Temas cotidianos de Wilma Ramos

20/mai

 

 

Jacques Ardies exibe em sua galeria, Vila Mariana, São Paulo, SP, e assina a curadoria de uma exposição em tributo a uma artista parceira de muitos anos: “Homenagem a Wilma Ramos”. Composta por 24 telas em acrílico pintadas pela artista no período entre 1981 e 2005, serve como homenagem e agradecimento à lealdade e presença da artista junto a trajetória da galeria desde os seus primórdios em 1979 (Galeria Cravo e Canela). Conhecida e reconhecida como artista naïf, Wilma Ramos criou obras de colorido intenso e figuras com detalhamento minucioso. Mesmo sendo inserida na classificação de uma arte onde a espontaneidade, a criatividade autêntica, o fazer artístico sem escola nem orientação, a artista possui características baseadas na simplificação dos elementos, valorizando a representação de temas cotidianos e manifestações culturais de um povo.

 

 

As obras de Wilma Ramos possuem especificidades, de um colorido vibrante; ela pintava, principalmente com a tinta acrílica, que tem uma luminosidade maior que a tinta óleo; contornava seus personagens, que no geral tinham um aspecto muito comum, parecendo ser da mesma família. Os temas dos oxuns, pescadores trabalhando, feiras livres, colheitas de laranja e cana de açúcar, festas populares – como a do bumba meu boi, os bonecos gigantes, a malhação de Judas, as procissões religiosas e a festa do Divino Espírito Santo, os retratos de imagens sacras, como a incrível Nossa Senhora do Arco-Íris e de São Francisco dormindo na mata brasileira, rodeado de animais e de índios – estão entre os temas preferidos da artista. Foi com a obra “As Baianas” que Wilma Ramos conquistou reconhecimento e sucesso no mundo da Arte Naïf. Elas são únicas, com saia geométrica estampada, que lembra os panos de chita, muito comum na arte popular. Na parte superior, usam uma blusa branca de mangas curtas enfeitadas por colares de contas coloridas e levam na cabeça um pano branco amarrado, típico. O rico universo dos orixás e oxuns tiveram espaço garantido na obra da artista. Nas palavras da artista, em declaração dada em 2007, “Quase tudo que pinto ligo a fauna e a flora. Sou defensora da natureza. Essa é uma forma de dar um alô sobre a necessidade de preservar o meio ambiente.” Não necessariamente o artista naif está isolado dos acontecimentos de sua época e momento cultural. Já em São Paulo, para onde se transfere na década de 1970, através de uma amiga artista, Wilma Ramos tem acesso e contato com artistas do movimento modernista como Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral, além de outros grandes expoentes culturais como Manabu Mabe, Takeschi Susuki, Takaoca Fukushima, Alzira Pecarari e Flávio de Carvalho. A arte ingênua de Wilma Ramos se mantém intacta mas, o contato com outras vertentes criativas possibilita influências e opções antes indisponíveis ao pequeno universo pessoal da artista. O curador explica e justifica, com maestria, a mostra: “Wilma Ramos se dedicou a pintura bem cedo, em 1968. Encontrou sua linguagem e manteve-se fiel ao seu estilo particular de se expressar. Rostos redondos, olhos puxados, os seus personagens são inconfundíveis e, na maioria das vezes, parecem formar um grupo de pessoas entrosadas e de boa convivência e isto é totalmente coerente com o seu próprio jeito carismático de se relacionar. Wilma era meiga, doce e sensível. Interessou-se pelos rituais afro-brasileiros do candomblé e pelas festas folclóricas, tão populares Brasil afora e, mais intensamente, na Bahia. Gostava também de interpretar cenas campestres com cores harmoniosas e bem orquestradas que demonstrava seu inabalável otimismo em relação ao dia de amanhã. Após uma estada de 4 anos na Espanha, em 1979, Wilma juntou-se a turma dos artistas que iam apoiar a nova Galeria Cravo e Canela, no Alto da Boa Vista. A partir desse momento passou a aceitar todos os convites para participar de exposições. Recebemos um apoio irrestrito da artista Wilma Ramos e hoje, 43 anos depois, montamos esta exposição para expressar e demonstrar nosso agradecimento”.

 

 

Sobre a galeria

 

 

A Galeria Jacques Ardies, localizada na Vila Mariana, ocupa uma casa antiga completamente restaurada. A galeria, que iniciou suas atividades em agosto de 1979 (Galeria Cravo e Canela), tem por vocação a divulgação e a promoção da arte naïf brasileira. Ao longo de 42 anos, muitas exposições foram realizadas: 120 mostras individuais e mais de 200 coletivas, no seu próprio espaço e também em museus como o MAC de Campinas (SP), MAM de Goiânia (GO), Espace Art 4 de Paris (FRA), Espaço Cultural de FMI em Washington D.C. (USA), Musée International de Arte Naïf Anatole Jakovski em Nice (FRA), Memorial da America Latina em São Paulo (SP), para citar apenas alguns e também em galerias de arte como a Galeria Jacqueline Bricard, em Lourmarin (França), a Galeria Pro Arte Kasper, em Morges (Suíça) e a Gina Gallery em Tel-Aviv (Israel). Em 1998, Jacques Ardies lançou o livro Arte Naïf no Brasil com a colaboração do crítico Geraldo Edson de Andrade e em 2003, publicou o livro sobre a vida e obra do artista pernambucano Ivonaldo, com texto do professor e crítico de arte Jorge Anthonio e Silva. Em 2010, lançou o segundo livro sobre a “Arte Naïf no Brasil” com texto da sua autoria e comentários de 4 amigos também apaixonados por esta arte. Quatro anos depois, em 2014, foi editado este mesmo livro numa versão em francês. A galeria expõe permanentemente quadros e esculturas de 80 artistas selecionados e considerados como representativos do movimento da arte naïf brasileira.

 

 

De 24 de maio a 18 de junho.

 

 

Tradicional coletiva

06/dez

 

 

A Galeria Jacques Ardies, Vila Mariana, São Paulo, SP, encerra a temporada de 2021 com a “Grande Coletiva de Arte Naïf” que apresenta trabalhos de 13 artistas brasileiros, e propõe um resgate da produção recente no campo da arte popular nacional, destacando temas da vida cotidiana, experiências pessoais, festas, paisagens campestres e urbanas, além da beleza da natureza.

 

A missão da galeria é incentivar a Arte Naïf brasileira; foram convidados os artistas que resistiram ao desanimo e continuaram pintando apesar das malezas e do desconforto causados pela pandemia. “Esses artistas têm em comum a sutileza com que retratam os temas ligados à natureza e ao dia-a-dia. Usando as cores com habilidade, eles transmitem em cada um de seus quadros a alegria, o lirismo e o otimismo característicos do povo brasileiro”, explica Jacques Ardies, curador da mostra.

 

A chamada Arte Naïf é uma expressão artística que surgiu junto com a eclosão da arte moderna. Os artistas naïfs, na maioria das vezes, não fazem questão de seguir as regras da academia e, por meios próprios, criam uma linguagem pessoal, transmitindo suas experiências de vida. Buscam, com determinação, superar eventuais desafios técnicos, propondo um estilo original, sem compromisso com a perspectiva, e executado com total liberdade.

 

“Grande Coletiva de Arte Naïf”

 

Artistas expositores: Ana Denise, Ana Maria Dias, Cristiano Sidoti, Edivaldo, Enzo Ferrara, Helena Coelho, Isabel de Jesus, Lucia Buccini, Mara D. Toledo, Rodolpho Tamanini Netto, Sônia Furtado e Vanice Ayres Leite.

 

Sobre a galeria

 

A Galeria Jacques Ardies, na Vila Mariana, está sediada em imóvel antigo totalmente restaurado. Desde sua abertura em Agosto de 1979, atua na divulgação e a promoção da arte naif brasileira. Ao longo dos últimos 42 anos, realizou inúmeras exposições tanto em seu espaço como em instituições nacionais e estrangeiras, onde podemos destacar MAC/ Campinas, MAM/ Goiânia, Espace Art 4 – Paris, Espaço Cultural do FMI em Washington DC, USA, Galeria Jacqueline Bricard, França, a Galeria Pro Arte Kasper, Suíça e Gina Gallery, Tel-Aviv, Israel. Em 1998, Jacques Ardies lançou o livro Arte Naif no Brasil com a colaboração do crítico Geraldo Edson de Andrade e em 2003, publicou o livro sobre a vida e obra do artista pernambucano Ivonaldo, com texto do professor e crítico de arte Jorge Anthonio e Silva. Em 2014, publicou Arte Naïf no Brasil II, que acaba de ser impresso em língua francesa, com textos de Daniel Achedjian, Peter Rosenwald, Marcos Rodrigues e Jean-Charles Niel. A galeria possui em seu acervo obras, entre quadros e esculturas, de 80 artistas representativos do movimento da Arte Naif brasileira.

 

Até 22 de Dezembro.

 

 

Pequeno Notável

16/nov

 

 

 

Miman, Minimuseu de Arte Naïf de Paraty, abre as portas no coração do Centro Histórico de Paraty, RJ.

 

Uma joia localizada no Caminho do Ouro, o Mini Museu de Arte Naïf de Paraty, que foi idealizado pelo artista naïf André Cunha, nasce com a proposta de enriquecer ainda mais a cidade detentora do título de Patrimônio da Humanidade da UNESCO. O Miman se instala no mezanino da galeria da qual André Cunha é fundador, juntamente com seu sócio, Pedro Cruz Lima. A partir do dia 20 de novembro, o museu abrigará um acervo permanente formado por obras de menores formatos de 122 artistas naïfs das cinco regiões do país, entre nomes consagrados e recém-chegados, provenientes de coleções particulares e de doações. Todas as telas passaram pela análise e filtro da equipe de curadores experientes no assunto: Jacqueline Finkelstein, museóloga e diretora do MIAN (Museu Internacional de Arte Naif do Brasil, RJ); Augusto Luitgards, doutor em Linguística Aplicada e especialista em História da Arte e Pedro Cruz Lima, publicitário que também participa da curadoria.

 

Vocação para ser uma ponte entre artistas naïfs de todo o Brasil

 

Recebendo os visitantes, um vibrante painel da arte naïf brasileira reúne nomes de longa estrada apresentados lado ao lado com novos talentos, reforçando a vocação de ser um espaço democrático, com a proposta de organizar mostras temáticas e temporárias abertas para artistas de todo o Brasil.

 

“Pretendemos estabelecer contato direto de visitantes nacionais e estrangeiros com uma extensa gama de artistas naïfs brasileiros, estreitando os laços entre público e artistas”, afirma André Cunha, que pretende realizar projetos de formação de novos artistas locais, estabelecendo forte vínculo com a comunidade.

 

O Mini Museu Naïf será aberto gratuitamente ao público e às escolas da região e projetos de educação e arte estão sendo conversados com as Secretarias de Educação e de Cultura de Paraty.

“A ideia é le

 

Miman, Minimuseu de Arte Naïf de Paraty, abre as portas no coração do Centro Histórico de Paraty, RJ.

 

Uma joia localizada no Caminho do Ouro, o Mini Museu de Arte Naïf de Paraty, que foi idealizado pelo artista naïf André Cunha, nasce com a proposta de enriquecer ainda mais a cidade detentora do título de Patrimônio da Humanidade da UNESCO. O Miman se instala no mezanino da galeria da qual André Cunha é fundador, juntamente com seu sócio, Pedro Cruz Lima. A partir do dia 20 de novembro, o museu abrigará um acervo permanente formado por obras de menores formatos de 122 artistas naïfs das cinco regiões do país, entre nomes consagrados e recém-chegados, provenientes de coleções particulares e de doações. Todas as telas passaram pela análise e filtro da equipe de curadores experientes no assunto: Jacqueline Finkelstein, museóloga e diretora do MIAN (Museu Internacional de Arte Naif do Brasil, RJ); Augusto Luitgards, doutor em Linguística Aplicada e especialista em História da Arte e Pedro Cruz Lima, publicitário que também participa da curadoria.

 

Vocação para ser uma ponte entre artistas naïfs de todo o Brasil

 

Recebendo os visitantes, um vibrante painel da arte naïf brasileira reúne nomes de longa estrada apresentados lado ao lado com novos talentos, reforçando a vocação de ser um espaço democrático, com a proposta de organizar mostras temáticas e temporárias abertas para artistas de todo o Brasil.

 

“Pretendemos estabelecer contato direto de visitantes nacionais e estrangeiros com uma extensa gama de artistas naïfs brasileiros, estreitando os laços entre público e artistas”, afirma André Cunha, que pretende realizar projetos de formação de novos artistas locais, estabelecendo forte vínculo com a comunidade.

 

O Mini Museu Naïf será aberto gratuitamente ao público e às escolas da região e projetos de educação e arte estão sendo conversados com as Secretarias de Educação e de Cultura de Paraty.

“A ideia é levar a arte naïf para outros locais da cidade, entrando para o calendário de eventos de Paraty”, conclui Pedro Cruz Lima.

 

Com a palavra, os curadores

 

“Este espaço dedicado à arte naïf brasileira é um convite para que o público desfrute o encantamento produzido por talentosos artífices das cores, verdadeiros guardiões da ampla diversidade cultural brasileira. É possível constatar, com emoção, que pequenos formatos podem acolher grandes expressões, com beleza, colorido e lirismo”.

 

var a arte naïf para outros locais da cidade, entrando para o calendário de eventos de Paraty”, conclui Pedro Cruz Lima.

 

Com a palavra, os curadores

 

“Este espaço dedicado à arte naïf brasileira é um convite para que o público desfrute o encantamento produzido por talentosos artífices das cores, verdadeiros guardiões da ampla diversidade cultural brasileira. É possível constatar, com emoção, que pequenos formatos podem acolher grandes expressões, com beleza, colorido e lirismo”.

 

 

Coletiva de Arte naïf

11/ago

 

A Galeria BASE, São Paulo, SP, abre a exposição “Eles já estavam aqui”, com curadoria de Paulo Azeco e coordenação artística de Daniel Maranhão, exibindo, aproximadamente, 50 obras. Os trabalhos apresentados possuem um pluralismo de cores e formas, composições e olhares de artistas nativos dos mais distintos cenários brasileiros. “Sem nos atermos às discussões de nomenclaturas da Arte “dita” popular, como ingênua, espontânea, naïf ou não erudita, nos apraz apresentar um conjunto potente, extenso e, sobretudo, plural”, explica Daniel Maranhão.

 

 

Os artistas selecionados

 

 

“são indivíduos cuja criatividade espelha um viver assumido, onde a imaginação reintegra e reinventa os objetos do existir. (…..) O fazer artístico, como processo vital ligado a condição humana, encontra nos artistas dessa exposição seus canais amplificadores, onde a partir da sabedoria e das experiências herdadas, transcendem o ato do simples fazer alcançando o “Sonho”, como na frase de Ferreira Gullar (‘a arte existe porque a realidade não basta… O que eu quero é sonho’)”, define o curador.

 

Foram reunidas obras importantes, entre pinturas e esculturas, de nomes como Agnaldo dos Santos, Artur Pereira, Conceição dos Bruges, Chico da Silva, GTO, José Antônio da Silva, José Bezerra, Lorenzato, Maria Auxiliadora, Mestre Guarany, Mestre Nuca, Mirian, Nino, Nhô Caboclo, Poteiro, Ranchinho, Véio, acrescido de Rubem Valentim, que representam o que há de maior destaque.

 

 

Como um presente adicional ao público, a mostra apresenta um recorte de uma valiosa coleção particular, resultante de décadas de aquisições feitas sob o olhar apurado de seu proprietário, cujo projeto é criar um museu para receber o conjunto completo. Possivelmente, essa será uma das últimas oportunidades de se admirar essas obras antes que elas sejam alocadas no novo espaço.

 

 

Em relação aos artistas da mostra

 

 

“São subversores inconscientes de um padrão tanto de processo quanto de criação e por isso sua potência merece ser vista e pensada como força motriz essencial para a formação de uma identidade cultural verdadeiramente Brasileira”, conclui Paulo Azeco.

 

A Galeria BASE cumpre todos os protocolos sanitários determinados pelas autoridades competentes referentes a COVID 19.

 

 

Até 18 de Setembro.

 

 

Uma joia naïf 

03/nov

A cidade histórica de Paraty, Rio de Janeiro, RJ, deverá ganhar, em breve, um Mini Museu de Arte Naïf: o MIMAN, será uma joia no Caminho do Ouro. Uma das curadoras do novo espaço será Jacqueline Finkelstein, diretora do Museu Internacional de Arte Naïf (MIAN), que fechou as portas no Cosme Velho, em 2016, e possui um dos maiores acervos do gênero de trabalhos. Completam o time, na curadoria das obras e artistas, o especialista em História da Arte Augusto Luitgards e Pedro Cruz Lima, sócio-fundador e diretor do MIMAN com André Cunha. O museu ficará instalado no centro histórico da cidade e terá como proposta apresentar telas em pequenos formatos, em local intimista, sendo esta a razão do nome. A inauguração está prevista para julho de 2021.

Júlio Paraty no MNBA

17/jan

Com uma representativa seleção de 40 trabalhos (em acrílico sobre tela e guache) dentre as mais de 3.000 obras produzidas em cinquenta anos de carreira, o Museu Nacional de Belas Artes/Ibram exibe – entre 21 de janeiro e 21 de março de 2020 – nas Salas Clarival Valadares e Ubi Bava, Cinelândia, Rio de Janeiro, RJ, a exposição “O mundo paradisíaco de Júlio Paraty”.

 

Dono de uma robusta carreira artística, com inúmeras individuais, e sendo um dos mais importantes artistas da histórica e colonial cidade fluminense de Paraty, o pintor popular Júlio Paraty é agora homenageado num momento muito oportuno pois recentemente sua cidade foi reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO.

 

Na exuberância de suas cores e rigor de sua composição, a obra de Júlio desde sempre teve como inspiração e temas o patrimônio cultural de sua Paraty natal: suas tradições, as festas religiosas, os modos de viver, as brincadeiras, a pesca e os barcos, os personagens, santos e bandeiras da localidade em meio a luxuriante natureza.

 

Para o curador da mostra “O mundo paradisíaco de Júlio Paraty”, o cineasta Luis Carlos Lacerda, o Bigode, “…esta retrospectiva nos permitirá acompanhar a evolução de seu percurso, dos primeiros trabalhos onde a presença de blocos compactos forma a narrativa da tela, ao povoamento riquíssimo de seus espaços por uma multidão de personagens coadjuvantes, ações paralelas ao tema principal, pequenas telas dentro daquilo que retrata, numa inquietação que habita o mundo e o atelier dos grandes artistas”.

 

Em sua longa trajetória, Júlio realizou cerca de trinta exposições individuais, a primeira em 1971, em São Paulo, no Antiquário Chafariz e ainda na capital paulista ele expôs também em 1984, no Centro Cultural São Paulo, e no Rio de Janeiro, na Funarte, em 1979 e 1981. Participou de exposições internacionais coletivas, em 1980 – Naifes Internacionais – na Galeria do Bonfim de Amsterdam e na Galeria do Bonfim de Bonn, Alemanha.

 

Conjugado à exposição haverá também a exibição permanente do filme que faz parte da série “Atelier do Artista”, com fotografia de Alisson Prodlik e direção de Luiz Carlos Lacerda, curador da exposição.

 

A mostra “O mundo paradisíaco de Júlio Paraty” conta com o apoio da Secretaria de Cultura de Paraty.

 

Naïfs Brasileiros

27/ago

 

A Galeria Evandro Carneiro Arte, Shopping Gávea Trade Center,Gávea, Rio de Janeiro, RJ, apresenta até 14 de setembro a “Exposição Nossos Naïfs Brasileiros”. A mostra conta com 40 telas, de artistas diversos. Em destaque na exposição encontram-se as obras “O parque”, de JMS (Júlio Martins da Silva); “Mocinha lendo Carolina”, de Elza de Oliveira Souza (Elza OS); “A sanfoneira”, de Miranda, entre outros. As peças pertenciam à coleção de Lucien Finkelstein e estão à venda.

Descobrir a ingenuidade, a simplicidade, a franqueza, a liberdade, o colorido todo especial, tropical, quente, sedutor, tal qual a alegria de viver do povo brasileiro, é encontrar a essência da pintura de nossos naïfs. Esses artistas, dotados de um senso plástico natural, não se prendem a regras ou modismos e nem se deixam influenciar pelas tendências do momento.

 

Eles nos mostram, através de suas pinceladas diretas e objetivas e suas técnicas intuitivas ou até mesmo criadas por eles próprios, os mais variados temas, tais como: festas populares, religiosidade, mitos, lendas, brincadeiras e folguedos de crianças, a vida no campo e na cidade, o imaginário, a fauna e a flora de nosso país, o cotidiano em que vivem, narram nossa história, mostram a diversidade cultural e nossas belezas naturais, mas também podem fazer críticas sociais, defender a salvaguarda da natureza e a preservação do meio-ambiente, através de suas ingênuas pinceladas.

 

O Brasil é um dos cinco grandes da arte naïf no mundo, junto a França, Haiti, ex-Iugoslávia e Itália. Aqui encontramos uma quantidade imensa de artistas e constata-se que a cada dia que passa esse número cresce. Além de pintar em telas, vidros, eucatex, madeiras, cascas de árvores, tecidos, peles de animais, os naïfs podem também se expressar através de bordados, cerâmicas, esculturas, xilogravuras, etc., fazendo uso de seus recursos inesgotáveis.
Apesar de não seguirem regras, escolas e tampouco tendências, é curioso ressaltar semelhanças que podem surgir entre pinturas e também técnicas usadas por artistas de cantos inteiramente diversos do mundo. Assim, como explicar tais coincidências, a não ser através do conceito do inconsciente coletivo criado pelo psiquiatra suíço Jung? Diz-se que a arte naïf aparece nos primórdios da humanidade, que nossos ancestrais, podem ter sido os primeiros pintores naïfs. Pois através da pintura rupestre, nas paredes de suas cavernas, eternizaram seus rastros, partes do seu cotidiano, suas caças, se comunicando e inventando uma linguagem para se expressar e deixar registrada.

 

O francês “Douanier” Rousseau foi o expoente da arte naïf moderna. Dele surgiram, no final do século XIX e início do XX, as mais belas e exóticas florestas, vegetações e animais, que para assombro dos grandes mestres da época, ele dizia os encontrar logo ali, num jardim perto de onde morava. Foi com a sua pintura única, simples, direta e imaginária que encantou os mais famosos. Num jantar na casa de Picasso, declarou ao mestre: “Você e eu, somos os mais importantes artistas de nosso tempo, você no estilo egípcio e eu no estilo moderno.” Os naïfs brasileiros são os mais autênticos e verdadeiros porta-bandeiras da pintura brasileira. Deleitem seus olhos e aqueçam seus corações com as pinceladas da exposição Nossos Naïfs Brasileiros na Galeria Evandro Carneiro Arte.

 

Arte Naïf na Galeria Evandro Carneiro

04/jun

A Galeria Evandro Carneiro Arte, Gávea Trade Center, Rio de Janeiro, RJ, promove a inauguração da exposição José Rodrigues de MIRANDA, no sábado 09 de junho, das 17h às 20h.

 

“Miranda me conduziu até o seu quarto que lhe servia também de atelier, onde ele me mostrou uma quinzena de quadros, inclusive o último, ainda úmido e não acabado, colocado em cima do tamborete que lhe servia de cavalete. Emanava de suas obras a mesma comovente simplicidade, a força extraordinária da sua sinceridade, aquele poder comunicativo dos nossos antepassados longínquos que souberam se comunicar pelo desenho muito antes de se haver conquistado a escrita. Fascinado, em silêncio, eu saboreava intensamente aquele momento maravilhoso de descoberta de um grande artista.” (*)

 

(*) Lucien Finkelstein, colecionador, joalheiro, fundador do Museu Internacional de Arte Naïf e grande incentivador/divulgador da obra de MIRANDA. Trecho retirado de FINKELSTEIN, Lucien. Miranda. Rio de Janeiro: Imprinta, 1980, p. 76.

Arte Naïf com Jacques Ardies     

11/dez

 

A Galeria Jacques Ardies, Vila Mariana, São Paulo, SP, inaugurou a “Grande Coletiva de Arte Naïf”, sob a curadoria de Jacques Ardies apresentando mais de 80 obras, de 30 artistas brasileiros. A mostra propõe um destaque à arte popular brasileira com obras que tratam do cotidiano dos artistas e suas experiências de vida.  A exibição, que tradicionalmente encerra a agenda expositiva da galeria, mescla formas distintas de se fazer arte, cada uma com o seu conceito e processo criativo particular.

 

No Brasil, o movimento naïf se consolidou a partir dos anos 1940, com o surgimento das obras de Heitor dos Prazeres e José Antonio da Silva, entre outros. Hoje, o país é um dos grandes representantes deste tipo de arte no mundo, com enormes contrastes territoriais, preservação cultural, capacidade de aflorar novos talentos, mistura de raças e de crenças, sensibilidade inata e alegria contagiante. A chamada Arte naïf é uma expressão artística que surgiu na eclosão da arte moderna. Os artistas naïfs, via de regra, não pretendem seguir as regras da academia, e, por meios próprios, inventam uma linguagem pessoal, expressando suas experiências de vida. Com determinação, buscam superar eventuais dificuldades técnicas, propondo uma arte original, sem compromisso com a perspectiva e executada com total liberdade. A palavra francesa “naïf” foi utilizada para definir o estilo de Henri Rousseau, que apresentava uma arte personalíssima e encantadora.

 

O galerista Jacques Ardies, que adotou o incentivo à Arte naïf brasileira como uma de suas missões, declara que “…esses artistas têm em comum a sutileza com que retratam os temas ligados à natureza e ao dia-a-dia. Usando as cores com habilidade, eles transmitem em cada um de seus quadros a alegria, o lirismo e o otimismo característicos do povo brasileiro”.

 

Na exposição “Grande Coletiva de Arte Naïf”, econtram-se obras assinadas por Ana Denise, Ana Maria Dias, Barbara Rochlitz, Bebeth, Bida, C. Sidoti, Denise Costa, Doralice Ramos, Edgar Calhado, Edivaldo, Edna de Araraquara, Ernani Pavaneli, Enzo Ferrara, Francisco Severino, Helena Coelho, Isabel de Jesus, Ivonaldo, L. Cassemiro, Lucia Buccini, Madeleine Colaço, M. Guadalupe, M. Zawadzka, Maite, Malu Delibo, Mara D. Toledo, Marcelo Schimaneski, Rodolpho Tamanini Neto, Waldomiro Sant’ Anna, Vanice Ayres Leite e Wima Ramos.

 

 

Até 22 de dezembro.

Oito décadas de Arte Naïf 

11/nov

Jacques Ardies, marchand franco-belga estabelecido no Brasil e proprietário da galeria que recebe o seu nome é também o curador da mostra coletiva “Arte Naif, uma viagem na alma brasileira”, com abertura no dia 12 de novembro, no Memorial da América Latina – Galeria Marta Traba, Barra Funda, São Paulo, SP.

 

Interpretar a “arte naif” por si só já é um desafio, visto que se trata de uma expressão regional que percorre o mundo assumindo aspectos de acordo com os artistas que expõe suas próprias experiências, por meio de linhas e formas peculiares, sem ter recebido uma orientação formal. Algumas de suas principais características são o uso de cores fortes, a retratação de temas alegres, traços figurativos, a idealização da natureza e sem a preocupação com a perspectiva, ou seja, às vezes, ela é bidimensional. É exatamente por isso que no Brasil, esta arte goza de um ambiente ideal que se amplifica mais ainda graças à exuberância das florestas, à intensa luminosidade e ao conhecido calor humano brasileiro.

 

Como trata-se de um país com tamanha vastidão cultural, para a mostra, foram escolhidos 70 nomes representativos desse gênero específico de expressão artística. Os artistas foram divididos em três núcleos: Histórico – composto por registros de nomes já reconhecidos no segmento e com trajetória sólida; Atual, com nomes ativos no presente, cujos trabalhos também sofrem influencias de novas técnicas e temas contemporâneos e complementando a exposição, uma área especial composta por 10 esculturas do segmento destacado.

 

Segundo Jacques Ardies, a Arte Naïf baseia-se na liberdade para expressar memórias e emoções, por isso, escolhe apresentá-la em montagem em ordem cronológica, começando pela década de 40 até os dias atuais, com destaque para a pintura tropicalista, as evocações divinas em degradés sofisticados e outras características marcantes como cenas paulistanas, cores quentes, a boemia carioca e baianas em trajes finos. O curador observa que os artistas conseguem superar suas dificuldades técnicas e criar uma linguagem inédita, pessoal e singular. Essa liberdade da execução permite maior dedicação ao essencial da arte que pode ser observada pelas pessoas que ainda preservam intacta sua capacidade de encantar-se com o que pode ser apreciado numa exposição.

 

 

Artistas participantes

 

Agenor, Agostinho Batista de Freitas, Alba Cavalcanti, Ana Maria Dias, Antônio Cassiano, Antônio de Olinda, Antônio Julião, Antônio Porteiro, Artur Perreira, Bajado, Barbara Rochltiz, Bebeth, Chico da Silva, Conceição da Silva, Constância Nery, Crisaldo Morais, Cristiano Sidoti, Denise Costa, Dila, Doval, Edivaldo, Edna de Araraquara, Edson Lima, Elisa Martins da Silveira, Elza O.S, Ernani Pavaneli, Francisco Severino, Geraldo Teles de Oliveira, Gerson, Gilvan, Grauben, Helena Coelho, Iaponí Araújo, Ignácio da Nega, Iracema, Isabel de Jesus, Ivan Moraes, Ivonaldo Veloso de Melo, José Antônio da Silva, José de Freitas, José Perreira, Lia Mittarakis, Louco, Lourdes de Deus, Lucia Buccini, Luiz Cassemiro, Madeleine Colaço, Magdalena Zawadzka, Maite, Malu Delibo, Mara Toledo, Marcelo Schimaneski, Maria Auxiliadora, Maria Guadalaupe, Miranda, Mirian, Neuton de Andrade, Olimpio Bezerro, Passarinheiro, Raimundo Bida, Rodolpho Tamanini Netto, Rosina Becker do Valle, Silvia Chalreo, Soati, Sônia Furtado, Vanice Ayres, Waldemar, Waldomiro de Deus, Wilma Ramos e Zé do Embu.

 

 

A galeria

 

A Galeria Jacques Ardies, na Vila Mariana, está sediada em imóvel antigo totalmente restaurado. Desde sua abertura em Agosto de 1979, atua na divulgação e a promoção da arte naif brasileira. Ao longo de 37 anos, realizou inúmeras exposições tanto em seu espaço como em instituições nacionais e estrangeiras, onde podemos destacar MAC/ Campinas, MAM/ Goiânia, Espace Art 4 – Paris, Espaço Cultural do FMI em Washington DC, USA, Galeria Jacqueline Bricard, França, a Galeria Pro Arte Kasper, Suíça e Gina Gallery, Tel-Aviv, ,Israel. Em 1998, Jacques Ardies lançou o livro “Arte Naif no Brasil” com a colaboração do crítico Geraldo Edson de Andrade e em 2003, publicou o livro sobre a vida e obra do artista pernambucano Ivonaldo, com texto do professor e crítico de arte Jorge Anthonio e Silva. Em 2014, publicou Arte Naïf no Brasil II, de sua autoria, com textos complementares dos colecionadores Daniel Achedjian, Peter Rosenwald, Marcos Rodrigues e Jean-Charles Niel. A galeria possui em seu acervo obras, entre quadros e esculturas, de 80 artistas representativos do movimento da Arte Naif brasileira.

 

 

A galeria Marta Traba

 

A Galeria Marta Traba de Arte Latino-Americana é um espaço privilegiado para a difusão da arte latino-americana e para o intercâmbio cultural com os países do nosso Continente. Projetada por Oscar Niemeyer, a Galeria é hoje o único espaço museológico existente no Brasil, inteiramente dedicado às artes e à cultura latino-americanas. Ocupando uma área de 1.000 m², o espaço é sustentado por uma única coluna central, circundado por painéis que permitem ao visitante, desde a entrada, uma visão do conjunto das obras expostas.

 

 

Até 06 de janeiro de 2017.