Superfícies veladas e luminosas.

A Galatea apresenta “Gabriel Branco: A luz sem nome”, primeira individual de pinturas do artista paulistano Gabriel Branco (1997, São Paulo), na unidade da galeria em Salvador. A mostra ocupa o espaço expositivo do Cofre na galeria e inaugurou o programa de 2026 na capital soteropolitana junto da coletiva Barracas e fachadas do nordeste, colaboração da Galatea com a Nara Roesler.

A exposição reúne 10 pinturas inéditas, realizadas em 2025, e conta com texto crítico do pintor Paulo Monteiro. Nesta série, Gabriel Branco aprofunda uma pesquisa que parte do corpo, da luz e da cor como elementos estruturantes da composição. Trabalhando com óleo e cera de abelha sobre tela, o artista constrói superfícies veladas e luminosas, nas quais formas orgânicas parecem emergir e se dissolver simultaneamente.

A pintura abstrata surge como complemento à prática fotográfica do artista, que explora temas ligados à vivência urbana nas periferias da cidade de São Paulo. A abstração opera como meio para expressar memórias, afetos e vivências, articulando um diálogo sensorial com a realidade urbana.

Até 30 de maio.

Opalescente no Balneário Camboriú.

13/jan

Na mostra “Opalescente”, cuja abertura ocorre em 15 de janeiro, na Galeria Simões de Assis, 3ª Avenida, esquina c/3150, S4, Balneário Camboriú, SC, reúne obras recentes e inéditas de Antonio Malta Campos, nos deparamos com um recorte curatorial de sua produção que emerge de cores, linhas, formas geométricas e construções abstracionais. Essa produção delineia caminhos em que a pintura apresenta paletas de cores mais abertas, alegres, por vezes em tons pastéis e amenos, sugerindo uma leveza e uma atmosfera mais serena, essas obras exploram a cor em sua capacidade de construir espaços e formas com suavidade. Na sobreposição cromática em camadas há certa luminescência perolada, derivada da opala, uma gema que reflete cores multifacetadas, emanando uma aparência leitosa e iridescente em acabamentos azulados, avermelhados e alaranjados que se alteram conforme a mudança do ângulo da luz – a fatura de Malta é opalescente. 

Imersão profunda na obra de Carlos Pasquetti.

12/dez

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS), Porto Alegre, RS, apresenta a exposição “Carlos Pasquetti – Espaços para esconderijos”, primeira grande mostra monográfica institucional dedicada a oferecer uma visão histórica e retrospectiva sobre a obra do artista e professor falecido em 2022. A inauguração será no dia 13 de dezembro, em evento aberto ao público e que marca também o encerramento do ciclo de exposições de 2025 do Museu. 

Reunindo acervos institucionais e coleções particulares, a mostra apresenta obras de reconhecida importância, junto de trabalhos históricos resgatados e recuperados, além de proposições inéditas realizadas especialmente para a mostra, a partir de projetos deixados pelo artista. Realizada pelo MARGS em colaboração com o Acervo Pasquetti (projeto mantido pela família para gestão do acervo do artista e a catalogação de sua obra), a exposição é a maior pesquisa até aqui a proporcionar uma imersão profunda e compreensiva sobre a importante produção do artista.

O título “Espaços para esconderijos” vem de emblemáticos trabalhos de Carlos Pasquetti dos anos 1970, em fotografia e desenho, que têm como mesmo motivo a imagem e as formas das chamadas “medas” (os amontoados de feixes de feno). Essa referência é evocada por ser um exemplar icônico entre os signos visuais cultivados pelo artista em seu universo conceitual e criativo.

Dando sequência a um conjunto de exposições monográficas inéditas de artistas que integram o acervo do MARGS, “Carlos Pasquetti – Espaços para esconderijos” tem curadoria de Francisco Dalcol, diretor da instituição, e dos curadores convidados Alexandre Copês e Nelson Azevedo, artistas que conviveram com Carlos Pasquetti no cotidiano de seu ateliê, proporcionando ao projeto uma profunda intimidade com os seus trabalhos e o seu universo criativo.

Sobre o artista.

Em sua produção artística, desenvolvida ao longo de mais de 50 anos, Carlos Pasquetti explorou filme, fotografia, impressos, fotoperformance, desenho, pintura, objeto, elementos gráficos e instalação, sempre combinando e alternando suportes e linguagens. Sua atuação se inicia no contexto do experimental e dos conceitualismos das vanguardas artísticas das décadas de 1960 e 70, incluindo o envolvimento com o grupo Nervo Óptico (1976-1978), passando depois a acompanhar a pluralidade artística que se segue aos anos 1980. No conjunto, sua diversificada obra constitui um dos legados mais significativos, desde o Sul do Brasil, para o alargamento das convenções artísticas modernas e a abertura das práticas e linguagens artísticas contemporâneas. Nascido em Bento Gonçalves (RS), Carlos Pasquetti se iniciou artisticamente no ambiente familiar com o pai fotógrafo, também organizador de grupos de teatro. Estudando em Porto Alegre nos agitados anos 1960, graduou-se em Pintura pelo Instituto de Artes da UFRGS em 1971. Dois anos depois, tornou-se professor na universidade. Nos mais de 40 anos em que deu aulas para estudantes de artes cênicas e artes visuais, influenciou gerações de artistas, que encontravam nele um sólido referencial de abertura e estímulo para novas ideias e possibilidades artísticas.

Até 29 de março de 2026.

A mais abrangente retrospectiva de Vik Muniz.

11/dez

O Centro Cultural Banco do Brasil e o Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia) têm o prazer de convidar para a exposição “A Olho Nu”, de 13 de dezembro a 29 de março de 2026, a maior e mais abrangente retrospectiva de Vik Muniz. Com curadoria de Daniel Rangel, “A Olho Nu” reúne mais de 200 obras, de 37 diferentes séries, com quatro esculturas feitas recentemente, especialmente para esta mostra em Salvador. O patrocínio é do BB Asset, com a Lei de Incentivo Federal à Cultura, do Ministério da Cultura, e produção é da N+1 Arte Cultura. De junho a agosto “A Olho Nu” esteve no Instituto Ricardo Brennand, em Recife, onde recebeu mais de 70 mil visitantes. No MAC_Bahia, o público verá obras fundamentais do artista, de diferentes fases de sua trajetória, desde os anos 1980 até os dias de hoje. Especialmente para esta exposição em Salvador ele criou as esculturas “Queijo”, “Patins”, “Ninho de ouro” e “Suvenir #18”, todas da série “Relicário”.

“Essa é a primeira grande retrospectiva dedicada ao trabalho de Vik Muniz, com um recorte pensado para criar um diálogo entre suas obras e a cultura da região”, destaca o curador Daniel Rangel. Ele explica que a mostra segue uma linha do tempo que revela a evolução de sua criação artística: das esculturas iniciais à transição para a fotografia, chegando às séries atuais. Logo na entrada do MAC_Bahia, o visitante será recebido pelas esculturas – ponto de partida da exposição e núcleo essencial para compreender o processo criativo do artista. A maior parte dessas peças pertence à série “Relicário”, não exibida desde 2014 e decisiva para entender a passagem do artista do objeto para a fotografia. O recorte curatorial privilegia montagens feitas para serem fotografadas, e revela como o uso de objetos cotidianos aproxima sua obra da arte pop e popular.

Daniel Rangel observa que, ao iniciar sua carreira com esculturas, Vik Muniz passou a explorar massa, volume, volatilidade e suas relações com a percepção. A necessidade de fotografar esses trabalhos para registro despertou seu interesse pela fotografia – inicialmente por insatisfação com imagens produzidas por terceiros. Ao assumir a câmera, percebeu que podia construir cenas pensadas exclusivamente para serem fotografadas, marco que definiu um novo rumo para sua criação. Essa virada – a fotografia como registro à tridimensionalidade concebida para a lente – é um dos eixos centrais da exposição.

A mostra apresenta também as obras “Oklahoma”, “Menino 2” e “Neurônios 2”, só vistas anteriormente em uma exposição do artista em Nova York, em 2022, e recentemente no Instituto Ricardo Brennand. O percurso expositivo se encerra com a série “Dinheiro vivo” (2023), criada em parceria com a Casa da Moeda do Brasil a partir de fragmentos de papel-moeda. O vasto repertório de materiais utilizados por Vik – que vai literalmente do lixo ao dinheiro – sustenta a poética da ilusão e da mimetização que marca sua produção, sempre permeada por humor, crítica social e surpresa. Elementos que, segundo o curador, “seduzem o olhar e convidam o público a despir-se de uma visão tradicional, permitindo enxergar tudo ‘a olho nu’”. “Vik Muniz é um ilusionista”, resume Daniel Rangel. “Um mágico na construção de imagens que não existem, mas que se tornam reais, fazendo do espectador cúmplice de um fazer artístico que nos captura como em uma mágica.”.

Transformando a paisagem em arte.

10/dez

Galerias Hugo França e Nara Roesler, apresentam em  Trancoso, Porto Seguro, Bahia, a partir do dia 12 de dezembro a exposição “Sul da Bahia”, com fotografias de Cássio Vasconcellos (1965, São Paulo) produzidas na região, durante um período de imersão dedicado exclusivamente ao projeto. A mostra reúne trabalhos de duas séries centrais na trajetória do artista: “Viagem Pitoresca pelo Brasil”, inspirada nos artistas viajantes do século XIX – como Rugendas, Debret e Clarac – em que revisita o olhar desses cronistas visuais ao registrar as florestas e paisagens naturais da região, revelando sua exuberância e diversidade; e “Aéreas”, desenvolvida ao longo de muitos anos, com composições que exploram o território visto do alto.

Em “Sul da Bahia” estarão obras inéditas, como os corais de Itacolomi, uma nova imagem de praia e vistas aéreas do Quadrado e da região de Trancoso. Essas fotografias revelam a busca contínua do artista por um Brasil poético e visualmente surpreendente, em que técnica e sensibilidade se unem para transformar a paisagem em arte.

Em cartaz até fevereiro de 2026.

Três artistas no Instituto Ling.

08/dez

Três mostras de artes visuais estão em cartaz no Instituto Ling, Bairro Três Figueiras, Porto Alegre, RS: Feraluz, instalação de Leandro Lima que imagina os sonhos do edifício (até 13 de dezembro); Valdson Ramos, pintura que reflete sobre iconografia religiosa e Missões Jesuíticas (até 27 de dezembro); e mezo-móbile, de Guto Lacaz, com uma instalação inédita que transforma e subverte o espaço expositivo (até 27 de dezembro). Entrada franca, de segunda a sábado, das 10h30 às 20h.

O elemento regional do Rio Grande do Sul.

25/nov

 

Reunindo dezenas de pinturas, desenhos, gravuras e esculturas, a exposição “Sul no Olhar” foi concebida sob a curadoria das acadêmicas de Museologia Maria Teixeira da Silva e Pietra Fredrich a partir da Coleção Rolf Zelmanowicz, acervo integrado ao Museu de Arte do Paço – MAPA. 

Sul no Olhar

O casal Rolf Udo Zelmanowicz (1931-2023) e Elisabete de Medeiros Zelmanowicz (1940) iniciaram em 1969 uma notável coleção, reunindo trabalhos de artistas do século XX, cuja temática predominante é o elemento regional do Rio Grande do Sul, representado por personas, paisagens e cenas do cotidiano urbano e rural. Para além do mero recorte geográfico, as imagens reunidas evocam memórias, identidades e a diversidade cultural da região, tomando o passado como um impulso poético para imaginar o futuro. Nesta exposição é apresentada ao público uma seleção de obras pertencentes à Coleção Rolf Zelmanowicz, generosamente doada pelo casal em 2023 ao Museu de Arte do Paço – MAPA.

Pietra Fredrich – Maria Teixeira da Silva.

Exposição Sul No Olhar 

Artistas participantes

Angelo Guido, Antônio Caringi, Enrique Castells Capurro, Clara Pechansky, Danúbio Gonçalves, Deville, Elisabete Zelmanowicz, Ernesto Frederico Scheffel, Esteban Roberto Garino, Francis Pelichek, Guido Mondin, João Fahrion, Libindo Ferrás. Nelson Boeira Faedrich, Oscar Boeira, Oscar Crusius, Plínio Bernhardt, João Luiz Roth, José Lutzenberger, Leopoldo Gotuzzo, Xico Stockinger, Vasco Prado.

 

Marco Maggi na Fundação Iberê Camargo.

19/nov

“La economía de la atención” é a primeira exposição de Marco Maggi na Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS. A mostra propõe uma reflexão sobre os modos como a atenção se constrói e é direcionada e permanecerá em exibição até 26 de março de 2026.

Com curadoria de Patricia Bentancur, que acaba de ser anunciada como a responsável pelo Pavilhão do Uruguai na Bienal de Veneza em 2026, a mostra apresenta doze trabalhos entre desenhos, instalações, elementos do cotidiano como rolo de tinta, bola de pingue-pongue, mesa de sinuca e colagens com papeis recortados, uma das marcas do artista. Na Fundação, ele criará uma obra inédita, de grandes dimensões, a partir de pequenos recortes em papel. Nascido em 1967 em Montevidéu, Marco Maggi divide seu tempo entre Nova York e a cidade natal criando trabalhos em pequenos fragmentos de papéis das mais diversas cores, materialidades e recortes. Utilizando humor, jogos de palavras e uma variedade de alusões visuais, Maggi incentiva seus espectadores a desacelerar e refletir sobre os detalhes e as complexidades de cada objeto. 

As obras de Maggi configuram um sistema visual de estruturas mínimas, quase imperceptíveis. Compreendê-lo é entrar em um código analógico de um algoritmo que se repetirá e reformulará uma e outra vez. Micro cortes em papel, incisões sobre acrílico ou grafite, que só existem a partir do intangível: a luz e a sombra.

A Fundação Iberê Camargo é uma obra de Álvaro Siza Vieira, um arquiteto que é capaz de direcionar nossa atenção a partir de ênfases espaciais e visuais mínimas. Uma pequena janela em um extenso muro cego nos induz a olhar para o exterior do museu. Enquanto Siza, neste caso, nos convida a olhar para longe, Maggi nos exige olhar de perto. Dois focos, aparentemente contraditórios, que não têm outra função senão economizar distrações, criar uma pausa para possibilitar um ato de observação ativa e concentrada. Marco Maggi compõe um protocolo de observação que é ativado apenas quando o corpo do espectador decide aproximar-se e manter o olhar. Em suas propostas, tanto os títulos de suas exposições quanto os de suas obras normalmente escondem um meta-sentido. A ambiguidade do título desta instalação não é um déficit de clareza, mas uma ferramenta crítica situada em um limiar de sentido deliberado. Por um lado, o da circulação, gestão e intercâmbio de um recurso escasso (economia) e, por outro, o da percepção, sensibilidade e capacidade de deter-se (atenção). A experiência da exposição se desdobra no terreno intermediário entre esses dois polos. Ela não designa univocamente, mas abre um campo de tensões que cada visitante deve negociar em seu percurso. Neste método de proximidade, não há espetáculo de impacto, mas relação; não há mensagem, mas cooperação; não há eficiência; há atenção. Sob esta perspectiva, seu trabalho não combate a aceleração com nostalgia, mas com técnicas concretas de lentidão, onde propõe possíveis práticas que, em nenhum caso, são diretrizes. Diante dos atalhos da velocidade, olhar devagar pode inclusive ser entendido como uma tecnologia cultural.

Patricia Bentancur

Curadora

A realidade fantástica de Bruno Novelli.

13/nov

O Museu Inimá de Paula, Belo Horizonte, MG, convidou o artista Bruno Novelli, em sua maior exposição individual “Sol de Ouro”, a uma fascinante odisseia a um mundo imaginário de natureza imaculada e vida selvagem. O ambiente onírico revela-se o verdadeiro protagonista nesta narrativa riquíssima de seres mitológicos em sua relação simbiótica hipotética em que homogeneidade humana não subjuga a pluralidade biológica. O pintor cria um universo sublime em cores, formas e texturas em 27 trabalhos que compõe a exposição no Museu, inclusa uma série desenvolvida própria para o espaço da instituição.

Até 30 de novembro.