Na Silvia Cintra + Box 4

20/jun

Renata Har expõe na Silvia Cintra + Box 4, Gávea, Rio de Janeiro, RJ. “alabastro” é uma formação natural calcária que foi tomada como ponto de partida pela artista para sua primeira individual na galeria. Na mostra, que conta com curadoria de Caique Tizzi, a artista desvenda através de alegorias visuais e poéticas a relação do alabastro com a sua materialidade geológica e as suas múltiplas interpretações.

 

A exposição é uma grande instalação composta de mídias variadas. Uma grande pintura sobre carpete com tinta spray, pigmento, tinta e colagem de objetos; outra pintura em tela com betume, lantejoulas, farinha e goma damar; esculturas em gesso com purpurina, vidro e neon e ainda uma série de monotipias sobre papel.

 

Uma grande banheira de ferro com pintura preta naval e óleo e outra escultura feita com tecido e balões prateados vazios também fazem parte da mostra e serão usados por Renata em uma ação performática na noite de abertura.

 

“alabastro” também conta com o vídeo Guerra e Esbórnia feito em parceria com o cineasta Karim Aïnouz a partir de imagens de arquivo encontradas na internet que mostram a formação geológica do alabastro. Esse vídeo funciona como texto curatorial e descreve um mundo onde a água se transformou em calcário. Esta mostra é assinalada como a primeira exposição da artista no Brasil.

 

 

Sobre a artista

 

Renata Har deixou o país para estudar na França, na École des Beaux-Arts, em Paris sob a tutela de Christian Boltanski. Vive desde 2012 em Berlim, onde também atua, junto com Caique Tizzi, em um coletivo de artistas chamado Agora.

 

 

De 08 de julho a 04 de agosto.

Ibeu 80 anos

25/abr

Bairro com vocação artística que abriga ateliês e a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, o Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ, ganhará um reforço de peso no início do mês de maio, quando a tradicional Galeria de Arte Ibeu, abre suas portas em uma casa da Rua Maria Angélica. Motivos para comemorar, há de sobra: trata-se da exposição que marca os 80 anos do Ibeu, “A Insistência Abstrata, nas coisas”, mostra coletiva com acervo do Ibeu e curadoria de Cesar Kiraly.
Foram selecionadas onze obras emblemáticas dos artistas Anna Maria Maiolino, Bruno Belo, Claudia Hersz, Eloá Carvalho, Gisele Camargo, Lena Bergstein, Manoel Novello, Paula Huven, Raul Leal, Rosângela Rennó e UbiBava. “O acervo da Galeria foi obtido através de doações dos artistas que nela expuseram ao longo dos anos. Isso fornece à coleção um caráter intensamente afetivo”, avalia Kiraly. Para ele, o maior desafio é o de estabelecer um sentido combinado, que não existiria sem a sua imaginação. Como o nome indica, nesta “A Insistência Abstrata, nas coisas” são privilegiadas obras abstratas, algumas delas inéditas, de artistas que fazem parte do cânone da arte brasileira, como Ubi Bava, Anna Maria Maiolino e Lena Bergstein, combinadas com as de artistas abstratos contemporâneos, que recentemente tiveram individuais no Ibeu, como Manoel Novello e Gisele Camargo.

 

“A intenção é mostrar como os objetos abstratos estão presentes no cotidiano, e como fazem parte da materialidade das coisas, peças de construção da vida comum. A relação entre as figuras tem a ver com a resistência do abstrato, mas também com o empréstimo lírico de um registro para o outro. O abstrato ora segura o fôlego, como na pequena tartaruga do Bruno Belo, ora aporta no âmbito conceitual, na maleta ‘duchampiana’ da Claudia Hersz”, complementa o curador.
A história da galeria
A Galeria em Copacabana foi inaugurada em março de 1960. Tarsila do Amaral, Cândido Portinari, IberêCamargo, Josef Albers, Alexander Calder, Antonio Manuel, Lygia Pape, Artur Barrio, entre muitos outros ícones, já tiveram seus trabalhos expostos por lá. Nas décadas anteriores, antes da inauguração do espaço em Copacabana, o Ibeu promovia arte através de parcerias com espaços como o Instituto dos Arquitetos do Brasil, Ministério da Educação e Associação Brasileira de Imprensa.

 

 

Acessibilidade e mesma área expositiva mantida em projeto de arquiteto
No novo espaço de 52m², projetado pelo arquiteto Maurício Castello Branco e iluminado por Rogério Emerson, não houve perda de área expositiva linear em relação à estrutura anterior, em Copacabana. Além disso, o acesso ficou bem mais fácil e a sinalização externa foi beneficiada pelo fato de estar instalada em uma casa.
Programação do ano já está definida
Segundo Renata Pinheiro Machado, Gerente Cultural do Ibeu, a Nova Galeria de Arte Ibeu contará com projetos de exposições individuais e coletivas, mantendo sua história nas artes visuais, que começou em 1940. “Nomes como o de Julia Kater e Pedro Tebyriçá figuram entre os aprovados no edital de ocupação de 2016/2017, como também o de Maria Fernanda Lucena, premiada na última coletiva “Novíssimos”. Aliás, o próprio Salão de Artes Visuais Novíssimos 2017 tem data de abertura marcada entre julho e agosto”.

 

 

 

De 02 de maio a 09 de junho.

Amilcar de Castro na Silvia Cintra + Box 4

07/abr

Para celebrar os 30 anos de representação no Rio de Janeiro da obra do escultor mineiro Amilcar de Castro (1920/2002), a galeria Silvia Cintra + Box 4, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, – a ser inaugurada no dia 19 de abril – preparou uma exposição com alguns trabalhos inéditos e curiosidades do processo criativo deste grande artista brasileiro. Faz parte da mostra uma série de 10 desenhos em papel com esboços das esculturas feitas por Amilcar ao longo da década de 80.

 

Nos desenhos é possível ver anotados cálculos, prováveis títulos das peças e até o telefone de fornecedores. Outros dois desenhos maiores e uma maquete, chamada carinhosamente por ele de “peteca”, mostram os testes do artista para a famosa “escultura de vidro” criada da década de 80 e que também está na exposição.

 

Outro destaque da seleção é o tampo de uma mesa de madeira usada por Amilcar como apoio para fazer as telas. Depois que esse tampo ficava bem “sujo” de tinta, o artista então fazia de fato uma pintura sobre essa memória de camadas. Ao longo de sua carreira foram feitos 15 tampos que eram consideradas por Amilcar suas únicas pinturas, já que suas telas eram chamadas por ele de desenhos.

 

No campo das esculturas, a surpresa fica por conta de uma grande obra em aço corten dos anos 50, uma das primeiras feitas em grande formato, e uma pequena escultura em granito, a única nesse material em toda sua trajetória. Completa a exposição três desenhos sobre tela da série de linhas, realizadas na década de 90.

 

A exposição de Amilcar de Castro no Rio de Janeiro acontece junto a outra homenagem ao artista. Durante a feira Frieze NY, a galeria irá apresentar um grande estande apenas com obras do escultor feitas entre as décadas de 1970 e 1980.

 

 

De 19 de abril a 27 de maio.

Muntadas

14/mar

“Dérive Veneziane”

 

Projeção no Anexo da Galeria Luisa Strina -aos sábados – Cerqueira César, São Paulo, SP.

 

18 Março – 29 Abril 2017

Abertura: 14 março, às 19hs

 

O filme – filmado durante a noite de um barco – propõe um lado diferente, alternativo da Veneza estereotipada e clichê – uma Veneza escondida, uma Veneza desconhecida, uma Veneza misteriosa.

 

Inspirando-se na deriva dos Situacionistas, teoria descrita por Guy Debord como “um modo de comportamento experimental ligado às condições da sociedade urbana: uma técnica de passagem rápida por ambientes variados”, o filme “Dérive Veneziane” leva os espectadores a um passeio noturno, estranho e surreal, pelos canais icônicos de Veneza, onde eles encontram o inesperado e o imprevisto.

 

O filme estreou no 72º  Festival de Cinema de Veneza, Itália, em 2015.

Fotos na Marcelo Guarnieri/Rio

03/fev

A Galeria Marcelo Guarnieri, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, inaugura, no dia 9 de fevereiro, a exposição “Série Azul – Caretas de Maragojipe”, com trinta fotografias sobre o Carnaval feitas por João Farkas, – pesquisador da cultura popular – em Maragojipe, pequena cidade no recôncavo baiano. As obras do artista integram importantes coleções no Brasil e no exterior em instituições como a Maison Européenne de la Photographie, na França; International Center of Photography (ICP), nos EUA; Museu de Arte de São Paulo, MASP;  Museu de Arte do Rio, MAR; Museu de Arte Moderna da Bahia, MAM-BA, e Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto.

 

Esta pesquisa para a série fotográfica desta exposição começou há três anos, quando João Farkas conheceu a tradicional festa de carnaval de Maragojipe, que recebeu o título de Patrimônio Imaterial do Estado, por manter, até hoje, a tradição centenária dos “caretas”, pessoas que se fantasiam com roupas coloridas e máscaras de pano que cobrem todo o rosto, com duas grandes orelhas pontudas para o alto. “Essa era a forma das pessoas curtirem o carnaval incógnitas. Esta maneira de brincar o carnaval acontecia em toda a Bahia, há registros em Salvador, mas com o tempo a tradição foi se perdendo e só se manteve nessa pequena cidade do recôncavo baiano”, conta João Farkas, que em seu trabalho pesquisa a cultura popular, já tendo lançado livros sobre a cidade de Trancoso e sobre a Ocupação da Amazônia.

 

João Farkas ressalta que as fotografias que serão apresentadas na exposição “registram o carnaval popular em toda exuberância criativa, que é própria do brasileiro em geral e dos baianos especialmente”. Nas fotos, os “caretas” aparecem em um fundo azul, que foi descoberto pelo fotógrafo na cidade. O muro, de um azul intenso, virou uma espécie de estúdo fotógrafico, onde ele registrou os “caretas” que passavam durante o carnaval. Por isso, a série foi intitulada “Caretas de Maragojipe – Série Azul”. As fotos, que medem 60 cm X 40 cm cada, são impressões digitais de altíssima qualidade em jato de tinta, sobre alumínio, garantindo sua permanência e conservação.

 

Durante três anos, o fotógrafo frequentou e registrou o carnaval de Maragojipe, até chegar nas fotos que serão apresentadas na exposição. “No inicio registrei toda riqueza e variedade da festa em Maragojipe, mas aos poucos fui percebendo e focando nos ‘caretas’ e, finalmente, no grande insight percebi tratar-se de retratos mascarados, com suas expressões e personalidades, num jogo fascinante de simultaneamente esconder e revelar”, diz.

 

Com um aspecto visual riquíssimo, o que chama a atenção de João Farkas é que “essa tradição é o reconhecimento de que criatividade e arte não são privilégio dos ‘artistas’ mas são características universais latentes em todos os seres humanos”. De acordo com o curador Diógenes Moura: “este trabalho mostra uma tradição popular registrada anteriormente por fotógrafos como Pierre Verger e Marcel Gotherot, mas agora resignificada pelas informações culturais contemporâneas sem perder suas raízes”. O também curador Paulo Herkenhoff considera que “esta Série Azul sintetiza a expressão da cor do século XXI”.

 

 

 

Sobre o artista

 

João Farkas nasceu em São Paulo, em 1955, e vive e trabalha entre São Paulo e Salvador. Formou-se em Filosofia pela Universidade de São Paulo e continuou sua formação como fotógrafo em Nova York, no International Center of Photography e na School of Visual Arts. Seu trabalho-documento “Retratos da Ocupação da Amazônia” recebeu a bolsa Vitae e o Prêmio Aberje, em 1988. Seu trabalho “De Trancoso ao Espelho da Maravilha” que retrata a vida naquele vilarejo bahiano antes da invasão turística, foi objeto de publicação em 3 livros: “Museu Aberto do Descobrimento” e Nativos e Biribandos” e “Trancoso”, publicado pela Editora Cobogó, em 2016. Publicou, ainda, o livro “Amazônia Ocupada” (2015) coeditado e apresentado por Paulo Herkenhoff. Dentre suas exposições mais recentes estão: “A cor do Brasil” (2016), no Museu de Arte do Rio (MAR); “Amazônia”, na Galeria Marcelo Guarnieri, São Paulo, e no Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto, ambas em 2015; “Amazônia ocupada”, no SESC Bom Retiro, em São Paulo, também em 2015; “Histórias Mestiças” (2014), no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo; “Órbita” (2014), na Galeria Marcelo Guarnieri, em Ribeirão Preto, entre outras. Em 2015 o fotógrafo doou a sua documentação sobre a Vila de Trancoso onde foi instalado um Memorial do Povo, da Paisagems e da Cultura de Trancoso.

 

 

 

Até 11 de março.

ArtRio Carioca

07/dez

Obras de grandes nomes da arte moderna e contemporânea estarão na primeira edição da ArtRio Carioca. O evento é um desdobramento da Feira Internacional de Arte do Rio de Janeiro e vai acontecer entre os dias 08 e 11 de dezembro, no Shopping Village Mall, na Barra da Tijuca.

 
A feira de arte, que tem a participação exclusiva de galerias da cidade, amplia o calendário de ações da plataforma ArtRio e promove mais uma oportunidade para colecionadores e interessados em arte de ter acesso a uma seleção de trabalhos de importantes galerias.

 
Reconhecida como uma cidade com forte vocação cultural, o Rio reúne um público cada vez mais crescente em exposições e eventos de artes. Além da feira, em paralelo ao evento irão acontecer palestras sobre arte, mercado e colecionismo, com início já no mês de novembro.

 
A ArtRio CARIOCA é um projeto da BEX, produtora cultural especializada em artes visuais, cuja atuação tem sido um diferencial no cenário brasileiro, com ações e projetos que integram as instituições, galerias, artistas e curadores, formando novas audiências, estimulando o colecionismo e o crescimento do mercado das artes visuais.

 

 

Galerias participantes:

 
A Gentil Carioca, Anita Schwartz Galeria de Arte, Athena Contemporânea, Athena Galeria, Artur Fidalgo, Almacén Thebaldi, Colecionador Escritório de Arte, Galeria Movimento, Galeria da Gávea, Galeria Nara Roesler, Galeria de Arte Ipanema, Galeria INOX, Gustavo Rebello, Jacarandá, LURIXS: arte contemporânea, Marcia Barrozo do Amaral, Mul.ti.plo Espaço Arte, Silvia Cintra + Box 4, Pinakotheke, Ronie Mesquita, UQ! Editions e Um Galeria.

Fragmentação, peso e leveza

16/nov

O trabalho de duas jovens artistas visuais, Marília Del Vecchio e Manuela Costa Lima, dialogam sobre as operações não visuais, na busca de um significado, abrindo em suas singularidades, potências de sentidos próprios. A exposição “Duas artistas, fragmentação, peso e leveza”, com curadoria de Rodrigo Naves, poderá ser conferida a partir do próximo dia 23 de novembro na Galeria Virgílio, Pinheiros, São Paulo, SP.

 

No que diz respeito à aproximação entre as artistas, e no que o curador Rodrigo Naves intitula como “operações não-visuais na busca de um significado para o que realizam”, Manuela Costa Lima exprime a condição do trabalhador assalariado contemporâneo na série “Ícones”. Espécie de “iconografia profana”, um tanto denunciativa, a artista pinta cartões de pontos em dourado, evocando em desenhos motivos espirituais e religiosos, presentes na história da arte no período bizantino em diante.

 

Por seu turno, Marília Del Vecchio, revela a sua poética, a partir da utilização dos cacos de vidros dos famosos copos americanos, criados por Nadir Figueiredo, em 1947, e tão presentes no imaginário e cotidiano da vida brasileira. Com o processo de restauro japonês, chamado kintsugi, a restauração, tal como no trabalho de ceramista, deixa à mostra o rastro dourado das emendas, mas revela, no sentido de significação, a potência da obra como ligação com a sabedoria oriental e uma possível experiência da vida.

 

O curador Rodrigo Naves, ressalta essa espécie de “afinidades” entre as duas artistas, como é o caso da obra “Palíndromo” de Marília Del Vecchio que evoca a dor da separação, nos versos de Pushkin, recortados em latão, e colados numa escultura composta por 5 placas de vidro apoiadas instavelmente entre si. O oposto complementar de “Palíndromo”, “Granadas” de Manuela Costa Lima reaproxima o que fora separado, a partir da pressão que cintas de metal realizam sobre vários pares de pedra. “Penso, porém, que o conjunto da produção de Marília e de Manuela tem singularidades suficientes para a constituição de sentidos próprios, o que implica uma atenção mais detida sobre cada um deles”, conta o curador.

 

Marília Del Vecchio destaca a fragilidade da vida e das relações humanas, seja com os cacos de vidro, narrativas pessoais e coletivas fragmentadas, lembrando as “inserções em circuitos ideológicos”, de Cildo Meirelles, como o amor evocado no poema de Pushkin, na obra “Palíndromo”, que, ao sugerir o desencontro dos amantes, pressupõe uma unidade originária perdida. “Esta é a minha primeira exposição individual, e também a primeira vez que tenho mais de um trabalho exposto no mesmo espaço. Com isto, pude desenvolver melhor os trabalhos e à relação entre eles – e no mesmo processo, as conversas com o Rodrigo Naves me ajudaram a amadurecer como artista”.

 

A singularidade de Manuela Costa Lima, por exemplo, ressoa na dialética entre peso e leveza, como na citada obra “Granadas”, mas também em “Livre Arbítrio”, na qual uma lâmpada fluorescente está suspensa por um fino cabo de aço, e levemente coberta por uma manta de borracha: “O traço comum aos trabalhos que formam essa exposição é a oposição entre peso e leveza, luz e escuridão. Recentemente tenho pensado sobre a questão do livre arbítrio, sobre as escolhas que enfrentamos e a tensão sempre presente nessas decisões”, afirma a artista.

 

 

De 23 de novembro a 19 de dezembro.

 

 

Galvão, relevos inéditos 

31/out

Há dois anos o consagrado Galvão vem trabalhando em seus novos relevos nos quais emprega a madeira como suporte e em contrastantes cores fortes. Sua última exposição no Rio de Janeiro aconteceu na Galeria Marcia Barrozo do Amaral, Copacabana, Shopping Cassino Atlântico, em 2013, mesmo lugar que receberá seus 16 trabalhos inéditos a partir do dia 09 de novembro.

 

Conhecido como uma das referências mais importantes quando se trata de trabalhos em madeira, o artista carioca apresenta obras de cerca de 70 por 70 cm que expressam o aprofundamento do caminho que vem trilhando desde a década de 1950, quando iniciou sua trajetória nas artes plásticas. Os meticulosos relevos desta exposição – nunca apresentados ao público – sugerem diferentes tons de madeira como o cedro, vinhático, pau marfim, imbuia, entre outras, que se misturam com  cores vibrantes (tinta acrílica) tais como laranja, diferentes tons de azul, bordô, verde, preto e cinza chumbo. Em seu atelier em Muri, Nova Friburgo, RJ, o artista expõe uma série de  variações sobre um tema, um conjunto de obras que representam uma só linguagem. Segundo Marcia Barrozo do Amaral, “…Galvão consegue seguir o mesmo caminho trazendo resultados distintos que expressam um aprofundamento de seu trabalho”.

 

 

Sobre o artista

 

Galvão começou sua trajetória em Paris, quando foi estudar Sociologia da Arte na Sorbonne. Lá, trabalhou com Victor Vasarely, um expoente da arte abstrata do século 20. Com exposições individuais em Londres, Paris, Madrid e Buenos Aires, além das coletivas espalhadas pelo mundo, o artista também frequentou os ateliês de Sergio Camargo e Yvaral. Galvão possui trabalhos em coleções como as do Centre Cultural de l´Arsenal, na França; Museu Satoru Sato, no Japão; Mobil Madi Museum, na Hungria; Museu de Arte Moderna – RJ; Museu Nacional de Belas Artes – RJ; Museu de Arte da Pampulha – BH; Museu do Artista Brasileiro – Brasília; Museu de Arte Contemporânea – Niterói; MuBE – SP, entre outros. Possui obras monumentais situadas em diferentes locais no Rio de Janeiro e São Paulo e já recebeu prêmios como na 13ª Bienal de São Paulo e no 31º Salão Paranaense. Seus trabalhos estarão na próxima edição da Arco, em Madrid, em fevereiro de 2017.

 

 

Até 18 de dezembro.

Mostra de Marina Rheingantz

A Galeria Fortes Vilaça, Vila Madalena, São Paulo, SP, apresenta “Terra Líquida”, quarta exposição individual de Marina Rheingantz exibindo pinturas inéditas de formatos variados, desde peças em grande formatos a outras de menores dimensões, que operam no limiar da figuração. São paisagens mínimas que remetem a falésias, serras, mares, charcos, campos e terras caipiras, lugares visitados e inventados que se descolam do real e incorporam a geometria e a textura da pintura.

 

Em “Terra Líquida”, trabalho que dá nome à exposição, emaranhados de poças d’água unificam a tela e criam caminhos entre elementos reconhecíveis que sugerem um clube hípico. Com mais de quatro metros de largura, é a maior pintura já executada por Marina, o que exigiu da artista um movimento constante de aproximação e distanciamento ao pintá-la, um movimento que se repete para o espectador. A composição sugere um processo de desconstrução de uma imagem com sucessivas camadas de pintura, resultando na reconstrução de uma memória.

 

No entanto, um olhar mais apurado revela o protagonismo da tinta no processo da artista. Marina não persegue uma ideia narrativa – ela deposita sobre a tela camadas de pinceladas robustas, trabalhando a superfície e ouvindo a pintura. Ao escutar a cor e a tinta, a imagem se insinua e a artista segue, agora sim de encontro a uma possível narrativa. A imagem não é o começo e nem o fim, ela acontece no meio do caminho.

 

Nas pinturas sobre linho da série “Bordados” as cores de fundo ganham tratamento quadriculado, como nos tecidos próprios para bordar, por meio de sutis alterações tonais e controladas pinceladas. Barras coloridas introduzem aos poucos novas cores no trabalho, enquanto linhas grossas traçam padrões assimétricos e sugestivas paisagens distendidas.

 

A abertura será pontuada pelo lançamento do livro “Terra Líquida”, pela Editora Cobogó, o qual abrange toda a produção da artista, com ensaio assinado pelo crítico e curador Rodrigo Moura.

 

 

 

Sobre a artista

 

 

Marina Rheingantz, nasceu 1983 em Araraquara, SP. A artista é graduada em artes plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Integrou o grupo de jovens artistas paulistas conhecido como 2000e8, que reafirmou a força da pintura como linguagem artística nos anos recentes. Teve mostras individuais no Centro Cultural São Paulo (2012) e no Centro Universitário Maria Antônia (2011), entre outras. Exposições coletivas incluem Projeto Piauí (Pivô Arte e Pesquisa, São Paulo, 2016), Soft Power (KunsthalKAdE, Amersfoort, Holanda, 2016), Os muitos e o um (Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, 2016) e No Man’s Land – Women Artists from the Rubell Family Collection (Contemporary Arts Foundation, Miami, 2015). Seutrabalho está em coleções como a da Pinacoteca do Estado de São Paulo, do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e do Itaú Cultural.

 

 

De 05 de novembro a 22 de dezembro.

Coletiva na SIM galeria

17/out

A Sim galeria, Curitiba, Paraná, apresenta a exposição coletiva “Toda janela é um projétil,é um projeto,é uma paisagem” com obras assinadas por Alfredo Volpi, Ana Elisa Egreja, Andre Komatsu, Antonio Bandeira, Antonio Malta Campos, Awst & Walther, Caio Reisewitz, Cícero Dias, Djanira, Edgard de Souza, Guignard, José Pancetti, Julia Kater, Juliana Stein, Luisa Brandelli, Marcelo Moscheta, Manuela Eichner, Mayana Redin, Miguel Bakun, Patricia Leite, Paulo Monteiro e Pedro França. A curadoria é de Paulo Miyada.

 

 

A palavra da curadoria

 

Toda janela é um projétil, é um projeto, é uma paisagem

 

Na história da humanidade, nem toda morada tem janelas e nem toda paisagem se percebe desde ambientes interiores. Mas, toda vez que há janelas, é possível percebê-las como metáfora e metonímia de modelos de privacidade, abordagens do espaço público e concepções da paisagem. Quem abre janelas edita, idealiza e constrói seu território.

 

Na história da arte, nem toda imagem é representação e nem toda representação emula a espacialidade de uma janela. Mas, toda vez que se representa uma paisagem,existe a oportunidade de exemplificar, demonstrar, analisar, criticar e/ou refletir os modos de percepção e concepção do território atuantes em dada época e lugar.

 

Embora lide com escalas espaciais e temporais que podem extrapolar as dimensões das vidas dos indivíduos, a própria concepção da paisagem é uma ação humana,que se faz junto do ambiente natural, mas nunca coincide com ele. Ver o mundo,enquadrá-lo e representá-lo é um ato de linguagem e, por consequência, de desígnio,desejo, expectativa e apreensão.

 

Assim, a história das paisagens de um território não é apenas uma oportunidade para refletir sobre continuidades e rupturas entre estilos, subjetividades e técnicas de dada cultura, mas também um lugar privilegiado de reflexão sobre projetos de humanidade, sociedade e presença em dado ambiente habitado.

 

Toda janela é um projétil, é um projeto, é uma paisagem é um ensaio expositivo com alguns dos mais relevantes paisagistas modernos brasileiros (junto a seus ideais de tempo, espaço e vida) e diversos artistas contemporâneos que se dedicam contínua ou pontualmente a reencontrar imaginários possíveis para a existência em seus territórios.

 

Há um tanto de isomorfismo, outro tanto de coincidência, mas o que realmente motiva este ensaio é fazer aflorar hipóteses de geografia humana cantadas pelos artistas em suas paisagens.

 

O embaralhamento entre tempos e regiões pode servir para deixar latentes ressonâncias entre sentidos poéticos ou processuais, em detrimento de reiterações classificatórias ou cronológicas. Objetos e objetivos transbordam categorizações,enquanto cada artista histórico atrai uma vizinhança peculiar.

 

Cícero Dias evoca uma visada alegórica da paisagem brasileira e, assim, dialoga com Manuela Eichner, Luisa Brandelli, Ana Elisa Egreja, Patricia Leite e Mayana Redin, em um conjunto que traz ainda a ressonância do imaginário vernacular em Djanira.Em seguida, José Pancetti agrega abordagens da paisagem em que são soberanas a duração, a intensidade e a extensão praieiras, acompanhado por Caio Reisewitz,Juliana Stein e a dupla Awst& Walther – além um desdobramento da obra de Redine pontuações de Alfredo Volpi e Miguel Bakun.

 

Já Alberto da Veiga Guignard condensa a paisagem como essencial substância mnemônica que se pode empilhar, acumular ou atravessar. Nisso está acompanhado por Edgard de Souza e Julia Kater. Bakun também pontua a sala e em seguida desfila modos de apreender empiricamente seu entorno, como quem faz da arte ferramenta de teste, assim como Marcelo Moscheta e Pedro França.

 

Adiante, Antonio Bandeira enfrenta a paisagem urbana como tensionamento expressivo da grelha ortogonal, ao lado de André Komatsu e de outro conjunto de obras de França. Finalmente, Volpi aborda também o espaço urbano, mas como ritmo prosaico de cores e formas pictóricas. A malevolência sagaz de seus gestos é aqui aproximada de obras de Antônio Malta Campos e Paulo Monteiro.Frente a esse panorama, algo que talvez impacte os mais inquietos com o estado do mundo em geral e especialmente de nosso país e de suas políticas será o caráter minoritário dos projetos ambientais encapsulados por essas poéticas, o modo como todas elas contrastam radicalmente com o que o Brasil tem anunciado como signo do desenvolvimento e do progresso. Seriam então os artistas sempre românticos em sua concepção da paisagem? Ou será que somos nós demasiado cegos para a correspondência entre o que vemos pela janela e o que vivemos em nossos corpos.

 

Paulo Miyada

 

 

 

De 21 de outubro a 17 de dezembro.