Roda de conversa celebra variedade de gerações.

08/jul

O Ministério da Cultura e a Fundação Vera Chaves Barcellos convidam o público para o encerramento da mostra “Há pouco?” no próximo sábado, dia 11 de julho, a partir das 14h30, na Sala dos Pomares, Rodovia Tapir Rocha, 8480 – parada 54, Viamão, RS. Integrando o Programa Educativo da exposição, será realizada uma visita mediada, com uma breve apresentação de Bruna Fetter, curadora e diretora cultural da Fundação, seguida da roda de conversa intitulada “Gravura: impressões e outros vestígios”, com as artistas Helena Kanaan, Lurdi Blauth, Maristela Salvatori e Nara Amélia.

Na ocasião, será oferecido transporte para deslocamento de Porto Alegre até Viamão (ida e volta), com saída às 13h30 em frente ao Theatro São Pedro, Praça Mal. Deodoro, no Centro Histórico de Porto Alegre. A inscrição é gratuita (acesse o formulário) e aberta ao público geral. Vagas do ônibus limitadas a 45 participantes.

Em cartaz ao longo do primeiro semestre, “Há pouco?” reúne mais de 90 obras de 94 artistas mulheres e engloba diversas linguagens, como gravura, desenho, fotografia, pintura, arte postal e vídeo. Composta inteiramente por trabalhos pertencentes ao Acervo Artístico da Fundação Vera Chaves Barcellos, a mostra constitui um recorte institucional até então inédito e plural, que celebra a variedade de gerações, saberes, contextos, temáticas, mídias e escalas; O conjunto evidencia a presença de artistas históricas de reconhecimento nacional e internacional, ao mesmo tempo em que destaca a cena artística local

A arte fotográfica como memória.

07/jul

Entre abril de 2020 e junho de 2025, Paulo Mittelman registrou as transformações e intervenções observadas nas janelas do prédio da antiga Fábrica Bhering, hoje Espaço Cultural Bhering. O resultado desse olhar atento e sensível compõe “Vítreo”, exposição que será inaugurada no dia 30 de julho no Espaço BB, no Shopping Cassino Atlântico, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, ocasião em que também será lançado o livro homônimo, que reúne as fotografias acompanhadas por poesias de Mirian de Carvalho, doutora em Filosofia pela UFRJ. 

A exposição apresenta 22 fotografias selecionadas pela curadora Marcia Marschhausen. Todas foram impressas em canvas com borda infinita e montadas em chassis de madeira.

“O conceito curatorial da mostra envolve, do ponto de vista teórico, uma proposição sobre a arte fotográfica como memória histórico-artística e, do ponto de vista da experiência estética, prioriza trazer ao plano sensível nexos entre a fotografia de Mittelman, poesias de Mirian de Carvalho e pinturas e grafites de artistas anônimos, construindo diálogos imagístico-visuais e imagístico-textuais sobre várias intervenções percebidas nas janelas do Espaço Cultural Bhering”, observa  Mirian de Carvalho.

O tema escolhido exerce fascínio sobre Mitterman desde sua infância: “Enfoquei um mundo de pinturas e grafites integrados ao vidro, por isso o nome “Vítreo” me fascinou. Encaixou perfeitamente nesses trabalhos clicados nos corredores e no amplo espaço conhecido como Pombal, na Fábrica Bhering, onde tudo é rodeado por vidraças que lembram minha atração pelas peças de vidro desde menino, quando garimpava cacos de vidro coloridos nas ruas, brilhando entre os paralelepípedos, como se fossem pedras preciosas. Comecei a fotografar com 16 anos e ainda carrego dentro de mim aquela criança curiosa diante das coisas do mundo que gostaria de transformar através do meu olhar e da magia de uma bola de cristal”.

Sobre o artista. 

Formado pela Pontifícia Universidade do Rio de Janeiro, Paulo Mittelman é psicólogo clínico e psicanalista (SEPLA). Com 57 anos de trajetória na fotografia, Paulo Mittelman acumula em seu currículo reconhecimentos como o prêmio no Le Plus Grand Concours Photo du Monde, promovido pela revista Photo, além de ter sido finalista do Open Competition do Sony World Photography Awards 2013 em 2017 teve seis fotografias incluídas no livro “Arte Brasileira na Contemporaneidade – Vol. II”, projeto e realização de Carmen E. Pousada, Inn Gallery e Platypus Editora.

Sobre Mirian de Carvalho.

Doutora em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na qual lecionou Estética nos programas de Graduação e de Pós-graduação e orientou teses e dissertações. Filiada à Associação Brasileira de Críticos de Arte e à Associação Internacional de Críticos de Arte. Foi 2ª vice-presidente da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), de 2002 a 2005. Sua poesia foi objeto de estudo do pesquisador e poeta Cláudio Willer, que escreveu o livro intitulado Mirian de Carvalho: a poesia em movimento, São Paulo: Quaisquer, 2018. A autora assina o Blog da Mirian, no Digestivo Cultural.

 

Vik Muniz reproduz itens do acervo.

02/jul

O Museu Nacional, São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ, abre mostra com obras de Vik Muniz com as cinzas do incêndio. Com ajuda da equipe que trabalhou no resgate e de cientistas, artista reproduz peças originais do acervo da institução.

Comovido com o incêndio que destruiu o Museu Nacional, em setembro de 2018, Vik Muniz criou uma coleção em polímero infundido com as cinzas, na qual reproduz itens do acervo. 

Tudo foi desenvolvido em parceria com as equipes que atuaram nos escombros e cientistas da PUC-Rio. 

Até 30 de agosto.

Exibição da artista indígena Yacunã Tuxá.

01/jul

A Caixa Cultural RJ, Unidade Passeio,  recebe, a partir do dia 07 de julho, a exposição “Toda Árvore Tem Raiz”, primeira mostra individual da artista indígena Yacunã Tuxá, que reúne mais de 25 obras em diferentes linguagens e suportes, como pintura, fotografia, poesia, muralismo, escultura, lambe-lambe, vídeo mapping e performance. Depois de um sucesso retumbante em Salvador, a exposição permanece em cartaz até 20 de setembro.

O projeto contempla a trajetória da artista indígena pertencente ao povo Tuxá de Rodelas, na Bahia, marcada por deslocamentos forçados e resistência. Yacunã Tuxá vem consolidando uma produção que articula ancestralidade, política e imaginação urbana, com passagens por instituições como o MASP, Pinacoteca de São Paulo e Muncab.

A curadoria de Naine Terena e Vera Nunes em diálogo com a artista, propõe uma experiência expositiva que combina identidade indígena com contextos culturais dos não-indígenas, criando um percurso imersivo que convida o público a refletir sobre os atravessamentos vividos por corpos indígenas, seus territórios e sua espiritualidade. A mostra incorpora elementos simbólicos como o rio, a canoa e a Jurema, planta sagrada que atravessa a mostra como eixo espiritual e político. O feminino indígena emerge como estrutura fundamental, afirmando as mulheres como raízes profundas da terra, sustentando histórias de resistência, cuidado e reinvenção.

Sobre a artista.

Yacunã Tuxá (@yacunatuxa) é uma das principais vozes da arte indígena contemporânea no Brasil, com atuação nas artes visuais, literatura, muralismo e curadoria, articulando memória, ancestralidade e política. Seu trabalho já esteve presente em importantes instituições culturais, rendeu prêmios de destaque, projetos curatoriais e grandes intervenções urbanas, além da publicação de seu primeiro livro de poemas, consolidando sua produção artística como uma potente ferramenta de resistência, afirmação identitária e cura coletiva.

Shiro: uma escala de nuances.

A exposição na Japan House, Avenida Paulista, São Paulo, SP, conta com curadoria da diretora cultural da instituição, Natasha Barzaghi Geenen, aborda a cor branca apresentando suas nuances e simbologias por meio de quatro elementos: a neve, o papel, a seda e o sal.

Tonalidades de branco

Com curadoria da diretora cultural da instituição, Natasha Barzaghi Geenen, a mostra introduz diversas tonalidades da cor branca no Japão, passando por quatro elementos: papel, seda, neve e sal, revelando as suas relações com a cultura japonesa. A inspiração para o recorte veio da leitura da obra “O País das Neves” (1948), de Yasunari Kawabata. 

“Shiro não é fruto de um conceito específico, tem uma inspiração poética e abstrata. O branco, enquanto junção de todas as demais cores, serve aqui como ponto de partida simbólico para pensar como o Japão carrega tantas nuances e sutilezas, como é um país de muitas gamas, que podem passar despercebidas, mas não para o povo japonês, cujo olhar é apurado até para essas mínimas diferenças do branco”.

Natasha Barzaghi Geenen

O papel

No núcleo de Papel, a instalação “Poem of life”, da artista Ayumi Shibata, é feita de inúmeras folhas de papel cortadas como na técnica de kiri-ê e amarradas entre si, simbolizando o desejo da artista pela paz e harmonia do mundo. 

A seda

Para o núcleo de Seda, a artista Kaoru Hirano apresenta uma obra produzida especialmente para a exposição. Conhecida por desconstruir peças de roupa em suas criações, Kahoru Hirano escolheu trabalhar com um juban branco de seda (peça de vestuário tradicional japonesa usada por baixo do quimono), de sua avó paterna, falecida em 2018, para criar uma espécie de teia suspensa na instalação “untitled-grandmother”. 

A neve

Já o núcleo Neve, aborda as paisagens do Norte do Japão, com seus invernos rigorosos, que evocam uma sensação de branco infinito, como descrito no livro de Kawabata. Foram selecionadas três fotografias de Land Art (intervenções feitas diretamente na paisagem natural), do artista Tomohiro Kajiyama. 

O sal

Assim como a neve, o sal também é especial no dia a dia dos japoneses. Embora o Japão seja um país cercado por mar, o seu ambiente não é propício à produção de sal. Dentre as inúmeras variações de sais encontradas no mundo, a mostra apresenta cinco tipos, originários de diversas regiões do Japão, evidenciando suas diferentes características e granulações.

Sobre os artistas.

Ayumi Shibata (Yokohama, 1982)

Artista de kiri-ê estudou xilogravura e técnica mista na National Academy School of Fine Arts, em Nova Iorque, explorando materiais e métodos de expressão. Transferiu a sua base de atuação para Paris, onde desenvolveu iniciativas internacionalmente por dois anos, incluindo a criação e exposição de suas obras no Atelier 59 Rivoli. Retornou ao Japão em 2018, que tem sido sua base de atividades desde então.

Kaoru Hirano (Nagasaki, 1975)

A artista cria instalações a partir do desfazer e reconstruir, fio por fio, de roupas antigas, guarda-chuvas e outros materiais. Seu trabalho explora a memória individual, bem como relações sociais e históricas. Em 2025, recebeu uma bolsa de apoio da Fundação Adolph e Esther Gottlieb, atuando nacional e internacionalmente

Tomohiro Kajiyama (Shizuoka, 1985)

Mudou-se para Hokkaido em 2018, para Nakasatsunai Village, uma região com cerca de 3.800 habitantes no norte do Japão. Com o objetivo de redescobrir os recursos locais, em 2019 passou a produzir snow art de forma autodidata e estabeleceu seu estilo autoral “free-leg”, baseado em caminhar livremente sobre a neve, seguindo o instinto. 

Até 25 de outubro.

Diagramas espaciais de Damián Ortega.

30/jun

O MASP apresenta a primeira exposição individual de Damián Ortega (Cidade do México, 1967) em um museu de São Paulo, com curadoria de Adriano Pedrosa, Rodrigo Moura e Yudi Rafael. A mostra reúne mais de três décadas de trabalho do artista, que transita entre escultura, instalação, fotografia e vídeo para reexaminar materiais e objetos cotidianos como vetores de narrativas sociais, econômicas e políticas. Em sua prática escultórica icônica, Damián Ortega desmonta objetos – carros, ferramentas, pedras, tijolos – e exibe suas partes reorganizadas em configurações suspensas que funcionam como diagramas espaciais, frequentemente carregados de humor e comentário político. A exposição destaca obras centrais de sua trajetória e um conjunto de trabalhos que investigam aspectos da arquitetura brasileira. A mostra é organizada em parceria com o MALBA – Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires.

Até 13 de setembro.

Luiz Zerbni exibe Estrelas Escolhidas.

26/jun

O Ministério da Cultura, o Nubank e o Instituto Tomie Ohtake, Pinheiros, São Paulo, SP, apresentam “Estrelas Escolhidas”, exposição individual de Luiz Zerbini sob curadoria de Ana Roman e Luiza Mello.

A mostra reúne cerca de 230 obras produzidas ao longo dos últimos dez anos, entre monotipias, pinturas, livros de artista e instalações, marcadas pela investigação da monotipia realizada a partir do contato direto com plantas, folhas, galhos, cascas e outras materialidades. O conjunto inclui trabalhos desenvolvidos a partir do acervo botânico do Instituto Inhotim e do Sítio Burle Marx, além de obras que ampliam o diálogo da produção gráfica de Luiz Zerbini com diferentes contextos, como as pesquisas relacionadas à gravura japonesa Ukiyo-e.

Além das obras gráficas, a exposição apresenta núcleos dedicados às publicações produzidas pelo artista, além de um projeto sobre etnobotânica ainda em desenvolvimento. Mesas e instalações concebidas para a exposição aproximam processos, matrizes, referências e obras finalizadas, revelando o caráter experimental e processual da pesquisa de Luiz Zerbini.

Livro e exposição de Marina Saleme.

A exposição “Ralo”, individual de Marina Saleme, na galeria Luisa Strina, Cerqueira Cesar, São Paulo, SP, apresenta mais de 20 pinturas inéditas em diferentes dimensões, acompanhadas de texto crítico de Galciani Neves. Na mesma ocasião, a Act Arte lança “Marina Saleme”, publicação que traça um amplo panorama da trajetória artística de Marina Saleme. O livro, organizado pela própria artista, reúne pinturas, desenhos e trabalhos que atravessam distintos momentos de sua produção e conta com textos críticos de Ana Maria Belluzzo, Felipe Scovino e Tadeu Chiarelli.

Contemplação do ato de desaparecer

Nas mais de 20 obras que compõem “Ralo”, Marina Saleme mostra que segue movida pelo gesto de descobrir a cor na superfície da tela, deixando-se conduzir pelo processo de elaborar o que a pintura pode ser enquanto pinta, e motivada pelo desejo de se surpreender com os novos desafios de linguagem e de experimentação diante da tela. Por meio de rios, mares, céus e rochas, que se entrecruzam e se unificam, a artista reflete sobre um derretimento do mundo, como se tudo o que está sobre a terra tivesse um destino, um fluxo, uma impermanência, um tempo linear irreversível, que desemboca em um ralo, no ato de escoar.

De acordo com Galciani Neves, que assina o texto crítico da exposição, “Ralo” narra o pensamento de Marina Saleme, que se embrenha entre suas pinturas a partir de um tempo que não cessa, não pausa, e que se esvai como uma espécie de durante sempre fugidio.

Trajetória da artista em mais de 200 páginas

Por ocasião da abertura da mostra, a Act Arte – casa editorial sob direção de Fernando Ticoulat – lança o livro monográfico “Marina Saleme”, que, ao longo de mais de 200 páginas, apresenta um panorama da produção da artista, destacando mais de três décadas dedicadas à pintura e à fotografia. O livro evidencia como, entre atmosferas de silêncio, melancolia e suspensão, Marina Saleme trabalha com a instabilidade das imagens: formas revelam-se ao mesmo tempo em que são ocultadas por camadas de tinta, véus de cor e rastros de matéria.

Temas como fragilidade, incerteza, dissolução e aparição – seja em paisagens fantasmagóricas, figuras esfaceladas ou cenas cotidianas que se tornam enigma – são foco de ensaios críticos de Felipe Scovino, Ana Maria Belluzzo e Tadeu Chiarelli, que contextualizam a pesquisa da artista no campo da pintura contemporânea brasileira, analisando sua relação com o neoexpressionismo dos anos 1980, sua passagem por experimentações matéricas nos anos 1990 e sua expansão para a fotografia nas séries dos anos 2000 e 2010. Ao longo do livro, imagens de obras, séries e detalhes de pinturas revelam um fazer artístico guiado pela intuição, pelo tempo e pelo mistério.

A publicação, editada por Yasmin Abdalla, Paula Nunes e Marina Dias Teixeira, e  publicada pela Act Arte, é uma realização do Ministério da Cultura e conta com patrocínio do Itaú, apoio de Marina Saleme Estamparia e apoio institucional da galeria Luisa Strina.

Até 25 de julho.

Roberto Burle Marx pelos amigos.

25/jun

Exposição revela o lado mais íntimo e afetivo de Roberto Burle Marx no Centro Cultural Correios, Rio de Janeiro, RJ. Entre memórias, fotografias, documentos históricos e experiências imersivas, Roberto Burle Marx pelos   amigos convida o público a descobrir a dimensão mais humana de um dos maiores criadores brasileiros. A exposição revela um artista movido pela amizade, pela música, pela diversidade cultural e pelo encontro entre arte e natureza, apresentando um olhar raro e afetivo sobre sua trajetória. 

Muito além do paisagista que revolucionou a relação entre arte e natureza no Brasil, Roberto Burle Marx surge agora como anfitrião, colecionador, amigo, humanista e homem profundamente entrelaçado com a diversidade cultural que moldou sua trajetória. É essa dimensão menos conhecida de um dos maiores criadores brasileiros que ganha protagonismo em Roberto Burle Marx pelos amigos, exposição em cartaz no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro, a partir do dia 1º de julho de 2026.

Idealizada pelo Memorial Judaico de Vassouras, a exposição percorre episódios pouco conhecidos da biografia de Burle Marx, como suas origens familiares, filho de um judeu alemão e de uma professora católica pernambucana de ascendência francesa, a passagem pela Alemanha durante a juventude e o impacto da ascensão do nazismo sobre sua família paterna. Fotografias inéditas e documentos históricos ajudam a compreender como essa herança multicultural reverberou em sua visão de mundo e em sua produção artística, especialmente em seus últimos anos de vida.

Até 22 de agosto.

As astrofotografias de Fredy Vieira.

08/jun

A contemplação do céu noturno, a passagem do tempo e a relação entre o ser humano e o cosmos são os temas centrais da exposição “Ancestral: Luzes do Infinito”, do fotógrafo e artista visual Fredy Vieira aberta ao público desde o dia 5 de junho em Cambará do Sul, RS. A mostra reúne imagens da Via Láctea, constelações e paisagens noturnas registradas principalmente nos Campos de Cima da Serra e em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. As fotografias convidam o visitante a uma experiência de contemplação e reflexão sobre o tempo, a memória e a ancestralidade presentes na luz das estrelas.

Inspirada pela busca de alcançar aquilo que não pode ser tocado, a exposição propõe um encontro entre a escala humana e a dimensão do Universo. Cada imagem resulta da convergência entre o instante do registro fotográfico e o tempo percorrido pela luz dos astros até chegar à Terra, transformando a fotografia em uma ponte entre passado e presente.

Ancestral

é o desejo de alcançar o que não se pode ver. É a tentativa de materializar o intangível, de tocar aquilo que permanece distante, suspenso entre o mistério e a imaginação. As estrelas atravessam todos os registros de Fredy Vieira. Não como objeto, mas como busca. Uma insistência em capturar o céu, em guardar o que, por natureza, escapa. Nessas imagens, a fluidez da paisagem encontra a permanência aparente do cosmos. Aparente porque a luz das estrelas também é passado. O que vemos já aconteceu. Cada brilho é uma lembrança viajando através do tempo. Trinta segundos de exposição. Anos, séculos ou milênios de viagem. Entre esses dois extremos nasce a fotografia. Talvez contemplar as estrelas seja uma forma de enfrentar nossa própria finitude. Um gesto antigo de quem procura compreender não apenas o universo ancestral que nos cerca, mas também aquilo que nos antecede e nos constitui. Olhar para o céu é olhar para o tempo, é olhar para dentro. E contemplar estas imagens é habitar, por um instante, esse encontro entre a imensidão do cosmos e a breve experiência humana.

“Dada a vastidão do espaço e a imensidão do tempo, é uma alegria compartilhar um planeta e uma época com Annie.”

Carl Sagan

Sobre o artista.

Fotojornalista, astrofotógrafo e artista visual, Fredy Vieira nasceu em Porto Alegre, RS, em 1976. Cursou Jornalismo na Unisinos e é formado em Fotografia Digital pela ESPM. Ao longo de sua trajetória, atuou em veículos de comunicação e agências nacionais e internacionais de fotografia, recebeu o Prêmio Press de Fotografia em 2016 e 2018 e foi cofundador da primeira Feira da Fotografia Artística de Porto Alegre. Em “Ancestral: Luzes do Infinito”, o artista aprofunda sua investigação sobre a paisagem noturna e os vínculos que unem Natureza, Tempo e Memória, convidando o público a habitar, por alguns instantes, o encontro entre a imensidão do cosmos e a experiência humana.