Ana entra na fábrica e altera o que seria uma produção em série, criando novas cores, novos materiais e técnicas. O resultado final são obras de aspecto industrial, mas com um caráter único, próprio de uma obra de arte. Para a mostra da galeria os materiais trabalhados pela artista são impressões fotográficas sobre materiais espelhados e transparentes e filetes e placas de mármores. A partir deles são criadas obras que Ana considera como “ruínas do futuro, cartografias contaminadas, a fim de criar um universo que transita entre o arqueológico, o urbanismo antinatural, a geometria e a vida orgânica.”

 

Sobre a artista

 

Ana Maria Tavares (Belo Horizonte, 1958) vive e trabalha em São Paulo. Graduada em Artes Visuais pela FAAP (São Paulo, 1982) é mestre pela School of the Art Institute of Chicago (1986) e doutora pela Universidade de São Paulo (2000). Em 2001, ganhou a bolsa da Guggenheim Foundation, Nova York; em 2005 foi convidada pela Rijksakademie de Amsterdã e em 2007 pelo Programa de Residência da Universidade Nacional de Bogotá, Colômbia como residente e artista palestrante. Neste mesmo ano, foi nomeada para a Ida Ely Rubin Artist-in-Residence pelo MIT – Massachusetts Institute of Technology (EUA), onde orientou alunos de mestrado, realizou pesquisa e palestras sobre seu trabalho. Em 2013 recebeu o prêmio Lynette S. Autrey Visiting Scholars pelo Humanities Research Center da Rice University, Huston (EUA), para desenvolver a pesquisa Natura In-Vitro: Interrogando a Modernidade e atuar como professora visitante. Em 2016 Recebeu da APCA – Associação Paulista de Críticos o prêmio Melhor Retrospectiva com a exposição “No Lugar Mesmo: uma Antologia da obra de Ana Maria Tavares” na Pinacoteca do Estado em São Paulo. Dedica-se desde 1982 a atividades didáticas em nível superior atuando em inúmeras escolas de arte e programas de orientação de artistas em São Paulo. Entre 1993 e 2017 foi docente e orientadora na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo onde atualmente colabora no Programa de Pós Graduação. Sua primeira individual, Objetos e Interferências, foi realizada na Pinacoteca do Estado de São Paulo em 1982. Dentre as exposições individuais realizadas no Brasil, destacam-se: Porto Pampulha (1997); Relax’o’vision (1998); Visiones Sedantes (2000); Numinosum (2002); Enigmas de uma Noite com Midnight Daydreams (2004); Desviantes (2011); Tautorama e Natural-Natural: Paisagem e Artificio em 2013; Atlântica Moderna: Purus e Negros (2014). Em 2015 realizou duas individuais em São Paulo: Sinfonia Tropical para Loos, na Galeria Vermelho e Cárceres a Duas Vozes: Piranesi e Ana Maria Tavares, no Museu Lasar Segall. Realizou, em 2016 a individual Forgotten Mantras na Galeria Silvia Cintra e a retrospectiva na Pinacoteca do Estado em São Paulo. Dentre as exposições individuais realizadas no exterior destacam-se: Middelburg Airport Lounge com Parede Niemeyer (The Vleeshal. Holanda, 2001), Entrückte Körper – GRU/TXL (Vostel Galerie. Alemanha, 2002), Landscape for Exit I and Exit II (Culturgest. Portugal, 2005), Cristal Waters (Kroller Muller Museum. (Holanda, 2008) e Deviating Utopias (Frist Center for the Arts. EUA, 2013). Em 2015 foi comissionada pela Rolls Royce para desenvolver um projeto inédito, intitulado Deviating Utopias with Victorias Regias (Gallery Weekend. Alemanha, 2015). Tavares participou de várias exposições coletivas em museus internacionais, entre eles: Modernité, Art Bresiliènne du XX Siècle, Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris (França, 1987); Ultramodern: The Art of Contemporary Brazil, National Museum for Women in the Arts, (EUA, 1993); ES 97 Tijuana, (México, 1998); VII Bienal de la Habana (Cuba, 2000); Istanbul Biennial (Turquia, 2001); Côte à Côte, Art Contemporain du Brésil, capc Musée d’art contemporain, (França, 2001); Living Inside the Grid, The New Museum of Contemporary Art (EUA, 2003); The Straight or Croocked Way, Royal College of Art (Inglaterra, 2003); Auf Eigene Gefahr/At your Own Risk, Schirn Kunsthall (Alemanha, 2003); Conceptualisms: Zeitgenossische Tendenzen in Musik (Alemanha, 2003); The Encounters in the 21st Century: Polyphony – Emerging Resonances, 21st Century Museum of Contemporary Art (Japão, 2004); Farsites: Urban Crisis and Domestic Symptoms in Recent Contemporary Art, San Diego Museum of Art (EUA, 2005); Belief, Singapore Bienalle (2006); Grandeur: Sonsbeek_10 (Holanda, 2008); Blooming Now: Brasil – Japão, o seu lugar. Toyota Municipal Museum of Art (Japão, 2008); When Lives Become Form: Creative Power from Brazil, Hiroshima City Museum of Contemporary Art e Museum of Contemporary Art Tokio (Japão, 2009); After Utopia, Centro per l’arte contemporanea Luigi Pecci.Prato. (Itália, 2009); NeoTropicália. Yerba Buena Center for the Arts (EUA, 2009); Colección IX. Colección Fundación ARCO, Centro de Arte Dos de Mayo, (Espanha, 2014); Spots, Dots, Pips, Tiles: An Exhibition About Dominoes, Perez Museum (Miami, 2017). Suas obras estão em várias coleções privadas e em acervos públicos, como: Kröller Müller Museum (Holanda); FRAC-Haute Normandie – Fonds Régional d’Art Contemporain, (França); Fundação de Serralves (Portugal); Culturgest (Portugal); Fundação Arco (Espanha); Museum of Fine Arts Houston (EUA); MuHKA – Museum van Hedendaagse Kunst Antwerpen. Bélgica; e, no Brasil, na Pinacoteca do Estado de São Paulo; Museu de Arte Contemporânea da USP; Museu de Arte Moderna de São Paulo; MAC- Museu de Arte Contemporânea de Niterói, RJ; Museu de Arte de Brasília; Coleção de Arte da Cidade de São Paulo do Centro Cultural São Paulo; MAP – Museu de Arte da Pampulha, MG; Museu Nacional da República; Universidade Federal de Uberlândia; Casa da Cultura de Ribeirão Preto; e SESC Belenzinho.

 

Até 19 de outubro.

Unidos pela cor.

30/ago

Assim podemos colocar a relação dos artistas Ana Luiza Rego, Bruno Schmidt e Roberto Barciela. Com linguagens e poéticas completamente díspares, eles se juntaram na exposição “Margens e Confluências”, que abre no dia 1º de setembro, na galeria principal do Parque das Ruínas, Santa Teresa, Rio de Janeiro, RJ. Com curadoria de Isabel Sanson Portella, a exposição será composta por cerca de 15 obras e uma instalação e poderá ser visitada até 30 de setembro.

 

“A arte contemporânea legitima a cor despojando-a das técnicas tradicionais da pintura e transgride plataformas ao pensar em novas modalidades da imagem: coloca o espectador e o espaço como elementos centrais da experiência cromática”, analisa Isabel Portella.

 

Nos trabalhos de Ana Luiza Rego, representações bem humoradas de objetos que se tornaram ícones de consumo, ascensão social e luxo compõem um cenário para a história de personagens inspiradas na figura bíblica de Salomé, independentes, poderosas e atemporais, que transitam por diferentes épocas. Entre estes elementos, representações masculinas inspiradas em João Batista apresentam um tipo de homem descartável, que já não cabe mais no mundo feminino contemporâneo da mulher independente. A técnica utilizada, óleo sobre tela, resulta em uma pintura matérica, rítmica, onde o olhar circula pela obra acompanhando as pinceladas e os pontos de cor.

 

Com desdobramento da série “Extrativista Urbano”, Bruno Schmidt utiliza fragmentos de revestimentos sintéticos resgatados de escombros, buscando nas ruas o suporte físico para seus trabalhos e invertendo o olhar para o chão, tirando dos abandonos e entulhos a base para o projeto intransitável. Pisos desgastados e descartados formam um grande mosaico com as intervenções geométricas. Invertidos em sua concepção, mostra o improvável como protagonista, a indigência resgatada da forma, reposicionando para as paredes do Parque das Ruínas.

 

Na série “Réguas”, Roberto Barciela proporciona uma alternância ao intensificar o colorismo industrial com a descoberta da imagem no plano, fazendo emergir a tridimensionalidade que leva o espectador a exercer um jogo entre imagem e impacto cromático. O artista utiliza materiais e suportes diversos como acrílico, isopor, espuma, madeira e ferro, levando a ideia de pintura ao espaço. Além disso, o artista levará ao espaço uma instalação inédita que pertence à Cena Poética, da série “Maquetes”, um projeto de instalação construído em espaços específicos. Como base, o chão será forrado de fragmentos de espelho e areia lavada e, sobre esses espelhos, colunas de ferro, elementos vazados, gerando verticalidade, preenchendo o espaço com um pequeno núcleo de grama esmeralda na qual será plantado um bonsai, colocado quase ao centro da obra.

 

 

 

Sobre Ana Luiza Rego

 

 

Ana Luiza Rego tem a vida dividida entre Rio e Nova York, além de frequentes idas à Europa, onde mantém laços familiares, foram anos de pesquisas visitando exposições e museus pelo Brasil e exterior. Entre as exposições mais marcantes, destacam-se “Geraçōes” – Ana Luiza Rego e Rubens Gerchman – Museu da República – Rio; “Rio” – Galeria Patricia Costa; “Brasilialaniche Knust auf Papier” – MOYA – Museum of Young Art – Vienna; “Arte Brasileira Sobre Papel” – Fundação Medeiros e Almeida – Lisboa; “Arte Brazilleña sobre papel” – Palacio Maldonado – Madrid.

 

 

 

Sobre Bruno Schmidt

 

 

Bruno Schmidt é artista plástico, carioca e nascido em 1967. Estudou na Faculdade de Comunicação Hélio Alonso e na Escola de Artes Visuais do Parque Laje EAV. Participou de residência na França, onde expôs três vezes.

 

 

 

Sobre Roberto Barciela

 

 

Roberto Barciela é artista plástico, nasceu no Rio de Janeiro, onde mora e vive atualmente. Suas obras fazem parte de coleções particulares. Participou de exposições e salões de arte no Brasil e no exterior, onde recebeu prêmios e menções honrosas: Premiado no Novíssimos IBEU 2008; Prêmio SESC de Fotografia Marc Ferrez – edição 2009; Prêmio Aquisição no 7o. Salão de Acubá – Cuiabá MT, 2011. Participa pelo quarto ano consecutivo de exposições no exterior. Fez residência artística na França, Provence, Saint Véran, no ano de 2016. Roberto atua como Artista Visual desde os anos 1980, formado pela Escola de Artes Visuais EAV. Roberto Barciela atualmente trabalha no ateliê do Vale das Videiras, Petrópolis, Rio de Janeiro / RJ.

Paulo Bruscky em Paris

09/jan

Paulo Bruscky durante a montagem de sua exposição no Centre Pompidou, Paris. A mostra, integra o programa “L’oeil écoute”, apresenta um recorte panorâmico da produção do artista desde o final dos anos 60, incluindo poemas/processo, filmes de artista, poesia sonora/áudio arte, classificados, arte correio, poesia visual, projetos conceituais, etc. Há ainda uma seção em homenagem/diálogo com o multiartista pernambucano Vicente do Rego Monteiro.

 

Parte dos trabalhos expostos será incorporada ao acervo da instituição francesa após o término da exposição, em cartaz até abril de 2018.