Biquínis no CCBB-Rio

17/mai

A exposição “Yes! Nós temos biquíni”, no CCBB Rio, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta os aspectos sociais, históricos e culturais de uma criação revolucionária no mundo da moda e a sua devida apropriação pelos brasileiros, transformando-a em objeto de desejo do mundo todo. O traje nasceu na França, em 1946, mas originou-se há séculos, como mostram as preciosas tangas marajoara do período pré-colombiano. Do pesado traje de banho do século 19 às novas modelagens do século 21, a exposição ressalta as mudanças de comportamento e conquistas da mulher nesse período, os padrões de beleza e sua relação com a arte. A curadoria é de Lilian Pacce.

 

A mostra reúne cerca de 120 obras, entre looks icônicos e históricos de moda praia, fotografias, pinturas, esculturas, vídeos, ilustrações, instalações, artefatos históricos e amplo material iconográfico. Performances, debates e um ciclo de cinema também fazem parte da programação da exposição, que ocupará o 2º andar do Centro Cultural.  A exposição é patrocinada pelo Banco do Brasil.          

 

“A moda, para além de seu propósito inicial que é vestir o corpo, sempre esteve relacionada a questões sociais, culturais, políticas e econômicas. Esta exposição traz uma diversidade, que sempre buscamos para a programação do CCBB e apresenta um diálogo entre o elemento de maior representação brasileira na moda mundial com obras de arte contemporâneas que desafiam o visitante a interpretar essas associações”, comenta o gerente-geral do CCBB Rio, Fabio Cunha.

 

O percurso começa com uma explicação sobre a criação do engenheiro francês Louis Réard, que ousou diminuir a calcinha de cintura alta e revelar o umbigo da mulher – símbolo do vínculo e da ruptura entre duas vidas, zona erógena, centro do corpo humano e do mundo, como se percebe na obra Um.Bigo, de Lia Chaia. Réard queria que sua ideia fosse tão explosiva quanto os primeiros testes nucleares no atol de Bikini – daí surge o nome da peça. Ilustrando modas, modismo e rupturas, uma linha do tempo mostra a evolução do traje de banho, com peças originais desde o século 19 até hoje, looks que sintetizam a imagem de cada década assim como as mulheres que fizeram a fama do biquíni ao longo da história.

 

Na sala seguinte, o visitante descobre que historicamente, apesar de ser uma criação francesa, o crédito pela invenção do biquíni poderia caber aos índios brasileiros e sua forma de cobrir o corpo. Tangas marajoaras datadas do período pré-colombiano, cedidas pelo Museu de Arqueologia e Etnologia – USP, mostram que os trajes já eram usados por aqui muito antes do descobrimento, mas não eram percebidos como “roupa” sob o prisma da moral dos colonizadores portugueses. A sala se completa com obras de artistas nascidos em outros países, mas que escolheram o Brasil para viver, como Claudia Andujar, John Graz e Maureen Bisilliat, que representam o encantamento dos estrangeiros com nossa cultura, e também biquínis inspirados na cultura indígena.

 

Temas fundamentais nos dias atuais, o empoderamento feminino e questões ligadas aos padrões de beleza impostos pela sociedade fazem parte do debate proposto pela exposição. A reflexão sobre o corpo e a praia acontece na próxima sala por meio do diálogo das obras de Marcela Tiboni, Claudio Edinger e Elen Braga com criações dos estilistas Amir Slama, Isabela Frugiuele (Triya) e Adriana Degreas, além da escultura de Tiago Carneiro da Cunha. Já a relação entre moda e arte é tratada pela inspiração mútua e parcerias inusitadas – Beatriz Milhazes, Glauco Rodrigues e Jorge Fonseca para Blue Man, J. Carlos para Salinas, Gonçalo Ivo e J. Borges para Amir Slama, Maria Martins para Adriana Degreas. No centro da sala, em destaque, Stripencores, obra de Nelson Leirner de 1967 que ganha um quinto elemento criado especialmente para a mostra.

 

A praia como território geográfico, social e até virtual surge em cenas do dia a dia nas imagens captadas pelas lentes de Alair Gomes, Cartiê Bressão, Fernando Schlaepfer, Frâncio de Holanda, German Lorca, Julio Bittencourt, Otto Stupakoff, Pierre Verger, Rochelle Costi,  Thomaz Farkas e Willy Biondani, além de vídeo de Janaína Tschape e de escultura de Eder Santos. Como contraponto, o trabalho elaborado por nomes que ajudaram a criar a identidade da moda praia brasileira (e projetá-la mundialmente) surge em imagens icônicas: Dalma Callado em foto que alavancou sua carreira internacional nos anos 1970, feita por Luiz Tripolli, e Gisele Bündchen clicada por Jacques Dequeker no início dos anos 2000, já famosa – e ainda Antonio Guerreiro, Bob Wolfenson, Claudia Guimarães, Daniel Klajmic, Klaus Mitteldorf, Marcelo Krasilic, Miro e Vavá Ribeiro.

 

Mas muito antes dos editoriais de moda, era o ilustrador e figurinista Alceu Penna quem “ditava” tendências na extinta revista “O Cruzeiro” com “As Garotas do Alceu”, verdadeiras it girls da época. A praia é vista também pelo traço das ilustrações de Carla Caffé, Filipe Jardim e Paulo von Poser. A sala traz ainda uma videoinstalação com grandes momentos da moda praia nas semanas de moda no Brasil, e uma série de manequins com biquínis e maiôs de caráter excepcional, seja pela construção, modelagem, material ou pela criatividade em si – prova de que o biquíni é a peça mais brasileira de todas.

 

Na última sala, o visitante é convidado a compartilhar experiências de praia, diante das obras de Cássio Vasconcellos, Katia Maciel e Leda Catunda – e da pergunta que fica: qual é a sua praia? “A força de uma peça tão pequena como o biquíni brasileiro, basicamente quatro triângulos de tecido, está diretamente ligada ao emporaderamento feminino ao longo do último século e vai muito além da praia em si. A exposição pretende mostrar essas interfaces, seu impacto nas conquistas da mulher e o lifestyle criado em torno dele”, diz a curadora Lilian Pacce, autora do livro O Biquíni Made in Brazil. A cenografia é assinada por Pier Balestrieri, com comunicação visual de Kiko Farkas, consultoria de arte contemporânea de Sandra Tucci, coordenação geral e produção executiva da Com Tato Agência Sociocriativa.  

 

 

Palestra – A Revolução Feminina na Areia

 

31/05/2017, às 18h30 – Painel sobre as mudanças sociais que acompanharam a evolução dos trajes de moda praia e as conquistas femininas.

 

 

A palavra da curadora

 

Yes! Nós Temos Biquíni explora as conexões entre moda, arte, comportamento e história a partir do final do século 19, quando ir à praia era como tomar remédio: tinha apenas função terapêutica. Desde então, a praia se tornou um espaço democrático de lazer, onde convivem jovens e velhos, ricos e pobres, magros e gordos, atletas e sedentários, branquelos, bronzeados e gente de todas as cores com seus “corpos de praia”.

 

Acima de tudo, a exposição pretende mostrar a força da menor peça do vestuário feminino: o biquíni. E mais do que isso: o biquíni made in Brazil que, numa rara virada de jogo, se tornou objeto de desejo mundo afora. Apesar de ter sido criado na França, o Brasil se apropriou tão bem da peça que se tornou referência em moda praia; o Rio de Janeiro, seu melhor cenário, e a Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, sua maior musa, seguida pela modelo Gisele Bündchen.

 

De um exemplar autêntico de 1895 (um vestido de lã com bloomer), passando pela conquista do maiô de perninha até chegar ao mínimo fio-dental, nota-se como os modelos de cada época refletem as respectivas conquistas da mulher – muitas vezes tema de grandes escândalos, seja com a atriz brasileira Leila Diniz expondo sua barriga de grávida num biquíni em 1971, seja com a prisão da nadadora olímpica australiana Annette Kellermann em 1907 por usar o então maiô masculino. A pesquisa deixa claro também que os protagonistas da história, tanto criadores como criaturas, não se deram conta da relevância de seus atos e do impacto que provocariam na sociedade e na arte ao longo do século 20.

 

E através da arte, o biquíni ganha outras perspectivas. A exposição cria diálogos e contrapontos entre arte e moda, de onde surgem texturas, cores e emaranhados ao mesmo tempo que levam para a praia do Rio de Janeiro o despojamento, a diversão, o despudor, o corpo solto. A obra Stripencores de Nelson Leirner de 1967 ganha um quinto elemento, o biquíni, criado especialmente para a mostra.

 

Os vários modos de estar e de ocupar estes territórios de liberdade que a praia, o sol, o mar e o biquíni permitem são retratados em obras de suportes variados como fotografia, pintura, escultura, vídeo, ilustração. De cada um deles surge uma interpretação, uma discussão ou o simples ato da contemplação.

 

As paisagens, a natureza, o comportamento ao ar livre e a apropriação de espaços geográficos, sociais e até virtuais indicam que o biquíni pode se apresentar de muitas formas, mas sempre traz consigo a busca da liberdade feminina e sua relação com o próprio corpo.

Lilian Pacce

   

   

De 17 de maio a 10 de julho.

60ª  World Press Photo

11/mai

A fotografia vencedora do prêmio principal, a World Press Photo do Ano, foi “Um assassinato na Turquia”, do turco Burhan Ozbilici. O registro foi feito em dezembro de 2016, quando o policial Mevlüt Mert, que estava de folga, atirou contra o embaixador da Rússia Andrei Karlov em uma sala de exposições, em Ancara. Na imagem, o assassino aparece com a pistola na mão e o dedo em riste. Na ocasião, ele gritava: “Não se esqueçam de Alepo. Não se esqueçam da Síria”.

 

A foto esteve envolvida em certa polêmica e dividiu opiniões. O próprio presidente do júri – Stuart Franklin, também fotógrafo –  se opôs à escolha. Segundo ele, conceder o prêmio mais importante ao registro de um assassinato premeditado é amplificar a sua mensagem. No entanto, a maioria prevaleceu e a foto foi selecionada. O júri do concurso é independente e a sua decisão é sempre respeitada pela Fundação World Press Photo.

 

“Foi uma decisão muito, muito difícil, mas no final a maioria sentiu que a foto era uma imagem explosiva e muito representativa do ódio contemporâneo. Nós realmente achamos que ela resumia o que uma World Press Photo do Ano deve ser e representar”, afirmou Mary F. Calvert, membro do júri.

 

Segundo Rafael Ferraz, diretor executivo da Capadócia Produtora Cultural, que há dez anos realiza a exposição no Brasil, essas imagens, nos dão o real conhecimento do que está acontecendo no mundo. “Por exemplo, não teríamos dimensão da crise dos refugiados, se não fossem essas fotografias. Por isso, espero que a exposição ajude as pessoas a se sensibilizarem e refletirem sobre os assuntos que estão afligindo o nosso planeta”, afirma.

 

 

O Brasil na World Press Photo 2017

 

O brasileiro Lalo de Almeida, fotógrafo da Folha de S. Paulo, foi premiado pela primeira vez na World Press Photo. Ele recebeu o 2º lugar na categoria Assuntos Contemporâneos com o ensaio sobre bebês com microcefalia, vítimas do vírus da Zika, no Nordeste. O ensaio foi parte de um especial publicado pelo jornal em dezembro.

 

Já Felipe Dana, que trabalha para a agência The Associated Press e havia recebido uma Menção Honrosa em 2013, levou o terceiro lugar na categoria Notícias em Destaque com a imagem Batalha por Mosul, feita no Iraque durante a ofensiva das forças especiais iraquianas e das milícias aliadas para recuperar o controle da cidade tomada pelo Estado Islâmico.

 

O Brasil ainda está presente na foto do alemão Kai Oliver Pfaffenbach, que congelou o sorriso vitorioso do atleta jamaicano Usain Bolt na semi-final dos 100 metros rasos, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro. A imagem recebeu o 3º lugar na categoria Esporte, fotos individuais. Já a série de fotos premiada com o 3º lugar, na categoria Assuntos Contemporâneos (histórias), apresenta a triste realidade dos moradores de um conjunto habitacional abandonado em Campo Grande, no Rio de Janeiro. Os registros são do alemão Peter Bauza.

 

 

A premiação em números

 

A World Press Photo 2017 registrou inscrições de todo o mundo: 5.034 fotógrafos de 126 nacionalidades inscreveram 80.408 imagens. O júri distribuiu prêmios em oito categorias para 45 fotógrafos de 25 países: Austrália, Brasil, Canadá, Chile, China, República Tcheca, Finlândia, França, Alemanha, Hungria, Índia, Irã, Itália, Paquistão, Filipinas, Romênia, Rússia, África do Sul, Espanha, Suécia, Síria, Nova Zelândia, Turquia, Grã-Bretanha e EUA. A exposição é realizada em 45 países e vista por mais de quatro milhões de pessoas anualmente.

 

A World Press Photo, organização independente sem fins lucrativos, promove este que é o mais importante concurso internacional de fotojornalismo. A fundação está empenhada em apoiar e promover altos padrões de qualidade na fotografia, com o objetivo de gerar interesse no grande público pelo trabalho dos fotógrafos e de outros jornalistas visuais, e pela livre troca de informações.

 

 

De 16 de maio a 18 de junho

Flávio Damm, um fotógrafo

08/mai

A Galeria Marcelo Guarnieri, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, inaugura, no dia 11 de maio a exposição “Flávio Damm, um fotógrafo”, com 36 fotografias em preto e branco do importante fotógrafo, um dos grandes nomes do fotojornalismo brasileiro, que tem mais de 70 anos de trajetória. Flávio Damm fez fotografias históricas, como de Getúlio Vargas em seu autoexílio, em 1948 em São Borja, no Rio Grande do Sul, sendo o primeiro fotógrafo autorizado a fazê-lo naquela circunstância e produzindo importantes imagens que circularam o mundo. Foi também o único fotógrafo brasileiro presente na cerimônia de coroação da Rainha Elizabeth II, na Inglaterra, em 1953, e no lançamento do primeiro foguete na base de Cabo Canaveral, nos Estados Unidos, em 1957.

 

A exposição faz um recorte da trajetória do fotógrafo, com imagens que exploram a linguagem fotográfica com fotos que buscam extrair das cenas urbanas a poesia de seu caráter trivial. As imagens foram produzidas nas décadas de 1950 e 1960 e também entre 2000 e 2010, no Brasil – em cidades como Salvador, Porto Alegre e Rio de Janeiro – e no exterior – em países como Portugal, Espanha e França.

 

As fotografias evidenciam uma liberdade de composição formal e poética, transportando o espectador a momentos de contemplação e beleza, à posição do flâneur, que, vagando pela cidade, é surpreendido por situações dignas de registro. Flávio Damm espera o momento “correto” para fotografar. Mais do que testemunha de um fato, ele escolhe cuidadosamente o enquadramento através da lente 35mm de sua câmera Leica, que, por seu tamanho e leveza, permite a ele agir com rapidez e discrição. Com isso, ele acaba por assumir o lugar de testemunha de um instante, que, ao se transformar em imagem, traz junto uma atmosfera, seja de humor, encanto ou melancolia. “Fotografadas pelo tradicional processo analógico – o ar que eu respiro – pratiquei um tripé fotográfico composto de sorte, paciência e a experiência vivida que se alonga por 72 anos de câmera na mão e pé na estrada…”, ressalta.

 

Nas imagens apresentadas é possível ver associações entre os elementos da imagem, como, por exemplo, na fotografia em que um homem está deitado no banco da rua na mesma posição da imagem do outdoor que está logo acima dele. Outro exemplo é o senhor em Portugal que passa em frente a um grafite que parece refletir a sua imagem. Já em outras fotografias percebem-se figuras humanas na imensidão da arquitetura.

 

Flávio Damm foi indicado como um dos oito fotógrafos brasileiros de linha bressoniana pelo curador Eder Chiodetto. “Persigo sempre meus motivos pelo interesse documental que os mesmos contenham e, seguindo o mestre Cartier Bresson, ‘tirar uma foto é como reconhecer um evento e naquele exato momento – e, numa fração de segundo – organizar as formas que vê para expressar e dar sentido ao mesmo: é uma questão de pôr o cérebro, o olho e o coração na mesma linha de visão. É uma forma de viver’”.

 

Fiel à fotografia analógica em preto e branco e avesso ao uso do Photoshop ou de outras manipulações na imagem, Damm preza pelo registro direto, pois acredita que assim cumpre, de maneira responsável, com a sua função de “testemunha ocular”. “Para estudar melhor a forma dispenso sempre a cor por ser desnecessária”, afirma.

 

 

Sobre o artista

 

Flávio Damm nasceu em 1928 em Porto Alegre, Brasil. Vive e trabalha no Rio de Janeiro, Brasil. Um dos grandes nomes do fotojornalismo brasileiro, Flavio Damm integrou, de 1949 a 1959, a equipe da revista O Cruzeiro, realizando, ao longo desse período, reportagens históricas ao redor do mundo. Suas fotografias davam conta de retratar um grande escopo de assuntos e situações, que iam desde os modos de vida de comunidades isoladas no interior de um Brasil ainda pouco conhecido, até a coroação da Rainha Elizabeth II na Inglaterra. Em 1962, fundou, junto a José Medeiros e Yedo Mendonça, uma das primeiras agências de fotografia do país, a Image. Possui em seu acervo mais de 60 mil negativos. Ilustrou 29 livros, sendo cinco – edições e reedições – de Jorge Amado. Ilustrou, em 1949, o livro “Um roteiro histórico de Recife”, de Gilberto Freyre. Fotografou o dia-a- dia de Candido Portinari em seu ateliê durante os dois últimos anos de vida do artista. Trabalhou dois anos agregado ao escritório de Oscar Niemeyer na época da construção de Brasília. Participou de diversas exposições individuais e coletivas, destacando-se: Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Brasil (2009); Caixa Cultural do Rio de Janeiro e Curitiba, Brasil (2012-2013); As origens do fotojornalismo no Brasil, Instituto Moreira Salles, Rio de Janeiro e São Paulo, Brasil.

 

 

Sobre a Galeria

 

Marcelo Guarnieri iniciou as atividades como galerista nos anos 1980, em Ribeirão Preto, e se tornou uma importante referência para as artes visuais na cidade, exibindo artistas como Amilcar de Castro, Carmela Gross, Iberê Camargo, Lívio Abramo, Marcelo Grassmann, Piza, Tomie Ohtake, Volpi e diversos outros. Atualmente com três espaços expositivos – São Paulo, Rio de aneiro e Ribeirão Preto – a galeria permanece focada em um diálogo contínuo entre a arte moderna e contemporânea, exibindo e representando artistas de diferentes gerações e contextos – nacionais e internacionais, estabelecidos e emergentes – que trabalham com diversos meios e pesquisas.

 

 

De 11 de maio a 17 de junho.

Rio de Janeiro indígena

O Museu de Arte do Rio apresenta “Dja Guata Porã | Rio de Janeiro indígena”, uma mostra sobre a história do estado do Rio como história indígena. Concebida a partir da colaboração de povos, aldeias e indígenas que residem no estado ou na capital carioca, a exposição é fruto de diálogos conduzidos entre 2016 e 2017 pela equipe de pesquisa, curadoria e educação do MAR. Esses encontros eram abertos ao público e foram realizados no museu e nas aldeias envolvidas.

 

“Dja Guata Porã” traz obras, vídeos, fotografias e outros dispositivos criados pelos indígenas para a exposição, entrecruzados com documentação e iconografia histórica sobre algumas das mais importantes questões dessa história. Uma grande linha do tempo contextualiza conceitos, períodos e acontecimentos, enquanto quatro núcleos lançam luz sobre povos e indígenas que hoje habitam o estado do Rio: os Guaranis, os Puris, os Pataxós e os indígenas que moram em contexto urbano, a exemplo da Aldeia Maracanã.

 

Ao mesmo tempo, cinco estações concebidas com a colaboração de Josué Kaingang, Eliane Potiguara, Anari Pataxó, Niara do Sol e Edson Kayapó abordam temas que atravessam épocas e povos, denotando sua relevância para a história cultural e de resistência dos povos indígenas: educação, comércio, arte, natureza e mulher. “Dja Guata Porã” convoca e busca potencializar a dimensão polifônica da diversidade cultural dos povos que fazem, histórica e atualmente, a história do Rio de Janeiro e do Brasil.

 

A curadoria é de Sandra Benites, José Ribamar Bessa, Pablo Lafuente e Clarissa Diniz. “Dja Guata Porã | Rio de Janeiro indígena” tem o apoio da Repsol.

 

 

 

De 16 de maio a 04 de março de 2018.

Fotógrafos internacionais

03/mai

A exposição “Face a face com grandes fotógrafos”, do artista chinês Zhong Weixing, que estreia dia 11 de maio no Museu Histórico Nacional, Praça Marechal Âncora, s/n, Centro, Rio de Janeiro, RJ, traz ao país obras realizadas em um ambicioso projeto desenvolvido pelo artista desde 2015. Fotógrafo e colecionador de arte, Zhong, especialista em capturar paisagens e detalhes de viagens, foca neste projeto um outro cenário: os maiores nomes da fotografia contemporânea mundial.

 

Com curadoria de Jean-Luc Monterosso e Milton Guran, a exposição traz retratos feitos em estúdio de nomes como os brasileiros Sebastião Salgado, Miguel Rio Branco e Vik Muniz, além de feras internacionais como Robert Frank, Bernard Plossu, Duane Michals, Cristina de Middel, Martin Parr e William Klein, entre outros. A ideia é buscar a personalidade do fotógrafo por trás das lentes. Depois de mergulhar intensamente na obra do autor ou autora que tem diante de si, Zhong nos oferece uma visão plural e uma interpretação bastante pessoal do retratado, como fragmentos da obra destes autores.

 

A inspiração de Zhong Weixing para a realização deste projeto vem do ano de 1851, de uma séria criada pelo caricaturista francês Félix Nadar, que planejou fazer um retrato das celebridades de seu tempo, em quatro pranchas litográficas. Somente uma ficou pronta, na qual retratava mais de 250 escritores e jornalistas, e que entrou para a história como o Panteão Nadar.

 

 

Fotógrafos retratados na exposição

 

Alain Fleischer, francês, vive e trabalha na França. Fresnoy, 2016; Alberto Garcia Alix, espanhol, vive e trabalha na Espanha. Paris, 2016; Andres Serrano, norte-americano, vive e trabalha nos Estados Unidos. Paris, 2016; Arno Rafael Minkkinen, finlandês, vive e trabalha nos Estados Unidos. Paris, 2017; Bernard Faucon, francês, vive e trabalha em Paris. Paris, 2017; Bernard Plossu, francês, vive e trabalha em Paris. Paris, 2017; Bruno Barbey, francês, vive e trabalha em Paris. Paris, 2017; Christine Spengler, francesa, vive e trabalha em Paris. Paris, 2016; Cristina De Middel, espanhola, vive e trabalha no México e no Brasil. Paris, 2016; Daido Moriyama, japonês, vive e trabalha em Tóquio. Tóquio, 2016; Duane Michals, norte-americano, vive e trabalha em Nova York. Nova York, 2016; Elliott Erwitt, norte-americano, vive e trabalha em Nova York. Nova York, 2016; Gianni Berengo Gardin, italiano, vive e trabalha em Milão. Milão, 2016; Harry Gruyaert, belga, vive e trabalha em Paris. Paris, 2017; Jean-Pierre Laffont, francês, vive e trabalha em Nova York. Nova York, 2016; Joan Fontcuberta, espanhol, vive e trabalha em Barcelona. Paris, 2017; JR, francês, vive e trabalha em Paris. Paris, 2017; Klavdij Sluban, esloveno, vive e trabalha em Paris. Paris, 2017; Martin D’Orgeval, francês, vive e trabalha em Paris. Paris, 2016; Martin Parr, inglês, vive e trabalha na Inglaterra. Paris, 2016; Martine Barrat, francesa, vive e trabalha em Nova York. Paris, 2016; Miguel Rio Branco, brasileiro, vive e trabalha no Brasil. Paris, 2016; Neal Slavin, norte-americano, vive e trabalha em Nova York. Nova York, 2016; Nobuyoshi Araki, japonês, vive e trabalha em Tóquio. Tóquio, 2016; Orlan, francesa, vive e trabalha em Paris. Paris, 2017; Patrick Zackmann, francês, vive e trabalha em Paris. Paris, 2017; Pierre et Gille, franceses, vivem e trabalham em Paris. Paris, 2017; Ralph Gibson, norte-americano, vive e trabalha em Nova York. Paris, 2016; Robert Frank, suíço, vive e trabalha em Nova York. Nova York, 2016; Sabine Weiss, suíça, vive e trabalha em Paris. Paris, 2016; Sebastião Salgado, brasileiro, vive e trabalha em Paris. Paris, 2015; Valérie Belin, francesa, vive e trabalha em Paris. Paris, 2016; Vik Muniz, brasileiro, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Paris, 2016; Vincent Perez, francês, vive e trabalha em Paris. Paris, 2016; William Klein, norte-americano, vive e trabalha em Paris. Paris, 2016; Yann Arthus-Bertrand, francês, vive e trabalha em Paris. Paris, 2016.

 

 

Sobre Zhong Weixing

 

Nascido na província de Chengdu, na China, em 1962, é colecionador de arte e fotógrafo, membro da China Photographers Association e presidente da Chengdu International Photography Exchange Association. Seu trabalho é regularmente publicado pelas revistas China Photography, PIXEL, Tibet Geographic, dentre outras. Entre as obras assinadas pelo artista estão: Peru Photographic Travelogue – Woodstock on the Summit, Sri Lanka Photographic Travelogue – A Momentary Reincarnation, Madagascar Photographic Travelogue, Carnet de Route Photographique, Obscure Sky with Yellow Land e Lost Paradise, com a qual ganhou o Grand Jury Prize no 12th Pingyao International Photography Festival em Pingyao, China.

 

 

Texto dos curadores

 

Um panteão de fotógrafos

 

Em 1851, o caricaturista francês Félix Nadar, antes de fazer fama como fotógrafo, se propôs a desenhar o retrato das celebridades do seu tempo e apresentar o conjunto em quatro pranchas litográficas em formato de panorâmica. Destas, apenas a primeira foi efetivamente publicada, em 1854, reunindo mais de 250 escritores e jornalistas. Assim nascia o chamado Panteão Nadar. É nessa linha de ação que se inscreve o trabalho de Zhong Weixing. Em 2015, ele começou a fotografar, de forma sistemática, os maiores fotógrafos da cena contemporânea. Renovar o gênero do retrato, eis o desafio que Zhong se propôs.

 

Trabalhando em estúdio, ele utiliza quase sempre um fundo negro e luz difusa. Instalado diante do seu modelo, realiza uma série fotos através das quais tenta, não exatamente revelar a pessoa por trás da personagem, mas sobretudo o fotógrafo por trás da pessoa. Seus retratos surgem como se fossem, eles mesmos, fragmentos da obra desses autores. A participação ativa dos retratados, que propicia um diálogo construtivo entre os dois fotógrafos, ao invés de uma confrontação, caracteriza o que poderíamos chamar de simbiose criativa de Zhong Weixing. O conjunto dessas imagens se constitui, portanto, em um painel excepcional da fotografia contemporânea. Um panteão sem dúvida mas, sobretudo, uma homenagem vibrante a todos aqueles que fazem da fotografia uma arte maior do nosso tempo.

 

Jean-Luc Monterosso e Milton Guran

 

 

De 11 de maio a 16 de julho.

Guerreiro: 50 anos de profissão

Para comemorar 50 anos de profissão, o fotógrafo Antonio Guerreiro vai expor no famoso Bar Lagoa, Rio de Janeiro, RJ, a partir desta terça-feira, dia 02 maio, retratos de 50 belas e incríveis mulheres cariocas – seja ela de nascimento, adoção ou vocação. “Meninas do Rio” terá imagens em preto e branco e sem retoques, diz o fotógrafo:

“ – Sou de um tempo em que não existiam silicone, botox nem photoshop”.

 

Mulheres famosas ou ícones da beleza nacional como Leila Diniz, Tônia Carrero, Zezé Motta, Baby Consuelo (hoje Baby do Brasil), Luiza Brunet, Gal Costa, Maria Bethânia, Marília Pêra, Glória Pires e Suzana Vieira dentre outras, estarão em exibição.

 

Do retrato de Marília Pêra, sorrindo com a mão no queixo, ele só se recorda que foi feito “na casa onde ela morava com o Nelsinho Motta, quando eram casados”. Guerreiro fotografou várias capas de Gal Costa, inclusive a do LP “Índia”, censurada pela Ditadura. A imagem dela que estará na exposição, no entanto, é outra. Dela, ele lembra que a fotografia foi realizada em 1985 para a capa da “Vogue”, quando ele era o fotógrafo da revista. O título da reportagem era: “Sex Symbol”.

Ecce Homo na Verve Galeria

02/mai

A Verve Galeria, Jardim Paulista, São Paulo, SP, inaugura a mostra coletiva “Ecce Homo”, com participação de Alex Flemming, Allis Bezerra, Florian Raiss, Francisco Hurtz, Gabriel Wickbold, Guilherme Licurgo, Hudinilson Jr., João di Souza, Leonilson, Marcelo Auge, Maurício Coutinho e Paulo von Poser. Sob a curadoria de Ian Duarte Lucas, 16 trabalhos apontam o masculino como tema e apresentam diversas visões acerca deste território e suas incontáveis possibilidades, por meio de colagens, desenhos, esculturas, fotografias e pinturas.

 

 

Ao longo da História, uma pluralidade de descrições identitárias foram imputadas ao homem – por muito tempo, em caracterizações restritas aos distintos papéis sociais por ele representados na sociedade. “Além das tentativas a fim de defini-lo a partir de sua identidade biológica, coexistem ainda inúmeras teorias discutidas no campo da psicanálise e da sociologia”, comenta Ian Duarte Lucas. Até a contemporaneidade, vemos a evolução de conceitos sobre o masculino, combinados e justapostos, e passamos a entender que certamente não há uma única resposta.

 

 

Neste contexto, “Ecce Homo” busca ressaltar a construção do indivíduo masculino em sua singularidade, a despeito de conceitos e definições generalizadas, apresentando obras de artistas homens que revelam a memória, a descoberta da sexualidade, o resgate de elementos simbólicos, a construção e o questionamento de imagens e o desejo de pertencimento – paralelamente às pequenas e grandes narrativas que originaram suas identidades como artistas, refletidas em trabalhos que tratam deste universo.

 

 

Em um tempo em que as próprias fronteiras de gênero são questionadas, a exposição ressoa a pergunta essencial de Nietzsche em sua famosa obra Ecce Homo: “Como se chega a ser o que se é?”. Histórias, por vezes muito pessoais, despertam a reflexão nos espectadores, ao contarem um pouco do caminho percorrido por cada artista no sentido de encontrar respostas a esses questionamentos. Coordenação de Allann Seabra.

 

 

 

De 03 de maio a 24 de junho.

Fabio Mauri na Bergamin & Gomide

25/abr

A Galeria Bergamin & Gomide, Jardins, São Paulo, SP, tem o prazer de apresentar a partir de 11 de março a primeira exposição individual no Brasil do artista italiano Fabio Mauri, o qual participou em 2012 da dOCUMENTA (13), em Kassel, além de seis edições da Bienal de Veneza (1954, 1974, 1978, 1993, 2013, 2015).

 

A mostra FABIO MAURI (SENZA ARTE) foi realizada em parceria com Olivier Renaud-Clément e com a galeria suíça Hauser & Wirth, que abriga toda a coleção do artista, e fez em 2015 e 2016 uma grande retrospectiva de Mauri nos Estados Unidos e em Londres.

 

Mauri nasceu em Roma, em 1926, e teve sua vida e obra marcadas pelo fascismo. Sua família era proprietária de uma das editoras mais importantes de literatura no país, por consequência, Mauri foi criado entre escritores e artistas e naturalmente se tornou amigo próximo de intelectuais e grandes nomes da vanguarda italiana do pós-guerra, como Ítalo Calvino, Umberto Eco, Pier Paolo Pasolini e Jannis Kounellis.

 

No final dos anos 1950, Mauri inicia sua produção artística em formatos tradicionais, como pinturas em telas e desenhos em papéis. Desde então, sua obra já tinha grande preocupação com questões ideológicas e políticas, o que foi acentuado nas décadas seguintes com o desenvolvimento da sua produção em formatos mais contemporâneos, em particular seu interesse pela “imagem projetada” e pela “tela escura” do cinema e da televisão – através de vídeos e projeções – além do elemento cênico, que se dava através da inserção do público dentro da obra em suas ações/performances e instalações, seja de forma participativa ou apenas como observador.

 

Segundo Carolyn Christov-Bakargiev, curadora da dOCUMENTA (13) e do Castello di Rivoli, “É verdade que Mauri abordou temas numerosos e diversos, usando uma variedade de abordagens expressivas, mas um fio comum fundamental, quase uma obsessão, percorre todos os seus movimentos, apesar do caráter multiformes de sua obra. Subjacente a todas as suas obras está uma meditação na tela – o cinema e a televisão – e as implicações da projeção para a sociedade e para a subjetividade contemporânea.”

 

Para a exposição na galeria, 25 obras foram selecionadas: no salão principal dois carpetes de grandes dimensões vão ocupar o centro da galeria, com as frases  Forse l’arte non è autonoma  [Talvez a arte não seja autônoma] e Non ero nuovo [Eu não era novo], ambos de 2009, e que fizeram parte da dOCUMENTA (13), em 2012, além de uma série de colagens e as instalações On the Liberty (1990) e Ventilatore (1990); no segundo ambiente serão apresentados treze trabalhos da série Photo Finish (1976); a última sala foi reservada para uma projeção do vídeo Seduta su l’ombra, de 1977. Todos os trabalhos são inéditos no Brasil e retratam um recorte abrangente da obra do artista.

 

Trabalhando em paralelo aos principais movimentos artísticos da época, como a Pop Art e a Arte Povera, Mauri colocou em discussão o papel da comunicação midiática como formadora da sociedade lá na década de 1960, quando a televisão ainda dava os primeiros passos. Enquanto artistas na Europa e nos Estados Unidos exploravam as nuances do consumismo e dissecavam os materiais essenciais da criação artística, Mauri abria frente para um questionamento que iria além da estética e da representação: como dar forma a algo tão abstrato como uma ideologia? Qual o papel do artista, do público e da mídia dentro dessa discussão? A problemática que o artista investigou por tantos anos é um assunto extremamente atual nos dias de hoje, sua obra reflete pontos cruciais da vida em sociedade e do pensamento do homem moderno.

 

Em 2015 a obra Il Muro Occidentale o del Pianto [O muro ocidental ou das lamentações], de 1993, ocupou a primeira sala do pavilhão central na 56a Bienal de Veneza, com curadoria de 56ª Bienal de Veneza, com curadoria de Okwui Enwezor. No mesmo ano o artista participou também pela primeira vez da Bienal de Istambul e sua obra foi incluída como parte da exposição permanente do Castello di Rivoli, enquanto outros trabalhos foram adquiridos pelo Centre Pompidou, em Paris.

Até sábado,  29 de abril de 2017.

Avenida Paulista

Com esta exposição, o MASP volta a atenção para seu entorno, compreendendo a avenida Paulista não apenas como local onde o Museu está inserido, mas também como objeto de consideração e reflexão. Trata-se de uma atenção significativa no contexto dos 70 anos do Museu (inaugurado em 1947 num edifício da rua 7 de Abril no centro de São Paulo e transferido para este edifício em 1968): a mostra representa um olhar para este local icônico da cidade, que é ao mesmo tempo cartão-postal e palco de embates e disputas de muitas ordens.
Quais são os temas que atravessam a avenida Paulista, com seus mais de 120 anos e 2.800 metros de extensão? Os contrastes econômicos e sociais, o capital financeiro e o comércio informal, o capital simbólico e as instituições culturais, as manifestações políticas e as questões de sexualidade (com uma das maiores paradas LGBT do mundo). Símbolo de São Paulo, a avenida Paulista carrega também as contradições, fricções e tensões de uma cidade rica, complexa e desigual.
A exposição é dividida em dois grandes segmentos. O primeiro segmento, na parede da esquerda e do fundo da galeria do 1º andar, inclui representações da avenida Paulista, com fotografias, documentos, pinturas, registros de ações performáticas, objetos e cartazes históricos de 38 autores, de 1891 a 2016, organizados cronologicamente. O segundo segmento é composto por 14 novos projetos comissionados para a exposição, que ocupam a entrada, o meio e o lado direito da galeria do 1º andar (André Komatsu, Cinthia Marcelle, Graziela Kunsch, Ibã Huni Kuin com Bane e Mana Huni Kuin, Lais Myrrha, Marcelo Cidade, Mauro Restiffe e Rochelle Costi com Renato Firmino), a galeria do 1º subsolo (Daniel de Paula), a sala de vídeo no 2º subsolo (Luiz Roque), o Vão Livre (Marcius Galan), e por uma intervenção na pinacoteca do 2º andar (Dora Longo Bahia), além de projetos não realizados de Ana Dias Batista e Renata Lucas reproduzidos no catálogo da exposição.
Como parte de Avenida Paulista, ocorre uma programação semanal de 13 oficinas e 8 sessões de filmes. As oficinas—propostas por companhias de teatro, coletivos, arquitetos e artistas—utilizam a avenida como palco e espaço criativo, ativando suas histórias e seus espaços de memória. As sessões de filmes—organizadas por Dora Longo Bahia com o grupo de estudos Depois do Fim da Arte—acontecem no pequeno auditório do Museu no 1º subsolo e refletem sobre o lugar do artista na cidade.
É importante pensar esta exposição como um desdobramento da vocação arquitetônica e urbanística do próprio edifício de Lina Bo Bardi (1914-1992), tendo em vista suas características fundamentais—a transparência, a permeabilidade, a abundância no uso do vidro, as plantas livres e a suspensão do volume de concreto—que permitem que o olhar e a cidade atravessem o Museu. Nesse sentido, pensar o MASP é debruçar-se sobre as questões da cidade e, sobretudo, sobre o local onde está instalado desde 1968.

 
Lista de artistas

 

3NÓS3, Agostinho Batista de Freitas, Ana Dias Batista, André Komatsu, Antônio Moraes, autores desconhecidos, Carlos Fadon, CIA de Foto, Cildo Meireles, Cinthia Marcelle, Cláudia Andujar, Cristiano Mascaro, Daniel de Paula, Dora Longo Bahia, Dulcinéia Aparecida Rocha, Edu Garcia, Eduardo Castanho, Enzo Ferrara, Ferreira Gullar, Graziela Kunsch, Guilherme Gaensly, Hans Gunter Flieg, Ibã Huni Kuin com Bane e Mana Huni Kuin, Ivan Grilo,Ivo Justino, Juan Pérez Agirregoikoa, Juca Martins, Jules Martin, Kleide Teixeira, Lais Myrrha, Lina Bo Bardi, Luis Carlos Santos, Luiz Hossaka, Luiz Paulo Baravelli, Luiz Roque, Marcelo Cidade, Márcia Alves, Marcius Galan, Maria Luiza Martinelli, Maurício Simonetti, Mauro Restiffe, Maximiliano Scola, Mick Carnicelli, Milton Cruz, Nair Benedicto, Nicolau Leite, Renata Lucas Roberto Winter, Rochelle Costi com Renato Firmino, Sérgio Bertoni, Sonia Guggisberg, Thomaz Farkas, Werner Haberkor e William Zadig

 

CURADORIA Adriano Pedrosa, diretor artístico, e Tomás Toledo, curador; com Camila Bechelany, Luiza Proença, Fernando Oliva, curadores, MASP, e Amilton Mattos, Universidade Federal do Acre

 

 

Até 28 de maio

 

Na Athena Contemporânea

24/abr

A galeria Athena Contemporânea apresenta, a exposição “A ponte (onde ele disse que não posso ir)”, com cerca de 20 obras inéditas da artista carioca Joana Cesar, inspiradas no trajeto feito diariamente por ela entre o Jardim Botânico e o Jockey Clube, na zona sul do Rio de Janeiro. Com curadoria de Germano Dushá, serão apresentadas colagens, fotografias, uma videoinstalação e dois vídeos da artista, que sempre teve a paisagem urbana como inspiração de suas obras.

 
Há cerca de dois anos, Joana Cesar fez a pé o trajeto de um quilômetro entre o Jardim Botânico e o Jockey Clube. Ao passar por lá, ela sentia uma sensação estranha, algo que não sabia explicar e começou a fazer diariamente esse mesmo percurso em busca de respostas. As obras que serão apresentadas na exposição fazem um “mapeamento” dessa área, que a artista passou a chamar de “ponte”, pois ali é uma grande reta, cercada por muros dos dois lados, onde não há prédios ou comércio. “As pessoas usam aquele trajeto para cruzar de um lugar a outro, como uma ponte. Esse trajeto tem a função de ligar dois bairros”, explica a artista, que, mais tarde, pesquisando, descobriu que debaixo da via passa um rio, dando mais sentido ao apelido de “ponte”.

 
“Se a ponte conecta, inevitavelmente, também se coloca como a medida da distância. Joana trafega pelas pontes — materiais, metafóricas ou mentais — com obstinação. Nesse processo de aventura e repetição, a artista parece querer dissecar tudo que lhe diga respeito, tanto o quanto lhe seja possível. Mas não para que possa entender integralmente cada aspecto do caminho, e sim para que possa vislumbrar a terrível — e implacável — dimensão do distanciamento. O hiato entre partida e chegada, entre ocorrência e percepção, entre código e decifração”, ressalta o curador Germano Dushá.

 
Em certo momento, após muitas caminhadas, a artista lembrou de um vídeo que havia feito há cerca de 15 anos, exatamente naquele local. Ela estava de carro, quando viu uma figura estranha, que chamou a sua atenção e a fez descer do veiculo. “Era um louco, que usava sandálias de cores diferentes, vestia uma calça molhada de xixi, puxava um galão… Fui andando atrás dele, seguindo e filmando todo o seu trajeto. Em certo ponto, ele parou, sentou no galão que carregava, tirou um espelho da calça e começou a olhar o mundo, o entorno, os ônibus que passavam, através daquele espelho”, conta Joana Cesar. “É com isso que ele cessa o caminhar. É por ali que ele passa a ver o mundo e encarar o outro. O espelho é seu dispositivo de contemplação. O espelho é sua fresta”, afirma o curador. A única palavra que a artista trocou com o andarilho foi quando perguntou seu nome, ao que ele respondeu: José Carlos Telefônica Mundial.

 
Na exposição, a artista apresentará o filme feito na época, que será mostrado em uma videoinstalação composta por duas televisões colocadas lado a lado: na da direita passará o vídeo como foi produzido e na da esquerda esse mesmo vídeo aparecerá como se estivesse sendo visto através de um espelho. “O vídeo mostra o real e o espelhamento o real, a fantasia”, diz Joana Cesar.

 
A exposição terá, ainda, seis colagens, com papeis e materiais diversos, em que a artista mistura o mapa real desse trecho do bairro do Jardim Botânico com a sua imaginação, com as suas memórias. “Não uso tinta, são colagens e os elementos, para mim, podem representar cor ou informação, significação. Desta forma, se uso um pedaço de fronha em meu trabalho, isso é para significar algo que dá conforto”, explica a artista.

 
Haverá, também, fotografias feitas por ela nesse entorno e dois pequenos vídeos feitos no Jardim Botânico em que a artista começou a filmar o que chamou de “natureza transtornada”. Nessas filmagens, ela registra fenômenos naturais que, a principio, não tem explicação, como, por exemplo, uma moita em que somente uma das folhas se mexe com o vento.

 

“São colagens, fotografias e vídeos que existem por vias objetivas e outras menos claras. Mas em tudo fica marcada a autonomia da artista em suas andanças, e suas relações mais intensas com a imaginação possível, a fantasia extravagante, impregnada na rua. São ações que dão conta do momento em que o acontecimento, o evento, se abre para quem quiser o perceber”, diz o curador.

 
Durante o período em que fazia a travessia, a artista descobriu um conto da Clarice Lispector chamado “Amor”, que faz parte do livro “Laços de Família”, que fala de uma mulher que, de dentro do bonde, vê um cego mastigando chiclete que lhe chama a atenção, que a deixa transtornada, assim como Joana Cesar ao ver o andarilho. A história se desenrola com a mulher andando justamente no trajeto feito insistentemente por Joana nos últimos dois anos. Partes desse conto estarão nas colagens.

 

 

 

Sobre a artista

 
Joana Cesar nasceu em 1974, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha. Cursou filosofia, jornalismo e cinema, fazendo, paralelamente, diversos cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro. O desenvolvimento de seu trabalho em ateliê a leva, em 2003, para as ruas da cidade, onde passa a usar muros, calçadas, postes e viadutos como suporte para sua escrita em código, inventada na infância. Em 2012, foi selecionada para o Programa de Aprofundamento da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Já realizou três exposições individuais na Athena Contemporânea: “Nome” (2014), “Voragem (2013) e “Fuga>Lenta” (2012). No ano passado, participou da exposição “Ao amor do público”, o Museu de Arte do Rio, que possui obras da artista em seu acervo. Participou, ainda, das mostras “Da escrita, Delas, Elas” (2015), no Museu da República; “6ª Bienal de Arte de Búzios (2013); “Gramáticaurbana” (2012), no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica. Ainda em 2012, foi convidada para participar da II Bienal Mundial da Criatividade, no Rio de Janeiro, e fez grande intervenção nos braços de sustentação da Avenida Perimetral.

 

 
Sobre a galeria

 
A Athena Contemporânea foi fundada em 2011 pelos irmãos Eduardo e Filipe Masini como um espaço inovador de criação, discussão e divulgação de arte contemporânea. Mais do que um espaço expositivo, a galeria se posiciona como lugar de pesquisa, de aprofundamento conceitual e de trocas artísticas, buscando sempre iniciativas inovadoras. A galeria vem se firmando como uma das mais destacadas no cenário brasileiro, representando conceituados e promissores artistas nacionais e internacionais, e investindo em parcerias com curadores e instituições para o desenvolvimento da carreira de seus artistas.

 

 
De 27 de maio a 17 de junho.