A Pinacoteca do Ceará apresentou a primeira exposição individual de Alfredo Jaar (Santiago, 1956) em Fortaleza, com curadoria de Moacir dos Anjos. A mostra, com 16 obras produzidas entre os anos 1980 e 2026, exibiu quase cinco décadas de trajetória do artista, arquiteto e cineasta chileno. Entre os destaques estão instalações imersivas já consagradas como “Lamento das imagens” (2002), “O som do silêncio” (2006) e “06.01.2020 18.39” (2022) – esta última inédita no Brasil -, além de “A luz do nosso céu”, obra criada especialmente para o pátio aberto da Pinacoteca. A instalação nasceu de uma visita de Alfredo Jaar ao espaço dois anos antes da abertura: a luz intensa de Fortaleza, que ilumina e ofusca simultaneamente, inspirou o artista cuja prática é fundamentalmente construída sobre as qualidades e paradoxos da luz.
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Presença de Brumadinho no mapa internacional.
29/set
O colecionador Bernardo Paz prepara novo museu de arte contemporânea em Brumadinho. Idealizador do Inhotim, MG, Bernardo Paz avança em um novo projeto cultural que deve ampliar ainda mais a presença de Brumadinho no mapa internacional da arte contemporânea.
O empreendimento vem sendo noticiado como um novo museu a céu aberto, localizado nas proximidades do Inhotim, instituição que Bernardo Paz começou a idealizar nos anos 1980 e que abriu ao público em 2006. Segundo informações publicadas pela imprensa, o espaço circula com nomes provisórios como Instituto Bernardo Paz e Museu das Árvores. A proposta mantém diálogo com uma das marcas mais reconhecidas da trajetória de Bernardo Paz: a aproximação entre arte, paisagem, arquitetura e natureza em escala monumental.
Bernardo Paz amplia legado cultural em Brumadinho.
As reportagens indicam que o novo projeto já teria recebido investimentos expressivos, com paisagismo em andamento, plantio de milhares de árvores e a previsão de pavilhões distribuídos em uma área cercada por mata. Também foi noticiado que o acervo reunido para o espaço pode chegar a cerca de 3 mil obras de arte contemporânea. Entre os nomes mencionados nas matérias estão artistas como Anna Maria Maiolino, Sonia Gomes e Michael Heizer. A imprensa também aponta negociações envolvendo outros artistas internacionais, em sintonia com a proposta de criar um espaço voltado à produção contemporânea em diálogo com território, memória, matéria e experiência.
Nos últimos anos, Bernardo Paz também protagonizou um movimento decisivo para a institucionalização do Inhotim, ao transferir de forma definitiva obras, galerias e parte significativa da estrutura do instituto para uma governança voltada à perenidade da instituição. Essa passagem consolidou o caráter público de um projeto que nasceu de uma coleção privada e se tornou referência cultural brasileira.
Mais do que a criação de um novo espaço expositivo, a iniciativa aponta para a continuidade de uma visão cultural de longo prazo: produzir experiências em que arte e natureza não funcionam como cenários separados, mas como partes de uma mesma paisagem sensível, pública e transformadora.
Esculturas concebidas por José Adário.
O Museu Inimá de Paula, em colaboração com a Galatea, apresenta José Adário: Raiz de Ferro, exposição dedicada à obra de José Adário dos Santos (Salvador, 1947), com curadoria e texto crítico de Alana Silveira, diretora da Galatea Salvador. A mostra abre no dia 30 de setembro, durante o horário de funcionamento do museu, das 10h às 18h30.
Mestre ferreiro, José Adário desenvolve uma prática em que o domínio da forja está profundamente ligada aos saberes transmitidos no candomblé e à sua trajetória na Ladeira da Conceição da Praia, em Salvador, onde aprendeu o ofício ainda jovem. No ferro moldado pelo fogo, o artista cria esculturas ligadas a divindades como Exu, Ogum, Oxóssi, Oxumaré e Ossain, como forma de materializar os fundamentos e atributos associados a cada uma delas.
A exposição reúne esculturas concebidas por José Adário para o campo artístico, distintas das ferramentas que o artista também produz para os terreiros, onde são consagradas e passam a integrar os assentamentos dos orixás, além de registros de Adenor Gondim, fotógrafo baiano que acompanha seu trabalho há décadas.
Uma produção marcada pelo estudo da cor.
O Museu Inimá de Paula, Belo Horizonte, MG, apresenta “Aldir Mendes: Geometrias do Olhar”, exposição que reúne cerca de 40 obras de Aldir Mendes de Souza (1941-2007). Com trabalhos realizados entre as décadas de 1960 e 2000, a mostra oferece uma visão abrangente da trajetória do artista e acompanha as transformações de uma produção marcada pelo estudo da cor, pela construção geométrica e pela interpretação da paisagem brasileira.
O artista construiu uma produção múltipla, que transitou pela pintura, pelo desenho, pela gravura, pela escultura, pela performance e pela imagem técnica. Médico cirurgião plástico formado pela Escola Paulista de Medicina, aproximou arte e ciência em experiências com radiografias e termografias, ampliando os limites de sua pesquisa visual.
Participou de importantes momentos da arte no Brasil, incluindo diversas edições da Bienal Internacional de São Paulo, e realizou exposições em instituições como o MASP, o Museu de Arte Brasileira da FAAP, o Museu Nacional de Belas Artes, o MAC-USP, o Paço das Artes e a Pinacoteca de São Paulo. Suas obras também estão presentes em relevantes coleções privadas e públicas.
Até 24 de janeiro de 2027.
Visita guiada.
25/set
Neste sábado, 26 de setembro, a partir das 14h30, a Fundação Vera Chaves Barcellos realiza uma visita mediada e roda de conversa com as artistas Carla Borba, Elaine Tedesco e Paula Krause. As atividades ocorrem na Sala dos Pomares (Rodovia Tapir Rocha, 8480 – parada 54, Viamão/RS), integrando a 20ª Primavera dos Museus e o Programa Educativo da exposição Uma Força Estranha.
Promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), a edição deste ano traz o tema Museus para todas as pessoas.
Para facilitar o deslocamento de Porto Alegre até Viamão (ida e volta), oferecemos transporte gratuito com saída às 13h30, em frente ao Theatro São Pedro (Praça Mal. Deodoro, s/n.
O retorno de Sérgio Helle.
23/set
O pintor Sérgio Helle marcou seu retorno a uma exposição individual dedicada integralmente à pintura com a abertura de “Húmus”, na Galeria Casa d’Alva, Fortaleza, Ceará. A mostra reúne 31 obras e ganha significado especial na trajetória do artista cearense: há quase quatro décadas ele não apresentava uma individual formada exclusivamente por pinturas.
Reconhecido como um dos pioneiros da infogravura e da arte digital no Ceará, Sérgio Helle apresenta trabalhos em que flores, folhas e formas orgânicas dão o tom. Natureza, passagem do tempo, resistência da vida e finitude atravessam o conjunto, revelando também as transformações incorporadas à sua produção ao longo de décadas de pesquisa e experimentação.
José Adário exibe Raiz de ferro.
22/set
O Museu Inimá de Paula, Belo Horizonte, MG, em colaboração com a Galatea, apresenta “José Adário: Raiz de Ferro”, exposição dedicada à obra de José Adário dos Santos (Salvador, 1947), com curadoria e texto crítico de Alana Silveira, diretora da Galatea Salvador. A mostra abre no dia 30 de setembro, durante o horário de funcionamento do museu, das 10h às 18h30.
Mestre ferreiro, José Adário desenvolve uma prática em que o domínio da forja está profundamente ligada aos saberes transmitidos no candomblé e à sua trajetória na Ladeira da Conceição da Praia, em Salvador, onde aprendeu o ofício ainda jovem. No ferro moldado pelo fogo, o artista cria esculturas ligadas a divindades como Exu, Ogum, Oxóssi, Oxumaré e Ossain, como forma de materializar os fundamentos e atributos associados a cada uma delas.
A exposição reúne esculturas concebidas por José Adário para o campo artístico, distintas das ferramentas que o artista também produz para os terreiros, onde são consagradas e passam a integrar os assentamentos dos orixás, além de registros de Adenor Gondim, fotógrafo baiano que acompanha seu trabalho há décadas.
Até 24 de janeiro de 2027.
José Adário: Raiz de Ferro, Museu Inimá de Paula, Belo Horizonte, registros de Adenor Gondim, texto crítico de Alana Silveira; No ferro moldado pelo fogo, o artista cria esculturas ligadas a divindades como Exu, Ogum, Oxóssi, Oxumaré e Ossain, como forma de materializar os fundamentos e atributos associados a cada uma delas.
Artista recupera saberes e narrativas indígenas.
21/set
Nos últimos anos, o Instituto Caldeira, Porto Alegre, RS, vem ampliando seu olhar para a arte, a cultura e as diferentes formas de ocupar e transformar a cidade. Desse movimento nasceram duas iniciativas: Horizontes Urbanos e, em parceria com a Fundação Bienal do Mercosul, surgiu a iniciativa do Espaço Bienal, com o lançamento da primeira grande exposição com a mostra “Fogo de Pátio”, do artista indígena de origem guarani, Xadalu Tupã Jekupé – que também pintou um dos murais do projeto Horizontes Urba
A pesquisa de Xadalu atravessa espiritualidade, memória e história e aborda processos de apagamento cultural no território do Pampa. Em sua produção, o artista recupera saberes e narrativas indígenas para colocá-los em circulação no presente.
Agora, o fogo volta a ocupar o centro da narrativa dentro da galeria. Mais do que representar uma lembrança ancestral, ele é apresentado como um conhecimento vivo, capaz de produzir relações e imaginar futuros. A proposta dialoga com o projeto Horizontes Urbanos, do Instituto Caldeira, voltado à transformação do 4º Distrito de Porto Alegre e à criação de conexões entre arte, cidade, cultura e inovação.
Antes da inauguração da mostra, Xadalu participa do talk “Inovar a história: tecnologia, memória e outros modos de produzir conhecimento”, ao lado do curador, artista e escritor Aldones Nino. A realização de “Tatá Rupa – Fogo de Pátio” é uma iniciativa apresentada pelo Instituto Caldeira, Fundação Bienal do Mercosul e Ministério da Cultura, em parceria institucional com a Galeria Ecarta.
Até janeiro de 2027.
Pedro Escosteguy na Fundação Iberê Camargo.
16/set
A Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, inaugura, no dia 26 de setembro, “Pedro Escosteguy – poesia, vanguarda e opinião”, a maior exposição já dedicada à trajetória do artista.
Poeta, artista visual e ensaísta, Pedro Escosteguy foi um dos expoentes da Arte Experimental Brasileira, construindo uma produção marcada pelo diálogo entre palavra, imagem, objeto e participação.
Com curadoria de Gustavo Possamai, da Fundação Iberê, e Gustavo Nóbrega, da Galeria Superfície, a exposição reúne obras históricas, documentos, fotografias, publicações e registros audiovisuais produzidos entre as décadas de 1960 e 1970, revelando a diversidade e a força de uma trajetória fundamental para a compreensão da vanguarda artística brasileira.
Sobre a exposição e o artista.
Aos 47 anos, depois de mais de duas décadas dedicado à gastroenterologia, Pedro Geraldo Escosteguy (Santana do Livramento, 1916 – Porto Alegre, 1989) aprendeu a manusear ferramentas de marcenaria. Nunca havia desenhado, pintado ou esculpido. Dali nasceu sua primeira obra e, com ela, o núcleo de um conjunto de trabalhos que o próprio artista chamaria de construções semânticas. “Meio pomposo o título”, diria, “mas eram construções que tinham capacidade de dizer alguma coisa”.
Antes disso, porém, Escosteguy já construía uma trajetória singular como poeta. Na Porto Alegre dos anos 1950, integrou o Grupo Quixote e tornou-se um dos principais articuladores da expansão da poesia para além do livro: poemas ilustrados, poemas projetados e ações públicas sob o lema “O povo tem direito à poesia”. Palavra, imagem, objeto e participação deixariam de constituir campos independentes para integrar um mesmo projeto de experimentação estética e reflexão crítica.
A mudança para o Rio de Janeiro, o contato com Antonio Dias e a efervescência artística em torno de Hélio Oiticica o levaram, já maduro, a desenvolver, paralelamente à carreira médica, uma produção que conjugava poesia, objeto e participação, orientada pela ideia de arte pública.
Seus objetos recusavam a contemplação passiva. Tinham forte dimensão política e convocavam o espectador ao contato físico e à participação. Insistia em permanecer “totalmente desligado do mercantilismo do mercado de arte” e compreendia a passagem da poesia ao objeto como um processo contínuo: “o poema se enriquece quando se integra em suportes adequados”, escreveu, e “o objeto se levanta a partir desse núcleo conceitual”.
Embora reconhecido em algumas das exposições decisivas da arte brasileira dos anos 1960, como a VIII Bienal de São Paulo (1965), Opinião 65, a IX Bienal de São Paulo (1967) e Nova Objetividade Brasileira (1967), grande parte de sua produção permaneceu pouco conhecida ou acessível apenas por meio de registros fragmentários.
Escosteguy dedicou-se às artes visuais por pouco mais de uma década, entre o início dos anos 1960 e o fim dos anos 1970. Esta exposição reúne a maior parte de sua produção plástica hoje conhecida, proveniente de diferentes coleções do Brasil, ao lado de publicações, registros audiovisuais e documentos preservados no Delfos – Espaço de Documentação e Memória Cultural da PUCRS, que salvaguarda o arquivo doado pela viúva do artista, Marilia Escosteguy.
Reunidas pela primeira vez, estas obras revelam que a passagem da poesia ao objeto nunca foi uma ruptura, mas o desdobramento de um mesmo pensamento artístico. Escosteguy mudou de linguagem sem abandonar suas questões fundamentais – liberdade, comunicação e participação. Talvez seja dessa coerência rara, entre poesia, objeto e vida, que sua obra continue a retirar sua força.
Gustavo Nóbrega e Gustavo Possamai, curadores.
Até 28 de março de 2027.
Fotografias feitas por Agnès Varda.
14/set
A Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, em parceria com o Instituto Moreira Salles, exibe a exposição “Fotografia Agnès Varda Cinema”. A mostra reúne cerca de 200 fotografias feitas por Agnès Varda, principalmente entre as décadas de 1950 e 1960. O conjunto traz imagens registradas durante viagens, incluindo fotografias inéditas feitas na China, em 1957, registros em Cuba, no contexto pós-revolução, e nos Estados Unidos, onde a artista documentou os Panteras Negras.
A exposição apresenta ao público uma faceta menos conhecida da obra de Agnès Varda (1928-2019). Nome central da História do Cinema, com filmes que marcaram gerações, a artista também é autora de uma extensa produção fotográfica, tendo inclusive começado sua carreira como fotógrafa. Ao longo dos anos, consolidou-se como cineasta, mas a fotografia continuou presente em sua trajetória.
Concebida e realizada pelo Instituto Moreira Salles, pelo Institut Pour La Photographie e pelo Cine Tamaris, a exposição foi apresentada pela primeira vez em 2025, no IMS Paulista. A curadoria é assinada por Rosalie Varda, diretora do Ciné-Tamaris e filha da cineasta, e João Fernandes, diretor artístico do IMS, com assistência de Horrana de Kássia Santoz, curadora vinculada à diretoria artística do IMS.
Grande parte da exposição é dedicada às viagens da artista. De acordo com os curadores, Agnès Varda acompanhou grandes mudanças da segunda metade do século XX, com um olhar atento ao contexto político, mas também às sutilezas e aos detalhes, com interesse especial pelas mulheres e crianças. Nesse núcleo, um dos principais destaques é a série que Agnès Varda produziu na China, em 1957, quando viajou ao país como parte de uma delegação francesa. As fotografias foram tiradas após a Revolução Maoísta e antes da Revolução Cultural. Para a curadoria, as imagens feitas na China “são registros essenciais de um encontro entre política, cultura e subjetividade, atravessados por contingências históricas. Elas não capturaram uma grande narrativa de uma revolução, mas elaboraram uma modernidade em construção: fragmentos de vidas comuns, expressões de resistência cultural”.
Além da produção das décadas de 1950 e 1960, a exposição apresenta uma obra mais recente, a instalação Instants arrêtés (Instantes parados) (2012), na qual a artista investiga o movimento inverso de sua prática habitual, partindo do cinema para a fotografia. Segundo a curadora Rosalie Varda, a obra é “uma espécie de síntese, a prova de que, até os últimos anos de sua carreira, Agnès Varda permaneceu inquieta, sempre em busca de novas formas de olhar, de pensar e de compartilhar as imagens”.
Em cartaz até 28 de fevereiro de 2027.


























