O retorno de Josuel Miranda.

25/jun

O Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (MALG), da Universidade Federal de Pelotas, RS, apresenta a exposição retrospectiva de Josuel Miranda, multiartista radicado há mais de cinco décadas no Rio de Janeiro. Com curadoria dos professores e pesquisadores Neiva Bohns e Rogério Lima, a mostra apresenta mais de cinquenta obras, e tem como título “Eu sou um ilustre desconhecido”, frase enunciada pelo próprio artista.

Nascido em Pelotas em 1936, desde a infância precisou ajudar a mãe, trabalhadora doméstica, no sustento da casa. As experiências como vendedor de pastéis, jornaleiro, faxineiro e mordomo, se entrelaçaram intensamente com o mundo da arte e da cultura, gerando um desejo irreprimível de viver/fazer arte.

Inspirado nos grandes mestres do modernismo brasileiro, e no figurativismo narrativo, Josuel Miranda, ao longo de décadas, construiu uma vigorosa gramática autoral, constituída por cenas lembradas ou imaginadas, que alimentaram sua admirável alegria de viver. Seu repertório plástico-visual transita entre festejos populares, cenas de gênero e a boêmia. 

No final da década de 1970, pouco antes de se transferir para o Rio de Janeiro, o artista, que também amava dançar, teve suas obras expostas em várias galerias de arte de Pelotas. Desde então, nunca mais o público local teve a oportunidade de apreciar o seu trabalho, embora inúmeros amigos e colecionadores locais tenham se tornado dedicados guardiões de seu acervo.

“Como sabemos, a invisibilidade historiográfica é condição recorrente de artistas negros ignorados pelos registros oficiais da arte sul-brasileira. Portanto, reapresentar Josuel Miranda no principal museu de arte da cidade significa interromper um injusto ciclo de silenciamento, e promover, com dignidade e responsabilidade social, o debate sobre repertórios traumáticos, como os da diáspora africana”, destaca Neiva Bohns. A presença de um artista de noventa anos de idade, que viveu intensamente as transformações no campo da cultura hoje denominada LGBTQIAPN+, reforça a importância da resiliência e do poder de superação dos estigmas sociais vigentes em cada período histórico.

Até 22 de agosto.

Fotos: Cíntia Langie 

Fonte: Diário da Manhã.

 

 

A forma em permanente constituição.

23/jun

A Galatea tem o prazer de anunciar “A invenção do Paraíso: Gabriela Melzer & Ygor Landarin”, exposição que reúne trabalhos inéditos dos artistas na unidade da galeria em Salvador. Com abertura no dia 03 de julho, durante a semana do feriado da Independência da Bahia – período em que celebrações históricas movimentam a cidade e seu calendário cultural -, a mostra aproxima duas pesquisas que, embora desenvolvidas a partir de procedimentos distintos, convergem na investigação da paisagem como espaço de transformação.

Na exposição, Gabriela Melzer apresenta um conjunto de pinturas que dá continuidade à sua pesquisa em torno da abstração e da cor. Inspirada por formas encontradas na natureza e pelas transformações produzidas pelo tempo sobre a arquitetura e a paisagem, a artista desenvolve composições marcadas por contornos orgânicos, campos cromáticos e estruturas lineares que coexistem em permanente negociação.

Já Ygor Landarin apresenta trabalhos desenvolvidos a partir de seu interesse pelas paisagens costeiras brasileiras e pelos vestígios que o tempo deposita sobre a matéria. Bordados, esculturas e vitrálias incorporam areia, conchas, pedras, resina e porcelana fria em composições que acabam por servir como cartografias afetivas das cidades que viveu e dos territórios com os quais se relacionou em sua trajetória.

Parte da produção exibida nasceu de uma temporada de pesquisa realizada em Salvador, durante a qual o artista realizou coletas em praias da cidade e aprofundou seu contato com referências locais. A obra de Juarez Paraíso torna-se um ponto de partida importante de parte da produção do artista, especialmente na série Paraízo (2026), que transforma elementos recolhidos na paisagem soteropolitana em uma reflexão sobre memória e sedimentação do tempo.

Embora partam de linguagens distintas, as pesquisas de Gabriela Melzer e Ygor Landarin compartilham interesses fundamentais. Em ambos os trabalhos, a forma surge como algo em permanente constituição, resultado de processos de acumulação, transformação e reinvenção. Se, na produção de Ygor Landarin, a matéria se sedimenta em camadas de experiências e memórias, nas pinturas de Gabriela Melzer a cor e o desenho organizam atmosferas em estruturas estratificadas. O paraíso, que dá título à exposição, aparece não como um lugar idealizado, mas como uma construção continuamente reelaborada pelo tempo e pela imaginação.

Até 10 de outubro.

Exposição Campo e Construção de Fábio Miguez.

O Instituto Ling, Três Figueiras, Porto Alegre, RS, inaugura no dia 23 de junho “Campo e Construção”, mostra individual de Fábio Miguez, com curadoria de Pollyana Quintella.

A exposição reúne dois importantes eixos da produção do artista: suas pinturas inspiradas em arquiteturas vernaculares brasileiras e suas composições que dialogam com mestres pré-renascentistas italianos. Ao aproximar esses universos, Fábio Miguez investiga as relações entre pintura e arquitetura, revelando como o tempo, a luz e a experiência se inscrevem nas superfícies construídas. A mostra inclui ainda obras realizadas diretamente nas paredes da galeria do centro cultural, criando um diálogo singular entre a pintura e a própria arquitetura do edifício.

A abertura acontece no dia 23 de junho, às 19h, com uma  conversa aberta ao público entre o artista Fábio Miguez e a curadora Pollyana Quintella. Para participar, basta realizar inscrição prévia e gratuita pelo site. 

Sobre o artista. 

Fábio Miguez (São Paulo, 1962) é um dos principais nomes da pintura contemporânea brasileira e integrante fundador da Casa 7, grupo que renovou a pintura nos anos 1980. A partir dos anos 1990, sua pesquisa voltou-se à luz e à abstração, incorporando transparências, cores claras e estruturas geométricas. Nos anos 2000, expandiu a pintura para o campo tridimensional, criando instalações. Desenvolve, desde 2010, a série Atalhos, na qual reelabora fragmentos de obras de mestres da pintura, e a série Volpi, inspirada em detalhes da obra de Alfredo Volpi. Fabio Miguez vive e trabalha em São Paulo. Suas obras integram coleções de instituições como o Centro Cultural São Paulo; Instituto Figueiredo Ferraz; Museu de Arte de São Paulo; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; Museu de Arte Moderna de São Paulo e Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Sobre a curadora

Pollyana Quintella (Rio de Janeiro,1992) é curadora da Pinacoteca de São Paulo e pesquisadora-coordenadora da linha de pesquisa Arte e Política: o Brasil em disputa, da FGV Arte São Paulo. Na Pinacoteca, organizou exposições como Lenora de Barros: Minha Língua, Lygia Clark: Projeto para um planeta e Renata Lucas: Domingo no Parque Lage, vencedora do Prêmio APCA 2025. É doutoranda e mestra em História da Arte pela UERJ. Foi contemplada com uma bolsa da Getty Foundation para integrar o Art and Power School, realizado na Bibliotheca Hertziana – Max Planck Institute for Art History, em Roma, em 2023. Foi curadora do 9º Bolsa Pampulha, atuou como curadora assistente no Museu de Arte do Rio e desenvolveu projetos em instituições como MALBA, Sesc Pompeia, MuPA e Paço Imperial. Publica regularmente ensaios sobre arte contemporânea, cultura visual e política.

A exposição permanece em cartaz até 26 de setembro, com visitação gratuita de segunda a sábado, das 10h30 às 20h. Também é possível agendar visitas mediadas para grupos, sem custo, pelo site do Instituto Ling.

Para descobrir Chico Baldini.

20/jun

Em breve retorno ao Rio Grande do Sul, Chico Baldini exibe suas múltiplas criações na Galeria Stockinger, Porto Alegre, RS.

Sobre o artista.

Chico Baldini nasceu em 1976 em Porto Alegre, RS, onde se graduou em publicidade pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Estudou desenho e pintura na Parsons School of Design em Nova Iorque e no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre. Empreendedor, foi cofundador da W3haus, que se tornou a maior agência digital independente do Brasil. Atuou por mais de duas décadas como ilustrador e diretor criativo, período em que liderou a W3haus. Paralelamente, manteve uma prática contínua de desenho em pequenos cadernos, desenvolvida entre deslocamentos, reuniões e viagens – gesto que se tornou central em sua pesquisa. Por conta das demandas da empresa, viveu em São Paulo por 11 anos. Após a venda da agência, sua paixão pelo mar o levou a Florianópolis, onde descobriu a natação em águas abertas e iniciou uma dedicação plena ao desenho e à natação, o que aproxima sua produção de uma dimensão corporal e rítmica. “A necessidade de calor e de uma vida cultural mais colorida me trouxe à Bahia”, conta, Hoje, Baldini vive em Salvador, onde nada e desenha diariamente, trazendo as relações entre mar e inconsciente para a sua pesquisa em desenho. Sua pesquisa em desenho é atravessada pelas relações entre mar, corpo e inconsciente. Participou de exposições individuais e coletivas em cidades como Porto Alegre, São Paulo e Salvador e integrou, em 2011, a publicação Illustration Now! Vol. 4.

No dia 22 de junho, às 15h, o artista desenha nas paredes da Galeria Stockinger e no dia 08 de julho, a partir das 16h, haverá um bate-papo com o artista, seguido de uma visita guiada. Imperdível!

 

Fábio Miguez no Instituto Ling.

18/jun

 

O Instituto Ling, Três Figueiras, Porto Alegre, RS, inaugura no dia 23 de junho “Campo e

Construção”, mostra individual de Fábio Miguez, com curadoria de Pollyana Quintella.

A exposição reúne dois importantes eixos da produção do artista: suas pinturas inspiradas em arquiteturas vernaculares brasileiras e suas composições que dialogam com mestres pré-renascentistas italianos. Ao aproximar esses universos, Fábio Miguez investiga as relações entre pintura e arquitetura, revelando como o tempo, a luz e a experiência se inscrevem nas superfícies construídas. A mostra inclui ainda obras realizadas diretamente nas paredes da galeria do centro cultural, criando um diálogo singular entre a pintura e a própria arquitetura do edifício.

A abertura acontece no dia 23 de junho, às 19h, com uma  conversa aberta ao público entre o artista Fábio Miguez e a curadora Pollyana Quintella. Para participar, basta realizar inscrição prévia e gratuita pelo site. 

Sobre o artista. 

Fábio Miguez (São Paulo, 1962) é um dos principais nomes da pintura contemporânea brasileira e integrante fundador da Casa 7, grupo que renovou a pintura nos anos 1980. A partir dos anos 1990, sua pesquisa voltou-se à luz e à abstração, incorporando transparências, cores claras e estruturas geométricas. Nos anos 2000, expandiu a pintura para o campo tridimensional, criando instalações. Desenvolve, desde 2010, a série Atalhos, na qual reelabora fragmentos de obras de mestres da pintura, e a série Volpi, inspirada em detalhes da obra de Alfredo Volpi. Fabio Miguez vive e trabalha em São Paulo. Suas obras integram coleções de instituições como o Centro Cultural São Paulo; Instituto Figueiredo Ferraz; Museu de Arte de São Paulo; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; Museu de Arte Moderna de São Paulo e Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Sobre a curadora

Pollyana Quintella (Rio de Janeiro,1992) é curadora da Pinacoteca de São Paulo e pesquisadora-coordenadora da linha de pesquisa Arte e Política: o Brasil em disputa, da FGV Arte São Paulo. Na Pinacoteca, organizou exposições como Lenora de Barros: Minha Língua, Lygia Clark: Projeto para um planeta e Renata Lucas: Domingo no Parque Lage, vencedora do Prêmio APCA 2025. É doutoranda e mestra em História da Arte pela UERJ. Foi contemplada com uma bolsa da Getty Foundation para integrar o Art and Power School, realizado na Bibliotheca Hertziana – Max Planck Institute for Art History, em Roma, em 2023. Foi curadora do 9º Bolsa Pampulha, atuou como curadora assistente no Museu de Arte do Rio e desenvolveu projetos em instituições como MALBA, Sesc Pompeia, MuPA e Paço Imperial. Publica regularmente ensaios sobre arte contemporânea, cultura visual e política.

A exposição permanece em cartaz até 26 de setembro, com visitação gratuita de segunda a sábado, das 10h30 às 20h. Também é possível agendar visitas mediadas para grupos, sem custo, pelo site do Instituto Ling.

As astrofotografias de Fredy Vieira.

08/jun

A contemplação do céu noturno, a passagem do tempo e a relação entre o ser humano e o cosmos são os temas centrais da exposição “Ancestral: Luzes do Infinito”, do fotógrafo e artista visual Fredy Vieira aberta ao público desde o dia 5 de junho em Cambará do Sul, RS. A mostra reúne imagens da Via Láctea, constelações e paisagens noturnas registradas principalmente nos Campos de Cima da Serra e em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. As fotografias convidam o visitante a uma experiência de contemplação e reflexão sobre o tempo, a memória e a ancestralidade presentes na luz das estrelas.

Inspirada pela busca de alcançar aquilo que não pode ser tocado, a exposição propõe um encontro entre a escala humana e a dimensão do Universo. Cada imagem resulta da convergência entre o instante do registro fotográfico e o tempo percorrido pela luz dos astros até chegar à Terra, transformando a fotografia em uma ponte entre passado e presente.

Ancestral

é o desejo de alcançar o que não se pode ver. É a tentativa de materializar o intangível, de tocar aquilo que permanece distante, suspenso entre o mistério e a imaginação. As estrelas atravessam todos os registros de Fredy Vieira. Não como objeto, mas como busca. Uma insistência em capturar o céu, em guardar o que, por natureza, escapa. Nessas imagens, a fluidez da paisagem encontra a permanência aparente do cosmos. Aparente porque a luz das estrelas também é passado. O que vemos já aconteceu. Cada brilho é uma lembrança viajando através do tempo. Trinta segundos de exposição. Anos, séculos ou milênios de viagem. Entre esses dois extremos nasce a fotografia. Talvez contemplar as estrelas seja uma forma de enfrentar nossa própria finitude. Um gesto antigo de quem procura compreender não apenas o universo ancestral que nos cerca, mas também aquilo que nos antecede e nos constitui. Olhar para o céu é olhar para o tempo, é olhar para dentro. E contemplar estas imagens é habitar, por um instante, esse encontro entre a imensidão do cosmos e a breve experiência humana.

“Dada a vastidão do espaço e a imensidão do tempo, é uma alegria compartilhar um planeta e uma época com Annie.”

Carl Sagan

Sobre o artista.

Fotojornalista, astrofotógrafo e artista visual, Fredy Vieira nasceu em Porto Alegre, RS, em 1976. Cursou Jornalismo na Unisinos e é formado em Fotografia Digital pela ESPM. Ao longo de sua trajetória, atuou em veículos de comunicação e agências nacionais e internacionais de fotografia, recebeu o Prêmio Press de Fotografia em 2016 e 2018 e foi cofundador da primeira Feira da Fotografia Artística de Porto Alegre. Em “Ancestral: Luzes do Infinito”, o artista aprofunda sua investigação sobre a paisagem noturna e os vínculos que unem Natureza, Tempo e Memória, convidando o público a habitar, por alguns instantes, o encontro entre a imensidão do cosmos e a experiência humana.

A continuidade de um pensamento visual.

A Cerrado, Brasília, DF, apresenta “Uma continuidade como respiro”, exposição de Claudio Tozzi que reúne mais de vinte obras do artista, entre pinturas e esculturas, realizadas entre 1963 e 2026. 

Com curadoria de Cristiano Raimondi, a mostra propõe um percurso que evidencia a permanência de um mesmo campo de investigação ao longo de mais de seis décadas de produção. Em vez de uma leitura retrospectiva, a exposição acompanha a continuidade de um pensamento visual que se transforma constantemente sem perder sua direção. 

Das obras históricas dos anos 1960 aos trabalhos recentes, emergem questões que atravessam toda a trajetória do artista: a fragmentação da imagem, a relação entre percepção e estrutura e a presença de uma dimensão política inscrita na própria construção visual. 

Até 25 de julho.

Território poético em diferentes camadas.

A galeria Simões de Assis Curitiba, Paraná, apresenta “Chuva Solar”, exibição individual de Mika Takahashi. É entre a impermanência e a fabulação que Mika Takahashi desenvolve sua mais recente pesquisa pictórica em torno do folclore japonês e da abstração. “Chuva Solar”, mostra dezoito pinturas que apresentam o mundo por meio dos sentidos e dos sonhos. A artista parte da ficção para se aproximar de diferentes realidades, entendendo o inconsciente não como fuga, mas como ferramenta de investigação e sensibilidade.

A pintura torna-se, assim, um campo de experimentação onde percepção, memória, sonho e imaginação se entrelaçam. É nesse espaço intermediário, entre o visível e o intuído, que a artista constrói um território poético no qual diferentes camadas de realidade coexistem, expandindo as formas de ver, sentir e fabular o lugar em que vivemos.

Sobre a artista.

Mika Takahashi nasceu em São Paulo, SP, Brasil, 1988. É artista visual e dedica-se especialmente à pintura. Sua produção mais recente emerge de referências visuais ao mundo dos sonhos e da memória, ao mesmo tempo que dialoga com um vasto repertório de imagens científicas sobre o universo, tanto em escalas macro quanto microscópicas. São manifestações de bioluminescência ou das relações simbióticas entre espécie de insetos, fungos, vegetais e células de diferentes formas de vida. Por meio de uma fatura marcada pelo gestual e pela sobreposição de camadas de tinta a óleo densas ou dissolvidas, cria composições abstratas que evocam a dinâmica das formas orgânicas em constante transformação. Cada tela convida quem observa ao mergulho contemplativo nessa interseção entre realidade e imaginação, ciência e ficção pictórica.

Antes dessas explosões orgânico-abstratas, Mika Takahashi pintou uma série de paisagens e cenas de cotidiano que parecem fundir retratos antigos e contextos de fantasia, compondo um universo onde seres fantásticos, animais e pessoas parecem conviver com ruínas, espaços em iminência de desaparecer ou imagens que parecem captar uma lembrança ou um sonho no momento em que se diluem da memória, da existência. A carga narrativa de seu trabalho está conectada com sua trajetória, uma vez que atuou por muito tempo como ilustradora e quadrinista para publicações e vídeos de animação, tendo publicado dois livros de sua autoria: “Ink stories” e “Além do trilhos”. A artista é formada em Design pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Em 2025, realizou “Noctiluca”, sua primeira individual, na Simões de Assis, São Paulo. Dentre suas exposições de destaque estão as coletivas “Thinking of a Place”, Blue Door Gallery, Nova York; “Mapa Aberto”, curadoria de Vini Maia e Kamila Bach, Palácio 29 de Março, Curitiba; “Intimidade das formas”, curadoria de Yudi Rafael, na Casa Zalszupin, São Paulo; “RAW”, Fortes D’Aloia & Gabriel + HOA Galeria, São Paulo; “Ponta dos Dedos”, Galeria Bianca Boeckel, São Paulo, com texto de Carollina Lauriano; e “Terra Incógnita”, Gruta, São Paulo, com texto crítico de Vinícius Gerheim.

Um mergulho no acervo inédito do artista.

A  Coordenação de Artes Visuais – SMC convida para a abertura da exposição “Educação Formal”, do artista visual Tonico Alvares, com montagem de Laura Krebs, na sala Oeste do 2º pavimento do MAPA. 

A mostra, composta exclusivamente por fotografias analógicas, é um mergulho no acervo inédito do artista. As imagens, capturadas entre a década de 70 e o início dos anos 2000, passam por lugares como Brasil, Índia, Afeganistão, Inglaterra e Suécia. A concepção da montagem, que une curadoria e projeto expográfico sob a ótica de um “filme expandido”, é de autoria da arquiteta e artista Laura Krebs, filha do fotógrafo.

Fotos de Tonico Alvares/Montagem de Laura Krebs

“Educação Formal”, de Tonico Alvares. A mostra, composta exclusivamente por fotografias analógicas, é um mergulho no acervo inédito do artista. As imagens, capturadas entre a década de 1970 e o início dos anos 2000, passam por lugares como Brasil, Índia, Afeganistão, Inglaterra e Suécia. A concepção da montagem, que une curadoria e projeto expográfico sob a ótica de um “filme expandido”, é de autoria da arquiteta e artista Laura Krebs, filha do fotógrafo. A exposição parte da exploração desse acervo como fonte de origem de um triplo processo de formação sensível: a de Tonico Alvares, a de Laura Krebs, e a de ambos enquanto pai e filha.

O conjunto, formado principalmente por registros da juventude do fotógrafo, articula retratos, paisagens, cenários urbanos e memórias de viagem. A partir desse universo particular e único, é construída uma reflexão sobre a força das imagens, o modo como nos relacionamos com o mundo e a sensação de descoberta.

A disposição das obras em múltiplos tamanhos e sem categorização definida reforça essa perspectiva. Como uma longa caminhada, um filme estilo road trip ou um romance de formação, os registros apresentam cenas, detalhes, motivos recorrentes, momentos de espanto ou contemplação. A expografia também busca investigar essa sensação, pensando o espaço do museu como ambiente de descoberta e evitando uma lógica puramente linear. O trabalho é o resultado de uma pesquisa que se pode dizer da vida inteira, realizada com maior ênfase ao longo do último ano, onde pai e filha selecionaram, digitalizaram, trataram e ampliaram as mais de 150 imagens a serem reunidas na mostra. As obras ocupam três salas do Museu de Arte do Paço.

Sobre o artista.

Tonico Alvares, fotógrafo, nasceu em Minas do Leão, 1953. Autodidata, tem 50 anos de carreira em trânsito entre o jornalismo e a produção autoral, operando do retrato ao abstrato. Seus trabalhos como repórter são tão expressivos para sua formação quanto as longas caminhadas que realiza diariamente e as diversas viagens feitas a trabalho ou lazer. Exposições Individuais e coletivas: Afghanistan – Stockholm, Kulturhuset. Estocolmo, Suécia, 1978; Suécia e Afeganistão, MARGS. Porto Alegre, Brasil, 1979; Theatro São Pedro, Theatro São Pedro. Porto Alegre, Brasil, 1984; Rui 40 Anos, Bolsa de Arte. Porto Alegre, Brasil, 1992; Paris 48 horas, Galeria de Arte do DMAE. Porto Alegre, Brasil, 2003; Elegância Gaudéria, Shopping Moinhos. Porto Alegre, Brasil, 2000; Paris – Índia, MARGS. Porto Alegre, Brasil, 2000; Rastros, MACRS. Porto Alegre, Brasil, 2011; Aço Corten, Galeria Gestual. Porto Alegre, Brasil, 2012; (Re)Tratar, OW! Art. Porto Alegre, Brasil, 2013; Redes, MARGS. Porto Alegre, Brasil, 2017; Baco, Vinícola Francioni. São Joaquim, Brasil, 2024. Exposições Coletivas; 11 Photographes Brésiliens, Galerie D’Art François Mansart. Paris, França, 2010; Fotorama-09, Galeria de la Plaza. Colônia do Sacramento, Uruguai, 2009; Areias, Faro Design. Porto Alegre, Brasil, 2025.

Sobre a curadora.

Laura Krebs nasceu em Porto Alegre, 1994). Arquiteta e artista com bacharelado em Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e formação livre em artes visuais, passando pelo atelier de Charles Watson, no Rio de Janeiro, e de Guilherme Dable, em Porto Alegre. Sua atuação ocorre entre espaço e imagem. Assinou a expografia da exposição Queria Lembrar do Meu Corpo, de Lara Fuke, no Museu do Trabalho, e o conceito da instalação Devices for Connection, durante a semana de Design de Milão em 2026.

Até 24 de julho. 

Ling apresenta Advânio Lessa.

03/jun

O Instituto Ling, Três Figueiras, Porto Alegre, RS, convida para acompanhar de perto a produção de uma obra inédita do artista mineiro Advânio Lessa, que realizará uma intervenção em uma das paredes do centro cultural, em um processo aberto que se revela ao público no próprio tempo da criação. De 08 a 12 de junho, das 10h30 às 20h, com observação gratuíta do processo criativo, assistindo em tempo real ao que acontece no ateliê temporário montado em frente ao local.

Advânio Lessa é artista e agricultor, nascido em Lavras Novas, onde ainda reside e desenvolve sua produção. Sua prática parte do encontro direto com a natureza: troncos de árvores mortas, raízes, fibras e cipós coletados nas matas da região tornam-se matéria viva em suas obras. Sua pesquisa se constrói na intersecção entre arte, ofício e ancestralidade. A herança quilombola de sua terra de origem, assim como os saberes transmitidos por seus pais – tropeiro e cesteira – atravessam sua poética, resultando em esculturas e formas orgânicas que evocam corpos, abrigos e estruturas em transformação.

A intervenção integra o projeto Ling Apresenta | Por uma “geografia da ação”: corpo, matéria, território, com curadoria de Galciani Neves, que propõe aproximações entre o Rio Grande do Sul e a produção contemporânea do Sudeste, a partir de um olhar sensível e plural.

No dia 13 de junho, às 10h, ocorrerá um bate-papo com o artista e a curadora, que compartilharão aspectos da experiência, do processo e das questões que atravessam o trabalho.