As tramas flexíveis de Ascânio MMM.

13/ago

A Galeria Silvia Cintra+Box, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, 4 apresenta até 26 de setembro, a produção inédita de Ascânio MMM: formatos irregulares e muita cor em tramas flexíveis de alumínio.

Um conjunto de trabalhos inéditos é o que o escultor Ascânio MMM apresenta na exposição “Poex**”, na galeria Silvia Cintra+Box 4, com abertura no sábado, 15 de agosto, de 16 às 19 horas. “Poex” reúne 10 peças de parede e uma escultura de chão, penetrável, de quase quatro metros de altura, realizadas entre 2024 e 2026.

A novidade desta série de trabalhos de perfis de alumínio e parafusos é a troca dos perímetros quadrados e retangulares, da fase anterior, por irregularidades na montagem dos elementos de metal vazado que constituem a peça.

Em seu texto de apresentação, o crítico Felipe Scovino diz que “Poex passa não só a adotar formatos irregulares, mas, acima de tudo, institui a ruptura da trama. O sistema em grid […] não deixa de existir, mas passa a ser atravessado por um regime da falta”. Felipe Scovino defende que nesta mostra, o vazio é uma força poética do trabalho.

**Poex é a abreviação de “poética experimental”, expressão proposta por Paulo Herkenhoff a respeito da pesquisa do artista, no livro “Ascânio MMM: poética da razão”.

Minibio

Ascânio Maria Martins Monteiro, abreviado para Ascânio MMM, nasceu em Fão, em 1941. Mudou-se definitivamente para o Rio de Janeiro com a família em 1959, e naturalizou-se brasileiro em 1970. Vive e trabalha no Rio. É formado em Arquitetura (UFRJ) e estudou arte na Escola Nacional de Belas Artes. Em 1972, Ascânio MMM ganhou o Grande Prêmio do Panorama da Arte Brasileira do MAM-SP e o Prêmio Viagem e Aquisição no Salão Nacional de Artes Plásticas 1978 [MEC Rio]. Participou da Bienal Internacional de São Paulo 1969 e 1979 – nesta última como artista convidado, e da Bienal do Mercosul 1997. Ele integra os acervos do MASP, MAC-SP, MAM-SP, MAM Rio, Museu Nacional de Belas Artes [RJ], Museu de Arte do Rio [MAR] e Pinacoteca do Estado de São Paulo. Seu currículo soma cerca de 36 individuais no Rio, SP, BH, Curitiba, Recife, Lisboa, Porto, e 110 coletivas e salões. Nos anos 2020, participou de coletivas históricas no MASP, MAC SP, MAM Rio, MAM SP e no Instituto Tomie Ohtake. O escultor tem obras de grandes dimensões em espaços públicos, como na sede da Prefeitura do Rio de Janeiro [Av. Presidente Vargas, Centro], no Edifício Argentina [Praia de Botafogo 228], no Edifício Residencial Daniel Maclise [Rua Cosme Velho 415, Cosme Velho], nos hotéis Royalty Copacabana e Barra da Tijuca, na sede da GlaxoSmithKline, Jacarepaguá [RJ]; no Edifício Matarazzo, onde está a sede da Prefeitura de São Paulo, na Sé, no Edifício Salvador Dali, Belo Horizonte, e na Assembleia Legislativa de Teresina, Piauí. No exterior, Ascânio tem peças na sede da Caixa Geral de Depósitos de Lisboa e no Largo do Cortinhal, em Fão, Portugal, e no Edifício Nissin, Tóquio, Japão.

Dois modos de pintar o corpo.

Andy Vilella e Gerben Mulder aproximam figura, matéria e transformação em exposição no Tropigalpão, Glória, Rio de Janeiro, RJ..

A NND | AZECO apresenta a exposição “Demons in Fragile Bodies”, com curadoria de Victor Gorgulho, a partir de 13 de agosto. A mostra reúne Andy Vilella e Gerben Mulder, dois artistas de trajetórias e contextos distintos que encontram na pintura um campo de experimentação e investigação.

A exposição aproxima duas pesquisas que têm a pintura como eixo, mas partem de experiências bastante diferentes. Andy Vilella desenvolve uma prática marcada pela experimentação de materiais, pelo gesto e pela relação do próprio corpo com a superfície da tela, articulando procedimentos como acrílica, stencil, bastão oleoso, spray e fogo. Gerben Mulder constrói uma pintura de atmosfera onírica e inquietante, povoada por flores, animais e figuras humanas que transitam entre o reconhecimento e a deformação. Ao reunir os dois artistas, “Demons in Fragile Bodies” cria um campo de diálogo entre diferentes maneiras de construir a imagem e de tensionar os limites da representação.

O encontro entre os dois artistas se dá a partir de uma aproximação construída para esta exposição, colocando em relação trabalhos que não partem das mesmas referências nem utilizam os mesmos procedimentos. O próprio título sugere uma convivência entre forças aparentemente opostas – aquilo que inquieta e aquilo que é vulnerável -, aspecto que encontra diferentes ressonâncias nas pinturas de Vilella e Mulder. A escolha de reunir os dois permite observar como diferentes experiências com a pintura podem produzir imagens que oscilam entre o reconhecimento e o estranhamento, entre a presença do corpo e sua transformação. Mais do que estabelecer equivalências, a mostra propõe acompanhar essas aproximações e diferenças no espaço expositivo.

As trajetórias dos dois artistas também revelam diferentes momentos de consolidação de suas pesquisas. Andy Vilella participou recentemente de uma exposição no Museu de Arte Contemporânea, em Salvador, que resultou na incorporação de sua obra à coleção permanente da instituição. Gerben Mulder, por sua vez, já apresentou seu trabalho no Rio de Janeiro em diferentes contextos: em 2024, dividiu as salas da Carpintaria com Iberê Camargo, em mostra com curadoria de Luiz Zerbini, Paulo Azeco e Tiago Mesquita, e, no mesmo ano, teve sua produção reunida em O burro cansou, na NONADA ZN, com curadoria de Luiz Zerbini e Paulo Azeco. Em “Demons in Fragile Bodies”, os dois artistas se encontram agora em uma exposição dedicada ao diálogo entre suas produções.

Sobre os artistas.

Andy Vilella nasceu no Rio de Janeiro, 1994. O artista tem a pintura como eixo de sua produção, desenvolvendo uma pesquisa marcada pela experimentação material e pela relação corporal com a superfície da obra. Acrílica, stencil, bastão oleoso, spray e fogo integram seu repertório de procedimentos, em uma prática que articula gesto, matéria e questões relacionadas à construção de gênero. Sua pintura transita entre o figurativo e o abstrato e privilegia o processo, a experimentação e a construção de uma linguagem própria.

Gerben Mulder nasceu em Amsterdã, Holanda, 1972. Autodidata, Gerben Mulder constrói uma pintura de atmosfera onírica e inquietante, em que flores, animais e figuras humanas aparecem em cenas fragmentárias e naturezas-mortas. Seus personagens transitam entre rostos adultos e corpos infantis, entre inocência e perversidade, enquanto paletas sombrias e gestos turbulentos conferem às imagens uma dimensão ambígua. O artista combina o caráter lúgubre de suas pinturas a um humor sarcástico, perceptível nos sorrisos tortos e nos títulos irônicos de parte de sua produção.

Até 10 de setembro.

Lançamento de catálogo de Fábio Miguez.

O Instituto Ling, bairro Três Figueiras, Porto Alegre, RS,  lança dia 18 de agosto o catálogo da exposição “Campo e Construção”, mostra individual de Fábio Miguez, com curadoria de Pollyana Quintella. Participam os convidados Fernanda Albuquerque e Guilherme Dable.

A exposição “Campo e Construção” articula, pela primeira vez, dois eixos da obra de Fábio Miguez: suas pinturas recentes de arquiteturas vernaculares brasileiras e suas composições inspiradas nos mestres pré-renascentistas italianos. Ao aproximar esses universos, o artista investiga formas de representação do espaço e revela como luz, tempo e uso se inscrevem nas superfícies construídas. A mostra inclui ainda obras realizadas diretamente nas paredes do Instituto Ling, em que pintura e arquitetura se fundem.

Sobre o artista.

Fábio Miguez nasceu em São Paulo, 1962, SP. É um dos principais nomes da pintura contemporânea brasileira e integrante fundador da Casa 7, grupo que renovou a pintura nos anos 1980. Sua produção inicial, influenciada pelo neoexpressionismo alemão, explorava paisagens densas, com acúmulo de matéria e tons escuros. A partir dos anos 1990, sua pesquisa voltou-se à luz e à abstração, incorporando transparências, cores claras e estruturas geométricas. Nos anos 2000, expandiu a pintura para o campo tridimensional, criando instalações com a sobreposição intercalada de placas de vidro pintadas, assim como suas valises, que comportam objetos que permitem a interação do espectador e a recombinação de diversos elementos. Desenvolve, desde 2010, a série “Atalhos”, na qual reelabora fragmentos de obras de mestres da pintura, e a “série Volpi”, inspirada em detalhes da obra de Alfredo Volpi. Fabio Miguez vive e trabalha em São Paulo. Suas obras integram coleções de instituições como o Centro Cultural São Paulo (CCSP); Instituto Figueiredo Ferraz (IFF); Museu de Arte de São Paulo (MASP); Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio); Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP); e Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Paço Imperial realiza seminário.

Evento gratuito acontece nos dias 21 e 22 de agosto, com a participação de artistas, curadores e pesquisadores, e integra a exposição “Nordeste Expandido: estratégias de (re) existir”.

O seminário contará com a participação de artistas, curadores e pesquisadores, como as curadoras e professoras Izabela Pucu, Luiza Interlenghi e Marisa Flórido Cesar; o historiador, sociólogo e pesquisador Alexandre Barbalho; os artistas Alan Adi, Simone Barreto e Dinho Araujo; a psicóloga, professora e arte-educadora Mariana Bessa e a artista, gestora cultural, educadora e curadora Samantha Moreira.

O seminário terá duas rodas de conversa, uma no dia 21 e outra no dia 22 de agosto, ambas com entrada gratuita. A primeira será “Nordestes e pesquisas em trânsito”, no dia 21 de agosto, sexta-feira, às 16h, que propõe um espaço de diálogo sobre a região e a sua produção a partir do olhar de Izabela Pucu, Luiza Interlenghi, Marisa Flórido, Alexandre Barbalho e Alan Adi. Mais do que pensar o Nordeste como uma unidade homogênea, a ideia é reconhecer o que emerge de diferentes territórios, experiências, temporalidades e modos de produzir conhecimento. Cada pesquisa constrói, desloca ou tenciona determinadas imagens e sentidos atribuídos à região. Assim, a roda busca abrir espaço e alargar conceitos para que diferentes vozes e experiências revelem as diferenças, as contradições, os deslocamentos e as reinvenções. Nesse movimento, a produção artística também se apresenta como campo de criação e disputa, capaz de inventar outras imagens e possibilidades para os Nordestes. Entre pesquisas, produções e experiências, a arte aparece como espaço de trânsito.

No dia 22 de agosto, às 15h, será realizada a conversa “Territórios, imaginação e educação – processos educativos”, que propõe um encontro entre artistas que, em diferentes edições do projeto, também participaram da construção e da experiência dos processos educativos. A partir dessas vivências, a conversa busca refletir sobre as relações entre arte, território e educação, compreendendo o educativo não apenas como mediação, mas como espaço de encontro, escuta, experimentação e produção coletiva de sentidos. As experiências dos participantes permitem pensar como diferentes territórios atravessam as práticas artísticas e educativas e como a imaginação pode criar outras formas de perceber, ocupar e narrar esses espaços. Nesse percurso, a roda pretende compartilhar experiências e pensar coletivamente os caminhos possíveis para processos educativos que sejam sensíveis às particularidades dos territórios e às múltiplas formas de produzir conhecimento.

A exposição “Nordeste Expandido: estratégias de (re) existir” pode ser vista até o dia 06 de setembro. Com curadoria de Jacqueline de Medeiros e curadoria adjunta de Cecília Gallindo Cornélio, a mostra apresenta 216 obras de 110 artistas da região Nordeste do Brasil, em uma itinerância iniciada em 2023 no Recife, que já passou por Fortaleza, Natal, São Luís, Teresina, João Pessoa e Aracaju até chegar ao Rio de Janeiro.

O espaço de experimentação e descoberta.

11/ago

A Gentil Carioca apresenta “Espaço Profundo”, nova exposição individual de Mariana Rocha na sede de São Paulo. A mostra reúne um novo conjunto de pinturas e é acompanhada por um texto inédito de André Pitol, curador adjunto da 36ª Bienal de São Paulo, professor, curador e pesquisador. Na abertura, às 11h30, André Pitol participa de uma conversa com a artista sobre a exposição e sua pesquisa.

Em “Espaço Profundo”, Mariana Rocha amplia a investigação desenvolvida em trabalhos anteriores, abrindo espaço para novas interpretações sobre suas pinturas. Se antes a relação entre corpo e água orientava de forma mais evidente esse universo, agora a artista aproxima sua pesquisa de uma dimensão mais cósmica, sugerida também pelos títulos das obras. Sem abandonar a construção de corpos e paisagens imaginárias, a mostra reafirma o interesse por aquilo que permanece aberto, entre o real e o mistério.

Ao reunir este novo conjunto de pinturas, gesto, cor e linha se articulam entre controle e intuição, fazendo da tela um espaço de experimentação e descoberta. Como escreve André Pitol, “o corpo como um espaço móvel está presente na pintura de Mariana Rocha, que transforma as equivalências entre os espaços internos e externos do corpo em movimentos de maré”.

Nova exposição de Ernesto Neto.

10/ago

A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta “Vonta de vi dada dada”, uma nova exposição individual de Ernesto Neto, inaugurada simultaneamente nos espaços Barra Funda e Jardins da galeria, em São Paulo. 

Reunindo um novo conjunto de instalações escultóricas, trabalhos sobre papel e intervenções textuais, a mostra amplia a investigação de longa data do artista sobre a interdependência entre corpos, materiais e sistemas vivos. Distribuídas entre os dois espaços, esculturas em crochê de algodão, cordas trançadas, bambu, aço corten e argila assumem configurações orgânicas que evocam insetos, raízes, montanhas, florestas e outras formas híbridas, propondo a escultura como um campo de relações, movimento e transformação contínuas.

No centro da exposição está uma nova série de esculturas murais que Neto denomina InsePás: estruturas tensionadas e celulares que se expandem pelas paredes, tetos e cantos da arquitetura como organismos vivos ou fluxos de energia atravessando o espaço. Desenvolvidos a partir de pesquisas anteriores sobre suspensão, equilíbrio e estruturas relacionais, esses trabalhos aprofundam a compreensão do artista da escultura como algo ativado pelo encontro, e não como forma estática. Em diálogo com eles, a exposição inclui uma escultura de grande escala em aço corten cuja estrutura ramificada evoca simultaneamente uma paisagem montanhosa e um corpo vivo sustentado por relações de equilíbrio e apoio mútuo.

Em conjunto, as obras transformam a galeria em um ecossistema permeável, mais do que em um espaço expositivo neutro. Escultura, desenho, escrita e som articulam-se como manifestações de uma visão de mundo marcada pelo pensamento cosmológico, pela interdependência ecológica e pelo conhecimento incorporado. Em vez de estabelecer separações entre natureza e cultura, ou entre arquitetura e corpo, a exposição propõe um ambiente em que formas humanas e não humanas coexistem em constante intercâmbio, reafirmando a compreensão de Ernesto Neto de que a vida se sustenta por meio das relações, da reciprocidade e da vitalidade compartilhada entre todos os seres.

Cosmologia afro-brasileira e referências rituais.

A Simões de Assis apresenta a individual de Ayrson Heráclito, “Ojú-Inú”, em seu espaço em São Paulo. A partir da noção iorubá de Ojú-Inú – “olho interno” – Ayrson Heráclito apresenta um conjunto de obras atravessadas pela cosmologia afro-brasileira e pelas referências rituais que orientam sua prática artística.

Com texto crítico de Hélio Menezes, a exposição reúne cerca de 30 obras entre esculturas, aquarelas, fotografias e vídeos. Compartilhando da ideia de percepção estética e espiritual formulada pelo historiador da arte Rowland Abiodun, Heráclito propõe um percurso em que matéria, memória, corpo e ancestralidade se articulam como formas de conhecimento e criação.

Realizada enquanto o artista integra a 61ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, In Minor Keys, a mostra apresenta trabalhos inéditos que aprofundam questões centrais de sua pesquisa, estabelecendo diálogos entre ritual, história e imaginação.

Diálogos possíveis entre Arte e Design.

07/ago

Artista brasileiro apresenta duas obras inéditas durante a Copenhagen Fashion Week, em pesquisa que aproxima ancestralidade, arte contemporânea e design. O artista visual brasileiro Paulo Ricardo Campos apresenta, na Dinamarca, duas obras inéditas desenvolvidas especialmente para a Copenhagen Fashion Week. Os trabalhos integram uma pesquisa que aproxima arte contemporânea, design e sustentabilidade, investigando relações entre criação artística, natureza e cultura.

A instalação “Gênese”, com seis metros de altura, foi apresentada no dia 06 de agosto, no King’s Garden, parque histórico localizado no centro de Copenhagen. Criada para o espaço público, a obra propõe uma reflexão sobre origem, transformação e os processos de criação que atravessam a pesquisa do artista. A segunda obra, “Matriz”, será apresentada em ambiente interno durante a programação da semana de moda.

A participação de Paulo Ricardo Campos na Copenhagen Fashion Week integra um laboratório de pesquisa dedicado aos diálogos possíveis entre Arte e Design. O evento, reconhecido internacionalmente por suas discussões sobre sustentabilidade e inovação, reúne criadores e pesquisadores interessados em novos processos e caminhos para a indústria criativa.

A pesquisa do artista articula referências ancestrais e questões contemporâneas, aproximando diferentes formas de conhecimento. Descendente de povos originários, o artista cresceu em contato com a memória e os saberes transmitidos por sua avó Eunice, experiência que integra sua formação e se relaciona a uma investigação artística que também envolve luz, matéria, percepção e processos contemporâneos de criação. Ao estabelecer relações entre ancestralidade, natureza e experimentação, o artista desenvolve uma produção que transita entre pintura, instalação e intervenções espaciais, buscando novas possibilidades de circulação para a arte e novos diálogos com o design.

Reciclando plástico e papelão.

Galeria de Arte Solar apresenta até 09 de outubro, “Maré de origem”, individual da artista cearense Brenda Guimarães. A exposição traz obras criadas a partir de embalagens descartadas, entre objetos, esculturas e pinturas matéricas. A mostra abre no dia 14 de agosto, em diálogo com o projeto ambiental do Solar Meninos de Luz, na comunidade do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, no Rio de Janeiro.

Com curadoria de Adriana Nakamuta, a individual reúne cerca de dez obras, entre objetos, esculturas e pinturas matéricas, incluindo cinco trabalhos inéditos. A mostra apresenta a pesquisa da artista cearense que transforma resíduos de plástico e papelão em objetos de arte e design a partir de uma técnica autoral derivada do papel machê. Em cartaz até 9 de outubro, com entrada gratuita, a exposição conecta-se com o programa “Do Morro ao Mar: Justiça Ambiental em Ação”, projeto pedagógico e ambiental, que rendeu ao Solar Meninos de Luz o selo Escola Azul. 

Na Galeria de Arte Solar, Brenda Guimarães apresenta um conjunto de obras que parte de uma investigação sobre memória, materialidade e futuro, com base em material de descarte urbano, atado, rearranjado, sobreposto e recoberto por massa de celulose, feita de papelão e pigmentos minerais. Entre camadas que remetem a formações geológicas, organismos imaginados e paisagens afetivas, a artista constrói um território onde lembranças e natureza se encontram, numa reflexão sobre as relações entre o humano e a terra. Daí o título da exposição, “Maré de origem”, e das séries apresentadas, “Escavação” e “Abissal”.

Formada em Design de Moda, Brenda Guimarães trabalhou por mais de 18 anos no varejo antes de dedicar-se às artes visuais. A convivência com uma cadeia produtiva marcada pelo consumo acelerado despertou questionamentos que hoje atravessam sua obra. “Os objetos descartados carregam marcas do tempo e da nossa relação com o mundo. Ao reinseri-los em novos contextos, convido o público a refletir sobre o impacto que produzimos no meio ambiente e sobre outras possibilidades de convivência com a matéria”, diz a artista.

Soft Ground na Casa da Cultura da Comporta.

06/ago

A Fortes D’Aloia & Gabriel anuncia “Soft Ground”, a sexta edição de sua exposição anual de verão em Comporta, Portugal, apresentada pelo segundo ano consecutivo em colaboração com a Mendes Wood DM e, pela primeira vez, com a galeria portuguesa Kubikgallery, de 04 de julho a 05 de setembro.

A programação deste ano acontece em dois espaços: a Casa da Cultura da Comporta e o Espaço Museológico Museu do Arroz. A exposição coloca a arte contemporânea em diálogo com a atmosfera singular da região, propondo uma forma de experiência mais lenta e contemplativa. Fundamentada na abertura e no diálogo, a iniciativa reflete o espírito colaborativo das galerias ao fomentar parcerias significativas com instituições afins.

A exposição será acompanhada por um ensaio crítico da curadora e escritora Filipa Ramos. Ramos é uma das vozes mais relevantes na intersecção entre arte, ecologia e imagem em movimento, reconhecida por sua investigação rigorosa sobre coexistência multiespécies, fragilidade ambiental e políticas da paisagem. Seu texto oferecerá um enquadramento crítico para as questões levantadas pela exposição: a terra, a transformação e as formas de atenção e cuidado que ainda precisamos escolher praticar.

Com obras de Anne Lefebvre, Antonio Társis, Artur Lescher, Cristiano Lenhardt, Damián Ortega, Daniel Steegmann Mangrané, Erika Verzutti, Ernesto Neto, Flávia Vieira, João Maria Gusmão, Laís Amaral, Luiz Zerbini, Lygia Pape, Manuella Silveira, Marcius Galan, Marina Rheingantz, Marcos Siqueira, Patrícia Leite, Paulo Nimer Pjota, Paula Siebra, Pedro Tudela, Pedro Vaz, Rivane Neuenschwander, Santídio Pereira, Solange Pessoa e Vasco Futscher.