Ars, Artis. Techne, Digitalis.

10/mar

O marchand Sergio Gonçalves abre exposição coletiva que aborda mídias digitais nos trabalhos de artistas brasileiros e estrangeiros. Vem do latim o nome da mostra que será apresentada a partir do dia 11 de março na Sergio Gonçalves Galeria, em uma casa na Alameda Gabriel Monteiro, Jardim América, São Paulo, SP.

“Ars, Artis. Techne, Digitalis.” segue o tema da edição deste ano da DW – Design Week de São Paulo,  “Mãos x Máquina”, destacando a interação entre tecnologia e criatividade na produção artística e no design contemporâneo. Nessa exposição, o marchand Sergio Gonçalves reúne artistas cujas obras provocam a reflexão sobre o impacto das mídias digitais nos tempos atuais. Em sua primeira participação na DW, a galeria reforça sua posição como um espaço de experimento na Arte Contemporânea, abrindo as portas para novas narrativas visuais, sempre em busca de inovação. Nesta curadoria, ele selecionou artistas que experimentaram e que ainda experimentam novas maneiras de expressão, unindo arte e tecnologia e criando um diálogo entre o toque humano e a precisão das máquinas. Nomes como Abraham Palatnik, Cruz-Diez e Martha Boto, por exemplo, que foram pioneiros com o uso de inovações, fazem parte desta seleção apurada, que conta ainda com Bruce Maclean, Julian Opie, Michael Craig-Martin, Vik Muniz e Toyota.

A palavrado curador.

Nosso objetivo é mostrar que, longe de substituir o artista, a tecnologia poder ser uma extensão da criativadade humana, ampliando possibilidades e transformando a maneira como percebemos a Arte e o Design, por exemplo.

Artistas participantes.

Abraham Palatnik, Alexandre Mazza, Bernard Pras, Bernardo Mora, Bruce Mclean, Catherine Yass, Cruz-Diez, Duda Rosa, Iván Navarro, Jê Américo, Julian Opie, Julio Le Parc, Martha Boto, Marcelo Magnani, Michael Craig-Martin, Sarah Morris, Vik Muniz, Yutaka Toyota.

Até 22 de março.

Um convite ao silêncio.

27/fev

A exposição de pinturas de Felipe Suzuki “E se a Lua for embora, o céu entenderá” encontra-se em seus últimos dias de exibição da Simões de Assis, Jardim Paulista, São Paulo, SP.

E se a Lua for embora, o céu entenderá

Conduzindo o olhar por um grupo de trabalhos que flertam com o gênero da paisagem e da natureza-morta, Felipe Suzuki impõe um estado de suspensão temporal onde memória e atualidade se dissolvem. Paira sobre a pele aveludada dos pêssegos, das pétalas de suas flores e do campo aberto de terrenos a esmo uma fina camada leitosa que dilata a apreensão da cena enquanto convida o olho a passear pelas rachaduras e caminhos da tinta. Se outrora a semelhante técnica do sfumato fora utilizada por mestres renascentistas para criar o artifício de uma “perspectiva aérea”, replicando as qualidades físicas da paisagem que se perde no horizonte, o uso adensado proposto por Suzuki inverte o sentido do realismo ótico para propor, em seu lugar, cenas movediças, onde a instabilidade da representação do objeto no meio pictórico mais se assemelha a sonho ou miragem. Produzidas mediante os usos de uma paleta de cores reduzida, em que o preto de marfim, o branco de titânio, o amarelo ocre e o vermelho sienna queimado são misturados e revirados ao avesso para a investigação de seus semitons e combinações, o artista produz um sistema que deriva de uma estrutura inicial. No cosmos que rege a sua produção, cria uma ordem de mônada, conceito-chave sugerido pelo matemático e filósofo alemão Gottfried Wilhelm Leibniz.

A sinestesia do silêncio

Suzuki explora a pintura a partir do instante e das múltiplas relações que ela estabelece com o espectador, criando profundidade e intensidade a partir do gênero da natureza-morta. A delicadeza se revela na sofisticação cromática e na representação dos objetos, enquanto a brutalidade surge na resolução prática de molduras feitas de pregos, unindo elementos antagônicos. Essa fusão captura as sutilezas do cotidiano, cristalizando-as em uma linguagem pictórica que transforma cenas comuns em representações carregadas de sensibilidade e nuances. Mesmo que, por vezes, figurativas, suas pinturas flertam com o abstrato devido ao jogo de cores que emplaca. A diversidade cromática que enxergamos em cada tela é, na verdade, resultado de um domínio técnico, permitindo que o artista manipule nossa retina ao fazer misturas com somente quatro tons. É nessa busca em expressar profundidade e contemplação que o artista pratica um resgate técnico clássico, em que a cor é uma sugestão e a singularidade é caracterizada por uma abordagem introspectiva e minimalista. Sua pintura é um convite ao silêncio, ao tempo pausado, onde cada elemento parece ser colocado com uma precisão pensada, dando ao espectador a chance de se perder nas sutilezas de suas composições. Ao mesmo tempo, carregam uma intensidade que emerge da simplicidade, convidando o público a contemplar o impacto do momento e da percepção, características tão presentes em sua produção.

Lucas Albuquerque e Luana Rosiello

Lugares na pintura de Emeric Marcier.

26/fev

A Galeria Evandro Carneiro Arte apresenta a exposição Lugares na pintura de Emeric Marcier que estará aberta ao público de 11 a 29 de março no Shopping Gávea Trade Center, salas 108 e 109.

Esta exibição traz 22 obras distribuídas em pinturas a óleo e aquarelas de Emeric Marcier que é considerado um dos mais importantes pintores modernos no Brasil. Artista romeno naturalizado brasileiro, esteve radicado no Brasil por quase meio século; dedicou grande parte de sua vida e obra à produção de pinturas de arte sacra, retratos, paisagens mineiras e aquarelas de paisagens europeias. A curadoria da exposição é de Evandro Carneiro.

Sobre o artista.

Emeric Marcier (Cluj 1916 – Paris 1990), um dos mais importantes pintores modernos do Brasil, nasceu em 21 de novembro de 1916, na Romênia. Judeu de origem, converteu-se ao catolicismo já no Brasil, por influência de seus amigos, Murilo Mendes, Jorge de Lima e Lucio Cardoso, que foi seu padrinho de batismo. De personalidade intensa, na primeira página de sua autobiografia, Deportado para a Vida (escrita entre 1988-1990 e publicada em 2004 pela Francisco Alves) se declara humanista e algo anarquista. Sua história confirma que a liberdade e a vocação artística sempre o guiaram. Aos 20 anos deixou Bucareste para estudar em Milão – na Academia de Belas Artes de Brera, onde após realizar a graduação, defendeu sua tese de final de curso sobre Picasso, em plena ascensão fascista. Com a deterioração das condições políticas na Itália, foi para a França, em 1939, onde montou um ateliê na Cité Falguière e cursou uma cadeira na Escola Nacional Superior de Belas Artes de Paris. Nesta cidade, conheceu e conviveu com muitos artistas, alguns dos quais continuaram amigos pela vida inteira, tais como os conterrâneos e surrealistas, Victor Brauner, Jacques Herold, Arpad Szenes, bem como a mulher deste, Maria Helena Vieira da Silva, portuguesa de origem. Quando a França entrou na guerra, foi para Lisboa, hospedando-se na casa de Arpad Szenes e Vieira da Silva, com a intenção de seguir para os EUA, destino de muitos judeus naquele momento. Em Lisboa trabalhou no ateliê do também surrealista António Da Costa. Relacionou-se com os escritores portugueses da época e ilustrou alguns números da Revista Presença, importante veículo de expressão dos intelectuais naquele momento. Com a negativa do visto para os Estados Unidos, resolveu partir para o Brasil. Em sua chegada ao Rio de Janeiro, em 1940, trouxe cartas de apresentação para José Lins do Rego, Mario de Andrade e Portinari. Logo nos primeiros momentos conheceu também Jorge de Lima e Lucio Cardoso que juntamente com José Lins do Rego, tornaram-se seus grandes amigos e o introduziram na vida intelectual carioca e teve a chance de realizar sua primeira exposição individual, no tradicional Salão do Palace Hotel, sede da Associação de Artistas Brasileiros. Guignard desistira de apresentar-se por ter tido uma de suas telas censuradas, retratando um fuzileiro naval negro. Assim, a sorte abriu-se para Marcier. A crítica foi muito favorável ao seu talento. Ainda um jovem artista surrealista europeu, mas já com prenúncios paisagísticos, como relata seu filho Matias (Depoimento oral à autora, em 2018): “em uma carta dirigida ao casal Arpad Szenes e Maria Helena Vieira da Silva (apelidada de “Bicho” por papai), na maneira como ele relata a viagem ao Brasil transparece o futuro paisagista…”.

Em 1942, o artista foi contratado pela Revista O Cruzeiro para fazer uma viagem às cidades históricas mineiras e compor uma reportagem ilustrada com suas telas. Uma edição histórica, com textos de Drummond, Aires da Matta Machado e outros.  Desde então, retratou o Brasil, a sua gente e seus costumes. As paisagens de Minas, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro foram diversas vezes pintadas por ele e a expressão de nosso barroco o marcou desde a primeira viagem a Minas. Ainda segundo Matias, “Marcier era o típico pintor viajante”, tendo representado muitos lugares da Europa, com foco especial para Itália, França e Portugal. Trazia sempre com ele sua caixa de aquarelas e seus blocos de papel especial para ir retratando os lugares e as pessoas que o marcavam pelo mundo afora. Retornou várias vezes aos mesmos lugares, para repintá-los em diversas épocas, como por exemplo a Toscana e a Normandia, que são muito recorrentes em sua obra, como demonstram as aquarelas ora expostas.

Em 1948, o artista fixou residência no sítio de Barbacena, onde criou, com Julita, os seus sete filhos. Tempos felizes com a família na casa que construiu para acalmar as dores do exílio e dedicar-se à sua arte. No ateliê rural de grandes proporções, investiu com todo o empenho em telas de grandes dimensões, com temas sacros, à luz do sofrimento da humanidade e realizou as suas espetaculares “Paixões de Cristo” e “Via Sacra”. Experimentou de forma ainda mais efetiva os seus estudos sobre a luz na obra de arte: “Tinha aplicado uma técnica onde procurava separar o branco do resto, tratando-o simplesmente como luz. Preparava tudo com um branco que eu mesmo triturava, conforme uma fórmula do tempo de Rembrandt. Perdi mais de 15 anos com essas pesquisas, onde o impulso criador sempre ficava entravado por uma ideia fixa. Pintar escuro, mas luminoso. (…)” (Marcier, 2004, p. 134). Uma luz que ele buscava incansavelmente e sempre o acompanhou, tal qual um típico renascentista. Segundo Affonso Romano de Sant’Anna: “Na verdade, nessas telas aí há um ponto de luz, que só os mestres sabem produzir.” (Sant’Anna, 1983, p.46). Ainda nas palavras de Affonso Romano, a Paixão tão pintada por Marcier é a sua e não somente a de Cristo. “Pois ele também está no tempo. Estar no tempo ou no templo é estar na axis da história, no coração do ser. No tempo estamos crucificados. No tempo estamos esquartejados pela paixão”. (Sant’Anna, 1983, p. 29-30). Como humanista declarado, os horrores da Segunda Guerra o afligiam e a confluência entre a história sagrada e a profana em sua pintura revelam “as mágoas de um exílio” (Marcier, 2004, p.97) e os “traços sumários exprimindo a dor” (Idem, p.105). Há algo demasiadamente humano que se expressa em meio às cenas bíblicas pintadas, como os aviões da Segunda Guerra Mundial na obra Torre de Babel (1947) da Capela de Mauá (SP) e os capacetes modernos – lembrando os de soldados fascistas – dos guardas que prendem Jesus Cristo. Ou, ainda, quando ele mesmo surge retratado em seu Ecce Homo (1982/1983). Ao longo dos anos, Marcier fez dezenas de exposições individuais no Brasil e no mundo, mas destacamos aqui a mostra inaugural da Galeria Relevo, em 1961, com a temática dos 25 anos de seus desenhos. Famoso por suas pinturas sacras (Marcier é considerado o mais importante pintor sacro do Brasil), o artista foi um grande paisagista. Além de pintar em suportes de grandes dimensões, ele também aquarelava as paisagens por onde passava, em formatos menores. A exposição que ora se realiza pela Galeria Evandro Carneiro Arte selecionou um conjunto dessas aquarelas, além de alguns óleos importantes de paisagens típicas do pintor.

Laura Olivieri Carneiro, fevereiro de 2025.

Livro sobre Rodrigo Sassi.

25/fev

A publicação monográfica da obra de Rodrigo Sassi recebeu seu lançamento após dois anos de produção. O livro apresenta ao público uma retrospectiva dos 12 anos de carreira do artista.

O projeto foi organizado por Pollyana Quintella, curadora da Pinacoteca de São Paulo, e tem design assinado pela Casa Rex. A produção do livro é da Central e edição da WMF Martins Fontes. Agnaldo Farias, curador e professor da FAU-USP, Ana Avelar, curadora e professora da UnB, Cauê Alves, curador-chefe do MAM-SP, Francesca Hughes, teórica inglesa especializada em arquitetura moderna, e Leandro Muniz, curador-assistente do MASP, assinam textos inéditos sobre a obra de Sassi.

O lançamento aconteceu na Casa de Cultura do Parque, em São Paulo marcando o encerramento da exposição “Ninho Duro” (2024) de Rodrigo Sassi, onde o artista apresenta instalação homônima pensada especialmente para o espaço do centro cultural. No evento, o artista reúne-se com Pollyana Quintella para uma conversa mediada pela curadora independente e coordenadora de comunicação da Casa, Giovanna Bragaglia.

Jovem artista premiado.

24/fev

 

Lorenzo Muratório recebeu o prêmio de viagem da Aliança Francesa de Porto Alegre e rumou com destino à La Rochelle na França onde realiza exposição individual de cerêmicas no Centre Intermondes até 21 de março. O artista foi saudado com muito entusiasmo pela crítica.

A exposição é o resultado de uma residência artística de dois meses realizada em La Rochelle no âmbito do 7º Prêmio Alliance Française de Arte Contemporânea coorganizado pela Alliance Française de Porto Alegre, Fundação Iberê Camargo e Intermondes – Ocean Humanities.

Trata-se de um encontro com a arte e a imaginação. Uma experiência imersiva onde cada sala de exibição funciona como um portal para um universo profundo e misterioso.

Abre Alas 20 na A Gentil Carioca

21/fev

Junte-se a nós no dia 22 de fevereiro, sábado, a partir das 18h, para a abertura do ABRE ALAS 20, uma exposição histórica que há duas décadas inaugura o calendário de exposições d’A Gentil Carioca no Rio de Janeiro, sendo uma importante plataforma para artistas do Brasil e exterior. A cada edição, novos artistas são selecionados por meio de uma chamada aberta e um comitê curatorial, garantindo um panorama da produção contemporânea e promovendo um diálogo vibrante entre diferentes culturas, linguagens e expressões artísticas.

Este ano, a curadoria é de Ana Carolina Ralston, Bianca Bernardo, Catarina Duncan, Thayná Trindade e Georgiana Rothier. Juntas, elas selecionaram 34 artistas entre 607 portfólios, que refletem os diferentes contextos e linguagens da arte contemporânea, compondo uma exposição plural e diversa. Participam desta edição:

Almeida da Silva, Amori, ANTi, Asmahen Jaloul, Badu, Blecaute, Bruno de Souza, Carolina Marostica, Cecilia Avati, Dandara Catete, Helena Rodrigues, João Machado, Ju Morais, Lucas Ururahy, Lui Trindade, Ma Konder, Matheus de Simone, Mayra Sergio, Mônica Barbosa, Naia Ceschin, Natalia Quinderé, Perola Santos, Rainha F, Shay Marias, Sophia Pinheiro, Stefanie Queiroz, Tayná Uraz, Thais Basilio, Thais Borducchi, Thaís Muniz, Trompaz, Vix Palhano, Waleff Dias e Washington da Selva.

Ao longo desses 20 anos, mais do que uma exposição, o Abre Alas se tornou um lugar de festa, encontro e experimentação. Além da exposição coletiva e do tradicional concurso de fantasias, o evento contará com uma programação de performances artísticas e sets de DJs: o duo Baixa Santo Sound System e Myra Mara, integrante do coletivo XÊPA.

A obra de Agrade Camiz em Madrid.

19/fev

Para a ARCOmadrid 2025, A Gentil Carioca apresenta uma seleção de obras da artista Agrade Camíz. A mostra faz parte do programa PROFILES | Latin American Art of ARCOmadrid 2025, curado por José Esparza Chong Cuy.

Nascida no Rio de Janeiro em 1988, a artista desenvolve desde 2011 sua pesquisa em pintura, iniciada nas ruas e posteriormente expandida para instalações, vídeo arte e fotografia. Seu trabalho disseca o banal e o quase invisível, revelando camadas profundas entre figurações, abstrações e geometrias que confrontam narrativas estabelecidas. Utilizando signos de habitações populares, Agrade redefine espaços e conceitos, criando novos lugares. Sua obra se destaca pela densidade e pelas múltiplas camadas que refletem o caos e as intimidades desses territórios geográficos e corporais.

A solo, intitulada “Onde o vento faz a curva”, fala de movimento, de um trajeto não linear, de algo que se molda ao caminho. Como o Sankofa (símbolo adinkra, que significa “voltar para buscar”), o olhar retorna ao passado para orientar o futuro. Para Agrade Camiz, mais que a memória, importa o atravessamento em sua totalidade. O gesto torna-se mais direto, a cor se impõe antes da forma e a expande, enquanto o desenho se ajusta ao próprio ritmo, criando novos contornos para o encontro entre superfícies e o atrito entre as cores.

Penduradas como bandeiras, como roupas que secam, que respiram e se movem, sem rigidez, a escolha de instalação das obras pela artista reforça o vínculo com a materialidade das ruas e das habitações populares, onde as imagens se moldam ao entorno, absorvendo marcas do tempo e de suas vivências. As obras traduzem sua reflexão. A maioria não se fixa, atravessam, criam caminhos, exigem um olhar que se mova junto.

A palavra da artista.

“Quero que a minha pintura neste solo dialogue com o corpo de quem passa por ela, que o olhar não seja só de quem observa, mas de quem participa. Porque, no fim, meu trabalho sempre foi sobre estar dentro, fora, e o que acontece nesse intervalo, onde o vento faz a curva”.

Primeiro ano de atividades culturais.

18/fev

Um dos projetos mais relevantes, a exposição imersiva  “Café ATRAVÉS DOS SENTIDOS” terá palestra de João Candido Portinari no dia 20 de fevereiro, com finissage. Concluindo um ano desde sua abertura em fevereiro de 2024, o Polo Cultural ItalianoRio se tornou espaço cultural permanente no Centro do Rio, fortalecendo a requalificação urbana no âmbito do projeto municipal “Reviver o Centro”. Como o próprio nome indica, a proposta é divulgar a influência italiana na formação cultural, social e econômica do Rio de Janeiro. Tendo recebido quase 30 mil pessoas, o Polo já abrigou importantes eventos, destacando-se a celebração dos 150 anos da imigração italiana. Quem fecha a agenda de palestras gratuitas no dia 20 de fevereiro, às 18h, é João Candido Portinari, que irá abordar “Portinari e o Café”, esmiuçando a arte que celebra o trabalho e a cultura brasileira e italiana. Seu pai, Candido Portinari, tem um painel reproduzido em uma das paredes do espaço.

Plano anual e nova identidade visual.

Com produção da Artepadilla, o projeto prevê exposições temporárias, eventos, publicações de livros e manutenção do espaço cultural. Contando com aportes de patrocínio da TenerisConfab, do Grupo Autoglass, do Instituto Cultural Vale e da Generali Seguros, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, e incentivos diretos da TIM Brasil, além de recursos próprios, o objetivo é fortalecer as relações culturais entre Brasil e Itália nas áreas de artes, design, literatura e línguas.

Sobre a exposição “Café ATRAVÉS DOS SENTIDOS”.

Produzida pela Artepadilla através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e com idealização e curadoria de Josefina Durini, “Café ATRAVÉS DOS SENTIDOS” ocupa o andar térreo e o mezanino, contemplando temas abrangentes com a finalidade de proporcionar uma experimentação completa em vários níveis. A escolha do local, na Casa D’Italia, centro da cultura italiana no Rio, não poderia ser mais adequada, dando os devidos créditos à imigração italiana e sua contribuição ao desenvolvimento do café no Brasil, no ano da comemoração dos 150 anos da chegada da primeira leva de imigrantes italianos, recorrência homenageada pelo painel do grafiteiro Bruno Big, presente no espaço, com representações sobre o café. Com sua excelência na arte da inovação, foram empresários italianos os criadores do café expresso. Desde os primórdios, em 1883, até hoje, a tecnologia e design italianos vêm sempre se aprimorando para produzir os melhores maquinários para realizar o “expresso” mundialmente consumido.

“O que se sente não se esquece”, enfatiza a curadora e idealizadora do projeto, Josefina Durini, com a expertise de quem cultiva café especial orgânico certificado em sua fazenda situada no Vale do Café fluminense, em Barra do Piraí. “O Brasil foi, e ainda é, o maior produtor e exportador mundial do grão, por isso quisemos apresentá-lo de maneira nunca antes vista”, completa ela, que também é responsável pela concepção da mostra.

 Sobre João Candido Portinari.

João Candido Portinari é Ph.D. pelo Massachusetts Institute of Technology – MIT. (Antes de ingressar no MIT, cursou o Lycée Louis-Le-Grand e a École Nationale Supérieure des Télécommunications, em Paris, onde se formou como Engenheiro de Telecomunicações). A convite da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio, regressa ao Brasil, em 1967, após dez anos no exterior. Passa a integrar o quadro docente da PUC-Rio, como professor em tempo integral e dedicação exclusiva. Foi um dos fundadores do Departamento de Matemática da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio, do qual foi Diretor de 1968 1970. Em 1979, após 13 anos de atividades de pesquisa, ensino e administração desenvolvidas em tempo integral no Departamento de Matemática da PUC-Rio, o Professor Portinari concebeu e implantou o Projeto Portinari, trabalho universitário de equipe multidisciplinar, empenhado no levantamento, catalogação, pesquisa e democratização de um vasto acervo documental sobre a obra, vida e época do pintor Candido Portinari (1903-62). É também Presidente da Associação Cultural Candido Portinari, sucedendo ao seu primeiro Presidente, o Professor Afonso Arinos de Mello Franco. A ele foram outorgados prêmios e honrarias, como Prêmio Jabuti, concedido pela Câmara Brasileira do Livro; Prêmio Sérgio Milliet, concedido pela Associação Brasileira de Críticos de Arte; Prêmio Rodrigo de Mello Franco, concedida pelo IPHAN; Prêmio CLIO de História, concedido pela Academia Paulistana da História; Personalidade a do Ano (2012), pela Associação Brasileira de Críticos de Arte; Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo Governo Federal. Ordem da Defesa, concedida pelo Ministério da Defesa; Medalha Marechal Cordeiro de Farias, concedido pela Escola Superior de Guerra; Ordem da Stella d’Italia, concedida pela Presidência da República da Itália; Medalha da Ordem Nacional do Mérito Científico, Categoria Grã-Cruz (2023), outorgada pela Presidência da República

A poética de Tunga.

17/fev

Segue em cartaz até 08 de março no Instituto Ling, Bairro Três Figueiras, a exposição “A poética de Tunga – uma introdução”.

Com curadoria de Paulo Sergio Duarte, a mostra apresenta uma seleção de mais de 60 obras bidimensionais e esculturas de diferentes fases, grande parte delas inéditas, expondo temas e conceitos que atravessam toda a poética do artista.

Esta é a primeira exposição individual de Tunga na cidade de Porto Alegre, considerado uma das figuras mais emblemáticas da cena artística nacional.

 

Dois artistas no Balneário Camboriú.

A exposição com abertura no dia 20 de fevereiro na Simões de Assis, no Balneário Camboriú. SC, apresenta um diálogo entre as obras de Julia Kater e Deni Lantz, cujas produções se encontram na intenção sobre a figura. Na relação quase tátil que ambos estabelecem com a cor, os ciclos do dia e suas oscilações entre claridade e escuridão tornam-se alegorias mediadas pelas pinceladas e composições selecionadas. Sejam nas colagens e recortes fotográficos de Kater, ou nas pinceladas enceradas de Lantz, o que instiga o recorte curatorial é a proposição imersiva em uma fenomenologia da cor, partilhada na experiência sensível de suas poéticas.

Até 12 de abril.