Diálogo entre estrutura geométrica e percepção.

18/set

Artista da Galeria Mayer Mizrahi, J. Margulis participa da ArtRio – edição de 2026, em sua estreia no circuito carioca de arte. Para a feira, apresenta 26 obras em que planos sobrepostos, volumes, cor e luz criam diferentes configurações a partir do olhar do espectador. Os trabalhos estarão no espaço da Sergio Gonçalves Galeria – P3, no Pavilhão MAR.

J. Margulis desenvolve uma pesquisa que aproxima geometria, movimento e percepção. Suas obras são construídas em camadas, fazendo da profundidade e da relação entre diferentes planos elementos centrais de sua linguagem. A interação do público é parte essencial da experiência diante de sua obra. À medida que o corpo se desloca, novas relações entre as formas se revelam e a composição parece se reorganizar. É nesse diálogo entre estrutura geométrica e percepção que o artista constrói uma obra simultaneamente rigorosa e dinâmica.

Sua produção dialoga com a tradição da arte cinética e óptica latino-americana, ao mesmo tempo em que incorpora linguagem e elementos figurativos. Ao longo de sua trajetória, J. Margulis vem apresentando seu trabalho em exposições e feiras internacionais. Em 2025, realizou Speaking Volumes no Erarta Museum, em São Petersburgo. Em 2026, fez sua estreia no Brasil na SP-Arte, com a Galeria Mayer Mizrahi.

Sobre o artista.

José Margulis (Caracas, Venezuela) 1970. Vive e trabalha em Miami. Formado em Administração pela Universidad Metropolitana, iniciou sua trajetória artística na fotografia. Sua pesquisa atual articula abstração geométrica, arte cinética e investigação perceptiva. Entre suas exposições individuais, destaca-se Speaking Volumes, no Erarta Museum, em São Petersburgo, em 2025. Participou de importantes feiras internacionais, entre elas Art Basel Week, SP-Arte, Abu Dhabi Art e KIAF. Sua obra integra coleções em diferentes países e está presente no acervo do Museo Ixchel, na Guatemala. 

O gesto como liberdade e pensamento.

A Superfície, Vila Madalena, São Paulo, SP, anunciou a exposição coletiva “Gestos” que acontece por ocasião da inauguração da nova sede da Superfície, localizada na Rua Mourato Coelho 790a. Agora, em um único endereço, as atividades da galeria – espaços expositivos, acervo e Arquivo Superfície -, conta com uma livraria e um café abertos ao público. O texto de apresentação é de Paulo Venancio Filho e curadoria assinada por ele em parceria com Gustavo Nóbrega. 

Tomando como ponto de partida o livro homônimo do filósofo Vilém Flusser, a mostra investiga o gesto como um movimento carregado de intenção, liberdade e pensamento. Para Flusser, o gesto é a expressão de uma liberdade que produz sentido. Pintar, desenhar, fotografar, gravar, modelar, escrever, performar ou instalar são diferentes modos de pensamento em ação. Cada linguagem inventa seu próprio gesto; cada artista transforma um procedimento em forma.

Com a apresentação de uma obra de Waltercio Caldas concebida especialmente para a exposição, “Gestos” reúne trabalhos de Andréa Hygino, Anna Maria Maiolino, Artur Barrio, Carlos Vergara, Celeida Tostes, Christo, Cildo Meireles, Clóvis Dariano, Dominique Gonzalez-Foerster, E. M. de Melo e Castro, Fernando Lemos, Iberê Camargo, José Resende, Letícia Parente, Luiz Alphonsus, Mara Alvares, Márcia X, Maria Laet, Mira Schendel, Neide Sá, Regina Silveira, Sonia Andrade, Thereza Simões, Tunga, Vera Chaves Barcellos e Wanda Pimentel, “Gestos” propõe um percurso em que diferentes gerações e contextos históricos se encontram sem hierarquias. Em comum, cada obra evidencia o gesto como operação estética, pensamento materializado e forma de relação com o mundo.

Até 17 de outubro.

Exposição Afromayores abriu em setembro.

Primeira atividade do Instituto Cervantes em parceria com Instituto Pretos Novos, projeto audiovisual, fotográfico e de memória retorna ao Brasil em setembro.

Dedicada às histórias de pessoas negras e afrodescendentes com mais de 65 anos vinculadas à Espanha, a exposição itinerante “Afromayores” retorna ao Brasil em exibição na nova Galeria do Centro Cultural Pretos Novos, Gamboa, Rio de Janeiro, RJ. O projeto audiovisual, fotográfico e de memória foi criado pela jornalista e escritora Lucía Mbomío e pelo fotógrafo e documentarista Laurent Leger Adame e reúne retratos, entrevistas e arquivos pessoais para construir uma memória plural da presença negra na sociedade espanhola.

Para essa itinerância, o Instituto Cervantes do Rio de Janeiro está trazendo ao Brasil o músico brasileiro Batata. Residente há décadas na Espanha, ele é o único carioca/brasileiro retratado na exposição. Na ocasião, haverá um sarau de música e um coquetel de gastronomia afro-brasileira. O CEDINE-PIR e a Embaixada da Espanha no Brasil também apoiam a mostra. 

Sobre o projeto “Afromayores”.

O lema do projeto, “Somos porque foram”, resume a importância dessa transmissão intergeracional: compreender o presente exige reconhecer as pessoas e experiências que o tornaram possível. Ao chegar ao Brasil, a exposição estabelece um diálogo particularmente significativo com um território profundamente marcado pela história da diáspora africana. A circulação do projeto permite colocar em relação experiências negras construídas em contextos distintos e refletir sobre memória, pertencimento, deslocamento, envelhecimento e legado.

Sobre os criadores

Lucía Mbomío é jornalista atuante na televisão, escritora, diretora e roteirista de documentários. A sua trajetória profissional e literária tem abordado questões relacionadas à identidade, à memória, às diásporas africanas e às experiências afrodescendentes na Espanha.

Laurent Leger-Adame é fotógrafo e documentarista especializado em retrato e narrativa visual. Seu trabalho explora identidade, memória, dignidade e representação, combinando prática artística, documental e audiovisual.

Até 28 de novembro.

Guilherme Kid no Museu de Arte do Rio.

17/set

Com obras inéditas na galeria da Biblioteca, o artista Guilherme Kid investiga a transmissão de saberes entre gerações e territórios nas culturas negras brasileiras e afirma a ancestralidade como fundamento de criação, identidade e permanência.

Terreiros, quintais, rodas e agremiações de samba aparecem nas narrativas do artista Guilherme Kid como espaços fundamentais de formação, preservação e circulação de conhecimentos. Ao reconhecer esses lugares como legítimos produtores de saberes, o artista da Zona Oeste do Rio de Janeiro evidencia a memória compartilhada como instrumento de continuidade e afirmação das culturas negras brasileiras.

A partir dessa poética, o Museu de Arte do Rio inaugura “Quem me ensinou sabia”, primeira exposição individual de Guilherme Kid na instituição. O artista que já colaborou com o MAR em projetos anteriores retorna com um conjunto de obras inéditas. A exposição faz parte da programação do Festival ARUA Summit e conta com a curadoria da equipe MAR, formada por Marcelo Campos, Amanda Bonan, Jean Carlos Azuos e Amanda Rezende.

Em suas pinturas, Guilherme Kid parte da escuta atenta e da vivência cotidiana para investigar como conhecimentos, memórias e tradições são preservados, compartilhados e renovados. A exposição também evidencia uma assinatura visual característica da produção de Kid, marcada pela presença de temas figurativos em suas pinturas, uma de suas principais marcas registradas. Nas obras, a dimensão cotidiana se articula à memória e à ancestralidade, criando imagens que refletem sobre os vínculos entre passado, presente e futuro.

A trajetória artística de Fernando Lemos.

“Quanto mais desejo, mais invento o que vejo, Fernando Lemos” é a exposição que o Instituto Moreira Salles, Avenida Paulista, São Paulo, SP, exibe e celebra o centenário de nascimento do artista luso-brasileiro Fernando Lemos (1926-2019) apresentando ao público seu arquivo de fotografias, desenhos, obra política, poesia, projetos de design gráfico e moda adquirido pelo Instituto Moreira Salles em 2019, logo antes de sua morte. O estudo desse arquivo, em associação com o material preservado pela família, permite acompanhar a trajetória artística de 70 anos de produção de Fernando Lemos através de aproximadamente 400 objetos.

A exposição “Quanto mais desejo, mais invento o que vejo” é um projeto de parceria entre a Fundação Cupertino Miranda (Porto), a Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa) e o Instituto Moreira Salles.

Até 07 de fevereiro de 2027.

Exposição no MAM Rio e conversa na ArtRio.

Vencedores do Prêmio PIPA no ano passado, um dos mais importantes prêmios de arte contemporânea do país, os carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora participam, neste sábado, dia 19 de setembro, da exposição “Carnaval como método”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio). No domingo, dia 20 de setembro, às 16h, eles estarão na ArtRio para a conversa “Carnaval e arte contemporânea”, ao lado de Milton Cunha e Leandro Vieira, com mediação de Alicia Cesário. Além disso, Haddad e Bora também integram a exposição “De Olhos d’Água ao Rio-Mar: Olímpia abraça o Rio de Janeiro”, em cartaz na Estação Cultural de Olímpia (ECO), em São Paulo, até março de 2027.

No MAM Rio, a exposição “Carnaval como método” leva para o espaço museológico os processos de criação desenvolvidos no Carnaval das escolas de samba do Rio de Janeiro. A mostra reúne obras inéditas comissionadas a seis carnavalescos em atividade – entre eles, Gabriel Haddad e Leonardo Bora, que, no contexto fabril da Cidade do Samba, desenvolvem o enredo “Torto arado – sobre a terra há de viver sempre o mais forte”, baseado na obra de Itamar Vieira Junior, para a Unidos de Vila Isabel. A mostra também reúne trabalhos dos carnavalescos Joãosinho Trinta (1933-2011), Rosa Magalhães (1947-2024) e Maria Augusta Rodrigues (1942-2025), além de pinturas de artistas ligados ao universo do samba e do Carnaval, como Heitor dos Prazeres e Nelson Sargento. A exposição ocupará o Salão Monumental e o mezanino, com curadoria de Raquel Barreto, Pablo Lafuente e Phelipe Rezende, além da colaboração de Debora Moraes e Edu Gonçalves.

Gabriel Haddad e Leonardo Bora apresentarão quatro trabalhos inéditos no MAM Rio, pensados de forma a mapear as suas próprias memórias afetivas e referências artísticas originárias do universo das escolas de samba. Cada obra assimila e deglute signos, materiais e técnicas que se referem aos trabalhos de quatro artistas do carnaval que já deixaram a vida. 

Pesquisa sobre o brega e o tecnobrega.

A artista Nazas, participante do 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito, realiza a ativação da obra “Fiz uma ráfia pra você”, parte da programação pública da exposição e do Ateliê Aberto, programa do MAM Educativo, 17 de setembro. A ação acontece no contexto da residência artística que Nazas realiza na YBYTU, em parceria com o MAM São Paulo. A residência aproxima sua pesquisa sobre o brega e o tecnobrega por meio de ações que articulam leitura, produção manual, performance e encontros de celebração. 

Nesta atividade, com apoio do Educativo do MAM, Nazas propõe uma escuta coletiva de músicas de brega e tecnobrega, seguida da produção manual de pequenas faixas de ráfia. Cada participante poderá transformar um trecho de canção ou uma memória afetiva em uma espécie de mensagem íntima. A faixa produzida pela artista durante a residência na YBYTU também estará presente na atividade, conectando o processo desenvolvido na residência à programação pública do Panorama. Para maiores de 18 anos.

Sobre a artista.

Nazas (Thays Chaves) nasceu em Ourém, PA, Brasil (1997). É artista visual, pesquisadora e arte-educadora, desenvolvendo uma prática multidisciplinar que, desde 2017, estuda as aspirações românticas, as estéticas visuais e as tecnologias culturais do tecnobrega – uma cultura musical e visual popular na região Norte do Brasil. A artista reinterpreta os códigos e símbolos expressivos desse universo, seus excessos, sua sentimentalidade e sua linguagem visual luminosa, transformando-os em reflexões sobre identidade, afeto e pertencimento. Seu trabalho frequentemente expressa um romantismo intensificado, em que linguagem, memória e emoção se entrelaçam por meio de formas e textos experimentais. Em 2025, foi indicada ao Prêmio PIPA. Entre as exposições recentes, destacam-se as coletivas Complexo Brasil, em Lisboa (2025), e Insurgências e o Contraponto do longe, no Centro Cultural Bienal das Amazônias, Belém, (2024)

Narrativas da diáspora asiática no Brasil.

Para o projeto Independent 20th Century 2026, a Gomide&Co apresenta uma obra que explora narrativas da diáspora asiática no Brasil. A seleção reflete sobre a arte diaspórica através do conceito de trânsito, entendido tanto como tema quanto como estratégia na construção de trajetórias artísticas.

O projeto reúne pinturas e esculturas de artistas de ascendência asiática, destacando os diálogos culturais que moldaram a abstração informal, lírica e caligráfica do pós-guerra, bem como seus desdobramentos dentro das práticas modernas e contemporâneas. A incorporação de referências do Leste Asiático contribuiu para expandir e diversificar o panorama artístico latino-americano, que foi profundamente moldado pelas experiências de artistas imigrantes e seus descendentes.

Desde o final da década de 1990, no século XXI, os trânsitos migratórios do Japão, da China e de outros países do Leste Asiático promoveram encontros entre diferentes tradições visuais e modernismos locais. Essas trocas materializaram-se de diversas maneiras – em gestos caligráficos, economia formal, rigor construtivo e abordagens à cor e ao material.

O projeto reúne artistas cujas trajetórias se desenvolveram por meio dessas experiências de deslocamento e intercâmbio cultural. Shoko Suzuki é uma figura central na história da cerâmica artística no Brasil, tendo introduzido o forno noborigama e a queima em alta temperatura no país; Megumi Yuasa desenvolveu uma prática que une cerâmica, filosofia, e política, ao mesmo tempo que contrapõe contribuindo para a formação de artistas e para o desenvolvimento da cerâmica contemporânea no Brasil; Massao Okinaka propôs uma síntese entre o “sumi-e” e um realismo objetivo influenciado por vertentes ocidentais. Inclui-se também Tomie Ohtake, figura central da abstração brasileira, reconhecida por sua investigaçãode cor e forma; Manabu Mabe, cujo trabalho evoluiu da pintura figurativa de paisagem para a abstração informal; Naotoshi Kinoshita, que encontrou na paisagem brasileira um campo fértil para unir referências de sua formação artística japonesa com uma linguagem de síntese formal e intensidade expressiva; Alina Okinaka, cuja pintura, particularmente através da natureza-morta, investiga as relações entre forma, cor e composição por meio de elementos do cotidiano; e Sachiko Koshikoku, cujo trabalho abstrato uniu referências da cultura japonesa e elementos extraídos das tradições visuais mesoamericanas e andinas.

A seleção também inclui Akinori Nakatani, cuja produção cerâmica incorporou referências mesoamericanas e sistemas gráficos associados às culturas indígenas das Américas; e Chen Kong Fang, um pintor sino-brasileiro cujo trabalho estabeleceu conexões entre as tradições visuais orientais e a pintura ocidental.

Embora seja essencial reconhecer a singularidade de diferentes diásporas – cada uma moldada por trajetórias, tensões e imaginários específicos – também é possível identificar experiências compartilhadas. Embora as origens desses movimentos sejam frequentemente associadas a guerras, perseguições e outros eventos macropolíticos, suas consequências também se desdobram no cotidiano: no lar, na língua, nos afetos, na comida e na relação com um novo território.

O projeto, portanto, consiste em examinar como essas experiências de deslocamento e pertencimento se inscrevem em diferentes linguagens artísticas. Ao reunir trajetórias e gerações distintas, a seleção destaca as maneiras pelas quais artistas de ascendência asiática têm participado da formação e da transformação da Arte Moderna e Contemporânea no Brasil.

Uma autoidentidade positiva.

O artista Zéh Palito (Limeira, 1986), pintor, é um contador de histórias. A Simões de Assis, Jardins, São Paulo, SP, anuncia exposição entre 26 de setembro e 07 de novembro.

Sua prática oferece uma perspectiva visual sobre a vida diária da diáspora africana contemporânea. Seus personagens são posicionados em uma postura de poder que demonstra uma autoidentidade positiva, imbuídos de contentamento e respeito. Os retratos são permeados por símbolos, adornos, estampas, flores, frutas tropicais, piscinas e carros, os sujeitos são os protagonistas de suas narrativas. Zéh Palito trabalha em escalas variadas, pinturas site-specific, telas pequenas a dimensões monumentais, além de esculturas em fibra de vidro e alumínio e mosaicos em azulejo, material que tem sido incorporado também em suas pinturas. 

O universo familiar do artista se manifesta como território de memória, atravessado pela musicalidade do samba e do hip-hop e por um vasto repertório de referências e heranças culturais brasileiras, africanas e norte-americanas. Zéh Palito adiciona elementos de uma iconografia midiática, incluindo roupas e marcas, em uma figuração que reflete seu extenso repertório de referências à história da arte e ao gênero do retrato. Elemento fundamental de sua prática é elevar e inspirar vozes e sujeitos sub representados ao propor visões encantadoras para o presente e o futuro. O artista já produziu murais em mais de 30 países pelas Américas, África, Europa, Oriente Médio e Ásia. 

Principais exposições coletivas: “When We See Us”, curadoria de Koyo Kouoh, Museum Zeitz MOCAA, Cape Town, itinerou pelo Kunstmuseum Basel – Gegenwart, Basileia, Suíça; Bozar – Centre for Fine Arts, Bruxelas, Bélgica; e Liljevalchs Konsthall, Estocolmo, Suécia; “The Culture”, Baltimore Museum of Art, Baltimore; “Femmes”, curadoria de Pharrell Williams, Perrotin, Paris; “Color of the times”, Leeahn Gallery, Seoul; “Between the World and Me”, Museum of Contemporary Art of Querétaro, México; “Afro Brasilidades”, curadoria de Paulo Herkenhoff e João Victor Guimarães, FGV Arte, Rio de Janeiro; “The Speed of Grace”, Simões de Assis, São Paulo; “Vai Saudade”, Zéh Palito e Heitor dos Prazeres, Simões de Assis, Curitiba; “Quilombo: vidas, problemas e aspirações do negro”, Instituto Inhotim, Brumadinho;  e “Vidas Negras do Brasil”, Museu Afro Brasil, São Paulo. 

Principais exposições individuais: “Cars, Pools and Melanin”, Perrotin Gallery, Nova York; “Tropical Diaspora”, Eubie Blake Cultural Center, Baltimore; “We saw the future”, Gallery Idrawalot, Berlim; “Between the World and me”, Fundación AMMA, Queretaro, México; “Zéh Palito – Do pranto o oceano, e nadamos no amor”, MAC Bahia, Salvador; “Eu sei porque o pássaro canta na gaiola”, Simões de Assis, São Paulo.  

Seus trabalhos estão nas coleções ICA – Institute of Contemporary Art, Miami, EUA; PAMM – Pérez Art Museum Miami, USA; El Museo del Barrio, Nova York, EUA; Baltimore Museum of Art, Baltimore, EUA; Rennie Museum, Vancouver, Canadá; MACQ – Museo de Arte Contemporâneo Querétaro, México; AMMA – Fundación Amparo y Manuel, Cidade do México; The Xiao Museum of Contemporary Art, Rizhao, China; X Museum, Pequim, China; MAC Bahia, Salvador, Brasil; Instituto Inhotim, Brumadinho, Brasil.

Pedro Escosteguy na Fundação Iberê Camargo.

16/set

A Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, inaugura, no dia 26 de setembro, “Pedro Escosteguy – poesia, vanguarda e opinião”, a maior exposição já dedicada à trajetória do artista.

Poeta, artista visual e ensaísta, Pedro Escosteguy foi um dos expoentes da Arte Experimental Brasileira, construindo uma produção marcada pelo diálogo entre palavra, imagem, objeto e participação.

Com curadoria de Gustavo Possamai, da Fundação Iberê, e Gustavo Nóbrega, da Galeria Superfície, a exposição reúne obras históricas, documentos, fotografias, publicações e registros audiovisuais produzidos entre as décadas de 1960 e 1970, revelando a diversidade e a força de uma trajetória fundamental para a compreensão da vanguarda artística brasileira.

Sobre a exposição e o artista.

Aos 47 anos, depois de mais de duas décadas dedicado à gastroenterologia, Pedro Geraldo Escosteguy (Santana do Livramento, 1916 – Porto Alegre, 1989) aprendeu a manusear ferramentas de marcenaria. Nunca havia desenhado, pintado ou esculpido. Dali nasceu sua primeira obra e, com ela, o núcleo de um conjunto de trabalhos que o próprio artista chamaria de construções semânticas. “Meio pomposo o título”, diria, “mas eram construções que tinham capacidade de dizer alguma coisa”.

Antes disso, porém, Escosteguy já construía uma trajetória singular como poeta. Na Porto Alegre dos anos 1950, integrou o Grupo Quixote e tornou-se um dos principais articuladores da expansão da poesia para além do livro: poemas ilustrados, poemas projetados e ações públicas sob o lema “O povo tem direito à poesia”. Palavra, imagem, objeto e participação deixariam de constituir campos independentes para integrar um mesmo projeto de experimentação estética e reflexão crítica.

A mudança para o Rio de Janeiro, o contato com Antonio Dias e a efervescência artística em torno de Hélio Oiticica o levaram, já maduro, a desenvolver, paralelamente à carreira médica, uma produção que conjugava poesia, objeto e participação, orientada pela ideia de arte pública.

Seus objetos recusavam a contemplação passiva. Tinham forte dimensão política e convocavam o espectador ao contato físico e à participação. Insistia em permanecer “totalmente desligado do mercantilismo do mercado de arte” e compreendia a passagem da poesia ao objeto como um processo contínuo: “o poema se enriquece quando se integra em suportes adequados”, escreveu, e “o objeto se levanta a partir desse núcleo conceitual”.

Embora reconhecido em algumas das exposições decisivas da arte brasileira dos anos 1960, como a VIII Bienal de São Paulo (1965), Opinião 65, a IX Bienal de São Paulo (1967) e Nova Objetividade Brasileira (1967), grande parte de sua produção permaneceu pouco conhecida ou acessível apenas por meio de registros fragmentários.

Escosteguy dedicou-se às artes visuais por pouco mais de uma década, entre o início dos anos 1960 e o fim dos anos 1970. Esta exposição reúne a maior parte de sua produção plástica hoje conhecida, proveniente de diferentes coleções do Brasil, ao lado de publicações, registros audiovisuais e documentos preservados no Delfos – Espaço de Documentação e Memória Cultural da PUCRS, que salvaguarda o arquivo doado pela viúva do artista, Marilia Escosteguy.

Reunidas pela primeira vez, estas obras revelam que a passagem da poesia ao objeto nunca foi uma ruptura, mas o desdobramento de um mesmo pensamento artístico. Escosteguy mudou de linguagem sem abandonar suas questões fundamentais – liberdade, comunicação e participação. Talvez seja dessa coerência rara, entre poesia, objeto e vida, que sua obra continue a retirar sua força.

Gustavo Nóbrega e Gustavo Possamai, curadores.

Até 28 de março de 2027.