Thereza Miranda, no MNBA

12/nov

“Instantes Múltiplos”, é o título da exposição de 67 das premiadas gravuras de Thereza Miranda, incorporadas ao acervo do Museu Nacional de Belas Artes, Cinelândia, Rio de Janeiro, RJ, através do Prêmio Marcantonio Vilaça de Artes Plásticas FUNARTE/MinC. A mostra também celebra os 90 anos da artista, possuidora de uma trajetória ímpar e que a situa entre as mais importantes gravadoras brasileiras.

 

Em sua proposta conceitual, a exposição “Instantes Múltiplos”, com curadoria da técnica do MNBA Laura Abreu, é dividida em núcleos temáticos que proporcionam a visão tanto da apresentação de gravuras feitas em metal, do início da carreira da artista, como as das séries “Germinação”, “Nova Germinação” e “Germinação Vida”, obras das décadas de 1960 e início de 1970 e das fotogravuras, técnica que une a fotografia às técnicas da gravura e que foi muito difundida pela artista no Brasil, datadas de meados da década de 1970 àquelas do início dos anos 2000.

 

As fotogravuras têm como temas os diferentes lugares e países que Thereza Miranda conheceu. Viajante, através de uma câmara fotográfica e de seu olhar sensível, a artista registrou a paisagem urbana, a natureza, detalhes arquitetônicos como telhados, janelas, portas, ruas, etc.

 

Como professora, Thereza Miranda, que dá aulas de gravura e ilustração na PUC-RJ desde 1974,  tem generosamente compartilhado seu conhecimento, contribuindo para a difusão da gravura e sua valorização como meio de expressão artística. Seus primeiros passos na gravura aconteceram no MAM-RJ, em 1963, e daí  em diante impulsionou sua carreira participando de diversas bienais de gravura, no Brasil e no exterior, como no Chile, Inglaterra e Polônia. Em 2008, comemorou com uma grande retrospectiva seus 45 anos de carreira, no MAM-RJ.

 

 

Até 16 de dezembro.

Senise na Silvia Cintra + Box4

08/nov

A Galeria Silvia Cintra + Box 4, Gávea, Rio de Janeiro, J, inaugura no dia 08 de novembro a nova exposição individual de Daniel Senise. “Biógrafo” reúne pinturas e fotografias que possuem um elemento de ligação entre si, um retângulo no centro da tela. Esse retângulo reaparece, de alguma forma, em todas as obras da exposição com tratamentos e materiais diferenciados.

 

Um retângulo dentro do retângulo da própria tela, é a ideia central da série “Biógrafo”, que também dá título à exposição. Essa série começou a ser feita em 2013 e será composta por 85 obras. Na exposição serão apresentados três “biógrafos” inéditos. As outras pinturas da mostra retratam interiores de grandes museus e os quadriláteros representam as pinturas expostas nesses espaços. Serão três telas que reproduzem o Museu de Nantes e a Capela Rothko, em Houston, EUA.

 

A técnica das pinturas é a mesma que o artista tem utilizado desde o início dos anos 2000. Com um tecido bem fino, Senise “imprime” o chão de espaços abandonados e recolhe resíduos e vestígios que mostram o acúmulo de memória, e o que sobrou daquele espaço e do tempo. Com poeira, cola e outros restos, o artista vai criando diferentes tonalidades de tecido e depois com uma espécie de marchetaria vai recriando esses espaços na tela.

 

Além das pinturas, a exposição terá uma série de fotografias. São imagens feitas em 2014, nas obras em andamento no antigo Hospital Matarazzo em São Paulo, sobre as quais Senise sobrepõe placas de madeira recolhidas no próprio espaço e que estão representadas nas imagens.

 

 

Até 15 de dezembro.

Ana Sario exibe “Polaroid” 

06/nov

A Galeria Marcelo Guarnieri, Jardins, São Paulo, SP, apresenta, a partir do dia 09 de novembro, “Polaroid”, exposição individual da artista Ana Sario. A mostra reúne um grande conjunto de pinturas inéditas realizadas em 2018 que se apropriam do formato da fotografia Polaroid.

 

Ana Sario busca traduzir, por meio de suas pinturas, os estados de espírito ou sensações que imagens ou situações de contemplação causam em nós: os muitos tons de azul que se encontram e se modificam lentamente no céu do fim do dia, a vista do jardim interrompida por uma cortina persiana cor-de-rosa, um campo vasto florido que alcança até o infinito o nosso campo de visão, ou até mesmo a luz intensa da manhã que atravessa, pelas frestas, um arbusto de hibiscos. O assunto da janela, aparece no trabalho de Sario sob abordagens diversas, trazendo à reflexão os aspectos do olhar: quando em paisagens longínquas que nunca acessaremos em sua totalidade, ou em naturezas-mortas compostas por vasos de plantas ou bibelôs tão ao alcance das mãos; quando em telas que, compostas por fitas isolantes, tijolinhos de barro ou pela ação que simula o próprio tecido que serve de suporte, parecem vedar algo que está por detrás, mas que na realidade já é ali a pintura em si.

 

Em “Polaroid”, Ana Sario explora esse assunto aproximando-se mais explicitamente das discussões em torno da imagem fotográfica. Ao fazer clara referência em suas pinturas ao formato da fotografia instantânea que dá título à exposição e ao se utilizar de imagens coletadas na internet ou produzidas pela câmera do celular, a artista propõe uma reflexão sobre a nova dinâmica da contemplação à qual estamos submetidos na era digital. Há uma justaposição de temporalidades nesse conjunto de pinturas: o tempo acelerado dos olhos que ansiosos percorrem as telas dos dispositivos eletrônicos ou das mãos inquietas e da “chuva de likes” agora fazem parecer vagaroso o tempo da imagem que se revela na superfície do papel fotossensível ou até mesmo o tempo dos pincéis e das tintas na execução de uma tela de 10,5 x 10,5 cm.

 

A discussão sobre o tempo parece também atrelada à discussão sobre o espaço, como observou José Bento Ferreira, autor do texto da exposição: “Ao proporcionar uma encarnação para a imagem sem corpo, a pintura salva-a da irreferência à qual está eternamente condenada no não-lugar das infovias, submetida à avaliação visual instantânea dos cliques, incompatível com uma fruição verdadeira. Por outro lado, a série de pinturas produzidas a partir de imagens encontradas nas derivas virtuais reconfigura o espaço ao redor, torna-o “heterotópico” conforme a formulação do filósofo Michel Foucault, isto é, um lugar que está fora de todos os lugares, um “contraespaço”.”

 

 

Sobre a artista

 

Ana Sario, 1984 – São Paulo, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo. Participou das exposições coletivas: “Os Primeiros 10 Anos” e “Energias da Arte”, ambas realizadas no Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil; “Além da Forma” no Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brasil; “Em espera” no Museu Murillo La Greca, Recife, Brasil e MACC – Museu de Arte Contemporânea de Campinas, Campinas, Brasil; MARP – Museu de Arte de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto, Brasil. De agosto a dezembro apresenta outros trabalhos da série “Polaroid” em exposição individual no Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto. Ana Sario integra a publicação “Pintura Brasileira Século XXI”, da Editora Cobogó.

 

 

Visitação de 09 de novembro de 2018 a 12 de janeiro de 2019.

Bonsai – Microcosms Macrocosms

A Galeria Marcelo Guarnieri, unidade de São Paulo, Jardins, apresenta, a partir do dia 09 de novembro, a exposição individual do artista japonês Yamamoto Masao. A mostra reúne livros e fotografias realizados entre 1989 e 2018, incluindo sua mais recente série “Bonsai – Microcosms Macrocosms”, iniciada em 2018.

 

“Bonsai – Microcosms Macrocosms” consiste em um conjunto de registros feitos por Yamamoto Masao dos Bonsais cultivados por Minoru Akiyama, o mais jovem artista de Bonsai a receber o prestigioso prêmio Primeiro-Ministro do Japão. Por meio dessas fotografias, Yamamoto procura entender como o Bonsai, “uma criação nascida de uma colaboração lúdica entre a natureza e as pessoas”, é capaz de dominar a atmosfera do ambiente onde é instalado, promovendo uma sensação de paz e tranquilidade. “Bonsais famosos podem ter centenas ou milhares de anos. Talvez esse tempo de resistência dê à árvore uma espécie de aura. Sua vida, sustentada dentro de um pequeno vaso, com a menor quantidade de terra, abraça a tranquilidade da vida e a agitação da morte. Sua grandeza não é algo que possa ser explicado em palavras.”, afirma Yamamoto.

 

Além das séries “A Box of Ku”, “Nakazora”, “Kawa=Flow” e “Shizuka=Cleanse” (exibida pela primeira vez no Brasil), serão apresentadas também as “caixas-poemas” “Ryokan” e os “livros-sanfona”. As “caixas-poemas” contêm em seu interior, cada, cerca de seis fotografias pequenas e um haiku de autoria de Ryokan (1758 – 1831), importante poeta e monge zen-budista japonês. Na mostra, são dispostas em vitrines, onde é possível ver o conjunto de imagens e versos em diálogo. Já os livros são apresentados abertos, de maneira que o espectador consiga visualizar todas as imagens. O artista entende ambos os formatos também como espaços expositivos, que possuem uma dinâmica própria, onde fica evidente a dimensão material da fotografia – nas imperfeições das bordas do papel  e de seu caráter intimista.

 

“O mundo do Bonsai é semelhante ao mundo do haiku e do waka, já que são construídos apenas por elementos mínimos. Além disso, sempre senti que a fotografia e o haiku são métodos de expressão muito semelhantes. Através do meu trabalho “Bonsai – Microcosms Macrocosms”, quero que todos vejam e experimentem esse efeito mínimo ainda que máximo, ou em outras palavras, infinito. Você pode pensar “…eu poderia ir ver um verdadeiro Bonsai”, mas eu queria que as pessoas ouvissem as “conversas” que eu tive diretamente com o Bonsai. Continuo o meu trabalho em busca de um terreno comum entre a quintessência do Bonsai e a quintessência do que eu percebo como o universo, que é: todas as coisas.”

 

As pequenas dimensões de algumas fotografias de Masao Yamamoto, assim como os livros ou as caixas, refletem seu interesse pelas miudezas e detalhes, por aquilo que cabe na palma da mão, que precisa ser olhado com calma e atenção. Atenção e paciência também são convocadas na hora de perceber e capturar situações fugazes, pequenas, porém nunca menores em grau de importância, carregadas de poesia e beleza. Pode ser o bater de asas de um pássaro, o olhar vidrado de um bicho, a sombra de um papel que voa ou até mesmo um vaso de flores equilibrando-se na beirada de uma mesa. Podem ser também árvores em miniatura ou coisas que encontra pelos bosques ao redor de sua casa, que em Bonsai e Shizuka adquirem grandes dimensões. As fotografias de Yamamoto, ampliadas quase sempre em preto e branco, se revelam por meio de um manejo cuidadoso da luz, e evidenciam a importância que tanto a claridade, como a escuridão, podem ter na construção de significados.   

 

O haiku é uma forma tradicional poética da literatura japonesa, consiste em um poema curto de 17 sílabas, dividido em três versos, que procura registrar a percepção de um “momento privilegiado”, normalmente relacionado ao meio-ambiente e às estações do ano. Em português, pode ser chamado de haikai ou haicai. O haiku deriva de uma forma poética mais antiga, mas ainda popular, a waka, que havia sido usada durante mil anos antes do haiku. A palavra waka significa “poema japonês”. Bonsai é uma forma de arte japonesa que se utiliza de grama e árvores: um punhado de terra e um vaso são usados para recriar paisagens selvagens em miniatura. O esforço necessário para nutrir e cultivar essas plantas por décadas é imenso, exigindo habilidade especializada. Em outras palavras, o bonsai é uma forma viva de arte.

 

 

Sobre o artista

 

Yamamoto Masao, 1957 – Gamagori, Japão. Vive e trabalha na província de Yamanashi, Japão. As fotografias de Yamamoto Masao capturam instantes e detalhes que, a um rápido olhar, poderiam passar despercebidos. As cenas que constrói, envoltas em uma atmosfera poética, nos remetem a um tempo passado, enigmático e silencioso. Suas fotos em preto e branco por vezes ganham tons amarelados e pequenos rasgos, o que as permite incorporar a carga de uma idade avançada. Assumindo, às vezes, pequenas dimensões, podem ser seguradas na palma da mão ou levadas no bolso da calça, como pequenos amuletos; podem ainda ser guardadas em caixas e formar coleções preciosas, como são as caixas de fotografias de nossos pais e avós. Em algumas situações, Yamamoto escolhe dispô-las na parede em arranjos que assemelham-se a nuvens; os conjuntos acabam por formar poemas visuais que exigem do observador um olhar mais cuidadoso e desacelerado. Suas primeiras exposições foram realizadas em 1994 e 1996 em São Francisco e Nova York e foram seguidas por inúmeras outras nos Estados Unidos, Europa, Japão, Rússia e Brasil, incluindo, mais recentemente, no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, em agosto de 2017. Seus trabalhos integram coleções de museus internacionais de prestígio, como o Museum of Fine Arts, Houston; the International Center of Photography, New York; the Victoria & Albert Museum, Londres; Maison Européenne de la Photographie, Paris. Ele publicou inúmeros livros nos EUA, Espanha, Japão e Alemanha, que foram resenhados no New York Times, no Los Angeles Times e em outras importantes revistas.

 

 

Visitação: de 09 de novembro de 2018 a 12 de janeiro de 2019.

Tomie Ohtake em NY

30/out

A Galeria Nara Roesler | Nova York, apresenta um novo desdobramento da aclamada exposição “Tomie Ohtake: Nas Pontas dos Dedos”, com curadoria de Paulo Miyada, curador chefe do Instituto Tomie Ohtake. Especialmente organizada por Miyada para a filial de New York e incluindo pinturas, estudos, gravuras e fotografias, esta exposição concisa apresenta exemplares do rico corpo de obra criado por Tomie Ohtake nas décadas de 1960 e 70, além de raros registros do processo feitos pela própria artista. A exposição é um desdobramento das exposições “Tomie Ohtake: na ponta dos dedos” apresentadas na Galeria Nara Roesler | São Paulo (agosto a setembro de 2017) e na Galeria Nara Roesler | Rio de Janeiro (fevereiro a março de 2018) e proporciona um enfoque único sobre o desenvolvimento das composições da artista, de colagens de recortes de revistas a óleos sobre tela.

 

 

Sobre a artista

 

Tomie Ohtake é uma figura fundamental na história da abstração brasileira. Sua dedicada investigação dos aspectos formais, temporais e espirituais da cor, da forma e do gesto resultaram num corpo de obra extraordinário, produzido ao longo de seis décadas. Nascida em 1913, ela teve uma criação tradicional em Kyoto e viajou ao Brasil em 1936 para visitar um de seus irmãos, que fizera parte de uma grande onda de imigração japonesa ao país. Impossibilitada de voltar ao Japão devido à Segunda Guerra Mundial, Tomie Ohtake destacou que dois fatores foram fundamentais em sua decisão de se estabelecer permanentemente no Brasil: ela encantou-se de imediato com a luminosidade tropical única do país, e percebeu que no Brasil teria a oportunidade de ser uma artista com liberdades criativas que lhe seriam negadas, como mulher, no Japão. Após casar-se e criar seus dois filhos, dedicou-se a seu trabalho e estabeleceu uma ligação estreita com o grupo Seibi, uma rede informal de artistas nipo-brasileiros unidos por seu interesse pela abstração. Mas Tomie Ohtake também era ligada a grupos mais amplos de críticos e artistas, como Willys de Castro, Mário Pedrosa, Paulo Herkenhoff e Mira Schendel, entre outros. Essa multiplicidade de filiações e ligações a desobrigava de alinhar-se com qualquer abordagem artística específica, colocando-a numa trajetória artística singular. Foram Mira Schendel e, principalmente, Paulo Herkenhoff que incentivaram a artista a empregar mais explicitamente elementos das tradições japonesas, como o zen-budismo e a caligrafia. Em 1975, Tomie Ohtake afirmou: “Meu trabalho é ocidental, mas tem grande influência japonesa, um reflexo da minha criação. Esta influência está na busca da síntese: poucos elementos devem dizer muito. Na poesia haiku, por exemplo, fala-se do mundo em dezessete sílabas”.

 

 

A palavra do curador Paulo Miyada

 

 

Tomie Ohtake: Nas pontas dos dedos I. Cortes de cores Na passagem entre as décadas de 1950 e 1960, a primeira incursão de Tomie Ohtake na pintura abstrata tornou-se conhecida pelo caráter “cego” de um informalismo feito com intensidade e sem premeditação, muitas vezes com pinceladas lançadas, literalmente, de olhos fechados. A seguir, logo no princípio dos anos 1960, sua pintura condensou-se em formas mais claras, apresentadas em composições com nítida distinção de figura e fundo. As figuras, no caso, assemelham-se a formas geométricas simples, porém de contornos tremeluzentes, como se rasgadas com a ponta dos dedos. O que pouca gente sabe é que isso não é mera similitude: nessa época, a artista de fato começou a fazer estudos usando papéis coloridos retirados de revistas e rasgados à mão. Era uma forma de lidar com a instantaneidade do gesto e impregnar todo o processo de pintura com um teso equilíbrio entre acaso e controle. As composições encontradas por Tomie Ohtake nas diminutas colagens serviram de roteiro para pinturas.

 

De 01 de novembro a 22 de dezembro.

Nelson Felix em ação

23/out

A “Esquizofrenia da forma e do êxtase” é parte de três ações de Nelson Felix. A primeira, com deslocamentos a dois lugares na América: Anchorage, no Alasca e Ushuaia, na Argentina. Os pontos seriam como “o início e o fim” das cordilheiras formadas pelas Montanhas Rochosas na América do Norte, e dos Andes na América do Sul, vistas poeticamente pelo artista como a coluna vertebral do globo terrestre. Para a segunda ação, no edifício da Ocupação da 9 de Julho, centro de São Paulo, o artista trabalhou o espaço externo e interno da Galeria Reocupa, inaugurada no dia 16 de outubro. A última, como parte da 33ª Bienal de São Paulo, traz uma série de sete esculturas ao Pavilhão da Bienal.

 

 

Exposição na Galeria Reocupa

 

Obras inéditas realizadas nas partes externas e internas do edifício da Ocupação 9 de Julho por Nelson Felix estarão disponíveis para visitação na recém-inaugurada Galeria Reocupa, como mais uma etapa do processo de “Esquizofrenia da forma e do êxtase”. Segundo Nelson, “o amálgama desta série de ações foi feito através do desenho, do ato de desenhar constante. Nesse exagero de elementos articulados nasce uma noção de “paisagem”, uma noção de espaço em que se mesclam espaço natural, operações poéticas e espaço construído. Está carregada de percepções, significados, história, sentimentos, desejos, memórias. Um esforço se faz necessário por parte do observador. A obra requer tempo para que você possa tatear e começar a ver sua estrutura”.

 

 

Visitação:  até 02 de fevereiro de 2019;

quinta – domingo, 14h às 20h – Ocupação 9 de Julho • Rua Álvaro de Carvalho, 427

 

 

Conversa com Nelson Felix

 

Durante a inauguração da exposição na Galeria Reocupa, Nelson Felix realizou conversa aberta com o público. Para o artista, a percepção do espaço se caracteriza por um emaranhado de questões, englobando a poesia e o desenho. Nesse sentido, faz uso de esculturas, objetos, fotografias, ações, coordenadas geográficas e deslocamentos para construir uma ideia de espaço que extrapola o local imediato da obra instalada, atingindo a escala do global.

 

Ocupação 9 de Julho • Rua Álvaro de Carvalho, 427

 

22/09/2018 – 23/09/2018
10:54 às 10:55

Ato na Ocupação 9 de Julho

 

Neste ato, cuja duração é de 24 horas e abrange o equinócio de primavera – que, em 2018, ocorre às 22h54 de 22 de setembro – Nelson Felix instala uma escultura composta de ferro, cabo de aço e dois mandacarus de sete metros cada nas empenas do edifício da Ocupação 9 de Julho. Após a instalação das peças, o artista retrata a cena em desenhos feitos in situ, tal qual fazem os pintores de natureza morta.

 

Ocupação 9 de Julho • Rua Álvaro de Carvalho, 427

Exibição de Rochelle Costi

17/out

A fotógrafa Rochelle Costi, realiza a exposição – “Passatempo” -, individual no Museu do Trabalho, Porto Alegre RS. A curadoria é de Gabriela Motta.

 

Durante os anos 1980 Rochelle Costi não era apenas uma artista que vivia em Porto Alegre. Rochelle vivia, trabalhava com e atuava na cena cultural local, tendo a própria cidade, seus
personagens e lugares como matéria prima de sua produção artística. O Hotel Majestic em meio a sua transformação em Casa de Cultura Mário Quintana, em 1984, foi palco de um preview da exposição da artista, “Vivo Retrato”, que iria circular por varias cidades do Brasil nos anos seguintes.

 

A Usina do Gasômetro antes de ser um espaço cultural da cidade está em seus registros fotográficos. O bar Ocidente, um dos lugares mais icônicos da contracultura nacional, onde o movimento punk e o público LGBTQ+ sempre conviveram, com toda a sua fauna ensandecida, como canta Nei Lisboa na música Berlim, Bom Fim também figura na sua produção do período, como o próprio Nei. Isso tudo ao lado da turma da Casa de Cinema, do Falcão (ator), das bandas Os Replicantes, DeFalla, TNT, Cascaveletes, das festas no Scalp, da escadaria da Igreja das Dores, da ponte do Guaíba, do morro da TV. Rochelle Costi estava em todos esses lugares e com todos esses sujeitos, fotografando-os, expondo, criando situações e gerando imagens nas quais é possível acompanhar, além das inquietações estéticas da artista, a própria cidade em transformação.

 

Exatos trinta anos após mudar-se para São Paulo, Rochelle Costi retorna com sua primeira individual na cidade. Passatempo, a exposição que a artista apresenta no Museu do Trabalho é um olhar para esse tempo que passou, mas um olhar de hoje, capaz de nos fazer rir e refletir sobre as transformações da cidade, das relações sociais, do nexo sempre tensionado entre os sujeitos e o lugar em que vivem. Essa mirada sobre sua trajetória, e acima de tudo sobre a trajetória da cena cultural da cidade nos faz lembrar, principalmente, que as conquistas sociais, culturais, humanistas, não são definitivas. São avanços que fazem parte de um processo em permanente negociação e que, novamente, se vêem ameaçados pela ascensão de um conservadorismo que enxerga no outro uma ameaça e não um espelho da sua própria humanidade contraditória.

 

É assim que, ao articular registros, resíduos, amostras de obras desenvolvidas ainda no início de sua trajetória, a artista atribui aos trabalhos, através de seus novos formatos e contextos, significados outros, condizentes com o cenário político e cultural que vivemos na atualidade. Há uma Porto Alegre de ontem e há uma Porto Alegre de hoje, e a proximidade entre ambas mobiliza

reflexões sobre os rumos e desvios das políticas sócio-culturais da cidade, das cidades.

 

 

Abertura: dia 20 de outubro, sábado, às 19 horas.

Universo maranhense

08/out

No Dia das Crianças, o Museu Afro Brasil, Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP, uma instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo gerida pela Associação Museu Afro Brasil – organização social de cultura, abre as portas para receber duas novas exposições que revelam a pulsante diversidade artística do Maranhão: “Hiorlando” e “Afetos”. As exposições fazem parte da programação em comemoração ao aniversário do Museu Afro Brasil, que celebra catorze anos de existência no próximo dia 23 de outubro.

 

 

 

Sobre Hiorlando

 
Hiorlando é o nome adotado pelo artista João Pereira Marques, que apresenta no Museu Afro Brasil 100 esculturas em madeira da sua fauna lúdica e animada composta por girafas, peixes, sapos, jacarés, cachorros, entre outros bichos fartamente coloridos. “Os bichos de olho vivo e cara sapeca marcam o trabalho de Hiorlando e carregam sua alma”, destaca Paula Porta, curadora da exposição.
Nascido no povoado João Peres, no município de Araioses, no Maranhão, em 1963, Hiorlando começou a esculpir há pouco mais de dez anos, quando um acidente o afastou do trabalho de estivador marítimo e acabou permitindo que seu talento artístico se desenvolvesse. Galhos do cajueiro, tamboril e cedro são os tipos de madeira que edificam as esculturas do artista, que estão divididas em três categorias: bichos da água, do seco e do imaginário. Um deleite ao público infantil.

 

 

Afetos

 
A exposição traz um panorama do trabalho do fotógrafo paulistano Edgar Rocha, estabelecido no Maranhão há mais de 40 anos. São 41 fotografias que passeiam por temas como o patrimônio cultural, os navegantes e as celebrações do povo maranhense.
”O trabalho de Edgar Rocha traz duas características muito marcantes: a luz âmbar, morna, que nos aproxima da imagem capturada. E um fascínio pelos saberes, pelas tradições e pelo jeito de ser dos negros do Maranhão, que registra de maneira intimista e verdadeiramente amorosa”, destaca Paula Porta, que também assina a curadoria da mostra.

 

 

 

De 12 de outubro até dezembro de 2018.

Brasília extemporânea

04/out

A exposição “Brasília Extemporânea”, em cartaz na Casa Niemayer, Brasília, DF, assinada pela curadora Ana Avelar, propõe obras de artistas que se depararam com essa cidade atual, ou que dialogam com aspectos dela, sejam eles simbólicos, históricos, políticos ou sociais, buscando levar adiante um debate que se deteve, em grande parte e por muito tempo, entre apoiadores e críticos de sua fundação e projeto inicial. São trabalhos de naturezas diversas (instalações, filmes, vídeos, objetos, intervenções), que informam sobre uma realidade negligenciada, mas não menos constituinte, da “capital planejada”.ACasa Niemeyer, é a antiga residência de Oscar Niemeyer, cujo estilo colonial é por si só um fato peculiar dentro das experiências modernistas do arquiteto.

 

 

Artistas participantes

 

Adirley Queirós, Camila Soato, Cao Guimarães, Christus Nóbrega, Clara Ianni, Clarisse Tarran, Diego Castro, Ding Musa, Dora Smék, Gabriela Masson (Lovelove6), Gê Orthof, Helô Sanvoy, Gregório Soares, Isabela Couto, João Trevisan, Joana Pimenta, Karina Dias, Laercio Redondo, Lenora de Barros, Luciana Paiva, Luiz Alphonsus,  Márcio H Mota, Milton Machado, Nuno Ramos, Raquel Nava, Paul Setúbal, Peter de Brito, Vera Holtz e Xico Chaves.

 

 

Até 15 de fevereiro de 2019.

No Instituto Tomie Ohtake

27/set

AI-5 50 ANOS – Ainda não terminou de acabar

 

“Para que pode servir uma instituição de arte em um país como o Brasil, hoje, em 2018? Embora isso não chegue diretamente ao olhar dos visitantes, essa é uma pergunta que as equipes do Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, SP, enfrentam cotidianamente, no trato com as responsabilidades intrínsecas aos trabalhos desenvolvidos. As respostas para isso são muitas e uma delas passa pela revisão contínua da história da arte dentro da história mais ampla da sociedade, acreditando que tanto uma quanto a outra podem aparecer de forma renovada quando colocadas em tensão”.

 

A partir dessa reflexão, assinalada pelo Instituto Tomie Ohtake, nasce  AI-5 50 ANOS – Ainda não terminou de acabar, exposição que busca discutir os custos da retirada de direitos democráticos para o imaginário cultural do País, em resposta aos 50 anos do Ato Institucional No. 5, marco do agravamento do totalitarismo da ditadura civil-militar brasileira (1964-1985).

 

Conforme o curador Paulo Miyada, a pesquisa tem como núcleo a produção de artes visuais do período, com obras, ideias e iniciativas que nasceram em tensão com a interdição da própria opinião política, que chegou a ser virtualmente criminalizada pelas práticas de censura e repressão. Em alguns casos, as obras reunidas foram proibidas, destruídas ou subsistiram ocultas; em outros, sua circulação foi seriamente contida e seus modos de expressão passaram por codificações e táticas de resistência.

 

Como uma exposição-ensaio, AI-5 50 ANOS – Ainda não terminou de acabar propõe um percurso que passa por diversos estágios de restrição dos direitos democráticos e destaca múltiplas atitudes de contestação, grito e reflexão. Há também espaço para textos e documentos de contextualização, além de algumas obras comissionadas de artistas mais jovens, que conheceram o período por meio da história.

 

Segundo Miyada, uma das contribuições que a arte pode oferecer mesmo durante os arcos mais sombrios da história humana é a sua capacidade de ampliar o campo do que pode ser dito e sentido frente aos limites e interdições da linguagem. “Com isso em mente, é possível considerar que esta mostra não é apenas um memorial de silenciamentos e perdas, mas também de reinvenções e resistências, com apelos que se endereçaram à sociedade de então e continuam em aberto para os cidadãos de hoje”, completa o curador.

 

 

A exposição está dividida em seis núcleos:

 

Censura no período da ditadura civil-militar frente a frente com a emergência da ideia de “opinião” na produção artística entre 1964-1968. Apresenta exemplos de engajamento crítico das vanguardas artísticas e o acirramento gradual de mecanismos de silenciamento que fizeram um arco desde casos de censura moral até ataques explícitos à liberdade de expressão e crítica.
Destaques desse núcleo:Textos de Hélio Oiticica e obras de Cybele Varela e Carlos Vergara, fotografias de Evandro Teixeira e projeto não realizado de Carmela Gross.

Criminalização da própria opinião após o AI-5 e transformação das tendências artísticas que, com o acirramento das estratégias de repressão, alcançaram seu ponto de máxima tensão entre 1968 e 1970. Discute como artistas que integraram ativamente a transformação da arte brasileira na segunda metade da década de 1960 produziram obras limítrofes, radicais e de contestação, muitas vezes de perto (ou de dentro) de episódios de prisão, exílio, tortura e coerção.

 

Destaques desse núcleo:Depoimento de Gilberto Gil, obras e depoimentos de Claudio Tozzi e Carlos ZIlio, depoimento de José Carlos Dias, obras de Antonio Henrique Amaral e Anna Bella Geiger, obras e caderno inédito de Antonio Dias.

Produção da chamada “geração de guerrilha”, que ganhou espaço na arte brasileira entre 1969 e 1970 e constantemente emulou em seus processos criativos táticas de infiltração, resistência e indistinção típicos de movimentos de guerrilha urbana. Trata-se, também, de uma produção que buscou ocupar espaços nas bordas ou fora do circuito artístico institucional, além de reagir a tentativas de censura e/ou enquadramento formal de suas proposições.

 

Destaques desse núcleo:Obras de Antonio Manuel, Artur Barrio e Cildo Meireles. Contraposições e contrastes: Carlos Pasquetti, Regina Vater e Nelson Leirner.

Arte na década de 1970 e recursos de busca de liberdade e crítica em um país autoritário. Levantamento de caminhos apesar dos interditos, que passaram pelo teor libidinoso e lúdico da produção chamada de “marginal”; pela formação de circuitos subterrâneos de distribuição, como cineclubes e redes de arte correio; e por experimentação de modelos linguísticos com alto grau de codificação e desenvolvimento conceitual.

 

Destaques desse núcleo:Obras de Wlademir Dias-Pino, Paulo Bruscky, Regina Silveira, Regina Vater e filmes de José Agrippino de Paula e Ivan Cardoso.

Críticas ao desenvolvimentismo do ideal de país promovido pela ditadura. Seleção de obras que apontam para a resistência ao otimismo nacionalista impulsionado pela retórica de ocupação da Amazônia, megalomaníaco e inconsequente com reflexões ecológicas e os direitos das populações indígenas.

 
Destaques desse núcleoObras e livros de Claudia Andujar, obra de Cildo Meireles e filme de Jorge Bodanzky.

Reflexão sobre a crise institucional que alcançou o processo de “abertura democrática”, aplicado ao caso das instituições artísticas, a exemplo de tantas outras áreas, não passaram por um processo cuidadoso e amplo de reconstrução e revisão de suas premissas com o final da ditadura na década de 1980.

 
Os assuntos em destaque são proposições provocativas para o campo artístico, todas interrompidas ou descontinuadas: a criação do Museu da Solidariedade no Chile, por Mario Pedrosa; a proposição do Museu das Origens após o incêndio do Museu de Arte Moderna no Rio de Janeiro, também por Mario Pedrosa; e o Encontro de Críticos de Arte da América Latina, organizado por Aracy Amaral com o intuito de rediscutir as premissas da Bienal de São Paulo.

 

 

Lista de artistas participantes:

 

Adriano Costa, Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino, Antonio Benetazzo, Antonio Dias, Antonio Henrique Amaral, Antonio Manuel, Aracy Amaral, Artur Barrio, Aurélio Michiles,Augusto Boal, Aylton Escobar, Bené Fonteles, Caetano Veloso, Carlos Pasquetti, Carlos Vergara, Carlos Zilio, Carmela Gross, Chico Buarque, Cildo Meireles, Claudia Andujar, Claudio Tozzi, Coletivo (Ana Prata, Bruno Dunley, Clara de Capua,  Derly Marques, Deyson Gilbert, Janina McQuoid, João GG, Leopoldo Ponce, Mauricio Ianês, Pedro França e Pontogor), Cybèle Varela, Daniel Santiago, Décio Bar, Décio Pignatari, Desdémone Bardin, Edouard Fraipont, Evandro Teixeira, Francisco Julião, Frederico Morais, Gabriel Borba, Genilson Soares e Francisco Iñarra, Gilberto Gil, Glauber Rocha, Glauco Rodrigues, Guga Carvalho, Hélio Oiticica, Ivan Cardoso, Jo Clifford, Renata Carvalho, Natalia Mallo e Gabi Gonçalves, João Sanchez, Jorge Bodanzky, José Agrippino de Paula, José Carlos Dias, José Celso Martinez Corrêa, Lula Buarque de Hollanda, Marcello Nitsche, Marcio Moreira Alves, Marisa Alvarez Lima, Mario Pedrosa, Matheus Rocha Pitta, Mauricio Fridman, Nelson Leirner, Paulo Bruscky, Paulo Nazareth, Raymundo Amado, Regina Silveira, Regina Vater, Reynaldo Jardim, Ricardo Ohtake, Roberto Schwarz, Samuel Szpigel, Sérgio Sister, Vera Chaves Barcellos, Wlademir Dias-Pino e outros.

 

 

Até 04 de novembro.