Pesquisa sobre o brega e o tecnobrega.

17/set

A artista Nazas, participante do 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito, realiza a ativação da obra “Fiz uma ráfia pra você”, parte da programação pública da exposição e do Ateliê Aberto, programa do MAM Educativo, 17 de setembro. A ação acontece no contexto da residência artística que Nazas realiza na YBYTU, em parceria com o MAM São Paulo. A residência aproxima sua pesquisa sobre o brega e o tecnobrega por meio de ações que articulam leitura, produção manual, performance e encontros de celebração. 

Nesta atividade, com apoio do Educativo do MAM, Nazas propõe uma escuta coletiva de músicas de brega e tecnobrega, seguida da produção manual de pequenas faixas de ráfia. Cada participante poderá transformar um trecho de canção ou uma memória afetiva em uma espécie de mensagem íntima. A faixa produzida pela artista durante a residência na YBYTU também estará presente na atividade, conectando o processo desenvolvido na residência à programação pública do Panorama. Para maiores de 18 anos.

Sobre a artista.

Nazas (Thays Chaves) nasceu em Ourém, PA, Brasil (1997). É artista visual, pesquisadora e arte-educadora, desenvolvendo uma prática multidisciplinar que, desde 2017, estuda as aspirações românticas, as estéticas visuais e as tecnologias culturais do tecnobrega – uma cultura musical e visual popular na região Norte do Brasil. A artista reinterpreta os códigos e símbolos expressivos desse universo, seus excessos, sua sentimentalidade e sua linguagem visual luminosa, transformando-os em reflexões sobre identidade, afeto e pertencimento. Seu trabalho frequentemente expressa um romantismo intensificado, em que linguagem, memória e emoção se entrelaçam por meio de formas e textos experimentais. Em 2025, foi indicada ao Prêmio PIPA. Entre as exposições recentes, destacam-se as coletivas Complexo Brasil, em Lisboa (2025), e Insurgências e o Contraponto do longe, no Centro Cultural Bienal das Amazônias, Belém, (2024)

Narrativas da diáspora asiática no Brasil.

Para o projeto Independent 20th Century 2026, a Gomide&Co apresenta uma obra que explora narrativas da diáspora asiática no Brasil. A seleção reflete sobre a arte diaspórica através do conceito de trânsito, entendido tanto como tema quanto como estratégia na construção de trajetórias artísticas.

O projeto reúne pinturas e esculturas de artistas de ascendência asiática, destacando os diálogos culturais que moldaram a abstração informal, lírica e caligráfica do pós-guerra, bem como seus desdobramentos dentro das práticas modernas e contemporâneas. A incorporação de referências do Leste Asiático contribuiu para expandir e diversificar o panorama artístico latino-americano, que foi profundamente moldado pelas experiências de artistas imigrantes e seus descendentes.

Desde o final da década de 1990, no século XXI, os trânsitos migratórios do Japão, da China e de outros países do Leste Asiático promoveram encontros entre diferentes tradições visuais e modernismos locais. Essas trocas materializaram-se de diversas maneiras – em gestos caligráficos, economia formal, rigor construtivo e abordagens à cor e ao material.

O projeto reúne artistas cujas trajetórias se desenvolveram por meio dessas experiências de deslocamento e intercâmbio cultural. Shoko Suzuki é uma figura central na história da cerâmica artística no Brasil, tendo introduzido o forno noborigama e a queima em alta temperatura no país; Megumi Yuasa desenvolveu uma prática que une cerâmica, filosofia, e política, ao mesmo tempo que contrapõe contribuindo para a formação de artistas e para o desenvolvimento da cerâmica contemporânea no Brasil; Massao Okinaka propôs uma síntese entre o “sumi-e” e um realismo objetivo influenciado por vertentes ocidentais. Inclui-se também Tomie Ohtake, figura central da abstração brasileira, reconhecida por sua investigaçãode cor e forma; Manabu Mabe, cujo trabalho evoluiu da pintura figurativa de paisagem para a abstração informal; Naotoshi Kinoshita, que encontrou na paisagem brasileira um campo fértil para unir referências de sua formação artística japonesa com uma linguagem de síntese formal e intensidade expressiva; Alina Okinaka, cuja pintura, particularmente através da natureza-morta, investiga as relações entre forma, cor e composição por meio de elementos do cotidiano; e Sachiko Koshikoku, cujo trabalho abstrato uniu referências da cultura japonesa e elementos extraídos das tradições visuais mesoamericanas e andinas.

A seleção também inclui Akinori Nakatani, cuja produção cerâmica incorporou referências mesoamericanas e sistemas gráficos associados às culturas indígenas das Américas; e Chen Kong Fang, um pintor sino-brasileiro cujo trabalho estabeleceu conexões entre as tradições visuais orientais e a pintura ocidental.

Embora seja essencial reconhecer a singularidade de diferentes diásporas – cada uma moldada por trajetórias, tensões e imaginários específicos – também é possível identificar experiências compartilhadas. Embora as origens desses movimentos sejam frequentemente associadas a guerras, perseguições e outros eventos macropolíticos, suas consequências também se desdobram no cotidiano: no lar, na língua, nos afetos, na comida e na relação com um novo território.

O projeto, portanto, consiste em examinar como essas experiências de deslocamento e pertencimento se inscrevem em diferentes linguagens artísticas. Ao reunir trajetórias e gerações distintas, a seleção destaca as maneiras pelas quais artistas de ascendência asiática têm participado da formação e da transformação da Arte Moderna e Contemporânea no Brasil.

Uma autoidentidade positiva.

O artista Zéh Palito (Limeira, 1986), pintor, é um contador de histórias. A Simões de Assis, Jardins, São Paulo, SP, anuncia exposição entre 26 de setembro e 07 de novembro.

Sua prática oferece uma perspectiva visual sobre a vida diária da diáspora africana contemporânea. Seus personagens são posicionados em uma postura de poder que demonstra uma autoidentidade positiva, imbuídos de contentamento e respeito. Os retratos são permeados por símbolos, adornos, estampas, flores, frutas tropicais, piscinas e carros, os sujeitos são os protagonistas de suas narrativas. Zéh Palito trabalha em escalas variadas, pinturas site-specific, telas pequenas a dimensões monumentais, além de esculturas em fibra de vidro e alumínio e mosaicos em azulejo, material que tem sido incorporado também em suas pinturas. 

O universo familiar do artista se manifesta como território de memória, atravessado pela musicalidade do samba e do hip-hop e por um vasto repertório de referências e heranças culturais brasileiras, africanas e norte-americanas. Zéh Palito adiciona elementos de uma iconografia midiática, incluindo roupas e marcas, em uma figuração que reflete seu extenso repertório de referências à história da arte e ao gênero do retrato. Elemento fundamental de sua prática é elevar e inspirar vozes e sujeitos sub representados ao propor visões encantadoras para o presente e o futuro. O artista já produziu murais em mais de 30 países pelas Américas, África, Europa, Oriente Médio e Ásia. 

Principais exposições coletivas: “When We See Us”, curadoria de Koyo Kouoh, Museum Zeitz MOCAA, Cape Town, itinerou pelo Kunstmuseum Basel – Gegenwart, Basileia, Suíça; Bozar – Centre for Fine Arts, Bruxelas, Bélgica; e Liljevalchs Konsthall, Estocolmo, Suécia; “The Culture”, Baltimore Museum of Art, Baltimore; “Femmes”, curadoria de Pharrell Williams, Perrotin, Paris; “Color of the times”, Leeahn Gallery, Seoul; “Between the World and Me”, Museum of Contemporary Art of Querétaro, México; “Afro Brasilidades”, curadoria de Paulo Herkenhoff e João Victor Guimarães, FGV Arte, Rio de Janeiro; “The Speed of Grace”, Simões de Assis, São Paulo; “Vai Saudade”, Zéh Palito e Heitor dos Prazeres, Simões de Assis, Curitiba; “Quilombo: vidas, problemas e aspirações do negro”, Instituto Inhotim, Brumadinho;  e “Vidas Negras do Brasil”, Museu Afro Brasil, São Paulo. 

Principais exposições individuais: “Cars, Pools and Melanin”, Perrotin Gallery, Nova York; “Tropical Diaspora”, Eubie Blake Cultural Center, Baltimore; “We saw the future”, Gallery Idrawalot, Berlim; “Between the World and me”, Fundación AMMA, Queretaro, México; “Zéh Palito – Do pranto o oceano, e nadamos no amor”, MAC Bahia, Salvador; “Eu sei porque o pássaro canta na gaiola”, Simões de Assis, São Paulo.  

Seus trabalhos estão nas coleções ICA – Institute of Contemporary Art, Miami, EUA; PAMM – Pérez Art Museum Miami, USA; El Museo del Barrio, Nova York, EUA; Baltimore Museum of Art, Baltimore, EUA; Rennie Museum, Vancouver, Canadá; MACQ – Museo de Arte Contemporâneo Querétaro, México; AMMA – Fundación Amparo y Manuel, Cidade do México; The Xiao Museum of Contemporary Art, Rizhao, China; X Museum, Pequim, China; MAC Bahia, Salvador, Brasil; Instituto Inhotim, Brumadinho, Brasil.

Pedro Escosteguy na Fundação Iberê Camargo.

16/set

A Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, inaugura, no dia 26 de setembro, “Pedro Escosteguy – poesia, vanguarda e opinião”, a maior exposição já dedicada à trajetória do artista.

Poeta, artista visual e ensaísta, Pedro Escosteguy foi um dos expoentes da Arte Experimental Brasileira, construindo uma produção marcada pelo diálogo entre palavra, imagem, objeto e participação.

Com curadoria de Gustavo Possamai, da Fundação Iberê, e Gustavo Nóbrega, da Galeria Superfície, a exposição reúne obras históricas, documentos, fotografias, publicações e registros audiovisuais produzidos entre as décadas de 1960 e 1970, revelando a diversidade e a força de uma trajetória fundamental para a compreensão da vanguarda artística brasileira.

Sobre a exposição e o artista.

Aos 47 anos, depois de mais de duas décadas dedicado à gastroenterologia, Pedro Geraldo Escosteguy (Santana do Livramento, 1916 – Porto Alegre, 1989) aprendeu a manusear ferramentas de marcenaria. Nunca havia desenhado, pintado ou esculpido. Dali nasceu sua primeira obra e, com ela, o núcleo de um conjunto de trabalhos que o próprio artista chamaria de construções semânticas. “Meio pomposo o título”, diria, “mas eram construções que tinham capacidade de dizer alguma coisa”.

Antes disso, porém, Escosteguy já construía uma trajetória singular como poeta. Na Porto Alegre dos anos 1950, integrou o Grupo Quixote e tornou-se um dos principais articuladores da expansão da poesia para além do livro: poemas ilustrados, poemas projetados e ações públicas sob o lema “O povo tem direito à poesia”. Palavra, imagem, objeto e participação deixariam de constituir campos independentes para integrar um mesmo projeto de experimentação estética e reflexão crítica.

A mudança para o Rio de Janeiro, o contato com Antonio Dias e a efervescência artística em torno de Hélio Oiticica o levaram, já maduro, a desenvolver, paralelamente à carreira médica, uma produção que conjugava poesia, objeto e participação, orientada pela ideia de arte pública.

Seus objetos recusavam a contemplação passiva. Tinham forte dimensão política e convocavam o espectador ao contato físico e à participação. Insistia em permanecer “totalmente desligado do mercantilismo do mercado de arte” e compreendia a passagem da poesia ao objeto como um processo contínuo: “o poema se enriquece quando se integra em suportes adequados”, escreveu, e “o objeto se levanta a partir desse núcleo conceitual”.

Embora reconhecido em algumas das exposições decisivas da arte brasileira dos anos 1960, como a VIII Bienal de São Paulo (1965), Opinião 65, a IX Bienal de São Paulo (1967) e Nova Objetividade Brasileira (1967), grande parte de sua produção permaneceu pouco conhecida ou acessível apenas por meio de registros fragmentários.

Escosteguy dedicou-se às artes visuais por pouco mais de uma década, entre o início dos anos 1960 e o fim dos anos 1970. Esta exposição reúne a maior parte de sua produção plástica hoje conhecida, proveniente de diferentes coleções do Brasil, ao lado de publicações, registros audiovisuais e documentos preservados no Delfos – Espaço de Documentação e Memória Cultural da PUCRS, que salvaguarda o arquivo doado pela viúva do artista, Marilia Escosteguy.

Reunidas pela primeira vez, estas obras revelam que a passagem da poesia ao objeto nunca foi uma ruptura, mas o desdobramento de um mesmo pensamento artístico. Escosteguy mudou de linguagem sem abandonar suas questões fundamentais – liberdade, comunicação e participação. Talvez seja dessa coerência rara, entre poesia, objeto e vida, que sua obra continue a retirar sua força.

Gustavo Nóbrega e Gustavo Possamai, curadores.

Até 28 de março de 2027.

Panorama, um episódio inédito a cada semana.

O Museu de Arte Moderna de São Paulo e o Arte1 firmam parceria para a exibição da série de vídeos “Depois que Tudo Foi Dito”, uma realização do MAM sobre o 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito.  A série estreia no Arte1, com um episódio inédito a cada semana.

Estruturada em episódios dedicados a artistas, curadoria e público, a série busca ampliar o conhecimento sobre o Panorama da Arte Brasileira e apresenta diferentes perspectivas sobre a exposição. As conversas aproximam as obras das trajetórias de seus criadores, do processo curatorial e das experiências dos visitantes, mostrando como a arte pode dialogar com questões presentes no cotidiano e com diferentes formas de perceber o mundo.

A estreia é dedicada ao artista Marcelo Conceição, que relembra sua trajetória entre as ruas e feiras do Rio de Janeiro, o ateliê e o museu. No episódio, ele fala sobre memória, sobrevivência e liberdade e apresenta seu processo de criação, marcado pela busca e ressignificação de materiais encontrados em feiras.

39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito

Com curadoria de Diane Lima e gerência de projetos de curadoria de Giovanna Querido, o 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito reúne 33 artistas de 11 estados brasileiros, representando todas as regiões do país e aproximando diferentes gerações, linguagens, materialidades e modos de fazer. A exposição parte de uma reflexão sobre o que pode existir para além dos limites já estabelecidos da representação, da linguagem e da própria ideia de arte brasileira.

Panorama da Arte Brasileira

Realizado desde 1969, o Panorama da Arte Brasileira acompanha há mais de cinco décadas as transformações da produção artística no país e ocupa um lugar fundamental na trajetória do MAM e na História da Arte Brasileira. Ao longo de suas edições, consolidou-se como uma das principais plataformas de reflexão, experimentação e discussão sobre a arte produzida no Brasil.

A concepção e coordenação do projeto são de Ane Tavares; a direção e edição de vídeo são de Marina Paixão; o roteiro é assinado por Ane Tavares e Juliana Pithon; e a trilha sonora é de David Menezes.

Uma seleção de 33 artistas de diferentes gerações.

A Galatea participa da 16ª edição da ArtRio, que acontece entre 16 e 20 de setembro, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. A galeria apresenta uma seleção de 33 artistas que atravessa diferentes gerações e contextos da arte moderna e contemporânea, reunindo nomes fundamentais da produção brasileira, artistas que exerceram influência na cena nacional ou que por ela foram influenciados, além de jovens talentos emergentes.

A robusta lista de artistas para o estande da Galatea na ArtRio 2026 reúne Anísio O. Couto, Arthur Palhano, Bogdan Koshevoy, Carlos Cruz-Díez, Carolina Cordeiro, Dani Cavalier, Edival Ramosa, Ernesto Neto, Francisco Galeno, Frans Krajcberg, Gabriel Branco, Gabriela Melzer, Gabriella Marinho, Grauben do Monte Lima, Guilherme Gallé, Hércules Barsotti, Ione Saldanha, Jac Leirner, Jaider Esbell, Joji Ikeda, Jorge Guinle, Leo Battistelli, Maíra Dietrich, Mari Ra Chacon, Mucki Botkay, Park Chae Biole, Park Chae Dalle, Roberto Burle Marx, Rodrigo Andrade, Silia Moan, Tito Terapia, Tomie Ohtake e Ygor Landarin.

O conjunto propõe um diálogo entre diferentes momentos e vertentes da arte moderna e contemporânea, aproximando experiências ligadas à abstração geométrica e construtiva, à pintura figurativa, às práticas têxteis e a pesquisas que exploram a materialidade por meio da cerâmica, da madeira e de outros suportes.

Representação do artista Francisco Galeno.

15/set

A Galatea anuncia a representação do artista Francisco Galeno (1956, Parnaíba, Piauí – 2025, Parnaíba, Piauí) e seu legado. Nascido na região do Delta do Parnaíba, Francisco Galeno cresceu em uma família de artesãos, entre ofícios ligados à carpintaria, ao couro, à costura, à renda e à construção de canoas. Ainda jovem, mudou-se para Brasília, estabelecendo-se em Brazlândia, onde iniciou sua trajetória artística. A partir de 2012, passou a dividir sua vida e produção entre Brazlândia e Parnaíba, mantendo ateliê nas duas cidades até seu falecimento, em 2025, aos 68 anos.

Interessado pelas artes desde jovem, Francisco Galeno estudou música e teatro antes de se dedicar às artes visuais. Em 1977, frequentou o ateliê-escola de Moreira Azevedo e, no ano seguinte, realizou curso livre de pintura com Maria Pacca, no Centro de Criatividade da Fundação Cultural do DF, dirigido por Luiz Áquila.

Para além dos estudos formais, o artista reivindicou o aprendizado advindo do contato com os artesãos que o cercavam, com a paisagem e os objetos da sua infância, e com a cidade de Brasília. Foi essa mescla que possibilitou o alcance de uma autenticidade no seu trabalho: carretéis, anzóis, pipas e latas de sardinha ora são depurados em linhas e formas geométricas para entrar na sua pintura, ora são apropriados em sua condição de objeto, sendo rearranjados de forma lírica e lúdica para compor uma obra escultórica.

Em seu currículo somam-se exposições nacionais e internacionais, tais como: sua última retrospectiva “Galeno, o mistério do simples” (Caixa Cultural Brasília, DF, Brasil, 2026); “Galeno, uma nova direção – Estripulias” (Museu Nacional dos Correios, Brasília, 2014); “Francisco Galeno” (Galerie Debret, Paris, 2002); “Viva Brasil Viva” (Coletiva, Liljevalchs Konsthall, Estocolmo, 1991); entre outras.

Em 2009, Francisco Galeno finalizou, a convite do IPHAN, o painel que ocupa o altar da Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, em Brasília, onde estava uma pintura de Alfredo Volpi, apagada pelos militares na década de 1960. Suas obras fazem parte de diversas coleções permanentes, tais como: Museu de Arte de Brasília – MAB, Brasília; Palácio do Itamaraty, Brasília; Museu de Arte Contemporânea – MAC Niterói, Rio de Janeiro; Museu Nacional de Belas Artes – MNBA, Rio de Janeiro.

Memória familiar e imaginação.

A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta “espírito jardim humana”, primeira exposição individual de Tadáskía desde seu ingresso na galeria. Com abertura efetuada em 14 de setembro, na Carpintaria, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ, a mostra reúne trabalhos que articulam memória familiar e imaginação. Ancoradas em uma cosmologia própria, as obras combinam formas abstratas e elementos orgânicos, que assumem figuras híbridas, situadas entre personagens e ambientes.

Em pinturas sobre tela e sobre suportes escultóricos em papel couro, folheado de madeira e MDF, a artista desenvolve um léxico de formas e presenças associado a uma espécie de anima, entendida como força constitutiva de sua criação. Bichos, legumes, cabelos, cascas e outras referências atravessam esse repertório, ao lado de galhos, palhas de taboa, bromélias, frutas, ovos, líquidos e outros materiais que se prolongam no espaço expositivo. Em suas “aparições”, como a artista denomina as fotografias realizadas em 35mm, assim como nas superfícies, ranhuras, relevos e passagens de cor, diferentes elementos se articulam entre imagem, matéria e forma. Aquilo que se apresenta de modo sugerido na pintura e no desenho ganha corpo e volume nos trabalhos escultóricos, estabelecendo relações entre diferentes meios e procedimentos.

“espírito jardim humana” assinala também uma inflexão sutil na produção recente de Tadáskía, marcada pelo aparecimento de áreas de branco e do suporte exposto. O branco reaparece nos desenhos e no interior das cascas, relevos pintados a óleo, e também em trechos onde a tinta foi raspada. Essas áreas de vazio assumem uma função compositiva, introduzindo intervalos de luz e abertura que alteram o ritmo e a atmosfera das obras. Ao redor desse núcleo, as esculturas articulam elementos encontrados e objetos transformados, aproximando materiais de diferentes origens e temporalidades. Grafismos e campos de cor organizam superfícies e camadas que ampliam as relações entre pintura, desenho e escultura.

Até 31 de outubro.

Exposição investiga modos de narrar.

14/set

A artista Rose Afefé participa do 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito, no MAM São Paulo, com curadoria de Diane Lima. Reunindo 33 artistas de 11 territórios e diferentes gerações e perspectivas, a exposição investiga modos de narrar, imaginar e construir a arte brasileira contemporânea, a partir de uma questão formulada pela filósofa Denise Ferreira da Silva sobre aquilo que pode existir para além do que já foi dito e feito sobre a violência colonial e racial.

A pesquisa de Rose Afefé parte do resgate de memórias e da relação com os territórios, articulando pertencimento, ocupação, convivência e fabulação. Desde 2018, esse percurso se materializa em “Terra Afefé”, uma microcidade em escala humana construída com terra e adobe na zona rural de Ibicoara, na Chapada Diamantina. Pensada como espaço de encontro, a obra articula arte e vida e mobiliza saberes locais, natureza e formas de organização coletiva, investigação que a artista desloca e reelabora em diferentes contextos.

No Panorama, essa pesquisa se desdobra em “Posse Simbólica”, série de 21 pinturas realizada em 2025 a partir da coleta de terra em um canteiro de obras da Grande Paris. As pinturas refletem sobre posse, pertencimento e fabulação de territórios, transformando fachadas em espaços simbólicos para tensionar fronteiras e criar formas de redistribuição e vínculo. A série também incorpora uma carta escrita por uma criança após uma conversa com a artista no Solar dos Abacaxis, na qual pede para viajar à África e conhecer seus ancestrais. A carta passa a integrar o trabalho como parte de um gesto que busca transformar a obra em meio para a realização desse desejo.

O 39º Panorama da Arte Brasileira: “Depois que tudo foi dito” permanece aberto ao público até 24 de janeiro de 2027, no MAM São Paulo.

Fotografias feitas por Agnès Varda.

A Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, em parceria com o Instituto Moreira Salles, exibe a exposição “Fotografia Agnès Varda Cinema”. A mostra reúne cerca de 200 fotografias feitas por Agnès Varda, principalmente entre as décadas de 1950 e 1960. O conjunto traz imagens registradas durante viagens, incluindo fotografias inéditas feitas na China, em 1957, registros em Cuba, no contexto pós-revolução, e nos Estados Unidos, onde a artista documentou os Panteras Negras. 

A exposição apresenta ao público uma faceta menos conhecida da obra de Agnès Varda (1928-2019). Nome central da História do Cinema, com filmes que marcaram gerações, a artista também é autora de uma extensa produção fotográfica, tendo inclusive começado sua carreira como fotógrafa. Ao longo dos anos, consolidou-se como cineasta, mas a fotografia continuou presente em sua trajetória.

Concebida e realizada pelo Instituto Moreira Salles, pelo Institut Pour La Photographie e pelo Cine Tamaris, a exposição foi apresentada pela primeira vez em 2025, no IMS Paulista. A curadoria é assinada por Rosalie Varda, diretora do Ciné-Tamaris e filha da cineasta, e João Fernandes, diretor artístico do IMS, com assistência de Horrana de Kássia Santoz, curadora vinculada à diretoria artística do IMS.

Grande parte da exposição é dedicada às viagens da artista. De acordo com os curadores, Agnès Varda acompanhou grandes mudanças da segunda metade do século XX, com um olhar atento ao contexto político, mas também às sutilezas e aos detalhes, com interesse especial pelas mulheres e crianças. Nesse núcleo, um dos principais destaques é a série que Agnès Varda produziu na China, em 1957, quando viajou ao país como parte de uma delegação francesa. As fotografias foram tiradas após a Revolução Maoísta e antes da Revolução Cultural. Para a curadoria, as imagens feitas na China “são registros essenciais de um encontro entre política, cultura e subjetividade, atravessados por contingências históricas. Elas não capturaram uma grande narrativa de uma revolução, mas elaboraram uma modernidade em construção: fragmentos de vidas comuns, expressões de resistência cultural”.

Além da produção das décadas de 1950 e 1960, a exposição apresenta uma obra mais recente, a instalação Instants arrêtés (Instantes parados) (2012), na qual a artista investiga o movimento inverso de sua prática habitual, partindo do cinema para a fotografia. Segundo a curadora Rosalie Varda, a obra é “uma espécie de síntese, a prova de que, até os últimos anos de sua carreira, Agnès Varda permaneceu inquieta, sempre em busca de novas formas de olhar, de pensar e de compartilhar as imagens”.

Em cartaz até 28 de fevereiro de 2027.