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A primeira exposição individual dedicada à obra de Erika Verzutti, já realizada em um museu brasileiro é o cartaz do MASP, São Paulo, SP. Erika Verzutti é uma artista essencial para a compreensão da prática da escultura hoje, tanto no panorama brasileiro quanto no internacional. Suas formas instigantes exploram novos caminhos para o meio, com atenção renovada à origem e à materialidade da escultura, bem como à sua inteligência formal.
Realizados em diversos materiais, como bronze, concreto, pedra e papel machê, os trabalhos de Verzutti possuem traços sensuais e táteis, brutos e refinados. A partir do início dos anos 2000, a artista começou a produzir séries de esculturas que aos poucos foram sendo agrupadas em famílias de “cisnes”, “Tarsilas”, “jacas”, “cemitérios”, entre outras. A exposição apresenta exemplos de obras dessas famílias e busca traçar múltiplas associações entre elas. A produção mais recente da artista também está presente: são desta fase os “relevos de parede”, trabalhos que mesclam pintura e escultura e dialogam de modo inusitado com a história da arte e o mundo contemporâneo.
As referências de Verzutti para a criação de suas esculturas transitam entre livros de arte e de história social, elementos da fauna e flora, imagens em circulação nas redes sociais, notícias de jornal, evocando animais e plantas, paisagens e minerais, objetos do cotidiano e da arte – de autores como Tarsila do Amaral, Constantin Brancusi, René Magritte, Piero Manzoni, entre muitos outros. Com seu caráter insólito, as esculturas se entregam à imprevisibilidade, por vezes com um elemento de humor, e se recusam a aceitar definições ou tradições estabelecidas – daí o subtítulo desta mostra: a indisciplina da escultura.
A exposição está dividida em sete núcleos, pensados a partir de conceitos da filosofia, da psicanálise, da cultura popular e da própria história da arte. Os núcleos conectam as obras de muitos modos, em razão de suas formas, materiais, temas e cronologias: “Devir-animal”, “Vereda tropical”, “Metáfora do mundo”, “Totemizar o tabu”, “Modernismo selvagem”, “Sob o sol de Tarsila (e outras histórias)” e “Estranho-familiar”.
A mostra tem um caráter panorâmico, apresentando obras realizadas de 2003 a 2021, que inclui uma nova escultura feita especialmente para a ocasião. A exposição se insere no biênio da programação de 2021-22, dedicado às Histórias brasileiras no MASP e, neste primeiro ano, voltado exclusivamente às mulheres artistas.
A curadoria é de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, André Mesquita, curador, MASP
Até 31 de Outubro.
A próxima exposição na Central Galeria, Vila Buarque, São Paulo, SP, abrirá no sábado, dia 07 de agosto. Com curadoria de Diego Matos, “De dentro para fora, da experiência à imagem” é a primeira exposição de Sergio Augusto Porto em São Paulo e, de certa forma, é uma retomada na carreira do artista, pioneiro da arte brasileira nos anos 1970 e que tem no currículo participações de destaque em grandes exposições como a 37ª Bienal de Veneza (1976), a 12ª Bienal Internacional de São Paulo (1973) e o 7 Panorama da Arte Atual Brasileira (1975).
A médica Nise da Silveira revolucionou – no Brasil – o tratamento de pessoas com transtornos psiquiátricos. E o CCBB RJ apresenta uma mostra com o trabalho desenvolvido pela psiquiatra que uniu ciência e arte.
A exposição “Nise da Silveira – A Revolução Pelo Afeto” encontra-se em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro, Centro, até 16 de agosto. É uma chance de conhecer com mais profundidade a atuação inédita da doutora Nise da Silveira.
A mostra ocupa três salas, reunindo cerca de 90 obras de clientes do Museu de Imagens do Inconsciente, ao lado de peças criadas por importantes nomes da arte nacional que dialogam com o universo da doutora Nise da Silveira. São trabalhos de Lygia Clark, Zé Carlos Garcia e Alice Brill, além de vídeos de Leon Hirzsman, Tiago Sant’Ana, entre outros.
O projeto Flerte com Arte abre chamada pública para Residência Artística. A iniciativa é desenvolvida com incentivo da Prefeitura Municipal de Niterói e a Secretaria Municipal das Culturas (SMC), por meio do Programa Municipal de Retomada Econômica do Setor Cultural:
Flerte com Arte – Residência Artística
Dispositivos Pinto Rosa e Atelier Produtora abrem inscrições para jovens artistas visuais periféricos moradores de Niterói e do entorno para participarem de Residência Artística on-line e remunerada
A Dispositivos Pinto Rosa, em parceria com a Atelier Produtora, promove de 26 de agosto a 06 de novembro, Flerte com Arte – Residência Artística. O projeto reunirá quatro jovens artistas visuais e/ou coletivos de arte periféricos, mulheres, negros/as, indígenas ou LGBTQIA+, sendo dois moradores de Niterói e os outros dois residentes das cidades do entorno (Maricá, Itaboraí e São Gonçalo). A residência artística tem como mote a valorização da produção de artistas dissidentes dessas localidades que possuam pesquisas expandidas para outros campos de atuação, o que os conduza à interdisciplinaridade.
As inscrições acontecem de 27 de julho a 15 de agosto somente por meio do preenchimento do formulário eletrônico disponibilizado no site www.flertecomarte.com.br, onde também é possível conferir a convocatória que rege as normas e prazos do processo seletivo. A lista com os quatro artistas e/ou coletivos selecionados será disponibilizada no dia 19 de agosto por e-mail e site do projeto. As quatro propostas selecionadas para a Residência Artística receberão um aporte financeiro no valor de R$1.000,00. A realização do projeto é da Dispositivos Pinto Rosa e a produção da Atelier Produtora.
Na atual conjuntura da pandemia da COVID-19, muitos artistas visuais, principalmente os em início de carreira e ainda não consolidados no mercado de arte, foram atingidos pela falta de oportunidades. De acordo com uma das idealizadoras do projeto e artista orientadora da residência, Ana Hortides, “Flerte com Arte – Residência Artística surge como um respiro nesse cenário tão difícil para o fomento das artes e da cultura em que estamos vivendo. Conta ainda que, como uma artista visual, conhece os desafios para um artista jovem conseguir sobreviver da sua própria arte. A ideia do uso da palavra flerte vem justamente dessa questão, pois é recorrente que os artistas ‘flertem com a arte’ enquanto se dividem em outros trabalhos profissionais para se manterem e poderem financiar seus próprios processos artísticos. Assim, a residência Flerte com Arte consiste em um projeto que incentiva a arte, promove trocas entre jovens artistas dissidentes e fornece visibilidade aos seus trabalhos. O nosso projeto é pensado para esses artistas que estão começando agora e desejam acompanhamento curatorial, trocas e, é claro, poder contar com um aporte financeiro para produzir”.
Os artistas participantes da residência terão acompanhamento artístico e curatorial, mas para incentivar e ampliar o alcance das ações do projeto, comenta Vinícius Pinto Rosa, artista visual e orientador da residência que “o projeto Flerte com Arte apresenta também um viés de formação. Dentre as distintas ações do projeto, teremos quatro oficinas on-line e gratuitas, que serão ministradas pelos artistas selecionados. Nelas, poderão se inscrever pessoas de todo o Brasil”.
Flerte com Arte – Residência Artística conta com as seguintes ações:
Acompanhamento e orientação artístico-curatorial – Os três orientadores, Ana Hortides, Silvana Marcelina e Vinícius Pinto Rosa, realizarão o acompanhamento em grupo dos artistas residentes em encontros semanais, aprofundando o contato com seus processos de trabalho e as suas pesquisas artísticas ao longo da residência;
Portfólio aberto – No início da residência artística, cada um dos quatro artistas selecionados participará de uma live realizada por plataforma de rede social e conduzida por um dos orientadores do projeto onde abrirá o seu portfólio ao público, apresentando o seu trabalho e o projeto que pretende desenvolver ao longo da residência artística;
Ocupação artística – Os artistas residentes deverão desenvolver os seus processos de trabalhos, sejam nas mais diversas linguagens artísticas, em formato e plataformas virtuais. Sendo proposta ao final da residência uma ocupação artística on-line dos seus trabalhos;
Programa aberto e público – O programa corresponde a três ações distintas: Ateliê aberto, Debates-etc e Oficinas.
Ateliê aberto – Serão realizadas quatro lives em plataforma virtual ao final do período de residência com os artistas de modo a exporem ao público os resultados e processos realizados ao longo da residência e da ocupação artística;
Serviço: Flerte com Arte – Residência Artística
Inscrições: de 27 de julho a 15 de agosto
Residência artística: de 26 de agosto a 06 de novembro
Residência artística remunerada para artistas dissidentes de Niterói e cidades do seu entorno.
Site: www.flertecomarte.com.br
Instagram: www.instagram.com/atelier.cultura
Facebook: www.facebook.com/aateliercultura
Classificação: 18 anos.
Dúvidas podem ser tiradas pelo e-mail: flertecomarte@gmail.com
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O Clube Paulistano, São Paulo, SP, abriga, em suas alamedas, a coletiva “F23 – Encontros Fotográficos”, sob curadoria de Sergio Scaff e Bel Lacaz. Exposições individuais de profissionais convidados, em diferentes momentos de trajetória, oferecem um amplo conjunto de opções imagéticas, em um total de 1.213 imagens.
Convidados por Sergio Scaff, Alessandra Rehder, Antonio Mora, Betina Samaia, Carol Lacaz, Fabio Colombini, Fabio Figueiredo, Fabiano Al Makul, Giovanna Nucci, Ivan Padovani, Jose Roberto Bassul, Lucas Lenci, Luciano Bonomo, Luiz Aureliano, Melissa Szymanski, Paul Clemence, Pico Garcez, Renan Benedito, Renata Barros, Robério Braga, Romulo Fialdini, Tuca Reinés, Uiler Costa-Santos e Valentino Fialdini, trazem seu universo de imagens para que o público conheça e se aproxime de sua criação. “Esta exposição irá permitir apresentar as diferentes leituras, conceitos, trabalhos e a evolução da fotografia, no olhar destes fotógrafos”, explica Scaff.
Longe de ser uma exposição estática, em formato padrão, a mostra totalmente digital, estará posicionada nas alamedas internas do Paulistano em totens identificados por artista: “cada fotógrafo terá um totem individual para apresentar sua biografia, currículo e coleção fotográfica representativa dos trabalhos executados, durante a sua carreira artística e profissional”, define o curador. Isso possibilita ao visitante o contato com um amplo número de imagens que os transportará a diversos universos criativos peculiares e particulares de cada artista.
As imagens que os artistas apresentam, com seleção de Sergio Scaff, passeiam por temas diversos, distintos e plurais. Incluem temas como arquitetura, meio ambiente, fauna, flora, vida urbana noturna, cotidiano, moda, sonhos, emoções, fantasias, abraçam a vida!
Como um conjunto de possibilidades adicionais à realização da mostra de fotografias, a curadoria disponibiliza uma agenda de ações complementares com ampla programação de visitas guiadas à exposição, encontros, palestras, visitas à ateliês e galerias cuja agenda definitiva estará disponível nas redes sociais do Paulistano para inscrição e agendamento.
Sobre o curador
Sergio Scaff. Curador e Marchand, opera a mais de 36 anos no circuito cultural brasileiro e internacional. Através da Documenta Galeria de Arte, atua prioritariamente nas praças de São Paulo, Curitiba, Recife, Rio de Janeiro e Brasília, tanto em parceria com galerias locais como de forma independente, o que possibilita o intercâmbio cultural das diferentes leituras da arte brasileira. Foi representante, no Brasil, da London Contemporary Art; fundador e presidente da Associação Brasileira de Galerias de Arte, nos anos 1990 e é parte da coordenação das atividades culturais da Galeria de Arte do Clube Paulistano, desde 2010. “Interagir a fotografia a ser apresentada a céu aberto, dentro do espaço do Paulistano, para um público de milhares de pessoas, de várias idades, visões e conceitos artísticos, integrando a arte fotográfica ao cotidiano do seu espaço”. ( Sergio Scaff).
A retomada das atividades do Paulistano Cultural segue os protocolos da Fase de Transição do Plano São Paulo de controle à pandemia, implantada pelo governo estadual, além de seguir as medidas de proteção, saúde e higiene estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde e Ministério da Saúde. O número de visitantes segue limitado ao percentual permitido; é feita medição de temperatura à entrada e dispositivos de álcool gel estão posicionados por diversos pontos no espaço. O uso de máscara é obrigatório.
Até 19 de setembro.
A Galeria Evandro Carneiro Arte, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, realiza a exposição “A arte entre o sagrado e o profano”, de 24 de julho a 31 de agosto. A curadoria é de Evandro Carneiro.
Ao todo serão exibidas em torno de 140 obras, dentre pinturas e esculturas. Os artistas são diversos, da arte sacra à africana e chinesa, passando pela Escola de Potosi. Serão apresentados trabalhos de Helios Seelinger, Oscar Pereira da Silva, Emeric Marcier, Pedro Américo, Sigaud, Mario Cravo, Manuel Messias, Ceschiatti, Agostinelli, Brennand, Djanira, Rubem Valentim, Mestre Didi, PPL e os contemporâneos Mario Mendonça e Deborah Costa.
A mostra será aberta ao público SEM VERNISSAGE devido à pandemia, durante o horário de visitação da galeria, de segunda a sábado, das 10h às 19h. Durante o período das novas medidas restritivas na cidade sancionadas pela Prefeitura do Rio, a mostra será exibida ao público de forma on-line a partir de uma exposição virtual no website www.evandrocarneiroarte.com.br e nas redes sociais da galeria. A exposição será aberta ao público durante o horário de visitação da galeria, de segunda a sábado, das 10h às 19h.
O Shopping Gávea Trade Center, quando aberto, está funcionando com obrigatoriedade do uso de máscaras e fornece álcool em gel e medição de temperatura para quem entra. Não há necessidade de agendar a visita, pois o espaço é grande e sem aglomerações.
A arte entre o sagrado e o profano
Entorno de fé, promessas, ritos e festas, mitos e lendas, medos, superstições e crenças, a arte sempre expressou a cultura humana, na linguagem própria de cada tempo e de cada espaço. Cabem neste cenário, tanto os aspectos sagrados quanto os profanos da vida. Mas o que os diferencia e aproxima? Para Mircea Eliade, “O sagrado manifesta-se sempre como uma realidade inteiramente diferente das realidades ‘naturais’. (…) Ora, a primeira definição que se pode dar ao sagrado é que ele se opõe ao profano.” (“O Sagrado e o Profano”, Martins Fontes, 2020, p. 16-17)
Porém, para muitas culturas a natureza é sacralizada. Mitologias e cosmogonias diversas através da história da humanidade demonstram uma relação tão paradoxal quanto fundamental entre o sobrenatural e a natureza, deuses e homens, seres mágicos e hábitos profanos, bestiários e a floreta, bruxas e dragões, corpos e espíritos, Deus e o Diabo.
Longe de se desejar separar o supra-natural da natureza, ou dicotomizar o bem e o mal, mantemos aqui, por meio da ideia do paradoxo e da livre expressão, sempre possível através da arte, uma concepção de mundo em que cabem o bordel e o altar, o templo e o tempo, o pecado e a devoção mais pura, os ícones mais elevados das imagens sacras, mas também as fantasmagorias do maravilhoso pagão, em símbolos e alegorias expressas nas pinturas e nas esculturas que ora apresentamos.
Laura Olivieri Carneiro
Criada para receber exposições contemporâneas e de design, Galeria Hugo França, Trancoso, Bahia, será inaugurada no dia 15 de julho com mostra de obras inéditas do artista.
Ocupando 300 metros quadrados, em meio à Mata Atlântica, para viver, respirar e inspirar arte. Hugo França abre suas portas recebendo a exposição “A escultura e o mobiliário na produção de Hugo França”, onde dezenas de obras, com muitos pontos que as diferem, dialogam e refletem pontos divergentes e convergentes, sempre com a natureza viva como ponto de união.
O projeto é grandioso, como as obras do artista, e tem planos ainda maiores para o futuro. A Galeria Hugo França começou a sair do papel no último ano, quando a usual ponte aérea São Paulo-Trancoso deixou de ser parte da rotina e levou o artista a fazer do destino baiano sua morada. Quase como uma atividade terapêutica, a calmaria dos dias ensolarados ganhou agito com a idealização, detalhamentos e construção do espaço.
Instalado a 10 km do Quadrado, conhecido ponto da região, em uma área de 50 mil metros quadrados, dos quais 20 mil são de pura Mata Atlântica, a localização faz da visita à galeria um verdadeiro circuito turístico, já que fica situada exatamente entre Trancoso, Caraíva e Porto Seguro.
O projeto, concebido por Hugo França, foi pensado com estética brutalista e formas geométricas para estabelecer um pano de fundo, tanto para a área externa que é cercada por uma vegetação exuberante, como para garantir a neutralidade da área interna. Com pé direito de 9 metros, o local traz grandes vãos abertos, onde luz, ventilação e natureza interagem. Mas os planos vão ainda mais longe. Além de um formato independente de parcerias com outras galerias para receber mostras e artistas, futuramente, serão construídos chalés que servirão de abrigo para residências artísticas, tornando a Galeria Hugo França um hub de criação, arte e autoconhecimento. Algumas fronteiras separam. Outras funcionam como um diálogo que provoca uma reflexão sobre os dois lados. Em muitos casos, elas despertam o interesse pela busca por um ponto em comum e acabam evidenciando diferenças e similaridades que transformam muros em linhas tênues. Em meio às formas, utilidades claras e inutilidades propositais, a mostra é um convite ao diálogo.
A palavra do artista
Mais do que um local de exposição, idealizei a galeria como um convite para uma experiência de arte. De um lado, as obras, de outro, a natureza que tanto me inspira. Também é possível fazer uma visita ao meu atelier e acompanhar parte do processo de criação, além de conhecer o local onde ficam as madeiras com as quais trabalho, verdadeiras relíquias que resgatamos com muito respeito e cuidado. Essa exposição é uma oportunidade de colocar as pessoas frente a frente com esses dois universos criativos que estão muito presentes nas minhas obras. A funcionalidade de uma peça a torna um mobiliário, mas não a impede de protagonizar um ambiente com seu apelo escultórico. Uma escultura, aparentemente, não tem função, mas seria muita injustiça fazer essa afirmação, já que faz total diferença em uma ambientação.
Sobre o artista
Hugo França nasceu em Porto Alegre, RS, em 1954. Em busca de uma vida mais próxima da natureza, mudou-se para Trancoso, na Bahia, no início da década de 1980, onde viveu por 15 anos. Lá, percebeu o grau de desperdício na extração e uso da madeira, vivência que pautou seu trabalho. Artista muito requisitado, suas esculturas constam no acervo de grandes museus nacionais e internacionais.
Sobre a Exposição “A escultura e o mobiliário na produção de Hugo França”
A inauguração da Galeria Hugo França e a visitação à exposição “A escultura e o mobiliário na produção de Hugo França” respeitarão as normas sanitárias e poderão ser feitas de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. Em julho, mês inaugural, as visitas também poderão ser conduzidas pelo próprio Hugo França, mediante agendamento.
Ecila Huste apresenta nova exposição, a partir de 15 de julho, na Sala Redonda do terceiro andar do Centro Cultural Correios, Centro, Rio de Janeiro, RJ. Ao receber o convite para expor nesta sala, a artista, que é representada pela Duetto Arts New York, resolveu criar um site specific, um painel feito de tiras de tecido de várias cores, previamente grafitadas e trançadas, formando uma pintura com relevo que vai abraçar o diâmetro do espaço e tem cerca de vinte metros de comprimento.
“É muito instigante criar uma obra para uma sala circular”, diz Ecila, “pois o círculo é uma forma geométrica muito bonita e, além de representar a unidade, é também símbolo de perfeição, inteireza, completude, a totalidade, o infinito. Essa forma sempre existiu na natureza e está presente no miolo de uma flor, nos ninhos dos pássaros, em algumas espécies de frutos, na concha de um caracol, na íris dos olhos e também em cada movimento cíclico, como as estações do ano e o movimento do sol e da lua”.
Ecila Huste vem desenvolvendo há vários anos um trabalho de pintura que ela chama de entrelaçamento – de cores, de formas, de fios, de gestos e de percursos. Dentro deste conceito da não separação, que é milenar, tudo no universo está interligado, formando uma unidade.
A palavra do curador Ruy Sampaio
Sabem todos que, nas culturas orientais, as mandalas apontam para a perfeição, seja na tese do Eterno Retorno, do Vedanta, seja na diluição dos pares de opostos, que levaria ao sartori, dos budistas. Portanto, não é somente a bem achada maneira de vencer o desafio de um espaço circular pré-existente que leva Ecila Huste a conformar a ele esses relevos que agora o preenchem – a opção pelo círculo aqui diz mais. Ela o faz sob uma exigência estética irretocável, mas atenta a um rico feixe de significados que, histórica e antropologicamente, perpassam aquela metáfora milenar. E aqui transparece a Ecila também psicóloga de profissão. Ao vir da pintura plana para o universo tridimensional do relevo a artista guarda todos os valores de um desenho limpo e refinado que um dos seus mestres – ninguém menos que Aluisio Carvão – um dia chamou de precioso. Por entre suas tramas as cores amorosamente se enlaçam como aquelas do poema de Drummond, na continuidade fluente de um cromatismo único que já dantes nos seduzia em suas telas. Deliberadamente os fios que enfeixam os diversos momentos dessa pintura tão integradamente objetual permanecem aparentes como se a artista os quisesse um testemunho da elaborada manualidade de sua artesania.
O processo de criação
A princípio, Ecila Huste começou trabalhando com guache. Depois veio a aquarela, mais tarde a tinta acrílica, técnica mais explorada ultimamente. Ecila sempre foi atraída pelos grandes espaços, o que acabou influenciando o tamanho das telas, que foi pouco a pouco aumentando, até chegar a uma obra de dez metros de comprimento por um metro e sessenta de largura. Em sua pintura as cores e formas se entrelaçam o tempo todo, como uma teia, por toda a extensão de suas obras. O trabalho final é quase sempre exuberante em cor e tem um grau de movimentação incessante.
Sobre a artista
Artista visual carioca, Ecila Huste atua no campo das artes plásticas desde 1981. Sua formação artística passa pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV), Museu de Arte Moderna (MAM) e Centro de Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro, Brasil. Participou de inúmeras exposições no Brasil e no exterior, com destaque para individuais realizadas no Centro Cultural Correios (2018), Casa de Cultura Laura Alvim (RJ-2003), Museu Nacional de Belas Artes (RJ-1997), Centro Cultural Candido Mendes (RJ-1994), Centro Cultural CEMIG (MG-1994), Universidade Federal de Viçosa (MG-1994), Museu do Telefone (RJ-1993), Palácio Barriga Verde (SC-1993), Sala Miguel Bakun (PR-1992) e Espaço Cultural Petrobrás (RJ-1985). Ecila Huste é artista da Duetto Arts New York e faz parte do coletivo Zagut no Rio de Janeiro. Trabalha com pintura, fotos, objetos e gravura digital. A artista trabalha e reside no Rio de Janeiro.
Até 28 de agosto.