Leda Catunda em Portugal

14/set

As obras presentes na exposição individual de Leda Catunda a partir de 16 de setembro na Kubik Gallery, Porto, Portugal, são essencialmente pinturas-objeto organizadas em várias camadas de tecidos recortados e sobrepostos. Nos tecidos finos e transparentes é possível visualizar imagens e estampas, refletindo naturezas diversas, variando entre abstrações simples e ornamentais e figurações do universo pop, presentes no quotidiano.

 

“As suas imagens de casais amorosos, retiradas da internet e que remetem para situações idílicas, são tão planas quanto as etiquetas e rótulos daquilo que consumiu na sua estadia no Porto. São epítomes de momentos sem densidade, sem história, desterritorializados. É a sua exposição crua e direta, no conforto da “maciez” da forma que as torna perturbadoras, precisamente porque reveladoras de um desconforto provocado pela sobreposição de significados que se anulam. A convergência da sedução visual com a denúncia de platitude vivencial contemporânea cria um potencial eminentemente disruptivo na discursividade destas obras. Obrigam-nos a olhar para além da pele, para o forro mais ou menos desvelado das nossas inquietações, dúvidas e desorientações perante o real”. (*)

 

(*) Retirado de “A Dúvida Orgânica” – texto alusivo à exposição “Leda e a Espessura do Real” de Leda Catunda, autoria de Miguel Von Hafe Pérez.

 

 

Sobre a artista

 

Leda Catunda nasceu em São Paulo em 1961, onde vive e trabalha. Entre suas exposições individuais, destaca-se a mostra “Pinturas Recentes”, no Museu Oscar Niemeyer (Curitiba, 2013) que itinerou para o MAM Rio (Rio de Janeiro, 2013); “Além de Leda Catunda: 1983-2008”, retrospectiva realizada na Estação Pinacoteca (São Paulo, 2009). Uma das expoentes da chamada “Geração 80”, a artista esteve nas antológicas “Como Vai Você, Geração 80?”, Parque Lage (Rio de Janeiro, 1984); e “Pintura como Meio”, MAC-USP (São Paulo, 1983). Sua carreira inclui ainda participações em três Bienais de São Paulo (1994, 1985 e 1983), além da Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2001) e da Bienal de Havana (Cuba, 1984). Sua obra está presente em diversas coleções públicas, como: Instituto Inhotim (Brumadinho); MAM Rio de Janeiro; Fundação ARCO (Madrid, Espanha); Stedelijk Museum (Amsterdam, Holanda); além de Pinacoteca do Estado, MAC-USP, MASP, MAM (todas em São Paulo).

 

Às 18h30min

Performance de Vinicius Massucato, “Um Ciclone Tropical”.

Mira Schendel em NY

06/set

“Sarrafos and Black and White Works”, exposição de Mira Schendel na Hauser & Wirth New York, 69th Street, 32 East 69th Street. Mira Schendel “Sarrafos e trabalhos em preto e branco”. Com abertura no dia 07 de setembro, é a primeira exposição focada nas últimas duas séries na carreira de uma figura seminal da arte moderna latino-americana. Organizado com Olivier Renaud-Clément, esta exposição examina as séries de Sarrafos (1987) e Brancos e Pretos de Mira Schendel (1985 – 1987) através de obras que tentam conciliar as práticas de pintura e escultura.

 

Nascida em Zurique, Suíça, em 1919, Mira Schendel foi criada em Milão, Itália, onde realizou estudos em Arte e Filosofia. A partir de 1941, ela foi obrigada a mudar-se entre a Bulgária, a Áustria e a Iugoslávia para evitar a perseguição, finalmente se instalando em São Paulo, Brasil, em 1953. Embora ela estivesse inicialmente envolvida com os movimentos concretos e neo-concretos que surgiram na década de 1950, Schendel rapidamente estabeleceu sua independência, desenvolvendo uma linguagem visual distinta influenciada por seu envolvimento com um círculo de poetas, físicos, filósofos e outros artistas visuais. Enquanto esses pares buscaram uma resposta exclusivamente brasileira ao modernismo europeu, Schendel traçou um curso autônomo, formando sua própria abordagem de abstração e inspirando influências que vão desde a física quântica até a fenomenologia, do Budismo Zen às experiências de deslocamento.

 

A combinação singular de etérea e tangibilidade que caracteriza a arte de Schendel encontra seu clímax na série “Sarrafos e Brancos e Pretos” em exibição na Hauser & Wirth, 69th Street. Os “Sarrafos” são painéis de tempera brancos, cada um cruzado de maneira discreta por uma única barra preta angulada que entra no espaço físico do visualizador, exigindo ser experimentado ao invés de ser visto. Paralelo às vigas transversais fragmentadas, essas barras pretas atuam como gestos de individuação, interrompendo as superfícies monocromáticas das quais se projetam.

 

A série “Sarrafos” compreende um total de doze trabalhos, seis dos quais estão incluídos nesta exposição. Schendel observou que eles foram sua primeira tentativa bem sucedida de “agressividade”, que atribuiu ao impacto do clima sociopolítico em que foram feitos. O Brasil estava então em estado de agitação, com uma recessão econômica e os protestos contra a Ditadura Militar aumentando. Referindo-se à estréia da série em 1987, Schendel explicou: “(Sarrafos) surgiu do momento de falta de determinação e desordem que o Brasil viveu em março deste ano, quando aparentemente estávamos vivendo em um Weimar tropical … E esses trabalhos constituem uma reação à situação de paralisação do momento.

 

Desenvolvido de 1985 a 1987, a série “Brancos e Pretos” de Schendel acaba de preceder a sua “Sarrafos”, na sua ênfase no movimento e no espaço, essas pinturas de tempera e gesso aparecem a uma distância de painéis planos pontuados por arcos e linhas pintadas; mas uma inspeção mais próxima revela pequenas variações de textura que somam sombras e formam sutis relevos escultóricos.

 

A exposição continua com os desenhos relacionados de Schendel e trabalha em papel da década de 1960 até a década de 1980. Entre eles, está “Untitled (série Sarrafinhos)”, um trabalho delicado de quatro partes em papel da década de 1960, com composições que antecipam as rígidas projeções de madeira dos Sarrafos. Também estão à vista os precursores de Brancos e Pretos, uma série sem título de obras em torno de 1986 sobre o papel de arroz japonês – um material que se tornou uma característica da obra de Schendel, dada pela primeira vez pelo crítico de arte e físico brasileiro, Mário Schenberg. Para esses trabalhos, Schendel organizou e coloriu folhas de papel de arroz translúcido para criar planos distintos e monocromáticos, cruzados por marcas negras únicas de lápis de cera.

 

As séries “Aquarelas, Aguadas e Toquinhos” de Schendel iluminam seu fascinante fascínio pelos materiais e suas aplicações técnicas. Em seus tratamentos de tinta e tinta, que vão desde marcas densas e escuras a planos liquefeitos de cor neutra, entre opacidade e transparência, primeiro plano e fundo, desenvolvendo uma gama expressiva que atuaria como forragem criativa nas próximas décadas.

 

“Mira Schendel. Sarrafos e Black and White Works” é organizado com a colaboração da Bergamin & Gomide, São Paulo, e o apoio de colecionadores.

 

 

Até 21 de outubro.

Adriana Varejão na Gagosian/LA

“O barroco sempre conecta dois extremos, como a luz e a sombra, em um corpo, uma pintura. História fora contra um corpo selvagem dentro, cultivado e não cultivado, cozido e não cozido, ganância e expressionismo, racionalismo e irracionalismo, frio e quente.”

 

 

Adriana Varejão

 

A Gagosian, Los Angeles, apresenta “Interiores”, exposição individual de Adriana Varejão, uma das artistas contemporâneos mais renomadas do Brasil. Um projeto colateral do Horário Padrão do Pacífico: LA / LA, esta é a primeira exposição da West Coast de Adriana Varejão e inclui importantes empréstimos do Brasil e da Europa em uma pesquisa selecionada dos últimos vinte anos.

 

Empreendendo o pluralismo cheio da identidade brasileira e as diversas implicações do intercâmbio social, cultural e estético, as formas artísticas sem precedentes de Varejão – que englobam pintura, escultura e instalação de vídeo – alcançam o tempo e o lugar, expondo a natureza multivalente da história, da memória, e representação cultural.

 

Em “Interiores”, o drama espacial do barroco assume muitas formas: do disfarce das geometrias legais do Minimalismo; à incerteza que interrompe a lógica perfeita da superfície pintada; às ruínas da arquitetura euclidiana, grossas de carne, sangue e gordura. Nas pinturas da sauna, Varejão inventa câmaras revestidas em grades monocromáticas intricadas e pintadas, lembrando as grades perspectivas subjacentes às obras-primas renascentistas, bem como as geometrias do reino digital moderno. Em O iluminado (The Shining) (2009), o amarelo vibra em todo o espectro de cores, sua energia brilhante é sublinhada por variações de tonalidade aparentemente infinitas. Os espaços abstraídos retratados nessas pinturas são ao mesmo tempo familiares e estranhos, recordando casas de banho, piscinas, matadouros e hospitais – lugares de rotina e lazer, vida e morte. Feixes de luz de uma fonte indetectável; sem saídas visíveis, os ambientes aparecem como labirintos psicologicamente carregados, limiares sedutores para o olhar do espectador. Na pintura singular intimamente dimensionada, The Guest (2004), pools de sangue em azulejos brancos, um traço forense do corpo e sua vulnerabilidade.

 

Parede com incisões á la Fontana (2000) mostra uma parede de azulejos azul claro, cortada verticalmente, como as telas de Lucio Fontana. No entanto, em vez de revelar vazios, a tela de Varejão sangra com seus cortes profundos, criando uma equivalência com o corpo humano, recorrendo à tradição barroca de pintar carne lívida. Para Varejão, a carne é uma ferramenta simbólica, infundindo o comum com um erotismo inerente para agitar a atração e a repulsão. Senta-se embaixo e entre as superfícies de azulejos de suas ruínas de charque, esculturas de paredes e pisos cujos títulos se referem a locais reais em Portugal, Brasil e Itália. Em Rome Meat Ruin (2016), seções de azulejos amarelo pálido, azul e branco se encontram ao longo de um fragmento de canto reto e alto, apenas para entrar em eretas em massas de vísceras vermelhas profundas. E em Açougue Song (2000), os pedaços de carne estão amarrados na tela, inteiramente revestidos com um efeito monocromático branco crepitante inspirado nas morfologias da cerâmica cintilante da dinastia Song.

 

Estas fraturas de superfície tornam-se mais profundas, chegando à geologia, nas pinturas de Azulejão (“big tile”) de Varejão, feitas pela aplicação de uma espessa camada de gesso viscoso em tela e permitindo secar naturalmente durante um longo período de tempo. Em curso desde a primeira iteração em 1988, as pinturas baseiam-se na tradicional praça, azulejos vitrificados (azulejos) que foram a forma de decoração mais utilizada na arte nacional portuguesa desde a Idade Média. Absorvendo influências de artesãos mouros, pintura renascentista italiana, porcelana chinesa e decoração holandesa, o azulejo é uma metáfora para a mistura de culturas, seja pela força ou pelo desejo. Anteriormente, Varejão organizou suas pinturas em vastas grades, ecoando o uso tradicional do azulejo na arquitetura, mas com interrupções visíveis nos esquemas narrativos; ou criou grandes obras individuais cujas imagens – seja um padrão geométrico, um florescimento sinuoso ou um motivo figurativo – se movam para a abstração. Os monocromos mais recentes – cada uma variação de porcelana “branca” – com suas superfícies abertas, são tão sísmicas quanto sublimes.

 

Durante o Horário Padrão do Pacífico: LA / LA, Transbarroco, a única instalação de vídeo multi-canal de Varejão até à data, também estará em exibição pela primeira vez nos EUA, após apresentações recentes no Brasil, Portugal e Itália. Este trabalho convincente, filmado no local no Brasil, capta em varrendo, leva detalhes específicos dos notáveis ​​interiores de igrejas barrocas que relacionam a história de intercâmbio cultural e assimilação, sublinhado por um intercalamento de colagem de som ambiente com recitações de escritos-chave sobre a identidade brasileira.

 

 

Até 25 de outubro.

Maiolino em LA

Esta primeira retrospectiva sobre o trabalho da artista brasileira Anna Maria Maiolino nos EUA, reúne em cinco décadas, pinturas, desenhos, vídeos, performances, esculturas e instalações em larga escala para traçar o caminho de uma artista extraordinária.

 

O MOCA – Museum of Contemporary Art, Los Angeles, apresenta a primeira grande exposição de pesquisa de Anna Maria Maiolino, uma das mais influentes artistas brasileiras de sua geração. Anna Maria Maiolino nasceu na Itália – em 1942 – e emigrou com sua família, na adolescência, para a Venezuela. Em 1960, mudou-se para o Brasil para participar da Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro, onde começou a desenvolver um corpo de trabalho em diálogo com abstração, minimalismo e a arte conceitual. Seu trabalho foi profundamente influenciado pelo rescaldo da Segunda Guerra Mundial, a Ditadura Militar no Brasil e sua experiência como artista durante o período em que o que poderia ser chamado de arte mudou drasticamente. A exposição abrange toda a carreira da artista, desde a década de 1960 até o presente, reunindo impressões, desenhos, filmes, performances e instalações experimentais, incluindo suas recentes instalações efêmeras em grande escala, feitas com argila não cozida e laminada à mão. O trabalho de Anna Maria Maiolino é exclusivamente capaz de traçar o curso dos movimentos que definem a História da Arte Brasileira, canalizados através de uma prática pessoal, psicologicamente carregada que traça seu próprio caminho introspectivo, tanto quanto abre sobre grandes questões filosóficas de repetição e diferença, o transitório e os problemas permanentes e estéticos como o sólido e o vazio e a relação íntima entre o Desenho e a Escultura.

 

 

 

Até 27 de novembro.

Hélio Oiticica no Whitney, NY

13/jul

 

 

O Whitney Museum of American Art, NY, apresenta “Hélio Oiticica: To Organize Delirium”, a primeira retrospectiva americana em grande escala exibindo duas décadas do trabalho do artista brasileiro. Um dos artistas mais originais do século XX, Oiticica (1937-1980) criou uma arte que nos desperta para nossos corpos, nossos sentidos, nossos sentimentos sobre estar no mundo: arte que nos desafia a assumir um papel mais ativo. A partir de investigações geométricas em pintura e desenho, Oiticica logo mudou para escultura, instalações arquitetônicas, escritas, filmes e ambientes em larga escala de natureza cada vez mais imersiva, obras que transformaram o espectador de um simples espectador em um participante ativo.

 

A exposição inclui algumas de suas instalações em grande escala, incluindo “Tropicalia” e “Eden”, e examina o envolvimento do artista com música e literatura, bem como sua resposta à política e ao ambiente social de seu país. A exposição capta a emoção, a complexidade e a natureza ativista da arte de Oiticica, enfocando em particular o período decisivo que passou em Nova York na década de 1970, onde foi estimulado pelas cenas de arte, música, poesia e teatro. Enquanto Oiticica se engajou em primeiro lugar com muitos artistas da cidade, ele acabou vivendo um isolamento auto-imposto antes de retornar ao Brasil. O artista morreu no Rio de Janeiro, em 1980, aos 42 anos.

 

 

A Tropicália

 

O estilo musical da “Tropicália”, que toma o nome da instalação homónima 1966/67 de Helio Oiticica, tornou-se um movimento artístico e sociocultural no Brasil. Após o golpe militar em 1964, a música popular desempenhou um papel fundamental na resistência estética e cultural ao clima político instalado. A música continuou a desempenhar um papel importante no trabalho de Oiticica em seus anos de Nova York, onde assistiu a concertos de rock no Fillmore East. A exposição apresenta uma lista de reproduções de músicas inspiradas por compositores e músicos do período de vigência da “Tropicália”, como Caetano Veloso e GiIberto Gil, além dos músicos do rock and roll em especial Jimi Hendrix, de quem Oiticica se inspirou na década de 1970.

 

 

Apoios e curadoria

 

Esta exposição foi organizada pelo Whitney Museum of American Art, Nova York; Carnegie Museum of Art, Pittsburgh e o Art Institute of Chicago. “Hélio Oiticica: Organizar Delirium” tem curadoria de Lynn Zelevansky; Henry J. Heinz II; Carnegie Museum of Art; Elisabeth Sussman, curadora e curadora de fotografia de Sondra Gilman; Whitney Museum of American Art; James Rondeau, presidente e diretor de Eloise W. Martin; Art Institute of Chicago; Donna De Salvo, diretora adjunta de Iniciativas Internacionais e Curadora Sênior, Whitney Museum of American Art; com Katherine Brodbeck, curadora associada, Carnegie Museum of Art. O apoio à turnê nacional desta exposição é fornecido pela Fundação Andy Warhol para as Artes Visuais e o National Endowment for the Arts. Apoiado em Nova York, pelo Comitê Nacional do Whitney Museum of American Art. Conta ainda com o apoio generoso fornecido pela Art & Art Collection, Tony Bechara; a Garcia Family Foundation e a Juliet Lea Hillman Simonds Foundation. O suporte adicional é fornecido pela Evelyn Toll Family Foundation. O Fundo de Exposição da Fundação Keith Haring também oferece apoio genérico de doações.

 

 

Até 01 de outubro.

Fluctuations

11/jul

A BOSSA Gallery – Fine Art Photography, Design District, Miami, FL, EUA, inaugura a partir deste sábado, dia 08, exposição “Fluctuations”, de Flavia Junqueira e George Goodridge, com curadoria de Liliana Beltran. A presença ambígua de conceitos opostos é frequente na obra dos dois artistas, como ordem e desordem, natureza e criação, restrição e excesso, mecânico e orgânico. Ambos dividem um interesse particular pelo espaço e abordam a ideia de que “arte é uma ilusão da espontaneidade”. Em “Fluctuations”, aproximam-se as contradições e dualismos refletidos em um sonho, um enigma, uma ideia de paisagem, um impulso, um sentimento a ser percebido.

 

Marcos Moraes, acerca do trabalho de Flavia Junqueira, diz que “…o processo de gesticular, deliberadamente, é usado na construção das imagens como um meio de esconder a relação habitual e corriqueira com o espaço e com objetos, propondo, pela repetição, acumulação ou até mesmo pelo excesso, cativar e envolver na atmosfera muitas vezes quente e convidativa da casa e, em particular, da festa: um momento de celebração, de alegria e felicidade. Esse sentimento generalizado, em relação ao espaço e ao momento específico – da festa – é reforçado pela presença de objetos que estão presentes na vida diária de cada um de nós, e isso abriga nossas memórias da infância quando nos referimos aos balões, brinquedos, objetos, decorações, vestimentas e especialmente o “clima festivo” que evocam”.

 

As esculturas de George Goodridge adquirem vida própria; elas mudam, se adaptando aos vários momentos de interação com o espaço. Não há barreiras para suas esculturas criativas e lúdicas. Em seus trabalhos “Cooperative Kinects” e “Character Studies”, o artista parte para uma simplificação formal. Marcada pela proliferação de círculos em que conjuntos de tonalidades, de maiores e menores dimensões, de movimentos combinando dentro e fora, se referem à forma primordial, o círculo, representação do nascimento, da união, da junção, da comunhão entre o macro e o micro. A impregnação deste elemento diz respeito ao caminho natural que corre em direção à forma genuína, que é, idealmente, a mais simples de todas, criada precisamente pelo equilíbrio, homogeneidade, regularidade e simetria. Em seguida, este equilíbrio, alcançado pela combinação de formas diferentes, começa a ser desafiado e transformado em sua psicodélica visão imagética.

 

 

 

Sobre os artistas

 

 

Flavia Junqueira

Doutoranda no curso de Pós Graduação do Instituo de Artes da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Mestre em Poéticas Visuais pela Universidade de São Paulo (USP) e Bacharel em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), integrou o projeto do programa de residências da Izolyatsia’s Platform for Cultural Initiatives na cidade de Donestk na Ucrânia com curadoria de Boris Mikailov, participou da residência Cité Internationale Dês Arts em Paris através de bolsa contemplada pela FAAP, integrou em 2010 o Programa PIESP da Escola São Paulo e atuou como assistente de cenografia no Espaço Cenográfico de São Paulo de J.C.Serroni. Entre os principais projetos e exposições coletivas que participou destacam-se, Culture and Conflict: IZOLYATSIA in Exile. Palais de Tokyo, The World Bank Art Program, Kaunas Photo festival, Exposição Individual “Tomorrow i will be born again” na Cité Dês Arts, coletiva una mirada latino americana do projeto Photo España, Temporada de Projetos Paço das Artes, Prêmio Energias na Arte no Instituto Tomie Otahke, Programa Nova Fotografia- MIS, Concurso Itamaraty, Residência RedBull House of Art, Atêlie Aberto da Casa Tomada, entre outros. Algumas de suas obras integram o acervo de museus e espaços culturais como: MAM-SP, MIS-SP, MAB-FAAP, Museu do Itamaraty, Instituto Figueiredo Ferraz, RedBullStation entre outros.

 

George Goodridge

Graduado da Escola de Artes Visuais de Nova York, frequentou a Escola de Arte do Instituto de Chicago. Atuou como consultor técnico sênior no Instituto Escola de Arte e ensinou técnicas visuais na Escola de Artes Visuais em Nova York. Seu trabalho foi representado em inúmeras galerias, museus e coleções corporativas. Foi recentemente apresentado na Syndicated News Network, na revista LandEscape Art Review, WhiteHot Magazine of Contemporary Art, Art Vetting, The Examiner, em vários artigos do The Miami Herald, Art South Florida, Xs Magazine, New Times Magazine, Tropiculture Magazine e em várias transmissões para PBS. Suas pinturas tridimensionais são apoiadas pelos estudos prévios do artista em reconstrução geométrica, pintura tridimensional e instalações conceituais.

 

 

Sobre a BOSSA Gallery – Fine Art Photography

 

BOSSA é a primeira galeria de arte em Miami especializada em fotografia brasileira de alta qualidade. Localizada no Design District, BOSSA soma ao desenvolvimento artístico local sua produção contemporânea de novos nomes da fotografia, colaborando com a expansão de suas carreiras no mercado internacional. A galeria representa fotógrafos brasileiros reconhecidos, bem como os novos nomes, junto com artistas do mercado norte-americano, buscando criar um diálogo entre os dois mercados. A missão da BOSSA é de atuar como uma plataforma para promoção e divulgação da vibrante produção fotográfica contemporânea de artistas brasileiros, ampliando seu alcance internacional. Com um sólido programa conceitual desenvolvido em parceria com curadores convidados, a BOSSA apresenta seus artistas em exposições elaboradas, ao mesmo tempo em que uma série de palestras e conversas ministradas no espaço aproximam o público a um contato íntimo e direto com o trabalho do artista. Vernissages e eventos especiais, permitem aos colecionadores – novos e estabelecidos – uma visão mais intima tanto à carreira do artista como a trajetória da galeria.

 

 

Até 08 de setembro.

Burle Marx na Alemanha

06/jul

Roberto Burle Marx (1909-1994) foi um homem renascentista do século XX: arquiteto paisagista, pintor, escultor, set designer, ativista ambiental. Projetou, durante sua longa carreira, mais de 2.000 jardins ao redor do mundo e, em expedições, descobriu quase 50 novas espécies de plantas. Ao mesmo tempo, criou objetos independentes de extraordinária beleza. Em seu país natal, o Brasil, Burle Marx, juntamente com os arquitetos Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, é reverenciado como pioneiro no Modernismo Brasileiro. Seus projetos para a capital Brasília e, acima de tudo, para o Rio de Janeiro, tiveram um impacto duradouro sobre essas cidades. Ainda hoje, sua arquitetura de paisagem revolucionária, orientada para a pintura abstrata, gozam de repercussão internacional, porém uma boa parcela de sua obra, no entanto, é praticamente desconhecida.

 

Após sua estréia no The Jewish Museum de Nova York em 2016, a mostra “Roberto Burle Marx: modernista brasileiro” está agora em exibição no Deutsche Bank KunstHalle, Berlin, Alemanha. A exposição ilustra a gama completa de sua produção artística, vista pela primeira vez na Alemanha, e apaga as fronteiras entre as diferentes mídias e disciplinas. Isso é documentado sobretudo pelas aquarelas e desenhos de Burle Marx para desenhos urbanos e paisagísticos que abrem a exposição, por exemplo, para o jardim do telhado projetado em 1938 para o Ministério da Educação e Construção da Saúde erigido por Niemeyer, Lucio Costa Costa e Le Corbusier; O Parque do Flamengo no Rio de Janeiro (1961) e o mundialmente famoso pavimento ondulado da Avenida Atlântica (1970) em Copacabana. Muitos desses projetos são semelhantes à arte abstrata e ressoam com as obras de arte contemporâneas apresentadas na exposição, como a pintura de 2003 da artista brasileira Beatriz Milhazes. Para ilustrar a influência artística de Burle Marx, seus trabalhos entram em diálogo com obras de artistas internacionais contemporâneos. Entre eles estão Juan Araujo, Paloma Bosquê, Dominique Gonzalez-Foerster, Veronika Kellndorfer, Luisa Lambri, Arto Lindsay e Nick Mauss.

 

Quando o jovem Burle Marx viajou para Berlim procedendo do Rio de Janeiro com sua família em 1928, a capital alemã era um laboratório de modernismo. Neste momento, há muito tempo já conhecia a cultura alemã. Seu pai, Wilhelm Marx, um judeu alemão, imigrou para o Brasil de Trier, na Alemanha, no final do século XIX. O amor pela ópera e arte alemãs estava profundamente enraizado na família próspera e educada. Outro foco da exposição, portanto, é a metrópole de arte e cultura de Berlim, que impressionou, influenciou e ocupou continuamente Burle Marx. Por exemplo, pouco antes de sua morte ele criou um projeto para a Rosa-Luxemburg-Platz que não foi realizado.

 

Na Berlim da República de Weimar, Burle Marx resolveu ser artista e arquiteto paisagista. Suas visitas à coleção de arte moderna no Kronprinzenpalais, onde viu obras de expressionistas alemães e Van Gogh, contribuíram para sua decisão. Mas ele fez outra descoberta: nas estufas do Jardim Botânico em Dahlem, reconheceu a beleza da flora brasileira: os filodendros, bromélias e nenúfares que foram ignorados nos jardins brasileiros, mas cultivados com carinho aqui. “Odeio a ideia de que um arquiteto paisagista só deveria conhecer as plantas”, disse o artista décadas depois. “Ele também tem que saber o que é Piero della Francesca, o que constitui um Miró, um Michelangelo, um Picasso, um Braque, um Léger”.

 

Como é aparente nos estudos de plantas de Burle Marx e desenhos iniciais, pinturas e projetos de jardins, seu caminho, tanto nas artes visuais quanto na arquitetura paisagística, o conduziram à abstração. Em seus projetos de jardins, ele transferiu imagens bidimensionais para três dimensões. Enquanto a arquitetura da paisagem brasileira convencional ainda estava orientada para o design do jardim Belle Époque europeu, e flores e plantas eram importadas do exterior, Burle Marx trabalhava exclusivamente com a flora doméstica. Ele estava principalmente interessado nas formas, texturas e cores das folhas, o artista optou muito claramente pela cor, massa e superfície, por fortes contrastes, formas sinuosas e quadradas, campos geométricos.

 

No decorrer da exposição, os aspectos arquitetônicos e artísticos de sua carreira, inextricavelmente entrelaçados, são documentados repetidamente. As formas abstratas em seus projetos para jardins privados e praças públicas se refletem nos princípios de design, na pintura, e na arte aplicada de Burle Marx. Além das pinturas abstratas, cerâmicas, jóias, conjuntos de palcos e figurino são apresentados. Mostram como ele casou seu amor com as tradições brasileiras e com o modernismo europeu. Isso é aparente nas versões abstratas dos azulejos que ele usou nas paredes e na construção de paredes.

 

Burle Marx não era apenas um inovador, mas também um conservador e colecionador. Em sua propriedade de 365.000 m², uma antiga plantação de café perto do Rio de Janeiro, cultivou uma das maiores coleções mundiais de plantas tropicais. O Burle Marx Landscape Studio foi fundado por Roberto Burle Marx em 1955. Depois da morte do artista, Haruyoshi Ono – seu parceiro de negócios e parceiro criativo por mais de 30 anos – continuou seu legado por mais de 20 anos liderando o Estúdio, tornando-se responsável pelo desenvolvimento criativo de novos Projetos de escritórios e jardins. Esta exposição foi possível por causa de seu excelente trabalho e apoio. Mostramos aqui sua última entrevista para um programa brasileiro de arquitetura bem conhecida, chamado “Casa Brasileira”. Ono faleceu em janeiro de 2017. Perpetuou o legado artístico da paisagem de Roberto Burle Marx, tendo sido responsável pelo Landscape Studio e sua coleção por mais de 20 anos após a morte de Roberto Burle Marx.

5 artisti brasiliani geometrici

28/jun

A Um Galeria, da marchand Cassia Bomeny, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, inaugurou a exposição “5 artisti brasiliani geometrici”, com cerca de 20 obras recentes e inéditas, dentre esculturas e pinturas, dos artistas Luiz Dolino, Manfredo de Souzanetto, Maria-Carmen Perlingeiro, Rodrigo de Castro e Suzana Queiroga. Com curadoria de Luiz Dolino, a mostra traz uma seleção de obras de artistas ligados à linguagem geométrica e seguirá ampliada para Roma, Lisboa, Basel e Bolonha.
“O eixo central do argumento se sustenta na vontade de exibir cinco artistas que se aproximam e se tornam íntimos, sem prejuízo da singularidade de suas escolhas diante do ilimitado da expressão. A Geometria – geom, tudo aquilo que em Matemática se ocupa do estudo do espaço e das figuras que podem ocupa-lo – é, na largada, o polo que nos une. O rigor formal permeia o sonho, constrói e desconstrói. Há uma arquitetura que se impõe, que edifica; mas há também uma ordem que deforma, implode, desmonta”, afirma o curador Luiz Dolino.
Rodrigo de Castro e Luiz Dolino apresentarão pinturas inéditas. Esses dois artistas “…perseguem mais de perto a rota euclidiana – exploramos figuras que não possuem volume”, explica o artista e curador Luiz Dolino, que ressalta uma diferença: “Rodrigo ousa dizer que está sempre em busca da cor que melhor se ajuste ao seu propósito. Do meu lado, sou mais direto, cético. Preciso tão somente de quatro cores”, diz.
Manfredo de Souzanetto apresentará obras “…onde a fragmentação do suporte, os pigmentos naturais de terras brasileiras e a construção da forma determinam o dinamismo da obra no espaço”, conta o artista. Para o curador, vem da obra de Manfredo “…o privilégio atribuído à presença do objeto que, antes de tudo, nos surpreende. Mais ainda talvez, nos assusta e perturba com sua arritmia. Extasiamo-nos diante da permanente proposta que visa a recomposição de um imponderável puzzle. Leva e traz. Diz e contradiz. Dialeticamente se impõe: cheios e vazios. O impasse enganoso conduz o nosso olhar para periferia irregular. A percepção sofre reveses. A catedral se estrutura e abriga uma arquitetura arquetípica”.
Maria-Carmen Perlingeiro apresentará uma série de esculturas composta por pedras Mica, colocadas em painéis de acrílico, que parecem flutuar no espaço.  “Prismas, cones, segredos, luz e pedra, ouro, são palavras de ordem na compulsão criativa dessa artista que, por meio de delicada magia, impõe expansões da própria forma”, afirma o curador.
Suzana Queiroga também apresentará esculturas. “A experiência proposta ao espectador modifica a sua percepção e promove a expansão dos sentidos, do espaço e do tempo”, diz o curador.
Itinerância Internacional 
A partir do dia 02 de novembro no Palazzo Pamphilj, em Roma, em parceria com a produtora italiana ATRIVM. A itinerância da mostra seguirá no próximo ano para a Fundação Medeiros e Almeida, em Lisboa, Portugal, para a Brasilea Stiftung, em Basel, na Suiça, e para Bolonha, na Itália.
Sobre os artistas
Luiz Dolino nasceu em Macaé, RJ, 1945. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Dentre suas exposições mais recentes estão a mostra no Espaço Cultural da UFF (2016); no Centro Cultural de Montes Claros (2015); na Galeria Marcantonio Vilaça, em Bruxelas, no ARTMARK, em Viena e na Casa-museu Medeiros e Almeida, em Lisboa (2014). Destacam-se, ainda, as mostras na Jordania Cultural Center (2013); no CCBB Rio e Brasília (2012); no Museum of Young Art, em Viena, no SEGIB, em Madri, no Palácio Maldonado, em Salamanca, no Museu Nacional da Costa Rica e no CCBB Rio, ambas em 2008. Em 2007, expôs na Caixa Cultural de Curitiba e no CCBB Rio, entre muitas outras.
Manfredo de Souzanetto nasceu em Jacinto, MG, 1947. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Estudou arquitetura no Brasil e artes plásticas no Brasil na França. Dentre suas exposições individuais destacam-se a retrospectiva no Paço Imperial (2016), as mostras na Stiftung  Brasilea (2013), na Suíça, no Museu Nacional de Belas Artes (2010), no Centro de Arte l’Espal em Le Mans, na França, Kulturtorget em Stavanger, na Noruega (2007), a panorâmica de sua obra no Centro Cultural Correios, na Caixa Cultural em Brasília e no Palácio das Artes, em Belo Horizonte (2006), a mostra no Instituto Moreira Salles (2005/2006), no Musée National de la Porcelaine Adrien-Dubouché (2000), no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian (1994), no MAM Rio (1982), entre outras.
Maria-Carmen Perlingeiro nasceu no Rio de Janeiro, 1952. Vive e trabalha em Genebra. É escultora e seu material de predileção ė o alabastro. Dentre suas exposições individuais destacam-se “Sculpture et rayonnnement”, na Simon Studer Art, em Genebra (2016), as realizadas em Basel (2015), no MAM Rio (2012), na Pinacoteca Cívica de Volterra (2008), na Itália, no Espace Topographie de l’art, em Paris (2007), na França, no Museu da Chácara do Céu (2007), no Paço Imperial (2006) e no CCBB (1999), ambas no Rio de Janeiro, entre outras.
Rodrigo de Castro nasceu em Belo Horizonte, MG, 1953. Vive e trabalha em São Paulo. Filho do escultor Amilcar de Castro, iniciou sua carreira na década de 1980. Premiado no 11º Salão Nacional de Artes Plásticas, Funarte, no Rio de Janeiro e agraciado com o Prêmio Principal, no 13º Salão de Arte de Ribeirão Preto, Rodrigo de Castro participou de diversas mostras individuais e coletivas, no Brasil e no exterior, entre elas, uma exposição no MAM Rio, na década de 1990. Sua mais recente exposição foi na Um Galeria, em maio deste ano.
Suzana Queiroga nasceu no Rio de Janeiro, 1961. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Estudou na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro e no MAM Rio. Em 2002, concluiu o Mestrado em Linguagens Visuais pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, na UFRJ. Atualmente, expõe no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e é uma das finalistas do Prêmio Marcantonio Vilaça. Recebeu o Prêmio Aquisição na XVIII Bienal da Cerveira, Portugal (2015), o 5º Prêmio Marco Antônio Villaça (2012) e o 1º Prêmio Projéteis de Arte Contemporânea da Funarte (2005). Participou da exposição Como Vai Você, Geração 80?, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (1984).
Sobre a galeria
Fundada pela colecionadora Cassia Bomeny, a Um Galeria foi inaugurada em dezembro de 2015, com o objetivo de apresentar arte contemporânea, expondo artistas brasileiros e internacionais. Trabalha em parceria com curadores convidados, procurando elaborar um programa de exposições diversificado. Tendo como característica principal oferecer obras únicas, associadas a obras múltiplas, sobretudo quando reforçarem seu sentido e sua compreensão. Explorando vários suportes – gravura, objetos tridimensionais, escultura, fotografia e videoarte. Com esse princípio, a Um Galeria estimula a expansão do colecionismo, com base em condições de aquisição, bastante favoráveis ao público. Viabilizando o acesso às obras de artistas consagrados, aproximando-se e alcançando um novo público de colecionadores em potencial. A galeria também abre suas portas para parcerias internacionais, com o desejo de expandir seu público, atingindo um novo apreciador de arte contemporânea, estimulando o intercâmbio artístico do Brasil com o mundo.
Até 09 de agosto.

Na Bienal das Américas

14/jun

O fotógrafo Guy Veloso é o convidado brasileiro para participar da próxima edição da Bienal das Américas (Biennial of the Americas), importante evento de arte realizado em Denver, Colorado, Estados Unidos.

 

Trata-se de um formato diferente das bienais mais conhecidas, composto de diversas exposições individuais que são apresentadas ao longo ano. Guy Veloso levará ao público americano seu ensaio “Penitentes”, – exibido anteriormente na 29ª Bienal Internacional de São Paulo -, no qual pesquisou, durante dezesseis anos, grupos religiosos laicos que praticam o pouquíssimo estudado ritual da “Encomendação das Almas”.

 

Segundo a curadora do Museu das Américas, Maruca Salazar, “…as imagens captam um momento no tempo em que a fé, a consciência e o corpo se tornam um”. A mostra “Penitentes” será aberta ao público no dia 22 de junho e ficará por dois meses no Museu das Américas.

 

 

 

Sobre o artista

 

Guy Veloso é fotógrafo desde 1989. Sua obra faz parte do acervo de várias instituições espalhadas pelo mundo como “Essex Collection of Art from Latin America” pertencente à Universidade de Essex, Centro Português de Fotografia no Porto, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu de Arte Moderna de São Paulo e também o Museu de Arte de São Paulo (Coleção Pireli). A partir de 1998 começou um projeto de documentação de romeiros no sertão do Nordeste “Entre a Fé e a Febre: Retratos”, já em 2012 se interessa e inicia pesquisa acerca de grupos penitentes do país, no qual mantem trabalho paralelo até hoje.

 

 

 

 

Artista premiado

02/jun

Kiluanji Kia Henda, artista angolano, venceu o Frieze Artist Award 2017 e irá criar uma nova instalação performática naquela feira internacional de arte contemporânea entre os dias 04 a 08 de outubro em Londres, no Reino Unido.

 

O júri do prêmio, que recebeu candidaturas de mais de 80 países, anunciou que escolheu o projeto de Kiluanji Kia Henda, nascido em 1979, em Luanda, cidade onde continua a viver e a trabalhar em áreas que cruzam a fotografia, vídeo e performance. Criado em 2014, Kiluanji Kia Henda é o primeiro artista africano a vencer este prêmio.

 

A proposta do artista, vencedora do Frieze Artist Award 2017, tem como título “Under the Silent Eye of Lenin”, e consiste numa instalação de duas partes, inspirada no culto do marxismo-leninismo no período pós-independência de Angola.

 

O artista faz um paralelo entre esse culto, e as práticas de feitiçaria durante a guerra civil no país, aplicando também narrativas de ficção científica usadas durante a Guerra Fria entre as então superpotências mundiais dos Estados Unidos e União Soviética. A instalação pretende suscitar a reflexão sobre a ficção e o seu poder de manipulação como arma em situações de extrema violência. “Under the Silent Eye of Lenin” irá mudar ao longo da apresentação da feira de arte.

 

O júri do prémio foi composto por Cory Arcangel (artista), Eva Birkenstock (diretora da Kunstverein, em Dusseldorf, Alemanha), Tom Eccles (diretor executivo do Center for Curatorial Studies, em Nova Iorque, Estados Unidos) e Raphael Gygax (curador), com Jo Stella-Sawicka (diretora artística das Frieze Fairs) como presidente.