Os 40 Anos de exposições no Paço Imperial

04/mar

Convertendo memória e território em linguagem visual, o artista Luiz Aquila ressignifica a experiência vivida na viagem de 15 dias que fez ao México, em outubro do ano passado, na série inédita “Impregnação e sensação”. Reinterpretados como construções sensíveis entre memória, formas e cores, Luiz Aquila produziu sobre cartão, usando pastel, tinta guache e bastão de óleo, os seis novos trabalhos que integrarão a coletiva “Constelações – 40 Anos do Paço Imperial”, celebrando no dia 28 de março os 40 anos do Paço Imperial como centro cultural. A mostra comemorativa reunirá cerca de 100 artistas, sob curadoria da diretora da instituição, Claudia Saldanha (com equipe), e Ivair Reinaldim, membro do Comitê Brasileiro de História da Arte e do Conselho do Paço Imperial.

Além de Luiz Aquila, outros nomes consagrados – como Anna Bella Geiger, Cildo Meireles, Carlos Vergara, Luiz Pizarro, Iole de Freitas, Adriana Varejão, Beatriz Milhazes – estarão presentes através de suas obras, bem como artistas de várias gerações: Tiago Sant’Ana, Siwaju e Denilson Baniwa, e os participantes do Prêmio Pipa, Maxwell Alexandre, Cadu, Aline Motta e Enorê. Não se trata, portanto, de uma retrospectiva; o público verá algumas obras já mostradas antes, uma seleção de arte popular do Museu do Folclore e peças escolhidas do acervo do Museu do Inconsciente, fundado pela Dra. Nise da Silveira, e também do Museu Bispo do Rosário. Haverá, ainda exibição de vídeos de alguns artistas.

Sobre Luiz Aquila

Luiz Aquila é um dos mais ativos artistas brasileiros. Foi professor em Évora, Portugal; Universidade de Brasília; Centro de Criatividade da Unesco-DF e EAV Parque Lage-RJ, da qual foi diretor. Participou de mais de cem exposições individuais e coletivas, como Bienal de Veneza; 17ª e 18ª Bienais SP e Brasil Século XX, 1994; retrospectivas no MAM-RJ; MASP-SP; Paço Imperial; além de mostras individuais em museus e galerias de 1963 a 2026.

Até 07 de Junho. 

Em torno da obra de José Antônio da Silva.

03/mar

A Fundação Iberê Camargo e o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo promovem rodada de conversa sobre a obra do artista naïf José Antônio da Silva.

Exposição “José Antônio da Silva: Pintar o Brasil”, em cartaz até 15 de março, já recebeu mais de 60 mil visitantes somente no MAC – USP. Encontros, sobre sua obra, coleção e circulação ocorrem dias 07 e 14 de março, às 11h, Auditório Walter Zanini do MAC – USP. 

Neste sábado 07, a Fundação Iberê Camargo e o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo promovem uma conversa sobre a obra de José Antônio da Silva com a galerista Vilma Eid, o colecionador Orandi Momesso e o diretor do Muse de Grenoble (FR), Sébastien Gokalp sobre o colecionismo, a circulação e a recepção crítica da obra do artista. O encontro será mediado por Emilio Kalil, diretor superintendente da Fundação Iberê Camargo.

No dia 14 (sábado), também às 11h, será exibido o filme “Quem não conhece o Silva?” (1979), seguido de conversa com Carlos Augusto Calil, diretor do curta. O encontro será mediado por Fernanda Pitta, curadora do museu e especialista no trabalho do artista.

José Antônio da Silva: Pintar o Brasil, em cartaz até o dia 15 de março, já passou pelo Museu de Grenoble, na França, como parte da Temporada Brasil-França 2025, e pela Fundação Iberê, em Porto Alegre. A exposição apresenta 142 obras, sendo 119 do acervo do MAC-USP, que reúne trabalhos do artista desde sua fundação e abriga o maior acervo do país de sua obra. A doação inaugural do acervo já incluía pinturas de 1942 a 1950, período em que Silva começava a despertar o interesse da crítica, antes mesmo de seu reconhecimento nas primeiras Bienais de São Paulo. Esse momento revela uma inflexão no Modernismo Brasileiro, que então passava a valorizar produções não-acadêmicas, associadas a uma ideia – ainda que controversa – de arte “ingênua” ou “primitiva”, em diálogo com novas compreensões do popular.

Anna Bella Geiger e Raquel Saliba.

25/fev

Unidas pela potência da arte e por laços de amizade, Anna Bella Geiger e Raquel Saliba ocupam duas salas do Museu Histórico da Cidade, Gávea, Rio de janeiro, RJ, a partir de 1º de março, sob curadoria de Shannon Botelho. No segundo pavimento do casarão, a exposição conjunta “Avesso” propõe um campo de diálogo entre as obras de Anna Bella Geiger e as esculturas de Raquel Saliba, revelando camadas, contrastes e afinidades. No primeiro pavimento (térreo), Raquel Saliba apresenta a individual “Bashar: nós humanos” reunindo esculturas recentes em diferentes técnicas na cerâmica e instalações que ampliam sua investigação material e espacial.

A data não poderia ser mais oportuna: além de marcar o aniversário da fundação da cidade do Rio de Janeiro, 1º de março insere as exposições em um mês mundialmente reconhecido como o Mês da Mulher. As mostras seguem abertas ao público até 03 de maio, com entrada gratuita.

O têxtil como campo de memória.

24/fev

A artista angolana-portuguesa Ana Silva, inaugura Eau, na GAMeC, em Bérgamo, Itália. Essa é a sua primeira exposição individual na instituição italiana.

Eau apresenta um novo conjunto de obras da artista, cujo trabalho se apoia no têxtil como campo de memória, crítica social e reinvenção de materiais. Suas peças têm origem em um bordado tradicional africano, historicamente realizado exclusivamente por homens no continente. Ao intervir manualmente nessas superfícies e assumir também o papel de bordadora, Ana opera uma inversão simbólica do gesto original, introduzindo camadas de memória e autoria Em Eau, Ana trabalha em colaboração com bordadeiras da região de Bergamo, aprofundando sua investigação sobre a crise global da água. O resultado são obras que expõem a desigualdade no acesso à água, contrapondo a sutileza do bordado à urgência do tema.

A mostra integra o momento de transição entre dois eixos curatoriais da instituição e conecta-se ao programa Pedagogy of Hope, voltado ao papel formativo e transformador da arte, desenvolvido em diálogo entre o Departamento de Educação e a curadoria da GAMeC.

Sobre a artista.

Ao bordar nossas humanidades sublimes e obscuras nesses rostos semi-abstratos, Ana Silva nos lembra gentilmente que a reapropriação de nossas memórias para melhor construir nosso futuro é um trabalho de corpo a corpo, de coração a coração.

Charlotte Diez-Bento

Ana Silva vive e trabalha em Lisboa, Portugal, expressa sua criatividade por meio da diversidade de materiais que utiliza. Tela, madeira, metal, tinta acrílica e tecido são elementos que compõem e dão forma à sua arte. Durante suas caminhadas pelos mercados de Luanda, começou a distorcer o uso primário de sacos de ráfia e outros artefatos para um trabalho de memória; de objetos abandonados a objetos revividos: “Não consigo separar meu trabalho da minha experiência em Angola, em uma época em que o acesso a materiais era difícil devido à guerra de independência e à guerra civil. Minha criatividade nasceu da exploração de meu ambiente imediato. Essa experiência teve um grande impacto em minha maneira de trabalhar e em minha vida de modo geral.”

Papo de colecionador.

“O colecionismo de Eva Klabin é tema de bate-papo” com a participação de Vanda Klabin, do artista Luiz Aquila, Helena Severo e Brunno Almeida Maia. Será na Casa Museu Eva Klabin no dia 28 de fevereiro, sábado, das 16h às 18h. A entrada é gratuita e o endereço fica na Av. Epitácio Pessoa, 2480, Lagoa, Rio de Janeiro, RJ.

Um registro oportuno e necessátio.

11/fev

O lançamento do catálogo da exposição “Sobre Águas” no Museu do Paço Municipal, Porto Alegre, RS, celebra a água como origem, missão e destino da obra de Vera Reichert, lembrando as exposições realizadas ao longo de sua itinerância, nas cidades de Novo Hamburgo, São Paulo, Brasília e Nova Iorque.

O catálogo é um convite à imersão, à reflexão e ao reconhecimento, revelando uma linguagem visual que interliga memória e futuro deste elemento que nos une e preenche. Com a curadoria e a produção de André Venzon, a publicação apresenta um conjunto de obras, imagens e textos que documentam os espaços que “Sobre Águas” circulou, o público e a trajetória da artista nesta memória das águas, onde cada página revela vida e paixão, para melhor conhecer a obra de Vera Reichert que a água tornou destino. Um registro oportuno e necessário. 

Gestão marcada por inovação institucional.

Consolidação internacional da Bienal de São Paulo.

O Conselho de Administração da Fundação Bienal de São Paulo reelegeu Andrea Pinheiro para a presidência de sua Diretoria Executiva, consolidando a continuidade de uma gestão marcada por inovação institucional, ampliação do acesso à arte e fortalecimento do papel público da Bienal de São Paulo no Brasil e no exterior. Para o biênio 2026-2027, ela permanece com a mesma chapa que a acompanhou nos últimos dois anos: Maguy Etlin (primeira vice-presidente), Luiz Lara (segundo vice-presidente), Ana Paula Martinez, Francisco Pinheiro Guimarães, Maria Rita Drummond, Ricardo Diniz, Roberto Otero e Solange Sobral.

Andrea Pinheiro iniciou seu primeiro mandato em 02 de janeiro de 2024 com a proposta de reforçar os modelos de governança da Bienal e fortalecer sua atuação pública e educativa. Um dos principais legados do primeiro mandato foi a implementação de um novo modelo de governança para a escolha curatorial, com a criação de um comitê colegiado para a seleção da curadoria da 36ª Bienal de São Paulo. A iniciativa será repetida para a 37ª Bienal. Para Andrea Pinheiro, a reeleição representa a validação de um projeto institucional construído de forma coletiva, com responsabilidade e visão de longo prazo. “Nosso compromisso é aprofundar os movimentos iniciados neste primeiro mandato, fortalecendo a governança, ampliando o papel educativo da Bienal e consolidando sua atuação internacional, sempre entendendo a arte como um campo de diálogo e escuta”, conclui, No cenário internacional, a nova gestão projeta um dos momentos mais relevantes da atuação recente da Fundação Bienal de São Paulo: a participação brasileira na 61ª Bienal de Veneza, que contará com a curadoria de Diane Lima e obras de Adriana Varejão e Rosana Paulino, dois nomes centrais da arte contemporânea brasileira. 

As diferentes linguagens do arquiteto.

10/fev

Alguns dos edifícios mais conhecidos da paisagem paulistana e em grandes metrópoles ao redor do mundo levam sua assinatura, ainda que poucos saibam definir, com precisão, qual é seu estilo arquitetônico. Essa dificuldade, longe de ser um problema, integra o enigma e a força de Isay Weinfeld, criador cuja obra escapa a rótulos fáceis e desafia classificações rígidas. Mas reduzi-lo apenas à Arquitetura seria um equívoco. Ao longo de cinco décadas de produção intensa e coerente, o arquiteto paulistano construiu uma trajetória que atravessa, com rara fluidez, o design, as artes visuais e o cinema. Essas múltiplas frentes de atuação estarão reunidas em “Et Cetera”, a mais abrangente mostra dedicada à sua carreira, que ocupará o Instituto Tomie Ohtake, Pinheiros, São Paulo, SP, entre os dias 05 de março e 17 de maio.

Com curadoria de Agnaldo Farias, identidade gráfica de Giovanni Bianco e catálogo de fotos feitas por Bob Wolfenson, a mostra não se organiza como uma retrospectiva convencional, mas como a exposição de um modo de pensar e criar. Em seu texto de apresentação, Agnaldo Farias observa que a arquitetura não ocupa exatamente o primeiro lugar na hierarquia íntima de Isay Weinfeld. Antes vêm a música e o cinema, e talvez aí esteja a chave de sua maneira de compreender o espaço. “Isay faz arquitetura sem saber desenhar. Desafiou um dos princípios basilares da arquitetura. Aliás, a fixação de seu primeiro desenho logo à entrada da exposição, uma casinha feita na infância, funciona como um recado aos estudantes: existem caminhos além daqueles previstos pelos currículos das escolas”, ressalta.

Ao celebrar 50 anos de atividade do arquiteto, “Et Cetera” não soa como retrospectiva nostálgica, mas como afirmação de uma prática ainda viva, curiosa e aberta ao inesperado. Em um momento em que o mundo criativo tende à especialização extrema, a obra de Isay Weinfeld lembra que a imaginação, quando verdadeiramente livre, prefere sempre o território aberto do etcetera.

No mesmo período, o Instituto Tomie Ohtake apresenta também Ruy Ohtake – Percursos do habitar, em cartaz a partir de 07 de março, exposição que inaugura a nova fase da Casa-ateliê Tomie Ohtake, no Campo Belo, reforçando o momento da instituição dedicado à Arquitetura.

Múltiplas atividades no retorno.

04/fev

O artista Alex Flemming realiza encontro no Museu de Arte Contemporânea de Campinas, São Paulo, SP, no qual explanará sobre sua trajetória. A fotografia, como meio em si ou como propiciadora de acesso a outras mídias, é usada por Alex Flemming desde o início de sua carreira. O uso de caracteres gráficos sobre fotografias de pessoas também está presente em um dos seus mais destacados trabalhos: os painéis da Estação Sumaré do Metrô de São Paulo. Compostos por fotos de pessoas comuns, a cada uma delas foi atribuído um poema, escrito em letras meio borradas, com alguns trechos invertidos ou ausentes, o que não impossibilita totalmente a compreensão do texto. São particularmente interessantes as gravuras executadas nos anos 1970, de forte conteúdo político, reproduzidas em livro editado pela Editora da Universidade de São Paulo. Alex Flemming estabelecu residência em Berlin durante um período que completou três décadas e agora de volta ao Brasil segue o curso de sua carreira multimídia. Um artista viajante já realizou centenas exposições individuais no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos.

Dinâmicas da economia da arte.

02/fev

Curso no MAM, São Paulo, SP, com Thierry Chemalle. O curso oferece uma abordagem conceitual sobre as dinâmicas econômicas que permeiam o universo artístico, explorando o valor da arte, o comportamento dos colecionadores e o impacto das inovações tecnológicas. Em cinco aulas, os participantes serão introduzidos aos fundamentos da economia da arte, discutindo teorias clássicas de valor, relatos de coleções reais, as implicações de novas tecnologias, e o papel das ciências comportamentais na compreensão do mercado. Voltado para artistas, galeristas, art advisors e profissionais ligados a museus e instituições culturais, bem como profissionais de segmentos correlatos que queiram aprofundar seus conhecimentos sobre a economia da arte, o curso busca ampliar a compreensão sobre o segmento da arte e seus principais agentes, conectando aspectos econômicos e culturais.

Curso online

Ao vivo, via plataforma de videoconferência, aulas gravadas disponibilizadas apenas por tempo determinado. Contempla certificado no final.

19, 26 de fevereiro, 05, 12, 19 de março  – 19h às 21h30

Duração: 5 encontros

Investimento: R$ 500,00 + taxas

Programação

Aula 1: Introdução à Economia da Arte

Introdução, conceitos fundamentais e principais números da Economia da Arte; Similaridades da Economia da Arte com outros segmentos.

Aula 2: O Valor da Arte

Adam Smith: O paradoxo da Água e Diamante; Uma breve história da precificação.

Aula 3: Colecionismo

Coleções reais; Uma abordagem ESG do colecionismo.

Aula 4: Arte e Tecnologia

Breve relato sobre a história da Tecnologia na Arte; Novas tecnologias e a Economia da Arte.

Aula 5: Arte e Ciência Comportamental

Breve história sobre o encontro da economia com as ciências comportamentais.