Pedro Escosteguy na Fundação Iberê Camargo.

16/set

A Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, inaugura, no dia 26 de setembro, “Pedro Escosteguy – poesia, vanguarda e opinião”, a maior exposição já dedicada à trajetória do artista.

Poeta, artista visual e ensaísta, Pedro Escosteguy foi um dos expoentes da Arte Experimental Brasileira, construindo uma produção marcada pelo diálogo entre palavra, imagem, objeto e participação.

Com curadoria de Gustavo Possamai, da Fundação Iberê, e Gustavo Nóbrega, da Galeria Superfície, a exposição reúne obras históricas, documentos, fotografias, publicações e registros audiovisuais produzidos entre as décadas de 1960 e 1970, revelando a diversidade e a força de uma trajetória fundamental para a compreensão da vanguarda artística brasileira.

Sobre a exposição e o artista.

Aos 47 anos, depois de mais de duas décadas dedicado à gastroenterologia, Pedro Geraldo Escosteguy (Santana do Livramento, 1916 – Porto Alegre, 1989) aprendeu a manusear ferramentas de marcenaria. Nunca havia desenhado, pintado ou esculpido. Dali nasceu sua primeira obra e, com ela, o núcleo de um conjunto de trabalhos que o próprio artista chamaria de construções semânticas. “Meio pomposo o título”, diria, “mas eram construções que tinham capacidade de dizer alguma coisa”.

Antes disso, porém, Escosteguy já construía uma trajetória singular como poeta. Na Porto Alegre dos anos 1950, integrou o Grupo Quixote e tornou-se um dos principais articuladores da expansão da poesia para além do livro: poemas ilustrados, poemas projetados e ações públicas sob o lema “O povo tem direito à poesia”. Palavra, imagem, objeto e participação deixariam de constituir campos independentes para integrar um mesmo projeto de experimentação estética e reflexão crítica.

A mudança para o Rio de Janeiro, o contato com Antonio Dias e a efervescência artística em torno de Hélio Oiticica o levaram, já maduro, a desenvolver, paralelamente à carreira médica, uma produção que conjugava poesia, objeto e participação, orientada pela ideia de arte pública.

Seus objetos recusavam a contemplação passiva. Tinham forte dimensão política e convocavam o espectador ao contato físico e à participação. Insistia em permanecer “totalmente desligado do mercantilismo do mercado de arte” e compreendia a passagem da poesia ao objeto como um processo contínuo: “o poema se enriquece quando se integra em suportes adequados”, escreveu, e “o objeto se levanta a partir desse núcleo conceitual”.

Embora reconhecido em algumas das exposições decisivas da arte brasileira dos anos 1960, como a VIII Bienal de São Paulo (1965), Opinião 65, a IX Bienal de São Paulo (1967) e Nova Objetividade Brasileira (1967), grande parte de sua produção permaneceu pouco conhecida ou acessível apenas por meio de registros fragmentários.

Escosteguy dedicou-se às artes visuais por pouco mais de uma década, entre o início dos anos 1960 e o fim dos anos 1970. Esta exposição reúne a maior parte de sua produção plástica hoje conhecida, proveniente de diferentes coleções do Brasil, ao lado de publicações, registros audiovisuais e documentos preservados no Delfos – Espaço de Documentação e Memória Cultural da PUCRS, que salvaguarda o arquivo doado pela viúva do artista, Marilia Escosteguy.

Reunidas pela primeira vez, estas obras revelam que a passagem da poesia ao objeto nunca foi uma ruptura, mas o desdobramento de um mesmo pensamento artístico. Escosteguy mudou de linguagem sem abandonar suas questões fundamentais – liberdade, comunicação e participação. Talvez seja dessa coerência rara, entre poesia, objeto e vida, que sua obra continue a retirar sua força.

Gustavo Nóbrega e Gustavo Possamai, curadores.

Até 28 de março de 2027.

Fotografias feitas por Agnès Varda.

14/set

A Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, em parceria com o Instituto Moreira Salles, exibe a exposição “Fotografia Agnès Varda Cinema”. A mostra reúne cerca de 200 fotografias feitas por Agnès Varda, principalmente entre as décadas de 1950 e 1960. O conjunto traz imagens registradas durante viagens, incluindo fotografias inéditas feitas na China, em 1957, registros em Cuba, no contexto pós-revolução, e nos Estados Unidos, onde a artista documentou os Panteras Negras. 

A exposição apresenta ao público uma faceta menos conhecida da obra de Agnès Varda (1928-2019). Nome central da História do Cinema, com filmes que marcaram gerações, a artista também é autora de uma extensa produção fotográfica, tendo inclusive começado sua carreira como fotógrafa. Ao longo dos anos, consolidou-se como cineasta, mas a fotografia continuou presente em sua trajetória.

Concebida e realizada pelo Instituto Moreira Salles, pelo Institut Pour La Photographie e pelo Cine Tamaris, a exposição foi apresentada pela primeira vez em 2025, no IMS Paulista. A curadoria é assinada por Rosalie Varda, diretora do Ciné-Tamaris e filha da cineasta, e João Fernandes, diretor artístico do IMS, com assistência de Horrana de Kássia Santoz, curadora vinculada à diretoria artística do IMS.

Grande parte da exposição é dedicada às viagens da artista. De acordo com os curadores, Agnès Varda acompanhou grandes mudanças da segunda metade do século XX, com um olhar atento ao contexto político, mas também às sutilezas e aos detalhes, com interesse especial pelas mulheres e crianças. Nesse núcleo, um dos principais destaques é a série que Agnès Varda produziu na China, em 1957, quando viajou ao país como parte de uma delegação francesa. As fotografias foram tiradas após a Revolução Maoísta e antes da Revolução Cultural. Para a curadoria, as imagens feitas na China “são registros essenciais de um encontro entre política, cultura e subjetividade, atravessados por contingências históricas. Elas não capturaram uma grande narrativa de uma revolução, mas elaboraram uma modernidade em construção: fragmentos de vidas comuns, expressões de resistência cultural”.

Além da produção das décadas de 1950 e 1960, a exposição apresenta uma obra mais recente, a instalação Instants arrêtés (Instantes parados) (2012), na qual a artista investiga o movimento inverso de sua prática habitual, partindo do cinema para a fotografia. Segundo a curadora Rosalie Varda, a obra é “uma espécie de síntese, a prova de que, até os últimos anos de sua carreira, Agnès Varda permaneceu inquieta, sempre em busca de novas formas de olhar, de pensar e de compartilhar as imagens”.

Em cartaz até 28 de fevereiro de 2027.

O olhar de Rochelle Costi.

11/set

Rochelle Costi fotografou aquilo que quase ninguém costuma registrar. O olhar de Rochelle Costi chega em POA em mostra que revela o extraordinário do cotidiano. A exposição reúne obras produzidas entre 2004 e 2022, e convida o público a capturar a passagem do tempo em atividade inspirada na artista. 

A partir de 12 de setembro, esse olhar, que ajudou a consolidar Rochelle Costi como uma das principais fotógrafas da arte contemporânea brasileira, ganha novo contexto na exposição “Rochelle Costi: Tudo é rua”, em cartaz na sede do 4º Distrito do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MAC/RS), em Porto Alegre, RS. 

Séries com imagens de fachadas, ruas e marcas deixadas pelo tempo não apenas documentam, mas revelam histórias, modos de viver e as transformações silenciosas da rotina. Com curadoria de Fernanda Albuquerque e Gabriela Motta, a mostra reúne quase duas décadas de trabalho, elevando cenas aparentemente banais a imagens que falam sobre a memória e a passagem do tempo.

Nascida em Caxias do Sul, Rochelle Costi construiu uma obra que se afastou das fotos factuais para investigar detalhes que permanecem. Mais do que personagens ou eventos, registrava as relações que eles estabelecem com os lugares que habitam. Sua força artística e distinção na fotografia nacional seguem relevantes: além da exposição na capital gaúcha, outra mostra ocorre na Galeria Luciana Brito, em São Paulo, desde 22 de agosto.

O extraordinário do público

Antes mesmo da abertura da mostra, em Porto Alegre, as curadoras e o Educativo do MAC/RS propõem um Encontro de Educadores nos dias 10 e 11 de setembro. Será um espaço de troca, formação e aprofundamento em torno da exposição da artista. Serão abordadas estratégias de mediação, leituras possíveis da obra de Rochelle Costi e reflexões sobre práticas educativas em arte contemporânea. Gratuita, a atividade é voltada a educadores, professores e mediadores interessados em ampliar suas ferramentas de atuação, promovendo diálogos entre arte, público e território. Em diálogo com as séries, a atividade ocupa a sede do MAC/RS no 4º Distrito, região marcada por intensas transformações urbanas e crescente reutilização de espaços. Em sua trajetória, a artista desenvolveu diversos trabalhos a partir da aproximação com territórios específicos, interessando-se menos pelas paisagens e mais pelas histórias que cada lugar carrega.

Já na Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), o projeto Acervo em Foco apresenta “Mudanças (ascensão econômica)” (2000), obra do acervo do MAC/RS, que transforma um quarto em retrato indireto de modos de vida, identidade e condição social. Em dois registros, a reorganização dos móveis modifica o ambiente e também aquilo que ele revela e oculta, ampliando a investigação sobre como objetos cotidianos podem contar histórias sem que os sujeitos apareçam.

A exposição e o Encontro de Educadores reforçam o que há de mais sensível no olhar de Rochelle Costi, convidando a participar da permanente reinvenção do dia a dia.

Até 31 de janeiro de 2027.

Intervenção artística inédita.

08/set

O processo de criação também pode fazer parte da experiência do público.

O Instituto Ling, Porto Alegre, RS,  abriu seu espaço para que visitantes acompanhassem a artista paulista Juliana dos Santos enquanto desenvolvia uma obra inédita diretamente em uma das paredes do centro cultural.

Por uma “geografia da ação”: corpo, matéria, território.

Pensar o Brasil a partir de seus agentes artísticos e de suas respectivas regiões pode nos colocar diante de uma complexa teia de interações: a biodiversidade dos nossos biomas e como esses integram as relações entre corpo e território, as manifestações culturais tão próprias de cada lugar que atravessam os procedimentos artísticos e informam como artistas se compreendem no mundo, as diferentes formas como os sistemas das artes se organizam e apresentam possibilidades de trabalho para as comunidades artísticas locais. Diante de toda essa efervescência poética e cultural, tão celebrada pelo projeto Ling Apresenta, esta edição, que ocorrerá ao longo de 2026, destaca a matéria-prima como instância que vem carregada do entrelaçamento entre as questões citadas e a singularidade das mãos, dos territórios, das identidades e das linguagens de quem dela usufrui. O projeto curatorial que responde pela região Sudeste apresenta intervenções de Rubiane Maia (Minas Gerais/Espírito Santo), Advânio Lessa (Minas Gerais), Juliana dos Santos (São Paulo) e Raphaela Melsohn (São Paulo), que evidenciam a matéria-prima como elemento organizador de gestos, de procedimentos, de modos de fazer arte e de inventar linguagens. As trajetórias e processos de criação de Rubiane, Advânio, Juliana e Raphaela são indissociáveis de seus manejos e aprendizados com a matéria-prima. Em suas experimentações, matéria-prima, corpo, contexto e métodos constituem o que podemos chamar, como nos propõe o geógrafo e professor Milton Santos, de uma “geografia da ação”. Assim, vemos o ateliê, os espaços de trabalho, o território poético e o lugar de origem de cada artista referendando-se, de diferentes maneiras, como a matriz de cada “pedaço de matéria”. E a matéria, por sua vez, acontece nos trabalhos como uma fração muito específica de uma realidade social, afetiva, ambiental; como agente mediador de um labor com o lugar onde o trabalho se dá; como mobilizadora de uma busca de sentido estético e de pertencimento. Assim, as intervenções propostas ressaltam como o tempo/espaço de criação é produzido e praticado, numa ação de coesão entre processos de experimentação com a matéria e suas experiências de significação. 

Galciani Neves

Detalhe da exposição Juliana dos Santos: Temporã, realizada na Pinacoteca de São Paulo, em 2025.

Até 03 de outubro. 

Mosaico vibrante da cultura brasileira.

28/ago

A rua pulsa. Respira histórias, abriga encontros, guarda memórias em movimento. É nesse fluxo, entre passos, motores, olhares e afetos, que o Brasil se revela e se reinventa todos os dias.

Em cartaz até 11 de outubro, a exposição inédita “Celebrar as ruas: 50 anos de Fiat e brasilidade na Casa Fiat de Cultura” convida a mergulhar nessa paisagem viva, onde arte, celebrações, moda e automóveis se entrelaçam para contar uma história coletiva. Com 112 obras de arte, 104 fotografias, vídeos, instalações experienciais e obras site-specific, o percurso se expande em 17 looks de moda, 7 carros icônicos – incluindo os carros-conceito Dolce Camper e o Mio -, compondo um mosaico vibrante da cultura brasileira.

Entre as grandes atrações, instalações imersivas que convidam ao sentir, veículos históricos que atravessam gerações e experiências sensoriais que despertam memória, pertencimento e imaginação.

Em diálogo com os 50 anos da Fiat no Brasil e os 20 anos da Casa Fiat de Cultura, a mostra celebra caminhos, conecta tempos, imagina o futuro e convida cada visitante a viver, com intensidade, o Brasil em movimento.

Um novo olhar.

27/ago

O Ministério da Cultura e a Fundação Vera Chaves Barcellos convidam para a abertura da exposição coletiva “Uma Força Estranha”, que será inaugurada no dia 29 de agosto de 2026, sábado, das 11h às 17h, na Sala dos Pomares, em Viamão, RS.
Dando continuidade à programação expositiva de 2026, dedicada à produção de artistas mulheres, “Uma Força Estranha” traz um novo olhar para o Acervo Artístico da Fundação, reunindo 53 obras de 36 artistas brasileiras e internacionais. O conjunto contempla trabalhos em desenho, pintura, gravura,  fotografia, vídeo, objeto, instalação, entre outras técnicas e linguagens. A organização é de Vera Chaves Barcellos, com expografia de Arthur Bonfim e textos de Ana Albani de Carvalho

Nas palavras de Vera Chaves Barcellos:
“Uma Força Estranha se inspira em uma das obras primas da música popular brasileira de todos os tempos, a criação de 1978, de Caetano Veloso, eternizada pela incomparável voz de Gal Costa. Em Força Estranha, Caetano traça poeticamente a defesa da criação e da linguagem artística como uma força incontida que impulsiona o/a artista a criar de forma verdadeira e atemporal. Aqui, podemos ver exemplos dessa força estranha nessas verdades expressas em suas mais diversas formas, nas obras deste conjunto de mulheres.”

Artistas participantes.

Regina Silveira, Lia Menna Barreto, Maria Lídia Magliani, Gisela Waetge, Wanda Pimentel, Karin Lambrecht, Marina Camargo, Maria Lucia Cattani, Débora Bolzsoni, Teresa Poester, Helena D’Avila, Fernanda Chemale, Romy Pocztaruk, Dione Veiga Vieira, Ío (Laura Cattani e Munir Klamt), Paula Krause, Brígida Baltar, Lurdi Blauth, Ananda Kuhn, Elaine Tedesco,  Thereza Miranda Alves, Ana Maria Tavares, Lily Hwa, Suely Anna Kelling, Vera Chaves Barcellos, Mara Alvares, Sarah Bliss, Mariana Silva da Silva, Virginia de Medeiros, Heloisa Schneiders da Silva, Carla Borba, Begoña Egurbide, Monika Funke Stern, Marlies Ritter, Teresa Puppo, Francesca Llopis.

Luz, movimento e matéria.

21/ago

A Simões de Assis apresenta “Reverbero”, um diálogo entre Abraham Palatnik e Juan Parada na galeria em Curitiba, PR. A exposição aproxima duas gerações de artistas a partir de suas pesquisas sobre luz, movimento e matéria. Em Abraham Palatnik, camadas, sequências e relevos exploram ritmo e volumetria. Em Juan Parada, a cerâmica se transforma a partir do encontro entre argila, esmaltes, tempo, temperatura e atmosfera. “Reverbero” coloca essas duas pesquisas em relação, revelando diferentes maneiras de pensar a forma e seus processos de transformação.

Abraham Palatnik (Natal, 1928 – Rio de Janeiro, 2020). Pioneiro da arte cinética, expande os caminhos das artes visuais ao relacionar arte, ciência e tecnologia. De modo criativo, e ao longo de mais de 60 anos de carreira, desenvolve maquinários com experimentações artísticas e estéticas diversas. Filho de uma família de judeus russos que se instalou no Brasil em 1912, mudou-se em 1932 para a região onde hoje se localiza o Estado de Israel. De 1942 a 1945, estudou na Escola Técnica Montefiori, em Tel Aviv, onde especializou-se em motores de explosão. Entre os anos 1943 e 1947 frequentou o Instituto Municipal de Arte de Tel Aviv, período importante em sua formação. Em 1948 retornou ao Brasil, fixando-se no Rio de Janeiro. O contato com os artistas locais e as discussões conceituais com o crítico Mário Pedrosa, o fizeram romper com os critérios convencionais, partindo para relações entre a forma e a cor. Por volta de 1949, iniciou estudos no campo da luz e do movimento, que resultaram no Aparelho Cinecromático, caixas com lâmpadas que se movimentam por mecanismos acionados por motores, projetando fontes luminosas sobre a tela. Exposto em 1951, na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, na qual recebeu menção honrosa do júri internacional. Em 1954, Abraham Palatnik passou a integrar o Grupo Frente, ao lado de Ivan Serpa, Ferreira Gullar, Mário Pedrosa, Franz Weissmann e Lygia Clark. A partir de 1964, surgem os Objetos Cinéticos, formados por hastes ou fios metálicos, tendo em suas extremidades figuras geométricas coloridas, que se movimentam lentamente, acionados por motores e eletroímãs. Se nos Aparelhos cinecromáticos a parte eletromecânica não fica aparente ao espectador, nos Cinéticos, parte dessa estrutura é visível. O rigor matemático é constante em sua obra, atuando como importante recurso de ordenação do espaço. É considerado internacionalmente um dos pioneiros da arte cinética, tendo participado de exposições relevantes como algumas edições da Bienal de São Paulo, da XXXII Bienal de Veneza e da exposição Los Cinéticos no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid, 2007. Sua obra está representada em museus e coleções importantes, entre elas: MOMA – Museum of Modern Art, Nova York; Fundación Patricia Phelps de Cisneros, Caracas e Nova York; Museum of Fine Arts, Houston; Royal Museums of Fine Arts of Belgium, Bruxelas; William Keiser Museum, Krefeld; MALBA – Museo de Arte Latinoamericano, Buenos Aires; MAM – Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro; MAC – Museu de Arte Contemporânea, Niterói; MAM – Museu de Arte Moderna, São Paulo; MAC – USP – Museu de Arte Contemporânea, São Paulo; Instituto Itaú Cultural, São Paulo; MAC – Museu de Arte Contemporânea, Curitiba; MON – Museu Oscar Niemeyer, Curitiba e MAC – Museu de Arte Contemporânea, Brasília.

Juan Parada (Curitiba, 1979) graduou-se pela Escola de Belas Artes do Paraná em 2002 e iniciou sua pesquisa em cerâmica em 2003. Desde então, vem trabalhando com instalações, esculturas e intervenções urbanas. Sua investigação contorna principalmente questões sobre a tridimensionalidade e as relações de tempo-espaço. Um recorte significativo de sua poética são os “Relevos Geométricos”, que apresentam um interesse particular do artista por questões gráfico-escultóricas exploradas em relevos no plano bidimensional da parede. Sendo experiências de progressão e fluxo de formas geométricas e orgânicas, advindas de soluções estruturais e fenômenos naturais. Aparecem também referências a formas generativas, tanto em escala micro quanto macro, com padrões que emergem em volumes que atuam em uma lógica matemática. Por volta de 1949, iniciou estudos no campo da luz e do movimento, que resultaram no Aparelho Cinecromático, caixas com lâmpadas que se movimentam por mecanismos acionados por motores, projetando fontes luminosas sobre a tela. Exposto em 1951, na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, na qual recebeu menção honrosa do júri internacional. Foi indicado ao Prêmio Pipa em 2015 e recebeu Menção Honrosa no 2º Salão Nacional de Cerâmica, em Curitiba, em 2008. Participou de diversas exposições, das quais destacam-se: “Upstream Focus” (2022), Upstream Gallery, Amsterdam; “Orgânico” (2021), com curadoria de Marc Pottier, São Paulo; “Turbulências cerâmicas” (2020), Simões de Assis, São Paulo; “Bienal Internacional de Curitiba” (2017), MON – Museu Oscar Niemeyer, Curitiba; “Desenho” (2017), SIM Galeria, Curitiba; “Duas Décadas de Arte Contemporânea: Artistas do Paraná na Bienal de Curitiba” (2012), MON – Museu Oscar Niemeyer, Curitiba. Possui trabalhos na coleção do Museu Oscar Niemeyer, Brasil.

Até 17 de outubro.

Zé di Cabeça é o novo artista representado.

20/ago

A Galatea anuncia a representação de Zé Di Cabeça (1974, vive e trabalha em Salvador, Bahia, Brasil). Este mês, o artista integra o estande da Galatea na SP-Arte Rotas, em uma apresentação conjunta com Romildo Rocha, de 26 a 30 de agosto, na ARCA, em São Paulo.

Zé di Cabeça é José Eduardo Ferreira Santos, artista visual, educador e fundador do Acervo da Laje – importante espaço cultural independente no Subúrbio Ferroviário de Salvador, onde nasceu e vive.

No Subúrbio Ferroviário de Salvador, Zé di Cabeça encontra um território inesgotável de invenção. Andarilho por excelência, percorre o entorno recolhendo madeiras de demolição, objetos descartados e vestígios trazidos pela maré – materiais que passam a compor a sua produção.

Zé di Cabeça transforma a memória em imagem e o cotidiano em matéria poética. Casas, igrejas, ruínas, terreiros, plantas medicinais, ex-votos: tudo é reinventado em diferentes suportes, fazendo da lembrança um gesto de resistência ao apagamento em curso nas periferias de Salvador.

A trajetória do artista é profundamente marcada pela fundação e gestão do Acervo da Laje, ao lado de Vilma Santos. Hoje reconhecido como um dos mais importantes espaços independentes de articulação cultural de Salvador, o Acervo facilita a aproximação e relação das artes com a periferia soteropolitana, contando com acervo próprio que inclui obras de diversos artistas visuais, biblioteca, exposições e ações de pesquisa.

O trabalho de Zé di Cabeça já esteve presente em exposições coletivas em instituições como Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu de Arte do Rio, Sede da ONU em Genebra (Suíça), Itaú Cultural (SP), Instituto Tomie Ohtake (SP) e Casa das Histórias de Salvador (BA). José Eduardo Ferreira Santos também participou como curador em projetos na Pinacoteca do Ceará, Museu das Favelas (RJ), Centro Cultural Solar Ferrão (BA) e no Acervo da Laje (BA).

Três mestres da charge.

14/ago

A exposição Charge Mestra reúne a obra de três grandes artistas gaúchos: Edgar Vasques, Santiago Neltair Abreu e Celso Augusto Schröder, no Centro Histórico-Cultural Santa Casa, Porto Alegre, RS.

A abertura será no dia 20 de agosto, às 18h. E haverá uma programação especial para celebrar o início desta mostra.

“Charge Mestra” apresenta um conjunto de desenhos, publicações e documentos sobre o processo de criação dos artistas, organizados e selecionados ao longo de cinco décadas de produção. A proposta é apresentar uma mostra inédita, com reflexão crítica e bem-humorada sobre a realidade histórica e contemporânea, evidenciando a força e a relevância das charges como linguagem e pensamento.

A exposição fica em cartaz até 27 de setembro, na Sala de Múltiplos Usos I do CHC Santa Casa, de segunda a sábado, das 8h às 18h30, com entrada franca.

Ricardo Homem expondo em Salvador.

A mostra “Beira Mar – Linhas Abertas” ocupará a Alban Galeria a partir do dia 20 de agosto.

O uso das cores, das formas quase sempre geométricas, da materialidade da pintura e da estruturação espacial como centro da pesquisa. Esses são os elementos que definem o trabalho do artista mineiro Ricardo Homem. Com uma trajetória de mais de 30 anos na arte contemporânea e um currículo que reúne exposições em diversos estados brasileiros, ele apresenta na Alban Galeria, Ondina, sua primeira exposição individual na Bahia.

Pintor e desenhista, Ricardo Homem frequentou a Escola Guignard, importante instituição de ensino artístico de Belo Horizonte, responsável pela formação de artistas de destaque no circuito mineiro, nacional e internacional. Ao longo de sua carreira, participou de exposições emblemáticas, como Panorama do Desenho Atual (1990), no MAM/SP e no Centro Cultural São Paulo, e da mostra BR/80 – Pintura Brasil Década de 80, no Instituto Itaú Cultural, em Belo Horizonte.

Entre planos de cor, superfícies monocromáticas ou marcadas por contrastes cromáticos, uma geometria construída “à mão e pulso”, o trabalho de Ricardo Homem se destaca por suavizar a aparente rigidez das formas. Os movimentos visíveis do pincel e as pequenas frestas entre um elemento e outro conferem maleabilidade às composições, aproximando a pintura de uma experiência sensível e intuitiva. Embora dialogue com a tradição da abstração geométrica, sua produção segue um caminho próprio. Como observa o pesquisador e curador José Augusto Ribeiro, responsável pelo texto crítico da exposição: “O que parece definir a obra de Ricardo Homem é a lógica interna de seu sistema de produção, ao mesmo tempo construtivo e intuitivo, autor de composições concisas e instáveis.”

Sobre o artista. 

Natural de Belo Horizonte, MG, 1961, Ricardo Homem é pintor e desenhista. Frequentou o curso de artes plásticas na Escola Guignard na década de 1980. Em sua trajetória destacam-se exposições coletivas e individuais em Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, dentre elas: Panorama do Desenho Atual, em 1990, no MAM/SP, Centro Cultural São Paulo, em 1990, 1997 e 2003; Mostra BR/80 Pintura Brasil Década 80, no Instituto Itaú Cultural – Belo Horizonte em 1991. Expôs ainda no Museu de Arte da Pampulha – MAP, em 1990; em 2002, Tangenciando Amilcar, Diálogos, em Porto Alegre. Em 2009, apresentou a exposição Geometria Impura, no Centro Cultural Hélio Oiticica no Rio de Janeiro, MAM Salvador, Palácio das Artes – Belo Horizonte e em Recife. Participou da exposição Anos 80 nos 80 anos, da Fundação Escola Guignard, Belo Horizonte. Museu da Inconfidência, Ouro Preto, em 2025.

Até 10 de outubro.