Pesquisas sobre o espaço e seu entorno.

28/ago

CHÃO e|and CHAOS + AQUI, de João Modé, abriu no porão do Museu Universitário Solar Grandjean de Montigny, na PUC-Rio, como parte da mostra Respiração, coletiva que inaugura a ART CUT’26, a Trienal de Arte das Universidades Católicas. Com o tema Exercícios de Empatia e curadoria-chefe de Nuno Crespo, Respiração conta com a cocuradoria de Luiz Camillo Osorio e Carlos Eduardo Félix da Costa e é organizada em três núcleos: Suspirar, Respirar e Conspirar.

Criada especialmente para a Trienal, CHÃO e|and CHAOS + AQUI parte das características físicas e da história do Solar, articulando elementos de sua arquitetura a pesquisas sobre o espaço e seu entorno. Entre as intervenções, Modé reveste parte do piso com argila, material amplamente utilizado na construção, em intervenções sutis que revelam detalhes do espaço e dialogam com seus arcos, o pé-direito, as dimensões reduzidas das salas e a umidade. A ocupação de Modé também incorpora objetos provenientes da pesquisa histórica do Solar, como um caramanchão de bambu, e inclui a projeção de AQUI.

AQUI, em processo desde 2009, é um filme autônomo projetado dentro da exposição. O trabalho reúne documentação fotográfica de viagens e deslocamentos realizados por Modé desde o fim dos anos 1980 e reflete sobre as relações entre fotografia, espaço, tempo e memória. A ênfase está nos lugares, em suas dimensões micro e macro, como espaços de memória afetiva e de uma geografia poética. Não aparecem pessoas; algumas vezes, apenas vozes. Nas palavras do artista, “O projeto AQUI pretende questionar o papel da fotografia na formação de uma memória espacial e temporal.” O trabalho recebeu o Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia em 2012.

A exposição fica em cartaz até 15 de novembro, com entrada gratuita, no Museu Universitário Solar Grandjean de Montigny, PUC-Rio.

O filme AQUI está disponível na íntegra para assistir online.

Ateliê de portas abertas.

27/ago

Jacqueline Belotti mantém seu próprio ateliê, que na segunda quinzena de setembro abre as portas para receber colecionadores, artistas, curadores e amantes da arte no evento Ateliê Aberto_Jacqueline Belotti convida Ney Valle.

Como parte do calendário cultural que tomará conta do Rio de Janeiro durante o mês de setembro, quando acontecerão a ArtRio e a Semana de Arte do Rio, as visitas serão realizadas entre os dias 16 e 30, sob agendamento. No dia 15, haverá um evento de abertura das 17h30 às 21h.

“Enquanto a casa que abriga meu ateliê não ganha um novo destino, sigo ocupando esse espaço onde morei, anos atrás, e pude pintar livremente suas paredes. Voltar a criar nesse ambiente tem sido um reencontro profundamente afetivo”, diz Jacqueline Belotti.

Foi desse sentimento que nasceu o convite para dividir esta ocupação com Ney Valle, seu amigo de longa data desde os tempos das aulas de pintura no Parque Lage.

“Reunir nossos trabalhos nesta casa, ainda que por um breve período, transforma este momento de transição em uma celebração da amizade, da pintura e da criação compartilhada”, conclui Ney Valle.

Sobre os artistas.

Jaqueline Belotti é artista visual e doutora em Artes Visuais. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Recebeu o Prêmio Funarte de Arte Contemporânea (2014) e o Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais (2013). Realizou exposições individuais no Brasil, participou de uma residência artística no Mosteiro Zen Budista de Ibiraçu-ES, e exposições em Portugal e Londres. Em 2024, apresentou a exposição individual E de Todas as Coisas Um, na Galeria Mercedes Viegas, com curadoria de Paula Terra-Neale.

Ney Valle é artista visual, designer e poeta. Nos anos 1990, fez a sua formação na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. E participou de diversas mostras coletivas e do último Salão Carioca de Arte (Parque Lage -1996). Após um longo período dedicado prioritariamente ao seu estúdio de Design (com projetos como ArtRio, Jogos Rio 2007 e Rio 2016, entre muitos outros ligados à arte e à cultura), desde 2017 vem participando de coletivas no Brasil assim como em Londres e Berlim. Em 2021, concluiu a pós-graduação em Escritas Performáticas – Procedimentos Artísticos e Invenção, na PUC. Vive e trabalha no Rio.

Visitação de 16 a 30 de setembro, sob agendamento. 

WhatsApp (21) 99783-6827 (Jacqueline) e 

                 (21) 99974-0056 (Ney)

Rua Fernando Magalhães, 396 – Horto – Jardim Botânico. 

Performance com abelhas.

19/ago

Para marcar o último dia da exposição “PRO-POLIS”, Ricardo Siri fará uma performance inédita neste sábado, dia 22 de agosto, às 14h, no Museu Histórico da Cidade, Gávea, Rio de Janeiro, RJ. O artista levará para o museu algumas das abelhas nativas que cria há oito anos em seu meliponário e fará uma performance sonora, a partir de seus zumbidos. “Será uma performance em parceria, eu levarei minhas abelhas e tocarei junto com elas”, conta o artista que já ganhou o Prêmio da Música Brasileira em 2010 com o álbum “Ultrasom”, gravado durante 09 meses a partir de uma experimentação e da gravação de sons do corpo da gestação de sua filha.

Para realizar a performance, o artista levará para o museu cinco espécies diferentes de abelhas, pois cada uma emite diferentes sons. Ele irá microfonar as abelhas e criará, ao vivo, uma música inédita juntamente com elas, a partir de seus sons e zumbidos. A performance será gratuita e aberta ao público.

Com curadoria de Fernanda Lopes, a exposição “PRO-POLIS” apresenta 20 obras inéditas do artista, entre pinturas e esculturas, produzidas com mel, cera de abelha e própolis. “Os trabalhos estabelecem uma ponte entre natureza, cidade e cultura, revelando processos invisíveis de construção coletiva, proteção e transformação”, afirma Ricardo Siri.

Universo pictórico em obras selecionadas.

18/ago

Subvertendo e reorganizando a lógica, Sergio Allevato oferece um repertório que vai da investigação literal à fabulação, evocando questões de ordem histórica, científica, política e filosófica. Através de um recorte de trabalhos recentes, na individual “A Traição das Imagens”, em cartaz na Galeria Patrícia Costa, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, a partir do dia 02 de setembro, o artista apresenta um conjunto de obras que desafiam certezas e propõem novas leituras sobre o mundo.

“Durante alguns anos, me isolei no ateliê e comecei a produzir, tomado por uma explosão criativa ininterrupta, mantida até hoje. Esse processo resultou em diversas séries desde 2020, sempre seguindo minha linha de pesquisa sobre meio ambiente. Como artista latino-americano, não poderia deixar de abordar em meus trabalhos temas como identidade, pertencimento e outros assuntos que me tocam”, diz o artista. 

Sob a curadoria de Vanda Klabin, foram selecionadas pinturas em tinta acrílica e à óleo sobre tela e linho, além de dois objetos escultóricos da série “Tempo”, produzidos com relógios de parede antigos arrematados pelo artista em leilões. A exposição evidencia a consistência da pesquisa desenvolvida pelo artista ao longo dos últimos anos, elencando obras que articulam rigor formal, imaginação e reflexão crítica.

Sobre o artista.

Sergio Allevato estudou a flora brasileira na Fundação Botânica Margaret Mee, no Royal Botanic Gardens, Kew, em Londres e ali adquiriu conhecimento a partir das ilustrações de elementos botânicos oriundos de seus estudos com componentes científicos. Nascido no Rio de Janeiro em 1971, aos 16 anos morou em Florença por três meses, onde cursou pintura e desenho na Scuola Lorenzo de’Medici. Mestre em Arte Contemporânea pela Goldsmiths College of London, Londres, UK, de 2006 a 2008, frequentou o Parque Lage em 2005 e 2006. Em 2001, foi artista em residência do Museu do Deserto do Arizona, Tucson, USA. Em 2007, ganhou o Prêmio Aquisição do Salão da Bahia, tendo duas de suas obras a integrar a coleção do MAM Bahia. Foi indicado ao Prêmio PIPA em 2010 e 2012. .

Até 26 de setembro.

Processos de pesquisa e de criação.

17/ago

 

 

Depois de ser apresentada na rede de Institutos Cervantes, passando por Budapeste, Cracóvia, Palermo, e por último em Lisboa, a exposição “Inventário. Os objetos olham para nós” inicia sua itinerância no Brasil pela sede do Instituto Cervantes do Rio de Janeiro, em Botafogo, a partir do dia 28 de agosto, seguindo posteriormente para Porto Alegre. 

Em parceria com o festival FOTORIO, na cidade carioca estará incluída na programação oficial dos eventos que o antecedem e se desdobra em duas atividades. No dia 28 de agosto, às 18h, haverá uma conversa no auditório do ICRio entre a fotógrafa da mostra, Beatriz Ruibal, e o diretor do festival FOTORIO, Milton Guran. Ambos possuem projetos de pesquisas relacionados à fotografia, memória e Guerra Civil Espanhola: durante anos, Milton pesquisou a famosa “A mala mexicana”, de Robert Capa (conjunto de cerca de 4.500 negativos fotográficos da Guerra Civil Espanhola desaparecido por mais de meio século até ser encontrado na Cidade do México em 2007). O bate-papo será sobre os seus processos de pesquisa e de criação, bem como os pontos em comum entre seus trabalhos. No mesmo dia, a partir das 19h15, será inaugurada a exposição “Inventário. Os objetos olham para nós”, que ficará em cartaz durante dois meses.

Sobre a artista. 

Beatriz Ruibal é uma premiada artista visual radicada em Madrid. Seu trabalho vem se desenvolvendo desde 1992 por meio de ensaios fotográficos, videoarte e instalações. Seus interesses estéticos, históricos e sociais derivam de sua formação em Filosofia e Comunicação audiovisual, bem como de sua pesquisa e edição literária de obras de escritores e poetas hispano-americanos e norte-americanos.

Até 28 de outubro.

As tramas flexíveis de Ascânio MMM.

13/ago

A Galeria Silvia Cintra+Box, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, 4 apresenta até 26 de setembro, a produção inédita de Ascânio MMM: formatos irregulares e muita cor em tramas flexíveis de alumínio.

Um conjunto de trabalhos inéditos é o que o escultor Ascânio MMM apresenta na exposição “Poex**”, na galeria Silvia Cintra+Box 4, com abertura no sábado, 15 de agosto, de 16 às 19 horas. “Poex” reúne 10 peças de parede e uma escultura de chão, penetrável, de quase quatro metros de altura, realizadas entre 2024 e 2026.

A novidade desta série de trabalhos de perfis de alumínio e parafusos é a troca dos perímetros quadrados e retangulares, da fase anterior, por irregularidades na montagem dos elementos de metal vazado que constituem a peça.

Em seu texto de apresentação, o crítico Felipe Scovino diz que “Poex passa não só a adotar formatos irregulares, mas, acima de tudo, institui a ruptura da trama. O sistema em grid […] não deixa de existir, mas passa a ser atravessado por um regime da falta”. Felipe Scovino defende que nesta mostra, o vazio é uma força poética do trabalho.

**Poex é a abreviação de “poética experimental”, expressão proposta por Paulo Herkenhoff a respeito da pesquisa do artista, no livro “Ascânio MMM: poética da razão”.

Minibio

Ascânio Maria Martins Monteiro, abreviado para Ascânio MMM, nasceu em Fão, em 1941. Mudou-se definitivamente para o Rio de Janeiro com a família em 1959, e naturalizou-se brasileiro em 1970. Vive e trabalha no Rio. É formado em Arquitetura (UFRJ) e estudou arte na Escola Nacional de Belas Artes. Em 1972, Ascânio MMM ganhou o Grande Prêmio do Panorama da Arte Brasileira do MAM-SP e o Prêmio Viagem e Aquisição no Salão Nacional de Artes Plásticas 1978 [MEC Rio]. Participou da Bienal Internacional de São Paulo 1969 e 1979 – nesta última como artista convidado, e da Bienal do Mercosul 1997. Ele integra os acervos do MASP, MAC-SP, MAM-SP, MAM Rio, Museu Nacional de Belas Artes [RJ], Museu de Arte do Rio [MAR] e Pinacoteca do Estado de São Paulo. Seu currículo soma cerca de 36 individuais no Rio, SP, BH, Curitiba, Recife, Lisboa, Porto, e 110 coletivas e salões. Nos anos 2020, participou de coletivas históricas no MASP, MAC SP, MAM Rio, MAM SP e no Instituto Tomie Ohtake. O escultor tem obras de grandes dimensões em espaços públicos, como na sede da Prefeitura do Rio de Janeiro [Av. Presidente Vargas, Centro], no Edifício Argentina [Praia de Botafogo 228], no Edifício Residencial Daniel Maclise [Rua Cosme Velho 415, Cosme Velho], nos hotéis Royalty Copacabana e Barra da Tijuca, na sede da GlaxoSmithKline, Jacarepaguá [RJ]; no Edifício Matarazzo, onde está a sede da Prefeitura de São Paulo, na Sé, no Edifício Salvador Dali, Belo Horizonte, e na Assembleia Legislativa de Teresina, Piauí. No exterior, Ascânio tem peças na sede da Caixa Geral de Depósitos de Lisboa e no Largo do Cortinhal, em Fão, Portugal, e no Edifício Nissin, Tóquio, Japão.

Dois modos de pintar o corpo.

Andy Vilella e Gerben Mulder aproximam figura, matéria e transformação em exposição no Tropigalpão, Glória, Rio de Janeiro, RJ..

A NND | AZECO apresenta a exposição “Demons in Fragile Bodies”, com curadoria de Victor Gorgulho, a partir de 13 de agosto. A mostra reúne Andy Vilella e Gerben Mulder, dois artistas de trajetórias e contextos distintos que encontram na pintura um campo de experimentação e investigação.

A exposição aproxima duas pesquisas que têm a pintura como eixo, mas partem de experiências bastante diferentes. Andy Vilella desenvolve uma prática marcada pela experimentação de materiais, pelo gesto e pela relação do próprio corpo com a superfície da tela, articulando procedimentos como acrílica, stencil, bastão oleoso, spray e fogo. Gerben Mulder constrói uma pintura de atmosfera onírica e inquietante, povoada por flores, animais e figuras humanas que transitam entre o reconhecimento e a deformação. Ao reunir os dois artistas, “Demons in Fragile Bodies” cria um campo de diálogo entre diferentes maneiras de construir a imagem e de tensionar os limites da representação.

O encontro entre os dois artistas se dá a partir de uma aproximação construída para esta exposição, colocando em relação trabalhos que não partem das mesmas referências nem utilizam os mesmos procedimentos. O próprio título sugere uma convivência entre forças aparentemente opostas – aquilo que inquieta e aquilo que é vulnerável -, aspecto que encontra diferentes ressonâncias nas pinturas de Vilella e Mulder. A escolha de reunir os dois permite observar como diferentes experiências com a pintura podem produzir imagens que oscilam entre o reconhecimento e o estranhamento, entre a presença do corpo e sua transformação. Mais do que estabelecer equivalências, a mostra propõe acompanhar essas aproximações e diferenças no espaço expositivo.

As trajetórias dos dois artistas também revelam diferentes momentos de consolidação de suas pesquisas. Andy Vilella participou recentemente de uma exposição no Museu de Arte Contemporânea, em Salvador, que resultou na incorporação de sua obra à coleção permanente da instituição. Gerben Mulder, por sua vez, já apresentou seu trabalho no Rio de Janeiro em diferentes contextos: em 2024, dividiu as salas da Carpintaria com Iberê Camargo, em mostra com curadoria de Luiz Zerbini, Paulo Azeco e Tiago Mesquita, e, no mesmo ano, teve sua produção reunida em O burro cansou, na NONADA ZN, com curadoria de Luiz Zerbini e Paulo Azeco. Em “Demons in Fragile Bodies”, os dois artistas se encontram agora em uma exposição dedicada ao diálogo entre suas produções.

Sobre os artistas.

Andy Vilella nasceu no Rio de Janeiro, 1994. O artista tem a pintura como eixo de sua produção, desenvolvendo uma pesquisa marcada pela experimentação material e pela relação corporal com a superfície da obra. Acrílica, stencil, bastão oleoso, spray e fogo integram seu repertório de procedimentos, em uma prática que articula gesto, matéria e questões relacionadas à construção de gênero. Sua pintura transita entre o figurativo e o abstrato e privilegia o processo, a experimentação e a construção de uma linguagem própria.

Gerben Mulder nasceu em Amsterdã, Holanda, 1972. Autodidata, Gerben Mulder constrói uma pintura de atmosfera onírica e inquietante, em que flores, animais e figuras humanas aparecem em cenas fragmentárias e naturezas-mortas. Seus personagens transitam entre rostos adultos e corpos infantis, entre inocência e perversidade, enquanto paletas sombrias e gestos turbulentos conferem às imagens uma dimensão ambígua. O artista combina o caráter lúgubre de suas pinturas a um humor sarcástico, perceptível nos sorrisos tortos e nos títulos irônicos de parte de sua produção.

Até 10 de setembro.

Paço Imperial realiza seminário.

Evento gratuito acontece nos dias 21 e 22 de agosto, com a participação de artistas, curadores e pesquisadores, e integra a exposição “Nordeste Expandido: estratégias de (re) existir”.

O seminário contará com a participação de artistas, curadores e pesquisadores, como as curadoras e professoras Izabela Pucu, Luiza Interlenghi e Marisa Flórido Cesar; o historiador, sociólogo e pesquisador Alexandre Barbalho; os artistas Alan Adi, Simone Barreto e Dinho Araujo; a psicóloga, professora e arte-educadora Mariana Bessa e a artista, gestora cultural, educadora e curadora Samantha Moreira.

O seminário terá duas rodas de conversa, uma no dia 21 e outra no dia 22 de agosto, ambas com entrada gratuita. A primeira será “Nordestes e pesquisas em trânsito”, no dia 21 de agosto, sexta-feira, às 16h, que propõe um espaço de diálogo sobre a região e a sua produção a partir do olhar de Izabela Pucu, Luiza Interlenghi, Marisa Flórido, Alexandre Barbalho e Alan Adi. Mais do que pensar o Nordeste como uma unidade homogênea, a ideia é reconhecer o que emerge de diferentes territórios, experiências, temporalidades e modos de produzir conhecimento. Cada pesquisa constrói, desloca ou tenciona determinadas imagens e sentidos atribuídos à região. Assim, a roda busca abrir espaço e alargar conceitos para que diferentes vozes e experiências revelem as diferenças, as contradições, os deslocamentos e as reinvenções. Nesse movimento, a produção artística também se apresenta como campo de criação e disputa, capaz de inventar outras imagens e possibilidades para os Nordestes. Entre pesquisas, produções e experiências, a arte aparece como espaço de trânsito.

No dia 22 de agosto, às 15h, será realizada a conversa “Territórios, imaginação e educação – processos educativos”, que propõe um encontro entre artistas que, em diferentes edições do projeto, também participaram da construção e da experiência dos processos educativos. A partir dessas vivências, a conversa busca refletir sobre as relações entre arte, território e educação, compreendendo o educativo não apenas como mediação, mas como espaço de encontro, escuta, experimentação e produção coletiva de sentidos. As experiências dos participantes permitem pensar como diferentes territórios atravessam as práticas artísticas e educativas e como a imaginação pode criar outras formas de perceber, ocupar e narrar esses espaços. Nesse percurso, a roda pretende compartilhar experiências e pensar coletivamente os caminhos possíveis para processos educativos que sejam sensíveis às particularidades dos territórios e às múltiplas formas de produzir conhecimento.

A exposição “Nordeste Expandido: estratégias de (re) existir” pode ser vista até o dia 06 de setembro. Com curadoria de Jacqueline de Medeiros e curadoria adjunta de Cecília Gallindo Cornélio, a mostra apresenta 216 obras de 110 artistas da região Nordeste do Brasil, em uma itinerância iniciada em 2023 no Recife, que já passou por Fortaleza, Natal, São Luís, Teresina, João Pessoa e Aracaju até chegar ao Rio de Janeiro.

Reciclando plástico e papelão.

07/ago

Galeria de Arte Solar apresenta até 09 de outubro, “Maré de origem”, individual da artista cearense Brenda Guimarães. A exposição traz obras criadas a partir de embalagens descartadas, entre objetos, esculturas e pinturas matéricas. A mostra abre no dia 14 de agosto, em diálogo com o projeto ambiental do Solar Meninos de Luz, na comunidade do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, no Rio de Janeiro.

Com curadoria de Adriana Nakamuta, a individual reúne cerca de dez obras, entre objetos, esculturas e pinturas matéricas, incluindo cinco trabalhos inéditos. A mostra apresenta a pesquisa da artista cearense que transforma resíduos de plástico e papelão em objetos de arte e design a partir de uma técnica autoral derivada do papel machê. Em cartaz até 9 de outubro, com entrada gratuita, a exposição conecta-se com o programa “Do Morro ao Mar: Justiça Ambiental em Ação”, projeto pedagógico e ambiental, que rendeu ao Solar Meninos de Luz o selo Escola Azul. 

Na Galeria de Arte Solar, Brenda Guimarães apresenta um conjunto de obras que parte de uma investigação sobre memória, materialidade e futuro, com base em material de descarte urbano, atado, rearranjado, sobreposto e recoberto por massa de celulose, feita de papelão e pigmentos minerais. Entre camadas que remetem a formações geológicas, organismos imaginados e paisagens afetivas, a artista constrói um território onde lembranças e natureza se encontram, numa reflexão sobre as relações entre o humano e a terra. Daí o título da exposição, “Maré de origem”, e das séries apresentadas, “Escavação” e “Abissal”.

Formada em Design de Moda, Brenda Guimarães trabalhou por mais de 18 anos no varejo antes de dedicar-se às artes visuais. A convivência com uma cadeia produtiva marcada pelo consumo acelerado despertou questionamentos que hoje atravessam sua obra. “Os objetos descartados carregam marcas do tempo e da nossa relação com o mundo. Ao reinseri-los em novos contextos, convido o público a refletir sobre o impacto que produzimos no meio ambiente e sobre outras possibilidades de convivência com a matéria”, diz a artista.

Exposição e visita guiada para ver Vik Muniz.

04/ago

O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ) promove no dia 05 de agosto, às 15h, uma visita mediada ao público à exposição “Vik Muniz – A Olho Nu”, feita pelo curador Daniel Rangel. 

Às 18h, haverá a exibição única no Cinema I do CCBB do premiado documentário “Lixo Extraordinário” (“Waste Land”), 2010, 1h39 min, com direção de Lucy Walker, e codireção de João Jardim e Karen Harley, que acompanha Vik Muniz junto com os catadores no lixão de Jardim Gramacho, o maior depósito a céu aberto da América Latina, que existiu de 1976 a 2012. A trilha sonora é de Moby. Daniel Rangel, curador da exposição, fará a apresentação do filme. classificação livre, e a entrada para os dois eventos é gratuita.