Alexandre Murucci  apresenta Cadeau

13/out

 

O artista visual Alexandre Murucci exibe a mostra individual “Cadeau” – até 29 de janeiro de 2023 – no Centro MariAntonia, Vila Buarque, São Paulo, SP, com 17 obras – esculturas, objetos, fotografias, videoinstalação e instalações – onde traça um panorama crítico e por vezes atávico, do momento político atual e, quase hereditário, dos males que assolam a nação. Ao mesmo tempo, o artista reconhece seu momento e seu papel e, o que crê ser a demanda de seu país: fortalecer instituições, liberdades e discursos inclusivos. A curadoria e o texto crítico são de Shannon Botelho.

“Cadeau”, que titula a mostra e também nomeia uma das obras da exposição, na língua portuguesa significa ‘presente’, como ato de estar fisicamente num lugar ou numa causa, assim como celebrar outra pessoa, dar a ela uma lembrança num momento especial; “e este termo tem sido usado como palavra de ordem em atos de protestos e luta por direitos individuais e coletivos da sociedade brasileira. Será este o presente que deixaremos para futuras gerações ou estaremos presentes na hora de defender nosso patrimônio natural ??”, questiona o artista.

Na visão de Shannon Botelho, o artista dando sequência à sua visão de perdas pregressas que continuam ameaçando o seu presente, explica: “Sobre essas ideias está estruturada a crítica de Murucci, uma insurgência contra as opressões e as formas de violências que insistem em minorar a vida, como uma sirene em alerta, indicando a sucessão distópica de eventos que a compõem.”

Sobre as obras em exposição, mantendo um viés coerente em sua criação artística, Murucci brinda o público com trabalhos que derivam de uma dialética, um pensamento plástico à serviço ‘de uma abordagem crítica dos fatos’. Os temas podem variar, mas a abordagem mantém fiel à dinâmica necessária para cada peça: a opção pelos suportes mantém-se fidedignas ao fio condutor do trabalho que é seu conceito.

“Neste sentido, mantenho essa unidade matérica com uso de ferro, metal, espelho e madeira, que reverberam um cromatismo restrito, só quebrado pela eventual presença de vermelhos, pois foi a cor base de uma fase bastante ampla do meu trabalho. E, como suportes principais, apresento esculturas, objetos, fotografias, vídeos e instalações, mesmo que o desenho esteja fortemente presente na criação das obras”, pondera o artista. A utilização de materiais pós-industriais e naturais os quais imprimem uma fatura povera e ready-mades, instauram uma lógica criativa, mais do que uma investigação da forma. “Um pensamento plástico em busca de um testemunho de meu tempo histórico, sem preconceitos físicos formais, a não ser o rigor do acabamento, fruto de meu DNA da arquitetura e do design”, conclui.

“Atento ao agora, que nos presenteia com realidades disruptivas, o artista convoca a nossa atenção para o momento de virada que atravessamos, lembrando-nos da responsabilidade de solidificar nossas escolhas para uma saída do labirinto existencial que o país e o mundo se encontram. Urge reinventar o porvir para um outro amanhã. Neste sentido, não basta que a arte seja uma reinvenção do que virá. Importa que ela seja uma engrenagem na transformação do presente. Por esta razão, Alexandre Murucci estrutura em Cadeau um manifesto visual, no qual os termos são definidos pela fluidez de narrativas, cujas dialéticas articulam um possível futuro, a partir daquilo que possamos lhe deixar como presente”. Shannon Botelho

“Um olhar crítico, neste momento grave da história brasileira, com todas as ameaças aos direitos individuais e às instituições advindas de um grupo no poder que deveria preservar e harmonizar a nação frente aos inúmeros desafios que o mundo atravessa, vejo que isto se torna mais necessário ainda, principalmente num período de acirramento e polarização da sociedade em torno das escolhas para nosso destino como democracia e nação”. Alexandre Murucci

 

Sobre o artista

Alexandre Murucci nasceu no Rio de Janeiro, RJ, 1961. Artista plástico com formação pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV), com orientação de Luis Ernesto. Grupo de estudos com Fernando Cocchiaralle e Felipe Scovino e ateliê de escultura com Israel Kislanski. Em 20 anos de trajetória, trabalha com suportes múltiplos e ênfase em escultura, fotografia, instalações, vídeo e digital art (NFT), conta com mais de 80 exposições em sua trajetória. Sua multidisciplinariedade o faz atuar também como diretor de arte, cenógrafo, curador, designer, cineasta e autor em mídias diversas, com mais de 30 anos de carreira em Cinema, Teatro e Design. Suas obras com foco conceitual, e em suportes variados, falam principalmente de identidades, inserções periféricas e polaridades dos fluxos de poder, sempre através do viés político-histórico, com referências metalinguísticas no âmbito da arte. Em 2007, foi selecionado para o prêmio Bolsa Iberê Camargo. Em 2009 foi convidado para Las Américas Latinas – Fatigas Del Querer, mostra coletiva em Milão com curadoria de Philippe Daverio e em 2011 foi o vencedor do 2º prêmio da Fundação Thyssen-Bornemisza, de Vienna, no projeto The Morning Line – TBA21. Como destaque nas exposições individuais, pode-se citar “Arquipélago” – na Galeria de Arte Maria de Lourdes Mendes de Almeida, O Fio de Ariadne, Centro Cultural Correios, RJ, Las Américas Latinas, em Milão, Italia e a Nicho Contemporâneo no Museu Nacional de Belas Artes, RJ, além de exibições nos EUA, Eslovênia, Cuba e Alemanha, entre muitas. Em 2011, foi o artista selecionado para representar o Brasil na Bienal da Áustria; em 2019 na 13ª Bienal do Cairo, e em 2017, um dos artistas da 57ª Bienal de Veneza, selecionado em um opencall mundial, para o Pavilhão de Grenada, sob curadoria de Omar Donia. Foi também um dos primeiros artistas a mostrar seus trabalhos em NFT numa feira presencial de arte – a ARTRIO, através de sua galeria Metaverse Agency, uma participação inédita, internacionalmente.

 

Sobre o curador 

Shannon Botelho – Crítico de arte, curador independente e professor no Departamento de Artes Visuais do Colégio Pedro II (RJ). Doutorando em História e Crítica da Arte pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes/UFRJ em parceria com a École des Hautes Études en Sciences Sociales/CRBC (Paris); representante do Comitê de História, Teoria e Crítica de Arte da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas (ANPAP) e curador convidado do Memorial Municipal Getúlio Vargas (RJ). Realiza cursos de acompanhamento crítico e teórico para profissionais ligados ao campo cultural no Rio de Janeiro e São Paulo. Assinou curadoria de algumas exposições como Abstrato Possível, Concreto Real (MMGV-RJ-2017); Balangandãs (Zipper Galeria-SP 2018); Paisagem Grão de Areia (MMGV-RJ 2018); O que você guarda tão bem guardado (Casa Abaeté – Ribeirão Preto 2019); Da Linha, o Fio (BNDES-RJ2019), Impulsos Imitativos (MMGV-RJ-2019), Estruturas Improváveis (Casa das Artes-Tavira 2020), Illusions (Zipper Galeria-SP 2021), Malgré le Brouillard (Anne+ Art Contemporain – Paris 2021) e Forma é Afeto (Andrea Rehder-SP 2022).

 

Sobre o MariAntonia

O Centro Universitário MariAntonia, um dos órgãos da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, está instalado nos edifícios históricos Rui Barbosa e Joaquim Nabuco, que pertenceram à antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Desde sua inauguração, em 1993, com uma atuação multidisciplinar, o MariAntonia conquistou um lugar próprio entre as instituições culturais da cidade. Situado estrategicamente na região central de São Paulo, abriga exposições diversas, oferece cursos de curta duração, palestras, debates e seminários, e outros eventos. Também abriga a Biblioteca Gilda de Mello e Souza, com acervo dedicado principalmente à Estética, cujo núcleo gerador é a coleção de livros sobre arte, estética e história da arte que pertenceu à professora que empresta seu nome ao espaço, primeira docente de Estética da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Entre os artistas que tiveram mostras recentes no espaço estão Cildo Meireles, Eleonora Koch, Carlos Zilio, Claudio Tozzi, Evandro Teixeira, Gilvan Barreto, Jaime Lauriano, Laís Myrrha, Leila Danziger , Giselle Beiguelman, Carmela Gross, Dora Longo Bahia, Clara Ianni, Rosana Paulino. Marilá Dardot, Marcelo Moscheta, Walmor Corrêa. entre outros. e artistas internacionais como Lucio Fontana, Luciano Fabro, Mario Merz, Michelangelo Pistoletto, Mimmo Paladino, Gilberto Zorio, Enrico Baj, Alighiero Boetti, Giovanni Anselmo, Maurizio Catellan.

 

 

Empoderamento e resgate étnico

10/out

Na nova exposição do Museu Inimá de Paula, “NOW”, Centro, Belo Horizonte, MG, o destaque da mostra são os vários núcleos de artistas brasileiros contemporâneos, afrodescendentes e indígenas, apresentando 80 artistas da produção contemporânea nacional e mundial. A curadoria é de Romero Pimenta.

A coleção se abre para a arte brasileira e traz nomes como Adriana Varejão, Beatriz Milhares, Luiz Zerbini, Jaider Esbell, Pedro Neves, Maxwell Alexandre e outros.

A explosão da arte dos afrodescendentes é o maior salto estético da arte contemporânea nas primeiras décadas deste século. Configurando uma arte de autoexpressão, empoderamento e resgate étnico. É nesse ambiente que a exposição NOW apresenta o grupo de artistas afro Elian Almeida, Pedro Neves, o bastardo, Jota, Kika Carvalho, Gustavo Nazareno, Desali e Renan Teles.

Até março de 2023.

 

 

Exposição e interferências espaciais

 

Uma exposição coletiva com 23 artistas e cerca de 70 obras, “Ópera Citoplasmática”, ocupa até novembro o espaço do Olho, no Museu Oscar Niemeyer (MON), Centro Cívico, Curitiba, PR. A curadoria é de Diego Mauro e Luana Fortes e a curadoria adjunta e concepção é de João GG.

“Ópera Citoplasmática” propõe um diálogo com o próprio espaço expositivo do Olho, fazendo com que a sua especificidade arquitetônica participe do projeto. A luminosidade controlada do local possibilita um desenho expográfico e uma ambientação experimental, incorporando a curvatura do teto e o vidro escuro das janelas imensas como elementos importantes.

A seleção dos artistas considerou a multiplicidade de linguagens, que inclui desde as mais tradicionais pintura e escultura, passando por instalações, vídeos, projeções de texto, intervenções sonoras feitas especialmente para a exposição e interferências espaciais.

Os participantes são Boto, Darks Miranda, Fernanda Galvão, Gabriel Pessoto, Giulia Puntel, Hugo Mendes, Iagor Peres, Ilê Sartuzi, Janaína Wagner, João GG, Juan Parada, Juliana Cerqueira Leite, Luiz Roque, Mariana Manhães, Marina Weffort, Maya Weishof, Miguel Bakun, Motta & Lima, Paola Ribeiro, Rafael RG, Renato Pera, Rodrigo Evangelista e Wisrah Villefort.

 

O florescer da fotografia brasileira

07/out

 

 

Em homenagem ao bicentenário da Independência do Brasil, o Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro realiza a exposição inédita “Fotógrafos  Italianos – no florescer da fotografia brasileira”, no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro, que estará aberta até 18 de novembro. A mostra conta com cerca de 80 fotografias, em reprodução, distribuídas segundo um percurso temático que permite apreciar a diversidade dos interesses e a variedade da produção desses artistas, ao mesmo tempo abrangendo uma parcela importante da história do Brasil, entre o Segundo Reinado e a Primeira República. O objetivo é divulgar os perfis e as obras de grandes fotógrafos italianos, que, entre a segunda metade do século XIX e as primeiras décadas do século XX, tiveram intensa atuação no Brasil.

Entre os muitos italianos que atuaram como fotógrafos no recorte temporal escolhido, foram selecionados nove personagens que brilham pelas trajetórias singulares e pela qualidade poética e visual de suas obras:  Luiz Terragno, Camillo Vedani, João Firpo, Ermanno Stradelli, Nicola Parente, Guido Boggiani, Vincenzo Pastore, Virgilio Calegari, Luís Musso. Com curadoria de Joaquim Marçal de Andrade e Livia Raponi, a exposição conduz o público em um itinerário traçado a partir do olhar singular desses mestres, verdadeiros pioneiros da oitava arte que contribuíram, com suas imagens, para a constituição do campo da fotografia brasileira e, ao mesmo tempo, para a constituição de uma identidade visual e de uma estética da nação-Brasil. Após a etapa carioca, a exposição seguirá para Brasília, para ser exibida na sede da Embaixada da Itália. O evento conta com os apoios institucionais da Embaixada da Itália e do Consulado Geral da Itália no Rio de Janeiro

“Trata-se de um aspecto muito pouco conhecido da presença italiana no país; de fato, é surpreendente saber que, naquela época, da Amazônia ao Rio Grande do Sul, da Paraíba ao Rio de Janeiro, da Bahia ao Pantanal, esses brilhantes artistas-migrantes registravam com maestria técnica e olhar refinado os habitantes, as cidades e a natureza de um Brasil em rápida e intensa transformação”, avalia Livia Raponi, diretora do Instituto Italiano de Cultura do Rio e uma das curadoras da mostra.

“A fotografia é também uma invenção italiana, desde a constatação da sensibilidade de certas substâncias à luz, ainda na Antiguidade. Pressupõe a utilização de uma camera obscura dotada de lentes – Leonardo da Vinci, Giambattista della Porta, Girolamo Cardano, Daniele Barbaro – estes foram os pioneiros, todos da península itálica. E, curiosamente, à beira do Lago de Como, na Lombardia, o britânico William Henry Fox Talbot vivenciou importante revelação, enquanto desenhava a paisagem com o auxílio de um instrumento óptico denominado “camera lucida”. Surgiu-lhe, então, a ideia de viabilizar um sistema de registro do mundo visível onde “os objetos se delineassem por si só, sem a ajuda do lápis do artista”. Ali ocorreu a gênese do processo negativo-positivo, avalia Joaquim Marçal Andrade, co-curador da mostra.

Sobre os curadores

 

Joaquim Marçal Ferreira de Andrade é servidor aposentado da Biblioteca Nacional onde atuou por 42 anos, tendo chefiado a Seção de Promoções Culturais, a Divisão de Fotografia, a Divisão de Iconografia e a Biblioteca Nacional Digital. Coordenou o projeto de resgate das fotografias da coleção “D. Thereza Christina Maria”, doadas pelo imperador d. Pedro II à instituição e hoje inscritas no Registro Internacional do Programa Memória do Mundo, da Unesco. Mestre em design e doutor em história social, é professor agregado (licenciado) do Departamento de Artes & Design da PUC-Rio. Curador de exposições, perito judicial em fotografia e artes gráficas e autor de ensaios sobre a história da fotografia, das artes gráficas e do design.

Livia Raponi é diretora do Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro e Adida de Promoção Cultural junto ao Ministério das Relações Exteriores da Itália.  Especializada em mediação linguístico-cultural e doutora em Letras pela Universidade de São Paulo, tem desenvolvido ampla pesquisa interdisciplinar sobre o etnógrafo italiano Ermanno Stradelli, objeto de sua tese de doutorado. A partir disso, foi idealizadora e curadora de quatro diferentes exposições – apresentadas, entre 2013 e 2019, em São Paulo, Manaus, Roma e Rio de Janeiro – e organizadora do livro A única vida possível – Itinerários de Ermanno Stradelli na Amazônia (Ed. Unesp, 2016).  Tem ampla experiência de curadoria de exposições de arte e fotografia desenvolvidas no quadro de seu trabalho em prol da difusão da língua e da cultura italiana no exterior.

Sobre os fotógrafos: alguns dados e anedotas

Produzem a partir dos meados do século XIX

 

Luiz Terragno: foi o primeiro fotógrafo em Porto Alegre, na década de 1850, documentando de forma pioneira eventos ao ar livre como uma procissão; fotografou D. Pedro II (e seus genros) por ocasião da viagem a Uruguaiana, no início da Guerra do Paraguai; foi nomeado pelo imperador Fotógrafo da Casa Imperial.

Camillo Vedani: engenheiro, sediado em Campos (RJ), atuou como desenhista na construção de estradas de ferro no Rio de Janeiro, Salvador e Manaus.  Em fotografia, foi um exímio paisagista; nos deixando lindas vistas de Salvador e do Rio de Janeiro,  que nada devem à maestria de Marc Ferrez – com quem colaborou, inclusive, em um momento de sua trajetória (o livro “Italianos detrás da câmera” reproduz, na capa, uma imagem dele – da Praça XV).

João Firpo: de Gênova, se definia “fotógrafo ambulante”: fixado em Paraíba (atual João Pessoa), ele ia de cidade em cidade para oferecer seus serviços, montando seu estúdio e retratando homens, mulheres, crianças. Foi também um negociante de fotografias de outros autores, inclusive retratos de famosos.

Produzem nas últimas décadas do século XIX

 

Nicola Maria Parente: natural da Basilicata, foi fotógrafo retratista mas também cinegrafista itinerante. Foi o primeiro a introduzir o cinematógrafo na Paraíba e pelo nordeste, graças a um equipamento adquirido em Paris. Percorreu, ainda, o interior de São Paulo fazendo projeções.

Ermanno Stradelli: natural da Emília Romanha, era conde e estudava direito na Faculdade de Pisa quando, aos 27 anos, resolveu viajar para a Amazônia e se tornar explorador. Percorreu, carregando o pesado equipamento fotográfico, os principais rios da região, retratando paisagens, moradias, grupos humanos indígenas, no auge do ciclo da borracha. Foi o primeiro a registrar, com sua câmera, um primeiro contato entre autoridades brasileiras e indígenas isolados, por ocasião da “Missão de Pacificação dos índios Chrichanás”, liderada pelo cientista Barbosa Rodrigues, que realizou uma interação pacífica com os Waimiri Atroari do Rio Jauaperi. Tornou-se também um especialista em nheengatu (língua geral amazônica) e em narrativas ameríndias.

Guido Boggiani: natural do Piemonte e jovem pintor de sucesso, decidiu viajar com 26 anos para a América Latina onde queria investigar os povos indígenas Chamacoco e Caduveus, estabelecidos respectivamente no Chaco (Paraguai) e no Mato Grosso do Sul. Os retratos fotográficos de mulheres e homens indígenas que realizou no campo durante a convivência com eles, na década de 1890, são extraordinários para a época.

Vincenzo Pastore (atuou em São Paulo): foi um dos primeiros fotógrafos de rua, precursor da chamada “street photography” no Brasil, retratando trabalhadoras/es manuais e ambulantes e momentos corriqueiros do dia a dia da cidade (por exemplo, a carroça de coleta de lixo em seu percurso cotidiano). Manteve estabelecimento fotográfico para produção de retratos e colaborou com a imprensa.

Virgilio Calegari (atuou em Porto Alegre): participou de numerosas exposições nacionais e internacionais ganhando vários prêmios; exímio retratista e paisagista, dono de qualidade técnicas e artísticas incomuns. Autor/editor do álbum “Porto Alegre” no qual também documenta a província (o interior), incluindo as colônias italianas.

Luigi Musso (atuou no Rio de Janeiro): excelente paisagista, realizou magníficas vistas do centro e arredores da cidade do Rio de Janeiro que documentam sua modernização. A imagem “concept” da exposição, da fachada do Museu Nacional, é de sua autoria. Foi autor e editor de um álbum sobre o Teatro Municipal, cujo texto foi escrito por João do Rio.

Evento adicional: Lançamento do livro “Italianos detrás da câmera. Trajetórias e olhares marcantes no florescer da fotografia no Brasil” com debate, dia 4 de novembro, às 18h.

Realização: Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro e Centro Cultural Banco do Brasil

Apoios institucionais: Embaixada da Itália e Consulado Geral da Itália no Rio de Janeiro.

O Dia das crianças no CCBB

 

Para comemorar o Dia das Crianças e o aniversário de 33 anos do CCBB, no dia 12 de outubro o público de todas as idades está convidado a participar de diversas atividades. Nesse dia de celebração, toda a programação é gratuita e as crianças ainda recebem um lanche especial. A data será marcada pela abertura da exposição OSGEMEOS: nossos segredos e é também o último dia para conferir a exposição Playmode. No quarto andar, as mostras de fotografia Fotógrafos italianos no florescer da fotografia brasileira e Oceanofotográfica e o BB e sua história ocupam as salas. Nos teatros, o Festival Intercâmbio de Linguagens (FIL 2022) traz uma série de eventos, como os espetáculos Pianíssimo, um musical de Tim Rescala, Vitrolinha, com a Palhaça Rubra, Ler é um espetáculo, com Ivan Zigg, e a reapresentação do sucesso Tatá, o travesseiro. Na biblioteca, o Clube de Leitura CCBB 2022 convida para um bate-papo com o escritor de literatura infanto juvenil Godofredo de Oliveira Neto sobre a obra de Alexandre Dumas. O Programa CCBB Educativo participa da programação com diversos horários de visita mediada às exposições e patrimoniais. Nas atividades especiais para a data, estão a Hora do Conto e oficina de dança urbana. No Espaço Conceito BB, o Futuro Presente traz oficinas de arte e tecnologia e uma palestra com o skatista Bob Burnquist. Mais voltados para o público adulto, a programação traz o concerto do Música no Museu e a peça Ficções, estrelada por Vera Holtz. Confira a agenda completa dessa data no site do CCBB – bb.com.br/cultura. Nossos restaurantes, cafeterias e loja oferecem ainda mais descontos para clientes Banco do Brasil (verifique as condições no local).

 

Lenora de Barros: Minha Língua

 

Pinacoteca de São Paulo, Edifício Pinacoteca Luz, São Paulo, SP, exibe até 09 de abril de 2023, mostra panorâmica de Lenora de Barros, sob curadoria de Pollyana Quintella. A exposição com foco nas relações entre corpo e linguagem, da artista paulistana tem relação estreita com a nova montagem do acervo do museu.

“Lenora de Barros: minha língua”, que ocupa as três galerias temporárias do segundo andar da Pinacoteca Luz. A exposição tem um recorte conceitual que foca nas obras que discutem as relações entre corpo e linguagem, num arco que agrega desde trabalhos do início de sua trajetória até um comissionamento produzido especialmente para a ocasião, incluindo ainda produções icônicas como “Poema” (1979) e a série “Procuro-me” (2003). Reunindo cerca de 40 obras da artista visual paulistana, que usa a fotografia, o vídeo, a instalação e a performance como suporte, a mostra reúne peças como “Homenagem a George Segall” (1975-2014) – obra emblemática da sua produção, fruto de um trabalho escolar que criticava a sociedade de consumo tomando como inspiração as expressões das obras do escultor homônimo, além de apresentar um trabalho inédito comissionado especialmente para a mostra intitulado A cara. A língua. “O ventre” (2022), um video composto de três atos (em p&b e cor) em que Lenora explora diferentes situações com argila em diálogo com seu próprio corpo, partindo de significantes que já compõem o repertório de sua obra, como o rosto expressivo, a língua ambígua (a um só tempo órgão e idioma) e o ventre feminino.

A exposição foi organizada em estreito diálogo com a mostra Pinacoteca: acervo – que consiste na nova montagem do acervo do museu, inaugurado em outubro de 2020, levando em conta que em 2022, o país celebra o centenário da Semana de Arte Moderna e o bicentenário de sua Independência. “Trata-se de ocasião propícia para, como propõe a instituição, olharmos criticamente para o legado dos modernistas e nos perguntarmos qual história da arte brasileira se deseja contar”, cita Jochen Volz, o diretor-geral da Pinacoteca.

Um dos destaques é a obra “Poema” (1979), que faz parte do acervo do museu, doação dos Patronos da Arte Contemporânea da Pinacoteca de São Paulo 2018. Espécie de síntese de inúmeras questões que a artista investiga, a obra é constituída de uma série fotográfica em seis atos que documentam um encontro íntimo e conflituoso entre corpo e máquina.

A exposição “Lenora de Barros: minha língua” tem patrocínio do Bradesco. A exposição está acompanhada de um catálogo bilingue, vídeo com participação da curadora e artista e tour virtual.

 

 

A técnica singular de Jeane Terra

05/out

 

 

O Centro Cultural dos Correios, Centro, Rio de Janeiro, RJ, exibe até 19 de novembro, a exposição “Territórios, rupturas e suas memórias”, com um conjunto de mais de 20 obras inéditas da artista Jeane Terra, resultantes de sua vivência no final de 2021 nas cidades baianas de Sobradinho, Remanso, Casa Nova, Pilão Arcado e Sento Sé, durante a seca do Rio São Francisco.  Essas cidades foram inundadas para a construção da barragem Sobradinho e da Usina Luiz Gonzaga, na década de 1970. A exposição tem curadoria de Patricia Toscano.

Além da sua aclamada pesquisa com “pele de tinta”, que resulta em pinturas que se assemelham a “pixels analógicos”, Jeane Terra criou esculturas de vidro soprado, acopladas em uma base feita a partir de fragmentos de escombros de cidades visitadas, algumas contendo água do Rio São Francisco. E as monotipias com que vem trabalhando desde o ano passado, sobre pele de tinta, agora estão também em esculturas de vidro e estruturas de pau-a-pique, feitas com galhos e cipós da Bahia e de Minas.

Assim, igrejas, hospitais, casarios, barcos e uma grande caixa d’água foram exaustivamente registrados pela artista, e originaram pinturas em sua técnica singular, já patenteada, esculturas em vários materiais, e videoinstalações.  As obras ocuparão duas grandes salas do prédio dos Correios, e dois ambientes para as videoinstalações.

 

 

Acervo em Araraquara

03/out

 

A mostra “Ausente Manifesto” é uma parceria do Museu de Arte Moderna de São Paulo e o Sesc São Paulo, Araraquara, São Paulo, SP, permanecerá em cartaz até 11 de dezembro e reúne obras do acervo do MAM-SP e de seu clube de colecionadores. As obras escolhidas inspiram a premissa da ausência percebida, evidenciam o que não está presente ao espectador, remontando ao que está invisível e que pode ser imaginado, ganhando concretude a partir do olhar do público.

“Ausente Manifesto”, com curadoria de Cauê Alves – curador do MAM, e Pedro Nery – museólogo da instituição, traz o trabalho de artistas contemporâneos que transpõem as divisões sedimentadas das linguagens artísticas, trazendo à tona um jogo entre desenho e instalações, vídeo e imagem, fotografia e representação.

Os trabalhos selecionados ganham concretude a partir do olhar do público, como no caso da obra de Regina Silveira, que projeta uma sombra de um móbile de Alexander Calder esparramando pela parede, distorcendo a peça que está ausente; ou Mácula, de Nuno Ramos, que mostra uma foto tirada diretamente para o sol e que revela um halo de luz, com inscrições em braile, criando visualidade de uma experiência primordial de significação. No jogo irônico da obra Working Class Hero, da série The Illustration of Art, de Antonio Dias, o artista se filma comendo um prato de arroz e feijão e depois lava a louça usada, colocando em questão a idealização simbólica da produção artística e do museu. “Assim, é das próprias obras que temos a experiência de espectadores da produção simbólica, e de seu questionamento”, dizem os curadores. O telhado de Marepe faz uma miragem de uma casa completa, com janelas, paredes e portas, e na obra de Damasceno é possível ver um homem que olha um quadro feito do instrumento que permite desenhar, dessa forma, o olhar do público é que confirma e atribui essas condições.

Na exposição, sente-se a ausência do objeto e, ao mesmo tempo, é possível imaginá-lo pendurado ali. Esse preenchimento é justamente o universo simbólico pretendido. “Falar do que não está presente é, na verdade, o tema central do museu. Os objetos expostos, guardados e preservados, estão lá por seus valores simbólicos, por exemplo, um simples lápis quando entra para a coleção de um museu, deixa de servir à escrita e passa apenas a atender ao olhar do visitante”, comentam os curadores.

A exposição reforça um caráter inusitado e, por vezes irônico, da arte contemporânea em deturpar a lógica de representação dos objetos que são reconhecidos por suas utilidades, estabelecendo, dessa forma, uma ordem diferente entre o que é representar e criar. A arte é produtora do simbólico de nascença, ou seja, quando criada ela não tem uma utilidade prática.

Artistas que integram a mostra: Adriana Varejão, Angela Detanico, Anna Bella Geiger, Antonio Dias, Cao Guimarães, Carlito Carvalhosa, Cinthia Marcelle, Coletivo Garapa, Dora Longo Bahia, Ernesto Neto, Fabiano Marques, Fabrício Lopez, Gabriel Acevedo Velarde, Gilvan Barreto, Jonathas de Andrade, José Damasceno, José Patrício, Lenora de Barros, Lucia Koch, Marcius Galan, Marepe, Matheus Rocha Pitta, Mídia Ninja, Milton Machado, Milton Marques, Nelson Leirner, Nuno Ramos, Rafael Lain, Regina Silveira, Rivane Neuenschwander, Romy Pocztaruk, Sara Ramo, Tadeu Jungle, Thiago Bortolozzo, Thiago Honório e Waltercio Caldas.

 

Comemorando 35 anos

30/set

 

 

A Casa de Cultura Laura Alvim está localizada no início da Praia de Ipanema, Zona Sul, Rio de Janeiro, RJ, e se destaca por ser uma das únicas residências originais à beira-mar e um centro cultural que oferece ao público diversas atividades artísticas e eventos em um ambiente elegante e eclético. Para celebrar o legado cultural deixado desde os anos 1980, foi inaugurado o projeto “35 anos de Laura”, uma exposição inédita e imersiva pela história da dona do imóvel. Gerida pela Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (FUNARJ) e vinculada à Secretaria do Estado de Cultura, a Casa de Cultura Laura Alvim foi inaugurada em 12 de maio de 1986

Laura Alvim, falecida em 1984, era filha do médico Álvaro Alvim, pioneiro no uso de raios-X no Brasil, e neta de Angelo Agostini, precursor da caricatura nacional que teve papel de destaque na abolição da escravidão e no advento da República, através de suas sátiras e críticas políticas. Considerada por muitos como a primeira “garota de Ipanema”, a filantropa queria ser atriz, mas nunca atuou profissionalmente. Em prol das artes, que a encantava, doou sua casa ao Governo do Estado do Rio em 1983, sendo inaugurada como espaço cultural dois anos após sua morte.

Homenageando o sonho realizado de Laura Alvim, o projeto apresenta, pela primeira vez, peças originais, que foram catalogadas para trazer à tona a história, vivências, sentimentos e lembranças, na forma de obras de arte, mobiliários, louças e outros itens, dos momentos vividos por Laura Alvim e sua família. Também foram digitalizados mais de 1500 itens, como fotografias e materiais culturais, e organizados 720 objetos, como candelabros, cristaleiras, mesas e cadeiras. O acervo cultural e museológico passará a fazer parte da casa em um espaço permanente, o Memorial Laura Alvim.

Em cartaz até o dia 13 de novembro.

 

 

Coleção de manuscritos em exibição

26/set

 

Fundamentada na coleção de manuscritos de Pedro Corrêa do Lago, considerada uma das maiores e mais relevantes do mundo nesse campo, “A Magia do Manuscrito” é uma exposição que apresenta a escrita como um dos meios viscerais pelos quais deixamos rastros de nossa existência. No momento em que grande parte de nossa comunicação se torna totalmente imaterial, essa coleção transmite o poder da caneta e do papel para iluminar a energia, a paixão, a vulnerabilidade e a imaginação da humanidade através dos tempos.

Com curadoria do próprio colecionador, foi originalmente apresentada pela Morgan Library Museum, em 2018, na cidade de Nova York. A exposição conta com cerca de 180 peças originais na letra de figuras de destaque, divididas em seis grandes áreas da humanidade – arte, história, literatura, ciência, música e entretenimento – com escritos de personalidades internacionais, como Isaac Newton, Darwin, Einstein, Marie Curie, Nelson Mandela, Mozart, Michelangelo, Picasso, Frida Kahlo, Van Gogh, Beethoven, Kafka, Tolkien, Simone de Beauvoir, e muitos outros. Para a exibição do Sesc Avenida Paulista, Arte I (5º andar), São Paulo, SP, a curadoria foi repensada para inclusão de mais nomes relevantes na cultura brasileira, como Tiradentes, Machado de Assis, Santos Dumont, Clarice Lispector, Villa-Lobos, Pixinguinha, Fernanda Montenegro, Carmen Miranda, Oscar Niemeyer, Dom Pedro I, Princesa Isabel, dentre outros.

Pedro Corrêa do Lago, que formou a coleção por mais de cinquenta anos, é escritor, curador e historiador da arte. Nascido no Rio de Janeiro em 1958, foi presidente da Biblioteca Nacional do Brasil entre os anos de 2003 e 2005 e fundou, em 2002, a Editora Capivara. É o curador da coleção Brasiliana Itaú, em exposição permanente no Itaú Cultural. Em coautoria com sua esposa, a escritora e jornalista Bia Corrêa do Lago, venceu o Prêmio Jabuti em 2009 pelo livro “Coleção Princesa Isabel – Fotografia do Século XIX”.

 

Visitação: Até 15 de janeiro de 2023.

 

Grande exposição no Recife

21/set

 

Com curadoria de Moacir dos Anjos, a mostra “Necrobrasiliana” chegou em Recife, PE, e permanecerá em exibição até 29 de janeiro de 2023 na Galeria Vicente do Rego Monteiro, da Fundação Joaquim Nabuco. A nominata de artistas participantes é composta por Ana Lira, Dalton Paula, Denilson Baniwa, Gê Viana, Jaime Lauriano, Rosana Paulino, Rosângela Rennó, Sidney Amaral, Thiago Martins de Melo, Tiago Sant’Anna, Yhuri Cruz e Zózimo Bulbul. Para o curador, a exposição é um desdobramento das pesquisas que desenvolve desde 2008, sob a relação entre arte e política, partucularmente o Brasil contemporâneo e essas investigações resultaram em alguns projetos de exposição, que permitiram a ele se “aproximar da produção de vários artistas que lidam com as violências que formaram e ainda constituem” o Brasil. “Comecei a perceber a recorrência de trabalhos de artistas, principalmente afrodescendentes e indígenas, mas não apenas, que estavam fazendo, em suas obras, embates críticos com essas imagens que supostamente retratavam o Brasil entre os séculos 16 e 19. A partir daí, comecei a pesquisar mais ativamente esta produção”.

 

Moacir dos Anjos ainda revela que a mostra foi concebida em 2019, pela Fundaj. No ano seguinte, a Fundação e o Museu Paraense (MUPA) fizeram um acordo de cooperação técnica e cultural, que teve como primeiro fruto a exposição “Educação pela Pedra”, realizada em 2021, no museu paranaense. Por causa das agendas das instituições, ambas decidiram que “Necrobrasiliana” seria primeiro exibida em Curitiba e, depois, no Recife.

 

Com os anos de pandemia e o agravamento da crise política que o Brasil atravessa, a exposição se tornou ainda mais relevante, de acordo com o curador. “As questões que ela apresenta, e o racismo, em particular, tornaram-se mais urgentes. A coincidência com as comemorações dos 200 anos da Independência também deram maior pertinência, pois muitas das obras se referem, de modo crítico, a imagens feitas naquele tempo, que ainda hoje informam a memória que temos do Brasil dos tempos de colônia e império”, avalia.

 

O título da mostra é uma alusão ao conceito de necropolítica – políticas de morte, para o controle das populações -, elaborado pelo filósofo, teórico político, historiador e professor universitário camaronês Achille Mbembe. E se refere, também, à brasiliana, nome dado à produção de viajantes europeus ao País, durante o período colonial, por artistas, escritores, cartógrafos e cientistas, como Albert Eckout, Frans Post, Jean-Baptiste Debret, Johan Moritz Rugendas e Nicolas-Antoine Taunay.

 

“É também o título de um trabalho de Thiago Martins de Melo, que conheci numa exposição do artista em São Paulo, no início de 2019. Duas pinturas dessa exposição estão presentes em Necrobrasiliana, mas não aquela de título idêntico”, diz.

 

Moacir dos Anjos argumenta que os trabalhos expostos revelam duas estratégias artísticas principais, em curso, que se debruçam sobre a reavaliação da representação colonial no Brasil. Por um lado, diz ele, há obras que focam na exposição de danos impostos às populações racializadas, ao longo da história do País, a exemplo das criações de Thiago Martins de Melo, Jaime Lauriano ou Rosana Paulino. Outros, apontam para uma “dimensão de cura e redesenho” do que poderia ser o Brasil no futuro, a saber, os trabalhos de Gê Viana, Ana Lira e Yhuri Cruz e Dalton Paula. “Em alguns, essas duas operações se embaralham um pouco. Como está no título do ensaio publicado no catálogo, são estratégias artísticas que querem ‘defender os mortos e animar os vivos’, pondera. “Ou seja, defender os mortos de suas dores, mas, também, simultaneamente, animar os vivos a fazerem valer, no tempo de agora, os desejos frustrados ou sufocados de tantos no passado. Insistir nessa relação de ‘intimidade’ entre a experiência dos que vivem agora com as vidas dos que há muito morreram me parece, de fato, fundamental.”