As redes de Daisy Xavier.

31/ago

Maneco Müller: Multiplo Galeria, Leblon,  Rio de Janeiro, RJ, promove conversa entre Daisy Xavier e o crítico de arte Fred Coelho. Com quatro décadas de trajetória na arte visual, artista carioca fala de sua pesquisa poética ligada à sua atuação como psicoterapeuta. O encontro acontece no dia 03 de setembro, a partir das 18h30, com entrada franca.

A Maneco Müller: Multiplo Galeria, que promove o encontro em torno da exposição “Anfi”, atual cartaz da galeria, com entrada gratuita, uma oportunidade para o público conhecer com mais profundidade a obra da artista carioca com 40 anos de trajetória e cujo processo criativo acontece em diálogo com sua formação em psicologia e atuação como psicoterapeuta. 

O bate-papo parte dos trabalhos reunidos em “Anfi”, primeira exposição individual de Daisy Xavier na galeria, e aborda questões recorrentes em sua pesquisa, como a permeabilidade das fronteiras entre “o dentro e o fora”, identidade e alteridade. Na produção da artista, essas relações são frequentemente representadas pela figura da rede, que ganha destaque nas pinturas e desenhos que compõem a mostra. Neles, linhas se sobrepõem, cruzam e se conectam, formando tramas que desafiam a lógica, numa dinâmica visual que funciona como metáfora dos fluxos instáveis do inconsciente.

Autor do texto crítico da mostra, Fred Coelho participa do encontro para aprofundar as questões presentes na pesquisa de Daisy Xavier e nos trabalhos reunidos em “Anfi”. Em sua análise, ele destaca a força das tramas criadas pela artista e a maneira como elas estabelecem relações com aquilo que não está imediatamente visível: “Dos traços firmes e urgentes que Daisy provoca nesses trabalhos, temos uma série de diálogos em direção ao que não está ali”.

A exposição fica em cartaz até 04 de setembro.

Exposição Amazônicas: Poéticas femininas.

Inaugurada na semana do Dia da Amazônia, mostra terá obras de artistas mulheres do Pará, Acre e Amazonas, e também será apresentada no metaverso, com experiência imersiva.

A Amazônia é um território historicamente marcado por mulheres protagonistas, pioneiras e fundamentais para a formação cultural do Brasil. Partindo desta ideia, a exposição “Amazônicas: Poéticas femininas” chega ao Centro Cultural Banco do Brasil, Centro, Rio de Janeiro no dia 02 de setembro, apresentando a potência da arte contemporânea produzida por mulheres, de diferentes gerações. O Dia da Amazônia, instituído em 2007 e celebrado no dia 05 de setembro, reforça a importância da Amazônia e estimula a conscientização sobre sua preservação.

Sobre a técnica ancestral da feltragem.

O Paço Imperial, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta dia 05 de setembro conversa com Kyria Oliveira sobre a pesquisa e os processos criativos da exposição Micélio, entre o fim e o começo de tudo, marcando o encontro entre a artista e a curadora de arte e poeta Alexia Carpilovsky para apresentar a técnica ancestral da feltragem em lã natural e os caminhos que deram origem à mostra.
A atividade propõe um mergulho na pesquisa que deu origem à série “Micélio”. Kyria Oliveira compartilhará sua experiência de campo realizada na Argentina e no Peru, onde entrou em contato com comunidades que preservam a técnica ancestral da feltragem com lã natural – um saber preservado, em grande parte, por mulheres. Pouco difundida no Brasil, onde o clima tropical não favorece a cultura da lã, a feltragem permanece viva em regiões de clima mais frio, onde a criação de ovelhas faz parte do cotidiano.
Alexia Carpilovsky participa do encontro trazendo reflexões sobre as relações entre arte contemporânea, memória e tradição. Integrante da equipe de comunicação do Instituto PIPA, desenvolve projetos que exploram a interseção entre artes visuais e literatura, costurando imagens e palavras.

Pesquisas sobre o espaço e seu entorno.

28/ago

CHÃO e|and CHAOS + AQUI, de João Modé, abriu no porão do Museu Universitário Solar Grandjean de Montigny, na PUC-Rio, como parte da mostra Respiração, coletiva que inaugura a ART CUT’26, a Trienal de Arte das Universidades Católicas. Com o tema Exercícios de Empatia e curadoria-chefe de Nuno Crespo, Respiração conta com a cocuradoria de Luiz Camillo Osorio e Carlos Eduardo Félix da Costa e é organizada em três núcleos: Suspirar, Respirar e Conspirar.

Criada especialmente para a Trienal, CHÃO e|and CHAOS + AQUI parte das características físicas e da história do Solar, articulando elementos de sua arquitetura a pesquisas sobre o espaço e seu entorno. Entre as intervenções, Modé reveste parte do piso com argila, material amplamente utilizado na construção, em intervenções sutis que revelam detalhes do espaço e dialogam com seus arcos, o pé-direito, as dimensões reduzidas das salas e a umidade. A ocupação de Modé também incorpora objetos provenientes da pesquisa histórica do Solar, como um caramanchão de bambu, e inclui a projeção de AQUI.

AQUI, em processo desde 2009, é um filme autônomo projetado dentro da exposição. O trabalho reúne documentação fotográfica de viagens e deslocamentos realizados por Modé desde o fim dos anos 1980 e reflete sobre as relações entre fotografia, espaço, tempo e memória. A ênfase está nos lugares, em suas dimensões micro e macro, como espaços de memória afetiva e de uma geografia poética. Não aparecem pessoas; algumas vezes, apenas vozes. Nas palavras do artista, “O projeto AQUI pretende questionar o papel da fotografia na formação de uma memória espacial e temporal.” O trabalho recebeu o Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia em 2012.

A exposição fica em cartaz até 15 de novembro, com entrada gratuita, no Museu Universitário Solar Grandjean de Montigny, PUC-Rio.

O filme AQUI está disponível na íntegra para assistir online.

Ateliê de portas abertas.

27/ago

Jacqueline Belotti mantém seu próprio ateliê, que na segunda quinzena de setembro abre as portas para receber colecionadores, artistas, curadores e amantes da arte no evento Ateliê Aberto_Jacqueline Belotti convida Ney Valle.

Como parte do calendário cultural que tomará conta do Rio de Janeiro durante o mês de setembro, quando acontecerão a ArtRio e a Semana de Arte do Rio, as visitas serão realizadas entre os dias 16 e 30, sob agendamento. No dia 15, haverá um evento de abertura das 17h30 às 21h.

“Enquanto a casa que abriga meu ateliê não ganha um novo destino, sigo ocupando esse espaço onde morei, anos atrás, e pude pintar livremente suas paredes. Voltar a criar nesse ambiente tem sido um reencontro profundamente afetivo”, diz Jacqueline Belotti.

Foi desse sentimento que nasceu o convite para dividir esta ocupação com Ney Valle, seu amigo de longa data desde os tempos das aulas de pintura no Parque Lage.

“Reunir nossos trabalhos nesta casa, ainda que por um breve período, transforma este momento de transição em uma celebração da amizade, da pintura e da criação compartilhada”, conclui Ney Valle.

Sobre os artistas.

Jaqueline Belotti é artista visual e doutora em Artes Visuais. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Recebeu o Prêmio Funarte de Arte Contemporânea (2014) e o Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais (2013). Realizou exposições individuais no Brasil, participou de uma residência artística no Mosteiro Zen Budista de Ibiraçu-ES, e exposições em Portugal e Londres. Em 2024, apresentou a exposição individual E de Todas as Coisas Um, na Galeria Mercedes Viegas, com curadoria de Paula Terra-Neale.

Ney Valle é artista visual, designer e poeta. Nos anos 1990, fez a sua formação na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. E participou de diversas mostras coletivas e do último Salão Carioca de Arte (Parque Lage -1996). Após um longo período dedicado prioritariamente ao seu estúdio de Design (com projetos como ArtRio, Jogos Rio 2007 e Rio 2016, entre muitos outros ligados à arte e à cultura), desde 2017 vem participando de coletivas no Brasil assim como em Londres e Berlim. Em 2021, concluiu a pós-graduação em Escritas Performáticas – Procedimentos Artísticos e Invenção, na PUC. Vive e trabalha no Rio.

Visitação de 16 a 30 de setembro, sob agendamento. 

WhatsApp (21) 99783-6827 (Jacqueline) e 

                 (21) 99974-0056 (Ney)

Rua Fernando Magalhães, 396 – Horto – Jardim Botânico. 

Performance com abelhas.

19/ago

Para marcar o último dia da exposição “PRO-POLIS”, Ricardo Siri fará uma performance inédita neste sábado, dia 22 de agosto, às 14h, no Museu Histórico da Cidade, Gávea, Rio de Janeiro, RJ. O artista levará para o museu algumas das abelhas nativas que cria há oito anos em seu meliponário e fará uma performance sonora, a partir de seus zumbidos. “Será uma performance em parceria, eu levarei minhas abelhas e tocarei junto com elas”, conta o artista que já ganhou o Prêmio da Música Brasileira em 2010 com o álbum “Ultrasom”, gravado durante 09 meses a partir de uma experimentação e da gravação de sons do corpo da gestação de sua filha.

Para realizar a performance, o artista levará para o museu cinco espécies diferentes de abelhas, pois cada uma emite diferentes sons. Ele irá microfonar as abelhas e criará, ao vivo, uma música inédita juntamente com elas, a partir de seus sons e zumbidos. A performance será gratuita e aberta ao público.

Com curadoria de Fernanda Lopes, a exposição “PRO-POLIS” apresenta 20 obras inéditas do artista, entre pinturas e esculturas, produzidas com mel, cera de abelha e própolis. “Os trabalhos estabelecem uma ponte entre natureza, cidade e cultura, revelando processos invisíveis de construção coletiva, proteção e transformação”, afirma Ricardo Siri.

Universo pictórico em obras selecionadas.

18/ago

Subvertendo e reorganizando a lógica, Sergio Allevato oferece um repertório que vai da investigação literal à fabulação, evocando questões de ordem histórica, científica, política e filosófica. Através de um recorte de trabalhos recentes, na individual “A Traição das Imagens”, em cartaz na Galeria Patrícia Costa, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, a partir do dia 02 de setembro, o artista apresenta um conjunto de obras que desafiam certezas e propõem novas leituras sobre o mundo.

“Durante alguns anos, me isolei no ateliê e comecei a produzir, tomado por uma explosão criativa ininterrupta, mantida até hoje. Esse processo resultou em diversas séries desde 2020, sempre seguindo minha linha de pesquisa sobre meio ambiente. Como artista latino-americano, não poderia deixar de abordar em meus trabalhos temas como identidade, pertencimento e outros assuntos que me tocam”, diz o artista. 

Sob a curadoria de Vanda Klabin, foram selecionadas pinturas em tinta acrílica e à óleo sobre tela e linho, além de dois objetos escultóricos da série “Tempo”, produzidos com relógios de parede antigos arrematados pelo artista em leilões. A exposição evidencia a consistência da pesquisa desenvolvida pelo artista ao longo dos últimos anos, elencando obras que articulam rigor formal, imaginação e reflexão crítica.

Sobre o artista.

Sergio Allevato estudou a flora brasileira na Fundação Botânica Margaret Mee, no Royal Botanic Gardens, Kew, em Londres e ali adquiriu conhecimento a partir das ilustrações de elementos botânicos oriundos de seus estudos com componentes científicos. Nascido no Rio de Janeiro em 1971, aos 16 anos morou em Florença por três meses, onde cursou pintura e desenho na Scuola Lorenzo de’Medici. Mestre em Arte Contemporânea pela Goldsmiths College of London, Londres, UK, de 2006 a 2008, frequentou o Parque Lage em 2005 e 2006. Em 2001, foi artista em residência do Museu do Deserto do Arizona, Tucson, USA. Em 2007, ganhou o Prêmio Aquisição do Salão da Bahia, tendo duas de suas obras a integrar a coleção do MAM Bahia. Foi indicado ao Prêmio PIPA em 2010 e 2012. .

Até 26 de setembro.

Processos de pesquisa e de criação.

17/ago

 

 

Depois de ser apresentada na rede de Institutos Cervantes, passando por Budapeste, Cracóvia, Palermo, e por último em Lisboa, a exposição “Inventário. Os objetos olham para nós” inicia sua itinerância no Brasil pela sede do Instituto Cervantes do Rio de Janeiro, em Botafogo, a partir do dia 28 de agosto, seguindo posteriormente para Porto Alegre. 

Em parceria com o festival FOTORIO, na cidade carioca estará incluída na programação oficial dos eventos que o antecedem e se desdobra em duas atividades. No dia 28 de agosto, às 18h, haverá uma conversa no auditório do ICRio entre a fotógrafa da mostra, Beatriz Ruibal, e o diretor do festival FOTORIO, Milton Guran. Ambos possuem projetos de pesquisas relacionados à fotografia, memória e Guerra Civil Espanhola: durante anos, Milton pesquisou a famosa “A mala mexicana”, de Robert Capa (conjunto de cerca de 4.500 negativos fotográficos da Guerra Civil Espanhola desaparecido por mais de meio século até ser encontrado na Cidade do México em 2007). O bate-papo será sobre os seus processos de pesquisa e de criação, bem como os pontos em comum entre seus trabalhos. No mesmo dia, a partir das 19h15, será inaugurada a exposição “Inventário. Os objetos olham para nós”, que ficará em cartaz durante dois meses.

Sobre a artista. 

Beatriz Ruibal é uma premiada artista visual radicada em Madrid. Seu trabalho vem se desenvolvendo desde 1992 por meio de ensaios fotográficos, videoarte e instalações. Seus interesses estéticos, históricos e sociais derivam de sua formação em Filosofia e Comunicação audiovisual, bem como de sua pesquisa e edição literária de obras de escritores e poetas hispano-americanos e norte-americanos.

Até 28 de outubro.

As tramas flexíveis de Ascânio MMM.

13/ago

A Galeria Silvia Cintra+Box, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, 4 apresenta até 26 de setembro, a produção inédita de Ascânio MMM: formatos irregulares e muita cor em tramas flexíveis de alumínio.

Um conjunto de trabalhos inéditos é o que o escultor Ascânio MMM apresenta na exposição “Poex**”, na galeria Silvia Cintra+Box 4, com abertura no sábado, 15 de agosto, de 16 às 19 horas. “Poex” reúne 10 peças de parede e uma escultura de chão, penetrável, de quase quatro metros de altura, realizadas entre 2024 e 2026.

A novidade desta série de trabalhos de perfis de alumínio e parafusos é a troca dos perímetros quadrados e retangulares, da fase anterior, por irregularidades na montagem dos elementos de metal vazado que constituem a peça.

Em seu texto de apresentação, o crítico Felipe Scovino diz que “Poex passa não só a adotar formatos irregulares, mas, acima de tudo, institui a ruptura da trama. O sistema em grid […] não deixa de existir, mas passa a ser atravessado por um regime da falta”. Felipe Scovino defende que nesta mostra, o vazio é uma força poética do trabalho.

**Poex é a abreviação de “poética experimental”, expressão proposta por Paulo Herkenhoff a respeito da pesquisa do artista, no livro “Ascânio MMM: poética da razão”.

Minibio

Ascânio Maria Martins Monteiro, abreviado para Ascânio MMM, nasceu em Fão, em 1941. Mudou-se definitivamente para o Rio de Janeiro com a família em 1959, e naturalizou-se brasileiro em 1970. Vive e trabalha no Rio. É formado em Arquitetura (UFRJ) e estudou arte na Escola Nacional de Belas Artes. Em 1972, Ascânio MMM ganhou o Grande Prêmio do Panorama da Arte Brasileira do MAM-SP e o Prêmio Viagem e Aquisição no Salão Nacional de Artes Plásticas 1978 [MEC Rio]. Participou da Bienal Internacional de São Paulo 1969 e 1979 – nesta última como artista convidado, e da Bienal do Mercosul 1997. Ele integra os acervos do MASP, MAC-SP, MAM-SP, MAM Rio, Museu Nacional de Belas Artes [RJ], Museu de Arte do Rio [MAR] e Pinacoteca do Estado de São Paulo. Seu currículo soma cerca de 36 individuais no Rio, SP, BH, Curitiba, Recife, Lisboa, Porto, e 110 coletivas e salões. Nos anos 2020, participou de coletivas históricas no MASP, MAC SP, MAM Rio, MAM SP e no Instituto Tomie Ohtake. O escultor tem obras de grandes dimensões em espaços públicos, como na sede da Prefeitura do Rio de Janeiro [Av. Presidente Vargas, Centro], no Edifício Argentina [Praia de Botafogo 228], no Edifício Residencial Daniel Maclise [Rua Cosme Velho 415, Cosme Velho], nos hotéis Royalty Copacabana e Barra da Tijuca, na sede da GlaxoSmithKline, Jacarepaguá [RJ]; no Edifício Matarazzo, onde está a sede da Prefeitura de São Paulo, na Sé, no Edifício Salvador Dali, Belo Horizonte, e na Assembleia Legislativa de Teresina, Piauí. No exterior, Ascânio tem peças na sede da Caixa Geral de Depósitos de Lisboa e no Largo do Cortinhal, em Fão, Portugal, e no Edifício Nissin, Tóquio, Japão.

Dois modos de pintar o corpo.

Andy Vilella e Gerben Mulder aproximam figura, matéria e transformação em exposição no Tropigalpão, Glória, Rio de Janeiro, RJ..

A NND | AZECO apresenta a exposição “Demons in Fragile Bodies”, com curadoria de Victor Gorgulho, a partir de 13 de agosto. A mostra reúne Andy Vilella e Gerben Mulder, dois artistas de trajetórias e contextos distintos que encontram na pintura um campo de experimentação e investigação.

A exposição aproxima duas pesquisas que têm a pintura como eixo, mas partem de experiências bastante diferentes. Andy Vilella desenvolve uma prática marcada pela experimentação de materiais, pelo gesto e pela relação do próprio corpo com a superfície da tela, articulando procedimentos como acrílica, stencil, bastão oleoso, spray e fogo. Gerben Mulder constrói uma pintura de atmosfera onírica e inquietante, povoada por flores, animais e figuras humanas que transitam entre o reconhecimento e a deformação. Ao reunir os dois artistas, “Demons in Fragile Bodies” cria um campo de diálogo entre diferentes maneiras de construir a imagem e de tensionar os limites da representação.

O encontro entre os dois artistas se dá a partir de uma aproximação construída para esta exposição, colocando em relação trabalhos que não partem das mesmas referências nem utilizam os mesmos procedimentos. O próprio título sugere uma convivência entre forças aparentemente opostas – aquilo que inquieta e aquilo que é vulnerável -, aspecto que encontra diferentes ressonâncias nas pinturas de Vilella e Mulder. A escolha de reunir os dois permite observar como diferentes experiências com a pintura podem produzir imagens que oscilam entre o reconhecimento e o estranhamento, entre a presença do corpo e sua transformação. Mais do que estabelecer equivalências, a mostra propõe acompanhar essas aproximações e diferenças no espaço expositivo.

As trajetórias dos dois artistas também revelam diferentes momentos de consolidação de suas pesquisas. Andy Vilella participou recentemente de uma exposição no Museu de Arte Contemporânea, em Salvador, que resultou na incorporação de sua obra à coleção permanente da instituição. Gerben Mulder, por sua vez, já apresentou seu trabalho no Rio de Janeiro em diferentes contextos: em 2024, dividiu as salas da Carpintaria com Iberê Camargo, em mostra com curadoria de Luiz Zerbini, Paulo Azeco e Tiago Mesquita, e, no mesmo ano, teve sua produção reunida em O burro cansou, na NONADA ZN, com curadoria de Luiz Zerbini e Paulo Azeco. Em “Demons in Fragile Bodies”, os dois artistas se encontram agora em uma exposição dedicada ao diálogo entre suas produções.

Sobre os artistas.

Andy Vilella nasceu no Rio de Janeiro, 1994. O artista tem a pintura como eixo de sua produção, desenvolvendo uma pesquisa marcada pela experimentação material e pela relação corporal com a superfície da obra. Acrílica, stencil, bastão oleoso, spray e fogo integram seu repertório de procedimentos, em uma prática que articula gesto, matéria e questões relacionadas à construção de gênero. Sua pintura transita entre o figurativo e o abstrato e privilegia o processo, a experimentação e a construção de uma linguagem própria.

Gerben Mulder nasceu em Amsterdã, Holanda, 1972. Autodidata, Gerben Mulder constrói uma pintura de atmosfera onírica e inquietante, em que flores, animais e figuras humanas aparecem em cenas fragmentárias e naturezas-mortas. Seus personagens transitam entre rostos adultos e corpos infantis, entre inocência e perversidade, enquanto paletas sombrias e gestos turbulentos conferem às imagens uma dimensão ambígua. O artista combina o caráter lúgubre de suas pinturas a um humor sarcástico, perceptível nos sorrisos tortos e nos títulos irônicos de parte de sua produção.

Até 10 de setembro.