Valeska Soares na Pinacoteca

07/ago

A Pinacoteca de São Paulo, Luz, São Paulo, SP, museu da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, apresenta, até 22 de outubro, a exposição “Valeska Soares: Entrementes”. Com curadoria de Júlia Rebouças, a mostra ocupa o quarto andar e o espaço de entrada da Pina Estação e expõe uma seleção de 3o anos de produção da mineira, desde o final dos anos 1980, trazendo como temas principais o sujeito e o corpo, a memória e os afetos, e as relações entre espaço, tempo e linguagem.

 

Nascida em Belo Horizonte, em 1957, e radicada em Nova York desde o início da década de 1990, Soares tem a escultura como primeira linguagem e pertence a um grupo internacional de artistas que expandiu as possibilidades da instalação na arte, engajando subjetivamente o espectador. Suas obras, geralmente, recorrem a narrativas ficcionais da literatura para tecer experiências de intimidade e desejo que ultrapassam o campo individual e alcançam a sensibilidade coletiva.

 

Através de materiais evocativos, a artista explora a tensão criada pelas oposições. Suas esculturas e instalações frequentemente apresentam materiais reflexivos, como aço inoxidável e espelhos, em contraste com substâncias orgânicas e sensoriais, como flores, com intuito de ampliar a experiência do visitante no espaço. Neste sentido, Soares se utiliza de diversas técnicas sensoriais, incluindo o som para criar atmosferas e vivências que são tanto convidativas quanto perturbadoras.

 

Para a exposição na Pinacoteca, a curadora selecionou um conjunto de 40 obras provenientes do acervo do museu, de coleções particulares e da própria artista, sendo que algumas dessas últimas são inéditas no Brasil. São pinturas, colagens, objetos, instalações e esculturas que, como o título sugere, apresentam zonas intermediárias de contato: intersecções entre o indivíduo e a sociedade, entre o encoberto/misterioso e o explícito, passado e futuro, etc. “A mostra explora também obras que lançam mão da ideia de coletividade, seja pelo recurso da coleção, explorado em diversos trabalhos por Soares, seja pela constituição de uma experiência compartilhada, como em Epílogo (2016) ou Vagalume(2007)”, define a curadora.

 

“Valeska Soares: Entrementes” trata, de modo geral, de tudo daquilo que, mesmo sendo matéria de foro íntimo, pode ser vivido em comunhão. “Neste sentido, Detour(2002) – inspirado no conto As cidades e o desejo, do escritor italiano Ítalo Calvino – é um trabalho central, pois parte da ideia de um mesmo sonho que é sonhado e narrado por diferentes pessoas”, conta Rebouças. No conto, os sonhadores, na esperança de encontrar o objeto de seu desejo- — uma mulher que corre desnuda — acabam por criar uma cidade que replica os caminhos onde a perderam. A partir da história, Soares constrói um ambiente que, embora confinado, sugere infinitas saídas pelo resultado de espelhamentos.

 

A artista ainda incorpora qualidades arquitetônicas à sua prática, herança da formação acadêmica neste campo. Nesta perspectiva, ela agrega a ideia de ponto de fuga como eixo central e toma o espaço não apenas como ente físico e ilusório, mas um lugar que possibilita ao visitante perceber-se em relação a ele. “A artista não afasta seus trabalhos do público. As obras dão-se a ver, deixam pistas sobre o processo de sua elaboração, estão evidentes em sua constituição material, abrem-se para o jogo do engajamento sensível e da participação”, diz Rebouças.

 

“Parte da força de sua poética está naquilo que evapora, escorre, esmaece, murcha, silencia, rescinde, derrete, quebra”, complementa a curadora. A instalação “Untitled” (From Vanishing Points), de 1998, pertencente ao acervo da Pinacoteca, é um exemplo disso. Nesta, a artista reproduz um conjunto de vasos de plantas tal como estavam dispostos em seu jardim. Replicados em cera, porcelana e alumínio, marcam a ausência da vida como força orgânica, ao passo que são indícios de um outro tempo ou existência que escapa à tentativa de contenção. Replicam assim a estrutura da memória, uma vez que só é possível lembrar a partir do presente, e é da experiência do agora que se preenchem as lacunas do passado.

 

A mostra de Valeska Soares integra a série de retrospectivas de artistas que iniciaram suas carreiras a partir dos anos 1980, apresentadas sempre no 4º andar da Pina Estação.

 

 

Sobre a artista

 

Valeska Soares nasceu em Belo Horizonte/MG, em 1957, e vive e trabalha em Nova York/EUA. É bacharel em Arquitetura pela Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro, e pós-graduada em História da Arte e da Arquitetura pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), também no Rio de Janeiro. Após mudar-se para Nova York, em 1992, realizou MFA (Master of Fine Arts) no Pratt Institute, no Brooklyn e, em seguida, começou a frequentar a New York University, School of Education onde se candidata a Doctor of Arts. Sua primeira mostra individual em um museu aconteceu no Portland Institute for Contemporary Art, EUA, em 1998, e sua primeira retrospectiva foi apresentada no Museu de Arte da Pampulha/MG, em 2002. No ano seguinte, uma grande mostra dedicada à sua prática ocorreu no Bronx Museum for the Arts, Nova York/EUA. Soares produziu instalações site-specificpara diversos espaços, incluindo o inSite, em San Diego-Tijuana/EUA (2000); o Museo Tamayo, na Cidade do México (2003) e o Instituto Inhotim, em Brumadinho/MG (2008). Foi uma das indicadas, em 2001, ao Millenium Prize, oferecido pela National Gallery of Canada Foundation. Também participou de diversas bienais, incluindo a de São Paulo (1994, 1998 e 2009); de Veneza/Itália (2005); e a Sharjah Biennial, nos Emirados Árabes (2009).

 

 

Sobre a curadora

 
Júlia Rebouças nasceu em Aracaju/SE, em 1984, e vive entre Belo Horizonte e São Paulo. É curadora, pesquisadora e crítica de arte. Foi cocuradora da 32ª Bienal de São Paulo, Incerteza Viva(2016). De 2007 a 2015, trabalhou no departamento curatorial do Instituto Inhotim/MG. Colaborou com a Associação Cultural Videobrasil, integrando a comissão curadora dos 18º e 19º Festivais Internacionais de Arte Contemporânea SESC Videobrasil, em São Paulo. Foi curadora adjunta da 9ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre (Se o clima for favorável), em 2013. Realizou diversos projetos curatoriais independentes, dentre os quais destacam-se a exposição MitoMotim, no Galpão VB, em São Paulo, de abril a julho de 2018, e Zona de Instabilidade, com obras da artista Lais Myrrha, na Caixa Cultural Sé, em São Paulo, em 2013, e na Caixa Cultural Brasília, em 2014. Integrou o corpo de jurados do concurso que selecionou o projeto arquitetônico e curatorial do Pavilhão do Brasil na Expo Milano 2015, realizado em janeiro de 2014, em Brasília. Desenvolve projetos editoriais e escreve textos para catálogos de exposições, livros de artista e colabora com revistas de arte. Graduou-se em Comunicação Social/ Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco (2006). É mestre e doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade Federal de Minas Gerais (2017).

 

 

 

Catálogo

 
“Valeska Soares: Entrementes”será complementada com um catálogo que reúne textos de Júlia Rebouças e das curadoras Maria do Carmo Pontes, Melissa Rocha e Isabella Rjeille. Também inclui imagens da exposição e de outras obras, além de uma adaptação da obra “Disclaimer”, especialmente para a publicação.

 

 

Múltiplos da artista

 

Valeska Soares participa do Projeto de Múltiplos, criado pela Pinacoteca, com o objetivo de angariar recursos para a instituição. Para este, a artista concebeu uma tiragem de 20 impressões de 5 gravuras, que misturam processos digitais e de serigrafia a partir de uma nova interpretação da obra Doubleface, de 2017, na qual ela se apropria de retratos pintados a óleo por outros artistas e intervém sobre eles. Para o Múltiplo desenvolvido especialmente para a Pinacoteca, o ponto de partida foram cinco retratos de mulheres pertencentes ao acervo do museu. Os trabalhos podem ser adquiridos de forma avulsa ou em conjunto. Doubleface – 5 trabalhos de 54,4cm x 42 cm
Ed. 20 + 2 P.A. (cada).

A àrvore de Ernesto Neto

03/ago

A Suíça tem um museu especialmente dedicado à arte brasileira e diversas galerias brasileiras tem participação destacada em feiras realizadas no país. A Estação Central de Zurique recebeu recentemente – para exibir – uma escultura de 2 mil metros quadrados do artista brasileiro Ernesto Neto, internacionalmente dono bem sucedida carreira artista entre os nomes de ponta da arte contemporânea brasileira.

 

Desde 2003 em funcionamento na Basileia, a Fundação Brasileia tem como missão apresentar ao público europeu a arte do Brasil. Nomes como o grafiteiro Zezão, o pintor, escultor e fotógrafo Alex Flemming e a artista plástica Christina Oiticica já realizaram exposições.

 

Para curadores e artistas, é a abordagem democrática da arte nacional que atrai os suíços. A árvore gigante de Ernesto Neto, por exemplo, permite ao público utilizar o espaço livremente. “Esse é um espaço público, e essa obra é sobre intimidade”, contou.

Lauren Shapiro em São Paulo

01/ago

A Galeria VilaNova, Vila Nova Conceição, São Paulo, SP, inaugura “Fragile Terrains”, da artista visual norte-americana Lauren Shapiro, sob curadoria de Sebastiano Varoli. Em parceria inédita com a Art Bastion Gallery, sediada em Miami, Flórida, USA, a individual apresenta quinze esculturas, uma instalação e uma projeção, as quais fazem referência à relação insustentável da sociedade com o ecossistema, revelando estruturas vivas encontradas pela artista na natureza – cuidadosamente coletadas por meio de moldes, em florestas e rios -, que emergem do solo e interagem com elementos arquitetônicos da paisagem urbana.

 

O trabalho de Lauren Shapiro busca inspiração nos fenômenos climáticos, nas conexões entre sistemas ecológicos e nas geometrias ocultas na natureza, além da influência humana nestes ambientes. Residente em Miami, é fascinada pela interconexão dos sistemas aquáticos do planeta e ciente de como o avanço do nível do mar em inúmeras regiões costeiras tem relação com o derretimento de geleiras, em razão do aquecimento global.

 

Em um site-specific, Lauren Shapiro visitou florestas e rios, de onde coletou formas – com uso de moldes de silicone – de objetos naturais. A partir desses protótipos, a artista cria as partes que compõem suas esculturas em argila, empilhando-as uma acima ou ao lado da outra, o que resulta em um trabalho frágil e de natureza transitória – sendo as eventuais alterações físicas de sua obra registradas em fotografia e vídeo. Sobre esta estrutura, ainda são inseridos origames em papel dobrado. Desta forma, suas peças fazem referência às questões de fragmentação florestal, erosão e da insustentabilidade na maneira como o homem se relaciona com o meio-ambiente.

 

 

De 07 de agosto a 08 de setembro.

Traços Brasileiros  

27/jul

 

A exposição “Traços Brasileiros – A cultura brasileira pela ótica de artistas plásticos”, que acontece de 09 de agosto a 06 de setembro no Centro Cultural Light, Centro, é uma coletiva de artistas plásticos oriundos do Atelier Oruniyá (Rio de Janeiro) e do Grupo Casa Amarela (Barra Mansa), além de artistas formandos da Escola de Belas Artes da UFRJ e UFRRJ. A curadoria e coordenação da exposição é do designer e pesquisador Guilherme Lopes Moura. A exposição retrata o Brasil em sua ampla diversidade de manifestações culturais, lendas, hábitos, brincadeiras, ícones artísticos, enfim, os traços que compõem o imaginário brasileiro ao longo de sua extensão geográfica. Os suportes serão os mais diversos: desde a pintura a óleo, gravura e aquarela até oficinas de cerâmica, crochê, mosaico, bordado livre, entre outras técnicas e suportes que, assim como a nossa cultura, só enriquecem o modo de ser – e de se expressar – do brasileiro. Bumba meu boi, Saci-Pererê, Iara, Capoeira, Jongo, Folia do Divino Espírito Santo, Cordel e Festas Juninas são apenas alguns dos temas que serão retratados nesta exposição durante o mês do folclore. Além disso, na abertura da exposição, o artista cearense Cabral da Cabaceira fará declamação de poesia matuta.

 

 

O mês de agosto e o folclore

 

O tão conhecido termo folclore vem do inglês folklore, que é a junção de povo (folk) e sabedoria (lore), significando “sabedoria do povo”. Este termo foi criado pelo arqueólogo inglês William John Thoms em 22 de agosto de 1846 e em pouco tempo passou a ser adotado pelos estudiosos da cultura popular ao redor do mundo. No Brasil, 22 de agosto foi oficializado como o dia do folclore (e por conseguinte o mês) em 1965 por meio de decreto federal. A Carta do Folclore Brasileiro, elaborada no I Congresso Brasileiro de Folclore, em 1951, define que “Constituem o fato folclórico as maneiras de pensar, sentir e agir de um povo, preservadas pela tradição popular e pela imitação e que não sejam diretamente influenciadas pelos círculos eruditos e instituições que se dedicam ou à renovação e conservação do patrimônio científico e artístico humanos ou à fixação de uma orientação religiosa e filosófica.”

 

 

Sobre o Atelier Oruniyá

 

O Atelier Oruniyá reúne cinco artistas – Ana Moura, Gilliatt Moraes, Lucas Moura, Nelson Macedo e Renato Alvim – que têm como propósito comum o processo de produção da imagem, investigando a construção do sentido abstrato e poético da forma visual e, a exemplo de tantos artistas que nos precederam, entendem que não há outro caminho senão o comprometimento com o legado da tradição. Acompanham também André Bombonatti, Anna Lívia Mohanan, Ayla de Oliveira, Enji fundão, Juliana Mizrahi, Laura de Castro, Letícia Martins, Maria Artemis, Monike Silva, Paula Siebra e Vitor Hara, formandos das Escolas de Belas Artes da UFRJ  e UFRRJ, onde alguns artistas do Atelier Oruniyá lecionam.

 

 

Grupo Casa Amarela

 

Grupo de Artistas e Artesãos oriundos do Espaço Atelier Escola, que buscam uma identidade Nacional, regional e local para sua produção artística e que tem na Arte Nacional e na Cultura do Médio Paraíba sua fonte de inspiração e pesquisa. Tem como objetivo criar um núcleo de Arte no interior do Estado do Rio de janeiro, criar uma pedagogia para criação de grupos artísticos para alavancar a fruição e o comércio das Artes e artesanato, constituir espaços de propagação da arte e do artista local/regional, tornar sustentável espaços culturais que não tem apelo massivos. Formado pelos artistas Alexandre Brante, Andreia Lima, Cristiane Albernaz, Francis Marques, Izabel Meloto, Lélis Maria, Marcelo Campos, Messias Jr, Niki Campos, Paulo Valério, Thaisa Moura, Vera Lúcia Pereira e Viviane da Silva.

 

 

Sobre o curador e coordenador geral

 

Formado em Comunicação Visual – Design na UFRJ, fundador da Folha Verde Design, realizadora da exposição. É fotógrafo e pesquisador da cultura popular brasileira, autor do livro Folia de Reis na Serra Fluminense e idealizador da exposição “Folia de Reis: Mensageiros dos Reis Magos”, que aconteceu em janeiro de 2018 no Centro Cultural Light. Desde 2009 já desenvolveu identidade visual de mais de 100 projetos, entre mostras de cinema, peças de teatro e identidade corporativa.

Novíssimos 2018 no IBEU

18/jul

Identidade de gênero, sustentabilidade das práticas, passado de exploração e memória da guerra vinda com a imigração são alguns temas retratados nas obras de “Novíssimos 2018”, único Salão de Arte do Rio de Janeiro, que chega à 47ª edição no dia 18 dejulho, de 18h às 21h, na GALERIA DE ARTE IBEU, Gávea, Rio de Janeiro, RJ. Com curadoria de Cesar Kiraly, a exposição deste ano conta com trabalhos em pintura, instalação, objeto, fotografia e desenho de 12 artistas: Agrippina R. Manhattan (RJ), Danielle Cukierman (RJ), Daniela Paoliello (MG), Leka Mendes (SP), Letícia Pumar (RJ), Marc do Nascimento (SP), Marina Hachem (SP), Renata Nassur (RJ), Rodrigo Ferrarezi (SP), Samantha Canovas (SP), Sani Guerra (RJ) e Willy Reuter (RJ). O artista em destaque terá o nome divulgado na noite de abertura e será contemplado com uma exposição individual na Galeria de Arte Ibeu em 2019.

 

“Novíssimos” tem como proposta reconhecer e estimular a produção de novos artistas, e com isso apresentar um recorte do que vem sendo produzido no campo da arte contemporânea brasileira, em suas variadas vertentes. Até 2017, 621 artistas já haviam participado de Novíssimos, que teve sua primeira edição em 1962. Nesta 47ª edição, a proposta curatorial tematiza a necessidade, para além da preferência, da disponibilidade para a formação de um gosto pela arte contemporânea.

 

“Muito se conversa sobre gostar ou não gostar da arte contemporânea. É difícil encontrar quem não tenha uma posição sobre isso. A curadoria de Novíssimos 2018 debate o prazer na aquisição dos meios para se ver obras ainda não selecionadas pela história da arte e as diferenciar no concernente às suas intensidades”, afirma Cesar Kiraly.

 

“Trata-se menos de dizer ‘gostei ou não gostei’ e mais de se entregar à descrição dos elementos que nos levam a sentir, em nós mesmos, o que o artista parece ter sentido ou termos a nossa própria identidade desafiada pela experiência da arte nova a que nos expomos”, completa o curador da mostra, que teve recorde de submissões este ano.

 

Entre os destaques da exposição estão os trabalhos de Agrippina Manhattan, que consistem em poemas em plotter que serão colocados na parede externa da galeria, com trechos de palavras presentes na composição química de remédios para mudança de gênero, dando origem a um poema intitulado “A Mulher Química”. A artista também criou dois painéis de LED, gerando um diálogo. Em um deles está a frase “Eu é uma palavra”, enquanto o outro contém “Eu não sou palavra”. A passagem rápida das frases constrói uma relação de conflito entre as duas colocações, gerando uma investigação da linguagem enquanto matéria. Já no conjunto de trabalhos “Antropoceno”, a artista Leka Mendes utiliza uma série de foto-objetos que são pensados como objetos arqueológicos do nosso tempo, nossas ruínas achadas por futuras civilizações. Para isto, foram utilizados escombros urbanos achados nas ruas de São Paulo, restos de reformas e entulhos nos quais a artista transfere imagens de guerra achadas na internet. Danielle Cukierman utiliza resíduos, materiais precários, industriais e da vida urbana (embalagens, carpetes, plásticos, cobertores) para apresentar um olhar que valoriza o banal. Os trabalhos de Marc do Nascimento pretendem explorar sensações e significados espaciais associados aos aspectos materiais das coisas como textura, peso, rigidez, posição, densidade, forma e função na superfície do quadro.

 

O Salão de Artes Visuais Novíssimos 2018 fica disponível para o público 19 de julho a 24 de agosto de 2018, de segunda a quinta, de 13h às 19h (às sextas, de 12h às 18h).

 

 

 

Sobre os artistas

 

 

Agrippina Manhattan– É estudante de História da Arte (UFRJ) e trabalha como arte educadora no Museu de Arte Contemporânea de Niterói – RJ. Principais exposições: Art in Process, Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ (2018); PEGA: Encontro de estudantes do Rio de Janeiro, Centro Municipal de Artes Helio Oiticica (2017); BA PHOTO, Pavilhão expositivo de Buenos Aires (2017); Carpintaria para todos, Fortes D’Aloia e Gabriel (2017); Abraçaço Coletivo, Espaço Saracura (2017); Feira Urca, Ateliê da Imagem (2017); Livro Inventado, Ateliê Oriente (2017); Semana de Integração Acadêmica do Curso de Artes Visuais, EBA-UFRJ (2016); Mostra Arte ao Vivo, EAV-Parque Lage (2016); Sara-há, Mostra de performances realizado no espaço Saracura (2016); Mostra da Oficina intensiva de perfomance, EAV- Parque Lage (2015); Intervenções Urbanas, LabIt/PROURB (2015).

 

 

Danielle Cukierman- Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Na sua pesquisa, utiliza materiais industriais e cotidianos: embalagens, carpetes, plásticos, cobertores… O uso das coisas, a obsolescência e o banal são objetos de estudo da artista. Grande parte de sua formação foi realizada na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Recentemente, participou da exposição coletiva “Abre Alas’’, na Galeria A Gentil Carioca (RJ). Em 2017, participou da exposição coletiva “Abraço Coletivo’’, no Espaço Saracura (RJ), e em 2016 fez parte da coletiva “Extramuros Parque Lage”, no Solar dos Abacaxis (RJ).

 

 

Daniela Paoliello- É artista visual e faz doutorado em Processos Artísticos Contemporâneos na UERJ. Foi contemplada com o XIII Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, em 2013, através do qual publicou seu livro “Exílio”. Participou de diversas exposições coletivas em espaços como o Museu de Arte de Ribeirão Preto, Museu de Arte da Pampulha, Festival de Fotografia de Tiradentes, Galeria Graphos: Brasil, Semana da Fotografia de Belo Horizonte, entre outros. Conta com publicações em plataformas nacionais e internacionais. Nos últimos anos, vem desenvolvendo sua pesquisa em torno da autoperformance feita exclusivamente para a câmera – fotografia e vídeo – e da produção de uma autoficção.

 

 

Leka MendesCom produção ancorada no fotográfico, o trabalho da artista utiliza tal linguagem desdobrada por formatos, meios e abordagens variadas. Um dos principais eixos é a investigação da paisagem, que pode ser vista por meio de instalações site specific, objetos, desenhos, colagens, livros de artista e, obviamente, pela própria fotografia. Em alguns momentos, realiza viagens de imersão com fins de destrinchar algumas temáticas e interesses, o que faz sua obra ter uma relação corporal com o espaço, aproximando tal faceta fotográfica de correntes e movimentos da contemporaneidade, como a land arte a arte conceitual, entre outros. Lança mão de procedimentos como a apropriação, a desconstrução de arquivos e a fotografia de campo, reforçando os elos de sua produção, feita tanto de modo analógico como digital.

 

 

Letícia Pumar- Possui formação na área de História. Atualmente, realiza pesquisa de pós-doutorado sobre a produção e uso de imagens na arte e na ciência no Programa de História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, e segue formação artística nos cursos de Pintura, de João Magalhães, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Tem procurado articular seus trabalhos de docência, pesquisa e de criação artística partindo da pergunta “afinal, o que é conhecer?”. Selecionada pela Robert Rauschenberg Foundation Archives Research Travel Fund 2018, a pesquisadora-artista fará pesquisa no acervo do artista Robert Rauschenberg em NY no final de 2018.

 

 

Marc do Nascimento– É artista visual, vive e trabalha em São Paulo. Em 2017 se formou na FAU-USP, além de ter estudado no departamento de artes plásticas da mesma universidade. Já expôs no centro cultural Maria Antônia, no MAC Ibirapuera e também no SESC Ribeirão Preto. De maneira geral, sua pesquisa consiste na exploração de sensações espaciais associadas à interação entre elementos, técnicas, e conceitos presentes no imaginário arquitetônico.

 

 

Marina Hachem  – Vive e trabalha em São Paulo. Formada em Artes Plásticas na FAAP- Fundação Armando Alvares Penteado. Em 2012, começou a trabalhar como assistente para a artista Marina Saleme. Em 2014, cursou um semestre na faculdade de arte Central Saint Martins, em Londres. Em 2015, ganhou o prêmio de 2º lugar na 47ª Anual de Arte FAAP. Em 2016, abriu sua primeira exposição individual “Entrelinhas”, com a curadoria de Maguy Etlin. No mesmo ano, participou da exposição coletiva “Um desassossego”, na Galeria Estação. Em 2018, participou da exposição “Et Tu,Arte Brute?”, na Galeria Andrew Edllin, em Nova Iorque. Entre outras exposições coletivas estão: Free Elective Exhibition, na Central Saint Martins, com curadoria de Claire Bishop (Londres, 2014), a ocupação artística “Corpoativo” (SP, 2016), Feira PARTE (SP, BR,2016), exposição “Metanóia”, na Galeria Airez (CTBA, BR, 2017), SP Arte (SP.BR,2017), 14º Salão  Nacional de Artes de Itajaí (SC,BR,2018).

 

 

Renata Nassur- É natural do Paraná. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Transitando entre desenho e pintura, e trabalhando com técnicas diversas, do óleo à aquarela, sua prática de ateliê tem como foco principal o estudo de observação de objetos tornados invisíveis no universo cotidiano, tais como pedras portuguesas, anúncios de jornais e postais. Desta maneira, o trabalho tem o propósito de conferir um status de arte à objetos ordinários que regularmente passam despercebidos ao olhar comum.

 

 

Rodrigo Ferrarezi– É fotógrafo e artista visual, com formação profissional em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista e em Fotografia pela Escola Panamericana de Artes e Design. Em 2016, teve envolvimentos em workshops e seleção de projetos com a galerista e curadora Rosely Nakagawa. Integrou o grupo de criação e fabulação de poéticas visuais do curador e editor Eder Chiodetto e da pesquisadora Fabiana Bruno, com foco no desenvolvimento de processos de narrativa imagética. Foi um dos vencedores do 2º FAPA – Fine Art Photography Awards, promovido pela Lensculture, na categoria “conceitual”, com a série “Deserto Límbico” (anteriormente intitulada “Limbus”). Com a mesma série, foi um dos artistas selecionados no XI Salão Nacional Victor Meirelles, realizado em abril de 2017, e na 1ª Bienal Art Print – Incubadora de Artistas, no mesmo período. Integrou o catálogo de novos artistas no 12º International Contemporary Artists, da I.C.A Publishing, em julho de 2017, e da coletiva “METANOIA”, na Galeria AIREZ, durante a Bienal Internacional de Curitiba em outubro de 2017.

 

 

Samantha CanovasÉ natural de Brasília, vive e trabalha em São Paulo. Mestra em Poéticas Visuais pelo PPGAV/ECA USP, e bacharel em Artes Plásticas pela UnB, desenvolve sua pesquisa poética no âmbito da pintura, instalação e têxtil com enfoque em questões como materialidade, obsessão, método, deriva e ócio. Em 2017, participou da residência artística NES, em Skagaströnd, na Islândia, e em 2012 na School of Visual Arts em Nova York. Integra mostras coletivas e salões desde 2010 em cidades como Brasília, Goiânia, São Paulo, Uberlândia e Jataí.

 

 

Sani Guerra- É licenciada em Artes Visuais, frequentou cursos livres na EAV e Desenho Industrial na Faculdade da Cidade/RJ. Principais individuais: “Superfícies”, Sesc Nova Friburgo/RJ 2010 e “Memória e Impermanência” na Galeria do Lago, Museu da República, CIGA-ArtRio/RJ 2016. Desenvolve desde 2008 o Projeto Construção premiado em 2009 pela Funarte. Principais coletivas: “Desver a Arte”, na Galeria Emmathomas/SP 2018, em 2017 participou do 23º Salão Anapolino de Arte/GO e 45º Salão Luiz Sacilloto em Santo André/SP. Venceu o Concurso Garimpo da Revista Dasartes Brasil, em 2013.

 

 

Willy Reuter- É formado em arquitetura pela Universidade Santa Úrsula e  trabalha há 10 anos como Produtor de Arte na empresa Rede Globo. No Parque Lage estudou com Luis Ernesto, Charles Watson e Daniel Senise entre outros. Na Austrália fez as primeiras exposições coletivas e individuais. Ganhou primeiro lugar em um concurso de pintura patrocinado pela Anistia Internacional. De volta ao Rio de Janeiro, participou da coletiva “Posição 2004”, na EAV Parque Lage, MARP- Museu de Arte de Ribeirão Preto, 17° Salão de Praia Grande e 17° Salão UNAMA, em Belém do Pará. As últimas exposições individuais foram no Centro Cultural Correios, na Fundação de Artes de Niterói e na Galeria Coleção de Arte, com curadoria de Marcus Lontra. Tem trabalhos nas coleções de Chico Buarque de Holanda, Miguel Falabella e Renata Ceribelli, entre outros. Em coleção pública tem trabalhos no Centro Cultural Correios, Rio de Janeiro.

 

 

 

De 18 de julho a 24 de agosto.

Coletiva na Sancovsky

17/jul

A Galeria Sancovsky, Jardim Paulistano, São Paulo, SP, convida para a abertura de “A Imensa Preguiça”, exposição coletiva com curadoria de Guilherme Teixeira. A partir do dia 19 de julho, a Galeria Sancovsky apresenta a exposição “A Imensa Preguiça”, mostra coletiva que busca explorar as relações de dissolução da forma e da ideia de derretimento a partir da ressignificação e destruição de objetos comuns e cotidianos no trabalho de dez artistas. Colocando em diálogo diversas linguagens como vídeo, escultura, pintura e instalações, a exposição se propõe à criação de um espaço de alucinação infinita, onde a prática e o objeto se tensionam na busca do movimento entre dissolução e reiteração de um utilitarismo cotidiano, o ready-made, o ócio e o gesto.

 

Participam os artistas André Barion, Andre Bontorim, Beatriz Ruco, Eleni Bagaki, Gabriella Garcia, Ignacio Gatica, Pedro Caetano, Renato Castanhari, Ricardo Carioba e Sergio Pinzón

 

 

De 19 de julho a 18 de agosto

Arte Pop no RS

16/jul

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli, Porto Alegre, RS, apresenta a exposição “Influências da Arte Pop em acervos de Porto Alegre”. A mostra, com curadoria de Carolina Grippa e Caroline Hädrich, encontra-se em cartaz nas galerias João Fahrion, Pedro Weingärtner e Angelo Guido.do MARGS.

 

“Influências da arte Pop em acervos de Porto Alegre” surge como uma indagação sobre o impacto da Pop no Brasil, movimento conhecido, cujo destaque sempre é dado à artistas americanos e ingleses. Em 2015, a Tate Modern de Londres realizou uma grande exposição intitulada THE EY: The World goes Pop, na qual a curadoria selecionou obras do mundo todo, demonstrando o quanto o espírito Popse espalhou influenciando uma diversidade de artistas. Seguindo essa ideia, a exposição montada no MARGS traz exemplos de artistas brasileiros e estrangeiros que possuem obras influenciadas pela arte Pop, no que diz respeito aos temas, suportes, cores e planaridade em sua construção, e que fazem parte das coleções de três acervos públicos de Porto Alegre: MARGS, Pinacoteca Barão de Santo Ângelo do Instituto de Artes da UFRGS e Pinacoteca Aldo Locatelli da Prefeitura Municipal.

 

Há duas gerações de artistas na mostra: a primeira, formada por Glauco Rodrigues, Henrique Fuhro, Romanita Disconzi e Jesus Escobar, destacam-se por ter produzido entre os anos 1960/70, época na qual a arte Popestava em pleno desenvolvimento nos seus países de origem. A segunda, com obras concebidas na década de 1980, apresentam características da Pop, porém amalgamadas com outras questões da época. Deste recorte, temos obras de Vera Chaves Barcellos, Liana Timm, Alfredo Nicolaiewsky, Milton Kurtz, Mário Röhnelt, Luiz Barth, Patrício Farias entre outros.

 

Com a exposição, a curadoria demonstra a propagação do movimento Pop e de como ele foi absorvido e desenvolvido por alguns artistas locais. Conseguimos perceber como eles trazem para as obras aspectos tanto pessoais, como a influência de ícones de mídia mundiais, quanto sociais e políticos especificamente agitados da América Latina na época. A questão do suporte e técnicas são também de grande importância para a temática da exposição; construída principalmente com gravuras e serigrafias, métodos que permitem a reprodução das obras com facilidade, o que representa também uma das mais marcantes características da arte Pop, que é justamente a repetição e a reflexão sobre a exclusividade das obras de arte em uma época de expansão da chamada mass media.

 

 

Artistas participantes:

 

Alfredo Nicolaiewsky, Glauco Rodrigues, Henrique Fuhro, Jesus Escobar, Liana Timm, Luiz Barth, Mário Röhnelt, Milton Kurtz, Romanita Disconzi, Vera Chaves Barcellos.

 

 

Sobre as curadoras

 

Carolina Grippa é formada em Moda pela Universidade Feevale, e bacharela em História da Arte, UFRGS. Realizou estágios em diversos museus da cidade, incluindo: Fundação Iberê Camargo, Pinacoteca Rubem Berta, MARGS e em 2018, trabalhou como assistente de produção na 11° Bienal do Mercosul.

 

Caroline Hädrich é arquiteta e urbanista formada pela UFRGS, e bacharela em História da Arte, UFRGS. Vive e trabalha em Porto Alegre como arquiteta, pesquisadora e curadora independente.

 

 

Até 26 de agosto.  

art lab na Galeria Marcelo Guarnieri

05/jul

Distribuídos em um quadrado de setenta centímetros, vinte e quatro ponteiros vermelhos giram sem parar. Em outro quadrado de setenta centímetros, giram em tic tac outros vinte e quatro também ponteiros, também vermelhos. São os Relógios para perder a hora de Guto Lacaz, dois dos trabalhos que integram a exposição “art lab”, na Galeria Marcelo Guarnieri, Jardins, São Paulo, SP. As duas peças formam uma imagem clara do que se apresenta na mostra: objetos animados cumprindo funções absurdas, hipnóticas e humoradas que te convidam para uma dança sem hora pra acabar. O tempo nesta exposição seria algo semelhante ao tempo das crianças, um tempo tomado completamente pela brincadeira, em que a repetição e o delírio se fazem necessários no processo de aprendizagem.

 

Neste caso, uma desaprendizagem, pois aqui adentramos o universo dos objetos que deixaram de ser servos de seu próprio destino: a funcionalidade. Lacaz constrói com tais objetos uma relação tão íntima, que parece ouvir deles os seus desejos mais sórdidos, então retorce os seus sentidos e os liberta da chatice de serem úteis. Em alguns casos o artista vai além, dissecando suas objetidades de tal modo que acabam reduzidos a engrenagens de formas e cores e assim viram coisas: coisas ópticas, cinéticas, elétricas, lunáticas.

 

É o caso de Dauquad cinético, uma espécie de carrossel manipulável formado por quadrados de acrílico coloridos e de superfícies espelhadas que se refletem e projetam cores em diversos ângulos. Ou de Bossa Nova, um conjunto de peças quadradas e brancas que formam um painel também quadrado de dois metros e meio em lento e constante movimento, semelhante ao das ondas do mar. Os títulos dos trabalhos de Lacaz também são algo para se ter em conta, às vezes surgem como contraponto ao que se vê nas obras, às vezes funcionam como chaves de acesso.

 

Tudo o que for produto da criação humana, seja na ciência, na indústria ou na arte, pode virar assunto, em uma abordagem menos celebrativa e talvez mais crítica, certamente bem humorada. Há uma descrença não só pela ideia de progresso científico, mas também pelos grandes símbolos e certezas inventadas pela humanidade. Desse modo, Guto Lacaz convoca em alguns de seus trabalhos elementos clássicos das obras de figuras como Marcel Duchamp e Nam June Paik e os apresenta em novas situações, dando a eles o poder de performar a sua própria existência.

 

Paik Line, trabalho inédito, é constituído por uma torre de televisores modificados. A peça faz referência a Zen for TV, obra de 1963 do artista Nam June Paik, na qual reduz a imagem da tela a um feixe de luz, privando a televisão de sua própria forma e função. O desenho gerado pela linha que atravessa uma extremidade à outra do visor e a posição vertical do aparelho remetem a uma estrutura totêmica, reforçando o caráter contemplativo e imersivo da TV, agora de um jeito anormal. A partir daí Lacaz exagera e multiplica essa ação por seis, construindo um grande totem de mais de dois metros.

 

Em art lab tudo se movimenta e ainda que em curto-circuito, nos movimentamos também. A exposição é a primeira individual de Guto Lacaz na unidade São Paulo da Galeria Marcelo Guarnieri e marca os 40 anos de produção do artista. “Pra mim arte é energia. Importante distinguir arte de obra de arte. Arte é o que está entre a obra de arte e o espectador, algo meio fluido, um plasma. É isso que eu acho que é energia, quando você passa por uma obra de arte e essa obra te capta, é pura energia o que está acontecendo entre você e a obra de arte.”, conclui Guto.
 

Sobre o artista

 

Guto Lacaz, nasceu em
1948. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil. Artista multimídia, arquiteto, designer e cenógrafo, Guto Lacaz vem investigando, desde fins dos anos 70, as possibilidades da arte, da ciência e da tecnologia a partir de uma aproximação com os objetos de uso cotidiano. Bem humoradas e às vezes absurdas, suas obras buscam desestabilizar comportamentos e leituras automáticas comuns em nossa interação com a materialidade e a espacialidade. Sempre interessado na relação com o espectador, desenvolve seu trabalho em desenhos, objetos, performances, ilustrações, livros, instalações e intervenções em espaços públicos. Guto inventa um mundo torto e maravilhoso onde um batalhão de aspiradores de pó mantém bolas de isopor suspensas no ar e onde cadeiras enfileiradas de um auditório vazio flutuam silenciosas sobre as águas de um lago. Em 2017 ganhou o prêmio APCA na categoria “Fronteiras da Arquitetura”.

 

Membro da Alliance Graphic Internationalle  – AGI. Formado em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São José dos Campos em 1974. Em 1995 ganha a bolsa Gugenheim. Entre suas principais exposições individuais, intervenções urbanas e obras públicas, destacam-se: As Quatro Revoluções Industriais – 15 painéis na Av Paulista (2018); Adoraroda. Largo da Batata, Mostra 3M de Arte, São Paulo (2017); Ondas d’água. Sesc Belenzinho, São Paulo (2011); Eletro Livros. Maria Antonia USP, São Paulo (2012); Maquetes Reunidas. Capela do Morumbi – DPH, São Paulo (2008); Garoa Modernista e Pinacotrens. Octógono, Pinacoteca do Estado de São Paulo (2005); Recortes. Paço Imperial do Rio de Janeiro (1994); Periscópio. Arte Cidade II, São Paulo (1994); Auditório para Questões Delicadas – Lago do Ibirapuera, São Paulo (1989). Entre suas principais exposições coletivas, destacam-se: YOYO, tudo que vai volta. SESC Belenzinho, São Paulo (2018); Situações: a Instalação no Acervo da Pinacoteca do Estado, São Paulo (2017); As Margens dos Mares. SESC Pinheiros, São Paulo (2015); Invento | As Revoluções que nos Inventaram. Pavilhão da Oca – Parque Ibirapuera, São Paulo (2015); Diálogos com Palatnik. MAM-SP (2014); III Bienal da Bahia (2014); Trajetória da Luz na Arte Brasileira. Itaú Cultural, São Paulo (2001); 95 Gwangju Biennale, Coreia do Sul (1995); Brazil Projects, PS1 New York (1988); Modernidade – Arte Brasileira no século XX. MAM-SP (1988); A Trama do Gosto – Um Outro Olhar sobre o Cotidiano. Fundação Bienal, São Paulo (1987); 18ª Bienal Internacional de São Paulo (1985); Primeira Mostra do Móvel e do Objeto Inusitado. MIS, São Paulo (1978).

 

 

Até 21 de julho

O Imaginário da Arte

04/jul

A Mul.ti.plo Espaço de Arte, Leblon, Rio de Janeiro, RJ, reúne edições de artistas estrangeiros. Sendo a primeira galeria a trazer para o Rio obras múltiplas e gravuras de reconhecidos artistas plásticos estrangeiros, a galeria volta a eles em sua nova exposição. A coletiva “O Imaginário da Arte” fica em cartaz de 20 de junho a 28 de julho e traz um conjunto de trabalhos realizados por vários desses artistas: Antoni Tàpies, Christo, Carlos Cruz-Diez, Ed Ruscha, Georg Baselitz, Jannis Kounellis, Jaume Plensa, José Pedro Croft, Leon Ferrari, Luis Tomasello, Regina Giménez Ross Bleckner, Helen Frankenthaler, para citar alguns.

 

– Trata-se de um campo ampliado que, a um só tempo, afirma a singularidade de cada obra, bem como o universal caráter adimensional da arte, portanto, o despropósito de impor fronteiras a ela. Sendo de todos, também é nossa – diz Maneco Muller, sócio da galeria. – A mostra não tem a pretensão de ser um recorte curatorial, mas simplesmente apresentar estas realizações de elevada voltagem poética.

 

A exposição que apresenta cerca de 20 obras do acervo da galeria não é uma retrospectiva. Mas, de certa forma, conta um pouco da trajetória de uma das atividades que a galeria vem desempenhando durante estes sete anos e meio de sua existência.

Recorte contemporâneo

26/jun

A exposição que está em cartaz no Grande Hall do Santander Cultural, Porto Alegre, RS, denominada “RSXXI – o Rio Grande do Sul Experimental”, recebeu a assinatura de Paulo Herkenhoff na curadoria.

 

A exibição reúne 80 obras de 12 destacados artistas da nova cena contemporânea gaúcha.
Esta exposição, que parte de uma sigla de fácil memória e que provoca curiosidade, “RSXXI”, se propõe a articular a força do processo de criação contemporâneo de artistas locais. Ainda que sem a pretensão de um levantamento completo, a iniciativa se firma como um foro de reconhecimento com um relevante recorte: André Severo, Cristiano Lenhardt, Daniel Escobar, Laura Cattani e Munir Klamt (Ío), Isabel Ramil, Ismael Monticelli, Leandro Machado, Marina Camargo, Michel Zózimo, Rafael Pagatini, Romy Pocztaruk e Xadalu apresentam fotografias, livros, instalações, vídeos, objetos, esculturas, serigrafias e documentos.

 

 

Até 29 de julho.