Tarsila, pioneira em Paris

10/mar

 

Pionnieres - Musee - du - Luxembourg

 

O Musée du Luxembourg, Paris, França, apresenta o trabalho de 45 artistas , 45 pintoras, escultoras, diretoras de cinema, cantoras, designers. De Suzanne Valadon a Tamara de Lempicka, a Mela Muter, Anton Prinner e Gerda Wegener, a Paris dos loucos anos 20 volta à vida em toda sua exuberância e riqueza, em formas tão múltiplas quanto fascinantes. E entre elas, a brasileira Tarsila do Amaral.

A exposição oferece uma visão global sobre o empoderamento das mulheres dos loucos anos 20. Das operárias fabris às lutas políticas pelos  direitos das mulheres, ao  empoderamento das artistas femininas e ações identitárias, todas as lutas que movimentaram as  classes feminista e feminina são exibidas, e essas mesmas lutas ainda são atuais, um século depois.

Fauvismo, abstração, cubismo ou surrealismo, dança, arquitetura, design, literatura e até ciências: essas mulheres pioneiras tomaram conta de todos os gêneros, sem colocar limites à sua arte.

Em Paris, na década de 1920, os códigos existenciais estão desmoronando com as festas noturnas . O Quartier Latin, Montparnasse e Montmartre são lugares de exuberância e liberdade: um terreno fértil para essas mulheres que querem conquistar o mundo das artes.

Esses artistas promovidos pelo Musée du Luxembourg lideraram grandes movimentos de arte moderna, embora seus papéis tenham sido esquecidos ou deixados de lado. O museu parisiense acolhe 100 anos depois esta exposição para dar-lhes o seu lugar de direito na história da arte.

Esses trabalhos feitos por mulheres pintoras, escultoras ou fotógrafas mostram a luta dessas mulheres por seu empoderamento. Tinham ateliês, galerias, editoras, retratavam descaradamente corpos nus, reivindicavam o direito de vestir, casar ou amar quem quisessem, sem ter que se prender às algemas que explodiam com um pincel.

O Musée du Luxembourg continua sua programação cultural com foco em artistas femininas, e estamos muito felizes com isso. Com sua nova exposição, chamada “Pionnières. Artistes d’un nouveau gênero dans le Paris des années folles” – Pioneiras. Artistas de um novo tipo na Paris dos loucos anos 20 – o museu nos leva a um mundo ainda desconhecido, mas infinitamente rico. Para descobrir de 2 de março a 10 de julho de 2022.

O Musée du Luxembourg ilumina os artistas dos loucos anos 20 com sua nova exposição. Pinturas, esculturas, fotografias, filmes, obras de arte têxteis e literárias: nenhum gênero artístico foi deixado de lado por essas mulheres multitalentosas que não pensaram duas vezes em abrir mão dos padrões de seu tempo para inovar.

Até o dia 10 de julho, corra e descubra “Pionnières. Artistes d’un nouveau genre dans le Paris des années folles ” – Pioneiras. Artistas de um novo tipo na Paris dos loucos anos 20. Esta exposição mostra mulheres que, pela primeira vez no início do século XX, puderam frequentar uma grande escola de arte e desfrutar de um ensino de arte que até então era apenas para homens.

Exposição de Burle Marx

04/nov

 

Burle Marx: clássicos e inéditos

A Casa Roberto Marinho, Cosme Velho, Rio de Janeiro, RJ, se associa ao Instituto Burle Marx na primeira exposição de seu inestimável acervo.

Data de 1938 a primeira relação profissional entre os dois Robertos, por ocasião da feitura do jardim da residência do jornalista no Cosme Velho. Foi um dos primeiros trabalhos residenciais de Burle Marx que, naquele exato momento, concebia o paisagismo do Ministério da Educação e Saúde, atual Palácio Gustavo Capanema. Indiscutível obra-prima que assinala a adaptação aos trópicos do projeto internacionalista de Le Corbusier. Com as curvas dos jardins, as sinuosidades das divisórias internas e a solução volumétrica de entrecruzamento de seus blocos, Burle Marx, Lucio Costa e Oscar Niemeyer evitaram que o edifício fosse apenas mais uma de tantas importações europeias entre nós. Ali começou, em grande escala, o Modernismo carioca e brasileiro.

A Casa de Stella e Roberto Marinho situa-se na última franja da Floresta da Tijuca; a adaptação ao local envolveu o transplante e uso de espécimes locais numa transição entre o bosque e o jardim. Destaca-se a presença da água e de seu rumor na fonte e no próprio curso do rio Carioca. Não se trata de uma obra para rápida contemplação visual e, sim, um espaço amistoso para permanência, deslocamento e fruição dos sentidos.

A presente exposição assinala o registro de quase nove décadas de trabalho do paisagista e de seus colaboradores. Materializa, ainda, a exemplar transformação dos arquivos particulares em acervo do Instituto, permitindo o seu compartilhamento com a sociedade. A existência organizada dessa coleção muito se deve ao próprio Roberto Burle Marx, mas, em igual medida, ao zelo de Haruyoshi Ono, José Tabacow, Fátima Gomes, Julio Ono, Gustavo Leivas e, agora, de Isabela Ono, minha parceira na curadoria e diretora executiva da recém-criada instituição. Em tempos sombrios o registro da persistência da criação e do posicionamento contra a destruição de nossas riquezas naturais é um grande alento e incentivo para todos.

“O Tempo Completa”, dizia nosso homenageado sobre a participação orgânica das espécies na criação da beleza. Mas, também, nos alertava que os lentos processos da milenar natureza podem ser destruídos em simples horas pela ignorância e ação mecânica violenta.

O acervo exibido deve ser tomado como uma oração ao tempo, de modo que dele sejamos parceiros em nossa passagem no planeta. E o Instituto consolida, junto com o Sítio Burle Marx e o conjunto de obras espalhadas por vários continentes, o legado que esse extraordinário brasileiro nos deixa.

Lauro Cavalcanti

 

Até 06 de fevereiro de 2022.

No Museu da Casa Brasileira

14/jul

 

 

“Bernardo Figueiredo: designer e arquiteto brasileiro” está chegando ao Museu da Casa Brasileira, São Paulo, SP. A partir deste sábado, 17 de julho, o público poderá conferir a nova exposição do Museu da Casa Brasileira que apresenta a trajetória de um dos profissionais icônicos para a arquitetura e o design brasileiro.

 

Bernardo Figueiredo (1934 – 2012) começou a consolidar sua carreira entre as décadas de 60-70 no Rio de Janeiro e ganhou relevância nacional por meio de edifícios como shoppings e estabelecimentos comerciais, design de móveis, arquitetura de interiores e urbanismo.

 

 

Entre as obras mais representativas do arquiteto está o Palácio do Itamaraty – que abriga o Ministério das Relações Exteriores, em Brasília – além de móveis originais como a Cadeira dos Arcos, a Poltrona Rio, a Cadeira Bahia e a Poltrona Leve, peças que estarão em exposição.

 

 

VISITAÇÃO

Funcionamento: de terça-feira a domingo, das 10h às 18h.

Entrada: R$7,50 (meia) / R$15 (inteira) / Gratuito às terças-feiras.

 

 

Exposições em cartaz

 

Remanescentes da Mata Atlântica & Acervo MCB | Vitrine – Utensílios da Cozinha Brasileira | Jean Gillon: Artista-designer

 

 

Obrigatório o uso de máscara durante toda a visita.

 

O Museu da Casa Brasileira vem seguindo todas as medidas de segurança e saúde preconizadas pela OMS (Organização Mundial de Saúde), Centro de Contingência do Estado de São Paulo, ICOM (International Council of Museums) e IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus). Todos os protocolos adotados pelo MCB podem ser encontrados em nosso site, no link “Planeje sua visita”.

 

 Na Japan House

07/jul

 

A nova exposição da Japan House, Avenida Paulista, São Paulo, SP, apresenta as janelas como elementos fundamentais da   sociedade japonesa, além de ser ponto focal da representação da coletividade em tempos de Pandemia.

 

 

Depois de ser exibida na Japan House Los Angeles, a exposição inédita “WINDOWOLOGY: Estudo de janelas no Japão”, fica em cartaz até 22 de agosto com entrada gratuita. Tendo como ponto de partida o papel das janelas no design, na construção das relações sociais, nas artes, na arquitetura e na literatura, a exposição foi concebida pelo Window Research Institute, instituição japonesa que realiza pesquisas em torno deste elemento que, à primeira vista pode parecer ter um papel simples no cotidiano, mas que se torna imprescindível, principalmente em momentos de reclusão social como o que o mundo vive atualmente. Por meio de nove categorias, a exposição propõe diversas leituras sobre a representação da janela nos processos artesanais, em produções audiovisuais, na construção das casas de chás, na arquitetura contemporânea, nos mangás, nas suas diferentes aplicações nos diversos ambientes japoneses e seus múltiplos formatos, que foram se refinando e se adaptando às necessidades das diferentes culturas ao longo da história.

 

Em cartaz no segundo andar da instituição, a “WINDOWOLOGY: Estudo de janelas no Japão” explora a janela por meio de desenhos técnicos, maquetes, fotos, vídeos, mangás e obras literárias, que buscam mostrar aos visitantes as janelas como um dos componentes mais fascinantes da arquitetura e do dia a dia de todos. Para isso, apresenta seus diferentes tipos e movimentos, sua posição de destaque em ambientes e histórias, assim como revela sua potência, capaz de conectar o externo e o interno, permitir entrada de luz e ar nos ambientes, proteger do frio e da chuva e fazer com que seja possível observar o outro, a natureza e o movimento das cidades e das pessoas.

 

Falando sob o viés arquitetônico, no contexto japonês elas são, em sua maioria, feitas em madeira e compostas por colunas e vigas. Os vãos possuem características peculiares: quando se move um tategu (portas e janelas), o espaço transforma-se em um ambiente inteiramente ventilado. Um exemplo que reflete esse uso são as salas de chá japonesas (chashitsu), um programa arquitetônico especial que reúne diferentes tipos de janelas num espaço pequeno, em especial, o Yōsuitei, denominado também de Jûsansōnoseki (sala de 13 janelas), casa de chá que possui o maior número de janelas e que, nesta mostra, será exibida como uma réplica em tamanho real (escala 1:1) feita de papel artesanal japonês (washi).

 

Outra perspectiva apresentada na exposição é a relação das janelas com os locais de trabalhos manuais no Japão. Nesses ambientes, elas possuem lugar de destaque, inserindo ou expulsando elementos como a luz, o vento, o calor, a fumaça e o vapor, por exemplo, que alteram características de materiais como argila, madeira, tecido e papel. “As janelas são repletas de simbologias e atribuições poéticas e valorizar algo que está ao nosso lado nem sempre é uma percepção imediata. Mas basta pensar nas consequências da sua ausência, especialmente em tempos de confinamento e isolamento, para entendermos o porquê de elas merecerem tanta deferência”, afirma Natasha Barzaghi Geenen, diretora cultural da Japan House São Paulo.

 

 

Para Igarashi Taro, curador da mostra, além de seu valor histórico e arquitetônico, as janelas desempenham papel sem igual durante uma crise, por permitirem que as pessoas possam compartilhar esperança e gratidão de forma única. “As janelas sempre evocaram comportamentos específicos em pessoas de diferentes regiões e culturas – e essa diversidade pode ser reconhecida ainda hoje, em meio à pandemia”, afirma dando exemplos como “Ir até a varanda cantar ópera para os vizinhos, mandar mensagens de agradecimento aos profissionais de saúde e passar objetos pela janela para garantir o distanciamento social”. Taro é Doutor em engenharia, historiador, crítico de arquitetura e leciona na Universidade de Tohoku, em Sendai, no Japão. Foi curador do Pavilhão japonês na Bienal de Veneza, em 2008 e atuou como diretor artístico da Trienal de Aichi, em 2013.

 

 

“WINDOWOLOGY: Estudo de janelas no Japão” chega como uma leitura sobre o papel das janelas no mundo, como objetos culturais que relatam as diferentes visões e perspectivas sobre o que se vive hoje. A exposição conta com programação paralela online e conteúdos compartilhados por meio das redes sociais da Japan House São Paulo e, depois de passar por São Paulo, segue ainda este ano para a Japan House Londres.

 

 

Sobre o Window Research Institute

 

O projeto de pesquisa WINDOWOLOGY faz parte das atividades do Window Research Institute (Instituto de Pesquisas sobre Janelas) e se baseia na crença de que as janelas refletem a civilização e a cultura ao longo do tempo. Esse instituto dedica-se a contribuir para o desenvolvimento da cultura arquitetônica mediante a coleta e disseminação de uma vasta gama de ideias e conhecimentos sobre janelas e arquitetura, por meio do apoio e organização de iniciativas de pesquisa e projetos culturais. Nos últimos 10 anos, além de diferentes frentes de estudo, o Instituto também vem desenvolvendo projetos internacionais que englobam temas relacionados a arquitetura, cultura e artes, com a colaboração de diferentes instituições de pesquisa, museus e órgãos privados, entre outros.

 

 

Fonte: ARTSOUL

 

 

Live da Fundação Iberê Camargo

07/abr

 

Nesta quarta-feira (7), a Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, promove mais uma live da série Iberê Renova, sobre arquitetura de museus, acervo e manutenção. O arquiteto responsável pela conservação e manutenção da instituição, Lucas Volpatto, conversa com Renata Galbinski Horowitz. O bate-papo inicia às 19h, pelo instagram @fundacaoibere.

 

 

Arquiteta e especialista em Gestão e Prática de Obras de Restauração do Patrimônio Cultural, Renata foi diretora do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado – IPHAE e superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN no Rio Grande do Sul.

 

 

O projeto Iberê Renova foi contemplado pela Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc nº 14.017/2020, Edital Sedac nº 10/2020 – Aquisição de Bens e Serviços, para execução do Plano de Gerenciamento de Riscos: aquisição de equipamentos e materiais para modernização do acervo, a fim de atender aos padrões internacionais para salvaguarda, catalogação e exposição de bens museológicos.

 

 

A Fundação Iberê tem o patrocínio de OleoPlan, Itaú, Grupo Gerdau, CMPC – Celulose Riograndense, Vero Banrisul, Lojas Renner, Sulgás, Renner Coatings, Dufrio e Instituto Unimed Rio Grande do Sul, apoio de Unifertil, Dell Tecnologies, DLL Group, Viação Ouro e Prata, Laguetto Hoteis, Nardoni Nasi e Isend, com realização e financiamento da Secretaria Estadual de Cultura/ Pró-Cultura RS e da Secretaria Especial da Cultura – Ministério da Cidadania / Governo Federal. A exposição “Pardo é Papel” é realizada pelo Instituto Inclusartiz com patrocínio do Grupo PetraGold.

 

Bienal de Veneza

10/mar

 

A arquiteta Lina Bo Bardi será reconhecida com o Leão de Ouro pelo conjunto da obra na 17ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza, que começa no dia 22 de maio. O anúncio foi feito em uma publicação no site do evento.

Hashim Sarkis, curador da edição, afirmou que “se há uma arquiteta que representa adequadamente o tema da Bienal deste ano, é Lina Bo Bardi”.
“Sua carreira como designer, editora, curadora e ativista nos lembra o papel do arquiteto como organizador e, principalmente, como construtor de visões coletivas. Lina Bo Bardi também exemplifica a perseverança da arquiteta em tempos difíceis, sejam guerras, conflitos políticos ou imigração, e sua capacidade de permanecer criativa, generosa e otimista o tempo inteiro”, afirmou Sarkis.

Aos 32 anos, a italiana Lina Bo Bardi se mudou para São Paulo, onde ficou conhecida por projetos como o icônico cartão-postal paulistano Masp, o Museu de Arte de São Paulo, e a modernista Casa de Vidro. A arquiteta é um dos maiores nomes da arquitetura brasileira do século passado. As obras de Lina Bo Bardi têm traços que são lidos tanto como arte erudita quanto arte popular. Além de grandes edifícios, a arquiteta produziu desenhos e objetos famosos. Muitas de suas obras foram criadas a partir de itens que ela encontrava no lixo. Para ela, estas peças eram o ponto de partida para a construção de uma cultura autenticamente brasileira.

Segundo Sarkis, os projetos da arquiteta se destacam pela união entre arquitetura, natureza, vida e comunidade, através de seus desenhos e formas. “Em suas mãos, a arquitetura se torna verdadeiramente uma arte social”, disse.

Em nota enviada à organização da Bienal, o Instituto Bardi de São Paulo, que reúne o acervo artístico e biográfico do casal Bardi – ela foi casada com Pietro Maria Bardi, figura central na fundação do Masp -, disse estar profundamente honrado e grato pelo prêmio. “Esperamos que em vez de aumentar a popularidade de Lina Bo Bardi como um ícone da arquitetura, a Bienal ajude a contextualizar e comunicar a profundidade de sua visão de mundo crítica, sempre cuidando daqueles que são subrepresentados, sempre ciente da importância da diversidade e sempre comprometida com uma abordagem multidisciplinar de uma arquitetura que reúne pessoas de todas as esferas da vida”, diz o texto.

O questionamento “Como Viveremos Juntos?” é o tema da Mostra deste ano. A edição havia sido marcada para ocorrer no primeiro semestre do ano passado, mas devido à pandemia do novo coronavírus, foi adiada -duas vezes – e, agora, deve acontecer a partir do dia 22 de maio. A mudança de datas trouxe também uma importante mudança no calendário da Bienal de Veneza – agora, as mostras de arquitetura ocorrem em anos de numeração ímpar, enquanto as de arte acontecerão em anos pares, assim como a Bienal de São Paulo.

Lina Bo Bardi morreu em 20 de março de 1992, aos 78 anos, devido a uma embolia pulmonar.

Elizabeth de Portzamparc no Rio

05/fev

A arquiteta e urbanista Elizabeth de Portzamparc fala no IAB, Beco do Pinheiro, 10, Flamengo, Rio de Janeiro, RJ, à 18h30, nesta quinta-feira, sobre “Nova Arquitetura, Nova Visão de Mundo”. Autora de projetos de grande porte na França e na China, a carioca radicada em Paris desde 1969 defende uma compreensão cosmológica, em que se considere as inter-relações humanas e as do homem com a natureza. Ela é membro do Comitê de Honra, e uma das porta-vozes, do 27° Congresso Internacional de Arquitetura (UIA 2020), que será realizado em julho no Rio de Janeiro.

 

Com projetos de vanguarda como uma torre-bairro de quase 300 metros de altura em Taiwan, uma Cidade da Ciência em Zhangjiang, coração do Vale do Silício chinês, e o maior centro de documentação europeu em Ciências Humanas e Sociais, na Grande Paris, ela defende novos parâmetros para a arquitetura, de modo a que se considere a cosmovisão, existente tanto nos povos indígenas como nos orientais, de que tudo está interligado, desde os seres humanos entre si como com a natureza e o universo. Ela cita Philippe Descola que sustenta a ideia de que “a separação entre o ser humano e a natureza introduzida pelo racionalismo cartesiano, justifica, há séculos, a destruição feita pelo homem”. Para ela, a arquitetura, “assim como outras áreas criativas, como artes visuais e ciências, começa a dar sinais nítidos de começar a estar afinada com a importância de se considerar o todo, todas as inter-relações”. “Já reconhecemos claramente na física quântica, na história e na antropologia esta visão de mundo, que devemos afirmar mais na arquitetura”, enfatiza.

 

A entrada é gratuita, mas está sujeita à capacidade do auditório.

 

Sobre a palestrante

 

Elizabeth de Portzamparc – Jardim Neves, em solteira – nasceu no Rio de Janeiro, de família mineira ligada a intelectuais e com forte tradição humanista. Em 1969, quando cursava o primeiro ano de sociologia na PUC Rio, foi para Paris, onde continuou seus estudos, em Economia e Sociologia, com pós-graduações em prestigiosas instituições, como seu mestrado em Antropologia e Sociologia Urbana na EHSS (École dês Hautes Étudesen Sciences Sociales – Université Paris V) e pós-graduação em urbanismo no IEDES (Institut d’Études Economiques pour Le Développement Social – Université Paris I). Nos anos 1980, Elizabeth teve enorme destaque no design e na arquitetura de interiores, com repercussão internacional. Sua escrivaninha 24 Heures (1986) foi exposta na Fundação Cartier e por toda a Europa, nos Estados Unidos e no Japão. Para a produção desta escrivaninha, ela conseguiu uma inovação da indústria na época, que produziu lâminas mais finas de MDF (Medium Density Fiberboard) do que então se fabricava. Uma década mais tarde, em 1997, ela criou uma linha de luminárias urbanas e cadeiras que foram todas bastante reconhecidas pela sua eficiência funcional, ergonomia e conforto. A maior parte dos objetos desenhados por ela foram criados dentro do contexto de seus grandes projetos de arquitetura, sendo pensados especificamente para a relação com os espaços que iriam ocupar e animar. Em 1987 ela abriu a Galeria Mostra em Paris, em que organizou exposições temáticas, convidando arquitetos, designers e artistas a criar objetos de acordo com os temas escolhidos para as exposições. Grandes nomes passaram por lá, como Bernard Venet, Arata Isosaki e Jean Nouvel, entre outros. Com os dois filhos já criados, ela passou a se dedicar fundamentalmente a projetos de grande porte, em que tem vencido importantes concursos internacionais, que têm a participação de famosos escritórios de arquitetura. Assim, ela pertence a uma elite mundial da arquitetura de grandes projetos, em que se destaca ainda por ser mulher, em um meio eminentemente masculino.

 

Zanine no MAM – Rio

09/set

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, MAM – Rio, Parque do Flamengo, Rio de janeiro, RJ, apresenta a partir de 14 de setembro e até 17 de novembro, a exposição “Zanine 100 anos – Forma e Resistência”, com 18 obras feitas pelo consagrado arquiteto, designer, artista, paisagista e professor José Zanine Caldas (1919 – 2001), dentro de sua profunda pesquisa sobre nossas madeiras. Com curadoria de Tulio Mariante, curador de design do MAM, as obras selecionadas integram a emblemática e profícua produção de Zanine entre o final dos anos 1960 e 1980, conhecida como “móvel-denúncia”. As peças, feitas em madeira maciça, denunciavam de maneira pioneira o desmatamento das florestas brasileiras. Tulio Mariante destaca que Zanine “coletava as madeiras em restos de abates, muitas vezes irregulares, como forma de denúncia, como forma de resistência”.

 

Mais do que apenas móveis, os especialistas consideram esses trabalhos como esculturas funcionais, maneira de o artista expressar sua percepção de nossa cultura. O processo de criação era lento, com a utilização de ferramentas tradicionais como serrote, enchó, formão, plaina, e tendo como mão de obra os canoeiros da Bahia. Várias das peças expostas foram criadas no período em que Zanine Caldas viveu em Nova Viçosa, Bahia, anos 1970 até 1980, onde instalou uma oficina que se tornou ponto de encontro de grandes nomes da cultura brasileira, como Oscar Niemeyer, Carlos Vergara, Chico Buarque, Amelia Toledo, Odete Lara entre outros. Lá, ele construiu a famosa casa na árvore para o artista Frans Krajcberg.

 

Com esta homenagem, é a terceira vez que o MAM realiza uma exposição sobre José Zanine Caldas. Sua primeira mostra individual no Museu foi em 1975, e a segunda em 1983, quando construiu, junto aos jardins, uma casa de madeira. A produção de “Zanine 100 anos – Forma e Resistência” é da família de Zanine Caldas, com o apoio de Etel Design e Escritório de Arte Marcela Bartolomeo.

 

São destaques da exposição as peças “Namoradeira”, o “Redário”, a escultura em madeira pequi, a mesa de jantar e o aparador com tampo de vidro criados em Nova Viçosa nos anos 1970, o sofá feito em ilhéus em 1980, entre outras.

 

Lançamento de livro

 

Por ocasião da exposição “Zanine 100 anos – Forma e Resistência”, será lançado o maior e mais abrangente livro sobre sua trajetória. Publicado pela Editora Olhares e R&Company Gallery, de Nova York, o livro será bilíngue (port/ing), com capa dura e formato 25cm x 30cm, terá 300 páginas, e textos de Amanda Beatriz de Palma Carvalho, Lauro Cavalcanti e Maria Cecilia Loschiavo dos Santos, com ensaio fotográfico de André Nazareth. O lançamento está previsto para o próximo dia 24 de setembro dentro da exposição no MAM, e depois será feito em diversas cidades.

 

Sobre o artista

 

Autodidata. Nascido em 1919 na cidade baiana de Belmonte, Zanine era autodidata, e começou sua carreira como maquetista dos principais arquitetos modernos brasileiros, como Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. “Quando maquetista, Zanine foi autor de modelos de alta qualidade, e criador capaz de propor aos arquitetos soluções para impasses em seus projetos. Seu talento o levou a percorrer os caminhos da arquitetura e do desenho de móveis que acabaram por lhe conferir o título de Mestre da Madeira”, explica o curador. Zanine obteve reconhecimento não apenas no Brasil, mas também no exterior. No design de mobiliário, conduziu a experiência da Móveis Z, fundada em fins dos anos 1940, em São Paulo, apostando na industrialização para apoiar – e aproveitar – a difusão de um novo estilo de vida trazido pelos ventos de modernidade. Nos anos 1950, foi paisagista e teve uma loja de vasos e arranjos de flores na Avenida Paulista, SP. No final da década se mudou para Brasília para produzir in loco maquetes dos prédios da nova capital em construção. Na década de 1970, viveu entre o Rio de Janeiro, onde praticamente inventou o bairro da Joatinga, e Nova Viçosa, no sul da Bahia, de onde trazia as grandes toras de madeira que marcam sua arquitetura e onde produziu uma linha de móveis pesados, que deixavam se expressar com toda força a madeira descartada no processo de devastação da Mata Atlântica que acontecia na região. Eram chamados de “móveis-denúncia”. Além disso, em sua inquietude, Zanine se envolveu em muitos projetos sociais, teve importante presença na vida acadêmica, mesmo não tendo um diploma, e circulou por diversos países – em especial a França, onde teve exposição individual no Museu de Artes Decorativas do Louvre, em 1989, estabelecendo trocas culturais e de conhecimento técnico. Morreu em Vitória, em 2001.

 

 

 

Sergio Rodrigues no Itaú Cultural

22/jun

A partir de sábado 09 de junho, o Itaú Cultural, Avenida Paulista, São Paulo, SP, apresenta a exposição “SerEstar – Sergio Rodrigues” que homenageia o arquiteto e designer carioca que ganhou fama internacional com a icônica poltrona “Mole”. A mostra se propõe a apresentar outras faces de seu trabalho, muito além da cadeira, que se tornou principal referência quando se fala do designer.

 

Com curadoria de Daniela Thomas, Mari Stockler, Felipe Tassara e Fernando Mendes, a exposição evoca, já em seu título, o essencial do trabalho de Sergio – o estar como elemento inseparável do ser. Toda sua trajetória profissional foi marcada por uma preocupação em criar objetos e espaços para pessoas, priorizando o conforto e o aconchego.

 

Em três pisos do instituto estarão distribuídos móveis, maquetes, desenhos e plantas dos seus mais de 60 anos de carreira, todos conduzidos pela voz do próprio Sergio, através de diferentes trechos de textos, palestras e entrevistas dele fixados nas paredes. Com a descontração que se nota mesmo em um texto escrito, o homenageado encanta ao demonstrar seu cuidado e apreço pela arquitetura e pelo mobiliário genuinamente brasileiros, além de sua paixão por nossas matérias-primas.

 

A exposição se propõe a apresentar a extensão de sua obra e para isso se organiza por espaços temáticos que contemplam diferentes momentos de sua trajetória e produção. No piso -2, são apresentados sua história e sua família – Sergio foi filho do pintor Roberto Rodrigues e sobrinho do dramaturgo Nelson Rodrigues –, sua formação, o interesse pela arquitetura de interiores e o início da carreira.

 

Seguindo a visita, o piso -1 apresenta histórias e estudos de algumas de suas famosas obras de mobiliário, além de exibir as próprias – entre elas as poltronas “Mole” e “Chifruda” e o banco “Mocho”.

 

Por fim, o piso 1 propõe um mergulho no extenso trabalho de Sergio Rodrigues como arquiteto, apresentando o SR2 – seu sistema de casas pré-fabricadas – e as histórias, maquetes e plantas de alguns dos trabalhos que realizou com esse método, como o Iate Clube de Brasília, sua residência e seu escritório.

 

 

De 09 de junho a 05 de agosto.

Projeto de Elizabeth de Portzamparc

28/mai

No próximo dia 02 de junho, estará aberto ao público o “Musée de la Romanité”, em Nîmes, na França, projetado pela arquiteta e urbanista brasileira Elizabeth de Portzamparc, vencedora em 2012 do concurso internacional promovido pela Prefeitura da cidade.  Com área de 9.100 m², o Museu vai abrigar raras coleções arqueológicas, até então guardadas em diferentes reservas técnicas da cidade. Agora, o público poderá apreciar esses tesouros que cobrem um arco de 25 séculos, em três grandes períodos: gaulês (pré-romano), romano e medieval. O Museu abrigará um tesouro arqueológico de 25 mil peças, que cobrem o período gaulês, romano e medieval. A museografia interativa, também projetada pela arquiteta, possibilita um fascinante percurso por 25 séculos de história.

 

 

Elizabeth de Portzamparc, radicada na França desde 1969, desenvolveu também a museografia, que permite uma fascinante viagem pelo tempo a partir de aproximadamente cinco mil peças, distribuídas em um percurso cronológico e temático que abrange desde o século 7 a.C até a Idade Média, e o legado romano no século 19. As coleções ricas e variadas compreendem mil inscrições latinas, 200 fragmentos arquitetônicos, 65 mosaicos, 300 elementos esculpidos (baixos-relevos e esculturas tridimensionais), 800 objetos em vidro, 450 lanternas a óleo, 389 objetos manufaturados (em osso e marfim), centenas de cerâmicas, objetos em bronze, 12.500 moedas antigas e medievais, e 15 painéis de pinturas murais romanas restauradas.

 

 

 

Tecnologias inovadoras

 

 

Uma série de suportes de reconstituição digital acompanha os visitantes ao longo do percurso, ajudando-os a imaginar o aspecto original dos edifícios antigos, e a vida cotidiana dos habitantes. Caixas brancas luminosas, chamadas “caixas do saber”, abrem as três seções cronológicas do percurso. Esse método criado por Elizabeth de Portzamparc serve de introdução às diferentes sequências: mapas, linhas do tempo e telas apresentam e contextualizam o período apresentado. Diversos dispositivos multimídia são distribuídos ao longo do percurso: visitas virtuais, animações gráficas (desenhos animados e motion design) e mapas permitem uma melhor apreensão do contexto das coleções. Os dispositivos de realidade aumentada, os panorâmicos interativos a 180° ou ainda a parede interativa de imagens são feitos para projetar os visitantes no passado e fazê-los descobrir a vida dos homens da Antiguidade, a evolução de suas habilidades e as obras-primas que eles produziram.  Crianças e adultos vão ainda se maravilhar com a casa gaulesa, pré-romana, construída em pedra e madeira. Distribuídos no chão, estarão peças e utensílios verdadeiros, que remontam a séculos a.C. A arquitetura interior e elementos da mobília também têm a assinatura de Elizabeth de Portzamparc, resultando em um projeto de grande coerência.

 

 

 

 

Nîmes e a Herança Romana

 

 

Em Nîmes estão famosas construções romanas, do período de Augusto, no século 1 de nossa era. O “Musée de la Romanité” está construído no centro histórico da cidade, em frente às Arenas romanas, um pequeno Coliseu, onde são realizadas touradas, nos dias de hoje.  Para criar um diálogo com esta forte presença romana, Elizabeth de Portzamparc projetou para o Museu belas fachadas, compostas por uma estrutura de aproximadamente 7 mil lâminas de vidro serigrafadas, que cobrem uma superfície de 2.500 m², e são capazes de refletir o entorno, criando um diálogo com a cidade ao refletir as cores, a luz e a vida ao redor. Por conta de seus ângulos, inclinações e relevos, dão ideia de movimento, de acordo com a variação da luz ao longo do dia e das estações do ano.  As fachadas conjugam a transparência moderna e a tradição de uma arte romana de grande importância: o mosaico, evocando, graciosamente, esses elementos fundamentais das coleções do Museu.

 

 

 

O terraço e o Jardim Arqueológico

 

 

O terraço não estava previsto no programa do concurso, mas foi criado por Elizabeth de Portzamparc como ponto culminante do percurso ascendente do museu. Ele finaliza a visita proporcionando um mirante sobre a cidade de Nîmes e seus mais de 20 séculos de história, com as Arenas em primeiro plano, e ao longe a torre Magna, que data da fundação da cidade. No terraço, com colunas e um caminho sinuoso por entre o jardim, está também uma sutil homenagem da arquiteta as suas raízes brasileiras, e à obra de Oscar Niemeyer (1907-2012).

 

 

O “Musée de la Romanité” traz características que são marcantes na trajetória de Elizabeth de Portzamparc, presente em outros projetos como o GED – Grand Equipement Documentaire (Grande Biblioteca) do Campus Condorcet, em Aubervilliers, e a estação de Le Bourget, na Grande Paris.   Suas construções são abertas para a cidade e para seus habitantes, um espaço público acessível a todos e um ponto de encontro. Os locais são pensados como espaços “vitais” dos quais o público se apropria com facilidade: uma arquitetura concebida como suporte para a animação local e qualidade de vida para aqueles que a frequentam.  Uma rua pública atravessa o Museu, e conecta a praça frontal com uma interna, elevada, onde estão vestígios da muralha romana, dentre outros descobertos durante as escavações.  Assim, Elizabeth de Portzamparc, criou um jardim arqueológico, pensado como um “museu vegetal”. Todos os traços da história foram preservados e restaurados, e serão acessíveis gratuitamente a todos os visitantes e transeuntes. Esse espaço vegetal público de 3.500 m² foi projetado pelo arquiteto paisagista Régis Guignard, e se estrutura em três camadas de vegetação que correspondem aos mesmos três grandes períodos da museografia – gaulês, romano e medieval –, enriquecendo o conteúdo científico e trazendo uma grande coerência e harmonia. Para cada nível, árvores, arbustos e plantas vivazes foram escolhidos em função da sua época de introdução, de acordo com as trocas, as influências e ocupações.

 

 

 

 

Um concurso internacional de arquitetos

 

 

Lançado em junho de 2011, o júri do concurso aprovou três dossiês entre as 103 candidaturas recebidas, antes de declarar vencedor, um ano depois, o projeto da agência 2Portzamparc, desenhado por Elizabeth de Portzamparc. “Eu analisei profundamente as Arenas e me questionei sobre a própria noção de edifício contemporâneo e sobre como glorificar os 21 séculos de história da arquitetura que separam esses dois prédios. Uma arquitetura leve, possibilitada pela tecnologia atual, pareceu-me algo evidente, bem como o fato de expressar as diferenças entre essas duas arquiteturas, por meio de um diálogo baseado em sua sinergia: de um lado um volume circular, rodeado pelos arcos verticais romanos de pedra e bem ancorado ao solo, do outro um grande volume quadrado, em levitação e recoberto de uma toga de vidro plissada”, explica. O Museu terá ainda uma livraria, um auditório, um café e o restaurante La table du 2, com sua vista magnífica para as Arenas, com cardápio assinado pelo Chef Franck Putelat, duas estrelas no guia Michelin por seu restaurante Le Parc, em Carcassonne.