Artista recupera saberes e narrativas indígenas.

21/set

Nos últimos anos, o Instituto Caldeira, Porto Alegre, RS, vem ampliando seu olhar para a arte, a cultura e as diferentes formas de ocupar e transformar a cidade. Desse movimento nasceram duas iniciativas: Horizontes Urbanos e, em parceria com a Fundação Bienal do Mercosul, surgiu a iniciativa do Espaço Bienal, com o lançamento da primeira grande exposição com a mostra “Fogo de Pátio”, do artista indígena de origem guarani, Xadalu Tupã Jekupé – que também pintou um dos murais do projeto Horizontes Urba

A pesquisa de Xadalu atravessa espiritualidade, memória e história e aborda processos de apagamento cultural no território do Pampa. Em sua produção, o artista recupera saberes e narrativas indígenas para colocá-los em circulação no presente. 

Agora, o fogo volta a ocupar o centro da narrativa dentro da galeria. Mais do que representar uma lembrança ancestral, ele é apresentado como um conhecimento vivo, capaz de produzir relações e imaginar futuros. A proposta dialoga com o projeto Horizontes Urbanos, do Instituto Caldeira, voltado à transformação do 4º Distrito de Porto Alegre e à criação de conexões entre arte, cidade, cultura e inovação.

Antes da inauguração da mostra, Xadalu participa do talk “Inovar a história: tecnologia, memória e outros modos de produzir conhecimento”, ao lado do curador, artista e escritor Aldones Nino. A realização de “Tatá Rupa – Fogo de Pátio” é uma iniciativa apresentada pelo Instituto Caldeira, Fundação Bienal do Mercosul e Ministério da Cultura, em parceria institucional com a Galeria Ecarta.

Até janeiro de 2027.

O gesto como liberdade e pensamento.

18/set

A Superfície, Vila Madalena, São Paulo, SP, anunciou a exposição coletiva “Gestos” que acontece por ocasião da inauguração da nova sede da Superfície, localizada na Rua Mourato Coelho 790a. Agora, em um único endereço, as atividades da galeria – espaços expositivos, acervo e Arquivo Superfície -, conta com uma livraria e um café abertos ao público. O texto de apresentação é de Paulo Venancio Filho e curadoria assinada por ele em parceria com Gustavo Nóbrega. 

Tomando como ponto de partida o livro homônimo do filósofo Vilém Flusser, a mostra investiga o gesto como um movimento carregado de intenção, liberdade e pensamento. Para Flusser, o gesto é a expressão de uma liberdade que produz sentido. Pintar, desenhar, fotografar, gravar, modelar, escrever, performar ou instalar são diferentes modos de pensamento em ação. Cada linguagem inventa seu próprio gesto; cada artista transforma um procedimento em forma.

Com a apresentação de uma obra de Waltercio Caldas concebida especialmente para a exposição, “Gestos” reúne trabalhos de Andréa Hygino, Anna Maria Maiolino, Artur Barrio, Carlos Vergara, Celeida Tostes, Christo, Cildo Meireles, Clóvis Dariano, Dominique Gonzalez-Foerster, E. M. de Melo e Castro, Fernando Lemos, Iberê Camargo, José Resende, Letícia Parente, Luiz Alphonsus, Mara Alvares, Márcia X, Maria Laet, Mira Schendel, Neide Sá, Regina Silveira, Sonia Andrade, Thereza Simões, Tunga, Vera Chaves Barcellos e Wanda Pimentel, “Gestos” propõe um percurso em que diferentes gerações e contextos históricos se encontram sem hierarquias. Em comum, cada obra evidencia o gesto como operação estética, pensamento materializado e forma de relação com o mundo.

Até 17 de outubro.

Uma seleção de 33 artistas de diferentes gerações.

16/set

A Galatea participa da 16ª edição da ArtRio, que acontece entre 16 e 20 de setembro, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. A galeria apresenta uma seleção de 33 artistas que atravessa diferentes gerações e contextos da arte moderna e contemporânea, reunindo nomes fundamentais da produção brasileira, artistas que exerceram influência na cena nacional ou que por ela foram influenciados, além de jovens talentos emergentes.

A robusta lista de artistas para o estande da Galatea na ArtRio 2026 reúne Anísio O. Couto, Arthur Palhano, Bogdan Koshevoy, Carlos Cruz-Díez, Carolina Cordeiro, Dani Cavalier, Edival Ramosa, Ernesto Neto, Francisco Galeno, Frans Krajcberg, Gabriel Branco, Gabriela Melzer, Gabriella Marinho, Grauben do Monte Lima, Guilherme Gallé, Hércules Barsotti, Ione Saldanha, Jac Leirner, Jaider Esbell, Joji Ikeda, Jorge Guinle, Leo Battistelli, Maíra Dietrich, Mari Ra Chacon, Mucki Botkay, Park Chae Biole, Park Chae Dalle, Roberto Burle Marx, Rodrigo Andrade, Silia Moan, Tito Terapia, Tomie Ohtake e Ygor Landarin.

O conjunto propõe um diálogo entre diferentes momentos e vertentes da arte moderna e contemporânea, aproximando experiências ligadas à abstração geométrica e construtiva, à pintura figurativa, às práticas têxteis e a pesquisas que exploram a materialidade por meio da cerâmica, da madeira e de outros suportes.

Representação do artista Francisco Galeno.

15/set

A Galatea anuncia a representação do artista Francisco Galeno (1956, Parnaíba, Piauí – 2025, Parnaíba, Piauí) e seu legado. Nascido na região do Delta do Parnaíba, Francisco Galeno cresceu em uma família de artesãos, entre ofícios ligados à carpintaria, ao couro, à costura, à renda e à construção de canoas. Ainda jovem, mudou-se para Brasília, estabelecendo-se em Brazlândia, onde iniciou sua trajetória artística. A partir de 2012, passou a dividir sua vida e produção entre Brazlândia e Parnaíba, mantendo ateliê nas duas cidades até seu falecimento, em 2025, aos 68 anos.

Interessado pelas artes desde jovem, Francisco Galeno estudou música e teatro antes de se dedicar às artes visuais. Em 1977, frequentou o ateliê-escola de Moreira Azevedo e, no ano seguinte, realizou curso livre de pintura com Maria Pacca, no Centro de Criatividade da Fundação Cultural do DF, dirigido por Luiz Áquila.

Para além dos estudos formais, o artista reivindicou o aprendizado advindo do contato com os artesãos que o cercavam, com a paisagem e os objetos da sua infância, e com a cidade de Brasília. Foi essa mescla que possibilitou o alcance de uma autenticidade no seu trabalho: carretéis, anzóis, pipas e latas de sardinha ora são depurados em linhas e formas geométricas para entrar na sua pintura, ora são apropriados em sua condição de objeto, sendo rearranjados de forma lírica e lúdica para compor uma obra escultórica.

Em seu currículo somam-se exposições nacionais e internacionais, tais como: sua última retrospectiva “Galeno, o mistério do simples” (Caixa Cultural Brasília, DF, Brasil, 2026); “Galeno, uma nova direção – Estripulias” (Museu Nacional dos Correios, Brasília, 2014); “Francisco Galeno” (Galerie Debret, Paris, 2002); “Viva Brasil Viva” (Coletiva, Liljevalchs Konsthall, Estocolmo, 1991); entre outras.

Em 2009, Francisco Galeno finalizou, a convite do IPHAN, o painel que ocupa o altar da Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, em Brasília, onde estava uma pintura de Alfredo Volpi, apagada pelos militares na década de 1960. Suas obras fazem parte de diversas coleções permanentes, tais como: Museu de Arte de Brasília – MAB, Brasília; Palácio do Itamaraty, Brasília; Museu de Arte Contemporânea – MAC Niterói, Rio de Janeiro; Museu Nacional de Belas Artes – MNBA, Rio de Janeiro.

Memória familiar e imaginação.

A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta “espírito jardim humana”, primeira exposição individual de Tadáskía desde seu ingresso na galeria. Com abertura efetuada em 14 de setembro, na Carpintaria, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ, a mostra reúne trabalhos que articulam memória familiar e imaginação. Ancoradas em uma cosmologia própria, as obras combinam formas abstratas e elementos orgânicos, que assumem figuras híbridas, situadas entre personagens e ambientes.

Em pinturas sobre tela e sobre suportes escultóricos em papel couro, folheado de madeira e MDF, a artista desenvolve um léxico de formas e presenças associado a uma espécie de anima, entendida como força constitutiva de sua criação. Bichos, legumes, cabelos, cascas e outras referências atravessam esse repertório, ao lado de galhos, palhas de taboa, bromélias, frutas, ovos, líquidos e outros materiais que se prolongam no espaço expositivo. Em suas “aparições”, como a artista denomina as fotografias realizadas em 35mm, assim como nas superfícies, ranhuras, relevos e passagens de cor, diferentes elementos se articulam entre imagem, matéria e forma. Aquilo que se apresenta de modo sugerido na pintura e no desenho ganha corpo e volume nos trabalhos escultóricos, estabelecendo relações entre diferentes meios e procedimentos.

“espírito jardim humana” assinala também uma inflexão sutil na produção recente de Tadáskía, marcada pelo aparecimento de áreas de branco e do suporte exposto. O branco reaparece nos desenhos e no interior das cascas, relevos pintados a óleo, e também em trechos onde a tinta foi raspada. Essas áreas de vazio assumem uma função compositiva, introduzindo intervalos de luz e abertura que alteram o ritmo e a atmosfera das obras. Ao redor desse núcleo, as esculturas articulam elementos encontrados e objetos transformados, aproximando materiais de diferentes origens e temporalidades. Grafismos e campos de cor organizam superfícies e camadas que ampliam as relações entre pintura, desenho e escultura.

Até 31 de outubro.

O Mar de Rosas de Paulo von Poser.

11/set

“Mar de Rosas” celebra os trinta anos da exposição que, em 1996, reuniu pela primeira vez um conjunto de obras dedicado exclusivamente à rosa. Desde então, essa flor tornou-se presença constante na arte e na vida de Paulo von Poser, acompanhando sua produção em desenhos, pinturas, aquarelas, gravuras, esculturas, instalações e performances. A rosa surgiu discretamente nos desenhos realizados entre 1980 e 1985 e apareceu como protagonista em uma série desenvolvida em 1988, publicada no calendário do Museu de Arte Contemporânea no ano seguinte. A partir daí, atravessou inúmeras exposições, ora como elemento central, ora integrada às paisagens, às cidades e às reflexões sobre memória, natureza e espaço urbano.

A exposição “Mar de Rosas”, apresentada em 1996 no Espaço Ox, com curadoria de André Millan e Mariângela Bordon, representou um ponto de inflexão nessa pesquisa. Dela nasceu um universo que se expandiu muito além da pintura, dando origem a uma rara coleção de obras, objetos, fotografias, livros, poemas e referências dedicadas à presença e a história da rosa na cultura brasileira e internacional.

Nas décadas seguintes, esse percurso desdobrou-se em projetos realizados no Brasil e no exterior. As rosas dialogaram com as cidades em “Rosas no Ar” e “Rosas na Terra” (1999), transformaram-se em esculturas transparentes na exposição “Horizontes” (2001), participaram de exposições em Paris e Lima, sobrevoaram São Paulo em um dirigível na mostra “Você Está Aqui” (2006), ganharam escala monumental na escultura “Rosé au Calvaire”, instalada em Saint-Flour, na França (2007), permaneceram presentes em séries dedicadas à paisagem, à arquitetura e à cidade e, em 2012, na exposição “Floração”, apresentada no Museu de Arte Sacra de São Paulo, inspiraram desenhos das rosas barrocas presentes no acervo do Museu, e uma série de “Rosas relicários contemporâneos”. Em 2023, essa longa investigação encontrou uma nova dimensão na exposição “Rosas Brasileiras”, apresentada no Farol Santander, que reuniu a coleção construída pelo artista ao longo de décadas e obras de mais de uma centena de artistas brasileiros, provenientes de acervos públicos e privados, unidos pela presença da rosa.

A atual exposição não pretende ser uma retrospectiva. É uma celebração. Reúne obras de diferentes momentos, escolhidas por Paulo von Poser e pela curadora Flávia Daud, revelando a permanência e a transformação de um mesmo tema ao longo de três décadas. Mais do que uma flor, a rosa tornou-se uma linguagem da alma do artista. Presente nas mais diversas culturas e tradições espirituais, símbolo de beleza, regeneração e mistério, ela permanece como um enigma humano inesgotável. Cada nova obra representa uma tentativa de aproximar-se desse centro simbólico, onde natureza, memória e imaginação se encontram.

Celebrar os trinta anos de “Mar de Rosas” no Clube Atlético Monte Líbano é celebrar um percurso artístico que continua em pleno florescimento.

Uma criação artística diversa e potente.

Para a ArtRio 2026, Marina da Glória, Rio de Janeiro RJ, A Gentil Carioca, Pavilhão Terra, Stand A7, apresenta obras que enfatizam o potencial de uma criação artística diversa e potente, atravessada por dimensões críticas, estéticas, lúdicas, sociais e políticas.

A apresentação reúne trabalhos de Agrade Camíz, Arjan Martins, Ana Silva, Cabelo, Carlos Jacanamijoy, Diego Kohli, Denilson Baniwa, Jarbas Lopes, João Modé, José Bento, Kelton Campos Fausto, Laura Lima, Marcela Cantuária, Mariana Rocha, Maria Laet, Maria Nepomuceno, Misheck Masamvu, Miguel Afa, Novíssimo Edgar, O Bastardo, OPAVIVARÁ!, Pascale Marthine Tayou, Renata Lucas, Rose Afefé, Rodrigo Torres, Sallisa Rosa, Siwaju, Vinícius Gerheim e Vivian Caccuri.

Entre 17 e 20 de setembro.

O olhar de Rochelle Costi.

Rochelle Costi fotografou aquilo que quase ninguém costuma registrar. O olhar de Rochelle Costi chega em POA em mostra que revela o extraordinário do cotidiano. A exposição reúne obras produzidas entre 2004 e 2022, e convida o público a capturar a passagem do tempo em atividade inspirada na artista. 

A partir de 12 de setembro, esse olhar, que ajudou a consolidar Rochelle Costi como uma das principais fotógrafas da arte contemporânea brasileira, ganha novo contexto na exposição “Rochelle Costi: Tudo é rua”, em cartaz na sede do 4º Distrito do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MAC/RS), em Porto Alegre, RS. 

Séries com imagens de fachadas, ruas e marcas deixadas pelo tempo não apenas documentam, mas revelam histórias, modos de viver e as transformações silenciosas da rotina. Com curadoria de Fernanda Albuquerque e Gabriela Motta, a mostra reúne quase duas décadas de trabalho, elevando cenas aparentemente banais a imagens que falam sobre a memória e a passagem do tempo.

Nascida em Caxias do Sul, Rochelle Costi construiu uma obra que se afastou das fotos factuais para investigar detalhes que permanecem. Mais do que personagens ou eventos, registrava as relações que eles estabelecem com os lugares que habitam. Sua força artística e distinção na fotografia nacional seguem relevantes: além da exposição na capital gaúcha, outra mostra ocorre na Galeria Luciana Brito, em São Paulo, desde 22 de agosto.

O extraordinário do público

Antes mesmo da abertura da mostra, em Porto Alegre, as curadoras e o Educativo do MAC/RS propõem um Encontro de Educadores nos dias 10 e 11 de setembro. Será um espaço de troca, formação e aprofundamento em torno da exposição da artista. Serão abordadas estratégias de mediação, leituras possíveis da obra de Rochelle Costi e reflexões sobre práticas educativas em arte contemporânea. Gratuita, a atividade é voltada a educadores, professores e mediadores interessados em ampliar suas ferramentas de atuação, promovendo diálogos entre arte, público e território. Em diálogo com as séries, a atividade ocupa a sede do MAC/RS no 4º Distrito, região marcada por intensas transformações urbanas e crescente reutilização de espaços. Em sua trajetória, a artista desenvolveu diversos trabalhos a partir da aproximação com territórios específicos, interessando-se menos pelas paisagens e mais pelas histórias que cada lugar carrega.

Já na Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), o projeto Acervo em Foco apresenta “Mudanças (ascensão econômica)” (2000), obra do acervo do MAC/RS, que transforma um quarto em retrato indireto de modos de vida, identidade e condição social. Em dois registros, a reorganização dos móveis modifica o ambiente e também aquilo que ele revela e oculta, ampliando a investigação sobre como objetos cotidianos podem contar histórias sem que os sujeitos apareçam.

A exposição e o Encontro de Educadores reforçam o que há de mais sensível no olhar de Rochelle Costi, convidando a participar da permanente reinvenção do dia a dia.

Até 31 de janeiro de 2027.

Quando São Francisco encontra Guido Totoli.

Exposição reúne obras de diferentes décadas e criações recentes em torno de uma referência que acompanha o artista desde a infância.

Guido Totoli apresenta, em 17 de setembro, no Instituto Italiano de Cultura de São Paulo, Higienópolis, a exposição “Guido Totoli e São Francisco – Terra, Transformação, Espírito”, com curadoria de Claudia Totoli. A mostra reúne 22 obras entre desenhos, pinturas, esculturas e cerâmicas, realizadas em diferentes momentos de uma trajetória que atravessa mais de sete décadas, incluindo tanto peças de seu acervo pessoal quanto trabalhos criados especialmente para a ocasião. A partir de sua relação com São Francisco de Assis, o conjunto estabelece um diálogo entre terra, transformação e espírito.

A escolha de São Francisco é proposital e sua presença acompanha a produção de Totoli, ganhando na exposição novas possibilidades de leitura a partir do diálogo entre obras de diferentes períodos. Para a curadora, esse percurso evidencia uma afinidade que ultrapassa a representação do santo e se aproxima de valores presentes na própria produção do artista, como a relação com a natureza, a simplicidade e a atenção ao outro.

“A relação de Guido com São Francisco atravessa sua trajetória. Ao selecionar as obras, fui percebendo como a figura do santo, sua relação com a natureza e sua atenção aos mais necessitados já estavam presentes, de diferentes formas, em sua produção. Parecia que tudo já estava conversando”, define Claudia Totoli.

Essa leitura também orientou a construção do espaço expositivo. O percurso parte da ideia de peregrinação: no centro, as esculturas formam uma cruz grega inscrita em um octógono; ao redor, desenhos, pinturas e painéis cerâmicos apresentam diferentes momentos da vida e da mensagem de São Francisco. Elementos sonoros e uma fragrância inspirada em folhas e capim fresco integram a montagem. 

A exposição integra a programação do Instituto Italiano de Cultura de São Paulo dedicada aos 800 anos da morte de São Francisco de Assis, aproximando diferentes tempos da produção de Totoli em torno de uma referência que permanece ativa em seu trabalho.

A fala do artista.

“Com a minha idade e experiência, pude transitar por vários temas durante minha carreira. Experimentei vários instrumentos, mas foi na pintura, cerâmica, escultura em terracota e desenho que adquiri um conhecimento muito grande. Manusear esses materiais é a minha vida”.

“Hoje, para me inspirar, junto tudo o que aprendi na minha vida e que se completou agora. Onde estou, na rua, no carro, estou tendo ideias. Daí me preparo mentalmente através dessas ideias e coloco em prática.”.

Até 07 de novembro.

 

A presença física das estruturas em Wolfram Ullrich.

10/set

A Galeria Raquel Arnaud, Vila Madalena, São Paulo, SP, exibe a exposição “Ambiguidade construtiva e ativação do espaço”, de Wolfram Ullrich. Com texto crítico de Guilherme Wisnik, a mostra apresenta um conjunto de obras inéditas do artista alemão que tomam partido do ilusionismo como maneira de se compreender a relação entre objeto e ambiente de forma ativa. Wolfram Ullrich trabalha com materiais industriais, lisos, polidos, exatos. O artista atualiza a tradição do abstracionismo geométrico em chave contemporânea, apostando na percepção ativa como instrumento de reflexão e posicionamento dos sujeitos em relação às intrincadas teias de relações que nos envolvem.

A mostra intitulada “Ambiguidade construtiva e ativação do espaço” reúne obras que constroem a ilusão de profundidade e exploram, ativando a relação entre o corpo do espectador, a obra e o espaço. Como observa Guilherme Wisnik, “não há um ponto de vista privilegiado para se observar esses trabalhos, nem, portanto, uma forma estável de reconhecê-los”. A cor desempenha papel fundamental nessa experiência. Recorrentes na produção do artista, os tons vibrantes, entre eles, o vermelho intenso presente em parte dos trabalhos da exposição, não funcionam como gesto expressivo, mas como elementos que acentuam a presença física das estruturas. Para Guilherme Wisnik, o vermelho confere “corporalidade ao conjunto serial”, reforçando a dimensão quase arquitetônica das obras.

Mais do que uma exposição sobre geometria, portanto, a mostra de Wolfram Ullrich coloca em cena uma pergunta bastante contemporânea: até que ponto podemos confiar no nosso próprio olhar? Entre superfície e volume, pintura e escultura, matéria e imagem, suas obras transformam o ato de observar em uma experiência de descoberta.

Sobre a Galeria Raquel Arnaud.

Fundada em 1973, é referência no cenário da arte contemporânea brasileira e internacional. Com foco em arte construtiva, cinética e contemporânea,destaca-se  r promover artistas cuja produção explora a relação entre espaço, forma e luz. Atualmente, sob a direção de Raquel Arnaud e Myra Arnaud Babenco, o espaço entra em um novo momento, estando sempre  em conexão com o mercado e com a arte contemporânea. 

Até 30 de novembro.