Maior exposição mundial de Yoshitaka Amano.

06/abr

Mostra “Além da Fantasia” terá 218 obras originais, entre pinturas e ilustrações, de um dos mais importantes artistas da cultura pop. 

Chega ao Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, a partir do dia 22 de abril, a maior exposição da carreira do artista japonês Yoshitaka Amano. Com curadoria e idealização de Antonio Curti, a mostra ocupará todas as salas do segundo andar do CCBB RJ e incluirá um espaço imersivo, que completará a experiência do público por meio da tecnologia. Esta será uma oportunidade para o público ver de perto a obra deste aclamado artista. “Os visitantes poderão conhecer obras nunca exibidas, incluindo grandes peças em alumínio – algo que só pode ser plenamente apreciado ao ver o trabalho original, pessoalmente”, afirma o artista. “Fico verdadeiramente feliz em ver uma nova mostra sendo realizada no Brasil, depois da exposição em São Paulo, em 2024. É uma honra ter essa oportunidade, especialmente com o projeto se expandindo de maneira tão significativa. Estou ansioso por isso”.

Dividida em sete núcleos temáticos – Tatsunoko, Final Fantasy, Candy Girl, Devaloka, Vampire Hunter D, Angel’s Egg e Colaborações – a mostra revela as múltiplas facetas do trabalho de Yoshitaka Amano.

“Yoshitaka Amano é uma lenda tanto no mundo da arte quanto no universo geek”, afirma o curador Antonio Curti. A exposição irá surpreender tanto quem acompanha o trabalho do artista, quanto quem nunca teve contato com a sua obra. “Para quem já conhece Amano, a mostra aprofunda o entendimento de sua trajetória e revela obras raras, processos e nuances que poucos tiveram a oportunidade de ver de perto. Para quem chega a ele pela primeira vez, é uma porta de entrada para um universo visual absolutamente singular, onde cada linha, cor e movimento carregam uma poética própria. A ideia é que todos, fãs ou iniciantes, encontrem aqui uma experiência que os conecte com a sensibilidade e a imaginação extraordinária desse artista”, diz o curador Antonio Curti.

Sobre o artista.

Yoshitaka Amano, que vive hoje em Tóquio, nasceu em 1952, na província de Shizuoka, aos pés do Monte Fuji, no Japão. Criado em uma família modesta, era o mais novo de quatro irmãos. Seu pai, Yoshio Amano, era artesão e dominava as técnicas tradicionais de laca em madeira, um ofício que utiliza pigmentos intensos de preto, vermelho e dourado, cores que se tornaram uma marca essencial na obra do artista. Desde a infância, Amano é fascinado por histórias e personagens. Passava horas copiando as criações de Osamu Tezuka, o lendário autor de Astro Boy e pioneiro do mangá moderno. Em 1967, aos 15 anos, passa por um treinamento e certificação ao ingressar na Tatsunoko Production, um dos estúdios mais inovadores do Japão. Lá, iniciou uma trajetória que o transformaria em um dos artistas mais influentes do universo pop, quadrinhos e games da atualidade.

Até 22 de junho.

A permanência e a vitalidade de uma linguagem.

01/abr

A Galeria Mayer Mizrahi, Jardim Paulista, São Paulo, SP, apresenta a exposição “Op-Art – Ilusão e Inclusão”, que reúne cerca de 26 obras entre pinturas, relevos, objetos e esculturas, centradas na investigação dos fenômenos ópticos, das vibrações cromáticas e das articulações espaciais que definem a Op-Art e a arte cinética. A mostra propõe um percurso em que a percepção do espectador deixa de ser passiva para se tornar elemento ativo na construção da experiência visual.

Sem recorrer a uma leitura histórica linear, o recorte aproxima diferentes gerações e desdobramentos dessa linguagem, evidenciando continuidades e tensões entre práticas que compartilham o interesse pela instabilidade do olhar. Nesse contexto, as estruturas cromáticas de Dario Perez-Flores instauram campos vibratórios que se transformam conforme o deslocamento do observador, em diálogo com as investigações pioneiras de Jesús Rafael Soto e Carlos Cruz-Diez, nas quais cor e movimento se constituem como fenômenos perceptivos.

A dimensão espacial da mostra se expande nas proposições de Yutaka Toyota, cujas superfícies refletivas e construções em aço inox tensionam luz e matéria, e nas esculturas de Rafael Barrios e Julio Le Parc, que deslocam os princípios ópticos para o campo tridimensional. Em outro eixo, as composições de Yuli Geszti articulam ritmo, repetição e variação, enquanto as séries “Portholes”, de J. Margulis, introduzem uma abordagem contemporânea que enfatiza a relação entre profundidade, cor e ilusão.

Ao reunir esses diferentes núcleos, a exposição evidencia a permanência e a vitalidade de uma linguagem que, ao longo de mais de meio século, segue propondo novas formas de relação entre obra e espectador. Mais do que um efeito visual, a Op-Art se afirma aqui como campo de experimentação sensorial, em que percepção, deslocamento e participação se tornam elementos constitutivos da experiência estética.

Op-Art – Ilusão e Inclusão

Artistas: Dario Perez-Flores, Jesús Rafael Soto, J. Margulis, Yuli Geszti, Yutaka Toyota, Carlos Cruz-Diez, Julio Le Parc, Rafael Barrios e Victor Vasarely

Até 09 de maio.

Exposição de dois artistas radicados na Suíça.

31/mar

Em novo capítulo de sua temporada de 2026, o Espaço Cultural do Hotel Praça da Matriz (HPM), Porto Alegre, RS, abre às 18h do dia 08 de abril, a exposição “Convergências”, com obras de dois artistas radicados na Suíça. São desenhos e pinturas do senegalês Momar Seck, além de obras em técnica mista do brasileiro Edmundo Timm – este em sua primeira mostra individual. Edmundo Timm também está confirmado para o tradicional bate-papo “Roda de Cultura”, iniciativa que aproxima o público e protagonistas do setor. O evento será dia 14, às 17h, com entrada gratuita a qualquer interessado.

Trajetórias intercontinentais.

O carioca Edmundo Timm está radicado na Suíça, onde atua desde 1998 como artista plástico autodidata, professor e produtor cultural nas áreas de teatro, dança, música, artes visuais e mindfullness. Já trabalhou também nos Estados Unidos, Alemanha e Honduras, promovendo intercâmbios culturais e conexões em arte contemporânea. Em Porto Alegre, onde viveu durante boa parte da década de 1980, destacam-se iniciativas como a coordenação do projeto “Travessia” (2018), voltado ao intercâmbio entre jovens da Escola Internacional de Genebra (Ecolint) e a Fundação Pão dos Pobres. Participou, ainda, de montagens de mostras em instituições como o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs). Sua produção como artista plástico tem se voltado ao abstracionismo por meio de técnica mistas, combinada a abordagens clássicas na criação de uma linguagem moldada pela luz, natureza e movimentos orgânicos. 

O senegalês Momar Seck reside na Suíça, onde atua como pintor, desenhista e escultor. Diplomado pela Escola Superior de Formação de Professores de Arte de Dakar e pela Escola de Belas Artes de Genebra, é mestre em Artes Visuais pela Universidade de Estrasburgo, na França. Em três décadas e meia de carreira internacionalmente premiada, expôs em galerias e instituições de diversos países – inclusive no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs), em 2018, ao integrar o projeto “Travessias”. Momar Seck selecionou dez obras para a exposição. Produzido por meio da combinação de desenho e pintura, o conjunto transita entre figuração e abstracionismo, em imagens nas quais linha e cor compartilham a mesma força expressiva. O resultado são silhuetas humanas, formas animais e vegetais, elementos simbólicos e fragmentados, na exploração de conceitos como memória, identidade e movimento.

Casa d’Italia celebra 90 anos.

30/mar

O Polo Cultural ItaliaNoRio inaugura, em 1º de abril, a exposição “Casa d’Italia do Rio de Janeiro: 90 anos”, com curadoria de Aristides Corrêa Dutra. A mostra celebra as nove décadas da aquisição do terreno onde seria erguida a Casa d’Italia – localizado na esquina das avenidas Beira-Mar e Santos Dumont (atual Avenida Antônio Carlos) – e revisita a trajetória histórica, política e cultural de um dos marcos da presença italiana na cidade. Ao longo de sua história, o edifício atravessou diferentes períodos e transformações, incluindo momentos de interrupção e reconfiguração de sua função, até chegar à recente revitalização da Praça Itália, reafirmando sua importância no cenário cultural do Rio de Janeiro.

“A exposição propõe não apenas um resgate histórico, mas também uma reflexão sobre memória, pertencimento e os vínculos culturais entre Brasil e Itália, evidenciando o papel da Casa d’Italia como espaço de encontro e intercâmbio ao longo das décadas”, afirma o Cônsul-Geral Massimiliano Iacchini.

O percurso expositivo está dividido em três núcleos. Na primeira sala, o público terá acesso aos projetos e planejamentos iniciais para a construção da Casa d’Italia, revelando o contexto de sua idealização. A segunda parte aborda um dos períodos mais emblemáticos de sua história: a apropriação do prédio pelo governo brasileiro e sua posterior devolução à comunidade italiana, já nos anos 1970, quando retoma sua função original.

Encerrando o trajeto, a terceira sala apresenta a ocupação institucional do edifício, destacando a chegada do Istituto Italiano di Cultura (IIC), em 1974, e a instalação do Consulado Italiano no Rio de Janeiro, no ano seguinte, consolidando o espaço como um importante polo de difusão cultural e diplomática. 

Deslocamento mediado por imagens.

23/mar

Um road-movie em paisagens digitais será exibido em unidades do Sesc Copacabana, no dia 1º de abril. O “Cinema do Futuro” apresenta “Save the Dance”. Nesse deslocamento mediado por imagens e interfaces, a viagem se transforma em uma reflexão sobre pertencimento, memória e identidade, fazendo emergir uma pergunta recorrente: onde você se sente em casa?

Partindo dessa premissa, “Save the Dance” foi gravado em cúpula de fotogrametria 3D por uma equipe de imigrantes do sul global, oriundos do Brasil, Chile, Argentina, Alemanha, Espanha, China, Irã e Egito. Trata-se de um trabalho de cinema expandido e arte digital que o Sesc Copacabana exibirá gratuitamente no dia 1º de abril, às 19h, em avant première. Com duração de 45 minutos, o filme de animação 3D se desdobra em uma projeção de audiovisual expandido na fachada do Sesc e na paisagem urbana ao redor, acompanhado por performance sonora e teatral. Ao longo do ano serão realizadas outras duas exibições, nos bairros do Flamengo e Tijuca.

Save the Dance

Passando por Berlim, Cairo, Beirute, Japão, uma ilha desconhecida, Taiwan, Chile e até as estrelas, surgem perguntas fundamentais: o que você gostaria de deixar para trás? Para onde iria se tivesse a possibilidade de um novo começo? 

Sobre Ygor Gama

Nascido no Recife, em 1988, Ygor Gama é designer de imagem e som formado pela Universidade de Buenos Aires, Argentina. Após dezessete anos em Buenos Aires e Berlim, ele retornou ao Brasil e ao Rio de Janeiro em 2023, onde fundou a produtora Cinema do Futuro. Criou performances e instalações de vídeo em várias cidades – Kiev, Beirute, Viena, Poznań, Buenos Aires – explorando novos formatos para imagens em movimento ligadas a investigações sobre identidade, gênero e deslocamento. Seu primeiro curta-metragem, “Leaving”, foi filmado em celulares, estreou no BAFICI e ganhou o prêmio internacional no Festival de Cinema de Viña del Mar, Chile, em 2012. Em seguida, dirigiu #YA, sobre desobediência civil em espaços urbanos e digitais, apresentado na 65ª Berlinale, BFI London, FNC Montreal, Canal Arte, entre outros (2015-2016). Foi artista residente na Villa Waldberta (AIR Munique, 2022) e no Museu do Amanhã (Tecnologias Afetivas, Rio de Janeiro, 2024), onde desenvolveu “Save the Dance” – um road movie em paisagens digitais (animação 3D, com estreia prevista para 2026, via SESC Pulsar). Seu próximo filme, “Around the #Sun”, recebeu prêmios de desenvolvimento da FIDBA (Argentina), Sheffield Doc Fest (Reino Unido), Bio Bio (Chile) e FAM (Brasil) em 2025. Recentemente, estreou “In the Search of Miraculous” – “Em Busca de um Milagre”, uma obra de arte em RV no mar do Rio de Janeiro, comissionada pela UNESCO, Museu do Amanhã e Fundação Boticário, no contexto da Década das Nações Unidas para os Oceanos.

Ficha técnica.

Direção, Roteiro e Edição: Ygor Gama;  Produção/Execução no Sesc: Florencia Bianco; Video Mapping: Bruno Ferrari; Performance Sonoro: Anne dos Santos; Design de Som e Gravação: Lautaro Aichenbaum; Animação 3D: Siavash Nagshbandi; Design de Novas Mídias: Inti Gallardo; Direção de Fotografia: Francisca Saez Agurto; Script Advisor: Francisco Hevia Vial; Graphic Design: Julia Sbriller e Paco Savio; Registro Audiovisual: Lorena Zschaber e Matheus Mendes; Performance Audiovisual: Abdelrahman Dnewar, Popo Fan, Antonia Giesen; Performance in Situ: Alan Athayde, Lorena Pazzanese, Dora Selva, Abél Yina; Save the Dance; Uma produção de Cinema do Futuro (Brasil) & Road River Films (Alemanha); 

Um nome da vanguarda europeia.

A Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, convida para a abertura da exposição “Erró: De Imagem a Imagem”, no dia 28 de março. A mostra apresenta a trajetória do artista islandês Guðmundur Guðmundsson, ou Erró, um dos principais nomes da vanguarda europeia dos anos 1960. Com curadoria de Danielle Kvaran, reúne cerca de 50 pinturas e colagens produzidas a partir de 1966. Em suas obras, o artista reconfigura o mundo a partir de fragmentos visuais, combinando crítica, humor e referências da cultura de massa e da história.

Erró, nascido Guðmundur Guðmundsson, em 1932, no oeste da Islândia, é conhecido por ter inventado a pintura-colagem narrativa. Essas composições, geralmente concebidas em séries, constituem uma contribuição fundamental para a renovação da figuração pictórica na arte do pós-guerra. Atuando entre a colagem, a pintura, a gravura, a performance e o cinema experimental, o artista desempenhou um papel central na vanguarda europeia dos anos 1960. Embora com frequência associado ao Dadaísmo, ao Surrealismo, à Figuração Narrativa e à Pop Art, sua produção artística desafia classificações e afirma uma voz criativa marcada por uma independência feroz.

Desde o início de sua carreira, Erró tem buscado inspiração em imagens criadas por outros. Seus primeiros experimentos com citação visual e colagem deram lugar, nos anos 1960, a uma virada decisiva: o abandono de seu imaginário pessoal para trabalhar exclusivamente com o repertório imagético coletivo de seu tempo. A partir desse momento, a colagem deixou de ser apenas uma técnica – tornou-se o modelo estrutural de toda a sua produção pictórica, gráfica e cinematográfica, assumindo o papel antes ocupado pelos esboços preparatórios.

Por meio de uma seleção de colagens, pinturas, gravuras e filmes da Coleção Erró do Museu de Arte de Reykjavík, esta exposição percorre mais de seis décadas de criação nas quais o artista reconfigura o mundo por meio de fragmentos – confrontando o público com uma linguagem visual ao mesmo tempo crítica, lúdica e inconfundivelmente pessoal.

Reunidas ao longo de suas viagens pelo mundo, as imagens de referência de Erró abrangem todos os campos imagináveis – da arte e do cinema às histórias em quadrinhos e caricaturas, passando pela ciência e tecnologia, história e política, publicidade e propaganda, e até o erotismo. Submetidas a diversas formas de apropriação e recombinação inventiva, essas imagens alimentam um universo denso e satírico. Visualmente explosivas, suas obras confrontam o espectador com ícones reimaginados, narrativas fraturadas e confrontos visuais ousados. Cada trabalho convida à reflexão sobre mitos, estruturas de poder e sistemas midiáticos, com uma sagacidade afiada, que abre espaço para a precisão – e até mesmo para a poesia. Essa abordagem provocadora e incisiva transforma cada imagem em um espaço de resistência e fantasia. Aqui, a arte não se limita a espelhar o mundo: ela o desmonta, o reorganiza e revela seus mecanismos ocultos. Convida-nos a ver – e a pensar – de outra forma.

Danielle Kvaran, curadora.

Até 02 de agosto. 

Artistas franco-coreanas no Brasil.

13/mar

A Galatea anuncia “Park Chae Biole & Dalle: alargar o tempo, tecer a vida”, exposição dupla das artistas franco-coreanas em colaboração com a galeria parisiense Anne-Laure Buffard. A mostra, que marca a primeira ocasião em que Park Chae Dalle e Park Chae Biole expõem seu trabalho no Brasil, será realizada na unidade da galeria na Rua Oscar Freire, Jardins, São Paulo, SP, com abertura no dia 21 de março, sábado, das 11h às 15h.

Na Galatea, as irmãs gêmeas apresentam um projeto conjunto pela quarta vez, após duas exposições realizadas em Seul e uma em Paris. Com cerca de 60 obras, a mostra apresenta tanto trabalhos desenvolvidos individualmente quanto produções realizadas em colaboração. Embora compartilhem um campo de investigação similar, atravessado pelas relações entre pintura, espaço, paisagem e pequenas cenas do cotidiano, cada uma desenvolve sua prática a partir de suportes distintos.

Em muitas das obras de Park Chae Biole, a imagem aparece sobre suportes que também organizam o espaço, como persianas, bolsas ou superfícies têxteis, desdobrando a pintura em objeto e em ambiente. Paisagens e fragmentos de lugares surgem nessas estruturas móveis, instaurando um jogo entre interior e exterior, presença e passagem.

Já na prática de Park Chae Dalle, a pintura se aproxima da escrita e da poesia. A artista produz os próprios tecidos sobre os quais trabalha, frequentemente por meio do tricô – uma prática paciente, construída no ritmo do próprio fazer. Paisagens, sóis, flores, espirais, personagens ou nuvens parecem emergir do tecido. Leves e flexíveis, as obras podem ser enroladas, transportadas e reorganizadas, ajustando-se a cada espaço onde são apresentadas.

Quando trabalham juntas, suas práticas revelam afinidades formais que tornam essa colaboração quase natural. As irmãs compartilham, inclusive, o mesmo ateliê em Paris. Tanto as persianas de Biole como os tecidos de Dalle exploram a transparência, a porosidade e a mobilidade, mas é na produção conjunta dos bojagi que essa proximidade se torna mais evidente. Inspiradas na tradição coreana do tecido utilizado para envolver objetos domésticos e presentes, essas produções unem perfeitamente o repertório estético de cada uma das artistas em composições intimamente conectadas.

Até 09 de maio.

A pintura em estado de emergência contínua.

27/fev

A Fortes D’Aloia & Gabriel, Jardins, São Paulo, SP, apresenta até 18 de abril, “Maçã Roxa”, a primeira exposição individual de Willa Wasserman no Brasil. A mostra reúne pinturas intimistas de pequena escala sobre linho e latão, além de obras expansivas sobre tecido, produzidas entre Nova York, onde reside, e São Paulo, onde a artista realiza residência na Casa Onze.

Willa Wasserman aborda questões de intimidade, gênero e metamorfose, entrelaçando referências à pintura clássica e à cultura material com expressões contemporâneas da experiência queer. Trabalhando com tecido e metal, a artista trata o suporte como um participante ativo em cada composição. Óleo, ponta de prata – traços desenhados através da fricção da prata sobre uma superfície preparada – e processos químicos são aplicados de maneiras que permitem que oxidações, manchas e alterações tonais aflorem e permaneçam legíveis. Ela aborda a figuração sem enfatizar a clareza corporal ou contornos nitidamente definidos, privilegiando, em vez disso, espaços amorfos nos quais as formas flutuam e se dissolvem. Técnicas históricas são reinventadas para dar origem a corpos e atmosferas mutáveis, simultaneamente luminosos e sombrios, suspensos em um estado de emergência contínua.

Há vários anos, Wasserman trabalha com a natureza-morta como uma forma de pensar visualmente, tratando os objetos como uma forma de composição silenciosa em vez de exibição simbólica. Ela pinta arranjos de flores e cenas de jardim, como em “Do jardim no novo squat” (2026), onde o pigmento parece se fundir com a superfície metálica, conferindo às imagens uma profundidade tranquila e ambiente. Em “Natureza-morta com maçã roxa, tigela vazia, ancinho de fechadura” (2026), o ancinho de fechadura introduz uma nota de acesso transgressor, fazendo referência a experiências vividas de identidade trans e maneiras de navegar por espaços além das estruturas normativas.

Um artista iraquiano-norteamericano.

26/fev

A Almeida & Dale anuncia a representação de Michael Rakowitz. Com uma prática multidisciplinar, o artista iraquiano-norte americano aborda a História, os dispositivos oficiais de construção de memória, bem como os conflitos sociais e geopolíticos permeados em espaços urbanos e em objetos cotidianos. Tópicos como colonialismo, o imperialismo, a repatriação de artefatos e outros modos de responsabilização e compensação são atravessados em suas obras, a partir da revelação de eventos históricos e biográficos, no que nomeia de “etimologia material”. 

Pautado no engajamento com comunidades e no convite à participação, seu trabalho dissolve frequentemente a fronteira entre arte e vida. Embalagens de alimentos e os processos da alimentação, do preparo ao ato de comer, são recorrentes em suas obras mais célebres e servem tanto como veículo para abordar fluxos migratórios, diásporas e despossessão, quanto como testemunhos da preservação de tradições e como resistência cultural. 

Michael Rakowitz soma participações em mostras coletivas como Trienal de Aichi; dOCUMENTA 13; 16ª Bienal de Sidney; 10ª Bienal Internacional de Istanbul; 15ª, 14ª e 8ª edições da Bienal Sharjah; e 3ª Bienal de Tirana. Sua obra é parte de importantes acervos internacionais, entre eles: MoMA, Tate Modern, Castello di Rivoli Museo d’Arte Contemporanea, MCA Chicago, Van Abbemuseum, The British Museum, The Metropolitan Museum of Art, Museu Nacional de Cabul e UNESCO. A partir de 14 de março, o artista integra a 25ª Bienal de Sidney – Rememory.

Em seu trabalho, Michael Rakowitz aborda a História, os dispositivos oficiais de construção de memória, bem como os conflitos sociais e geopolíticos imbuídos em espaços urbanos e em objetos cotidianos. O artista constitui uma certa “etimologia material” ao manter uma metodologia investigativa sobre as contingências específicas de seus projetos, revelando eventos históricos, biográficos e culturais que resultam em imbricamentos complexos de imagens, linguagens e tempos. Mobilizado por sua ascendência iraquiana-judia, sua obra propõe reaparecimentos que aguçam as contradições entre a suposta racionalidade e a violência dos modelos civilizacionais do Ocidente. 

“Na noite de 17 de janeiro de 1991, lembro-me de estar sentado diante da televisão enquanto jantava, assistindo pela primeira vez em nossas vidas a imagens em tempo real do Iraque – de edifícios que meus irmãos e eu jamais chegaríamos a visitar. E então, de repente, percebi que o lugar para onde meus avós haviam fugido estava destruindo o lugar de onde eles fugiram. Foi quando realmente comecei a reconhecer sobre o que seria o trabalho da minha vida.”

Michael Rakowitz, em vídeo para o Nasher Prize Dialogues, 2022.

O têxtil como campo de memória.

24/fev

A artista angolana-portuguesa Ana Silva, inaugura Eau, na GAMeC, em Bérgamo, Itália. Essa é a sua primeira exposição individual na instituição italiana.

Eau apresenta um novo conjunto de obras da artista, cujo trabalho se apoia no têxtil como campo de memória, crítica social e reinvenção de materiais. Suas peças têm origem em um bordado tradicional africano, historicamente realizado exclusivamente por homens no continente. Ao intervir manualmente nessas superfícies e assumir também o papel de bordadora, Ana opera uma inversão simbólica do gesto original, introduzindo camadas de memória e autoria Em Eau, Ana trabalha em colaboração com bordadeiras da região de Bergamo, aprofundando sua investigação sobre a crise global da água. O resultado são obras que expõem a desigualdade no acesso à água, contrapondo a sutileza do bordado à urgência do tema.

A mostra integra o momento de transição entre dois eixos curatoriais da instituição e conecta-se ao programa Pedagogy of Hope, voltado ao papel formativo e transformador da arte, desenvolvido em diálogo entre o Departamento de Educação e a curadoria da GAMeC.

Sobre a artista.

Ao bordar nossas humanidades sublimes e obscuras nesses rostos semi-abstratos, Ana Silva nos lembra gentilmente que a reapropriação de nossas memórias para melhor construir nosso futuro é um trabalho de corpo a corpo, de coração a coração.

Charlotte Diez-Bento

Ana Silva vive e trabalha em Lisboa, Portugal, expressa sua criatividade por meio da diversidade de materiais que utiliza. Tela, madeira, metal, tinta acrílica e tecido são elementos que compõem e dão forma à sua arte. Durante suas caminhadas pelos mercados de Luanda, começou a distorcer o uso primário de sacos de ráfia e outros artefatos para um trabalho de memória; de objetos abandonados a objetos revividos: “Não consigo separar meu trabalho da minha experiência em Angola, em uma época em que o acesso a materiais era difícil devido à guerra de independência e à guerra civil. Minha criatividade nasceu da exploração de meu ambiente imediato. Essa experiência teve um grande impacto em minha maneira de trabalhar e em minha vida de modo geral.”