Exposição de Tunga em NY

16/jan

 

Apresentar um resumo histórico da obra de Tunga através de trabalhos criteriosamente selecionados foi o objetivo que conduziu o projeto dessa exposição intitulada “Vê-nus” a primeira mostra do artista em cartaz até 25 de fevereiro na galeria Luhring Augustine em Nova Iorque desde sua morte em 2016. Com mais de 60 trabalhos, muitos deles inéditos, a exposição é uma síntese retrospectiva que apresenta as relações e desdobramentos que se metamorfoseiam desde a década de 1970 – Tunga realizou sua primeira individual em 1974 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) -, e até um pouco antes do seu falecimento.

Além do desenho – ao qual se dedicou durante toda sua vida -, sua inquietude artística o levou a outras práticas artísticas e os trabalhos reunidos em “Vê-nus” nos revelam a dimensão de seus múltiplos interesses que transitavam livremente por diversas áreas do conhecimento, como arte, literatura, ciência e filosofia, e que se integravam todas no seu singular imaginário erótico. “Essa erudição produtiva, fluída, inclassificável, se expandia e se fixava em cada ideia e de obra a obra. Esse domínio refinado de interesses deu à obra de Tunga um ar precioso, longamente elaborado e destinado à permanência”, observa Paulo Venancio Filho, curador da exposição.

O espaço expositivo apresenta alguns dos momentos mais significativos da trajetória do artista, sem qualquer tipo de hierarquia ou cronologia, fiel ao seu pensamento contínuo, circular, sempre se ampliando mais e mais. Estão presentes desde seus primeiros desenhos abstratos quando era um jovem de menos de vinte anos, passando por “Vê-nus”, sua intrigante versão do nu da deusa da beleza da antiguidade, pelos importantíssimos “Eixos Exógenos” onde o perfil feminino recortado de um tronco de madeira joga com a alternância entre figura e fundo, até sua última série de desenhos, “From La Voie Humide” e as esculturas da série “Morfológicas”.

Como poucos artistas contemporâneos, Tunga (1952-2016) explorou as mais diversas mídias e materiais, – como imãs, vidro, feltro , borracha, dentes, ossos – impregnando-os de uma estranheza poética, não familiar e, através de sua peculiar prática metamórfica, propunha experiências e práticas artístico/poéticas díspares, heterogêneas e heterodoxas. Seus trabalhos buscam explorar tanto o apelo simbólico e físico dos materiais como sua articulação plástica e poética, e se encontram lado a lado a sua intensa obsessão pelo desenho. Sobretudo, o desenho nunca foi para ele apenas um esquema ou projeto, mas uma realização em si, indissociável e fundamental para a produção e compreensão da totalidade do trabalho. O desenho como raciocínio e realização está presente em “Vê-nus” em toda a sua extensão e relação com os trabalhos tridimensionais.

A interação metabólica em constante dinâmica e mutação, entre mídias e materiais que se apresentam ao longo de quase meio século, é a característica fundamental de Tunga que a exposição enfatiza, percorrendo sua extensão num conjunto de trabalhos que vão do início ao fim de sua obra e vice-versa, dobrando-se sobre si mesmo em cada um e em todos os seus momentos.

Grande parte da obra do artista que se encontra nesta mostra está sob a guarda do Instituto Tunga, que tem a responsabilidade de manter, divulgar e resguardar seu legado. “O Instituto Tunga vem trabalhando intensamente na catalogação das obras deixadas pelo meu pai. As obras em papel constituem uma base muito importante do pensamento tunguiano, através delas percebemos como as idéias surgiram e passaram por todo um processo evolutivo até se desdobrarem em esculturas, performances, instalações ou instaurações, como ele gostava de chamar”, diz Antônio Mourão, filho do artista e diretor do Instituto Tunga. E como afirma Clara Gerchman, co-fundadora e gestora do acervo do Instituto Tunga; “…esta exposição é uma oportunidade única de poder descobrir e trabalhar diretamente com o acervo do artista. Ele nos deixou um legado imenso que vai muito além das tão conhecidas esculturas e instalações, e revela contínua prática do desenho. Nesse sentido “Vê-nus” e suas afinidades é um marco”.

Dentro da programação de abertura, o curador da exposição Paulo Venancio Filho e a curadora de Arte Contemporânea do New Museum, de Nova Iorque, Vivian Crockett, conversam sobre a formação, referências e as expressões poéticas do artista. Este evento aconteceu na Luhring Augustine Tribeca, no dia 14 de janeiro, às 15h.

 

 

34ª Bienal de São Paulo – Faz escuro mas eu canto

15/dez

 

Abertura da 34ª Bienal em Arles, na França com obras de Regina Silveira, Noa Eshkol, Carmela Gross e Daiara Tukano, artistas que estarão na itinerância da 34ª Bienal de São Paulo em Arles.

No dia 16 de dezembro, o programa de mostras itinerantes da “34ª Bienal de São Paulo – Faz escuro mas eu canto” desembarca em seu último destino: a cidade de Arles. A exposição fica em cartaz até 05 de março de 2023 e foi realizada e produzida pela Fundação Bienal de São Paulo em parceria com o LUMA Arles, com apoio da Fundação ENGIE.

A mostra, com curadoria de Jacopo Crivelli Visconti e Vassilis Oikonomopoulos, é organizada a partir dos enunciados “A ronda da morte de Hélio Oiticica”, “Cantos Tikmũ’ũn”, “O sino de Ouro Preto” e “Os retratos de Frederick Douglass” e conta com trabalhos de Alice Shintani, Amie Siegel, Carmela Gross, Daiara Tukano, Gala Porras-Kim, Jaider Esbell, Manthia Diawara, Naomi Rincón Gallardo, Noa Eshkol, Regina Silveira, Seba Calfuqueo, Sueli Maxakali, Victor Anicet e Zózimo Bulbul. Na abertura da exposição e no dia seguinte, Seba Calfuqueo realizará uma performance inédita. Não deixe de conferir o registro em nossas redes sociais.

O LUMA Arles é localizado no Parc des Ateliers, um parque industrial construído no século 19 voltado à manutenção e construção de locomotivas. Remodelado, desde 2013 ele é voltado a atividades culturais.

Saiba tudo sobre as itinerâncias em nosso site.
34ª Bienal de São Paulo – Faz escuro mas eu canto
Programa de mostras itinerantes

LUMA Arles
Arles (França)
16 de dezembro de 2022 – 05 de março de 2023
Les Forges, Parc des Ateliers
35 avenue Victor Hugo
13200 Arles

Parceria no New Museum

26/out

 

Vivian Caccuri, em parceria com o artista Miles Greenberg, inaugura a exposição “The Shadow of Spring” dia 11 de novembro no New Museum, em Nova Iorque, com curadoria de Bernardo Mosqueira.

Os artistas Miles Greenberg nascido em 1997, Montreal, Canadá, e Vivian Caccuri nascida em 1986, em São Paulo, Brasil, colaborarão pela primeira vez em uma exposição projetada exclusivamente para a Galeria do Lobby do New Museum.

“A Sombra da Primavera” investiga o fenômeno da vibração e como ela é capaz de gerar experiências coletivas transformadoras. Apresentando esculturas, instalações, peças de bordado e trabalhos sonoros recentemente encomendados e desenvolvidos separadamente e em colaboração. Esta instalação formará um ambiente abrangente criado para provocar formas alternativas de experimentar a dimensão sonora. Inspirados em como diferentes ritmos e frequências podem afetar a dinâmica do grupo (como em templos, pistas de dança e espaços urbanos), Vivian Caccuri e Miles Greenberg analisam as relações multifacetadas entre corpos e ondas sonoras. Com obras que apontam para as dimensões invisíveis da vida e da subjetividade, esta apresentação destacará os laços invisíveis que nos conectam uns aos outros,

 

Visitação até 05 fevereiro de 2023.

 

 

Exibição de Maxwell Alexandre

19/out

 

A Gentil Carioca – São Paulo e Rio de Janeiro – apresenta, para a Paris+ par Art Basel (stand F10), o solo de Maxwell Alexandre. As obras compõem a série Novo Poder, um desdobramento de “Pardo é Papel”, feito para explorar a ideia da comunidade negra dentro dos templos consagrados para contemplação de arte: galerias e museus. Entendendo a arte contemporânea como um campo de elite que concentra um grande capital financeiro e intelectual, a série busca chamar atenção da comunidade negra para esses espaços que legitimam narrativas na história. A série trabalha apenas com três signos básicos, sendo eles o preto (personagens), o branco (“cubo branco” ou espaço expositivo) e o pardo (arte).

 

 

Ensacamento

03/out

 

Depois de dez anos da última individual do grupo no Centro Cultural São Paulo, os trabalhos do 3NÓS3 voltam a ocupar a cena artística, num momento de grande movimentação política, com individual até 05 de novembro na Galeria Jaqueline Martins, Vila Buaque, São Paulo, SP.

O coletivo formado por Hudnilson Jr. (1957-2013), Mario Ramiro (1957) e Rafael França (1957-1991), com atuação entre 1979 e 1982, teve um importante papel na arte brasileira no período de reabertura democrática, ao final da Ditadura. Para aquela geração de artistas a arte do momento era alternativa, marginal, underground, de contestação e derivada da contracultura dos anos 1960.

Em 1979, 11 anos depois do fim do Tropicalismo e do decreto do AI-5, uma arte urbana coletiva e crítica ressurgia com força no Brasil, quando o 3NÓS3 realiza suas intervenções urbanas esteticamente marginais – como o ensacamento de monumentos públicos da cidade de São Paulo – ao lado da crítica cultural e de intervenção na mídia.

A mostra exibe um conjunto de obras criadas ao longo dos três anos de atividade do grupo e reintroduz seu trabalho a uma nova geração de público, evidenciando a relevância de sua produção 40 anos depois de sua criação. São intervenções urbanas, fotografias, vídeos e arte postal que circularam também virtualmente, como informações pelos meios de comunicação, parte essencial dos trabalhos do grupo.

“O trabalho do 3NÓS3 tem uma capacidade fantástica de se manter atualizado. Toda a produção deles foi, em si, uma posição política de resistência. É uma arte de guerrilha: artistas que criaram ferramentas para driblar a opressão, a caretice e o conservadorismo político e social. Hoje estamos na mesma, e os artistas estão criando suas ferramentas novamente para driblar essa censura”, conta a diretora e fundadora da galeria, Jaqueline Martins.

A exposição também acontece simultaneamente em Zurique sob o título 3Nós3, Rafael França, Hudinilson Jr., Mario Ramiro – Above all, They Had No Fear of Vertigo, a partir do dia 28 de outubro, na galeria Peter Kilchman.

 

Exposição em Portugal

20/set

 

A exibição de “Rivane Neuenschwander: Sementes Selvagens” é a primeira exposição individual da artista em Portugal, no Museu de Serralves, Porto, centrando-se no seu mais recente filme – “Eu sou uma arara” (2022) – que terá a sua estreia mundial em Serralves.

 

Realizado em colaboração com a cineasta Mariana Lacerda, este média-metragem é uma crítica e reflexão sobre o impacto do desmatamento da Amazônia sobre seus povos indígenas, em um momento de particular tensão política e social. Este trabalho também é fruto de um longo período de pesquisa e de uma série de ações em São Paulo, onde dezenas de figuras inspiradas na flora e fauna do Brasil desfilaram pelas ruas da cidade.

 

Herdeira do legado histórico das vanguardas do pós-guerra, do Neoconcreto à Tropicália, Rivane Neuenschwander (n. 1967) é um dos nomes mais celebrados da arte contemporânea brasileira. Em seu trabalho, a artista utiliza diversos suportes e mídias para criar um universo único explorando narrativas sobre temas diversos, como linguagem e tempo, literatura e cultura popular, psicanálise e arte, natureza e sociedade, política e filosofia, medo e desejo. Uma de suas obras mais icônicas, “Eu desejo o seu desejo” (I Desire Your Desire) de 2003, uma coletânea de “desejos” que lembram “Senhor do Bonfim Fitas/pulseiras de desejo brasileiro”, serão colocadas na Capela da Vila de Serralves. A exposição tem curadoria de Inês Grosso, curadora-chefe do Museu de Arte Contemporânea. Desde 20 de setembro.

 

Beatriz Milhazes em NY

 

Na sua primeira exposição em Nova York em mais de uma década, Beatriz Milhazes apresenta “Mistura sagrada” na Pace Gallery, apresentando dez novas pinturas e uma escultura móvel em grande formato. Os motivos florais e geométricos de Milhazes – entre arabescos e mandalas – têm um aspecto cinético que leva a uma experiência ampliada da pintura, criando uma atmosfera em movimento que extrapola a bidimensionalidade do plano.

Até 29 de outubro.

 

 

Felipe Cohen em Portugal

14/set

 

 

Em “Sistemas para o poente”, Felipe Cohen apresenta a partir de 17 de setembro na Kubikgallery, Porto, Portugal, um conjunto de pinturas da série “Pálpebras” e duas vitrines. A exposição procura trabalhar o fenômeno da reflexão como elemento ao mesmo tempo construtivo e simbólico. Nas pinturas isso se dá a partir da articulação de formas circulares com linhas horizontais que as atravessam sugerindo diferentes possibilidades espaciais de paisagens de poentes. Já nas vitrines, a reflexão entra como um elemento fanstasmagórico que se relaciona com formas e espaços concretos criando situações espaciais que sugerem diferentes estados dos materiais que as constituem.

 

A prática de Felipe Cohen se desenvolve a partir da tensão entre as formas tradicionais e contemporâneas de dispor o objeto artístico e do estudo e resgate de problemáticas recorrentes na história da arte com intuito de reinterpretar e atualizar seus sentidos no presente. Essa tensão ocorre por meio da articulação de materiais nobres com objetos banais de uso cotidiano, criando, assim, tanto formas paradoxais que são obrigadas a conviver intimamente, quanto atualizações simbólicas de signos e gêneros clássicos em um processo dialético.

 

Sobre o artista

 

Graduado em Desenho e Escultura pela Fundação Armando Álvares Penteado, São Paulo, SP, apresentou individuais na Galeria Millan, São Paulo, SP (2013, 2016 e 2019); Kubikgallery, Porto, Portugal (2017); Arco Madrid, Espanha (2016); Capela do Morumbi, São Paulo, SP (2013); Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo, SP (2006), entre outros espaços.

 

 

Os gêmeos na Espanha

06/set

 

O Centro de Arte Contemporânea de Málaga apresenta a primeira exposição individual em museu na Espanha de OSGEMEOS, a dupla de artistas formada pelos gêmeos Otávio e Gustavo Pandolfo. A exibição de “OSGEMEOS: Quando as folhas ficam amarelas”, com curadoria de Fernando Francés, está composta por uma seleção de mais de vinte obras realizadas entre 2006-2022, que será inaugurada no dia 07 de setembro. A exposição com pinturas e uma instalação inédita com a música como protagonista, convidam o espectador a entrar em um mundo imaginário criado por essa dupla de artistas, onde se dá o desenvolvimento de suas histórias e a criação de seus personagens.

 

Sobre os artistas

 

OSGEMEOS, os gêmeos Otávio e Gustavo Pandolfo (São Paulo, Brasil, 1974) quando crianças, desenvolveram uma forma diferente de brincar e se comunicar através da linguagem artística até que, por influência do hip-hop e da cultura brasileira durante a década de 1980, começaram a usar a arte como forma de compartilhar seu universo dinâmico e mágico com o público.

 

Suas exposições individuais incluem In the Corner of the Mind, Lehmann Maupin, Londres, Reino Unido (2022); OSGEMEOS: Segredos, Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Brasil (2021); OSGEMEOS: Segredos, Pinacoteca de São Paulo, São Paulo, Brasil, (2020); In Between, Frist Center for Visual Arts, Nashville, Tennessee (2019); Déjà Vu, Lehmann Maupin, Hong Kong, China (2018); Silêncio da Música, Lehmann Maupin, Nova York, EUA (2016); A ópera da lua, Galeria Fortes Villaça, São Paulo, Brasil (2014); osgemeos, Instituto de Arte Contemporânea, Boston, Massachusetts (2012); Fermata, Museu Vale, Espírito Santo, Brasil (2011); Pra quem mora lá, o céu é lá, Museu Colecção Berardo – Arte Moderna e Contemporânea, Lisboa, Portugal (2010); Vertigem, Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Brasil (2008); As Flores deste Jardim meus Avós Plantaram, Museu Het Domein Sittard, Sittard, Holanda (2007); O peixe que ate cadente stars, Galeria Fortes Vilaça, São Paulo, Brasil (2006) ou Pavil, Luggage Store Gallery, San Francisco, Califórnia (2003), entre outros. Seus projetos incluem HangarBicocca, Milão (2016); Conexões Paralelas, Times Square Arts: Midnight Moment, Nova York (2015); Wynwood Walls, Miami (2009); Tate Modern, Londres (2008) e Creative Time, Nova York (2005). Suas obras podem ser encontradas em várias coleções públicas, como The Franks-Suss Collection, Londres, Reino Unido; Museu de Arte Moderna, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Brasileira, São Paulo, Brasil; Museu Casa do Pontal, Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Arte Contemporânea, Museu de Arte de Tóquio, Tóquio, Japão; Museu de Arte de Porto Rico, Santurce, Porto Rico, entre outros.

 

 

 

Os vazios na arte em vidro

31/ago

 

 

Emanuelle Spack informa que a primeira edição da Bienal Internacional Ibero-Americana de Arte em Vidro conta com a participação de Désirée Sessegolo, artista curitibana. O evento acontece entre os meses de agosto e outubro na Costa Rica e apresenta obras de mais de 240 artistas de 27 países.

 

Texto de Emanuelle Spak

 

A primeira edição da Bienal Internacional Ibero-Americana de Arte em Vidro, que será realizada na Costa Rica entre os dias 28 de agosto e 23 de outubro, é um evento que exibe várias exposições em Cartago, San José, Alajuela e Puntarenas, além de contar com uma movimentada agenda de workshops, palestras e desfiles.

 

Désirée Sessegolo é uma das artistas convidadas e exibirá a obra “Vazios”, uma escultura em vidro translúcido azul em suporte de metal e um “Vestido de Vidro” feito com centenas de vidros translúcidos criando um aspecto que pode ser associado à água, um dos bens mais preciosos da natureza, que será apresentado no Glass Fashion Show. São duas obras em composições diferentes trabalhadas com a mesma técnica. Com suas características particulares revelam contornos ligados à natureza, à vida e à espiritualidade.  O convite para expor na primeira edição da Bienal Internacional Ibero-Americana de Arte em Vidro é muito significativo, pois consolida o reconhecimento do trabalho desta curitibana na arte do vidro e agrega valor à produção artística brasileira. Junto com Désirée participam deste evento, também como convidadas, outras duas artistas brasileiras: Jaqueline Noleto e Cristine Baena. “É uma honra representar o Brasil em uma Bienal desta magnitude e poder expor meu trabalho com o vidro, pois, desejo com a minha obra evidenciar a existência do vazio. Hoje as pessoas estão muito ligadas à matéria e esquecem do vazio, da alma, da espiritualidade.”, destaca Désirée.

 

O fascínio de Désirée pelo trabalho com vidro completa 15 anos dedicados a criar obras de arte com dimensões vazadas. Na composição de suas peças a artista utiliza fragmentos de vidro que, sob ação de altas temperaturas, fluidificam e se movimentam buscando um equilíbrio físico originando assim composições em formas orgânicas compostas por espaços vazios que caracterizam o seu trabalho. “Minha obra evidencia a existência do vazio, com leveza e suavidade”, ressalta a artista que concorda com o pensador e escritor Rubem Alves em sua citação: “o vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Os homens querem voar, mas temem o vazio. Não podem viver sem certezas. Por isso trocam o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram”.

 

O caráter inovador desse novo modo de trabalhar o vidro colocou a obra de Désirée Sessegolo entre os artistas vidreiros da contemporaneidade, comentou o crítico italiano Jean Blanchaert em sua palestra no Salão Arte em Vidro Brasil 2022, realizado em Curitiba no mês de julho deste ano. Para Désirée, explorar os vazios passou a ser um exercício de liberdade que a tem conduzido a voos nunca imaginados pelo mundo das artes visuais. Quem está à frente da curadoria do trabalho artístico de Désirée é a produtora de eventos culturais Edilene Guzzoni. A participação de Désirée Sessegolo na Bienal conta com o apoio da Embaixada Brasileira na Costa Rica que patrocinou a viagem da artista vidreira.

 

Sobre a artista

 

Désirée Sessegolo é designer e artista vidreira. Seu trabalho é reconhecido pelo Museu Alfredo Andersen, Casa João Turin, Museo del Vidrio de Bogotá, International Biennale of Glass na Bulgária e The Venice Glass Week na Itália dentre mais de 50 mostras, salões e prêmios que participou em 15 anos dedicados à arte do vidro. A denominação “Vidro Celular”, técnica exclusiva da designer e artista visual, se define pelo seu processo de fusão, onde as partículas de vidro se movimentam buscando um equilíbrio físico, originando texturas orgânicas compostas por espaços vazados que remetem a texturas celulares.