Como funcionam os vulcões.

16/abr

Fortes D’Aloia & Gabriel, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ, exibe até 18 de abril “Como funcionam os vulcões”, exposição coletiva que inaugurou o programa de 2026 da Carpintaria. A mostra reúne obras de Amélia Toledo, Arthur Chaves, Barrão, Cerith Wyn Evans, Ernesto Neto, Ivens Machado, Janaina Wagner, Leda Catunda, Maria Manoella e Mauro Restiffe, Rivane Neuenschwander e Cao Guimarães, Rodrigo Cass, Rodrigo Matheus, Tiago Carneiro da Cunha, Valeska Soares e Yuli Yamagata.

“Como funcionam os vulcões” toma a imagem do vulcão como metáfora para uma formação cultural complexa. Longe de um fenômeno visível ou imediato, a exposição evoca processos que se desenvolvem ao longo do tempo, acumulando pressões, desejos, conflitos e fantasias até alcançar um ponto de liberação. Nesse sentido, o Carnaval é proposto não apenas como espetáculo, mas como a manifestação de um longo processo de gestação moldado por forças sociais, materiais e simbólicas.

Percorrendo escultura, instalação, desenho, vídeo, pintura e técnicas mistas, a exposição enfatiza como o sentido se produz por meio da duração e da persistência material. As obras reunidas lidam com dinâmicas de acúmulo, transformação e emergência. Reunindo artistas de diferentes gerações e posições, a mostra apresenta práticas atentas a estados de latência e erupção, suspensão e excesso. Materiais são reunidos, sobrepostos, esticados, comprimidos ou colocados em movimento, registrando tensões entre controle e imprevisibilidade, estrutura e instabilidade. O encontro com as obras se dá entre o maravilhamento e a tensão, entre o que é encenado e o que permanece em estado latente.

As formas sugerem processos prolongados de fazer e desfazer, enquanto as disposições espaciais evidenciam limiares – entre interior e exterior, contenção e transbordamento, antecipação e liberação. Em vez de ilustrar um fenômeno social ou natural, essas obras operam em condições análogas de pressão e transformação.

Marco A. Castillo e a realidade vivida em Cuba.

14/abr

Na Casa Domschke, Santo Amaro, São Paulo, SP, residência projetada por Vilanova Artigas (1915-1985), em 1974, Marco A. Castillo discute a utopia socialista sonhada pelos modernistas brasileiros e a realidade vivida em Cuba. Com curadoria de Livia Debbane, as esculturas de Marco A. Castillo em mogno e vime aludem a grandes nomes do design cubano, como Clara Porset, Gonzalo Córdoba e María Victoria Caignet.

Artista cubano radicado em Mérida, no México, Marco A. Castillo (1971, Camaguey) é um dos fundadores do coletivo Los Carpinteros (1992-2017) – celebrado internacionalmente e presente nas mais importantes coleções institucionais do mundo – trabalha principalmente na interseção entre sua vida na infância e adolescência em Cuba, a política, suas raízes familiares e a estética na qual cresceu. 

A exposição reúne 30 trabalhos recentes e inéditos de Marco A. Castillo, que abrangem esculturas – em mogno e vime; em papel cartão revestido de papel de encadernação ou couro sintético; e em argila epóxi – a instalação “Dictadura I”(2024)”; um conjunto de dez desenhos em nanquim sobre papel, e dois vídeos: “Generación” (2019), 6’45″, e “Casa Negra” (2022), 12’24’’. Desses trabalhos, 17 foram criados especialmente para a Casa Domschke.

Livia Debbane aponta que “… em seu revisionismo histórico-estético, Castillo se apropria de símbolos e modos de produção da época”. A curadora salienta que “…  este período fecundo – em que nasceram indústrias e a primeira escola superior de design no país – foi precocemente interrompido, quando coincidem o estreitamento das relações entre Cuba e a União Soviética na Guerra Fria (de onde se importaram, por exemplo, elementos de arquitetura pré-fabricada), o falecimento de (Celia) Sanchez e, finalmente, a dissolução da URSS”.

Até 28 de abril.

O Paço Imperial e suas gestões.

08/abr

Como parte da exposição “Constelações – 40 anos do Paço Imperial”, será realizada neste sábado, dia 11, às 15hs, a mesa de conversa “O Paço e suas gestões”, com a participação da diretora Claudia Saldanha e dos ex-diretores Lauro Cavalcanti e Paulo Sérgio Duarte, com mediação do historiador de arte e professor da Escola de Belas Artes da UFRJ, Ivair Reinaldim. A conversa, que será realizada na Sala dos Archeiros, será gratuita e aberta ao público.

Com curadoria de Claudia Saldanha e Ivair Reinaldim, em parceria com a equipe da instituição, a mostra “Constelações – 40 anos do Paço Imperial” ocupa 12 salões e os dois pátios internos com cerca de 160 obras de 130 artistas, de diferentes gerações, que fazem parte da história do centro cultural, como Adriana Varejão, Amilcar de Castro, Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino, Antonio Dias, Antonio Manuel, Arthur Bispo do Rosário, Beatriz Milhazes, Cildo Meireles, Denilson Baniwa, Hélio Oiticica, Iole de Freitas, Ivens Machado, Luiz Aquila, Luiz Zerbini, Lygia Clark, Lygia Pape, Marcela Cantuária, Maxwell Alexandre, Roberto Burle Marx, Tunga, entre muitos outros. Completam a mostra uma série de vídeos feitos pela Rio Arte com alguns artistas nas décadas de 1980 e 1990.

Ao longo de sua história, o Paço Imperial realizou exposições com diversas vertentes, que vão desde arte contemporânea até arte popular, passando por arquitetura, design, paisagismo, história e patrimônio. Desta forma, a exposição “Constelações – 40 anos do Paço Imperial” abrange esse conceito e traz a ideia de reunião, sem hierarquia, juntando os artistas contemporâneos aos artistas populares, unindo diferentes gerações, técnicas e suportes em uma única mostra, dividida por núcleos temáticos. “Se a palavra constelação define um agrupamento de estrelas, cosmologicamente distantes umas das outras, mas conectadas pela imaginação humana, constituindo uma forma reconhecível com finalidades diversas, aqui reunidas, as obras produzidas por diferentes gerações de artistas procuram reforçar sua singularidade, assim como sua interação por proximidade”, afirmam os curadores, que ressaltam também a importância da constelação institucional, com obras emprestadas por diversos parceiros, como Instituto Moreira Salles, Museu Bispo do Rosário, Museu de Imagens do Inconsciente, Museu de Arte do Rio, Museus Castro Maya, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu do Folclore e Sítio Roberto Burle Marx.

A exposição é complementada por 15 vídeos da série sobre arte contemporânea produzida pela Rio Arte, com artistas como Amilcar de Castro (filmado no Paço Imperial durante sua exposição em 1989), Anna Maria Maiolino, Antonio Manuel, Lygia Clark, Lygia Pape, Tunga, entre outros. 

Vera Reichert em exibição no Recife.

27/mar

Com curadoria de André Venzon sendo um convite à contemplação e à reflexão sobre a relação entre a água e seus diferentes biomas, Vera Reichert apresenta a exposição “Sobre Águas” no Museu do Estado de Pernambuco (MEPE). Após itinerar por São Paulo, Brasília e Porto Alegre, a mostra chega ao Recife propondo um mergulho poético e sensorial nas múltiplas dimensões desse elemento essencial à vida.

Ao longo de mais de três décadas de investigação artística, Vera Reichert desenvolve uma poética singular em torno da água, explorando diferentes linguagens, como pintura, fotografia, vídeo, instalação e escultura. Sua trajetória é marcada por uma profunda conexão com ambientes aquáticos, inspirando-se na beleza e nas transformações de oceanos, rios, lagos e lagoas ao redor do mundo – já tendo mergulhado em mais de 30 destinos.

Reunindo mais de 100 obras, a exposição evidencia a capacidade da artista de capturar a essência da água em suas múltiplas manifestações. Fotografias subaquáticas revelam universos raros, onde luz e cor se fundem em composições delicadas; imagens de superfícies de lagoas aparecem emolduradas ou configuradas como gotas e pérolas de acrílico; escotilhas espelhadas evocam a experiência do mergulho.

Até 03 de maio.

Sobre a artista.

Vera Reichert nasceu em Não-Me-Toque, RS, 1949. Artista visual, mantém atelier em Campo Bom, RS. Sua obra, marcada pela poética das águas, transita entre fotografia, vídeo, instalação, pintura e escultura, explorando os múltiplos sentidos e simbologias desse elemento. Autora do livro “A Inquietude do Olhar”, no qual reflete sobre sua trajetória e a presença da água em sua produção. Vera Reichert já realizou 33 exposições individuais e participou de diversas mostras coletivas no Brasil e no exterior.

Sobre o curador.

André Venzon nasceu em Porto Alegre, RS, 1976. Vive e trabalha em sua casa/ateliê/galeria, no 4° Distrito da cidade. É artista visual, curador e gestor cultural. Mestre em Poéticas Visuais no PPGAV/IA-UFRGS, especialista em Gestão e Políticas Culturais pela Universidade de Girona/Espanha e graduado em Artes Visuais pelo IA-UFRGS. Dedica-se à pesquisa dos tapumes na paisagem urbana, de elemento arquitetônico a significante de operações poéticas. É coordenador da Galeria de Arte da Fundação ECARTA, desde 2018, é o atual curador geral do Museu de Arte de Porto Alegre – MAPA e da Pinacoteca Ruben Berta, em Porto Alegre, cidade onde vive e trabalha.

Allan Weber no Instituto Tomie Ohtake.

23/mar

A Galatea compartilha a nova individual de Allan Weber (1992, Rio de Janeiro), “Allan Weber – Existe uma vida inteira que tu não conhece”, com o Instituto Tomie Ohtake, sob a curadoria de Ana Roman e Catalina Berguesno. A exposição reúne cerca de 40 obras produzidas em torno da pesquisa do artista sobre o trabalho com entregas por aplicativo e das conexões estabelecidas dentro das dinâmicas da vida urbana.

Dentre as fotografias, vídeos, objetos e instalações que compõem a mostra, estão algumas nunca antes expostas em São Paulo, como as esculturas da série “Nós que sustenta na raça”. Colunas formadas por caixas-d’água empilhadas trazem para o espaço expositivo a inventividade prática inscrita na vida da cidade, associadas ao manejo de recursos e modos de erguer e adaptar espaços.

Na mesma direção, assentos de moto, mochilas de entrega e capacetes são deslocados para o campo da arte em instalações que ganham uma dimensão poética, em grande parte desenvolvidas durante sua residência artística na Nottingham Contemporary, no Reino Unido, em 2024. Ao se debruçar sobre o universo dos motoboys, o artista transforma esses elementos familiares das ruas em imagens que refletem sobre condições contemporâneas de trabalho.

Deslocamento mediado por imagens.

Um road-movie em paisagens digitais será exibido em unidades do Sesc Copacabana, no dia 1º de abril. O “Cinema do Futuro” apresenta “Save the Dance”. Nesse deslocamento mediado por imagens e interfaces, a viagem se transforma em uma reflexão sobre pertencimento, memória e identidade, fazendo emergir uma pergunta recorrente: onde você se sente em casa?

Partindo dessa premissa, “Save the Dance” foi gravado em cúpula de fotogrametria 3D por uma equipe de imigrantes do sul global, oriundos do Brasil, Chile, Argentina, Alemanha, Espanha, China, Irã e Egito. Trata-se de um trabalho de cinema expandido e arte digital que o Sesc Copacabana exibirá gratuitamente no dia 1º de abril, às 19h, em avant première. Com duração de 45 minutos, o filme de animação 3D se desdobra em uma projeção de audiovisual expandido na fachada do Sesc e na paisagem urbana ao redor, acompanhado por performance sonora e teatral. Ao longo do ano serão realizadas outras duas exibições, nos bairros do Flamengo e Tijuca.

Save the Dance

Passando por Berlim, Cairo, Beirute, Japão, uma ilha desconhecida, Taiwan, Chile e até as estrelas, surgem perguntas fundamentais: o que você gostaria de deixar para trás? Para onde iria se tivesse a possibilidade de um novo começo? 

Sobre Ygor Gama

Nascido no Recife, em 1988, Ygor Gama é designer de imagem e som formado pela Universidade de Buenos Aires, Argentina. Após dezessete anos em Buenos Aires e Berlim, ele retornou ao Brasil e ao Rio de Janeiro em 2023, onde fundou a produtora Cinema do Futuro. Criou performances e instalações de vídeo em várias cidades – Kiev, Beirute, Viena, Poznań, Buenos Aires – explorando novos formatos para imagens em movimento ligadas a investigações sobre identidade, gênero e deslocamento. Seu primeiro curta-metragem, “Leaving”, foi filmado em celulares, estreou no BAFICI e ganhou o prêmio internacional no Festival de Cinema de Viña del Mar, Chile, em 2012. Em seguida, dirigiu #YA, sobre desobediência civil em espaços urbanos e digitais, apresentado na 65ª Berlinale, BFI London, FNC Montreal, Canal Arte, entre outros (2015-2016). Foi artista residente na Villa Waldberta (AIR Munique, 2022) e no Museu do Amanhã (Tecnologias Afetivas, Rio de Janeiro, 2024), onde desenvolveu “Save the Dance” – um road movie em paisagens digitais (animação 3D, com estreia prevista para 2026, via SESC Pulsar). Seu próximo filme, “Around the #Sun”, recebeu prêmios de desenvolvimento da FIDBA (Argentina), Sheffield Doc Fest (Reino Unido), Bio Bio (Chile) e FAM (Brasil) em 2025. Recentemente, estreou “In the Search of Miraculous” – “Em Busca de um Milagre”, uma obra de arte em RV no mar do Rio de Janeiro, comissionada pela UNESCO, Museu do Amanhã e Fundação Boticário, no contexto da Década das Nações Unidas para os Oceanos.

Ficha técnica.

Direção, Roteiro e Edição: Ygor Gama;  Produção/Execução no Sesc: Florencia Bianco; Video Mapping: Bruno Ferrari; Performance Sonoro: Anne dos Santos; Design de Som e Gravação: Lautaro Aichenbaum; Animação 3D: Siavash Nagshbandi; Design de Novas Mídias: Inti Gallardo; Direção de Fotografia: Francisca Saez Agurto; Script Advisor: Francisco Hevia Vial; Graphic Design: Julia Sbriller e Paco Savio; Registro Audiovisual: Lorena Zschaber e Matheus Mendes; Performance Audiovisual: Abdelrahman Dnewar, Popo Fan, Antonia Giesen; Performance in Situ: Alan Athayde, Lorena Pazzanese, Dora Selva, Abél Yina; Save the Dance; Uma produção de Cinema do Futuro (Brasil) & Road River Films (Alemanha); 

Um artista iraquiano-norteamericano.

26/fev

A Almeida & Dale anuncia a representação de Michael Rakowitz. Com uma prática multidisciplinar, o artista iraquiano-norte americano aborda a História, os dispositivos oficiais de construção de memória, bem como os conflitos sociais e geopolíticos permeados em espaços urbanos e em objetos cotidianos. Tópicos como colonialismo, o imperialismo, a repatriação de artefatos e outros modos de responsabilização e compensação são atravessados em suas obras, a partir da revelação de eventos históricos e biográficos, no que nomeia de “etimologia material”. 

Pautado no engajamento com comunidades e no convite à participação, seu trabalho dissolve frequentemente a fronteira entre arte e vida. Embalagens de alimentos e os processos da alimentação, do preparo ao ato de comer, são recorrentes em suas obras mais célebres e servem tanto como veículo para abordar fluxos migratórios, diásporas e despossessão, quanto como testemunhos da preservação de tradições e como resistência cultural. 

Michael Rakowitz soma participações em mostras coletivas como Trienal de Aichi; dOCUMENTA 13; 16ª Bienal de Sidney; 10ª Bienal Internacional de Istanbul; 15ª, 14ª e 8ª edições da Bienal Sharjah; e 3ª Bienal de Tirana. Sua obra é parte de importantes acervos internacionais, entre eles: MoMA, Tate Modern, Castello di Rivoli Museo d’Arte Contemporanea, MCA Chicago, Van Abbemuseum, The British Museum, The Metropolitan Museum of Art, Museu Nacional de Cabul e UNESCO. A partir de 14 de março, o artista integra a 25ª Bienal de Sidney – Rememory.

Em seu trabalho, Michael Rakowitz aborda a História, os dispositivos oficiais de construção de memória, bem como os conflitos sociais e geopolíticos imbuídos em espaços urbanos e em objetos cotidianos. O artista constitui uma certa “etimologia material” ao manter uma metodologia investigativa sobre as contingências específicas de seus projetos, revelando eventos históricos, biográficos e culturais que resultam em imbricamentos complexos de imagens, linguagens e tempos. Mobilizado por sua ascendência iraquiana-judia, sua obra propõe reaparecimentos que aguçam as contradições entre a suposta racionalidade e a violência dos modelos civilizacionais do Ocidente. 

“Na noite de 17 de janeiro de 1991, lembro-me de estar sentado diante da televisão enquanto jantava, assistindo pela primeira vez em nossas vidas a imagens em tempo real do Iraque – de edifícios que meus irmãos e eu jamais chegaríamos a visitar. E então, de repente, percebi que o lugar para onde meus avós haviam fugido estava destruindo o lugar de onde eles fugiram. Foi quando realmente comecei a reconhecer sobre o que seria o trabalho da minha vida.”

Michael Rakowitz, em vídeo para o Nasher Prize Dialogues, 2022.

Leminski inspira exposição coletiva.

25/fev

Inspirada em poema de Paulo Leminski, “Espaçotempo” reunirá 34 artistas em uma exibição coletiva que investiga a noção de tempo a partir de diferentes práticas e materialidades apresentam trabalhos em pintura, desenho, escultura, fotografia, gravura, vídeo, objeto, bordado, serigrafia, tear e ações interativas constroem um campo plural de pesquisas. 

O poema “O mínimo do máximo”, de Paulo Leminski (1944-1989), é o mote inspirador da exposição que articula questões que transitam entre o individual e o coletivo, entre o real e o imaginado, deslocando a ideia de tempo de uma leitura linear e cronológica. Poeta que atravessou a literatura brasileira com humor, síntese e pensamento afiado, Paulo Leminski aparece aqui como um disparador sensível: seu poema abre um campo de ressonâncias entre palavra e imagem, em diálogo com as artes visuais. Propondo uma reflexão sobre as múltiplas percepções do tempo a partir de experiências subjetivas, memórias e atravessamentos íntimos, a exposição abrirá no dia 1º de março, no Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro, Gávea, e permanecerá em cartaz até 03 de maio. A curadoria traz a assinatura de Isabel Sanson Portella.

As obras apresentadas percorrem uma ampla variedade de suportes e linguagens, como pintura, desenho, escultura, vídeo, ação interativa, tear, serigrafia, fotografia, gravura, bordado e objeto, evidenciando a diversidade de pesquisas e procedimentos que atravessam a exposição. Participam da mostra Ana Carolina Videira, Ana Herter, Ana Zveibil, Anna Bella Geiger, Antonio Bokel, Aruane Garzedin, Ashley Hamilton, Breno Bulus, Cláudia Lyrio, Esther Bonder, Fernanda Sattamini, Flavia Fabbriziani, Giba Gomes, Gláucia Crispino, Heloísa Madragoa, Jaime Acioli, Liane Roditi, Manoel Novello, Manu Gomez, Maristela Ribeiro, Marlene Stamm, Michelle Rosset, Mônica Pougy, Nathan Braga, Panmela Castro, Patrizia D’Angello, Pedro Carneiro, Raul Mourão, Renata Adler, Stella Mariz, Vicente de Melo e Aldonis Nino, Virgínia Di Lauro e Yoko Nishio, artistas oriundos de estados como Bahia, Amapá, São Paulo e Rio de Janeiro, além dos Estados Unidos.

Metáfora para uma formação cultural.

12/fev

A exposição “Como funcionam os vulcões” inaugurou o programa de 2026 da Carpintaria, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ. A mostra reúne obras de Amélia Toledo, Arthur Chaves, Barrão, Cerith Wyn Evans, Ernesto Neto, Ivens Machado, Janaina Wagner, Leda Catunda, Maria Manoella e Mauro Restiffe, Rivane Neuenschwander e Cao Guimarães, Rodrigo Cass, Rodrigo Matheus, Tiago Carneiro da Cunha, Valeska Soares e Yuli Yamagata.

Concebida em diálogo com a chegada do Carnaval no Rio de Janeiro, “Como funcionam os vulcões” toma a imagem do vulcão como metáfora para uma formação cultural complexa. Longe de um fenômeno visível ou imediato, a exposição evoca processos que se desenvolvem ao longo do tempo, acumulando pressões, desejos, conflitos e fantasias até alcançar um ponto de liberação. Nesse sentido, o Carnaval é proposto não apenas como espetáculo, mas como a manifestação de um longo processo de gestação moldado por forças sociais, materiais e simbólicas.

Percorrendo escultura, instalação, desenho, vídeo, pintura e técnicas mistas, a exposição enfatiza como o sentido se produz por meio da duração e da persistência material. As obras reunidas lidam com dinâmicas de acúmulo, transformação e emergência. Reunindo artistas de diferentes gerações e posições, a mostra apresenta práticas atentas a estados de latência e erupção, suspensão e excesso. Materiais são reunidos, sobrepostos, esticados, comprimidos ou colocados em movimento, registrando tensões entre controle e imprevisibilidade, estrutura e instabilidade. O encontro com as obras se dá entre o maravilhamento e a tensão, entre o que é encenado e o que permanece em estado latente.

Artistas de distintos gêneros e gerações.

29/jan

A Galeria Nara Roesler São Paulo convida para a abertura, no dia 05 de fevereiro, às 18h, da exposição “Telúricos”, com curadoria de Ana Carolina Ralston, que selecionou trabalhos de dezesseis artistas – entre nomes consagrados internacionalmente – como Richard Long (um dos pioneiros da landart), Not Vital e Isaac Julien -, ou no circuito nacional, como Brígida Baltar (1959-2022) e Amelia Toledo (1926-2017), e artistas convidados, oriundos de várias partes do país. 

Ana Carolina Ralston destaca que “Telúricos” propõe a ativação de outros sentidos, além do olhar, e estão na mostra esculturas olfativas e também sonoras. Os artistas, de distintos gêneros, lugares, gerações e suportes são, além dos já mencionados: Alessandro Fracta, amorí, Ana Sant’anna, C. L. Salvaro, Denise Alves-Rodrigues, Felipe Góes, Felippe Moraes, Flávia Ventura, Karola Braga, Kuenan Mayu e Lia Chaia.

A exposição traz mais de 40 trabalhos, muitos deles inéditos, que, em vários suportes. A curadora menciona o pensador Bruno Latour (1947-2022), para quem “…a matéria terrestre não é um simples suporte, mas um agente de vontade, um núcleo de energia ativa que convoca metamorfoses e insurgências; uma força subterrânea que não é apenas cenário, mas protagonista”.

Na primeira sala, estará a escultura “Moon” (2017), em mármore branco, do suíço Not Vital, perto das três obras de Richard Long, seu amigo e um dos pioneiros da land art, criadas em 2024. Nas paredes, duas pinturas inéditas de Ana Sant’anna – “O instante que paira” e “Nut”, “…paisagens que misturam nosso imaginário e espaços telúricos”, ressalta a curadora. A videoinstalação “Enterrar é plantar”, de Brígida Baltar, com quatro telas, registra sua ação de “enterrar suas memórias”, e acompanha dois desenhos da artista. A instalação “Canto das ametistas”, de Amelia Toledo, com seus blocos de ametistas no chão, foi escolhida por sua ressonância mineral e espiritual, característica do trabalho da artista. Na parede frontal, a fotografia “Under Opaline Blue” de Isaac Julien.

Na passagem entre as salas, atravessando o percurso do público, estará a instalação “Antes de afundar, flutua”, feita por C. L. Salvaro, especialmente para o espaço da exposição, com planta, terra, entulho e tela de arame. Uma parte da obra ficará próxima ao chão, e outra suspensa, de modo a permitir a passagem dos visitantes por baixo dela. Ana Carolina Ralston assinala que a exposição se fundamenta em um conceito do filósofo Gaston Bachelard, em seu livro “A Terra e os Devaneios da Vontade”: “A imaginação telúrica cava sempre em profundidade; ela não se contenta em superfícies, precisa descer, pesar, resistir”.

Até 12 de março.