Duas gerações da pintura brasileira.

24/set

A Simões de Assis participa da Frieze London 2026, de 14 a 18 de outubro, e apresenta um diálogo entre Miguel Bakun e Thalita Hamaoui, duas gerações da pintura brasileira. Obras de Miguel Bakun realizadas entre as décadas de 1940 e 1960 e pinturas inéditas de Hamaoui, produzidas especialmente para  esta edição.

Separadas por décadas, suas produções encontram pontos de contato na maneira como transformam a paisagem em campo de sensibilidade. Entre o mundo exterior e a experiência interior, as obras articulam diferentes formas de perceber, imaginar e dar corpo ao que nos cerca.

Sobre o artista.

Miguel Bakun (Mallet, Brasil, 1909 – Curitiba, Brasil, 1952) filho de imigrantes ucranianos, nasceu no sul do estado do Paraná, Brasil. Ainda jovem, em 1926, ingressou na Escola de Aprendizes da Marinha, em Paranaguá, e em seguida foi transferido para a Escola de Grumetes do Rio de Janeiro, onde começou a realizar esboços a lápis, desenhos de observação, retratos, caricaturas e paisagens – como fazia também seu colega e contemporâneo José Pancetti. Em 1930, em virtude de um acidente, desligou-se da Marinha e mudou-se para Curitiba.

Mesmo sem formação sistematizada em artes plásticas, Miguel Bakun montou ateliê em sua residência e, para manter o sustento, trabalhou como fotógrafo lambe-lambe. Nos anos 1940, passou a compartilhar ateliê com outros artistas no centro da cidade, em prédio cedido pela Prefeitura. A década é considerada promissora para ele, marcada por suas primeiras participações e premiações no Salão Paranaense de Belas Artes e pela participação em duas edições do Salão Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Chegou a receber algum interesse da crítica: no texto mais emblemático desse período, o artista e professor Guido Viaro afirmou que Bakun “elimina o ar das paisagens como se fosse uma experiência de Física”. Os anos 1950 foram os mais prolíficos, quando pintou retratos, naturezas-mortas, marinhas e sobretudo paisagens, além de murais na residência do então governador Moysés Lupion, hoje o Castelo do Batel. Ao final da década, produziu obras com alusões animistas, em que figuras alegóricas se confundem com os contornos das paisagens.

Apesar das eventuais premiações e da amizade com agentes do circuito, Miguel Bakun não chegou a se inserir plenamente no incipiente sistema de artes local, nem pôde viver apenas da venda de suas obras. Emergiu em uma cena de gradual modernização do repertório da pintura acadêmica, na qual a expressividade assertiva de suas obras parecia fora de lugar – experimental ou subjetiva demais. Quando, porém, uma nova geração de artistas ganhou protagonismo na arte curitibana, foram as obras abstratas que tomaram o debate, o que também mantinha Miguel Bakun na periferia do olhar. Em seus últimos anos, já sofrendo por sua precária situação econômica, Miguel Bakun recebeu tratamento médico por causa de forte depressão. Encerrou sua vida em 14 de fevereiro de 1963.

Participou de diversas exposições individuais das quais destacam-se: “Miguel Bakun” (2024), Mendes Wood DM, Bruxelas; “Miguel Bakun” (2019), Simões de Assis, São Paulo; “Miguel Bakun – Na Beira do Mundo” (2010), Museu Oscar Niemeyer, Curitiba; “Miguel Bakun: Natureza e Destino” (2010), Instituto de Arte Contemporânea, São Paulo. Entre as coletivas estão: “ABERTO/02” (2023), Casa de Vilanova Artigas, São Paulo; “Aprendendo com Miguel Bakun: Subtropical” (2019), Instituto Tomie Ohtake, São Paulo; “Brasil 500 Anos de Artes Visuais” (2000), Fundação Bienal de São Paulo. Possui trabalhos em coleções importantes como Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil; Luís Antonio de Almeida Braga Collection, Rio de Janeiro, Brasil; MAC PR – Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba, Brasil; MUPA – Museu Paranaense, Curitiba, Brasil; and MON – Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Brasil.

Uma exposição individual de Yuli Yamagata.

21/set

A Kunsthalle Lissabon apresenta “Para onde os sonâmbulos vão?”, uma exposição individual de Yuli Yamagata (São Paulo, 1989). A exposição dá continuidade ao projeto iniciado no Católica Art Center, em outubro de 2025, e resulta de uma colaboração com a Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, no Porto.

Conhecida pelas suas obras de caráter híbrido, Yuli Yamagata desenvolve uma prática que combina materiais e técnicas têxteis para criar volumes exuberantes que oscilam entre o orgânico e o artificial, o reconhecível e o fantástico. O seu trabalho utiliza referências da cultura pop, do design e do quotidiano para construir um glossário visual, simultaneamente lúdico e inquietante, em que o humor surge lado a lado com o insólito e o familiar é constantemente atravessado pelo inesperado.

Em “Para onde os sonâmbulos vão?”, Yuli Yamagata transforma a Kunsthalle Lissabon num ambiente onírico e imersivo, propondo uma leitura alternativa do espaço. A exposição desenrola-se segundo uma lógica próxima da dos sonhos, como uma sequência de imagens em permanente metamorfose, em que formas, escalas e materiais desafiam a perceção.

Povoando o espaço, as obras distribuem-se pelo chão e pelas paredes,parecendo transbordar os seus próprios limites. Tecidos prolongam-se para além dos suportes, enquanto flores, recorrentes ao longo da exposição, brotam de diferentes corpos e objetos. Elas surgem de cerebelos, do umbigo de um bebé ou de outros lugares inesperados.

Elementos emergem de sapatos de salto, pedaços de queijo transformam-se em novas formas e uma pequena televisão parece ondular no tempo e no espaço. No centro da sala, alguém dorme debaixo de uma cortina de queijo, numa cena que poderia pertencer a um sonho ou simplesmente ao que acontece enquanto os corpos dormem.

Sem oferecer narrativas lineares ou interpretações fechadas, a exposição propõe uma experiência guiada pela associação livre, pela curiosidade e pela perceção sensorial. A (des)configuração de formas, materiais e referências aproxima-se de questões exploradas pelo surrealismo e pela psicanálise, nas quais o sonho permite que imagens, desejos e memórias se encontrem para além da lógica consciente. É também nesse plano que surge a figura do monstro: não necessariamente como uma criatura fantástica, mas como aquilo que perturba as fronteiras entre o familiar e o estranho, o humano e o não-humano, o que conhecemos e o que ainda não sabemos nomear. No universo de Yuli Yamagata, essas fronteiras permanecem deliberadamente instáveis: situações inusitadas e associações improváveis são apresentadas com uma dimensão lúdica e exagerada, fazendo com que o humor surja precisamente daquilo que pode causar estranheza. É nesse espaço liminal que os sonhos escapam aos limites do sono.

A Kunsthalle Lissabon é apoiada pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes e pela Vasco Collection. A exposição “Para onde os sonâmbulos vão?” conta com o apoio da Fortes D’Aloia & Gabriel.

Sobre a artista.

Yuli Yamagata nasceu em São Paulo, SP, 1989, onde vive e trabalha. A sua prática combina materiais têxteis, técnicas de costura, resinas e objetos do quotidiano para criar esculturas nas quais o orgânico e o artificial, o familiar e o fantástico se cruzam. Entre as suas exposições individuais recentes incluem-se: Alô?, Universidade Católica do Porto, Porto, Portugal (2025); Ghosts don’t wear watches, Anton Kern Gallery, Nova York, Estados Unidos (2024); Dois pra cá, dois pra lá, Fortes D’Aloia & Gabriel | Carpintaria, Rio de Janeiro, Brasil (2023); The new, the old and the hole, Anton Kern Gallery, Nova York, Estados Unidos (2023). Yuli Yamagata participou das exposições coletivas: Vai, Vai Saudade, MADRE – Museu d’Arte Contemporânea Donnaregina, Nápoles, Itália (2024); The Appearance: Art of the Asian Diaspora in Latin America and the Caribbean, The Americas Society, Nova York, Estados Unidos (2024); Chão da praça: Obras do acervo da Pinacoteca, Pinacoteca de São Paulo, São Paulo, Brasil (2023); Nunca só essa mente, nunca só esse mundo, Fortes D’Aloia & Gabriel|Carpintaria, Rio de Janeiro, Brasil (2023); entre outras.

Até 07 de novembro.

Bárbara Wagner & Benjamin de Burca.

A obra em vídeo “Future of Yesterday” (2026) ocupa o centro da exposição no De Pont Museum, um museu de arte contemporânea em Tilburg, Brabante do Norte, Holanda. Recebeu o nome do advogado e empresário Jan de Pont. Após sua morte, seu patrimônio previu a criação de uma fundação para estimular as artes visuais contemporâneas

Neste novo trabalho, Bárbara Wagner e Benjamin de Burca voltam seu olhar para a cena “hardcore” alemã, com foco especial no “Straight Edge” (abreviado como sXe): um movimento que surgiu na Costa Leste dos Estados Unidos como uma cultura “limpa” (“clean”) no âmbito do “post-hardcore punk”.

Até 28 de fevereiro de 2027.

Dois autores que entendiam estrutura e percepção.

09/set

A Galatea participa da Independent 20th Century Art Fair, que acontece de 24 a 27 de setembro em Nova York, USA. Para a feira, a galeria apresenta um estande em parceria com o Instituto Ubi Bava, com obras do pintor e arquiteto brasileiro Ubi Bava (1915-1988), autor de uma prática que transita entre a abstração geométrica, o cinetismo e as pesquisas óticas que marcaram a arte brasileira das décadas de 1950 a 1980.

Realizada pela primeira vez na atual sede da Sotheby’s, no icônico Breuer Building, na Madison Avenue, a feira oferece um contexto particularmente significativo para a apresentação de Ubi Bava. Exibir Ubi Bava em um edifício projetado por Marcel Breuer, um dos nomes centrais da arquitetura modernista do século XX, significa colocar em diálogo dois autores que entendiam estrutura e percepção como campos inseparáveis.

A apresentação na Independent, com foco especial entre os anos 1950 e 1970, também permite lançar um novo olhar sobre uma produção desenvolvida ao longo de mais de três décadas, revisitando a obra e o legado de Ubi Bava e ampliando sua circulação internacional, já presente em coleções norte-americanas como as do Museum of Fine Arts, Houston (MFAH), e da Cisneros Fontanals Art Foundation (CIFO), em Miami.

Esse movimento dá continuidade a um trabalho de pesquisa, preservação e difusão desenvolvido desde 2012 pelo Instituto Ubi Bava. Em 2024, esse percurso ganhou novo fôlego com a publicação de “Ubi Bava – uma homenagem”, primeira monografia dedicada ao artista, e segue atualmente com o desenvolvimento de um projeto de exposição individual institucional itinerante, previsto para 2027 e 2028.

Memória, materialidade e crítica sociocultural.

08/set

 

A GAMeC, Bergamo, Itália, apresenta “Eau”, a primeira exposição individual em uma instituição italiana da artista angolano-portuguesa Ana Silva (Calulo, 1979). Concebida para o Spazio Zero da GAMeC, a exposição de Ana Silva foi desenvolvida em colaboração com uma rede de bordadeiras locais, convidadas pela artista a intervir em suas obras têxteis, abordando uma das crises mais urgentes do nosso tempo: o acesso à água.

Na produção de suas obras, Ana Silva confia inicialmente os temas que concebe e desenha a bordadores angolanos – pois, em Angola, apenas homens têm permissão para utilizar máquinas de costura – antes de finalizar os trabalhos pessoalmente, acrescentando à mão decorações, brilhos e lantejoulas. Por meio da linguagem do bordado – tradicionalmente associada ao cuidado, à memória e à resistência -, a artista denuncia a escassez de água e revela uma realidade na qual a água é considerada um privilégio, e não um direito.

A prática artística de Ana Silva desenvolve-se na interseção entre memória, materialidade e crítica sociocultural, dialogando com os efeitos da globalização, do consumo e dos fluxos transcontinentais. Sua obra ganha forma através de um gesto que é, ao mesmo tempo, simples e radical: o resgate de têxteis, práticas e formas de saber feminino há muito relegados à esfera privada, agora adotados como parte da linguagem artística contemporânea.

As obras apresentadas na exposição dialogam com a ecologia enquanto campo relacional que conecta corpos, materiais, histórias e sistemas de produção. Silva reflete sobre quais histórias podem ser narradas a partir daquilo que foi esquecido ou descartado. Assim, a prática têxtil, a pesquisa social e a consciência ambiental entrelaçam-se no espaço expositivo, oferecendo uma reinterpretação crítica do cotidiano.

Quatro artistas na Bienal de Gwangju.

Marcela Cantuária, Mariana Rocha, Vinicius Gerheim e Vivian Caccuri participam da 16ª Bienal de Gwangju na Coreia do Sul. Os quatro artistas d’A Gentil Carioca integram “Devorações do Amanhã – Brasil em Rebento”, exposição que inaugura o primeiro Pavilhão Brasileiro na Bienal de Gwangju.

Com curadoria de Aldones Nino e Bruna Levi, a mostra reúne artistas de diferentes gerações em torno de uma perspectiva crítica sobre o Brasil contemporâneo, compreendido como um território em constante construção

Marcela Cantuária, Mariana Rocha, Vinicius Gerheim e Vivian Caccuri participam da 16ª Bienal de Gwangju na Coreia do Sul. Os quatro artistas d’A Gentil Carioca integram “Devorações do Amanhã – Brasil em Rebento”, exposição que inaugura o primeiro Pavilhão Brasileiro na Bienal de Gwangju.

Com curadoria de Aldones Nino e Bruna Levi, a mostra reúne artistas de diferentes gerações em torno de uma perspectiva crítica sobre o Brasil contemporâneo, compreendido como um território em constante construção. A partir dos conceitos de “devoração” e “rebento”, o projeto aborda processos de transformação, continuidade e criação, articulando diferentes linguagens, saberes e experiências que atravessam a produção artística brasileira.

No contexto do projeto, Vinicius Gerheim apresenta “Moinho” (2026), obra desenvolvida durante sua participação no Tropismo, programa de residências que integra o Pavilhão Brasileiro e reúne artistas e pesquisadores em torno de diferentes perspectivas sobre o Brasil contemporâneo.

Criada em 1995, a Bienal de Gwangju é a mais longeva da Ásia e uma das principais plataformas internacionais de arte contemporânea. Em sua 16ª edição, sob direção artística de Ho Tzu Nyen, “You Must Change Your Life” reúne artistas de diferentes contextos em torno da ideia de transformação como um processo contínuo. 

Até 15 de novembro, em Gwangju, Coreia do Sul.

Livro de Leonardo Finotti e o legado arquitetônico.

19/ago

Uma Coleção de Arquitetura Moderna Latino-Americana

Volume 2

Lançamento, dia 22 de agosto na Gomide & Co., Bela Vista, São Paulo, SP.

No segundo volume de sua trilogia “Uma Coleção de Arquitetura Moderna Latino-Americana”, o fotógrafo brasileiro Leonardo Finotti dá continuidade à sua reavaliação do legado arquitetônico moderno da América Latina, reconstruindo edifícios fundamentais por meio das lentes de sua câmera. Deslocando o foco dos grandes protagonistas para geografias e escalas menos visíveis, Leonardo Finotti explora outras nove metrópoles: Buenos Aires, Santiago, Rio de Janeiro, Brasília, Quito, San José, Caracas, Cidade da Guatemala e Guadalajara.

O ensaio que acompanha a obra, escrito pela curadora e pesquisadora Alexia Tala, situa o trabalho de Leonardo Finotti no âmbito dos discursos arquitetônico e fotográfico, com ênfase especial em sua conexão com o legado da arte concreta brasileira, a fotografia serial e o ato de arquivar como uma forma de intervenção.

Diálogos possíveis entre Arte e Design.

07/ago

Artista brasileiro apresenta duas obras inéditas durante a Copenhagen Fashion Week, em pesquisa que aproxima ancestralidade, arte contemporânea e design. O artista visual brasileiro Paulo Ricardo Campos apresenta, na Dinamarca, duas obras inéditas desenvolvidas especialmente para a Copenhagen Fashion Week. Os trabalhos integram uma pesquisa que aproxima arte contemporânea, design e sustentabilidade, investigando relações entre criação artística, natureza e cultura.

A instalação “Gênese”, com seis metros de altura, foi apresentada no dia 06 de agosto, no King’s Garden, parque histórico localizado no centro de Copenhagen. Criada para o espaço público, a obra propõe uma reflexão sobre origem, transformação e os processos de criação que atravessam a pesquisa do artista. A segunda obra, “Matriz”, será apresentada em ambiente interno durante a programação da semana de moda.

A participação de Paulo Ricardo Campos na Copenhagen Fashion Week integra um laboratório de pesquisa dedicado aos diálogos possíveis entre Arte e Design. O evento, reconhecido internacionalmente por suas discussões sobre sustentabilidade e inovação, reúne criadores e pesquisadores interessados em novos processos e caminhos para a indústria criativa.

A pesquisa do artista articula referências ancestrais e questões contemporâneas, aproximando diferentes formas de conhecimento. Descendente de povos originários, o artista cresceu em contato com a memória e os saberes transmitidos por sua avó Eunice, experiência que integra sua formação e se relaciona a uma investigação artística que também envolve luz, matéria, percepção e processos contemporâneos de criação. Ao estabelecer relações entre ancestralidade, natureza e experimentação, o artista desenvolve uma produção que transita entre pintura, instalação e intervenções espaciais, buscando novas possibilidades de circulação para a arte e novos diálogos com o design.

Soft Ground na Casa da Cultura da Comporta.

06/ago

A Fortes D’Aloia & Gabriel anuncia “Soft Ground”, a sexta edição de sua exposição anual de verão em Comporta, Portugal, apresentada pelo segundo ano consecutivo em colaboração com a Mendes Wood DM e, pela primeira vez, com a galeria portuguesa Kubikgallery, de 04 de julho a 05 de setembro.

A programação deste ano acontece em dois espaços: a Casa da Cultura da Comporta e o Espaço Museológico Museu do Arroz. A exposição coloca a arte contemporânea em diálogo com a atmosfera singular da região, propondo uma forma de experiência mais lenta e contemplativa. Fundamentada na abertura e no diálogo, a iniciativa reflete o espírito colaborativo das galerias ao fomentar parcerias significativas com instituições afins.

A exposição será acompanhada por um ensaio crítico da curadora e escritora Filipa Ramos. Ramos é uma das vozes mais relevantes na intersecção entre arte, ecologia e imagem em movimento, reconhecida por sua investigação rigorosa sobre coexistência multiespécies, fragilidade ambiental e políticas da paisagem. Seu texto oferecerá um enquadramento crítico para as questões levantadas pela exposição: a terra, a transformação e as formas de atenção e cuidado que ainda precisamos escolher praticar.

Com obras de Anne Lefebvre, Antonio Társis, Artur Lescher, Cristiano Lenhardt, Damián Ortega, Daniel Steegmann Mangrané, Erika Verzutti, Ernesto Neto, Flávia Vieira, João Maria Gusmão, Laís Amaral, Luiz Zerbini, Lygia Pape, Manuella Silveira, Marcius Galan, Marina Rheingantz, Marcos Siqueira, Patrícia Leite, Paulo Nimer Pjota, Paula Siebra, Pedro Tudela, Pedro Vaz, Rivane Neuenschwander, Santídio Pereira, Solange Pessoa e Vasco Futscher.

Brasileiros na Bienal de Gwangju.

Considerada uma das mais importantes do mundo, a Bienal de Gwangju, na Coréia do Sul, ganhará, pela primeira vez, um pavilhão brasileiro em sua 16ª edição, que acontecerá de 05 de setembro a 15 de novembro. Localizado no Gwangju History & Folk Museum, o pavilhão terá curadoria de Aldones Nino e Bruna Levi e apresentará a exposição inédita “Devorações do Amanhã – Brasil em rebento”, com a participação de 35 artistas brasileiros, de diferentes gerações e oriundos de diversas regiões do Brasil. 

Artistas participantes.

Adriana Varejão, Alex Červený, Ayla Tavares, Cinthia Marcelle, Estevan Davi, Herbert De Paz, Heloisa Hariadne, Isabella Ogêda, Ivens Machado, Jonas Arrabal, Josi, Laís Amaral, Lais Myrrha, Lucas Lugarinho, Luiza Crosman, Manauara Clandestina, Marcela Cantuária, Marcos Chaves, Maria Lira Marques, Mariana Rocha, Márcia Falcão, Maruan Sipert, Nathan Braga, Panmela Castro, Patrícia Abbott, Rayana Rayo, Sara Ramo, Ventura Profana, Vicente de Mello, Vinicius Gerheim, Vivian Caccuri, Shinji Nagabe, Walla Capelobo, Xadalu Tupã Jekupé e Yhuri Cruz.

“Devorações do Amanhã” propõe a criação do primeiro Pavilhão Brasileiro na Bienal de Gwangju. Ancorado no pensamento antropofágico brasileiro, o projeto atualiza a noção de devoração como uma operação crítica voltada ao presente: um gesto de metabolização das crises contemporâneas”, afirmam os curadores Aldones Nino e Bruna Levi, que ressaltam que a proposta estabelece um diálogo direto com a 16ª edição da Bienal de Gwangju, intitulada “You Must Change Your Life” (Você precisa mudar a sua vida).