Artistas franco-coreanas no Brasil.

13/mar

A Galatea anuncia “Park Chae Biole & Dalle: alargar o tempo, tecer a vida”, exposição dupla das artistas franco-coreanas em colaboração com a galeria parisiense Anne-Laure Buffard. A mostra, que marca a primeira ocasião em que Park Chae Dalle e Park Chae Biole expõem seu trabalho no Brasil, será realizada na unidade da galeria na Rua Oscar Freire, Jardins, São Paulo, SP, com abertura no dia 21 de março, sábado, das 11h às 15h.

Na Galatea, as irmãs gêmeas apresentam um projeto conjunto pela quarta vez, após duas exposições realizadas em Seul e uma em Paris. Com cerca de 60 obras, a mostra apresenta tanto trabalhos desenvolvidos individualmente quanto produções realizadas em colaboração. Embora compartilhem um campo de investigação similar, atravessado pelas relações entre pintura, espaço, paisagem e pequenas cenas do cotidiano, cada uma desenvolve sua prática a partir de suportes distintos.

Em muitas das obras de Park Chae Biole, a imagem aparece sobre suportes que também organizam o espaço, como persianas, bolsas ou superfícies têxteis, desdobrando a pintura em objeto e em ambiente. Paisagens e fragmentos de lugares surgem nessas estruturas móveis, instaurando um jogo entre interior e exterior, presença e passagem.

Já na prática de Park Chae Dalle, a pintura se aproxima da escrita e da poesia. A artista produz os próprios tecidos sobre os quais trabalha, frequentemente por meio do tricô – uma prática paciente, construída no ritmo do próprio fazer. Paisagens, sóis, flores, espirais, personagens ou nuvens parecem emergir do tecido. Leves e flexíveis, as obras podem ser enroladas, transportadas e reorganizadas, ajustando-se a cada espaço onde são apresentadas.

Quando trabalham juntas, suas práticas revelam afinidades formais que tornam essa colaboração quase natural. As irmãs compartilham, inclusive, o mesmo ateliê em Paris. Tanto as persianas de Biole como os tecidos de Dalle exploram a transparência, a porosidade e a mobilidade, mas é na produção conjunta dos bojagi que essa proximidade se torna mais evidente. Inspiradas na tradição coreana do tecido utilizado para envolver objetos domésticos e presentes, essas produções unem perfeitamente o repertório estético de cada uma das artistas em composições intimamente conectadas.

Até 09 de maio.

Um diálogo com desenhos.

12/mar

O Museu de Arte do Paço, Porto Alegre, RS, convida para a abertura da exposição “Desenhos de Água: Bia Dorfman encontra Luiz Maristany” com curadoria de Maria Helena Bernardes, a ser realizada no dia 17 de março, terça-feira, às 18h.

Exposição no Museu de Arte de Porto Alegre aproxima dois artistas que retrataram a cidade. A mostra reúne obras da artista visual Bia Dorfman (1957) em diálogo com desenhos raramente exibidos do artista Luiz Maristany de Trias (1885-1964), provenientes da Pinacoteca Aldo Locatelli.

A exibição propõe um encontro entre dois momentos da história de Porto Alegre, conectando desenhos produzidos com 80 anos de distância. Enquanto Luiz Maristany de Trias registrou paisagens urbanas da capital nas décadas de 1940, Bia Dorfman revisita a cidade no presente, em trabalhos que também refletem as transformações da paisagem e da relação com o rio diante da emergência climática recente.

Linguagem visual e discurso crítico.

O Museu Bispo do Rosario Arte Contemporânea apresenta, entre os dias 21 de março e 09 de maio, a exposição “Casa Própria”, primeira individual de Ana Hortides na instituição. Com curadoria de Pollyana Quintella e produção da Atelier Produtora, a mostra reúne um conjunto de trabalhos produzidos ao longo dos últimos anos de pesquisa da artista, incluindo obras inéditas, e propõe uma reflexão sobre a casa como espaço simbólico, político e afetivo.

A partir de referências diretas à arquitetura do subúrbio carioca, Ana Hortides desenvolve uma investigação plástica que transforma elementos recorrentes da construção civil popular em matéria artística. Cimento, azulejos, pisos e fragmentos cerâmicos aparecem em esculturas, instalações e pinturas que deslocam esses materiais de seu uso funcional, criando estruturas que tensionam noções de permanência, improviso e pertencimento.

Oriunda de Vila Valqueire, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, a artista estabelece uma relação direta entre sua trajetória pessoal e os modos de construção presentes nas periferias urbanas. Escadas, lajes, fachadas e platibandas, frequentemente associadas ao trabalho informal e ao saber prático de pedreiros e construtores populares, surgem na exposição como formas autônomas, deslocadas de suas funções originais para se afirmarem como linguagem visual e discurso crítico.

No dia da abertura, a artista realizará uma visita guiada. Além da exposição, Casa Própria oferece um programa de formação com a artista e pesquisadores. O evento abordará temas como arquitetura popular, arte periférica e protagonismo feminino na produção artística, e ocorrerá durante o lançamento do catálogo. A mostra também conta com audiodescrição das obras e intérpretes de Libras na visita guiada e atividade formativa, garantindo acessibilidade às pessoas com deficiência. 

Projeto brasileiro contemplado em Nova York.

11/mar

Artistas brasileiras apresentam exposição inédita em Nova York. Mostra foi o único projeto brasileiro contemplado no edital da Apexart, que teve 658 inscritos de todo o mundo.

Será inaugurada no dia 27 de março a exposição inédita “O útero também é um punho”, na Apexart, instituição educativa e cultural localizada em Nova York, 291 Church St. NYC. Com curadoria de Talita Trizoli e Renata Freitas, a mostra terá cerca de 30 obras de dez artistas brasileiras e de uma argentina radicada no Brasil, feitas em diferentes suportes, como pintura, desenho, escultura, instalação, vídeo e performance, que discutem os direitos reprodutivos das mulheres. Paralelamente à exposição, serão realizadas diversas atividades, como performances, visita guiada, roda de conversa e oficina artística.

A exposição apresentará obras das artistas Guillermina Bustos, Leíner Hoki, Leticia Ranzani, Liane Roditi, Ludmilla Ramalho, Mariana Feitosa, Natali Tubenchlak, Raffaella Yacar, Renata Freitas, Rikia Amaral e Rosa Bunchaft, todas integrantes do coletivo G.A.F. (Grupo de Acompanhamento Feminista). Elas são oriundas de diferentes estados brasileiros, como Pernambuco, Sergipe, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, com realidades diversas, mostrando que as discussões sobre o tema perpassam a localidade, idade e raça. 

Mesmo sendo um tema extremamente importante e que vem ganhando cada vez mais discussões na sociedade, no campo das artes visuais ele ainda é muito restrito. Desta forma, a exposição vem cobrir esta lacuna. 

O nome da exposição é uma referência ao poema da brasileira Angélica Freitas, “O útero é do tamanho de um punho”.

Até 23 de maio.

 

Como funcionam os vulcões.

10/mar

A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta “Como funcionam os vulcões”, exposição coletiva que inaugurou o programa de 2026 da Carpintaria, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ. 

A mostra “Como funcionam os vulcões” toma a imagem do vulcão como metáfora para uma formação cultural complexa. Longe de um fenômeno visível ou imediato, a exposição evoca processos que se desenvolvem ao longo do tempo, acumulando pressões, desejos, conflitos e fantasias até alcançar um ponto de liberação. Nesse sentido, o Carnaval é proposto não apenas como espetáculo, mas como a manifestação de um longo processo de gestação moldado por forças sociais, materiais e simbólicas.

Percorrendo escultura, instalação, desenho, vídeo, pintura e técnicas mistas, a exposição enfatiza como o sentido se produz por meio da duração e da persistência material. As obras reunidas lidam com dinâmicas de acúmulo, transformação e emergência. Reunindo artistas de diferentes gerações e posições, a mostra apresenta práticas atentas a estados de latência e erupção, suspensão e excesso. Materiais são reunidos, sobrepostos, esticados, comprimidos ou colocados em movimento, registrando tensões entre controle e imprevisibilidade, estrutura e instabilidade. O encontro com as obras se dá entre o maravilhamento e a tensão, entre o que é encenado e o que permanece em estado latente.

As formas sugerem processos prolongados de fazer e desfazer, enquanto as disposições espaciais evidenciam limiares – entre interior e exterior, contenção e transbordamento, antecipação e liberação. Em vez de ilustrar um fenômeno social ou natural, essas obras operam em condições análogas de pressão e transformação.

Até 11 de abril.

Formas sutis de isolamento.

A Caixa Cultural São Paulo, Centro, São Paulo, SP, apresenta a exposição “Solidão Coletiva”, de Júlio Bittencourt. Reunindo oito séries realizadas entre 2016 e 2023, a mostra investiga dinâmicas de convivência nas grandes cidades e as formas sutis de isolamento que atravessam o cotidiano contemporâneo. Com curadoria de Guilherme Wisnik e expografia assinada por Daniela Thomas, a exposição propõe uma leitura crítica da experiência urbana.

Ao tensionar proximidade e distanciamento, trabalho e suspensão, público e privado, o artista constrói uma narrativa visual sobre modos de vida marcados por repetição, contenção e anonimato.

Até 12 de julho. 

A obra de Carlos Cruz-Diez no Paraná.

06/mar

Essa é primeira exposição individual de Carlos Cruz-Diez na Galeria Simões de Assis, Batel, Curitiba, PR, reunindo trabalhos emblemáticos das séries “Physichromie” e “Color Aditivo”, obras inéditas, e a instalação “Laberinto de Transcromía Rachel” (1965-2017), composta por estruturas translúcidas suspensas que transformam a percepção do espaço. O conjunto reafirma uma das principais contribuições do artista à arte do século XX ao compreender a cor como acontecimento perceptivo, autônomo e em constante transformação.

“As obras expostas […] propõem a cor fazendo-se e desfazendo-se no tempo e no espaço. São ‘suportes de acontecimentos cromáticos’, espécie de armadilhas de luz, onde o espectador pode descobrir e estimular o seu ressonador afetivo. Nas minhas obras, a cor flutua virtualmente fora do suporte que as contém.” 

Carlos Cruz-Diez

Sobre o artista.

Carlos Cruz-Diez tem obras em coleções de importantes instituições, como: Museu de Arte de São Paulo (MASP); Museu de Arte Moderna (MAM), Rio de Janeiro; Museum of Modern Art (MoMA), Nova York; Museum of Fine Arts (MFAH), Houston; Tate Modern, Londres; Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, Centre Pompidou, Paris; Wallraf-Richartz Museum, Colônia, Museo de Arte Contemporáneo, Bogotá; Museo de la Solidaridad Salvador Allende, Santiago; e Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (MALBA), Buenos Aires, Argentina.

Até 18 de abril.

Rubiane Maia com intervenção artística inédita.

A artista mineira Rubiane Maia chega ao Instituto Ling, Bairro Três Figueiras, Porto Alegre, RS, para realizar uma intervenção artística inédita em uma das paredes do centro cultural. De 09 a 13 de março, o público poderá acompanhar ao vivo a criação da nova obra, produzida durante o horário de funcionamento do prédio, com acesso livre e gratuito. Ao longo da semana, será possível observar de perto o processo criativo e as técnicas utilizadas, assistindo em tempo real ao que acontece no ateliê temporário montado em frente à parede.

A intervenção integra o projeto Ling Apresenta | Por uma “geografia da ação”: corpo, matéria, território, com curadoria de Galciani Neves, que busca aproximar o Rio Grande do Sul da arte contemporânea produzida na região Sudeste, a partir de um olhar plural. Ao longo do ano, quatro artistas serão convidados a ocupar a parede com projetos inéditos.

O projeto Ling Apresenta percorreu, nos últimos anos, as regiões Sul, Nordeste, Norte e Centro-Oeste, encerrando esse ciclo agora com a temporada dedicada ao Sudeste. Ao longo desse trajeto, compôs um amplo panorama da produção de artistas do cenário nacional das artes visuais. A curadoria também acompanhou essa perspectiva territorial, contando com a participação de Luísa Kiefer, Bitu Cassundé, Vânia Leal e Paulo Henrique Silva.

Sobre a curadora

Galciani Neves nasceu em Fortaleza, CE, 1978. Curadora, professora e pesquisadora no campo das artes visuais. É mestre e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Atuou em instituições como a Fundação Bienal de São Paulo, o Instituto Tomie Ohtake, o Museu Brasileiro da Escultura e da Ecologia (MuBE) e o Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba (PR). Atualmente, é professora do Curso de Artes Visuais na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e coordenadora da Bolsa de Pesquisa do Instituto de Arte Contemporânea. Vive e trabalha em São Paulo (SP).

Até 16 de maio.

Para atravessar o território do desejo.

05/mar

O Festival Vórtice torna pública a abertura das inscrições para sua 5ª edição, reafirmando seu compromisso como evento anual dedicado à difusão e ao fomento de práticas artísticas visuais que exploram as múltiplas dimensões da sexualidade na arte contemporânea.

A curadoria desta edição é assinada por Leonardo Maciel e Paulo Cibella, idealizadores da iniciativa, e contempla obras em diferentes linguagens, incluindo pintura, fotografia, escultura, audiovisual, performance e publicações independentes. Pessoas maiores de 18 anos, do Brasil e do exterior, poderão se inscrever entre os dias 02 e 29 de março no site do Vórtice Cultural. Serão oferecidos três prêmios em dinheiro aos artistas escolhidos pelo público e pela curadoria. A 5ª edição será realizada entre os dias 29 de maio e 27 de junho, em São Paulo.

O festival propõe-se como um espaço de liberdade e experimentação artística, incentivando produções que investiguem os atravessamentos entre corpo, desejo e identidade, em diálogo crítico com contextos de censura institucional e de mercado. Nas edições anteriores, o Festival Vórtice reuniu mais de 250 artistas de 10 países e recebeu aproximadamente 8 mil visitantes, ampliando progressivamente sua escala e seu alcance internacional.

 

Cerca de 160 obras de mais de 100 artistas.

O Paço Imperial, Centro, Rio de Janeiro, RJ, inaugura, no dia 28 de março, a grande exposição “Constelações – 40 anos do Paço Imperial”, que celebra as quatro décadas do mais antigo centro cultural da região central. Com curadoria de Claudia Saldanha e Ivair Reinaldim, em parceria com a equipe da instituição, a mostra ocupará 12 salões e os dois pátios internos com cerca de 160 obras de mais de 100 artistas, de diferentes gerações, que fazem parte da história do centro cultural, como Antonio Dias, Adriana Varejão, Amilcar de Castro, Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino, Antonio Manuel, Arthur Bispo do Rosário, Beatriz Milhazes, Cildo Meireles, Denilson Baniwa, Hélio Oiticica, Iole de Freitas, Ivens Machado, Luiz Aquila, Luiz Zerbini, Lygia Clark, Lygia Pape, Marcela Cantuária, Maxwell Alexandre, Roberto Burle Marx, Tunga, entre muitos outros. Completam a mostra uma série de vídeos feitos pela Rio Arte com alguns artistas nas décadas de 1980 e 1990. No dia da inauguração, haverá uma mesa de abertura com convidados e, ao longo do período da exposição, serão realizados seminários, oficinas e atividades educativas, valorizando a importante trajetória da instituição.

Ao longo de sua história, o Paço Imperial realizou exposições com diversas vertentes, que vão desde arte contemporânea até arte popular, passando por arquitetura, design, paisagismo, história e patrimônio. Desta forma, a exposição “Constelações – 40 anos do Paço Imperial” abrange esse conceito e traz a ideia de reunião, sem hierarquia, juntando os artistas contemporâneos aos artistas populares, unindo diferentes gerações, técnicas e suportes em uma única mostra, dividida por núcleos temáticos. “Se a palavra constelação define um agrupamento de estrelas, cosmologicamente distantes umas das outras, mas conectadas pela imaginação humana, constituindo uma forma reconhecível com finalidades diversas, aqui reunidas, as obras produzidas por diferentes gerações de artistas procuram reforçar sua singularidade, assim como sua interação por proximidade”, afirmam os curadores, que ressaltam também a importância da constelação institucional, com obras emprestadas por diversos parceiros, como Instituto Moreira Salles, Museu Bispo do Rosário, Museu de Imagens do Inconsciente, Museu de Arte do Rio, Museus Castro Maya, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu do Folclore e Sítio Roberto Burle Marx.

Até 07 de junho.