Ernesto Neto, Vonta de vi dada dada.

24/ago

Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Vonta de vi dada dada, uma nova exposição individual de Ernesto Neto, inaugurada simultaneamente nos espaços Barra Funda e Jardins da galeria, em São Paulo. 

Reunindo um novo conjunto de instalações escultóricas, trabalhos sobre papel e intervenções textuais, a mostra amplia a investigação de longa data do artista sobre a interdependência entre corpos, materiais e sistemas vivos. Distribuídas entre os dois espaços, esculturas em crochê de algodão, cordas trançadas, bambu, aço corten e argila assumem configurações orgânicas que evocam insetos, raízes, montanhas, florestas e outras formas híbridas, propondo a escultura como um campo de relações, movimento e transformação contínuos.

No centro da exposição está uma nova série de esculturas murais que Ernesto Neto denomina InsePás: estruturas tensionadas e celulares que se expandem pelas paredes, tetos e cantos da arquitetura como organismos vivos ou fluxos de energia atravessando o espaço. Desenvolvidos a partir de pesquisas anteriores sobre suspensão, equilíbrio e estruturas relacionais, esses trabalhos aprofundam a compreensão do artista da escultura como algo ativado pelo encontro, e não como forma estática. Em diálogo com eles, a exposição inclui uma escultura de grande escala em aço corten cuja estrutura ramificada evoca simultaneamente uma paisagem montanhosa e um corpo vivo sustentado por relações de equilíbrio e apoio mútuo.

Em conjunto, as obras transformam a galeria em um ecossistema permeável, mais do que em um espaço expositivo neutro. Escultura, desenho, escrita e som articulam-se como manifestações de uma visão de mundo marcada pelo pensamento cosmológico, pela interdependência ecológica e pelo conhecimento incorporado. Em vez de estabelecer separações entre natureza e cultura, ou entre arquitetura e corpo, a exposição propõe um ambiente em que formas humanas e não humanas coexistem em constante intercâmbio, reafirmando a compreensão de Neto de que a vida se sustenta por meio das relações, da reciprocidade e da vitalidade compartilhada entre todos os seres.

Até 24 de outubro.

Expoente da arte têxtil realiza duas exposições.

A Nara Roesler São Paulo convida para a abertura, no dia 29 de agosto, das 11h às 15h, da exposição “Autobiografia de um fio”, com trabalhos inéditos e recentes, além da obra histórica “Zapallar Domingo II” (1957), de Sheila Hicks (1934), um dos grandes nomes da arte contemporânea internacional, e expoente da arte têxtil. A curadoria é de Luis Pérez-Oramas.

Com obras presentes nos acervos dos principais museus do mundo, Sheila Hicks há mais de seis décadas é expoente da arte têxtil. Sua prática expande as possibilidades do fio e da fibra, articulando abstração, cor, escultura, pintura e arquitetura. Nascida em 1934, em Hastings (Nebraska, Estados Unidos) e residente em Paris desde 1964. 

Simultaneamente, o Instituto Tomie Ohtake fará a mostra monumental “O que que é isso?” em torno da obra de Sheila Hicks, com um recorte histórico sobre a trajetória da artista e suas relações com a arte pré-colombiana e com a América Latina. A curadoria é de Ana Roman, Luis Pérez-Oramas e Paulo Miyada. As exposições serão acompanhadas por uma publicação conjunta do Instituto Tomie Ohtake e da Nara Roesler Books.

A exposição individual de Sheila Hicks na Nara Roesler São Paulo estava inicialmente prevista para 2020, mas o projeto foi interrompido pela pandemia. Em 2025, ao mesmo tempo em que Nara Roesler retomava a ideia de uma individual de Sheila Hicks, Paulo Miyada – então diretor artístico do Instituto Tomie Ohtake – e Ana Roman decidiram convidar a artista para uma exposição. A coincidência dos calendários, a brecha na supersolicitada agenda da artista e a relação histórica entre as duas instituições – marcada também pela amizade entre Tomie Ohtake e Nara Roesler – tornaram o momento especialmente propício para articular as duas mostras. 

As duas mostras consagradas a Sheila Hicks no Brasil fecham um circuito de exposições na América Latina iniciado no Museo Amparo (Puebla, México, 2017) e continuado no Museo Precolombino (Santiago do Chile, 2019), representando com sua presença em São Paulo um grande retorno às fontes históricas do seu trabalho como artista têxtil.

Fragmentos de histórias.

A Galatea anuncia a representação de Romildo Rocha (1989, vive e trabalha em São Luís do Maranhão, Brasil). Este mês, o artista integra o estande da Galatea na SP-Arte Rotas, em uma apresentação conjunta com Zé di Cabeça, de 26 a 30 de agosto, na ARCA, em São Paulo.

Romildo Rocha utiliza a pintura como linguagem artística através da qual desenvolve e retoma um repertório imagético que possui afinidade com as culturas populares do nordeste brasileiro.

Em especial, suas obras se relacionam às práticas, ambientes e imaginários com os quais convive em seu território de origem no Maranhão, incluindo seu universo familiar como filho de um caminhoneiro e uma quebradeira de coco.

Suas pinturas atuam como fragmentos de histórias, povoadas por personagens, relações e acontecimentos que sugerem enredos da vida comum convocados por sensações e situações como tensão, humor, felicidade, medo e amor, entre outros sentimentos, a partir de telas de variadas proporções, em tons harmoniosos em tinta a óleo e acrílica.

Em sua trajetória artística, Romildo Rocha integrou projetos como Estrondo: vibrações da memória (Coletiva, Lima Galeria, Espaço Fátima Lima, São Luís do Maranhão, Brasil, 2026), 17º Salão dos Artistas Sem Galeria (Coletiva, Zipper Galeria, São Paulo, Brasil, 2026); 1ª Bienal das Amazônias – Bubuia: Águas como Fonte de Imaginações e Desejos (Coletiva, Centro Cultural Bienal das Amazônias – CCBA, São Luís do Maranhão, Brasil, 2023), Xilograffiti (Coletiva, Sesc Consolação, São Paulo, Brasil, 2022) e Paratodos (Individual, Galeria do Sesc Centro, São Luís, Brasil, 2020).

Luz, movimento e matéria.

21/ago

A Simões de Assis apresenta “Reverbero”, um diálogo entre Abraham Palatnik e Juan Parada na galeria em Curitiba, PR. A exposição aproxima duas gerações de artistas a partir de suas pesquisas sobre luz, movimento e matéria. Em Abraham Palatnik, camadas, sequências e relevos exploram ritmo e volumetria. Em Juan Parada, a cerâmica se transforma a partir do encontro entre argila, esmaltes, tempo, temperatura e atmosfera. “Reverbero” coloca essas duas pesquisas em relação, revelando diferentes maneiras de pensar a forma e seus processos de transformação.

Abraham Palatnik (Natal, 1928 – Rio de Janeiro, 2020). Pioneiro da arte cinética, expande os caminhos das artes visuais ao relacionar arte, ciência e tecnologia. De modo criativo, e ao longo de mais de 60 anos de carreira, desenvolve maquinários com experimentações artísticas e estéticas diversas. Filho de uma família de judeus russos que se instalou no Brasil em 1912, mudou-se em 1932 para a região onde hoje se localiza o Estado de Israel. De 1942 a 1945, estudou na Escola Técnica Montefiori, em Tel Aviv, onde especializou-se em motores de explosão. Entre os anos 1943 e 1947 frequentou o Instituto Municipal de Arte de Tel Aviv, período importante em sua formação. Em 1948 retornou ao Brasil, fixando-se no Rio de Janeiro. O contato com os artistas locais e as discussões conceituais com o crítico Mário Pedrosa, o fizeram romper com os critérios convencionais, partindo para relações entre a forma e a cor. Por volta de 1949, iniciou estudos no campo da luz e do movimento, que resultaram no Aparelho Cinecromático, caixas com lâmpadas que se movimentam por mecanismos acionados por motores, projetando fontes luminosas sobre a tela. Exposto em 1951, na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, na qual recebeu menção honrosa do júri internacional. Em 1954, Abraham Palatnik passou a integrar o Grupo Frente, ao lado de Ivan Serpa, Ferreira Gullar, Mário Pedrosa, Franz Weissmann e Lygia Clark. A partir de 1964, surgem os Objetos Cinéticos, formados por hastes ou fios metálicos, tendo em suas extremidades figuras geométricas coloridas, que se movimentam lentamente, acionados por motores e eletroímãs. Se nos Aparelhos cinecromáticos a parte eletromecânica não fica aparente ao espectador, nos Cinéticos, parte dessa estrutura é visível. O rigor matemático é constante em sua obra, atuando como importante recurso de ordenação do espaço. É considerado internacionalmente um dos pioneiros da arte cinética, tendo participado de exposições relevantes como algumas edições da Bienal de São Paulo, da XXXII Bienal de Veneza e da exposição Los Cinéticos no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid, 2007. Sua obra está representada em museus e coleções importantes, entre elas: MOMA – Museum of Modern Art, Nova York; Fundación Patricia Phelps de Cisneros, Caracas e Nova York; Museum of Fine Arts, Houston; Royal Museums of Fine Arts of Belgium, Bruxelas; William Keiser Museum, Krefeld; MALBA – Museo de Arte Latinoamericano, Buenos Aires; MAM – Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro; MAC – Museu de Arte Contemporânea, Niterói; MAM – Museu de Arte Moderna, São Paulo; MAC – USP – Museu de Arte Contemporânea, São Paulo; Instituto Itaú Cultural, São Paulo; MAC – Museu de Arte Contemporânea, Curitiba; MON – Museu Oscar Niemeyer, Curitiba e MAC – Museu de Arte Contemporânea, Brasília.

Juan Parada (Curitiba, 1979) graduou-se pela Escola de Belas Artes do Paraná em 2002 e iniciou sua pesquisa em cerâmica em 2003. Desde então, vem trabalhando com instalações, esculturas e intervenções urbanas. Sua investigação contorna principalmente questões sobre a tridimensionalidade e as relações de tempo-espaço. Um recorte significativo de sua poética são os “Relevos Geométricos”, que apresentam um interesse particular do artista por questões gráfico-escultóricas exploradas em relevos no plano bidimensional da parede. Sendo experiências de progressão e fluxo de formas geométricas e orgânicas, advindas de soluções estruturais e fenômenos naturais. Aparecem também referências a formas generativas, tanto em escala micro quanto macro, com padrões que emergem em volumes que atuam em uma lógica matemática. Por volta de 1949, iniciou estudos no campo da luz e do movimento, que resultaram no Aparelho Cinecromático, caixas com lâmpadas que se movimentam por mecanismos acionados por motores, projetando fontes luminosas sobre a tela. Exposto em 1951, na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, na qual recebeu menção honrosa do júri internacional. Foi indicado ao Prêmio Pipa em 2015 e recebeu Menção Honrosa no 2º Salão Nacional de Cerâmica, em Curitiba, em 2008. Participou de diversas exposições, das quais destacam-se: “Upstream Focus” (2022), Upstream Gallery, Amsterdam; “Orgânico” (2021), com curadoria de Marc Pottier, São Paulo; “Turbulências cerâmicas” (2020), Simões de Assis, São Paulo; “Bienal Internacional de Curitiba” (2017), MON – Museu Oscar Niemeyer, Curitiba; “Desenho” (2017), SIM Galeria, Curitiba; “Duas Décadas de Arte Contemporânea: Artistas do Paraná na Bienal de Curitiba” (2012), MON – Museu Oscar Niemeyer, Curitiba. Possui trabalhos na coleção do Museu Oscar Niemeyer, Brasil.

Até 17 de outubro.

Duas maneiras de narrar o Brasil.

A Galatea traz para o estande E04 da feira SP-Arte Rotas 2026 os projetos de Romildo Rocha (1987, São Luís, Maranhão) e de Zé di Cabeça (1969, Salvador, Bahia).

A feira acontece na ARCA, em São Paulo, entre os dias 26 e 30 de agosto. O estande, dividido em dois conjuntos expositivos, converge produções que encontram no território forças inventivas para afirmar outras maneiras de narrar o Brasil e, principalmente, o Nordeste brasileiro.

É do encontro da cultura popular maranhense com o repertório familiar e pessoal, enquanto filho de um caminhoneiro e uma quebradeira de coco, que Romildo Rocha extrai a matéria de sua pintura. O artista constrói cenas em que a lida dos vaqueiros, o Bumba-Meu-Boi, paisagens do interior e situações que acionam sentimentos profundamente humanos surgem como fragmentos de uma memória viva.

Já Zé di Cabeça faz do Subúrbio Ferroviário de Salvador o seu laboratório criativo. Suas pinturas utilizam madeiras de demolição e objetos descartados como suporte para representações de velas, igrejas, terreiros, animais e plantas medicinais que se tornam memórias vivas da periferia soteropolitana.

Seleção de obras da Almeida & Dale.

20/ago

No estande C05, na ARCA, Vila Madalena, São Paulo, SP, a Almeida & Dale promove um encontro entre artistas contemporâneos e figuras-chave do século XX nos contextos brasileiro e latino-americano.  

Confira a seleção de obras de Adriana Varejão, Amilcar de Castro, Ana Elisa Egreja, André Ricardo, Beatrice Arraes, Beatriz Milhazes, Candido Portinari, Carlos Garaicoa, David Almeida, Di Cavalcanti, Diego Rivera, Elena Damiani, Eleonore Koch, Feliciano Centurión, Felipe Cohen, Guga Szabzon, Guillermo Kuitca, Gustavo Caboco, Héctor Zamora, Heitor dos Prazeres, Hélio Melo, Henrique Oliveira, Ivan Campos, Jaider Esbell, José Bento, José Leonilson, Lucas Arruda, Luiz Sacilotto, Lygia Pape, Maria Martins, Mariana Palma, Marina Woisky, Maya Weishof, Mira Schendel, Nelson Felix, Paulo Pasta, Rubem Valentim, Saint Clair Cemin, Sergio Camargo, Sheroanawe Hakihiiwe, Thiago Martins de Melo, Túlio Pinto, Vanderlei Lopes e Vivian Caccuri.

Zé di Cabeça é o novo artista representado.

A Galatea anuncia a representação de Zé Di Cabeça (1974, vive e trabalha em Salvador, Bahia, Brasil). Este mês, o artista integra o estande da Galatea na SP-Arte Rotas, em uma apresentação conjunta com Romildo Rocha, de 26 a 30 de agosto, na ARCA, em São Paulo.

Zé di Cabeça é José Eduardo Ferreira Santos, artista visual, educador e fundador do Acervo da Laje – importante espaço cultural independente no Subúrbio Ferroviário de Salvador, onde nasceu e vive.

No Subúrbio Ferroviário de Salvador, Zé di Cabeça encontra um território inesgotável de invenção. Andarilho por excelência, percorre o entorno recolhendo madeiras de demolição, objetos descartados e vestígios trazidos pela maré – materiais que passam a compor a sua produção.

Zé di Cabeça transforma a memória em imagem e o cotidiano em matéria poética. Casas, igrejas, ruínas, terreiros, plantas medicinais, ex-votos: tudo é reinventado em diferentes suportes, fazendo da lembrança um gesto de resistência ao apagamento em curso nas periferias de Salvador.

A trajetória do artista é profundamente marcada pela fundação e gestão do Acervo da Laje, ao lado de Vilma Santos. Hoje reconhecido como um dos mais importantes espaços independentes de articulação cultural de Salvador, o Acervo facilita a aproximação e relação das artes com a periferia soteropolitana, contando com acervo próprio que inclui obras de diversos artistas visuais, biblioteca, exposições e ações de pesquisa.

O trabalho de Zé di Cabeça já esteve presente em exposições coletivas em instituições como Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu de Arte do Rio, Sede da ONU em Genebra (Suíça), Itaú Cultural (SP), Instituto Tomie Ohtake (SP) e Casa das Histórias de Salvador (BA). José Eduardo Ferreira Santos também participou como curador em projetos na Pinacoteca do Ceará, Museu das Favelas (RJ), Centro Cultural Solar Ferrão (BA) e no Acervo da Laje (BA).

Um diálogo entre três gerações.

19/ago

A Luciana Brito Galeria, Jardim Europa, São Paulo, SP, apresenta “Flores e Vasos”, no espaço do Pavilhão. Com curadoria de Nessia L. Pope, reúne fotografias de Rochelle Costi (1961-2022, Brasil), Gaspar Gasparian (1899-1966, Brasil) e Robert Mapplethorpe (1946-1989, EUA), tomando as representações de flores e vasos como eixo para estabelecer um diálogo entre três gerações e distintas abordagens da fotografia.

Flores e Vasos. 

Rochelle Costi, Gaspar Gasparian, Robert Mapplethorpe.

Historicamente associados à tradição da natureza-morta, flores e vasos são aqui reconfigurados por meio de olhares singulares, atravessados por diferentes contextos, procedimentos e sensibilidades. Essa temática atravessa a história da arte como um campo fértil de experimentação formal e simbólica, ocupando um lugar central na tradição da natureza-morta. A partir dos séculos XVI e XVII, artistas europeus passaram a explorá-la como exercício de observação e virtuosismo técnico. Com o advento da fotografia, no século XIX, esse repertório é retomado e reinterpretado: mais do que a dimensão estética dos arranjos, entram em jogo questões como enquadramento, luz, encenação e serialidade. Nesse contexto, flores e vasos transcendem sua condição de meros motivos pictóricos para se constituírem como dispositivos de reflexão acerca do tempo, da forma, da sensualidade e da experiência cotidiana.

Nas fotografias de Gaspar Gasparian, flores e vasos emergem do silêncio, por meio da construção de composições rigorosas, nas quais cada elemento parece cuidadosamente medido. O que se revela não é apenas o arranjo, mas um estado de suspensão, em que o tempo se imobiliza e a imagem se afirma como articulação de forma, luz e permanência. Um aspecto fundamental de sua produção, sobretudo nas décadas de 1940 e 1950, é a construção de cenários em estúdio, concebidos como espaços de experimentação. Neles, Gaspar Gasparian organizava flores, vasos e outros elementos com precisão, controlando minuciosamente a iluminação e o enquadramento. Esses arranjos, ao mesmo tempo que dialogam com a tradição da natureza-morta, evidenciam a fotografia como campo de construção, no qual cada imagem resulta de decisões formais rigorosamente elaboradas.

Já Robert Mapplethorpe aborda o tema a partir de uma dimensão simultaneamente formal e sensual. Nos anos 1970 e 1980, o artista desenvolveu suas célebres séries de flores (lírios, orquídeas e tulipas) em fotografias isoladas ou dispostas em vasos simples, contra fundos neutros. À primeira vista, essas imagens dialogam com a tradição clássica por meio de composições equilibradas e de uma iluminação controlada, contraste acentuado e rigor técnico, de caráter quase escultórico. No entanto, as flores deixam de ser meros elementos decorativos ou alegóricos e passam a ser tratadas como corpos, atravessados por erotização e sensualização, especialmente nas orquídeas. 

Rochelle Costi, por sua vez, em produção mais recente (entre 2015 e 2022), explora a temática a partir de uma dimensão relacional e cotidiana, elaborando anseios, memórias e inquietações por meio do que está no seu dia a dia. A artista encontrava seus objetos de investigação no ambiente doméstico e no entorno do bairro onde vivia, o Pacaembu, região de caráter relativamente bucólico na cidade de São Paulo. Diferentemente de Gaspar Gasparian e Robert Mapplethorpe, Rochelle Costi construia arranjos florais vibrantes, marcados por uma dimensão afetiva e sensível, utilizando flores coletadas e vasos provenientes de sua própria coleção, ou ainda recipientes improvisados, como garrafas, potes e outros objetos banais, que ganham presença e significado nas composições. Seu olhar se intensifica na articulação entre cor, excesso e certa estética kitsch, revelando, nas imagens, modos de vida, gostos e formas de afeto.

Ao aproximar Gaspar Gasparian, Robert Mapplethorpe e Rochelle Costi em torno da tradição da natureza-morta de flores e vasos, a exposição Flores e Vasos coloca em diálogo três gerações e contextos distintos da fotografia. Em Gaspar Gasparian, os arranjos são cuidadosamente encenados, revelando um interesse experimental e formal, herdado do experimentalismo inédito do Foto Cine Clube Bandeirante; em Robert Mapplethorpe, flores e vasos são depurados e monumentalizados como formas escultóricas, atravessadas por tensão simbólica e erótica; já Rochelle Costi desloca esse repertório para o campo do cotidiano e do afeto, evidenciando hábitos e construções culturais. Entre encenação, idealização e contingência, os três artistas reconfiguram o gênero, expandindo-o como campo de investigação sobre forma, corpo e vida social.

Até 17 de outubro.

Performance com abelhas.

Para marcar o último dia da exposição “PRO-POLIS”, Ricardo Siri fará uma performance inédita neste sábado, dia 22 de agosto, às 14h, no Museu Histórico da Cidade, Gávea, Rio de Janeiro, RJ. O artista levará para o museu algumas das abelhas nativas que cria há oito anos em seu meliponário e fará uma performance sonora, a partir de seus zumbidos. “Será uma performance em parceria, eu levarei minhas abelhas e tocarei junto com elas”, conta o artista que já ganhou o Prêmio da Música Brasileira em 2010 com o álbum “Ultrasom”, gravado durante 09 meses a partir de uma experimentação e da gravação de sons do corpo da gestação de sua filha.

Para realizar a performance, o artista levará para o museu cinco espécies diferentes de abelhas, pois cada uma emite diferentes sons. Ele irá microfonar as abelhas e criará, ao vivo, uma música inédita juntamente com elas, a partir de seus sons e zumbidos. A performance será gratuita e aberta ao público.

Com curadoria de Fernanda Lopes, a exposição “PRO-POLIS” apresenta 20 obras inéditas do artista, entre pinturas e esculturas, produzidas com mel, cera de abelha e própolis. “Os trabalhos estabelecem uma ponte entre natureza, cidade e cultura, revelando processos invisíveis de construção coletiva, proteção e transformação”, afirma Ricardo Siri.

Livro de Leonardo Finotti e o legado arquitetônico.

Uma Coleção de Arquitetura Moderna Latino-Americana

Volume 2

Lançamento, dia 22 de agosto na Gomide & Co., Bela Vista, São Paulo, SP.

No segundo volume de sua trilogia “Uma Coleção de Arquitetura Moderna Latino-Americana”, o fotógrafo brasileiro Leonardo Finotti dá continuidade à sua reavaliação do legado arquitetônico moderno da América Latina, reconstruindo edifícios fundamentais por meio das lentes de sua câmera. Deslocando o foco dos grandes protagonistas para geografias e escalas menos visíveis, Leonardo Finotti explora outras nove metrópoles: Buenos Aires, Santiago, Rio de Janeiro, Brasília, Quito, San José, Caracas, Cidade da Guatemala e Guadalajara.

O ensaio que acompanha a obra, escrito pela curadora e pesquisadora Alexia Tala, situa o trabalho de Leonardo Finotti no âmbito dos discursos arquitetônico e fotográfico, com ênfase especial em sua conexão com o legado da arte concreta brasileira, a fotografia serial e o ato de arquivar como uma forma de intervenção.