Origem urbana ganha novas configurações.

01/out

Bruno Bogossian retorna às exposições individuais no Rio de Janeiro depois de uma década. Com mais de 25 anos de trajetória e ex-integrante do Fleshbeck Crew, coletivo fundamental para a história do grafite carioca, o artista apresenta na Artur Fidalgo galeria, Copacabana, trabalhos inéditos que transitam entre pintura, desenho e escultura. 

Em “Caleidoscópica”, sua pesquisa de origem urbana ganha novas configurações em meio a cores vibrantes, formas geométricas, fragmentos botânicos, vestígios arquitetônicos e referências ao imaginário social. A mostra também celebra uma relação especial: são 10 anos de parceria entre Bruno Bogossian e a Artur Fidalgo galeria.

Objetos simbólicos do cotidiano.

Em sua primeira exposição individual, “Uma certa memória”, sob curadoria de Vanda Klabin, na Artur Fidalgo galeria, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, Emika Takaki apresenta uma série de pinturas recentes que transitam por objetos simbólicos do cotidiano. Suas telas funcionam como potentes metáforas visuais em torno do silêncio, da ancestralidade e da diáspora nipo-brasileira.

Através de rigorosos campos monocromáticos e do uso de cores escassas, o trabalho de Emika Takaki transforma o ato de olhar em um espaço de contemplação e encontro profundo entre o passado e o presente, a nostalgia e o esquecimento.

Até 30 de outubro.

Momento de renovação poética e formal.

29/set

A Athena, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, apresenta “Sair do próprio caminho e deixar o mundo entrar”, exposição de Rafael Alonso. Com texto de Luna Grimberg, a mostra reúne um conjunto inédito de pinturas realizadas em seu novo ateliê, instalado na antiga casa da pintora Lucia Laguna, no bairro do Rocha, Zona Norte do Rio de Janeiro. A mudança de endereço marca também uma inflexão significativa na trajetória do artista, revelando um momento de renovação poética e formal.

A casa, seus quintais e a vizinhança característica dos subúrbios cariocas – marcada por construções em constante transformação e soluções arquitetônicas informais – passam a integrar diretamente o campo de observação do artista. Estes entornos constituem uma nova experiência do cotidiano e reorganizam o seu modo de olhar e de pintar.

As obras, inéditas, apontam para uma sensível transformação em relação à produção anterior de Rafael Alonso. Agora em formatos menores, convidam a uma aproximação mais íntima, instaurando um ritmo de observação pausado e silencioso.

Exposição de Suely Farhi no CCJF.

28/set

O Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), Cinelândia, Rio de Janeiro, RJ, abre, no dia 13 de outubro, a exposição “As Palavras”, da artista e poeta visual carioca Suely Farhi. Com curadoria de Luiza Interlenghi, a  mostra reunirá dez instalações, produzidas desde 1994 até hoje, incluindo obras inéditas, que trazem como tema o universo feminino. Esta será a primeira vez que a artista reúne trabalhos com essa temática.

“Suely Farhi investiga o limiar entre palavra, imagem e espaço – a linguagem transmuta a realidade. As palavras – substantivo feminino plural – desenham o invisível e aderem aos objetos para iluminar a força da mulher”, escreve a curadora Luiza Interlenghi no texto sobre a concepção da exposição.   

Além das obras inéditas, outras mais antigas foram atualizadas. “A temática principal do meu trabalho são esses pontos de tensão, de questionamento, de pensamento. Eu nem notava se estava fazendo algo que era feminino ou não”, afirma a artista. Sobre a atualização de algumas obras, ela diz: “Acho que esse milênio está ensinando a ver muito claramente algumas questões. Não quer dizer que eu não fosse feminista, mas a gente vai sabendo e vendo mais claramente certas coisas, inclusive até do meu próprio passado, coisas que vivi sem falar”, completa.

Na última semana da exposição, será realizado o jogo “Oráculo dos pensamentos”, às 17h, criado pela artista. Será realizado no dia 19 de novembro, com a participação dos artistas e poetas visuais Adriana Maciel, Elaine Pauvolid, Martha Niklaus, Maria Moreira, Monica Barki, Fernanda Junqueira, Fernando Gerheim, Simone Cupello, Xico Chaves e outros. “O jogo é um objeto facilitador de conversas públicas. Cartas estarão sobre as cadeiras e os artistas começam a ler um trecho do texto ao acaso. Ao ler uma frase do oráculo fala o que pensa, sente, intui ou deseja. E assim segue o jogo”, conta a artista.

Sobre a artista. 

Suely Farhi nasceu no Rio de Janeiro, em 1957, onde vive e trabalha. É arquiteta, artista e poeta visual. Explora os sentidos que brotam no encontro entre palavras e lugar. Realizou várias exposições individuais no Rio de Janeiro, como no Museu de Arte de Santa Catarina (MASC), Museu da República, no Paço Imperial, entre outros. Participou de mais de 100 exposições coletivas no Brasil e no exterior. Participou de antologias de poesia visual, como “Obra nome”, no Museu de Alcobaça, Portugal, com curadoria Wagner Barja; “Yá sé leer – imagén y escritura en el arte latinoamericano”, no Centro Wifredo Lam y la Galería Rubén Martínez Villena de la Habana Vieja, Cuba, com curadoria Ibis Hernández Abascal, Margarita Sánchez, Sandra Contreras y Elvia Rosa Castro; “Europalia”, em Bozar, Bruxelas, Bélgica, com curadoria de Sonia Salcedo del Castillo e “Visualidades Brasileiras – Funarte 50 anos”, no Palácio Gustavo Capanema, Rio de Janeiro, com curadoria de Luiza Interlenghi.

Até 22 de novembro. 

Oficinas gratuitas de capacitação para mulheres

25/set

Como parte da exposição “Amazônicas: Poéticas femininas”, serão realizadas em outubro duas oficinas gratuitas no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ). 

Nos dias 01 e 02 de outubro, será realizada a oficina de “Produção Executiva para Exposições de Artes Visuais”, com Stella Paiva, produtora cultural e gerente de produção do Museu de Arte do Rio (MAR).  

Nos dias 29 e 30 de outubro, acontecerá a oficina “Criação de Projetos de Performance”, com a artista Cristiane Martins. A programação é gratuita e exclusiva para mulheres (mediante autodeclaração). 

“Essas oficinas de economia criativa foram pensadas para o avanço das mulheres, ampliando a formação técnica e artística de quem está começando ou querendo começar uma carreira profissional no universo artístico e atuar em grandes projetos….”, afirma Sissa Aneleh, curadora e diretora artística da exposição “Amazônicas: poéticas femininas”.

Sobre a exposição “Amazônicas: Poéticas Femininas”.

A exposição apresenta um amplo panorama da arte produzida por mulheres da região amazônica, desde a década de 1970 até os dias de hoje. São trabalhos feitos em diferentes suportes, como pintura, escultura, fotografia, gravura, objeto, arte digital e videoarte, das artistas Auá Mendes, Bárbara Savannah, Cristiane Martins, Diná Oliveira, Elaine Arruda, Elieni Tenório, Keila-Sankofa, Lise Lobato, Lúcia Gomes, Maria Auxiliadora Zuazo, Nina Matos, Rafa Bqueer, Rafaela Kennedy, Rafaela Moreira, Renata Aguiar, Rita Huni Kuin, Rita Loureiro, Sanchris, Val Sampaio, Wɨra Tini e Yaka Huni Kuin.

Sobre o Museu das Mulheres.

O Museu das Mulheres (Museu DAS), sediado em Brasília, é o primeiro museu brasileiro dedicado a valorizar e dar visibilidade à produção artística, cultural e histórica de mulheres. Possui programação em artes plásticas e visuais, cinema, eventos, além de programa educativo, área de pesquisa, acervo e editora própria.

Um importante papel na cena cultural carioca.

23/set

Na última segunda-feira, 21 de setembro, A Gentil Carioca recebeu a Medalha Pedro Ernesto, uma das principais honrarias concedidas pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

A cerimônia aconteceu na sede da Câmara e reuniu amigos, artistas, familiares e a equipe d’A Gentil Carioca para celebrar o reconhecimento à trajetória da galeria e sua contribuição para a vida cultural da cidade ao longo de seus 23 anos de história.

Os sócios Ernesto Neto, Elsa Ravazzolo, Laura Lima e Marcio Botner receberam a medalha em nome d’A Gentil Carioca e compartilharam algumas palavras durante a cerimônia. A homenagem foi conduzida pela vereadora Tatiana Roque e contou também com a presença e as palavras do secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha.

A Medalha Pedro Ernesto é concedida a pessoas e instituições que se destacam por sua atuação na sociedade e pela contribuição à cidade do Rio de Janeiro. A homenagem reconhece, assim, a trajetória d’A Gentil Carioca e seu papel na cena cultural carioca ao longo de mais de duas décadas.

Construir outros modos de ver.

21/set

A Gentil Carioca apresenta “Ballet Noir: O Pós-Virtuosismo”, nova exposição de O Bastardo, no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, RJ. Com texto crítico de Osmar Paulino (Curador Negro), a exposição permanece em cartaz até 24 de outubro.

A partir da figura da bailarina negra, O Bastardo investiga as relações entre corpo, movimento e representação, tensionando os códigos que historicamente definiram o que é considerado arte, técnica e virtuosismo. Em diálogo crítico com a tradição da pintura europeia e com as representações da dança, o artista desloca o olhar para outras corporalidades, experiências e histórias que permaneceram à margem dessas narrativas.

Nas pinturas, O Bastardo volta-se não apenas para a beleza do movimento, mas também para aquilo que o sustenta: o esforço, o cansaço, o descanso, o gesto e a própria maquinaria do corpo. A partir de sua experiência como homem e pintor negro afro-brasileiro, o artista constrói outras possibilidades de representação, colocando em questão as hierarquias que atravessam a produção e a experiência da arte.

“Ballet Noir: O Pós-Virtuosismo” propõe, assim, uma contravisualidade, uma afrovisualidade, recusando a virtuosidade como medida de legitimidade e reivindicando outras formas de produzir e experimentar a imagem. Um manifesto visual sobre corpo, poder e a possibilidade de construir outros modos de ver.

Até 24 de outubro. 

Exposição Projeto Acervo.

A Casa de Cultura Laura Alvim, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, convida para mergulhar na arte brasileira das décadas de 1980 e 1990 com a reabertura da exposição “Projeto Acervo – Coleção Casa de Cultura Laura Alvim”.

Preservando o legado cultural da anfitriã, Laura Alvim, a mostra reúne um recorte expressivo do acervo da casa, celebrando a riqueza e a liberdade de expressão plástica da época através de obras figurativas, geométricas e abstratas.

Nesta edição, focaliza o trabalho de artistas consagrados como Rubens Gerchman, Leonílson e Luiz Aquila, além de grandes nomes da arte nacional como Daniel Senise e João Câmara. A exposição também exibe talentos que marcaram a icônica mostra “Como vai você, Geração 80?” e continuaram explorando novas direções artísticas.

A curadoria da exposição é assinada pelas museólogas: Éricka Madeira e Thereza Khunert, 

Até 18 de outubro. 

Diálogo entre estrutura geométrica e percepção.

18/set

Artista da Galeria Mayer Mizrahi, J. Margulis participa da ArtRio – edição de 2026, em sua estreia no circuito carioca de arte. Para a feira, apresenta 26 obras em que planos sobrepostos, volumes, cor e luz criam diferentes configurações a partir do olhar do espectador. Os trabalhos estarão no espaço da Sergio Gonçalves Galeria – P3, no Pavilhão MAR.

J. Margulis desenvolve uma pesquisa que aproxima geometria, movimento e percepção. Suas obras são construídas em camadas, fazendo da profundidade e da relação entre diferentes planos elementos centrais de sua linguagem. A interação do público é parte essencial da experiência diante de sua obra. À medida que o corpo se desloca, novas relações entre as formas se revelam e a composição parece se reorganizar. É nesse diálogo entre estrutura geométrica e percepção que o artista constrói uma obra simultaneamente rigorosa e dinâmica.

Sua produção dialoga com a tradição da arte cinética e óptica latino-americana, ao mesmo tempo em que incorpora linguagem e elementos figurativos. Ao longo de sua trajetória, J. Margulis vem apresentando seu trabalho em exposições e feiras internacionais. Em 2025, realizou Speaking Volumes no Erarta Museum, em São Petersburgo. Em 2026, fez sua estreia no Brasil na SP-Arte, com a Galeria Mayer Mizrahi.

Sobre o artista.

José Margulis (Caracas, Venezuela) 1970. Vive e trabalha em Miami. Formado em Administração pela Universidad Metropolitana, iniciou sua trajetória artística na fotografia. Sua pesquisa atual articula abstração geométrica, arte cinética e investigação perceptiva. Entre suas exposições individuais, destaca-se Speaking Volumes, no Erarta Museum, em São Petersburgo, em 2025. Participou de importantes feiras internacionais, entre elas Art Basel Week, SP-Arte, Abu Dhabi Art e KIAF. Sua obra integra coleções em diferentes países e está presente no acervo do Museo Ixchel, na Guatemala. 

Exposição Afromayores abriu em setembro.

Primeira atividade do Instituto Cervantes em parceria com Instituto Pretos Novos, projeto audiovisual, fotográfico e de memória retorna ao Brasil em setembro.

Dedicada às histórias de pessoas negras e afrodescendentes com mais de 65 anos vinculadas à Espanha, a exposição itinerante “Afromayores” retorna ao Brasil em exibição na nova Galeria do Centro Cultural Pretos Novos, Gamboa, Rio de Janeiro, RJ. O projeto audiovisual, fotográfico e de memória foi criado pela jornalista e escritora Lucía Mbomío e pelo fotógrafo e documentarista Laurent Leger Adame e reúne retratos, entrevistas e arquivos pessoais para construir uma memória plural da presença negra na sociedade espanhola.

Para essa itinerância, o Instituto Cervantes do Rio de Janeiro está trazendo ao Brasil o músico brasileiro Batata. Residente há décadas na Espanha, ele é o único carioca/brasileiro retratado na exposição. Na ocasião, haverá um sarau de música e um coquetel de gastronomia afro-brasileira. O CEDINE-PIR e a Embaixada da Espanha no Brasil também apoiam a mostra. 

Sobre o projeto “Afromayores”.

O lema do projeto, “Somos porque foram”, resume a importância dessa transmissão intergeracional: compreender o presente exige reconhecer as pessoas e experiências que o tornaram possível. Ao chegar ao Brasil, a exposição estabelece um diálogo particularmente significativo com um território profundamente marcado pela história da diáspora africana. A circulação do projeto permite colocar em relação experiências negras construídas em contextos distintos e refletir sobre memória, pertencimento, deslocamento, envelhecimento e legado.

Sobre os criadores

Lucía Mbomío é jornalista atuante na televisão, escritora, diretora e roteirista de documentários. A sua trajetória profissional e literária tem abordado questões relacionadas à identidade, à memória, às diásporas africanas e às experiências afrodescendentes na Espanha.

Laurent Leger-Adame é fotógrafo e documentarista especializado em retrato e narrativa visual. Seu trabalho explora identidade, memória, dignidade e representação, combinando prática artística, documental e audiovisual.

Até 28 de novembro.