Oficina de Colagem Criativa

31/maio

 

 

Uma oficina de colagem para exercitar o olhar e a criatividade, orientada a partir dos fundamentos do Design. É o que oferece o Instituto Ling, Porto Alegre, RS, em curso ministrado por Renata Rubim. Um encontro para estimular nossa percepção estética para novos ângulos e composições, partindo de técnicas básicas do design de superfícies. Explorando diferentes referências, a designer Renata Rubim parte da discussão sobre como a arte e o design se relacionam e como ambos estão inseridos em nossas vidas, para desenvolver os exercícios que serão realizados em aula. Conforme o interesse de cada um, a produção poderá render diferentes projetos, como pequenos quadros, cartões postais personalizados, capas para um diário ou sketchbook. Os materiais da oficina estão inclusos no valor da inscrição, mas o aluno poderá levar publicações ou revistas antigas que gostaria de usar em suas produções. Uma tarde de experimentação e muita criatividade!

 

Sobre a professora

 

Renata Rubim é designer de superfícies. Suas especialidades são projetos para superfícies de qualquer natureza e a consultoria de cores para indústrias ou construção civil. Autora de “Desenhando a Superfície”, Ed. Rosari – SP (publicação disponível na loja Pra Presente), Renata colabora com a difusão do design em projetos industriais e educativos. Seus projetos a frente do escritório Renata Rubim Design & Cores já receberam diversos prêmios nacionais e internacionais, como o IF Award 2014, premiação alemã entre as mais prestigiadas da área, com o produto cobogó Atoll, e a Stgo. Diseño Bienal Creativa Latino Americana Chile 2011, com a série super popular das necessárias para a marca Coza. Atualmente está envolvida no projeto da rua interna do complexo hospitalar Santa Casa e da praça de acesso ao novo hospital.

 

 

 

 

Novidades no Inhotim

27/maio

 

 

O Instituto Inhotim, em Brumadinho, MG, vai inaugurar obras e exposições temporárias. O próximo dia 28 marca a abertura da temporada, que traz Isaac Julien, importante nome nos campos da instalação e do cinema, que foi convidado a expor um de seus trabalhos mais emblemáticos na Galeria Praça. O Acervo em Movimento, programa criado para compartilhar com o público as obras recém-integradas à coleção, inaugura com trabalhos dos artistas brasileiros Arjan Martins e Laura Belém, ambos instalados em áreas externas do instituto. Jaime Lauriano também integra a lista dos artistas participantes da programação, e abre o projeto  Inhotim Biblioteca, que vai convidar, anualmente, artistas e pesquisadores que estabeleçam diálogos com a biblioteca do instituto. A instalação do artista mantém relação direta com o Segundo Ato do projeto Abdias Nascimento e o Museu de Arte Negra (MAN), ao propor a curadoria de uma nova bibliografia que contempla autores negros para integrar o acervo da biblioteca do Inhotim.

 

Instalado na Galeria Mata, o Segundo Ato do projeto, realizado, assim como o Primeiro Ato, em curadoria conjunta entre Inhotim e Ipeaafro, aborda o Teatro Experimental do Negro, movimento encabeçado por Abdias Nascimento, e que está nas origens do Museu de Arte Negra. As inaugurações são parte do Território Específico, eixo de pesquisa que norteia a programação do Instituto Inhotim no biênio de 2021 e 2022, pensada para debater e refletir a função da arte nos territórios a níveis local e global, e também a relação das instituições com seu entorno, mirando os desdobramentos de um museu e jardim botânico como o Inhotim.

 

Em um trabalho que une poesia e imagem, Isaac Julien parte de uma exploração lírica sobre o mundo privado do poeta, ativista social, romancista, dramaturgo e colunista afro-americano Langston Hughes (1902 – 1967) e seus colegas artistas e escritores negros que formaram o Renascimento do Harlem – movimento cultural baseado nas expressões culturais afro-americanas que ocorreu ao longo da década de 1920.

 

A obra foi dirigida por Julien na época em que era membro da Sankofa Film and Video Collective, e contou com assistência do crítico de cinema e curador Mark Nash, que trabalhou no arquivo original e pesquisa cinematográfica.  A investigação sobre personalidades proeminentes do século 20, como Langston, é uma constante na obra de Isaac Julien. O artista se debruça sobre a vida destas figuras a fim de revisitar as narrativas históricas oficiais.

 

Nome seminal da arte contemporânea, Julien nasceu em 1960 em Londres, onde vive e trabalha, e utiliza em sua obra elementos provenientes de disciplinas e práticas variadas, como o cinema, a fotografia, a dança, a música, o teatro, a pintura e a escultura, integrando-os em instalações audiovisuais, obras fotográficas e documentários. São latentes nas obras de Arjan Martins conceitos sobre migrações e outros deslocamentos de corpos e presenças entre espaços de luta e poder, e ainda as diásporas e os movimentos coloniais que se deram em territórios afro-atlânticos.  Na instalação de “Birutas” (2021) – apresentada no caminho entre a obra “Piscina” (2009), de Jorge Macchi e “A origem da obra de arte” (2002), de Marilá Dardot – Arjan expõe aparelhos destinados a indicar a direção dos ventos, que se fundem às bandeiras marítimas e seus códigos internacionais para transmitir mensagens entre embarcações e portos.  “Na fusão desses dois elementos, birutas e bandeiras náuticas, Arjan trata do trânsito de corpos através dos oceanos, do tráfico de pessoas escravizadas e das diásporas causadas pelos movimentos coloniais”, explica Douglas de Freitas, curador do Inhotim.

 

Fonte: Diário do Comércio

 

 

Debate de Ideias

24/maio

 

 

A Aliança Francesa Porto Alegre, em parceria com a Fundação Iberê Camargo e o Centre Intermondes de La Rochelle, promove o segundo “Debate de Ideias” do ano, sobre a importância da residência artística nas artes visuais. O evento ocorre nesta quinta-feira, 26 de maio, a partir das 19h, no auditório da Fundação Iberê Camargo, com transmissão pelo YouTube da AFPOA. Antes, às 18h, será realizada uma visita mediada às exposições em cartaz:  “Magliani,  (4º e 3º andares), “Antes que se apague: territórios flutuantes” (2º andar), de Xadalu Tupã Jekupé, e “Iberê e Porto Alegre – No andar do Tempo” (Átrio). O debate será mediado pelo jornalista Roger Lerina. O evento será em português, com tradução consecutiva, realizada por Mélanie Le Bihan, diretora da Aliança Francesa.

 

Os convidados desta edição são David Ceccon, Leandro Machado, Letícia Lopes e Xadalu, artistas premiados pelo Prêmio Aliança Francesa de Arte Contemporânea, que participaram de uma residência artística no Centre Intermondes, em La Rochelle, na França, e Edouard Mornaud, diretor do Centre Intermondes (Residência Artística Internacional), ligado à Direção da Cultura e do Patrimônio da Prefeitura da cidade de La Rochelle. O debate será mediado pelo jornalista Roger Lerina.

 

Sobre os convidados

 

Edouard Mornaud tem 25 anos de experiência em funções de liderança cultural, incluindo o Departamento Cultural do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês (Paris), como chefe do Executivo da Alliance Française em Melbourne (Austrália), adido cultural da Comissão Europeia no Sudeste Asiático, vice-curador da AFAA/ Culturesfrance (atualmente Institut Français) e, desde 2008, atua como diretor do Programa de Residência Internacional de Artes do Centro Intermondes em La Rochelle. Desde os seus primeiros trabalhos como oficial cultural, tanto para a Aliança Francesa em Bangcok, como para o Oficial Cultural Francês em Nazaré (Israel), constrói metodicamente uma carreira em torno do desenvolvimento e entrega de programas culturais complexos, com enfoque específico nas relações transculturais.

 

David Ceccon é formado em Artes Visuais pela UFRGS. Artista multidisciplinar, sua prática artística reflete sobre as existências biológicas, culturais, reais e virtuais dos sujeitos na sociedade contemporânea. Realizou seis exposições individuais e participou de diversas coletivas nacionais e internacionais. Também desenvolveu e participou de diferentes projetos na área de artes visuais, incluindo projetos gráficos e cenográficos. Ganhou o prêmio IEAVI (2016), o Prêmio Açorianos nas categorias Artista Revelação e Destaque em Gravura (2016) e o Prêmio Aliança Francesa de Arte Contemporânea (2018) – com o qual recebeu uma residência artística na França. É cocriador e artista-colaborador da Revista Fracasso (@revistafracasso), indicada ao Prêmio Açorianos (2021). Atualmente, é representado pela Galeria AURA (SP). Atua também como assistente executivo na CoCreate TH partnered with Art Sense em Londres (UK).

 

Leandro Machado é bacharel em Artes Visuais pela UFRGS. Realizou mostras individuais, como Arqueologia do Caminho (2019), no Centre Intermondes, em La Rochelle, na França, e Desenhos Esquemáticos (2018), na Pinacoteca Aldo Locatelli, em Porto Alegre.

 

Letícia Lopes é formada em Artes Visuais pela UFRGS. Desenvolvendo sua pesquisa principalmente através da pintura, a artista investiga espaços de ambiguidade e mistério entre realidade e representação, explorando o suporte e a montagem do trabalho como ferramentas para propor novos significados. Desde 2013, participa de mostras coletivas em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco, França e República Checa. Em 2022, realizou sua 8ª individual, Anima, na Galeria Verve (SP), com texto de Agnaldo Farias, e, em 2019, foi a vencedora do 3º Prêmio de Arte Contemporânea da Aliança Francesa, o qual rendeu-lhe sua primeira individual fora do país, I want to be adored (La Rochelle/FR). Ainda em 2019 e  em 2021, foi indicada ao Prêmio PIPA.

 

Xadalu Tupã Jekupé é um artista mestiço que usa elementos da serigrafia, pintura, fotografia e objetos para abordar em forma de arte urbana o tensionamento entre a cultura indígena e ocidental nas cidades. Sua obra, e as conversas com sábios em volta da fogueira, tornou-se um dos recursos mais potentes das artes visuais contra o apagamento da cultura indígena no Rio Grande do Sul. O diálogo e a integração com a comunidade Guarani Mbyá permitiram ao artista o resgate e reconhecimento da própria ancestralidade. Em 2020, sua obra Atenção Área Indígena foi transformada em bandeira e hasteada na cúpula do Museu de Arte do Rio. Meses depois, venceu o Prêmio Aliança Francesa com a obra Invasão Colonial: Meu Corpo Nosso Território, que o levou a uma residência artística na França, no Centre Intermondes em 2021.

 

Sobre o mediador

Roger Lerina é jornalista e crítico de cinema, integrante da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema). Foi vice-presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRS), entre 2008 e 2010, e presidente, de 2010 a 2012. É editor do site Roger Lerina, uma plataforma dedicada a notícias, artigos e vídeos sobre cinema, artes cênicas, música, artes visuais e eventos culturais. Desde 2019, integra o conselho artístico do evento Noite dos Museus e a comissão de seleção das atrações musicais da Virada Sustentável em Porto Alegre. Curador da Mostra de Longas-Metragens do Festival Internacional de Cinema da Fronteira em 2018 e 2019 e dos projetos Meu Filme Favorito e Adaptação: entre a Literatura e o Cinema – ambos realizados no Instituto Ling. Também atua como repórter e crítico de cinema no Canal Brasil e programador das três salas do Cine Grand Café, no Shopping Nova Olaria, em Porto Alegre.

Um diálogo: vigor, força e tensão.

23/maio

 

 

A Galeria Mamute, Porto Alegre, RS, exibe até 30 de junho a exposição “O som que o silêncio esconde“. A mostra com curadoria de Henrique Menezes apresenta um diálogo entre duas artistas representadas pela galeria: Camila Elis e Fernanda Valadares. Camila Elis, representante da nova geração de artistas gaúchas, estudou na University of the Arts London e atualmente é mestranda em Artes Visuais pela USP. Através da pintura a óleo, pesquisa sistemas de interação entre objetos, pessoas, ambientes e sensações abstratas. Fernanda Valadares, paulista, Mestre em Artes Visuais pela UFRGS, dedica-se à prática artística há quase duas décadas, investigando por meio da técnica milenar da encáustica os espaços percorridos e as temporalidades.

 

 

A palavra do curador

 

O som que o silêncio esconde

 

 

Conjugar as obras de Camila Elis e Fernanda Valadares em uma única exposição poderia conduzir – por uma análise primeva, assentada na superfície do que se vê – à reflexão sobre as técnicas ensaiadas pelas duas artistas. Seria suficientemente rico descrever os pigmentos e as veladuras, o traço e as pinceladas, perpassar cada fatura e as tantas camadas sedimentadas na epiderme da obra. Apesar de evidenciar a qualidade dos processos, contudo, não daríamos conta do que considero o êxito desse diálogo: a vibração, a harmonia e o tom da exposição. Não é à toa que esses três termos tenham reverberações também no campo da música. Em suas conferências e escritos, o compositor experimental John Cage costumava narrar um episódio ao mesmo tempo físico e poético: certa vez, ao entrar em uma câmara que simulava o absoluto silêncio, Cage percebeu ecos de um som grave e de um agudo. Ao questionar um engenheiro de Harvard sobre suas sensações, foi prontamente surpreendido pela resposta: o agudo era seu sistema nervoso funcionando; o grave, seu sangue circulando. O corpo esconde o som, sendo necessário um exercício de suspender todos os outros sentidos para revelar seus tons através da percepção atenta. Recorrer à ambiguidade da palavra tom nos revela um índice que aproxima a audição e a visão: remete igualmente à inflexão da voz e à intensidade dos instrumentos, mas também denota as qualidades da cor em suas diversas gradações, matizes e nuances. Camila e Fernanda situam-se na fronteira entre a liberação emocional e o limite da disposição racional. No quase silêncio de uma base alva, Camila Elis compõe obras com acordes da psicanálise e da mitologia, nas quais pintura e desenho embaralham-se com traços imprecisos, ladeados com frequência por um vermelho intenso: um possível alerta de que sua produção se distancia de um apelo dócil, inerte ou lentamente ritmado. Em justo equilíbrio, os horizontes e geometrias de Fernanda Valadares, construídos pela alquimia entre pigmentos e cera de abelha, acrescentam unidade não apenas pelas coincidências na paleta de cores, mas também pela demarcação orgânica que mais sugere do que esclarece, entre formas e texturas, entre construções líricas da paisagem e da psique. Ressaltar a harmonia formal que aproxima as duas artistas não significa apaziguar suas distinções: a obra que encerra o percurso – uma densa e soturna encáustica de Valadares – porta-se como um clímax, reverberando a grande tela de Elis que impõe-se suspensa: essas obras lembram-nos que a palavra tom ainda pode significar vigor, força e tensão.

 

Henrique Menezes

 

 

A obra original de Artur Lescher

12/maio

 

 

O Farol Santander Porto Alegre, centro de cultura, empreendedorismo e lazer da capital gaúcha, exibe a exposição inédita “Observatório”, do artista visual paulistano Artur Lescher. Trata-se da primeira grande mostra individual de Lescher em Porto Alegre e apresenta, com 28 obras, uma retrospectiva de sua carreira. Observatório fica em cartaz no icônico edifício porto alegrense até 24 de julho. Das obras expostas, sete foram desenvolvidas especialmente para a exposição no Farol Santander.
Artur Lescher se destaca pelas obras tridimensionais e materiais inusitados para a construção de suas esculturas. O artista já teve grandes exposições individuais e coletivas em países como Estados Unidos, França, Alemanha, Argentina e Uruguai. Aos 25 anos já marcava presença na Bienal de São Paulo em 1987, desenvolvendo poética escultórica baseada nas observações e experimentações dos ambientes expositivos.

 

 

“É com grande alegria que o Farol Santander acolhe a exposição Observatório, de Artur Lescher. Um dos artistas com trajetória mais destacada e consistente do país, Lescher relaciona arte, design e arquitetura em uma obra instigante e poética. Através de projetos que trazem grandes nomes da arte brasileira para interagir com o icônico edifício que abriga a sede do Farol Santander Porto Alegre, fortalecemos nossa missão de estimular a cultura, aproximar pessoas e despertar a criatividade de um público que vêm se revelando cada vez mais exigente, dinâmico e plural.”; afirma Patricia Audi, vice-presidente do Santander Brasil.

 

 

Logo na entrada da exposição que ocupará as galerias localizadas no mezanino do edifício, os visitantes se deparam com a instalação “Pivô” (2014), uma grande estrutura suspensa desenvolvida em materiais como latão e cabo de aço, medindo seis metros e pesando trezentos quilos, que simula o funcionamento de um pêndulo.
A exposição segue com uma série de esculturas produzidas por Lescher entre os anos de 1998 e 2022. Uma delas, intitulada “Sputinik” (2021), contém três peças que formam uma esfera de madeira com 25 centímetros de diâmetro, suspensa no ar por três hastes finas de metal dourado, que se movem pela sala na diagonal, também provocando um efeito pendular.

 

 

Além de “Sputinik”, são totalmente inéditas e desenvolvidas para sua primeira grande exposição individual em Porto Alegre as obras Finial # 07, 08, 09 e 10, Rio Leethê #19 e Observatório. Destaca-se ainda a obra “Escada” (1998), que já passou por diversos museus e exposições. A escultura mede 24,5 cm x 265 cm e foi desenvolvida em aço inoxidável. Outras séries de trabalhos com elementos como pêndulos, linhas, granito, madeiras e feltro de lã completam o circuito expositivo, explorando o conceito dos corpos que riscam o espaço, deixando rastros retilíneos e leves. Ao mesmo tempo em que o trabalho de Lescher está atrelado fortemente aos processos industriais, atingindo requinte e rigor extremos, sua produção vai além e não tem por fim único à forma. Essa contradição abre espaço para o mito e a imaginação, ingredientes essenciais para a construção de seu “Observatório”.

 

A obra de Francis Pelichek revisitada

10/maio

 

 

Será inaugurada no  próximo sábado, dia 14 de maio, às 11h, na Pinacoteca Aldo Locatelli da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, RS, a exposição “Francis Pelichek – Um boêmio moderno em Porto Alegre”.

A exposição apresenta um pouco da vida e da obra desse pequeno-grande artista, que chegou ao estado em 1922, onde viveu até seu falecimento precoce, em 1937. São aproximadamente 60 obras de acervos públicos e particulares, que oferecerão a oportunidade tanto de conhecer um pouco mais da produção de Francis Pelichek, como de pensar acerca do cenário artístico em Porto Alegre ao longo das décadas de 1920 e 1930. A curadoria é de Paula Ramos e Ana Luiza Koehler que desenvolve, no âmbito de seu doutorado, pesquisa sobre o artista.

 

 

Ecoart no Farol Santander

09/maio

 

 

Uma exposição que propõe uma viagem pelos principais biomas brasileiros e alerta para a preservação ambiental é a mostra imersiva “ECOARt” que será apresentada no Farol Santander Porto Alegre e na Plataforma ZYX, com imagens da Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica, Pampas, Cerrado e Caatinga. Os principais biomas brasileiros – Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica, Pampas, Cerrado e Caatinga – serão apresentados na instalação “ECOARt”, que será inaugurada no dia 10 de maio, simultaneamente no Farol Santander Porto Alegre e na Plataforma ZYX (www.zyx.solutions). Idealizada pelo artista multimídia Ricardo Nauenberg, utilizando tecnologia de última geração, a exposição é composta por uma grande instalação imersiva, que mostra a beleza dos biomas brasileiros e alerta para a importância da preservação ambiental.

 

“Acredito que a melhor forma de se sensibilizar o público em uma mensagem pró-preservação é pela beleza e não pela destruição… Um passeio imersivo pela diversidade  da natureza, com suas paisagens espetaculares, e alertando que se providências e cuidados não forem tomadas, essas ‘joias’ irão desaparecer, é um alerta bastante forte feito de forma positiva e lúdica”, ressalta Ricardo Nauenberg. A instalação é composta por totens monumentais, em formato cilíndrico, com tamanhos que chegam a 8 metros de diâmetro por 6 metros de altura, onde serão projetados filmes de cada bioma, feitos a partir da animação de imagens de importantes fotógrafos, como Araquém Alcântara (Amazônia e Pantanal), Cássio Vasconcellos (Mata Atlântica), Tadeu Vilani (Pampas) e André Dib (Cerrado e a Caatinga). Completando a experiência imersiva, o público poderá caminhar por estes espaços, andando sobre um chão coberto de folhas secas, sentido os barulhos, texturas e cheiros.

 

Na exposição, QR codes levarão o público à plataforma ZYX, com textos e vídeos sobre cada bioma, com narração e comentários do biólogo Gustavo Martineli, Doutor em Ecologia pela University of St.Andrews, Reino Unido. A mostra também poderá ser vista através da plataforma ZYX, de forma 3D, ampliando a experiência e tornando-a acessível a pessoas em qualquer parte do mundo, ecoando a mensagem de preservação de forma universal. A instalação, diferentemente de outras, acontece em “dois ecossistemas”, de igual peso e importância: a física, construída dentro do Farol Santander, e a digital, na plataforma ZYX, que aprofunda o tema e transforma a instalação em um projeto sem fronteiras, uma vez que pode ser integralmente visitado em qualquer local do Brasil ou do planeta. As iniciativas são complementares. Dentro da plataforma ZYX o conteúdo é veiculado dentro de um canal sobre sustentabilidade, também chamado ECOARt

 

www.midiarte.net

 

(https://www.zyx.solutions/cópia-canais-zyx-3), onde o conteúdo ficará disponível permanentemente, e que colecionará novos conteúdos ao longo do tempo. O nome da exposição faz uma analogia entre as palavras eco (ecossistema) e arte, que, juntas, formam a palavra ecoar, passando uma ideia de preservação ambiental através da arte, ecoando uma mensagem de preservação do planeta.

 

 

Sobre o idealizador

 

Ricardo Nauenberg é artista multimídia, com atuações no cinema, videoarte, instalações e fotografia, tendo começado na pintura, estudando com Ivan Serpa no Centro de Arte Bruno Tausz. A partir da técnica de colagens onde precisava achar ou produzir imagens para inserção nas pinturas, aconteceu o primeiro contato com a fotografia. Aos 13 anos foi estagiar no famoso Estúdio Plug, de Antônio Guerreiro e David Zingg, onde se aproximou da fotografia de moda e publicidade. Três anos mais tarde, montou um estúdio próprio trabalhando para as principais revistas do mercado, como Vogue, jornais, como O Globo, e agências de publicidade, com fortes influências de um grafismo minimalista, coerentes com sua formação na pintura de arte.

 

Ex-diretor da Rede Globo, onde trabalhou inicialmente como Diretor de Arte e posteriormente como Diretor de Programas por 12 anos, seus trabalhos lhe renderam prêmios internacionais nos Festivais de Nova York e no Projeto Leonardo em Milão.

 

No mesmo período fundou sua produtora, a Indústria Imaginária, com a qual produziu e dirigiu filmes longas-metragens, séries de TV, documentários, além de ter desenhado exposições de arte e publicado livros de fotografia.

 

Apesar do cinema e da televisão serem suas principais atividades, desenvolve trabalhos com fotografia com o projeto “Entre Terra”, que resultou em uma exposição individual no Centro Cultural dos Correios e um livro de arte. Em 2020, concluiu “Superfícies”, um ensaio sobre o deserto do Arizona e Utah. As instalações são também uma forma de sua expressão, onde a montagem é sempre a criação de uma escultura para apresentar conteúdos fortes muitas vezes homenageando a expressão de  outros artistas… ECOARt é um exemplo desse conceito.

 

 

Até 24 de julho.

 

Conversa com Xadalu

 

 

Seguindo a parceria com a Fundação Iberê Camargo, o artista visual Xadalu Tupã Jekupé e o curador de arte Cauê Alves se reúnem, aqui no Instituto Ling, Porto Alegre, RS, para conversar com o público sobre a exposição “Antes que se apague: territórios flutuantes”, que estará em cartaz na Fundação Iberê a partir do dia 14 de maio. A mostra aborda a questão do apagamento da cultura indígena na região oeste do Rio Grande do Sul, onde diversas etnias foram dizimadas. Restaram algumas poucas escritas em livros históricos. Das 19 obras, 14 foram produzidas para a exposição. A atividade é gratuita e acontece nesta quinta, às 19h, em formato híbrido, online pelos canais no Youtube de ambas as instituições e presencial no Instituto Ling. Com vagas limitadas no presencial, a distribuição de senhas iniciará uma hora antes da atividade.

 

 

Projeto Educativo da 13ª Bienal do Mercosul

06/maio

 

 

Você se lembra do seu último sonho? Já imaginou transformá-lo em um filme?

 

Em uma parceria inédita, o Instituto Ling, Porto Alegre, RS, será o grande apresentador do Projeto Educativo da 13ª Bienal do Mercosul, e também um dos palcos de sua programação, reunindo uma série de atividades gratuitas, como oficinas, seminários e debates.

 

 

Abrindo a programação, apresentamos o projeto Hypnopedia – enciclopédia audiovisual de sonhos, de autoria do artista visual mexicano Pedro Reyes. A ideia parte de um dos três temas-chaves desta edição da “Bienal: Trauma, Sonho e Fuga”.

 

 

Buscamos sonhadoras e sonhadores que queiram transformar suas memórias oníricas em vídeos curtos, utilizando a linguagem audiovisual que acharem mais interessante para isso. Você será narrador(a) e diretor(a) deste vídeo, e poderá também atuar, animar, desenhar ou montar seu sonho da forma que quiser.

 

 

O projeto oferecerá encontros online e oficinas presenciais para discussão de ideias ou, ainda, para auxiliar tecnicamente na criação do material. Que tal participar dessa construção coletiva enviando suas memórias em vídeos de até um minuto? Quem quiser ajuda para colocar a ideia em prática pode participar do encontro que acontecerá no dia 9, às 19h, em formato virtual. Na data, a equipe da Bienal estará disponível para discutir e auxiliar tecnicamente na criação do material.

 

 

As inscrições são gratuitas.

 

 

Os vídeos selecionados serão divulgados nas redes sociais do projeto e farão parte da obra final de Pedro Reyes, filme que será exibido em um espaço expositivo da 13ª Bienal do Mercosul, com exposição de setembro a novembro deste ano em Porto Alegre, RS.

 

 

 

 

Tiago Sant’Ana na Alban, Salvador

05/maio

 

 

O próximo cartaz da Alban Galeria, Ondina, Salvador, BH, será a exposição “Estrelas flamejantes em manhã de sol”, do artista visual Tiago Sant’Ana, com abertura no dia 12 de maio, às 19 horas. Essa é a primeira mostra do artista baiano na galeria e reúne mais de 20 obras inéditas, especialmente produzidas para a ocasião, dando destaque à linguagem da pintura. O ensaio crítico que acompanha a exposição tem autoria de Marcelo Campos, curador-chefe do MAR – Museu de Arte do Rio e professor da UERJ. O título da exposição é inspirado num texto da década de 1960 do escritor americano James Baldwin, no qual ele tece uma comparação entre a mobilidade social do homem negro da diáspora e elementos celestes. Tendo esse ponto de partida, Tiago Sant’Ana traça uma metáfora em que céu, lua, luz e sombra dão visualidade a um conjunto de trabalhos onde a masculinidade negra assume uma posição central.

 

 

O conjunto principal de pinturas – em acrílica sobre tela e aquarela sobre papel – trazem uma associação do sol com uma posição de poder e da lua como uma alegoria para pensar em ciclos de vida e amadurecimento. Essa imagem se torna proeminente em trabalhos como “Sete luas”, em que, com olhar distante, como um sonhador, um homem é circundado pelo satélite natural da Terra em diferentes fases.

 

 

“Nesta exposição, eu criei uma série de imagens de poder. Seja um poder pelo dado energético dos próprios astros que figuram nas telas, seja porque esses homens retratados possuem uma complexidade e uma posição altiva frente à audiência. Eles têm um rosto nítido apresentado, possuem tensão e particularidades”, comenta o artista, cuja pintura é sua linguagem artística de pesquisa mais recente.

 

 

Na obra de mais de 2 metros de altura e que dá título à mostra, Tiago Sant’Ana traz um homem vestido com um terno à frente de um céu dramatizado por meio de cortinas. O personagem carrega na mão uma máscara de ouro e possui os pés descalços sob um chão de ladrilhos. A obra remete a uma tradição renascentista dos chamados “retratos de corpo inteiro”, no entanto, trazendo uma pessoa negra – que não era retratada numa posição de centralidade de maneira digna até muito recentemente na História da Arte ocidental. É torcendo esses sentidos e imagéticas, preenchendo brechas na representação ou mesmo torcendo o sentido dela, que a mostra do artista baiano toma corpo. A exposição faz parte do projeto artístico desenvolvido por Tiago Sant’Ana ao longo da sua carreira de trabalhar em intersecção com a história e com a memória. Neste caso específico, ao eternizar pessoas próximas e do seu círculo de amizades, o artista constrói uma espécie de pinacoteca afetiva, tornando esses rostos eternizados dentro da História da Arte.

 

 

Sobre o artista

 

 

Tiago Sant’Ana tem alcançado destaque nacional e internacional, ganhando prêmios como o Soros Arts Fellowship da Open Society Foundation e a Bolsa ZUM do Instituto Moreira Salles. Recentemente, suas obras passaram a integrar o acervo do Denver Art Museum, nos Estados Unidos, e do MASP, em São Paulo. Atualmente, o artista está em cartaz em diversas exposições, como “The silence of tired tongues”, na Framer Framed, em Amsterdam, e “Encruzilhada”, no Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador. Tiago Sant`Ana já participou de uma série de exposições no Brasil e em países como Estados Unidos, Holanda e Reino Unido, a exemplo de “Enciclopédia negra” (2021), na Pinacoteca de São Paulo, “Rua!” (2020) e “O Rio dos Navegantes” (2019), no Museu de Arte do Rio, “Histórias afro-atlânticas” (2018), no MASP e Instituto Tomie Ohtake, “Axé Bahia: The power of art in an afro-brazilian metropolis” (2017), no The Fowler Museum, “Negros indícios” (2017), na Caixa Cultural São Paulo e “Reply All” (2016), na Grosvenor Gallery UK. Suas obras também fazem parte de acervos como o da Pinacoteca de São Paulo, Museu de Arte do Rio e Museu de Arte Moderna da Bahia.

 

 

A exposição é uma realização da Alban Galeria que, com 30 anos dedicados à arte brasileira, realiza um programa expositivo anual com cerca de cinco mostras, promovendo e exibindo a produção artística de nomes consagrados e emergentes do cenário nacional, de diferentes gerações, práticas e regiões do país.

 

 

De 13 de maio até 01 de julho.