O lugar entre a abstração e a sugestão figurativa.

22/jan

A Galatea apresenta Guilherme Gallé: entre a pintura e a pintura, primeira individual do artista paulistano Guilherme Gallé, 1994, São Paulo, na unidade da galeria na rua Padre João Manuel. A mostra reúne mais de 20 pinturas inéditas, realizadas em 2025, e conta com texto crítico do curador e crítico de arte Tadeu Chiarelli e com texto de apresentação do crítico de arte Rodrigo Naves.

A exposição apresenta um conjunto no qual Guilherme Gallé revela um processo contínuo de depuração: um quadro aciona o seguinte, num movimento em que cor, forma e espaço se reorganizam respondendo uns aos outros. Situadas no limiar entre abstração e sugestão figurativa, suas composições, sempre sem título, convidam à lenta contemplação, dando espaço para que o olhar oscile entre a atenção ao detalhe e ao conjunto.

Partindo sempre de um “lugar” ou pretexto de realidade, como paisagens ou naturezas-mortas, mas sem recorrer ao ponto de fuga renascentista, Guilherme Gallé mantém a superfície pictórica deliberadamente plana. As cores tonais, construídas em camadas, estruturam o plano com uma matéria espessa, marcado por incisões, apagamentos e pentimentos, que dão indícios do processo da pintura ao mesmo tempo que o impulsionam.

Sobre o artista.

Guilherme Gallé, nasceu em 1994, São Paulo, Entre as exposições das quais participou ao longo de sua trajetória, destacam-se: Joaquín Torres García – 150 anos, Coletiva, Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB, São Paulo / Brasília / Belo Horizonte, 2025-2026; Ponto de mutação, Coletiva, Almeida & Dale, São Paulo, 2025; O silêncio da tradição: pinturas contemporâneas, Coletiva, Centro Cultural Maria Antonia, São Paulo, 2025; Para falar de amor, Coletiva, Noviciado Nossa Senhora das Graças Irmãs Salesianas, São Paulo, 2024; 18º Território da Arte de Araraquara 2021; Arte invisível, Coletiva, Oficina Cultural Oswald de Andrade, São Paulo, 2019; e Luiz Sacilotto, o gesto da razão, Coletiva, Centro Cultural do Alumínio, São Paulo, 2018.

 

Espaço e tempo no contexto urbano.

 

 

A exposição “Há quanto tempo não olho para o céu?”, exibição individual da artista Aruane Garzedin, com curadoria de Shannon Botelho, será inaugurada no dia 28 de janeiro no Centro Cultural Correios, Centro, Rio de Janeiro, RJ.

A mostra reúne cerca de 20 pinturas em acrílico sobre tela, além de uma instalação e um trabalho têxtil de grandes dimensões, a partir de uma pesquisa que investiga as relações entre corpo, espaço e tempo no contexto urbano. 

Sobre a artista.

Aruane Garzedin nasceu em 1959, Salvador, BA. Vive e trabalha entre Salvador e o Rio de Janeiro, RJ. Artista visual com exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior. Possui graduação em Arquitetura, mestrado em Arquitetura e Urbanismo e doutorado em Belas Artes. A cidade constitui um laboratório para a observação da relação corpo/espaço/tempo, eixo temático no qual se desenvolve a sua poética visual. A partir de 2016 sua pintura se ampliou aos muros e às intervenções na paisagem, também escritora busca unir essas diferentes linguagens em seu fazer artístico.

Em cartaz até 14 de março.

Alessandra Rehder no Museu Lasar Segall.

21/jan

Exposição individual “Xaiure maaraesé xasaysu ndé (Eu vim porque te amo): das cinzas à criação”, de Alessandra Rehder no Museu Lasar Segall, Vila Mariana, São Paulo, SP. Alessandra Rehder (São Paulo, 1989), é artista representada pela Galeria Andrea Rehder Arte Contemporânea, com curadoria do Luiz Armando Bagolin. A mostra reúne trabalhos inéditos, instalações e imagens que atravessam diferentes camadas técnicas e poéticas da artista. 

A exposição propõe mais que um conjunto de obras: cria uma atmosfera. Entre painéis, recortes, dispositivos tridimensionais e obras que transitam entre fotografia, matéria e instalação, Alessandra Rehder convoca o público a uma imersão sensível na complexidade da natureza e de seus tempos. Como escreve o curador, não se trata de reforçar slogans ambientais, mas de instaurar uma “pedagogia da atenção”, capaz de reconfigurar o olhar sobre a floresta, seus ritmos profundos e suas camadas quase invisíveis. 

Em “Imersão Amazônica”, milhares de folhas recortadas são sobrepostas sobre uma fotografia real da floresta primária paraense, criando um corpo vegetal que respira e se transforma – uma imagem que pede demora. Em “Círculo do Tempo”, cortes de troncos revelam anéis e temporalidades não humanas, adensados por um vídeo em time-lapse que inverte o crescimento da árvore como uma arqueologia poética da vida vegetal. Já em “Rolo da Floresta”, rolos e testes fotográficos se tornam dispositivos de memória, tensionando a própria noção de imagem e seus modos de existência. 

A mostra reafirma o interesse de Alessandra Rehder por processos experimentais, por uma fotografia que se desloca do campo da captura para o da escuta. Seus trabalhos, resultado de pesquisas visuais ao longo de mais de quinze anos em diferentes países, incorporam vivências com comunidades de baixo IDH, questões ambientais contemporâneas e relações entre território, sobrevivência e transformação. Entre 2021 e 2023, a artista desenvolveu em Murrebue, Moçambique, o projeto social EEC (Espaço Ecológico Cultural), voltado para práticas de compostagem, permacultura e agrofloresta – experiência que reverbera em sua compreensão ampliada da imagem como gesto ético e social. Com obras presentes em galerias, feiras e instituições no Brasil e no exterior, e vivendo atualmente entre Frankfurt e São Paulo, Alessandra Rehder apresenta seu projeto mais denso e abrangente, convocando o público a reaprender a ver e a sentir. 

Até 23 de fevereiro.

Beatriz Milhazes no Museu de Arte da Bahia.

20/jan

“Beatriz Milhazes: 100 Sóis” é a primeira exposição individual da artista em Salvador e reúne, no MAB – Museu de Arte da Bahia, uma ampla seleção de obras que percorre 30 anos de sua produção, oferecendo um vislumbre de diferentes fases de sua trajetória e evidenciando elementos recorrentes que estruturam sua poética.

Com curadoria do crítico e historiador de arte Tiago Mesquita, a mostra apresenta pinturas históricas, trabalhos inéditos, colagens recentes e uma instalação nas janelas do museu, revelando como diferentes meios alimentam sua pesquisa, tendo a pintura como eixo central e meio principal de sua prática de ateliê, cuja reverberação atravessa toda a sua obra.Os trabalhos são dispostos em uma espécie de colagem espacial, revelando tanto a amplitude do repertório formal de Beatriz Milhazes quanto a sofisticação de suas estratégias compositivas. Nesse arranjo, torna-se evidente o modo como suas obras dialogam com a arte moderna em diferentes geografias, a tradição construtiva, o design, a moda, o carnaval carioca, a alegoria, o ornamento, a decoração barroca e uma coreografia de formas dançantes, ao mesmo tempo em que incorporam questões estruturais da imagem pop, dimensão que atravessa sua trajetória e reafirma sua posição como uma das vozes centrais da abstração contemporânea.

A artista apresenta um novo vitral concebido para as janelas da instituição, no qual seus padrões característicos são aplicados em filmes translúcidos multicoloridos que filtram a luz solar e projetam feixes caleidoscópicos pelo espaço expositivo. Também em exibição está “A Seda”, obra emblemática de sua produção dos anos 2000, na qual elementos gráficos em cores vibrantes se expandem do centro da tela em movimento centrífugo. No núcleo, um emaranhado de arabescos rendados forma o coração da composição, combinando fluidez e ordem em uma estrutura orgânica em expansão. Já em trabalhos mais recentes, como “Memórias do Futuro II” (2023), a artista sobrepõe grafismos feitos com caneta de tinta acrílica (marcadores Molotow) às formas transferidas por sua técnica de monotransfer, acrescentando uma nova camada de padrões ao intrincado jogo de tramas em rotação e criando estratos que se articulam em uma rede complexa e multidirecional.

Até 26 de abril.

Superfícies veladas e luminosas.

A Galatea apresenta “Gabriel Branco: A luz sem nome”, primeira individual de pinturas do artista paulistano Gabriel Branco (1997, São Paulo), na unidade da galeria em Salvador. A mostra ocupa o espaço expositivo do Cofre na galeria e inaugurou o programa de 2026 na capital soteropolitana junto da coletiva Barracas e fachadas do nordeste, colaboração da Galatea com a Nara Roesler.

A exposição reúne 10 pinturas inéditas, realizadas em 2025, e conta com texto crítico do pintor Paulo Monteiro. Nesta série, Gabriel Branco aprofunda uma pesquisa que parte do corpo, da luz e da cor como elementos estruturantes da composição. Trabalhando com óleo e cera de abelha sobre tela, o artista constrói superfícies veladas e luminosas, nas quais formas orgânicas parecem emergir e se dissolver simultaneamente.

A pintura abstrata surge como complemento à prática fotográfica do artista, que explora temas ligados à vivência urbana nas periferias da cidade de São Paulo. A abstração opera como meio para expressar memórias, afetos e vivências, articulando um diálogo sensorial com a realidade urbana.

Até 30 de maio.

A arte ambiental de Anna Bella Geiger.

14/jan

O Projeto Maravilha apresenta a sua segunda edição com a inauguração de “Typus Terra Incognita (2025)”, escultura de grande formato de Anna Bella Geiger, uma das mais decisivas e relevante artista da arte brasileira contemporânea. Aos 92 anos, com sete décadas de carreira, a pioneira da videoarte no Brasil assina a nova intervenção no Bosque das Artes, no Parque Bondinho Pão de Açúcar, Urca, Rio de Janeiro, RJ. 

Com curadoria de Ulisses Carrilho, o Projeto Maravilha propõe um diálogo entre arte, natureza e tecnologia, comissionando expoentes da arte brasileira para criarem obras de grande escala em contexto de preservação ambiental.

A artista conta que o convite do projeto a levou diretamente à forma da gaveta: “Lá em cima, naquele lugar, tinha de acontecer uma coisa sólida, com um certo sentido de permanência. Então pensei: vai ser uma gaveta. Eu precisava pôr essa situação geográfica num contêiner. A gaveta abriga e revela, mas nunca contém tudo. Nenhuma imagem dá conta do mundo”, reflete Anna Bella.

Obras inéditas de Julia Kater.

A galeria Simões de Assis, Jardins, São Paulo, SP, dá início à sua programação de 2026 com a exposição “Duplo”, exibição individual de Julia Kater. A mostra reúne 14 obras inéditas, entre colagens e fotografias impressas sobre seda, sendo seis delas desenvolvidas em 2025 durante sua residência artística na Cité Internationale des Arts, em Paris.

Artista franco-brasileira Julia Kater trabalha a partir da fotografia, incorporando procedimentos manuais como cortes, colagens, sobreposições e tingimentos manuais, que interferem diretamente na construção da imagem. Em “Duplo”, dois modos de construção da imagem se articulam. Nas colagens, a paisagem é reorganizada por recortes e justaposições fotográficas, com adição de cor; nos trabalhos em tecido, o tingimento manual incide sobre a fotografia.

Sobre a artista.

Julia Kater nasceu em 1980, Paris, França. Formada em Fotografia pela ESPM (2004) e em Pedagogia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2003). Sua prática atravessa a fotografia, a colagem e o vídeo, com foco na elaboração da imagem a partir do recorte e da justaposição. Na fotografia, a artista parte do entendimento de que toda imagem é, por definição, um fragmento – um enquadramento que recorta e isola uma parte da cena. Em sua obra, a imagem não é apenas um registro de um instante, mas resultado de um deslocamento – algo que se desfaz e se recompõe no mesmo gesto. As imagens, muitas vezes próximas, não buscam documentar, mas construir um novo campo de sentido. Em 2025 participou em Paris, da residência Cité Internationale des Arts. Sua obra integra coleções públicas como o Museu de Arte do Rio – MAR, Museu Oscar Niemeyer – MON, Fundação Luis Seoane (Espanha), Fundação PLMJ (Portugal) e o Museu de Arte de Ribeirão Preto – MARP.

Opalescente no Balneário Camboriú.

13/jan

Na mostra “Opalescente”, cuja abertura ocorre em 15 de janeiro, na Galeria Simões de Assis, 3ª Avenida, esquina c/3150, S4, Balneário Camboriú, SC, reúne obras recentes e inéditas de Antonio Malta Campos, nos deparamos com um recorte curatorial de sua produção que emerge de cores, linhas, formas geométricas e construções abstracionais. Essa produção delineia caminhos em que a pintura apresenta paletas de cores mais abertas, alegres, por vezes em tons pastéis e amenos, sugerindo uma leveza e uma atmosfera mais serena, essas obras exploram a cor em sua capacidade de construir espaços e formas com suavidade. Na sobreposição cromática em camadas há certa luminescência perolada, derivada da opala, uma gema que reflete cores multifacetadas, emanando uma aparência leitosa e iridescente em acabamentos azulados, avermelhados e alaranjados que se alteram conforme a mudança do ângulo da luz – a fatura de Malta é opalescente. 

Uma reflexão poética e filosófica.

12/jan

Santo Agostinho, Kant, Sartre, Einstein e Hans Belting, serviram como fonte de inspiração para a mostra coletiva “ATEMPORAL – como se fosse a primeira vez”, que ocupa a Sala Antonio Berni do Consulado Geral da Argentina, Botafogo, Rio de Janeiro, até o dia 28 de fevereiro. Sob curadoria de Osvaldo Carvalho, propõe uma reflexão poética e filosófica sobre a natureza do tempo e sua presença nas artes visuais contemporâneas. No dia 15 de janeiro, quinta-feira, haverá uma visita guiada com a participação do curador e dos artistas Ana Herter, Ana Pose, Carmen Givoni, Chris Jorge, Cris Cabus, Dorys Daher, Edson Landim, Eliana Tavares, Heloisa Alvim, Heloisa Madragoa, Jabim Nunes, Jorge Cupim, Laura Bonfá Burnier, Laura Figueiredo-Brandt, Leila Bokel, Leo Stuckert, Lígia Teixeira, Luís Teixeira, Luiz Badia, Luiz Bhering, Marcelo Rezende, Márcia Clayton, Mario Coutinho, Mario Camargo, Osvaldo Carvalho, Osvaldo Gaia, Priscilla Ramos, Raquel Saliba, Regina Hornung, robson mac3Do, Rosi Baetas, Sandra Gonçalves e Sandra Schechtman.

Os 33 artistas exploram diferentes possibilidades de compreensão de um tempo não linear, mas cíclico – em diálogo com temas como identidade, corpo, território, meio ambiente, ancestralidade, silêncio, deslocamento e pertencimento. As obras refletem sobre singularidades culturais e potencialidades poéticas, evocando “o tempo que não corre debalde, nem passa inutilmente sobre nossos sentidos”, no dizer de Santo Agostinho. 

Os trabalhos selecionados abordam temas como identidade, corpo, território, ancestralidade, meio ambiente, silêncio, deslocamento e pertencimento, estabelecendo um diálogo sensível entre memória e atualidade. São obras que ultrapassam seu contexto histórico, preservando força estética e simbólica ao longo do tempo e comunicando-se com diferentes gerações e sensibilidades.