Galeria Millan exibe Tunga

13/out

Tunga, um dos mais potentes criadores da arte contemporânea brasileira, morreu precocemente em junho passado, aos 64 anos, deixando pronta aquela que seria a sua próxima exposição. A Galeria Millan, Pinheiros, São Paulo, SP,  dá continuidade aos planos do artista e inaugura, no dia 15 de outubro, em seus dois endereços, a mostra “Pálpebras”, reunindo um conjunto de trabalhos inéditos ou pouco vistos no Brasil.

 

Na sede da Millan poderão ser vistos os “Phanógrafos”, peças derivadas do série “Cooking Crystals” (2010). Pouco exibidas desde então, são caixas que servem como recipiente, ou suporte, para assemblages de diferentes objetos e materiais, como garrafas, cálices, âmbar, pedras ou elementos escatológicos. Objetos que, segundo Tunga escreveu, têm “algo de talismã, se configurando como uma lamparina”.

 

O segundo andar da galeria abrigará também projeções e desenhos, revelando, por exemplo, as conexões entre produções bidimensionais e tridimensionais, e enfatizando a importância da linha no trabalho do artista.

 

No Anexo Millan, novo espaço inaugurado em 2015, será exposta a série “Morfológicas”, esculturas orgânicas que remetem ao corpo, sensuais, por vezes surreais e muitas vezes eróticas – lembrando vulvas, glandes, línguas, bocas, dedos e seios – que se originaram de outros conjuntos de trabalhos (como a série “FromlaVoieHumide”, de 2014) mas nunca foram mostradas independentemente no Brasil, mesmo que respeitando sua posição um tanto indefinida entre estudo de forma (como indica o próprio título) e obra acabada.

 

Um desses projetos começou a ser confeccionado em grandes dimensões para a Feira Internacional de Arte Contemporânea (FIAC), em Paris. A peça, intitulada “A Seus Pés”, tem sete metros e – como é usual em seu trabalho – é composta por diferentes partes. O elemento central é uma forma roliça e longa, com unhas em cada extremidade, como se fossem dedos que apontam para lados distintos. A peça não chegou a ser fundida em versão final e o que o público verá é a prova de artista que há algum tempo habita o ateliê de Tunga.

 

“Pálpebras” não é uma tentativa de síntese ou de olhar retrospectivo, mesmo porque, no caso de Tunga, a noção de retrospectiva não faz sentido. Afinal, seu trabalho parece marcado por um retorno cíclico a um manancial de elementos, físicos e psíquicos, que ressurgem de tempos em tempos, transfigurados em diferentes leituras. É como se testemunhássemos, interagíssemos com fragmentos de alguma história ou ação passada, seja pelo caráter instável de seus arranjos, que permitem infinitas possibilidades de reagrupamento, seja pelas várias camadas de leitura que se sobrepõem, criando um hipnótico enigma.

 

Esses mesmos ecos temporais se fazem sentir nas obras mais recentes. Mesmo que em vários momentos assumam um caráter mais escultórico, os aspectos centrais de seus mais de 40 anos de intensa produção – período no qual Tunga flertou com o surrealismo, se avizinhou da arte conceitual e muitas vezes pareceu agir mais como um xamã ou um cientista – estão novamente presentes.

 

 

De 18 de outubro a 12 de novembro.

Mostra de Morgan-Snell

10/out

O Centro Cultural dos Correios, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a mostra de uma artista considerada um caso à parte no mundo da arte, Morgan-Snell, através de cerca de setenta obras selecionadas pelo curador Marc Pottier, sobre seu trabalho em desenho, pintura e escultura, trabalhos considerados originais e vanguardistas. Após quatro décadas o público revisita a produção da artista, na qual o corpo humano e o nu são presenças permanentes e marcantes. Artista figurativa autodidata, sempre conviveu com a alta sociedade de Paris, Rio e São Paulo. Aprendendo através de observação, sua primeira exposição foi realizada em 1946, na Galeria Barcinski, no Rio de Janeiro. Pertencente à burguesia industrial brasileira Morgan-Snell foi uma rebelde que não se submeteu às tendências de sua época. Seus temas originam-se na mitologia grega, na Bíblia, na Divina Comédia e no Inferno de Dante. Homens e mulheres, quase sempre presentes, evoluem num universo libertado das leis da gravidade.

 

A obra de Morgan Snell superou sua própria criadora. Embora ausente dos grandes movimentos artísticos que dominaram o século XX, sua produção figurativa, supra-realista, com elementos do maneirismo e a celebração do corpo, se juntam hoje às áreas de vários movimentos de criação. Caberá aos analistas do século XXI decodificar seus cenários que são provavelmente muito menos clássicos do que deixam pressentir à primeira vista.

 

A vivacidade das cores que ela usava em suas obras era uma vibrante homenagem à plumagem de todas as aves que sempre a cercavam em seu estúdio. Segundo ela, as aves lhe proporcionavam a música para sua criação. Até hoje é possível constatar que algumas marcas de seus companheiros estão até hoje presos na espessura de sua pintura. Sua brasilidade foi representada em sua obra e a acompanhou mesmo quando se mudou para Paris após seu casamento, por volta de 1947-48. Ainda que suas fontes de inspiração variem de Tiepolo a Michelangelo passando por Rubens, seu trabalho nunca deixou de expressar essas referências. Por exemplo, em sua obra “A Virgem de Pentecostes”, um índio de porte atlético homenageia o continente sul-americano e expressa a sensualidade permanente da sua obra.

 

Um elemento importante que define a obra de Morgan-Snell é o traço, com o corpo como paixão, usando linhas cósmicas que dão eternidade a seus personagens, uma espécie de erotismo na espátula. Grande inventora de padrões e criadora de aspectos, a obra de Morgan-Snell é figurativa, mas também capaz de expressar o irreal. Em sua correção plástica, o desenho de Morgan-Snell remete a um classicismo sobre o qual não se pode enganar. Incisivo, mordaz, muitas vezes no limite da indecência, o traço exibe um realismo cuja ambivalência redobra o poder do artista. A precisão clínica do traço é indissociável de uma sensualidade tendendo uma e outra a comunicar uma emoção que nunca é em detrimento do pensamento. É para esse prazer que a obra de Morgan-Snell convida o público a sentir.

 

Nas obras de Morgan-Snell, homens e mulheres parecem estar num mundo espacial desconhecido sem gravidade, animais e seres humanos parecem viver num mundo harmonioso de comunicação onde Homem, Animal e Natureza são feitos do mesmo barro. Morgan-Snell modifica a própria realidade, a percepção do real. Ela ataca o desconhecido de seu próprio imaginário para construir uma realidade paralela no limite do plausível, uma realidade possível e deliberadamente oculta, um mundo sublime e misterioso.

 

Apesar de passados 40 anos, seu trabalho pode ser inserido no contexto atual da arte contemporânea do século XXI, um século frequentemente obcecado por um culto do corpo rodeado de erotismo. Os personagens são atletas que estão frequentemente em perspectivas aéreas, onde se misturam o profano e o sagrado enchem a tela de modo quase compacto com figuras carnais e finalidades prodigiosas que revelam desejos ocultos no olhar do espectador. É uma tendência de nossa sociedade, da qual hoje ninguém pode escapar: as obsessões do mundo contemporâneo são amplamente expostas e decodificadas.

 

 

Até 04 de dezembro.

Ilustrações

27/set

A Pinacoteca Aldo Locatelli, localizado na Praça Montevidéu, Centro Histórico, Porto Alegre, RS, inaugurou a mostra “A Escrita se Fez Imagem”, com ilustrações de Nelson Boeira Fäederich para as obras “Contos Gauchescos” e “Lendas do Sul”, de João Simões Lopes Neto. A exposição faz parte da programação que assinala os 100 anos de morte do escritor pelotense e tem patrocínio da Celulose Riograndense. Na ocasião, foi apresentada a performance “A Casa de Mbororé”, com o ator Hélio Oliveira.

 

Encontram-se expostas cerca de 50 obras de Fäedrich realizadas em têmpera, nanquim e scratchboard (em que se raspa a tinta nanquim preta de uma prancha para revelar as linhas do desenho ) pertencentes ao acervo da Fundacred (empresa que incorporou a Pinacoteca APLUB). A curadoria é de Paula Ramos, autora de “A Modernidade Impressa – Artistas Ilustradores da Livraria do Globo – Porto Alegre”, livro que também recupera e analisa a poética do artista plástico que nasceu em 1912, em Porto Alegre, onde morreu em 1994, tendo atuado também como publicitário, pintor e escultor.

 

O artista, quando trabalhou na Editora Globo, criou capas e ilustrações para livros de vários escritores gaúchos, como Érico Veríssimo e o homenageado Simões Lopes Neto. Os originais de suas ilustrações para “Os Contos de Andersen” estão no acervo do Museu Hans Christian Andersen, na Dinamarca.

 

 
Até 18 de novembro.

David Magila na OMA galeria

14/set

“Frequentes Conclusões Falsas” é nome de seis das 11 obras (pinturas, gravuras e desenhos) que David Magila apresenta na exposição “Meio-Fio”, na OMA Galeria. Peças que integram uma série com mais quadros e questionam as interpretações que damos às cenas cotidianas. O texto curatorial é assinado por Sarah Rogieri.

 

Com traços bidimensionais e uma paleta de cores opacas que saltam aos olhos, o artista não utiliza de muitos truques para instigar o público a reconhecer lugares que mostram-se comuns e, ao mesmo tempo, apenas guardados na memória, em que não se sabe ao certo o quanto ainda há de movimentação e intervenção humana, mas em suas telas é possível sentir que naqueles traços há uma história presente no local retratado.

 

Segundo o galerista do espaço, Thomaz Pacheco, que conheceu a arte de Magila há mais de um ano – desde então foi iniciado um diálogo para a realização de ações na galeria –, as nomenclaturas escolhidas por ele dizem um tanto sobre o que o espectador vai encontrar. “Meio-fio (que denomina a exposição) é um lugar define limites. Muito se passa nessa linha de concreto denominada Meio-fio, e talvez essa seja uma pista, um convite para adentrar em sua poesia. Afinal, qual limite é esse que o David quer mostrar? Há um sarcasmo nas construções retratadas, e a meu ver, essa brincadeira de sobrepor as partes que compõem a imagem, criando formatos únicos e ao mesmo tempo reconhecíveis, acaba por aproximar o espectador”, comenta.

 

 

A palavra do artista

 

“Estas obras falam das coisas que passam. Chamo atenção para cenas corriqueiras, que representam um vazio comum e que a primeira vista não têm um foco de atenção expressivo. É um jeito de dar valor para estes momentos que passam desapercebidos”, finaliza.

 

 

Sobre o artista

 

Com 37 anos, nascido no ABC Paulista, em São Caetano do Sul, porém morador da capital paulista desde a infância, David Magila retorna à região com um currículo de peso. Ele já recebeu alguns prêmios importantes, como no 40º Salão de Arte de Ribeirão Preto; SP e o 3º Concurso Itamaraty de Arte Contemporânea, Palácio do Itamaraty, Brasília-DF; possui obras nas coleções públicas do Museu de Arte de Ribeirão Preto, Ministério das Relações Exteriores, Casa do Olhar, Santo André-SP; Centro Cultural Brasil Estados Unidos, Santos – SP.

 

 

Até 22 de outubro.

 

Picasso na Caixa Cultural/Rio

09/set

O Instituto Tomie Ohtake, a CAIXA Cultural Rio de Janeiro, Arteris e IRB BRASIL RE, apresentam no Rio de Janeiro, Centro, RJ, nas Galerias 2 e 3, a exposição “Picasso: mão erudita, olho selvagem”, com 138 obras, entre pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, cerâmicas e fotografias pertencentes ao MuséeNational Picasso-Paris. Organizada pelo Instituto Tomie Ohtake em conjunto com o Musée National Picasso-Paris. A exposição tem curadoria de Emilia Philippot, também curadora da instituição francesa.

 

As obras traçam um percurso cronológico e temático em torno de conjuntos que seguem as principais fases de Pablo Picasso, nascido em Málaga, Espanha, em 25 de outubro de 1881, e morto em Mougins, França, em 8 de abril de 1973. A exposição percorre sua trajetória desde os anos de formação, com o óleo sobre tela “L’Homme à lacasquette” (1895), até os últimos de produção, como na gravura em metal “Couple: femme et hommechien. Avecfemme à lafleur” (1972). O patrocínio é da Arteris e IRB BRASIL RE, com apoio da CAIXA, da Prosegur e da Repsol Sinopec Brasil, realizado através da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Rouanet).

 

 

 

A exposição

 

 

A exposição com mais de 130 obras do gênio da arte do século XX esteve em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, onde foi sucesso de público e crítica, possibilita uma rara imersão do público no universo do artista espanhol, que viveu grande parte de sua vida na França. Das 138 obras, 109 são de Picasso: 27 pinturas, 42 desenhos, 20 gravuras e 20 esculturas, incluindo 12 cerâmicas, em sua quase totalidade nunca vistas no Brasil. Também integram a mostra 22 fotografias feitas por AndresVillers (1930-2016) em parceria com Picasso, e três fotografias feitas por Pierre Manciet durante as filmagens de “La viecommencedemain” (1949), de Nicole Védrès, no ateliê do artista em Fournas, Vallauris, na França. O filme, de 89 minutos, também poderá ser visto pelo público, junto com dois outros: “Guernica” (1950), de Alain Resnais e Robert Hessens, com 13 minutos, que aborda a obra-prima de Picasso, entre pinturas, desenhos e esculturas feitas por ele entre 1902 e 1949; e “Le Mystère Picasso” (1956), de Henri-Georges Clouzot, com 78 minutos, que revela seu processo criativo.

 

A curadora EmiliaPhilippot destaca o fato de que as obras expostas revelam para o público a ligação íntima e pessoal que alimenta toda a produção de Picasso, presente nos retratos íntimos da mãe do artista ou de seu primeiro filho, Paul, na celebração apaixonada da sensualidade feminina de Marie-Thèrèse Walter, e nas denúncias intransigentes dos males causados pelos conflitos contemporâneos, da Guerra Civil Espanhola ou da Ocupação da França pelas tropas alemãs. “Escolhemos aproveitar o caráter específico da coleção para esboçar um retrato do artista que questiona sua relação com a criação, entre fabricação e concepção, implantação e pensamento, mão e olho”, afirma EmiliaPhilippot. Estão presentes nos trabalhos as experiências vividas por Picasso. “Os laços afetivos do amante, as dúvidas do homem, as alegrias do pai de família, os compromissos do cidadão: tudo se introduzia em sua arte”, completa.

 

Uma característica importante da exposição é que o acervo é composto por obras selecionadas e mantidas pelo artista ao longo de sua vida. São trabalhos que estiveram ao seu lado e pertencem ao MuséeNational Picasso-Paris, um dos mais importantes do mundo sobre o artista, formado por doações sucessivas dos herdeiros do pintor, em 1979 e 1990.

 

 

 

Percurso da exposição

 

 

As obras estão dispostas de acordo com um roteiro cronológico e temático, em dez seções: “O primeiro Picasso. Formação e influências (por volta de 1900)”; “Picasso exorcista. As senhoritas de Avignon (processo da geometrização das formas)”; “Picasso cubista. O violão (relação com a música)”; “Picasso clássico. A máscara da antiguidade (a maternidade, o teatro e a dança)”; “Picasso surrealista. As banhistas”; “Picasso engajado.Guernica (estudos da obra, fotos e foco na apresentação da tela em 1953 no Brasil/ 2ª Bienal de São Paulo)”; “Picasso na resistência. Interiores e vanitas (processo de trabalho durante a guerra, vida doméstica e vaidades)”; “Picasso múltiplo. A alegria da experimentação (da cerâmica ao fotograma)”; “Picasso trabalhando. O Mistério Picasso (a magia de seu processo criativo na pintura)”; e “O último Picasso: o triunfo do desejo (erotismo em todos seus estados)”.

 

 

 

Sobre EmiliaPhilippot

 

 

EmiliaPhilippot é diplomada pela Écoledu Louvre e especializada em conservação do patrimônio pelo Institutnational Du Patrimoine (Paris). Foi gerente de projeto na RéuniondesMuséesNationaux, Paris (2007 e 2009), onde organizou a exposição “Le grand monde d’Andy Warhol”, nas Galeriesnationalesdu Grand Palais (2009). Foi responsável pelas coleções de artes decorativas, artesanato e design industrial no Centre nationaldesArtsPlastiques (Paris), entre 2010 e 2012, coordenando a exposição “Liberty, EqualityandFraternity”, no WolfsonianMuseum (Miami), em 2011. Responsável pela segmento de artes gráficas e pinturas do MuséeNational Picasso-Paris desde 2012, Philippot preparou a reabertura do museu e organizou importantes mostras como “¡Picasso! L’expositionanniversaire no MuséeNational Picasso-Paris” (2015); “Picasso chez Delacroix no MuséeNationalEugéneDelacroix” (Paris 2015); “MiquelBarceló, Sol y Sombra”, no MuséeNational Picasso-Paris (2016), e está desenvolvendo a exposição “Histoires d’Olga – Filtres de l’Histoireauprès de Picasso”, no MuséeNational Picasso-Paris prevista para março de 2017.

 

 

 

Até 20 de novembro.

Mundo físico

A Galeria Virgílio, Pinheiros, São Paulo, SP, exibe obras dos artistas Fernando Burjato, Gabriele Gomes e Cleverson Oliveira.  A carreira dos três artistas tem início nos anos 1990, quando eram alunos da Escola de Música e Belas Artes do Paraná, EMBAP, em Curitiba, PR. Logo que se formaram, cada um tomou um rumo diferente, fora da capital paranaense. Ainda assim, as obras dos três seguem paralelas, e nestes últimos vinte anos, têm mantido um rico diálogo, feito de aproximações e divergências, fato observado na mostra intitulada “Colapso”, realizada entre 2015 e 2016 no Museu Oscar Niemeyer, com a curadoria de Ana Rocha. “O mundo físico” é uma espécie de transbordamento da exposição curitibana, que teve mais de 11 mil visitantes; propõe um outro recorte do trabalho dos artistas, que se desenvolve em diversos materiais e linguagens: pintura, desenho, objeto, fotografia.

 

 

Sobre os artistas

 

Gabriele Gomes, Curitiba, PR, 1971, reside no Rio de Janeiro, produz instalações, fotografias, objetos e poemas, tendo como referência a tradição da pintura. Há em sua obra o desejo de fazer uma pintura que se estenda para fora do quadro, transformando em pintura aquilo que existe de mais trivial. Se Grabriele traz a pintura para o mundo físico, para os espaços entre as coisas, Cleverson Oliveira, Curitiba, PR, 1972, cria instalações gráficas, como desenhos de paisagem que podem ser vistos por dentro. Ou obras em grafite sobre papel em que o olhar do espectador oscila entre a nitidez da superfície e o caráter turvo de uma imagem que se reconhece. Fernando Burjato, Ponta Grossa, 1972, PR, desde 2000 trabalha principalmente como pintor. Seus quadros, entretanto, se alongam para fora dos limites da tela, a tinta escorre e seca, formando franjas, como uma pele que se escama e pende, como farrapos, contrastando com a luminosidade e a leveza das cores. É representado pela Galeria Virgílio desde 2009.

Texto de Daniela Vicentini

                              

O mundo físico, sabemos, não é estático. Nem uma rocha está mesmo parada. Ainda que tenhamos a sensação de que muita coisa não se mova, sequer este planeta em nossa percepção cotidiana. Assim, Gabriele Gomes, Fernando Burjato e Cleverson Oliveira ativam em objetos, pinturas e desenhos – que querem se afirmar como presenças físicas no mundo –, cada um a seu modo, percepções temporais distintas: coisas que trazem latente o vir a ser do processo de suas configurações.

 

Dos três, Gabriele é quem lança mão dos artefatos que estão ao alcance de todas as pessoas – um pirex, um paninho rosa de limpeza, garrafas de vidro vazias. Isso tem na casa de toda gente. Há também objetos afetivos do universo da artista – como livros e bibelôs – ou que parecem ter sido coletados em viagens e passeios – como pedras e conchas. E tudo remete ao ambiente das centenas de artigos que rodeiam a sua vida doméstica, mas poderia também ser a de outra pessoa. Então, um tanto de tinta, um volume de cor, se acomoda dentro ou sobre os objetos. E o processo corriqueiro do objeto comum para, adquire outra temporalidade: as garrafas não serão mais descartadas.

 

Tudo que nos rodeia se apresenta com um excesso de luz – cores fortes, letreiros, telas, as luzes estão bem acesas – e Gabriele as ilumina mais ainda: usa purpurina, espreme o tubo de tinta com cores industriais, elege cores saturadas. Embalagens e recipientes ganham outro tanto de cor chapada, sem escala de tonalidades. A tinta esparramada seca em sua liquidez, torna-se também coisa que se agarra a outra mas mantém uma aparência mole. Cristaliza-se no processo de estar conformando algo: borbulhando de dentro da garrafa, sobrepondo-se às superfícies.

 

Luz sobre luz, desfaz-se o contorno das coisas. Como que outra imagem de realidade se conforma, algo que traz um quê de uma atmosfera de sonho. A ação de Gabriele nos dá ferramentas para observar os objetos ao nosso redor como se pudéssemos olhá-los como que pela primeira vez. Raramente paramos para pensar em como as coisas vieram a ser o que são. Toda a complexidade do pensamento e fazer humanos que envolvem a existência de muitos itens. Eles estão aí, são úteis, descartáveis (ainda que não exista um fora) – tornam-se até mesmo invisíveis. Uma caneta esferográfica, um caderno quadriculado, como vieram a ser o que são? Gabriele os enlaça em pequenos arranjos jocosos – cor, forma, função. O pensamento e o olhar podem se deter, inclusive na individualidade de cada elemento.

 

Assim cria-se “Oba” na escala de uma mesa, tomando cerveja ou café, lembrando daquele passeio na praia com as conchinhas colhidas, depois deve-se limpar – nunca mais irei lidar com aquele paninho do mesmo jeito. É necessário reinventar – e por que não fazê-lo com instantes de um olhar generoso para o que está bem aqui? Conchinha sobre conchinha, o desejo é o de alcançar o céu, como a coluna sem fim de Brancusi. Ainda que no ato de erigir a tinta consiga apenas deitar-se.

 

Fernando Burjato tem na repetição de faixas um vocabulário desde muito tempo, já nas camisetas de seus autorretratos de quando começou enfurecidamente a desenhar, pintar e refazer. E repetidamente, todos os dias em seu ateliê, desde então, o fazer de Fernando se transforma por meio do excesso de sempre reconstruir. São muitos exemplares de um mesmo até que as transformações se insinuem – podem ser acidentes, desvios do fazer que são aceitos e tomam corpo. A arte é referência explícita: a grade moderna, a pintura como matéria, colagem, pinceladas, tinta escorrida, dripping, veladura, impasto, claro e escuro, qualidades de linhas e muito mais. Embebe-se de obras, experiência concreta da arte, essa é a realidade do artista. O sistema, portanto, não é algo para se adequar. É o ponto de partida para inventar excessos.

 

São pinturas a óleo em que aparecem faixas organizadas uma ao lado da outra, mais ou menos com a mesma largura e quantidade de tinta equivalente, cada cor num espaço definido. Diante de algumas, nos deparamos com o transbordamento da tinta para fora dos limites do quadro. Outras têm como suporte um paralelepípedo protuberante, com tinta escorrida nas laterais. Definem-se imediatamente dois lugares – um tanto do que é dentro está fora. Nas bordas, a tinta aparece efetivamente como coisa e o suporte inusitado é caixa: temos certeza de que se trata do mundo físico, com objetos tridimensionais que produzem sombras. Pode-se ver isso claramente no desenho em pastel que retrata as próprias pinturas – ou é estudo que as antecede?

 

Desse contraste evidente outros tantos vão surgindo. Há um todo ritmado, uma coisa depois da outra, mas a predileção é por cores dissonantes e o tratamento de pintura de cada parte cria acontecimentos específicos – numa vemos uma sequência de cores em degradê, noutra não identificamos nenhuma pincelada ou há brilhos ou vestígios de rastos do pincel ou um aglomerado de tinta. Como se o espaço de dentro fosse feito por citações de procedimentos pictóricos. O todo se organiza tanto como colagem de formas geométricas, por assim dizer, quanto como colagem de maneiras, já tradicionais, de se ativar uma superfície de pintura. Evidencia-se a convivência de coisas muito diferentes num lugar que de início parece um todo organizado. E quando nos demoramos em algo, a pintura parece dizer: “Ei, veja isso aqui agora, poderia funcionar assim também, não é? Olhe para esse esfumaçado, veja esse volume, viu a cor aqui em cima?”, e assim por diante. Nem tudo é muito sério, as curvas e as dobras e rasgos parecem querer brincar, a caixa é um treco na parede. Sorrimos.

 

As luzes também estão bem acesas, algumas cores são estridentes até. A potência de produzir é circunscrita a uma força de vontade individual, o fazer construtivo convive com sua impossibilidade – as bordas realmente caem.

 

Cleverson Oliveira apresenta desenhos feitos com pó de grafite e caneta permanente sobre tela; portanto, em escalas de cinzas e preto e branco. Eles parecem querer configurar uma paisagem, mas ela não se mostra totalmente. É apenas aventada por manchas nas quais reconhecemos as sinuosidades do mundo vegetal. Há também o desenho de ícones que querem representar gotas de água em escala real – se olharmos de perto vemos uma forma ovalada preenchida na metade de cima de preto e na de baixo de branco. Com pequenas diferenças de tamanho, esses desenhos são repetidos em toda a superfície da tela. Desse modo, vemos o desenho de gotas e o de silhuetas de plantas. E essas duas coisas nos fazem ver uma terceira que na verdade não existe: uma placa de vidro. O jogo do desenho é transformar a superfície da tela em vidro. Vemos aquilo que não existe como coisa – mundo físico. Não há desenho do vidro e é isso o que vemos o tempo todo. Temos então uma paisagem intuída através de um vidro embaçado sobre o qual há gotas – vidro, gotas e manchas.

 

Cleverson realiza trabalhos em diversas mídias. Entre elas, a fotografia e o vídeo. Há certa narrativa, um aparente descompromisso, muito humor. Interessa atentar como o artista lida com a imagem nesses veículos de reprodução. Sabemos que ela é constituída por pequenos pontos. E ele toma partido por evidenciá-los; portanto, as figuras aparecem granuladas, com contornos incertos. As cenas se dão com imagens que estão sempre prestes a ser desconfiguradas. As superfícies da impressão e do vídeo são porosas, ele constrói por indefinições, utiliza silhuetas – como também nesses desenhos de paisagem.

 

Bem, estamos abrigados da chuva quando contemplamos essas imagens. Seria de dentro de uma casa? Ficaríamos assim tanto tempo observando as vidraças? A paisagem está bem perto. Em suas fabulações, o artista introduz a experiência da viagem como assunto poético. E esses desenhos me remetem ao tempo em que passamos a olhar a paisagem quando estamos num ônibus, num trem, carro de passeio, vendo a chuva e o mundo cambiante e embaçado, impossibilitados de fato de estar lá. Apesar de que a dimensão da tela pode contradizer essa imagem. Afinal, um desenho tem a liberdade de ser apenas aquilo que é, em preto e branco.

 

O mundo físico de Gabriele Gomes, Fernando Burjato e Cleverson Oliveira é feito por coisas moles, cortinas que caem e vapores. Objetos do mundo comum reconfigurados, pinturas de faixas e desenho de paisagem – não alardeiam novidades. A potência dos trabalhos é reavivar sempre a vontade de arte – o processo de vir a ser é assunto.

 

 

De 13 de setembro a 08 de outubro. 

 

Manoel Novello no IBEU

08/set

A Galeria de Arte IBEU, Copacabana, Rio e Janeiro, RJ, apresenta “Copacabana”, exposição individual de Manoel Novello, artista selecionado através do edital do Programa de Exposições Ibeu. A mostra tem curadoria de Cesar Kiraly e reúne seis pinturas de grandes dimensões, fotografias, desenhos e instalação, explicitando o diálogo que Manoel Novello estabelece com a cidade que vivencia e aprofundando as relações entre sua pintura, a arquitetura, o espaço urbano e a orla marítima.

 

As pinturas de Manoel Novello são criadas a partir de um processo de construção e reconstrução de diagonais, horizontais e verticais: sobrepondo linhas coloridas compostas como se fossem música, evidenciando planos e criando a noção de profundidade. Ao longo da elaboração de uma tela, linhas e cores são apagadas, substituídas por camadas que as cobrem, assim como ocorre com os prédios, ruas e praças de uma cidade ao longo dos anos. Há dezenas de pinturas sob a pintura de Novello, infinitas paisagens soterradas por novas cartografias, fluxos e volumetrias. Na Galeria IBEU, as seis pinturas se referem à situação urbana do bairro de Copacabana, especificamente, o que destaca as conexões entre as obras.

 

“A cidade é uma das vias buscadas por Novello. Nisso, torna explícito que seu abstrato é impuro, disperso na experiência. Ele é paisagem íntima perdida nas amplitudes das sensações que o distraimento nos permite. Por isso, a abstração do Novello remete tão fortemente à vida comum”, afirma o curador  Cesar Kiraly.

 

Esta é a segunda vez que o artista apresenta, além das pinturas, fotografias e desenhos. Esses trabalhos colaboram no entendimento da visualidade. “Copacabana” se completa com uma instalação feita em fios coloridos de algodão, remetendo a uma paisagem marítima, próxima à galeria, que já se perdeu no crescimento urbano.

 

 

 Sobre o artista

 

Manoel Novello participou da Bienal de Curitiba de 2011 e Arte Pará 2010, e essa será sua 4ª exposição individual. Recentemente produziu um site specific para o Jardim do Museu da República, dentro do programa “Ocupa Coreto”, Galeria do Lago, com curadoria de Isabel Portella. É representado no Rio de Janeiro pelo Escritório de Arte Gaby Indio da Costa.

 

 

De 14 de setembro a 21 de outubro.

Portugal contemporâneo

01/set

O Museu Afro Brasil, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, situado no Portão 10, Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP, inaugura a exposição temporária “Portugal Portugueses – Arte Contemporânea”. Considerada a maior exposição de arte portuguesa contemporânea já realizada no país, a mostra integra uma trilogia sobre a mais nova produção artística da África, de Portugal e do Brasil com patrocínio das empresas EDP Brasil, com apoio do Instituto EDP, Banco Itaú e Rainer Blickle, Leonardo Kossoy e Orandi Momesso.

 

“Portugal Portugueses” é a segunda exposição dentro da proposta da trilogia desenvolvida pelo curador da mostra, Emanoel Araujo, responsável por homenagear as principais raízes da cultura brasileira (africana, portuguesa e indígena) à luz de uma leitura contemporânea nas artes visuais. Esta grande mostra sucede “AfricaAfricans”, recentemente eleita pela Associação Brasileira de Críticos de Arte como a melhor exposição do ano de 2015.

 

Uma seleção de mais de 40 artistas, de profundos vínculos com o país lusitano, apresentará trabalhos que contemplam recortes artísticos diversos. Um grande destaque é a participação de artistas modernistas consideradas pelo curador a base da contemporaneidade portuguesa, mulheres que tornaram proeminentes a arte lusitana no circuito internacional através de obras surrealistas, geométricas e que se conectam com Brasil e a África.

 

 

Artistas participantes

 

“Portugal Portugueses” contará com obras de grandes nomes como: Albuquerque Mendes, Ana Vieira, Antonio Manuel, Artur Barrio, Ascânio MMM, Cristina Ataíde, Didier Faustino, Fernando Lemos, Francisco Vidal, Gonçalo Pena, Helena de Almeida, Joana Vasconcelos, João Fonte Santa, João Pedro Vale e Nuno Alexandre, Joaquim Rodrigo, Joaquim Tenreiro, José de Guimarães, José Loureiro, José Pedro Croft, Jorge Molder, Julião Sarmento, Lourdes Castro, Manuel Correia, Maria Helena Vieira da Silva, Michael de Brito, Miguel Palma, Nuno Ramalho, Nuno Sousa Vieira, Orlando Azevedo, Paula Rego, Paulo Lisboa, Pedro Barateiro, Pedro Cabrita Reis, Pedro Valdez, Rui Calçada Bastos, Sofia Leitão, Teresa Braula, Tiago Alexandre, Vasco Araújo, Vasco Futscher e Yonamine.

 

 

A palavra do curador

 

“Por muitas razões a arte portuguesa tem um leque enorme de situações que nos comovem, talvez porque nela existam resquícios da África, do Brasil e dela mesma, naturalmente. Esta exposição celebra uma união inevitável de encontros e desencontros do que foi e do que é a nossa formação como povo, descoberto, colonizado e independente, por um português e um brasileiro, Pedro IV, rei de Portugal, que se tornou Dom Pedro I – Imperador do Brasil, e como esta independência que tão cedo foi, não nos afastou, mas consolidou as raízes profundas dessa invenção. Portugal é muito mais que um país, é uma aventura, como nos outros tempos memoráveis, senhor das conquistas e das descobertas, do Brasil e da África, pelo mundo afora. Portugal foi um terrível escravocrata, e se valeu da escravidão negra para desenvolver suas descobertas na América e na própria África, também foi um colonizador que se miscigenou e espalhou artes e ofícios.”, comenta Emanoel Araujo, fundador e Diretor Executivo Curatorial do Museu Afro Brasil.

 

“… A arte é uma antena para captar e expressar sentimentos aleatórios e arcaizantes. É através dela, e de seus laços no inconsciente coletivo, que manifestações representam os lados triangulares da invenção. E, é nessa invenção que “Portugal Portugueses” se arma para mostrar uma faceta desta arte portuguesa contemporânea, revelando a modernidade e a sua atualidade. Claro que, em se tratando de expressões artísticas, nem sempre as escolhas são totalmente abrangentes. São muitos os artistas seminais de uma grande história da arte portuguesa moderna e contemporânea. Evidentemente, esta exposição não tem um caráter didático e nem esgota o assunto diante da complexidade de tantos autores.”.

 

 

Sobre a exposição

 

O modernismo das artistas Maria Helena Vieira da Silva, Ana Vieira, Helena de Almeida, Paula Rego e Lourdes Castro, formam um núcleo poderoso de mulheres criadoras, que incorporam com suas obras e linguagens, uma valiosa contribuição à arte contemporânea portuguesa. É, a partir delas, que “Portugal Portugueses” se desenha, abrindo espaço, através de diferentes linguagens e estratégias como a geometria, instalações, esculturas, fotografias, desenhos e grandes painéis, reunindo consagrados nomes aos novos talentos que despontam. Dentre eles, podemos citar a instalação de João Pedro Vale e Nuno Alexandre. Feito de collants, tecido, ferro, arame, corda e espuma, “Feijoeiro” é uma instalação de grandes dimensões. Semelhante ao tradicional conto infantil, este enorme pé de feijão chama a atenção de adultos e crianças com suas cores fortes e vibrantes, um convite à interação.

 

Dentre os vários trabalhos selecionados, há aqueles com dedicada atenção aos diálogos entre o Brasil e o continente africano. É o caso do artista português, Vasco Araújo, conhecido no cenário artístico paulistano, seus trabalhos articulam questões políticas às heranças de um passado colonial. “O Inferno não são os outros” é uma obra que provoca a reflexão sobre os limites de nossas decisões e ações, colocando em cheque as barreiras entre aquilo que parece ser da ordem do privado, mas que está repleto de consequências na dimensão política do mundo, principalmente no mundo ocidental.

 

A série “Pau Brasil”, de autoria de Albuquerque Mendes, também compõe a mostra fazendo uma ponte entre Portugal e uma antiga colônia – o Brasil. Nela, o pintor expõe a diversidade de estilos humanos, explorando a miscigenação tanto em nosso país quanto em Portugal. Seus quadros retratam homens e mulheres negros, brancos e indígenas sempre em poses semelhantes, explorando tanto a diversidade étnica quanto propondo as semelhanças entre as pessoas.

 

A exposição traz também jovens artistas como Sofia Leitão e Teresa Braula. Leitão inicia seus primeiros trabalhos em 2003 e desde então mantém um delicado olhar sobre a cultura de seu país por meio de soluções visuais exuberantes. Suas grandes instalações já se destacaram quando foram expostas em cidades portuguesas como Porto e Lisboa. Para a mostra no Museu Afro Brasil, teremos a oportunidade de apreciar “Matéria do Esquecimento”. Já Teresa Braula, expoente artista no circuito europeu, apresenta suas investigações sobre o espaço e o lugar da memória.

 

Dentre os reconhecidos nomes da arte contemporânea portuguesa, o fotógrafo Jorge Molder apresenta a série “Dois Deles”, onde investigações sobre a auto representação se mesclam a própria presença do artista em meio a uma longa sequência de práticas reflexivas, sugerindo um complexo repertório visual.

 

Parcerias com galerias, colecionadores e os próprios artistas portugueses estão sendo importantes para a realização deste projeto, como é o caso da Galeria Filomena Soares, que possibilita conhecer importantes obras. Como a série de grandes painéis fotográficos “Explorers” do artista Didier Faustino e “Lookingback” da artista Helena Almeida, além da intrigante obra em vidro acrílico da artista Lourdes Castro e produções de Joaquim Rodrigo, Paula Rego e os desenhos em grafite de Pedro Barateiro.

 

 

 Homenagens

 

Simultaneamente a “Portugal Portugueses”, acontecerão no museu três homenagens póstumas a importantes personalidades portuguesas: Beatriz Costa, grande atriz de cinema e teatro, sua trajetória teve importante participação no teatro brasileiro; Rafael Bordalo Pinheiro, ceramista e caricaturista que criou importantes revistas no Brasil do século XIX, e também pelos 170 anos de seu nascimento; e Amadeo de Souza Cardoso, um pintor revolucionário, o Museu Afro Brasil apresenta uma reprodução dos desenhos do álbum XX Dessins, editados recentemente na exposição retrospectiva dedicada ao artista, realizada no Grand Palais de Paris.

 

Uma sala especial homenageará a artista portuguesa Maria Helena Vieira da Silva, que viveu no Brasil no período entre 1940 e 1947, convivendo com outros artistas europeus residentes no país, além de intelectuais e pintores brasileiros.

 

 

Encontro com os artistas

 

No dia seguinte à abertura da mostra, a instituição realiza um encontro com alguns dos artistas convidados, para um debate com o público sobre suas produções e questões tratadas pela exposição.

 

 

 

Até 08 de janeiro de 2017.

Individual de Maria Tomaselli

16/ago

A pintora e gravadora Maria Tomaselli exibe desenhos em pastel e acrílica sobre papel no StudioClio, Cidade Baixa, Porto Alegre, RS. A mostra, integra o “Projeto Quadro Branco”, uma parceria entre o Café Studio Clio, Cerveja Coruja e Museu do Trabalho.

 

 

Sobre a artista

 

Maria Tomaselli(Cirne Lima), nasceu em Innsbruck, Áustria. Veio para Brasil em 1965,morando e trabalhando entre Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Olinda. Estudou pintura com Iberê Camargo, gravura em metal com Eduardo Sued, Anna Letycia e Mario Doglio; iniciou escultura com XicoStockinger. Expôs individualmente inúmeras vezes em galerias de renome do Brasil e Europa. Participou das Bienais de São Francisco, Cuba, Maldonado, Áustria, São Paulo, San Juan e Mercosul, em Porto Alegre. Recebeu 19 prêmios e cinco destaques em salões do Brasil e exterior. Atualmente reside em Porto Alegre, onde freqüenta as oficinas de gravuras do Museu do Trabalho.

 

 

De 22 de agosto a 21 de outubro.

Coleções do MAM RIO

27/jul

Neste sábado, dia 30 de julho, o MAM Rio, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ, inaugura a grande exposição “Em polvorosa – Um panorama das coleções do MAM Rio”, com destaques de seu acervo, com obras de mais de 100 artistas, brasileiros e estrangeiros, selecionadas pelos curadores Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes. A mostra vai ocupar todo o segundo andar do Museu, incluindo o Salão Monumental, em uma área de quase 2.500 metros quadrados O curador quis mostrar para o público a joia arquitetônica que é o prédio do MAM, projetado em 1958 por Affonso Reidy, e retirou divisórias, permitindo ao público uma rara perspectiva do amplo espaço do segundo andar. De um extremo a outro do espaço, há 123 metros de extensão.

 

A primeira preocupação do curador foi a de escolher obras de qualidade inegável, as quais chama de highlights, como as de Pollock, Keith Hering, Brancusi, Giacometti, Lucio Fontana, Henri Moore, Rodin, Calder, Joseph Albers, Barry Flanagan, VittoAcconti, Antonio Dias, Cildo Meireles, Nelson Leirner, Ivens Machado, Waltercio Caldas, Antonio Manuel, José Damasceno, Artur Barrio, Regina Silveira, Willys de Castro, Hércules Barsotti, Lygia Clark e Hélio Oiticica.

 

E, também, privilegiar artistas “muito conhecidos, mas pouco mostrados”, como Anita Malfatti, que “tem desenhos a carvão lindos, pouco vistos”. As obras serão articuladas por aproximações estéticas e por épocas, com alas dedicadas aos anos 1920, com o modernismo, aos anos 1950/60, com o abstracionismo, o concretismo, o neoconcretismo, a nova figuração, e à arte contemporânea.

 

Na entrada do segundo andar do museu, estará um texto sobre a mostra e uma homenagem ao artista Tunga, falecido recentemente, junto ao trabalho que dá título à exposição, da série “Desenhos em polvorosa”, de 1996, em pastel seco sobre papel, pertencente à Coleção Gilberto Chateaubriand/MAM Rio. Um dos destaques da exposição é o conjunto reunido pela primeira vez de importantes instalações de artistas brasileiros: “Poeta/Pornógrafo”, de 1973, de Antonio Dias; “Alegria”, de 1999, de Adriana Varejão, “Cerimônia em três tempos”, de 1973, de Ivens Machado; “Ping-ping, a construção do abismo no piscar dos cegos”, de 1980, de Waltercio Caldas; “Fantasma”, de 1994, de Antonio Manuel (em sua versão original, montada em 2001; “Motim II”, de 1998, de José Damasceno; “Marulho”, de 1991, de Cildo Meireles, não vista no Rio de Janeiro desde sua primeira apresentação, no MAM, em 2002 e “Graphos 2” de 1996, de Regina Silveira. Serão apresentados, ainda; “De dentro para fora”, de 1970, de Artur Barrio; “Lute”, de 1967, de Rubens Gerchman.

 

Ao invés de textos explicativos, Fernando Cocchiarale optou por dar o contexto histórico do Brasil, para as obras de arte, por meio de fotografias dispostas em nove vitrines, de 1,70m cada, distribuídas pelo espaço expositivo. São registros do Brasil imperial, com nobres, escravos, etnográficos, do cotidiano, da vida política, ou ainda de grupos como garimpeiros, candangos e índios, de mais de 20 fotógrafos, de Franz Keller, Marc Ferrez, Jorge Henrique Papf, Martín Chambi, Alberto Ferreira Lima, Luis Humberto, Walter Firmo, Luis Brito, Milton Guran, Orlando Azevedo, Orlando Brito, Leopoldo Plentz, Duda Bentes, Carlos Terrana, André Dusek, Nino Rezendee AntonioDorgivan, entre outros.

 

“O território onde a imagem e a palavra se encontram é o fotojornalismo. É de sua natureza uma proximidade muito grande com a notícia, que é verbal. A foto é uma sobrenotícia. As coleções do MAM têm maravilhosas obras que podem ser consideradas fotojornalismo. Franz Keller mostra em 1870 índios cobertos artificialmente, porque eles não poderiam aparecer com ‘suas vergonhas’ à mostra, como disse Pero Vaz de Caminha, e foram adaptados à moral vitoriana. Papff tem umas fotografias incríveis de cafezais”, destaca.

 

Dentre as mais de 100 obras, estarão também as dos artistas Brecheret, Bruno Giorgi, Lygia Clark, Regina Vater, Diane Airbus, Marcia X(com “A cadeira careca”, seu último trabalho, feito em 2004 com Ricardo Ventura), Luiz Pizarro, Jorge Duarte, Carlos Vergara, Guilherme Vaz, Marcelo Moscheta e Jonathas de Andrade.

 

“Não acho que a arte tem que estar a serviço de nenhum discurso. Não há continuidade entre a experiência visual e discurso. Se eu e Fernanda Lopes “editarmos” bem, podemos criar um certo fluxo semântico com a exposição”, complementa Fernando Cocchiarale.

 

 

Até 06 de novembro.