Celebrando a obra de Iberê Camargo

26/jul

Em setembro de 1984, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, inaugurou uma grande exposição em homenagem aos 70 anos de Iberê Camargo. Agora, além de retribuir  e celebrar as sete décadas do MARGS, “trajetórias e encontros” tem outros sentidos. A tragédia causada pelas enchentes no Rio Grande do Sul ressoa no posicionamento público do artista, ligado a urgência de uma “consciência ecológica”. É pelo olhar dele que as duas instituições de memória, e enquanto sociedade, apelam a um compromisso definitivo com a preservação da arte e do meio ambiente

A Fundação Iberê Camargo e o Museu de Arte do Rio Grande do Sul inauguram a exposição “Iberê e o MARGS: trajetórias e encontros”. Com curadoria de Francisco Dalcol e Gustavo Possamai, a mostra em homenagem aos 70 anos do MARGS (27 de julho de 1954) apresenta 86 obras do artista pertencentes aos acervos das duas instituições e permanecerá em exibição até 24 de novembro. Aproximadamente 80% delas nunca foram expostas, especialmente desenhos – uma vez que as curadorias de Iberê tendem a focar nas pinturas -, juntamente com fotografias do artista, de modo a oferecer um percurso em segmentos, identificados conforme os textos que as acompanham.

O título da exposição foi inspirado em um dos mais importantes eventos no MARGS relacionados ao artista: a mostra “Iberê Camargo: trajetória e encontros”. Ela se deu no contexto das comemorações de seus 70 anos, que incluíram uma retrospectiva apresentada pelo próprio MARGS em 1984 e o lançamento do livro Iberê Camargo em 1985, considerado ainda hoje uma das mais completas publicações de referência sobre o artista. A retrospectiva ocorreu, simultaneamente, a quatro exposições individuais: em Porto Alegre, duas no Rio de Janeiro, e em São Paulo.

Nas décadas seguintes, Iberê ganhou mostras individuais, um livro monográfico, participou de inúmeras exposições coletivas e ministrou cursos. Teve também o ingresso de outras obras suas no acervo por meio de compra, transferência e doação, além de um espaço de guarda de parte de seu arquivo pessoal, o qual destinou à instituição em 1984. Foi também no MARGS que ocorreu sua despedida, com o velório público que teve lugar nas Pinacotecas, o espaço mais nobre e solene do Museu. Iberê Camargo é o artista que mais expôs no MARGS. Até o momento, foram mapeadas sete exposições individuais e mais de cem coletivas. Gustavo Possamai, responsável pela obra do artista na Fundação Iberê Camargo, lembra que aquela exposição reuniu o maior conjunto de obras de Iberê Camargo até então: “Foi um marco na trajetória de Iberê que, com mais de 40 anos de trabalho, ainda produzia em jornadas que chegavam a somar 12 horas ininterruptas pintando em pé.” A organização de uma exposição durante a maior catástrofe ambiental no estado, além de trazer novos sentidos a esta exposição, o trágico contexto do Rio Grande do Sul ressoa no posicionamento público de Iberê, um crítico ferrenho dos governantes pelo descuido irresponsável com a natureza. Agora abriga simbolicamente, como um lar temporário, parte do acervo do MARGS que foi fortemente afetado pelas enchentes.

“Comungamos do entendimento de que seria impossível a exposição se dar em uma espécie de vácuo factual e histórico, compreendendo que não poderia estar alheia à situação e ao momento em que nos encontramos. Assim, a exposição também permite “olharmos” para tudo isso através das “lentes” de Iberê, considerando que notoriamente sempre criticou duramente a falta de cuidado com a natureza, frente aos processos de dominação e destruição do meio ambiente e mesmo das cidades perpetrados pelo homem. Esperamos que os apelos que Iberê fazia à necessidade de consciência ecológica, muito antes dessa tragédia toda acontecer no Rio Grande do Sul, possam agora se renovar encontrando ainda maior ressonância hoje, face aos acontecimentos. Enquanto ainda haja tempo de agirmos para projetar alguma esperança de um futuro para esta e as próximas gerações que assuma maior responsabilidade e compromisso com o cuidado pela preservação da natureza e pelo meio ambiente”, diz Francisco Dalcol.

Sobre os acervos

O acervo da Fundação Iberê Camargo é composto, em sua grande maioria, pelo fundo Maria Coussirat Camargo, a viúva do artista. São mais de 20 mil itens doados por ela, além de mais de 10 mil incorporados após seu falecimento, ainda não processados. Iberê recebia correspondências quase diariamente e mantinha cópias das que enviava.

“O casal fotografou e catalogou a maioria das obras produzidas por ele, além de reunir uma extensa quantidade de materiais, como entrevistas, críticas e notas, praticamente tudo o que se referia a Iberê na imprensa. Os amigos tiveram um papel fundamental nessa compilação, contribuindo com materiais publicados no exterior e de norte a sul do Brasil. Tome-se a biblioteca de Iberê: ela foi verdadeiramente fundida com a biblioteca de Dona Maria, a ponto de ser difícil determinar quem adquiriu ou leu determinado livro, inclusive os mais técnicos, pois ambos os consultavam. Os documentos cobrem toda a trajetória artística de Iberê, incluindo aspectos de sua vida doméstica, desde agendas para a manutenção da casa até carteirinhas de vacinação dos gatos acompanhadas de receitas para dietas felinas”, recorda Ricardo Possamai.

Já o Acervo Artístico do MARGS possui 75 obras do artista, adquiridas a partir de 1955, no ano seguinte à sua criação, por meio de compra, doação e transferência entre instituições do Estado. O conjunto contempla seis pinturas a óleo, além de obras em papel (gravura e desenho). O Acervo Documental do Museu conta com uma extensa documentação sobre o artista, reunindo jornais, revistas, publicações, textos, documentos, fotografias, correspondências, convites e catálogos de exposições. Esse conjunto inclui, em grande parte, os arquivos pessoais que o próprio Iberê destinou ao MARGS, em 1984, para fins de guarda, preservação e disponibilização para pesquisa, aos quais se somam documentos colecionados pelo Museu ao longo de 70 anos até aqui.

Espaço para as pinturas de Maria Polo

11/jun

A Pinakotheke apresentará na feira ArPa – feira de arte contemporânea no Mercado Livre Arena Pacaembu, São Paulo, de 26 a 30 de junho – um estande solo, dedicado à obra de Maria Polo (1937-1983), com aproximadamente quinze trabalhos emblemáticos da artista dos anos 1960 e 1970, período em que foi um dos nomes mais marcantes da abstração informal no Brasil. Na ArPa, a Pinakotheke estará no Estande D7, no Setor Principal.

Sobre a artista

Nascida em Veneza, Itália, em 1937, Maria Polo se mudou para São Paulo em 1959, convidada por Pietro Maria Bardi, então diretor do MASP, para preparar sua exposição individual no Museu, no ano seguinte, sua primeira individual no Brasil, quando escreveu sobre ela: “A pintura de Maria Polo é violenta e ao mesmo tempo grave, lança-se na aventura aforista das formas, compõe as manchas, juntando cores berrantes, gritando. É uma tímida com fogo por dentro. Os inúmeros críticos que dela falaram não descobriram que é uma mediterrânea: as cores vem do sol do Adriático que ilumina o imenso ungarettiano, mas através de um módulo pacato e harmônico. Maria Polo, por vezes mistura as luzes de sua terra com os trópicos, e deste conúbio saem as novidades colorísticas das mais estranhas e curiosas (Gauguin, fundindo os climas da Bretanha com os de Taiti, encontrou as suas soluções de cor)”.

Com estética própria, Maria Polo faleceu precocemente, no ápice de sua carreira. O físico, matemático e crítico de arte Mário Schenberg (1914-1990) escreveu sobre ela em 1969: “Em sua pintura, processava-se uma luta entre o naturalismo construtivista de sua formação italiana com o lirismo e a fantasia musical de sua personalidade. Nas paisagens pernambucanas, pintadas pouco depois de sua vinda para o Brasil, já se podia constatar que o impacto poderoso do cromatismo e da luz nordestinos haviam auxiliado a artista a afirmar suas tendências mais profundas, abalando a disciplina construtiva e o objetivismo naturalista de sua formação. A assimilação das experiências do expressionismo abstrato e do informalismo vieram, posteriormente, reforçar a manifestação do lirismo e da dramaticidade inerentes à personalidade de Maria Polo. No começo de 1965, a pintura abstratizante, de tendência expressionista caligráfica, solidamente construída, de Maria Polo atingiu ao seu nível mais alto. Realizou então telas soberbas, que lhe deram uma posição eminente no movimento artístico brasileiro. Poder-se-ia esperar uma pausa no desenvolvimento de Maria. Muito ao contrário, insatisfeita com os resultados obtidos, mas encorajada pelo que alcançara, iria iniciar uma fase de transformações radicais de sua arte. A última etapa do caminho de Maria Polo representa indiscutivelmente uma afirmação mais nítida de sua personalidade, numa libertação mais essencial dos condicionamentos objetivistas e estruturalistas de sua formação europeia. Paradoxalmente assim se aproximou mais do verdadeiro espírito da grande pintura de sua Veneza natal, tão cromaticamente musical e tão aberta para a fantasia e o sonho”.

Arte abstrata brasileira

13/dez

 

Em comemoração aos 70 anos da primeira exposição de arte abstrata feita no Brasil, a Danielian Galeria, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição “Abstrações Utópicas”, com aproximadamente 80 obras de mais de 50 importantes artistas, que exploraram o universo da abstração e criaram as bases desta vertente artística, presente até hoje em nosso cenário cultural, e berço da arte contemporânea brasileira. Com curadoria de Marcus de Lontra Costa e Rafael Fortes Peixoto, com consultoria de Anna Bella Geiger, que além de ter participado da exposição de 1953, no Quitandinha, em Petrópolis, também é autora junto com Fernando Cocchiaralle do livro-referência sobre o assunto.

Atuante aos 90 anos, Anna Bella Geiger ganhará uma mostra especial, inaugurando o segundo andar do pavilhão recém-construído atrás da casa principal na Danielian Galeria, onde estarão telas e “Macios”, em que vem desenvolvendo suas experiências no campo da pintura nos últimos 30 anos.

Entre os artistas da vertente abstração geométrica estão os que integraram nos anos 1950 os grupos Ruptura, de São Paulo, Frente e o movimento Neoconcreto, do Rio de Janeiro, como Ivan Serpa, Lygia Clark, Lygia Pape, Hélio Oiticica, Décio Vieira, Aluísio Carvão, Franz Weissmann e Abraham Palatnik (Rio), e Geraldo de Barros, Hermelindo Fiaminghi, Lothar Charoux, Luiz Sacilotto (São Paulo). Dos artistas informais estarão presentes obras de Antonio Bandeira, Iberê Camargo, Fayga Ostrower, Manabu Mabe, Maria Polo, Frans Krajcberg, Flávio Shiró e Glauco Rodrigues, entre muitos outros.

Destaque para Anna Bella Geiger

07/dez

A artista plástica Anna Bella Geiger ganha mostra especial de seu trabalho com pinturas e “macios” e integra coletiva “Abstrações Utópicas”, na Danielian Galeria, Gávea, Rio de Janeiro, RJ.

Ativa aos 90 anos, Anna Bella Geiger é a única artista remanescente da histórica “1ª Exposição de Arte Abstrata”, no Brasil, em 1953, no Quitandinha, em Petrópolis, RJ. Por isso, ela ganha uma homenagem especial na Danielian Galeria, com uma mostra dedicada a sua produção de telas e “Macios”, em que vem desenvolvendo suas experiências no campo da pintura nos últimos 30 anos. A exposição de Anna Bella Geiger inaugura o segundo andar do pavilhão recém-construído atrás da casa principal na Danielian Galeria.

Anna Bella Geiger também é consultora e integra a exposição “Abstrações Utópicas”, que a Danielian Galeria apresenta em sua casa principal, com aproximadamente 80 obras de mais de 50 importantes artistas, que exploraram o universo da abstração e criaram as bases desta vertente artística, presente até hoje em nosso cenário cultural, e berço da arte contemporânea brasileira.

A curadoria das duas mostras é de Marcus de Lontra Costa e Rafael Fortes Peixoto. As exposições ficarão em cartaz até 17 de fevereiro de 2024.

Exibição de obras de Jorge Guinle

12/set

 

 

A Danielian Galeria, Gávea, Rio de Janeiro. RJ, senta apresenta a partir do dia 14 de setembro, às 18h, a exposição “Jorge Guinle – Uma pincrlada certa vale mais do que uma boa ideia, com mais de 85 obras, entre pinturas em óleo sobre tela e desenhos,  desenhos, do pintor Jorge Guinle (1947-1987), considerado um dos principais artistas brasileiros do século 20, com relevância internacional no âmbito da abstração, e uma referência para a chamada Geração 80. As obras são oriundas de diversas coleções particulares.  A exposição tem curadoria de Marcus Lontra Costa e Rafael Peixoto.

 

A exposição inaugura um pavilhão expositivo construído terreno da Danielian Galeria. que acrescenta 600 metros quadrados ao 900 metros quadrados da casa principal da instituição. Para a exposição foram selecionados também cerca de 40 desenhos em diferentes técnicas criados entre os anos 1960 e 1980.

 

Representante da obra do artista, a Danielian Galeria é responsável, há cerca de três anos, por cuidar do acervo pessoal de Jorge Guinle, composto por mais de sete mil desenhos, ainda pouco conhecidos, além de outros objetos do artista, que pertenciam ao fotógrafo Marco Rodrigues, seu companheiro. A união entre Marco Rodrigues e Jorge Guinle é símbolo da conquista dos direitos LGBTQIA+ no Brasil, por ter sido a primeira união homoafetiva reconhecida pela justiça brasileira brindo jurisprudência para o assunto.

Em exposição até 04 de novembro.

 

Karin Lambrecht na Galeria Nara Roesler

15/fev

 

 

A Nara Roesler anuncia a abertura de “Seasons of the Soul”, individual de Karin Lambrecht, com texto de David Anfam. A mostra, que inaugura o programa anual de exposições da galeria em São Paulo, apresenta uma seleção de cerca de vinte trabalhos da artista, entre pinturas e desenhos, desenvolvidos ao longo de 2021 e fica em exibição de 17 de fevereiro a 26 de março, na sede paulistana da galeria no Jardim Europa.

 

A produção recente de Karin Lambrecht é reveladora das transformações ocorridas em sua prática desde sua mudança de Porto Alegre para Broadstairs, na ilha de Thanet, no Reino Unido. As amplas superfícies de cor com as quais a artista reveste suas telas são reminiscências das impressões e sensações causadas pela paisagem local e suas especificidades de luz. Além da cor, outro elemento recorrente na prática da artista é a palavra. Em português, inglês, e, às vezes, em alemão, as palavras inscritas na tela, em muitos casos, dão título às obras. Esses, por sua vez, tanto podem evocar uma paisagem, como Lua Nova, Cliff (Penhasco), Cloud (Nuvem) e Céu, quanto uma esfera metafísica, como Ether, Cosmos e Pleasure (Prazer). Nesse sentido, o nome da mostra, Seasons of the Soul, ou estações do espírito, é indicativo desse entrelaçamento entre o mundo subjetivo e o natural do qual emergem os trabalhos de Lambrecht. As tonalidades terrosas e azuladas, típicas de sua pintura, são revisitadas em novos arranjos cromáticos e formais. Com uma luminosidade intensa, suas pinturas apresentam composições entre cores quentes e frias em um encontro harmônico de sutis gradações. Ao invés de contrastes marcados, nos deparamos com uma pintura matizada, menos matérica. Lambrecht ressalta, inclusive, que, agora, as tonalidades vermelhas têm menos relação com a terra, como em trabalhos anteriores, e muito mais a ver com o céu, já que uma das características que mais lhe chamou a atenção em Broadstairs é, justamente, a qualidade avermelhada que ele é capaz de adquirir ao fim do dia. Já em papéis tão delicados quanto tecidos de seda, a artista desenha com a linha de costura, criando formas, rasuras e palavras, enquanto, com um pincel, realiza delicadas manchas que maculam a brancura do suporte. Para a artista, esses trabalhos, de natureza mais meditativa, são um contraponto às pinturas, que permitem uma gestualidade mais expansiva e uma feitura mais rápida. “Seasons of the Soul” apresenta uma oportunidade de entrar em contato com a obra de Karin Lambrecht, através da qual a artista reafirma, em sua pintura, a constituição de uma linguagem singular e poética, voltada para as sublimes manifestações dos entrelaçamentos entre o espírito e a natureza. O texto de Anfam, por sua vez, escritor e curador especialista em pintura abstrata, em especial o expressionismo abstrato norte-americano, amplia as leituras críticas do trabalho da artista, de modo a compreender as especificidades de sua produção.

 

Sobre a artista

 

Toda a produção de Karin Lambrecht em pintura, desenho, gravura e escultura demonstra uma multifacetada preocupação com as relações entre arte e vida, compreendida em sentido abrangente: trata-se de vida natural, vida cultural e vida interior. Para o pesquisador Miguel Chaia, os processos técnico e intelectual de Lambrecht se inter-relacionam e se mantêm evidentes nas obras para criar uma “visualidade espalhada na superfície e direcionada para a exterioridade”. Seu trabalho é ação que funde corpo e pensamento, vida e finitude. Karin Lambrecht nasceu em 1957, em Porto Alegre, Brasil. Atualmente ela vive e trabalha em Broadstairs, Reino Unido. Algumas de suas exposições individuais incluem: Karin Lambrecht – Entre nós uma passagem, no Instituto Tomie Ohtake (ITO) (2018), em São Paulo, Brasil; Karin Lambrecht – Assim assim, no Oi Futuro (2017), no Rio de Janeiro, Brasil; Nem eu, nem tu: Nós, no Espaço Cultural Santander (2017), em Porto Alegre, Brasil; Pintura e desenho, no Instituto Ling (2015), em Porto Alegre, Brasil. Participou das 18ª, 19ª e 25ª edições da Bienal de São Paulo (1985, 1987 e 2002) e da 5ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre (2005), todas no Brasil. Exposições coletivas de que participou nos últimos anos incluem: Alegria – A natureza-morta nas coleções MAM Rio, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) (2019), no Rio de Janeiro, Brasil; Tempos sensíveis – Acervo MAC/PR, no Museu Oscar Niemeyer (MON) (2018), em Curitiba, Brasil; Clube da gravura: 30 anos, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) (2016), em São Paulo, Brasil; O espirito de cada época, no Instituto Figueiredo Ferraz (IFF) (2015), em Ribeirão Preto, Brasil. Sua obra está presente em importantes coleções institucionais como: Fundação Patrícia Phelps de Cisneros, Nova York, Estados Unidos; Ludwig Forum fur Internationale Kunst, Aachen, Alemanha; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro, Brasil; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil.

 

Sobre o curador

David Anfam é escritor, curador e especialista em arte moderna norte-americana. É curador e consultor sênior do Museu Clyfford Still, em Denver, Estados Unidos, onde é também diretor do Centro de Pesquisa. Suas publicações incluem: Abstract Expressionism (1990), o catálogo raisonné Mark Rothko: Works on Canvas (1998), que ganhou o prêmio Mitchell em 2000, bem como seus estudos sobre Anish Kapoor, Edward Kienholz e Wayne Thiebaud.

 

Sobre a Galeria Nara Roesler

Nara Roesler é uma das principais galerias brasileiras de arte contemporânea, representando artistas brasileiros e internacionais fundamentais que iniciaram suas carreiras na década de 1950, bem como artistas consolidados e emergentes cujas produções dialogam com as correntes apresentadas por essas figuras históricas. Fundada por Nara Roesler em 1989, a galeria tem consistentemente fomentado a prática curatorial, sem deixar de lado a mais elevada qualidade da produção artística apresentada.

 

Isso tem sido ativamente colocado em prática por meio de um programa de exposições criterioso, criado em estreita colaboração com seus artistas; a implantação e estímulo do Roesler Curatorial Project, plataforma de iniciativas curatoriais; assim como o contínuo apoio aos artistas em mostras para além dos espaços da galeria, trabalhando com instituições e curadores. Em 2012, a galeria ampliou sua sede em São Paulo; em 2014 expandiu para o Rio de Janeiro e, em 2015, inaugurou um espaço em Nova York, dando continuidade à sua missão de oferecer a melhor plataforma para seus artistas apresentarem seus trabalhos.

Linguagem abstrata

18/jun

 

 

 

Em homenagem aos 70 anos da I Bienal Internacional de São Paulo, evento artístico significativo como a Bienal de Veneza e a Documenta de Kassel, e, decisivo, como principal ponto de conexão da arte brasileira com a internacional, a Pinakotheke, Morumbi, São Paulo, SP, faz um recorte específico sobre o movimento da abstração no Brasil.

 

 

A exposição destaca artistas exponenciais que obtiveram relevância no país e no exterior como Antonio Bandeira, Bruno Giorgi, Iberê Camargo, Ivan Serpa, Jorge Guinle, Manabu Mabe, Maria Polo, Samson Flexor, Tomie Ohtake, Wega Nery e Yolanda Mohaly.

 

 

“Em geral, entende-se como abstração toda atitude mental que se afasta ou prescinde do mundo objetivo e de seus múltiplos aspectos. Refere-se, por extensão, no que tange à obra de arte e ao processo de criação, suas motivações e origens, a toda forma de expressão que se afasta da imagem figurativa”, assinala Luiz Fernando Marcondes, in “Dicionário de Termos Artísticos”, Ed. Pinakotheke, RJ, 1998.

 

 

Antes da I Bienal, a abstração já se instalara no Brasil e a tendência na busca de formas abstratas mostrou-se  definitiva. Em 1945, ocorreu a “II Exposição Francesa” em São Paulo, mostrando um novo tipo de procedimento artístico. Em 1946 Samson Flexor instala-se na cidade e mantém intensa atividade didática e, em 1951, organiza o “Atelier Abstração”. Em 1948, Jorge Romero Brest profere seis conferências sobre as tendências contemporâneas da arte, com foco na arte abstrata. Em 1949, Bandeira desponta em Paris; o MAM-SP é inaugurado com a exposição “Do Figurativismo ao Abstracionismo”, tendência à qual estava filiado Leon Degand, primeiro diretor do MAM-SP e Waldemar Cordeiro cria o “Art Club”, para promover o intercâmbio internacional de arte. Em 1950 o MASP faz uma grande exposição de Max Bill, importante personagem na corrente abstrata.

 

 

A crítica de arte Lisbeth Rebolo Gonçalves ao observar as primeiras exposições da Bienal de São Paulo, comentou: “… a V Bienal significou a culminância de aceitação, tanto por parte dos artistas como dos críticos componentes dos júris de seleção, da abstração como a palavra de ordem internacional”

 

 

Apresentada na Pinakotheke São Paulo durante a SP-Arte 2021, a exposição ficará em cartaz até o dia 25 de Julho.

 

 

Planeje sua visita:

Pinakotheke São Paulo

Rua Ministro Nelson Hungria 200 | Morumbi São Paulo

11-3758-5202 – contato@pinakotheke.com.br

 

Tomie Ohtake em NY

30/out

A Galeria Nara Roesler | Nova York, apresenta um novo desdobramento da aclamada exposição “Tomie Ohtake: Nas Pontas dos Dedos”, com curadoria de Paulo Miyada, curador chefe do Instituto Tomie Ohtake. Especialmente organizada por Miyada para a filial de New York e incluindo pinturas, estudos, gravuras e fotografias, esta exposição concisa apresenta exemplares do rico corpo de obra criado por Tomie Ohtake nas décadas de 1960 e 70, além de raros registros do processo feitos pela própria artista. A exposição é um desdobramento das exposições “Tomie Ohtake: na ponta dos dedos” apresentadas na Galeria Nara Roesler | São Paulo (agosto a setembro de 2017) e na Galeria Nara Roesler | Rio de Janeiro (fevereiro a março de 2018) e proporciona um enfoque único sobre o desenvolvimento das composições da artista, de colagens de recortes de revistas a óleos sobre tela.

 

 

Sobre a artista

 

Tomie Ohtake é uma figura fundamental na história da abstração brasileira. Sua dedicada investigação dos aspectos formais, temporais e espirituais da cor, da forma e do gesto resultaram num corpo de obra extraordinário, produzido ao longo de seis décadas. Nascida em 1913, ela teve uma criação tradicional em Kyoto e viajou ao Brasil em 1936 para visitar um de seus irmãos, que fizera parte de uma grande onda de imigração japonesa ao país. Impossibilitada de voltar ao Japão devido à Segunda Guerra Mundial, Tomie Ohtake destacou que dois fatores foram fundamentais em sua decisão de se estabelecer permanentemente no Brasil: ela encantou-se de imediato com a luminosidade tropical única do país, e percebeu que no Brasil teria a oportunidade de ser uma artista com liberdades criativas que lhe seriam negadas, como mulher, no Japão. Após casar-se e criar seus dois filhos, dedicou-se a seu trabalho e estabeleceu uma ligação estreita com o grupo Seibi, uma rede informal de artistas nipo-brasileiros unidos por seu interesse pela abstração. Mas Tomie Ohtake também era ligada a grupos mais amplos de críticos e artistas, como Willys de Castro, Mário Pedrosa, Paulo Herkenhoff e Mira Schendel, entre outros. Essa multiplicidade de filiações e ligações a desobrigava de alinhar-se com qualquer abordagem artística específica, colocando-a numa trajetória artística singular. Foram Mira Schendel e, principalmente, Paulo Herkenhoff que incentivaram a artista a empregar mais explicitamente elementos das tradições japonesas, como o zen-budismo e a caligrafia. Em 1975, Tomie Ohtake afirmou: “Meu trabalho é ocidental, mas tem grande influência japonesa, um reflexo da minha criação. Esta influência está na busca da síntese: poucos elementos devem dizer muito. Na poesia haiku, por exemplo, fala-se do mundo em dezessete sílabas”.

 

 

A palavra do curador Paulo Miyada

 

 

Tomie Ohtake: Nas pontas dos dedos I. Cortes de cores Na passagem entre as décadas de 1950 e 1960, a primeira incursão de Tomie Ohtake na pintura abstrata tornou-se conhecida pelo caráter “cego” de um informalismo feito com intensidade e sem premeditação, muitas vezes com pinceladas lançadas, literalmente, de olhos fechados. A seguir, logo no princípio dos anos 1960, sua pintura condensou-se em formas mais claras, apresentadas em composições com nítida distinção de figura e fundo. As figuras, no caso, assemelham-se a formas geométricas simples, porém de contornos tremeluzentes, como se rasgadas com a ponta dos dedos. O que pouca gente sabe é que isso não é mera similitude: nessa época, a artista de fato começou a fazer estudos usando papéis coloridos retirados de revistas e rasgados à mão. Era uma forma de lidar com a instantaneidade do gesto e impregnar todo o processo de pintura com um teso equilíbrio entre acaso e controle. As composições encontradas por Tomie Ohtake nas diminutas colagens serviram de roteiro para pinturas.

 

De 01 de novembro a 22 de dezembro.

Hildebrando de Castro na Bahia

05/out

O pintor Hildebrando de Castro retorna a Salvador, Bahia, para nova exposição individual na Paulo Darzé Galeria. A mostra tem por título “EDP”, na qual apresenta uma série de pinturas, – projeto que se iniciou no final de 2016 -, após dois anos de trabalho contínuo. ”Decidi tirar férias em Lisboa. Logo após o desembarque, na primeira manhã, resolvi fazer uma caminhada pela borda do rio Tejo, pois o dia estava lindo e ensolarado. Para minha surpresa, me defrontei com o incrível conjunto arquitetônico da EDP ainda em construção. Fiquei fascinado com aqueles dois prédios e comecei imediatamente a fotografar. Esquecendo que tinha prometido a mim mesmo não pensar em trabalho nessa curta temporada, voltei ali, nos nove dias em que lá fiquei, para fotografar os prédios em diferentes horários do dia, aproveitando as variações da luz. Foi com este material em mãos que propus a Paulo e Thais Darzé fazer nossa segunda exposição”.

 

Hildebrando de Castro já se apresentou na Bahia (na Paulo Darzé Galeria) a exposição “Ilusões do real”, pinturas em acrílica sobre tela e mdf. Na trajetória de Hildebrando de Castro temos inicialmente, em grande parte, como tema o corpo humano, intercambiado por suas narrativas, elaborações e o simbólico que expressam, ou partes dele em sua fragmentação, com especial relevo para o coração, mais seres humanos e bonecos para falar de uma infância ou de uma vida perversa, com figuras insólitas, até chegar ao urbano, com as últimas mostras, e a ilusão do real, jogo de formas e cores, por sua incidência da luz e da sombra, da composição e de combinações, chegando a alguns momentos a colocar a pintura na tridimensionalidade, apresentando objetos.

 

A obra de Hildebrando de Castro é uma obra de representação, os trabalhos possuem como base a fotografia. Não uma fotografia tirada a esmo, mas preparada em seu cenário para tal, o que nos leva a estarmos diante de trabalhos, seja figurativo ou geométrico, em não procurar a realidade em si, mas sua estreita vinculação ao real, sendo uma arte com origem essencialmente na pintura, arte que começou crítica, irônica, de beleza estranha ao mostrar a banalização da vida e da morte, do prazer e da dor, com uma visão que colocava em primeiro plano as obsessões, os fetiches, as exceções, percorrendo o simbólico, e com um humor bem preciso ao tratar a tudo isto. Temática que os críticos colocam como procurando representar aspectos eróticos, religiosos, kitsch. Dessa forma, a geometria. o figurativismo, e a luz continuam um elemento importante nas pinturas do artista. Não à toa seus trabalhos não começam com croquis, mas com fotografias.

 

 

Sobre o artista

 

Hildebrando de Castro nasceu em Olinda, PE, em 1957. Passou sua infância e se desenvolveu profissionalmente no Rio de Janeiro. Autodidata, realizou sua primeira exposição individual no Museu Nacional de Belas Artes, ainda nos anos 1980. Viveu onze anos entre Paris e Nova York e desde 2004 vive em São Paulo. Seu trabalho sempre operou no terreno da representação figurativa, valendo-se da estratégia de empregar o enquadramento e a luz da fotografia como referência para a construção da pintura. Os primeiros trabalhos com pastel seco foram ponto de partida para as experimentações pictóricas que o levaram ao domínio do óleo e da acrílica. Em sua nova série, a realidade da “objetiva” traz substrato para unir geometria e representação, e estabelecer vínculos com o construtivismo e suas vertentes. Em 2013 duas obras do artista foram incorporadas ao acervo do MAC USP.

 

 

De 19 de outubro a 17 de novembro.