Cosmologia afro-brasileira e referências rituais.

30/jul

A Simões de Assis, Jardins, apresenta a individual de Ayrson Heráclito, “Ojú-Inú”, em seu espaço em São Paulo. A partir da noção iorubá de Ojú-Inú – “olho interno” – Ayrson Heráclito apresenta um conjunto de obras atravessadas pela cosmologia afro-brasileira e pelas referências rituais que orientam sua prática artística.

Com texto crítico de Hélio Menezes, a exposição reúne cerca de 30 obras entre esculturas, aquarelas, fotografias e vídeos. Compartilhando da ideia de percepção estética e espiritual formulada pelo historiador da arte Rowland Abiodun, Heráclito propõe um percurso em que matéria, memória, corpo e ancestralidade se articulam como formas de conhecimento e criação.

Realizada enquanto o artista integra a 61ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, In Minor Keys, a mostra apresenta trabalhos inéditos que aprofundam questões centrais de sua pesquisa, estabelecendo diálogos entre ritual, história e imaginação.

Ayrson Heráclito (Macaúbas, 1968). É artista, professor e curador. Possui doutorado em Comunicação e Semiótica pela PUC São Paulo, e mestrado em Artes Visuais pela UFBA. Com um olhar particular, a obra de Ayrson Heráclito evidencia as raízes afro-brasileiras e seus elementos sagrados, projetando ações e práticas que compõem a história e a cultura da população negra.

Outro importante marco na carreira do artista foi Transmutação da Carne, iniciado em 1994. A obra surgiu a partir de um documento que descreve as torturas cometidas pelos senhores de engenho contra os escravizados. Em 2015, Heráclito reapresentou Transmutação da Carne durante a exposição Terra Comunal, da artista sérvia Marina Abramović (1946), no Sesc Pompéia. Uma de suas principais pesquisas é Sacudimentos, sobre o tráfico negreiro entre a Bahia e o Senegal, realizada em 2015 e apresentada na 57ª Bienal de Veneza (2017). Composta por vídeos e fotografias, a obra é construída a partir de rituais de limpeza da Casa dos Escravos na Ilha de Goré e de um grande engenho de açúcar no Brasil, exorcizando os fantasmas da colonização.

Integrou a 61st International Art Exhibition of La Biennale di Venezia (2026), com curadoria de Koyo Kouoh, intitulada “Minor Keys”; 16ª Bienal de Sharjah, Emirados Árabes; After the End of the World: Pictures from Panafrica, The Art Institute of Chicago; 35ª Bienal de São Paulo; 18ª Bienal de Arquitetura de Veneza tendo conquistado o Leão de Ouro de melhor participação nacional; 57ª Bienal de Veneza; Bienal de fotografia de Bamako, Mali; e da Trienal de Luanda, Angola. Em 2021 e 2022, teve uma grande exposição individual, “Ayrson Heráclito: Yorùbáiano” no MAR, Rio de Janeiro e na Pina Estação, São Paulo. Foi um dos curadores-chefes da 3ª Bienal da Bahia, curador convidado do núcleo “Rotas e Transes: Áfricas, Jamaica e Bahia” no projeto Histórias Afro-Atlânticas no MASP, que esteve em cartaz no MASP e no Instituto Tomie Ohtake. Recebeu o prêmio de Residência Artística em Dakar do Sesc_Videobrasil e a Raw Material Company, Senegal. Possui obras em acervos do Museu Solomon R. Guggenheim, Nova York; Musem der Weltkulturen, Frankfurt; MAR – Museu de Arte do Rio; Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador; MON, Curitiba; Videobrasil e Coleção Itaú. 

Produção artística brasileira contemporânea.

20/jul

Mostra inédita “Devorações do Amanhã – Brasil em rebento”, com curadoria de Aldones Nino e Bruna Levi, integra a 16ª edição de uma das mais importantes bienais do mundo e apresenta um panorama da produção artística brasileira contemporânea.

O Brasil participará pela primeira vez da Bienal de Gwangju, na Coreia do Sul, com um pavilhão nacional. Integrando a 16ª edição do evento, considerada uma das principais bienais de arte contemporânea do circuito internacional, a exposição “Devorações do Amanhã – Brasil em rebento” será apresentada entre 05 de setembro e 15 de novembro de 2026, no Gwangju History & Folk Museum, reunindo obras de 35 artistas brasileiros de diferentes gerações, regiões e linguagens. A curadoria é de Aldones Nino e Bruna Levi, que propõem uma leitura da produção brasileira a partir da tradição antropofágica, atualizada como ferramenta crítica para refletir sobre as transformações sociais, ambientais e tecnológicas do presente.

Em diálogo com o tema da Bienal, “You Must Change Your Life”, dirigido artisticamente por Ho Tzu Nyen, o projeto brasileiro investiga modos de imaginar futuros possíveis diante das crises contemporâneas. Pintura, escultura, fotografia, vídeo, instalação e performance compõem um percurso que atravessa questões como ancestralidade, meio ambiente, inteligência artificial, memória e fabulação política. Entre os destaques estão diversas obras inéditas produzidas especialmente para a ocasião, além de trabalhos desenvolvidos durante uma residência artística em Seul por artistas convidados.

Segundo os curadores, o pavilhão não pretende funcionar apenas como representação institucional do país, mas como uma plataforma de diálogo entre diferentes realidades culturais do Sul Global. A exposição “Devorações do Amanhã” toma a antropofagia como um gesto de assimilação crítica das urgências do presente, propondo a ideia de “rebento” como imagem de nascimento, transformação e reinvenção coletiva. A mostra também evidencia a amplitude material da produção brasileira atual, reunindo desde pesquisas baseadas em pigmentos naturais, cerâmica e saberes tradicionais até investigações envolvendo inteligência artificial, linguagens digitais e novas tecnologias.

Participam da exposição Adriana Varejão, Alex Červený, Ayla Tavares, Cinthia Marcelle, Estevan Davi, Herbert De Paz, Heloisa Hariadne, Isabella Guedes, Ivens Machado, Jonas Arrabal, Josi, Laís Amaral, Lais Myrrha, Lucas Lugarinho, Luiza Crosman, Manauara Clandestina, Marcela Cantuária, Marcos Chaves, Maria Lira Marques, Mariana Rocha, Márcia Falcão, Maruan Sipert, Nathan Braga, Panmela Castro, Patrícia Abbott, Rayana Rayo, Sara Ramo, Ventura Profana, Vicente de Mello, Vinicius Gerheim, Vivian Caccuri, Shinji Nagabe, Walla Capelobo, Xadalu Tupã Jekupé e Yhuri Cruz, reafirmando a diversidade de perspectivas que marca a arte contemporânea brasileira no cenário internacional.

O  Pavilhão Brasileiro poderá ser visitado de 05 de setembro a 15 de novembro de 2026, no Gwangju History & Folk Museum, durante a Bienal de Gwangju.

Roda de conversa celebra variedade de gerações.

08/jul

O Ministério da Cultura e a Fundação Vera Chaves Barcellos convidam o público para o encerramento da mostra “Há pouco?” no próximo sábado, dia 11 de julho, a partir das 14h30, na Sala dos Pomares, Rodovia Tapir Rocha, 8480 – parada 54, Viamão, RS. Integrando o Programa Educativo da exposição, será realizada uma visita mediada, com uma breve apresentação de Bruna Fetter, curadora e diretora cultural da Fundação, seguida da roda de conversa intitulada “Gravura: impressões e outros vestígios”, com as artistas Helena Kanaan, Lurdi Blauth, Maristela Salvatori e Nara Amélia.

Na ocasião, será oferecido transporte para deslocamento de Porto Alegre até Viamão (ida e volta), com saída às 13h30 em frente ao Theatro São Pedro, Praça Mal. Deodoro, no Centro Histórico de Porto Alegre. A inscrição é gratuita (acesse o formulário) e aberta ao público geral. Vagas do ônibus limitadas a 45 participantes.

Em cartaz ao longo do primeiro semestre, “Há pouco?” reúne mais de 90 obras de 94 artistas mulheres e engloba diversas linguagens, como gravura, desenho, fotografia, pintura, arte postal e vídeo. Composta inteiramente por trabalhos pertencentes ao Acervo Artístico da Fundação Vera Chaves Barcellos, a mostra constitui um recorte institucional até então inédito e plural, que celebra a variedade de gerações, saberes, contextos, temáticas, mídias e escalas; O conjunto evidencia a presença de artistas históricas de reconhecimento nacional e internacional, ao mesmo tempo em que destaca a cena artística local

Diagramas espaciais de Damián Ortega.

30/jun

O MASP apresenta a primeira exposição individual de Damián Ortega (Cidade do México, 1967) em um museu de São Paulo, com curadoria de Adriano Pedrosa, Rodrigo Moura e Yudi Rafael. A mostra reúne mais de três décadas de trabalho do artista, que transita entre escultura, instalação, fotografia e vídeo para reexaminar materiais e objetos cotidianos como vetores de narrativas sociais, econômicas e políticas. Em sua prática escultórica icônica, Damián Ortega desmonta objetos – carros, ferramentas, pedras, tijolos – e exibe suas partes reorganizadas em configurações suspensas que funcionam como diagramas espaciais, frequentemente carregados de humor e comentário político. A exposição destaca obras centrais de sua trajetória e um conjunto de trabalhos que investigam aspectos da arquitetura brasileira. A mostra é organizada em parceria com o MALBA – Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires.

Até 13 de setembro.

Mostra O Que Vem Depois na FDAG Barra Funda.

27/maio

What Comes Next / O Que Vem Depois é uma exposição coletiva na FDAG Barra Funda, com curadoria de Tamar Guimarães e Kasper Akhøj, reunindo artistas do programa da Fortes D’Aloia & Gabriel de diferentes gerações. Partindo de seu interesse contínuo por estruturas narrativas, pela circulação e pelo estatuto instável das imagens, Guimarães e Akhøj concebem a mostra como uma proposição espacial que resiste a definições fixas. O que se reúne aqui pode ser entendido como um arquivo, uma sala corporativa ou um sítio sacrificial – estruturas que jamais se estabilizam por completo, mas que condicionam o que acontece nelas.

Obras de Anderson Borba, Cerith Wyn Evans, Cristiano Lenhardt, Efrain Almeida, Erika Verzutti, Ernesto Neto, Frank Walter, Gokula Stoffel, Ivens Machado, João Maria Gusmão & Pedro Paiva, Leda Catunda, Mauro Restiffe, Rivane Neuenschwander, Robert Mapplethorpe, Rodrigo Matheus, Tadáskía, Tamar Guimarães & Kasper Akhøj, Tiago Carneiro da Cunha, Valeska Soares e Wanda Pimentel são colocadas em proximidade de modo a se complicarem e se expandirem mutuamente, formando uma constelação moldada mais por associações do que por taxonomias.

Entre escultura, fotografia, filme e instalação, a exposição se desenvolve por meio de um conjunto de relações mutáveis nas quais corpos, objetos e imagens permanecem em fluxo. Uma figura reclinada pode sugerir tanto lazer quanto antecipação; um objeto pode surgir como corpo, suporte ou vestígio, dependendo de onde e de como é encontrado. Nada se contém inteiramente em si mesmo, mas continua em outro lugar, assumindo novas formas à medida que circula. O banco inteiramente em pedra Altar menor, de Guimarães e Akhøj, registra essa condição em forma mineralizada, como se um estado anterior, animado, tivesse se convertido em um local de oferenda que não se separa completamente da troca, da espera e da negociação. Nesse contexto, a exposição reflete sobre o mercado de arte como um campo em que o valor acompanha o desejo e se intensifica através da transformação: as obras são oferecidas, retidas e alteradas conforme circulam, acumulando significados e condições para além de seu ponto de origem.

A exposição é acompanhada por um texto de Tamar Guimarães & Kasper Akhøj.

Até 20 de junho.

A ética do fazer manual de Tiago Cavaliere.

22/maio

A Galeria Silvia Cintra + Box4, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, inaugurou a primeira exposição individual do artista Tiago Cavaliere, intitulada “Todos os modos do mundo”. A mostra apresenta um conjunto de aproximadamente 40 objetos escultóricos e 5 vídeos produzidos entre 2022 e o presente, que sintetizam a pesquisa do artista sobre a potência do que é ignorado e a ética do fazer manual. 

A exposição propõe um diálogo entre o rigor processual e o que o artista define como uma memória muscular atávica, relacionada à maneira como as coisas se comportam no mundo. Por meio de materiais corriqueiros, como gesso, madeira e arames, e de um humor físico, Tiago Cavaliere busca elevar pequenas situações do cotidiano, frequentemente ignoradas, a outro nível na hierarquia perceptiva.

Nestas composições, a escala íntima e a valorização de gestos mínimos sobrepõem-se a qualquer desejo de monumentalidade. Tiago Cavaliere volta o olhar para as sutilezas espaciais, encontrando vigor no que hesita, no que parece inacabado ou no que tropeça com certa graça. Há um humor físico e um leve desconforto que reorganizam a nossa relação com o visível, permitindo que materiais originalmente alheios ao universo das artes ganhem um novo lugar na hierarquia dos sentidos, expostos em sua total transparência e fragilidade. Ao explorar o limite entre o silêncio e a intensidade, Tiago Cavaliere transforma pequenas situações do cotidiano, muitas vezes invisibilizadas pelo olhar apressado, em ferramentas críticas para refletir sobre a transparência dos processos e a beleza do que é instável.

A exposição conta com texto curatorial de Pollyana Quintella.

Até 12 de junho. 

Damián Ortega em São Paulo.

21/maio

A mostra no MASP, São Paulo, SP, apresenta mais de três décadas de trabalho do artista Damián Ortega (Cidade do México, 1967), um dos principais expoentes de sua geração. Transitando entre fotografia, vídeo, escultura e instalação, Damián Ortega convida o público a reexaminar materiais e objetos cotidianos para investigar narrativas sociais, econômicas e políticas. Em sua icônica prática escultórica, ele desmonta objetos, como carros, reorganizando suas partes e exibindo-as em novas configurações. O mesmo pensamento de rearranjo aparece em obras em que dispõe ferramentas, pedras ou tijolos em montagens suspensas. A reorganização desses objetos na forma de diagramas espaciais é frequentemente carregada de humor e comentários políticos e sociais. A exposição destaca obras importantes de sua trajetória e um conjunto de trabalhos que investigam aspectos da arquitetura brasileira. A mostra marca a primeira individual de Damián Ortega em um museu de São Paulo.

Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Rodrigo Moura, curador independente, MALBA; e Yudi Rafael, curador assistente, MASP, com assistência de Isabela Ferreira Loures, assistente curatorial, MASP

Até 13 de setembro. 

Reinterpretando elementos culturais pré-coloniais.

20/maio

A Nara Roesler São Paulo convida para o dia 26 de maio para a abertura da exposição “Antes da forma, o encanto”, de Mônica Ventura, a primeira individual da artista na galeria, com mais de trinta obras inéditas, produzidas este ano, entre instalações, esculturas, pinturas e um vídeo, que dão continuidade à sua pesquisa desenvolvida nos últimos dez anos, em que resgata e reinterpreta elementos culturais pré-coloniais como a arquitetura e as técnicas de trabalhos manuais dos povos afro-ameríndios. 

A curadora Catarina Duncan, no texto que acompanha a exposição, destaca que “a palavra fetiche chega ao vocabulário da arte marcada por uma violência histórica”. “Sua raiz remonta ao latim facticius, aquilo que é fabricado, artificial, feito pela mão humana. No português, o termo deriva para a palavra feitiço, utilizada no contexto colonial para nomear objetos venerados pelas populações da Costa do Ouro na África investidos de poder espiritual e tratados pelo olhar europeu como superstição, exotismo e desrazão”. Catarina Duncan aponta que a exposição “propõe um deslocamento do fetiche colonial para a obra ritual – não como relíquia etnográfica, mas como presença ativa”.

“A exposição pensa identidades como rede em movimento contínuo, tornando o espaço expositivo em um laboratório, abrigo e altar. Da alquimia e da espagíria à construção de altares; dos modos de erguer paredes de terra às geometrias devocionais; das oferendas votivas às arquiteturas simbólicas que atravessam o hinduísmo e o Candomblé. Essências, circulação, retornos: tudo gira como roda. Nesse circuito, acessamos princípios dinâmicos como passagens, trocas e recomeços”, afirma a curadora.

Até 1º de agosto. 

A curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli.

08/maio

A Pinakotheke, prestigiosa instituição de arte fundada no Rio de Janeiro por Max Perlingeiro em 1979, reconhecida pela excelência de suas exposições e publicações, abre para o público sua nova sede em Higienópolis, São Paulo, SP, no dia 18 de maio, com a exposição “Surrealismos: arte para além da razão”, uma vasta visão sobre as diversas facetas desta vertente da arte iniciada na primeira década do século 20.

A mostra inaugural do novo espaço tem curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli, e reunirá aproximadamente 100 obras de 60 artistas – europeus, latino-americanos, norte-americanos e do Caribe. O novo espaço em Higienópolis é acompanhado também de uma reestruturação da Pinakotheke, e no novo organograma, Max Perlingeiro é o diretor-geral, e seus filhos assumem a diretoria-executiva de cada espaço – Max Morales Perlingeiro, em São Paulo; Mariana Perlingeiro Mattos, no Rio de Janeiro; e Victor Perlingeiro, em Fortaleza – e Camila Perlingeiro, que já é a responsável pelas edições dos livros de arte, passa a responder como diretora criativa. Ivan Perlingeiro, irmão de Max, será o diretor de operações. O novo endereço passou por obras de adequação e modernização, a cargo do escritório Luciano Dalla Marta Arquitetura.

Na entrada, o público será recebido por vídeos das artistas contemporâneas Letícia Parente, Lenora de Barros, Kátia Maciel e Lia Chaia. No primeiro andar estarão trechos dos filmes clássicos “Le Sang d’un poète” de Jean Cocteau e “Un chien andalou”, de Luis Buñuel e Salvador Dalí. No segundo andar, ficarão os núcleos do Surrealismo europeu, do norte-americano e caribenho. Na área central, a sala especial de Louise Bourgeois; e em destaque as obras de Magritte – “La magie noire”, e “La fin du monde”; a escultura “Mujer de pie”, de Picasso; a escultura “Femme debout”, de Giacometti; a pintura “O enigma de um dia”, de Giorgio de Chirico, pertencente ao MAC USP; “Configuration”, de Hans (Jean) Arp; e “St. Tropez”, de Picabia; a grande xilogravura “Metamorphose”, de M.C. Escher, com quatro metros de comprimento. Na última sala, outro trabalho de Escher – “Bond of Union”; dois óleos sobre tela de Ferdinand Desnos: “Le lapin blanc” e “Sem título”; obras de Salvador Dalí: a escultura em bronze “Vénus spatiale”, três trabalhos da série “La suite catalane”: “L’etoile de mer”, “Les fleches” e “Les pigeons”- e “The Persistence of Memory II”, em lã e colagem; e “Sem título”, de Victor Brauner.

Publicação ilustrada.

Ao longo da exposição, será lançado pela Pinakotheke Editora um livro bilíngue sobre o tema “Surrealismos: arte para além da razão”. Fartamente ilustrada, a publicação terá textos de Max Perlingeiro, Tadeu Chiarelli, Dawn Adès, João Frayze-Pereira e Thiago Gil Virava.

De 18 de maio até 15 de agosto. 

Como funcionam os vulcões.

16/abr

Fortes D’Aloia & Gabriel, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ, exibe até 18 de abril “Como funcionam os vulcões”, exposição coletiva que inaugurou o programa de 2026 da Carpintaria. A mostra reúne obras de Amélia Toledo, Arthur Chaves, Barrão, Cerith Wyn Evans, Ernesto Neto, Ivens Machado, Janaina Wagner, Leda Catunda, Maria Manoella e Mauro Restiffe, Rivane Neuenschwander e Cao Guimarães, Rodrigo Cass, Rodrigo Matheus, Tiago Carneiro da Cunha, Valeska Soares e Yuli Yamagata.

“Como funcionam os vulcões” toma a imagem do vulcão como metáfora para uma formação cultural complexa. Longe de um fenômeno visível ou imediato, a exposição evoca processos que se desenvolvem ao longo do tempo, acumulando pressões, desejos, conflitos e fantasias até alcançar um ponto de liberação. Nesse sentido, o Carnaval é proposto não apenas como espetáculo, mas como a manifestação de um longo processo de gestação moldado por forças sociais, materiais e simbólicas.

Percorrendo escultura, instalação, desenho, vídeo, pintura e técnicas mistas, a exposição enfatiza como o sentido se produz por meio da duração e da persistência material. As obras reunidas lidam com dinâmicas de acúmulo, transformação e emergência. Reunindo artistas de diferentes gerações e posições, a mostra apresenta práticas atentas a estados de latência e erupção, suspensão e excesso. Materiais são reunidos, sobrepostos, esticados, comprimidos ou colocados em movimento, registrando tensões entre controle e imprevisibilidade, estrutura e instabilidade. O encontro com as obras se dá entre o maravilhamento e a tensão, entre o que é encenado e o que permanece em estado latente.

As formas sugerem processos prolongados de fazer e desfazer, enquanto as disposições espaciais evidenciam limiares – entre interior e exterior, contenção e transbordamento, antecipação e liberação. Em vez de ilustrar um fenômeno social ou natural, essas obras operam em condições análogas de pressão e transformação.