O realismo mágico como referência.

23/jul

Quando menos é mais.

Em tons menores (in minor keys), a curadoria que teve à frente Koyo Kouoh, primeira mulher africana a cuidar da Bienal de Veneza, tem 110 artistas em uma mostra que traz o realismo mágico como referência.

Por Fabio Cypriano.

A entrada no Pavilhão Central da 61ª Bienal de Veneza, no Giardini, é bastante ritualística: primeiro é preciso atravessar as colunas transformadas em viveiros de plantas pela artista nigeriana Otobong Nkanga. Em seguida passamos pelos trajes de Big Chief Demond Melancon, líder da tribo Young Seminole Hunters do Lower Ninth Ward de Nova Orleans, inspirados em práticas cerimoniais levadas aos Estados Unidos por escravizados africanos.

Seguimos, então, contornando as esculturas em cerâmica da senegalesa Seyni Awa Camara, que há 75 anos aprendeu de sua mãe as tecnologias ancestrais para produção de utensílios cotidianos, que hoje, aos 80 anos, ela reinventa em formato de bestiário.

Então, nos confrontamos com uma espécie de assembleia com dezenas de esculturas zoomórficas em cerâmica da artista e ativista peruana Célia Vásquez Yui, denominada O Conselho dos Espíritos Maternos dos Animais. Todos esses animais olham para apenas um lugar e parecem desafiar o visitante.

E, logo atrás, está a instalação Anatomia da Árvore da Magnólia para Koyo Kouoh e Toni Morrison, da cubana radicada nos Estados Unidos María Magdalena Campos-Pons, que tem como paisagem sonora uma composição de Kamaal Malak A obra é composta por um imenso painel em oito partes onde se veem as duas homenageadas do título com pés de coruja. Assentadas em galhos da magnólia, é como se elas cuidassem das sete esculturas em vidro à sua frente, realizadas em Murano, que sintetizam as etapas de floração.

Estas cinco obras, dispostas em três salas de um azul intenso, que ora parece o céu, ora o mar profundo, sintetizam o conceito da mostra Em tons menores, concebida pela curadora Koyo Kouoh (1967-2025), nascida em Camarões, primeira mulher africana a cuidar da Bienal de Veneza, que, contudo, não viu o resultado de seu trabalho, já que morreu praticamente um ano antes da abertura da mostra.

O vazio como um elemento ativo.

A Galeria Marcelo Guarnieri, Jardins, São Paulo, SP,  apresenta, entre 1º de agosto e 19 de setembro, a exposição individual de Masao Yamamoto (Gamagori – Japão, 1957). A mostra se organiza ao redor da ideia de Ma (間), um conceito estético e filosófico japonês que descreve a pausa e o intervalo significativo entre espaços, objetos, sons, movimentos e acontecimentos e que entende o vazio como um elemento ativo que dá forma, ritmo e significado a experiência. A expografia conta com o apoio da arquiteta e paisagista Sakae Ishii.

Além das fotografias, a exposição apresenta diferentes formatos editoriais desenvolvidos pelo artista ao longo de sua carreira, como os livros em sanfona e as caixas-poemas da série Ryokan. Cada uma dessas caixas abriga cerca de seis pequenas fotografias acompanhadas por um haiku do poeta e monge zen-budista Ryōkan (1758-1831). Dispostas em vitrines, elas revelam um diálogo íntimo entre palavra e imagem, propondo ao visitante uma leitura pausada e fragmentária. 

Ao aproximar as fotografias de Masao Yamamoto da intervenção concebida por Sakao Ishii, a exposição evidencia o Ma como um princípio que organiza tanto a composição visual quanto a experiência espacial do visitante, fazendo com que os intervalos, as pausas e os vazios assumam um papel estruturante na percepção da obra. A Galeria Marcelo Guarnieri agradece a colaboração de Sakae Ishii, cuja generosidade transcende esta exposição e se insere em uma relação de amizade, diálogo e troca cultivada ao longo de anos.

A autonomia própria de Allan Weber.

22/jul

A Almeida & Dale anuncia a representação de Allan Weber (1992, Rio de Janeiro).  A representação chega em um momento decisivo da trajetória do artista: Weber integra o 39º Panorama da Arte Brasileira: “Depois que tudo foi dito”, sob curadoria de Diane Lima, a partir de setembro deste ano, e realizou recentemente sua primeira exposição individual institucional no Brasil, “Existe uma vida inteira que tu não conhece”, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. 

Trabalhando com fotografia, escultura e instalação, o artista constrói seu repertório a partir da observação das dinâmicas sociais e materiais que organizam o cotidiano urbano – da comunidade 5 Bocas, no Rio, onde nasceu e vive, às condições do trabalho plataformizado ao redor do mundo. Allan Weber nomeia esse repertório “tecnologias de existência”: um saber-fazer que nasce fora dos manuais, e estrutura, com autonomia própria, a vida nas grandes cidades. 

Em 2024, Weber recebeu o SEED Award da Prince Claus Fund e realizou residência artística no Reino Unido, viabilizada pelo Nottingham Contemporary. Da experiência nasceu My Order (2025), mostra apresentada no Nottingham Contemporary e no De La Warr Pavilion. Participou também de coletivas no Brasil como Funk: um grito de ousadia e liberdade – apresentada no Museu da Língua Portuguesa, São Paulo (2025), e no Museu de Arte do Rio – MAR, Rio de Janeiro (2023) – e Fazer o moderno, construir o contemporâneo: Rubem Valentim, Inhotim, Brumadinho (2023). Sua obra integra as coleções do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) e do Museu de Arte de São Paulo (MASP).

Mostras itinerante na Oficina Francisco Brennand.

21/jul

A Fundação Bienal de São Paulo e a Oficina Francisco Brennand anunciam a abertura da itinerância da 36ª Bienal de São Paulo em Recife, PE, marcando mais uma etapa do programa de mostras itinerantes. Na Oficina Francisco Brennand, a capital pernambucana recebe a exposição “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática” de 08 de agosto a 18 de outubro. A curadoria da itinerância é dos cocuradores adjuntos da 36ª Bienal, André Pitol e Leonardo Matsuhei. A exposição é assinada pela Petrobras.

Esta é a segunda vez que o programa de mostras itinerantes da Bienal de São Paulo chega a Recife. A primeira foi em 2011, quando a 29ª Bienal de São Paulo ocupou três instituições em Pernambuco: o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM), a Fundação Joaquim Nabuco e o Museu do Estado de Pernambuco. Quinze anos depois, o programa retorna ao estado e ocupa a Oficina Francisco Brennand, um complexo monumental erguido pelo ceramista e escultor pernambucano Francisco Brennand a partir de 1971 nas ruínas de uma antiga fábrica de telhas e tijolos no bairro da Várzea, às margens do rio Capibaribe, cercado por remanescentes de Mata Atlântica.

A itinerância de Recife reúne obras de 14 participantes: Akinbode Akinbiyi, Alberto Pitta, Forensic Architecture/Forensis, Helena Uambembe, Julianknxxx, Metta Pracrutti, Ming Smith, Nádia Taquary, Rebeca Carapiá, Shuvinai Ashoona, Suchitra Mattai, Vilanismo, Wolfgang Tillmans e Zózimo Bulbul.

“Receber a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo na Oficina Francisco Brennand é um marco para o museu-ateliê e para a cultura pernambucana. Essa colaboração inaugura o ciclo de celebrações do centenário de Francisco Brennand. Mais do que acolher uma das mais importantes exposições de arte da América Latina, estamos fortalecendo um espaço de diálogo entre diferentes saberes e perspectivas, preservando o legado de Francisco justamente por mantê-lo vivo, em permanente conversa com o nosso tempo”, pontua Marcos Baptista, presidente da Oficina Francisco Brennand.

Provocando inspiração e reflexão.

Com oito anos de trajetória, o fotógrafo Bruno Guerchon fará sua primeira exposição individual a partir do dia 1º de agosto na Ava Galleria, localizada na Fábrica Bhering, Santo Cristo, Rio de Janeiro, RJ. Com curadoria de Edson Cardoso, a mostra “Inspiração e Reflexão” apresentará 16 fotografias recentes e inéditas, produzidas pelo artista desde 2024 até hoje. A abertura da mostra acontecerá durante o “Bhering de Portas Abertas”, evento realizado no primeiro sábado de cada mês, com os ateliês e galerias do polo cultural abertos ao público.

“Como diz o título da exposição, minha intenção é provocar inspiração e reflexão nas pessoas através das minhas obras. Quero que enxerguem beleza no mundo, questionem suposições e, quem sabe, se conectem com algo mais profundo da experiência humana”, afirma o artista.

Sobre o artista. 

Bruno Guerchon nasceu no Rio de Janeiro, em 1986, cidade onde vive e trabalha. Desenhista nato, autodidata, graduado em ciência da computação. desde 2018 atua profissionalmente como artista visual, produz imagens em projetos próprios. Sua aspiração principal é criar arte que convide as pessoas a parar e refletir. Fotografa há mais de dez anos, mas foi em 2018 que a fotografia se tornou profissão. Nos últimos anos, participou de exposições coletivas no Brasil e no exterior, como “Ava Art Festival”, Enokojima Art Center, Osaka, Japão;  “Art Shopping”, Carroussel Du Louvre, Paris, França; “Bela Bienal”, Cable Factory, Helsinque, Finlândia, e exposições em São Paulo, como “150 anos do Jockey Club São Paulo” e mostras coletivas na própria Fábrica Bhering.

Até 15 de agosto.  

 

Investigação contínua e diligente da pintura.

17/jul

A Almeida & Dale anuncia a representação de André Ricardo. Em agosto, a chegada do artista à galeria será celebrada com Mensageiro da Manhã, primeira individual de André Ricardo na Almeida & Dale, com uma série de trabalhos inéditos e texto crítico assinado pelo curador Renato Menezes.

A prática de André Ricardo é ancorada em uma investigação contínua e diligente da pintura a têmpera, técnica que o artista conduz em todas as suas etapas: da preparação da tela e manipulação de pigmentos e aglutinantes até a execução de cada pintura. Nesse processo, o artista constrói meticulosamente a transparência e a luminosidade de cada cor, conferindo às superfícies um caráter ora acetinado, ora aquoso. Ao operar no cruzamento entre o cânone da história da arte ocidental e a matriz cultural brasileira, sua obra mobiliza formas de caráter atemporal, abrindo um universo imagético a novas associações diante do olhar.

“A pintura é o modelo de pensamento que guia minha relação com o mundo. É no espaço do ateliê, através do fazer, que amalgamo tudo que me norteia, seja o estudo da história da arte ou minha experiência enquanto sujeito no mundo”, diz o artista.

André Ricardo foi indicado ao prêmio PIPA em 2017 e completou a residência Residency Unlimited, em Nova York, em 2022. Realizou exposições individuais em instituições nacionais como Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre e Centro Cultural São Paulo, e em galerias internacionais como Lamb Gallery, Londres e Hutchinson Modern & Contemporary, Nova York, além de ter integrado importantes mostras coletivas como a 37ª Panorama da Arte Brasileira, MAM, São Paulo. Suas obras são abrigadas pelas coleções do Instituto Inhotim, MAC-USP, MAM São Paulo e Pinacoteca de São Paulo, entre outras.

Matéria disponível à transformação.

16/jul

Chama-se “Vertido” a exposição individual de pinturas de Pedro Varela apresentada na Galeria Murilo Castro, Belo Horizonte, MG. A curadoria e o texto de apresentação traz a assinatura de Shannon Botelho.

Vertido

A água não conserva as coisas, ela as transforma. Abaixo da superfície, o tempo adquire outra espessura. Os contornos se deslocam, as cores se alteram, as distâncias já não obedecem à mesma medida. Nada permanece exatamente como era, mas tampouco desaparece. Em Vertido, Pedro Varela faz da pintura um ambiente de imersão, onde as imagens atravessam diferentes tempos e reaparecem continuamente, como se a própria matéria da tinta preservasse o movimento incessante das águas.

Vertido marca a primeira exposição individual do artista na galeria e reúne um conjunto de trabalhos que evidencia uma nova inflexão em sua pesquisa. Sem assumir o caráter de retrospectiva, dado que os trabalhos são recentes e realizados para estarem aqui, o que vemos remonta visualmente diferentes momentos de sua trajetória e faz coexistirem signos, procedimentos e materiais que atravessam mais de vinte anos de carreira. Trata-se de uma exposição que nos convida tanto ao reconhecimento quanto à descoberta, uma vez que as recorrências plásticas permanecem, como se fossem lentamente transformadas pela própria experiência da imersão.

Nas pinturas, a tinta diluída estabelece o ritmo da exposição. Ora ela se espalha em transparências que se aproximam da aquarela, ora concentra-se em espessura, tornando visível o tempo e o gesto do exercício contínuo da pintura. Em outras superfícies, papéis recortados compõem imagens que reafirmam este deslocamento temporal na trajetória de Pedro. As colagens, elas não interrompem a pintura do artista, antes prolongam seu fluxo, fazendo com que matéria e imagem compartilhem valores e desejos criativos. A escala dos trabalhos, por sua vez, amplia a experiência de imersão, pois convida o observador, como em um mergulho, a percorrer uma paisagem em que corpos, flores, arquiteturas, recifes de coral parecem emergir de uma mesma corrente.

Em Vertido, nada retorna exatamente ao lugar de onde partiu. A água, signo aqui tão presente, altera as formas. A memória, força que move e determina o desejo, reinventa as paisagens. E a pintura, linguagem central da pesquisa do artista, faz do tempo uma matéria sempre disponível à transformação. Em um lugar localizado entre o silêncio das profundezas e a pulsação do sangue que faz florescer a vida, Pedro Varela delimita um recorte de universo onde recordar não significa repetir, já que cada imagem é sempre uma possibilidade de reinvenção.

Shannon Botelho.

Sobre o artista.

Pedro Varela nasceu em Niterói, RJ, 1981. Vive e trabalha em Petrópolis, Rio de Janeiro. Atualmente o artista vem desenvolvendo séries de pinturas monocromáticas e desenhos multicoloridos. Tem trabalhos nas seguintes coleções: Coleção SESC (São Paulo-SP); Gilberto Chateaubriand/Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ); Montblanc México (Cidade do México); Sprint Nextel Art Collection, Overland Park. Entre suas principais exposições destacam-se: “Enredado”, exposição com Carolina Ponte no Kunsthal de Viborg, Dinamarca; “Trail with no end in sight”, Galeria Enrique Guerrero, México, 2019; “Tender Constructions”, (com Carolina Ponte), Cité Internationale des Arts, Gallery 4 and 5. Paris, França; “Crônicas tropicais”, MDM Gallery, Paris, 2015; “Tropical”, Galeria Enrique Guerrero, Mexico DF, 2014; “Dusk to dawn… Threads of infinity (com Carolina Ponte)”, Anima Gallery, Doha, Catar, 2014; “Pedro Varela”, Centre Culturel Jean-Cocteau, Les Lilas, 2014; “Pedro Varela”, Xippas, Montevidéu, 2013; “Le Brésil Rive Gauche”, Le Bon Marché Rive Gauche, Paris, 2013.

Até 29 de agosto.

Influência das matrizes culturais africanas.

A Danielian RJ, Gávea, apresenta “Izô” – exposição coletiva que reúne nove artistas brasileiros de diferentes gerações e origens para provocar uma percepção sensível sobre a influência das várias matrizes culturais africanas na produção artística brasileira contemporânea.

Com curadoria de Rafael Peixoto e Marcus Lontra, a mostra parte do vocábulo de origem bantu, izô, que representa a força essencial do fogo, como inspiração para colocar em diálogo obras de Ayrson Heráclito, Artur Barrio, Cipriano, Dionísio del Santo, Gonçalo Ivo, Jayme Figura, Lidia Lisbôa, Luiz Hermano, Mario Cravo Jr. além de um importante conjunto de ex-votos brasileiros.

A exposição conta ainda com comentários críticos complementares de Heitor Reis, importante curador e gestor cultural que esteve a frente do MAM da Bahia por mais de uma década e de Cipriano, artista e teórico no desenvolvimento de um pensamento brasileiro afro-referenciado.

Segundo os curadores, “O Brasil das misturas, das violências, dos encontros e dos embates possui estas histórias em suas raízes mais profundas. Em cidades como Salvador e Rio de Janeiro, esta presença é vivida no cotidiano das ruas, no falar, no vestir e no modo de estar em comunidade. Não à toa, essa ideia de África Mãe, que aparece como fonte de inspiração para vários tipos de expressão, esconde por debaixo dos véus da amálgama social brasileira o apagamento de origens e tradições, que sobrevivem subliminarmente metamorfoseadas principalmente nas manifestações de origem popular. Pensar a riqueza de visualidades africanas é tão complexo quanto pensar a multiplicidade de manifestações criativas no Brasil. Longe desta intenção, esta mostra mergulha na percepção de uma força que emerge no gesto e na ação humana de expressar-se através da arte. Fogo que arde de dentro pra fora”.

Até 19 de setembro. 

As transformações da paisagem nacional.

14/jul

Trabalhos de Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Carybé, Alfredo Volpi e Cândido Portinari estão entre as mais de 200 obras de “Coleção Ingá: Brasil plural”, que chega ao Centro Cultural da Justiça Federal, Cinelândia, Rio de Janeiro, RJ. Parte do acervo do Museu do Ingá, de Niterói, a seleção reúne pinturas, esculturas, gravuras e objetos dos séculos XIX e XX.

Os curadores Marcus Lontra e Rafael Peixoto organizaram a seleção em seis núcleos, que perpassam temas como religião, identidade e pertencimento, as transformações da paisagem nacional, e a arte popular. Dentre as obras principais, estão o painel monumental de “Brasil em quatro fases”, de de 3 x 8 metros, no qual  Di Cavalcanti conta a história do Brasil desde a chegada dos portugueses, e o conjunto de quadros “Embarcações com índios”, de Carybé.

Até 27 de setembro.

A obra monumental de Carlos Tenius.

A Coordenação de Artes Visuais – SMC informa a prorrogação do período de visitação da exposição “Carlos Tenius – Voo Livre”, com curadoria de Eduardo Veras e Paula Ramos, até dia 31 de julho, na sala Aldo Locatelli do Museu de Arte do Paço (MAPA). 

Esculturas 

A mostra apresenta algumas das primeiras esculturas do artista, produzidas em seu período formativo no antigo Instituto de Belas Artes, além de diversos desenhos preparatórios para o monumento, até então inéditos. Exibe, ainda, recortes de jornal, fotografias e cadernos privados. A seleção também inclui a primeira maquete em aço dos Açorianos, que Carlos Tenius preserva em casa, em sua sala de estar, e a segunda maquete, ainda maior, também em aço, com quase três metros de extensão. A peça, que faz parte do acervo artístico municipal, subiu do porão da Prefeitura de Porto Alegre para figurar na exposição.

Açoriano

O visitante tem a chance de conferir um açoriano, de quase dois metros de altura. Previsto nos desenhos e até nas maquetes do monumento, ele não entrou na montagem final. Na hora da fixação, em 1974, a intuição de Carlos Tenius sugeriu que o personagem era desnecessário, que ele estava, por assim dizer, sobrando. Esta é sua primeira aparição pública. A exposição inclui uma seleção de fotografias históricas, que registram etapas do processo que tornou a obra possível: fundição, montagem e festa de inauguração do Monumento aos Açorianos, há cinco décadas.