Uma conversa e final de exposições.

28/jul

A Gentil Carioca São Paulo convida para a última semana das exposições “Mão Amiga”, de José Bento, e “∞ ∞ (infinita infinito)”, de Maria Nepomuceno, em cartaz até sábado, 1º de agosto.

Em “Mão Amiga”, realizada em parceria com a Galeria Sardenberg, José Bento parte da tradicional junção de madeira que dá nome à exposição para refletir sobre relações de interdependência, apoio e construção coletiva, aproximando natureza e cultura, floresta e construção, utensílio e monumento.

Em “∞ ∞ (infinita infinito)”, Maria Nepomuceno apresenta obras inéditas em que cordas, contas, tecidos e cerâmicas se entrelaçam em esculturas que tensionam gravidade, equilíbrio e movimento. Com texto de apresentação assinado por Laura Lima, a mostra propõe um encontro entre escultura e pintura, em trabalhos que parecem pulsar e se expandir pelo espaço.

Como parte da programação de encerramento da individual de José Bento, “Mão Amiga”, realizada em parceria com a Galeria Sardenberg, na quinta-feira, 30 de julho, às 19h30, acontece uma conversa entre o artista e o curador Rodrigo Moura, com mediação de Ricardo Sardenberg. O encontro revisita mais de quatro décadas da produção do artista, abordando seu processo de criação, suas referências e a atualidade de sua pesquisa.

Uma paisagem em permanente reinvenção

24/jul

O Museu de Arte Brasileira – MAB FAAP, Higienópolis, São Paulo, SP, exibe “Arte da Nossa Gente”, exposição inédita organizada pelo Instituto Totex, em parceria com a FAAP. A mostra reúne mais de 150 obras originais de artistas brasileiros de diferentes regiões do país, produzidas ao longo de décadas e em múltiplas linguagens, como pintura, escultura, gravura, bordado e cerâmica.

Partindo de um título que evoca a ideia de pertencimento, a exposição propõe um olhar sobre o Brasil por meio da paisagem. Em vez de buscar uma imagem única ou uma definição essencial do que seria “nossa gente”, a mostra convida o público a perceber a diversidade de experiências, memórias, técnicas e modos de vida que constituem o país. A paisagem surge como eixo curatorial por sua capacidade de revelar diferentes formas de relação com o território. As obras reunidas apresentam múltiplos modos de construir, habitar, transformar e representar o Brasil, evidenciando a riqueza de seus biomas, culturas e tradições.

Ao valorizar produções populares em diálogo com obras do acervo do MAB FAAP e de coleções convidadas, a exposição amplia repertórios e questiona fronteiras historicamente estabelecidas entre o popular, o erudito, o regional e o contemporâneo. O popular é entendido aqui como um campo vivo e plural, que se manifesta no cotidiano, na festa, na fé, no trabalho e nos saberes transmitidos entre gerações, em constante transformação.

O percurso expositivo é organizado a partir de quatro verbos: Construir, Habitar, Inventar e Moldar. Cada núcleo aborda diferentes maneiras de se relacionar com o território, desde as imagens que ajudaram a formar a ideia de Brasil até os gestos cotidianos, as narrativas imaginárias e os processos materiais que dão forma à arte.

“Arte da Nossa Gente” propõe um deslocamento de perspectiva, olhar para a paisagem brasileira como uma experiência compartilhada, feita de gestos, narrativas, técnicas e transformações. Uma paisagem em permanente reinvenção, assim como a própria ideia de quem somos.

Até 11 de outubro.

Representada pela Galeria Patricia Costa.

06/jul

Fundada em 2003 por Patricia Costa e Silva, que possui 45 anos de experiência no mercado, a Galeria Patricia Costa, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, passa a representar a artista Raquel Saliba, escultora que transforma materiais como cerâmica e bronze em instigantes seres que chegam a atingir quase três metros de altura.

Nascida em Itaúna, Minas Gerais, formada em Psicologia, a artista dedica-se exclusivamente à arte há 15 anos, movida por um fascínio singular por técnicas ancestrais e processos primordiais. Entre elas estão a Anagama – queima japonesa – e a Obvara, método de queima cerâmica originado no Leste Europeu no século XII, que consiste em retirar a peça incandescente do forno. Raquel Saliba também experimenta o uso de gás em fornos híbridos combinados com lenha. Em uma de suas séries mais recentes, deixou que a ação do mar oxidasse algumas peças, resultando em superfícies que alternam entre o reluzente e o rústico.

Sobre a artista.

Raquel Saliba já morou em diferentes partes do mundo, o que possibilitou que ela fizesse vários cursos e exposições como no Carrossel do Louvre (maio de 2018), por exemplo. Residindo atualmente no Rio de Janeiro, ela vem se dedicando cada vez mais às esculturas em cerâmica, bronze e outras matérias. Parte de sua formação artística: Curso Objeto e Poema 2025 e 2026 com Xico Chaves no Parque Lage; Colagem com Pedro Varela em 2024; O Processo Criativo com Charles Watson em 2020 no Parque Lage; Encontros e Reflexões, com Iole de Freitas, 2019, Parque Lage, Rio de Janeiro, Brasil; exposição coletiva A Cara do Rio (Centro Cultural dos Correios), 2018; curso Conversando sobre esculturas objeto etc. e tal com Joao Goldberg, Parque Lage, Rio de Janeiro, Brasil em 2016 e 2017; cursos de escultura e cerâmica no Morley College, Londres, Reino Unido 2014 e 2015; cursos de escultura no Heatherley School of Art, Londres, Reino Unido em 2015; workshop “O inconsciente na argila”, com Sandy Brown, Inglaterra, junho de 2015; cursos de Cerâmica e Escultura na UAL (University Arts of London), professor Timothy Harker, Londres, Reino Unido em 2013; Centro de Artes de Fremantle, Austrália Ocidental 2003. Recentemente, participou de duas exposições simultâneas no Museu Histórico da Cidade: a individual “Bashar: nós humanos” e outra com a artista e amiga Anna Bella Geiger, “Avesso”, ambas com curadoria de Shannon Botelho.

Shiro: uma escala de nuances.

01/jul

A exposição na Japan House, Avenida Paulista, São Paulo, SP, conta com curadoria da diretora cultural da instituição, Natasha Barzaghi Geenen, aborda a cor branca apresentando suas nuances e simbologias por meio de quatro elementos: a neve, o papel, a seda e o sal.

Tonalidades de branco

Com curadoria da diretora cultural da instituição, Natasha Barzaghi Geenen, a mostra introduz diversas tonalidades da cor branca no Japão, passando por quatro elementos: papel, seda, neve e sal, revelando as suas relações com a cultura japonesa. A inspiração para o recorte veio da leitura da obra “O País das Neves” (1948), de Yasunari Kawabata. 

“Shiro não é fruto de um conceito específico, tem uma inspiração poética e abstrata. O branco, enquanto junção de todas as demais cores, serve aqui como ponto de partida simbólico para pensar como o Japão carrega tantas nuances e sutilezas, como é um país de muitas gamas, que podem passar despercebidas, mas não para o povo japonês, cujo olhar é apurado até para essas mínimas diferenças do branco”.

Natasha Barzaghi Geenen

O papel

No núcleo de Papel, a instalação “Poem of life”, da artista Ayumi Shibata, é feita de inúmeras folhas de papel cortadas como na técnica de kiri-ê e amarradas entre si, simbolizando o desejo da artista pela paz e harmonia do mundo. 

A seda

Para o núcleo de Seda, a artista Kaoru Hirano apresenta uma obra produzida especialmente para a exposição. Conhecida por desconstruir peças de roupa em suas criações, Kahoru Hirano escolheu trabalhar com um juban branco de seda (peça de vestuário tradicional japonesa usada por baixo do quimono), de sua avó paterna, falecida em 2018, para criar uma espécie de teia suspensa na instalação “untitled-grandmother”. 

A neve

Já o núcleo Neve, aborda as paisagens do Norte do Japão, com seus invernos rigorosos, que evocam uma sensação de branco infinito, como descrito no livro de Kawabata. Foram selecionadas três fotografias de Land Art (intervenções feitas diretamente na paisagem natural), do artista Tomohiro Kajiyama. 

O sal

Assim como a neve, o sal também é especial no dia a dia dos japoneses. Embora o Japão seja um país cercado por mar, o seu ambiente não é propício à produção de sal. Dentre as inúmeras variações de sais encontradas no mundo, a mostra apresenta cinco tipos, originários de diversas regiões do Japão, evidenciando suas diferentes características e granulações.

Sobre os artistas.

Ayumi Shibata (Yokohama, 1982)

Artista de kiri-ê estudou xilogravura e técnica mista na National Academy School of Fine Arts, em Nova Iorque, explorando materiais e métodos de expressão. Transferiu a sua base de atuação para Paris, onde desenvolveu iniciativas internacionalmente por dois anos, incluindo a criação e exposição de suas obras no Atelier 59 Rivoli. Retornou ao Japão em 2018, que tem sido sua base de atividades desde então.

Kaoru Hirano (Nagasaki, 1975)

A artista cria instalações a partir do desfazer e reconstruir, fio por fio, de roupas antigas, guarda-chuvas e outros materiais. Seu trabalho explora a memória individual, bem como relações sociais e históricas. Em 2025, recebeu uma bolsa de apoio da Fundação Adolph e Esther Gottlieb, atuando nacional e internacionalmente

Tomohiro Kajiyama (Shizuoka, 1985)

Mudou-se para Hokkaido em 2018, para Nakasatsunai Village, uma região com cerca de 3.800 habitantes no norte do Japão. Com o objetivo de redescobrir os recursos locais, em 2019 passou a produzir snow art de forma autodidata e estabeleceu seu estilo autoral “free-leg”, baseado em caminhar livremente sobre a neve, seguindo o instinto. 

Até 25 de outubro.

Tradições gráficas indígenas e abstração concreta.

29/maio

Em uma escolha curatorial radical e estruturante, a exposição de Andrey Guaianá Zignnatto, “Alicerces”, na Janaina Torres Galeria, Barra Funda, São Paulo, SP, obedece o caráter dialógico da poética do artista – que confronta temas como identidade cultural, ancestralidade, construção de cidades e territorialidade. Para isso, a mostra toma o espaço bruto da galeria, enquanto realidade construída, sem artifícios cenográficos. A aposta no tradicional cubo branco opera como elemento deflagrador para a primeira conversa: entre o simbolismo arquitetônico do local, enquanto galeria de arte, e obras carregadas de significado construtivo – de sentidos e de materialidades – como o carrinho de mão, os tijolos amassados, as ferramentas de trabalho dos pedreiros, os chassis de quadros amalgamados à cimento, entre outros.

“Da poética rigorosa do artista paulista Andrey Guaianá Zignnatto, (Jundiaí – 1981), emerge um pensamento construtivo de mão dupla: de um lado, estão as tradições gráficas indígenas; de outro, a abstração concreta, que o artista justapõe em composições inesperadas, oferecendo soluções líricas de forma, espaço, textura, cor e matéria. Da primeira, Zignnatto retoma tanto os padrões geométricos e rítmicos aplicados a corpos e objetos quanto as cores preta e vermelha e materiais como a argila em seu estado natural ou queimada. (…) Da segunda, retoma certos valores caros ao concretismo brasileiro, interessado na forma geométrica, e ao neoconcretismo, que flexibilizou as formas e contestou sua objetividade ao introduzir novos materiais, problemas e temas.”, diz Alexandre Araujo Bispo, curador.

A arte é o meio possível que encontrei para equalizar forças de universos muito distintos, as memórias afetivas de minha vida urbana e de minha experiência como pedreiro participante da construção de cidades, com minhas memórias ancestrais indígenas.

Andrey Guaianá Zignnatto

De origem indígena, descendente de povos Dofurêm Guaianá e Guarani e neto de um pedreiro, do qual foi ajudante dos 10 aos 14 anos de idade, além de ativista social, Zignnatto incorpora sua biografia ao fazer artístico, unindo arte e vida e integrando história, memória e território à matéria e à forma dos trabalhos. Em obras que emergem do universo do labor, como olarias ou construção civil, sacos de cimento, tijolos, juntas de argamassa e fragmentos e sobras de intervenções urbanas tornam-se, em suas mãos, matéria prima para uma ação artística que se propõe a ir além do processo de imitação, recriando mundos, estruturas e sistemas, em uma proposta artística de invenção radical. O que inclui o sistema de arte. Do construtivismo e minimalismo à arte conceitual, Andrey a aventura da experiência de estar no mundo, abrindo fendas e brechas, concretas e imaginárias, para estabelecer novos desdobramentos estéticos que sinalizam também caminhos de reconfiguração identitária e social. Se, em sociedades periféricas, “tudo é sempre construção e também ruínas”, como diz em uma de suas obras, Zignnatto, com extensa atuação internacional, não hesita em intervir, para propor, equalizando em sua arte forças de universos distintos e complexos, como o urbano e o indígena.

O patrimônio e suas comunidades.

26/maio

A mostra permanente Arte Pública Cerâmica – Edição Saquarema está entregue para preservar a memória de Saquarema, valorizar o patrimônio e suas comunidades tradicionais, com 67 imagens em fotocerâmica, em painel com 2m². Fixado no dia 07 de maio em área externa da emblemática Casa da Pedra, o painel resgata as memórias do município, que estão preservadas e aberta para visitação dos moradores, turistas e público em geral que frequenta o espaço.

Idealizado pela artista visual e ceramista, Julia Botafogo, com curadoria de Joanna da Hora, a partir da pesquisa histórica de Tainá Miê, o projeto Pedagogia do Barro destaca um dos eixos centrais da realização, quando uma chamada pública reuniu mais de 400 fotografias – cerca de metade enviadas por moradores, revelando narrativas sobre pesca, modos de vida, relações familiares, transformações da paisagem e memórias afetivas do território.  

A artista destaca que o conceito de “Pedagogia do Barro” amadureceu ao longo da experiência, especialmente a partir da reflexão sobre memória e permanência. “Uma das ideias que surgiu desse processo foi pensar a criação de vestígios para o futuro. A cerâmica permanece. Mesmo que um dia o painel não exista mais na parede, esses fragmentos podem sobreviver enterrados, como acontece com os sambaquis. Talvez daqui a milhares de anos alguém encontre esses cacos e reconstrua histórias sobre esse lugar.” Para Julia Botafogo, essa dimensão amplia o sentido da obra pública: “O projeto não fala só do presente. Ele cria marcas materiais capazes de atravessar o tempo.”

Fotografias do arquivo pessoal das comunidades e, também, com a colaboração de instituições locais, responsáveis por cerca de 200 fotografias provenientes de diferentes acervos, como: o Museu do Sambaqui; o Templo do Rock; o Museu de Conhecimentos Gerais; e, o acervo do Centro de Memória de Saquarema, de onde vieram mais de 170 imagens e que foi fundamental como ponto de partida para a pesquisa e para a definição dos recortes curatoriais da ação.

Investigação sobre memória e pertencimento.

07/maio

Belo Horizonte, Uberaba e Juiz de Fora se encontram no Rio de Janeiro em “O Caminho do Ouro”, exposição que será inaugurada no dia 21 de maio na a.thebaldigaleria, no CasaShopping, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ. Mais do que a origem geográfica em comum, os artistas mineiros Hélio Siqueira, Paulo Miranda, Paulo Torres e Petrillo compartilham nesta coletiva investigações que partem de matéria e memória das terras de Minas Gerais, estabelecendo um percurso sensível entre tradição e contemporaneidade.

Reunindo trabalhos inéditos de produção recente, a mostra foi concebida por Edson Thebaldi, marchand à frente da galeria que celebra 40 anos de trajetória este ano. O conjunto de obras atravessa diferentes linguagens como técnica mista utilizando pigmentos naturais, colagem, carvão e pastel oleoso sobre lona e sobre papel, esculturas em cerâmica em alta temperatura submetidas a fornos com queima a lenha e têmpera acrílica com pigmentos minerais, terra e concreto retirado das calçadas das cidades.

Hélio Siqueira apresenta a série de objetos “Bilhas”, uma alusão às cerâmicas utilizadas na antiguidade como reservatórios de água. Potes, castiçais, moendas, pilões e solitários que povoavam a vida e enfeitavam as casas nas fazendas.

A paisagem é o ponto de partida para uma investigação sensível sobre memória e tempo nas obras produzidas por Paulo Miranda para a exposição. 

A busca por novos horizontes é o eixo que atravessa os trabalhos de Paulo Torres desenvolvidos para a coletiva. Em meio ao mar de concreto e asfalto que define a paisagem urbana contemporânea, o artista investiga aquilo que se oculta sob as camadas do tempo: cores veladas, marcas, desgastes e vestígios que a cidade acumula silenciosamente todos os dias.

Nesta nova série de obras expostas na a.thebaldigaleria, o artista visual Petrillo dá continuidade à sua investigação sobre a paisagem. Desta vez, investiga e se volta para as jazidas e a topografia mineira, que servem como pretexto dialético para a construção imagética das obras. 

Até 14 de junho.

Pesquisa com a cerâmica e o aço inox.

Para marcar os 25 anos de trajetória da artista Ana Holck, será inaugurada no dia 21 de maio a exposição “Imprevistos”, na galeria Maneco Müller: Multiplo, Leblon, Rio de Janeiro, RJ, com a mais recente produção da artista carioca. Serão apresentadas cerca de 16 obras inéditas, produzidas este ano, em um desdobramento da pesquisa da artista com a cerâmica e o aço inox. Os novos trabalhos trazem elementos inéditos, como novas formas e a introdução de cores no barro, algo nunca antes utilizado pela artista. Ana Holck é uma das mais destacadas artistas de sua geração e ao longo de mais de duas décadas de atuação construiu uma carreira consolidada no meio da arte.

“Sua prática se desdobra por meio de uma investigação contínua de estruturas espaciais, tensões materiais e a dimensão experiencial da escultura. Trabalhando principalmente com materiais como metal e porcelana, Holck constrói ambientes que desafiam a estabilidade da forma, ao mesmo tempo que ativam a percepção e a presença corporal do espectador”, afirma a crítica e curadora de arte Daniela Labra, que assina o texto da exposição e há mais de uma década acompanha o trabalho da artista.

Sobre a artista.

Ana Holck (Rio de Janeiro, 1977) é formada em Arquitetura e Urbanismo pela FAU/UFRJ (2000), com Mestrado em História pela PUC-Rio (2003) e Doutorado em Linguagens Visuais pela EBA-UFRJ (2011). Inicia sua trajetória nos anos 2000, com instalações de grande formato, entre as quais, Elevados, no Paço Imperial (2005), Bastidor, no CCBB RJ (2010) e Splash, no SESC Pinheiros (2010). Entre suas mais recentes mostras individuais estão Ensaios Lineares, na Pinakotheke Cultural, Rio de Janeiro, e Deslocamentos Orbitais, na Zipper Galeria, São Paulo, ambas em 2024, e Entroncados, Enroscados e Estirados, no Paço Imperial, Rio de Janeiro, em 2023. Entre as coletivas estão: O Espetáculo da Coerência (2026), na Maneco Muller Multiplo, Rio de Janeiro; Elas (2025), no MAC Niterói, Rio de Janeiro; Entre Elas (2025), na Amelie Maison D’Art, Paris; O Mistério das Coisas Por Baixo das Pedras e dos Seres (2024), no Museu Histórico da Cidade, Rio de Janeiro; Qual o tema (2024), na mul.ti.plo Espaço Arte, Rio de Janeiro, entre outras. Possui obras nos acervos do Itaú Cultural, Pinacoteca do Estado de São Paulo, MAM Rio, MAM São Paulo, MAC Niterói, entre outros.

Até 17 de julho.

Relação subjetiva e corpórea com a natureza.

05/nov

A Galatea tem o prazer de anunciar a representação da artista Gabriella Marinho (1993, Niterói, RJ), cuja exposição “Gabriella Marinho: rastro luminoso” permanece em cartaz na Galatea Oscar Freire até o dia 08 de novembro. Nessa ocasião, acontecerá a finissage da mostra com uma visita guiada conduzida pela própria artista às 12h.

Gabriella Marinho vive e trabalha em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro e é formada em jornalismo com especialização em Literaturas Africanas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. A artista usa o barro, a argila e a terra como pontos de partida materiais e filosóficos para desenvolver o seu trabalho, mas na mostra em cartaz na Galatea, realiza um projeto centrado na porcelana pela primeira vez.

Experimentando texturas e técnicas que trazem uma bagagem relacionada à identidade afro-brasileira e afro-diaspórica, Gabriela Marinho explora formas orgânicas e abstratas tanto em suas obras escultóricas quanto na pintura que realiza com a terra. A artista combina, assim, uma relação subjetiva e corpórea com a natureza, que ela pesquisa e recolhe nos territórios por onde passa a fim de compor o seu trabalho.

Nos últimos dois anos, Gabriela Marinho participou da residência artística e exposição The Whisper Beneath, em Taipei Artist Village, Taiwan a convite da 01.01 ArtPlatform e da residência artística e open studio em Luanda, Angola, a convite da galeria MOVART. Foi selecionada como uma das dez artistas negras emergentes no Brasil pela MOOC100 e indicada ao Prêmio Pipa em 2023.

 

Homenagem com painel em mosaico.

16/out

Exposição Mosaico Getúlio Marinho, o Amor, celebra pioneiro da música afro-brasileira com painel de mosaicos na Pequena África.

O Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica apresenta até 15 de novembro, a exposição Mosaico Getúlio Marinho, o Amor, que apresenta ao público pela primeira vez o painel de ladrilhos em homenagem a Getúlio Marinho da Silva (1889-1964), conhecido como Amor, pioneiro na gravação de cânticos de religiões de matriz africana. A mostra, sob curadoria de Marco Antonio Teobaldo, marca um momento inédito: o painel criado pelos artistas John Souza e Natalia Reyes Najle, do Ateliê Cosmonauta Mosaicos, será exibido no espaço cultural antes de sua instalação permanente na região da Pequena África, território que compreende os bairros da Gamboa, Saúde e Santo Cristo.

Um pioneiro da resistência cultural

Getúlio Marinho entrou para a história da música brasileira em 1930, quando gravou ao lado de Mano Elói e acompanhado pelo Conjunto Africano os primeiros registros fonográficos de cânticos rituais afro-brasileiros pela gravadora Odeon. O disco Macumba (Ponto de Ogum) representou um ato de coragem e insurgência em plena era de perseguição sistemática às religiões de matriz africana, quando terreiros eram invadidos, atabaques apreendidos e praticantes criminalizados. Baiano radicado no Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XX, homem negro, músico e mestre-sala, Amor transformou o disco em território de liberdade e afirmação identitária, desafiando o projeto de apagamento sistemático das culturas negras no Brasil.

Memória e pertencimento

A escolha da Pequena África para instalação permanente do painel não é casual. Batizada pelo sambista Heitor dos Prazeres, essa região foi o coração pulsante da diáspora africana no Rio de Janeiro. Ali, onde funcionou o Cais do Valongo, onde a Pedra do Sal se tornou quilombo urbano e nasceu o samba carioca, a memória de Getúlio Marinho encontra seu lugar de pertencimento. A exposição vai além da celebração, propondo uma reflexão urgente sobre os silenciamentos históricos. O patrimônio construído por Getúlio Marinho é apresentado ao lado de matérias jornalísticas preconceituosas da época, publicadas durante as batidas policiais realizadas no mesmo período em que o compositor revolucionava a indústria fonográfica com seus cânticos de macumba.

Arte como reparação

A técnica do mosaico, com seus fragmentos cuidadosamente dispostos para formar uma imagem coesa, oferece uma metáfora perfeita para a própria trajetória de Getúlio Marinho. Cada ladrilho representa uma nota, um ponto cantado, uma memória que o trabalho paciente da pesquisa e da arte recompõe, devolvendo dignidade e visibilidade a quem sempre esteve presente, mas permaneceu invisibilizado pelas narrativas hegemônicas. “Esta exposição é um gesto de reparação simbólica e um compromisso com o futuro”, afirma o curador Marco Antonio Teobaldo. Ao instalar o painel na região onde existiam terreiros invadidos pela polícia, reafirmamos que a memória é campo de disputa e que o espaço público deve refletir a diversidade e a complexidade de nossa formação cultural.