Lygia Pape em NY

24/mar

Lygia Pape ganha primeira grande retrospectiva nos EUA

 

POR MARCELO BERNARDES

 

Os mais importantes museus de Nova York estão vivendo um verdadeiro caso de amor com o movimento neoconcretista, originado no Rio de Janeiro em 1959.

 

Depois de uma abrangente exposição do trabalho de Lygia Clark (1920-1988), organizada pelo Museu de Arte Moderna, o MoMA, em 2014, e antes de uma superlativa examinação da obra de Hélio Oiticica (1937-1980), que o museu Whitney inaugura em julho, o MetBreuer (anexo do Metropolitan especializado em arte moderna) lança,dia 21, a exposição “A Multitude of Forms”, primeira grande retrospectiva dedicada ao trabalho da artista Lygia Pape (1927-2004) a ser montada nos Estados Unidos.

 

Organizada pela curadora espanhola Iria Candela, expert do Metropolitan em arte latino-americana contemporânea, a mostra de Lygia Pape não supera, em número de trabalhos expostos, a da abrangente exposição “Espaços Imantados”, organizada no museu Rainha Sofia, em Madri, em 2011. Mas Nova York pode ver duas obras não apresentadas na Espanha: a tela “O Livro dos Caminhos” (1963-1976) e as esculturas “Amazoninos” (1991-1992).

 

O fato de a retrospectiva de Pape ter sido organizada no museu MetBreuer tem caráter bastante especial. A artista carioca era grande fã do prédio modernista criado pelo arquiteto húngaro baseado em Nova York, Marcel Breuer (1902 -1981), em 1966. “Lembro-me que, em nossa primeira visita ao local, quando o prédio pertencia ao museu Whitney, Lygia ficou olhando o piso, o teto, as janelas, as formas generosas do museu, e disse que seria fantástico poder exibir aqui um dia”, diz Paula Pape, filha da artista, em entrevista ao blog, na manhã de hoje (20).

 

A curadora Candela contextualiza o diálogo entre as obras de Pape com a arquitetura de Breuer. “Trata-se de uma conexão muito clara, pois é uma ligação histórica. O trabalho de ambos cresceu a partir dos legados do avant-garde europeu”, explica a curadora ao blog. “O neoplasticismo, o suprematismo, a Bauhaus, Mondrian e Kazimir Malevich foram abraçados por ambos”, prossegue. “Lygia foi uma grande herdeira daquele movimento, não só criando um vocabulário universal de cores e formas, mas como também guiando todas aquelas influências em direção completamente inédita”.

 

Como o nome didaticamente oferece, a mostra “A Multitude of Forms” reúne o trabalho de Pape em diversas mídias experimentadas ao longo de sua carreira, iniciada com o concretismo na década de 50, e que incluiu pintura, gravura, escultura, dança, filme, performance e instalação. “Lygia costumava dizer que o grande termômetro de uma exposição vem das pessoas que tomam conta das galerias dos museus”, diz Paula. “E o pessoal responsável pela segurança que encontrei por aqui parece instigado, reagindo com grande interesse pelas obras. É como se estivessem felizes com o que vêem”, conclui.

 

A obra mais representativa do trabalho de Pape, e que serve de pôster da exposição, é “Divisor” (1968), uma performance em que várias pessoas enfiam as cabeças em buracos abertos num gigantesco lençol branco, trabalho que a carioca explicou ser tanto uma celebração do corpo, espaço e tempo (como boa parte de sua obra), mas também uma crítica à burocracia moderna.

 

No sábado (25), como uma espécie de complemento para a instalação em vídeo, o MetBreuer vai apresentar, em alguns quarteirões do Upper East Side (onde está localizado o museu), uma “peregrinação” baseada na obra. Paula Pape, que é fotógrafa, vai filmar a performance. “Divisor” foi o primeiro trabalho de Pape que a curadora Candela tomou conhecimento. “Ao fazer minha dissertação em arte pública, rapidamente me interessei pelo trabalho de Pape”, explica. “Ela foi a pioneira em trabalhos em espaços públicos, mudando a face das performances”.

 

Também chama a atenção a monumental obra “Ttéia, C1” (1976-2004), que encerra a exposição com chave, ou melhor, fios de ouro. A obra é feita por uma sucessão de fios dourados que atravessam o ambiente, dando a sensação de uma tempestade de linhas ou feixes de luz. Onde quer que seja montada, a instalação parece sempre ganhar nova leitura, uma vez que os fios precisam se adequar aos novos espaços ou mudanças na iluminação.

 

Não poderia ser diferente no MetBreuer. “O teto aqui não é plano, mas sim de módulos vazados, então foi-se criada toda uma estrutura para afixar as placas que sustentam os fios no teto”, explicou ao blog o engenheiro e artista plástico Ricardo Forte, genro de Lygia Pape. Por questão de segurança, o MetBreuer vetou que “Ttéia” ficasse muito rente ao chão. “Isso nos obrigou a montar a peça numa plataforma de 30 centímetros de altura, quando o normal é 5 centímetros”, explica Forte.

 

A exposição de Pape reúne cinco décadas do trabalho da artista carioca. Paula Pape disse ter ficado “emocionada” já na primeira galeria, onde as séries “Pintura” “Relevo” e “Tarugo”, da fase concretista, foram montadas de maneira criativa. Há galerias especiais para o manifesto neoconcreto, criado por artistas e poetas cariocas, entre as Lygias e Oiticica, também Ferreira Gullar, Amílcar de Castro e Reynaldo Jardim – e para filmes do Cinema Novo, em alguns dos quais Pape colaborou no projeto gráfico.

 

A proposta do movimento neoconcretista, de favorecer relações mais interativas entre artes e espectadores, é semi-obstruída na exposição do MetBreuer por questões de preservação. As séries “Livro de Arquitetura” e “Poema-Objeto”, livros com elementos arquitetônicos semi-abstratos que as pessoas eram encorajadas a manusear, agora ficam inacessíveis ao tato, trancadas numa caixa de vidro. Mas ainda é possível experimentar, com o auxílio de conta-gotas descartáveis, os sabores da instalação “Roda dos Prazeres” (1967), com vasilhas de porcelana carregadas de líquidos multicoloridos.

 

A retrospectiva Pape é uma das exposições que comemoram o primeiro ano de funcionamento do MetBreuer. A diretora do museu, a inglesa Sheena Wagstaff, que veio do Tate Modern, de Londres, apontou na manhã de hoje que, em 12 meses de funcionamento, o museu teve quatro grandes exposições de mulheres artistas. Começou com a pintora indiana Nasreen Mahamedi (1937-1990), seguida da fotógrafa americana Diane Arbus (1923-1971), da escultora e pintora italiana Marisa Merz, 91, (essa ainda em cartaz até maio) e agora Pape.

 

Candela ressalta que a igualdade de gêneros, tão discutida hoje nas narrativas artísticas, nunca foi problema no Brasil. “Na verdade, o Brasil sempre foi muito inclusivo nas artes plásticas”, explica. “Mulheres sempre destacaram-se muito cedo, como Tarsila do Amaral (1886-1973), por exemplo. Até hoje essa representação é muito igual, com grandes artistas saídas do Rio, São Paulo e mais recentemente de Belo Horizonte também”.

BIENALSUR na 36ª ARCOmadrid

25/fev

 

O uruguaio Dani Umpi é o artista convidado para a primeira “apresentação pública” da Bienalsur- bienal inédita que acontecerá simultaneamente de setembro a dezembro deste ano em mais de 30 cidades da América do Sul, Europa, África, Ásia e Oceania. Dani Umpi, com uma performance que sintetiza as diferentes dimensões da arte sul-americana e faz referência ao Parangolé de Hélio Oiticica, ocupará o espaço da BIENALSUR durante a feira ARCOmadrid 2017, que acontece entre os dias 22 e 26 de fevereiro. Com grandes camadas de recortes de revistas, o artista cria parangolés gigantes que o envolvem, e incorpora mantras no ritmo eletropop, cantando músicas próprias e brasileiras, que lembram sua infância nos anos oitenta. Através da criação de um personagem híbrido, Umpi trafega nas fronteiras entre o real e o conceitual, o espaço dos museus e os espaços alternativos, a indústria cultural e a cultura popular.

 

Refletir sobre o presente e futuro da criação artística é um dos objetivos da BIENALSUR, cuja primeira edição vem sendo construída desde o final de 2015, através de “jornadas de diálogo”, realizadas em cinco países, com a participação de um grupo de intelectuais e gestores culturais – artistas, curadores, colecionadores, diretores de museus públicos e privados e universidades. Onze encontros já foram realizados e é a primeira vez na história das bienais que vários países são promotores de uma iniciativa.

 

Organizada a partir da Universidade Nacional Tres de Febrero (UNTREF), em Buenos Aires, a BIENALSUR é dirigida por AnibalJozami, reitor da Universidade e fundador do Museo de laInmigración y el Centro de Arte Contemporáneo, o MUNTREF, Diana Wechsler, professora titular de Artes da Universidade de Buenos Aires, diretora de arte e cultura da UNTREF e subdiretora do MUNTREF, também participa da coordenação do projeto. Tadeu Chiarelli, Christian Boltanski, Ticio Escobar, Fernando Farina, Estrella de Diego são assessores da coordenação.

 

 

O que é a BienalSur?

 

O jogo de palavras BienAlSur (Bem ao Sul) reflete a construção de alianças e aproximação de povos e culturas através da arte. A proposta nasceu na Argentina e conta com a participação de centenas de artistas, duas dezenas de universidades dos diferentes continentes, além de diretores e curadores dos museus Reina Sofía, de Madri, Hirshhorn, de Washington, Bellas Artes de Chile, Arte Contemporâneo de Lima, Banco de la República de Colômbia, Pinacoteca de São Paulo, espaços de arte da Venezuela, Equador, Colômbia, Peru e Uruguai, Akademir der Künste de Berlim e fundações de empresas europeias dedicadas à arte.

 

A BIENALSUR trabalha com o conceito de processo presente na arte contemporânea, não tem uma temática central nem curador principal. Para selecionar os projetos que farão parte das mostras simultâneas da BIENALSUR foram lançados dois concursos internacionais (projetos curatoriais e propostas de artistas), de caráter livre, com o objetivo de estimular a formulação de propostas que não poderiam ser executadas fora dos marcos excepcionais de uma bienal.

 

A chamada para apresentação de projetos foi fechada em 30 de setembro último, com a marca de 2.543 projetos (300 brasileiros) de 78 países. No dia 30 de janeiro foram anunciados os 377 pré-selecionados: 36 artistas e cinco curadores brasileiros estão contemplados​, entre eles Eduardo Srur, Regina Silveira, Elisa Bracher, Ivan Grilo, Shirley Paes Leme, Paulo Nenflidio e Jaime Laureano.

Paula Klien em Berlim

14/jan

Há alguns anos distante das lentes do circuito de moda e celebridade, no qual se destacou como uma das maiores fotógrafas do meio, tendo registrado personalidades nacionais como os atores Alexandre Nero, Marjorie Estiano e o arquiteto Oscar Niemeyer, dentre mais de 200 outros nomes conhecidos, Paula Klien dá uma guinada em sua trajetória e realiza exposição individual.

 
Após meses de intensa criação, esta carioca de Ipanema vai apresentar sua primeira individual de pinturas, em fevereiro, na aquabitArt gallery, situada na Auguststrasse, referência do circuito de artes em Berlim.

 
Utilizando técnicas de nanquim, a solo “Invisibilities” vai reunir dez grandes pinturas sobre papel, outra em grande dimensão sobre tela medindo 1,80 X 1,48cm, dois backlights, e um trabalho de caráter tridimensional feito de espuma com pintura em nanquim.
Em sua carreira fotográfica, a artista já participou de duas bienais e assinou campanhas e editoriais nas revistas Vogue Brasil e Rolling Stones. É autora dos ensaios “Gatos e Sapatos” e “ It`s Raining Men”, participou também de projetos como “Shakespeare – Retratos de uma Festa Luminosa”, “ Mulheres de Verdade”, “Brasileirice” e “Natural do Rio”. Foi agenciada, no Brasil, pela ABÁ mgt e representada no exterior pela Production Paradise. A divulgação do evento é de Fábio Cezanne, da Cezanne Comunicação – Assessoria de Imprensa em Cultura e Arte.

Artivismo

05/dez

​O papel político da arte é o mote da exposição “Artivismo – A arte política de André de Castro”, primeira exibição individual de André De Castro na Europa. A exposição será inaugurada no dia 13 de dezembro, no Espaço Espelho D’Água, em Lisboa, e reunirá os projetos “Movimentos”​ (2013-2014)​ e “Liberdade Já”​ (2015)​, que repercutiram as serigrafias criadas pelo artista para retratar temas políticos como as manifestações ​recentes ​nos EUA, Brasil, Turquia e Grécia, e os jovens presos políticos de Angola.

 
As serigrafias de André de Castro participam como importantes agentes de acontecimentos políticos internacionais. As imagens, produzidas em paralelo com o desenrolar dos eventos, passam a fazer parte dos debates de cada momento e seguem​, posteriormente, ​como registro do fato histórico.

 
“Ao expor ‘Movimentos’ e ‘Liberdade Já’ juntos, a mostra permite um recorte da arte como ator social, questionando intenção, recepção, apropriação e estética nas ruas e na internet”, afirma o artista que seguirá com a exposição por outras cidades europeias​.

 
“Movimentos”, primeiro projeto político de André De Castro, criado em 2013, foi selecionado para a 11ª Bienal Brasileira de Design Gráfico e visto por mais de 40 mil visitantes, passando por Miami durante a Arte Basel 2013​, Opus Gallery, em Nova Iorque​ em 2014​ e em 2015 pelo Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte e Brasília e pela Caixa Cultural do Rio de Janeiro.


Resultado de entrevistas​ realizadas através das mídias sociais com os manifestantes​, as serigrafias do projeto retratam as identidades políticas ​dos manifestantes de diferentes países. O painel, conjunto com trinta retratos e suas referencias, estabelece um dialogo visual ​que ​convida o público a comparar as ​referências e perceber divergências e possíveis pontos em comum entre as composições.

 

O projeto “Liberdade Já”, criado em 2015, é composto por mono-prints em serigrafia​ ​dos jovens presos políticos de Angola,​ soltos em 2016​. Os retratos, embora criado​s concretamente, com luz, água, com tinta e papel, viveram e se replicaram no mundo digital apropriado​ por familiares, manifestantes e pela Anistia Internacional. Mais que isso, as imagens viajaram através das red​es e​ retornaram ao mundo concreto, em outros países, reproduzidas em camisetas e impressos tornando-se peças fundamentes para mobilização e mudança. As​ serigrafias foram expostas em mostras coletivas em Lisboa e Nova Iorque, em 2016, e tiveram a renda revertida integralmente para as famílias dos presos polític​os.​

Dream Box edição final 

24/nov

A Dream Box creative lab, localizada no Brooklyn, NY, apresenta quarta e última edição da exposição pop up de fotografia “Subject Matters” com curadoria de Juliana Leandra e direção de arte de Paulo Sabatini.

 

A mostra “Subject Matters IV” é a edição final de uma série que teve início em novembro de 2015, completando o ciclo de quatro shows pop-up apresentando fotógrafos de diferentes nacionalidades e trajetórias, cujas obras transmitem perspectivas, estilos, técnicas, estéticas e temas diferentes. Nesta edição apresenta os trabalhos de seis fotógrafos: Belinda Tellez, Bruno Feder, Charlie Kitchen, Demian Jacob, Fran Parente e José Cabaço.

 

A exposição pop-up abre no Double 6 Studio, em Greenpoint no final de semana de 19 – 20 de novembro, com coquetel de abertura no sábado, 19 de novembro, das 17h às 21h.

 

Os seis componentes de “Subject Matters IV” trabalham em diferentes áreas da fotografia; portanto, eles mantêm um certo estranhamento como grupo. Entre os vários temas abordados nas séries apresentadas para a exposição, há um elemento comum a todos: o tema é importante – “Subject Matters”.

 

Pediu-se a cada participante que respondesse de forma oral e visual a pergunta “Por que os temas são importantes?” o que resultou em uma série de imagens e um pequeno texto explicando a importância que cada artista dá ao tema escolhido. A partir disso, foi elaborado um zine que documenta as fotografias e respostas dos artistas e será distribuído durante o período da mostra. Após o encerramento da exposição, também estará disponível para compra no site da Dream Box.

 

 

Sábado, 19 de novembro, das 17:00 às 21:00

 

Período: 19 e 20 de novembro.

Cores de Milhazes em Paris

11/nov

A Galerie Max Hetzler,57 ruedu Temple, Paris, apresenta em seus últimos dias, a quarta exposição individual de Beatriz Milhazes organizada pela galeria. Reconhecida por suas pinturas e colagens vibrantes, esta é a primeira vez, no entanto, que a brasileira expõe no espaço parisiense da Max Hetzler. A exposição apresenta duas pinturas em grandes formatos, uma em tamanho médio, uma colagem e uma peça tridimensional. Os trabalhos seguem a técnica muito particular, desenvolvida pela artista, que utiliza moldes para aplicar os motivos às telas, por vezes reutilizados, que dão às obras a memória deste meticuloso processo.

 

Beatriz Milhazes utiliza cores vívidas, com elementos sobrepostos em camadas, e se inspira em temas que estão à sua volta como a paisagem do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que certamente foi fonte de inspiração para seus elementos florais e arabescos tão peculiares. Milhazes também é profundamente influenciada pela cultura popular brasileira, especialmente o samba e o carnaval, as formas circulares e o movimento rítmico de suas obras são quase um convite para dançar. Suas composições lembram fortemente o Brasil, embora permaneçamno campo da abstração. As formas entrelaçadas e as camadas são raramente organizadas em torno de algum centro, o que torna difícil o olho descansar em algum lugar da tela.

 

“Marilola”, que dá nome a exposição, é uma cortina em cascata, suspensa no teto. O arranjo denso é composto por materiais diversos, como flores de papel, alumínio e contas de resina. A peça ecoa as cores e o ritmo dos trabalhos bidimensionais de Milhazes, onde os padrões parecem estar flutuando sobre a tela, mas apresenta agora suas sucessivas camadas em três dimensões. E a surpreendente colagem “Maçã”, em branco e preto, oferece um contraponto às outras obras, provocando um diálogo com suas cores tão intensas.

 

Últimos dias.

Diálogo estético/cultural em Paris

28/out

 

Dezoito artistas plásticos de diversas nacionalidades unem seus discursos estéticos em uma única cidade: Paris. Temas essenciais serão tantas vezes recontados sob o prisma da pluralidade cultural, estética e de suportes. Essa é uma das propostas de “La Beauté d’Un Tout”, exibição coletiva na Galerie de Nesle, Odéon/Pont Neuf. Em uma realidade em que coexistem tanta diversidade e tanta intolerância, o projeto promove, com muita beleza e sensibilidade, uma releitura mais harmônica das relações sociais.

 

Único artista brasileiro do grupo, Eduardo Sampaio participa da iniciativa com sua obra inédita “A Fé do Pescador”, inspirado nos versos das canções de Dorival Caymmi, levando ao projeto, mais do que uma estética, a musicalidade nacional. Apaixonado confesso pela figura humana, ele coloca a figura humana no centro de seu processo criativo.“A figura humana é uma fonte inesgotável de interpretações e beleza”, sintetiza Sampaio, que aceita pela segunda vez o convite para participar da iniciativa.

 

Com curadoria da Agapé Art, também integram o grupo Songmae An, Tzu-Fang Chen, Yi-Chun Chen, Eva Helmlinger, Didier Heslon, Donna Heslon, Sophie Eun Sun Huh, Young Suk Kum, Wilfrid Minatchy, Junseok Mo, Primavera, Claire Rousseau, Suzy Schlie, Myriam Schott, Yu-Hua Shen, Luwalhati Vergara e Cheng-Ying Wan.

 

 
A partir de 05 de novembro.

Doação histórica

24/out

O MoMA recebeu uma doação histórica de arte latino-americana da Coleção Cisneros. A colecionadora venezuelana Patricia Cisneros anunciou a doação de 102 obras ao Museu de Arte Moderna, MoMA, de Nova York. São pinturas, esculturas e outras peças de autoria de 37 artistas do Brasil, Venezuela, Argentina e Uruguai, criadas entre as décadas de 1940 e 1990. No total, Patricia Phelps de Cisneros doou 102 obras, de diversos formatos e técnicas, incluindo trabalhos de 64 de artistas brasileiros.

 

 

Artistas brasileiros

 

A doação inclui telas, esculturas e trabalhos sobre papel realizados entre 1940 e 1990 por 37 artistas trabalhando no Brasil, na Venezuela, na Argentina e no Uruguai. Entre os brasileiros, há obras de Hélio Oiticica, Lygia Clark, Luiz Sacilotto, Ivan Serpa, Mira Schendel, Lygia Pape, Waldemar Cordeiro, Geraldo de Barros, Hercules Barsotti, Hermelindo Fiaminghi, Aluisio Carvão, Willys de Castro, Rubem Valentim e Franz Weissmann.

 

 

Outros latinos

 

A doação inclui trabalhos dos venezuelanos Jesús Rafael Soto, Carlos Cruz-Díez e Alejandro Otero e do argentino Tomás Maldonado, entre outros. Patricia Cisneros faz parte do Conselho Diretivo do MoMA há varias décadas e participa de várias comissões de aquisição e gestão, incluindo o Fundo Latino-americano e Caribenho, do qual ela é presidente e fundadora.No últimos dezesseis anos, a Família Cisneros doou mais de quarenta obras ao museu.

FIAC 2016

21/out

FIAC 2016, Paris, França, chega com novidades e a presença de quatro galerias brasileiras. A edição deste ano da Foire Internationale d’Art Contemporain (FIAC), realizada anualmente no Grand Palais, sem dúvida é uma das mais importantes em quatro décadas do evento. Em meio a condições instáveis do mercado de arte e um clima de incerteza econômica, a FIAC tomou uma atitude ousada ao expandir sua presença nesta 43ª edição: introduziu o novo setor On Site, com esculturas e instalações.

 

O novo setor vai ocupar o Petit Palais, localizado em frente ao setor principal da feira, que acontece até domingo (23). On Site irá apresentar cerca de 40 obras, de 35 artistas, tanto no interior da Galerie Sud, Pavillion Sud e Jardin du Petit Palais, quanto na esplanada em frente ao Petit Palais. O setor foi pensando para que as galerias pudessem exibir estas obras em um contexto de museu e não em seus estandes de feira.

 

Apesar do ambiente econômico pouco favorável, a FIAC atraiu um total de 186 galerias participantes, de 27 países – 13 galerias a mais do que no ano anterior, sendo 43 estreantes. Quatro galerias brasileiras marcam presença nesta edição: Luciana Brito, Fortes Vilaça, Mendes Wood DM e Luisa Strina.

 

Fonte: Touche of class.

Krajcberg, artista convidado

14/out

O Musée de L´Homme, Paris, França, convidou o artista brasileiro Frans Krajcberg para, em parceria artística com o Espace Krajcberg e a Prefeitura de Paris,participar da exposição “Trib/usdu Monde -Empreintes : L´Humanité a Rendez-vous au Musée de L´Homme”. Sua obra é um manifesto para o ser humano, para salvar o planeta quando monitoram a menor sombra, luz, o menor pedaço de raiz, ou pigmento terrestre.

 

 

Retrato de um artista ativista

 

Frans Krajcberg é artista brasileiro nascido em Kozienice, Polônia, em 12 de abril de 1921. Durante a Segunda Guerra Mundial, sua família morreu vítima do Holocausto. Ele tinha 18 anos de idade, quando o exército alemão invadiu seu país. Em 1945, deixou Varsóvia e se mudou para Stuttgart, onde estudou Belas Artes. Depois de uma breve visita a Paris, onde conheceu Léger e Chagall, emigrou para o Brasil em 1948. Após uma incorporação gradual aos círculos artísticos, ele se isola para trabalhar na natureza brasileira da qual vai fazer sua inspiração e causa. Em 1957, ganha o prêmio de melhor pintor brasileiro e recebe, um ano depois, a nacionalidade brasileira. A Floresta Amazônica é fundamental para seu trabalho e sua luta. A floresta torna-se seu campo de batalha. O gesto artístico de Krajcberg combina palavras e ações de um modo que a arte acaba por defender o planeta. Em 1978, ele vai até o Rio Negro, na companhia de Sepp Baendereck e do crítico de arte Pierre Restany. Esta jornada leva-os à consciência e eles escrevem o “Manifesto do Naturalismo do Rio Negro.”

 

Observando, 35 anos mais tarde, que o apelo foi ouvido pouco, Frans Krajcberg publicou em 2013, com Claude Mollard um “Novo Manifesto naturalismo integral”, uma chamada para todas as partes interessadas no mundo da arte para despertar as consciências, iniciar um movimento artístico em defesa do meio ambiente e ajudar os americanos nativos preservar suas terras e cultura.

 

“Eu procuro formas ao meu grito contra a destruição da natureza, meu trabalho é um manifesto! “diz, Krajcberg.

 

 

Um fim de semana especial Frans Krajcberg

 

Será realizado nos dias 22 e 23 de outubro, com uma mesa redonda e visitas acompanhadas. Os convidados são: Sylvie Depondt e Claude Mollard (comissários), Eric Darmon (produtor e diretor), Serge Bahuchet (diretor do departamento Homens, naturezas, as sociedades – Museu Nacional de História Natural).

 

Domingo 23 de outubro no Auditório Jean Rouch.

 

 

A exposição ficará em cartaz até 02 de janeiro de 2017.