Xico & Iberê

19/set

A Galeria Frente, Jardins, São Paulo, SP, realiza a partir de 22 de setembro uma especial mostra retrospectiva na qual reúne os amigos de uma vida inteira, os gaúchos Xico Stockinger e Iberê Camargo. Em exibição esculturas em bronze e ferro e madeira de Stockinger e pinturas de diversos períodos de Iberê.

 

 

Iberê sobre Xico:

 

“Conheci o Xico em 1947, no Rio, no atelier de Bruno Giorgi. Ele se iniciava na escultura. De imediato nos tornamos amigos. Um ideal comum, a arte, nos aproximou para sempre. Via a sua transferência para Porto Alegre, com certo receio. Temia que a província não favorecesse o desenvolvimento de seu talento. Enganei-me. Foi exatamente no sul, nesta plaga de tradições cruentas que Xico criou seus imortais guerreiros, sempre prontos à luta, armados de escudos e pontudas lanças. Quixotesco, eles existem, heráldico, no intemporal da Arte. E, por certo, combatem em imaginárias refregas-vivências da fantasia do artista. Durante nosso prolongado afastamento, que durou quase trinta anos – ele em Porto Alegre, e eu no Rio – trocamos correspondência, sempre transbordante de humor e afeto. Quando das minhas vindas esporádicas à capital gaúcha, juntos, quixotescamente, nos empenhamos em acirrados debates. Entre muitos, ficou famoso o do Teatro de Equipe, nos idos de sessenta, que cunhou a inexorável expressão – ‘marasmo de Porto Alegre’.

 

Xico é esse escultor vigoroso que doma o ferro, o lenho e o mármore, com mão de mestre. E é ele também de todos nós, um grande amigo.”
IBERÊ CAMARGO
Porto Alegre, 1968.

 

 

Até 27 de outubro.

Volpi/Ione Saldanha na Galeria Ipanema

14/set

A Galeria de Arte Ipanema, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, apresenta, a partir do próximo dia 24 de setembro, a exposição “Alfredo Volpi e Ione Saldanha: o frescor da luminosidade”, que homenageia o grande artista Alfredo Volpi (1896 -1988) em seus trinta anos de morte, reunindo 66 obras em diálogo com outros 20 trabalhos de Ione Saldanha (1919 – 2001), com curadoria de Paulo Venâncio Filho.  Na abertura da exposição, será lançado um livro-catálogo editado pela Barléu, com texto do curador e imagens do fotógrafo Rômulo Fialdini. As obras que compõem “Alfredo Volpi e Ione Saldanha: o frescor da luminosidade”, pertencem a importantes acervos privados no Brasil, como o Instituto Volpi.

Fotos de André Sheik

05/set

A exposição individual “EU SOU O POST(e)”, do artista visual André Sheik, com curadoria de Raul Mourão, é o cartaz atual do espaço Marquês 456, Gávea, Rio de Janeiro, RJ. Em exibição fotografias – tiradas entre 2014 e 2018 – da série “Antropomórfica”. Sombras de postes da cidade aparecem misturadas com a sombra do artista, criando personagens gráficos inusitados. Raul Mourão, amigo pessoal de Sheik e curador da exposição, viu as imagens no Instagram e sugeriu levar a criação artística para a galeria.

 

“Nessa série, Sheik incorpora o non sense e vai para a rua criar cartoons instantâneos, espalhados nas calçadas da cidade. O resultado final sugere um conjunto de estranhos personagens: um padre e sua bíblia, o cachorro de boca aberta e cerveja na mão, um homem de três cabeças, a bolsa da raposa”, comenta Raul.

 

O humor e a ironia são traços presentes na obra de Sheik. Segundo ele, a brincadeira com o nome da exposição também leva a pensar na relação das pessoas com a própria imagem nos tempos atuais: “O título da exposição ” EU SOU O POST(e)”, – surgiu desde o início, e apesar de polêmico, optamos por ele, porque nos leva a pensar ironicamente na forma como lidamos com nossa própria imagem hoje nas redes sociais”.

O resultado será apresentado ao público no espaço Marquês 456, na Gávea, do dia 29 de setembro até o dia 10 de outubro.

 

 

 

Sobre os artistas

 

 

André Sheik

Nasceu no Rio de Janeiro em 1966. Artista, curador, poeta e músico, dedica-se às artes visuais desde 1999, participou de exposições e mostras no Brasil (RJ, SP, MG, PE, CE, ES, BA, PR), em Portugal, França, Polônia, Suécia, EUA, Bolívia, Venezuela, Colômbia e Cuba, e já foi sócio de galeria. Atualmente, é editor executivo da revista Concinnitas, do Instituto de Artes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ); pesquisador associado do Núcleo de Tecnologia da Imagem da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); colaborador em grupo de pesquisa sobre o mercado de arte na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO); cursa Bacharelado em História da Arte na UERJ.

 

 

Raul Mourão

Raul Mourão é artista plástico, nasceu no Rio de Janeiro em 1967. Estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e expõe seu trabalho desde 1991. Sua obra abrange a produção de desenhos, gravuras, pinturas, esculturas, vídeos, fotografias, textos, instalações e performances. Com muitas exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, também é escritor, curador, produtor de exposições e editor de publicações de arte.

 

 

 

Até 10 de outubro.

Siron Franco na Marcelo Guarnieri SP

04/set

A Galeria Marcelo Guarnieri, Jardins, São Paulo, SP, apresenta “Em nome de Deus”, primeira exposição individual de Siron Franco na galeria. A exposição reúne 13 obras que evocam a questão das disputas religiosas e das simbologias elaboradas a partir delas. Siron Franco explora a representação do corpo humano em imagens estilhaçadas ou espectrais que nos dão acesso à relação paradoxal entre sacralidade e violência. A educação religiosa que teve quando criança permitiu a Franco ver de dentro e refletir sobre tais questões durante toda sua produção artística, mas a vandalização de algumas de suas obras públicas nos últimos anos o fizeram pensar sobre elas a partir de outra perspectiva.

 

Para esta exposição, o artista preparou um ensaio que é composto não só por pinturas, mas também por objetos, caso de “Esqueleto do Bezerro de Ouro” – o bezerro, um dos muitos bichos que já habitaram suas telas, agora aparece no espaço tridimensional. A obra faz referência ao mito do Bezerro de Ouro, ídolo confeccionado por Aarão a fim de suprir a ausência de seu irmão Moisés que havia subido o monte Sinai para receber os mandamentos de Deus. À pedido do povo, ansioso por uma liderança que os guiasse, Aarão produziu tal escultura com as jóias das mulheres, contrariando os princípios bíblicos que condenavam a idolatria. As jóias simbolizariam o ego, o pedido do povo foi interpretado como um “culto a si mesmo”. Na linguagem corrente, a expressão “bezerro de ouro” tornou-se sinônimo de um falso ídolo, ou de um falso “deus” por exemplo, simbolicamente, o dinheiro. Coberto por folhas de ouro, a representação do Bezerro na obra de Siron agora é dada por seu esqueleto e ainda que seja associado à morte ou infortúnio, ganha ares de sacralidade e beleza.

 

As relações ambíguas entre forma e conteúdo se estendem, alcançando também suas pinturas. A imagem do corpo humano é uma frequente, embora nunca revelado em sua totalidade. Fazendo uso de sobreposições de camadas de tinta, de formas e de pinceladas variadas, Franco nos permite acessar apenas fragmentos, corpos desmembrados ou sufocados, visíveis somente por frestas. Silhuetas, sombras e múmias compõem um universo que nos remete à culturas antigas, já o uso do spray e de certos grafismos nos trazem de volta ao tempo presente, remetendo às pichações. Do aglomerado de tinta de algumas telas, brotam rostos – ora perturbados, ora inexpressivos -, traços vigorosos que lembram arranhões ou cordas para amarrar. A representação do corpo vai além da figuração e pode ser observada também nos gestos que o próprio artista emprega em sua prática, evidentes na superfície pastosa da pintura. Nem tudo pode ser visto a olho nu ou nem mesmo nos é permitido ser visto: máximas do discurso sacro que na obra de Siron Franco adquirem um sentido filosófico. O jogo de revelar e ocultar associado ao vocabulário utilizado por Siron Franco nos leva a refletir sobre a poderosa relação que a humanidade construiu com o sagrado e com a adoração, nem totalmente divina e nem totalmente infernal, complexa e enigmática.

 

 

Sobre o artista

 

Siron Franco nasceu em 1947 na cidade de Goiás Velho, no estado de Goiás. Atualmente vive e trabalha na cidade de Goiânia. Sua produção é reconhecida desde a década de 1970, tendo participado ao longo de sua carreira de exposições em importantes museus nacionais e internacionais como MASP, MAM-RJ, MAM-SP, Pinacoteca do Estado de São Paulo, The Bronx Museum of the Arts nos Estados Unidos e Nagoya City Art Museum no Japão. Participou da 2ª Bienal de Havana, de diversas edições do Panorama da Arte Brasileira do MAM-SP e da Bienal Internacional de São Paulo, sendo premiado na 13ª edição. Seus trabalhos resultam de uma relação intensa com a matéria, facilmente observável nas generosas camadas de tinta a óleo que utiliza em suas pinturas, ou na diversidade de materiais brutos que escolhe para compor suas esculturas ou instalações, tal qual o concreto, aço, chumbo, mármore e resina. Essa intensidade ganha ares dramáticos nos corpos ou fragmentos de corpos que retrata com frequência, sejam corpos de bichos, de gente, de santos, mortos ou vivos. O ar soturno do universo que criou ao longo de seus cinquenta anos de atividade incorpora a sátira e o absurdo para abordar questões políticas e sociais, como a relação violenta e desequilibrada que o homem possui com a natureza e com a sua própria humanidade. Suas obras integram coleções de museus nacionais e internacionais, como Metropolitan Museum of Art, Nova York, Estados Unidos; Essex Collection of Art from Latin America, Colchester, Grã Bretanha; Museu Salvador Allende, Santiago do Chile, Chile; Monterey Museum of Contemporary Art – MARCO, Monterrey, México; Museu Nacional de Belas Artes – MNBA, Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Arte de São Paulo – MASP, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM/RJ, Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM/SP, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna da Bahia – MAM/BA, Salvador, Brasil. Este ano, Siron Franco participa da 33ª Bienal de São Paulo. No ano passado participou das exposições Siron Franco em 38 obras: 1974-2017, na Biblioteca Mário de Andrade, Attenzione Fragile, na Embaixada do Brasil em Roma e Caution Fragile, na Embaixada do Brasil em Londres.

 

 

 

Até 20 de outubro.

Estratégias Conceituais na Galeria Bergamin & Gomide

24/ago

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A Galeria Bergamin & Gomide, Jardins, São Paulo, SP, reúne obras produzidas entre 1960 e 1980, período marcado por ditaduras militares na América Latina, e traz artistas como Hélio Oiticica, León Ferrari, Lygia Pape e Cildo Meireles. A produção artística na América Latina entre as décadas de 1960 e 1980 é tema de “Estratégias Conceituais”, em cartaz do dia 25 de agosto até 20 de outubro. A exposição apresenta obras de 42 artistas, com curadoria de Ricardo Sardenberg, e reflete um período histórico marcado por intensa repressão política em todo continente.

 

A mostra lança luz sobre um momento histórico muito semelhante ao atual, marcado pelo acirramento das disputas políticas, recrudescimento de iniciativas que incitam a censura, desmantelamento dos espaços de convívio e quebra da comunicação. Assim como ações coletivas e individuais de resistência por parte dos artistas, atuando por vezes à margem do sistema das artes visuais estabelecidas até então.

 

Entre os artistas selecionados estão nomes como Victor Grippo, León Ferrari, Hélio Oiticica, Lygia Pape, Cildo Meireles, Antonio Manuel, Anna Bella Geiger, Luis Camnitzer, Clemente Padín, Anna Maria Maiolino, Antonio Caro, Beatriz Gonzalez, entre outros.

 

“Estratégias Conceituais” quer dar visibilidade à criação da arte latina durante esses anos de transformação socioeconômica. Nesse contexto, são apresentadas diversas obras que foram utilizadas numa estratégia para contestar o regime vigente, muitas vezes burlando a censura, e estimular a conscientização da realidade, criando no processo novas formas de produção, apresentação e distribuição da arte.

 

“Calcados em seus contextos locais – principalmente com a ideia de meios de produção no espaço do subdesenvolvimento -, buscavam não apenas difundir o conhecimento, mas também propor novas formas de gerar conhecimento, sem se formalizarem em um movimento específico. Foram então reconhecidos como “artistas conceituais”. Porém, amplamente conscientes das estratégias formais de “desmaterialização” e das teorias da informação e da comunicação, os aqui apresentados introduzem conteúdos como ação e estratégia de intervenção política, poética,pedagógica e comunicativa. De diversas matizes ideológicas, as estratégias conceituais daquela época se baseiam em primeira instância no contexto local(geralmente político e de confronto), depois no contexto do subdesenvolvimento na América Latina e, por fim, numa “estratégia de inserção global”, explica Sardenberg.

 

 

Artistas de “Estratégias Conceituais”

 

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Adolfo Bernal

Anna Bella Geiger

Anna Maria Maiolino

Antonio Caro

Antonio Dias

Antonio Manuel

Artur Barrio

Beatriz González

Carlos Zilio

Cildo Meireles

Clemente Padín

Décio Noviello

Edgardo Antonio Vigo

Eugenio Dittborn

Felipe Ehrenberg

Graciela Carnevale

Guillermo Deisler

Grupo CAYC

Hélio Oiticica

Hudinilson Jr.

Ivens Machado

Jac Leirner

Jorge Caraballo

Julio Plaza

Lenora de Barros

León Ferrari

Letícia Parente

Liliana Porter

Luis Camnitzer

Luiz Alphonsus

Lygia Pape

Marcelo Brodsky

Montez Magno

Paulo Bruscky

Regina Silveira

Regina Vater

Roberto Jacoby

Umberto Costa Barros

Victor Gerhard

Victor Grippo

Waltercio Caldas

 

 

Sobre a Bergamin & Gomide

 

Criada em 2000 em São Paulo, por Jones Bergamin, a galeria Bergamin ficava numa casa da década de 1950 do arquiteto Vilanova Artigas nos Jardins. Apresentou importantes projetos, dentre eles, uma retrospectiva de Iberê Camargo,  exposições de Mira Schendel, Lygia Pape, Tunga e Miguel Rio Branco e projetos especiais como, por exemplo, “Através” em que a curadora Lisette Lagnado trouxe a público “Tteia”, obra icônica de Lygia Pape (hoje em exposição permanente em Inhotim). Em 2013, Antonia Bergamin, filha de Jones Bergamin, assumiu a direção da galeria com Thiago Gomide. Com foco em vendas privadas de artistas brasileiros e estrangeiros do período Pós-Guerra, a Bergamin & Gomide inaugurou seu novo espaço na rua Oscar Freire, em agosto do mesmo ano. Sem uma lista fixa e com flexibilidade para trabalhar um amplo número de artistas e exposições de diferentes temas, períodos e movimentos, o  programa da galeria conta com quatro exposições por ano, entre individuais e coletivas. Além disso a Bergamin & Gomide participa de feiras nacionais e internacionais como Art Basel, TEFAF NY Spring, Art Basel Miami Beach, Semana de Arte e SP-Arte e desenvolve parcerias com importantes galerias estrangeiras.

Herança e Futuro, 22 fotógrafos

22/ago

Pelo terceiro ano consecutivo, o Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos, Gamboa, Rio de Janeiro, RJ, realiza em sua galeria, uma exposição com a chancela do FotoRio, o mais importante festival de fotografia da cidade. Nesta edição, foi feita uma convocatória pública dirigida aos fotógrafos afro-brasileiros de todo o país, com o objetivo de reunir o que tem de mais recente na produção nacional, ainda que neste grupo estivessem veteranos e novatos. Foram selecionados vinte e dois trabalhos, pela comissão formada pela organização do FotoRio e os três curadores da exposição.

 

 

A palavra do curador Marco Antonio Teobaldo

 

A diversidade de linguagens e temas apresentados nesta mostra reflete claramente quão vasto é o território percorrido por estes artistas, embora algumas das dificuldades sejam comuns a todos, em se tratando do espaço destinado à arte afro-brasileira nos centros culturais e galerias. Neste sentido, muitas alternativas vêm surgindo para suprir esta demanda e quebrar a barreira, sobretudo no âmbito do meio digital, por meio das redes sociais, evidenciando que a produção artística afro-brasiliera reivindica o seu “lugar de fala”. O recorte proposto para esta mostra, “Herança e Futuro”, trouxe de uma forma muito surpreendente obras com forte reverência às raízes africanas e ancestralidade, nos campos do registro documental e também na experimentação de ensaios. As imagens evocam temas emergentes e necessários para serem debatidos, como as diversas formas de racismo que ainda insistem em se manifestar, violência contra o jovem negro, misoginia, homofobia e exclusão social, que clamam por uma sociedade menos desigual, com o futuro mais digno e justo.

 

 

Até 15 de setembro.

 

Novo espaço no Jardim Botânico

20/ago

Uma galeria de arte contemporânea que, através de ideias e formatos inovadores, contribui para uma nova forma de fazer e pensar arte e para estabelecer um novo conceito de coleções. Hoje representante de jovens artistas que integram em seus currículos exposições nacionais e internacionais, residência artística em renomadas instituições e obras em importantes coleções no Brasil e no mundo. Essa é a C. galeria, de múltiplas linguagens, que surgiu com discrição no Rio em meados do ano de 2016 e que no próximo dia 25 de agosto abre as portas de seu novo espaço na cidade. Em uma charmosa casa da década de 50 no bairro do Jardim Botânico, mais precisamente na Rua Visconde de Carandaí, a C.galeria será palco para pinturas, fotografias, esculturas e desenhos, que poderão serão vistos em “Primeiro Ato”, mostra coletiva que reunirá 15 obras inéditas em diferentes suportes dos 8 artistas representados.

 

Logo em seguida, a galeria inaugura sua primeira individual no espaço. Curada por Raphael Fonseca, a mostra será da artista carioca Eloá Carvalho que apresentará pinturas, desenhos e uma obra sonora. Eloá Carvalho recentemente realizou uma individual no MAM Rio e essa será sua primeira mostra depois da apresentada no Museu. Ainda para o ano de 2018, a C. exibe a individual doartista Paulo Setúbal , indicado ao prêmio PIPA e que participa da residência PIVÔ em São Paulo, onde na SPArte de 2018 participou do setor de perfomances a convite de Paula Garcia, curadora do Instituto Marina Abramovic.

 

Dirigida pela carioca Camila Tomé – uma das galeristas fundadoras da extinta Muv Gallery, aberta em 2012, dedicada à arte contemporânea -, a C.galeria, que até então tinha sede em Ipanema desde que foi inaugurada em 2016, com toda experiência e trajetória no mercado da arte, vem contando com um programa de exposições que ocupa atualmente o circuito das Artes Visuais no Rio de Janeiro, fomentando cultura e incrementando novas e tradicionais coleções de arte com mostras de artistas representados e convidados.

 

 

Até 06 de setembro.

Cícero Dias: Décadas de 1920 – 1960

A Galeria Simões de Assis, Curitiba, Paraná, apresenta uma seleta de obras de Cícero Dias abrangendo as décadas de 1920 a 1960.

 

Cícero Dias

 

Uma Trajetória Pautada na Liberdade

 

Cícero Dias, um ícone da arte moderna brasileira, nasceu em Pernambuco em 1907 e viveu o século XX em sua plenitude. Falecido em 2003, seu corpo mortal repousa em Paris, no lendário cemitério de Montparnasse, junto às glórias da França, mas, sua obra imortal paira, eternizada, além do oceano, sobre a grandeza do Brasil.

 

Cícero Dias é protagonista de uma das mais ricas e extensas trajetórias da história da nossa arte, pontuada pelo pioneirismo e idéias vanguardistas.

 

Revelado na antológica exposição de suas aquarelas em 1928, no Rio de Janeiro, Cícero Dias foi de imediato acolhido pelos modernistas e aclamado como o novo valor da arte brasileira. Aproximou-se dos pintores Ismael Nery, Tarsila do Amaral, Lasar Segall e Di Cavalcanti, pilares da Semana de Arte Moderna de 1922, além dos poetas e escritores Graça Aranha, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Murilo Mendes, Manuel Bandeira e Gilberto Freyre.

 

Em 1937 Cícero Dias partiu para viver em Paris incentivado por Di Cavalcanti que lá estava, deixando para trás uma legião de modernistas, mas não tardou a se envolver com a vanguarda francesa, ligando-se a expoentes da pintura e da literatura, entre eles Picasso e Paul Élouard. No pós-guerra integrado à École de Paris, ao Groupe Espace e ao elenco da recém criada Galerie Denise Renée, inscreveu-se na história da arte moderna mundial.

 

Precursor, Cícero Dias é autor dos primeiros murais de arte abstrata da América Latina, realizados no Recife em 1948. Produziu grande parte da sua obra na Europa nas seis décadas em que lá viveu, sem jamais abdicar dos valores mais profundos da nossa cultura.

 

A trajetória de Cícero Dias foi pautada na liberdade, tanto na expressão de sua arte quanto na conduta de sua vida. Alguns episódios de sua história pessoal confundem-se com acontecimentos políticos da maior relevância no século XX, como as suas relações conflituosas com a ditadura Vargas no Brasil e sua participação na resistência ao nazi-fascismo na Europa.

 

A obra de Cícero Dias, uma das mais intrigantes e inexplicáveis da arte brasileira, tem sido cada vez mais objeto de estudos em simpósios e teses em universidades brasileiras e do exterior. Tanto o período de sua fase modernista quanto o período abstrato da época de sua participação na École de Paris já foram objetos de amplos estudos acadêmicos e teóricos, que lhes rendeu incontestável reconhecimento no âmbito nacional e internacional.
Waldir Simões de Assis Filho

 

 

 

Até 29 de outubro.

A Hora e a Vez de Ranchinho

17/ago

Uma exposição há muito aguardada, acontece de 21 de agosto a 21 de setembro na Ricardo Camargo Galeria, Jardim Paulistano, São Paulo, SP, reunindo 28 obras (realizadas entre 1976 e 1994) do artista Ranchinho, falecido em 2003, pouco antes de completar 80 anos.

 

Nascido na região de Assis, SP, filho de lavradores muito pobres, e batizado Sebastião Theodoro Paulino da Silva, o artista era oligofrênico e manifestava também problemas de exibicionismo. Criado nas ruas, após o falecimento de sua mãe, era analfabeto e viveu boa parte de sua existência catando materiais descartáveis e morando em ranchos abandonados, daí seu apelido. Mas Ranchinho possuía grande habilidade para o desenho. Nunca teve uma lição de arte, não conhecia artistas, nem museus ou galerias, mas criava cenas com os precários materiais de que dispunha e os presenteava aos conhecidos. No final dos anos 1960 o pesquisador local José Nazareno Mimessi, que tinha contatos na Capital com pintores populares, forneceu a Ranchinho um estojo de guache, papéis adequados e lhe ensinou o manejo. Foi o que bastou para prontamente ser iniciada uma produção grandiosa e constante, depois estendida à pintura, que durou até seu desaparecimento. Apesar dos infortúnios que pontuaram sua comovente biografia, apesar do isolamento e da precariedade dos meios de que dispunha, a obra de Ranchinho evoca uma grande exaltação da vida. Seu inesgotável repertório de imagens e assuntos surpreende pela acuidade e poesia. É um mestre da composição e do colorido. Um caso único na arte brasileira. Frequentemente os que têm contato com sua obra conectam a força de suas múltiplas imagens ao legado de Van Gogh, apesar das diferenças de contexto e a dimensão de ambos. Os trabalhos expostos, inéditos e de grande qualidade, provêm de uma seleção, realizada durante mais de 40 anos, agora disponibilizada. É possível avaliar a conduta de um profissional do mercado por sua capacidade de reconhecer a importância de um artista, mesmo que este não faça parte do que habitualmente é o seu território de ação. Ao firmar com a Ricardo Camargo Galeria parceria para a realização da mostra de Ranchinho o ecletismo lúcido que tem caracterizado sua atuação acabou por ser decisivo. (Roberto Rugiero).

Tobinaga em roupagem pop

16/ago

A vida é bem mais feliz no Instagram e Facebook e todos sabem disso. Partindo dessa cultura de exposição em redes sociais, o artista Claudio Tobinaga apresenta sua primeira individual “Colapsos”, na galeria Simone Cadinelli Arte Contemporânea, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ. Com curadoria de Cezar Bartholomeu, a exposição reúne cerca de 30 pinturas em pequenos e grandes formatos, inspiradas em fotografias coletadas da internet e pautadas no subúrbio carioca. Neste cenário, as fotos se transformam em uma mise-en-scène, explorando uma narrativa quase cinematográfica. A atmosfera do ordinário toma contornos de um existencialismo barato, com uma superfície que seduz e ao mesmo tempo engana. As imagens ganham um novo significado aberto a diversas interpretações, com uma roupagem bastante pop.

 

“Gosto de olhar a relação midiática existente nesse contexto. As pessoas passaram a produzir suas próprias fotos como uma capa de revista, como se fossem celebridades. É uma exposição ‘fake’, uma relação de construção de mito, de imagem”, analisa Tobinaga.

 

O artista utiliza signos que colocam o espectador nas situações retratadas nas telas, cheias de iconografias de lugar e elementos pop. A intenção é “colapsar” estes elementos presentes nas obras com a relação que o espectador tem com a imagem, eliminando estereótipos. “As imagens se deformam porque quero tangenciar esse lugar que é, ao mesmo tempo, muito próximo e muito distante. A pintura tenta olhar para a imagem que vai se desfazendo enquanto forma e cor”, explica.

 

Segundo o curador Cezar Bartholomeu, o título da exposição se refere a uma tentativa de desarticular o que Tobinaga entende como uma sucessão de imagens. Para o artista, as imagens digitais e analógicas configuram um espaço e uma velocidade. Assim, há um colapso no sentido estrutural e, também, temporal.

 

“Quando as imagens se encontram sem que possam se encontrar, até certo ponto, entram em um colapso que permite que a pintura aconteça. É o que sustenta a pintura. Na obra ‘Encruzilhada’ por exemplo, o colapso da estrutura das imagens faz parte de um sacrifício de fé para que a pintura passe a existir”, avalia Bartholomeu.

 

“Há uma parte da arte que acredita que o fato de tematizar mídias digitais é o suficiente para que a obra de arte seja contemporânea. O contemporâneo em arte é mais complexo que isso. Diria que é mais do que simplesmente se apropriar do contemporâneo nas mídias digitais como uma imagem. É preciso lidar, de fato, com essa imagem”, completa o curador, que conheceu o trabalho do artista na Escola de Belas Artes da UFRJ.

 

 

Sobre o artista

 

Formado na Escola de Música Villa Lobos (UFRJ), frequentou diversos cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e foi monitor de modelo vivo (EBA-UFRJ) e desenho de observação (Parque Lage – EAV) junto ao professor Frederico Carvalho. Desde 2012 é assistente no Ateliê da artista Lucia Laguna. Atualmente tem se dedicado a livre docência em pintura e desenho. Participou das exposições coletivas “Visão de emergência” na Luhda Gallery (Rio de janeiro, 2014) e “Territórios” no Centro de Arte Hélio Oiticica (Rio de Janeiro, 2013) e do Kassel Documentary Film and Video Festival (Kassel, 2011).

 

 

Sobre o curador

 

Vive e trabalha no Rio de Janeiro. É artista plástico e doutor em linguagens visuais pela UFRJ (Rio de Janeiro) / EHESS (Paris) nas áreas de Teoria e História da Fotografia. Trabalha prioritariamente as relações entre fotografia e arte, em particular fotografia contemporânea e conceitualismo. É professor do Departamento de História da Arte da Escola de Belas Artes da UFRJ (Rio de Janeiro), na área de Teoria da Imagem.

 

 

Até 03 de outubro.