Barceló no Brasil

23/maio

Um dos mais prestigiados artistas espanhóis, Miquel Barceló, virá ao Brasil, iniciando por São Paulo, para apresentar sua obra recente, além de alguns trabalhos referenciais de sua produção, como o elefante de bronze apoiado pela tromba, que ocupou em 2011 a Union Square, em Nova York.

 

O também pintor da aclamada cúpula da sala de Direitos Humanos da ONU em Genebra, no qual imprimiu o seu fundo do mar (2007), traz para a Pinakotheke São Paulo, que depois seguirá para a do Rio e de Fortaleza, a série de telas brancas (monocromáticas), produzidas em 2013. Somam-se a estas pinturas e ao Elefandret (2007), uma peça em cerâmica de proporções monumental “Animals de Cap Fort’ (2012), com 180 x 110 cm, outros trabalhos em cerâmica e bronze, pinturas da série “Frutas” (2013), além de vídeos e um caderno do artista..

 

Para compreender o processo do artista, montou-se também o seu “Gabinete de curiosidades”, com elementos e objetos pessoais caros à composição de sua obra e que nunca haviam saído de seu ateliê parisiense, portanto, inédito para o público. Na abertura da mostra será lançado ainda um livro da Edições Pinakotheke, que reúne uma entrevista do artista concedida ao crítico Adriano Pedrosa, além de textos do pensador espanhol Enrique Juncosa e imagens da coleção, seguido de cronologia sobre a vida e a obra de Miguel Barceló.

 

Com capacidade de trabalho surpreendente e atuando em múltiplos suportes – pintura, escultura, murais, cerâmica, desenho, ilustrações de livros – Miguel Barceló se divide entre os seus ateliês de Paris, Ivry e o de cerâmica em Palma de Maiorca, sua terra natal. O crítico Enrique Juncosa destaca a capacidade rara de Miguel Barceló em se desdobrar para conceber vários projetos ao mesmo tempo.

 

Dos trabalhos mais recentes e presentes na mostra, o crítico espanhol ressalta a série de pinturas brancas cuja aparência pode aproximá-la da abstração. Juncosa adverte, contudo, que não é o caso, tal como provam os títulos das obras, sempre inspirados nos elementos eleitos pelo artista para a composição da tela. Os círculos remetem a nomes de praças de toros, outras se referem à espuma das ondas do mar, mas que, como em ambos os casos, ilustram o comportamento da matéria e dos pigmentos sedimentados em camadas. “Ação arriscada de um artista solitário, como um toureiro na arena, mas também contemplação hipnótica da natureza e das possibilidades da pintura, o que pouco tem a ver com a abstração monocromática, seja esta formalista ou de exploração do sublime”, completa.

 

Na exposição, os quadros de frutas, sobretudo os tomates partidos contrastam com os brancos pela intensidade cromática. Segundo o crítico, a pintura “Tomate-Mars” (2013), joga com o nome Marte, do planeta vermelho, e a metade do tomate que se vê tem algo de planeta vivo, com um interior que sugere movimento perpétuo, como uma caldeira em ebulição.

 

Se a experiência com a pintura está presente desde o início de sua obra, o interesse pela cerâmica começa em Mali, em 1995, onde também mantinha um ateliê. Desde então, se dedicou a aprender técnicas em Maiorca, França e Itália e a cerâmica tornou-se um dos suportes fundamentais de sua produção, culminando com os espetaculares murais que realizou na Capela de São Pedro no interior da catedral gótica de Palma de Maiorca (2007). Algumas são concebidas a partir de formas de objetos tradicionais, mas em outros casos são verdadeiras esculturas, tanto de formas abstratas como de formas reconhecíveis – alimentos (pão e furtas) e animais. Às vezes há figuras em suas superfícies como é o caso da monumental “Animals de Cap Fort” (2012), que remetem a certas imagens tântricas do budismo tibetano. Algumas cerâmicas, como na obra de Joan Miró, podem servir para realizar as peças em bronze, como “Estatuária equestre” (2014). A presença do bronze na mostra se completa com a famosa escultura “Elefandret” (2007).

 

Desde o início da sua carreira Miguel Barceló produz “cadernos de artista”, referências que recolhe em suas viagens. São dezenas de cadernos muito bem encadernados, com datação precisa, e páginas repletas de elementos naturais: folhas, gravetos, desenhos, terra, pigmentos, pintura, tudo o que reproduz com exatidão a experiência vivida naquele momento. Os primeiros foram organizados por sua mãe e os mais recentes, pela equipe do seu estúdio de Paris. Em 2003, Le Promeneur-Gallimard editou “Carnets d’Afrique”, uma seleção destes cadernos que realizou na África entre 1988 e 2000. Na mostra haverá um exemplar de 42 páginas realizado em maio de 2011 na Ilha La Graciosa, Canárias, Espanha.

 

Complementam a exposição, os filmes: “Mar de Barceló”, especialmente produzido durante a execução da cúpula das nações da ONU, e “Paso Doble”, referência ao processo criativo das cerâmicas.

 

 

Pinakotheke São Paulo / Morumbi

 

Abertura 28 de maio.
De 28 de maio a 12 de julho. de 2014

 

 
Pinakotheke Rio de Janeiro / Botafogo

 

Abertura 23 de setembro.
De 23 de setembro a 30 de outubro.

 

 
Galeria Multiarte / Aldeota / Fortaleza


Abertura 11 de novembro.
De 11 de novembro a 15 de dezembro.

 

Tauromaquia : Picasso, Dalí e Goya no MAB

21/maio

O espetáculo das touradas desde sempre inspirou artistas do mundo todo. Por conta deles, o touro ganhou lugar especial e significado em muitas das obras de grandes mestres e incontáveis artistas, que usaram a tauromaquia (combate a touros) como um instrumento para representar simbolicamente a luta contra o poder opressor. Costurando uma seleção entre a estreita relação da produção artística de Picasso, Dalí e Goya, o Museu de Arte Brasileira, MAB, da FAAP, Higienópolis, São Paulo, SP, e a Produtora Mega Cultural apresentam, pela primeira vez no Brasil, a exposição “Tauromaquia”.

 

Com curadoria de Monika Burian Jourdan e Serena Baccaglini, a mostra reúne diversas obras e séries. São cerca de 180 imagens, entre desenhos originais e gravuras  de Francisco Goya, Pablo Picasso e Salvador Dalí que evidenciaram o fascínio pelo universo da corrida de touros e desenvolveram trabalhos consistentes e relevantes em torno do tema, tão intrinsecamente ligado à cultura ibérica. Muitas das obras trazidas ao Brasil para esta exposição foram raramente vistas antes. Dentre elas está o estudo de Picasso para “Guernica”, nas mesmas dimensões do painel original.

 

“Na maioria das civilizações o touro, tema central da exposição, é um símbolo místico que significa força, coragem e fertilidade. Esta força animal que os touros mostram é retratada de forma fascinante nas obras destes artistas”, explica Monika Bourian Jourdan. “Para os artistas, a tourada não representa apenas um espetáculo. Para Goya, por exemplo, tauromaquia foi inicialmente uma ferramenta para expressar sua dissidência política. A exposição apresentará a série completa de gravuras Tauromaquia, de Goya, uma das suas séries mais famosas”.

 

Picasso foi influenciado por Goya. Baseou-se no uso do conhecimento do “chiaroscuro” (luz e sombra) de Goya para a produção de sua própria obra, utilizando-a como instrumento de protesto contra a ditadura do General Franco. Picasso e Goya utilizaram este tema para manifestar profundo sofrimento e resistência à opressão.

 

Nos anos 1966-67, Salvador Dalí transformou a famosa “Tauromaquia Suite” (1957-59), de Picasso numa extensão do diálogo artístico que os dois artistas mantiveram durante anos. Alguns desses trabalhos fazem parte das obras desta exposição.

 

Goya, por sua vez, usou a tauromaquia para expressar sua dissidência política contra os nobres, opressores do povo. Suas obras retrataram a tourada como uma arena mística, em que algo está sempre acontecendo. Esta exposição apresentará uma de suas mais famosas séries sobre este tema. Vista como um confronto entre a liberdade e a força bruta, a tauromaquia pode também ser interpretada neste conjunto de obras como uma metáfora do poder opressor ou da capacidade para autoafirmação e emancipação. Em muitas civilizações, o touro, figura central desta mostra, tem o significado de força, bravura e fertilidade.

 

 

Até 22 de Junho.

Mercado de Arte

15/maio

A Ricardo Camargo Galeria, Jardim Paulistano, São Paulo, SP, inaugura a 14a edição de sua mostra coletiva “Mercado de Arte”, com 44 trabalhos – distribuídos entre pinturas, desenhos e esculturas – com a categorizada assinatura de de 26 artistas. Seguindo um conceito já estabelecido nas edições anteriores, a maioria das obras é inédita ou está fora de circulação há no mínimo 20 anos, reunindo expoentes da arte moderna e vanguarda brasileiras e artistas internacionais. A exposição também presta uma homenagem aos 120 anos de nascimento do escultor ítalo-brasileiro Victor Brecheret, e conta com 5 peças inéditas de sua autoria.

 

Sob a curadoria de Ricardo Camargo, expografia de Attilio Baschera e Gregorio Kramer e texto crítico sobre Brecheret assinado pela historiadora e crítica de arte Daisy Peccinini, os artistas participantes comungam do espaço expositivo da galeria, criando um panorama visual com raras possibilidades de ser duplicado. Dentro do modernismo brasileiro, destacam-se “Paisagem com Lago”, de Anita Malfatti, além de duas telas exclusivas feitas por Vicente do Rego Monteiro – “Descida da Cruz” e “Le Couple”. A eles se juntam a tela “Vaso de Flores”, de Pancetti, e o guache “Composição Abstrata”, de Antonio Bandeira. A força da vanguarda nacional surge nesta mostra com a tela “Oban”, de Antonio Henrique Amaral, seguida por “O Homem que Mora no Sol”, de Baravelli, e a escultura em bronze de Edgard de Souza, apontando para o individualismo dos anos 90.

 

A Ricardo Camargo Galeria ainda realizou uma seleção de 12 obras assinadas por seis artistas internacionais, a maioria delas inéditas no país. Neste grupo, encontram-se o nanquim “Ossie Clark”, de David Hockney, dois desenhos do construtivista Torres García – “Constructivo con Corazón”, e “Constructivo Con Sol Y Luna”. Rivera se impõe com a força telúrica de sua “Cabeça de Camponês”, enquanto Botero transparece sua abundância de formas no grafite “Mulher Sentada” e na aquarela “Cesta de Uvas”. Destacam-se ainda o par de pinturas de Figari, “Indecision” e Candombes”, além da tela “Estudio de Sol”, de Pettoruti.

 

Por fim, o conjunto das cinco obras de Victor Brecheret selecionadas para esta exposição coletiva compreende as esculturas “Casal de Pombos”, “Condessa Renata Crespi da Silva Prado”, “Torso Masculino”, “Cabeça de Juranda” e “Cristo com Anjos”, percorrendo quatro décadas do itinerário de sua carreira de sucesso.

 

“Esta diversificada edição do Mercado de Arte, com trabalhos vigorosos e delicados, marcam a atualidade atemporal das obras de arte de qualidade.”, conclui o marchand Ricardo Camargo.

 

 

De 22 de Maio a 21 de Junho.

Bauhaus total no Rio

13/maio

O Instituto Goethe, o Consulado Geral da Alemanha e o Oi Futuro Ipanema promovem no Rio de Janeiro a mostra bauhaus.foto.filme, exposição de fotos e filmes produzidos por professores da Bauhaus, escola superior de design alemã fundada por Walter Gropius, em 1919. A mostra reúne 50 fotos e 20 filmes dos dois acervos mais importantes da Bauhaus: o Arquivo Bauhaus/Museu de Design em Berlim e a Fundação Bauhaus Dessau. Idealizada por Alfons Hug, diretor do Instituto Goethe no Rio de Janeiro, bauhaus.foto.filme tem curadoria de  Christian Hiller, Philipp Oswalt e Thomas Tode (da Fundação Bauhaus Dessau) e de Anja Guttenberger (do Arquivo Bauhaus / Museu de Design em Berlim).

 

Para muitas pessoas, Bauhaus é sinônimo de arquitetura e de design, mas a fotografia e o filme tiveram um papel igualmente importante na famosa escola de design e artes alemã, que teve entre seus professores Mies Van Der Rohe, Marcel Breuer, Paul Klee e Wassily Kandinsky. Depois da Primeira Guerra Mundial, essas novas mídias refletiam perfeitamente o espírito da época. A capacidade de captar em imagem a aceleração da vida sob diferentes pontos de vista aguçou a curiosidade de muitos estudantes e docentes da Bauhaus, que passaram a explorar as possibilidades da fotografia e do filme. Apesar de a fotografia ter sido incluída nos currículos somente em 1929, o uso de câmeras fotográficas e as experimentações em audiovisual já faziam parte do cotidiano da escola antes disso.

 

O Arquivo Bauhaus / Museu de Design, em Berlim, possui o maior acervo de imagens da Escola no mundo, com mais de 40 mil registros fotográficos. Na mostra, a instituição apresenta uma seleção com as 50 obras mais representativas da coleção, que inclui fotografias clássicas de Lucia Moholy, László Moholy-Nagy e T.Lux Feininger, entre outros. Os registros variam de instantâneos a documentos históricos e ilustram o manuseio experimental e profissional da mídia fotográfica na Bauhaus. As fotos produzidas na época compõem uma imagem que até hoje é dominante na vida de uma das escolas de arte mais importantes do século XX.

 

A Fundação Bauhaus Dessau, por sua vez, contribui com uma ampla instalação, com projeções de filmes originais raros em grande formato. Os vídeos possibilitam um contato próximo e sensível com a produção histórica da Bauhaus, evidenciando práticas e conceitos que faziam parte do que Walter Gropius chamava de “ciência do olhar”. O filme, na qualidade de mídia técnica por excelência, foi um elemento fundamental desse programa.

 

bauhaus.foto.filme oferece uma visão abrangente do conjunto de atividades praticadas na Bauhaus e ilustra a influência recíproca entre diversas disciplinas aplicadas na instituição. A instalação exibe, no prólogo, a mesma programação de filmes exibida por Walter Gropius na cerimônia de inauguração do novo prédio da Bauhaus, em Dessau, em 4 de dezembro de 1926. Filmes produzidos por “bauhausianos” e outros contemporâneos compartilham o espaço com entrevistas e adaptações posteriores, em filme, de projetos mais antigos de Werner Graeff, Kurt Schwerdtfeger e Kurt Kranz, de modo a compor um panorama geral do repertório cinematográfico da escola alemã.

 

 

O Arquivo Bauhaus/Museu de Design em Berlim

 

O Arquivo Bauhaus/Museu de Design em Berlim se dedica à pesquisa e à apresentação da história e do impacto da Bauhaus (1919-1933) no desenvolvimento das artes, do design e da arquitetura, o que a transformou numa das mais importantes escolas do século XX. No prédio projetado por seu fundador, Walter Gropius, a instituição guarda a maior coleção do mundo sobre a história da Escola e os diversos aspectos de seu trabalho. Além dos temas relacionados ao seu entorno, o arquivo Bauhaus também se dedica a questões atuais sobre arquitetura e design contemporâneos, posicionando-se como Museu de Design no panorama berlinense de museus.

 

 

A Fundação Bauhaus Dessau

 

A Fundação Bauhaus Dessau, instalada em 1994 dentro do prédio da Bauhaus situado em Dessau-Rosslau, por iniciativa dos governos federal, estadual e municipal, dedica-se à preservação desse rico legado, além de contribuir para compor o atual universo de museus sobre a Bauhaus. Com 26.000 objetos, é a segunda maior coleção da Bauhaus em todo o mundo. Em espaços como as casas dos mestres e o gabinete de trabalho de Walter Gropius, o celeiro de Carl Fieger, as casas com arcadas de Hannes Meyer ou a casa de aço de Georg Muche e Richard Paulick, em Dessau-Rosslau podem ser apreciadas obras marcantes da arquitetura internacional da modernidade.

 

 

De 17 de maio a 20 de julho.

Arte Chinesa

11/abr

Inaugura na Oca, Parque Ibirapuera, São Paulo, SP, a exposição “ChinaArteBrasil”. A mostra apresenta mais de 110 obras distribuídas entre pinturas, esculturas, instalações, fotografias, vídeos, site specifics, todas inéditas em São Paulo, criações de 62 artistas chineses contemporâneos. “ChinaArteBrasil” propõe intensificar o diálogo cultural entre Brasil e China. Assim, duas curadoras, historiadoras de arte, foram convidadas para selecionar o acervo da mostra: a brasileira residente em Berlim Tereza de Arruda e a chinesa Ma Lin, que vive e trabalha em Shangai.

 

Tereza reuniu obras de artistas pertencentes à primeira geração dos grandes expoentes que demarcaram o cenário chinês e internacional a partir da década de 1990. São eles: Ai Weiwei, Cao Fei, Chen Qiulin, Cui Xiuwen, Feng Zhengjie, He Sen, Huang Yan, Jin Jiangbo, Li Dafang, Li Wei, Liu Jin, Lu Song, Luo Brothers, Ma Liuming, Miao Xiaochun, Rong Rong & Inri, Shi Xinning, Wang Chengyun, Wang Qingsong, Wang Shugang, Weng Fen, Xiao Ping, Xiong Yu, Xu Ruotao, Yang Fudong, Yang Qian, Yang Shaobin, Yin Xiuzhen, Yu Hong, Yuan Gong, Zhang Hui e Zhou Tiehai.

 

Em “A Arte Chinesa Intervém na Sociedade”, o foco são as conversas sobre como os artistas apresentam os problemas sociais e como rompem os limites da arte.

No segmento “História, Memória e Futuro”?, Ma Lin mostra artistas que, por meio de diferentes temas e suportes, exploram diferentes problemas que as pessoas alguma vez já imaginaram ou negligenciaram. A terceira e última parte, “Imagem e Forma”, discute o desenvolvimento da pintura no pós-modernismo, que destaca o relacionamento entre imagem e forma.

 

 

Até 18 de maio.

Galeria Deco: Ukiyo-ê e artistas contemporâneos

02/mar

A Galeria Deco, Boa Vista, São Paulo, SP, apresentara exposição “Ukiyo-ê, e Hoje”, em parceria com a Musashino Art University, de Tóquio, MuseuAfro Brasil e o Ateliê Fidalga. A mostra traz ao Brasil obras criadas por mestres japoneses dos séculos XVIII e XIX, final da era Edo (nome antigo de Tóquio), exibidas ao lado de produções contemporâneas de destacados artistas japoneses e nipobrasileiros, tais como Yayoi Kusama, Kazuo Wakabayashi, Takashi Fukushima e James Kudo, entre outros. Estão presentes na mostra obras históricas de Ukiyo-ê, dos artistas Tsukiyoka Yoshitoshi,1839-1892, Ochiai Yoshiki, discípulo do pintor Utagawa Kuniyoshi, 1797-1861, Kaisai Yoshitoshi, 1839-1892, entre outros com datas e autores desconhecidos, mas presentes em publicações do século XIX, como no livro “Ichiwan Kunichika” publicado em 1863.

 

 

O Ukiyo-ê, cujo significado se traduz como “Imagens do Mundo Flutuante” é a técnica e gênero artístico que retratou os costumes da cultura burguesa do período Edo -1603-1867- que reforçou o conceito da efemeridade da vida. Ao retratarem lutadores de sumô, gueixas, atores do teatro Kabuki e paisagens. O Ukiyo-ê é conhecido no mundo como pintura japonesa gravada no bloco de madeira (similar à xilogravura), ficou conhecido na Europa no final do século XIX, influenciando o modernismo – cubismo, impressionismo e pós-impressionismo, e artistas como Van Gogh, Monet e Degas. Na atualidade segue influenciando segmentos culturais como o mangá moderno, a montagem Korin e o Japão Pop.
A influência do Ukiyo-ê é marcante na produção dos artistas contemporâneos japoneses e nipobrasileiros presentes na mostra: Yayoi Kusama, Kazuo Wakabayashi, Utagawa Kuniyoshi, Takafumi Kijima, Yuichiro Tanaka, Sho Tanaka, Machi Miyamoto, Unno, James Kudo, Roberto Okinaka, Futoshi Yoshizawa, Yasushi Taniguchi, Takashi Fukushima, Kimi Nii e Midori Hatanaka.

 

Com destaque na exposição, as gravuras de Yayoi Kusama traduzem a sensação alucinante do mundo contemporâneo, refletindo as impressões do Japão pop; já as cinco obras de Utagawa Kuniyoshi representam a beleza de mulher em um diagrama satírico; Kazuo Wakabayashi reflete a influência do Ukiyo-ê imprimindo um padrão arrojado a composição; Takashi Fukushima grava na madeira usando pigmentos próprios; a satírica pintura de Takafumi Kijima utiliza a técnica nihonga aplicada ao Ukiyo-ê; James Kudo incorpora em sua produção o sentido japonês de Ogata Korin, 1658-1716.

 

 
Como parte da exposição, a professora – e presidente do departamento de pintura da Musashino Art University- Aguri Uchida e o professor Takefumi Kijima, realizam nos dias 08 e 09 e março um workshop em duas etapas na Galeria Deco. No primeiro dia, Aguri Uchida apresenta a técnica de sumi no papel washi, no segundo dia, Takafumi Kijima explora os pigmentos tradicionais da pintura japonesa.

 

 
A Musashino Art University, localizada em Tokio, é uma das principais universidades de Arte no Japão. Fundada em outubro de 1929 como Teikoku Art School (escola de arte Imperial) teve sua nomenclatura, alterada para Musashino Art School em dezembro de 1948 e posteriormente, em abril de 1962, para Musashino Art University. Entre os principais cursos figuram: pintura japonesa, escultura, desenho industrial, interiores, cenografia e arquitetura.

 

 

 
Até 25 de março.

Inéditos de Miró

25/fev

Inédita no Brasil, “A magia de Miró, desenhos e gravuras” está em cartaz na Caixa Cultural São Paulo, Centro, São Paulo, SP. A exposição apresenta obras do pintor e gravador catalão e traz fotografias registradas pelo curador Alfredo Melgar. Miró ficou conhecido mundialmente por sua criatividade e capacidade de experimentação, apresentando em suas obras inúmeras possibilidades de formas e de cores, compondo um mundo próprio, de sonhos e de magia.

 

Trata-se de uma exposição do colecionador Alfredo Melgar, que foi galerista e amigo de Miró por muitos anos. Melgar fez uma seleção de 69 obras de Miró e selecionou 23 fotos que ele mesmo fotografou Miró no ambiente de ateliê e produção artística.

 

No dia da inauguração, houve uma palestra com o galerista e curador Alfredo Melgar. O intuito é levar a arte para as ruas através da exibição ao ar livre de um documentário sobre a vida de Miró. Após a temporada em São Paulo, a exposição segue para as unidades da CAIXA Cultural em Curitiba (20 de maio a 20 de julho de 2014), Rio de Janeiro (28 de julho a 28 de setembro de 2014), Recife (7 de outubro a 7 de dezembro de 2014) e Salvador (16 de dezembro de 2014 a 8 de fevereiro de 2015).

 

 

Até 20 de abril.

Mostra de Antanas Sutkus

12/nov

O Instituto Tomie Ohtake, Pinheiros, São Paulo, SP e o Consulado Geral da Lituânia no Brasil inauguram a exposição inédita do fotógrafo lituano Antanas Sutkus que obedece ao título geral de “Pessoas da Lituânia”. Serão exibidas cerca de 35 imagens inéditas em preto e branco que revelam o talento de Sutkus, considerado um dos maiores fotógrafos do século XX. Grande parte da coleção será apresentada pela primeira vez em âmbito mundial, fruto de um intenso trabalho do fotógrafo em seu arquivo que comporta cerca de um milhão de negativos.

 

Durante toda a sua carreira Antanas Sutkus prestou uma homenagem ao seu povo com a série “Pessoas da Lituânia”, onde o cotidiano dos seus co-cidadãos é o sujeito principal: cada indivíduo é fotografado com um senso da humanidade e sem nenhum efeito dramático. Ao contrário, o seu olhar traz amor e esperança para a vida destas pessoas. Como diz o próprio artista: “O meu credo é amar as pessoas”. A exposição “Pessoas da Lituânia” apresenta ao público paulistano imagens restauradas e ampliadas durante os últimos anos, resultado de um intenso trabalho de pesquisa e restauração do fotógrafo nos seus arquivos.

 

 

 

Sobre o artista

 

 

 

O fotógrafo lituano Antanas Sutkus, 74 anos, cresceu em uma difícil realidade. Em 1940, quando ele tinha apenas um ano, a União Soviética anexou o seu país ao bloco comunista, em plena Segunda Guerra Mundial. Entretanto, mesmo diante de condições tão adversas, o artista tornou-se um dos maiores fotógrafos de sua época. Antanas ignorou os ideais totalitários impostos pelo regime soviético e acumulou, em pouco mais de 40 anos, uma obra vasta que retrata o cotidiano simples do seu povo. Foi a partir de 1991, ano em que a independência do seu país foi, enfim, oficializada e reconhecida, que Antanas passou a trabalhar com tranquilidade em seus arquivos. Com quase de um milhão de negativos guardados, só agora sua obra começa a ser de fato revelada deforma completa para o mundo.

 

 

Até 05 de janeiro de 2014.

CRISTINA IGLESIAS NA CASA FRANÇA-BRASIL

08/ago

Realizada e patrocinada pela Secretaria de Estado de Cultura, Casa França-Brasil e Citroën, “Lugar de reflexão”, a primeira individual da artista no Rio de Janeiro, apresenta nove obras que integraram a grande retrospectiva “Metonímia”, que aconteceu entre fevereiro e maio deste ano no Museu Rainha Sofia, em Madri, Espanha. A magia enigmática da monumental obra de Cristina Iglesias irá dialogar com o ambiente neoclássico da Casa França-Brasil, Centro, Rio de Janeiro, RJ.

 

Labirintos, poesia, sombras, força e delicadeza se apropriarão da Casa, com trabalhos emblemáticos na carreira da artista.  “Santa Fé”, que receberá os visitantes no vão central, é uma delas. Formada por um conjunto de gelosias (biombos entalhados), cujo traçado reproduz textos literários e no qual se percebe alguma influência dos entalhes característicos da arquitetura mourisca, “Santa Fé” impressiona à primeira vista. “O gradeado da gelosia filtra a luz do ambiente e atua como uma espécie de persiana que media a relação entre o espaço interior e o exterior “, diz Giuliana Bruno, especialista em arte, num dos textos do catálogo da retrospectiva espanhola.

 

Água, madeira, alabastro, formas vegetais e minerais transformam-se nos elementos escultóricos que traduzem a poética criada por Cristina Iglesias. A famosa “Casa vegetal III” é um bom exemplo. Ficará estrategicamente no pátio da Casa França-Brasil e formará uma espécie de percurso com “Santa Fé”, atraindo o olhar, instigando e aprofundando a magia. Cristina Iglesias trabalha no limite entre o escultórico e o arquitetônico: os materiais e as estruturas que utiliza procuram transformar o espaço em um lugar. Existe uma concatenação de labirintos e artifícios em seu trabalho: a flora metálica dos baixos-relevos de sua “Casa vegetal” ou de seus “Poços” dá a impressão de ser constituída por raízes, ramos, líquens ou folhas, quando na realidade é feita de uma vegetação fictícia. “Nenhum dos motivos que utilizo existe dessa forma na natureza, confessa a artista. “São pura ficção, que construo mesclando elementos que de fato existem na natureza, porém em composições impossíveis”.

 

Em obras como “Vers la terre” e “Poço III”, que estarão situadas, respectivamente, no fundo do vão central e no espaço entre as salas 1 e 2, a água torna-se também um elemento escultórico. A fascinação de Cristina Iglesias pela água rememora também a tradição muçulmana e as construções mouriscas, com seus jardins e fontes. Pelo fenômeno da erosão, a água traz fluidez e transparência, além de servir para consolidar a visão da artista, para quem a escultura, mais do que uma forma única e absoluta, é uma arte de metamorfoses e transições. As obras “Muro” e “Sem título 1”ocuparão a Sala 1, enquanto a “Casa de alabastro” estará na Sala 2. O Cofre será ocupado também pela artista principal, com a obra “Sem título 2”.

 

Para Evangelina Seiler, diretora da Casa França-Brasil, a mostra de Cristina Iglesias é seguramente uma das mais importantes de sua gestão. “É uma grande conquista para a Casa França-Brasil trazer ao Rio de Janeiro esta importante mostra, com curadoria da reverenciada Lynne Cooke. O público poderá verificar a força do trabalho de Cristina Iglesias, que é hoje um dos grandes nomes da arte contemporânea internacional”, afirma ela.

 

Sobre a artista

 

Uma das artistas contemporâneas espanholas de maior projeção internacional do momento, Cristina Iglesias iniciou sua carreira na década de 1980, mas foi a partir de 1993, ao participar da Bienal de Veneza ao lado do pintor Antoni Tàpies, então um dos maiores artistas vivos de seu país, que começou a ser reconhecida internacionalmente. “Naquele momento, sua reputação se consolidou tanto na Espanha quanto no exterior”afirma a curadora Lynne Cooke, em seu texto no catálogo da mostra espanhola. Nascida em novembro de 1956 em San Sebastián, no País Basco, Cristina Iglesias estudou Química em sua cidade natal. Entre 1980 e 1982, cursou Escultura e Cerâmica na Chelsea School of Art, em Londres. Em 1995 foi nomeada professora de escultura na Akademie der Bildenden Künste, em Munique, na Alemanha. Em 1989 conquistou, na Espanha, o Prêmio Nacional de Artes Plásticas e, em 2011, foi detentora do Prêmio de Artes Plásticas da terceira edição dos Prêmios Observatório D’Achtall. Realizou exposições individuais em vários museus em todo o mundo: Stedelijk Van Abbemuseum Eindhoven, 1995; Solomon R. Guggenheim Museum, Nova Iorque, 1997; Renaissance Society, Chicago; Palácio de Velázquez; Museu Nacional de Artes Rainha Sofia, Madri; Museu Guggenheim Bilbao, 1998; Carré D’Art Musée d’Art Contemporain, Nîmes, França, 2000; Museu Serralves, Porto, Portugal, 2002; Whitechapel Art Gallery, Londres e Museum of Modern Art Dublin, ambos em 2003; Ludwig Museum, Colônia, Alemanha 2006; Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2008; Fondazione Arnaldo Pomodoro, Milão, 2009; e Marian Goodman Gallery de Nova Iorque e de Paris, ambas em 2011.

 

 

Sobre a curadora

 

Lynne Cooke foi curadora-chefe e vice-diretora do Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia, Madri, de 2008 a 2010. Por mais de uma década as exposições, ensaios e outros projetos de Lynne Cooke têm sido uma força vital no mundo da arte contemporânea. Desde 1991 é curadora da Dia Art Foundation, em Nova Iorque. Foi co-curadora da Bienal de Veneza em 1986, da Carnegie International em 1991 e diretora artística da Bienal de Sidney, Austrália, 1996. É professora do Centro de Estudos Curatoriais do Bard College, além de ter sido professora convidada dos departamentos de pós-graduação de arte das universidades de Yale, Columbia e outras. Conquistou em 2000 o prêmio Curador Independente, oferecido pela Fundação Internacional Agnes Gund. Entre os numerosos trabalhos que publicou estão ensaios recentes sobre as obras de Francis Alÿs, Rodney Graham, Zoe Leonard, Agnes Martin, Diana Thater, Blinky Palermo, Jorge Pardo e Richard Serra.

 

 

De 14 de agosto a 20 de outubro.

(Em 14 de agosto, às 18h30: mesa-redonda com Cristina Iglesias e a curadora Lynne Cooke).

Mulheres no CCBB

14/jun

“ELLES: Mulheres artistas na coleção do Centro Pompidou” é um dos cartazes do Centro Cultural Banco do Brasil, CCBB, Centro, Rio de Janeiro, RJ. Trata-se de uma exposição de obras de artistas mulheres da coleção do Centro Georges Pompidou/ Musée National d’Art Moderne, Paris, França, que abriga a maior coleção de arte contemporânea da Europa. O recorte apresenta desenhos, instalações, pinturas, esculturas, fotografias e vídeos de mais de sessenta artistas pioneiras que revolucionaram, cada uma a seu modo, os conceitos artísticos de seu tempo. Com humor, desprezo, sensualidade e ambigüidade, essas mulheres representam os principais movimentos de Arte Moderna, desde a abstração às questões contemporâneas mais prementes. A curadoria é assinada por Emma Lavigne e Cécile Debray e a organização geral é do próprio Centro Pompidou.

“ELLES” percorre a trajetória da arte contemporânea produzida por mulheres e oferece ao espectador diferentes ângulos de visão – oportunidades para explorar distintas visões e perspectivas a partir do universo de cada criadora. Muitas delas, inclusive, estão representadas em mais de uma seção, devido às características de determinadas obras.

 

As seções e as artistas

 

A primeira seção, “Tornar-se uma artista”, homenageia a pioneira Sonia Delaunay e está subdividida em três subseções: Pioneiras (obras das homenageadas e da portuguesa Maria Helena Vieira da Silva), “A parte do inconsciente” apresenta as surrealistas, com obras de Marie Laurencin, Dorothea Thanning e Germaine Dulac, entre outras e “Questionando o gênero”, trabalhos de Valérie Belin, Suzanne Valadon, Pipilotti Rist e outras.

 

“Abstração colorida/abstração excêntrica”, a segunda seção, também é dividida em três partes. Na primeira, “Excêntrica”, obras de Louise Bourgeois, Joan Mitchell e Maria Helena Vieira da Silva; “Colorida” abriga trabalhos de Marthe Wéry e Aurélie Nemours; e “Espaços infinitos”, a terceira subseção, contempla as artistas Geneviève Asse e Vera Molnar.

 

A terceira seção, “Feminismo e a crítica do poder”, talvez a mais provocativa e polêmica,  reúne a maior parte das obras. A subseção “Pânico genital”, subdividida em “Espaço doméstico” e “Reflexão”, apresenta trabalhos de Orlan, Nikki de Saint Phalle, Sonia Andrade, Hanna Wilke e outras. Na subseção “Enfrentando a história”, as brasileiras Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino e Letícia Parente dividem a cena com Sigalit Landau e Marta Minujin.

“Musas contra o museu”, a terceira subseção, reúne ainda o vídeo “Museum Highlights: a gallery talk”, de Andrea Fraser, de 1989, o painel “Guerrilla Girls” (que será produzido no Brasil) e trabalhos das artistas Agnès Thurnauer e Sherrie Levine.
Na quarta seção, “O corpo”, o público pode conferir os trabalhos de artistas como Nan Goldin, Eleanor Antin e Carolee Schneemann, entre outras.

 

Em “Narrativas”, a quinta e última seção, figuram obras de Sophie Calle, Annette Messager e das brasileiras Rosângela Rennó e Rivane Neuenschwander, entre outras.

 

Sucesso desde o lançamento em Paris, em 2009, a exposição “ELLES: Mulheres Artistas na coleção do Centro Pompidou” foi exibida em Seattle, EUA, entre outras cidades.

 

 

Até 14 de julho.