Fabio Mauri na Bergamin & Gomide

24/mar

A Galeria Bergamin & Gomide, Jardins, São Paulo, SP, tem o prazer de apresentar a partir de 11 de março a primeira exposição individual no Brasil do artista italiano Fabio Mauri, o qual participou em 2012 da dOCUMENTA (13), em Kassel, além de seis edições da Bienal de Veneza (1954, 1974, 1978, 1993, 2013, 2015).

 

A mostra FABIO MAURI (SENZA ARTE) foi realizada em parceria com Olivier Renaud-Clément e com a galeria suíça Hauser & Wirth, que abriga toda a coleção do artista, e fez em 2015 e 2016 uma grande retrospectiva de Mauri nos Estados Unidos e em Londres.

 

Mauri nasceu em Roma, em 1926, e teve sua vida e obra marcadas pelo fascismo. Sua família era proprietária de uma das editoras mais importantes de literatura no país, por consequência, Mauri foi criado entre escritores e artistas e naturalmente se tornou amigo próximo de intelectuais e grandes nomes da vanguarda italiana do pós-guerra, como Ítalo Calvino, Umberto Eco, Pier Paolo Pasolini e Jannis Kounellis.

 

No final dos anos 1950, Mauri inicia sua produção artística em formatos tradicionais, como pinturas em telas e desenhos em papéis. Desde então, sua obra já tinha grande preocupação com questões ideológicas e políticas, o que foi acentuado nas décadas seguintes com o desenvolvimento da sua produção em formatos mais contemporâneos, em particular seu interesse pela “imagem projetada” e pela “tela escura” do cinema e da televisão – através de vídeos e projeções – além do elemento cênico, que se dava através da inserção do público dentro da obra em suas ações/performances e instalações, seja de forma participativa ou apenas como observador.

 

Segundo Carolyn Christov-Bakargiev, curadora da dOCUMENTA (13) e do Castello di Rivoli, “É verdade que Mauri abordou temas numerosos e diversos, usando uma variedade de abordagens expressivas, mas um fio comum fundamental, quase uma obsessão, percorre todos os seus movimentos, apesar do caráter multiformes de sua obra. Subjacente a todas as suas obras está uma meditação na tela – o cinema e a televisão – e as implicações da projeção para a sociedade e para a subjetividade contemporânea.”

 

Para a exposição na galeria, 25 obras foram selecionadas: no salão principal dois carpetes de grandes dimensões vão ocupar o centro da galeria, com as frases  Forse l’arte non è autonoma  [Talvez a arte não seja autônoma] e Non ero nuovo [Eu não era novo], ambos de 2009, e que fizeram parte da dOCUMENTA (13), em 2012, além de uma série de colagens e as instalações On the Liberty (1990) e Ventilatore (1990); no segundo ambiente serão apresentados treze trabalhos da série Photo Finish (1976); a última sala foi reservada para uma projeção do vídeo Seduta su l’ombra, de 1977. Todos os trabalhos são inéditos no Brasil e retratam um recorte abrangente da obra do artista.

 

Trabalhando em paralelo aos principais movimentos artísticos da época, como a Pop Art e a Arte Povera, Mauri colocou em discussão o papel da comunicação midiática como formadora da sociedade lá na década de 1960, quando a televisão ainda dava os primeiros passos. Enquanto artistas na Europa e nos Estados Unidos exploravam as nuances do consumismo e dissecavam os materiais essenciais da criação artística, Mauri abria frente para um questionamento que iria além da estética e da representação: como dar forma a algo tão abstrato como uma ideologia? Qual o papel do artista, do público e da mídia dentro dessa discussão? A problemática que o artista investigou por tantos anos é um assunto extremamente atual nos dias de hoje, sua obra reflete pontos cruciais da vida em sociedade e do pensamento do homem moderno.

 

Em 2015 a obra Il Muro Occidentale o del Pianto [O muro ocidental ou das lamentações], de 1993, ocupou a primeira sala do pavilhão central na 56a Bienal de Veneza, com curadoria de 56ª Bienal de Veneza, com curadoria de Okwui Enwezor. No mesmo ano o artista participou também pela primeira vez da Bienal de Istambul e sua obra foi incluída como parte da exposição permanente do Castello di Rivoli, enquanto outros trabalhos foram adquiridos pelo Centre Pompidou, em Paris.

Individual de Luiz Ernesto

16/mar

O Paço Imperial inaugura dia 16 de março, a exposição “Antes de sair”, de Luiz Ernesto.O trabalho ocupará a sala “Academia dos Seletos”. O artista apresenta uma instalação inédita que une imagem e texto, lidando com os sentidos possíveis dessa relação, na medida em que no cotidiano estamos impregnados de imagens e textos descartáveis e ligeiros.  Para Luiz Ernesto este é um campo fecundo, que amplia a gama desses significados.

 

Em 2007 ao esvaziar o apartamento de sua avó para vendê-lo o artista deparou-se com uma enorme quantidade de objetos, móveis e ambientes repletos de memórias e histórias. Em meio a um processo longo e dolorido, fez registros fotográficos dos cômodos e dos objetos que estavam sendo retirados de uma casa que havia sido marcante em sua infância. O que no início era um registro para recordação deu origem a um novo trabalho de arte.

 

Desde o ano 2000, Luiz Ernesto desenvolve pesquisas que discutem a relação entre imagens e palavras: “Palavras e imagens juntos tornam-se fecundos e têm sua gama de significados ampliada. Neste trabalho, memória e história são minhas principais matérias primas, objetos banais do cotidiano, móveis e ambientes nos quais o tempo imprimiu suas marcas. O que me interessa é explorar seus significados afetivos: as lembranças, as ocasiões, os lugares e as pessoas que aqueles suscitam. Ao longo do processo, fotos e textos tomaram seus próprios rumos libertando-se da obrigação de registrar fielmente a história vivida para gerar uma obra de ficção”, declara o artista.

 

A instalação “Antes de Sair” reúne cerca de 50 fotografias divididas em dez grupos acompanhados de pequenos textos.

 

 

 

Sobre o artista

 

 

Luiz Ernesto Moraes é artista plástico e professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Ex- aluno desta escola, Luiz Ernesto foi seu diretor de 1998 a 2002. Em 1992, contemplado com uma bolsa de estudos pelo Conselho Britânico, passou um ano na Escócia, no Glasgow Print Studio onde desenvolveu uma série de trabalhos em diferentes técnicas de gravura. Desde 1979, tem participado de exposições individuais e coletivas. Seu trabalho desenvolve-se em diversos meios, como desenho, pintura, objetos e fotografia e tem como ponto de partida os objetos banais do cotidiano. Para uma exposição sua em 1999, no Paço Imperial, o crítico Agnaldo Farias, assim se referiu ao trabalho do artista: “As pinturas, desenhos e assemblages de Luiz Ernesto sempre se propuseram a animar as coisas de sua letargia para deixá-las transbordar, fazê-las abandonar seu estado inicial rumo a uma condição próxima. O insólito, dizem seus trabalhos, está aqui mesmo.”

 

Desde 2001, Luiz Ernesto vem desenvolvendo um trabalho em fibra de vidro, resina de poliéster e fotografia. Sobre este trabalho o crítico Paulo Sérgio Duarte, num texto intitulado “ A solidão das coisas calmas”, escreveu: “ O que são esses trabalhos de Luiz Ernesto? Não são telas, nem é pintura, ao menos no sentido convencional. No entanto com esta se assemelham, não pela forma no sentido estrito, digamos que lembram a pintura pelo que em inglês chama-se shape. … Na sua fabricação obedecem aos procedimentos da escultura. Têm um molde e lá o artista deita seus lençóis de fibra, seus solventes e suas figuras e suas palavras. …Apesar de suas dimensões, o verdadeiro tema dos quadros é a nostalgia de um mundo em miniatura, sem violência ou nervosismo, onde as coisas calmas pudessem usufruir a sua solidão.”

 

 

 

De 16 de março a 21 de maio.

Individual de Thiago Honório

14/mar

A Galeria Luisa  Strina, Cerqueira César, São Paulo, SP, apresenta “Solo”, primeira exposição individual do artista mineiro Thiago Honório na galeria.Honório apresenta o trabalho “Roca”. Trata-se de uma cabeça de imagem de roca ou de vestir do século XVIII disposta sobre sólido geométrico produzido com um procedimento construtivo brasileiro utilizado no período colonial no repertório das construções dos séculos XVIII e XIX, conhecido como pau a pique, taipa de mão, taipa de sopapo ou taipa de sebe.

 

Essa técnica vernacular consiste no entrelaçamento de ripas ou toras de madeiras verticais com vigas de bambu horizontais e amarradas entre si por cipó, engendrando uma grande estrutura tramada cujos vãos se preenchem com barro, resultando numa parede. Das práticas da chamada arquitetura de terra é uma das mais recorrentes, principalmente nas zonas rurais.

 

A cabeça, estátua ou imagem de roca designa a tipologia de imagens sacras processionais que são travestidas com trajes de tecidos, perucas e adornadas com pedras preciosas, semipreciosas ou bijuterias. A palavra roca, como substantivo feminino, significa bastão, haste ou vara, possuindo na extremidade um bojo que se enrola a rama do algodão, do linho, da lã: roca de fiar. Também denota a formação volumosa e elevada de pedra, rocha, rochedo, penhasco.

 

Segundo Thiago Honório: “A imagem de roca tradicionalmente aparece em procissões e consiste numa estrutura de madeira articulável que dá a ver apenas a cabeça, mãos ou braços e, às vezes, os pés da peça esculpida, envolta em indumentária e adereços que a caracterizam conforme seus usos litúrgicos. Grande parte dessas imagens era construída numa escala aproximada da escala natural do corpo humano”. Este gênero de imagens adquiriu considerável difusão no Brasil, sobretudo na Bahia e em Minas Gerais durante o período Barroco, estendendo-se até meados do século XIX.

 

No caso de “Roca”, obra que ocupa sozinha grande área da sala de exposições, a cabeça da imagem de roca encontra-se no topo de um “monte” geométrico de pau a pique e taipa de mão.

 

Na exposição “Solo”, a obra “Roca” apresenta-se fincada na terra, solo; com o duplo sentido da ideia de solo, nesse caso tanto a apresentação destinada ao solista quanto a terra. O trabalho busca problematizar à maneira metalinguística as noções de solo, camadas da terra, piso, chão de construção ou casa, ou a superfície que é construída para se pisar; substrato físico sobre o qual se fazem obras. Em sentido figurado, faz referência a nação, país ou região: em solo brasileiro, solo fértil. A etmologia do substantivo solo vem do latim sŏlum, que significa fundo, fundamento, pavimento e planta do pé. E também solo no sentido de só; a solo na ideia de executado por uma só voz ou instrumento; do latim sōlus, a, um a partir da noção de só, solitário; e também pode ser a dança, a ginástica artística, o trecho musical, a apresentação teatral, a exposição individual ou a seção a ser executada por um único intérprete.

 

 

 

Sobre o artista

 

Exposições recentes do artista nascido em Carmo da Paranaíba, em 1979, incluem “Trabalho”, MASP Museu de Arte de São Paulo, 2016; “Boate Azul” em colaboração com Pedro Vieira, Museu de Arte da Pampulha, 2016; “Títulos”, Paço das Artes, 2015. Ainda em 2016, Thiago Honório lançou o seu primeiro livro intitulado {[( )]} – publicado pela editora IKREK – e premiado pelo ProAC. Em 2017 lançará “Augusta”, publicado pela mesma editora. Possui obras nos acervos do MASP; MAC/USP Museu de Contemporânea da Universidade de São Paulo; MAR Museu de Arte do Rio; MAM/SP Museu de Arte Moderna de São Paulo; MAB/FAAP Museu de Arte Brasileira e na Pinacoteca do Estado de São Paulo.

 

 

 

De 14 de março a 29 de abril.

Alfredo Jaar na Luisa Strina

A Galeria Luisa Strina, Cerqueira César, São Paulo, SP, apresenta “The Politics of Images”, segunda exposição individual de Alfredo Jaar na galeria. Alfredo Jaar, Chile, 1956, é artista, arquiteto e vídeo maker. Após completar seus estudos no Chile, fixou-se – em 1982 -, Nova York, cidade onde vive e trabalha atualmente. Sua prática artística é focada na criação, distribuição e circulação de imagens na esfera pública.

 

O ponto de partida da exposição é a instalação “The Sound of Silence”, de 2006, “um teatro construído para uma única imagem” (Jacques Rancière). O trabalho conta a história de Kevin Carter (1960 – 1994), fotojornalista sul-africano que se tornou famoso por sua fotografia ganhadora do prêmio Pulitzer. Tirada enquanto Carter se reportava do Sudão em 1993, a fotografia mostra uma criança em estado de inanição se rastejando pelo chão enquanto um abutre a observa. Após o suicídio do autor, a fotografia se tornou propriedade de sua filha Patricia Megan Carter e seus direitos são controlados pela Corbis, a maior agência fotográfica do mundo, a qual controla mais de cem milhões de imagens e é de propriedade de Bill Gates. Usando uma linguagem sucinta, Jaar questiona não só os limites do representável e da possibilidade de observar, mas também trata de questões de responsabilidade tanto do fotógrafo individualmente quanto daqueles que controlam a circulação e a disseminação das imagens, e finalmente, o espectador.

 

“One Million Points of Light”, de 2005, foi realizado na costa de Angola, em Luanda. A câmera foi posicionada em direção ao oceano, apontando diretamente ao Brasil, em memória e homenagem aos 14 milhões de escravos enviados de Angola para o Brasil. A fotografia é reproduzida numa caixa de luz e em cartões postais que os visitantes são convidados a levar para casa.

 

“Searching for Africa in LIFE”, de 1996, foca na ausência de representação e na ausência da África na revista de notícias LIFE (a LIFE foi uma revista de fotojornalismo, fundada em 1936 por Henry Luce- também fundador da revista Time – e encerrou suas atividades com a edição de maio de 2000). O trabalho consiste em uma coleção de 2128 capas, de 1936 a 1996, mostradas em ordem cronológica e visando refletir a chocante escassez de cobertura do continente africano por uma das mais influentes revistas do mundo.

 

Jaar usa uma fórmula similar no trabalho intitulado “From Time to Time”, de 2006, o qual, outra vez, traz à tona os esteriótipos racistas que governam a percepção da mídia ocidental em relação à África. São nove capas recentes da revista Time dedicadas à África divididas pelos únicos três assuntos geralmente cobertos: doenças, fome e conflito armado.

 

 

Sobre o artista

 

Alfredo Jaar realizou exposições individuais em instituições como o New Museum, Nova York, 1992; White chapel Gallery, Londres, 1992; Museum of  Contemporary Art, Chicago, 1992; Moderna Museet, Estocolmo, 1994; Museum of Contemporary Art, Roma, 2005; Berlinische Galerie, Alte National galerie e Neue Gesellschaft für Bildende Kunst, Berlim, 2012; e Museum  of  Contemporary Art Kiasma, Helsinki, 2014.

 

O trabalho do artista faz parte de coleções tais como a do Museum of Modern Art, Nova York; Tate Collection, Londres; Guggenheim Museum, Nova York; LACMA e MOCA, Los Angeles; Centro de Arte Reina Sofia, Madrid; Centre Georges Pompidou, Paris; Moderna Museet, Estocolmo; e MASP, São Paulo.O artista participou de algumas das mais estabelecidas exposições coletivas ao redor do mundo, tais como a Bienal de Veneza (1986, 2007, 2009, 2013); Documenta, Kassel (1987, 2002); e Bienal Internacional de São Paulo (1987, 1989, 2010).

 

 

De 14 de março a 29 de abril.

Fabio Mauri na Bergamin & Gomide

07/mar

A Galeria Bergamin & Gomide, Jardins, São Paulo, SP, tem o prazer de apresentar a partir de 11 de março a primeira exposição individual no Brasil do artista italiano Fabio Mauri, o qual participou em 2012 da dOCUMENTA(13), em Kassel, além de seis edições da Bienal de Veneza (1954, 1974, 1978, 1993, 2013, 2015).

 

A mostra FABIO MAURI (SENZA ARTE) foi realizada em parceria com Olivier Renaud-Clément e com a galeria suíça Hauser & Wirth, que abriga toda a coleção do artista, e fez em 2015 e 2016 uma grande retrospectiva de Mauri nos Estados Unidos e em Londres.

 

Mauri nasceu em Roma, em 1926, e teve sua vida e obra marcadas pelo fascismo. Sua família era proprietária de uma das editoras mais importantes de literatura no país, por consequência, Mauri foi criado entre escritores e artistas e naturalmente se tornou amigo próximo de intelectuais e grandes nomes da vanguarda italiana do pós-guerra, como Ítalo Calvino, Umberto Eco, Pier Paolo Pasolini e Jannis Kounellis.

 

No final dos anos 1950, Mauri inicia sua produção artística em formatos tradicionais, como pinturas em telas e desenhos em papéis. Desde então, sua obra já tinha grande preocupação com questões ideológicas e políticas, o que foi acentuado nas décadas seguintes com o desenvolvimento da sua produção em formatos mais contemporâneos, em particular seu interesse pela “imagem projetada” e pela “tela escura” do cinema e da televisão – através de vídeos e projeções – além do elemento cênico, que se dava através da inserção do público dentro da obra em suas ações/performances e instalações, seja de forma participativa ou apenas como observador.

 

Segundo Carolyn Christov-Bakargiev, curadora da dOCUMENTA (13) e do Castello di Rivoli, “É verdade que Mauri abordou temas numerosos e diversos, usando uma variedade de abordagens expressivas, mas um fio comum fundamental, quase uma obsessão, percorre todos os seus movimentos, apesar do caráter multiformes de sua obra. Subjacente a todas as suas obras está uma meditação na tela – o cinema e a televisão – e as implicações da projeção para a sociedade e para a subjetividade contemporânea.”

 

Para a exposição na galeria, 25 obras foram selecionadas: no salão principal dois carpetes de grandes dimensões vão ocupar o centro da galeria, com as frases Forse l’arte non è autonoma [Talvez a arte não seja autônoma] e Non ero nuovo [Eu não era novo], ambos de 2009, e que fizeram parte da dOCUMENTA (13), em 2012, além de uma série de colagens e as instalações On the Liberty (1990) e Ventilatore (1990); no segundo ambiente serão apresentados treze trabalhos da série Photo Finish (1976); a última sala foi reservada para uma projeção do vídeo Seduta su l’ombra, de 1977. Todos os trabalhos são inéditos no Brasil e retratam um recorte abrangente da obra do artista.

 

Trabalhando em paralelo aos principais movimentos artísticos da época, como a Pop Art e a Arte Povera, Mauri colocou em discussão o papel da comunicação midiática como formadora da sociedade lá na década de 1960, quando a televisão ainda dava os primeiros passos. Enquanto artistas na Europa e nos Estados Unidos exploravam as nuances do consumismo e dissecavam os materiais essenciais da criação artística, Mauri abria frente para um questionamento que iria além da estética e da representação: como dar forma a algo tão abstrato como uma ideologia? Qual o papel do artista, do público e da mídia dentro dessa discussão? A problemática que o artista investigou por tantos anos é um assunto extremamente atual nos dias de hoje, sua obra reflete pontos cruciais da vida em sociedade e do pensamento do homem moderno.

 

Em 2015 a obra Il Muro Occidentale o del Pianto [O muro ocidental ou das lamentações], de 1993, ocupou a primeira sala do pavilhão central na 56a Bienal de Veneza, com curadoria de56ª Bienal de Veneza, com curadoria de Okwui Enwezor. No mesmo ano o artista participou também pela primeira vez da Bienal de Istambul e sua obra foi incluída como parte da exposição permanente do Castello di Rivoli, enquanto outros trabalhos foram adquiridos pelo Centre Pompidou, em Paris.

Em Salvador

27/jan

O Instituto Cervantes de Salvador, Bahia, apresenta na Galeria Massarda, no Palacete das Artes, no bairro da Graça, a videoinstalação “Doze Pinturas Negras”. Trata-se de um projeto audiovisual do artista ÁngelHaro, que promove uma dramatização de doze das “Pinturas Negras” do renomado pintor espanhol Francisco de Goya.

 

Francisco de Goya representa um marco na história da pintura. Como pintor da Corte Real Espanhola, criou trabalhos excepcionais que influenciaram diretamente o movimento Impressionista. Suas “Pinturas Negras”, no entanto, vão além no que diz respeito à técnica e à temática. Além de marcarem o início do Surrealismo e Expressionismo do século XX, expõem o clima sociopolítico da Espanha de então ao explorar a psiquê e os conflitos internos e externos do país. Em sua obra, Goya revelou fatos que não faziam parte do discurso oficial espanhol, descobrindo, assim, novo uso para sua arte: a pintura como forma de denúncia.

 

As “Pinturas Negras” desafiaram o regime político da época e, ao sobreviverem à Inquisição e se tornarem patrimônio cultural contemporâneo, simbolizaram um grito que não é facilmente silenciado. Nascidos da condição isolada do artista em sua Quinta delSordo, nos arredores de Madri, os conflitos internos de Goya não eram independentes da circunstâncias políticas que o cercavam. Com o fim do Iluminismo e a volta do regime Absolutista, sua loucura é, também, a loucura de seu tempo. Justamente por estar no limite da própria sanidade, Goya pode retratar os horrores do regime de Fernando VII através da representação de seu próprio horror.

 

Cinquenta anos após a partida de Goya para a França, em 1874, o barão Emile d’Erlanger, novo proprietário da Quinta delSordo, comissionou o francês Jean Laurent para fotografar os murais que adornavam várias das salas da propriedade. Essas fotografias, cujos negativos em vidro originais estão atualmente sob os cuidados do IPCE (Instituto do Patrimônio Cultural da Espanha), serviram de guia para transferir os trabalhos para a tela, possibilitando, assim, a restauração posteriormente feita por Salvador Martínez Cubells. Strappo, o processo de separação adotado por Cubells, é uma técnica agressiva que não garante a efetiva transferência de tinta e requer extensivo trabalho nas imagens. Isso significa que as obras que vemos hoje no Museu do Prado não são exatamente aquelas que Goya pintou nas paredes da Quinta delSordo, pelo menos no que diz respeito à sua qualidade plástica.

 

O artista multimídia ÁngelHaro partiu das fotografias de Laurent para reinterpretar as “Pinturas Negras”, criando uma análise do gesto e do impulso físico presente nas obras. Em cada peça audiovisual, o artista alude aos diversos métodos pictóricos empregados por Goya e traduz sua gestualidade em vários registros de movimento, luz, figurino e maquiagem. Todas as cenas foram captadas em alta resolução com câmeras HD 4k utilizando sistema de chromakey. A imagem de fundo criada por Haro é inserida na pós-produção e, por final, as tonalidades são corrigidas digitalmente para equilibrar a gama de cores.

 

O tratamento da iluminação respeita o compromisso de Goya com a subjetividade em cada um de seus trabalhos. Assim, uma iluminação dramática é combinada com efeitos de luz pintados em alguns dos personagens, como em “Saturno devorando um filho”. Além disso, os figurinos são baseados na gestualidade de cada cena. Dos trapos de “BruxasSabá” ou as deformidades de “Saturno devorando um filho” ao realismo de “Leocadia” e a volatilidade de “Visão fantástica”.

 

 

Sobre o artista

 
ÁngelHaro nasceu em Valência, Espanha, em 1958, e passou a infância em Paris até mudar-se com sua família para Murcia, onde estudou engenharia. Atua não só como artista visual, mas também como diretor artístico de teatro, cenógrafo, diretor de cinema e artista gráfico. Sua primeira mostra individual aconteceu em Murcia no ano de 1979. Já realizou exposições nas principais cidades da Espanha, e também em Chicago, Nova York, Paris e países como África do Sul, República Dominicana, Lituânia e Bélgica. Dentre suas principais exposições estão: Estrelladel Norte, na Iglesiadel Salvador del Convento de Verónicas, em Murcia, Espanha, 2015; La Tregua, na Tabacalera, Madri, Espanha, 2014; WaysofanUnruly Man, na Res Gallery, em Johannesburgo, África do Sul, 2012; Suitemelancolie, na Galerie Lina Davidov, Paris, França, 2011; Belfegor, no Museo de Bellas Artes de Murcia, Espanha, 2009; e OnPaper, na HaimChanin Fine Arts, Nova York, EUA.

 

 

Até 05 de março.

MAM 2017 com Anita Malfatti


Com curadoria de Regina Teixeira de Barros, mostra celebra centenário da primeira mostra de arte moderna no Brasil. Cerca de 70 obras, entre desenhos e pinturas de retratos, nus e paisagens, ilustram três fases da carreira de Anita Malfatti.
O Museu de Arte Moderna de São Paulo, Grande Sala, Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP, abre, no dia 07 de fevereiro, a exposição “Anita Malfatti: 100 anos de arte moderna”, apresentando obras representativas da trajetória de um dos mais importantes nomes da arte brasileira do século XX. Para retratar a vasta produção da pintora, desenhista, gravadora e professora Anita Malfatti (São Paulo – SP, 1889 – 1964), a curadora Regina Teixeira de Barros concebeu a mostra como uma homenagem ao centenário da exposição inaugural do modernismo brasileiro, uma individual de Anita aberta em dezembro de 1917, e que recebeu severa crítica do conservador Monteiro Lobato na ocasião. A mostra do MAM exibe desenhos e pinturas que ilustram retratos, paisagens e nus de três fases distintas da trajetória artística, expostas ao lado de fotografias e documentos da época como cartas, convites e catálogos, com patrocínio Master: Bradesco, PWC.

 
Cem anos se passaram desde que a Exposição de arte moderna Anita Malfatti alterou os rumos da história da arte no Brasil, por ser a primeira mostra reconhecidamente moderna realizada no país e considerada o estopim para a realização da Semana de Arte Moderna de 1922. Realizada no centro de São Paulo, entre 12 de dezembro de 1917 e 10 de janeiro de 1918, a individual da artista exibia 53 obras, sendo 28 pinturas de paisagem e retratos, 10 gravuras, cinco aquarelas, além de desenhos e caricaturas. O conjunto representava um consistente resumo de seis anos de produção da artista, compreendidos pelos anos de aprendizado na Alemanha (1910-1913) e nos Estados Unidos (1914-1916), além de trabalhos realizados no regresso a São Paulo. Até então, a cidade de São Paulo só havia sediado mostras de arte de cunho acadêmico. Segundo a curadora, a mostra de Anita foi recebida com assombro e curiosidade, tendo visitação intensa e venda de oito quadros expostos, mas após a publicação da crítica de Monteiro Lobato intitulada “A propósito da exposição Malfatti”, no jornal O Estado de S. Paulo de 20 de dezembro de 1917, boa parte do público concordou com as ideias do renomado autor, fazendo com que cinco obras compradas fossem devolvidas. Regina explica que desde então, o nome de Anita ficou associado ao de Lobato. “Adepto fervoroso da arte naturalista, Lobato desdenhou dos ismos da arte moderna (como expressionismo e cubismo), mas não deixou de reconhecer a competência de Anita elogiando o talento fora do comum e as qualidades latentes da jovem artista”, explica a curadora.

 
No MAM, a mostra Anita Malfatti: 100 anos de arte moderna conta com obras que abrangem diversos aspectos da produção, apresentando uma artista sensível às tendências e discussões em pauta ao longo da primeira metade do século XX. A exposição tem como finalidade apresentar um recorte da trajetória de Anita, dividindo em três momentos: os anos iniciais que a consagraram como o “estopim do modernismo brasileiro”; a época de estudos em Paris e a produção naturalista; e, por fim, as pinturas com temas populares. A exposição inicia com um conjunto de trabalhos realizados na Alemanha, seguido de retratos e paisagens expressionistas exibidos em 1917, que causaram grande impacto no, até então, tradicional meio paulistano, entre as quais os óleos sobre tela “O japonês” (1915/16), “Uma estudante” (1915/16), “O farol” (1915) e “Paisagem (amarela) Monhegan” (1915). Desse período também consta um conjunto de desenhos a carvão, composto de nus masculinos e retratos.

 
Entre a primeira e a segunda parte da mostra, sobressai o interesse pela temática nacional, onde figuram trabalhos famosos como “Tropical” (c.1916), “O homem de sete cores” (1915/16) e “Figura feminina” (1921/22). Além desses, constam obras realizadas a partir do convívio com os modernistas como o pastel “Retrato de Tarsila” (1919/20), a pintura “As margaridas de Mário” (1922) e o célebre desenho “O grupo dos cinco” (1922), que retrata os modernistas Tarsila do Amaral, Mario de Andrade, Menotti del Picchia, Oswald de Andrade e a própria Anita Malfatti.

 
No segundo nicho são apresentados os frutos dos anos de estudo em Paris, que representam uma fase mais naturalista em que são produzidas paisagens europeias como nas pinturas a óleo “Porto de Mônaco” (c. 1925) e “Paisagem de Pirineus, Cauterets” (1926), e nas aquarelas “Veneza, Canal” (c.1924), “Vista do Fort Antoine” em Mônaco (c. 1925), somados a desenhos de nus feitos com linhas finas e suaves na década de 1920. São desse período também pinturas singulares como “Interior de Mônaco” (c. 1925) e “Chanson de Montmartre” (1926).

 
Para finalizar, a terceira parte engloba trabalhos realizados nos anos 1930-40, época em que a artista se dedicou a retratar familiares, amigos e membros da elite, além de temas populares. Destacam-se as obras “Liliana Maria” (1935-1937) e “Retrato de A.M.G.” (c. 1933), em que figuram sua sobrinha e o amigo Antônio Marino Gouveia, ambas com tratamento naturalista. Na primeira, o fundo neutro é substituído por uma paisagem à maneira renascentista; na segunda registra uma de suas pinturas que pertencia à coleção do retratado. Nessa fase, apresentam-se ainda paisagens interioranas e temáticas populares como em “Trenzinho” (déc. 1940), “O Samba” (c. 1945), “Na porta da venda” (déc. 1940-50). A mostra se encerra com pinturas aparentemente naïf e reveladores da habitual ousadia da artista, em que utiliza cores fortes para criar espaços mais achatados como em “Composição” (c.1955) e “Vida na roça” (c.1956).

 

 

Sobre a curadora

 
Regina Teixeira de Barros é curadora independente e historiadora da arte especializada em arte brasileira moderna. Possui Mestrado em Estética e História da Arte pela ECA-USP e é doutoranda do Programa de Pós-graduação Interunidades em Estética e História da Arte da USP. É professora de História da Arte Moderna e Contemporânea na Faculdade Santa Marcelina desde 2002. Ministra a disciplina de Curadoria de Exposições de Arte na pós-graduação em Museologia, Colecionismo e Curadoria do Centro Universitário Belas Artes. Entre 2003 e 2015, trabalhou na Pinacoteca do Estado de São Paulo, onde realizou diversas curadorias como Tarsila viajante, Arte no Brasil: uma história do Modernismo na Pinacoteca de São Paulo e Arte construtiva na Pinacoteca. Como curadora independente, destacam-se Antônio Maluf (Centro Universitário Maria Antônia da USP, 2002), Tarsila e o Brasil dos modernistas (Casa Fiat, BH, 2011) e Arte moderna na Coleção da Fundação Edson Queiroz (Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, e Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, 2016).

 

 
De 07 de fevereiro até 30 de abril.

Limberger na Pinacoteca

23/jan

A Pinacoteca do Estado de São Paulo, Praça da Luz, São Paulo, SP,museu da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo -, apresenta dois trabalhos do artista Fernando Limberger no Pátio 1, térreo do museu. Os trabalhos exploram o uso de diferentes espécies de arbustos, árvores e sementes a fim de propor a reflexão sobre a relação entre Natureza e Cultura. A mostra tem apoio da Regatec para o sistema de irrigação.

 

“Contenção Verde” é o primeiro trabalho, uma espécie de reprodução mimética de um jardim urbano, com terra, plantas adultas de até oito metros de altura, e, ao mesmo tempo, mureta de concreto e grades. São espécies arbóreas, arbustivas herbáceas, nativas e exóticas colocadas juntas em um mesmo espaço, formando um grande volume verde cercado por grades de ferro, como aquelas presentes nos parques da cidade de São Paulo. A luz é natural e a irrigação sustentável e projetada.

 

O jardim, de formato octogonal, ocupa o centro da sala, com circulação para o público na área externa a ele. A ironia em “Contenção Verde” são as grades que estão ali para definir dois espaços distintos, um com vegetação e sem pessoas, e outro sem vegetação e com pessoas. “Quando o visitante passar pela passarela verá a copa das árvores e esse volume verde confinado. As grades segregam as plantas das pessoas, ao mesmo tempo que retém a sua expansão. Uma realidade antagônica que fala sobre a imposição de certa racionalidade aos espaços, vista também nos jardins urbanos. Ao mesmo tempo em que coloca o homem como a figura central no manejo da vegetação”, explica Pedro Nery, curador da exposição.

 

“Botânica SP” também encontra-seexposta no Pátio 1 e trata-se de uma sementeira gigante que contém 150 espécies diferentes de sementes coletadas em ruas, praças e parques da cidade, todas catalogadas e acompanhadas de placas informativas. Ali elas são irrigadas e brotarão livremente em tempos distintos. “A ideia é que durante os três meses de exposição haja uma transformação que possibilite o visitante acompanhar o crescimento dos brotos”, completa Nery.

 

 

 

Até 20 de fevereiro.

Territórios

O Centro de Referência do Artesanato Brasileiro, CRAB, Centro, Rio de Janeiro, RJ, inaugurou a exposição “Territórios”, com direção geral e concepção visual de Bia Lessa, e curadoria de Renata Piazzalunga, do Instituto de Pesquisas em Tecnologia e Inovação, que mostra de uma forma lúdica e atraente o universo dos artesãos das cidades de Poço Redondo, Sítios Novos e Poço Verde, em Sergipe, e Ilha do Ferro e Entremontes, em Alagoas.

 

As paredes históricas de três grandes salas do CRAB foram recobertas por compensado de madeira, para serem bordadas com centenas de metros de fios de lã, e quase 2, 5 milhões de pregos, que formam escritas que revelam quem são, como vivem e como trabalham esses artesãos, em instalações criadas pela premiada diretora e cenógrafa. Bia Lessa explica que “o público verá o rigor, o tempo empregado e o trabalho árduo desses artesãos, e seu valor”. “A exposição reúne produtos feitos pelos artesãos antes, durante e depois do projeto realizado ao longo de três anos pelo SEBRAE e IPTI, que viabiliza economicamente as associações locais desses artistas”, diz. “Mais do que interativa, a exposição tem uma proposta colaborativa, de estar junto”, destaca.

 

A montagem de “Territórios” envolveu mais de 60 pessoas, em três equipes, em um trabalho manual realizado ao longo de quase três semanas e doze horas diárias. “Queria que os espaços tivessem este dado artesanal, levar a estética dos artesãos para as salas”, diz a diretora. Bia Lessa traduziu visual e artisticamente as informações colhidas pelo projeto, que mapeou, pesquisou e trabalhou junto a 120 artesãos organizados em cinco associações. A exposição detalha principalmente o universo dos artesãos de Poço Redondo, a cidade sergipana onde foram mortos Lampião e Maria Bonita.

 

 

Percurso da exposição

 
Na primeira sala de “Territórios”, estão centenas de quadros contendo imagens e informações sobre a cidade, seus personagens e sua história, com legendas escritas à mão por um grupo de jovens calígrafos de São Paulo. O chão será coberto por um tapete onde se verá impresso um mapa com a relação entre a cidade e as metrópoles. Sobre o chão, uma bola de 1,5m de diâmetro, feita em fibra de vidro, conterá informações sobre Poço Redondo, e poderá ser girada por uma ou mais pessoas, em um movimento conjunto para que a leitura seja partilhada.

 

 

Paredes bordadas

 
Na segunda sala, o público verá paredes recobertas por tramas de linhas coloridas sobre uma escrita bordada com fios de lã vermelha que mostra o trabalho associativo dos artesãos. No centro do espaço 19 cadeiras, em círculo, fazem uma alusão às reuniões, e, sobre cada um dos assentos, estará um trabalho feito pelos artesãos antes da chegada do projeto do SEBRAE/IPTI. “Um dos fatos revelados pelo projeto é que o elo de confiança estabelecido é fundamental. Tudo é tênue, delicado, sutil. Não são relações fáceis e óbvias. Eu gostaria que o público perceba esta delicadeza, que isso se reflita em sua atitude diante da exposição. Por isso também a presença da linha nesta sala, que representa esta sutileza”, explica Bia Lessa.

 
Na terceira sala, foram empregados mais de 2 milhões 419 mil pregos, que formam uma caligrafia que conta a história do que pensam e sentem os artesãos,suas dificuldades e sonhos, em frases e conceitos retirados do questionário respondido por eles durante o projeto. “Um prego sozinho é só um prego. Junto pode ser outra coisa. É a ideia da associação: um sozinho faz uma coisa, mas quando se tornam juntos, trabalham em um coletivo, transformam, tem uma lógica, uma postura diferente”, ressalta Bia Lessa.

 
Um gigantesco rolo de tecido, com 40 metros de comprimento, cairá de um andaime, e ondulará sobre cavaletes na extensão da sala. Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo; pelo Módulo Barroco na Bienal do Redescobrimento, em 2000, e por diversas exposições, peças de teatro, óperas, shows etc. Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo; pelo Módulo Barroco na Bienal do Redescobrimento, em 2000, e por diversas exposições, peças de teatro, óperas, shows etc. Bordeiras da Coopa Roca escreveram sobre o tecido o detalhamento das atividades dos artesãos, registrado no blog da associação. Para ler o conteúdo, o público poderá estender o tecido através de uma manivela.

 
“Os pregos e as linhas fazem parte do processo de trabalho deles, o bordado, a renda, tudo feito à mão, em um diálogo real com os materiais usados por eles e a tecnologia, ligando todos os conteúdos”, diz Bia Lessa. Linhas de lã percorrem o teto de todos os espaços, e “costuram as ideias do que está na exposição”. Cada uma das salas tem uma trilha sonora própria, composta por Dany Roland. O percurso da exposição termina na loja do CRAB, onde estarão as criações dos artesãos feitas em parceria com os designers do projeto.

 

 

Instalação na calçada em frente ao CRAB

 
Os outros quatro municípios abrangidos pelo projeto do SEBRAE/IPTI estarão em uma instalação na frente do CRAB, na calçada, onde quatro bolas de 1,5m de diâmetro conterão informações sobre esses locais. “As bolas irão conviver com os transeuntes, dentro do objetivo do convívio compartilhado”, explica Bia Lessa que afirma ser “louca pela Praça Tiradentes”! “Tem tanta coisa bacana que acontece a sua volta, como os dois teatros, o Centro Carioca de Design, o Studio-X, a Estudantina, o Centro Municipal de Arte Helio Oiticica, e a exposição criou um espaço de diálogo com essa rica história”, conta.

 
Bia Lessa conta que ao ser convidada pelo SEBRAE a ideia inicial era mostrar somente as peças de artesanato. “Mas quando comecei a pesquisar o assunto deparei com o processo de trabalho realizado junto aos artesãos. Achei inusitado e sofisticado, pois é um trabalho transformador e dinâmico, unindo tecnologia e artesanato. Isso seria o diferente, pois expor produto artesanal tem em todo o lugar”, diz.

 

 
Ficha técnica

 
Concepção e Direção Geral – Bia Lessa; Curadoria – Renata Piazzalunga (Instituto de Pesquisa em Tecnologia e Inovação); Trilha Sonora – Dany Roland; Design gráfico – Rico Lins; Design de Luz-– Binho Schiffer e Bia Lessa; Arquitetura – Lucia Vaz Pato; Produção Executiva – Arlindo Hartz.

 

 

Sobre Bia Lessa

 
Bia Lessa, paulista 58 anos, artista responsável por trabalhos nas áreas de teatro, ópera, artes plásticas e cinema. Recentemente ganhou o prêmio de melhor longa- metragem na categoria Novos Rumos, no Festival do Rio com o filme “Então Morri”; lança no próximo dia 24 de janeiro, no MAM, o livro “Então, Maria Bethânia”, de sua autoria. Foi responsável pelo pavilhão Humanidade 2012, no Forte de Copacabana durante a RIO + 20; pela reinauguração do Theatro Municipal do Rio com a ópera “Il Trovatore”; pelo pavilhão do Brasil na EXPO 2000, na Alemanha; pelo reinauguração dos painéis “Guerra e Paz”, de Portinari, na ONU, em Nova York; pela exposição “Grande Sertão Veredas”, na inauguração do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo; pelo Módulo Barroco na Bienal do Redescobrimento, em 2000, e por diversas exposições, peças de teatro, óperas, shows etc.

 

 

 
Sobre o CRAB

 
Instalado em um conjunto de três prédios do século 18, em plena Praça Tiradentes, no Centro do Rio, o Centro SEBRAE de Referência do Artesanato Brasileiro é um espaço para a qualificação do artesanato brasileiro, e tem como principal missão promover o artesanato nacional, contribuindo para o melhor posicionamento de imagem dos produtos feitos à mão no Brasil. O CRAB apresenta o artesanato ao mercado revelando suas histórias, origens, territórios, indivíduos e coletivos que criam objetos como expressão da cultura e da criatividade brasileira. O CRAB é também espaço de conexão e de diálogo com outros segmentos da economia criativa como o design, a arquitetura, a música, o audiovisual, a literatura, a moda, as mídias e a cultura popular. O complexo arquitetônico do CRAB está regido pela legislação de proteção aos bens tombados pelo IPHAN, na esfera federal; pelo INEPAC, na estadual; e pelo IRPH, órgão municipal. Os três prédios fazem parte do Corredor Cultural do Rio Antigo, criado para preservar áreas históricas. A loja-evento, como experiência de consumo, comercializa o melhor artesanato brasileiro, sempre em diálogo com as exposições.. O CRAB possui ainda espaços multiuso, como um auditório de 100 lugares, uma midiateca e salas para oficinas. Os ambientes são destinados à capacitação, formação, especialização, pesquisa e experimentação. Também recebem shows, encontros, debates, palestras, lançamentos de produtos e cursos livres.

 

 

Sobre o IPTI

 
Fundado em 2003, em São Paulo, o Instituto de Pesquisas em Tecnologia e Inovação (IPTI) é uma instituição privada, com fins não lucrativos, com o objetivo de desenvolver soluções integradas entre tecnologia e processos humanos, nas áreas prioritárias de educação, saúde pública e economias criativas. Em 2006 o IPTI iniciou diálogos com o Governo de Sergipe a fim de instalar naquele estado um Centro de Tecnologias Sociais, associado a uma experiência de promoção de desenvolvimento social e econômico, com base em uma integração entre arte, ciência e tecnologia (The Human Project). O objetivo era aplicar conhecimento científico e tecnológico para a construção de um modelo inovador, baseado em uma integração coordenada e sustentável entre design contemporâneo e processos artesanais, para o desenvolvimento de produtos com alto valor agregado, estabelecimento de inovação e aumento da competitividade. Em 2013 o IPTI foi vencedor do Prêmio FINEP de Inovação, na categoria Instituição de Ciência e Tecnologia (ICT), pela região nordeste.

 

 

 

De 20 de janeiro a 19 de abril.

Henrique Oliveira em livro

14/jan

Um dos artistas plásticos com maior projeção na cena contemporânea, reconhecido mundialmente por suas obras de dimensões épicas que operam a fusão entre as diversas modalidades artísticas e a arquitetura, o paulista Henrique Oliveira ganhou, por meio de uma parceria entre a editora Cosac & Naify, a SESI-SP Editora e a Galeria Millan, o primeiro livro, ou “monografia ilustrada”, sobre seu percurso profissional, iniciado no final da década de 1990.

 
Intitulada apenas “Henrique Oliveira”, a publicação tem 320 páginas e reúne mais de 120 imagens de trabalhos realizados pelo artista ao longo dos últimos 13 anos, além de um ensaio assinado pelo crítico de arte Agnaldo Farias e de uma entrevista feita com Henrique Oliveira pela crítica de arte Aracy Amaral. Trata-se de uma abrangente edição retrospectiva dedicada a documentar e a analisar a produção deste artista, representado pela Galeria Millan desde 2011. “(…) A caçamba como provedor de materiais, a inspiração em livros de patologia clínica, a observação poética indireta de seres de outros tempos ou do sonho retido no cérebro tumultuado e nervoso completam o perfil de seu universo, nesse aspecto refletindo nosso tempo. (…) Procedente de uma geração pós-conceitual, sem nada dever aos artistas de meados do século passado, é a escala ambiental de Henrique Oliveira o que mais nos impacta em suas formas surpreendentes. Arredondadas, tumorais, assustadoras e fascinantes, suas propostas simultaneamente nos remetem aos embates com a natureza, pelo próprio direcionamento induzido claramente pelo artista frente ao desperdício e dejetos da sociedade do lixo e do plástico.” (Aracy Amaral, no texto “Um Alquimista de Seu Tempo”).

 
“(…) A marcha vertiginosa da vida contemporânea insta o artista, focado na contraditória realidade brasileira, a empregar tapumes como matéria-prima em alguns trabalhos. Sua posição entre razão e natureza leva-o a pendular entre a árvore e o compensado, seu produto mais comum, ordinário. Composto por distintas camadas de madeira e usado para barrar a visão para o interior dos canteiros de obras, o compensado é um material poderoso, um amálgama de matérias e de tempos.” (Agnaldo Farias, no texto “Madeira, Matéria Mater”) O projeto do livro “Henrique Oliveira”, com tiragem de 2.000 cópias, foi realizado através da Lei Rouanet (Pronac 1414283) em 2016 e contou com o patrocínio do empresário e colecionador Marcelino Rafart de Seras. Livro “HENRIQUE OLIVEIRA”: Editoras Cosac Naify e SESI-SP; apoio Galeria Millan 320 páginas R$ 90,00.

 

 
Sobre o artista

 
Henrique Oliveira nasceu em 1973 na cidade de Ourinhos, São Paulo. Formou-se em artes plásticas na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, onde também se titulou mestre em poéticas visuais, em 2007. Desde o final dos anos 1990 tem mostrado seu trabalho no Brasil e no exterior. Dentre suas exposições mais recentes no país, estão individuais na Galeria Millan (São Paulo, 2016 e 2012), Transarquitetônica – Museu de Arte Contemporânea (São Paulo, 2014) e na Galeria Silvia Cintra (Rio de Janeiro, 2010). Nos Estados Unidos, expôs na McClain Gallery (Houston, 2015), no Boulder Museum of Contemporary Art (Boulder, 2011), Tapumes – Rice University Art Gallery (Houston, 2009), e na Europa: Fissure – Galerie Georges-Philippe & Nathalie Vallois (Paris, França, 2015), Baitogogo – Palais de Tokyo (Paris, França, 2013), Ursulinens Prolapse – Offenes Kulturhaus (Linz, Áustria, 2012), entre outras. Sua participação em mostras coletivas inclui The Strange Room – Marta Herford Museum (Herford, Alemanha, 2016), The End of the World – Centro Pecci (Prato, Itália, 2016), XIII Bienal de Cuenca (Cuenca, Ecuador, 2016), Crafted: Object in Flux – Museum of Fine Arts (Boston, Estados Unidos, 2015), Fusion: Art of the 21th Century – Virginia Museum of Fine Arts (Richmond, Estados Unidos, 2014), Do Valongo à Favela: Imaginário e Periferia – Museu de Arte do Rio (Rio de Janeiro, 2014), Brasiliana: Installations from 1960 to the Present – Schirn Kunsthalle (Frankfurt, Alemanha, 2013), Inside Out and from the Ground Up – Museum of Contemporary Art (Cleveland, Estados Unidos, 2012), Sculpture is Everything – Queensland Gallery of Modern Art (Brisbane, Austrália, 2012), Artists in Dialogue 2: Sandile Zulu and Henrique Oliveira – Smithsonian National Museum of African Art (Washington DC, Estados Unidos, 2011), 29a Bienal de São Paulo (São Paulo, 2010), IX Bienal Monterrey femsa – Centro de las Artes (Monterrey, México, 2009), 7a Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2009) e Something from Nothing – Contemporary Arts Center (Nova Orleans, Estados Unidos, 2008). Entre os vários prêmios e bolsas que recebeu, destacam-se o SAM Art Projects (Paris, França, 2013), Associação Paulista de Críticos de Arte (São Paulo, 2011), Artist Research Fellowship – Smithsonian Institution (Washington DC, Estados Unidos, 2009) e CNI SESI Marcantonio Vilaça (Fortaleza, 2009). Tem obras em acervos particulares e instituições internacionais e nacionais, como Virginia Museum of Fine Arts (Richmond, Estados Unidos), Queensland Art Gallery – Gallery of Modern Art (Brisbane, Austrália), Hobby Airport (Houston, Estados Unidos), Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Centro Cultural São Paulo – Coleção de Arte da Cidade, e Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, entre outros. Desde 1990, o artista vive e trabalha em São Paulo.