A Natividade no MAS

13/dez

 

 

Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS / SP, Estação Luz, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, inaugura as exposições que celebram as festividades de final de ano.

 

Na sala de exposições temporárias, abre a mostra “”E Habitou entre Nós – A Natividade segundo os pintores”, sob curadoria de Beatriz Cruz e João Rossi. Composta por 31 telas e relevos que variam dos séculos XVI ao XX, de importantes autores como Fulvio Pennacchi, Paolo Veronese, Jorge José Eduardo Vedras, Samson Flexor, entre muitos, transmite a ótica com que cada qual viu a história do nascimento e da infância de Jesus. Pinturas italianas, brasileiras, chinesas, ibero-andinas, esculturas portuguesas e obras seiscentistas nacionais, um presépio da Ilha da Madeira do século XVIII e esculturas do Menino Jesus e de Maria grávida estarão no espaço da exposição.

 

Na Sala MAS/Metrô – Estação Tiradentes, abriga a individual de Madalena Marques – “Nasceu o Menino – A Natividade em Papel Machê”, sob curadoria de Jeison Lopes Pereira e João Paulo Berto. Os treze conjuntos de presépios em papel machê estão em exibição no espaço, confirmam a paixão e dedicação da artista à técnica a qual optou por se dedicar e que aplica com maestria. Os conjuntos de personagens desenvolvidos nos levam a um passeio por diferentes momentos da História da Arte, utilizando a cena da Natividade como tema central. A partir de pinturas de diferentes autores, tanto nacionais como internacionais, a artista extrai a cena principal e cria reproduções tridimensionais, fidedignas, em papel machê.

 

Abertura: 27 de novembro de 2021 – às 11hs

 

Duração: de 28 de novembro a 9 de janeiro de 2022.

 

Modernos & Arte Sacra no MAS/SP

18/jan

O Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS-SP, Luz, São Paulo, SP, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, exibe “O Sagrado na Arte Moderna Brasileira”, com obras de Agostinho Batista de Freitas, Alberto Guignard, Aldo Bonadei, Alex Flemming, Alfredo Volpi, Anita Malfatti, Antonio Poteiro, Arcângelo Ianelli, Cândido Portinari, Carlos Araújo, Clóvis Graciano, Cristina Barroso, Emeric Marcier, Fé Córdula, Fúlvio Pennacchi, Galileu Emendabili, Glauco Rodrigues, Ismael Nery, José Antonio da Silva, Karin Lambrecht, Marcos Giannotti, Mestre Expedito (Expedito Antonio dos Santos), Mick Carniceli, Miriam Inês da Silva, Nelson Leirner, Nilda Neves, Oskar Metsavaht, Paulo Pasta, Raimundo de Oliveira, Raphael Galvez, Rosângela Dorazio, Samson Flexor, Sérgio Ferro, Siron Franco, Tarsila do Amaral, Vicente do Rego Monteiro, Victor Brecheret e Willys de Castro, sob curadoria de Fábio Magalhães e Maria Inês Lopes Coutinho. A mostra expõe cerca de 100 obras – entre esculturas, desenhos, gravuras e pinturas – que formam um conjunto expressivo de artistas cujas produções abordam poéticas que aludem à fé e à religião, algumas de modo claro e explícito, outras, por meio de metáforas.

 

Até 1808, a temática religiosa dominou por completo a produção artística no país, entre o período que engloba o século 16 até a primeira década do século 19 – com exceção das obras de Franz Post e Albert Eckhout, que retrataram a paisagem, a flora, a fauna, a dança dos índios Tapuias, os tipos humanos e os empreendimentos açucareiros em Pernambuco. A partir de 1808, com a chegada da família real ao Brasil, os temas profanos passaram a ser adotados pelos artistas brasileiros, e algumas décadas depois já prevaleciam nas artes plásticas em nosso país.  “No século XIX, com a presença da missão francesa de arquitetos e artistas no Brasil, também ocorreu a representação do país e de sua sociedade por artistas como Debret e Taunay, entre outros. No correr do segundo império, os temas das pinturas brasileiras serão sobretudo patrióticos. Com o advento da semana de Arte moderna em 1922, inverteu-se a situação com o predomínio do profano e nossos modernistas e depois nossos contemporâneos se fizeram conhecidos do grande público por obras que não expressavam o sentimento religioso”, comenta o diretor executivo do MAS-SP, José Carlos Marçal de Barros.

 

Este conjunto de obras que compõem a nova mostra temporária do MAS-SP pode ser dividido entre os artistas modernos – Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Victor Brecheret, Vicente do Rego Monteiro, Ismael Nery, Cândido Portinari, entre outros -, os populares – entre eles José Antonio da Silva, Agostinho Batista de Freitas, Antonio Poteiro – e os artistas contemporâneos, como Alex Flemming, Marcos Giannotti, Nelson Leirner, Oskar Metsavaht, entre outros. Nos dizeres de Fábio Magalhães e Maria Inês Lopes Coutinho: “Os modernistas foram, antes de tudo, transgressores e não apenas na expressão artística, também adotaram novos modos de vida, muitos deles, incompatíveis com os hábitos da sociedade brasileira, ainda fortemente rural. Influenciados pela grande metrópole francesa que vivia sua “folle époque”, esses jovens transgressores trouxeram novas ideias que tumultuaram os costumes até então estabelecidos na conservadora sociedade brasileira”.

 

A expressão do artista popular parte na maioria das vezes de experiências vividas, das crenças, dos rituais e das festas da sua comunidade. Procissões, as festas juninas, tão populares no Nordeste, e o folclore regional nutrem, muitas vezes, os temas religiosos. Em relação à arte contemporânea, os curadores destacam a presença não rara do tema religioso, “se o entendemos como manifestação de poéticas do sagrado, do sobrenatural, como forças da natureza que inquietam a cultura, ou mesmo os aspectos intangíveis que pressentimos nas coisas e nas pessoas, ou como apropriação de símbolos consagrados”. “Lograram o magnifico resultado que o Museu de Arte sacra apresenta nesta mostra, pois todos e cada um de nossos grandes artistas continuaram mantendo dentro de si a antiga religiosidade com que conviveram desde a sua infância”, conclui José Carlos Marçal de Barros.

 

 

Sobre o museu

 

O Museu de Arte Sacra de São Paulo, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, é uma das mais importantes do gênero no país. É fruto de um convênio celebrado entre o Governo do Estado e a Mitra Arquidiocesana de São Paulo, em 28 de outubro de 1969, e sua instalação data de 28 de junho de 1970. Desde então, o Museu de Arte Sacra de São Paulo passou a ocupar ala do Mosteiro de Nossa Senhora da Imaculada Conceição da Luz, na avenida Tiradentes, centro da capital paulista. A edificação é um dos mais importantes monumentos da arquitetura colonial paulista, construído em taipa de pilão, raro exemplar remanescente na cidade, última chácara conventual da cidade. Foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 1943, e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico do Estado de São Paulo, em 1979. Tem grande parte de seu acervo também tombado pelo IPHAN, desde 1969, cujo inestimável patrimônio compreende relíquias das histórias do Brasil e mundial. O Museu de Arte Sacra de São Paulo detém uma vasta coleção de obras criadas entre os séculos 16 e 20, contando com exemplares raros e significativos. São mais de 18 mil itens no acervo. O museu possui obras de nomes reconhecidos, como Frei Agostinho da Piedade, Frei Agostinho de Jesus, Antônio Francisco de Lisboa, o “Aleijadinho” e Benedito Calixto de Jesus. Destacam-se também as coleções de presépios, prataria e ourivesaria, lampadários, mobiliário, retábulos, altares, vestimentas, livros litúrgicos e numismática.

 

 

 

De 26 de janeiro a 31 de março.

No Museu de Arte Sacra de São Paulo

19/set

Duas exposições na capital paulista marcam o início das festividades pelos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do rio Paraíba do Sul, na cidade de Aparecida (SP). “Aparecida do Brasil” e “300 anos de Devoção Popular” estão sendo montadas pelo Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS), em parceria com a Arquidiocese de São Paulo (SP) e o Santuário Nacional, e serão inauguradas no dia 21 de setembro, às 11h.

 

Nas dependências do museu, em espaço dedicado a exposições temporárias, “300 Anos de Devoção Popular”, em parceria com o Museu Nossa Senhora Aparecida – Santuário Nacional de Aparecida e curadoria de Cesar Augusto Bustamante Maia e Fabio Magalhães, são exibidas 137 obras – esculturas, ex-votos e objetos em diversos suportes -, homenageando os três séculos de devoção à Nossa Senhora Aparecida. A cada ano, milhões de peregrinos caminham rumo ao Santuário Nacional de Aparecida. Recorrem à padroeira do Brasil para lhe falarem de suas angústias, aflições, ou para expressar suas alegrias, esperanças e agradecimentos por graças alcançadas. “A mãe de Jesus, a Senhora da Conceição Aparecida, continua a ser o ‘grande sinal’, colocado por Deus no céu e na terra para o consolo dos seus filhos e para a certeza de que o mal não terá a última palavra sobre a vida dos homens e sua história”, comenta o Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo. A mostra tem como destaques duas esculturas da santa – uma com manto e outra sem – feitas por Francisco Ferreira – Chico Santeiro, o primeiro escultor a produzir uma imagem de Nossa Senhora Aparecida e também obra assinada pelo artista contemporâneo Paulo von Poser.

 

 

Aparecida de São Paulo – elo histórico 

 

 

A cidade de São Paulo tem uma ligação histórica estreita com o Santuário Nacional. Em 1717, quando foi encontrada a imagem da Padroeira do Brasil, todo o Estado de São Paulo pertencia à então Diocese do Rio de Janeiro (RJ). Com a criação da Diocese de São Paulo (SP), em 1745, que depois foi elevada a arquidiocese, em 1908, Aparecida passou a fazer parte de seu território. Somente em 1958, foi criada, pelo Papa Pio XII, a Arquidiocese de Aparecida. Também foi da Arquidiocese de São Paulo que veio o primeiro arcebispo de Aparecida, o Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, até então arcebispo de São Paulo. Foi o primeiro arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva, que, em 1908, obteve do Papa Pio X a concessão do título de Basílica Menor para a primeira igreja construída em 1745, popularmente conhecida como “Basílica Velha”. Nessa ocasião, Dom Duarte também celebrou a dedicação do templo. Até a chegada dos primeiros missionários redentoristas, em 1894, o atendimento pastoral e espiritual da Basílica de Aparecida ficou aos cuidados do clero da Diocese de São Paulo. O lançamento da pedra fundamental do Santuário Nacional, a “Basílica Nova”, aconteceu em 10 de setembro de 1946 e a construção do templo iniciou-se em 11 de novembro de 1955.

Arte Sacra 

08/mai

O Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS/SP, instituição da Secretaria da Cultura do Estado, exibe a mostra Doutores e Doutoras da Igreja: A Beleza do Testemunho, da Vida e da Palavra, que celebra os 10 anos de arcebispado do Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer. Sob a curadoria de Marcos Horácio Gomes Dias e Vanessa Beatriz Bortulucce, a exposição é composta de 45 obras – entre esculturas, pinturas, objetos religiosos e outras peças – que revelam a trajetória dos mestres cristãos, homens e mulheres que definiram questões importantes para a cristandade.

 

A divulgação da tradição cristã foi realizada pelos Doutores da Igreja, que contribuíram para a compreensão da fé e para o entendimento da própria instituição religiosa. Sofreram perseguição e, juntamente com os papas, elaboraram regras e fundamentaram profunda e filosoficamente as diretrizes instituídas, esclarecendo a razão de ser da espiritualidade dos indivíduos. Suas vidas e ideias foram cultuadas e estudadas pelos membros da Igreja e, posteriormente, seus nomes elevados aos altares para servirem de exemplos de conduta e reflexão. “Os Doutores originais da Igreja foram os santos teólogos da Igreja ocidental, como Santo Ambrósio, Santo Agostinho, São Jerônimo, São Tomás de Aquino e o Papa São Gregório I. As mulheres doutoras são Santa Catarina de Siena e Santa Teresa d’Ávila, ambas nomeadas apenas em 1970, (…) A alemã Santa Hildegarda de Bingen e a francesa Santa Teresinha do Menino Jesus chegariam aos altares brasileiros com a romanização da Igreja a partir do século XIX, (…)”, explica Marcos Horácio Gomes Dias.

 

 

As imagens expostas dos Doutores da Igreja trazem um discurso sobre a história da Igreja Católica Romana e da necessidade da inspiração divina e da espiritualidade para o comportamento humano. Além das figuras masculinas, há de se ressaltar o feito de mulheres que assumiram importante papel e imprimiram seus nomes na História. “É a sensibilidade do ‘feminino’ que nos mostra o ‘Rosto’ amoroso e misericordioso de Deus”, comenta o Padre José Arnaldo Juliano dos Santos.

 

De acordo com Vanessa Beatriz Bortulucce: “Estas quatro Doutoras foram reconhecidas pela Igreja não apenas pelas suas atuações em defesa da Fé e do Papa, mas também por demonstrarem inigualável dinamismo espiritual, pelas ações infatigáveis voltadas ao fortalecimento do cristianismo, pelas suas atitudes reformadoras, bem como pela maestria e habilidade expressas em seus escritos, poemas e doutrinas, mesmo sem que lhes fosse concedido o direito de estudar”.

 

 

De 06 de maio a 02 de julho.

 

Fragmentos sacros

14/set

A exposição “Fragmentos: coleções de Rafael Schunk e Museu de Arte Sacra” reúne na sede do MAS/SP, Luz, São Paulo, SP, fragmentos oriundos de demolições de catedrais, igrejas e capelas brasileiras. São objetos valiosos, pedaços de desmanche das construções, pinturas, obras de arte e santos feitos por mestres santeiros reconhecidos. A curadoria é de Percival Tirapeli.

 

No início do século modernista, os registros demonstram que a demolição das igrejas coloniais no centro antigo de São Paulo era quase uma rotina, assim como no interior e em estados como Bahia e Rio de Janeiro. Foram demolidas a Sé, igrejas do Pátio do Colégio, São Pedro dos Clérigos, Misericórdia, além dos conventos Carmelita, Beneditino de Santa Teresa e dos Remédios.

 

Constituída a partir do final dos anos 1990, a Coleção de Arte Sacra de Rafael Schunk enfatiza produções artísticas do período bandeirista a partir do século XVII, desde o surgimento da arte barroca brasileira até suas ramificações na cultura caipira, com permanência de arcaísmos até a modernidade. São, na maioria, fragmentos oriundos de catedrais do interior de São Paulo, como da antiga catedral de Taubaté, de Pindamonhangaba, da Basílica Velha de Aparecida, de Queluz e de Bananal. Um dos destaques é o conjunto de 60 azulejos da Osirarte, oficina que desenvolveu trabalhos para inúmeros edifícios públicos, a exemplo do MEC-Rio e representou a tradição da azulejaria brasileira desenvolvida no período moderno. Os azulejos das coleções do MAS/SP e de Schunk, apresentam esta importante técnica, tão apreciada pelos portugueses.

 

Outro destaque são as esculturas em terracota de pequenas dimensões de frei Agostinho de Jesus (1600/ 1661) e os denominados santos paulistinhas. O acervo de Rafael Schunk conserva obras de grandes artistas nacionais do período colonial e imperial, tais como frei Agostinho de Jesus, Mestre de Itu, Mestre do Cabelinho em Xadrez, Mestre Valentim da Fonseca e Silva, José Joaquim da Veiga Valle, Pituba, Luzia e santeiros populares do Vale do Paraíba. Soma-se a esta rica diversidade um conjunto de tocheiros, mísulas, oratórios e palmas de altar originários do Vale do Paraíba e Tietê. As obras, de culto coletivo e doméstico, representam a diversidade da arte sacra produzida em terras de bandeirantes, índios e jesuítas. Algumas pinturas de tradição cusquenha enfatizam a ligação e intercâmbio de São Paulo com os castelhanos da América Espanhola.

 

“A presença e reconhecimento de um fragmento advém da nossa maneira cultural de reverenciar o passado e nele encontrar um elo perdido dentro da História, e também nos ajuda a compreender a importância de ruínas”, explica o curador da mostra, Percival Tirapeli.

 

Em 1943, uma obra prima do Mestre Valentim, a igreja de São Francisco dos Clérigos, no Rio de Janeiro, foi destruída para a abertura da avenida Presidente Vargas. As partes oriundas daquele desmanche são pontos de partidas para a reflexão sobre os fragmentos presentes tanto em coleções particulares como nos acervos de museus. Na coleção de Rafael Schunk estão a cabeceira de cama e dois anjos. No MAS/SP, ficaram os dois anjos voantes, a Verônica e o entalhe do rosto de Cristo.

 

“O diálogo entre os fragmentos de ambas as coleções proporciona um olhar mais agudo sobre as partes de ornamentos que, desmembrados de sua totalidade, geram novas investigações sobre a técnica, o estilo, o douramento, constituindo assim um documento que é parte integrante de nosso patrimônio sacro”, diz o curador Percival Tirapeli.

 

 

De 18 de setembro a 20 de novembro.

Arte sacra

18/mai

O Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS-SP, Luz, São Paulo, SP, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, em celebração às comemorações de Corpus Christi, abre a exposição “Trajetória de Jesus de Nazaré”, composta por trabalhos executados pelo santeiro Wandecok Cavalcanti e curadoria de Jorge Brandão.

 

Com núcleos dedicados a passagens bíblicas relevantes – da Anunciação do Anjo a Maria sobre sua gravidez até a Ascensão de Cristo – o artista exibe 38 obras em argila com fortes referencias tanto a arte popular como barroca.

 

As peças foram confeccionadas com terracota e cinco tipos e tonalidades de argila (marfim, preta, creme, shiro e tabaco), recurso utilizado para mostrar e enfatizar detalhes, como cor de cabelo e de rosto, tudo em tom natural, sem nenhum pigmento ou pintura. O que as diferencia é que cada uma tem um ponto de queima. “O barro, por hora, torna-se nobre aplicado ao requinte de detalhes fundamentais para o artista Wandecok Cavalcanti, que neste momento muito maduro, o fez extravasar e aflorar sua devoção nesse conjunto de obras desenvolvido especialmente para narrar a “Trajetória de Jesus de Nazaré” no Museu de Arte Sacra de São Paulo”, define o curador da mostra.

 

Com essa exposição, o museu pretende se abrir a novos formatos de contato com o público bem como espaço de incentivo ao trabalho de novos artistas: “O Museu de Arte Sacra que habitualmente exibe obras centenárias de seu próprio acervo e de coleções particulares, que já proporcionou ao público a possibilidade de admirar obras da fase sacra de artistas modernos como Anita Malfatti e Brecheret, também dá espaço para artistas ainda vivos que produzem arte sacra. Por essa razão, julgamos importante propiciar a exposição de obras de Wandecok Cavalcanti, que nos apresenta sua visão da “Trajetória de Jesus de Nazaré”, esclarece José Carlos Marçal de Barros, diretor executivo do MAS/SP.

 

 

De 22 de maio a 31 de julho.

Mestres santeiros paulistas

16/fev

Apresentando a coleção de Ladi Biezus, a exposição propõe uma análise aprofundada nas características escultóricas das peças, no intuito de desvendar quem eram os mestres santeiros por trás dessa rica produção artística, no estado de São Paulo. O Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS-SP, Luz, São Paulo, SP, equipamento da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, abre a exposição “Mestres Santeiros Paulistas do Século XVII na Coleção Santa Gertrudes”, com curadoria de Maria Inês Lopes Coutinho. Composta por 54 imagens, a coleção de Ladi Biezus é exposta no MAS-SP, lançando um olhar panorâmico para entender, utilizando as características escultóricas, quantos e quais poderiam ser os artistas que produziram tais esculturas chamadas de “paulistas”, ao longo do século XVII.

 

Iniciada em 1970 com a aquisição de uma Santa Gertrudes – daí o nome da coleção -, as obras foram sendo incluídas neste acervo sob o critério fundamental de serem imagens “paulistas”. Mais de 45 anos depois, Ladi Biezus inicia uma pesquisa no intuito de separar as peças de acordo com traços em comum, os quais poderiam identificar e agrupar as esculturas conforme suas origens: Frei Agostinho de Jesus e seu círculo espiritual; Mestre de Sorocaba ou Mestre de Porto Feliz, ou ainda nomeado como Mestre de Itu; Mestre de Angra; Mestre do Cabelinho Xadrez; Mestre de Iguape ou Mestre de Pirapora do Bom Jesus, e no fim do século XVII, Mestre Bolo de Noiva. Ainda há um grupo com características diversas, não comuns, que até o presente não puderam ser identificadas em sua autoria. “O importante na exposição desta coleção é a classificação proposta pelo colecionador”, segundo Maria Inês Lopes Coutinho.

 

De acordo com Ladi Biezus: “Pelo menos a metade das imagens desse Agrupamento, tanto teriam sido executadas pelo próprio Frei Agostinho em diferentes épocas de sua vida, como poderiam ter sido executadas por discípulos trabalhando sob sua direção. Este fato reforça a ideia de não serem tão numerosos os artistas relevantes da época”.

 

Para o Museu de Arte Sacra de São Paulo -– MAS-SP, é com satisfação que esta interessante coleção é apresentada ao público. Nas palavras de José Carlos Marçal de Barros, Diretor Executivo do MAS-SP, e de José Oswaldo de Paula Santos, Presidente do Conselho de Administração: “No silêncio de sua casa, Dr. Ladi Biezus reuniu, observou, percebeu detalhes e interagiu com sua coleção, como só um colecionador sabe e pode fazer, abrindo-a agora para uma discussão profícua acerca de seus significados”.

 

 

 

De 20 de fevereiro a 29 de maio.

A Tradição clássica

22/jun

A Fundação Eva Klabin, Lagoa (esquina do Corte do Cantagalo, próximo ao Metrô Cantagalo), Rio de Janeiro, RJ, realiza, no próximo dia 27 de junho, às 15h30, o encontro da programação mensal gratuita “A tradição clássica na Fundação Eva Klabin”, que abordará a arte produzida na antiguidade tendo como ponto de partida uma obra do vasto acervo da instituição. O encontro deste mês terá como tema “Classicismo e anticlassicismo”, com palestra de Fernanda Marinho, doutora pela UNICAMP, historiadora da arte no âmbito do Renascimento italiano e suas decorrências iconográficas e historiográficas.

 

 

A iconografia mariana será abordada nesta palestra através dos divergentes contextos artísticos de Flandres e da Itália do século XVI. A partir das madonas associadas aos círculos de Mabuse e Andrea del Sarto, serão analisadas as repercussões da crise político-religiosa do Renascimento e suas decorrências formais anticlássicas.

 

 

A retirada de senha será a partir das 15h, e inscrições prévias podem ser feitas pelo email cultura@evaklabin.org.br. Organização de Marcio Doctors, com patrocínio da Klabin S/A, com Lei Federal de Incentivo à Cultura, do MinC. A entrada é gratuita.

 

 

 

 

Sobre a palestrante

 

 

Fernanda Marinho, doutora pela UNICAMP, é historiadora da arte no âmbito do Renascimento italiano e suas decorrências iconográficas e historiográficas. Trabalhou na Fundação Eva Klabin, no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro e lecionou no Instituto de Artes da UERJ, no IFCH da UNICAMP e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Atualmente é pós-doutoranda pela UNIFESP e dedica-se às diversas formas de primitivismo durante o início do século XX entre França, Itália e Brasil.

Portinari: A capela da Nonna

02/out

O Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS-SP, equipamento da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, em parceria com o Museu Casa de Portinari, exibe “Capela da Nonna: Fé, Religiosidade e Arte”, uma reprodução em tamanho real do cômodo pintado pelo artista especialmente para que sua avó Pellegrina orar, porque em virtude da idade avançada e pouca saúde, não podia se locomover até a igreja da cidade (Brodowsqui). A obra apresenta os santos de devoção da “Nonna”.

 

Por meio de painéis e recursos cênicos, o espaço original foi recriado com as dimensões e as mesmas pinturas feitas pelo artista: São Francisco de Assis, Santa Luzia, São Pedro, São João Batista, a Sagrada Família, entre outras. As imagens dos santos são reproduzidas com a feição de parentes e amigos do pintor, uma tradição presente na pintura do século XV, principalmente entre artistas flamengos e italianos, e que Portinari retomou.

 

Para Angelica Fabbri, diretora do Museu Casa de Portinari, a presente exposição “leva ao público este conjunto de arte sacra tão significativo e ímpar na obra de Candido Portinari, em forma de capela, feita para a avó num gesto de amor e carinho.”.

 

 

A partir de 07 de outubro.  

Barro paulista, arte sacra

23/abr

O Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS/SP, Luz, São Paulo, SP, exibe “Barro Paulista”, com curadoria de Dalton Sala e expografia de Maria Alice Milliet. A mostra conta com cerca de 50 esculturas e tem como intenção reapresentar a arte colonial paulista do século XVII, a partir do acervo do MAS/SP, estudando e mostrando as imagens em terracota (ou barro cozido) feitas na Capitania de São Vicente, e depois na de São Paulo.

 

Em uma sociedade onde o poder emanava de ordens religiosas – especialmente jesuítas, franciscanos e beneditinos -, a produção de imagens sacras acompanhava a evolução dos costumes, as oscilações econômicas e as transformações sociais vividas pelos vicentinos e, posteriormente, pelos paulistas. A exposição “Barro Paulista” traz uma série dessas imagens – com especial enfoque para a produção do período em que as expedições armadas (conhecidas como bandeiras paulistas) reconheceram, expandiram e defenderam o território colonial português -, tendo como destaques cinco esculturas: São Francisco Xavier, São Francisco de Paula, Nossa Senhora da Purificação, Santo Amaro e São Francisco das Chagas. O projeto expográfico integrará à mostra alguns altares, caracterizando o culto doméstico em que estas imagens eram utilizadas, paralelamente à sua presença em igrejas e conventos.

 

Para Dalton Sala, a escolha dos objetos a serem expostos ocorreu em função de uma tripla perspectiva: pelo valor histórico das peças, enquanto documentos significativos de um passado importante para a formação do Brasil; Pela importância do acervo do MAS/SP; E, por último, pelos valores estético e artístico conferidos em cada obra. Em suas palavras: “(…) essas imagens são a fina flor da arte paulista e muitas delas foram feitas entre os séculos XVI e XVII: ou seja, 100 ou 150 anos antes das imagens em madeira que caracterizam o período do ouro de Minas Gerais, conhecido vulgarmente como barroco mineiro. Além dessa antiguidade, deve-se ressaltar a raridade, pois as terracotas são bem menos numerosas que as imagens entalhadas em madeira”. Assim, a proposta é reunir esta imaginária cotidiana da sociedade colonial, evidenciando não apenas seu valor como objetos estéticos e de culto, mas enfatizando os itens como documentos que nos permitem compreender tal época em seus múltiplos aspectos.

 

De 29 de abril a 08 de junho.