Hélio Oiticica no Whitney, NY

13/jul

 

 

O Whitney Museum of American Art, NY, apresenta “Hélio Oiticica: To Organize Delirium”, a primeira retrospectiva americana em grande escala exibindo duas décadas do trabalho do artista brasileiro. Um dos artistas mais originais do século XX, Oiticica (1937-1980) criou uma arte que nos desperta para nossos corpos, nossos sentidos, nossos sentimentos sobre estar no mundo: arte que nos desafia a assumir um papel mais ativo. A partir de investigações geométricas em pintura e desenho, Oiticica logo mudou para escultura, instalações arquitetônicas, escritas, filmes e ambientes em larga escala de natureza cada vez mais imersiva, obras que transformaram o espectador de um simples espectador em um participante ativo.

 

A exposição inclui algumas de suas instalações em grande escala, incluindo “Tropicalia” e “Eden”, e examina o envolvimento do artista com música e literatura, bem como sua resposta à política e ao ambiente social de seu país. A exposição capta a emoção, a complexidade e a natureza ativista da arte de Oiticica, enfocando em particular o período decisivo que passou em Nova York na década de 1970, onde foi estimulado pelas cenas de arte, música, poesia e teatro. Enquanto Oiticica se engajou em primeiro lugar com muitos artistas da cidade, ele acabou vivendo um isolamento auto-imposto antes de retornar ao Brasil. O artista morreu no Rio de Janeiro, em 1980, aos 42 anos.

 

 

A Tropicália

 

O estilo musical da “Tropicália”, que toma o nome da instalação homónima 1966/67 de Helio Oiticica, tornou-se um movimento artístico e sociocultural no Brasil. Após o golpe militar em 1964, a música popular desempenhou um papel fundamental na resistência estética e cultural ao clima político instalado. A música continuou a desempenhar um papel importante no trabalho de Oiticica em seus anos de Nova York, onde assistiu a concertos de rock no Fillmore East. A exposição apresenta uma lista de reproduções de músicas inspiradas por compositores e músicos do período de vigência da “Tropicália”, como Caetano Veloso e GiIberto Gil, além dos músicos do rock and roll em especial Jimi Hendrix, de quem Oiticica se inspirou na década de 1970.

 

 

Apoios e curadoria

 

Esta exposição foi organizada pelo Whitney Museum of American Art, Nova York; Carnegie Museum of Art, Pittsburgh e o Art Institute of Chicago. “Hélio Oiticica: Organizar Delirium” tem curadoria de Lynn Zelevansky; Henry J. Heinz II; Carnegie Museum of Art; Elisabeth Sussman, curadora e curadora de fotografia de Sondra Gilman; Whitney Museum of American Art; James Rondeau, presidente e diretor de Eloise W. Martin; Art Institute of Chicago; Donna De Salvo, diretora adjunta de Iniciativas Internacionais e Curadora Sênior, Whitney Museum of American Art; com Katherine Brodbeck, curadora associada, Carnegie Museum of Art. O apoio à turnê nacional desta exposição é fornecido pela Fundação Andy Warhol para as Artes Visuais e o National Endowment for the Arts. Apoiado em Nova York, pelo Comitê Nacional do Whitney Museum of American Art. Conta ainda com o apoio generoso fornecido pela Art & Art Collection, Tony Bechara; a Garcia Family Foundation e a Juliet Lea Hillman Simonds Foundation. O suporte adicional é fornecido pela Evelyn Toll Family Foundation. O Fundo de Exposição da Fundação Keith Haring também oferece apoio genérico de doações.

 

 

Até 01 de outubro.

Fluctuations

11/jul

A BOSSA Gallery – Fine Art Photography, Design District, Miami, FL, EUA, inaugura a partir deste sábado, dia 08, exposição “Fluctuations”, de Flavia Junqueira e George Goodridge, com curadoria de Liliana Beltran. A presença ambígua de conceitos opostos é frequente na obra dos dois artistas, como ordem e desordem, natureza e criação, restrição e excesso, mecânico e orgânico. Ambos dividem um interesse particular pelo espaço e abordam a ideia de que “arte é uma ilusão da espontaneidade”. Em “Fluctuations”, aproximam-se as contradições e dualismos refletidos em um sonho, um enigma, uma ideia de paisagem, um impulso, um sentimento a ser percebido.

 

Marcos Moraes, acerca do trabalho de Flavia Junqueira, diz que “…o processo de gesticular, deliberadamente, é usado na construção das imagens como um meio de esconder a relação habitual e corriqueira com o espaço e com objetos, propondo, pela repetição, acumulação ou até mesmo pelo excesso, cativar e envolver na atmosfera muitas vezes quente e convidativa da casa e, em particular, da festa: um momento de celebração, de alegria e felicidade. Esse sentimento generalizado, em relação ao espaço e ao momento específico – da festa – é reforçado pela presença de objetos que estão presentes na vida diária de cada um de nós, e isso abriga nossas memórias da infância quando nos referimos aos balões, brinquedos, objetos, decorações, vestimentas e especialmente o “clima festivo” que evocam”.

 

As esculturas de George Goodridge adquirem vida própria; elas mudam, se adaptando aos vários momentos de interação com o espaço. Não há barreiras para suas esculturas criativas e lúdicas. Em seus trabalhos “Cooperative Kinects” e “Character Studies”, o artista parte para uma simplificação formal. Marcada pela proliferação de círculos em que conjuntos de tonalidades, de maiores e menores dimensões, de movimentos combinando dentro e fora, se referem à forma primordial, o círculo, representação do nascimento, da união, da junção, da comunhão entre o macro e o micro. A impregnação deste elemento diz respeito ao caminho natural que corre em direção à forma genuína, que é, idealmente, a mais simples de todas, criada precisamente pelo equilíbrio, homogeneidade, regularidade e simetria. Em seguida, este equilíbrio, alcançado pela combinação de formas diferentes, começa a ser desafiado e transformado em sua psicodélica visão imagética.

 

 

 

Sobre os artistas

 

 

Flavia Junqueira

Doutoranda no curso de Pós Graduação do Instituo de Artes da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Mestre em Poéticas Visuais pela Universidade de São Paulo (USP) e Bacharel em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), integrou o projeto do programa de residências da Izolyatsia’s Platform for Cultural Initiatives na cidade de Donestk na Ucrânia com curadoria de Boris Mikailov, participou da residência Cité Internationale Dês Arts em Paris através de bolsa contemplada pela FAAP, integrou em 2010 o Programa PIESP da Escola São Paulo e atuou como assistente de cenografia no Espaço Cenográfico de São Paulo de J.C.Serroni. Entre os principais projetos e exposições coletivas que participou destacam-se, Culture and Conflict: IZOLYATSIA in Exile. Palais de Tokyo, The World Bank Art Program, Kaunas Photo festival, Exposição Individual “Tomorrow i will be born again” na Cité Dês Arts, coletiva una mirada latino americana do projeto Photo España, Temporada de Projetos Paço das Artes, Prêmio Energias na Arte no Instituto Tomie Otahke, Programa Nova Fotografia- MIS, Concurso Itamaraty, Residência RedBull House of Art, Atêlie Aberto da Casa Tomada, entre outros. Algumas de suas obras integram o acervo de museus e espaços culturais como: MAM-SP, MIS-SP, MAB-FAAP, Museu do Itamaraty, Instituto Figueiredo Ferraz, RedBullStation entre outros.

 

George Goodridge

Graduado da Escola de Artes Visuais de Nova York, frequentou a Escola de Arte do Instituto de Chicago. Atuou como consultor técnico sênior no Instituto Escola de Arte e ensinou técnicas visuais na Escola de Artes Visuais em Nova York. Seu trabalho foi representado em inúmeras galerias, museus e coleções corporativas. Foi recentemente apresentado na Syndicated News Network, na revista LandEscape Art Review, WhiteHot Magazine of Contemporary Art, Art Vetting, The Examiner, em vários artigos do The Miami Herald, Art South Florida, Xs Magazine, New Times Magazine, Tropiculture Magazine e em várias transmissões para PBS. Suas pinturas tridimensionais são apoiadas pelos estudos prévios do artista em reconstrução geométrica, pintura tridimensional e instalações conceituais.

 

 

Sobre a BOSSA Gallery – Fine Art Photography

 

BOSSA é a primeira galeria de arte em Miami especializada em fotografia brasileira de alta qualidade. Localizada no Design District, BOSSA soma ao desenvolvimento artístico local sua produção contemporânea de novos nomes da fotografia, colaborando com a expansão de suas carreiras no mercado internacional. A galeria representa fotógrafos brasileiros reconhecidos, bem como os novos nomes, junto com artistas do mercado norte-americano, buscando criar um diálogo entre os dois mercados. A missão da BOSSA é de atuar como uma plataforma para promoção e divulgação da vibrante produção fotográfica contemporânea de artistas brasileiros, ampliando seu alcance internacional. Com um sólido programa conceitual desenvolvido em parceria com curadores convidados, a BOSSA apresenta seus artistas em exposições elaboradas, ao mesmo tempo em que uma série de palestras e conversas ministradas no espaço aproximam o público a um contato íntimo e direto com o trabalho do artista. Vernissages e eventos especiais, permitem aos colecionadores – novos e estabelecidos – uma visão mais intima tanto à carreira do artista como a trajetória da galeria.

 

 

Até 08 de setembro.

Burle Marx na Alemanha

06/jul

Roberto Burle Marx (1909-1994) foi um homem renascentista do século XX: arquiteto paisagista, pintor, escultor, set designer, ativista ambiental. Projetou, durante sua longa carreira, mais de 2.000 jardins ao redor do mundo e, em expedições, descobriu quase 50 novas espécies de plantas. Ao mesmo tempo, criou objetos independentes de extraordinária beleza. Em seu país natal, o Brasil, Burle Marx, juntamente com os arquitetos Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, é reverenciado como pioneiro no Modernismo Brasileiro. Seus projetos para a capital Brasília e, acima de tudo, para o Rio de Janeiro, tiveram um impacto duradouro sobre essas cidades. Ainda hoje, sua arquitetura de paisagem revolucionária, orientada para a pintura abstrata, gozam de repercussão internacional, porém uma boa parcela de sua obra, no entanto, é praticamente desconhecida.

 

Após sua estréia no The Jewish Museum de Nova York em 2016, a mostra “Roberto Burle Marx: modernista brasileiro” está agora em exibição no Deutsche Bank KunstHalle, Berlin, Alemanha. A exposição ilustra a gama completa de sua produção artística, vista pela primeira vez na Alemanha, e apaga as fronteiras entre as diferentes mídias e disciplinas. Isso é documentado sobretudo pelas aquarelas e desenhos de Burle Marx para desenhos urbanos e paisagísticos que abrem a exposição, por exemplo, para o jardim do telhado projetado em 1938 para o Ministério da Educação e Construção da Saúde erigido por Niemeyer, Lucio Costa Costa e Le Corbusier; O Parque do Flamengo no Rio de Janeiro (1961) e o mundialmente famoso pavimento ondulado da Avenida Atlântica (1970) em Copacabana. Muitos desses projetos são semelhantes à arte abstrata e ressoam com as obras de arte contemporâneas apresentadas na exposição, como a pintura de 2003 da artista brasileira Beatriz Milhazes. Para ilustrar a influência artística de Burle Marx, seus trabalhos entram em diálogo com obras de artistas internacionais contemporâneos. Entre eles estão Juan Araujo, Paloma Bosquê, Dominique Gonzalez-Foerster, Veronika Kellndorfer, Luisa Lambri, Arto Lindsay e Nick Mauss.

 

Quando o jovem Burle Marx viajou para Berlim procedendo do Rio de Janeiro com sua família em 1928, a capital alemã era um laboratório de modernismo. Neste momento, há muito tempo já conhecia a cultura alemã. Seu pai, Wilhelm Marx, um judeu alemão, imigrou para o Brasil de Trier, na Alemanha, no final do século XIX. O amor pela ópera e arte alemãs estava profundamente enraizado na família próspera e educada. Outro foco da exposição, portanto, é a metrópole de arte e cultura de Berlim, que impressionou, influenciou e ocupou continuamente Burle Marx. Por exemplo, pouco antes de sua morte ele criou um projeto para a Rosa-Luxemburg-Platz que não foi realizado.

 

Na Berlim da República de Weimar, Burle Marx resolveu ser artista e arquiteto paisagista. Suas visitas à coleção de arte moderna no Kronprinzenpalais, onde viu obras de expressionistas alemães e Van Gogh, contribuíram para sua decisão. Mas ele fez outra descoberta: nas estufas do Jardim Botânico em Dahlem, reconheceu a beleza da flora brasileira: os filodendros, bromélias e nenúfares que foram ignorados nos jardins brasileiros, mas cultivados com carinho aqui. “Odeio a ideia de que um arquiteto paisagista só deveria conhecer as plantas”, disse o artista décadas depois. “Ele também tem que saber o que é Piero della Francesca, o que constitui um Miró, um Michelangelo, um Picasso, um Braque, um Léger”.

 

Como é aparente nos estudos de plantas de Burle Marx e desenhos iniciais, pinturas e projetos de jardins, seu caminho, tanto nas artes visuais quanto na arquitetura paisagística, o conduziram à abstração. Em seus projetos de jardins, ele transferiu imagens bidimensionais para três dimensões. Enquanto a arquitetura da paisagem brasileira convencional ainda estava orientada para o design do jardim Belle Époque europeu, e flores e plantas eram importadas do exterior, Burle Marx trabalhava exclusivamente com a flora doméstica. Ele estava principalmente interessado nas formas, texturas e cores das folhas, o artista optou muito claramente pela cor, massa e superfície, por fortes contrastes, formas sinuosas e quadradas, campos geométricos.

 

No decorrer da exposição, os aspectos arquitetônicos e artísticos de sua carreira, inextricavelmente entrelaçados, são documentados repetidamente. As formas abstratas em seus projetos para jardins privados e praças públicas se refletem nos princípios de design, na pintura, e na arte aplicada de Burle Marx. Além das pinturas abstratas, cerâmicas, jóias, conjuntos de palcos e figurino são apresentados. Mostram como ele casou seu amor com as tradições brasileiras e com o modernismo europeu. Isso é aparente nas versões abstratas dos azulejos que ele usou nas paredes e na construção de paredes.

 

Burle Marx não era apenas um inovador, mas também um conservador e colecionador. Em sua propriedade de 365.000 m², uma antiga plantação de café perto do Rio de Janeiro, cultivou uma das maiores coleções mundiais de plantas tropicais. O Burle Marx Landscape Studio foi fundado por Roberto Burle Marx em 1955. Depois da morte do artista, Haruyoshi Ono – seu parceiro de negócios e parceiro criativo por mais de 30 anos – continuou seu legado por mais de 20 anos liderando o Estúdio, tornando-se responsável pelo desenvolvimento criativo de novos Projetos de escritórios e jardins. Esta exposição foi possível por causa de seu excelente trabalho e apoio. Mostramos aqui sua última entrevista para um programa brasileiro de arquitetura bem conhecida, chamado “Casa Brasileira”. Ono faleceu em janeiro de 2017. Perpetuou o legado artístico da paisagem de Roberto Burle Marx, tendo sido responsável pelo Landscape Studio e sua coleção por mais de 20 anos após a morte de Roberto Burle Marx.

5 artisti brasiliani geometrici

28/jun

A Um Galeria, da marchand Cassia Bomeny, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, inaugurou a exposição “5 artisti brasiliani geometrici”, com cerca de 20 obras recentes e inéditas, dentre esculturas e pinturas, dos artistas Luiz Dolino, Manfredo de Souzanetto, Maria-Carmen Perlingeiro, Rodrigo de Castro e Suzana Queiroga. Com curadoria de Luiz Dolino, a mostra traz uma seleção de obras de artistas ligados à linguagem geométrica e seguirá ampliada para Roma, Lisboa, Basel e Bolonha.
“O eixo central do argumento se sustenta na vontade de exibir cinco artistas que se aproximam e se tornam íntimos, sem prejuízo da singularidade de suas escolhas diante do ilimitado da expressão. A Geometria – geom, tudo aquilo que em Matemática se ocupa do estudo do espaço e das figuras que podem ocupa-lo – é, na largada, o polo que nos une. O rigor formal permeia o sonho, constrói e desconstrói. Há uma arquitetura que se impõe, que edifica; mas há também uma ordem que deforma, implode, desmonta”, afirma o curador Luiz Dolino.
Rodrigo de Castro e Luiz Dolino apresentarão pinturas inéditas. Esses dois artistas “…perseguem mais de perto a rota euclidiana – exploramos figuras que não possuem volume”, explica o artista e curador Luiz Dolino, que ressalta uma diferença: “Rodrigo ousa dizer que está sempre em busca da cor que melhor se ajuste ao seu propósito. Do meu lado, sou mais direto, cético. Preciso tão somente de quatro cores”, diz.
Manfredo de Souzanetto apresentará obras “…onde a fragmentação do suporte, os pigmentos naturais de terras brasileiras e a construção da forma determinam o dinamismo da obra no espaço”, conta o artista. Para o curador, vem da obra de Manfredo “…o privilégio atribuído à presença do objeto que, antes de tudo, nos surpreende. Mais ainda talvez, nos assusta e perturba com sua arritmia. Extasiamo-nos diante da permanente proposta que visa a recomposição de um imponderável puzzle. Leva e traz. Diz e contradiz. Dialeticamente se impõe: cheios e vazios. O impasse enganoso conduz o nosso olhar para periferia irregular. A percepção sofre reveses. A catedral se estrutura e abriga uma arquitetura arquetípica”.
Maria-Carmen Perlingeiro apresentará uma série de esculturas composta por pedras Mica, colocadas em painéis de acrílico, que parecem flutuar no espaço.  “Prismas, cones, segredos, luz e pedra, ouro, são palavras de ordem na compulsão criativa dessa artista que, por meio de delicada magia, impõe expansões da própria forma”, afirma o curador.
Suzana Queiroga também apresentará esculturas. “A experiência proposta ao espectador modifica a sua percepção e promove a expansão dos sentidos, do espaço e do tempo”, diz o curador.
Itinerância Internacional 
A partir do dia 02 de novembro no Palazzo Pamphilj, em Roma, em parceria com a produtora italiana ATRIVM. A itinerância da mostra seguirá no próximo ano para a Fundação Medeiros e Almeida, em Lisboa, Portugal, para a Brasilea Stiftung, em Basel, na Suiça, e para Bolonha, na Itália.
Sobre os artistas
Luiz Dolino nasceu em Macaé, RJ, 1945. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Dentre suas exposições mais recentes estão a mostra no Espaço Cultural da UFF (2016); no Centro Cultural de Montes Claros (2015); na Galeria Marcantonio Vilaça, em Bruxelas, no ARTMARK, em Viena e na Casa-museu Medeiros e Almeida, em Lisboa (2014). Destacam-se, ainda, as mostras na Jordania Cultural Center (2013); no CCBB Rio e Brasília (2012); no Museum of Young Art, em Viena, no SEGIB, em Madri, no Palácio Maldonado, em Salamanca, no Museu Nacional da Costa Rica e no CCBB Rio, ambas em 2008. Em 2007, expôs na Caixa Cultural de Curitiba e no CCBB Rio, entre muitas outras.
Manfredo de Souzanetto nasceu em Jacinto, MG, 1947. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Estudou arquitetura no Brasil e artes plásticas no Brasil na França. Dentre suas exposições individuais destacam-se a retrospectiva no Paço Imperial (2016), as mostras na Stiftung  Brasilea (2013), na Suíça, no Museu Nacional de Belas Artes (2010), no Centro de Arte l’Espal em Le Mans, na França, Kulturtorget em Stavanger, na Noruega (2007), a panorâmica de sua obra no Centro Cultural Correios, na Caixa Cultural em Brasília e no Palácio das Artes, em Belo Horizonte (2006), a mostra no Instituto Moreira Salles (2005/2006), no Musée National de la Porcelaine Adrien-Dubouché (2000), no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian (1994), no MAM Rio (1982), entre outras.
Maria-Carmen Perlingeiro nasceu no Rio de Janeiro, 1952. Vive e trabalha em Genebra. É escultora e seu material de predileção ė o alabastro. Dentre suas exposições individuais destacam-se “Sculpture et rayonnnement”, na Simon Studer Art, em Genebra (2016), as realizadas em Basel (2015), no MAM Rio (2012), na Pinacoteca Cívica de Volterra (2008), na Itália, no Espace Topographie de l’art, em Paris (2007), na França, no Museu da Chácara do Céu (2007), no Paço Imperial (2006) e no CCBB (1999), ambas no Rio de Janeiro, entre outras.
Rodrigo de Castro nasceu em Belo Horizonte, MG, 1953. Vive e trabalha em São Paulo. Filho do escultor Amilcar de Castro, iniciou sua carreira na década de 1980. Premiado no 11º Salão Nacional de Artes Plásticas, Funarte, no Rio de Janeiro e agraciado com o Prêmio Principal, no 13º Salão de Arte de Ribeirão Preto, Rodrigo de Castro participou de diversas mostras individuais e coletivas, no Brasil e no exterior, entre elas, uma exposição no MAM Rio, na década de 1990. Sua mais recente exposição foi na Um Galeria, em maio deste ano.
Suzana Queiroga nasceu no Rio de Janeiro, 1961. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Estudou na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro e no MAM Rio. Em 2002, concluiu o Mestrado em Linguagens Visuais pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, na UFRJ. Atualmente, expõe no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e é uma das finalistas do Prêmio Marcantonio Vilaça. Recebeu o Prêmio Aquisição na XVIII Bienal da Cerveira, Portugal (2015), o 5º Prêmio Marco Antônio Villaça (2012) e o 1º Prêmio Projéteis de Arte Contemporânea da Funarte (2005). Participou da exposição Como Vai Você, Geração 80?, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (1984).
Sobre a galeria
Fundada pela colecionadora Cassia Bomeny, a Um Galeria foi inaugurada em dezembro de 2015, com o objetivo de apresentar arte contemporânea, expondo artistas brasileiros e internacionais. Trabalha em parceria com curadores convidados, procurando elaborar um programa de exposições diversificado. Tendo como característica principal oferecer obras únicas, associadas a obras múltiplas, sobretudo quando reforçarem seu sentido e sua compreensão. Explorando vários suportes – gravura, objetos tridimensionais, escultura, fotografia e videoarte. Com esse princípio, a Um Galeria estimula a expansão do colecionismo, com base em condições de aquisição, bastante favoráveis ao público. Viabilizando o acesso às obras de artistas consagrados, aproximando-se e alcançando um novo público de colecionadores em potencial. A galeria também abre suas portas para parcerias internacionais, com o desejo de expandir seu público, atingindo um novo apreciador de arte contemporânea, estimulando o intercâmbio artístico do Brasil com o mundo.
Até 09 de agosto.

Na Bienal das Américas

14/jun

O fotógrafo Guy Veloso é o convidado brasileiro para participar da próxima edição da Bienal das Américas (Biennial of the Americas), importante evento de arte realizado em Denver, Colorado, Estados Unidos.

 

Trata-se de um formato diferente das bienais mais conhecidas, composto de diversas exposições individuais que são apresentadas ao longo ano. Guy Veloso levará ao público americano seu ensaio “Penitentes”, – exibido anteriormente na 29ª Bienal Internacional de São Paulo -, no qual pesquisou, durante dezesseis anos, grupos religiosos laicos que praticam o pouquíssimo estudado ritual da “Encomendação das Almas”.

 

Segundo a curadora do Museu das Américas, Maruca Salazar, “…as imagens captam um momento no tempo em que a fé, a consciência e o corpo se tornam um”. A mostra “Penitentes” será aberta ao público no dia 22 de junho e ficará por dois meses no Museu das Américas.

 

 

 

Sobre o artista

 

Guy Veloso é fotógrafo desde 1989. Sua obra faz parte do acervo de várias instituições espalhadas pelo mundo como “Essex Collection of Art from Latin America” pertencente à Universidade de Essex, Centro Português de Fotografia no Porto, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu de Arte Moderna de São Paulo e também o Museu de Arte de São Paulo (Coleção Pireli). A partir de 1998 começou um projeto de documentação de romeiros no sertão do Nordeste “Entre a Fé e a Febre: Retratos”, já em 2012 se interessa e inicia pesquisa acerca de grupos penitentes do país, no qual mantem trabalho paralelo até hoje.

 

 

 

 

Artista premiado

02/jun

Kiluanji Kia Henda, artista angolano, venceu o Frieze Artist Award 2017 e irá criar uma nova instalação performática naquela feira internacional de arte contemporânea entre os dias 04 a 08 de outubro em Londres, no Reino Unido.

 

O júri do prêmio, que recebeu candidaturas de mais de 80 países, anunciou que escolheu o projeto de Kiluanji Kia Henda, nascido em 1979, em Luanda, cidade onde continua a viver e a trabalhar em áreas que cruzam a fotografia, vídeo e performance. Criado em 2014, Kiluanji Kia Henda é o primeiro artista africano a vencer este prêmio.

 

A proposta do artista, vencedora do Frieze Artist Award 2017, tem como título “Under the Silent Eye of Lenin”, e consiste numa instalação de duas partes, inspirada no culto do marxismo-leninismo no período pós-independência de Angola.

 

O artista faz um paralelo entre esse culto, e as práticas de feitiçaria durante a guerra civil no país, aplicando também narrativas de ficção científica usadas durante a Guerra Fria entre as então superpotências mundiais dos Estados Unidos e União Soviética. A instalação pretende suscitar a reflexão sobre a ficção e o seu poder de manipulação como arma em situações de extrema violência. “Under the Silent Eye of Lenin” irá mudar ao longo da apresentação da feira de arte.

 

O júri do prémio foi composto por Cory Arcangel (artista), Eva Birkenstock (diretora da Kunstverein, em Dusseldorf, Alemanha), Tom Eccles (diretor executivo do Center for Curatorial Studies, em Nova Iorque, Estados Unidos) e Raphael Gygax (curador), com Jo Stella-Sawicka (diretora artística das Frieze Fairs) como presidente.

Contrepoint  

29/mai

O artista plástico brasileiro Eduardo Sampaio, em sua primeira exposição individual em Paris, faz seu “contraponto” às expressões herméticas e inacessíveis. “Contrepoint” reúne obras que convidam a revisitar momentos e pessoas simples. O vernissage acontece no próximo sábado, dia 03 de junho, a partir das 18hs, no charmoso espaço do La Station Service, 27 Boulevard Rouget de Lisle.

 

A diversidade estética e de pensamento são o tema de “Contrepoint”, em que Sampaio ousa exercer sua linguagem sem qualquer comprometimento com tendências ou modismos. A figura humana é o centro de seus trabalhos, e ele os faz exaltando as relações, a percepção do tempo, a harmonia. “Vivemos tempos ásperos e superficiais, resultantes de graves questões sociais e de uma intensa interferência digital. Cabe à arte resgatar o que é sensível, primordial e sobretudo belo”, acredita o artista.

 

O evento terá também o lançamento do blog Crônicas de Paris, da jornalista Ana Paula Cardoso, e o jazz do C. Prenant Trio.

 

 

De 03 de junho a 02 de julho.

A MEMO em Basel​

08/mai

Com preview para convidados marcado para o dia 12 de junho, a Design Basel recebe este ano a primeira galeria brasileira e de toda a América Latina: o Mercado Moderno, conhecido também como MEMO Galeria. Considerada uma das principais galerias de design do Brasil, o Mercado Moderno, tem à frente os sócios-fundadores Alberto Vicente e Marcelo Vasconcellos.

 

Para a Design Basel, que estará aberta ao público entre os dias 13 e 18 de junho, a MEMO vai levar peças selecionadas criteriosamente como a “Namoradeira” assinada por Zanine Caldas. Trata-se de uma das mais emblemáticas obras do importante designer produzida no início dos anos 1970. A peça foi feita especialmente para a casa construída nesta mesma década em Ilhéus, no sul da Bahia. Esta peça foi exibida no início dos anos 1980 em Brasília em exposição individual de Zanine. Entre outras surpresas que serão expostas pela galeria estão a emblemática “Poltrona Feijão”, obra recente, de 2017, de Rodrigo Simão, e a “Espreguiçadeira Linha Z”, também de Zanine Caldas, que se destaca por ter o assento original feito em plástico azul.

 

Vale lembrar que a MEMO participou da Design/Miami, no último ano, levando apenas trabalhos de um designer contemporâneo, aposta da galeria que representa um design brasileiro bem atual, Hugo França. Em 2016 a MEMO também expôs na SP Arte e Art Rio.

 

Para Alberto Vicente, participar de uma feira internacional, tão exclusiva como a Design Miami/Basel, na Basiléia, Suíça, possibilita ir de encontro direto com colecionadores e galeristas europeus, além de outras nacionalidades. “Temos em nosso acervo peças raras, algumas exclusivas e apostamos no lançamento de designers contemporâneos brasileiros para o mercado internacional”, conta Alberto.

 

Entre os designers contemporâneos representados pela galeria estão Hugo França, Zanini de Zanine, Ronald Sasson e Rodrigo Simão, além do designer italiano Giorgio Bonaguro. Todos estarão com peças expostas no estande da Basel.

 

 

Sobre Mercado Modeerno – MEMO Galeria

 

Sua fundação, em 2001, coincidiu com o momento em que se iniciava, após duas décadas de ostracismo, uma revisão da história no Brasil sobre esta rica produção do período entre os anos 1940 e 1970. Grande parte de seu acervo foi adquirido em leilões de antigas empresas, em que poucas peças eram especificadas e não havia parâmetros de valor. A empreitada envolvia um árduo trabalho de investigação, em contato com designers, herdeiros e especialistas, contraposto pelo deslumbre de descobrir pequenos tesouros a cada dia. E se desdobrou em diversas ações, para registrar, ampliar e disseminar o conhecimento adquirido, como a organização e apoio de algumas das obras fundamentais da literatura sobre o assunto e a curadoria de exposições em instituições de referência de diversas cidades brasileiras.

 

Nesta trajetória, a galeria se aproximou também dos principais nomes da produção contemporânea de design brasileiro, e hoje representa algumas das iniciativas mais criativas e consistentes neste segmento, entre eles Domingos Tótora, Zanini de Zanine, Gustavo Bittencourt, Hugo França, Paulo Alves e Flávio Franco. A partir de sua filial americana, o Mercado Moderno amplia sua presença global e está apto a comercializar diretamente seu catálogo em todo o mundo. Em seu casarão na Lapa, no Rio de Janeiro, a galeria continua a receber clientes, aficionados por design, arquitetos, designers de interiores e colecionadores que podem apreciar um conjunto único de móveis, peças únicas e objetos raros, garimpados pelos proprietários. Visite nosso portfólio e veja as últimas aquisições, além de criações de designers-artistas como Joaquim Tenreiro, Jorge Zalszupin, Sergio Rodrigues, Oscar Niemeyer, Lina Bo Bardi e José Zanine Caldas.

 

Sobre a Art Basel

 

Fundada em 1970 na cidade suíça da Basiléia, foi iniciativa de três galeristas: Trudi Bruckner, Balz Hilt e Ernst Beyeler (da Fundação Beyeler). Não demorou muito para se tornar a meca do mercado de arte europeu. Depois de se impor também nas Américas, em 2013 a Art Basel partiu para a conquista da Ásia, passando a acontecer também em Hong Kong. Durante a semana da feira, que acontece sempre em junho, a Basiléia se torna a capital mundial da arte contemporânea, atraindo galerias, colecionadores, curadores de museus e aficionados de todo canto. Paralelamente à exposição, a Art Basel oferece uma programação intensa com filmes, eventos, mostras paralelas, shows e até mesmo cardápios inspirados na arte. A parte de design na Art Basel começou em 2014. E teve início em Miami. Por isso a feira se chama Design/Miami Basel. Em Hong Kong ainda não há uma parte de design, apenas de arte.

Laura Belém no Peru

18/abr

A fotógrafa Laura Belém, artista representada pela galeria Athena Contemporânea, Rio de Janeiro, RJ, é a única brasileira selecionada pela curadora mexicana Daniela Pèrez para os Projetos Solos (Solo Projects), da Peru Arte Contemporânea (PARC), que acontece de 20 a 23 de abril, no MAC Lima, no Peru. A artista apresentará 11 fotografias inéditas da série “Reconstrução”, de 2017, que medem 40 cm X 51 cm cada. Além de Laura Belém, também foram escolhidos os artistas Juanli Carrión (Espanha), Emilia Azcárate (Venezuela), Emanuel Tovar (México), Andrés Marroquín W. (Peru) e Rubela Dávila. Eles concorrem a um prêmio de US$ 5.000 para o primeiro colocado e a uma residência na Mana Contemporary, nos EUA, para o segundo colocado.

Lygia Pape em NY

24/mar

Lygia Pape ganha primeira grande retrospectiva nos EUA

 

POR MARCELO BERNARDES

 

Os mais importantes museus de Nova York estão vivendo um verdadeiro caso de amor com o movimento neoconcretista, originado no Rio de Janeiro em 1959.

 

Depois de uma abrangente exposição do trabalho de Lygia Clark (1920-1988), organizada pelo Museu de Arte Moderna, o MoMA, em 2014, e antes de uma superlativa examinação da obra de Hélio Oiticica (1937-1980), que o museu Whitney inaugura em julho, o MetBreuer (anexo do Metropolitan especializado em arte moderna) lança,dia 21, a exposição “A Multitude of Forms”, primeira grande retrospectiva dedicada ao trabalho da artista Lygia Pape (1927-2004) a ser montada nos Estados Unidos.

 

Organizada pela curadora espanhola Iria Candela, expert do Metropolitan em arte latino-americana contemporânea, a mostra de Lygia Pape não supera, em número de trabalhos expostos, a da abrangente exposição “Espaços Imantados”, organizada no museu Rainha Sofia, em Madri, em 2011. Mas Nova York pode ver duas obras não apresentadas na Espanha: a tela “O Livro dos Caminhos” (1963-1976) e as esculturas “Amazoninos” (1991-1992).

 

O fato de a retrospectiva de Pape ter sido organizada no museu MetBreuer tem caráter bastante especial. A artista carioca era grande fã do prédio modernista criado pelo arquiteto húngaro baseado em Nova York, Marcel Breuer (1902 -1981), em 1966. “Lembro-me que, em nossa primeira visita ao local, quando o prédio pertencia ao museu Whitney, Lygia ficou olhando o piso, o teto, as janelas, as formas generosas do museu, e disse que seria fantástico poder exibir aqui um dia”, diz Paula Pape, filha da artista, em entrevista ao blog, na manhã de hoje (20).

 

A curadora Candela contextualiza o diálogo entre as obras de Pape com a arquitetura de Breuer. “Trata-se de uma conexão muito clara, pois é uma ligação histórica. O trabalho de ambos cresceu a partir dos legados do avant-garde europeu”, explica a curadora ao blog. “O neoplasticismo, o suprematismo, a Bauhaus, Mondrian e Kazimir Malevich foram abraçados por ambos”, prossegue. “Lygia foi uma grande herdeira daquele movimento, não só criando um vocabulário universal de cores e formas, mas como também guiando todas aquelas influências em direção completamente inédita”.

 

Como o nome didaticamente oferece, a mostra “A Multitude of Forms” reúne o trabalho de Pape em diversas mídias experimentadas ao longo de sua carreira, iniciada com o concretismo na década de 50, e que incluiu pintura, gravura, escultura, dança, filme, performance e instalação. “Lygia costumava dizer que o grande termômetro de uma exposição vem das pessoas que tomam conta das galerias dos museus”, diz Paula. “E o pessoal responsável pela segurança que encontrei por aqui parece instigado, reagindo com grande interesse pelas obras. É como se estivessem felizes com o que vêem”, conclui.

 

A obra mais representativa do trabalho de Pape, e que serve de pôster da exposição, é “Divisor” (1968), uma performance em que várias pessoas enfiam as cabeças em buracos abertos num gigantesco lençol branco, trabalho que a carioca explicou ser tanto uma celebração do corpo, espaço e tempo (como boa parte de sua obra), mas também uma crítica à burocracia moderna.

 

No sábado (25), como uma espécie de complemento para a instalação em vídeo, o MetBreuer vai apresentar, em alguns quarteirões do Upper East Side (onde está localizado o museu), uma “peregrinação” baseada na obra. Paula Pape, que é fotógrafa, vai filmar a performance. “Divisor” foi o primeiro trabalho de Pape que a curadora Candela tomou conhecimento. “Ao fazer minha dissertação em arte pública, rapidamente me interessei pelo trabalho de Pape”, explica. “Ela foi a pioneira em trabalhos em espaços públicos, mudando a face das performances”.

 

Também chama a atenção a monumental obra “Ttéia, C1” (1976-2004), que encerra a exposição com chave, ou melhor, fios de ouro. A obra é feita por uma sucessão de fios dourados que atravessam o ambiente, dando a sensação de uma tempestade de linhas ou feixes de luz. Onde quer que seja montada, a instalação parece sempre ganhar nova leitura, uma vez que os fios precisam se adequar aos novos espaços ou mudanças na iluminação.

 

Não poderia ser diferente no MetBreuer. “O teto aqui não é plano, mas sim de módulos vazados, então foi-se criada toda uma estrutura para afixar as placas que sustentam os fios no teto”, explicou ao blog o engenheiro e artista plástico Ricardo Forte, genro de Lygia Pape. Por questão de segurança, o MetBreuer vetou que “Ttéia” ficasse muito rente ao chão. “Isso nos obrigou a montar a peça numa plataforma de 30 centímetros de altura, quando o normal é 5 centímetros”, explica Forte.

 

A exposição de Pape reúne cinco décadas do trabalho da artista carioca. Paula Pape disse ter ficado “emocionada” já na primeira galeria, onde as séries “Pintura” “Relevo” e “Tarugo”, da fase concretista, foram montadas de maneira criativa. Há galerias especiais para o manifesto neoconcreto, criado por artistas e poetas cariocas, entre as Lygias e Oiticica, também Ferreira Gullar, Amílcar de Castro e Reynaldo Jardim – e para filmes do Cinema Novo, em alguns dos quais Pape colaborou no projeto gráfico.

 

A proposta do movimento neoconcretista, de favorecer relações mais interativas entre artes e espectadores, é semi-obstruída na exposição do MetBreuer por questões de preservação. As séries “Livro de Arquitetura” e “Poema-Objeto”, livros com elementos arquitetônicos semi-abstratos que as pessoas eram encorajadas a manusear, agora ficam inacessíveis ao tato, trancadas numa caixa de vidro. Mas ainda é possível experimentar, com o auxílio de conta-gotas descartáveis, os sabores da instalação “Roda dos Prazeres” (1967), com vasilhas de porcelana carregadas de líquidos multicoloridos.

 

A retrospectiva Pape é uma das exposições que comemoram o primeiro ano de funcionamento do MetBreuer. A diretora do museu, a inglesa Sheena Wagstaff, que veio do Tate Modern, de Londres, apontou na manhã de hoje que, em 12 meses de funcionamento, o museu teve quatro grandes exposições de mulheres artistas. Começou com a pintora indiana Nasreen Mahamedi (1937-1990), seguida da fotógrafa americana Diane Arbus (1923-1971), da escultora e pintora italiana Marisa Merz, 91, (essa ainda em cartaz até maio) e agora Pape.

 

Candela ressalta que a igualdade de gêneros, tão discutida hoje nas narrativas artísticas, nunca foi problema no Brasil. “Na verdade, o Brasil sempre foi muito inclusivo nas artes plásticas”, explica. “Mulheres sempre destacaram-se muito cedo, como Tarsila do Amaral (1886-1973), por exemplo. Até hoje essa representação é muito igual, com grandes artistas saídas do Rio, São Paulo e mais recentemente de Belo Horizonte também”.