Sheroanawe Hakihiiwe apresenta Thapiri/Sonho.

24/abr

A galeria Fortes D’Aloia & Gabriel, Jardins, apresenta “Thapiri/Sonho”, a primeira exposição individual de galeria de Sheroanawe Hakihiiwe em São Paulo, após sua apresentação individual no MASP, Tudo isso somos nós, em 2023. Artista yanomami radicado na Amazônia venezuelana, Hakihiiwe apresenta na FDAG Jardins um conjunto de pinturas e monotipias que articulam uma linguagem visual enraizada em saberes e modos de ver indígenas. Compostas por linhas, pontos, círculos e padrões repetidos, as obras, que foram expostas ano passado em mostra homônima no MAC Parque Forestal, em Santiago, no Chile, partem de observações do cotidiano na floresta. Rastros de animais, estruturas vegetais e formações naturais são traduzidas em um vocabulário gráfico marcado pela síntese e pelo ritmo.

Radicado na comunidade yanomami de Mahekoto-Theri, Hakihiiwe desenvolve uma prática que reflete a continuidade entre experiência vivida e imaginada. Suas composições ecoam as estruturas mnemônicas das tradições orais yanomami, nas quais repetição e acumulação operam como formas de sustentar e transmitir conhecimento entre gerações. Por meio desse procedimento, seu trabalho produz uma memória simultaneamente corporal, simbólica e coletiva.

As obras em exposição articulam aquilo que é observado durante o dia com o que é vivenciado nos sonhos: presenças, sinais e formas de conhecimento transmitidas por espíritos e outros seres. Nesta mostra, a pintura opera como registro e também como meio de passagem, situando o visitante em uma experiência em camadas, onde diferentes planos de existência se entrecruzam. A apresentação reflete o compromisso contínuo de Hakihiiwe com a preservação e ativação dos conhecimentos culturais, simbólicos e ecológicos de sua comunidade.

Neste ano, o trabalho de Hakihiiwe foi apresentado em importantes exposições internacionais, incluindo Wayamou: Lenguas de lo común, no Museo Tamayo, na Cidade do México, onde expõe em diálogo com Laura Anderson Barbata, de quem aprendeu, no início dos anos 1990, técnicas de produção de papel com fibras naturais em um intercâmbio de saberes. Atualmente, participa de Several Eternities in a Day: Form in the Age of Living Materials, no Hammer Museum, em Los Angeles, onde apresenta uma instalação de grande escala com pinturas e desenhos. O artista também integra Exposition Générale, na Fondation Cartier pour l’art contemporain, em Paris, mostra inaugural do novo espaço da instituição, que possui obras suas em sua coleção permanente.

As obras desta exposição foram exibidas pela primeira vez na Sala TAC, em Caracas, Venezuela, em 2023. No Chile,em 2025, a mostra Thapiri / Sueño teve curadoria de Paola Nava e Luis Romero. Agradecemos especialmente a Melina Fernández Temes e  Luis Romero da ABRA Caracas, galeria de Sheroanawe Hakihiiwe na Venezuela, também ao MAC de Santiago do Chile e Paola Nava por seu apoio e colaboração.

Até 13 de junho.

Diferentes afetos e percepções.

22/abr

A Flexa, Leblon, Rio de Janeiro, RJ, anuncia sua décima exposição, “Morar na cor”, que integra o programa de 2026 da galeria. A mostra tem curadoria assinada por Luisa Duarte e Daniela Avellar, e é acompanhada de texto crítico de Renato Menezes, curador da Pinacoteca de São Paulo. A coletiva propõe pensar a cor, na arte, para além de sua dimensão estritamente formal.

Partindo da compreensão de que os cromatismos são atravessados pela experiência, pela subjetividade e pelo cotidiano, a exposição coletiva entende toda paleta de cor enquanto um campo ativo, capaz de produzir diferentes afetos e percepções. A cor aparece, nas obras reunidas, como força estruturante dos trabalhos e da experiência proposta ao público, cuja expografia se inspira no trabalho do arquiteto mexicano Luis Barragán, e é assinada por Julio Shalders.

Ao tensionar a tradição ocidental que historicamente relegou a cor a um lugar de excesso ou até mesmo de superficialidade, “Morar na cor” propõe um deslocamento. Saindo do ornamento para ocupar o lugar do pensamento, a cor é capaz tanto de preencher o espaço expositivo como se presentificar nas distintas obras agrupadas, fazendo com que o espectador reflita sobre os sentidos simbólicos contidos na experiência cromática. O título da exposição se inspira no ensaio homônimo publicado por Lygia Pape em 1988. Nele, a artista reflete sobre a relação da cor com as moradias vernaculares cariocas.

Fazem parte da mostra Abraham Palatnik, Adriana Varejão, Alfredo Volpi, Aluísio Carvão, Amadeo Luciano Lorenzato, Amelia Toledo, Ana Claudia Almeida, André Ricardo, Antonio Ballester Moreno, Antonio Bandeira, AVAF, Beatriz Milhazes, Carlos Vergara, Cícero Dias, Dudi Maia Rosa, Frank Stella, Ione Saldanha, Jorge Guinle, Judith Lauand, Lucia Koch, Luiz Braga, Luiz Zerbini, Lygia Pape, Marcone Moreira, Maria Leontina, Mariana Palma, Miguel Rio Branco, Milton Dacosta, Montez Magno, Paulo Pasta, Rafael Kamada, Rodrigo Cass, Rubem Valentim, Sol LeWitt, Tomie Ohtake, entre outros.

Exposição internacional de Dani Cavalier.

A Galatea tem o prazer de apresentar “Dani Cavalier: Tramadas”, primeira exposição internacional de Dani Cavalier, que abre no dia 23 de abril na LLANO, na Cidade do México. Realizada no contexto de um intercâmbio entre a LLANO e a Galatea, galeria que representa a artista, a mostra reúne trabalhos que integram a pesquisa de Dani Cavalier em torno das chamadas “pinturas sólidas”; Nelas, os limites entre pintura, escultura e instalação são tensionados por meio da justaposição de blocos de cor em tecidos reaproveitados.

Ao mesmo tempo em que partem de elementos estruturais da pintura convencional, como tela, chassi, cor e composição, as pinturas sólidas os subvertem. No lugar de tinta e pincel, a artista utiliza retalhos coloridos de Lycra, vindos da coleta de resíduos da produção do período em que esteve à frente de uma marca de moda praia.

Na mostra na LLANO, destacam-se séries que ampliam as possibilidades formais e conceituais de sua prática. Em “As Tensas”, Dani Cavalier trabalha com pedaços maiores de Lycra. As linhas não são recortadas, mas construídas pela força elástica do material ao ser grampeado ao chassi – gesto tradicional do preparo da tela que, aqui, antecede e já constitui a própria pintura. As transições entre cores evocam tanto a fisicalidade investigada pelo neoconcretismo, em diálogo com Lygia Clark, quanto a proximidade com as dobras e inflexões do corpo.

Já a série “Marquinha” parte da observação de que mesmo em materiais industriais, variações sutis de tonalidade podem ocorrer entre as produções dos lotes de lycra. A partir dessa constatação, a artista desenvolve composições que exploram variações de branco sobre branco e preto sobre preto, incorporando no título a referência às marcas deixadas pelo sol na pele.

Diversos temas em perspectiva.

16/abr

O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP, apresenta exposições que colocam em perspectiva temas como religiosidade, autoria, pertencimento e revisão histórica. Em cartaz, estão “Padê – sentinela à porta da memória”, “Bença! O Quilombo do Jaó pelo olhar das crianças” e “A História Inventada e a Invenção de Histórias”, de Roméo Mivekannin.

Entre os destaques está Padê – sentinela à porta da memória, em cartaz até 26 de julho. Com curadoria de Rosa Couto e Comitê Curatorial formado por Maurício Pestana, Renata Dias e Vera Nunes, a exposição toma Exu como eixo central para discutir comunicação, circulação e transformação. Organizada em três núcleos – “África”, “Travessia” e “Diáspora” -, a mostra articula obras do acervo do museu com produções contemporâneas, reunindo nomes como Emanoel Araujo, Sidney Amaral, Gustavo Nazareno, Carla Désirée, Mario Cravo Neto e Mestre Didi, entre outros. O percurso expositivo combina esculturas, fotografias, objetos do sagrado e instalações, evidenciando a permanência e as reinterpretações de Exu ao longo do tempo.

Em seus últimos dias, “A História Inventada e a Invenção de Histórias”, do artista beninense Roméo Mivekannin, segue em cartaz até 26 de abril. Com curadoria de Claudinei Roberto da Silva, a exposição reúne obras que partem de imagens clássicas da história da arte ocidental para propor deslocamentos de corpos, símbolos e centralidades. 

Marco A. Castillo e a realidade vivida em Cuba.

14/abr

Na Casa Domschke, Santo Amaro, São Paulo, SP, residência projetada por Vilanova Artigas (1915-1985), em 1974, Marco A. Castillo discute a utopia socialista sonhada pelos modernistas brasileiros e a realidade vivida em Cuba. Com curadoria de Livia Debbane, as esculturas de Marco A. Castillo em mogno e vime aludem a grandes nomes do design cubano, como Clara Porset, Gonzalo Córdoba e María Victoria Caignet.

Artista cubano radicado em Mérida, no México, Marco A. Castillo (1971, Camaguey) é um dos fundadores do coletivo Los Carpinteros (1992-2017) – celebrado internacionalmente e presente nas mais importantes coleções institucionais do mundo – trabalha principalmente na interseção entre sua vida na infância e adolescência em Cuba, a política, suas raízes familiares e a estética na qual cresceu. 

A exposição reúne 30 trabalhos recentes e inéditos de Marco A. Castillo, que abrangem esculturas – em mogno e vime; em papel cartão revestido de papel de encadernação ou couro sintético; e em argila epóxi – a instalação “Dictadura I”(2024)”; um conjunto de dez desenhos em nanquim sobre papel, e dois vídeos: “Generación” (2019), 6’45″, e “Casa Negra” (2022), 12’24’’. Desses trabalhos, 17 foram criados especialmente para a Casa Domschke.

Livia Debbane aponta que “… em seu revisionismo histórico-estético, Castillo se apropria de símbolos e modos de produção da época”. A curadora salienta que “…  este período fecundo – em que nasceram indústrias e a primeira escola superior de design no país – foi precocemente interrompido, quando coincidem o estreitamento das relações entre Cuba e a União Soviética na Guerra Fria (de onde se importaram, por exemplo, elementos de arquitetura pré-fabricada), o falecimento de (Celia) Sanchez e, finalmente, a dissolução da URSS”.

Até 28 de abril.

O espaço social na era digital.

09/abr

Peter Halley apresenta uma nova exposição na Almeida & Dale Fradique, São Paulo, SP, “The American Connection”, primeira exposição do estadunidense no Brasil em cinco anos, apresentando um conjunto de pinturas recentes, com suas icônicas cores fluorescentes e estruturas de células que expandem o quadro.

Halley despontou como um dos principais nomes do pós-conceitualismo na década de 1980, e é reconhecido por suas pinturas geométricas fluorescentes que enfatizam cores e sistemas. Suas obras empregam a linguagem da abstração geométrica para explorar a organização do espaço social na era digital.

“As obras da exposição ”The American Connection” assumem a representação metafórica dos dispositivos eletrônicos ligados por condutores. São células que remetem aos sistemas neuronais ou de terminais informáticos, mas poderiam ser celas de uma prisão, como sugerem os títulos de algumas das pinturas recentes aqui expostas”, escreve Antonio Gonçalves Filho, diretor cultural da Almeida & Dale.

Com títulos como Cell (célula ou cela) e Prision (prisão), as pinturas refletem sobre as estruturas da organização social em uma produção artística que se identifica com o pensamento estruturalista e de filósofos franceses como Foucault, Baudrillard e Lyotard. Igualmente, as formas de sua obra parecem responder ao isolamento e individualização do momento atual. Como completa Gonçaves Filho: “o pintor mostra como a sedução da fluorescência e o antinaturalismo das luzes de computadores e celulares acabam por aprisionar o indivíduo contemporâneo”.

Até 30 de maio. 

Maior exposição mundial de Yoshitaka Amano.

06/abr

Mostra “Além da Fantasia” terá 218 obras originais, entre pinturas e ilustrações, de um dos mais importantes artistas da cultura pop. 

Chega ao Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, a partir do dia 22 de abril, a maior exposição da carreira do artista japonês Yoshitaka Amano. Com curadoria e idealização de Antonio Curti, a mostra ocupará todas as salas do segundo andar do CCBB RJ e incluirá um espaço imersivo, que completará a experiência do público por meio da tecnologia. Esta será uma oportunidade para o público ver de perto a obra deste aclamado artista. “Os visitantes poderão conhecer obras nunca exibidas, incluindo grandes peças em alumínio – algo que só pode ser plenamente apreciado ao ver o trabalho original, pessoalmente”, afirma o artista. “Fico verdadeiramente feliz em ver uma nova mostra sendo realizada no Brasil, depois da exposição em São Paulo, em 2024. É uma honra ter essa oportunidade, especialmente com o projeto se expandindo de maneira tão significativa. Estou ansioso por isso”.

Dividida em sete núcleos temáticos – Tatsunoko, Final Fantasy, Candy Girl, Devaloka, Vampire Hunter D, Angel’s Egg e Colaborações – a mostra revela as múltiplas facetas do trabalho de Yoshitaka Amano.

“Yoshitaka Amano é uma lenda tanto no mundo da arte quanto no universo geek”, afirma o curador Antonio Curti. A exposição irá surpreender tanto quem acompanha o trabalho do artista, quanto quem nunca teve contato com a sua obra. “Para quem já conhece Amano, a mostra aprofunda o entendimento de sua trajetória e revela obras raras, processos e nuances que poucos tiveram a oportunidade de ver de perto. Para quem chega a ele pela primeira vez, é uma porta de entrada para um universo visual absolutamente singular, onde cada linha, cor e movimento carregam uma poética própria. A ideia é que todos, fãs ou iniciantes, encontrem aqui uma experiência que os conecte com a sensibilidade e a imaginação extraordinária desse artista”, diz o curador Antonio Curti.

Sobre o artista.

Yoshitaka Amano, que vive hoje em Tóquio, nasceu em 1952, na província de Shizuoka, aos pés do Monte Fuji, no Japão. Criado em uma família modesta, era o mais novo de quatro irmãos. Seu pai, Yoshio Amano, era artesão e dominava as técnicas tradicionais de laca em madeira, um ofício que utiliza pigmentos intensos de preto, vermelho e dourado, cores que se tornaram uma marca essencial na obra do artista. Desde a infância, Amano é fascinado por histórias e personagens. Passava horas copiando as criações de Osamu Tezuka, o lendário autor de Astro Boy e pioneiro do mangá moderno. Em 1967, aos 15 anos, passa por um treinamento e certificação ao ingressar na Tatsunoko Production, um dos estúdios mais inovadores do Japão. Lá, iniciou uma trajetória que o transformaria em um dos artistas mais influentes do universo pop, quadrinhos e games da atualidade.

Até 22 de junho.

A permanência e a vitalidade de uma linguagem.

01/abr

A Galeria Mayer Mizrahi, Jardim Paulista, São Paulo, SP, apresenta a exposição “Op-Art – Ilusão e Inclusão”, que reúne cerca de 26 obras entre pinturas, relevos, objetos e esculturas, centradas na investigação dos fenômenos ópticos, das vibrações cromáticas e das articulações espaciais que definem a Op-Art e a arte cinética. A mostra propõe um percurso em que a percepção do espectador deixa de ser passiva para se tornar elemento ativo na construção da experiência visual.

Sem recorrer a uma leitura histórica linear, o recorte aproxima diferentes gerações e desdobramentos dessa linguagem, evidenciando continuidades e tensões entre práticas que compartilham o interesse pela instabilidade do olhar. Nesse contexto, as estruturas cromáticas de Dario Perez-Flores instauram campos vibratórios que se transformam conforme o deslocamento do observador, em diálogo com as investigações pioneiras de Jesús Rafael Soto e Carlos Cruz-Diez, nas quais cor e movimento se constituem como fenômenos perceptivos.

A dimensão espacial da mostra se expande nas proposições de Yutaka Toyota, cujas superfícies refletivas e construções em aço inox tensionam luz e matéria, e nas esculturas de Rafael Barrios e Julio Le Parc, que deslocam os princípios ópticos para o campo tridimensional. Em outro eixo, as composições de Yuli Geszti articulam ritmo, repetição e variação, enquanto as séries “Portholes”, de J. Margulis, introduzem uma abordagem contemporânea que enfatiza a relação entre profundidade, cor e ilusão.

Ao reunir esses diferentes núcleos, a exposição evidencia a permanência e a vitalidade de uma linguagem que, ao longo de mais de meio século, segue propondo novas formas de relação entre obra e espectador. Mais do que um efeito visual, a Op-Art se afirma aqui como campo de experimentação sensorial, em que percepção, deslocamento e participação se tornam elementos constitutivos da experiência estética.

Op-Art – Ilusão e Inclusão

Artistas: Dario Perez-Flores, Jesús Rafael Soto, J. Margulis, Yuli Geszti, Yutaka Toyota, Carlos Cruz-Diez, Julio Le Parc, Rafael Barrios e Victor Vasarely

Até 09 de maio.

Exposição de dois artistas radicados na Suíça.

31/mar

Em novo capítulo de sua temporada de 2026, o Espaço Cultural do Hotel Praça da Matriz (HPM), Porto Alegre, RS, abre às 18h do dia 08 de abril, a exposição “Convergências”, com obras de dois artistas radicados na Suíça. São desenhos e pinturas do senegalês Momar Seck, além de obras em técnica mista do brasileiro Edmundo Timm – este em sua primeira mostra individual. Edmundo Timm também está confirmado para o tradicional bate-papo “Roda de Cultura”, iniciativa que aproxima o público e protagonistas do setor. O evento será dia 14, às 17h, com entrada gratuita a qualquer interessado.

Trajetórias intercontinentais.

O carioca Edmundo Timm está radicado na Suíça, onde atua desde 1998 como artista plástico autodidata, professor e produtor cultural nas áreas de teatro, dança, música, artes visuais e mindfullness. Já trabalhou também nos Estados Unidos, Alemanha e Honduras, promovendo intercâmbios culturais e conexões em arte contemporânea. Em Porto Alegre, onde viveu durante boa parte da década de 1980, destacam-se iniciativas como a coordenação do projeto “Travessia” (2018), voltado ao intercâmbio entre jovens da Escola Internacional de Genebra (Ecolint) e a Fundação Pão dos Pobres. Participou, ainda, de montagens de mostras em instituições como o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs). Sua produção como artista plástico tem se voltado ao abstracionismo por meio de técnica mistas, combinada a abordagens clássicas na criação de uma linguagem moldada pela luz, natureza e movimentos orgânicos. 

O senegalês Momar Seck reside na Suíça, onde atua como pintor, desenhista e escultor. Diplomado pela Escola Superior de Formação de Professores de Arte de Dakar e pela Escola de Belas Artes de Genebra, é mestre em Artes Visuais pela Universidade de Estrasburgo, na França. Em três décadas e meia de carreira internacionalmente premiada, expôs em galerias e instituições de diversos países – inclusive no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs), em 2018, ao integrar o projeto “Travessias”. Momar Seck selecionou dez obras para a exposição. Produzido por meio da combinação de desenho e pintura, o conjunto transita entre figuração e abstracionismo, em imagens nas quais linha e cor compartilham a mesma força expressiva. O resultado são silhuetas humanas, formas animais e vegetais, elementos simbólicos e fragmentados, na exploração de conceitos como memória, identidade e movimento.

Casa d’Italia celebra 90 anos.

30/mar

O Polo Cultural ItaliaNoRio inaugura, em 1º de abril, a exposição “Casa d’Italia do Rio de Janeiro: 90 anos”, com curadoria de Aristides Corrêa Dutra. A mostra celebra as nove décadas da aquisição do terreno onde seria erguida a Casa d’Italia – localizado na esquina das avenidas Beira-Mar e Santos Dumont (atual Avenida Antônio Carlos) – e revisita a trajetória histórica, política e cultural de um dos marcos da presença italiana na cidade. Ao longo de sua história, o edifício atravessou diferentes períodos e transformações, incluindo momentos de interrupção e reconfiguração de sua função, até chegar à recente revitalização da Praça Itália, reafirmando sua importância no cenário cultural do Rio de Janeiro.

“A exposição propõe não apenas um resgate histórico, mas também uma reflexão sobre memória, pertencimento e os vínculos culturais entre Brasil e Itália, evidenciando o papel da Casa d’Italia como espaço de encontro e intercâmbio ao longo das décadas”, afirma o Cônsul-Geral Massimiliano Iacchini.

O percurso expositivo está dividido em três núcleos. Na primeira sala, o público terá acesso aos projetos e planejamentos iniciais para a construção da Casa d’Italia, revelando o contexto de sua idealização. A segunda parte aborda um dos períodos mais emblemáticos de sua história: a apropriação do prédio pelo governo brasileiro e sua posterior devolução à comunidade italiana, já nos anos 1970, quando retoma sua função original.

Encerrando o trajeto, a terceira sala apresenta a ocupação institucional do edifício, destacando a chegada do Istituto Italiano di Cultura (IIC), em 1974, e a instalação do Consulado Italiano no Rio de Janeiro, no ano seguinte, consolidando o espaço como um importante polo de difusão cultural e diplomática.