Onde a Arte Acontece.

24/mar

A MBlois Galeria, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a fluidez cromática de Dani Lima de Freitas. A MBlois Galeria inaugurou a exposição coletiva “Onde a Arte Acontece”, com curadoria de Marlene Blois. A mostra permanecerá até 16 de abril e destaca o trabalho de Dani Lima de Freitas, artista visual e designer, cujas aquarelas capturam o “deslumbramento marcante” das formas e o encontro das cores.

Graduada em Desenho Industrial e Comunicação Visual pela PUC-Rio, Dani Lima de Freitas apresenta uma produção que sintetiza a sensibilidade estética. Sua obra é marcada por uma multiplicidade de linguagens e pela profunda influência de narrativas familiares, resultando em composições plenas de movimento, matizes e sentimentos.

Para a artista, a formação acadêmica foi o desdobramento natural de uma aptidão manifestada na infância. Criada em um ambiente onde a arte era o idioma comum entre gerações, ela transformou o fascínio por texturas em uma carreira pautada pelo detalhismo. Sobre sua identidade artística, Dani pontua: “Distante de qualquer pretensão comparativa, trilhei o caminho dos operários do desenho. Assim como Toulouse-Lautrec, encontro meu lugar na intersecção entre a pintura em tela e a força visual dos cartazes.”

Além de sua produção autoral, Dani Lima de Freitas é especialista em Educação Infantil pela PUC-Rio. Sua trajetória acadêmica, fundamentada por teóricos como Vygotsky e Ana Mae Barbosa, reflete-se em uma visão da arte como linguagem essencial para o autoconhecimento. Tendo a natureza como sua principal fonte de inspiração, a artista utiliza suas obras para promover uma conexão sensível e autêntica com o mundo.

Da construção civil à espiritualidade.

“Pedra de Rumo”, exposição individual de Nelson Felix, foi inaugurada na Almeida & Dale da Rua Fradique Coutinho 1360, São Paulo, SP, e permanerá em cartaz até 02 de maio. Com texto assinado por Keyna Eleison, a exposição emerge de uma cartografia expandida em desenvolvimento pelo artista há cerca de três anos.  

Linhas traçadas entre o espaço expositivo da galeria e o Museu de Arte Contemporânea da USP formam uma cruz quase perfeita; o ponto em que elas se cruzam, em uma praça na zona oeste de São Paulo, abriga Nó a Nó, início do projeto que constitui a nova exposição de Nelson Felix. Sentidos que vão da construção civil à espiritualidade, cabem em pedra de rumo – expressão que nomeia a mostra e a nova série de trabalhos apresentados pelo artista. Esculturas que tecem relação entre mármore, bronze e elementos vegetais, somados às séries “1/2 eu” e “Caymmi”, constituem em conjunto “uma sinfonia à São Paulo”, como pontua o artista.  

“Pedra de Rumo” é também a segunda etapa material do processo em continuidade que iniciou em “Nó a Nó” e que culmina em “Beijo de Língua”, exposição individual de Nelson Felix a ser inaugurada em maio no MAC-USP.

Allan Weber no Instituto Tomie Ohtake.

23/mar

A Galatea compartilha a nova individual de Allan Weber (1992, Rio de Janeiro), “Allan Weber – Existe uma vida inteira que tu não conhece”, com o Instituto Tomie Ohtake, sob a curadoria de Ana Roman e Catalina Berguesno. A exposição reúne cerca de 40 obras produzidas em torno da pesquisa do artista sobre o trabalho com entregas por aplicativo e das conexões estabelecidas dentro das dinâmicas da vida urbana.

Dentre as fotografias, vídeos, objetos e instalações que compõem a mostra, estão algumas nunca antes expostas em São Paulo, como as esculturas da série “Nós que sustenta na raça”. Colunas formadas por caixas-d’água empilhadas trazem para o espaço expositivo a inventividade prática inscrita na vida da cidade, associadas ao manejo de recursos e modos de erguer e adaptar espaços.

Na mesma direção, assentos de moto, mochilas de entrega e capacetes são deslocados para o campo da arte em instalações que ganham uma dimensão poética, em grande parte desenvolvidas durante sua residência artística na Nottingham Contemporary, no Reino Unido, em 2024. Ao se debruçar sobre o universo dos motoboys, o artista transforma esses elementos familiares das ruas em imagens que refletem sobre condições contemporâneas de trabalho.

Pinturas escavadas.

A Nara Roesler, Ipanema, Rio de Janeiro, convida para abertura da exposição “Um rio em mim”, no dia 26 de março, às 18h, com trabalhos inéditos criados pela artista Manoela Medeiros, conhecida por seu processo de escavação na pintura. Esta é a primeira mostra individual da artista na Nara Roesler Rio de Janeiro. No ano passado, fez uma individual na Palo Gallery, em Nova York, que ganhou elogiosa crítica na prestigiosa revista Artforum.

Vivendo desde 2012 durante longos períodos na França onde tem consolidado sua carreira junto a outros jovens artistas, Manoela Medeiros mora no Rio de Janeiro, onde também tem seu ateliê. Sua relação com a França teve início em Paris, para onde foi cursar a École de Beaux Arts, tendo retornado repetidas vezes à capital francesa para participar de residências artísticas, como a da Cité des Arts, em 2019. Desde 2021 fica também baseada em Marselha, quando foi selecionada para uma bolsa oferecida pela Prefeitura da cidade.

Suas mais recentes coletivas no Rio de Janeiro foram “Rasura”, com curadoria de Victor Gorgulho, também na Nara Roesler Rio de Janeiro, em 2026; “Hábito-habitante”, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, em 2021, e “Superfícies sensíveis”, na Caixa Cultural, em 2018.

Manoela Medeiros ressalta que nesta mostra na Nara Roesler Rio de Janeiro “foi a primeira vez em que o processo de criação aconteceu de forma bastante orgânica e livre”. “Dessa vez, foi o processo no ateliê que ditou mais as obras da exposição. Fui fazendo livremente, principalmente pinturas escavadas, e a partir delas formando um conjunto e sua conversa”.

Manoela Medeiros diz que seu trabalho “está em um limiar entre natureza e cultura”.  “O que me interessa não é exatamente a arquitetura em si, mas o entorno, onde as coisas estão inseridas. Então, seja a arquitetura do espaço expositivo onde realizo trabalhos site specifics (feitos para o local), ou uma ruína abandonada, local onde coleto fragmentos de paredes – matéria-prima essa que é utilizada em trabalhos -, o ambiente onde sujeito e coisas se encontram e as relações que são tecidas entre eles são o que me interessam”.

Até 09 de maio.

Deslocamento mediado por imagens.

Um road-movie em paisagens digitais será exibido em unidades do Sesc Copacabana, no dia 1º de abril. O “Cinema do Futuro” apresenta “Save the Dance”. Nesse deslocamento mediado por imagens e interfaces, a viagem se transforma em uma reflexão sobre pertencimento, memória e identidade, fazendo emergir uma pergunta recorrente: onde você se sente em casa?

Partindo dessa premissa, “Save the Dance” foi gravado em cúpula de fotogrametria 3D por uma equipe de imigrantes do sul global, oriundos do Brasil, Chile, Argentina, Alemanha, Espanha, China, Irã e Egito. Trata-se de um trabalho de cinema expandido e arte digital que o Sesc Copacabana exibirá gratuitamente no dia 1º de abril, às 19h, em avant première. Com duração de 45 minutos, o filme de animação 3D se desdobra em uma projeção de audiovisual expandido na fachada do Sesc e na paisagem urbana ao redor, acompanhado por performance sonora e teatral. Ao longo do ano serão realizadas outras duas exibições, nos bairros do Flamengo e Tijuca.

Save the Dance

Passando por Berlim, Cairo, Beirute, Japão, uma ilha desconhecida, Taiwan, Chile e até as estrelas, surgem perguntas fundamentais: o que você gostaria de deixar para trás? Para onde iria se tivesse a possibilidade de um novo começo? 

Sobre Ygor Gama

Nascido no Recife, em 1988, Ygor Gama é designer de imagem e som formado pela Universidade de Buenos Aires, Argentina. Após dezessete anos em Buenos Aires e Berlim, ele retornou ao Brasil e ao Rio de Janeiro em 2023, onde fundou a produtora Cinema do Futuro. Criou performances e instalações de vídeo em várias cidades – Kiev, Beirute, Viena, Poznań, Buenos Aires – explorando novos formatos para imagens em movimento ligadas a investigações sobre identidade, gênero e deslocamento. Seu primeiro curta-metragem, “Leaving”, foi filmado em celulares, estreou no BAFICI e ganhou o prêmio internacional no Festival de Cinema de Viña del Mar, Chile, em 2012. Em seguida, dirigiu #YA, sobre desobediência civil em espaços urbanos e digitais, apresentado na 65ª Berlinale, BFI London, FNC Montreal, Canal Arte, entre outros (2015-2016). Foi artista residente na Villa Waldberta (AIR Munique, 2022) e no Museu do Amanhã (Tecnologias Afetivas, Rio de Janeiro, 2024), onde desenvolveu “Save the Dance” – um road movie em paisagens digitais (animação 3D, com estreia prevista para 2026, via SESC Pulsar). Seu próximo filme, “Around the #Sun”, recebeu prêmios de desenvolvimento da FIDBA (Argentina), Sheffield Doc Fest (Reino Unido), Bio Bio (Chile) e FAM (Brasil) em 2025. Recentemente, estreou “In the Search of Miraculous” – “Em Busca de um Milagre”, uma obra de arte em RV no mar do Rio de Janeiro, comissionada pela UNESCO, Museu do Amanhã e Fundação Boticário, no contexto da Década das Nações Unidas para os Oceanos.

Ficha técnica.

Direção, Roteiro e Edição: Ygor Gama;  Produção/Execução no Sesc: Florencia Bianco; Video Mapping: Bruno Ferrari; Performance Sonoro: Anne dos Santos; Design de Som e Gravação: Lautaro Aichenbaum; Animação 3D: Siavash Nagshbandi; Design de Novas Mídias: Inti Gallardo; Direção de Fotografia: Francisca Saez Agurto; Script Advisor: Francisco Hevia Vial; Graphic Design: Julia Sbriller e Paco Savio; Registro Audiovisual: Lorena Zschaber e Matheus Mendes; Performance Audiovisual: Abdelrahman Dnewar, Popo Fan, Antonia Giesen; Performance in Situ: Alan Athayde, Lorena Pazzanese, Dora Selva, Abél Yina; Save the Dance; Uma produção de Cinema do Futuro (Brasil) & Road River Films (Alemanha); 

Miguel Afa em Roma.

 

O artista Miguel Afa abre, no dia 24 de março, a exposição solo “O tempo que vive em mim”, uma colaboração entre A Gentil Carioca (Rio de Janeiro e São Paulo) e a galeria italiana rhinoceros, em Roma, Itália. As pinturas foram concebidas e produzidas durante residência artística no espaço, especificamente para esta exposição, e serão apresentadas pela primeira vez.

A série reflete experiências cotidianas de Afa no Rio de Janeiro e em Roma e abrange as relações entre vida, memória e lugar. Como afirma o artista: “Memória é um corpo: saudade é um quintal”, evocando um território afetivo onde memórias, experiências e desejos se encontram.

Até 03 de junho. 

Ampliando a circulação.

16/mar

O artista plástico André Pivetti integra a exposição “Cromatismo: Alegoria das Cores”, em cartaz no Espaço Cultural Vogue Gallery BR, no Shopping Vogue Square, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ.

As obras do artista permanecem em exposição para visitação até o dia 20 de março. A mostra reúne cerca de 24 artistas e evidencia a diversidade de linguagens presentes na arte contemporânea.

As obras de Pivetti seguirão para São Paulo, onde o artista apresentará no Solar Fábio Prado, nos dias 28 e 29, ampliando a circulação de sua produção no circuito artístico nacional.
Os trabalhos do artista vêm despertando grande interesse do público. As criações de Pivetti apresenta uma linguagem artística marcada pela intensidade emocional.

Capturando momentos únicos.

13/mar

O Museu de Arte do Paço, convida para a abertura da exposição “Olhares Efêmeros” com a curadoria de Denise Giacomoni, a ser realizada no dia 17 de março, terça-feira, às 18h.

“Olhares Efêmeros” – uma exposição fotográfica que revela a cidade de Porto Alegre, RS, em cores, com 32 talentos locais – como Fernando Zago – capturando seus momentos únicos.

De 17 de março a 15 de maio, na Sala Leste do 2º andar do Paço Municipal, Centro Histórico, Porto Alegre, RS.

Arte do Paço, convida para a abertura da exposição “Olhares Efêmeros” com a curadoria de Denise Giacomoni, a ser realizada no dia 17 de março, terça-feira, às 18h.

“Olhares Efêmeros” – uma exposição fotográfica que revela a cidade de Porto Alegre, RS, em cores, com 32 talentos locais – como Fernando Zago – capturando seus momentos únicos.

De 17 de março a 15 de maio, na Sala Leste do 2º andar do Paço Municipal, Centro Histórico, Porto Alegre, RS.

Artistas franco-coreanas no Brasil.

A Galatea anuncia “Park Chae Biole & Dalle: alargar o tempo, tecer a vida”, exposição dupla das artistas franco-coreanas em colaboração com a galeria parisiense Anne-Laure Buffard. A mostra, que marca a primeira ocasião em que Park Chae Dalle e Park Chae Biole expõem seu trabalho no Brasil, será realizada na unidade da galeria na Rua Oscar Freire, Jardins, São Paulo, SP, com abertura no dia 21 de março, sábado, das 11h às 15h.

Na Galatea, as irmãs gêmeas apresentam um projeto conjunto pela quarta vez, após duas exposições realizadas em Seul e uma em Paris. Com cerca de 60 obras, a mostra apresenta tanto trabalhos desenvolvidos individualmente quanto produções realizadas em colaboração. Embora compartilhem um campo de investigação similar, atravessado pelas relações entre pintura, espaço, paisagem e pequenas cenas do cotidiano, cada uma desenvolve sua prática a partir de suportes distintos.

Em muitas das obras de Park Chae Biole, a imagem aparece sobre suportes que também organizam o espaço, como persianas, bolsas ou superfícies têxteis, desdobrando a pintura em objeto e em ambiente. Paisagens e fragmentos de lugares surgem nessas estruturas móveis, instaurando um jogo entre interior e exterior, presença e passagem.

Já na prática de Park Chae Dalle, a pintura se aproxima da escrita e da poesia. A artista produz os próprios tecidos sobre os quais trabalha, frequentemente por meio do tricô – uma prática paciente, construída no ritmo do próprio fazer. Paisagens, sóis, flores, espirais, personagens ou nuvens parecem emergir do tecido. Leves e flexíveis, as obras podem ser enroladas, transportadas e reorganizadas, ajustando-se a cada espaço onde são apresentadas.

Quando trabalham juntas, suas práticas revelam afinidades formais que tornam essa colaboração quase natural. As irmãs compartilham, inclusive, o mesmo ateliê em Paris. Tanto as persianas de Biole como os tecidos de Dalle exploram a transparência, a porosidade e a mobilidade, mas é na produção conjunta dos bojagi que essa proximidade se torna mais evidente. Inspiradas na tradição coreana do tecido utilizado para envolver objetos domésticos e presentes, essas produções unem perfeitamente o repertório estético de cada uma das artistas em composições intimamente conectadas.

Até 09 de maio.

Um diálogo com desenhos.

12/mar

O Museu de Arte do Paço, Porto Alegre, RS, convida para a abertura da exposição “Desenhos de Água: Bia Dorfman encontra Luiz Maristany” com curadoria de Maria Helena Bernardes, a ser realizada no dia 17 de março, terça-feira, às 18h.

Exposição no Museu de Arte de Porto Alegre aproxima dois artistas que retrataram a cidade. A mostra reúne obras da artista visual Bia Dorfman (1957) em diálogo com desenhos raramente exibidos do artista Luiz Maristany de Trias (1885-1964), provenientes da Pinacoteca Aldo Locatelli.

A exibição propõe um encontro entre dois momentos da história de Porto Alegre, conectando desenhos produzidos com 80 anos de distância. Enquanto Luiz Maristany de Trias registrou paisagens urbanas da capital nas décadas de 1940, Bia Dorfman revisita a cidade no presente, em trabalhos que também refletem as transformações da paisagem e da relação com o rio diante da emergência climática recente.