Fotografias no Instituto Cervantes.

06/ago

Uma constelação transnacional de olhares contemporâneos entre Espanha e Brasil, propondo um deslocamento simbólico e crítico pelo território brasileiro, “Câmbio de Paradigma – Um Giro no Brasil”, com curadoria partilhada de Marta Soul e Ângela Berlinde, será aberta ao público no dia 14 de agosto, no Instituto Cervantes, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ. A mostra estabelece um diálogo inclusivo entre os dois países, compreendendo o “giro” como abertura a outras epistemologias, afetos e imaginários historicamente marginalizados. Como parte da programação oficial do festival FOTORIO 2025, a exposição reúne 12 artistas contemporâneos, sendo seis brasileiros e seis espanhóis, cujos trabalhos se articulam em torno de cinco eixos curatoriais: estruturas de poder; justiça social e racial; gênero e autorrepresentação; tecnologia e progresso; ecologia e justiça climática.

Trata-se de uma exposição que questiona quem olha, quem é olhado e a partir de onde se constroem as imagens. “Câmbio de Paradigma” é um espaço de ressonância, escuta e transformação coletiva. Por meio de dispositivos híbridos, instalações, colagens, vídeo e performance, os artistas participantes reconfiguram a fotografia como uma ferramenta crítica e sensível diante das estruturas hegemônicas da imagem.

Sobre os artistas e suas obras.

Do lado espanhol, Megane Mercury explora identidades migrantes e gentrificação urbana na série La Españoleta, enquanto Cristina Galán revela as contradições do eu hiperfiltrado nas redes sociais em Paul. Esteban Pastorino investiga a memória da técnica fotográfica a partir do uso de câmaras analógicas, e Agnes Essonti Luque propõe uma profunda reflexão sobre identidade afrodescendente em La máscara del duelo. Toya Legido alerta para a extinção de espécies no território ibérico em Lepidópteros en extinción, e Yun Ping constrói um diário visual de transformação e pertença em The body as a suit.

Do Brasil, Shinji Nagabe subverte a masculinidade normativa em Cavalo de Troia, propondo uma soberania queer em tensão com o imaginário da conquista. Denilson Baniwa, artista indígena, desmonta visualmente os relatos coloniais em Ficções Coloniais. Caio Aguiar (Bonikta) encarna o território amazônico como um corpo político e encantado em Memórias Enkantadas, enquanto a dupla Masina Pinheiro & Gal Cipreste apresenta Hunting Exercise: Blow, obra que ativa memórias queer e performativas a partir do corpo. A exposição celebra ainda a participação especial da artista local Betina Polaroid, que propõe um gesto de celebração e resistência queer com a instalação Espelhos & Películas e a performance Fluidez, ativada no dia 14 de agosto.

Giuseppe Boscagli no Museu de Arte do Paço.

04/ago

A exposição Boscagli, de Júlio de Castilhos a Rondon, comemorativa aos 150 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul, inicia dia 06 de agosto, e segue até 31 de outubro, na Pinacoteca Aldo Locatelli, localizada no Museu de Arte do Paço, Praça Montevidéu, 10, Centro Histórico, Porto Alegre, RS.

A mostra revela a trajetória de Giuseppe Boscagli, pintor e fotógrafo italiano, cuja obra e vida se entrelaçam com a história brasileira. O artista destaca o papel de imigrantes italianos na formação da identidade regional e nacional, através de sua memória visual – retratos, paisagens, marinhas e registros etnográficos produzidos no Brasil entre 1899 e 1945. Além disso, a exposição agrega registros da expedição Roosevelt-Rondon (1913-1914) e apresenta obras originais em óleo, cartão e madeira, incluindo oito retratos históricos de figuras públicas como Conde de Porto Alegre, Gaspar Silveira Martins e Pinheiro Machado.

Sobre o artista.

Giuseppe Boscagli nasceu em 29 de abril de 1862, na comuna de Rapolano, província de Siena, Itália, e faleceu no Rio de Janeiro, em 30 de maio de 1945. Em 1888, imigrou para Buenos Aires, Argentina, e de lá para o Brasil, em Porto Alegre, no final de 1899. Seu trabalho é uma valiosa documentação visual do Brasil no início do século 20, especialmente das comunidades indígenas e dos pioneiros das regiões de colonização.

As cianotipias de Michael Naify.

18/jul

O artista e fotógrafo americano Michael Naify (ex-sócio da editora Cosac Naify), inaugura sua primeira exposição individual no Brasil: “Origens”. A mostra será inaugurada no dia 23 de julho no Centro Cultural Correios RJ, com curadoria de Shannon Botelho. Michael Naify apresenta uma série de cianotipias desenvolvidas após uma imersão em Minas Gerais, iniciada pouco depois do rompimento da barragem em Brumadinho, em 2019. O trabalho propõe uma reflexão sobre memória, território e estruturas de poder a partir de um processo técnico rigoroso, que envolve intervenções com café, alvejante e resina natural

Sobre o artista.

Michael Naify é um fotógrafo cujo trabalho questiona as  profundas cicatrizes deixadas pelo colonialismo, capitalismo e escravidão. Em seu projeto Origins, Naify volta suas lentes para Minas Gerais, Brasil, explorando as paisagens da extração e da memória. Usando processos fotográficos históricos como a cianotipia, ele revela as marcas silenciosas incrustadas na terra, no ferro e nas vidas humanas. Suas imagens não são meros documentos; são meditações sobre resiliência e resistência, escavando histórias ocultas para confrontar o presente. A prática de Naify combina o rigor de um historiador com a sensibilidade de um artista, convidando os espectadores a ver que, sob cada superfície visível, existe uma história invisível que precisa ser contada. Nascido em San Francisco, em 1962, é formado em História e MBA pela University of San Francisco e possui MFA em Fotografia pelo San Francisco Art Institute. Atuou na indústria de pós-produção cinematográfica e foi cofundador da editora brasileira Cosac & Naify. Recentemente publicou o livro Room 32 em parceria com sua esposa, a artista brasileira Simone Cosac Naify, em que investigam relações humanas e estados emocionais a partir de experiências vividas durante uma temporada de férias. Vive entre os Estados Unidos, Brasil e Itália.

A Opacidade Ressonante na Galeria Tato.

A Galeria TATO, Barra Funda, São Paulo, SP, apresenta no dia 19 de julho, a exposição “Opacidade Ressonante”, parte do Ciclo Expositivo do programa Casa Tato Europa, com curadoria de Filipe Campello e assistência de Rafael Tenius. A mostra reúne obras dos doze artistas que participam da edição internacional do programa marcando o início do movimento de expansão da Casa Tato, que agora conecta Brasil a Portugal.

A exposição iniciará este novo momento, e marca o primeiro encontro presencial desse grupo em São Paulo, propondo, a partir do pensamento do filósofo Édouard Glissant, um campo de escuta voltado ao que não se deixa traduzir completamente. As obras em exibição adotam o deslocamento, a ambiguidade e o ruído como elementos constitutivos de linguagem, recuando da transparência imediata e cultivando formas que exigem tempo, presença e atenção.

Artistas participantes: Adriana Amaral, Beatriz Mazer, Desireé Hirtenkauf, Gilda Queiroz, Izabelle Dantas, Izidorio Cavalcanti, Lili Busolin, Magda Paiva, Marcus Pereira de Almeida, Maria Claudia Curimbaba, Patricia Faragone, Paula Marcondes de Souza.

Criado em 2020, a Casa Tato chega à sua primeira edição internacional, como parte das ações que celebram os 15 anos da galeria. Ao ampliar sua atuação para o eixo Brasil-Portugal, o programa reafirma seu compromisso com a construção de percursos artísticos e o fortalecimento de conexões entre contextos culturais distintos.

Blinded by the Light na Casa da Cultura de Comporta.

11/jul

A Fortes D’Aloia & Gabriel convidou a Mendes Wood DM para colaborar na quinta edição de sua mostra anual de verão em Comporta, Portugal. “Blinded by the Light” – em cartaz até 30 de agosto – é uma exposição coletiva que percorre a relação entre luz e sombra, explorando seu poder transformador como forças capazes de alterar tanto o ambiente físico quanto os estados psicológicos. Nesse contexto, a paisagem torna-se um espaço de transformação, onde fenômenos de percepção, memória e tempo convergem.

No cenário sociopolítico contemporâneo, experiências de sobrecarga sensorial e privação semântica se entrelaçam e disputam nossa apreensão da realidade. O ato de obscurecer e revelar torna-se não apenas uma exploração formal, mas também uma metáfora para as configurações turbulentas de Estados, fronteiras, logísticas sociais e imperativos políticos que regem o momento atual. As obras apresentadas em “Blinded by the Light” navegam pelo espectro entre o brilho e a sombra, o claramente definido e o nebuloso. A exposição abrange uma variedade de mídias, da pintura e fotografia à escultura e ao cinema.

A mostra apresenta obras inéditas de Laís Amaral, Paloma Bosquê, Rodrigo Cass, João Maria Gusmão, Marina Perez Simão, Marina Rheingantz, Maaike Schoorel, Pol Taburet, Antonio Tarsis e Janaina Tschäpe, além de trabalhos recentes de Nina Canell, Matthew Lutz-Kinoy, Leticia Ramos, Mauro Restiffe, Erika Verzutti, e pinturas históricas de Frank Walter.

Idealizado por Maria Ana Pimenta, sócia e diretora internacional da Fortes D’Aloia & Gabriel, o projeto Comporta estreou em 2021 e desde então se consolidou como uma plataforma vibrante de intercâmbio artístico, indo além dos modelos tradicionais de exposição. Instalado na Casa da Cultura – um antigo celeiro de arroz transformado em espaço cultural, parte da Fundação Herdade da Comporta – o projeto mistura arte contemporânea com a atmosfera única da região, proporcionando um ritmo mais lento e contemplativo de fruição. Enraizado na abertura e no diálogo, o projeto reflete o espírito colaborativo da galeria, fomentando parcerias significativas com instituições que compartilham dessa mesma visão. Esse formato flexível permite um processo curatorial mais intuitivo e cultiva sinergias únicas, incentivando novas conversas com parceiros afins. Ao longo dos anos, a Mostra de Verão de Comporta tornou-se um ponto de encontro para colecionadores, curadores, artistas e galeristas, oferecendo um ambiente mais espontâneo e orgânico do que os circuitos formais de feiras e galerias de arte.

A exposição de 2025 será acompanhada por um ensaio de Cindy Sissokho, curadora e produtora cultural que co-curou o Pavilhão Francês na 60ª Bienal de Veneza em 2024.

Issa Watanabe em São Paulo.

03/jul

O Instituto Cervantes de São Paulo, Avenida Paulista, apresenta uma nova exposição em cartaz em sua sede, até o dia 31 de julho. Trata-se da exibição da autoria da ilustradora peruana Issa Watanabe, “Migrantes” que, como o nome indica, retrata um tema bastante discutido na atualidade: a imigração e os fluxos dos refugiados. As obras que compõem essa mostra são provenientes do livro homônimo publicado pela artista, além de ilustrações de sua mais nova publicação, “Kintsugi”, e outras composições recentes.

Issa Watanabe começou a se aproximar do tema imigração quando foi viver em Mallorca, na Espanha, no início dos anos 2000. No país europeu, ela testemunhou as primeiras tentativas massivas de estrangeiros partirem da África em pequenos barcos rumo à Europa – uma travessia altamente perigosa, feita em embarcações precárias, mas que continuam sendo realizadas até hoje.

Uma das pessoas que se arriscou na travessia foi Abdulai, um estrangeiro proveniente do Mali e que tinha praticamente a mesma idade de Issa e seus companheiros de casa. Os jovens conheceram o rapaz em um ponto de ônibus, quando ele havia acabado de chegar ao país, sem visto, sem documentos e sem nem mesmo falar espanhol. Issa e seus amigos decidiram abrigar o jovem africano, que acabou vivendo com eles por um ano e meio. “Ele falava um pouco de francês e era assim que nos comunicávamos. Pudemos entender os motivos de Abdulai e o que uma viagem desse tipo significava para ele e para sua família. E acompanhar o processo dele tentar se adaptar a uma sociedade que, naquela época, o rejeitava”, conta a artista. Toda essa experiência inspirou Issa a dar aulas de espanhol como voluntária para os estrangeiros que chegavam à Mallorca e fez com que a artista se interessasse cada vez mais pelo tema imigração. Mas os primeiros esboços de “Migrantes” tomaram forma apenas quando ela já estava de volta ao Peru, anos mais tarde. A produção se iniciou espontaneamente, sem planejamento, e foi enchendo os cadernos de rascunhos da ilustradora. “Essa é uma obra que retrata uma situação muito difícil, que fala sobre morte, perdas, mas também esperança. Na história, os animais se ajudam mesmo sendo de espécies diferentes – alguns até mesmo se alimentam de outros na natureza”, diz a artista.

“Migrantes”, de Issa Watanabe, chega ao Instituto Cervantes de São Paulo após passar pela instituição em Roma, Salvador, Brasília e Rio de Janeiro, e faz parte da programação do Festival Cidade da Cultura. O evento conta com o apoio da Embaixada do Peru no Brasil, Consulado Geral do Peru em São Paulo, Centro Cultural Inca Garcilaso, Embaixada da Espanha no Brasil e Cooperación Española.

Itália Brutalista: a arte do concreto.

02/jul

Fotografias dos italianos Roberto Conte e Stefano Perego serão apresentadas no Polo Cultural ItaliaNoRio, em exposição inédita no Brasil que permanecerá em cartaz até 30 de agosto. Reconhecidos mundialmente por registrar a arquitetura italiana, os fotógrafos Roberto Conte e Stefano Perego percorreram, por mais de cinco anos, toda a península de seu país de origem, cobrindo cerca de 20.000 quilômetros para documentar a grande variedade de edifícios brutalistas de diferentes tipos. Concluídas principalmente entre os anos 1960 e 1980 e caracterizadas pelo uso de concreto armado aparente, bem como por elementos estruturais claros e bem definidos, as construções delineiam uma estética essencial e única. O Ministério da Cultura, Tenaris, Ternium, Grupo Autoglass, Instituto Cultural Vale, Generali Seguros, TIM Brasil e Saipem do Brasil apoiam a exposição, com produção e coordenação da Artepadilla.

 Sobre Roberto Conte e Stefano Perego.

Roberto Conte e Stefano Perego são dois fotógrafos de arquitetura italianos. Eles documentaram inúmeras construções extraordinárias em todo o mundo, com ênfase especial nos estilos arquitetônicos do século XX, apresentando os exemplos mais notáveis ​​dessa época. Suas fotos foram publicadas em diversos livros, como o “Atlas da Arquitetura Brutalista”, “This Brutal World”, “Ruin and Redemption in Architecture” entre muitos outros. Em 2019, publicaram “Soviet Asia” (FUEL), um livro fotográfico sobre o declínio do modernismo soviético na Ásia Central. Uma exposição de fotos do livro abriu o Festival de Cinema de Trieste de 2020, enquanto algumas fotos também foram incluídas em uma exposição realizada dentro do Festival BiArch, em Bari, em 2021. O livro foi apresentado no Politécnico de Milão e na EPFL em Lausanne, com

Uma experiência alucinatória.

30/jun

Acervo Vivo: Vivenciando a transcendência: uma coreografia de pinturas inaugura na quinta, 3 de julho, na Almeida & Dale, rua Caconde 152, São Paulo, SP. Partindo da pintura de Rubens Gerchman, a exposição propõe um percurso vertiginoso por entre pinturas de diferentes períodos e tendências, passando pelo abstracionismo, construtivismo, pop e a pintura contemporânea, constituindo um bailado que convida à uma experiência alucinatória, arraigada nos sentidos e de suspensão dos limites da historiografia tradicional da arte.

Acervo Vivo é um programa que explora o acervo da Almeida & Dale por meio de exposições organizadas por curadores e pesquisadores convidados e internos.

As exposições do projeto partem de uma seleção criteriosa e não hierárquica de obras que propõe diálogos entre artistas contemporâneos e de diferentes gerações, transpondo barreiras cronológicas, construindo articulações inusitadas, revelando novas camadas de sentido e promovendo encontros entre tempos e narrativas distintas.

Ao ativar o acervo como um campo de investigação contínua, Acervo Vivo reafirma o compromisso da galeria com a valorização da arte brasileira e global em suas múltiplas temporalidades, contribuindo para sua preservação, difusão e constante reinterpretação.

Artistas participantes

Adriana Varejão, Alfredo Volpi, Amilcar de Castro, Antonio Dias, Claudio Tozzi, Donna Huanca, Dudi Maia Rosa, Emmanuel Nassar, Luiz Sacilotto, Maxwell Alexandre, Mira Schendel, Montez Magno, Peter Halley, Rubem Valentim, Rubens Gerchman, Sandra Gamarra, Sean Scully, Siron Franco, Yayoi Kusama.

Até 31 de julho.

MON realiza nova exposição internacional.

26/jun

“Re-Selvagem”, da artista francesa Eva Jospin, é a nova exposição internacional realizada pelo Museu Oscar Niemeyer (MON) e a primeira mostra da artista no Brasil. Com curadoria de Marcello Dantas, a inauguração aconteceu no Olho e Espaços Araucária. A exposição reúne nove obras de grandes dimensões, entre elas instalações e desenhos, além de dois vídeos. A matéria-prima das instalações é o bordado de seda e o papelão, mas a artista também usa madeira, bronze, tecido e outros materiais.

“Eva Jospin no Museu Oscar Niemeyer reforça nossa missão de conectar o público paranaense com o que há de mais relevante na arte contemporânea mundial”, afirma a secretária de Estado da Cultura, Luciana Casagrande Pereira. “Esta exposição ainda reafirma a diretriz de diplomacia cultural que o Paraná estabelece com a França, em um ano especialmente significativo, marcado pelas celebrações do Ano do Brasil na França e da França no Brasil”.

A diretora-presidente do MON, Juliana Vosnika, afirma que a sensibilidade da artista francesa Eva Jospin fica evidente nesta exposição. “Ao abordar a natureza e o tempo em poéticas obras de arte, ela evoca nossa memória afetiva”, diz.

O curador Marcello Dantas conta que Eva Jospin é conhecida por seu meticuloso trabalho de criar, com as próprias mãos, ilusões de um mundo imaginário – arquiteturas silenciosas e espaços naturais abundantes, que nascem do gesto paciente e obsessivo de devolver à matéria um sentido de origem. “A floresta, para Jospin, é mais que uma representação da natureza. É um lugar simbólico, onde o mistério, o inesperado e a transformação acontecem”, diz Marcello Dantas. “Como nos contos antigos, suas florestas são territórios onde nos perdemos para nos reencontrar”. Em “Re-Selvagem”, o visitante atravessa trilhas de papel e sombra, entra em universos de folhagens esculpidas, experimentando uma espécie de rito íntimo. As formas evocam memórias esquecidas, despertam imagens do inconsciente coletivo e provocam silêncio.

Sobre a artista.

Eva Jospin nasceu em 1975 em Paris, onde formou-se na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts. Nos últimos 15 anos, vem criando florestas meticulosas e paisagens arquitetônicas, que explora por meio de diversas mídias. Desenhadas a tinta ou bordadas, esculpidas em papelão ou em bronze, suas obras evocam jardins barrocos italianos, decorações rocaille do século XVIII e grutas artificiais. Foi residente na Villa Medici, em Roma, em 2017, e eleita para a seção de Escultura da Academia de Belas Artes em 2024. Entre suas exposições internacionais, destacam-se: “Inside”, no Palais de Tokyo, em Paris (2014); “Sous-Bois”, no Palazzo dei Diamanti, em Ferrara (2018); “Eva Jospin – Wald(t)räume”, no Museum Pfalzgalerie, em Kaiserslautern (2019); “Among the Trees”, na Hayward Gallery, em Londres (2020); “Paper Tales”, no Het Noordbrabants Museum, em Den Bosch (2021); “Galleria”, no Musée de la Chasse and Nature, em Paris (2021); “Panorama”, na Fondation Thalie, em Bruxelas (2023); e “Palazzo”, no Palais des Papes, em Avignon (2023). Em 2024, apresentou duas novas exposições individuais: “Selva”, no Museo Fortuny, em Veneza, durante a 60ª Bienal de Veneza, e “Eva Jospin – Versailles” na Orangerie do Castelo de Versalhes. Também desenvolveu diversas instalações de grande porte como parte de encomendas especiais, incluindo “Panorama” (2016), no centro do Cour Carrée do Louvre, e “Cénotaphe” (2020), na Abadia de Montmajour. Além disso, criou uma série de painéis bordados para o desfile Dior Haute Couture 2021-2022 (Chambre de Soie, 2021).

 Sobre o curador.

Marcello Dantas é um renomado curador, diretor artístico e produtor brasileiro, reconhecido por sua abordagem interdisciplinar que integra arte, tecnologia e experiências sensoriais imersivas. Nascido no Rio de Janeiro em 1968, Marcello Dantas possui uma formação acadêmica diversificada: estudou Relações Internacionais e Diplomacia em Brasília, História da Arte e Teoria do Cinema em Florença, e graduou-se em Cinema e Televisão pela New York University, onde também realizou pós-graduação em Telecomunicações Interativas. Ao longo de sua carreira, Marcello Dantas foi responsável pela concepção e direção artística de diversos museus e pavilhões, tanto no Brasil quanto no exterior. Também é conhecido por curar exposições de grande impacto, que atraem vasto público e crítica especializada. Entre elas “Ai Weiwei: Raiz”, do artista chinês Ai WeiWei, e “Invisível e Indizível”, do artista espanhol Jaume Plensa, ambas no Museu Oscar Niemeyer.

Sobre o MON.

O Museu Oscar Niemeyer (MON) é patrimônio estatal vinculado à Secretaria de Estado da Cultura. A instituição abriga referenciais importantes da produção artística nacional e internacional nas áreas de artes visuais, arquitetura e design, além de grandiosas coleções asiática e africana. No total, o acervo conta com aproximadamente 14 mil obras de arte, abrigadas em um espaço superior a 35 mil metros quadrados de área construída, o que torna o MON o maior museu de arte da América Latina.

Até 03 de agosto.

A dança como símbolo multifacetado.

06/jun

Para a Art Basel 2025, A Gentil Carioca propõe um olhar sensível sobre a dança, entendida não apenas como expressão artística, mas como elemento central nas vivências coletivas, nos rituais sociais e nas formas de resistência ao longo dos séculos. A dança surge aqui como símbolo multifacetado: linguagem do corpo, ferramenta de transmissão de saberes, modo de narrar histórias e preservar tradições. As obras selecionadas dialogam com essas múltiplas dimensões, ressaltando a importância da dança na construção de identidades culturais, na delicadeza das relações humanas e na constante busca por pertencimento. Participam desta edição: Agrade Camíz, Ana Silva, Arjan Martins, Denilson Baniwa, João Modé, Kelton Campos Fausto, Laura Lima, Misheck Masamvu, Miguel Afa, Novíssimo Edgar, O Bastardo, OPAVIVARÁ!, Pascale Marthine Tayou, Renata Lucas, Rodrigo Torres, Rose Afefé, Sallisa Rosa, Vinicius Gerheim, Vivian Caccuri, Mariana Rocha, Rafael Baron.

Apresentamos também um Kabinett que propõe um diálogo inédito entre as obras de João Modé, Ivan Serpa e Max Bill. Pioneiro do concretismo, Max Bill teve influência decisiva na arte latino-americana e, em 1951, recebeu o prêmio de escultura na primeira Bienal Internacional de São Paulo, impactando gerações de jovens artistas. Em ressonância com esse legado, João Modé desenvolve desde 2013 a série “Construtivo (Paninho)”, na qual utiliza costura e bordado para homenagear a tradição geométrico-abstrata da arte brasileira, criando formas “construtivo-afetivas”. No espaço, obras inéditas de João Modé dialogam com peças emblemáticas de Ivan Serpa e Max Bill.