Produção artística brasileira contemporânea.

20/jul

Mostra inédita “Devorações do Amanhã – Brasil em rebento”, com curadoria de Aldones Nino e Bruna Levi, integra a 16ª edição de uma das mais importantes bienais do mundo e apresenta um panorama da produção artística brasileira contemporânea.

O Brasil participará pela primeira vez da Bienal de Gwangju, na Coreia do Sul, com um pavilhão nacional. Integrando a 16ª edição do evento, considerada uma das principais bienais de arte contemporânea do circuito internacional, a exposição “Devorações do Amanhã – Brasil em rebento” será apresentada entre 05 de setembro e 15 de novembro de 2026, no Gwangju History & Folk Museum, reunindo obras de 35 artistas brasileiros de diferentes gerações, regiões e linguagens. A curadoria é de Aldones Nino e Bruna Levi, que propõem uma leitura da produção brasileira a partir da tradição antropofágica, atualizada como ferramenta crítica para refletir sobre as transformações sociais, ambientais e tecnológicas do presente.

Em diálogo com o tema da Bienal, “You Must Change Your Life”, dirigido artisticamente por Ho Tzu Nyen, o projeto brasileiro investiga modos de imaginar futuros possíveis diante das crises contemporâneas. Pintura, escultura, fotografia, vídeo, instalação e performance compõem um percurso que atravessa questões como ancestralidade, meio ambiente, inteligência artificial, memória e fabulação política. Entre os destaques estão diversas obras inéditas produzidas especialmente para a ocasião, além de trabalhos desenvolvidos durante uma residência artística em Seul por artistas convidados.

Segundo os curadores, o pavilhão não pretende funcionar apenas como representação institucional do país, mas como uma plataforma de diálogo entre diferentes realidades culturais do Sul Global. A exposição “Devorações do Amanhã” toma a antropofagia como um gesto de assimilação crítica das urgências do presente, propondo a ideia de “rebento” como imagem de nascimento, transformação e reinvenção coletiva. A mostra também evidencia a amplitude material da produção brasileira atual, reunindo desde pesquisas baseadas em pigmentos naturais, cerâmica e saberes tradicionais até investigações envolvendo inteligência artificial, linguagens digitais e novas tecnologias.

Participam da exposição Adriana Varejão, Alex Červený, Ayla Tavares, Cinthia Marcelle, Estevan Davi, Herbert De Paz, Heloisa Hariadne, Isabella Guedes, Ivens Machado, Jonas Arrabal, Josi, Laís Amaral, Lais Myrrha, Lucas Lugarinho, Luiza Crosman, Manauara Clandestina, Marcela Cantuária, Marcos Chaves, Maria Lira Marques, Mariana Rocha, Márcia Falcão, Maruan Sipert, Nathan Braga, Panmela Castro, Patrícia Abbott, Rayana Rayo, Sara Ramo, Ventura Profana, Vicente de Mello, Vinicius Gerheim, Vivian Caccuri, Shinji Nagabe, Walla Capelobo, Xadalu Tupã Jekupé e Yhuri Cruz, reafirmando a diversidade de perspectivas que marca a arte contemporânea brasileira no cenário internacional.

O  Pavilhão Brasileiro poderá ser visitado de 05 de setembro a 15 de novembro de 2026, no Gwangju History & Folk Museum, durante a Bienal de Gwangju.

A arte entre o sagrado e o profano.

03/jul

Evandro Carneiro Arte, Gávea, Rio de Janeiro, RJ,  apresenta de 08 a 31 de julho, a exposição “Pérola Bonfanti: a arte entre o sagrado e o profano”. Nessa mostra, a Galeria Evandro Carneiro Arte apresenta 46 trabalhos da artista, entre desenhos, pinturas, gravuras e objetos, além de uma obra a ser performada no dia 17 de julho, às 19h.

Exposição Pérola Bonfanti

Pérola Bonfanti nasceu em 1983, no Rio de Janeiro, em berço iluminado: num encontro da arte com a psicanálise. Filha do artista Gianguido Bonfanti, professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage e da psicanalista Marisa Maia, suas referências transitaram entre os mestres das artes e os símbolos do inconsciente humano. As travessias entre o sensível e o intangível – conceitos tão essenciais na obra de Pérola – sempre estiveram presentes em sua trajetória e formação.

Multitalentosa, graduou-se em Música Popular Brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 2009. Pérola é expressão tangível de uma voz sagrada; quem a escuta cantar percebe esse dom. Um som que transcende a música e se expressa igualmente em seus desenhos e pinturas. Desde 2001, frequentou alguns cursos livres da EAV / Parque Lage, aprimorando a sua formação artística, até chegar a ser monitora do Programa Fundamentação, patrocinado pela Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, em 2012, quando desenvolveu sua pesquisa artística com tanta propriedade que transcendeu os muros da Escola e foi pintar na rua, com o coletivo Flutuarte, superando limites espaciais e estruturais como os de classes sociais e os de suporte físico.

Deslocou-se um pouco mais no espaço e passou dois anos em Nova York (2012-2014), especializando os seus estudos de arte urbana, com a sua temática mítica, agora simbolicamente transfigurada no jogo, como metodologia lúdica em que o tabuleiro era a própria cidade. Participou da Free Art Society, organização sediada no East Village focada em democratizar o acesso às artes, promovendo projetos multimídia em espaços públicos, como fizera anteriormente no Rio. A partir deste trabalho, foi convidada a realizar em Viena a exposição Quatro Aces que itinerou pelo Museu Albertina e depois Museu de História da Arte (Hofburg), Tesouro Nacional, dentre outras instituições. O projeto obteve tanto sucesso que, como resultado, além de apresentar a instalação, a artista lecionou palestras e workshops na Alemanha, no Gamification Lab da Universidade Leuphana, ao sul de Hamburgo. Por meio da eletronic art, Pérola ampliou para o virtual a sua concepção espaço-temporal, já extensa e lúdica.

Pérola Bonfanti realizou exposições individuais nas galerias DialogArt (Viena), Wozen (Lisboa), Fornaciai Gallery (Florença), Galeria da Praça e Espaço Alienista (Rio de Janeiro), e participou de coletivas em instituições como o MARCO – Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul, o Centro Cultural dos Correios, o Centro Cultural da Justiça Federal e, em 2026, da exposição O Que Insiste em Viver, no bar conceitual Miolo (Rio de Janeiro).

Laura Olivieri Carneiro

5ª Chamada do Programa Hélio Oiticica.

02/jul

A artista visual Katia Wille integra a exposição coletiva da 5ª Chamada do Programa Hélio Oiticica, que entra em cartaz dia 4  de julho no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, com a série I.N.E.U.V.’s | isto não é uma veste, apresentada em diálogo com a obra Nas Quebradas, de Hélio Oiticica. Ela se junta na mostra a Lucas Vaz, Jan M.O, Marcelo Rezende, Naomi Cary e Olívia Albergaria, artistas contemporâneos cujas pesquisas estabelecem conexões com o legado experimental de um dos nomes centrais da arte brasileira.

Partindo da frase que orienta a série “Obra no corpo, corpo na obra”, Katia Wille desenvolve um conjunto de trabalhos vestíveis que desloca a experiência artística para o campo da participação, da transformação e da criação compartilhada. Constituídas por fragmentos têxteis provenientes de diferentes histórias e usos, as I.N.E.U.V.’s – sigla lúdica para “isto não é uma veste” – permanecem abertas à recomposição. Sistemas de botões permitem ampliar dimensões, conectar módulos e unir peças distintas, gerando configurações sempre renovadas.

Ao ocupar o Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, a série reafirma a permanência de questões centrais na obra do artista carioca: a participação, a experimentação, a dimensão sensorial da arte e sua potência coletiva. Em um momento em que as discussões sobre corpo, convivência e pertencimento ganham renovada relevância, o diálogo entre as I.N.E.U.V.’s e Nas Quebradas evidencia a força de uma herança artística que continua produzindo novas possibilidades de existência.

Até 1º de agosto.

Para atravessar o território do desejo.

05/mar

O Festival Vórtice torna pública a abertura das inscrições para sua 5ª edição, reafirmando seu compromisso como evento anual dedicado à difusão e ao fomento de práticas artísticas visuais que exploram as múltiplas dimensões da sexualidade na arte contemporânea.

A curadoria desta edição é assinada por Leonardo Maciel e Paulo Cibella, idealizadores da iniciativa, e contempla obras em diferentes linguagens, incluindo pintura, fotografia, escultura, audiovisual, performance e publicações independentes. Pessoas maiores de 18 anos, do Brasil e do exterior, poderão se inscrever entre os dias 02 e 29 de março no site do Vórtice Cultural. Serão oferecidos três prêmios em dinheiro aos artistas escolhidos pelo público e pela curadoria. A 5ª edição será realizada entre os dias 29 de maio e 27 de junho, em São Paulo.

O festival propõe-se como um espaço de liberdade e experimentação artística, incentivando produções que investiguem os atravessamentos entre corpo, desejo e identidade, em diálogo crítico com contextos de censura institucional e de mercado. Nas edições anteriores, o Festival Vórtice reuniu mais de 250 artistas de 10 países e recebeu aproximadamente 8 mil visitantes, ampliando progressivamente sua escala e seu alcance internacional.

 

Um olhar particular na Bienal de Veneza.

25/fev

Ayrson Heráclito foi convidado para a 61ª International Art Exhibition of La Biennale di Venezia, Itália, por Koyo Kouoh.

Nascido em Macaúbas, Bahia, Brasil, em 1968, é artista, professor e curador, com um olhar particular. Sua obra evidencia as raízes afro-brasileiras e seus elementos sagrados, projetando ações e práticas que compõem a história e a cultura da população negra. Seus trabalhos transitam entre instalações, performances, fotografias e produções audiovisuais que lidam com as conexões entre o continente africano e as diásporas negras nas Américas.

O artista possui obras em importantes acervos como o Museu Solomon R. Guggenheim, Nova York;  Museum der Weltkulturen, Frankfurt; Pinacoteca de São Paulo; Coleção Itaú, São Paulo; MAR – Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro; Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador; e Museu Oscar Niemeyer, Curitiba.

A Bienal de Arte 2026, intitulada In Minor Keys, será aberta ao público em maio de 2026, em Veneza.

O Abre Alas.

04/fev

A Gentil Carioca convida para a abertura da 21ª edição do Abre Alas, evento que abre o calendário anual, apresentando novos nomes da arte contemporânea.

Nas galerias, estarão em exibição obras de 14 artistas selecionados pelos curadores Felipe Molitor, Lena Solano Guedes e Ramon Martins: Ana Luiza Domicent, Ana V. Lopes, David Caicedo Alzate, Felipe Braga, Jean Deffense, Leticia Morgan, Lucas Emanuel, Lucas Speranza, Oriana Pérez, Sheila Kracochansky, Telma Gadelha, Thatiane Mendes, Vicente Baltar e Yara Ligiéro.

Rio de Janeiro – Sábado, 07 de fevereiro 18h – 1h30

No sábado, 07 de fevereiro, a unidade do Rio de Janeiro recebe as obras selecionadas para a exposição. Nas ruas, performances artísticas e muita música, celebram o dia com show do bloco da Orquestra Voadora, e sets dos DJs Glau e Matteo, além do clássico concurso de fantasias que marca também o início do Carnaval carioca.

Programação

18h – Abertura | 19h30h – Performance David Caicedo Alzate | 20h30 – Bloco da Orquestra Voadora | 21h30 – Concurso Melhor Fantasia | 23h – Encerramento exposição | 22h30 – 00h30 – DJ Matteo | 00h30 – 1h30 – DJ Glau

 

São Paulo – Quarta-Feira, 11 de fevereiro 17h – 21h

Na quarta-feira, 11 de fevereiro, A Gentil Carioca abre as portas do espaço em Higienópolis levando a magia carioca para a Travessa Dona Paula. A noite contará com performance do artista David Caicedo Alzate e set com a DJ Thais Queirós.

Programação

17h – abertura | 18h30 – Performance David Caicedo Alzate | 19h – DJ Thaís Queiroz | 20h30 – Performance David Caicedo Alzate | 21h – Encerramento.

O apagamento e objetificação das mulheres.

26/jan

Liane Roditi apresenta Dobras e Desdobras no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro. A exposição “Dobras e Desdobras”, é a primeira exibição individual de Liane Roditi, com curadoria de Isabel Sanson Portella, que inaugura no dia 28 de janeiro. Nessa mostra a artista investiga as relações entre corpo, memória e matéria, abordando estruturas de silenciamento, apagamento e objetificação das mulheres. 

Ao longo de “Dobras e Desdobras”, a articulação entre vídeos, objetos, performances e instalações transforma o espaço em uma composição contínua entre corpo e matéria. “Nada é mais importante do que compreender as dualidades”, afirma Isabel Sanson Portella. “Nada nos representa mais do que o entendimento do nosso corpo como extensão da natureza. O corpo existe também nos restos, nos vestígios, e fica inscrito na memória.” A exposição propõe, assim, um percurso de desafios e escolhas, um mergulho em vozes e silêncios, desenvolvendo e desdobrando questões que o tempo e a sociedade insistem em apagar.

Sobre a artista. 

Liane Roditi nasceu em 1967, carioca, bailarina e artista visual, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Graduada em Dança pela Faculdade da Cidade, estudou na Escola de Belas Artes da UFRJ e frequenta cursos regulares na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Participou de exposições coletivas, entre elas Encontrar a Solidez, na Galeria Anita Schwartz, Rio de Janeiro, com curadoria de Bruna Costa (2025). Foi selecionada pela Chamada Aberta da Apexart, em Nova York (EUA), para a mostra The Uterus is also a Fist (2026), com curadoria de Talita Trizoli e Renata Freitas, junto ao coletivo GAF. Sua trajetória inclui também participações em residências artísticas, com destaque para a temporada no Vermont Studio Center, em Johnson, EUA (2024).

Em cartaz até 14 de março.

Finissage com ação performática.

08/out

pós uma trajetória de intensa visitação e repercussão no MIS – Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, a instalação Tangências/Alumbramento, de Elisa Stecca e Willy Biondani, chega ao fim com uma ação performática neste sábado, 11 de outubro. A proposta encerra o percurso iniciado em julho, quando os artistas transformaram a sala Maureen Bisilliat em um ambiente de experimentação estética e sensorial sobre o diálogo entre arte e natureza.

O encerramento celebra esse mesmo espírito de transbordamento. Sob orientação de Marisa Lambert, as artistas Fetú, Jenniffer Aquino, Rafaela Tonela e Rosa Morena – integrantes do Curso de Dança e da Pós-Graduação em Artes da Cena do Instituto de Artes da Unicamp – realizam uma performance de improvisação inspirada nas formas e movimentos da natureza. A ação, que utiliza a própria ambientação sonora da instalação, propõe novas relações entre corpo, som e espaço, integrando-se às obras e ao público como um último gesto de encantamento e alumbramento. Serão duas apresentações, às 15h e às 16h30, com duração aproximada de 17 minutos cada, sujeitas à lotação da sala. A performance encerra também um ciclo de desdobramentos do projeto, que incluiu o lançamento de uma caixa de imagens e catálogo em edição limitada, concebida como extensão material da experiência expositiva. Entre o sonho e o concreto, Tangências/Alumbramento reafirma o poder da arte de despertar sentidos, expandir fronteiras e renovar o olhar sobre a natureza e o tem

Dialogando com a obra de Hélio Oiticica.

29/set

Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica apresenta vídeo-performance de Stella Mariz na 3ª Chamada Programa Hélio Oiticica. A vídeo-performance “Núcleo I”, de Stella Mariz, integra o Programa HélioOiticica e investiga a relação entre corpo e espaço no ambiente virtual. Criada sob a persona @acaciavelata, a obra utiliza gestos espontâneos e repetitivos para evocar memórias arcaicas e movimentos universais, dialogando com a visão original de Hélio Oiticica para o “Grande Núcleo”.

O Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica (CMAHO) convida para a abertura da exposição coletiva do Programa Hélio Oiticica, com a vídeo-performance Núcleo I (2025) de Stella Mariz, selecionado para dialogar com a obra e o pensamento do artista Hélio Oiticica, no dia 04 de outubro de 2025, das 14h às 18h, no Rio de Janeiro, com curadoria de Cesar Oiticica.

Em “Núcleo I”, Stella Mariz apresenta sua persona Acacia Velata (@acaciavelata), um trabalho de vídeo-performances que desenvolve desde 2021. Coberta por um traje que neutraliza a sensualidade e evidencia apenas o movimento – mãos e pés expostos -, a artista explora o vídeo como um espaço pictórico tridimensional virtual. Filmada por Antônia Ribas, com edição da própria Stella Mariz, a performance acontece em silêncio e sem coreografia, permitindo que gestos espontâneos emerjam como registros corporais de memórias ancestrais. A artista opta por não utilizar inteligência artificial na criação do trabalho, incorporando deliberadamente o erro como parte essencial do processo. Para Stella Mariz, enquanto a IA tende a corrigir e suavizar imperfeições, é justamente na falha humana que reside um potencial criativo único – um espaço onde o inesperado se transforma em gesto expressivo.

As sequências curtas e repetitivas induzem um estado de percepção sensível: um convite a reconhecer movimentos primordiais inscritos no corpo, atravessando categorias de raça, gênero, sexualidade ou território. Inserida em um ambiente digital idealizado, a ação provoca uma experiência subjetiva e simbólica, despertando emoções arcaicas que conectam passado e futuro.

O trabalho estabelece um diálogo direto com a visão original de Hélio Oiticica para o “Grande Núcleo”, em que a interação corporal e a participação ativa do público eram centrais. Em vez de apenas assistir, o espectador é instigado a sentir e perceber, criando novas relações simbólicas no ambiente virtual – uma atualização das proposições de Oiticica no contexto contemporâneo.

Sobre a artista

Nascida no Porto, Portugal, e radicada no Rio de Janeiro, Stella Mariz transita entre escultura figurativa, desenho, fotografia, vídeo-instalação e foto-pinturas em alto-relevo. É também cirurgiã plástica e possui pós-graduação em História da Arte e em Arte e Filosofia (PUC-Rio). Participou de residências artísticas na Art Students League (Nova York) e no Atelier Charles Watson (RJ), além de cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Premiada no Salão Nacional de Arte em Cuba, já realizou diversas exposições individuais e coletivas. Em maio de 2025, apresentou a individual “Denso e Sutil”, com curadoria de Shannon Botelho, no Centro Cultural Correios RJ, explorando os limites entre bidimensionalidade e tridimensionalidade. Ainda este ano, foi selecionada pela mostra de performance arte Verbo, da Galeria Vermelho.

De 05 a 26 de outubro.

 

As práticas artísticas de Lia Letícia.

23/set

O Governo do Estado de Pernambuco, a Prefeitura da Cidade do Recife, o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, Dona Ledy Arte e Cultura e Rosa Melo Produções Artísticas apresentam Tudo dá, individual de  Lia Letícia sob curadoria de Clarissa Diniz no MAMAM, Recife, PE.

Faz quase 30 anos que Lia Letícia, nascida no Rio Grande do Sul, radicou-se em Pernambuco. Sua mudança para Olinda em 1998 possibilitou a consolidação das práticas artísticas que havia iniciado tempos antes, quando trabalhou na confecção de carros alegóricos no carnaval gaúcho. Uma vez que chegou à terra do frevo, especialmente no ateliê de Iza do Amparo e nas ações do coletivo Molusco Lama, Lia Letícia encontrou espaços, interlocutores e aliados tão instigantes quanto aguerridos para sua formação e atuação como artista. Desde então, tem desenvolvido uma obra vasta em contaminações e colaborações, hackeando e reinventando concepções elitistas de arte que, como velhas fortalezas, ainda hoje erigem muros que inocuamente tentam conter sua vocação ao múltiplo, ao outro ou ao avesso de si.

Letícia Letícia fez performance, pintura, objeto, instalação, vídeo, fotografia, intervenção, serigrafia, direção de arte, gestão de espaços independentes, ilustração, cinema, militância, cenografia, curadoria, educação. Sua prática nunca se restringiu a galerias e museus: ao contrário, esteve fundamentalmente lastreada nas ruas, sets de filmagem, comunidades, salas de aula ou mesmo em grupos de WhatsApp. Não à toa, passaram-se muitos anos até que sua obra pudesse ser apresentada em conjunto numa instituição cultural de relevo: um gesto que, sem qualquer ambição de contemplar toda a sua trajetória, tem todavia a intenção de compartilhar as forças norteadoras de sua poética com os públicos do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães. Ocupando todos os andares do MAMAM, a exposição se organiza em quatro núcleos. Neles, aproximamos trabalhos de linguagens e períodos distintos que, todavia, transitam nas mesmas órbitas políticas. No térreo, Nesta terra, tudo dá reúne obras que denunciam o extrativismo (neo)colonial através de uma filosofia da abundância capaz de resistir aos seus projetos de escassez. No primeiro andar, o núcleo Artista desconhecida explora a debochada iconoclastia que tanto identifica a obra de Lia Letícia, enquanto Arriar a bandeira desafia o triunfalismo do poder e suas presunções de progresso. Por fim, Desculpe atrapalhar o silêncio de sua viagem que congrega obras que, a partir da experiência das cidades, insurgem-se contra as injustiças sociais do nosso tempo. Ao longo da exposição, alguns gestos e interesses revelam sua permanência na obra da artista: memórias insurgentes, posicionamentos irônicos, subversões de traços anárquicos, enfrentamentos políticos performativos, criações colaborativas, o caminhar como método, estéticas da abundância. Permeando diferentes temas e estratégias de linguagem, de forma transversal, testemunhamos a iconoclasta vocação da obra de Lia Letícia de arejar as tão estafadas concepções tradicionais de arte, aqui devidamente inscritas – e nutridas – na vida que Tudo dá.

por Clarissa Diniz

Até 09 de novembro.