Diferentes possibilidades de sugerir movimento.

06/out

A xilogravura “Procura do Branco” (1966),  de Vera Chaves Barcellos, integra o material educativo da exposição coletiva “Uma Força Estranha”, em cartaz na Sala dos Pomares, na Fundação Vera Chaves Barcellos, em Viamão, RS. Na xilogravura, o contraste cromático entre as linhas verdes e as manchas laranjas sobre o fundo preto e branco, carregam a potência da obra. Criam uma sensação de movimento, como se as formas lutassem para ocupar o mesmo espaço.

Como obras relacionadas, os trabalhos de Lily Hwa e Suely Anna Kelling também exploram diferentes possibilidades de sugerir movimento em um quadro. Na gravura de Lily Hwa, o contraste entre o fundo acinzentado e as linhas escuras cria profundidade. Já na pintura de Suely Anna Kelling, formas ovaladas e traços vermelhos em meio a um vórtice azul-escuro, produzem uma movimentação orgânica e fluida.

O material educativo foi desenvolvido pelas equipes do Programa Educativo, Margarita Kremer e Ethiene Nachtigall, e do Centro de Documentação e Pesquisa da Fundação Vera Chaves Barcellos, por Yuri Flores Machado e João Lizardo. A partir dos três vetores de aproximação propostos por Ana Albani de Carvalho – natureza, corpo e geometrias instáveis -, o conteúdo reúne sete fichas com propostas de atividades relacionadas a 16 obras da exposição, além de reflexões sobre os trabalhos das artistas e sugestões de conteúdos audiovisuais e literários, voltadas a professores e educadores.

A individual institucional de Chico da Silva.

A Galatea tem o prazer de compartilhar a nova individual do artista Chico da Silva (Cruzeiro do Sul, Acre, 1910 – Fortaleza, 1985) And the soul is for the birds (E a alma é para os pássaros) no Nottingham Contemporary, em Nottingham, Reino Unido.

Essa é a primeira exposição individual institucional europeia do artista acreano conhecido por suas composições imaginativas, inspiradas nas tradições orais do Norte do Brasil, no folclore, nas narrativas indígenas, marcadas pelo uso de cores intensas e traços intrincados.

Reunindo obras fundamentais de diferentes momentos de sua trajetória, a mostra apresenta uma ampla seleção de pinturas que percorrem o universo visual singular de Chico da Silva – de cenas oceânicas a vastos mundos cósmicos, onde criaturas marinhas flutuam pelo espaço e seres híbridos se encontram.

A exposição, que contou com a colaboração da galeria Mendes Wood DM, convida o público a reconsiderar o legado de Chico da Silva e abre novas possibilidades de encontro com a arte indígena contemporânea brasileira em contexto internacional.

A permanência da tradição cerâmica.

A Japan House, Avenida Paulista, Bela Vista, São Paulo, SP, recebe, a exposição “Cerâmica em Curso”, dedicada à história, às técnicas e à permanência da tradição cerâmica japonesa. A mostra reúne 19 peças e percorre desde exemplares produzidos há milhares de anos até criações contemporâneas decorativas e utilitárias e ainda apresenta trabalhos dos seis principais polos ceramistas do Japão.

O percurso começa com obras dos períodos Jōmon, iniciado por volta de 14 mil A.C., e Muromachi, entre os séculos 14 e 16, apresentando diferentes momentos da evolução da cerâmica no Japão. Uma das peças mais antigas foi moldada à mão e decorada por meio da pressão de cordas sobre a argila ainda úmida, técnica que deixava marcas na superfície antes da queima em fogueiras ao ar livre.

Já o exemplar do Período Muromachi mostra o avanço das técnicas de produção. Com aparência mais rústica, a peça apresenta marcas provocadas pelo fogo e uma superfície irregular, resultado do uso de fornos construídos em terrenos inclinados, que favoreciam a circulação das chamas e do calor. A exposição também dedica espaço aos chamados “seis fornos antigos” do Japão: Bizen, Echizen, Seto, Shigaraki, Tamba e Tokoname. As regiões, consolidadas ao longo dos séculos como importantes polos de produção, foram reunidas sob essa denominação na década de 1950 pelo pesquisador japonês Koyama Fujio.

A exposição apresenta ainda amostras das argilas utilizadas em cada região. As diferenças na composição do solo influenciam diretamente aspectos como cor, textura e brilho das peças. Em Echizen, por exemplo, a presença elevada de ferro na argila favorece tonalidades avermelhadas e terrosas. Já Seto, na província de Aichi, é conhecida por uma argila com menor presença de ferro, característica que possibilita a produção de peças com tonalidades mais claras, próximas do branco.

Ao combinar objetos históricos e obras recentes, “Cerâmica em Curso” mostra como uma tradição construída ao longo de séculos permanece viva não apenas como patrimônio cultural, mas também no design e nos objetos do cotidiano japonês.

Até 30 de maio de 2027.

Um diálogo transgeracional.

A aproximação entre Abraham Palatnik (Natal, 1928 – Rio de Janeiro, 2020) e Juan Parada (Curitiba, 1978) em exposição (Reverbero, Resonance) na Simões de Assis, Curitiba, PR, exibe um encontro entre os artistas que converge em um diálogo transgeracional que investiga cinetismo, luz e matéria.

Os rumos da história da arte foram recalculados pela presença de Abraham Palatnik, ao lado de Jesús Rafael Soto e Carlos Cruz-Diez. O grupo ocupa um lugar fundamental e fundador na arte cinética latino-americana ao potencializar o artesanal e a utilização de suportes pouco convencionais nas artes visuais. Os aparelhos cinecromáticos de Palatnik – estruturas de motores e luzes – obtiveram grande reconhecimento, tendo inclusive participado da primeira Bienal de São Paulo, em 1951, com menção especial do júri internacional. 

Diante da amplitude de sua dimensão matérica, Abraham Palatnik também realizou obras que dispensam a utilização de dispositivos eletrônicos e simulam o movimento na projeção de camadas e sombras. 

Há um diálogo com a poética de Juan Parada, que desenvolve sua pesquisa em cerâmica e escultura há mais de duas décadas. Ao longo de sua trajetória de pesquisa, afinou seu conhecimento técnico, como quando em 2016, realizou uma residência artística no Jingdezhen International Studio na China e posteriormente na Holanda, em 2022, no European Ceramic Workcentre em Oisterwijk. Os artistas apresentam uma dinâmica visual em ressonância, em um ritmo progressivo da forma na criação de relevos e volumetria, evidenciando a destreza técnica somada a reinvenção da linguagem.

Em Abraham Palatnik e Juan Parada nenhum processo e sistema pode ser descrito por relações lineares de causa e efeito, são atuantes e habitam o território do devir e da variabilidade. Ambos constroem sistemas completos/complexos em produção de sentido. A matemática e a precisão constroem sistemas virtuais, mas é na matéria que nos deparamos com a dimensão física e temporal dos artistas, desvelando seus desvios.

Até 17 de outubro. 

Exibição individual de Wolfram Ullrich.

05/out

Obras inéditas do artista alemão Wolfram Ullrich na Galeria Raquel Arnaud, Vila Madalena, São Paulo, SP,  “Ambiguidade Construtiva e Ativação do Espaço”, define bem as ideias por trás de suas obras. 

O nome da exposição de Wolfram Ullrich define bem as ideias por trás de suas obras. Os trabalhos transitam entre pintura, escultura e arquitetura e fazem o visitante se deslocar pelo espaço, para perceber os diferentes modos em que as formas se reorganizam diante de seus olhos. 

O artistaa nasceu em 1961, em  Würzburg, Alemanha. Vive e trabalha em Stuttgart, Alemanha. Os trabalhos de Wolfram Ullrich erigem-se sobre um processo de planejamento conceitual e um árduo trabalho manual de precisão, além de estabelecerem diálogos com os fundamentos da arte concreta, como o significado da cor definido apenas por ela mesma, a forma que obedece às leis da geometria e a relação direta entre o corpo e sua materialidade e plasticidade. No entanto, Wolfram Ullrich vai além ao criar volumes e estruturas que parecem escapar das paredes, desafiando noções de perspectiva e de ilusão. Feitas de matéria rígida, como aço, as superfícies monocromáticas de Wolfram Ullrich são testemunhas não somente da própria materialidade inabalável, mas também dos fenômenos ópticos que submetem as obras à perspectiva móvel de cada observador e fazem com que pareçam flutuar no espaço.

Wolfram Ullrich é graduado em Artes Visuais e Pintura pela Staatliche Akademie der Bildenden Künste Stuttgart (1986) e em História da Arte pela Universität Stuttgart (1985). Começou a desafiar a lógica bidimensional da pintura e as políticas da perspectiva na década de 1980, época em que participou de suas primeiras exposições na Europa. Dentre suas exposições recentes, destacam-se as individuais nas galerias Une (Suiça, 2012) e Denise René (França, 2011); e as coletivas “Mouvement et Lumière”, na Fondation Villa Datris (França, 2012); “Interferences” na Fundação Vasarely (França, 2011); e “Beyond Painting”, no Museu Bohuslan (Suécia, 2009). Nos últimos anos, foi premiado pela Fundação Messmer (Alemanha, 2010) e pela Fundação Helmut Kraft (Stuttgart, 2009). Seu trabalho é exibido regularmente nas principais feiras de arte, como Art Basel (Basileia e Miami), FIAC (Paris), Art Cologne e Zona Maco (Cidade do México). Desde 2013 o artista é representado pela Galeria Raquel Arnaud, que realizou a mostra “Planar” (2013), sua primeira mostra individual no Brasil.

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Individual de Ana Calzavara no Rio de Janeiro.

Artista paulista apresenta trabalhos inéditos criados durante uma intensa temporada de trabalho em Lisboa. Em “Desenredo”, pinturas convidam a uma renovação do olhar diante de um mundo saturado de imagens. 

Como fazer uma imagem persistir em meio ao turbilhão visual do mundo contemporâneo? Como devolver duração a uma imagem em uma cultura com excesso de estímulos visuais? É a partir dessas questões que Ana Calzavara constrói “Desenredo”, sua segunda exposição individual na Maneco Müller : Multiplo Galeria, Leblon. 

A série inédita de pinturas a óleo aprofunda a investigação poética da artista sobre a experiência do olhar e a forma como apreendemos as imagens em um cotidiano atravessado por telas e fluxos incessantes de informação. Partindo dessa fragmentação, as pinturas de Ana Calzavara buscam justamente o contrário: captar do espectador um olhar mais duradouro e concentrado, no qual a atenção seja, de alguma forma, recuperada.

O texto crítico da mostra é de Pedro Duarte.

Segundo a artista, o nome da exposição, “Desenredo”, remete a esse embaralhamento do olhar, a uma narrativa que explodiu, se despedaçou e não é mais linear. “A exposição traz essa experiência da fragmentação, mas numa tentativa de subvertê-la. Quero provocar o espectador para olhar o mundo de uma forma diferente da que estamos acostumados. A exposição nasce do desejo de renovar a experiência do espectador com a imagem, de fazer com que essa imagem se relacione com ele de uma forma mais persistente, que não seja descartada, que traga uma reflexão”, explica a artista.

Mostra abre no dia 08 de outubro e pode ser visitada até 21 de novembro.

Em diálogo com a arquitetura otomana.

Artista brasileiro ocupa cisterna bizantina de 500 anos com exposição em Istambul. Em sua primeira exposição individual na Turquia, Alex Červený reúne mais de 30 obras em um complexo otomano de 500 anos, incluindo uma cisterna bizantina. Articuladas pelo espaço como um códice, as obras dialogam diretamente com a arquitetura otomana.

Durante a Semana de Arte de Istambul, realizada entre 23 e 27 de setembro, o artista brasileiro Alex Červený apresentou sua primeira exposição individual na Turquia. Intitulada Atlas of Encounters (em tradução livre, Atlas de Encontros), a mostra ocupou o Zeyrek Çinili Hamam, histórico complexo de banho turco e museu com cerca de 500 anos, projetado por Mimar Sinan, considerado o principal arquiteto do Império Otomano. A exposição reúne mais de 30 obras e permanece em cartaz até 31 de janeiro de 2027.

Instalada também na cisterna bizantina sob o hamam do século XVI, a exposição reúne trabalhos apresentados pela primeira vez, incluindo obras recém-encomendadas e peças desenvolvidas a partir da primeira visita do artista a Istambul. A arquitetura do edifício não funciona apenas como cenário: é parte fundamental da experiência proposta pela mostra.

Cores intensas em exibição em Paris.

O fotógrafo brasileiro Rafael Pavarotti ganhou exposição no Musée des Arts Décoratifs, em Paris. Em cartaz até maio de 2027, a mostra reúne mais de 200 imagens do artista paraense, incluindo capas de revistas de moda e retratos de nomes como Beyoncé, Rihanna e Harry Styles. A curadoria de “Raphael Pavarotti, photographe” é de Sébastien Quéquet.

Nascido em Belém, no Pará, Rafael Pavarotti construiu uma assinatura visual marcada por cores intensas e saturadas e por referências à cultura afro-brasileira. A exposição reúne trabalhos encomendados e projetos pessoais, passando por seus primeiros experimentos até uma série de retratos masculinos publicada pela Double Magazine em 2019. Aos 15 anos, ele deixou Belém e partiu para uma trajetória que passou por destinos nacionais e internacionais, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo e Londres, até chegar a Paris, onde se estabeleceu em 2025.

O trabalho de Rafael Pavarotti já passou pelas páginas de alguns dos principais veículos de moda e cultura do mundo, como The New York Times, W Magazine, i-D, Dazed, Perfect Magazine e diferentes edições da Vogue. Ao mesmo tempo, construiu uma trajetória próxima de grandes grifes, com trabalhos para Balenciaga, Mugler, Balmain, Chanel, Dior e Ferragamo. Entre as personalidades que já passaram por suas lentes estão figuras da cultura pop atual, como A$AP Rocky, Addison Rae, Charli XCX e Tyla, além de Gisele Bündchen, fotografada para a campanha de primavera 2024 da Balmain.

Investigando as conexões sutis.

 

A Galeria Marilia Razuk, Itaim Bibi, São Paulo, SP, abriu espaço para o mais novo trabalho de Carolina Colichio. Intitulada “Cavalinhas e Falésias”, a mostra apresenta peças produzidas em alumínio fundido, coordenadas com processos que já pautam suas criações, como a cerâmica, a porcelana, os esmaltes e o milenar método de pintura, a encáustica.

Carolina Colichio transita entre escultura, pintura e instalações e tem sua pesquisa artística criada a partir da prática diária de observação e do deslocamento entre a cidade e a natureza, investigando as conexões sutis entre o ambiente urbano e o tempo profundo do planeta.

Até 03 de novembro.

O sonho é um vasto território.

01/out

Para a Art Basel Paris 2026 entre 23 e 25 de outubro,  no Grand Palais, A Gentil Carioca (Stand A4) apresentará o tema “Sonhos e Pesadelos”. O sonho é um vasto território, onde as formas se expandem livremente e a lógica da vida cotidiana se dissolve. Sonhar não é uma fuga, mas a construção de mundos nos quais escolhemos acreditar. mundos que podem, às vezes, se transformar nos pesadelos de nossas próprias construções. Buscamos apresentar obras em que o sonho assume múltiplas formas e escalas, tornando-se uma matéria política e um confronto para imaginar outras formas de viver, recusando o que está dado e persistindo na luta.