A trajetória singular de Waltercio Caldas.

29/abr

Com cerca de 100 trabalhos, exposição percorre seis décadas da produção de Waltercio Caldas e apresenta uma leitura de sua trajetória singular, marcada pela investigação sobre tempo, espaço e percepção. Tempo, para Waltercio Caldas, é matéria de trabalho. Essa é a premissa que estrutura o (tempo), a exposição que a Casa Roberto Marinho, Cosme Velho, Rio de Janeiro, RJ,  inaugura no dia 14 de maio, reunindo cerca de 100 obras produzidas entre 1967 e 2025 por um dos nomes mais influentes da arte contemporânea brasileira. Projetada pelo próprio artista, a exposição ocupa os espaços da instituição com esculturas, pinturas, desenhos, livros e ambientes que abrangem seis décadas de produção e revelam a consistência de uma pesquisa rigorosa em torno das tensões entre forma, espaço e percepção.

Waltercio Caldas surgiu no cenário artístico brasileiro no final da década de 1960, em um momento de intensa renovação das artes visuais no país. Em diálogo com artistas e críticos que repensavam os limites da escultura, do objeto e da ideia de obra de arte, seu trabalho integrou a virada que deslocou o foco da representação para a experiência perceptiva e para o questionamento dos meios da arte. Desde então, sua trajetória vem sendo acompanhada por críticos como Paulo Venancio Filho e Paulo Sergio Duarte, que identificam em sua prática uma investigação rigorosa sobre linguagem, percepção e espaço.

Sobre o artista.

Waltercio Caldas nasceu em 1946, no Rio de Janeiro. Escultor, desenhista, artista gráfico e cenógrafo, estudou pintura com Ivan Serpa, em 1964, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio). Entre 1969 e 1975, fez desenhos, objetos e esculturas. Em 1973 sua primeira individual recebeu o prêmio de melhor exposição do ano pela Associação Brasileira de Críticos de Arte. Nos anos 1970, deu aulas no Instituto Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, e foi coeditor da revista Malasartes e do jornal A Parte do Fogo. Integrou a comissão de Planejamento Cultural do MAM Rio, responsável pela criação da Sala Experimental. Realizou exposições no Brasil e no exterior e foi agraciado pela Associação Brasileira de Críticos de Arte, em 1993, com o prêmio Mário Pedrosa, pelo conjunto da obra e por sua mostra individual realizada no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Esteve presente em várias Bienais de São Paulo, na Bienal de Veneza e na Documenta de Kasell (Alemanha). Na Bienal Entre Abierto, em Cuenca, Equador, em 2011, recebeu o prêmio com a obra Parábolas de Superfície. Participou da coletiva Art Unlimited em Basileia, Suíça. Em 2005 recebeu o grande prêmio da Bienal da Coreia. Seus trabalhos estão em coleções de importantes instituições, como o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), o Museu Reina Sofia (Espanha), o Centro Georges Pompidou (França), o Museu de Arte (MASP), a Pinacoteca do Estado e o Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Até 27 de setembro. 

MariAntônia recebe a mostra Rever Baravelli.

24/abr

O Centro MariAntonia da USP, Vila Buarque, São Paulo, SP, inaugura no dia 09 de maio, a exposição “REVER BARAVELLI”, dedicada à obra de Luiz Paulo Baravelli. Com curadoria de Maria Alice Milliet e realização da Galeria Marcelo Guarnieri, a mostra reúne aproximadamente 60 obras que atravessam diferentes momentos da trajetória de mais de cinquenta anos do artista.

A exposição propõe uma revisão panorâmica da produção de Baravelli, destacando a diversidade de procedimentos, técnicas e linguagens que caracterizam seu trabalho. Ao longo de décadas, o artista construiu uma obra marcada pela experimentação e pela articulação entre pintura, desenho, objeto e relevo. Em seu trabalho, observa-se uma vontade de extrapolar os limites do quadro, seja em pinturas que adquirem contornos orgânicos ao se afastarem do regime da moldura quadrangular; seja no uso da perspectiva, entendida menos como elemento regulador da visão e mais como força propositiva e vertiginosa, capaz de sugerir profundidades potencialmente infinitas na pintura.

Para a curadora Maria Alice Milliet, a prática de Baravelli se dá na interseção entre arte e artesania. Em seu processo, ele assume o papel de artista/artesão ao manipular materiais como madeira, acrílico ou metal para construir suportes e estruturas que expandem os limites da pintura. Sua iconografia incorpora desde desenhos de observação até uma ampla gama de imagens captadas em diversas mídias. Para tanto, recorre a estratégias como o ready-made e a colagem.

A exposição destaca núcleos importantes de sua pesquisa. Entre eles, as investigações sobre paisagem em sua construção ambígua entre interior e exterior e a recorrência do nu feminino, tema presente desde sua formação nos anos 1960. Nesse conjunto, destaca-se a série realizada em 1984 com a técnica da encáustica, na qual o artista abandona o desenho preparatório e passa a pintar diretamente sobre a tela, produzindo imagens de intensidade dramática e expressiva. Ao longo do percurso expositivo, o público encontrará trabalhos que transitam entre o bidimensional e o tridimensional, incluindo estruturas que evocam maquetes, relevos e pinturas que extrapolam os limites do quadro. Essa diversidade reflete a recusa de Baravelli em se ater a uma linguagem única, reafirmando seu interesse em capturar a complexidade e a instabilidade da realidade visível.

 

Sobre o artista. 

Luiz Paulo Baravelli é formado em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, e por desenho e pintura pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). O artista iniciou sua carreira em meados dos anos 1960 produzindo pinturas, desenhos e colagens, influenciadas, de maneira mais direta, pela obra de Wesley Duke Lee, seu ex-professor na FAAP, e de modo mais amplo, pelo vocabulário da cultura Pop. Baseando sua prática na intersecção e troca entre a produção e o ensino de arte, Baravelli participa da fundação da Escola Brasil, em 1970, junto a José Resende, Carlos Fajardo e Frederico Nasser; da Revista Malasartes entre 1975 e 1976 e da Revista Arte em São Paulo entre 1981 e 1983, ambas junto a importantes artistas e críticos da cena contemporânea. Participou de inúmeras exposições individuais e coletivas destacando-se: Bienal de São Paulo (Brasil); Bienal de Veneza (Itália); Bienal de Havana (Cuba); Bienal do Mercosul, Porto Alegre (Brasil); Museu de Arte de São Paulo (MASP- Brasil); Pinacoteca do Estado, São Paulo (Brasil); Hara Museum of Contemporary Art, Tóquio (Japão); Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro (Brasil); Museu de Arte Moderna de São Paulo (Brasil); Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto (Brasil); Itaú Cultural, São Paulo (Brasil); Museo de Arte Moderno de Buenos Aires (Argentina);  Museu de Arte Contemporânea (MAC) da Universidade de São Paulo (Brasil); Instituto Tomie Ohtake, São Paulo (Brasil) e Paço Imperial, Rio de Janeiro (Brasil).

Até 26 de julho. 

 

Adriana Varejão e Rosana Paulino em Veneza.

23/abr

Brasil aposta em força feminina e espiritualidade no Pavilhão de Veneza. O projeto curatorial reúne duas das artistas mais importantes do país em um diálogo inédito sobre memória, fé e colonialidade.

A Fundação Bienal de São Paulo anunciou o projeto curatorial do Pavilhão do Brasil na Biennale Arte 2026, que será ocupado integralmente pelas artistas Adriana Varejão e Rosana Paulino. Intitulada “Comigo ninguém pode”, a exposição tem curadoria de Diane Lima e propõe um encontro inédito entre duas trajetórias fundamentais da arte contemporânea brasileira. Realizada em parceria com o Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores, a participação brasileira conta com patrocínio da Petrobras.

Inspirada na planta popular que dá nome à mostra – símbolo de proteção e resiliência -, a exposição parte de uma dimensão sensível e simbólica para articular questões ligadas à história, espiritualidade e natureza. Em uma abordagem instalativa, o projeto rompe com a linearidade do tempo e coloca em diálogo obras históricas e produções inéditas das artistas, abordando feridas coloniais, processos de transformação e a construção de imaginários no Brasil.

A expografia, assinada por Daniela Thomas, foi concebida em diálogo direto com a arquitetura modernista do Pavilhão do Brasil, projetado em 1964 por Giancarlo Palanti, Henrique Mindlin e Walmyr Lima Amaral. A proposta é ativar o espaço como parte da experiência, com obras que se distribuem de forma não convencional, criando percursos sensoriais e aproximando pintura, escultura e desenho de uma dimensão quase performativa.

Ao reunir mais de três décadas de produção de ambas as artistas, “Comigo ninguém pode” enfatiza tensões e aproximações simbólicas, materiais e cromáticas. Enquanto Rosana Paulino investiga memória, corpo e reconstrução a partir da experiência da mulher negra, Adriana Varejão explora, por meio da pintura, simulações de materiais como carne, azulejo e concreto. O encontro entre as duas artistas constrói uma narrativa potente sobre identidade, história e imaginação, projetando o Brasil no centro do debate contemporâneo internacional.

Fonte: Das Artes.

Desenhos de Iberê Camargo ao logo do tempo.

14/abr

A Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, convida para a abertura da exposição “Iberê Camargo: quem sabe, o tempo…” , neste sábado, dia 18 de abril, a partir das 14h.

Com curadoria de Carmela Gross, a mostra reúne 1.091 estudos e desenhos de Iberê Camargo (1914-1994), configurando a maior exposição do artista em número de obras já apresentada. O conjunto abrange diferentes momentos de sua trajetória, incluindo trabalhos realizados ainda na adolescência, quando Iberê Camargo  tinha apenas 13 e 14 anos.

A exposição oferece um olhar aprofundado sobre o processo criativo do artista, revelando a potência e a continuidade de sua investigação ao longo do tempo.

Sustentar o Efêmero.

13/abr

No Rio de Janeiro, o Ateliê397 acompanha a realização da exposição “Sustentar o Efêmero”, no Sesc Ramos RJ, com curadoria de Thais Rivitti e Juliana Monachesi, e assistência de Sophia Faustino.

A mostra reúne artistas participantes do grupo Rosa Choque, que se encontra quinzenalmente em um processo contínuo de troca e desenvolvimento de pesquisa. A exposição propõe refletir sobre como a arte pode reter, elaborar ou tensionar a dimensão efêmera da experiência, reunindo trabalhos em diferentes linguagens, como pintura, fotografia, colagem, escultura, instalação e bordado.

Venha nos visitar na Travessa Dona Paula (São Paulo – SP), de quarta a sábado, das 14h às 18h, e no Sesc Ramos (Rio de Janeiro – RJ), de terça a domingo, das 9h às 17h

Diferentes linguagens da produção contemporânea.

Exposição coletiva com 22 artistas propõe reflexão sobre a presença feminina na produção contemporânea. Juliana Monaco Art apresenta até 26 de abril no Solar Fábio Prado, Jardim Paulistano, São Paulo, SP, a mostra coletiva “Arte e Mulher” reunindo 22 artistas em torno de um recorte que atravessa diferentes linguagens da produção contemporânea. Com curadoria de Juliana Mônaco, a exposição articula pintura, escultura, fotografia, bordado e arte digital em um conjunto que evidencia a diversidade de procedimentos e a singularidade das trajetórias apresentadas.

Participam da mostra Anne Walbring, Baby Gras, Bruna Fernandes, Carol Poci, Cintia Gardioni, Debora Faria, Diana Salomone, Elis, Erica Nogueira, Illuzione, Leila Biscuola, Luiza Whitaker, Maria Theresa Muniz, Mary Carmen, Miazoe, Reco Marder, Sandra Quinto, Silvia Ferreira, Sissi Soares, Suzy Fukushima, Vanessa Del Bel e Viviane Coghi. A reunião dessas artistas reforça o caráter plural da exposição, em que diferentes práticas e pesquisas se articulam em um campo de convivência e contraste.

Ao longo da história, a presença feminina no campo das artes foi frequentemente condicionada por estruturas que limitaram visibilidade, circulação e reconhecimento. Ainda que esse cenário venha sendo progressivamente transformado, a afirmação de trajetórias e a consolidação de espaços de legitimação seguem em processo. Nesse contexto, a mostra se insere como parte de um movimento mais amplo de ampliação de repertórios e reposicionamento de narrativas. As obras apresentadas não se organizam a partir de um eixo homogêneo. Ao contrário, configuram um campo em que distintas práticas coexistem e se tensionam, revelando modos de fazer que transitam entre elaboração formal, experimentação e memória. O gesto artístico assume papel central, operando como ponto de conexão entre experiências diversas e evidenciando processos que articulam pensamento e materialidade.

Ao ocupar o espaço expositivo, cada trabalho afirma uma presença própria, ao mesmo tempo em que se insere em uma dinâmica coletiva. A curadoria atua nesse ponto de articulação, estabelecendo um percurso em que o olhar do público é conduzido por aproximações, contrastes e ressonâncias entre as obras, sem diluir suas especificidades. Sem recorrer a definições fixas, “Arte e Mulher” se constrói a partir da ideia de multiplicidade. O conjunto apresentado evidencia um panorama em que diferentes vozes se afirmam de maneira autônoma, ampliando as possibilidades de leitura sobre a produção contemporânea e contribuindo para o reconhecimento de práticas que historicamente buscaram – e seguem buscando – seu lugar no campo artístico.

Nino Cais na Galeria Lume.

10/abr

Nino Cais, artista multifacetado contemporâneo, ganha um novo desdobramento do seu trabalho na Galeria Lume, Jardim Europa, São Paulo, SP, com a exposição individual “Uma nova Ideia de voo”, com curadoria de Ana Carolina Ralston. A mostra propõe um mergulho na versatilidade do artista, no qual transita entre fotografia, colagem, vestimenta, escultura e vídeo para tensionar uma questão central em sua trajetória: o que constitui a identidade e como ela se transforma quando suspensa.

Partindo da ideia de que a tragédia emerge do embate entre duas verdades, a exposição evoca narrativas da mitologia grega para pensar o instante de passagem que antecede o renascer. Em diversas obras, rostos são cobertos por livros, embalagens e outros materiais, deslocando o protagonismo da face tradicionalmente associada ao reconhecimento e ao pertencimento e instaurando uma zona de opacidade. Ao velar, Nino Cais interrompe o olhar do outro e sugere a dissolução temporária dos vínculos sociais que estruturam o indivíduo. O gesto dialoga com o conceito de liminaridade formulado pelo antropólogo Arnold van Gennep, que define o período intermediário dos rituais de passagem como um tempo fértil, instável e transformador. O véu, recorrente nas obras, atua como uma membrana simbólica: cria a opacidade necessária para atravessar a experiência e permitir a reintegração sob uma nova configuração identitária.

No campo formal, o artista amplia a discussão ao subtrair partes de corpos e de estruturas arquitetônicas históricas, explorando a volumetria da imagem impressa. Ao “desbastar” fotografias e livros, Nino Cais transpõe para o papel um procedimento tradicional da escultura, redesenhando o pensamento escultórico em chave expandida. A imagem deixa de ser estritamente bidimensional e se torna tridimensional, ao afirmar a sua própria condição de objeto, uma presença física que por si só, ocupa e existe como forma.

Na sala externa da galeria, em frente a um pequeno jardim, a exposição se desdobra em um ambiente que evoca um viveiro de criaturas em transmutação. O diálogo com Constantin Brancusi emerge especialmente na relação com a série Maiastra, inspirada na ave mítica romena associada à luz e à metamorfose. Assim como em Brancusi a maiastra não representa um pássaro literal, mas a própria ideia de voo, Nino Cais se apropria dessa noção para criar novas formas a partir do tangram jogo de origem chinesa composto por sete peças geométricas. Fragmentando e recompondo capas de livros antigos, sobretudo de mitologias gregas e egípcias, o artista dá origem a pássaros e seres híbridos que preservam sua identidade material, mas transformam seu sentido conforme a posição e o encaixe. O procedimento também estabelece um diálogo com o pensamento neoconcreto, ao tratar o objeto como experiência sensível e relacional, deslocando-o da condição estática para um campo expandido de significados. Ao tensionar presença e apagamento, superfície e volume, integridade e ruína, Nino Cais constrói um território de suspensão. Suas obras habitam o intervalo, nem imagem plena, nem fragmento inerte e convidam o público a atravessar esse estado liminar. Entre o gesto de velar e o de revelar, o artista propõe uma reinvenção do olhar: tocar essas presenças em trânsito é, também, aceitar a possibilidade de renascer em uma nova ideia de voo.

Até 11 de maio.

Fonte: Dasartes.

O Paço Imperial e suas gestões.

08/abr

Como parte da exposição “Constelações – 40 anos do Paço Imperial”, será realizada neste sábado, dia 11, às 15hs, a mesa de conversa “O Paço e suas gestões”, com a participação da diretora Claudia Saldanha e dos ex-diretores Lauro Cavalcanti e Paulo Sérgio Duarte, com mediação do historiador de arte e professor da Escola de Belas Artes da UFRJ, Ivair Reinaldim. A conversa, que será realizada na Sala dos Archeiros, será gratuita e aberta ao público.

Com curadoria de Claudia Saldanha e Ivair Reinaldim, em parceria com a equipe da instituição, a mostra “Constelações – 40 anos do Paço Imperial” ocupa 12 salões e os dois pátios internos com cerca de 160 obras de 130 artistas, de diferentes gerações, que fazem parte da história do centro cultural, como Adriana Varejão, Amilcar de Castro, Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino, Antonio Dias, Antonio Manuel, Arthur Bispo do Rosário, Beatriz Milhazes, Cildo Meireles, Denilson Baniwa, Hélio Oiticica, Iole de Freitas, Ivens Machado, Luiz Aquila, Luiz Zerbini, Lygia Clark, Lygia Pape, Marcela Cantuária, Maxwell Alexandre, Roberto Burle Marx, Tunga, entre muitos outros. Completam a mostra uma série de vídeos feitos pela Rio Arte com alguns artistas nas décadas de 1980 e 1990.

Ao longo de sua história, o Paço Imperial realizou exposições com diversas vertentes, que vão desde arte contemporânea até arte popular, passando por arquitetura, design, paisagismo, história e patrimônio. Desta forma, a exposição “Constelações – 40 anos do Paço Imperial” abrange esse conceito e traz a ideia de reunião, sem hierarquia, juntando os artistas contemporâneos aos artistas populares, unindo diferentes gerações, técnicas e suportes em uma única mostra, dividida por núcleos temáticos. “Se a palavra constelação define um agrupamento de estrelas, cosmologicamente distantes umas das outras, mas conectadas pela imaginação humana, constituindo uma forma reconhecível com finalidades diversas, aqui reunidas, as obras produzidas por diferentes gerações de artistas procuram reforçar sua singularidade, assim como sua interação por proximidade”, afirmam os curadores, que ressaltam também a importância da constelação institucional, com obras emprestadas por diversos parceiros, como Instituto Moreira Salles, Museu Bispo do Rosário, Museu de Imagens do Inconsciente, Museu de Arte do Rio, Museus Castro Maya, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu do Folclore e Sítio Roberto Burle Marx.

A exposição é complementada por 15 vídeos da série sobre arte contemporânea produzida pela Rio Arte, com artistas como Amilcar de Castro (filmado no Paço Imperial durante sua exposição em 1989), Anna Maria Maiolino, Antonio Manuel, Lygia Clark, Lygia Pape, Tunga, entre outros. 

Iberê Camargo desde o princípio.

07/abr

 

Com curadoria de Carmela Gross, a Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, inaugura a maior exposição em número de obras de Iberê Camargo. “Iberê Camargo: quem sabe, o tempo…” apresenta mais de mil estudos e desenhos do artista, incluindo os primeiros produzidos aos 13 anos de idade. 

No dia 18 de abril (sábado), a Fundação Iberê abre uma grande exposição dedicada aos estudos e desenhos de Iberê Camargo (1914-1994). Com curadoria de Carmela Gross, “Iberê Camargo – quem sabe, o tempo…” reúne 1.091 obras de diferentes momentos da trajetória do artista. Entre elas, estão nove desenhos produzidos entre 1927 e 1928 pelo adolescente Iberê Camargo, então com apenas 13 e 14 anos de idade.  

O convite à Carmela Gross foi feito durante sua exposição na Fundação Iberê Camargo, “Boca do Inferno” (2024), e aceito prontamente. A partir do conto de Iberê Camargo “O relógio”, escrito em 1959 e publicado apenas em 1988, a artista definiu que o tema seria Iberê Camargo antes da pintura; o tempo do desenho. 

“Quando fui convidada, busquei na memória as muitas e muitas pinturas que visitei em exposições, e tantas outras que revi em reproduções de livros. Mas não era sobre a pintura de Iberê que eu queria falar. Queria falar de um tempo que antecede à pintura, o tempo do desenho. E o desenho é outra coisa… a atenção ao pequeno, ao efêmero, as anotações distraídas sobre um papel qualquer, ensaios, repetições, rabiscos, rasuras, linhas incertas, restos, excessos, sombras… um ir e vir de perguntas sem respostas… enfim, coisa mental, no registro de Leonardo da Vinci”, conta a artista.  

Ao lado da assistente Carolina Caliento, durante um ano, Carmela Gross mergulhou nos mais de 3.800 desenhos que pertencem ao acervo da instituição. O conjunto, preservado pela Fundação Iberê Camargo, guarda não apenas obras, mas também a memória do processo do artista.  

Responsável pelo acervo da Fundação Iberê Camargo, Gustavo Possamai lembra que a existência desse material se deve, em grande parte, a duas outras figuras femininas fundamentais na vida de Iberê Camargo: Maria Coussirat Camargo, sua esposa, e a mãe de Maria, que a orientou a conservar tudo o que o artista produzia. “Quando o Iberê começou realmente a se dedicar à pintura, a mamãe me disse: “Maria, tudo o que o Iberê fizer, tudo, nem que seja um papelzinho assim, pequeno… tu guardas”. Foi o que eu fiz.” 

“(O acervo) é como uma arca de Noé, que nos convoca a viajar pelo universo Iberê. Impossível selecionar. Eu queria tudo, mostrar tudo! (…) Eu e minha assistente, Carolina, passamos semanas a fio na tarefa, ao mesmo tempo cansativa e prazerosa, de escolher cada exemplar – agrupamentos diversos… conjuntos, separações, novos ajuntamentos, acertos e dúvidas; um sem-fim de listas e tabelas numeradas, refeitas a cada dia, ponderando cada escolha pelo gosto ou pelo entusiasmo da descoberta… assim, chegamos a 1.091”, destaca a artista.  Definidas as obras, Carmela Gross e Carolina Caliento passaram a detalhar o complexo projeto de montagem que ocupará o quarto andar da Fundação Iberê Camargo. Como um roteiro cinematográfico, os desenhos e estudos serão apresentados em 93 pranchas de 1,20 por 0,80 m, compondo, no interior de cada plano, ao acaso, um mosaico de peças irregulares. “Juntos e ordenados em sequência, eles formaram virtualmente amplas janelas – janelas abertas nas paredes sólidas do edifício do museu, simbolicamente abertas de par em par para o mundo lá fora”, completa.  

Sobre a curadora.

Carmela Gross (São Paulo, 1946) é artista visual, pesquisadora e professora brasileira. Sua produção reúne desenhos, gravuras, instalações e intervenções urbanas. Participou de importantes exposições no Brasil e no exterior, e é reconhecida por obras que investigam o espaço público, a linguagem e a experiência urbana contemporânea. 

Até 28 de março de 2027.

 

 

Maior exposição mundial de Yoshitaka Amano.

06/abr

Mostra “Além da Fantasia” terá 218 obras originais, entre pinturas e ilustrações, de um dos mais importantes artistas da cultura pop. 

Chega ao Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, a partir do dia 22 de abril, a maior exposição da carreira do artista japonês Yoshitaka Amano. Com curadoria e idealização de Antonio Curti, a mostra ocupará todas as salas do segundo andar do CCBB RJ e incluirá um espaço imersivo, que completará a experiência do público por meio da tecnologia. Esta será uma oportunidade para o público ver de perto a obra deste aclamado artista. “Os visitantes poderão conhecer obras nunca exibidas, incluindo grandes peças em alumínio – algo que só pode ser plenamente apreciado ao ver o trabalho original, pessoalmente”, afirma o artista. “Fico verdadeiramente feliz em ver uma nova mostra sendo realizada no Brasil, depois da exposição em São Paulo, em 2024. É uma honra ter essa oportunidade, especialmente com o projeto se expandindo de maneira tão significativa. Estou ansioso por isso”.

Dividida em sete núcleos temáticos – Tatsunoko, Final Fantasy, Candy Girl, Devaloka, Vampire Hunter D, Angel’s Egg e Colaborações – a mostra revela as múltiplas facetas do trabalho de Yoshitaka Amano.

“Yoshitaka Amano é uma lenda tanto no mundo da arte quanto no universo geek”, afirma o curador Antonio Curti. A exposição irá surpreender tanto quem acompanha o trabalho do artista, quanto quem nunca teve contato com a sua obra. “Para quem já conhece Amano, a mostra aprofunda o entendimento de sua trajetória e revela obras raras, processos e nuances que poucos tiveram a oportunidade de ver de perto. Para quem chega a ele pela primeira vez, é uma porta de entrada para um universo visual absolutamente singular, onde cada linha, cor e movimento carregam uma poética própria. A ideia é que todos, fãs ou iniciantes, encontrem aqui uma experiência que os conecte com a sensibilidade e a imaginação extraordinária desse artista”, diz o curador Antonio Curti.

Sobre o artista.

Yoshitaka Amano, que vive hoje em Tóquio, nasceu em 1952, na província de Shizuoka, aos pés do Monte Fuji, no Japão. Criado em uma família modesta, era o mais novo de quatro irmãos. Seu pai, Yoshio Amano, era artesão e dominava as técnicas tradicionais de laca em madeira, um ofício que utiliza pigmentos intensos de preto, vermelho e dourado, cores que se tornaram uma marca essencial na obra do artista. Desde a infância, Amano é fascinado por histórias e personagens. Passava horas copiando as criações de Osamu Tezuka, o lendário autor de Astro Boy e pioneiro do mangá moderno. Em 1967, aos 15 anos, passa por um treinamento e certificação ao ingressar na Tatsunoko Production, um dos estúdios mais inovadores do Japão. Lá, iniciou uma trajetória que o transformaria em um dos artistas mais influentes do universo pop, quadrinhos e games da atualidade.

Até 22 de junho.