Débora Bolsoni – Pra Aquietar

19/jul

Artista exibe na Athena Contemporânea, Shopping Cassino Atlântico, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, obras inéditas, que fazem uma reflexão sobre o movimento e a quietude. A exposição foi pensada em conjunto com a mostra que Débora Bolsoni apresenta no Drawing Lab, em Paris. A mostra “Débora Bolsoni – Pra Aquietar”, reúne cerca de 30 obras inéditas, dentre desenhos e esculturas. Radicada em São Paulo, a carioca Débora Bolsoni acaba de voltar de Paris, onde realizou uma residência na Cité Internacionale des Arts e exposição individual no Drawing Lab, o primeiro centro de arte contemporânea da França dedicado ao desenho. Com curadoria de Claudia Rodriguez-Ponga o projeto surgiu há mais de um ano. Muitas obras da exposição no Rio foram concebidas em Paris e alguns elementos que compõem essas obras foram encontrados na cidade francesa, tanto na rua quanto em lojas de material de construção.

 

Débora Bolsoni é conhecida por seus trabalhos com formas tridimensionais e que se relacionam com a arquitetura dos espaços e o urbanismo das cidades. Nesse projeto, no entanto, a curadora quis focar na relação da artista com o desenho, com a sua poética. “Mesmo nas esculturas, há o desenho. Os trabalhos fazem uma reflexão sobre a quietude e o movimento. O movimento que fica contido nas obras, que a qualquer momento podem se mexer, podem mudar”, afirma a curadora.

 

Tanto em Paris quanto no Rio, há obras da série “No names, but names”, que é composta por “carrinhos” usados para transporte de mochilas infantis e venda ambulante. No lugar deles, a artista coloca caixas feitas por ela em papel cartão, que são banhadas de parafina, onde a artista faz desenhos usando pastel oleoso. “Os carrinhos são suportes para os desenhos, é um desenho-escultura ou uma escultura-desenho. É uma ideia sobre circulação, sobre algo que passeia entre as coisas. Há uma tensão de que um movimento que está prestes a acontecer”, diz a artista. “Os carrinhos são um movimento interrompido, assim como os desenhos”, ressalta a curadora.

 

Na exposição “Pra Aquietar” haverá um “carrinho” menor chamado “Sônia a Paquetá”, que faz referência à época em que Sônia Braga foi morar em Paquetá. Os desenhos dessa obra representam pegadas no chão. Para Débora, a cidade de Paris é muito feminina e ela passou a observar como as mulheres experimentam o espaço público. Com isso, lembrou de atrizes que representam essa feminilidade e lhe veio à cabeça a atriz Sônia Braga recebendo o prêmio no Festival de Cannes, no ano passado, e do tempo em que ela foi morar em Paquetá, “um lugar mágico”, segundo Débora.

 

Com isso, também surgiu o título da exposição “Pra Aquietar”, que foi retirado da música homônima de Luiz Melodia, de 1973, em que ele também faz referência a Paquetá e à calma das coisas. “Como nas paradinhas da música de Luiz Melodia que dá título à exposição, estes cortes no tempo são, na verdade, a chave de qualquer movimento, sua essência inesgotável”, diz a curadora. “Para criar minhas obras, trago outras expressões artísticas, como a música, e não só as artes visuais”, conta a artista.

 

A exposição terá, ainda, outros trabalhos que possuem elementos urbanos como referência, como “Shelf with Poteau”, que foi inspirada nas barras de ferro que impedem que os carros estacionem nas calçadas de Paris, e “Veneziana”, que é composta por um capacho preto, que imita ferro, que foi achado pela artista na capital francesa. Na obra, que será colocada no chão da galeria, ela fez intervenções com tinta branca.

 

Em uma das paredes da galeria estará uma roda vermelha, criada com carpete e parafina. “Ela estará representando a roda, um ícone do movimento”, afirma a curadora. Também na parede estará a obra “Inutile d’ajouter” onde, em uma pequena barra de ferro a artista apoia uma placa de linho e um azulejo verde com trechos do “manifesto surrealista”, de André Breton (França, 1896 – 1966). Haverá, ainda, uma caixa com textos e azulejos que a artista compra em lojas de materiais de construção usados. “São objetos que já tem uma história”, diz. Ainda em exposição, desenhos feitos em grafite, ecoline e lápis de cor sobre papel, de 2012, que se relacionam com a questão do movimento e com as demais obras. Os desenhos são muito sutis, com pequenos elementos e, às vezes, algumas frases. “Eles trazem silhuetas, que na verdade é uma presença e determina algo que já foi”, explica a curadora.

 

 

Sobre a artista

 

Débora Bolsoni nasceu no Rio de Janeiro em 1975. Vive e trabalha em São Paulo. Mestre em Poéticas Visuais pela Universidade de São Paulo e Bacharel em Gravura pela Universidade de São Paulo. Estudou, ainda, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e no Saint Martin School of Art, Londres. Possui obras em importantes coleções, como Pinacoteca do Estado de São Paulo; Museu de Arte Moderna de São Paulo; Museu de Arte da Pampulha; Museu de Arte de Ribeirão Preto; Instituto Figueiredo Ferraz; Pinacoteca Municipal de São Paulo e Remisen-Brande Art Collection. Dentre suas principais exposições individuais estão “No names, but names” (2017), no Drawing Lab, em Paris; “Urbanismo Geral” (2015), na Athena Contemporânea; “Fazer Crer” (2007), no MAMAM, em Recife; “Gruta Pampulha” (2006), no Museu de Arte da Pampulha; “Débora Bolsoni, Programa de Exposições do CCSP’’ (2005), no Centro Cultural São Paulo; “Individual e simultânea” (2001), no Centro Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo, entre outras. Dentre suas exposições coletivas destacam-se: “Miniatures, Models, Voodoo and Other Political Projections” (2017), no Blau Project, em São Paulo; “A spear a spike a point a nail a drip a drop the end of the tale” (2016), na Ellen de Brujine Projects, em Amsterdan; “Aparição” (2016), na Caixa Cultural Rio de Janeiro; “Condor Project” (2015), na The Sunday Painter Gallery, em Londres; “Tout Doit Disparaître” (2015), na La Maudite, em Paris; “Southern Panoramas-19 Art Festival SESC Videobrasil” (2015), no SESC Pompéia; “Alimentário” (2014), no MAM Rio e na OCA, São Paulo; “Imagine Brazil, artist’s books” (2013), na Astrup Fearnley Museet, em Oslo; “Betão à Vista” (2013), no MuBe, em São Paulo; “O Retorno da Coleção Tamagnini” (2012), no MAM São Paulo; “Dublê” (2012), no CCSP;  “Mostra Paralela – A Contemplação do Mundo” (2010), no Liceu de Artes e Ofício, em São Paulo; “Corsário Cassino Museu” (2010),no Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte; “Absurdo” – 7ª Bienal do Mercosul (2009); “Quase Liquido” (2008), no Itaú Cultural, em São Paulo; “Cover – Reencenação + Repetição” (2008), no  MAM São Paulo; ‘’Contraditório – Panorama da arte brasileira’’ (2007), no MAM São Paulo, entre outras.

 

 

 

De 20 de julho a 19 de agosto.

Hélio Oiticica no Whitney, NY

13/jul

 

 

O Whitney Museum of American Art, NY, apresenta “Hélio Oiticica: To Organize Delirium”, a primeira retrospectiva americana em grande escala exibindo duas décadas do trabalho do artista brasileiro. Um dos artistas mais originais do século XX, Oiticica (1937-1980) criou uma arte que nos desperta para nossos corpos, nossos sentidos, nossos sentimentos sobre estar no mundo: arte que nos desafia a assumir um papel mais ativo. A partir de investigações geométricas em pintura e desenho, Oiticica logo mudou para escultura, instalações arquitetônicas, escritas, filmes e ambientes em larga escala de natureza cada vez mais imersiva, obras que transformaram o espectador de um simples espectador em um participante ativo.

 

A exposição inclui algumas de suas instalações em grande escala, incluindo “Tropicalia” e “Eden”, e examina o envolvimento do artista com música e literatura, bem como sua resposta à política e ao ambiente social de seu país. A exposição capta a emoção, a complexidade e a natureza ativista da arte de Oiticica, enfocando em particular o período decisivo que passou em Nova York na década de 1970, onde foi estimulado pelas cenas de arte, música, poesia e teatro. Enquanto Oiticica se engajou em primeiro lugar com muitos artistas da cidade, ele acabou vivendo um isolamento auto-imposto antes de retornar ao Brasil. O artista morreu no Rio de Janeiro, em 1980, aos 42 anos.

 

 

A Tropicália

 

O estilo musical da “Tropicália”, que toma o nome da instalação homónima 1966/67 de Helio Oiticica, tornou-se um movimento artístico e sociocultural no Brasil. Após o golpe militar em 1964, a música popular desempenhou um papel fundamental na resistência estética e cultural ao clima político instalado. A música continuou a desempenhar um papel importante no trabalho de Oiticica em seus anos de Nova York, onde assistiu a concertos de rock no Fillmore East. A exposição apresenta uma lista de reproduções de músicas inspiradas por compositores e músicos do período de vigência da “Tropicália”, como Caetano Veloso e GiIberto Gil, além dos músicos do rock and roll em especial Jimi Hendrix, de quem Oiticica se inspirou na década de 1970.

 

 

Apoios e curadoria

 

Esta exposição foi organizada pelo Whitney Museum of American Art, Nova York; Carnegie Museum of Art, Pittsburgh e o Art Institute of Chicago. “Hélio Oiticica: Organizar Delirium” tem curadoria de Lynn Zelevansky; Henry J. Heinz II; Carnegie Museum of Art; Elisabeth Sussman, curadora e curadora de fotografia de Sondra Gilman; Whitney Museum of American Art; James Rondeau, presidente e diretor de Eloise W. Martin; Art Institute of Chicago; Donna De Salvo, diretora adjunta de Iniciativas Internacionais e Curadora Sênior, Whitney Museum of American Art; com Katherine Brodbeck, curadora associada, Carnegie Museum of Art. O apoio à turnê nacional desta exposição é fornecido pela Fundação Andy Warhol para as Artes Visuais e o National Endowment for the Arts. Apoiado em Nova York, pelo Comitê Nacional do Whitney Museum of American Art. Conta ainda com o apoio generoso fornecido pela Art & Art Collection, Tony Bechara; a Garcia Family Foundation e a Juliet Lea Hillman Simonds Foundation. O suporte adicional é fornecido pela Evelyn Toll Family Foundation. O Fundo de Exposição da Fundação Keith Haring também oferece apoio genérico de doações.

 

 

Até 01 de outubro.

Lula Cardoso Ayres, retrospectiva

12/jul

O artista pernambucano Lula Cardoso teve uma trajetória intensa usando múltiplas linguagens e suportes. Foi ilustrador, cartazista, cenógrafo, pintor, fotógrafo, artista gráfico, caricaturista e ceramista. Uma obra abrangente que ganhou exibição retrospectiva na Caixa Cultural Recife, Marco Zero, PE, até 27 de agosto, sob o título geral de “Lula Cardoso Ayres: arte, região e tempo”.

 

Amigo de nomes como Gilberto Freyre e Cândido Portinari, a multiplicidade de interesses de Lula levou a curadoria a dividir os 208 itens da coleção em nove categorias distintas, que abrangem a produção desde os anos 20 até os anos 80. Além das obras propriamente ditas, há artigos de jornal, correspondências e peças de cerâmica de Porfírio Faustino, um dos inspiradores do pernambucano. “Esta exposição é a mais importante do que todas as feitas no Instituto Lula Cardoso Ayres, fundado por mim e fechado em 2007. Em termos acadêmicos, é o que sempre quis fazer. A mostra deve resultar em mais pesquisas sobre as obras de meu pai”, opina Lula Cardoso Ayres Filho, guardião da obra do pai e detentor de aproximadamente 70% do acervo exposto na Caixa Cultural. O resto veio de colecionadores particulares e instituições públicas como a Fundação Joaquim Nabuco e a Fundação Gilberto Freyre, realizadora da mostra. Lula Cardoso Ayres viveu entre 1910 e 1987 e esta iniciativa acontece no ano que se completam 30 anos de falecimento do conhecido multiartista.

 

No conjunto de obras em cartaz encontra-se o primeiro trabalho artístico de Lula, realizado aos 11 anos, em 1921. É uma autocaricatura, onde nota-se a influência do primo Emílio Cardoso Ayres, importante caricaturista da época. A passagem por Paris e pelo Rio de Janeiro, nos anos de 1920, colocaram-no em contato com as vanguardas artísticas do período.

 

Em sua pintura o artista criou trabalhos entre as escolas figurativa e o abstrata. “A exposição traz um lado didático, pois talvez ele seja o mais completo artista visual brasileiro. A ideia era torná-la a mais representativa possível. Em sua ausência, também procuramos trazer seu legado pelos estudos de suas obras, não apenas por seus trabalhos prontos. O trabalho dele não se construiu da noite para o dia”, pontua Jamile Barbosa, cocuradora junto com Clarissa Diniz e Eduardo Dimitrov.

 

As fotografias e pinturas de Lula Cardoso Ayres também refletem o quanto ele entrou em contato com manifestações culturais regionais, como o bumba-meu-boi e o maracatu, além de acompanhar de perto o cotidiano do trabalho rural por ter vindo de família de senhores de engenho. Além dessas facetas pernambucanas, também há material que explicita uma relação ainda pouco conhecida entre o artista e a etnia indígena Fulni-ô, de Águas Belas, inspiração para mais fotos e quadros. A mostra também relembra o papel de Lula como ilustrador do clássico “Assombrações do Recife Velho”, de Gilberto Freyre, cuja primeira edição foi lançada em 1955. “Ele já tinha percorrido essa temática antes, ainda nos anos 40. A atenção ao sobrenatural ainda existe hoje, imagine naquela época”, diz Jamile Barbosa. Em sua carreira, Lula se voltou para a reivindicação de um repertório local de imagens, feito a partir de sua vivência em Pernambuco, de onde não saiu mais. Mesmo sua produção essencialmente gráfica, composta por embalagens, rótulos e cartazes, era criada tendo essa baliza em mente. Ao documentar e refletir sobre seu tempo, Lula Cardoso Ayres deu origem a uma obra ainda atual.

 

 

Programação paralela

 

A exposição conta com uma série de três debates a partir do legado deixado por Lula, sempre às 19hs, com entrada gratuita. O primeiro acontece no dia 19 de julho, sobre os desafios do artista moderno, com Wilton de Souza e José Cláudio. No mesmo dia, lançamento de livro com fotografias do artista editado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). Já no dia 1° de agosto, a discussão será feita a partir do tema Regionalismo como opção, regionalismo como prisão, com Anco Márcio Tenório Vieira e Eduardo Dimitrov e no dia 22 de agosto, o tema será Lula Cardoso Ayres, entre a figuração e abstração.

Intervenções em japonês

11/jul

Chama-se “Intervenções gráficas em japonês” a exposição individual de Téti Waldraff em cartaz até o dia 09 de agosto no Studio Clio, Cidade Baixa, Porto Alegre, RS. A mostra, com curadoria de Blanca Brittes e Paula Ramos, reúne trabalhos desenvolvidos nos últimos cinco anos, a partir de folhas de calendário com reproduções fotográficas de “ikebanas”, a arte japonesa de arranjos florais. A artista iniciou esta pesquisa em seu ateliê em Faria Lemos, pequena cidade localizada na Serra Gaúcha, no interior do estado do Rio Grande do Sul. Lá, movida pela energia e os ciclos da Natureza, começou a desenhar, pintar e intervir sobre as imagens, prolongando e alterando ramagens e flores, e os afetos, em um colorido vívido e singular. Téti Waldraff tem nos jardins um dos principais motes de sua poética. A artista é um dos jovens valores da geração de arte contemporânea revelados na década de 1980 em seu estado. Possui em seu currículo incontáveis participações em exposições coletivas de relevância no Brasil – como o Itaú Cultural, SP – , e individuais realizadas em museus e no exterior.

 

 

A palavra da artista

 

Porque faço intervenções gráficas em calendários?

 

Começa no tempo da Téti professora: pegava os calendários para marcar feriados, marcar datas de obrigações de entrega de documentos de trabalho, datas festivas. Mas, sobretudo, ao “abrir” um calendário enquanto professora, marcar os feriados, tanto para pensar em aliviar a tensão, como para poder fazer coisas necessárias para o trabalho com os alunos no tempo previsto… no calendário! Assim, vi, vivi, recolhi e continuo recolhendo calendários bonitos e estimulantes para marcar os dias e as coisas especiais!

 

Então, lá em 2012 ou 2013, em Faria Lemos, veio um amigo, o Márcio Chieramonte (um engenheiro eletrônico sensível!!!) com muitos e muitos calendários com imagens de Ikebana para mim: “Te trouxe… sei que és artista e vais saber fazer alguma coisa com eles.” Viva o Márcio! Então, olhei e deixei de “molho” lá no ateliê de Faria Lemos. Muitas ideias vindo e indo… Já era linda cada folhinha do calendário… Estava tudo pronto! Aí, um dia, lá em Faria Lemos, comecei a riscar, rabiscar, interagir, intervir nas folhinhas! Ora, ora… calendários Ikebana… folhinhas prontas. Elas me encantaram. Assim, botei, gravei, desenhei nelas os meus encantos! Foi uma delícia que levei a sério como trabalho, partindo da ideia de intervenção.

 

Ao começar cada trabalho, já estou embebida de cores, sabores, formas de flores arranjadas de um jeito singular! Um desafio que dá frio na barriga… Vou escolhendo as cores dialogantes, vou me estendendo no arranjo, até arranjar o arranjo do meu desejo! No meu trabalho, com meu trabalho, quero repartir alegria, quero repartir harmonia, indicar um lugar mais bonito pra olhar e se lambuzar de cor, linha e forma. Coisas bonitas pra olhar com “olhos de ver”, coisas pra nos puxar para o alto, coisas pra dar um salto, pra poder sempre ver, sempre admirar a vida no prumo da natureza, das flores com suas cores e formas! Fazer para poder sonhar no tumulto cotidiano, no avesso da pátria nossa, no avesso das coisas que são feitas sem nosso olhar, sem nossa participação! Quem dá atenção pra arte neste tumulto cotidiano? Quem consegue parar pra ver a singularidade e a exuberância de uma flor, de um vaso de flor, de um canteiro, de um jardim? Pois eu gostaria que todos pudessem se permitir olhar para o encanto das flores! Flores a todos, arranjadas de um modo singular! Sou assim, Téti flor e cor! Intervenções feitas nas flores arranjadas!

Coleção Fundação MAPFRE

Desde seus inícios, as coleções de desenhos da Fundação MAPFRE estiveram marcadas por grande interesse em revelar o nascimento da modernidade. A seleção que o Museu Lasar Segall, Vila Mariana, São Paulo, SP,  apresenta, abrange o período compreendido entre finais do século XIX e meados do XX, precisamente o momento em que o desenho ainda vive sua dupla condição. Se, por um lado, é um meio criativo para a execução final de outras obras, ao mesmo tempo mostra sua independência, como arte plena e suficiente em si mesma.

 

Assim sucedia já nos desenhos de Rodin e Klimt, que os próprios artistas incluíam em suas exposições, nas do primeiro Picasso e nas de Henri Matisse; na ironia de George Grosz, em que a mulher se converte em protagonista e nos fala dos diversos caminhos da crítica e da sátira no seio da pintura europeia. Mas também naqueles que, co0m um espírito plenamente vanguardista, nos introduzem nas tendências mais avançadas da arte contemporânea: o próprio Picasso, Juan Gris, Alexander Achipenko ou Moholy Nagy, presentes nesta exposição. Também o dadaísmo de Charchoune, Picabia ou Schwitters, que chega ao surrealismo através da obra de Joan Miró, Salvador Dalí ou Óscar Domínguez. Um surrealismo que, a partir do círculo parisiense de André Breton, permanece na cultura espanhola durante muitos anos, tal como vemos nas formas puras e primitivas de Julio González ou de Alberto (Sánchez), nas primeiras obras de Tàpies.

 

Na segunda metade do século XX, o limite entre os gêneros artísticos parece diluir-se em um universo criativo que mescla o desenho com a pintura, a escultura com a ação e a arquitetura. Um exemplo dessa atitude encontra-se no desenho de Eduardo Chillida incluído na exposição, que combina a qualidade do desenho propriamente dito com as qualidades escultóricas do ferro e da madeira. O caminho para a Coleção nos conduziu a uma perspectiva diferente: não o desenho tradicional, agora uma obra da qual o desenho participa.

 

 

Artistas presentes na exposição Tesouros da coleção da Fundação MAPFRE – obras sobre papel:

 

Albert Gleizes | Alberto Sánchez | Alexander Archipenko | André Lhote | Antoni Tàpies | Auguste Rodin | Daniel Vázquez Díaz | Darío de Regoyos | Edgar Degas | Eduardo Chillida | Sir Edward Coley Burne-Jones | Egon Schiele | Fernand Khnopff | Francis Picabia | Francisco Bores | George Grosz | Gustav Klimt | Henri Matisse | Isidre Nonell | Joaquim Sunyer | Joaquín Torres García | Joan Miró | José Caballero | Juan Gris | Juan Ponç | Julio González | Kurt Schwitters | László Moholy-Nagy | Luis Fernández | Lyonel Feininger | Maruja Mallo | Óscar Domínguez | Pablo Picasso | Paul Klee | Rafael Barradas | Remedios Varo | Salvador Dalí | Serge Charchoune | Sonia Delaunay.

 

 

 Até 28 de agosto.

A obra em curso

20/jun

A Sala “O Arquipélago”, Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, Porto Alegre, RS, exibe, em seus últimos dias, a exposição “Henrique Fuhro, a obra em curso: um recorte na Coleção Dalacorte”, focalizando a obra do artista plástico Henrique Fuhro. A mostra traz algumas obras inéditas do autor, um alto expoente em diversas técnicas como a xilogravura, litogravura, pintura e desenho. A exposição tem caráter parcial panorâmico, porém com o objetivo claro de exibir a quase totalidade de temas abordados pelo artista ao longo de sua carreira, obras representativas do artista constantes neste recorte. Em síntese, mostra um Henrique Fuhro particular; uma proposta de escapar a estruturação habitual de exposições.

 

 

Sobre o artista  

 

Nascido em Rio Grande, em 1938, Henrique Fuhro é um artista autodidata. Sua carreira inicia com participação no Salão de Artes Plásticas da Associação Riograndense de Artes Plásticas Francisco Lisboa (Chico Lisboa), em 1957, como pintor. Sua primeira mostra individual ocorreu em 1963 no Instituto Brasileiro Norte-americano, Porto Alegre, RS. Foi discípulo de Danúbio Gonçalves em litografia e realizou trabalhos em gravura, desenho, serigrafia e pintura. No início dos anos 1980 realizou exposições individuais em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Curitiba e Campinas (com temas esportivos, acompanhando nessas cidades a Copa Koch-Tavares de Tênis, exibindo a série “Fair-Tênis”). A convite do arquiteto Ruy Ohtake, exibiu-se em São Paulo na galeria Aki. Integrou, como artista convidado, exposições nacionais e internacionais como “Créativité dans l’Art Brésilien Contemporain”, Musées Royaux des Beaux-Arts de Belgique, Bruxelles, 1978, sob a curadoria do crítico Jacob Klintowitz, um estudioso da obra do artista. É verbete com reprodução no “Dicionário das artes plásticas no Brasil” e “Brasil arte/50 anos/depois”, ambos de Roberto Pontual; “Dicionário brasileiro de artistas plásticos” e “Dicionário de pintores brasileiros”, de autoria de Walmir Ayala; “História da Arte Brasileira”, de Pietro Maria Bardi; “História Geral da Arte no Brasil”, de Walter Zanini.

 

 

Sobre a Coleção Dalacorte

 

A Coleção Dalacorte está localizada na cidade de Getúlio Vargas, norte do estado e tem em seu acervo mais de 1.200 obras. Quase sua totalidade encontra-se em suporte de papel e seu enfoque principal é a gravura gaúcha. Montada há aproximadamente 18 anos, um dos objetivos principais é torná-la uma referência nas artes visuais do Rio Grande do Sul. Destaca-se que a coleção abrange os principais artistas gaúchos ou radicados no RS, e com especial atenção a alguns que, no entender e gosto do colecionador, merecem relevância. Mas a coleção consta de nomes exponenciais da gravura brasileira como Livio Abramo, Maria Bonomi, Carlos Scliar, Glauco Rodrigues, Emanoel Araújo, Danúbio Gonçalves, Siron Franco, João Câmara e outros.

 

 

Até 24 de junho.  

Brecheret na DAN galeria

07/jun

Com curadoria de Daisy Peccinini, especialista na obra do artista, a mostra traz uma série de desenhos e esculturas daquele que é considerado um dos escultores mais importantes do país e criador de um dos monumentos mais icônicos e significativos da cidade de São Paulo, o “Monumento às Bandeiras”. A mostra inclui criações do escultor de um período que vai de 1916 a 1955, apresentando ao público um panorama bastante abrangente de sua carreira artística. São 46 obras, entre esculturas e desenhos, que se dividem em núcleos e subnúcleos. Entre elas, há um desenho inédito, produzido no início de sua carreira. “Brecheret: Encantamento e Força”, com curadoria de Daisy Peccinini, é o cartaz atual da Dan Galeria, Jardim América, São Paulo, SP.

 

 

A exposição

por Daisy Peccinini

 

A exposição apresenta obras que definem as linhas de força da produção de Victor Brecheret (1894-1955). No espaço, vibram formas e volumes que testemunham os temas de sua predileção; que persistem, tomados e retomados no correr das quatro décadas de sua importante produção. É evidente que o tema do feminino prepondera apresentando-se como um grupo marcante, com um número maior de obras, em contraponto com as poucas exceções de esculturas que representam o masculino e, mais ainda, a rara abordagem do tema do idílio, entre o masculino e feminino. Um segundo também importante tema é o da arte indígena, considerando-se Brecheret um pioneiro, entre os escultores modernos, na pesquisa dos modelados e entalhes praticados pelos povos originais de nossa terra, que ele translada para as esculturas de modelagem da argila, com uma profunda sensibilidade das formas orgânicas.

 

A arte sacra, desde o início de seu percurso artístico, tem um lugar especial e suas pequenas e douradas virgens são exaltadas nos anos 1920 por críticos de arte da Escola de Paris. O tema sacro é recorrente em vários momentos das décadas seguintes, lembrando na década de 1940 o conjunto significativo da Via Sacra e das monumentais esculturas de Cristo Crucificado e de São Paulo, na Capela do Hospital das Clínicas, e outros temas usuais religiosos foram abordados, como Anunciação, Cristo, Maria, São Jerônimo e São Francisco, este último de sua predileção, representado de variadas formas, com animais e com instrumento musical.

 

Finalmente nesta apresentação de esculturas, destaca-se o tema dos cavalos aos quais Brecheret sempre teve uma grande paixão e deles fez presença importante, desde o primeiro projeto do Monumento às Bandeiras (1920) até o projeto realizado (1933-1954), está presente também no Monumento a Caxias, quer na escultura monumental equestre, quer nos relevos da elevada base em granito. Marcam fortemente as fachadas do Jockey Club de São Paulo, em painéis de mármore travertino nos quais Brecheret realiza uma saga de vida e de vitórias nas corridas.

 

Nessa variabilidade de temas e códigos de formas de diferentes próprios de fases do percurso artístico de Brecheret, duas qualidades se impõem como marcas estilísticas permanentes do grande escultor: o encantamento e a força. De fato, essas obras, que pertencem a diferentes momentos de sua copiosa produção, têm em si mesmas essas duas qualidades. Encantamento, uma especial sedução pela impecável fatura, fazendo os olhares deslizarem pelos volumes flexuosos, interagindo com a sensibilidade e prazer de cada um que os contempla.

 

Se de um lado existem encantamentos, por outro lado há conjuntamente a força, um élan que integra as partes numa pulsão centrífuga de modo que os volumes sedutores possuem força e tensão que os aglutina e geram uma aura monumental. A apresentação das esculturas e desenhos de Brecheret na Dan Galeria seguem os eixos de força da produção do escultor.os, Exposição, São Paulo.

 

Quando? Abertura: 8 de junho, das 19h às 22h; Período expositivo: de 8 de junho a 10 de julho de 2017

 

Sonhar em bits

06/jun

A Artur Fidalgo galeria, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, convida para a exposição “Como aprendi a sonhar em bits”, do artista plástico carioca Danilo Ribeiro que acontecerá no Centro Cultural Correios, Centro, Corredor Cultural, Rio de Janeiro.  A curadoria é de Marlon Silli e apoio da Artur Fidalgo galeria.

 

A mostra é composta por um conjunto de 16 obras inspiradas no universo dos vídeo games. A influência de jogos famosos, como Castlevania e Resident Evil, poderá ser percebida nas pinturas do artista. Entre os trabalhos, encontram-se telas de grande formato, estudos preparatórios e dípticos. Danilo Ribeiro levou quatro anos para concluir a produção dos trabalhos.

O artista trabalha com desenho e pintura e já participou de diversas exposições coletivas. Recentemente, alguns de seus trabalhos foram incluídos na exposição “A Cor do Brasil” e em “Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas”, ambas apresentadas no Museu de Arte do Rio, AR). Em 2012, Danilo Ribeiro foi um dos indicados ao Prêmio PIPA.

 

 

De 07 de junho a 06 de agosto.

Roitman na Galeria André

02/jun

O pintor Herton Roitman inaugurou “De tudo fica um pouco…”, exposição individual na Galeria de Arte André, Jardim América, São Paulo, SP, na qual encontra-se em exibição doze desenhos, quinze telas e quatro assemblages. A curadoria é de Sonia Skroski que assina a apresentação e revela a biografia do artista. Natural de Porto Alegre, após residir um por três anos em Belo Horizonte, Roitman vive e trabalha em São Paulo. Intitula-se um catador de resíduos da memória afetiva. Em casa guarda cartas, selos, moedas antigas, a colagem move seu estado artístico, através de mutações quando da colocação de tintas e outros elementos sobre os recortes ou misturado com o desenho.

 

É no silêncio que surge uma relação íntima com o processo de criação sobre papel ou tela. Para Roitman o papel é o “sagrado”, em qualquer estilo, gramatura ou textura. O artista guarda especial preferência pelo desenho em bico de pena que interpreta como uma escrita poética. A cor e a textura são os elementos mais gratificantes em sua criação, seja em papel, tela ou em objetos. Após escolher uma ou mais cores em seu trabalho, passa um tempo descobrindo novas texturas, novas cores. A cor é a base da sustentação de seus trabalhos, preferindo a geometria ao figurativo e revela sua admiração por Mondrian e Paul Klee. Roitman foi ator, cenógrafo, figurinista premiado e diretor teatral. Sua formação inicial foi nas artes cênicas e desde 1986, dedica-se exclusivamente às artes visuais, mas o teatro encontra-se com o artista no espírito e em suas criações. Ouvindo música erudita e convivendo com as criações de sua mãe, – a conceituada modista Rafaela Roitman -, fez seu primeiro figurino em 1964, para a peça de Moliére, “Tartufo”, e ganhou o prêmio de Melhor Figurinista, mas sempre pintando,  desenhando e fazendo colagens.

 

 

 

Até 24 de junho.

Três no Santander Cultural

31/maio

Dentro da proposta de valorizar o trabalho curatorial neste ano, o Santander Cultural, Porto Alegre, RS, inaugurou a exposição que leva o nome dos seus artistas integrantes: “Zerbini, Barrão, Albano”. Ao todo, são 43 obras, em diferentes técnicas, como pintura, gravura, escultura e fotografia. A seleção para cada artista ficou a cargo de um curador diferente. As obras de Luiz Zerbini, SP, tiveram a curadoria de Marcelo Campos. As de Barrão, RJ, de Felipe Scovino; e as de Albano, SP, por Douglas Freitas. “Foram seis cabeças dividindo o mesmo espaço”, explicou o diretor-superintendente do Santander Cultural, Carlos Trevi. Com estilos diferentes, o desafio foi promover o diálogo entre as diferentes linguagens de cada artista.

 

As esculturas de Barrão ocupam a parte central da galeria, com trabalhos na cor branca. “Geralmente meus trabalhos têm escala menor, mas como fiz obras especialmente para esta exposição, levei em conta o espaço e fiz em escala maior”, explica Barrão. As obras de Albano e Zerbini estão nas laterais. Zerbini apresenta monotipias, pinturas e, em primeira mão, três mesas, cujos superfícies de vidro lembram praias e ondas. Já Albano traz instalações que abordam a questão da luz e da sombra e um tríptico fotográfico.

 

 
Até 16 de julho.