A transparência do vidro.

07/jul

Jean-Michel Othoniel exibe “Poetic Living” até 11 de julho na Casa de Vidro, Morumbi, São Paulo, SP. Ao longo de 40 anos, o artista francês Jean-Michel Othoniel desenvolveu uma prática heterogênea que transita entre desenho, escultura e instalação num crescente dimensional que de maneira extremamente hábil nunca se distancia totalmente do diálogo íntimo com a natureza e a arquitetura. A escala que hora reverencia o “homem artesão” e hora se volta ao cosmos absoluto se manifesta de modo colaborativo em que saberes se mesclam e se materializam em “jóias escultóricas”.

Trata-se de uma fusão de conhecimentos, técnicas e intenções antropológicas que alicerçam a própria arquitetura de Lina Bo Bardi – uma soma de vivências e posicionamento crítico que tornam seus edifícios abrigos de ideias brutalmente honestas. Para ambos, a construção se soma ao objeto em si na consagração de sua clareza simbólica, um método que o artista define como “geometria emocional”.

Para ele, esse sentimento se traduz de maneira mais clara a partir de 1993, quando  inicia sua parceria com mestres artesãos de Murano e explora as possibilidades técnicas, a sutileza das cores e a transparência do vidro para expressar um estado de encantamento com o mundo. Formas simples como cubos e esferas se organizam em correntes e empilhamentos que põe em perspectiva a nossa distorcida noção espacial – micro arquiteturas feitas de tijolos de vidro aterram nosso olhar enquanto enormes colares ornam algo maior; uma natureza quase imensurável.

Uma relação de proporcionalidade que fundamenta a própria intenção de Lina com a Casa de Vidro – a arquitetura que pousa delicadamente no terreno e reverencia a paisagem; amplos planos envidraçados que incorporam a mata à arquitetura moderna; o piso azul em pastilha de vidro que expande o céu e ilumina os interiores. Interiores esses marcados pela fusão simbólica entre o pragmático, o sagrado e o popular da dinâmica intelectual entre Lina Bo e Pietro Maria Bard

Esses paralelos improváveis se alinham numa feliz coincidência para a exposição “Poetic Living” acontecer no Instituto Bardi/ Casa de Vidro justamente quando se comemoram os 75 anos de sua construção. As obras de Jean-Michel Othoniel refletem em seu brilho um emaranhado de soluções e memórias aqui presentes enquanto expandem a própria experiência do visitante, através da reabertura do caminho para o ateliê de Lina (depois de anos fechados para os visitantes), pelo qual poderão ser conferidas as inéditas “Liseron”, em aço inoxidável, e uma série de luminárias em vidro Murano na mesma linha dos vasos solitários que já dentro da Casa dialogam com o próprio acervo histórico do Bardi.   

Entre outras criações inéditas estão a instalação “Tribute easels to Lina Bo Bardi” – um conjunto de 5 cavaletes inspirados pela icônica solução para o Masp, construídos com blocos de vidro soprados a mão e sobre os quais “flutuam” aquarelas que retratam as flores do próprio jardim.

Bem como uma enorme escultura da série “Mirror Necklace”, em inox e folha de ouro, debruçada sobre a árvore no vão central da sala, no coração da Casa. Completam a mostra um conjunto de tamboretes “Midnight Souls”, distribuídos pelos interiores em harmonia com o acervo permanente de móveis e arte, como uma evolução natural dessa coleção construída ao longo de 40 anos de convívio do casal.

Bruno Simões.

Sobre o artista.

Jean-Michel Othoniel (Saint-Étienne, França, 1964) é um dos grandes nomes da arte contemporânea internacional, graduado pela École Nationale Supérieure d’Arts, na França, e com formação na Villa Medici, na Itália. Suas esculturas, em diálogo com dimensões arquitetônicas, operam uma geometria monumental. Esculpe peças que se assemelham a joias, tanto pelo aspecto formal, quanto pelo preciosismo dos materiais, que vão de contas a tijolos de vidro de Murano soprado. Suas formas contemplativas navegam pelos reinos paradoxais da monumentalidade e delicadeza, do ornamento e do minimalismo. Com mais de 100 exposições individuais ao redor do mundo, além de centenas de exposições coletivas, Jean-Michel Othoniel foi amplamente premiado, com destaque para a distinção de Cavaleiro da Ordem de Artes e Letras da França. Suas obras integram importantes coleções internacionais como, o Centre Pompidou, a Fondation Cartier pour l’art contemporain, em Paris; o Musée National d’Art Moderne de Paris; o Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, o Brooklyn Museum, em Nova York; o Museum of Glass, em Tacoma; a Peggy Guggenheim Collection, em Veneza; o Museum of Contemporary Art (MoCA), Mi

A arte entre o sagrado e o profano.

03/jul

Evandro Carneiro Arte, Gávea, Rio de Janeiro, RJ,  apresenta de 08 a 31 de julho, a exposição “Pérola Bonfanti: a arte entre o sagrado e o profano”. Nessa mostra, a Galeria Evandro Carneiro Arte apresenta 46 trabalhos da artista, entre desenhos, pinturas, gravuras e objetos, além de uma obra a ser performada no dia 17 de julho, às 19h.

Exposição Pérola Bonfanti

Pérola Bonfanti nasceu em 1983, no Rio de Janeiro, em berço iluminado: num encontro da arte com a psicanálise. Filha do artista Gianguido Bonfanti, professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage e da psicanalista Marisa Maia, suas referências transitaram entre os mestres das artes e os símbolos do inconsciente humano. As travessias entre o sensível e o intangível – conceitos tão essenciais na obra de Pérola – sempre estiveram presentes em sua trajetória e formação.

Multitalentosa, graduou-se em Música Popular Brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 2009. Pérola é expressão tangível de uma voz sagrada; quem a escuta cantar percebe esse dom. Um som que transcende a música e se expressa igualmente em seus desenhos e pinturas. Desde 2001, frequentou alguns cursos livres da EAV / Parque Lage, aprimorando a sua formação artística, até chegar a ser monitora do Programa Fundamentação, patrocinado pela Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, em 2012, quando desenvolveu sua pesquisa artística com tanta propriedade que transcendeu os muros da Escola e foi pintar na rua, com o coletivo Flutuarte, superando limites espaciais e estruturais como os de classes sociais e os de suporte físico.

Deslocou-se um pouco mais no espaço e passou dois anos em Nova York (2012-2014), especializando os seus estudos de arte urbana, com a sua temática mítica, agora simbolicamente transfigurada no jogo, como metodologia lúdica em que o tabuleiro era a própria cidade. Participou da Free Art Society, organização sediada no East Village focada em democratizar o acesso às artes, promovendo projetos multimídia em espaços públicos, como fizera anteriormente no Rio. A partir deste trabalho, foi convidada a realizar em Viena a exposição Quatro Aces que itinerou pelo Museu Albertina e depois Museu de História da Arte (Hofburg), Tesouro Nacional, dentre outras instituições. O projeto obteve tanto sucesso que, como resultado, além de apresentar a instalação, a artista lecionou palestras e workshops na Alemanha, no Gamification Lab da Universidade Leuphana, ao sul de Hamburgo. Por meio da eletronic art, Pérola ampliou para o virtual a sua concepção espaço-temporal, já extensa e lúdica.

Pérola Bonfanti realizou exposições individuais nas galerias DialogArt (Viena), Wozen (Lisboa), Fornaciai Gallery (Florença), Galeria da Praça e Espaço Alienista (Rio de Janeiro), e participou de coletivas em instituições como o MARCO – Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul, o Centro Cultural dos Correios, o Centro Cultural da Justiça Federal e, em 2026, da exposição O Que Insiste em Viver, no bar conceitual Miolo (Rio de Janeiro).

Laura Olivieri Carneiro

Livro e exposição de Marina Saleme.

26/jun

A exposição “Ralo”, individual de Marina Saleme, na galeria Luisa Strina, Cerqueira Cesar, São Paulo, SP, apresenta mais de 20 pinturas inéditas em diferentes dimensões, acompanhadas de texto crítico de Galciani Neves. Na mesma ocasião, a Act Arte lança “Marina Saleme”, publicação que traça um amplo panorama da trajetória artística de Marina Saleme. O livro, organizado pela própria artista, reúne pinturas, desenhos e trabalhos que atravessam distintos momentos de sua produção e conta com textos críticos de Ana Maria Belluzzo, Felipe Scovino e Tadeu Chiarelli.

Contemplação do ato de desaparecer

Nas mais de 20 obras que compõem “Ralo”, Marina Saleme mostra que segue movida pelo gesto de descobrir a cor na superfície da tela, deixando-se conduzir pelo processo de elaborar o que a pintura pode ser enquanto pinta, e motivada pelo desejo de se surpreender com os novos desafios de linguagem e de experimentação diante da tela. Por meio de rios, mares, céus e rochas, que se entrecruzam e se unificam, a artista reflete sobre um derretimento do mundo, como se tudo o que está sobre a terra tivesse um destino, um fluxo, uma impermanência, um tempo linear irreversível, que desemboca em um ralo, no ato de escoar.

De acordo com Galciani Neves, que assina o texto crítico da exposição, “Ralo” narra o pensamento de Marina Saleme, que se embrenha entre suas pinturas a partir de um tempo que não cessa, não pausa, e que se esvai como uma espécie de durante sempre fugidio.

Trajetória da artista em mais de 200 páginas

Por ocasião da abertura da mostra, a Act Arte – casa editorial sob direção de Fernando Ticoulat – lança o livro monográfico “Marina Saleme”, que, ao longo de mais de 200 páginas, apresenta um panorama da produção da artista, destacando mais de três décadas dedicadas à pintura e à fotografia. O livro evidencia como, entre atmosferas de silêncio, melancolia e suspensão, Marina Saleme trabalha com a instabilidade das imagens: formas revelam-se ao mesmo tempo em que são ocultadas por camadas de tinta, véus de cor e rastros de matéria.

Temas como fragilidade, incerteza, dissolução e aparição – seja em paisagens fantasmagóricas, figuras esfaceladas ou cenas cotidianas que se tornam enigma – são foco de ensaios críticos de Felipe Scovino, Ana Maria Belluzzo e Tadeu Chiarelli, que contextualizam a pesquisa da artista no campo da pintura contemporânea brasileira, analisando sua relação com o neoexpressionismo dos anos 1980, sua passagem por experimentações matéricas nos anos 1990 e sua expansão para a fotografia nas séries dos anos 2000 e 2010. Ao longo do livro, imagens de obras, séries e detalhes de pinturas revelam um fazer artístico guiado pela intuição, pelo tempo e pelo mistério.

A publicação, editada por Yasmin Abdalla, Paula Nunes e Marina Dias Teixeira, e  publicada pela Act Arte, é uma realização do Ministério da Cultura e conta com patrocínio do Itaú, apoio de Marina Saleme Estamparia e apoio institucional da galeria Luisa Strina.

Até 25 de julho.

Repertórios herdados e formas de fabulação.

25/jun

A Galatea apresenta Elias Santos: Alegorias ancestrais, individual do artista baiano Elias Santos (1966, Cairu, Bahia) que ocupa o espaço expositivo do Cofre na unidade da galeria em Salvador. A abertura acontece dia 03 de julho.

Com curadoria de Alana Silveira, diretora da Galatea Salvador, a mostra reúne cerca de 50 desenhos produzidos entre 1995 e 2004 e 12 esculturas produzidas entre 2013 e 2026. Ao longo da pesquisa curatorial, tornou-se evidente que imagens e símbolos presentes nos desenhos realizados no início da trajetória de Elias Santos reaparecem, mais de duas décadas depois, em suas esculturas. É a partir dessas correspondências que a exposição se estrutura, colocando em diálogo diferentes momentos de sua produção.

A série de desenhos foi iniciada quando o artista ainda era estudante da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia – UFBA. Neles, figuras híbridas que conjugam traços masculinos e femininos são atravessados por conflitos e marcas de sofrimento. “As deformações inscritas nessas figuras podem ser lidas como manifestações de uma violência simbólica produzida por estruturas políticas e sociais que incidem sobre determinados corpos, moldando suas formas de existência e subjetividades” afirma Alana Silveira no texto crítico da exposição.

As máscaras que aparecem nessas figuras remetem a referências culturais do Baixo Sul da Bahia, região onde o artista nasceu. Entre elas estão os Zambiapungas, manifestação popular afro-brasileira associada ao culto aos ancestrais e marcada pela presença de figuras mascaradas.

As esculturas também evocam símbolos e referências associados às cosmologias afro-brasileiras, incorporando formas mais curvas e materiais brilhantes, como o lamê, tecido muito utilizado em vestimentas do candomblé e fantasias carnavalescas afro-baianas. Em conjunto, revelam como imagens e símbolos recorrentes nos desenhos de Elias passam a habitar o espaço tridimensional, projetando repertórios herdados para novas formas de fabulação.

Até 10 de outubro.

Celebrando Nara Roesler

23/jun

A Nara Roesler Rio de Janeiro convida para a abertura da exposição “As formas do tempo”, com curadoria de Bernardo Mosqueira, no dia 25 de junho, às 18h. A mostra reúne pinturas, esculturas, vídeos, fotografias, instalações e obras site specific, com obras de 22 artistas, de múltiplas gerações e ligados ao território do Rio de Janeiro, em uma reflexão sobre a capacidade da arte de nos ensinar sobre o tempo. Esta é a terceira exposição da programação que celebra os 50 anos de atuação de Nara Roesler como galerista.

As mais de 30 obras da exposição refletem sobre diferentes formas do tempo, entre história, mito, memória, esquecimento, presença, movimento, transformação, construção, ruína, finitude, retorno, “espiralidade” e infinitude. “Os trabalhos convidam o público a experimentar temporalidades que escapam à lógica cronológica, emaranhando diferentes texturas e escalas temporais e sugerindo modos de estar no mundo que libertem nossa força vital da submissão à linearidade e às narrativas de progresso”, diz o curador.

Bernardo Mosqueira contou com a colaboração da curadora assistente Ana Clara Simões Lopes, afirma “sentir-se honrado em participar das celebrações em torno de Nara Roesler, cuja trajetória considera extraordinária e singular na história do sistema da arte no Brasil, tendo participado ativamente da consolidação da arte contemporânea brasileira ao longo dos últimos cinquenta anos”. 

“Não há como separar a história recente da arte brasileira da história da Nara”, destaca.

A mostra reúne obras de 17 artistas representados por Nara Roesler, nascidos no Rio de Janeiro ou que escolheram a cidade como lugar de morada e trabalho. Alguns nomes são Antonio Dias, Brígida Baltar, Carlito Carvalhosa, Daniel Senise, Elian Almeida, Raul Mourão, Marcos Chaves, Maria Klabin e Vik Muniz.

“As formas do tempo” apresenta também trabalhos de Hélio Oiticica (1937-1980, Rio de Janeiro), cujo legado foi representado pela galeria entre 2005 e 2019.

Até 22 de agosto.

Para descobrir Chico Baldini.

20/jun

Em breve retorno ao Rio Grande do Sul, Chico Baldini exibe suas múltiplas criações na Galeria Stockinger, Porto Alegre, RS.

Sobre o artista.

Chico Baldini nasceu em 1976 em Porto Alegre, RS, onde se graduou em publicidade pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Estudou desenho e pintura na Parsons School of Design em Nova Iorque e no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre. Empreendedor, foi cofundador da W3haus, que se tornou a maior agência digital independente do Brasil. Atuou por mais de duas décadas como ilustrador e diretor criativo, período em que liderou a W3haus. Paralelamente, manteve uma prática contínua de desenho em pequenos cadernos, desenvolvida entre deslocamentos, reuniões e viagens – gesto que se tornou central em sua pesquisa. Por conta das demandas da empresa, viveu em São Paulo por 11 anos. Após a venda da agência, sua paixão pelo mar o levou a Florianópolis, onde descobriu a natação em águas abertas e iniciou uma dedicação plena ao desenho e à natação, o que aproxima sua produção de uma dimensão corporal e rítmica. “A necessidade de calor e de uma vida cultural mais colorida me trouxe à Bahia”, conta, Hoje, Baldini vive em Salvador, onde nada e desenha diariamente, trazendo as relações entre mar e inconsciente para a sua pesquisa em desenho. Sua pesquisa em desenho é atravessada pelas relações entre mar, corpo e inconsciente. Participou de exposições individuais e coletivas em cidades como Porto Alegre, São Paulo e Salvador e integrou, em 2011, a publicação Illustration Now! Vol. 4.

No dia 22 de junho, às 15h, o artista desenha nas paredes da Galeria Stockinger e no dia 08 de julho, a partir das 16h, haverá um bate-papo com o artista, seguido de uma visita guiada. Imperdível!

 

A reabertura do museu Cérès Franco.

10/jun

Os Aventureiros do Alvo: 100 Artistas em Homenagem a Cérès Franco.

Les aventuriers de l’œil-de-bœuf: 100 artistes en Hommage à Cérès Franco.

Em exibição no La Coopérative-Musée Cérès Franco, 5 route d’Alzonne, 11170 Montolieu, França. A abertura será no sábado, 20 de junho, a partir das 11hs.

Esta exposição revisita os anos de 1962 a 1972, período em que Cérès Franco atuou intensamente como curadora, numa época em que a profissão ainda dava seus primeiros passos. Em apenas uma década, ela concebeu diversas exposições marcantes e afirmou uma visão aberta da arte, atenta à figuração, à cor e à emoção.

Duas exposições inaugurais.

Para celebrar a sua reabertura, o Museu Cooperativo Cérès Franco lança uma nova série de exposições dedicadas a duas vertentes da obra de Cérès Franco nas décadas de 1960 e 1970. O ano de 2026, centenário do seu nascimento e da reabertura do museu, Cérès Franco, curadora e poetisa, será descoberta através das seguintes exposições:

Corneille, Chaïbia, Cérès Franco: Poemas para o Mundo.

Uma exposição que explora, através de uma coleção de arquivos, manuscritos, textos inéditos e obras de arte, uma faceta pouco conhecida da vida de Cérès Franco (1926-2021). Conhecida como galerista e colecionadora, ela também foi poeta. Alguns de seus escritos foram redescobertos recentemente, incluindo a correspondência que manteve com os artistas Corneille (1922-2010) e Chaïbia (1929-2004), a quem apoiou e defendeu ao longo de sua carreira.

A obra de Portinari em Pequim.

03/jun

 

Uma das maiores exposições internacionais já dedicadas a Candido Portinari será apresentada em Pequim a partir de 08 de junho, marcando um novo capítulo na circulação global da arte brasileira. Com cerca de 60 obras, “O Brasil de Portinari” ocupa o Museu Nacional da China – o segundo museu mais visitado do mundo, localizado na Praça da Paz Celestial e com fluxo diário de cerca de 30 mil visitantes.

A escala do projeto impressiona: ao longo de quatro meses, a mostra ter´um público estimado em cerca de 4 milhões de pessoas, consolidando-se como uma das maiores plataformas de difusão internacional já dedicadas a um artista brasileiro.

Além do conjunto de obras, a exposição incorpora uma experiência digital imersiva de última geração, ampliando a leitura da produção de Portinari para além do formato expositivo tradicional e dialogando com o perfil de grandes instituições globais.

A abertura antecipada para o dia 08 de junho não é casual. No dia seguinte, o museu recebe o Fórum Global de Diretores de Museus, encontro que reúne lideranças de algumas das principais instituições do mundo. A mudança de data atende a um pedido da própria instituição chinesa, permitindo que esses diretores tenham acesso à exposição – um gesto que reforça o caráter estratégico da mostra.

Inserida no contexto do Ano da Cultura e do Turismo Brasil-China 2026, a iniciativa ultrapassa o campo artístico e se posiciona como instrumento de diplomacia cultural. Ao mobilizar um dos nomes mais reconhecidos da arte brasileira, o projeto constrói uma narrativa de identidade nacional voltada ao exterior, ao mesmo tempo em que fortalece laços institucionais entre os dois países.

Abstracionismos no MARGS.

01/jun

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS), apresenta a exposição “Além da forma – Abstracionismos no MARGS, anos 1940-1970”. Exibição sob curadoria de Francisco Dalcol, segue em exibição até 05 de julho. A mostra explora um dos mais fascinantes temas da história da arte do século 20, a abstração nas artes visuais, um período de inovações e rupturas radicais, de impacto definitivo para a produção artística.

A seleção contempla desde nomes notórios, como Alfredo Volpi, Fayga Ostrower, Iberê Camargo, Manabu Mabe e Yutaka Toyota, até artistas menos reconhecidos, além de mulheres pioneiras da abstração no Rio Grande do Sul, como Christina Balbão e Vera Chaves Barcellos.

O conjunto ainda inclui obras de artistas cuja produção se relaciona diretamente à arte abstrata (como Alfredo Volpi, Emanoel Araujo, Fayga Ostrower, Hércules Barsotti, Lothar Charoux, Luiz Barth, Nelson Ellwanger, Nelson Wiegert, Paulo Osório Flores e Rubens Costa Cabral), assim como de artistas que surpreendem por terem enveredado pela abstração (como Glauco Rodrigues), sem jamais terem defendido-a ou se assumido como não figurativos (como Carlos Scliar e Carlos Petrucci), ou ainda que chegaram a condená-la e atacá-la (como Danúbio Gonçalves). Também estão incluídas obras que, mesmo não sendo plenamente abstratas, permitem perceber a sua influência na experimentação formal e expressiva.

A obra singular de Niobe Xandó.

25/maio

A Galeria Frente, Cerqueira César, São Paulo, exibe até o dia 22 de agosto mostra retrospectiva de Niobe Xandó, na qual podem ser vistas cerca de setenta obras divididas em diveras técnicas como pinturas, desenhos, gravuras e objetos. 

Niobe Xandó

O inusitado

A relevância da obra de Niobe Xandó (1915 – 2010) sugere a realização de uma exposição abrangente pautada pelo inusitado de suas criações e pelo contraste entre suas diversas fases.

Nascida em Campos Novos no interior paulista, vivendo em São Paulo e no exterior, em ambiente culto e intelectualmente estimulante, Niobe desenvolveu, a partir dos anos 1940, uma carreira discreta e independente. Sempre fiel a seus desígnios íntimos, ela não aderiu a movimentos ou grupos, embora tenha usufruído da proximidade de colegas, críticos e teóricos da arte e de disciplinas afins.

Passar ao largo dos “ismos”, tão presentes em meados do século 20, possibilitou à artista dedicar-se a uma pintura singular, fruto da introspecção, do aprimoramento de técnicas e da livre inspiração. Esse isolamento voluntário surpreendeu a muitos. Entretanto, com o passar do tempo, sua obra, notadamente depois da retrospectiva na Pinacoteca do Estado de São Paulo em 2007, vem sendo cada vez mais reconhecida.

Isso porque poucos são os artistas que, à margem de escolas ou tendências, criam uma linguagem própria. E esse é o caso de Niobe Xandó, em especial no que se refere ao seu desenho caligráfico, às formas de inspiração arcaica com acentos ameríndios e africanos que desembocam no letrismo e no mecanicismo. Precursora na incorporação de elementos provenientes das culturas indígena e negra na arte contemporânea, mesmo em outras fases, seu trabalho nunca é banal. A começar pelas flores exóticas do início de sua pintura até o geometrismo lírico da década de 1980, sua obra nunca deixa de surpreender pelo inusitado dos temas e soluções plásticas que adota.

A mostra apresenta cerca de 70 obras entre pinturas, desenhos, serigrafias, objetos de diferentes fases e alguns documentos de época.

Curadora: Maria Alice Milliet

Até 22 de agosto.