Arquitetura do Secreto

21/fev

O secreto está aqui. Supostamente revelado. Por que não admitir que a arquitetura mencionada no título desta exposição pode ser também a arquitetura desta galeria?
A Galeria do Ateliê inicia o ano 2017 com a exposição “Arquitetura do Secreto” da artista Monica Barki apresentando de 24 fotografias que registram performances realizadas em motéis do Rio de Janeiro entre 2013 e janeiro de 2017. A artista atua como protagonista revelando temas de histórias pessoais, assim como da esfera existencial coletiva. Monica espreita os bastidores onde são reproduzidos os estereótipos do feminino, tornando visível um erotismo pleno de alegorias, perversões e prazeres. A Galeria do Ateliê fica na Avenida Pasteur, 453 Urca, Rio de Janeiro, RJ.

 

Para o curador Frederico Dalton, “Arquitetura do Secreto” de Monica Barki é uma exposição sobre relações, sobre o olhar do poder e o poder do olhar. São muitos os atores aqui. E no drama destas relações se destacam o dizível e o indizível, o que pensamos saber sobre nós mesmos e os enormes esforços que empreendemos para de alguma forma existir. É um evento sobre o olhar do poder, sobre como o poder se veste, se configura e se organiza para melhor nos enquadrar; e sobre o poder do olhar, sobre como o poderoso olhar do espectador é capaz de nos desnudar”.

 
Sobre a artista

 
Entre as principais mostra individuais realizadas pela carioca Monica Barki destacam-se: Desejo, Galeria, Rio de Janeiro, 2014; Arquivo sensível, Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, 2011; Lady Pink etsesgarçons, Galeria Anna Maria Niemeyer, Rio de Janeiro, 2010; Collarobjeto, Centro Cultural Recoleta, Buenos Aires, 2001; Colarobjeto, Galeria Nara Roesler, São Paulo, 2000;Paço Imperial, Rio de Janeiro, 2000; Pinturas, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, 1992. Além de mostras coletivas no Brasil e no exterior, a artista destaca: Contemporary Brazilian Printmaking, International Print Center New York, Nova Iorque, 2014; Gravura em campo expandido, Estação Pinacoteca, São Paulo, 2012; Arte em Metrópolis, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, 2006; Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, 2006; Arte Brasileira Hoje, Coleção Gilberto Chateaubriand, MAM-RJ, 2005; 11ª Bienal Ibero-Americana de Arte, México,1998; 21ª Bienal Internacional de São Paulo, 1991. A artista possui obras nos acervos do MAM-RJ; MAM-SP; Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, MG; Coleção IBM, Rio de Janeiro e São Paulo; Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba, PR; Itaú Cultural, São Paulo, SP; Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Coleção João Sattamini, RJ, e Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Fortaleza, CE, entre outras.

 

Sobre o curador

 

O carioca Frederico Dalton formou-se em cinema pela UFF e é mestre em comunicação pela UFRJ. Estudou fotografia e vídeo na Academia de Arte (Kunstakademie) de Düsseldorf (Alemanha) com Nam JunePaik e NanHoover. Professor de Artes na FUNARTE, SESC e no Ateliê da Imagem, Rio de Janeiro. Frederico Dalton também é escritor, tendo publicado o e-book “Minificções” pela Amazon.com.Seu trabalho artístico está documentado no livro intitulado “Fotomecanismos”, editado pelo Oi Futuro, Rio de Janeiro, em 2007 e em outras publicações. Vem produzindo textos para exposições e é o idealizador e curador da Galeria Transparente, uma galeria virtual que também se configura como exposição física e que teve exposições e eventos na Fundição Progresso, Sesc Friburgo e Centro Cultural Justiça Federal, Rio de Janeiro, RJ.

 

 

Até 31 de março.

Permissão para falar

19/fev

A Athena Contemporânea, Shopping Cassino Atlântico, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, terá a palavra como ponto de partida em sua próxima exposição. A mostra reúne obras recentes e inéditas de destacados artistas da cena contemporânea brasileira e recebeu o significativo título de “Permissão para falar”. Com curadoria de Fernanda Lopes, apresenta obras de nove artistas: Beto Shwafaty, Diego Bresani, Jaime Lauriano, Lais Myrrha, Laura Belém, Paula Scamparini, Sara Ramo, Vanderlei Lopes e Yuri Firmeza (em parceria com Frederico Benevides), em diferentes técnicas e suportes, como vídeos, objetos, fotografias, gravuras e desenhos. Este recorte curatorial, permitiu que mostrar a mais nova produção de artistas que estão ganhando cada vez mais reconhecimento na cena artística nacional, como Lais Myrrha, que foi um dos destaque da última Bienal Internacional de São Paulo. Em comum, todas as obras fazem referência ao discurso e à história como construções, com interesse especial nos usos e variações de significados que as palavras podem assumir, dependendo de quem fala, de quem escuta ou mesmo quando são silenciadas.

 

 

A palavra da curadora

 

“A exposição tem como ponto de partida a palavra. Não a palavra isolada, com significado único e fixo, mas sim a palavra como construção e como discurso, que pode assumir diferentes características e leituras a partir do ponto de vista e do contexto de leitura. Nenhuma palavra pode ser lida sozinha, isolada, fora de contexto. Toda fala é construída, se constrói a partir de pontos de vista e referências, e não elimina a possibilidade de existência de outros olhares”,essa é uma exposição interessada em pensar o lugar da fala e da escuta”.

 

 

Sobre os artistas e as obras

 

Beto Shwafaty, São Paulo, SP, 1977, terá duas obras na exposição. Em “Anhanguera/Bandeirantes” e “Abstrações Sujas”, ambas de 2015, o artista explora a história, a memória e utiliza textos extraídos da imprensa. No primeiro, trata da exploração da cidade de São Paulo pelos Bandeirantes e o desenvolvimento econômico representado pelas principais vias de acesso da cidade. Na segunda, mostra momentos na história do edifício Edise – sede da Petrobras no Rio de Janeiro. A obra é dividida em três partes independentes e uma delas estará na exposição.

 

Diego Bresani, Brasília, DF, 1983, apresentará fotografias feitas em Paris, durante o ano que viveu na França. A observação do mundo, suas paisagens e personagens, compõem a essência do trabalho, uma espécie de diário pessoal onde tenta reconstruir sua própria história.

 

Jaime Lauriano, São Paulo, 1985, mostrará obras das séries “Vocês nunca terão direito sobre seus corpos”, 2015, – um entalhe em madeira de frases de racismo institucional, encontradas em comunicados oficias e boletins de ocorrência, da Policia Militar Brasileira – , e “Bandeira Nacional”, 2015, em que busca subverter, a partir de técnicas de tecelagem artesanal, o controle e a regulação deste símbolo. Ou seja, registrar diferentes maneiras de apropriação e alienação da Bandeira Nacional.

 

Lais Myrrha, Belo Horizonte, MG, 1974, terá na exposição quatro trabalhos da série “Reconstituição”, 2008, em que seleciona as páginas da Constituição em que aparece a palavra “exceção” e as destaca, colocando desfocado o restante do texto.

 

Laura Belém, Belo Horizonte, MG, 1974, apresentará uma obra da série “Hoje tem cine”, 2015, em que a artista cria letreiros em neon com títulos dos filmes que marcaram a história do Cine Palladium, que foi um dos cinemas mais importantes de Belo Horizonte. Na exposição, estará o letreiro de “Jardim de Guerra”, de Neville D’Almeida, recolhido pela censura em 1968.

 

Paula Scamparini, Rio de Janeiro, RJ, 1980, mostrará a videoinstalação “Nós-Tukano”, 2015, em que, em uma das telas, o índio Carlos Doethiro Tukano, líder político e cacique da maior aldeia urbana no Brasil, a Aldeia Maracanã, narra a história de sua terra para um grupo de crianças, em sua língua-mãe. No vídeo ao lado, que acompanha a fala de Doethiro, homens-brancos de diversas origens procuram reproduzir as palavras dele mesmo sem entender seus significados.

 

Sara Ramo, Madri, 1975, apresentará a série de fotografias “O ensino das coisas”, 2015, em que mostra como é difícil definir certos conceitos com palavras. O ponto de partida são cartazes encontrados pela artista em uma escola de design abandonada no Uruguai. Os alunos tratavam de expressar o conteúdo da palavra através da forma.

 

Vanderlei Lopes, Paraná, 1973, participa da exposição com a obra “EEDDM II (El encuentro de dos mundos)”, realizada em 2013. As formas orgânicas das folhas, fundidas em bronze, apresentam recortes geométricos e precisos feitos pela mão do homem (recortes tão precisos que não encontramos na natureza). Aqui, os “dois mundos” citados no título, podem ser a natureza e a cultura (que por muitos autores é considerada uma invenção do homem, como uma tentativa de domar a natureza).

 

Yuri Firmeza, São Paulo, 1982, & Frederico Benevides apresentam o curta-metragem “Entretempos”, selecionado para o 62º Festival Internacional de Curtas-Metragens de Oberhausen, na Alemanha. O filme também participou da Semana dos Realizadores em 2015 e levou o prêmio de Menção honrosa do Júri Oficial. O trabalho parte do material arqueológico encontrado na região portuária do Rio de Janeiro, fotografias, imagens de arquivo, documentos oficiais e de negociações dos escravos, para pensar o atual processo de gentrificação que atravessa, hoje, esta região.

 

 

Sobre a curadora

 

Fernanda Lopes é curadora assistente do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e professora da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, RJ, e do Departamento de Arquitetura da PUC-Rio. Doutoranda no Programa de Pós-Graduação da Escola de Belas Artes da UFRJ, é organizadora, ao lado de Aristóteles A. Predebon, do livro Francisco Bittencourt: Arte-Dinamite, Tamanduá-Arte, 2016. Em 2012 recebeu Bolsa de Estímulo à Produção Crítica, Minc/Funarte, com pesquisa publicada sobre a Área Experimental do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro,  Funarte/Figo Editora, 2013, Área Experimental: Lugar, Espaço e Dimensão do Experimental na Arte Brasileira dos Anos 1970. Foi Membro do Conselho Cultural da Galeria IBEU, RJ, 2013-2014, Curadora associada de Artes Visuais do Centro Cultural São Paulo – CCSP, 2010-2012)e editora dos sites ARTINFO Brasil, 2012-2013, e Obraprima.net, 2000-2004. Mestre em História e Crítica de Arte pela EBA/UFRJ, 2006, sua tese de mestrado, “Éramos o time do Rei” – A Experiência Rex, ganhou o Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça, da FUNARTE, em 2006, e em 2009 foi publicada pela Alameda Editorial, SP. Entre as curadorias que vem realizando desde 2009 está a Sala Especial do Grupo Rex na 29a Bienal de São Paulo, 2010.

 

 

De 14 de fevereiro até 25 de março.

 

A Natureza observada

16/fev

Na exposição “O SOPRO DA NATUREZA”, que ocupa o Centro Cultural Correios, Centro, Rio de Janeiro, RJ, os artistas franceses Guillaine Querrien e François Houtin partem do regitro de elementos da natureza e paisagens incorporados às técnicas de gravura, pintura e desenho. Em comum, a nacionalidade e o tema de inspiração para suas criações.

 

Pintora e escritora, Guillaine Querrien vive há trinta anos entre o Brasil e a França, tendo desenvolvido seus trabalhos em contato com a natureza brasileira, combinando a abstração e a figuração a partir de estruturas vegetais orgânicas, a paisagem e a fluidez dos movimentos de rios e marés que ela se apropria em sua pintura a óleo e pastéis.

 

 

A palavra da artista

 

O que busco, nessas pinturas, é capturar intimamente lugares que conheço muito bem, onde já estive incontáveis vezes. Minha relação com essas paisagens continua viva, todavia. Não há tédio algum no meu olhar! Ao contrário… A cada vez enxergo mais coisas, e então persigo as novas visões que surgem das ‘velhas’ paisagens,  afirma Guillaine.

 

François Houtin, gravador e desenhista, apresenta o resultado de obras realizadas durante uma residência artística que durou três semanas no Rio de Janeiro, numa explosão que retrata toda a exuberância da vegetação e luz inspirada no Parque Lage e no Jardim Botânico, além de outras paisagens cariocas.

 

 

A palavra do artista

 

Meu trabalho nessa exposição representa tudo o que eu amo. Uma vegetação que não conhecia antes de vir ao Rio. Tive um grande choque! As belas e sábias árvores da Europa… Enquanto aqui, por toda parte, é a exuberância, o gigantismo, riqueza de cores, de formas! E o formidável corpo a corpo entre natureza e concreto, avalia, empolgado, François.

A exposição conta com o apoio do Instituto Francês e da Aliança Francesa do Rio de Janeiro.

 

De 08 de março a 14 de maio.

Acervo do MASP no Rio

09/fev

Exposição leva acervo do MASP, o maior da América Latina, ao CCBB do Rio de Janeiro, de Belo Horizonte e Brasília; parceria entre as instituições tem patrocínio do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre.

 

Ao longo da História da Arte, a representação da figura humana foi um meio de demonstração de poder do Clero e da aristocracia, da adoração de deuses e santos, da mimetização do real, da transformação da sociedade e da própria arte nos séculos 19 e 20. É esta diversidade de formas de representação que a mostra “ENTRE NÓS – A figura humana no acervo do MASP” apresenta ao público carioca, reunindo mais de 100 obras do maior acervo de arte da América Latina. A exposição tem curadoria de Rodrigo Moura e Luciano Migliaccio, da equipe de curadores do MASP, e traz obras dos maiores nomes da arte mundial como Rafael, Goya, Modigliani, Van Gogh, Picasso, Degas- e da arte brasileira: Almeida Júnior, Anita Malfatti, Portinari, Segall e Brecheret, entre outros tantos. Abrangendo um arco histórico que se inicia entre os anos 900-1200 D.C., com as peças pré-colombianas, e vai até os dias de hoje, estabelecendo um recorte cronológico e um diálogo entre as distintas formas de representação e culturas, a exposição abre com peças do acervo que reúnem as mimetizações do sagrado na arte da Europa Medieval, da África e da América pré-colombiana, compondo um diálogo entre os diferentes eixos da coleção do MASP.

 

Da Europa pré-renascentista, a mostra traz a “Nossa Senhora com o Menino” (1310-20), um dos motivos mais presentes na arte do período, esta atribuída ao Maestro de San Martino alla Palma, e Cristo Morto (1480-1500), de Niccoló di Liberatore dito l’Alunno. O jovem Rafael apresenta seu domínio da perspectiva e dos recursos compositivos e narrativos que o fez se destacar entre os artistas de seu tempo com “Ressurreição de Cristo” (1499-1502). As obras estão em diálogo com a escultura “Sant’Ana e a Virgem criança”, criada no século XVIII por um escultor baiano desconhecido, e esculturas da divindade Yorubá, presente em tribos da região do Congo e da Nigéria.

 

O Renascimento é o momento em que a pintura se volta para a busca da do humano na construção de um caráter exemplar, inserido no contexto histórico. Na mostra, esse novo tempo está representado nas obras de artistas holandeses como “Oficial Sentado”, 1631, de Frans Hals, e “Retrato de um desconhecido”, (1638-40), de Anton Van Dyck, obra inspirada na estética de Tizziano, que traz a representação de um ideal individual de nobreza por meio da figura de um melancólico aristocrata inglês.

 

O pintor e gravador espanhol Francisco Goya y Lucientes está presente com” Retrato da condessa de Casa Flores” (1790-1797) em diálogo com “A educação faz tudo” (1775-1780), do francês Jean-Honoré Fragonard. As obras, em composição com dois dos principais nomes da pintura acadêmica brasileira do século 19,“Interior com menina que lê” (1876-1886), de Henrique Bernardelli, e “O pintor Belmiro de Almeida” (século 19), de José Ferraz de Almeida Junior – evocam o surgimento do Iluminismo europeu e a busca por um ideal civilizatório brasileiro durante o Segundo Reinado.

 

A partir dos séculos 19 e 20, a mimetização do humano é o meio pelo qual se trabalham a sensibilidade da cor e da forma, explorando a experiência plástica, como na “Rosa e azul – As meninas Cahen d´Anvers” (1881), de Pierre-Auguste-Renoir, e “O negro Cipião” (1866-1868), de Paul Cézanne, obra que sintetiza os aspectos da pintura moderna.

 

“Nus” (1919), da pintora francesa Suzanne Valadon, tem como referência a concepção da cor puramente decorativa do pós-impressionismo e de Matisse para expressar o desejo de liberdade e comunhão com a natureza como ideal feminino.

 

Pablo Picasso, com “Busto de homem” -(O atleta), 1909, questiona de maneira provocadora os gêneros e limites da tradição pictórica com a figura de um lutador- provavelmente publicada em jornal. Com o formato de um busto, típico da tradição heroica comemorativa, o caráter do personagem em questão é definido a partir de volumes e texturas, como nas culturas grega e africana, que serviram de influência para todos os movimentos artísticos do início do século 20.

 

Desta época, a mostra traz, ainda, obras emblemáticas de Vincent Van Gogh, “A arlesiana” (1890); Paul Gauguin, “Pobre pescador” (1896); Pierre Bonnard, “Nu feminino” (1930-1933); Amadeo Modigliani, com “Retrato de Leopold Zborowski” (1916-1919), e uma série de esculturas de Edgar Degas que mostram a evolução dos movimentos de uma bailarina –“Bailarina que calça sapatilha direita” (1919-1932), “Bailarina descansando com as mãos nos quadris e a perna direita para a frente” (1919-1932) e o feminino, como em “Mulher grávida” (1919-1932) e “Mulher saindo da banheira” (fragmento), 1919-1932.

 

O Modernismo é o momento da instituição de uma nova identidade nacional, por meio do abandono do academicismo que marcou a arte brasileira no período do Império e da Primeira República até 1922, da exploração de novas temáticas, que buscam a composição do caráter nacional, e de técnicas artísticas.

 

Nas obras de Carlos Prado, “Varredores de rua” (Os garis), 1935, Roberto Burle Marx, “Fuzileiro naval” (1938) e “Vendedora de flores” (1947), obra doada ao museu durante a SP-Arte/2015, estão narradas à realidade do povo diante das injustiças do país, assim como Candido Portinari, com “São Francisco” (1941) e Maria Auxiliadora da Silva, com “Capoeira” (1970), que narram traços da cultura popular brasileira.Nomes referenciais do movimento trazem retratos de figuras importantes do mesmo. É o caso do “Retrato de Tarsila”, de Anita Malfatti, e o “Retrato de Assis Chateaubriand”, criador do MASP, por Flávio de Carvalho.

 

As marcas dos intensos conflitos sociais e políticos do início do século 20 estão nas obras do pintor e muralista mexicano Diego Rivera, “O carregador” (Las Ilusiones), 1944, e “Guerra” (1942), de Lasar Segall, imigrante judeu da Lituânia que se muda para o Brasil no início do século 20. Como é o caso também do pintor ítalo-alemão Ernesto de Fiori, que deixa a Alemanha fugindo da repressão nazista e se torna um nome influente do modernismo brasileiro dos anos 1930 e 1940. Do artista, a mostra apresenta a obra “Duas amigas” (1943).Um dos artistas mais importantes do modernismo brasileiro, o escultor de origem italiana Victor Brecheret, criador do “Monumento às Bandeiras”, marco das celebrações do quarto centenário da cidade de São Paulo, está representado por seu “Autorretrato” (1940).

 

A criação de um acervo fotográfico também tem sido uma constante na história do museu, que as sistematizou, entre 1991 e 2012, por meio das doações da coleção Pirelli MASP, com trabalhos de fotógrafos brasileiros ou que possuam ligações com o Brasil. É o caso da fotógrafa de origem suíça Claudia Andujar, cuja série “Yanomami” (1974), feita a partir de longos períodos de imersão nesta cultura indígena, dialoga na mostra com a fotografia de João Musa, Barbara Wagner, Miguel Rio Branco e Luiz Braga.Movimento fundamental para a elevação da fotografia à categoria de arte, o Foto Cine Clube Bandeirante, fundado em 1939, fomentou e divulgou a obra de autores como Geraldo de Barros, “Menina do leite” (1946), e Antonio Ferreira Filho, “Naquele tempo…” (sem data).

 

Os desenhos de Albino Braz, parte do núcleo de 102 obras doadas ao MASP em 1974 pelo psiquiatra Osório César, foram realizados por pacientes do Hospital Psiquiátrico do Juquery, no contexto da Escola Livre de Artes Plásticas. Outrora consideradas “arte dos alienados”, essas obras foram reclassificadas e, enquanto arte brasileira, receberam sua primeira exposição no Museu em “Histórias da Loucura: Desenhos do Juquery”.

 

Artistas contemporâneas também integram a mostra, reforçando o caráter do museu em estar aberto a novas mídias, suportes e linguagens da arte. Uma sala apresenta o vídeo “Nada É” (2014), do artista Yuri Firmeza. Pertencente à série “Ruínas”, o vídeo mostra diferentes momentos da história da cidade de Alcântara, no Maranhão, e a documentação da “Festa do Divino”. Trabalho (2013-16), de Thiago Honório, é uma instalação que se apropria de ferramentas recebidas como presente de operários durante a reforma de um espaço no qual o artista participava de uma residência artística, transformando-as em esculturas que metaforizam o corpo dos trabalhadores.A mostra se encerra com a instalação de Nelson Leirner, “Adoração” (Altar para Roberto Carlos), 1966, que remete a uma nova forma de sagrado nos dias de hoje.

 

 

 

De 08 de fevereiro a 10 de abril.

 

Cores de Robert Capa

08/fev

A exposição “Capa em Cores”, cartaz do Oi Futuro, Praia do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ, apresenta uma faceta menos conhecida do fotógrafo Robert Capa, mas tão fascinante quanto, exibindo uma retrospectiva inédita das imagens coloridas do famoso profissional. Robert Capa foi um dos mais célebres fotojornalistas do século XX. Iniciou sua carreira em 1938, cobrindo na China a guerra contra o Japão. Morreu em 1954 cobrindo a Guerra do Vietnã, ao ser fatalmente atingido.

 

O acervo de cerca de 140 fotografias, feitas com filmes Kodachrome e Ektachrome, inclui retratos de grandes nomes do cinema, da moda e da arte como Picasso, Ava Gardner, Capucine, Humphrey Bogart, Hemingway, Ingrid Bergman e Roberto Rossellini. Ícone da fotografia mundial, o húngaro Robert Capa ganhou fama com seus registros de guerra em preto em branco. A exposição “Capa em Cores”, exibe trabalhos menos divulgados fotógrafo. A partir de 1941, Capa usou regularmente filme colorido, mas ao longo dos anos seu trabalho em cores foi praticamente esquecido. Com curadoria de Cynthia Young, a mostra inclui publicações contextuais e documentos pessoais.

 

Além das imagens, a mostra apresenta objetos e registros pessoais como cartas, revistas que publicaram as suas fotos e até o áudio de uma entrevista – a única gravação existente da voz dele. Entre as cartas, várias correspondências com a equipe da agência Magnum sobre as suas coberturas fotográficas; com o irmão, que o ajudava a vender as fotos, e, em especial, uma carta para a mãe contando sobre a vida em Londres, que revela o lado bem-humorado e divertido do fotógrafo.

 

“Capa em Cores” foi organizado pelo International Center of Photography se tornou possível graças ao Comitê de Exposições do ICP e graças ao Departamento de Assuntos Culturais da Cidade de Nova Iorque em parceria com sua Câmara Municipal. Inaugurada em janeiro de 2014, em NY, a exposição já foi exibida em Budapeste, Tours, Lille e Madrid, chegando agora ao Rio de Janeiro.

 

 
Até 09 de abril.

Fotos na Marcelo Guarnieri/Rio

03/fev

A Galeria Marcelo Guarnieri, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, inaugura, no dia 9 de fevereiro, a exposição “Série Azul – Caretas de Maragojipe”, com trinta fotografias sobre o Carnaval feitas por João Farkas, – pesquisador da cultura popular – em Maragojipe, pequena cidade no recôncavo baiano. As obras do artista integram importantes coleções no Brasil e no exterior em instituições como a Maison Européenne de la Photographie, na França; International Center of Photography (ICP), nos EUA; Museu de Arte de São Paulo, MASP;  Museu de Arte do Rio, MAR; Museu de Arte Moderna da Bahia, MAM-BA, e Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto.

 

Esta pesquisa para a série fotográfica desta exposição começou há três anos, quando João Farkas conheceu a tradicional festa de carnaval de Maragojipe, que recebeu o título de Patrimônio Imaterial do Estado, por manter, até hoje, a tradição centenária dos “caretas”, pessoas que se fantasiam com roupas coloridas e máscaras de pano que cobrem todo o rosto, com duas grandes orelhas pontudas para o alto. “Essa era a forma das pessoas curtirem o carnaval incógnitas. Esta maneira de brincar o carnaval acontecia em toda a Bahia, há registros em Salvador, mas com o tempo a tradição foi se perdendo e só se manteve nessa pequena cidade do recôncavo baiano”, conta João Farkas, que em seu trabalho pesquisa a cultura popular, já tendo lançado livros sobre a cidade de Trancoso e sobre a Ocupação da Amazônia.

 

João Farkas ressalta que as fotografias que serão apresentadas na exposição “registram o carnaval popular em toda exuberância criativa, que é própria do brasileiro em geral e dos baianos especialmente”. Nas fotos, os “caretas” aparecem em um fundo azul, que foi descoberto pelo fotógrafo na cidade. O muro, de um azul intenso, virou uma espécie de estúdo fotógrafico, onde ele registrou os “caretas” que passavam durante o carnaval. Por isso, a série foi intitulada “Caretas de Maragojipe – Série Azul”. As fotos, que medem 60 cm X 40 cm cada, são impressões digitais de altíssima qualidade em jato de tinta, sobre alumínio, garantindo sua permanência e conservação.

 

Durante três anos, o fotógrafo frequentou e registrou o carnaval de Maragojipe, até chegar nas fotos que serão apresentadas na exposição. “No inicio registrei toda riqueza e variedade da festa em Maragojipe, mas aos poucos fui percebendo e focando nos ‘caretas’ e, finalmente, no grande insight percebi tratar-se de retratos mascarados, com suas expressões e personalidades, num jogo fascinante de simultaneamente esconder e revelar”, diz.

 

Com um aspecto visual riquíssimo, o que chama a atenção de João Farkas é que “essa tradição é o reconhecimento de que criatividade e arte não são privilégio dos ‘artistas’ mas são características universais latentes em todos os seres humanos”. De acordo com o curador Diógenes Moura: “este trabalho mostra uma tradição popular registrada anteriormente por fotógrafos como Pierre Verger e Marcel Gotherot, mas agora resignificada pelas informações culturais contemporâneas sem perder suas raízes”. O também curador Paulo Herkenhoff considera que “esta Série Azul sintetiza a expressão da cor do século XXI”.

 

 

 

Sobre o artista

 

João Farkas nasceu em São Paulo, em 1955, e vive e trabalha entre São Paulo e Salvador. Formou-se em Filosofia pela Universidade de São Paulo e continuou sua formação como fotógrafo em Nova York, no International Center of Photography e na School of Visual Arts. Seu trabalho-documento “Retratos da Ocupação da Amazônia” recebeu a bolsa Vitae e o Prêmio Aberje, em 1988. Seu trabalho “De Trancoso ao Espelho da Maravilha” que retrata a vida naquele vilarejo bahiano antes da invasão turística, foi objeto de publicação em 3 livros: “Museu Aberto do Descobrimento” e Nativos e Biribandos” e “Trancoso”, publicado pela Editora Cobogó, em 2016. Publicou, ainda, o livro “Amazônia Ocupada” (2015) coeditado e apresentado por Paulo Herkenhoff. Dentre suas exposições mais recentes estão: “A cor do Brasil” (2016), no Museu de Arte do Rio (MAR); “Amazônia”, na Galeria Marcelo Guarnieri, São Paulo, e no Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto, ambas em 2015; “Amazônia ocupada”, no SESC Bom Retiro, em São Paulo, também em 2015; “Histórias Mestiças” (2014), no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo; “Órbita” (2014), na Galeria Marcelo Guarnieri, em Ribeirão Preto, entre outras. Em 2015 o fotógrafo doou a sua documentação sobre a Vila de Trancoso onde foi instalado um Memorial do Povo, da Paisagems e da Cultura de Trancoso.

 

 

 

Até 11 de março.

Na Oi Futuro/Ipanema

02/fev

A ideia central desse trabalho é que você passe por uma desconstrução, você não será tocado, a não ser que você queira. Você só vai fazer o que você quiser, mas vale a pena aproveitar tudo que for sugerido”.

 

Essas são algumas das frases distribuídas nas paredes, que o visitante encontrará, antes de percorrer as galerias do Oi Futuro, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ. Nesta exibição, Maria Lynch – em “Máquina Devir” -, uma das artistas mais criativas da atualidade, com obras no Brasil e no exterior, promete surpresas nesta exposição interativa: em cada sala, só poderão entrar dois espectadores ao mesmo tempo; eles não devem se conhecer e o tempo limite de permanência é 3 minutos.

 

Marco comemorativo dos quinze anos de carreira de Maria, a mostra aborda o retorno à infância e a desconstrução do pensamento hegemônico, além de evidenciar sua opção crescente pela performance e a imersão. Aventurando-se a princípio na pintura, a artista foi aos poucos trazendo suas formas amorfas das telas para o espaço físico. “Comecei a investigar um lugar tridimensional dessas formas”, ela conta em uma entrevista ao PIPA 2010, ao qual foi indicada. De lá para cá, Maria já apresentou performances no Paço Imperial e no MAM-Rio, além de ter vencido diversos prêmios. Uma das obras apresentadas no Oi Futuro é, aliás, oriunda de uma outra exposição internacional, dessa vez em Los Angeles, nos Estados Unidos. Com trilha sonora de Rodrigo Amarante, a instalação com bolas que ocupa a vitrine do térreo do espaço foi apresentada na galeria Wilding Cran no ano passado.

 

Para Maria, o objetivo de “Máquina Devir” é criar um espaço de instabilidade. “Procuro evidenciar que somos passíveis de criar uma nova maneira de pensar e sentir, resistindo aos valores consolidados e estabelecidos”, explica. Uma ideia que, apesar do aparente aspecto lúdico da mostra, ganha sustentação no pensamento de filósofos de renome: “Como diria Spinoza, ‘o homem só é livre somente quando entra na posse da sua potência de agir’”, conclui.

 

 

 

Até 19 de março

Palatnik no CCBB/Rio

31/jan


O CCBB, Centro, Rio de Janeiro, RJ, exibe a retrospectiva itinerante do mestre internacional da arte cinética Abraham Palatnik, com curadoria assinada por Pieter Tjabbes e Felipe Scovino. “A Reinvenção da Pintura” apresenta 92 obras produzidas entre os anos de1940 e 2000. A exposição composta por pinturas, desenhos, esculturas, móveis, objetos e estudos do artista brasileiro conhecido por obras que combinam luz e movimento e, em muitos casos, utilizam instalações elétricas.“A obra de Palatnik caracteriza-se por uma qualidade inegável: permite não só observar as passagens do moderno ao contemporâneo, mas também estudar e reconhecer uma das

 

primeiras associações entre arte e tecnologia no mundo, um diálogo cada vez mais presente a partir da metade do século XX. Esta exposição ultrapassa os limites da pintura e da escultura modernas, intenção que o artista manifestou claramente nos Aparelhos cinecromáticos, nos Objetos cinéticos e em suas pinturas, quando passou a promover experiências que implicam uma nova consciência do corpo”, pontuam os curadores no texto de apresentação da exposição.

 

Segundo os curadores, a singular contribuição de Palatnik para a história da arte não se dá apenas por sua posição como um dos precursores da chamada arte cinética- caracterizada pelo uso da energia, presente em motores e luzes-, mas também pela leitura particular que faz da pintura e em especial pela articulação que promove entre invenção e experimentação:“Seu lado ‘inventor’ está presente em uma artesania muito particular que o deixa cercado em seu ateliê por porcas, parafusos e ferramentas construídas por ele mesmo e não pelas tintas,imagem característica de um pintor. O crítico de arte Mário Pedrosa e o escritor Rubem Braga já afirmavam, na década de 1950, que Palatnik pintava com a luz”.

 

“Palatnik dinamizou a arte concreta expandindo-a para além de seu campo usual e integrou-aà vida cotidiana por intermédio do design. Ao longo de sua trajetória, o artista produziu cadeiras, poltronas, ferramentas, jogos e sofás, entre outros objetos. Sua obra habita o mundo de distintas maneiras, apontando para uma formação incessante de novas paisagens e leituras à medida que diminui, desacelera e molda o tempo. Nesta exposição reunimos todos esses momentos da obra extraordinária de Abraham Palatnik. Uma obra que oferece ao público experiências marcantes e solicita, em troca, uma entrega total”, afirmam os curadores.

 

 

A palavra da curadoria

 
A obra de Abraham Palatnik (1928) caracteriza-se por uma qualidade inegável: permite não só observar as passagens do moderno ao contemporâneo, mas também estudar e reconhecer uma das primeiras associações entre arte e tecnologia no mundo, um diálogo cada vez mais presente a partir da metade do século XX. Esta exposição ultrapassa os limites da pintura e da escultura modernas, intenção que o artista manifestou claramente nos Aparelhos Cinecromáticos, nos Objetos Cinéticos e em suas pinturas.A retrospectiva“Abraham Palatnik- A Reinvenção da Pintura” começa pelas obras nas quais se vê a técnica acadêmica com a qual ele romperia no final da década de 1940 para dedicar-se à arte cinética, caracterizada pelo uso da energia, presente em motores e luzes, com as séries Aparelhos Cinecromáticos e Objetos Cinéticos.

 

Essa mudança de rumos na produção de Palatnik ocorreu em um momento decisivo para a arte nacional. Nascia a Bienal de São Paulo, um dos marcos na entrada do país no circuito da arte internacional. Palatnik participou da Bienal de 1951 com um Aparelho Cinecromático, uma invenção- tão artesanal quanto engenhosa – de uma pintura feita de luz e movimento.Se os Aparelhos Cinecromáticos criaram uma nova forma de pintar, os Objetos Cinéticos podem ser vistos como uma renovação na forma de ocupar o espaço. No lugar dos volumes da escultura, esses aparelhos lúdicos, coloridos e quase sempre motorizados ocupam o espaço com movimento, aproximando a pesquisa de Palatnik das proposições de Alexander Calder e Soto. Palatnik foi um dos precursores da arte cinética e da arte concreta. Mas também dinamizou a arte concreta, expandindo-a para além de seu campo usual, e integrou-a à vida cotidiana por intermédio do design. O experimentalismo e a organicidade sobrevoam a sua trajetória – em particular na série de obras que utilizam a madeira como suporte e meio,aproveitando os desenhos naturais dos veios dos troncos de jacarandá.

 

Na década de 1980, o artista inicia outra pesquisa com cor: a criação de telas com cordas coladas para dar volume, e novamente a exploração das cores com a tinta. Na série W, o artista estuda os jogos óticos resultantes do corte (que hoje realiza com laser) e subsequente reagrupamento de tiras de madeira pintada, técnica que teve origem na série Relevos Progressivos (feitos com papel cartão) iniciada na década de 1960. Palatnik movimenta as varetas do ‘quadro fatiado’ no sentido vertical, ‘desenhando’ o futuro trabalho, construindo um ritmo progressivo da forma, conjugando expansão e dinâmica visual e “explorando o potencial expressivo de cada material”. A produção de Palatnik, apresentada nesta retrospectiva em todas as suas facetas, intriga e encanta: suas obras vão construindo uma narrativa visual marcante e profundamente elaborada sobre os horizontes alargados por ele.

 

 

Até 24 de abril.

Lugares do delírio

Num momento de desafios cotidianos ao que outrora pode ter parecido uma ideia inquestionável de racionalidade – como nos episódios recentes de intolerância que têm produzido violências inadmissíveis em escala local e global -, o MAR, Museu de Arte do Rio, Centro, Praça Mauá, Rio de Janeiro, RJ, inaugura em 07 de fevereiro, seu programa de exposições de 2017, com uma mostra dedicada ao delírio, força criadora que concerne a todos em sua capacidade política de reposicionar a razão. Se o século XXI tem nos impelido a rever o senso (em especial, o “bom senso” e o “senso comum”), não poderíamos fazê-lo sem reconsiderar também o “dissenso” e o nonsense, aquilo que hipoteticamente não possuiria laços de sentido. A partir dessas indagações, “Lugares do delírio” foi idealizada há mais de dois anos por seu primeiro diretor cultural, Paulo Herkenhoff. A seu convite, a curadora Tania Rivera propôs uma delicada trama de experiências, obras e projetos que dão a ver formas de resistência e de agenciamento de forças inconformes a modelos de racionalidade.
“Lugares do delírio” reúne trabalhos e práticas significativas em torno do delírio e da dimensão produtiva da loucura. Apresenta uma trama de experiências e artistas que atuaram no território da saúde mental no Brasil, especialmente a partir dos anos 1940, com o trabalho da dra. Nise da Silveira no Centro Psiquiátrico Pedro I. Curadoria de Tânia Rivera.

 

Local: 2º andar do Pavilhão de Exposições

 

No dia da abertura, 07 de fevereiro, às 16h, haverá Conversa de Galeria e performance “In Atto”, de Anna Maria Maiolino. Parte da programação da exposição “Lugares do delírio – Programa arte e sociedade no Brasil III”, a performance liga e se desenvolve entre as duas personagens: uma jovem, outra anciã e com o público circunstante. A obra se reveste de alguns aspectos de rituais e proporciona a afirmação da vida sobre a morte.
“In ATTO”: é uma obra, uma linguagem que expressa afecções. A performance liga e se desenvolve entre as duas personagens: uma jovem, outra anciã e com o público circunstante. A obra se reveste de alguns aspectos de rituais e proporciona a afirmação da vida sobre a morte. Sandra realiza uma paisagem sonora e corporal composta de vocalizações, cantos e fala. Temos voz e um corpo que se movem com grande dose de improvisação. Anna, a mulher anciã está por perto, atenta e solicita. Ela metaforicamente e simbolicamente é mestre e serva da jovem para a volta à vida.
A performance in ATTO foi apresentada primeiramente na galeria Raffaella Cortese na exposição individual da artista: CIOè em Milão, em abril de 2015. A seguir foi realizado um vídeo-documento da mesma.
Local: Térreo do Pavilhão de Exposições do MAR.

Novíssima Pintura Brasileira

30/jan

A exposição “A luz que vela o corpo é a mesma que revela a tela” apresenta trabalhos da geração de artistas pós-internet. A CAIXA Cultural, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta inaugurou a exposição “A luz que vela o corpo é a mesma que revela a tela”, que apresenta 100 obras da produção recente de 36 pintores contemporâneos brasileiros. Sob curadoria de Bruno Miguel, a mostra é um recorte heterogêneo que mescla artistas já consolidados com outros menos recorrentes nas grandes exposições e busca revelar como a pintura é contaminada pelo pensamento de seu tempo e como prossegue viva comentando as questões do mundo atual. O projeto tem patrocínio da Caixa Econômica Federal e Governo Federal.

 

A mostra é dividida em nove temas – “O individuo social”; “Narrativas outras”; “Em ruínas; Corpo Fim”; “O Belo e não”; “Imagem-margem-poesia”; “Habitat; Deus ex”; e “Transbordamentos” -, que estabelecem relações subjetivas entre pintores surgidos a partir do fim dos anos 1990. “O fato de terem suas pesquisas desenvolvidas e afirmadas após o surgimento da internet não é um dado conceitual e sim um recorte curatorial para investigar um momento específico da história da pintura brasileira, da arte e do mundo”, explica o curador. Em cada tema, as questões são apresentadas a partir de contrastes e oposições, e o ritmo da exposição se desenha em processos híbridos de criação.

 

Em “A luz que vela o corpo é a mesma que revela a tela”, além do curador Bruno Miguel, que também participa da mostra como expositor, foram convidados a exibir o resultado de suas investigações e experimentações no campo da pintura contemporânea os artistas Alan Fontes, Alexandre Mury, Alvaro Seixas, Ana Elisa Egreja, Ana Prata, Bruno Belo, Bruno Dunley, Bruno Vilela, Caio Pacela, Camila Soato, Dalton Paula, Eder Oliveira, Fabio Magalhães, Gabriel Secchin, Gisele Camargo, Gustavo Speridião, Julia Debasse, Makh Hanamakh, Marcelo Amorim, Marcone Moreira, Mariana Leico, Mariana Palma, Marina Rheinghantz, Paloma Ariston, Paulo Almeida, Paulo Nimer Pjota, Pedro Varela, Rafael Alonso, Rafael Carneiro, Rodrigo Martins, Rodrigo Torres, Sidney Amaral, Thiago Martins de Melo, Victor Mattina e Vitor Mizael.

 

A mostra é uma produção de ADUPLA, formada por Anderson Eleotério e Izabel Ferreira, responsável por importantes publicações e exposições itinerantes pelo Brasil, como Athos Bulcão, Milton Dacosta, Carlos Scliar, Henri Matisse e Bandeira de Mello, entre outros.

 

 

 

Até 12 de março.