Antonio Dias nos anos de exílio em Milão.

09/mar

Lançamento de publicação acompanhado de debates marca a última semana da exposição Antonio Dias/Image +  Mirage na Gomide&Co, Avenida Paulista, até 21 de março. O lançamento acontece no Instituto de Arte Contemporânea (IAC) no dia 14 de março (sábado), das 11h às 17h.

Na ocasião do lançamento, serão realizadas duas rodas de conversa sobre Antonio Dias e a exposição. A primeira acontece às 11h com a participação de Gustavo Motta, Sérgio Martins e Lara Rivetti, com mediação de Deyson Gilbert. A segunda será às 15h com a presença de Paulo Sergio Duarte e Luiz Renato Martins, com mediação de Gustavo Motta. Ambos os debates serão realizadas no auditório do IAC, no espaço do subsolo da instituição.

Resultado da colaboração entre a Gomide&Co e a Sprovieri, a publicação apresenta um conjunto de pinturas realizadas por Antonio Dias durante seus primeiros anos de exílio em Milão, entre 1968 e 1971, além de documentação complementar proveniente do Fundo Antonio Dias do IAC. O volume acompanha e registra as exposições ANTONIO DIAS: THE ILLUSTRATION OF ART, 1969-1971, apresentada pela Sprovieri, em Londres (15 de outubro a 19 de dezembro de 2025), e ANTONIO DIAS / IMAGE + MIRAGE, na Gomide&Co, em São Paulo (10 de fevereiro a 21 de março de 2026).

Entre as obras reproduzidas, destacam-se pinturas exibidas na primeira exposição individual de Antonio Dias no antigo Studio Marconi, em Milão, em 1969. Na sua ampla maioria, trata-se de trabalhos preservados por Gió Marconi, filho de Giorgio Marconi. À frente da Galleria Gió Marconi desde 1990 – após ter trabalhado com o pai no espaço experimental Studio Marconi 17 (1987-1990)-, Gió também é responsável pela Fondazione Marconi, fundada em 2004 com o objetivo de dar continuidade ao legado do pai.

Cerca de 160 obras de mais de 100 artistas.

05/mar

O Paço Imperial, Centro, Rio de Janeiro, RJ, inaugura, no dia 28 de março, a grande exposição “Constelações – 40 anos do Paço Imperial”, que celebra as quatro décadas do mais antigo centro cultural da região central. Com curadoria de Claudia Saldanha e Ivair Reinaldim, em parceria com a equipe da instituição, a mostra ocupará 12 salões e os dois pátios internos com cerca de 160 obras de mais de 100 artistas, de diferentes gerações, que fazem parte da história do centro cultural, como Antonio Dias, Adriana Varejão, Amilcar de Castro, Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino, Antonio Manuel, Arthur Bispo do Rosário, Beatriz Milhazes, Cildo Meireles, Denilson Baniwa, Hélio Oiticica, Iole de Freitas, Ivens Machado, Luiz Aquila, Luiz Zerbini, Lygia Clark, Lygia Pape, Marcela Cantuária, Maxwell Alexandre, Roberto Burle Marx, Tunga, entre muitos outros. Completam a mostra uma série de vídeos feitos pela Rio Arte com alguns artistas nas décadas de 1980 e 1990. No dia da inauguração, haverá uma mesa de abertura com convidados e, ao longo do período da exposição, serão realizados seminários, oficinas e atividades educativas, valorizando a importante trajetória da instituição.

Ao longo de sua história, o Paço Imperial realizou exposições com diversas vertentes, que vão desde arte contemporânea até arte popular, passando por arquitetura, design, paisagismo, história e patrimônio. Desta forma, a exposição “Constelações – 40 anos do Paço Imperial” abrange esse conceito e traz a ideia de reunião, sem hierarquia, juntando os artistas contemporâneos aos artistas populares, unindo diferentes gerações, técnicas e suportes em uma única mostra, dividida por núcleos temáticos. “Se a palavra constelação define um agrupamento de estrelas, cosmologicamente distantes umas das outras, mas conectadas pela imaginação humana, constituindo uma forma reconhecível com finalidades diversas, aqui reunidas, as obras produzidas por diferentes gerações de artistas procuram reforçar sua singularidade, assim como sua interação por proximidade”, afirmam os curadores, que ressaltam também a importância da constelação institucional, com obras emprestadas por diversos parceiros, como Instituto Moreira Salles, Museu Bispo do Rosário, Museu de Imagens do Inconsciente, Museu de Arte do Rio, Museus Castro Maya, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu do Folclore e Sítio Roberto Burle Marx.

Até 07 de junho.

Novo artista representado pela Gomide&Co.

04/mar

Marcel Broodthaers nasceu em Bruxelas em 1924 e morreu em 1976, em Colônia. Atuou principalmente como poeta até 1963, quando, nos últimos doze anos de sua vida, desenvolveu um corpo de trabalho amplo e multifacetado. Reconhecido por explorar as relações entre linguagem, objeto, retórica e imagem, sua produção inclui poesia, filme, fotografia, desenho, pintura, escultura e instalações.

Entre 1968 e 1972, fundou o Musée d’Art Moderne, Département des Aigles, concebido como um museu ficcional e itinerante, inicialmente instalado em sua residência em Bruxelas e posteriormente apresentado em diversos contextos. Nesse âmbito, produziu os Poèmes industriels, placas de plástico termoformadas a vácuo que combinam texto e imagem por meio de uma linguagem visual informada pela sinalização urbana e pela comunicação de massa. Nos últimos anos de sua vida, Broodthaers desenvolveu os Décors – ambientes expositivos imersivos e de grande escala que, em determinados momentos, incorporavam e rearticulavam elementos de trabalhos anteriores.

A obra de Broodthaers foi apresentada em importantes exposições internacionais, incluindo a Documenta (1972, 1982 e 1997), em Kassel, bem como a Venice Biennale (1976, 1978, 1986 e 2015) e a Bienal de São Paulo (1994 e 2006). Em 2016, uma grande retrospectiva foi organizada pelo Museum of Modern Art (MoMA), Nova York, que itinerou para o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri, e foi concluída na KunstsammlungNordrhein-Westfalen (K21), Düsseldorf, em 2017. Exposições individuais também foram realizadas na Tate Gallery, Londres (1980); no Palais des Beaux-Arts, Bruxelas (2000); no Kunstmuseum Basel (2014); no Fridericianum, Kassel (2015); no M HKA – Museum of Contemporary Art Antwerp (2019); na WIELS, Bruxelas (2021); na Kunsthaus Zürich (2023); e, em 2022, Marcel Broodthaers: Décor, apresentada na Gomide&Co, sua primeira exposição individual na América do Sul.

Sua obra integra importantes coleções públicas, incluindo o MoMA – The Museum of Modern Art, Nova York; a Tate Modern, Londres; o Musée National d’Art Moderne – Centre Georges Pompidou, Paris; a Bourse de Commerce – Pinault Collection, Paris; o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri; o Glenstone Museum, Potomac, EUA; o Hamburger Bahnhof – Nationalgalerie der Gegenwart, Berlim; a Staatsgalerie Stuttgart, Stuttgart; a K21, Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen, Düsseldorf; o Van Abbemuseum, Eindhoven; o S.M.A.K. – Stedelijk Museum voor Actuele Kunst e a Foundation Anton & Annik Herbert, Ghent, Bélgica; os Musées Royaux des Beaux-Arts de Belgique, Bruxelas; a Scottish National Gallery of Modern Art, Edimburgo; o Philadelphia Museum of Art, Filadélfia; a Samsung Collection, Seul; o Museum Voorlinden, Wassenaar, Países Baixos; o GES-2 (VAC Foundation), Moscou; entre muitas outras.

A coisa dRag no MAC NITERÓI.

O Ministério da Cultura, a Prefeitura de Niterói, a Secretaria Municipal das Culturas de Niterói e o Itaú Unibanco apresentam a exposição “A Coisa dRag”, no Museu de Arte Contemporânea – MAC Niterói, Rio de Janeiro, RJ.

Com abertura no dia 07 de março, às 10h, a mostra coletiva reúne obras de 35 artistas brasileiros, com curadoria de Sandro Ka. A exposição apresenta um recorte potente da produção contemporânea que toma o universo drag como referência, explorando múltiplas linguagens e propostas performativas, discursivas e visuais marcadas por tensionamento e provocação.

Participam da mostra os artistas Adriano Basilio, Amorim, André Venzon, Augusto Fonseca, Avilmar Maia, Caio Mateus, Camila Moreira, Carambola, Carolina Sanz, Cassandra Calabouço, Cavi Brandão, Cynthia Loeb, Dods Martinelli, Efe Godoy, Elis Rockenbach, Glau Glau, Hugo Houayek, Ítalo Carajá, Karine Mageste, Lai Borges, Lia Menna Barreto, Lorenzo Muratorio, Marcelo Batista, Maria Carolina, Rafa Bqueer, Renato Morcatti, Rodrigo Mogiz, Sandro Ka, Sarita Themônia, Tatiana Blass, Téti Waldraff, Thix, Tolentino Ferraz e Victor Borém.

Resultado de um mapeamento iniciado em 2024 na Escola de Belas Artes da UFMG, a mostra propõe a “dragficação” como lente para pensar a arte contemporânea, reunindo obras que questionam padrões, valores e convenções ligadas ao corpo, gênero, território e cultura.

Em cartaz até 7 de junho

Os 40 Anos de exposições no Paço Imperial

Convertendo memória e território em linguagem visual, o artista Luiz Aquila ressignifica a experiência vivida na viagem de 15 dias que fez ao México, em outubro do ano passado, na série inédita “Impregnação e sensação”. Reinterpretados como construções sensíveis entre memória, formas e cores, Luiz Aquila produziu sobre cartão, usando pastel, tinta guache e bastão de óleo, os seis novos trabalhos que integrarão a coletiva “Constelações – 40 Anos do Paço Imperial”, celebrando no dia 28 de março os 40 anos do Paço Imperial como centro cultural. A mostra comemorativa reunirá cerca de 100 artistas, sob curadoria da diretora da instituição, Claudia Saldanha (com equipe), e Ivair Reinaldim, membro do Comitê Brasileiro de História da Arte e do Conselho do Paço Imperial.

Além de Luiz Aquila, outros nomes consagrados – como Anna Bella Geiger, Cildo Meireles, Carlos Vergara, Luiz Pizarro, Iole de Freitas, Adriana Varejão, Beatriz Milhazes – estarão presentes através de suas obras, bem como artistas de várias gerações: Tiago Sant’Ana, Siwaju e Denilson Baniwa, e os participantes do Prêmio Pipa, Maxwell Alexandre, Cadu, Aline Motta e Enorê. Não se trata, portanto, de uma retrospectiva; o público verá algumas obras já mostradas antes, uma seleção de arte popular do Museu do Folclore e peças escolhidas do acervo do Museu do Inconsciente, fundado pela Dra. Nise da Silveira, e também do Museu Bispo do Rosário. Haverá, ainda exibição de vídeos de alguns artistas.

Sobre Luiz Aquila

Luiz Aquila é um dos mais ativos artistas brasileiros. Foi professor em Évora, Portugal; Universidade de Brasília; Centro de Criatividade da Unesco-DF e EAV Parque Lage-RJ, da qual foi diretor. Participou de mais de cem exposições individuais e coletivas, como Bienal de Veneza; 17ª e 18ª Bienais SP e Brasil Século XX, 1994; retrospectivas no MAM-RJ; MASP-SP; Paço Imperial; além de mostras individuais em museus e galerias de 1963 a 2026.

Até 07 de Junho. 

Em torno da obra de José Antônio da Silva.

03/mar

A Fundação Iberê Camargo e o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo promovem rodada de conversa sobre a obra do artista naïf José Antônio da Silva.

Exposição “José Antônio da Silva: Pintar o Brasil”, em cartaz até 15 de março, já recebeu mais de 60 mil visitantes somente no MAC – USP. Encontros, sobre sua obra, coleção e circulação ocorrem dias 07 e 14 de março, às 11h, Auditório Walter Zanini do MAC – USP. 

Neste sábado 07, a Fundação Iberê Camargo e o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo promovem uma conversa sobre a obra de José Antônio da Silva com a galerista Vilma Eid, o colecionador Orandi Momesso e o diretor do Muse de Grenoble (FR), Sébastien Gokalp sobre o colecionismo, a circulação e a recepção crítica da obra do artista. O encontro será mediado por Emilio Kalil, diretor superintendente da Fundação Iberê Camargo.

No dia 14 (sábado), também às 11h, será exibido o filme “Quem não conhece o Silva?” (1979), seguido de conversa com Carlos Augusto Calil, diretor do curta. O encontro será mediado por Fernanda Pitta, curadora do museu e especialista no trabalho do artista.

José Antônio da Silva: Pintar o Brasil, em cartaz até o dia 15 de março, já passou pelo Museu de Grenoble, na França, como parte da Temporada Brasil-França 2025, e pela Fundação Iberê, em Porto Alegre. A exposição apresenta 142 obras, sendo 119 do acervo do MAC-USP, que reúne trabalhos do artista desde sua fundação e abriga o maior acervo do país de sua obra. A doação inaugural do acervo já incluía pinturas de 1942 a 1950, período em que Silva começava a despertar o interesse da crítica, antes mesmo de seu reconhecimento nas primeiras Bienais de São Paulo. Esse momento revela uma inflexão no Modernismo Brasileiro, que então passava a valorizar produções não-acadêmicas, associadas a uma ideia – ainda que controversa – de arte “ingênua” ou “primitiva”, em diálogo com novas compreensões do popular.

Anna Bella Geiger e Raquel Saliba.

25/fev

Unidas pela potência da arte e por laços de amizade, Anna Bella Geiger e Raquel Saliba ocupam duas salas do Museu Histórico da Cidade, Gávea, Rio de janeiro, RJ, a partir de 1º de março, sob curadoria de Shannon Botelho. No segundo pavimento do casarão, a exposição conjunta “Avesso” propõe um campo de diálogo entre as obras de Anna Bella Geiger e as esculturas de Raquel Saliba, revelando camadas, contrastes e afinidades. No primeiro pavimento (térreo), Raquel Saliba apresenta a individual “Bashar: nós humanos” reunindo esculturas recentes em diferentes técnicas na cerâmica e instalações que ampliam sua investigação material e espacial.

A data não poderia ser mais oportuna: além de marcar o aniversário da fundação da cidade do Rio de Janeiro, 1º de março insere as exposições em um mês mundialmente reconhecido como o Mês da Mulher. As mostras seguem abertas ao público até 03 de maio, com entrada gratuita.

O têxtil como campo de memória.

24/fev

A artista angolana-portuguesa Ana Silva, inaugura Eau, na GAMeC, em Bérgamo, Itália. Essa é a sua primeira exposição individual na instituição italiana.

Eau apresenta um novo conjunto de obras da artista, cujo trabalho se apoia no têxtil como campo de memória, crítica social e reinvenção de materiais. Suas peças têm origem em um bordado tradicional africano, historicamente realizado exclusivamente por homens no continente. Ao intervir manualmente nessas superfícies e assumir também o papel de bordadora, Ana opera uma inversão simbólica do gesto original, introduzindo camadas de memória e autoria Em Eau, Ana trabalha em colaboração com bordadeiras da região de Bergamo, aprofundando sua investigação sobre a crise global da água. O resultado são obras que expõem a desigualdade no acesso à água, contrapondo a sutileza do bordado à urgência do tema.

A mostra integra o momento de transição entre dois eixos curatoriais da instituição e conecta-se ao programa Pedagogy of Hope, voltado ao papel formativo e transformador da arte, desenvolvido em diálogo entre o Departamento de Educação e a curadoria da GAMeC.

Sobre a artista.

Ao bordar nossas humanidades sublimes e obscuras nesses rostos semi-abstratos, Ana Silva nos lembra gentilmente que a reapropriação de nossas memórias para melhor construir nosso futuro é um trabalho de corpo a corpo, de coração a coração.

Charlotte Diez-Bento

Ana Silva vive e trabalha em Lisboa, Portugal, expressa sua criatividade por meio da diversidade de materiais que utiliza. Tela, madeira, metal, tinta acrílica e tecido são elementos que compõem e dão forma à sua arte. Durante suas caminhadas pelos mercados de Luanda, começou a distorcer o uso primário de sacos de ráfia e outros artefatos para um trabalho de memória; de objetos abandonados a objetos revividos: “Não consigo separar meu trabalho da minha experiência em Angola, em uma época em que o acesso a materiais era difícil devido à guerra de independência e à guerra civil. Minha criatividade nasceu da exploração de meu ambiente imediato. Essa experiência teve um grande impacto em minha maneira de trabalhar e em minha vida de modo geral.”

Papo de colecionador.

“O colecionismo de Eva Klabin é tema de bate-papo” com a participação de Vanda Klabin, do artista Luiz Aquila, Helena Severo e Brunno Almeida Maia. Será na Casa Museu Eva Klabin no dia 28 de fevereiro, sábado, das 16h às 18h. A entrada é gratuita e o endereço fica na Av. Epitácio Pessoa, 2480, Lagoa, Rio de Janeiro, RJ.

Um registro oportuno e necessátio.

11/fev

O lançamento do catálogo da exposição “Sobre Águas” no Museu do Paço Municipal, Porto Alegre, RS, celebra a água como origem, missão e destino da obra de Vera Reichert, lembrando as exposições realizadas ao longo de sua itinerância, nas cidades de Novo Hamburgo, São Paulo, Brasília e Nova Iorque.

O catálogo é um convite à imersão, à reflexão e ao reconhecimento, revelando uma linguagem visual que interliga memória e futuro deste elemento que nos une e preenche. Com a curadoria e a produção de André Venzon, a publicação apresenta um conjunto de obras, imagens e textos que documentam os espaços que “Sobre Águas” circulou, o público e a trajetória da artista nesta memória das águas, onde cada página revela vida e paixão, para melhor conhecer a obra de Vera Reichert que a água tornou destino. Um registro oportuno e necessário.