Retratos de Assis Horta

24/mar

O Espaço Cultural BNDES, Centro, Rio de Janeiro, RJ, abriu ao público a exposição “Assis Horta: Retratos”, com mais de 200 fotografias em preto e branco em diversos formatos, do fotógrafo mineiro Assis Alves Horta, que se tornou uma referência ao registrar os primeiros retratos de operários legalmente registrados no Brasil, pela recém-criada carteira de trabalho, em 1943.

 

Assis Horta tem 99 anos e possui um acervo que contempla também cenas do patrimônio histórico nacional. A curadoria é do pesquisador Guilherme Rebello Horta, que revelou a raridade e importância deste acervo fotográfico em uma série de exposições já apresentadas em Ouro Preto, Diamantina, Tiradentes e Belo Horizonte, e em Brasília. A exposição, que chega agora ao Rio de Janeiro, é o desdobramento do projeto vencedor do XII Prêmio Marc Ferrez de Fotografia da FUNARTE – “Assis Horta: A Democratização do Retrato Fotográfico através da CLT”.

 

Guilherme Horta, que apesar do sobrenome, não é parente de Assis Horta, conta que a partir de 1° de maio de 1943, com a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), milhares de trabalhadores precisaram tirar seus retratos para a carteira profissional – talvez em seu primeiro contato com uma câmera fotográfica. “A fotografia, que até então se destinava a retratar a sociedade burguesa, começou a ser descoberta pela classe operária. O retrato entrou na vida do trabalhador: realizou sonhos, dignificou, atenuou a saudade, eternizou esse ser humano, mostrou sua face”, destaca o curador. Assis Horta manteve estúdio fotográfico em Diamantina entre as décadas de 1940 e 1970, registrando em chapas de vidro praticamente toda a sociedade diamantinense da época. Seu acervo fotográfico de retratos da classe operária brasileira representa um corte nessa nova possibilidade da fotografia no Brasil e é o objeto dessa exposição, que decifra a gênese do trabalhador brasileiro legalmente registrado.

 

Para que o público conheça a potência da obra de Assis Horta, a exposição conterá três módulos. O primeiro módulo é representado pelo Decreto Lei que instituiu o uso da Carteira de Trabalho (CTPS), e os primeiros retratos 3×4 com data. As fotografias são impressas em papel fine art, e montadas em molduras de madeira sem vidro. Em seguida, o visitante encontrará um confronto entre a fotografia de identidade civil e o retrato como gênero artístico. Por fim, na terceira parte, serão apresentadas imagens do trabalhador no estúdio fotográfico. Sozinho, com os amigos ou com a família, o operário brasileiro, que já havia ganhado sua identidade de cidadão, adquiriu sua dignidade e imortalidade por meio do retrato fotográfico.

 

A mostra terá uma parte interativa: uma reprodução do antigo estúdio fotográfico “Foto Assis” permitirá ao visitante interagir com a exposição, fazendo suas próprias imagens (ou selfies) nos mesmos moldes das antigas, revivendo todo o cenário e o clima das fotografias de Assis Horta. Ao lado, vitrines com materiais do estúdio original: filmes, câmera e materiais de laboratório vão mostrar o processo de trabalho de Assis Horta. Por fim, haverá uma fotografia em grande formato, mostrando em 360 graus a cidade mineira de Diamantina, onde ficava o estúdio do fotógrafo.

 

 

Até 05 de maio.

Arte contemporânea angolana

A Caixa Cultural Rio de Janeiro, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta, na Galeria 3, a exposição “Daqui pra frente – Arte contemporânea em Angola”, com obras de três artistas da novíssima geração do país: Délio Jasse, Mónica de Miranda e Yonamine. Com a curadoria de Michelle Sales, a mostra exibe fotografias, vídeos e instalações, fazendo um mapeamento da fronteira estética entre a Angola de hoje e as imagens submersas e muitas vezes escondidas de um passado colonial recente. O projeto tem patrocínio da Caixa Econômica Federal e Governo Federal.

 

“A representação da fronteira, excessivamente recorrente no pensamento atual, discute as trocas culturais que ocorrem na situação de pós-independência que muitas das ex-colônias vivem hoje. “Na maioria das vezes, tais territórios são encarados como esquecidos, vigiados e vazios”, comenta a curadora Michelle Sales.

 

É justamente essa perspectiva que o trabalho dos artistas busca problematizar e questionar sob diferentes óticas. As obras de DélioJasse, por exemplo, consistem, num embate direto de referências que fazem alusão à crise de todo o modelo colonial e seus desdobramentos contemporâneos: guerra, exílio, perdas. Através do retrato de rostos escavados numa antiga feira de antiguidades de Lisboa, Délio nos coloca frente a frente com aquilo que mais as práticas coloniais se ocuparam de apagar: as identidades.

 

Já Mónica de Miranda mostra os pedaços de uma memória coletiva que resiste no tempo. Angolana da diáspora, seu trabalho atravessa diversas fronteiras e esboça uma paisagem de identidades plurais inspiradas pela própria existência e vivência de uma artista itinerante. Sua poética autoral e autorreferencial, inerente a uma geração que cresceu longe de casa, já lhe rendeu diversos prêmios internacionais.

 

E o trabalho de Yonamine remete à arte urbana, usando referências que vêm do grafite, da serigrafia e da pintura, num embate violento com o acúmulo cultural do caótico cenário político-econômico de Angola. A alusão ao tempo presente é recorrente na utilização de jornais como suporte. São muitas camadas históricas que se somam, produzindo imagens profundamente perturbadoras e desestabilizadoras. O artista fala de um país cujo passado foi sistematicamente apagado, seja pela Guerra Civil, pela ocupação russa, cubana e agora chinesa e coreana.

 

 

Até 14 de maio.

 

7ª edição da ArtRio

A ArtRio 2017, que acontece entre os dias 13 e 17 de setembro, tem novo endereço este ano: a Marina da Glória. O espaço, totalmente renovado e com vista para icônicos cartões postais da cidade – a Baía de Guanabara e o Pão de Açúcar – irá receber pela primeira vez as mais importantes galerias brasileiras e internacionais.

 

“A ArtRio chega a sua 7ª edição com uma proposta madura, consistente e baseada na alta qualidade do trabalho que vem realizando. A decisão de levar o evento para a Marina da Glória tem como base a criação de um novo espaço para a feira, mais amplo e integrado, com novas possibilidades de ações e projetos. Nosso foco principal com a ArtRio continua sendo estimular o mercado de arte no Brasil e atuar para que o mesmo seja sério, reconhecido globalmente e baseado em princípios éticos de respeito à arte”, indica Brenda Valansi, presidente da ArtRio.

 

 

A Marina da Glória 

 

A Marina da Glória é administrada pela BR Marinas, que investiu R$70 milhões na revitalização da área. Na parte náutica, toda a estrutura foi renovada com modernos equipamentos nos melhores padrões internacionais e ampliada, triplicando o número de vagas para barcos. Entre outras novidades estão mais espaços para eventos e um parque público projetado pelo escritório Burle Marx, responsável pelo projeto original do Parque do Flamengo, o que garante a total integração com o entorno.

 

Em novembro, o local recebeu a exposição “Monumental – Arte na Marina da Glória”, com trabalhos de grandes proporções de 20 artistas, entre eles Antonio Bokel, Almandrade, Almicar de Castro, Artur Lescher, Caligrapixo, Delson Uchoa, Franz Weissmann, Galeno e Ursula Tautz.  A exposição deu início a uma ocupação das artes plásticas no local, um dos compromissos da administração com os cariocas.

 

“Com a revitalização da Marina da Glória consolidamos seu potencial náutico e turístico, além de termos uma área diferenciada e aberta a diversas intervenções. Queremos transformar o espaço em referência para as artes e a chega da ArtRio nós dá essa chancela. Estamos muito orgulhosos com essa parceria”, disse Gabriela Lobato, presidente do Grupo BR Marinas.

 

 

Inscrições para a ArtRio 2017

 

As inscrições para a 7ª edição da ArtRio, começaram no dia 06 de março.

 

Os formulários de inscrição serão avaliados pelo Comitê de Seleção da ArtRio, que analisa diversos pontos como relevância em seu mercado de atuação, artistas que representa – com exclusividade ou não -, número de exposições realizadas ao ano e participação em eventos e/ou feiras.

 

O Comitê 2017 é formado pelos galeristas Alexandre Gabriel (Galeria Fortes Vilaça / SP); Anita Schwartz (Anita Schwartz Galeria de Arte / RJ); Elsa Ravazzolo (A Gentil Carioca / RJ); Eduardo Brandão (Galeria Vermelho / SP) e Max Perlingeiro (Pinakotheke Cultural / RJ).

 

 

A feira internacional

 

Chegando a sua 7ª edição, a ArtRio tem entre suas metas ser um dos principais eventos de negócios no segmento da arte, além de estimular o crescimento de um novo público através do acesso à cultura. A feira apresenta as galerias em dois programas: PANORAMA, com galerias nacionais e estrangeiras com atuação estabelecida no mercado de arte moderna e contemporânea, e VISTA, dedicado às galerias jovens, com projetos de curadoria experimental.

 

Reconhecida como um dos mais importantes eventos do segmento, a ArtRio faz parte do calendário oficial de eventos da cidade do Rio de Janeiro.

 

Além da presença dos nomes de forte relevância no mercado brasileiro e internacional, a ArtRio tem foco também em apresentar as galerias novas, com artistas jovens, que já estão sendo reconhecidas como grandes apostas para o mercado de arte.

 

A ArtRio é uma grande plataforma de arte, com atividades e projetos que acontecem ao longo de todo o ano para a difusão do conceito de arte no país, solidificar o mercado e estimular o crescimento de um novo público. Entre os focos das ações está o incentivo à visitação de museus, exposições e galerias e o auxílio no resgate da memória da arte com base na valorização dos artistas, galeristas e curadores brasileiros.

 

Desde a edição da feira de 2013, a ArtRio realiza uma parceria com o Museu de Arte do Rio – MAR, estimulando os visitantes do evento a doarem obras expostas – previamente selecionadas e identificadas nas galerias pelos diretores da instituição, para a difusão da prática da doação de obras para museus e coleções públicas no Brasil.

 

A ArtRio é realizada pela BEX Produções e tem patrocínio máster do Bradesco, através da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.

   

 

PLATAFORMA ARTRIO

 

A ArtRio tem suas bases em três grandes pilares: Conexões, Conteúdo Artístico e Feira Internacional.

 

 Conexões

Ligações e parcerias da ArtRio com outras marcas ou instituições.

 

 

  • ArtRio CARIOCA

 

Evento teve sua primeira edição em 2016 com a participação exclusiva de galerias com atuação no Rio de Janeiro.

 

 

  • Prêmio FOCO Bradesco/ArtRio

 

Em 2017 acontece a 5ª edição do Prêmio FOCO Bradesco ArtRio, que tem como objetivo fomentar e difundir a produção de artistas visuais emergentes, com até 15 anos de carreira. São selecionados três artistas brasileiros, que têm a oportunidade de participar de residência e exposição em três importantes instituições do cenário atual e também expor na feira internacional.

 

A seleção dos vencedores é feita por um Comitê Curatorial independente com direção do curador do Prêmio, Bernardo Mosqueira.

 

 

  • CIGA – Circuito Integrado de Galerias de Arte

 

A 4ª edição do CIGA está prevista para acontecer no primeiro semestre do ano. Durante o CIGA, as galerias de arte têm programação especial como abertura de exposições, visitas guiadas, finissages e performances, entre outras atividades.

 

O CIGA tem entre seus objetivos estimular a visitação às galerias de arte, além dos museus e centros culturais.

 

 

  • ArtRio Social

 

Agenda de atividades que levam cultura, informação e arte para organizações não-governamentais e escolas da rede municipal de ensino. Entre as ações estão visitas guiadas a exposições em centro culturais e museus, organização de palestras e doação de materiais para serem reutilizados por artesãos da ONGs.

 

 

  • Intervenções Bradesco/ArtRio

 

Exposição realizada nos mesmos dias da feira, leva obras de larga escala para espaços públicos. Em 2016, foi realizada nos jardins do Museu da República com obras de importantes artistas como Ernesto Neto, Barrão e Raul Mourão.

 

 

Conteúdo

Informação e entretenimento, com foco na divulgação de conteúdo artístico:

 

  • Portal ArtRio 

 

Com atualização permanente durante o ano, é uma grande central de notícias sobre o universo das artes, com informações sobre o que acontece no Rio de Janeiro e no mundo. Dessa forma, a marca ArtRio traz a arte para uma pauta mais abrangente, estimula a divulgação artística e dos conceitos da arte, enquanto fornece as bases para a formação de um novo público.

 

O portal traz a agenda dos eventos, exposições e mostras realizadas na cidade e tem parceria com os museus egalerias para constante divulgação de suas atividades.

 

 

  • Pílulas de Arte

 

Série de programas, com até três minutos de duração cada, realizados em parceria com o Canal CURTA! com depoimentos de artistas brasileiros contemporâneos sobre seus processos criativos e obras, além de entrevistas com curadores, críticos e galeristas.

 

 

  • Circuitos Artísticos

 

Criação de circuitos de arte na cidade do Rio de Janeiro, com a indicação, dentro de uma linha de visitação e história, de roteiros de arte (pública, imaterial, urbana, arquitetônica etc) que estão em locais de visitação pública (ruas, museus, galerias, paisagens).

 

 

  • Web Rádio

 

Disponível 24 horas por dia com música de qualidade, entrevistas e notícias sobre o cenário de artes visuais. Em sua programação está o primeiro programa nacional totalmente dedicado à Arte Sonora. A rádio conta também com mixtapes assinadas por convidados.

Acervo textual, fotográfico e visual 

23/mar

A CAIXA Cultural Rio de Janeiro apresenta, na Galeria 4, a exposição “À mercê do impossível – Ana Cristina Cesar”, que reúne a obra da poeta carioca tida como uma das principais artistas da geração de poetas que marcou os anos 1970 no Brasil. Serão apresentados escritos, fotografias e vídeos do acervo pessoal de Ana Cristina, visando não só homenagear sua trajetória, mas promover questionamentos e reflexões acerca de sua obra. O projeto tem patrocínio da Caixa Econômica Federal e Governo Federal.

 

A mostra é a primeira no Brasil totalmente dedicada à vida e à obra de Ana Cristina, que completaria 65 anos em 2017. Dividida em quatro diferentes núcleos – textual; fotográfico e videográfico; sonoro e kids – a montagem do espaço se destaca pelas criativas saídas cenográficas utilizadas para expor de modo alternativo a seleção de poemas escolhidos. Com o objetivo de incentivar a leitura, a curadora Ana Hortides fez questão, ainda, de separar um espaço dedicado ao público infantil, com atividades dirigidas e contação de histórias com educadores. A concepção desse espaço é baseada no pequeno conto O conde que tinha o rei na barriga, escrito pela poeta em sua infância.

 

“A exposição “À mercê do impossível – Ana Cristina Cesar” faz um duplo convite ao público da cidade do Rio de Janeiro: por um lado, a entrar em contato com a obra, a biografia e a fortuna crítica a respeito desta que tem se consolidado como uma das maiores poetas brasileiras do século XX; por outro, a mergulhar no prazer de seu texto, e ficar, como diz Ana no verso que dá título à mostra, à mercê do impossível” declara Thiago Grisolia, um dos curadores. “Para tanto, contaremos com peças de seu acervo de fotografias e documentos, as primeiras edições de seus livros, um filme sobre sua poética e ainda realizaremos um seminário com importantes estudiosos de sua obra. Mas, sobretudo, contaremos com seus poemas, que, sendo a parte mais essencial de seu legado, ganharão corpo na galeria da Caixa Cultural Rio de Janeiro”, enumera.

 

 

Seminário e catálogo

 

No dia 1º de abril (sábado), haverá um seminário com três mesas que discutirão diferentes temáticas acerca da obra de Ana Cristina Cesar. A primeira mesa, Biografia/Ficção, terá início às 14h, com a participação de Heloísa Buarque de Hollanda e Armando Freitas Filho. Às 16h, se inicia a mesa Intimidade/Mostração/Confissão, com a presença de Alice Sant’Anna, Italo Moriconi e Luciana diLeone. Em seguida, às 18h, a mesa Corpo/Crítica/Clínica, com Flavia Trocoli e Roberto Corrêa dos Santos, fecha o ciclo de debates. A mediação fica por conta do curador Thiago Grisolia e a entrada é franca, sujeita à lotação da sala. Após a última mesa, será lançado o catálogo da mostra.

 

 

Sobre a artista

 

Ana Cristina Cesar nasceu em 02 de junho de 1952, no Rio de Janeiro. Desde os quatro anos de idade, fazia poemas que, por ainda não saber escrever, eram ditados para sua mãe. Foi licenciada em Letras pela PUC-Rio, mestre em Comunicação pela UFRJ e Master of Arts (M.A.) em Theory and Practice of Literary Translation pela Universidade de Essex, na Inglaterra. Em vida, publicou “Cenas de abril”, de 1979, “Correspondência Completa”, de 1979, Luvas de pelica, de 1980, e A teus pés, de 1982, além de “Literatura não é documento”, de 1980, fruto de sua pesquisa acadêmica. Nos anos 1970, consolidou-se como uma das principais artistas da chamada “geração mimeógrafo”, com uma extensa produção de escritos, diários, correspondência e até mesmo esboços e desenhos. Após sua morte, em 1983, outros textos seus foram lançados em diversas edições, como “Poética”, de 2013. Além de poeta, foi professora, tradutora, ensaísta e pesquisadora, tendo sempre a literatura como principal objeto de trabalho.

 

 

Programação do Seminário:

 

1º de abril (sábado) –  Sala Margot

14h – Biografia/Ficção – Palestrantes: Heloísa Buarque de Hollanda e Armando Freitas Filho

16h – Intimidade/Mostração/Confissão – Palestrantes: Alice Sant’Anna, Italo Moriconi e Luciana diLeone

18h – Corpo/Crítica/Clínica – Palestrantes: Flavia Trocoli e Roberto Corrêa dos Santos;

 

Lançamento do catálogo

 

 

De 21 de março a 07 de maio.

Individual de Luiz Ernesto

16/mar

O Paço Imperial inaugura dia 16 de março, a exposição “Antes de sair”, de Luiz Ernesto.O trabalho ocupará a sala “Academia dos Seletos”. O artista apresenta uma instalação inédita que une imagem e texto, lidando com os sentidos possíveis dessa relação, na medida em que no cotidiano estamos impregnados de imagens e textos descartáveis e ligeiros.  Para Luiz Ernesto este é um campo fecundo, que amplia a gama desses significados.

 

Em 2007 ao esvaziar o apartamento de sua avó para vendê-lo o artista deparou-se com uma enorme quantidade de objetos, móveis e ambientes repletos de memórias e histórias. Em meio a um processo longo e dolorido, fez registros fotográficos dos cômodos e dos objetos que estavam sendo retirados de uma casa que havia sido marcante em sua infância. O que no início era um registro para recordação deu origem a um novo trabalho de arte.

 

Desde o ano 2000, Luiz Ernesto desenvolve pesquisas que discutem a relação entre imagens e palavras: “Palavras e imagens juntos tornam-se fecundos e têm sua gama de significados ampliada. Neste trabalho, memória e história são minhas principais matérias primas, objetos banais do cotidiano, móveis e ambientes nos quais o tempo imprimiu suas marcas. O que me interessa é explorar seus significados afetivos: as lembranças, as ocasiões, os lugares e as pessoas que aqueles suscitam. Ao longo do processo, fotos e textos tomaram seus próprios rumos libertando-se da obrigação de registrar fielmente a história vivida para gerar uma obra de ficção”, declara o artista.

 

A instalação “Antes de Sair” reúne cerca de 50 fotografias divididas em dez grupos acompanhados de pequenos textos.

 

 

 

Sobre o artista

 

 

Luiz Ernesto Moraes é artista plástico e professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Ex- aluno desta escola, Luiz Ernesto foi seu diretor de 1998 a 2002. Em 1992, contemplado com uma bolsa de estudos pelo Conselho Britânico, passou um ano na Escócia, no Glasgow Print Studio onde desenvolveu uma série de trabalhos em diferentes técnicas de gravura. Desde 1979, tem participado de exposições individuais e coletivas. Seu trabalho desenvolve-se em diversos meios, como desenho, pintura, objetos e fotografia e tem como ponto de partida os objetos banais do cotidiano. Para uma exposição sua em 1999, no Paço Imperial, o crítico Agnaldo Farias, assim se referiu ao trabalho do artista: “As pinturas, desenhos e assemblages de Luiz Ernesto sempre se propuseram a animar as coisas de sua letargia para deixá-las transbordar, fazê-las abandonar seu estado inicial rumo a uma condição próxima. O insólito, dizem seus trabalhos, está aqui mesmo.”

 

Desde 2001, Luiz Ernesto vem desenvolvendo um trabalho em fibra de vidro, resina de poliéster e fotografia. Sobre este trabalho o crítico Paulo Sérgio Duarte, num texto intitulado “ A solidão das coisas calmas”, escreveu: “ O que são esses trabalhos de Luiz Ernesto? Não são telas, nem é pintura, ao menos no sentido convencional. No entanto com esta se assemelham, não pela forma no sentido estrito, digamos que lembram a pintura pelo que em inglês chama-se shape. … Na sua fabricação obedecem aos procedimentos da escultura. Têm um molde e lá o artista deita seus lençóis de fibra, seus solventes e suas figuras e suas palavras. …Apesar de suas dimensões, o verdadeiro tema dos quadros é a nostalgia de um mundo em miniatura, sem violência ou nervosismo, onde as coisas calmas pudessem usufruir a sua solidão.”

 

 

 

De 16 de março a 21 de maio.

12 Contemporâneos 

13/mar

A CAIXA Cultural, Galeria 1, 

 

Centro, Rio de Janeiro, RJ, recebe, de 18 de março a 14 de maio, a exposição coletiva “PINTURA (Diálogo de artistas)”, através de doze trabalhos de doze artistas diferentes, selecionados e dispostos de maneira que a unidade da mostra se dá pela investigação pictórica de cada participante e não pelo diálogo entre as obras. O projeto aposta na diversidade de pesquisas genuínas de pintura utilizando ora a tela e seus meios tradicionais, ora experimentações para ampliar o questionamento sobre as possibilidades da arte no tempo presente. O projeto tem patrocínio da CAIXA Econômica Federal e Governo Federal.

 

 

A proposta de diversidade reuniu artistas como os portugueses Rui Macedo e Ema M; o vencedor do prêmio PIPA Online 2014, Paulo Nimer PJota; além de Hugo Houayek, James Kudo, Pedro Varela, Rafael Alonso, Vânia Mignone, Zalinda Cartaxo, Alvaro Seixas, Elvis Almeida e Willian Santos.

 

 

No espaço expositivo, partindo do pressuposto de que toda exposição de artes visuais toma forma como um diálogo entre artistas, para construir essa discussão, decidiu-se afastar as possíveis semelhanças entre as obras, como suporte e técnicas, ao invés de aproximá-las. Acompanhado de um pequeno texto escrito por cada artista, cada trabalho pode expressar o entendimento próprio de seu criador sobre pintura.

 

 

Da mesma forma, a seleção de artistas esteve intimamente relacionada com as diferentes visões individuais sobre a pintura a partir de suas qualidades originais e essenciais. Não houve preferência por nenhum tipo de abordagem ou material. Assim, o público encontrará trabalhos em óleo, acrílicas, objetos em gesso e instalações.

 

 

Como parte da programação da mostra, haverá uma palestra sobre a pintura e seus desdobramentos com os convidados Fernanda Lopes, Ivair Reinaldin e Raphael Fonseca.

 

A palestra ocorre no dia 15 de abril, às 17h, no Cinema 1 da CAIXA Cultural Rio de Janeiro, com entrada fraca. Os ingressos serão distribuídos uma hora antes na bilheteria do espaço.

 

 

 

Sobre os artistas

 

 

Alvaro Seixas

 

Nascido em Niterói, em seus trabalhos mais conhecidos, Alvaro Seixas explora as ideias de “pintura”, “abstração” e “apropriação” e como esses conceitos se relacionam com o panorama artístico-cultural atual. Recentemente, o artista tem incluído, em seus desenhos e pinturas, palavras e textos, valendo-se de sua força narrativa, teórica e crítica, mas sem deixar de encará-los como valiosos elementos plásticos e sensíveis. Dentre suas exposições recentes destacam-se a coletiva Ornamentos (2013), na Galeria A Gentil Carioca, no Rio de Janeiro; a individual Paintbrush (2015), na Galeria Mercedes Viegas Arte Contemporânea, também no Rio; a coletiva Pequenas Pinturas (2016), no espaço Auroras, em São Paulo (2016). Em 2015 foi o mais jovem artista selecionado para concorrer à quinta edição do Prêmio CNI-SESI Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas e integrou a mostra coletiva por ocasião da premiação no MAC-USP. Em 2011, publicou o livro Sobre o Vago: Indefinições na Produção Artística Contemporânea e, em 2013, Palácio. Possui obras em diversas coleções particulares, destacando-se a Coleção Diógenes Paixão (Rio de Janeiro). Recentemente, uma série de seus desenhos passou a integrar a coleção do Museu de Arte do Rio (MAR). Alvaro é, ainda, editor da The Melting Painter Magazine TM, uma revista digital independente. Seu tema é exclusivamente a pintura, tendo a cada edição diversos pintores brasileiros como colaboradores.

 

 

 

Elvis Almeida

 

Nascido no Rio de Janeiro, Elvis Almeida é graduado em gravura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Estudou, ainda, serigrafia na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e História da Arte na Rede Maré (Rio de Janeiro, RJ). Recebeu bolsa da Incubadora Furnas Sociocultural para Talentos Artísticos (2007), o Prêmio Categoria Grafite do 47º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco (2008) e bolsa Interações Florestais da Terra UNA (2011). Realizou sua primeira individual na Galeria Amarelonegro (Rio de Janeiro, RJ), em 2010 e participou de mostras em São Paulo, Rio de Janeiro, Pará e EUA. Indicado ao Prêmio Pipa 2016.

 

 

Ema M

 

Portuguesa, Ema M é o pseudônimo artístico de Margarida Penetra Prieto. A artista é doutoranda em Artes Plásticas e promove exposições individuais e coletivas em Portugal desde 1999. Tem participado como ilustradora em publicações e livros dedicados, principalmente, a crianças. EMA M está representada em coleções particulares e institucionais, em Portugal, Espanha e França. No Brasil a artista já participou de exposições no Centro Cultural Oi Futuro (RJ), no Museu do Trabalho (RS) e na galeria Amarelonegro (RJ).

 

 

 

Hugo Houayek

 

Doutorando na Linha de Linguagens Visuais no programa de pós-graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes da UFRJ. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em pintura, atuando principalmente nos seguintes temas: arte contemporânea, pintura, arte e história da arte. Possui experiência com curadoria e produção de exposições, edição e publicação de livros. Atua também como professor em cursos de artes visuais. Expõe regularmente desde 2002, além de possuir 2 livros publicados.

 

 

 

James Kudo 

 

Graduou-se em design gráfico pela Faculdade de Belas Artes em 1989. Morou em Nova York, de 1992 a 1994, onde estudou pintura abstrata na Art Student League, orientado pelo professor Bruce Dorfman. Trabalhou como pattern designer no escritório de arquitetura Diamond & Baratta. O artista a “topofilia” como tema principal de seu trabalho e busca lembranças da cidade natal, Pereira Barreto, que foi coberta parcialmente por água decorrente da construção de uma usina hidrelétrica. Kudo tem obras expostas no Museu de Arte Contemporanea (MAC) de São Paulo, na Pinacoteca do Estado de SP, no Miura Museum Matsuyama e outros. Entre as exposições individuais, destacam-se Topofilia, na Galeria Zipper e Telurica, na Galeria Laura Marsiaj. Entre as coletivas, destacam-se:Expeditionen in ästhetik und nachhaltigkeit, no Memorial America Latina, em São Paulo; Espelho Refletido, no Centro de Artes Helio Oiticica, no Rio de Janeiro; Entre Hemisferios, na Gunter Braunsberg Galerie, em Nuremberg, Alemanha e Today, no Museu Miura, em Matsuyama, no Japão.

 

 

Pedro Varela 

 

Graduado em Gravura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2005, foi bolsista do programa de iniciação cientifica pelo CNPq com a pesquisa: “A Pintura dos anos 80 no Brasil e seus desdobramentos”, orientado pela professora Angela Ancora da Luz e co-orientado pelos professores Júlio Sekiguichi e Lourdes Barreto. Entre 2001 e 2006 participou de cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, entre eles Arte e Filosofia, Pintura II e Arte Hoje. Participou também dos 33º, 35º, 36º e 37º Festivais de inverno da UFMG. Seus trabalhos podem ser encontrados em coleções do MAR (Museu de Arte do Rio), do Museu de Arte Moderna (MAM), também no Rio de Janeiro; na Coleção Gilberto Chateaubriand, em Montblanc, no Mexico; no SESC Brasil e na Sprint Nextel Art Collection.

 

 

 

P Jota

 

Vencedor do PIPA Online 2014, Paulo Nimer “PJota” vive e trabalha em São Paulo. Seus trabalhos carregam uma seleção de imagens, cores, símbolos e suportes que dialogam com princípios socioculturais emergentes, vasculhando entre paredes estreitas pelas relações entre cultura e sobrevivência e como isso se aplica na estética e na vida destes locais. Entre suas mais recentes exposições coletivas, destacam-se Synthesis between contradictory ideas and the plurality of the object as image II, em Maureen Paley (Londres); Synthesis between contradictory ideas and the plurality of the object as image I, na Mendes Wood DM (São Paulo); New Shamans/Novos Xamãs: Brazilian Artists, na Rubell Family Collection (Miami) e Beyond the cartoon, em Artuner (Nova Iorque).

 

 

 

Rafael Alonso 

 

Objetos, instalações e pinturas compõem o universo produtivo de Rafael Alonso. O artista é formado e mestre pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde foi professor entre 2009 e 2010. Entre as exposições mais recentes, destacam-se as individuais Torto e Panorama, ambas no Rio de Janeiro, e Calça de Ginástica, em Curitiba. O artista também já participou de inúmeras coletivas, como Atlas Abstrato, no Centro Cultural São Paulo, Alster Kunst Salon, em Hamburgo, e Cariocas, na Maison Folie Wazemmes.

 

 

 

Rui Macedo 

 

Nascido em Portugal, Rui Macedo já foi contemplado com bolsas de apoio de instituições como a Fundação Calouste Gulbenkian e a Promoción del Arte. Entre as exposições individuais, destacam-se: La totalidad imposible (Espanha), Memorabilia (Portugal) e In situ – carta de intenções (MAC de Niterói).  Em 2017, o trabalho do artista estará presente em exposições no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul e na Fundação Millenium BCP (Portugal). No Brasil o artista já participou de exposições no Museu da República (RJ), no Museu Nacional do Complexo Cultural da República (DF), no MAC Niteroi (RJ), na galeria Amarelonegro (RJ) e ainda tem participação confirmada em uma exposição agendada para 2017, no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul.

 

 

 

Vânia Mignone 

 

Nascida em Campinas, Vânia Mignone é formada em Artes Plásticas pela UNICAMP e em Publicidade pela  PUC Campinas. A partir da década de 1990, envolveu-se com pintura e desenho, duas vertentes que se conjugam em sua obra desde então. O eixo central de sua pintura é a narrativa, que se constrói a partir de figuras, palavras e objetos equilibrados sem hierarquias no plano da tela. A artista faz uso despojado de um repertório de personagens, artefatos e artifícios mundanos. Já teve seus trabalhos expostos na Casa Triângulo (São Paulo), na Galeria Mercedes Viegas (Rio de Janeiro) e no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.

 

 

 

Willian Santos 

 

Graduado Bacharel em Artes Visuais com Ênfase em Computação Gráfica pela Universidade Tuiuti do Paraná. Envolve em suas obras a história da arte como matéria prima para analogias com o raciocínio de realidade ampliada abordada pela tecnologia. Com afinco na investigação, na manufatura e no desenvolvimento destes e outros conceitos em torno da pintura, a história se refaz aspirando suas relações de “presentidade”, onde o real, os símbolos e os ícones nos são indagados por suas energias capciosas. Num processo de cordialidade, o artista está intencionado a desenvolver experiências que fomentam um público desperto. Destaca-se, entre as suas últimas atividades, a premiação no 19º Edital de Incentivo à Produção Chico Lisboa no MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul, em 2016. Em 2015, as exposições coletivas LIMIAR, na Sim Galeria; Aí estão elas que se diz já foram e nunca faltam, na Galeria Casa Imagem, em Curitiba; e 40º SARP – Salão de Arte de Ribeirão Preto, no MARP.

 

 

 

Zalinda Cartaxo 

 

Como artista, o trabalho de Zalinda Cartaxo está voltado para a reflexão das possibilidades da pintura. A partir do conceito de pintura, a artista pensa a mesma como conceito. Os doutorados que realizou, ambos em artes, viabilizaram o exercício da conciliação entre o pensamento e a prática. É doutora em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e em Artes pela Universidade de São Paulo (USP). Também realizou pós-doutorado na Faculdade de Belas-Artes do Porto (FBA), em Portugal. É professora adjunta na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNI-RIO), onde faz parte do corpo docente do Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas (PPGAC) como professora colaboradora.  Também é autora, tendo publicado o livro Pintura em Distensão.

 

 

De 18 de março a 14 de maio.

Legendas: Rui Macedo

Vânia Mignone

Gaudi no MAM Rio

10/mar

O MAM Rio, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ,inaugura no próximo dia 16 de março a exposição “Gaudí: Barcelona, 1900”, que reúne maquetes, algumas delas em escala monumental, e peças de design, entre objetos e mobiliário, criados pelo genial arquiteto catalão, conhecido mundialmente por seu estilo único. Completam a mostra cerca de 40 trabalhos de outros artistas e artesãos que compunham a cena avançada de Barcelona da época. Todas as peças pertencem aos acervos do Museu Nacional de Arte da Catalunha, Museu do Templo Expiatório da Sagrada Família e da Fundação Catalunya-La Pedrera, em Barcelona, que apoiaram a exposição. A idealização e realização do projeto foram do Instituto Tomie Ohtake, com coordenação geral da Chizhi – Organización Proyecto Cultural Internacional. A curadoria é de Raimon Ramis e Pepe Serra Villalba, especialistas em Gaudí.

 

 

Até 30 de abril.

Vera Chaves Barcellos no Paço Imperial

08/mar

Fotografias, manipulações e apropriações

 

O Centro Cultural Paço Imperial – RJ em parceria com a Fundação Vera Chaves Barcellos inaugura em 16 de março, “Fotografias, manipulações e apropriações”, exposição individual fotográfica da artista Vera Chaves Barcellos, importante nome da arte contemporânea brasileira. A seleção de trabalhos, feita pela própria artista, abrange um recorte temporal de mais de quatro décadas de sua produção criativa, ancorada na utilização estética, crítica e reflexiva da imagem fotográfica. O público poderá conferir séries sequenciais de imagens que instigam a percepção do espectador para um exercício de visualidade mais amplo, sistêmico e crítico. A exposição apresenta obras representativas dos diversos modos de utilização do emprego da cor e da imagem fotográfica – entre manipulações e apropriações – experimentados pela artista desde os anos 1970 até a atualidade. Assim, simples registros fotográficos – ora exibidos como tal, ora manipulados – imagens coletadas da mídia impressa, televisiva e da internet, geram séries que, expandidas e reconsideradas pelo pensamento visual da artista, originam e estimulam ângulos inéditos de relacionamento com a fotografia.

 

 
Vera Chaves Barcellos Fotografias, manipulações e apropriações

Por Claudia Giannetti

 

A exposição monográfica de Vera Chaves Barcellos exibe, por primeira vez no Rio de Janeiro, um amplo panorama da obra da artista gaúcha com e em fotografia. Vinte trabalhos, desde 1975, cobrem quatro décadas de criação, nos quais convivem dois tipos de produção: obras híbridas (fotografias manipuladas e imagens apropriadas de registros da mídia) e fotografias autorais. A linguagem serial, amplamente explorada, desencadeia múltiplas associações imagéticas e narrativas.

 

Seis eixos temáticos principais estabelecem diálogos temporais e nexos conceptuais e formais entre as obras. Gestos: “Do aberto e do fechado”, “O grito”, “L’ Intervallo Perduto” e “The Birds”. Expressões faciais e gesticulações comunicam emoções e estados ricos em significados, que, descontextualizados, podem transitar da eloquência para o silêncio. Heróis anônimos: “Os Nadadores”, “Menexéne” e “O Peito do Héroi”. Os desportistas, os prisioneiros e os mitos personificam condições e valores socioculturais e políticos. As intervenções nas imagens reais, apropriadas da mídia, apagam suas identidades, como também acontece com nossas histórias e memória. Despojos: “Manequins de Düsseldorf” e “Caixotes em três tempos”. Os motivos insólitos das fotografias, encontrados por acaso, vinculam a noção de despojamento com a alusão ironica à nossa cultura do consumo e da uniformização. (Des)construções: “Fata Morgana”, “Letrados” e “Casasubu”. Nas sequências fotográficas, a primeira explora superposições gradativas de suas partes e as outras documentam insólitas fachadas frontais de edificações, sendo que na última as manipulações criam simulacros inexistentes na realidade. Retratos: “Meus pés”, “Auto-retrato”, “A filha de Godiva”, “Cão veneziano” e “Retrato”. Para a construção de figuras identitárias, sejam estas as de um carro, uma pessoa ou um animal, a artista recorre a ópticas singulares. Arte sobre arte: “As you like”, “Jogo de damas” e “Zócalo”. As reflexões acerca da arte, características do seu trabalho, ironizam sobre a arbitrariedade dos critérios de valor na arte e questionam os esteticismos de certos tipos de pintura.

 

Ao entender o ato fotográfico como processo e a fotografia como um campo de possibilidades e uma linguagem a transgredir, Vera Chaves Barcellos avançou no tempo e levou à prática as noções hoje tão em voga de pós-fotografia e meta-fotografia.

 

 
De 16 de março a 21 de maio.

Fotos de Luiza Baldan

A artista Luiza Baldan, realiza sua primeira exposição individual na Anita Schwartz Galeria de Arte, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, na qual exibe trabalhos inéditos resultantes de sua intensa pesquisa de quase um ano navegando na Baía de Guanabara observando seu cotidiano e suas paisagens.

 

A exposição “Estofo”,  exibirá fotogravuras e suas matrizes, uma videoinstalação e um texto da artista. “Estofo”, que na linguagem náutica significa intervalo de tempo onde não há corrente de maré, é o desdobramento do projeto “Derivadores”, feito em 2016 em parceria com o artista Jonas Arrabal, dentro da bolsa “Viva a Arte!” (Secretaria Municipal de Cultura), com o apoio da empresa Prooceano e do Projeto Grael, publicado pela Automática Edições.

 

Luiza Baldan iniciou sua trajetória em 2002, e poucos anos depois já era reconhecida na cena contemporânea. Em 2009, fez uma residência no Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes (conhecido como Pedregulho), projetado por Affonso Eduardo Reidy, e desde então seus trabalhos envolvem deslocamentos e imersões em residências temporárias diversas. A partir de 2014, com o projeto “Perabé”, realizado entre São Paulo e Santos, seus projetos passaram a ter longa duração.

 

No grande espaço térreo da galeria estará uma série de 22 fotogravuras feitas a partir dos registros fotográficos da artista em câmeras analógicas e celular durante suas incursões pela Baía de Guanabara. Serão expostas as matrizes de fotopolímero originais, uma série de fotogravuras emolduradas e outra disposta em uma caixa para o manuseio do público. O projeto foi produzido no Estúdio Baren, junto com João Sánchez. Em outra parede, o público verá instalado um texto de Luiza Baldan escrito ao longo da realização do projeto, ao lado de uma carta náutica dos terminais da Baía de Guanabara.

 

No andar superior ficará a videoinstalação “Suspiro” (2017, HD, p/b, áudio em 8 canais). Luiza Baldan captou som e imagem do detalhe de um dos pilares da ponte Rio-Niterói, por onde se percebe o movimento das águas dentro da estrutura oca. “Através desses furos, o pilar respira”, destaca a artista. Para este trabalho, ela contou com a câmera de David Pacheco e tratamento de áudio de Nico Espinoza.

 

 

 

Uma profunda imersão, um mergulho, sem nunca ter enfiado o corpo inteiro n’água

 

O contato de Luiza Baldan com a Baía de Guanabara foi poético, e seu interesse abrangeu também sua história, porta de entrada da cidade pelos descobridores portugueses, e o fato de estar presente “na vida de todos, embora talvez sem que tenham noção desta grandeza”. A artista fez “uma profunda imersão, um mergulho, sem nunca ter enfiado o corpo inteiro n’água”.

 

Luiza Baldan navegou pela Baía durante mais de nove meses, a maior parte deles duas vezes por semana, a bordo de um barco com uma equipe que monitora o lixo flutuante. Na primeira etapa do projeto, ela e o artista Jonas Arrabal transformaram um derivador, artefato científico usado para o estudo do comportamento das correntes marítimas, em uma câmera pinhole, para fotografar a deriva na Baía de Guanabara.

 

O projeto “Estofo” é um desdobramento desta pesquisa, uma consequência da observação nos deslocamentos frequentes da artista pela Baía – orla da Urca, Aterro até os portos, cruzando a ponte até a Ilha do Governador, praia do Galeão e canal de Ramos; orla de Niterói até a boca da Baía de volta à Urca – em que percorreu a Baía em toda a sua extensão, incluindo a área que margeia Magé, a APA de Guapimirim, além de diversas ilhas, como Jurubaíba, Paquetá e Pombeba.

 

Ela conta que “foi um privilégio estar na Baía de Guanabara, fora do roteiro habitual das barcas”. “Chorei, quando vi o Rio Macacu desembocar na Baía”, lembra. Luiza Baldan conta que a segunda vez que chorou, por razões opostas, foi quando entrou na Ilha de Pombeba, em frente à região portuária, onde encontrou “uma grande concentração de lixo, tanto o carregado pelas marés quanto o depositado pela a extração de metal pesado”.

 

 

Sobre a artista

 

Nascida no Rio de Janeiro, em 1980, Luiza Baldan graduou-se em belas artes, com foco em Fotografia e time-based media, e história da arte pela Florida International University, Miami, em 2003. Foi aluna e atualmente é professora na EAV Parque Lage. Em 2010 concluiu seu mestrado e hoje é doutoranda em belas artes (linguagens visuais), na EBA/UFRJ. Dentre as exposições individuais recentes, destacam-se “Perabé” (Centro Cultural São Paulo), em 2015; “Build Up” (MdM Gallery, Paris), em 2014; “Corta Luz” (Pivô, São Paulo) e “Índice” (MAM Rio), em 2013; “São Casas” (CCD/Studio-X, Rio), em 2012; “Algumas séries” (MAC Niterói), em 2011;  e “Sobre umbrais e afins” (Plataforma Revólver, Lisboa), e “Luiza Baldan” (Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo), em 2010. As mostras coletivas recentes destacadas são “Finalistas PIPA” (MAM Rio), em 2016; “Fotografia Contemporânea Brasileira: Novos Talentos” (Caixa Cultural Rio e Brasília), em 2015; “Cruzamentos: Contemporary Art in Brazil”, The Wexner Center for the Arts (Columbus, EUA) em, 2014; “Lugar Nenhum” (Instituto Moreira Salles, Rio de Janeiro), “Travessias 2: Arte Contemporânea na Maré” (Galpão Bela Maré, Rio de Janeiro); “Rumos Artes Visuais 2012-2013 (Itaú Cultural, São Paulo, MAMAM, Recife, e Paço Imperial, Rio), em 2013; “Collecting Collections and Concepts” (Fábrica ASA, Guimarães, Portugal), em  2012; “Mapas Invisíveis” (Caixa Cultural Rio), 2010; “O Lugar da Linha” (Paço das Artes, São Paulo, MAC, Niterói), em 2010;   “37º Salão de Arte Contemporânea de Santo André”, “Nova Arte Nova” (CCBB Rio de Janeiro e São Paulo), em 2009.Luiza Baldan ganhou diversos prêmios e bolsas de residência artística, está presente em várias publicações, e seu trabalho integra prestigiosas coleções públicas como as do MAM Rio, MAM SP, IPHAN, e as prefeituras de São Paulo e de Santo André.

 

 

De 16 de março a 28 de abril.

Arquitetura do Secreto

21/fev

O secreto está aqui. Supostamente revelado. Por que não admitir que a arquitetura mencionada no título desta exposição pode ser também a arquitetura desta galeria?
A Galeria do Ateliê inicia o ano 2017 com a exposição “Arquitetura do Secreto” da artista Monica Barki apresentando de 24 fotografias que registram performances realizadas em motéis do Rio de Janeiro entre 2013 e janeiro de 2017. A artista atua como protagonista revelando temas de histórias pessoais, assim como da esfera existencial coletiva. Monica espreita os bastidores onde são reproduzidos os estereótipos do feminino, tornando visível um erotismo pleno de alegorias, perversões e prazeres. A Galeria do Ateliê fica na Avenida Pasteur, 453 Urca, Rio de Janeiro, RJ.

 

Para o curador Frederico Dalton, “Arquitetura do Secreto” de Monica Barki é uma exposição sobre relações, sobre o olhar do poder e o poder do olhar. São muitos os atores aqui. E no drama destas relações se destacam o dizível e o indizível, o que pensamos saber sobre nós mesmos e os enormes esforços que empreendemos para de alguma forma existir. É um evento sobre o olhar do poder, sobre como o poder se veste, se configura e se organiza para melhor nos enquadrar; e sobre o poder do olhar, sobre como o poderoso olhar do espectador é capaz de nos desnudar”.

 
Sobre a artista

 
Entre as principais mostra individuais realizadas pela carioca Monica Barki destacam-se: Desejo, Galeria, Rio de Janeiro, 2014; Arquivo sensível, Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, 2011; Lady Pink etsesgarçons, Galeria Anna Maria Niemeyer, Rio de Janeiro, 2010; Collarobjeto, Centro Cultural Recoleta, Buenos Aires, 2001; Colarobjeto, Galeria Nara Roesler, São Paulo, 2000;Paço Imperial, Rio de Janeiro, 2000; Pinturas, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, 1992. Além de mostras coletivas no Brasil e no exterior, a artista destaca: Contemporary Brazilian Printmaking, International Print Center New York, Nova Iorque, 2014; Gravura em campo expandido, Estação Pinacoteca, São Paulo, 2012; Arte em Metrópolis, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, 2006; Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, 2006; Arte Brasileira Hoje, Coleção Gilberto Chateaubriand, MAM-RJ, 2005; 11ª Bienal Ibero-Americana de Arte, México,1998; 21ª Bienal Internacional de São Paulo, 1991. A artista possui obras nos acervos do MAM-RJ; MAM-SP; Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, MG; Coleção IBM, Rio de Janeiro e São Paulo; Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba, PR; Itaú Cultural, São Paulo, SP; Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Coleção João Sattamini, RJ, e Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Fortaleza, CE, entre outras.

 

Sobre o curador

 

O carioca Frederico Dalton formou-se em cinema pela UFF e é mestre em comunicação pela UFRJ. Estudou fotografia e vídeo na Academia de Arte (Kunstakademie) de Düsseldorf (Alemanha) com Nam JunePaik e NanHoover. Professor de Artes na FUNARTE, SESC e no Ateliê da Imagem, Rio de Janeiro. Frederico Dalton também é escritor, tendo publicado o e-book “Minificções” pela Amazon.com.Seu trabalho artístico está documentado no livro intitulado “Fotomecanismos”, editado pelo Oi Futuro, Rio de Janeiro, em 2007 e em outras publicações. Vem produzindo textos para exposições e é o idealizador e curador da Galeria Transparente, uma galeria virtual que também se configura como exposição física e que teve exposições e eventos na Fundição Progresso, Sesc Friburgo e Centro Cultural Justiça Federal, Rio de Janeiro, RJ.

 

 

Até 31 de março.