Beatriz Milhazes no Rio

16/maio

Pintora por excelência, Beatriz Milhazes vem recentemente experimentando as potencialidades e desafios da escultura. O resultado desse processo, iniciado em 2010, pode ser visto na exposição “Marola, Mariola e Marilola”, a partir do dia 20 de maio, na Carpintaria, novo espaço da Fortes D’Aloia & Gabriel, no Rio de Janeiro, RJ.

 

São três grandes trabalhos tridimensionais, que apresentam forte sintonia com suas telas, gravuras e colagens, mas propõem novos e instigantes nexos perceptivos. Como se seus motivos característicos – como o círculo, a flor e o arabesco – tomassem conta do espaço e estabelecessem entre si um novo tipo de relação corporal, física, determinada também pelos intervalos entre elementos e pela posição do espectador. Dependendo do ângulo em que você observa a peça, forma-se um outro trabalho. É uma vivência concreta, em que o corpo da obra relaciona-se com o corpo do observador. “Esta possibilidade física é uma área de investigação que a pintura não oferece”, esclarece.

 

As três esculturas que dão título à mostra foram criadas ao longo de cinco anos de pesquisa – com a realização de diversas maquetes em tamanho natural – na Durham Press, estúdio na Pensilvânia, USA, onde Beatriz desenvolve, desde 1996, sua produção gráfica, em paralelo a uma intensa agenda de trabalho e exposições. São peças grandes, com altura que varia entre 2,26 e 2,89 metros e que lidam com o espaço de diferentes maneiras, quer potencializando o corpo da obra (as circunvoluções de Marola criam um corpo mais denso no espaço, com largura e espessura quase equivalentes), quer servindo como divisor de campos, como no caso de “Marilola”, que tem menos de meio metro de espessura e funciona quase como uma cortina. Inéditas no Brasil, as três peças foram exibidas nas galerias que representam a artista em Paris e Nova York (James Cohan Gallery, NY, e Max Hetzler, Berlin/Paris).

 

Os títulos, como costuma acontecer na produção de Milhazes, são interessantes chaves de leitura. Além de promoverem a conexão entre as obras, reafirmam a importância do ritmo, da sonoridade e da brasilidade em seu trabalho. A primeira e maior delas, que segundo ela ainda apresenta uma forte conexão com a ideia do móbile, remete ao ir e vir das ondas, à noção de movimento constante e sedutor.

 

“Mariola”, doce popular, também traz ecos da cultura vernacular que tanto alimenta a artista, enquanto “Marilola” brinca com a sonoridade, num jogo lúdico de palavras, num procedimento que se assemelha ao jogo espacial que ela cria a partir da associação de diferentes materiais e cores. Nas três peças, o conjunto é articulado a partir de um desenho em metal, que serve de suporte para os diferentes elementos. Há nessas composições uma lógica semelhante à da colagem, fortemente presente na pintura de Milhazes.

 

Tudo começou com um cenário feito por Beatriz para um espetáculo de dança de sua irmã, a coreógrafa Márcia Milhazes, em 2004. Ao criar uma espécie de lustre no centro do palco, ela foge pela primeira vez da ideia de painel que sempre havia regido seu trabalho cenográfico e coloca diante de si um desafio tridimensional que viria a se tornar cada vez mais agudo.

 

O primeiro resultado desse mergulho no espaço foi a série “Gamboa” (que esteve presente na mostra realizada há quatro anos no Paço Imperial), que para a artista ainda não pertenceriam ao campo escultórico. “Não considero que “Gamboa” lide com o volume, com o espaço arquitetônico, físico”, diz. Outra diferença em relação à experiência de Gamboa é o tipo de material utilizado. Enquanto o primeiro debruçava-se sobre elementos próximos à cultura do carnaval e da festa de rua, nas esculturas mais recentes Beatriz buscou propositalmente trabalhar com elementos mais resistentes, com materiais atraentes como os metais polidos, o acrílico e a madeira, transformada em suporte para intervenções pictóricas.

 

“Sou uma pessoa do bidimensional. Minhas ideias, conceitos estão totalmente ligados ao plano”, afirma, explicando como foi difícil e instigante esse desafio. “A maior dificuldade foi começar a raciocinar em três dimensões”, explica. Trata-se de um processo cheio de idas e vindas, no qual procurou “a partir do meu repertório, aprofundar, trabalhar verticalmente, evoluindo na tridimensionalidade”. “Foi quase uma aventura”, conclui Beatriz, que este semestre terá grande parte de sua obra reunida em um volume da série especial que a editora alemã Taschen dedica a grandes pintores contemporâneos. O livro, em grande formato, terá tiragem limitada (assinada de próprio punho pela artista) e será lançado em quatro idiomas: alemão, inglês, francês e português. Beatriz fará assim parte de um seleto grupo de homenageados que já inclui nomes como Jeff Koons, Cristopher Wool, Neo Rauch, Albert Ohelen, Darren Almond, Ai WeiWei e David Hockney.

 

“Marola, Mariola e Marilola”, que reforça a vocação experimental e de promoção de cruzamentos entre diferentes linguagens da Carpintaria.

 

 

 

Até 15 de julho.

 

 

Sobre a artista

 

Beatriz Milhazes é formada em Comunicação Social. Ingressou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage em 1980, onde estudou até 1983. Como professora de pintura, lecionou até 1996. Milhazes é considerada uma das mais importantes artistas brasileiras. Consolidou sua carreira no circuito nacional e internacional de artes visuais com participação nas bienais de Veneza  – 2003 -, São Paulo – 1998 e 2004 -, e Shangai – 2006 -, e exposições individuais em museus e instituições prestigiosas, como a Pinacoteca do Estado de São Paulo – 2008 -; Fondation Cartier, Paris – 2009 -; Fondation Beyeler, Basel -2011 -; Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa – 2012 ; Museo de Arte Latinoamericano, Malba, Buenos Aires – 2012 -; e, mais recentemente, o Paço Imperial, Rio de Janeiro,  – 2013-, e o Pérez Art Museum, Miami, USA,  – 2014/2015. Suas obras integram as coleções do Museum of Modern Art (MoMA), Solomon R. Guggenheim Museum e The Metropolitan Museum of Art (Met), em Nova York; do 21st Century Museum of Contemporary Art, no Japão; e do Museo Reina Sofia, em Madrid, entre outros. A artista vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Nelson Felix na Millan

15/maio

A Galeria Millan, Vila Madalena, São Paulo, SP, apresenta até o dia 20 de maio, a exposição inédita de Nelson Felix “Variações para Cítera e Santa Rosa”. A mostra, que ocupa os espaços da Galeria e do Anexo Millan, reúne esculturas e desenhos que refletem as ações do quarto trabalho da série “Método poético para descontrole de localidade”, iniciada em 1984.

 

“O Método poético, como expressa o título, visa traduzir uma ideia de espaço, de construção poética, que amalgama locais por meio do desenho e ações semelhantes”, explica o artista. Como uma ópera e seus atos, as três obras anteriores – “4 Cantos”, “Verso” e “Um Canto Para Aonde Não Há Canto” -, foram realizadas em Portugal (2007/08), em Brasília (2009/11) e São Paulo (2011/13). E agora o quarto trabalho na Galeria Millan e no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, simultaneamente.

 

“Como nos livros de poesia moderna, em que desenhos ou gravuras criavam uma relação entre texto e imagem, o “Método” possui um processo similar. Nesse sentido, esculturas, desenhos, ações, fotografias, vídeos e deslocamentos ilustram um texto, formando uma noção de lugar, que submete-se a um desenho no próprio globo terrestre”, revela Nelson Felix.

 

Em “Variações para Citéra e Santa Rosa”, como no projeto no MAM carioca, Nelson Felix elege o poema de Mallarmé “Um Lance de Dados Jamais abolirá o Acaso” para desestruturar a ideia de um só espaço expositivo. Partindo desse princípio, ele lança um dado, com o número seis em todas as faces, sobre um mapa-múndi, em uma data e hora estabelecidas e em um local incidental do curso de uma estrada. O dado, jogado, define seu acaso, não mais pela aleatoriedade do número, mas sim pela aleatoriedade de sua posição indicada sobre o mapa. Com isso, o artista viaja a Cítera, ilha jônica grega e a Santa Rosa, no pampa argentino.

 

Na Galeria e no Anexo Millan encontra-se em exposição, dezoito desenhos (em lacre, mármore, planta, cabo de aço, bronze e tecido) e sete esculturas (em mármore de Carrara, bronze, planta e tv), que remetem ao poeta francês e aos espaços percorridos pelo artista. “Existe hoje um entrecruzamento de fatores físicos e não-físicos acoplados ao entorno da arte, fatores como: informações, significados, história, hierarquia, tempo etc.; o nosso espaço atual, pelo menos em arte, não é mais tão limpo. Neste quarto trabalho, como nos anteriores, também reúnem-se ambientes externos e internos, mas seu interesse encontra-se nos múltiplos significados criados no próprio sítio da exposição”, conclui o artista.

O anjo de Nelson Leirner

A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, apresenta a partir do dia 13 de maio a obra “O anjo exterminador”, do artista Nelson Leirner, no primeiro andar da Pinacoteca – Praça da Luz, 2, São Paulo, SP. A obra será exposta no Octógono. Feita em 1984, a peça foi remontada em 2014 e reúne centenas de estatuetas e bibelôs alinhados em dois grupos posicionados frente a frente e separados por uma ponte. O título do trabalho faz referência ao filme homônimo do espanhol Luis Buñuel.

Essa obra soma-se a outras 12 peças do artista que já pertencem ao acervo do museu, a maioria datada da década de 1960. Essa instalação permite à Pinacoteca ampliar a representação da obra de Leirner em sua coleção.

 

 

Sobre o artista

 

A palavra da curadoria

 

por José Augusto Ribeiro, curador da Pinacoteca

 

A produção de Nelson Leirner envolve a paródia do sistema de arte e a apropriação de imagens e objetos corriqueiros, desde meados da década de 1960. Materiais da cultura de massa e itens decorativos, como quadros, estatuetas e selos adesivos, aparecem na obra do artista para questionar e rir de hierarquizações de “bom” e “mau” gosto, de “alto” e “baixo” registro. Muitas vezes com alusões a obras, escolas e estilos canonizados pela História da Arte, de Michelangelo a Fontana, do barroco ao Young British Artists, de Duchamp e do neoplasticismo a Beuys e à arte conceitual. Tudo isso misturado a um repertório em que cabem ainda anúncios publicitários, a figura do Mickey Mouse, o distintivo do time do Corinthians, etc.

 

A ideia de uma sociedade que não deixa romper os próprios limites ou que reproduz distinções entre grupos de indivíduos é comum ao filme de Buñuel e à obra do artista brasileiro. O trabalho de Leirner é também um de seus primeiros a lançar mão desse procedimento de acúmulo e distribuição de pequenas esculturas em uma cena que lembra uma procissão.

 

Até 31 de julho.

Memórias sobre papel

O artista plástico Marcos Duprat inaugura a exposição individual “Memórias Sobre Papel” na sala Clarival do Prado Valladares, no Museu Nacional de Belas Artes, Cinelândia, Rio de Janeiro, RJ.  

 

A mostra é um panorama dos desenhos de Marcos Duprat, em mais de quatro décadas, e reúne 36 obras sobre papel. As imagens ilustram as transformações em sua linguagem e imagística em seu enfoque do “enigma da realidade visível”.

 

Datadas de 1977 a 2017, seus trabalhos abordam a temática do mundo exterior (paisagens e figuras na água) e o mundo interior (naturezas mortas, retratos, figuras e reflexos em espaços íntimos). O artista utiliza diversos meios, como lápis de cor, crayon, pastel seco e oleoso, aquarela e óleo sobre diferentes papéis: Canson, Schoeller, Fabriano, polpa vegetal e papéis artesanais japoneses e brasileiros. A luz é um elemento chave na articulação dessas imagens.

 

Para o artista, essa mostra marca os momentos importantes em seu percurso artístico e pessoal: “Algumas dessas imagens são por mim associadas a minha memória afetiva e outras a lembranças e registros dos diversos países onde vivi, em especial os dez anos em que estive na Ásia. É para mim um momento feliz poder partilhar com o público da minha cidade esses registros”. Desde 2008, Marcos Duprat tem seu ateliê no Rio de Janeiro. Seu acervo pessoal conta com um número expressivo de pinturas, desenhos, fotografias e esculturas.  

 

 

Sobre o artista

 

Nascido no Rio de Janeiro em 1944, Marcos Duprat manteve ao longo de sua vida diplomática a constância e o fluxo de sua obra. As influências de sua formação artística no Rio de Janeiro e nos EUA, bem como posteriormente dos sete anos vividos na Europa e dos nove na Ásia, deixaram traços nítidos em seu trabalho. Não obstante, o seu registro visual é singular e se mantém coerente. Com sua formação artística iniciada no MAM do Rio de Janeiro, prosseguiu com o mestrado em Belas Artes em Washington, D.C, onde fez sua primeira individual, em 1977. Realizou inúmeras mostras individuais no Brasil, dentre as quais: MASP, SP, 1979 e 1988; MAC, SP, 1995; Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2006; e MUBE, Museu Brasileiro da Escultura, São Paulo, SP, 2015.  No Rio de Janeiro apresentou suas obras no Centro Cultural Correios, em 1995 e 2008; Instituto Cultural Villa Maurina, 1996 e no Centro Cultural Banco do Brasil, 1999. No exterior realizou também inúmeras exposições em museus, dentre os quais o Centro Culturale San Fedele, Milão, Itália, 1990; Museu Nacional da Hungria, 1993; Museo de Arte Contemporaneo de Montevidéu, Uruguai, 1999; Teien Metropolitan Art Museum, Tóquio, Japão, 2003 e a Sidhartha Art Foundation em Kathmandu, Nepal, 2013. Em 2016, realizou mostra retrospectiva de pinturas no Espaço Cultural Eliseu Visconti, na Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, RJ.

 

 

De 16 de maio a 02 de julho.

Teresinha Soares no MASP

25/abr

Inaugurando um eixo temático sobre sexualidade, que reunirá vasta programação de exposições, o MASP, Avenida Paulista, São Paulo, SP, apresenta, a partir de 27 de abril, a exposição “Quem tem medo de Teresinha Soares?”, com mais de 50 obras do intenso período produtivo da artista mineira Teresinha Soares, Araxá, 1927, que se deu entre 1965 e 1976. Esta será a primeira mostra panorâmica de Soares em um museu, tanto no Brasil quanto no exterior, e é também sua primeira grande individual em mais de 40 anos. O título da mostra faz menção à célebre peça “Quem tem medo de Virgina Woolf?”, de Edward Albee, e faz referência aos tabus comportamentais que a obra de Teresinha Soares enfrenta ao se contrapor ao machismo da sociedade e do meio da arte.

 

“Quem tem medo de Teresinha Soares?” ocupa o 2º subsolo do museu com pinturas, desenhos, gravuras, caixas-objetos, relevos e instalações, além de documentação fotográfica sobre as performances e happenings pioneiros da artista. A mostra procura trazer luz à produção pouco conhecida de uma das artistas brasileiras mais polêmicas e contestadoras dos anos 1960-70, que naquele período ocupou com grande destaque os meios de comunicação. Personalidade feminina potente e emancipada, Soares é também escritora e defensora dos direitos das mulheres, somando à sua biografia o cargo de primeira vereadora eleita de sua cidade natal, além de miss, funcionária pública e professora.

 

Artista precursora ao abordar em seu trabalho temas de gênero, como a liberação sexual feminina, a violência contra a mulher, a maternidade e a prostituição, Soares também fez obras lidando com acontecimentos políticos, como na série de pinturas Vietnã (1968), em que apresenta uma original e irreverente abordagem sobre o tema. A representação do corpo é um dos motivos mais recorrentes da obra da artista, abrangendo desde o erotismo e o sexo, até o nascimento, a morte e a relação com a natureza.

 

Na obra “Eurótica”, de 1970, constituída de um álbum de serigrafias feito a partir de desenhos de linha e impresso em papéis de diferentes cores, uma variedade de posições sexuais se configura a partir de combinações de corpos em diferentes interações libidinosas. A partir desses desenhos eróticos, Soares desenvolveu “Corpo a corpo in cor-pus meus”, de 1971, sua primeira grande instalação, que representa um marco em sua carreira. Aberta à participação do espectador, a obra é composta de quatro módulos de alturas variadas, feitos de madeira pintada de branco, como uma espécie de tablado em forma sinuosa, que ocupam 24 m2 do espaço. No dia da abertura, uma performance será realizada para inaugurar a obra, assim como a que Soares realizou no Salão Nobre do Museu de Arte da Pampulha, em 1970, com a participação de bailarinos e a narração de um texto gravado por ela.

 

Embora seja possível relacionar a obra de Soares a algumas tendências dos anos 1960, como a arte pop global, o nouveau réalisme e a nova objetividade brasileira, a artista sempre insistiu em um caráter espontâneo e pessoal para sua linguagem. Ainda hoje, seu trabalho é pouco conhecido do grande público brasileiro, apesar de Soares ter participado ativamente do circuito de arte por dez anos, tendo realizado exposições em galerias, salões e bienais. Atualmente, tem cada vez mais integrado exposições internacionais que a contextualizam no marco da nova figuração dos anos 1960, bem como no da arte política: The EY Exhibition: The World Goes Pop (Tate Modern, Londres, 2015), Arte Vida (Rio de Janeiro, 2014) e Radical Women: Latin American Art, 1960-1985 (Hammer Museum, Los Angeles, 2017).

 

Para o curador da exposição Rodrigo Moura, “…se hoje seu trabalho começa a ser mais reconhecido, inclusive internacionalmente, uma exposição que acompanha sua trajetória de perto e analisa a evolução de sua linguagem contribui não apenas para esse reconhecimento, mas também para entender os mecanismos e as metodologias que informam uma prática feminista no contexto brasileiro daquele período.” Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, comenta a relevância da mostra: “É um privilégio para o MASP apresentar a primeira exposição panorâmica da artista. Assim o museu cumpre um papel crucial, o de apresentar ao grande público uma obra que deve ser considerada e reinscrita na história recente da arte brasileira.”

 

“Quem tem medo de Teresinha Soares?” insere-se no contexto da programação de 2017 do Museu, dedicada à temática da sexualidade. Em torno da mostra “Histórias da sexualidade”, que contará com obras de diferentes períodos e acervos, serão apresentadas exposições monográficas de artistas brasileiros e internacionais, cujas trabalhos suscitam questionamentos sobre corporalidade, desejo, sensualidade, erotismo, feminismo, questões de gênero, entre outros. Após a de Teresinha Soares, seguem-se individuais de Wanda Pimentel, Henri de Toulouse-Lautrec, Miguel Rio Branco, Guerrilla Girls, Pedro Correia de Araújo e Tunga.

 

 
Catálogo

 

Simultaneamente à exposição, o MASP edita o primeiro grande catálogo monográfico da artista, R$150,00 pp. 272, que será lançado na abertura da exposição. O livro tem organização editorial de Adriano Pedrosa e Rodrigo Moura e reúne mais de 200 ilustrações, entre obras de Teresinha Soares, documentos de época e obras de outros artistas, além de textos inéditos dos curadores da exposição, da própria artista e de quatro críticos convidados. Os autores analisam a obra pioneira de Soares e a contextualizam ao lado da produção de outros artistas trabalhando no Brasil e internacionalmente, no mesmo período.

 

Constituem o catálogo os seguintes textos: “Quem tem medo de Teresinha Soares?”, de Rodrigo Moura; “A arte erótica singular de Teresinha Soares”, de Cecilia Fajardo-Hill; “Realista e erótica, minha arte é como a cruz para o capeta”, de Frederico Morais; “O corpo na poética de Teresinha Soares”, de Marília Andrés Ribeiro; “’Acontecências’: devir-mulher nos jornais de Teresinha Soares”, de Camila Bechelany; “Um pop pantagruélico: a ‘arte erótica de contestação’ de Teresinha Soares”, de Sofia Gotti; além de entrevista de Teresinha Soares a Rodrigo Moura e Camila Bechelany e as crônicas de Teresinha Soares “Amo São Paulo” (1968), “Cor-pus meus versus o mar” (1971) e “O impossível acontece” (1973).

 

“Quem tem medo de Teresinha Soares?” tem curadoria de Rodrigo Moura, curador-adjunto de arte brasileira do MASP, e Camila Bechelany, curadora-assistente do MASP. O escritório de arquitetura METRO Arquitetos Associados assina a expografia da mostra.

 

 

 

De 27 de abril a 06 de agosto.

Na Athena Contemporânea

24/abr

A galeria Athena Contemporânea apresenta, a exposição “A ponte (onde ele disse que não posso ir)”, com cerca de 20 obras inéditas da artista carioca Joana Cesar, inspiradas no trajeto feito diariamente por ela entre o Jardim Botânico e o Jockey Clube, na zona sul do Rio de Janeiro. Com curadoria de Germano Dushá, serão apresentadas colagens, fotografias, uma videoinstalação e dois vídeos da artista, que sempre teve a paisagem urbana como inspiração de suas obras.

 
Há cerca de dois anos, Joana Cesar fez a pé o trajeto de um quilômetro entre o Jardim Botânico e o Jockey Clube. Ao passar por lá, ela sentia uma sensação estranha, algo que não sabia explicar e começou a fazer diariamente esse mesmo percurso em busca de respostas. As obras que serão apresentadas na exposição fazem um “mapeamento” dessa área, que a artista passou a chamar de “ponte”, pois ali é uma grande reta, cercada por muros dos dois lados, onde não há prédios ou comércio. “As pessoas usam aquele trajeto para cruzar de um lugar a outro, como uma ponte. Esse trajeto tem a função de ligar dois bairros”, explica a artista, que, mais tarde, pesquisando, descobriu que debaixo da via passa um rio, dando mais sentido ao apelido de “ponte”.

 
“Se a ponte conecta, inevitavelmente, também se coloca como a medida da distância. Joana trafega pelas pontes — materiais, metafóricas ou mentais — com obstinação. Nesse processo de aventura e repetição, a artista parece querer dissecar tudo que lhe diga respeito, tanto o quanto lhe seja possível. Mas não para que possa entender integralmente cada aspecto do caminho, e sim para que possa vislumbrar a terrível — e implacável — dimensão do distanciamento. O hiato entre partida e chegada, entre ocorrência e percepção, entre código e decifração”, ressalta o curador Germano Dushá.

 
Em certo momento, após muitas caminhadas, a artista lembrou de um vídeo que havia feito há cerca de 15 anos, exatamente naquele local. Ela estava de carro, quando viu uma figura estranha, que chamou a sua atenção e a fez descer do veiculo. “Era um louco, que usava sandálias de cores diferentes, vestia uma calça molhada de xixi, puxava um galão… Fui andando atrás dele, seguindo e filmando todo o seu trajeto. Em certo ponto, ele parou, sentou no galão que carregava, tirou um espelho da calça e começou a olhar o mundo, o entorno, os ônibus que passavam, através daquele espelho”, conta Joana Cesar. “É com isso que ele cessa o caminhar. É por ali que ele passa a ver o mundo e encarar o outro. O espelho é seu dispositivo de contemplação. O espelho é sua fresta”, afirma o curador. A única palavra que a artista trocou com o andarilho foi quando perguntou seu nome, ao que ele respondeu: José Carlos Telefônica Mundial.

 
Na exposição, a artista apresentará o filme feito na época, que será mostrado em uma videoinstalação composta por duas televisões colocadas lado a lado: na da direita passará o vídeo como foi produzido e na da esquerda esse mesmo vídeo aparecerá como se estivesse sendo visto através de um espelho. “O vídeo mostra o real e o espelhamento o real, a fantasia”, diz Joana Cesar.

 
A exposição terá, ainda, seis colagens, com papeis e materiais diversos, em que a artista mistura o mapa real desse trecho do bairro do Jardim Botânico com a sua imaginação, com as suas memórias. “Não uso tinta, são colagens e os elementos, para mim, podem representar cor ou informação, significação. Desta forma, se uso um pedaço de fronha em meu trabalho, isso é para significar algo que dá conforto”, explica a artista.

 
Haverá, também, fotografias feitas por ela nesse entorno e dois pequenos vídeos feitos no Jardim Botânico em que a artista começou a filmar o que chamou de “natureza transtornada”. Nessas filmagens, ela registra fenômenos naturais que, a principio, não tem explicação, como, por exemplo, uma moita em que somente uma das folhas se mexe com o vento.

 

“São colagens, fotografias e vídeos que existem por vias objetivas e outras menos claras. Mas em tudo fica marcada a autonomia da artista em suas andanças, e suas relações mais intensas com a imaginação possível, a fantasia extravagante, impregnada na rua. São ações que dão conta do momento em que o acontecimento, o evento, se abre para quem quiser o perceber”, diz o curador.

 
Durante o período em que fazia a travessia, a artista descobriu um conto da Clarice Lispector chamado “Amor”, que faz parte do livro “Laços de Família”, que fala de uma mulher que, de dentro do bonde, vê um cego mastigando chiclete que lhe chama a atenção, que a deixa transtornada, assim como Joana Cesar ao ver o andarilho. A história se desenrola com a mulher andando justamente no trajeto feito insistentemente por Joana nos últimos dois anos. Partes desse conto estarão nas colagens.

 

 

 

Sobre a artista

 
Joana Cesar nasceu em 1974, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha. Cursou filosofia, jornalismo e cinema, fazendo, paralelamente, diversos cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro. O desenvolvimento de seu trabalho em ateliê a leva, em 2003, para as ruas da cidade, onde passa a usar muros, calçadas, postes e viadutos como suporte para sua escrita em código, inventada na infância. Em 2012, foi selecionada para o Programa de Aprofundamento da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Já realizou três exposições individuais na Athena Contemporânea: “Nome” (2014), “Voragem (2013) e “Fuga>Lenta” (2012). No ano passado, participou da exposição “Ao amor do público”, o Museu de Arte do Rio, que possui obras da artista em seu acervo. Participou, ainda, das mostras “Da escrita, Delas, Elas” (2015), no Museu da República; “6ª Bienal de Arte de Búzios (2013); “Gramáticaurbana” (2012), no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica. Ainda em 2012, foi convidada para participar da II Bienal Mundial da Criatividade, no Rio de Janeiro, e fez grande intervenção nos braços de sustentação da Avenida Perimetral.

 

 
Sobre a galeria

 
A Athena Contemporânea foi fundada em 2011 pelos irmãos Eduardo e Filipe Masini como um espaço inovador de criação, discussão e divulgação de arte contemporânea. Mais do que um espaço expositivo, a galeria se posiciona como lugar de pesquisa, de aprofundamento conceitual e de trocas artísticas, buscando sempre iniciativas inovadoras. A galeria vem se firmando como uma das mais destacadas no cenário brasileiro, representando conceituados e promissores artistas nacionais e internacionais, e investindo em parcerias com curadores e instituições para o desenvolvimento da carreira de seus artistas.

 

 
De 27 de maio a 17 de junho.

Oitis 55 no MAM Rio

O MAM Rio e o SEBRAE apresentam a exposição “Oitis 55 – Um Retrato do Design Carioca”, que reúne projetos desenvolvidos pelo coletivo Oitis 55, formado por 21 empresas de design contemporâneo do Rio de Janeiro. São 80 peças, dentre, mobiliários, acessórios, utilitários e objetos de decoração. “Com esta exposição, o MAM Rio dialoga com a experiência do trabalho coletivo, na qual a reunião de diversos talentos estimula a criatividade e a originalidade dos projetos, marcas importantes do nosso design”, explica Tulio Mariante, curador de design do Museu.

 

 

Oitis 55
O Oitis 55 é um grupo heterogêneo e jovem, inquieto, composto por 50 designers que vão de 25 a 56 anos, representando um novo modo de empreender design de produto, que enxerga o design como agente transformador e de qualidade de vida, e trabalha com apoio mútuo e cocriação, com fluidez, flexibilidade e transparência nos relacionamentos. Além de focar na consciência socioambiental e valorizar a produção local, propõe formas diferentes de relacionamento com as pessoas e com o mercado, pensando o design com calma e afeto. Independentes, trabalham sua gestão de forma orgânica e flexível, buscando se desenvolver por meio da troca constante de experiências e da construção de boas práticas e parcerias. Contando com o apoio do SEBRAE, em apenas três anos de existência já é reconhecido dentro e fora do país.
Resultado da rica troca entre os profissionais do grupo, os produtos são desenvolvidos por designers com diferentes formações e experiências. Em tempos em que o diálogo entre profissionais e usuários se faz essencial, os produtos são pensados para atender às necessidades das pessoas, sejam afetivas, funcionais ou ambas. Desde a escolha dos materiais aos processos de produção, o cuidado permeia todas as etapas e pode ser percebido por cada um dos envolvidos. Além da criação dos produtos, o Oitis 55 atua ativamente na prestação de serviços em diferentes áreas como desenvolvimento de produtos para indústria, cenografia, arquitetura & interiores e comunicação visual.

 

O grupo conta com um time capacitado de palestrantes e professores atuantes nas principais escolas e núcleos de design do Rio de Janeiro.

 

“Sem produzir excedentes, utilizando produção por demanda ou em pequenos lotes, com produtos numerados e com o cuidado e o acabamento da produção artesanal aliada a tecnologias de produção recentes, o grupo busca levar da maneira mais direta possível seus produtos ao mercado e ao consumidor final”, explica Felipe Rangel, um dos fundadores do Oitis 55. Estão previstas palestras, visitas guiadas e conversa com arquitetos durante a mostra.

 

 

Até 14 de maio.

Lattoog, o livro

17/abr

Os designers Leonardo Lattavo e Pedro Moog, da Lattoog, autografaram seu primeiro livro, na Livraria Travessa, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ. Agora, preparam-se para cumprir série de lançamentos pelo país afora atendendo convites já agendados para São Paulo e Porto Alegre.

 

O livro celebra os dez anos de existência da Lattoog. Muito além de ser um estúdio de design de móveis, uma proposta de livre experimentação em torno de temas ligados à cultura brasileira e carioca, que tem como veículo de expressão a prática de projetar.

 

O livro apresenta o trabalho do estúdio por diferentes recortes, como a trajetória de seus designers, as primeiras interações com o segmento, suas linhas de raciocínio criativo, uma visão da produção da Lattoog por tipologia e em linha cronológica, além da descrição dos processos que compõem seu ciclo produtivo, dos croquis à transformação dos produtos em peças de interesse cultural.

 

Em texto crítico, a jornalista Mara Gama reforça a essência da Lattoog: “A variedade de formas e tipologias já projetados prova a versatilidade do estúdio e impede que se identifique um estilo único ou linear. Talvez seja mais apropriado falar de um modo de criação Lattoog, de elaborar referências formais e traduzi-las em peças de leitura imediata, que provocam simpatia de um público que foge da padronização.”

 

“No livro pudemos reunir grande parte de tudo que construímos em nossa trajetória. Com certeza, ele vem para mostrar o que é a Lattoog de verdade, mas também mostrar um cenário bem amplo do design contemporâneo nacional”, concluiu Pedro Moog.

 

A obra, publicada pela Editora Olhares, e dela disse Leonardo Lattavo: “Optamos por uma abordagem com muitos paralelos, porque queríamos de alguma maneira, ilustrar esse aspecto central da nossa história e de todo o trabalho construído ao longo dos anos. Tocamos muita coisa ao mesmo tempo, e esse acaba sendo o nosso combustível”.

 

O livro teve o apoio de Schuster, Alhambra, Líder Interiores, Empório Vermeil, Quatro Elementos, Augusta, Galeria 021, Tetum.

 

Fiaminghi no IAC

28/mar

Inaugurando o calendário do ano, o IAC, Instituto de Arte Contemporânea, Vila Mariana, São Paulo, SP, apresenta mais uma ação de seu Grupo Experimental de Curadoria, “Fiaminghi – Pensamentos compostos”, dando continuidade ao programa de exposições que busca divulgar o acervo da instituição, constituído por importantes arquivos de artistas brasileiros.

 

Esta exposição reúne um expressivo número de obras e documentos entre desenhos, esboços, projetos, produtos gráficos e estudos realizados por Hermelindo Fiaminghi (São Paulo, 1920 – 2004), desde os anos 1950 até a década de 1990. Dos desenhos e projetos, passando por suas experiências junto ao Grupo Ruptura, a produção em têmpera e os offsets dos anos 1970, a exposição traz um importante panorama da obra de Fiaminghi, ao mesmo tempo em que apresenta aspectos de seu pensamento visual e modo de produção.

 

Com uma obra plástica marcada pela forte influência de suas experiências profissionais como litógrafo da indústria gráfica e como publicitário, a mostra revela aspectos fundamentais das soluções poéticas encontradas pelo artista. A imagem fotográfica tem papel crucial nas questões sobre cor e sua relação com a luz. O artista passa a denominar de corluz a produção na qual utiliza, de maneira extremamente original e criativa, a presença dos fotolitos e das provas gráficas, acentuando os efeitos criados por uma enorme ampliação das retículas.

 

Fiaminghi, junto com outros artistas, aderiu ao Grupo Ruptura em 1955 e ajudou a organizar, em 1956, a 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta. Sobre esse período, o próprio Fiaminghi afirma que somente na 3ª Bienal de São Paulo se deu conta – devido à crítica que o enquadrou na arte concreta – de que ele era um artista concreto. Foi nessa época que buscou descobrir do que se tratava esse tipo de arte e quais seus pressupostos. Ao refletir sobre essa fase, o artista afirmou que “O quadro concreto começa quando você chega. (…). Na arte concreta a coisa é limpa, é clara! O que você está vendo, é!”

 

 

Sobre o artista

 

Hermelindo Fiaminghi nasceu em São Paulo em 1920. Tornou-se conhecido como pintor e desenhista, mas também atuou profissionalmente como publicitário, litógrafo e artista gráfico. Suas experiências profissionais, em todas essas áreas correlatas, influenciaram mutuamente sua pesquisa imagética. No Liceu de Artes e Ofícios, foi aluno entre 1936 e 1941, onde estudou com Waldemar da Costa. Trabalhou em várias empresas de publicidade e, também, na indústria gráfica. Participou das mudanças iniciadas pelos movimentos construtivos e aderiu ao Grupo Ruptura. Nesse âmbito, atuou junto aos poetas concretos, desenvolvendo o projeto gráfico de vários poemas.

 

Frequentou o atelier de Alfredo Volpi de 1959 a 1966. Junto com Cordeiro, Féjer, Mauricio Nogueira Lima e Décio Pignatari, fundou, em 1958, o Atelier Livre do Brás. Ali desenvolveu a série virtuais, considerada como uma passagem da produção construtiva, vinculada aos pressupostos concretos, para uma pesquisa na qual começa um trabalho de desconstrução, tornando suas formas e o uso de cores e do espaço menos rígidas. A partir dos anos 1960, passa a nomear parte importante de sua produção com o uso adaptado do termo corluz. Nessa fase, utiliza retículas na forma de fotolitos e o offset por meio do sistema CMYK de cores, no qual cada cor é impressa separadamente. Por outro lado, nessa mesma década, começa a trabalhar com têmpera e, nela, da mesma forma, privilegia os estudos com a cor.

 

O artista expôs em várias Bienais Internacionais de São Paulo, em exposições individuais e coletivas e sua obra faz parte de importantes coleções públicas e privadas no Brasil e no exterior. Além disso, atuou como professor, júri e membro de conselhos. Faleceu em 2004 também na cidade de São Paulo. Desde 2017, o Instituto de Arte Contemporânea abriga seu arquivo pessoal.

 

 

Sobre o Grupo Experimental de Curadoria do IAC

 

Já pela segunda vez, o Instituto de Arte Contemporânea abre espaço para que o processo curatorial – das coleções e das exposições – seja colocado em questão por meio do envolvimento de distintos personagens e, portanto, de múltiplos olhares sobre seu acervo. A criação do Grupo Experimental de Curadoria envolveu, na preparação da exposição “Fiaminghi – Pensamentos compostos”, formações conceituais diferenciadas em uma elaboração final coletiva. O processo de conhecimento do arquivo pessoal de Hermelindo Fiaminghi tem sido bastante rico: seus desenhos, gravuras, fotolitos, offsets, pinturas, fotografias, projetos, estudos, revelam-se de maneira inusitada, a cada novo olhar. Trabalhar em conjunto e contar com diversas consultorias tem sido um processo complexo e bastante afinado com a própria produção de Fiaminghi que foi um pesquisador incessante e que, a partir de um certo momento, compreendeu – e nos deu a conhecer – sobre a importância fundamental da des-construção para a compreensão da arte como manifestação. Suas despaisagens e desretratos são ‘apenas’ mais uma faceta dessa personalidade inquieta e riquíssima que, agora, o Grupo Experimental de Curadoria do Instituto de Arte Contemporânea apresenta ao seu público.

 

 

Sobre o IAC

 

O Instituto de Arte Contemporânea – IAC, entidade cultural sem fins lucrativos, foi criado com a finalidade principal de preservar documentos e difundir a obra de artistas brasileiros de tendência construtiva. Os arquivos destes artistas, entre eles Willys de Castro, Sérgio Camargo, Amilcar de Castro (em parceria com o Instituto Amilcar de Castro), Sérvulo Esmeraldo, Luis Sacilotto, Lothar Charoux e, mais recentemente, Hermelindo Fiaminghi têm na instituição um espaço próprio para a exposição e pesquisa com documentação arquivística, bibliográfica e museológica, armazenada em banco de dados específico. Os acervos têm finalidade de pesquisa e divulgação da obra dos artistas por meio do trabalho com seus documentos preparatórios (cartas, agendas, esboços etc.). Assim, podem ser usados em exposições internas ou cedidos a outras instituições, em publicações, em estudos e quaisquer outros usos de caráter cultural e/ou acadêmico.

 

O IAC pesquisa, coleta, organiza e disponibiliza quaisquer fontes de informação sobre os artistas relacionados em seu acervo e, através de uma interface online, permite que pesquisadores de qualquer parte do mundo acessem seu banco de dados. Promover ações educativas e intercâmbios culturais com museus e instituições com a mesma linguagem em outros países também estão entre os objetivos da instituição. Desde julho de 2011, o IAC funciona no primeiro andar do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, na Vila Mariana.

 

 

Até 01 de julho.

Coleção Fundação Edson Queiroz

24/mar

A Casa França-Brasil, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição “VIRAGENS: arte brasileira em outros diálogos na coleção da Fundação Edson Queiroz”. Construída há mais de três décadas com obras de variados períodos da arte brasileira, esta coleção caracteriza-se por ser uma das mais importantes do país, e encontra-se sediada na Universidade de Fortaleza, no Ceará. Curadoria de João Paulo Quintella, Laura Consendey, Marcelo Campos e Pollyana Quintella e expografia de Helio Eichbauer.

 

A proposta é construir diálogos múltiplos que perpassam alguns capítulos da arte brasileira com obras desde 1913, como a emblemática pintura de Lasar Segall, “Duas amigas”, até os anos 1980. A exposição é constituída por núcleos que apresentam abordagens mais amplas do que os convencionais movimentos e cronologias da história da arte, identificando obras que se relacionam às discussões da forma, aos referenciais da cultura, aos interesses psicológicos e a outros atravessamentos possíveis, observando não só a influência de um artista sobre seus sucessores, mas, antes, as evidências de que arte e sociedade são indissociáveis.

 

Dentre os 43 artistas participantes, constam nomes como Abraham Palatnik, Alfredo Volpi, Amilcar de Castro, Anita Malfatti, Antonio Bandeira, Antonio Gomide, Bruno Giorgi, Candido Portinari, Cícero Dias, Danilo Di Prete, Emiliano Di Cavalcanti, Ernesto de Fiori, Flávio de Carvalho, Frans Krajcberg, Franz Weissmann, Guignard, Hélio Oiticica, Hercules Barsotti, Hermelindo Fiaminghi, Iberê Camargo, Ione Saldanha, Ismael Nery, Ivan Serpa, José Pancetti, Judith Lauand, Lasar Segall, Lothar Charoux, Luiz Sacilotto, Lygia Clark, Maria H. Vieira da Silva, Maria Leontina, Maria Martins, Maurício Nogueira de Lima, Milton Dacosta, Mira Schendel, Rubem Valentim, Samson Flexor, Sérgio Camargo, Sérvulo Esmeraldo, Tomie Ohtake, Vicente do Rego Monteiro, Victor Brecheret e Willys de Castro.

 

A exposição também prevê um ciclo de falas com pesquisadores voltados para as questões da arte moderna brasileira.

 

 

De 25 de março a 25 de junho.