Uma perspectiva singular sobre a abstração.

22/out

Na Dia Beacon, Nova York, “Grande Núcleo” revela como Hélio Oiticica transformou cor, espaço e movimento em uma experiência imersiva que só se completa com a presença do público.

Hélio Oiticica foi um artista e teórico influente cuja obra abrangeu escultura, desenho, pintura, instalação e performance. Com seus “Penetráveis”, ajudou a estabelecer a arte participativa e imersiva, oferecendo uma perspectiva singular sobre a abstração, moldada pelas realidades sociais, políticas e econômicas da América Latina e de outros lugares. Membro proeminente do Movimento Neoconcreto Brasileiro e cofundador da Tropicália, ele enfatizou a consciência espacial e o envolvimento físico.

Entre outras obras, a Dia Beacon apresenta o grande ambiente “Grande Núcleo” (1960-66), uma de suas construções mais imersivas. Afastando-se da bidimensionalidade de trabalhos anteriores, “Grande Núcleo” consiste em painéis retangulares suspensos, pintados em tons que variam do amarelo vibrante ao laranja intenso, e dispostos em uma grade dinâmica com diferentes ângulos e alturas.

“Grande Núcleo” explora a experiência do espaço por meio de composições ortogonais. Inicialmente desenvolvidas como maquetes menores, essas obras evoluíram para ambientes suspensos com múltiplos painéis que envolvem o espectador. Hélio Oiticica as considerava “pintura no espaço”, e não escultura, já que a cor permanecia o princípio organizador. Cada painel contribui para um núcleo cromático cuja intensidade varia conforme o observador se move através dele. Nas galerias com iluminação natural do Dia Beacon, o fluxo eterno da cor é enfatizado – seus efeitos dinâmicos surgem da interação com o ambiente e com o espectador.

Até 16 de novembro.

Apresentação internacional de Maxwell Alexandre.

21/out

A primeira exposição individual de Mawell Alexandre em Londres acontece na Galeria Carlos Ishikawa.

Para a ocasião, foi desenvolvido o print Londres 2026 – “pintor preto, figuração branca”, que marca um momento importante da série “Clube” e sua apresentação internacional, a primeira com a galeria. A seleção dessa obra foi feita a partir de uma produção prolífica e intensa de obras novas para a mostra, que resultou em 93 pinturas num período de 2 meses e meio.

Com pouco mais de um mês de antecedência à abertura da exposição, as vendas do print foram abertas exclusivamente em agosto no Brasil – presencialmente no MAM – Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro durante o evento @artecore e online, no site da @pavilhaoloja

Um ato de abertura e sensibilidade.

20/out

A Gentil Carioca apresenta, no Stand 13, Hall: Pink A, uma seleção de obras que dialoga com o tema desta edição, “Fancy: A Flexible, Acrobatic Body” (Fancy: Um Corpo Flexível e Acrobático) em Turim, Itália. A partir dessa questão central, nossa apresentação propõe explorar a imaginação e o corpóreo enquanto ferramentas críticas e políticas, destacando a capacidade da arte de ampliar nossa percepção do mundo e a compreensão de experiências diversas.

O conjunto reunido coloca em jogo um exercício de pensamento, que convida o público a refletir sobre o presente, vislumbrar futuros possíveis e aproximar-se das complexidades culturais que nos atravessam. Ao colocar a criação artística no centro do diálogo coletivo, mostrando que imaginar é também a experiência que nos leva a reconhecer o valor de um ato de abertura e sensibilidade.

Entre 30 de outubro e 01 de novembro.

Esculturas de formas orgânicas em Paris.

O fascinante universo de Sonia Gomes com a exposição “Cœur sauvage”, é o cartaz atual do Palais de Tokyo, em Paris. A exposição convida a apreciar uma abordagem original da arte contemporânea, na qual tecidos, cordas, rendas e materiais reaproveitados se transformam em esculturas expressivas. O Palais de Tokyo, um espaço dedicado à arte contemporânea, está localizado no número 13 da Avenue du Président-Wilson, no 16º arrondissement de Paris. 

Sobre a artista.

Nascida em 1948 em Caetanópolis, MG, Brasil, Sonia Gomes desenvolve uma prática artística reconhecida pelo uso de tecidos e materiais variados. Sua trajetória pessoal e cultural alimenta uma obra na qual os materiais ocupam um lugar essencial. Ela trabalha especialmente com tecidos reaproveitados, cordas, fios, bordados e elementos de renda para criar esculturas de formas orgânicas. Sua abordagem se baseia na transformação. O trabalho de Sonia Gomes também se insere em uma reflexão sobre as heranças culturais, especialmente as afro-brasileiras. Sua abordagem artística dialoga com tradições, práticas criativas e saberes artesanais que contribuem para a riqueza de sua identidade cultural.

Até 14 de fevereiro de 2027. 

Mira Schendel em novo livro em Londres.

07/out

Temos o prazer de anunciar duas apresentações de Mira Schendel em Londres, neste mês de outubro. Organizadas pela Luxembourg+Co e pela Gomide&Co.

Junte-se à Luxembourg + Co, no sábado, 17 de outubro, às 16h, para o lançamento de livro na Frieze Masters, Londres, Standstand D3 e também para uma conversa informal celebrando o mais recente projeto monográfico: “Mira Schendel: In Transit”.

Publicado pela Buchhandlung Walther König em colaboração com o Estate of Mira Schendel, Gomide&Co, Luxembourg + Co. e Lisson Gallery, “Mira Schendel: In Transit” reúne contribuições de Pia Gottschaller, Isobel Whitelegg, Francesco Stocchi e Yuval Etgar, explorando a linguagem material singular de Mira Schendel e sua abordagem radical do desenho, da pintura e do espaço.

“Mira Schendel: In Transit” reúne obras que abrangem várias décadas da trajetória da artista, com foco especial na cor, na linguagem e na experiência do deslocamento. A exposição revela uma Mira Schendel moldada pelo movimento – entre lugares, materiais, linguagens e modos de ver.

A individual institucional de Chico da Silva.

06/out

A Galatea tem o prazer de compartilhar a nova individual do artista Chico da Silva (Cruzeiro do Sul, Acre, 1910 – Fortaleza, 1985) And the soul is for the birds (E a alma é para os pássaros) no Nottingham Contemporary, em Nottingham, Reino Unido.

Essa é a primeira exposição individual institucional europeia do artista acreano conhecido por suas composições imaginativas, inspiradas nas tradições orais do Norte do Brasil, no folclore, nas narrativas indígenas, marcadas pelo uso de cores intensas e traços intrincados.

Reunindo obras fundamentais de diferentes momentos de sua trajetória, a mostra apresenta uma ampla seleção de pinturas que percorrem o universo visual singular de Chico da Silva – de cenas oceânicas a vastos mundos cósmicos, onde criaturas marinhas flutuam pelo espaço e seres híbridos se encontram.

A exposição, que contou com a colaboração da galeria Mendes Wood DM, convida o público a reconsiderar o legado de Chico da Silva e abre novas possibilidades de encontro com a arte indígena contemporânea brasileira em contexto internacional.

Em diálogo com a arquitetura otomana.

05/out

Artista brasileiro ocupa cisterna bizantina de 500 anos com exposição em Istambul. Em sua primeira exposição individual na Turquia, Alex Červený reúne mais de 30 obras em um complexo otomano de 500 anos, incluindo uma cisterna bizantina. Articuladas pelo espaço como um códice, as obras dialogam diretamente com a arquitetura otomana.

Durante a Semana de Arte de Istambul, realizada entre 23 e 27 de setembro, o artista brasileiro Alex Červený apresentou sua primeira exposição individual na Turquia. Intitulada Atlas of Encounters (em tradução livre, Atlas de Encontros), a mostra ocupou o Zeyrek Çinili Hamam, histórico complexo de banho turco e museu com cerca de 500 anos, projetado por Mimar Sinan, considerado o principal arquiteto do Império Otomano. A exposição reúne mais de 30 obras e permanece em cartaz até 31 de janeiro de 2027.

Instalada também na cisterna bizantina sob o hamam do século XVI, a exposição reúne trabalhos apresentados pela primeira vez, incluindo obras recém-encomendadas e peças desenvolvidas a partir da primeira visita do artista a Istambul. A arquitetura do edifício não funciona apenas como cenário: é parte fundamental da experiência proposta pela mostra.

Cores intensas em exibição em Paris.

O fotógrafo brasileiro Rafael Pavarotti ganhou exposição no Musée des Arts Décoratifs, em Paris. Em cartaz até maio de 2027, a mostra reúne mais de 200 imagens do artista paraense, incluindo capas de revistas de moda e retratos de nomes como Beyoncé, Rihanna e Harry Styles. A curadoria de “Raphael Pavarotti, photographe” é de Sébastien Quéquet.

Nascido em Belém, no Pará, Rafael Pavarotti construiu uma assinatura visual marcada por cores intensas e saturadas e por referências à cultura afro-brasileira. A exposição reúne trabalhos encomendados e projetos pessoais, passando por seus primeiros experimentos até uma série de retratos masculinos publicada pela Double Magazine em 2019. Aos 15 anos, ele deixou Belém e partiu para uma trajetória que passou por destinos nacionais e internacionais, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo e Londres, até chegar a Paris, onde se estabeleceu em 2025.

O trabalho de Rafael Pavarotti já passou pelas páginas de alguns dos principais veículos de moda e cultura do mundo, como The New York Times, W Magazine, i-D, Dazed, Perfect Magazine e diferentes edições da Vogue. Ao mesmo tempo, construiu uma trajetória próxima de grandes grifes, com trabalhos para Balenciaga, Mugler, Balmain, Chanel, Dior e Ferragamo. Entre as personalidades que já passaram por suas lentes estão figuras da cultura pop atual, como A$AP Rocky, Addison Rae, Charli XCX e Tyla, além de Gisele Bündchen, fotografada para a campanha de primavera 2024 da Balmain.

O sonho é um vasto território.

01/out

Para a Art Basel Paris 2026 entre 23 e 25 de outubro,  no Grand Palais, A Gentil Carioca (Stand A4) apresentará o tema “Sonhos e Pesadelos”. O sonho é um vasto território, onde as formas se expandem livremente e a lógica da vida cotidiana se dissolve. Sonhar não é uma fuga, mas a construção de mundos nos quais escolhemos acreditar. mundos que podem, às vezes, se transformar nos pesadelos de nossas próprias construções. Buscamos apresentar obras em que o sonho assume múltiplas formas e escalas, tornando-se uma matéria política e um confronto para imaginar outras formas de viver, recusando o que está dado e persistindo na luta.

Duas gerações da pintura brasileira.

24/set

A Simões de Assis participa da Frieze London 2026, de 14 a 18 de outubro, e apresenta um diálogo entre Miguel Bakun e Thalita Hamaoui, duas gerações da pintura brasileira. Obras de Miguel Bakun realizadas entre as décadas de 1940 e 1960 e pinturas inéditas de Hamaoui, produzidas especialmente para  esta edição.

Separadas por décadas, suas produções encontram pontos de contato na maneira como transformam a paisagem em campo de sensibilidade. Entre o mundo exterior e a experiência interior, as obras articulam diferentes formas de perceber, imaginar e dar corpo ao que nos cerca.

Sobre o artista.

Miguel Bakun (Mallet, Brasil, 1909 – Curitiba, Brasil, 1952) filho de imigrantes ucranianos, nasceu no sul do estado do Paraná, Brasil. Ainda jovem, em 1926, ingressou na Escola de Aprendizes da Marinha, em Paranaguá, e em seguida foi transferido para a Escola de Grumetes do Rio de Janeiro, onde começou a realizar esboços a lápis, desenhos de observação, retratos, caricaturas e paisagens – como fazia também seu colega e contemporâneo José Pancetti. Em 1930, em virtude de um acidente, desligou-se da Marinha e mudou-se para Curitiba.

Mesmo sem formação sistematizada em artes plásticas, Miguel Bakun montou ateliê em sua residência e, para manter o sustento, trabalhou como fotógrafo lambe-lambe. Nos anos 1940, passou a compartilhar ateliê com outros artistas no centro da cidade, em prédio cedido pela Prefeitura. A década é considerada promissora para ele, marcada por suas primeiras participações e premiações no Salão Paranaense de Belas Artes e pela participação em duas edições do Salão Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Chegou a receber algum interesse da crítica: no texto mais emblemático desse período, o artista e professor Guido Viaro afirmou que Bakun “elimina o ar das paisagens como se fosse uma experiência de Física”. Os anos 1950 foram os mais prolíficos, quando pintou retratos, naturezas-mortas, marinhas e sobretudo paisagens, além de murais na residência do então governador Moysés Lupion, hoje o Castelo do Batel. Ao final da década, produziu obras com alusões animistas, em que figuras alegóricas se confundem com os contornos das paisagens.

Apesar das eventuais premiações e da amizade com agentes do circuito, Miguel Bakun não chegou a se inserir plenamente no incipiente sistema de artes local, nem pôde viver apenas da venda de suas obras. Emergiu em uma cena de gradual modernização do repertório da pintura acadêmica, na qual a expressividade assertiva de suas obras parecia fora de lugar – experimental ou subjetiva demais. Quando, porém, uma nova geração de artistas ganhou protagonismo na arte curitibana, foram as obras abstratas que tomaram o debate, o que também mantinha Miguel Bakun na periferia do olhar. Em seus últimos anos, já sofrendo por sua precária situação econômica, Miguel Bakun recebeu tratamento médico por causa de forte depressão. Encerrou sua vida em 14 de fevereiro de 1963.

Participou de diversas exposições individuais das quais destacam-se: “Miguel Bakun” (2024), Mendes Wood DM, Bruxelas; “Miguel Bakun” (2019), Simões de Assis, São Paulo; “Miguel Bakun – Na Beira do Mundo” (2010), Museu Oscar Niemeyer, Curitiba; “Miguel Bakun: Natureza e Destino” (2010), Instituto de Arte Contemporânea, São Paulo. Entre as coletivas estão: “ABERTO/02” (2023), Casa de Vilanova Artigas, São Paulo; “Aprendendo com Miguel Bakun: Subtropical” (2019), Instituto Tomie Ohtake, São Paulo; “Brasil 500 Anos de Artes Visuais” (2000), Fundação Bienal de São Paulo. Possui trabalhos em coleções importantes como Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil; Luís Antonio de Almeida Braga Collection, Rio de Janeiro, Brasil; MAC PR – Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba, Brasil; MUPA – Museu Paranaense, Curitiba, Brasil; and MON – Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Brasil.