No Instituto Tomie Ohtake

21/jun

A mostra inédita, organizada e realizada pelo Instituto Tomie Ohtake, Pinheiros, São Paulo, SP, sob a curadoria de Paulo Herkenhoff, coloca em destaque a produção e a trajetória de diversas mulheres que desafiaram convenções e limites de suas épocas, nos séculos XIX e XX no Brasil, seja no campo estético ou social. “Invenções da Mulher Moderna, Para Além de Anita e Tarsila” é o resultado de uma extensa pesquisa que o curador Paulo Herkenhoff desenvolve há décadas, alimentada pela contínua reflexão sobre a obra de diversas mulheres artistas brasileiras. Esta mostra, portanto, desdobra o já conhecido comprometimento de Herkenhoff com o registro histórico da produção feminina e com a reflexão teórica sobre suas invenções.

 

Para a exposição, com cerca de 300 obras, além de fotos e documentos, o curador toma como referência dois pilares do modernismo no Brasil, Anita Malfatti e Tarsila do Amaral, e apresenta novos apontamentos sobre suas obras e histórias. Em torno dessas referências, a maior parte das obras e das narrativas presentes na exposição vai mais longe, e apresenta mulheres que são em sua maioria desconhecidas do grande público.

 

Entre mostra e catálogo, o curador não pretende organizar um dicionário/glossário de nomes e imagens, muito menos construir uma grande narrativa completa e acabada, mas situar de maneira historiográfica e crítica diversas personagens que complementam e transformam a história da cultura e da arte no país.

 

Assim, ao invés de uma narrativa linear, a mostra elege diversos núcleos, que se distribuem como uma rede ou uma constelação. Núcleos heterogêneos são estabelecidos e dão visibilidade a questões e temas relevantes, que abrangem tanto dados históricos e factuais quanto tentam evidenciar a subjetividade das artistas escolhidas. As invenções, como sugere o título, dizem respeito às criações dessas mulheres e também à construção da imagem da mulher que foi sendo aberta e lapidada ao longo dos séculos XIX e XX. Além de seu pioneirismo, essas personagens têm em comum o enfrentamento de tensões e conflitos de diversas ordens.

 

Em “Mulheres de Vassouras” – trocadilho entre as mulheres e a cidade carioca que foi polo do café do século XIX e de revoltas de escravos – estão: retratada em pintura anônima, Eufrásia Teixeira Leite (1850 – 1930), intelectual que se relacionava com Joaquim Nabuco e se notabilizou por libertar seus escravos e por seus atos de filantropia; registros da prisão, oriundos do Arquivo Nacional, de Mariana Crioula, negra, casada com o quilombola Manoel Congo e que, ao seu lado, participou da maior fuga de escravos ocorrida em 1838; e obra de Abigail de Andrade (1864 – 1890, França) que, segundo o curador, foi uma das primeiras a executar no Brasil as chamadas pinturas de gênero, pautadas nas cenas cotidiana de interiores doméstico.

 

Para pensar as “Mulheres do Século XIX”, Paulo Herkenhoff se vale da ideia do “muxarabi”. O elemento da arquitetura que lembra uma grade de madeira, de origem árabe, permite entrada da luz, se pode ver de dentro para fora, mas não de fora para dentro. Essa posição representa o lugar protegido e reservado que era designado à mulher e foi, gradualmente, superado conforme mulheres decidiam abandonar tal “mediação” ao pintar e registrar a cidade, encarando e sendo encaradas de volta. No século XIX houve cerca de 50 mulheres conhecidas como pintoras e a exposição reunirá cerca de 15 delas.

 

Já o núcleo “Modernas antes do Modernismo” elenca nomes de artistas que marcaram a época e o local em que viveram, por estarem desvinculadas dos princípios da arte acadêmica, porém não integrando o modernismo organizado como vanguarda no país no começo do século XX. É o caso da espanhola, que chegou ao Brasil nos anos de 1890, Maria Pardos em Juiz de Fora, Minas Gerais, uma pintora da intimidade e do mundo privado e que ganhou diversos prêmios em salões. Outra artista pertencente a este grupo é Nair de Teffé (1886 – 1981, RJ) que, segundo o curador, foi a primeira caricaturista mulher de quem se tem notícia em escala mundial.

 

O segmento dedicado à “Fotografia” evoca a atuação da mulher no século XIX, como a chegada, em 1842, de cinco daguerreotipistas no Rio de Janeiro, dentre eles, uma mulher. A mostra traz a figura que modificou os parâmetros da fotografia no século XIX, Fanny Volk, alemã radicada em Curitiba no ano de 1881. Com interesse voltado ao social, uma de suas pesquisas constava de fotografar o trabalho masculino ao ar livre. Já entre as presenças no início do século XX o curador ressalta as fotografias de Hermínia Nogueira Borges (1894, RJ – 1989, RJ), fundadora do Foto Clube Brasileiro, no Rio de Janeiro, e as cerca de 10 mulheres que dirigiram estúdios, a primeira em 1908, no Estado de São Paulo, e em 1910, na capital. As lentes estrangeiras que chegam ao Brasil no século XIX também são investigadas pelo curador que, no caso, envolve mulheres e homens com olhares não modernista, pois se afastavam de questões nacionalistas e preocupavam-se com a subjetividade e os registros sociais.

 

Um dos pilares da mostra, Anita Malfatti (1889 – 1964, SP), além de pinturas, comparece acompanhada de uma análise crítica do texto “Paranoia ou mistificação?” (1917), de Monteiro Lobato. Para dissecar o texto de Lobato, que ficou célebre pelo impacto que teve na percepção da trajetória da artista, Paulo Herkenhoff   baseia-se no código civil da época. Lobato era Procurador do Estado e os termos de seu artigo refletiam o pensamento retrógrado que tratava a mulher como cidadão minoritário, parcialmente incapaz de tomar decisões. Já sobre Tarsila do Amaral (1886 – 1973, SP), além de uma série de pinturas, a exposição apresenta desenho/estudo do Abaporu (obra de 1928).

 

Em “Escultoras” há obras a partir da primeira metade do século XX, concebidas por artistas como: Nicolina Vaz de Assis (1874, SP- 1941, RJ), que na cidade de São Paulo tem uma de suas mais conhecidas esculturas, a Fonte Monumental na Praça Julio de Mesquita (1927), participa com algumas de suas peças em bronze e um retrato seu pintado por Eliseu Visconti; Zelia Salgado (1904, SP – 2009, RJ), que foi professora da Lygia Pape, ganhará destaque a partir de alguns momentos de sua obra, como o que faz referência à “Unidade tripartida”, de Max Bill; e Adriana Janacopoulos (1897, RJ), reconhecida por conceber monumentos, cabeças e bustos, tem um de seus trabalhos representado.

 

Maria Martins (1894, MG – 1973, RJ) é um núcleo em si. A curadoria evidencia a ousadia de sua produção ao abordar diretamente o desejo como centro poético de sua obra e a cópula como tema direto de algumas. A abordagem do trabalho enfatiza o contraste dessa atitude com o pudor vigente no Brasil naquele período.

 

Já para Lygia Clark (1920, MG – 1988, RJ), a mostra constrói um percurso pelas noções poéticas fundamentais de sua obra, com leitura e análise de conceitos como o de “espaço modulado”, enquanto Lygia Pape (1927 – 2004, RJ) é apresentada por meio de alguns de seus vídeos, como “Eat me” (1975) e “Divisor” (1967). Tomie Ohtake (1913, Kioto, Japão – 2015, SP) é aproximada da pintura de Alina Okinaka (1920, Hokkaido Japão – 1991, SP), formando o núcleo “Mulheres Japonesas”, que traz questões sobre o silêncio, a fala e a escrita, análogas à obra de Mira Schendel que acrescenta, ao silêncio e à fonética, o indivisível.

 

Por fim, produções pouco conhecidas pelo grande público, por partirem de personagens que não vêm do eixo Rio-São Paulo compõem “As Amazonas”, com Julieta de França (1872 – 1951, PA) e Antonieta Santos Feio (1897 – 1980, PA), ambas de Belém e com estudos em arte na França e Itália.  Julieta de França aproximou-se do Art Nouveau e expôs junto de Rodin, na França. Foi uma das primeiras mulheres a enfrentar o regime acadêmico e disputar os espaços com os homens artistas, sendo duramente criticada por isso. Antonieta Santos Feio usou seu olhar atento para representar figuras e personagens locais e seus costumes. Em um primeiro momento suas obras dedicam-se à figura da mulher engajada no trabalho e na religião e depois passa a mostrar a extração da borracha, universo majoritariamente masculino.

 

 

Até 20 de agosto.

Suportes originais

Com bem-humorados trabalhos que têm pratos de papelão como suporte, mostra questiona o consumismo e o valor da obra de arte. Um liquidificador que mistura ícones da história da arte nacional e internacional, com uma generosa dose de bom humor, passando por nomes como Keith Haring, Basquiat e Roy Lichtenstein, obras famosas como “O Grito” e a “Mona Lisa”, personagens da Disney, Coca-Cola, figuras religiosas, tudo isso tendo como suporte singelos pratos de papelão.

 

Assim é a exposição “Louça fina”, de Fernando Ribeiro, com cerca de 30 obras que chegam ao Rio de Janeiro dia 27 de junho, na Tramas Arte Contemporânea, Shopping Cassino Atlântico, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ.

 

Com a mostra, o artista aborda questões diversas, do consumismo ao valor da obra de arte como memória e parte da história. Fernando Ribeiro aponta como sua princípal influência o francês Marcel Duchamp.

 

A pop art também é outra influência grande para o artista plástico, com homenagens a artistas desse estilo e o uso de grandes marcas do mercado publicitário em suas obras.

 

“Fernando é um pintor surpreendente, suas obras sempre discutem com um certo tom de ironia as grandes obras icônicas da arte internacional. Ele deve ver algum prazer nesse tipo de procura em decodificar essas obras, até porque há ali um mistério desses trabalhos incorporados no universo popular ou ainda no inconsciente coletivo.” Emanoel Araujo, diretor curatorial do Museu Afro Brasil, em São Paulo.

 

A abertura da exposição marca também o lançamento do novo site da Tramas Arte Contemporânea e na mesma noite, duas outras exposições serão abertas no Shopping Cassino Atlântico: “Extração”, individual de Ramon Martins, na Galeria Movimento, e o “8º Salão dos Artistas Sem Galeria”, na Galeria Patricia Costa, numa verdadeira maratona artística.

 

 

Sobre o artista

 

Nascido em São Paulo e interessado pelo universo dos gibis, iniciou sua carreira ainda jovem, como cartunista e roteirista de HQ. Aluno de Nelson Leirner, tornou-se produtor do artista nos anos seguintes e também seu assistente em exposições nacionais e internacionais. Desenvolve seu trabalho através de pinturas, assemblage, ready-made e tridimensional, usando o humor como ferramenta.

 

 

De 27 de junho a 29 de julho.

A obra em curso

20/jun

A Sala “O Arquipélago”, Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, Porto Alegre, RS, exibe, em seus últimos dias, a exposição “Henrique Fuhro, a obra em curso: um recorte na Coleção Dalacorte”, focalizando a obra do artista plástico Henrique Fuhro. A mostra traz algumas obras inéditas do autor, um alto expoente em diversas técnicas como a xilogravura, litogravura, pintura e desenho. A exposição tem caráter parcial panorâmico, porém com o objetivo claro de exibir a quase totalidade de temas abordados pelo artista ao longo de sua carreira, obras representativas do artista constantes neste recorte. Em síntese, mostra um Henrique Fuhro particular; uma proposta de escapar a estruturação habitual de exposições.

 

 

Sobre o artista  

 

Nascido em Rio Grande, em 1938, Henrique Fuhro é um artista autodidata. Sua carreira inicia com participação no Salão de Artes Plásticas da Associação Riograndense de Artes Plásticas Francisco Lisboa (Chico Lisboa), em 1957, como pintor. Sua primeira mostra individual ocorreu em 1963 no Instituto Brasileiro Norte-americano, Porto Alegre, RS. Foi discípulo de Danúbio Gonçalves em litografia e realizou trabalhos em gravura, desenho, serigrafia e pintura. No início dos anos 1980 realizou exposições individuais em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Curitiba e Campinas (com temas esportivos, acompanhando nessas cidades a Copa Koch-Tavares de Tênis, exibindo a série “Fair-Tênis”). A convite do arquiteto Ruy Ohtake, exibiu-se em São Paulo na galeria Aki. Integrou, como artista convidado, exposições nacionais e internacionais como “Créativité dans l’Art Brésilien Contemporain”, Musées Royaux des Beaux-Arts de Belgique, Bruxelles, 1978, sob a curadoria do crítico Jacob Klintowitz, um estudioso da obra do artista. É verbete com reprodução no “Dicionário das artes plásticas no Brasil” e “Brasil arte/50 anos/depois”, ambos de Roberto Pontual; “Dicionário brasileiro de artistas plásticos” e “Dicionário de pintores brasileiros”, de autoria de Walmir Ayala; “História da Arte Brasileira”, de Pietro Maria Bardi; “História Geral da Arte no Brasil”, de Walter Zanini.

 

 

Sobre a Coleção Dalacorte

 

A Coleção Dalacorte está localizada na cidade de Getúlio Vargas, norte do estado e tem em seu acervo mais de 1.200 obras. Quase sua totalidade encontra-se em suporte de papel e seu enfoque principal é a gravura gaúcha. Montada há aproximadamente 18 anos, um dos objetivos principais é torná-la uma referência nas artes visuais do Rio Grande do Sul. Destaca-se que a coleção abrange os principais artistas gaúchos ou radicados no RS, e com especial atenção a alguns que, no entender e gosto do colecionador, merecem relevância. Mas a coleção consta de nomes exponenciais da gravura brasileira como Livio Abramo, Maria Bonomi, Carlos Scliar, Glauco Rodrigues, Emanoel Araújo, Danúbio Gonçalves, Siron Franco, João Câmara e outros.

 

 

Até 24 de junho.  

Na Silvia Cintra + Box 4

Renata Har expõe na Silvia Cintra + Box 4, Gávea, Rio de Janeiro, RJ. “alabastro” é uma formação natural calcária que foi tomada como ponto de partida pela artista para sua primeira individual na galeria. Na mostra, que conta com curadoria de Caique Tizzi, a artista desvenda através de alegorias visuais e poéticas a relação do alabastro com a sua materialidade geológica e as suas múltiplas interpretações.

 

A exposição é uma grande instalação composta de mídias variadas. Uma grande pintura sobre carpete com tinta spray, pigmento, tinta e colagem de objetos; outra pintura em tela com betume, lantejoulas, farinha e goma damar; esculturas em gesso com purpurina, vidro e neon e ainda uma série de monotipias sobre papel.

 

Uma grande banheira de ferro com pintura preta naval e óleo e outra escultura feita com tecido e balões prateados vazios também fazem parte da mostra e serão usados por Renata em uma ação performática na noite de abertura.

 

“alabastro” também conta com o vídeo Guerra e Esbórnia feito em parceria com o cineasta Karim Aïnouz a partir de imagens de arquivo encontradas na internet que mostram a formação geológica do alabastro. Esse vídeo funciona como texto curatorial e descreve um mundo onde a água se transformou em calcário. Esta mostra é assinalada como a primeira exposição da artista no Brasil.

 

 

Sobre a artista

 

Renata Har deixou o país para estudar na França, na École des Beaux-Arts, em Paris sob a tutela de Christian Boltanski. Vive desde 2012 em Berlim, onde também atua, junto com Caique Tizzi, em um coletivo de artistas chamado Agora.

 

 

De 08 de julho a 04 de agosto.

Steve Jobs, o visionário

Homem que impactou o mundo com sua personalidade e capacidade de inovação, Steve Jobs é o tema da exposição “Steve Jobs, o visionário” no Museu da Imagem e do Som, Jardim Europa, São Paulo, SP. Uma realização da agência ítalo-brasileira Fullbrand, co-realizada pelo MIS. Na exposição, o público terá acesso ao rico universo de Steve Jobs. São 209 itens entre fotos, filmes, reportagens e produtos históricos que mostram a forma como pensava e criava uma das maiores personalidades do século XX.

 

Em “Steve Jobs, o visionário”, há um percurso estruturado por células narrativas – Espiritualidade, Inovação, Competição, Fracasso, Negócios e Sonho – concebido pelo escritório Migliore + Servetto Architects – traz uma experiência rica e profunda do universo de Jobs. O público tem acesso a centenas de pequenas e grandes inovações criadas por Jobs. Entre elas a peça mais rara da exposição: o Apple 1, fabricado em 1976, que foi adquirido em um leilão da Christie’s por U$ 213,6 mil, em novembro de 2010, por Marco Boglione, idealizador da exposição. Hoje, o computador já triplicou de valor. Outro destaque nesse tema é o Lisa, que, lançado em 1983, foi o primeiro computador pessoal a ter um mouse e uma interface gráfica – mas foi considerado como um dos maiores fracassos da Apple.

 

Os visitantes também têm acesso a uma sala dedicada às imagens inéditas de Jobs em sua vida cotidiana feitas por Jean Pigozzi, francês radicado em Nova York, fotógrafo de confiança do inventor.

 

A inspiração para a exposição surgiu a partir de uma mostra sobre o criador da Apple realizada na Itália, porém, o formato implantado no Brasil é totalmente original. Antes de São Paulo, a exposição passou pelo Rio de Janeiro, onde ficou em cartaz no Píer Mauá. Com apresentação do Ministério da Cultura e Bradesco, “Steve Jobs, o visionário” conta ainda com patrocínio da Cielo e apoio da Superga.

 

 

 

Sobre Steve Jobs

 

Nascido em 1955 em São Francisco, no Estado da Califórnia, EUA, Steve Jobs foi dado para adoção pelos seus pais, que não tinham condição de criá-lo. Desde jovem demonstrou interesse e habilidade para inovar e, em 1976, fundou a Apple, empresa consagrada seguidas vezes como a mais valiosa do mundo. Jobs revolucionou o universo da tecnologia ao lançar produtos como o Macintosh, o iPod, o iPhone e o iPad. Em 1984, demitiu-se da Apple e fundou a NeXT, companhia especializada em desenvolvimento de softwares. Anos mais tarde, em 1996, a Apple comprou a NeXT e Jobs assumiu o cargo de CEO da gigante da tecnologia, onde permaneceu até 2011, quando renunciou ao cargo em função de um câncer. Morreu ainda em 2011, aos 56 anos, em decorrência da doença.

 

 

Até 20 de agosto.

Ernani, celebra 111 anos

Para celebrar os 111 anos da Ernani Leiloeiro – uma das mais tradicionais casas de leilão do Brasil – Horácio Ernani Rodrigues de Mello (quinta geração da família de leiloeiros) criou um evento especial. Obras de parte dos acervos do Comendador Osvaldo Riso, da Sulamérica Seguros, do Acervo da Galeria TAC e de outros comitentes serão expostas entre até 23 de junho,  na Vila Riso, São Conrado, Rio de Janeiro, RJ. Este formato permitirá apreciar obras de artistas renomados como – entre os destaques -, as “Bandeirinhas”, de Alfredo Volpi, um dos artistas mais importantes da segunda geração do modernismo brasileiro.

 

No conjunto apresentado, o “Buraco para jogar políticos desonestos”, de Cildo Meireles, é uma das obras mais impactantes. Nela, o artista propõe uma solução inusitada para a corrupção endêmica na política brasileira.  A obra criada em 2011 serviu de inspiração para a confecção de um grande painel que participou da Bienal de Istambul.

 

Os demais destaques são: as cores vibrantes da pintura “Alegria”, de Jorge Guinle, com seus traços intensos; “Pão de Açúcar”, pintura de Glauco Rodrigues; “Gibi”, de Raymundo Colares, confeccionado nos anos 1960 em papel colorido; “Retrato de Maria Portugal Milward”, peça rara de Alberto da Veiga Guignard.  No total, a exposição e o leilão vão apresentar aproximadamente 1000 peças, entre objetos de arte e antiguidades, do século XVIII ao XXI.

 

 

5ª geração

 

À frente da tradicional casa de leilões desde 2001, Horácio Ernani de Rodrigues de Mello, 43 anos, estreou em grande estilo no leilão da famosa “Coleção Noronha Santos”, com manuscritos de Olavo Bilac, Machado de Assis, Manuel Bandeira e até os originais de uma pauta musical assinada por Richard Wagner. Ernani representa a 5ª geração da família, que desde 1906 atua no mercado leiloeiro carioca. A sede da Ernani Leiloeiro está localizada no Palácio dos Leilões – mansão na Rua São Clemente, em Botafogo.

Gautherot no Paço

A exposição “Marcel Gautherot – Brasil: tradição, invenção” é a maior mostra das obras do fotógrafo francês já exibida no Brasil. Com curadoria de Sergio Burgi, coordenador de fotografia do Instituto Moreira Salles, e Samuel Titan Jr., coordenador executivo cultural do IMS. A exposição está em cartaz no Paço Imperial, Centro, Rio de Janeiro, RJ. A mostra revela a profundidade com que Marcel Gautherot documentou as especificidades geográficas e culturais brasileiras.

 

As fotografias fazem parte do acervo do IMS e a realização da exposição é uma parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio do Centro Cultural Paço Imperial. A exposição apresenta mais de 300 imagens, representativas da diversidade temática e da qualidade estética desenvolvida por Marcel Gautherot ao longo de sua carreira no Brasil.

 

A atividade integra as comemorações dos 80 anos de criação do Iphan e da institucionalização da política de proteção do patrimônio cultural brasileiro.

 

 

Até 20 de agosto.

Festa brasileira

14/jun

O Centro SEBRAE de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), Praça Tiradentes, Centro, Rio de Janeiro, RJ, inaugura no próximo dia 20 de junho, a exposição “Festa Brasileira: Fantasia Feita à Mão”, com curadoria de Raul Lody e Leonel Kaz, e concepção visual de Jair de Souza. A mostra ocupará todo o primeiro andar do CRAB, em nove ambientes distintos que irão envolver o público em toda a magia, força criativa e inventividade popular na criação de objetos, adereços, máscaras, vestimentas e instrumentos musicais para as grandes festas brasileiras. As peças reunidas pelos curadores, com apoio do SEBRAE junto a associações de artesãos, foram produzidas especialmente para celebrações populares como a Congada, em Minas Gerais, as Cavalhadas, no Centro-Oeste, as Folias de Reis fluminenses, os Reisados, em Alagoas, o Maracatu Rural, em Pernambuco, o Bumba Meu Boi, no Maranhão, o Boi de Mamão, em Santa Catarina, o Carnaval, em várias partes do país, festejos rituais indígenas da região amazônica, entre outras manifestações.  Os curadores selecionaram ainda importantes conjuntos de pequenas esculturas de arte popular, que representam festas brasileiras, pertencentes a duas das mais respeitadas coleções privadas deste segmento: a de João Maurício Araújo Pinho e Irapoan Cavalcanti de Lyra.

 

Os curadores explicam que dois princípios percorrem a exposição: “o da festa e o da mão que a inventa”. “Por trás da exuberância visual das festas, de seus sons, ritmos e cores, estão as mãos do artesão”, observam. “Festa Brasileira: Fantasia Feita à Mão” celebra “o gesto amoroso de mãos que desejam preencher o mundo de beleza – em geral, mãos anônimas, devotadas e sonhadoras”.

 

Jair de Souza, Raul Lody e Leonel Kaz comentam que o Brasil “…cultuou a liberdade das formas, a exuberância das cores fortes, o gosto da fantasia” devido ao encontro “de uma sensibilidade barroca europeia com as matrizes indígenas e africanas, essas últimas repletas de ritmos, máscaras e pinturas corporais”. “Dessa mistura entre o europeu, o ameríndio e o negro africano surgiram máscaras, indumentárias, coreografias e sonoridades que fazem as festas populares brasileiras”. “Essa criatividade não nasce de um indivíduo isolado, mas da coletividade. É um apaixonado triunfo de todos. É a força da tradição oral, passada de geração a geração. O que a exposição “Festa Brasileira: Fantasia Feita à Mão” celebra é esse raro momento de pertencimento coletivo a que nos entregamos”, destacam.

 

Heloisa Menezes, diretora técnica do SEBRAE, observa que a exposição coloca em foco “as diferentes formas de expressão que unem o homem à sua imaginação e, por meio de suas festas, as transformam no mais genuíno artesanato, criando objetos de grande força dramática, autênticos representantes da cultura e da criatividade brasileira”.

 

 

Percurso da exposição

 

Ao chegar ao primeiro andar do CRAB, o público será recebido por saudações oriundas de blocos, romarias e desfiles estampadas em estandartes pendurados no teto. Nas paredes, a exuberante e colorida padronagem característica da chita de algodão ampliada em até 12 vezes, já indicando a profusão de cores que o visitante encontrará no percurso da exposição.

 

Em uma estante, estarão disponíveis máscaras inspiradas na figura mais presente das festas brasileiras: o boi. Assim, o público poderá percorrer a exposição com a máscara, e depois levá-la para casa como memória da visita.

 

 

Sala dos Espelhos

 

O primeiro espaço da exposição é a Sala dos Espelhos, com uma videoinstalação composta por paredes opostas cobertas por espelhos – gerando uma perspectiva infinita – e multiprojeções em grande formato de 51 fotografias de Rogério Reis, pertencentes à série “Na lona”. Nesta pesquisa, o fotógrafo registrou no subúrbio do Rio foliões com fantasias precárias e espontâneas, um contraponto às imagens espetaculares e suntuosas relacionadas ao Carnaval carioca.

 

 

Festa Feita À Mão

 

Na segunda sala, Festa Feita à Mão, o visitante tomará contato com os cortejos. Estarão dispostas em vitrines obras criadas por artesãos para representar as festas populares. As peças pertencem a duas das mais importantes coleções privadas de arte popular do país – João Maurício de Araújo Pinho e Irapoan Cavalcanti de Lyra. Feitas em barro, madeira, papel, fibra ou tecido, registram a diversidade de nossas festas e revelam a singularidade do artesão e a identidade de grupos, segmentos étnicos e regiões. Dentre as obras, estão cinco raros conjuntos produzidos por Mestre Vitalino, de Alto do Moura/Caruaru, em Pernambuco. As festas representadas vão da Dança do Pau-de-Fita (ou Trança), em Santa Catarina – memória dos festivais de primavera do Hemisfério Norte – às variações de Bumba Meu Boi, presente em vários estados; e às diversas manifestações do Divino Espírito Santo, em Minas, São Paulo, Goiás (como o Batalhão de Carlos Magno, com mouros x cristãos), além do Reisado, no Ceará, Dança e Mascarados, no Vale do Jequitinhonha, em Minas, o Cortejo da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, na Bahia, e Moçambique, que celebra os santos das irmandades dos homens negros, em Taubaté, São Paulo.

 

 

Máscaras da Fantasia 1

 

A seguir, a sala Máscaras da Fantasia 1 reúne máscaras de várias festas brasileiras, muitas ligadas a ritos. “As máscaras transformam as pessoas em deuses, animais ou seres fantásticos”, destacam os curadores. “Pela máscara se pode vivenciar o mito, o fantástico, o cômico. Máscaras modeladas com papel, bordadas sobre tecido, trançadas com fibras vegetais, sempre integrando sentimentos que unem o ideal da brincadeira com o sagrado”. Neste amplo espaço o público tomará contato com figuras impressionantes como o Jaraguá, um dos personagens fantásticos do Bumba meu boi de Alagoas; o Waurá, do povo indígena do Parque Nacional do Xingu, no Mato Grosso, que representa um ser da natureza e é usada apenas por homens; o Cazumbá, que simboliza o espírito dos animais no Bumba meu boi do Maranhão; o Tapirapé, confeccionada pelo pajé em madeira e expressiva plumária, para garantir o crescimento da lavoura e a fertilidade das mulheres, em povos indígenas de Mato Grosso e Tocantins; e o Mandu, personagem fantástico que traz as memórias africanas dos ancestrais, em Cachoeira, Bahia. Nesta sala estarão ainda vários outros conjuntos de máscaras, como as que anunciam as Cavalhadas -representações das lutas entre cristãos e mouros – em Pirenópolis, Goiás; além das máscaras de Carnaval de Olinda, Pernambuco, ou em Tatuamunha, em Alagoas, entre outras peças.

 

 

Máscaras da Fantasia 2

 

Ao chegar a Máscaras da Fantasia 2, o visitante conhecerá o núcleo central da exposição. Ali estarão as indumentárias que se integram às máscaras e aos instrumentos musicais, adereços ou estandartes. “A festa é algo que nós vestimos”, lembram os curadores. “Rodamos dentro dela, ritualizamos a sua passagem, renascemos”. Há um fazer artesanal apurado em tudo: costura, renda, tecelagem, pintura, colagem. No centro da sala estarão dois conjuntos que celebram o encontro entre a tradição milenar do uso de matérias-primas naturais das florestas, nas máscaras-indumentárias dos índios Caiapó, de Mato Grosso e Pará, com os contemporâneos materiais reciclados de “latinhas” dos Homens de Lata do Carnaval da Ilha de Madre de Deus, no Recôncavo da Bahia. Ali estarão também, entre muitos outros, os Bate-Bolas, tradicionais do Carnaval do subúrbio do Rio de Janeiro, o Congadeiro, presente em Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, São Paulo, Sergipe e Paraíba; o Zambiapunga, uma palavra quimbundo que vem do nome Zambiapombo (deus criador), tradição do Dia de Todos os Santos na Bahia, memória das festas dos Bacongo, grupo etnocultural Bantu.

 

 

Barracão

 

A sala Barracão traz uma videoinstalação formada por uma parede coberta por 36 mil lantejoulas, onde haverá uma multiprojeção de cinco minutos do filme inédito “O Próximo Samba”, de Marcelo Lavandoski. As imagens foram captadas pelo cineasta ao longo de oito meses no barracão da Escola de Samba Mangueira, revelando a multiplicidade e complexidade do fazer artesanal para o desfile, com o trabalho dedicado de marceneiros, costureiras, pintores, escultores e modeladores, que transformam sonhos em objetos, alegorias e fantasias.

 

 

Batucada Digital

 

O espaço Batucada Digital é interativo, e destaca a presença e a importância da música dos instrumentos artesanais de percussão, que nos aproximam e nos identificam como brasileiros, e entrelaçam nossas raízes europeia, ameríndia e africana. Com paredes forradas por caixas de ovos, para dar isolamento acústico, o público poderá tocar digitalmente doze tipos diferentes de instrumentos de percussão, em seus diversos timbres, a partir de telas sensíveis sobre uma mesa central. Além de interativa, a mesa digital propicia um som conjunto, colaborativo, com até doze pessoas tocando simultaneamente. Os sons emitidos serão de instrumentos como tambor, pandeiro, zabumba, agogô, alfaia, tamborim, surdo, tambor-onça e matraca. Suspensos no teto, sobre a mesa digital, estarão instrumentos musicais artesanais encontrados em todo o país – atabaque, adjá, caxixi, agogô, triângulo e pratos – ou específicos de alguns estados, como alfaia, caracaxá e “porca” (cuíca), de Pernambuco; pau-de-chuva, da Amazônia; maracá, de Mato Grosso; casaca, do Espírito Santo; adufe, de Minas Gerais, entre muitos outros.

 

 

Entre nessa Festa!

 

Na sala interativa Entre nessa Festa! o público é convidado a fazer seu retrato com celular dentro de uma das 100 imagens com cenas do Carnaval de 2017, feitas especialmente para a exposição pelos fotógrafos AF Rodrigues, Elisangela Leite, Fabio Caffé, Luiz Baltar e Monara Barreto, do coletivo Folia de Imagens – oriundo da Escola de Fotógrafos Populares/Imagens do Povo do Observatório de Favelas da Maré – com a coordenação do fotógrafo e antropólogo Milton Guran.  As 100 imagens, que estarão também expostas em impressão sobre papel, numeradas, serão projetadas em looping, em grande formato, como um cenário. O visitante escolhe a que deseja, clica no número, e se posiciona para sua selfie. Além de ser compartilhada em suas redes sociais, a imagem resultante irá para um banco de dados na internet que ficará disponível durante o período da exposição. O designer Jair de Souza conta que queria que o público começasse e terminasse o percurso da exposição em meio a “uma revoada de imagens fotográficas, estabelecendo um contraponto entre a sala inicial, com as fotos de Rogério Reis, clicadas já na década de 1980, e as atuais, do coletivo Folia de Imagens”. “Um percurso do olhar, capaz de mostrar a criatividade anônima do folião, a brincadeira do acaso, a originalidade de transformar qualquer objeto em fantasia”, observa.

 

 

Loja do CRAB: último espaço

 

O último espaço de visitação é a Loja do CRAB, onde estarão várias peças artesanais de várias regiões do país, de modo a valorizar esta cadeia produtiva das festas –  criativa, ampla, complexa – que envolve centenas de milhares de profissionais, preservando técnicas manuais tradicionais, e reinventando soluções para novos materiais.

 

 

 

De 20 de junho a 28 de outubro.

 

Para ver o Brasil

A Oca, Parque do Ibirapuera, Portão 3, São Paulo, SP, exibe a exposição “Modos de ver o Brasil: Itaú Cultural 30 anos”. O evento celebra os 30 anos de atividades do Itaú Cultural e exibe cerca de oitocentas peças de um acervo de 15 mil obras do Banco Itaú. A mostra tem curadoria de Paulo Herkenhoff, em colaboração com Thais Rivitti e Leno Veras, e ocupa os 10 mil metros quadrados do espaço.

 

Entre as obras expostas, estão a tela “Povoado numa planície arborizada”, do pintor holandês Frans Post, e raridades como os mapas do século XVII: “Jodocus Hondius: AmericaSeptentrionalis”, “Henricus Hondius: Accuratissima Brasiliae Tabula”.

 

As peças foram organizadas em vinte núcleos espalhados pelos quatro andares do edifício, projetado por  Oscar Niemeyer. Cada piso tem uma organização temática por período: no térreo estão “São Paulo” e “De memória e matéria”; no subsolo “Da numismática à cibernética”; no primeiro andar, “Expressão e racionalidade”; e no segundo andar, “Uma invenção simbólica do Brasil: África e barroco”.

 

Entre as atrações está uma escultura de mais de cinco metros de altura, de Ascânio MMM, reconstruída para a ocasião. Obras antigas estão lado a lado com peças modernistas e contemporâneos, de artistas como Brecheret, Maria Martins, Hélio Oiticica, Portinari, Adriana Varejão, Gilvan Samico, Beatriz Milhazes, Vik Muniz, Vera Chaves Barcellos, Berna Reale, Siron Franco, Emanoel Araújo, Jaime Lauriano, Paulo Bruscky, Montez Magno, Ayrson Heráclito e Eder Oliveira dentre outros.

 

 

Até 13 de agosto.

A Novíssima Geração 2017

12/jun

O Museu do Trabalho, Centro Histórico, Porto Alegre, RS, promove de cinco em cinco anos a “A Novíssima Geração”, um projeto voltado aos jovens artistas que pintam e desenham. Exclusivo a artistas residentes em Porto Alegre e região metropolitana, com idade máxima de 29 anos, esta edição da “Novíssima” contou com 58 inscritos para a fase seletiva. Foram selecionados oito artistas pelo júri formado por Gabriela Motta, Fabio Zimbres, Gelson Radaelli, Egon Kroeff e Jailton Moreira.

 

Bruno Tamboreno, Daiana Schröpel, David Ceccon, Erica Maradona, Gustavo Assarian, Letícia Lopes, Manu Raupp e Marcelo Bordignon, são os integrantes da coletiva da 4ª edição da “A Novíssima Geração”. O júri também escolheu um entre os oito participantes para realizar uma exposição individual no Museu do Trabalho, em 2018. O artista contemplado vai ser anunciado durante a abertura da mostra no dia 13 de junho.