Catálogo para Claudio Goulart

17/ago

Lançamento dia 19 de agosto, na Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, em conjunto com a Fundação Vera Chaves Barceloos, Viamão, RS, contemplará a obra de Claudio Goulart, artista brasileiro/holandês. Com o projeto “Revelando Acervos”, o Acervo da FVCB, Viamão, RS, recebeu a doação da quase totalidade das obras de Claudio Goulart da Fundação Art Zone (Amsterdã), instituição legatária da obra do artista. Contribuindo para ampliar a visibilidade e a legibilidade da obra de Goulart, a FVCB lançará a publicação “Claudio Goulart|some pieces of myself” em evento acompanhado de fala da artista Vera Chaves Barcellos e de Fernanda Soares da Rosa, pesquisadora da obra do artista, mestranda em Teoria, História e Crítica de Arte, no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

 

“Claudio Goulart | some pieces of myself” cataloga a obra do artista brasileiro/holandês (Porto Alegre, 1954 – Amsterdã – 2005), cuja vasta produção conceitual abrange diferentes suportes e linguagens como arte postal, livro de artista, fotografia, videoarte, instalações e registros de performances. Apesar da multiplicidade de tendências na trajetória de Goulart, questões relativas à identidade e um viés acentuadamente político se notabilizam. O artista viveu e produziu sua obra em Amsterdã a partir de meados da década de 1970, até sua morte, e fez parte de diversos projetos internacionais expondo em países como Holanda, Portugal, Espanha, Alemanha, Suíça, Inglaterra, Cuba, México, Japão, entre outros.

 

Amplamente ilustrada, a publicação bilíngue (português/inglês) conta com texto de apresentação de Vera Chaves Barcellos e uma concisa contextualização histórica de Ana Albani de Carvalho, além de entrevista com o artista Flavio Pons, da Fundação Art Zone, parceiro de ações de Goulart e uma forte influência sobre sua obra em sua fase inicial. O material é acompanhado por um DVD com farta documentação visual do universo estético de Claudio Goulart. A publicação será distribuída gratuitamente. Posteriormente, está previsto o lançamento da publicação no Itaú Cultural, em São Paulo, SP.

 

Na mesma data, ocorrerá a  distribuição de uma publicação que abarca a história e atuação da Fundação Vera Chaves Barcellos.

 

 

Sobre Revelando Acervos | Rumos Itaú Cultural

 

Em 2015, a FVCB recebeu parte significativa do acervo de obras do artista da Fundação Art Zone, através de recursos do projeto “Revelando Acervos”, viabilizado através de recursos do programa Rumos Itaú Cultural. Com a publicação, a FVCB assinala mais uma vez seu compromisso com a contribuição à pesquisa no campo das artes visuais, colaborando para o reconhecimento da produção de Claudio Goulart dentro do contexto da arte brasileira contemporânea.

 

 

Sábado, 19 de agosto, às 17hs.

Onde: Auditório BTG Pactual | Fundação Iberê Camargo | Av. Padre Cacique, 2000 – Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Festival Internacional

08/ago

É gratuita, a programação da 18ª edição do Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (FILE) que permanecerá em cartaz até 03 de setembro em diversos espaços do Centro Cultural Fiesp, Avenida Paulista, São Paulo, SP. Evento livre para todos os públicos. Sob o tema “O borbulhar de Universos”, a exposição reúne 370 trabalhos – desde instalações interativas, jogos eletrônicos e animações, até gifs, videoartes, sonoridades eletrônicas e projeções -, produzidos por 339 artistas estrangeiros e 18 brasileiros.

 
Serviço:
FILE São Paulo 2017
Local: Centro Cultural Fiesp (avenida Paulista, 1313 – em frente à estação Trianon-Masp do Metrô)

 
Galeria de Arte
de18 de julho a 03 de setembro
Horários: todos os dias, das 10hs às 20hs (entrada permitida até 19hs40min)

 
Galeria de Arte Digital
File Led Show: Diálogos possíveis
Até 03 de setembro
Exibições: todos os dias, das 20hs às 6hs

Flavio Cury na swissnex Brazil

03/ago

O artista plástico brasileiro Flavio Cury, da Universidade de Artes de Zurique (ZHdK), apresenta a instalação “Desexistir”, composta por duas projeções de vídeo e montagens de seu acervo pessoal de imagens. A inauguração de sua exposição, – a instalação “DESEXISTIR” -, acontecerá dia 04 de agosto, às 18 horas, no Lobby da swissnex Brazil, Rua Cândido Mendes, 157, Glória, Rio de Janeiro, RJ.

 

A instalação é uma resposta do artista a uma viagem para a Grécia e o Líbano no começo de 2017. O tema proposto para a viagem foi “Arte e Crise”. Como as “artes” podem reagir a uma crise humanitária sem instrumentalizá-la?

 

A resposta do Flavio Cury para a viagem e para o programa é uma reflexão sobre o conceito das fronteiras como limites fictícios inventados pelo homem. Em seu trabalho, ele investigou a existência absurda de fronteiras no alto mar.

 

A obra deixa espaço para várias interpretações. A cor do mar é vermelha ,o que suscita referências simbólicas. Pode, por exemplo, ser interpretada como uma insinuação à violência urbana no Brasil e às fronteiras como bordas invisíveis que separam a sociedade.

 

O trabalho é poético e as projeções são acompanhadas por um som, criado a partir da síntese granular do prelúdio da Suíte para violoncelo solo nº 1 em Sol Maior, de Johann Sebastian Bach. “Desexistir” não necessariamente tem que ser interpretado de uma forma política. Também é uma reflexão sobre atemporalidade, existência e jornada pessoal.

 
Até fevereiro de 2018.

Com Marcelo Guarnieri/SP

28/jul

A pintura, no trabalho de Alice Shintani, é entendida como ponto de partida para imaginar e exercitar formas de aproximação com o outro. Vencedora do Prêmio de Residência SP-Arte 2017, Shintani apresenta, a partir de 12 de agosto, sua exposição individual na Galeria Marcelo Guarnieri, Jardins, São Paulo, SP.

 

A individual apresenta a produção dos últimos quatro anos de Shintani, que propõe uma abordagem menos especializada da tradição da pintura e história da arte para refletir sobre o estado das coisas no presente, tanto dentro quanto fora do circuito artístico. Essa reflexão, de maneira mais ampla, é uma reflexão sobre as possibilidades da experiência estética: como ela se constrói, onde e como podemos acessá-la. Defendendo a ideia de que tal experiência existe para além do campo da arte, ou seja, também no espaço cotidiano, Shintani transita entre contextos diversos, da galeria de arte ao depósito do mercadinho de bairro, reunindo em seu trabalho as questões geradas por essas vivências.

 

“Menas”, palavra que dá título à exposição, pode ser utilizada tanto como o feminino da palavra “menos” dentro de uma linguagem coloquial, quanto como expressão que denota ironia a algo que está sendo superestimado. Ambos os sentidos nos ajudam a adentrar o universo que Alice Shintani constrói em torno de suas pinturas, agora materializadas em papéis sanfonados e tecidos.

 

A mostra apresenta a instalação homônima, composta por cerca de 300 Sanfoninhas que, ora são acondicionadas em caixas de acrílico, ora são montadas sobre caixas maiores de papelão de produtos alimentícios e de limpeza – de origem brasileira e asiática. As caixas ocupam toda a sala principal da galeria, em conjuntos que se organizam de maneiras diversas, atingindo alturas que também variam, proporcionando ao espectador uma experiência imersiva.

 

“Menas” é uma mostra que convida a refletir sobre as ideias de movimento, elasticidade, alcance: seja do corpo e das caixas pelo espaço; das “Sanfoninhas” que se contraem e expandem revelando cores e formas distintas; dos tecidos que chacoalham com o vento, ou até mesmo da própria ação da artista, interessada em diminuir as distâncias e significados entre os gestos poético e político.

 

 

Sobre a artista

 

Alice Shintani foi incluída na publicação “100 painters of tomorrow”, da editora Thames & Hudson (2014) e foi contemplada com o prêmio-aquisição no II Prêmio Itamaraty de Arte Contemporânea (2013).  Com individuais e coletivas em locais como: Museu de Arte Contemporânea da USP; Paço Imperial, Rio de Janeiro; Centrum Sztuki Wspólczesnej, Polônia; Instituto Itaú Cultural, São Paulo; CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro: Museu Rodin, em Salvador; MON – Museu Oscar Niemeyer, Curitiba e Instituto Tomie Ohtake, São Paulo. Durante a última edição da SP-Arte/2017, Alice Shintani venceu o Prêmio de Residência com a instalação “Menas” e irá passar dois meses na Delfina Foundation, em Londres (Reino Unido).

 

 

Sobre a Galeria

 

Reconhecido nome da arte moderna e contemporânea em Ribeirão Preto (SP), o galerista Marcelo Guarnieri pertence à geração dos anos 80 que levou para a cidade no interior de São Paulo, exposições e mostras de nomes como Iberê Camargo, Siron Franco, Carmela Gross, João Rossi, Lívio Abramo, Amílcar de Castro, Tomie Ohtake, Volpi, entre outros. Dominada, até então, pelos artistas locais, em um trabalho de vendas informal, Guarnieri, ao lado de João Ferraz (hoje IFF) e colecionadores de artes, cultivou um espaço que hoje pode ser considerado o resultado de um trabalho de consolidação profissional de imagem e de um olhar estético técnico e apurado. Por um período de dois anos, Marcelo foi diretor do Museu de Arte de Ribeirão Preto – o MARP – em sua fase inicial. No ano de 2006 nascia a Galeria de Arte Marcelo Guarnieri com o desejo de criar um espaço fora do eixo Rio-SP, que dialogasse com nomes das artes moderna e contemporânea. Em oito anos, além das exposições mencionadas acimas, a participação em feiras e eventos nacionais e internacionais, atraíram apreciadores da arte para o endereço. Resultado da experiência e da percepção de Marcelo Guarnieri e de sua equipe: notaram que além da apresentação de nomes significativos do último período de produção artística, era necessário fortalecer, cultivar e estimular no público o entendimento da obra, do artista e do seu tempo de produção, por meio de visitas e atividades educacionais.

 

 

Até 23 de setembro.

Carpintaria Para Todos

“Carpintaria Para Todos” é uma exposição coletiva formada por um único critério: a ordem de chegada dos participantes. No dia 10 de agosto, das 10h às 19h, a Carpintaria, Rua Jardim Botânico 971, Rio de Janeiro, RJ, estará de portas abertas para receber uma obra de arte de qualquer pessoa interessada em mostrar seu trabalho. Sem nenhuma curadoria, qualquer um poderá participar desde que siga as especificações listadas no texto-convite divulgado no site e nas redes sociais da Carpintaria.

 

O projeto funciona como uma releitura do evento homônimo realizado em setembro de 2012, no Galpão do Liceu de Artes e Ofícios, paralelo à 30ª Bienal de São Paulo. A proposta surgiu da reunião de alguns profissionais do campo da arte com um objetivo em comum: realizar uma exposição na qual presencia-se uma suspensão de valores e hierarquias, criando assim um espaço experimental de colaboração, que opere em rede e que se desdobre em múltiplos debates.

 

Com este intuito, o grupo resgatou a importante figura do curador norte-americano Walter Hopps (1932–2005), que desenvolveu uma série de projetos entre os anos 60 e 70, segundo ele mesmo, “imprevisíveis e irregulares”. Atuando sempre de maneira não convencional no circuito de arte contemporânea de seu tempo, Hopps se interessava em trabalhar outros formatos de curadoria e outras relações entre público e privado, tensionando a esfera institucional e o espírito anárquico da arte. Da mesma maneira, é relevante destacarmos como inspiração nomes como o do historiador e crítico de arte Walter Zanini (1925–2013), cuja atuação à frente do MAC-USP, de 1963 a 1978, contribuiu significativamente para ampliar os espaços de reflexão e exibição da arte, através de ambiciosos projetos expositivos como o JAC (Jovem Arte Contemporânea). Carpintaria Para Todos também dialoga e soma-se ao espírito colaborativo de outras ações artísticas que aconteceram e ainda acontecem na cidade do Rio de Janeiro, como Zona Franca, Alfândega, Orlândia e as exposições “Abre Alas”, realizadas há mais de uma década pela A Gentil Carioca.

 

No encerramento da exposição, sábado 19 de agosto, a partir das 17h, acontecerá uma conversa entre membros do comitê voluntário e os artistas participantes do projeto, tendo como eixo as práticas expositivas colaborativas na cena artística carioca e nacional. A conversa será pontuada pela exibição de trechos de filmes, vídeos e materiais de arquivo diversos.

 

Os organizadores e colaboradores voluntários deste projeto são: Alexandre Gabriel, Alessandra D’Aloia, Barrão, Bernardo Mosqueira, Eduardo Ortega, Laura Mello, Luisa Duarte, Marcelo Campos, Márcia Fortes, Mari Stockler e Victor Gorgulho. Os colaboradores estarão pessoalmente no local da exposição ajudando a receber as obras e montar a exposição.

 

 

Regulamento

 

Você está convidado a comparecer com uma obra de arte de sua autoria na Carpintaria (Rua Jardim Botânico 971 – Rio de Janeiro) na quinta-feira, dia 10 de agosto de 2017 das 10h às 19h. Nós iremos receber e instalar seu trabalho no espaço expositivo da galeria. A mostra estará aberta para o público do dia 10 a 19 de agosto, de terça a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 18h.

 

Serão aceitas obras de todas as naturezas – desenho, colagem, fotografia, pintura, escultura, instalação, vídeo, filme, performance e o que mais você inventar – e sua participação estará garantida desde que:

 

Você leve em pessoa o seu trabalho;

 

O seu trabalho passe pela porta (1,80 x 2,10 m);

 

Você traga todo o material necessário para a sua instalação, exposição e funcionamento. Haverá montadores para auxiliar na montagem;

 

A sua obra de arte preserve a integridade física e respeite os outros trabalhos em exposição, o público e o espaço expositivo;

 

Você entregue sua obra nas mãos da produção que escolherá o local de instalação do trabalho. Caso queira deixar um material impresso relacionado ao trabalho, iremos disponibilizar um local para consulta;

 

Se o trabalho for uma performance, o horário de apresentação será definido em acordo

 

com a produção. O registro em vídeo ou foto da sua performance poderá ser exposto posteriormente na mostra;

 

Você se comprometa a retirar a sua obra do local expositivo ao final da exposição, no prazo estipulado pela produção;

 

Qualquer dano ou perda da obra durante a sua montagem, exposição e/ou retirada será considerada como parte do processo. Haverá segurança e monitoria durante a exposição, mas a produção não pode garantir ressarcimento de eventuais danos;

 

A Carpintaria não fará o intermédio comercial das obras dessa exposição, mas os interessados poderão contatar diretamente os artistas. Haverá uma lista com a ficha técnica das obras e o e-mail dos artistas na recepção.

 

 

Mais informações: carpintaria@fdag.com.br

Novíssimos 2017

Tudo novo de novo. Pela primeira vez no endereço que acaba de inaugurar, a Galeria de Arte IBEU, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ,  apresenta, no dia 1º de agosto, a 46ª edição do Salão de Artes Visuais Novíssimos 2017, o único salão de arte do Rio de Janeiro. A edição deste ano tem curadoria de Cesar Kiraly e conta com a participação de 11 artistas que apresentarão trabalhos em pintura, instalação, objeto, fotografia, vídeo, desenho e performance. Os selecionados são Amador e Jr. Segurança Patrimonial Ltda (RJ), Ana de Almeida (RJ), Ayla Tavares (RJ), Betina Guedes (São Leopoldo, RS), Caio Pacela (RJ), Clara Carsalade (RJ), Felipe Seixas (SP), Jean Araújo (RJ), Juliana Borzino (RJ), Leandra Espírito Santo (RJ/SP) e Stella Margarita (RJ). O artista em destaque de “Novíssimos 2017” será divulgado na noite de abertura e contemplado com uma exposição individual na Galeria de Arte Ibeu em 2018.

 

Já participaram de Novíssimos artistas como Anna Bella Geiger, Ivens Machado, Ascânio MMM, Ana Holck, Mariana Manhães, Bruno Miguel, Pedro Varela, Gisele Camargo, entre outros.   

 

“Novíssimos 2017” tem como proposta reconhecer e estimular a produção de novos artistas, e com isso apresentar um recorte do que vem sendo produzido no campo da arte contemporânea brasileira em suas diversas vertentes. Até 2016, 610 artistas já haviam participado de “Novíssimos”, que teve sua primeira edição em 1962. Nesta 46ª edição, a proposta curatorial diz respeito à interrogação da distância entre as imagens da vigília e do sono.

 

“Foram escolhidos artistas em início de trajetória que se propuseram a pensar a experiência dessa forma expandida. O onírico surge atrelado aos mais diversos suportes, em formas escultóricas de pano, fotografia, na interação do concreto com aparato eletrônico, no conflito do rosto com matérias que insistem em cobri-lo, nas estratégias de captação de vídeo. Podemos contemplar os percursos dos artistas, mas também tivemos a oportunidade de indicar trabalhos que nos pareceram exemplares de boa direção na proposta que nos foi submetida”, afirma Cesar Kiraly.

 

 

Sobre alguns participantes

 

 

Amador e Jr Segurança Patrimonial Ltda

Antonio Gonzaga Amador – Mestrando em Estudos Contemporâneos das Artes PPGCA/UFF. Graduado em Pintura pela EBA/UFRJ em 2013. Participou de cursos e oficinas na Escola de Artes Visuais do Parque Lage entre 2012 e 2014. Integrou o Laboratório Contemporâneo para jovens artistas na Casa Daros, em parceria com o Instituto MESA e o Coletivo E em 2014. Cursou em 2016 o acompanhamento de processos artísticos no Saracvra . Dentre as exposições que participou destacam-se a 27° Mostra de Arte da Juventude (Ribeirão preto/SP), com premiação; 35° salão Arte Pará – 2016 (Belém/PA), premiado como ‘Amador e Jr. Segurança Patrimonial Ltda.;  Salão Arte Londrina 4 – Alguns Desvios do corpo (Londrina/PR). Atualmente desenvolve pesquisa artística sobre o corpo e sua condição biográfica de possuir diabetes tipo 1, o comportamento metódico e a rotina, e o contexto social e econômico do açúcar no Brasil.

 

Ayla Tavares

Nasceu no Rio de Janeiro, em 1990. Graduada em Design Gráfico pela PUC-Rio, tem formação em Arte Educação pelo Instituto a Vez do Metre/Universidade Cândido Mendes. Também frequentou a Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

 

Betina Guedes

Artista visual e professora. Doutora e mestre em Educação (UNISINOS), RS. Atua na UNISINOS. Sua produção artística tem como eixo a memória e suas articulações com a cidade, o corpo e a escrita.

 

Caio Pacela

Nascido em 1985 no interior Estado de São Paulo, mudou-se no ano de 2000 para o Estado do Rio de Janeiro. Atualmente vive em Niterói, RJ, onde mantém seu estúdio. Graduado desde 2013 em Pintura pela EBA (Escola de Belas Artes) da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Desde o ano de 2014 frequenta cursos livres na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. ​Atuou como freelancer entre 2002 e 2012 desenvolvendo ilustrações de estampas para três diferentes marcas de surfwear brasileiras e na criação de personagens para projetos e instituições. Hoje dedica-se inteiramente à sua própria produção.

 

Felipe Seixas

Vive e trabalha em São Paulo. Formado em Design Digital (2011) pela Universidade Anhanguera, São Paulo. Participou dos cursos “A escultura como objeto artístico do século XXI” com Ângela Bassan (2015) e “Esculturas e Instalações: possibilidades contemporâneas” (2016) com Laura Belém, ambos na FAAP e do grupo de acompanhamento de projetos do Hermes Artes Visuais, com Nino Cais e Carla Chaim (2016). Em 2017, fez sua primeira exposição individual: (I) matérico presente, com curadoria de Nathalia Lavigne, na galeria Zipper (projeto Zip’Up). Participou da XIX Bienal Internacional de Arte de Cerveira 2017 (Portugal) e da 2ª Bienal Caixa de Novos Artistas, com itinerâncias pelo Brasil. Em 2016 participou da 1ª Bienal de Arte Contemporânea do Sesc-DF. Em 2016 recebeu o prêmio Menção Honrosa no 15° Salão de Arte Contemporânea de Guarulhos e em 2015 recebeu o prêmio Menção Especial no 22° Salão de artes Plásticas de Praia Grande.

 

Jean Araújo

Jean Araújo nasceu em Vitória da Conquista (BA) em 1975, mas foi aos 24 anos de idade que passou a dedicar-se à pintura. Em 2011, morando no Rio de Janeiro, passou a executar trabalhos dentro de uma pesquisa do POP ART. Mas foi em 2013 que passou a dedicar-se exclusivamente ao universo das artes plásticas. Desde então realizou duas mostras individuais, uma no Rio de Janeiro e outra em Minas Gerais. Paralelamente o artista começou a frequentar cursos no Parque Lage e em outras instituições como forma de aprofundar e aprimorar seu conhecimento técnico-acadêmico.

 

Leandra Espírito Santo

Indicada ao Prêmio Pipa 2016. Volta Redonda, RJ, 1983. Vive e trabalha entre o Rio de Janeiro, RJ e São Paulo, SP. Participou de mostras coletivas em galerias, museus e instituições brasileiras e internacionais, tais como: Palácio das Artes, Belo Horizonte, MG (2016); Galeria A Gentil Carioca, Rio de Janeiro, RJ; Circus Street Market, Brighton, Inglaterra; Casa do Olhar – Secretaria de Cultura de Santo André, SP (2014); Paço das Artes, São Paulo, SP (2014/2012); Centro Cultural Justiça Federal, Rio de Janeiro, RJ; e Museu de Arte Contemporânea do Mato Grosso do Sul, Campo Grande, MS; Complexo Cultural Palácio das Artes, Praia Grande, SP; Centro Universitário Mariantonia, São Paulo, SP; Sesi Cultural, Barra Mansa, RJ; Galeria Casamata, Rio de Janeiro, RJ; Sala Preta, Barra Mansa, RJ (2013); Circo Voador, Rio de Janeiro, RJ (2012/2013); Museu de Arte de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto, SP; Galeria Gravura Brasileira, São Paulo, SP; Liceu de Artes e Ofícios, São Paulo, SP (2012); e Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, SP (2010).

 

 

De 1º de agosto a 15 de setembro.

Fotografias no MAR

26/jul

Ao longo do século XX a fotografia consolidou-se para além do referencial documental que marcara seu surgimento. Transbordando as práticas científicas – das ciências naturais às ciências sociais -, a prática fotográfica sofisticou-se imensamente em sua apropriação pela arte. Artistas reinventaram não somente a dimensão estética da imagem fotográfica como também seu próprio estatuto documental, inserindo a fotografia no campo da ficção e da reinvenção do mundo. Desde então, foram inúmeras as viradas na prática e no entendimento da fotografia, atravessada por sua própria desmaterialização ou, mais recentemente, compreendida como dispositivo para relações que a extrapolam.

 

Atento à riqueza dessa linguagem, o Museu de Arte do Rio, Praça Mauá, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a partir de 19 de agosto, a exposição “Feito poeira ao vento | Fotografia na Coleção MAR”, Pavilhão de Exposições | 1º andar, extraída de sua significativa coleção de fotografias, com nomes como Marc Ferrez, Kurt Klagsbrunn, Pierre Verger, Walter Firmo, Evandro Teixeira, Luiz Braga, Rodrigo Braga, Marcos Bonisson, Rogério Reis, dentre muitos outros. Também integram a “Coleção MAR” experimentos em plataformas diversas da imagem, como o livro, o filme, a instalação, a pintura ou a performance, configurando a operação fotográfica como um gesto capaz de ir além de si mesmo e, com isso, demonstrando a potência da produção da imagem em termos históricos e atuais. A exposição é um panorama dessa constelação de imagens, sensibilidades, vocações e experimentos.

Mats Hjelm no MAM-Rio

19/jul

Em sua primeira individual no Brasil, cartaz do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Parque do Falmengo, Rio, RJ, o artista sueco Mats Hjelm mostra videoinstalação “A Outra Margem”. O artista, com forte presença internacional, realiza sua primeira exibição individual no Brasil. Seu trabalho investiga a relação entre videoinstalação e cinema documental, tendo como temas recorrentes a relação da arte com movimentos de justiça social, e o entrelaçamento das pequenas historias particulares e das grandes narrativas globais. Em “A Outra Margem” (2017), especialmente concebida para o espaço do museu, Mats Hjelm propõe uma reflexão sobre o Atlântico como lugar de passagem, e suas histórias de diáspora e colonização. O trabalho discute a busca de identidade no percurso de volta a terra-mãe, e o mistério da libertação através da navegação para “outro” lugar. Mats Hjelm também tirou proveito do fato de o MAM estar localizado próximo ao mar, junto à Baía de Guanabara, aberta para o oceano Atlântico, que é o personagem principal da obra.

 

A videoinstalação em quatro canais, 45’, em loop, consiste em uma dupla projeção de sete metros de comprimento, em cada um dos dois lados de uma parede central do espaço expositivo. De um lado, o público verá imagens de água, mar, margens e costas de diversos pontos do Atlântico Norte e do Atlântico Sul. No outro lado, serão projetados ensaios visuais com depoimentos, imagens documentais, paisagens, textos, e música. Assim, a obra mistura cinema documental e narrativo em um trabalho de grande escala. Mats Hjelm introduz uma meditação sobre o mar ao utilizar, por exemplo, a peça “As Cinzas”, de Samuel Beckett (1959), escrita para rádio, em que um homem idoso tem alucinações com memórias do pai e o mar, ao passo que se recusa a abrir a porta para uma visita em sua casa. Tomado por alucinações nostálgicas e momentos de euforia, o velho representa para Mats a velha Europa em declínio tentando se ater a uma grandeza que não existe mais.

 

Em suas incursões recentes pela África ocidental, o artista vem investigando o percurso de movimentos afro-americanos na região, acompanhado a questão complexa da reconquista da identidade ancestral africana dentro de um contexto pós-colonial.  Desde o início de sua trajetória, os direitos civis americanos são temas de seu interesse, e o trabalho mostrado no MAM se inscreve dentro do debate de resgate da memória da escravidão na atualidade. Outro tema latente de seus trabalhos é a relação de interdependência entre África e Europa, e música e imagem são elementos usados por Mats Hjelm nesta instalação para comentar o assunto.  A Europa em delírio simbolizada por Beckett definha diante da vitalidade e jovialidade do novo mundo. Mats se interessa tanto pela África ancestral (como se vê na trilha musical do filme que usa música milenar do Mali, com o instrumento khora) tanto na nova África que surge após os movimentos de descolonização ou guerras civis, como no caso da Libéria. No filme, Mats revela algumas das contradições e as violências do colonialismo de forma poética. Isto sempre com o mar ao fundo, e a água como elemento comum. Nesse filme alternam-se imagens da Europa, Libéria, Detroit, e as praias do Rio de Janeiro – lugares que Mats Hjelm tem percorrido nos últimos anos com seus projetos de arte e documentário. Ouvimos, por exemplo, o depoimento de Preston Jackson, o personagem principal de um documentário que vem fazendo desde 2012 na Libéria, contar sobre o momento em que viu o Atlântico pela primeira vez. Não tendo visto o horizonte antes, ainda menino acreditou ingenuamente na história contada por seu tio que o mar era um infinito campo de futebol. Da mesma Libéria vemos imagens do luxuoso Ducor Hotel da capital Monróvia em ruínas, construído para sediar a conferência pan-africana nos anos 1970 que visava a uma unificação maior dos países africanos, e, posteriormente destruído durante a sangrenta guerra civil que terminou em 2002. Desde então o país encontra-se em lenta reconstrução, evidenciado em outras imagens.

 

Em outro momento, conhecemos Kojo, um americano que viaja com a missão religiosa de sua igreja pan-africana em Detroit para a Libéria, refletindo sobre a função da religião em sua vida, e da África como a terra-mãe. Em seguida, um ensaio poético lembrando o mito sebastianista lusobrasileiro – o rei que surge das águas para libertar o povo cativo – é falado por uma mulher com imagens da costa africana e brasileira em alternância. O texto lembra a descoberta do mar por Preston, quando diz que o mar tem o gosto inusitado de sal para quem nunca sentiu.

 

 

Sobre o artista

 

Mats Hjelm é artista visual e documentarista. Nasceu em 1959 em Estocolmo, onde vive e trabalha. Seu trabalho investiga a relação entre videoinstalação e cinema documental, tendo como temas recorrentes a relação da arte com movimentos de justiça social, e o entrelaçamento de histórias particulares e narrativas da política global. Há mais de vinte anos trabalha na Europa, Estados Unidos e África Ocidental, África do Sul, e mais recentemente no Brasil. É escultor formado pela Konstfack University na Suécia, assim como em Cranbrook Academy of Fine Art nos Estados Unidos. O trabalho de Mats Hjelm já foi exibido em mostras individuais e coletivas no Moderna Museet em Estocolmo; Museum of African American History, Detroit, EUA; Biennale Africaine de la Photographie, Bamako, Mali; Dubai International Film Festival; Museum of Contemporary Art of Chicago; Walker Art Center, Minneapolis; Bienal de Veneza; Yokohama Triennale, entre outros. Tem obras nas coleções do Moderna Museet, Malmö Art Museum, Uppsala Art Museum e The National Public Arts Council Sweden. As atividades de Mats Hjelm incluem cursos em vídeo e cinema dentro da arte contemporânea. Hjelm é também cinegrafista, colorista, programador e especialista em videoinstalações para diversos fins.

 

 

A palavra da curadoria

 

Videoinstalação inédita do sueco Mats Hjelm, A outra Margem integra a programação periódica de exposições temporárias de artistas contemporâneos brasileiros e estrangeiros, cujas obras, sobretudo quando não representadas nas coleções do Museu de Arte moderna, complementam seu atual perfil moderno e contemporâneo. Mas a tal relevância, somam-se questões específicas deste trabalho que justificam e reforçam ainda mais o MAM, situado à beira-mar do Rio de Janeiro, como um espaço privilegiado para a realização desta exposição, já que a cidade situada no Atlântico sul é, de acordo com as escolhas poéticas de Mats, uma das margens visíveis do trabalho.

 

A outra margem nos propõe uma reflexão poética sobre o Atlântico como lugar de passagem entre as diversas margens desse oceano que une as histórias de diáspora, colonização e o mistério da libertação por meio da navegação para “outro” lugar, e o horror do cativeiro à espera daqueles que o navegam contra sua vontade e o caminho de volta à terra mãe.

 

A sintaxe multimidiática de Hjelm, produzida por meio da correlação editada de imagens, textos, músicas, cantos – meios frequentemente separados por noções de linguagem autônomas e puras, legadas pelo modernismo – integra-se num todo hibridizado, como equivalente poético de nosso polarizado cotidiano. Consequentemente, A outra margem tem uma forte pulsão semântico-narrativa que a faz transbordar da estrutura interna dos sistemas linguísticos, para o mundo externo com o qual poeticamente se conecta.

 

Tal transbordamento não resulta, porém, da edição linear de sons e imagens que se sucedem numa sequência dada. São quatro projeções simultâneas, duas a duas, na frente e no verso da tela que nos mostram em um dos lados registros sonoro-visuais de obras literárias, musicais – de pessoas e paisagens – gravadas às margens do Atlântico, combinadas em fluxos que nem sempre se encaixam logicamente. No outro lado da tela, projeções de imagens aquáticas nos sugerem o caminho líquido formado pelas margens que delimitam o Atlântico qual uma gigantesca web oceânica que vem permitindo a circulação geográfica de massivos contingentes humanos. Uma história impossível de ser completada na esfera discursiva, mas que pode ser aqui poeticamente experimentada.

Fernando Cocchiarale

Fernanda Lopes

 

 

De 25 de julho a 03 de setembro.

Millan exibe Mestre

Artista português que vem ganhando destaque na cena artística brasileira, Tiago Mestre expõe pela primeira vez na Galeria Millan, Vila Madalena, São Paulo, SP. A mostra “Noite. Inextinguível, inexprimível noite.” empresta seu título do poema “Lugar II” do poeta português Herberto Helder (1930-2015) e reúne um conjunto de 60 obras que exploram a questão da forma e do mito do projeto moderno no âmbito da escultura. Materiais como argila, bronze e gesso dão corpo a obras que se posicionam numa constante negociação entre projeto e imprevisibilidade, entre programa e liberdade expressiva.

 

O conjunto de obras inclui esculturas de diferentes escalas, vídeo, intervenções na arquitetura da galeria e uma grande instalação (elemento paisagístico que organiza toda a exposição). Estes trabalhos remetem aos primeiros intentos humanos de assimilar o natural dentro de um pensamento projetual, mapeando o processo de assimilação da paisagem a partir do intelecto. “A ideia de projeto como pano de fundo, como orquestração de um sistema”, explica o artista.

 

Cada uma das esculturas parece evidenciar um fazer sumário, claramente manual, como se estivesse inacabada ou em estado de puro devir, deixando, muitas das vezes, uma filiação ambígua quanto à sua natureza disciplinar. O uso da cor surge pontualmente, não tanto como sistema, mas antes como recurso que acentua, corrige ou esclarece questões pontuais do trabalho. Essa indefinição semântica, ou transversalidade programática é um dos eixos do trabalho. A problematização da capacidade performática de cada uma das obras é tornada evidente (senão parodiada) em situações como a da escultura de dois morros (obra que a dois tempos é escultura paisagística e nicho para outras obras menores).

 

O vídeo, apresentado no andar superior da galeria, coloca-se como uma espécie de síntese geral da exposição. A imaterialidade deste suporte contrasta de maneira decisiva com o aspecto formal dos restantes trabalhos. Nele, assiste-se a uma transmutação lenta, silenciosa e interminável de formas geométricas e orgânicas, numa referência “apática” ao mito da arquitetura brasileira, à sua relação singular com a natureza e a paisagem.

 

Embora alguns dos procedimentos da arquitetura estejam envolvidos em seu processo – a exemplo dos croquis e as maquetes de estudo – o olhar de Mestre volta-se mais para a percepção da experiência dos corpos no espaço, sejam eles naturais, escultóricos, ou arquitetônicos. Parece ser essa intimidade entre natureza, espaço e forma, que esta exibição de Mestre propõe desvelar.

 

 

Até 12 de agosto.

Débora Bolsoni – Pra Aquietar

Artista exibe na Athena Contemporânea, Shopping Cassino Atlântico, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, obras inéditas, que fazem uma reflexão sobre o movimento e a quietude. A exposição foi pensada em conjunto com a mostra que Débora Bolsoni apresenta no Drawing Lab, em Paris. A mostra “Débora Bolsoni – Pra Aquietar”, reúne cerca de 30 obras inéditas, dentre desenhos e esculturas. Radicada em São Paulo, a carioca Débora Bolsoni acaba de voltar de Paris, onde realizou uma residência na Cité Internacionale des Arts e exposição individual no Drawing Lab, o primeiro centro de arte contemporânea da França dedicado ao desenho. Com curadoria de Claudia Rodriguez-Ponga o projeto surgiu há mais de um ano. Muitas obras da exposição no Rio foram concebidas em Paris e alguns elementos que compõem essas obras foram encontrados na cidade francesa, tanto na rua quanto em lojas de material de construção.

 

Débora Bolsoni é conhecida por seus trabalhos com formas tridimensionais e que se relacionam com a arquitetura dos espaços e o urbanismo das cidades. Nesse projeto, no entanto, a curadora quis focar na relação da artista com o desenho, com a sua poética. “Mesmo nas esculturas, há o desenho. Os trabalhos fazem uma reflexão sobre a quietude e o movimento. O movimento que fica contido nas obras, que a qualquer momento podem se mexer, podem mudar”, afirma a curadora.

 

Tanto em Paris quanto no Rio, há obras da série “No names, but names”, que é composta por “carrinhos” usados para transporte de mochilas infantis e venda ambulante. No lugar deles, a artista coloca caixas feitas por ela em papel cartão, que são banhadas de parafina, onde a artista faz desenhos usando pastel oleoso. “Os carrinhos são suportes para os desenhos, é um desenho-escultura ou uma escultura-desenho. É uma ideia sobre circulação, sobre algo que passeia entre as coisas. Há uma tensão de que um movimento que está prestes a acontecer”, diz a artista. “Os carrinhos são um movimento interrompido, assim como os desenhos”, ressalta a curadora.

 

Na exposição “Pra Aquietar” haverá um “carrinho” menor chamado “Sônia a Paquetá”, que faz referência à época em que Sônia Braga foi morar em Paquetá. Os desenhos dessa obra representam pegadas no chão. Para Débora, a cidade de Paris é muito feminina e ela passou a observar como as mulheres experimentam o espaço público. Com isso, lembrou de atrizes que representam essa feminilidade e lhe veio à cabeça a atriz Sônia Braga recebendo o prêmio no Festival de Cannes, no ano passado, e do tempo em que ela foi morar em Paquetá, “um lugar mágico”, segundo Débora.

 

Com isso, também surgiu o título da exposição “Pra Aquietar”, que foi retirado da música homônima de Luiz Melodia, de 1973, em que ele também faz referência a Paquetá e à calma das coisas. “Como nas paradinhas da música de Luiz Melodia que dá título à exposição, estes cortes no tempo são, na verdade, a chave de qualquer movimento, sua essência inesgotável”, diz a curadora. “Para criar minhas obras, trago outras expressões artísticas, como a música, e não só as artes visuais”, conta a artista.

 

A exposição terá, ainda, outros trabalhos que possuem elementos urbanos como referência, como “Shelf with Poteau”, que foi inspirada nas barras de ferro que impedem que os carros estacionem nas calçadas de Paris, e “Veneziana”, que é composta por um capacho preto, que imita ferro, que foi achado pela artista na capital francesa. Na obra, que será colocada no chão da galeria, ela fez intervenções com tinta branca.

 

Em uma das paredes da galeria estará uma roda vermelha, criada com carpete e parafina. “Ela estará representando a roda, um ícone do movimento”, afirma a curadora. Também na parede estará a obra “Inutile d’ajouter” onde, em uma pequena barra de ferro a artista apoia uma placa de linho e um azulejo verde com trechos do “manifesto surrealista”, de André Breton (França, 1896 – 1966). Haverá, ainda, uma caixa com textos e azulejos que a artista compra em lojas de materiais de construção usados. “São objetos que já tem uma história”, diz. Ainda em exposição, desenhos feitos em grafite, ecoline e lápis de cor sobre papel, de 2012, que se relacionam com a questão do movimento e com as demais obras. Os desenhos são muito sutis, com pequenos elementos e, às vezes, algumas frases. “Eles trazem silhuetas, que na verdade é uma presença e determina algo que já foi”, explica a curadora.

 

 

Sobre a artista

 

Débora Bolsoni nasceu no Rio de Janeiro em 1975. Vive e trabalha em São Paulo. Mestre em Poéticas Visuais pela Universidade de São Paulo e Bacharel em Gravura pela Universidade de São Paulo. Estudou, ainda, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e no Saint Martin School of Art, Londres. Possui obras em importantes coleções, como Pinacoteca do Estado de São Paulo; Museu de Arte Moderna de São Paulo; Museu de Arte da Pampulha; Museu de Arte de Ribeirão Preto; Instituto Figueiredo Ferraz; Pinacoteca Municipal de São Paulo e Remisen-Brande Art Collection. Dentre suas principais exposições individuais estão “No names, but names” (2017), no Drawing Lab, em Paris; “Urbanismo Geral” (2015), na Athena Contemporânea; “Fazer Crer” (2007), no MAMAM, em Recife; “Gruta Pampulha” (2006), no Museu de Arte da Pampulha; “Débora Bolsoni, Programa de Exposições do CCSP’’ (2005), no Centro Cultural São Paulo; “Individual e simultânea” (2001), no Centro Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo, entre outras. Dentre suas exposições coletivas destacam-se: “Miniatures, Models, Voodoo and Other Political Projections” (2017), no Blau Project, em São Paulo; “A spear a spike a point a nail a drip a drop the end of the tale” (2016), na Ellen de Brujine Projects, em Amsterdan; “Aparição” (2016), na Caixa Cultural Rio de Janeiro; “Condor Project” (2015), na The Sunday Painter Gallery, em Londres; “Tout Doit Disparaître” (2015), na La Maudite, em Paris; “Southern Panoramas-19 Art Festival SESC Videobrasil” (2015), no SESC Pompéia; “Alimentário” (2014), no MAM Rio e na OCA, São Paulo; “Imagine Brazil, artist’s books” (2013), na Astrup Fearnley Museet, em Oslo; “Betão à Vista” (2013), no MuBe, em São Paulo; “O Retorno da Coleção Tamagnini” (2012), no MAM São Paulo; “Dublê” (2012), no CCSP;  “Mostra Paralela – A Contemplação do Mundo” (2010), no Liceu de Artes e Ofício, em São Paulo; “Corsário Cassino Museu” (2010),no Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte; “Absurdo” – 7ª Bienal do Mercosul (2009); “Quase Liquido” (2008), no Itaú Cultural, em São Paulo; “Cover – Reencenação + Repetição” (2008), no  MAM São Paulo; ‘’Contraditório – Panorama da arte brasileira’’ (2007), no MAM São Paulo, entre outras.

 

 

 

De 20 de julho a 19 de agosto.