Maria Martins e Marcel Duchamp.

05/ago

A Pinakotheke Editora lança “Impossível: a história de amor de Maria Martins e Marcel Duchamp”, do historiador de arte americano Francis M. Naumann. O lançamento será no dia 11 de agosto, às 19h, na Pinakotheke São Paulo, em Higienópolis, com uma conversa aberta entre o autor e o público, seguida de sessão de autógrafos e visita à exposição “Surrealismos: arte para além da razão”, na Pinakotheke São Paulo, em cartaz até 15 de agosto, onde há uma sala especial dedicada a Maria Martins, com uma coleção de esculturas e gravuras produzidas pela artista entre os anos 1940 e 1950.

Publicado nos EUA em abril de 2026 pela Abbeville Press, o livro ganha edição em português, com 192 páginas, ilustrado, e tradução de Richard Sanches. Com base em documentos e correspondências inéditas, Francis M. Naumann (1948), pesquisador e curador especializado em Dadaísmo e Surrealismo, conta, em um texto cativante, um dos episódios mais bem guardados da história da arte moderna: o caso amoroso entre o francês Marcel Duchamp (1887-1968) e a escultora brasileira Maria Martins (1894-1973), vivido em segredo na Nova York dos anos 1940. O amor secreto gerou obras-primas dos dois artistas, e o livro faz uma reparação histórica a Maria Martins, uma das escultoras surrealistas mais importantes e reconhecidas de sua geração.

Uma história de amor que gerou obra-prima.

Entre 1943 e 1951, Duchamp – já celebrado como um dos maiores intelectuais da arte do século XX – e Maria Martins viveram um caso amoroso intenso e deliberadamente oculto. Ela era escultora, brasileira, casada com o embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Ele era o artista que havia abandonado a fama para se dedicar ao xadrez e que, ao encontrá-la, se apaixonou pela primeira e única vez na vida.

O que Naumann narra é que esse amor não foi apenas uma história pessoal: foi o motor criativo que levou Duchamp a passar os últimos vinte anos de sua vida trabalhando em segredo em sua última e mais perturbadora obra, “Étant donnés” (1966), um “tableau” em tamanho natural que, quando inaugurado postumamente no Philadelphia Museum of Art em 1969, chocou o mundo da arte com a imagem de uma mulher nua, deitada, com as pernas abertas, segurando um lampião a gás. O modelo para aquela figura era o corpo de Maria Martins.

Uma descoberta histórica sobre Duchamp.

Naumann, maior especialista vivo na obra de Duchamp, e autor de sua correspondência selecionada, demonstra com rigor documental que a influência da escultora brasileira sobre o artista foi muito mais profunda do que se sabia. A partir de desenhos preparatórios, moldes do corpo de Maria, cartas trocadas pelo casal e análises formais das esculturas de ambos, o autor reconstrói a gênese do “Étant donnés” e prova que a relação entre a obra de Maria – especialmente suas esculturas surrealistas do ciclo amazônico – e a última grande obra de Duchamp nunca havia sido explorada pela literatura especializada.

A revalorização de Maria Martins.

O livro “Impossível” é também um ato de reparação histórica. Maria Martins foi, nos anos 1940, uma das escultoras surrealistas mais importantes e reconhecidas de sua geração. Celebrada por André Breton, comprada por Nelson Rockefeller, exposta nas galerias mais importantes de Nova York. Após sua morte, foi progressivamente esquecida fora do Brasil. Naumann a recoloca no centro da narrativa da arte moderna, não como musa ou coadjuvante, mas como artista que influenciou decisivamente o percurso criativo do homem considerado o artista mais inteligente do século XX. A escultura “O Impossível” (1945), de Maria Martins, condensa a dualidade entre desejo e interdito que atravessa sua produção. As formas orgânicas e ambíguas da escultura convidam o espectador a habitar um território de transformação permanente, no qual corpos se fundem à natureza e escapam de definições estáveis. A obra dialoga com o imaginário surrealista, mas carrega marcas fortes da fauna e das mitologias americanas. Há três versões de “O Impossível”: em bronze, pertencente ao acervo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; em gesso, no Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (Malba); e em bronze, produzida em 1946, no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA). Na exposição “Surrealismos: arte para além da razão”, na Pinakotheke São Paulo, dentro da sala especial dedicada a Maria Martins, está a obra “Impossible” (1946), gravura em metal sobre papel, 34 × 26 cm.

Extratos dos arquivos de Cérès Franco.

15/jul

Em 1966, Corneille e Cérès Franco ajoelharam-se no chão de uma galeria parisiense para observar os guaches de Chaïbia. Corneille murmurou: 

“Tal como CoBrA, tal como CoBrA”. 

Esta cena revela algo essencial sobre estas três figuras: o pintor holandês, a camponesa marroquina que se tornou pintora e a galerista brasileira que os reuniu. Cada um deles era também, secreta ou publicamente, poeta. Este livro apresenta os seus escritos, na sua maioria inéditos, extraídos dos arquivos de Cérès Franco.

Luiz Zerbni exibe Estrelas Escolhidas.

26/jun

O Ministério da Cultura, o Nubank e o Instituto Tomie Ohtake, Pinheiros, São Paulo, SP, apresentam “Estrelas Escolhidas”, exposição individual de Luiz Zerbini sob curadoria de Ana Roman e Luiza Mello.

A mostra reúne cerca de 230 obras produzidas ao longo dos últimos dez anos, entre monotipias, pinturas, livros de artista e instalações, marcadas pela investigação da monotipia realizada a partir do contato direto com plantas, folhas, galhos, cascas e outras materialidades. O conjunto inclui trabalhos desenvolvidos a partir do acervo botânico do Instituto Inhotim e do Sítio Burle Marx, além de obras que ampliam o diálogo da produção gráfica de Luiz Zerbini com diferentes contextos, como as pesquisas relacionadas à gravura japonesa Ukiyo-e.

Além das obras gráficas, a exposição apresenta núcleos dedicados às publicações produzidas pelo artista, além de um projeto sobre etnobotânica ainda em desenvolvimento. Mesas e instalações concebidas para a exposição aproximam processos, matrizes, referências e obras finalizadas, revelando o caráter experimental e processual da pesquisa de Luiz Zerbini.

Livro e exposição de Marina Saleme.

A exposição “Ralo”, individual de Marina Saleme, na galeria Luisa Strina, Cerqueira Cesar, São Paulo, SP, apresenta mais de 20 pinturas inéditas em diferentes dimensões, acompanhadas de texto crítico de Galciani Neves. Na mesma ocasião, a Act Arte lança “Marina Saleme”, publicação que traça um amplo panorama da trajetória artística de Marina Saleme. O livro, organizado pela própria artista, reúne pinturas, desenhos e trabalhos que atravessam distintos momentos de sua produção e conta com textos críticos de Ana Maria Belluzzo, Felipe Scovino e Tadeu Chiarelli.

Contemplação do ato de desaparecer

Nas mais de 20 obras que compõem “Ralo”, Marina Saleme mostra que segue movida pelo gesto de descobrir a cor na superfície da tela, deixando-se conduzir pelo processo de elaborar o que a pintura pode ser enquanto pinta, e motivada pelo desejo de se surpreender com os novos desafios de linguagem e de experimentação diante da tela. Por meio de rios, mares, céus e rochas, que se entrecruzam e se unificam, a artista reflete sobre um derretimento do mundo, como se tudo o que está sobre a terra tivesse um destino, um fluxo, uma impermanência, um tempo linear irreversível, que desemboca em um ralo, no ato de escoar.

De acordo com Galciani Neves, que assina o texto crítico da exposição, “Ralo” narra o pensamento de Marina Saleme, que se embrenha entre suas pinturas a partir de um tempo que não cessa, não pausa, e que se esvai como uma espécie de durante sempre fugidio.

Trajetória da artista em mais de 200 páginas

Por ocasião da abertura da mostra, a Act Arte – casa editorial sob direção de Fernando Ticoulat – lança o livro monográfico “Marina Saleme”, que, ao longo de mais de 200 páginas, apresenta um panorama da produção da artista, destacando mais de três décadas dedicadas à pintura e à fotografia. O livro evidencia como, entre atmosferas de silêncio, melancolia e suspensão, Marina Saleme trabalha com a instabilidade das imagens: formas revelam-se ao mesmo tempo em que são ocultadas por camadas de tinta, véus de cor e rastros de matéria.

Temas como fragilidade, incerteza, dissolução e aparição – seja em paisagens fantasmagóricas, figuras esfaceladas ou cenas cotidianas que se tornam enigma – são foco de ensaios críticos de Felipe Scovino, Ana Maria Belluzzo e Tadeu Chiarelli, que contextualizam a pesquisa da artista no campo da pintura contemporânea brasileira, analisando sua relação com o neoexpressionismo dos anos 1980, sua passagem por experimentações matéricas nos anos 1990 e sua expansão para a fotografia nas séries dos anos 2000 e 2010. Ao longo do livro, imagens de obras, séries e detalhes de pinturas revelam um fazer artístico guiado pela intuição, pelo tempo e pelo mistério.

A publicação, editada por Yasmin Abdalla, Paula Nunes e Marina Dias Teixeira, e  publicada pela Act Arte, é uma realização do Ministério da Cultura e conta com patrocínio do Itaú, apoio de Marina Saleme Estamparia e apoio institucional da galeria Luisa Strina.

Até 25 de julho.

Reunião de arte e sustentabilidade.

26/maio

Celebrando a trajetória de Hugo França, será lançado no próximo dia 02 de junho o livro “Esculturas Mobiliárias” na sede da Embaixada do Brasil em Lisboa com autoria e curadoria de Paulo Herkenhoff.

Lançado pela FGV Arte o livro marca a primeira publicação dedicada exclusivamente ao trabalho de Hugo França. A obra destaca sua trajetória na criação de móveis funcionais partindo de resíduos florestais, nos quais reúne arte e sustentabilidade.

Nascido em Porto Alegre, em 1954, Hugo França construiu sua trajetória a partir de uma relação profunda com a Natureza. Nos anos 1980, ao viver em Trancoso (BA), passou a observar o desperdício na extração da madeira – experiência que transformou completamente seu olhar artístico. Desde então, desenvolve as chamadas “esculturas mobiliárias”, peças únicas criadas a partir de resíduos florestais e urbanos, como troncos, raízes e árvores condenadas pela ação do tempo ou do homem. Hugo França, é um dos maiores nomes do design sustentável brasileiro. Suas criações estão presentes em espaços icônicos como o Palácio do Itamaraty, o Instituto Inhotim, a Fundação Getúlio Vargas Arte, além de galerias renomadas no Brasil e no exterior.

Lançamento de Maria K na Livraria Argumento.

18/maio

 

A Nara Roesler Books lança o livro “Maria K.”, primeira publicação dedicada à obra da artista Maria Klabin na Livraria Argumento, Leblon, Rio de Janeiro, RJ, no dia 18 de maio, às 19h. No dia do lançamento haverá um bate-papo com Maria Klabin e uma das autoras do livro, Priscyla Gomes.

Maria Klabin, nascida em 1978, no Rio de Janeiro, é reconhecida por suas pinturas e desenhos criados a partir do ambiente que a cerca. Suas obras fazem parte de importantes acervos institucionais, como o Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, e Itaú Cultural, em São Paulo.

Preço do livro: R$ 160,00. 

Antonio Dias nos anos de exílio em Milão.

09/mar

Lançamento de publicação acompanhado de debates marca a última semana da exposição Antonio Dias/Image +  Mirage na Gomide&Co, Avenida Paulista, até 21 de março. O lançamento acontece no Instituto de Arte Contemporânea (IAC) no dia 14 de março (sábado), das 11h às 17h.

Na ocasião do lançamento, serão realizadas duas rodas de conversa sobre Antonio Dias e a exposição. A primeira acontece às 11h com a participação de Gustavo Motta, Sérgio Martins e Lara Rivetti, com mediação de Deyson Gilbert. A segunda será às 15h com a presença de Paulo Sergio Duarte e Luiz Renato Martins, com mediação de Gustavo Motta. Ambos os debates serão realizadas no auditório do IAC, no espaço do subsolo da instituição.

Resultado da colaboração entre a Gomide&Co e a Sprovieri, a publicação apresenta um conjunto de pinturas realizadas por Antonio Dias durante seus primeiros anos de exílio em Milão, entre 1968 e 1971, além de documentação complementar proveniente do Fundo Antonio Dias do IAC. O volume acompanha e registra as exposições ANTONIO DIAS: THE ILLUSTRATION OF ART, 1969-1971, apresentada pela Sprovieri, em Londres (15 de outubro a 19 de dezembro de 2025), e ANTONIO DIAS / IMAGE + MIRAGE, na Gomide&Co, em São Paulo (10 de fevereiro a 21 de março de 2026).

Entre as obras reproduzidas, destacam-se pinturas exibidas na primeira exposição individual de Antonio Dias no antigo Studio Marconi, em Milão, em 1969. Na sua ampla maioria, trata-se de trabalhos preservados por Gió Marconi, filho de Giorgio Marconi. À frente da Galleria Gió Marconi desde 1990 – após ter trabalhado com o pai no espaço experimental Studio Marconi 17 (1987-1990)-, Gió também é responsável pela Fondazione Marconi, fundada em 2004 com o objetivo de dar continuidade ao legado do pai.

Nuno Ramos representado por duas galerias.

02/mar

Almeida & Dale e a Cerrado Galeria anunciam a co-representação do escritor e artista Nuno Ramos. Sua prolífica obra assume a permeabilidade entre pintura, instalação, escultura, texto, peças teatrais e sambas. Seu corpo de trabalho pode ser entendido como um conjunto de tentativas, isoladas ou combinadas, de entranhar o fazer artístico na matéria, de criar arranjos provisórios entre opostos, de concatenar movimentos e de armar cenas conduzidas por atores humanos e não humanos. 

A palavra, o tempo presente e a realidade político-histórica e cultural do Brasil são tópicos recorrentes em sua prática, em diálogo com figuras fundamentais de diferentes áreas da cultura. Suas obras se dirigem aos limites da matéria, da linguagem e do objeto de arte, ora com aspecto vivaz, ora melancólico, colocando em fragilidade a atuação e o controle da própria ação criativa. 

Nuno Ramos iniciou sua trajetória nos anos 1980 e é um dos nomes determinantes da arte contemporânea brasileira. Ele acumula passagens por quatro edições da Bienal de São Paulo, além de participações nas Bienais de Veneza, do Mercosul e de Havana. Foi premiado pelo conjunto de sua obra com o Grant-Award da Barnett and Annalee Newman Foundation e, como autor, recebeu duas vezes o Prêmio Portugal Telecom. Sua obra integra acervos institucionais como os do Instituto Inhotim, Jewish Museum, MAM São Paulo, Pinacoteca de São Paulo, Städtische Galerie Villa Zanders, Tate Modern, Thyssen-Bornemisza e Walker Art Center, entre outros. 

Em 2026, Nuno Ramos estreia no Theatro Municipal de São Paulo como diretor, ao lado de Eduardo Climachauska, na ópera Intolleranza 1960, de Luigi Nono. O artista lança ainda neste ano livro em prosa inédito e um novo título dedicado à sua obra, organizado pela curadora Pollyana Quintella e pelo professor e pesquisador Victor da Rosa.

Um registro oportuno e necessátio.

11/fev

O lançamento do catálogo da exposição “Sobre Águas” no Museu do Paço Municipal, Porto Alegre, RS, celebra a água como origem, missão e destino da obra de Vera Reichert, lembrando as exposições realizadas ao longo de sua itinerância, nas cidades de Novo Hamburgo, São Paulo, Brasília e Nova Iorque.

O catálogo é um convite à imersão, à reflexão e ao reconhecimento, revelando uma linguagem visual que interliga memória e futuro deste elemento que nos une e preenche. Com a curadoria e a produção de André Venzon, a publicação apresenta um conjunto de obras, imagens e textos que documentam os espaços que “Sobre Águas” circulou, o público e a trajetória da artista nesta memória das águas, onde cada página revela vida e paixão, para melhor conhecer a obra de Vera Reichert que a água tornou destino. Um registro oportuno e necessário. 

O livro da obra de Maria Klabin.

10/fev

Em meio à exposição “Língua d’água”, na Nara Roesler São Paulo, lançará o livro “Maria K.”, o primeiro dedicado à obra da artista Maria Klabin (1978, Rio de Janeiro). Com 256 páginas, capa dura, formato de 17,5 x 24,5cm, bilíngue (port/ing), a publicação editada por Nara Roesler Books tem apresentação de Luis Pérez-Oramas e textos de Pryscila Gomes e Pollyanna Quintella. Na ocasião, a artista conversará sobre seu trabalho com Pollyanna Quintella. “Língua d’água”, que reúne pinturas e desenhos inéditos de Maria Klabin, fica em cartaz até 28 de fevereiro.

Luis Pérez-Oramas – diretor artístico de Nara Roesler, poeta, historiador da arte, curador-chefe da 30ª Bienal de São Paulo (2012) – destaca em seu texto de apresentação uma característica marcante na obra de Maria Klabin: “Olhar o corpo que dorme, assim como olhar o resíduo de legumes e alimentos – o hermetismo das frutas – é como olhar para a pintura que nos olha: isto é, olhar aquilo que nos espera, aquilo que supõe nossa existência, mesmo que nós ignore. Olhar o que nos olha potencialmente, mesmo a partir de seus restos”.

Pollyana Quintella assinala em seu texto que “…há mais de trinta anos Maria escolhe seus motivos entre o que é mais íntimo, mais repetido, mais disponível e, por isso mesmo, mais carregado de silêncio”.