Ocupação Ailton Krenak.

11/set

O Itaú Cultural, Avenida Paulista, São Paulo, SP, abriu a mostra Men am-ním Ailton Krenak, primeira da série Ocupação dedicada a uma pessoa indígena. Traduzido da língua Borum, do grupo lingüístico Macro-Jê, falada pelos Krenak, o conjunto de palavras que antecede o nome do homenageado significa “Ocupação”. Com esta, o Itaú Cultural soma 70 mostras da série, criada em 2009 para aproximar a obra de personalidades culturais e artísticas brasileiras das novas gerações. A exposição é dedicada ao escritor, ambientalista, pensador, poeta e uma das principais vozes representantes dos saberes e das causas indígena.

Trajetória pautada pela humanidade e a natureza, a espiritualidade e o futuro. Com voz potente e ativa, há mais de 40 anos Ailton Krenak atua para fortalecer a presença dos povos originários no país. O seu caminho, no Brasil e no exterior, inspira a compreender o mundo pela ótica indígena em ações que vão do icônico discurso que ele fez na Assembleia Constituinte, em 1987, com o rosto pintado com jenipapo, a reflexões registradas em livros, como Futuro ancestral.

Perfil

Nascido no povo Krenak de Minas Gerais, Ailton luta mundialmente pelos povos originários. Escritor, filósofo, poeta e conferencista, Ailton Krenak tem atuação reconhecida no Brasil  e no exterior em defesa dos direitos dos povos indígenas. Sua trajetória profissional e de ativismo reúne diferentes formações acadêmicas, farta produção literária, participações  em palestras e conferências, prêmios, condecorações e títulos.

Lidiane Krenak

Makiãm Ailton Krenak transmite saberes das nações indígenas  e mostra como elas cuidam e enxergam a vida. Com o título Rerré, Makiãm Krenak: a voz viva da terra, o texto escrito com exclusividade para o Itaú Cultural por Lidiane Damasceno Krenak, liderança indígena da etnia Krenak/Kaingang e cacica da Aldeia Vanuíre, em São Paulo, onde nasceu. Ele integra a publicação da Ocupação Ailton Krenak e fala sobre a origem e a luta de seu povo por um caminho no qual se encontra Ailton.

Até 23 de novembro.

Manobras Contemporâneas.

Antecipando as comemorações da a.thebaldigaleria, que faz 40 anos em 2026, exposição propõe diálogo entre as obras de Armarinhos Teixeira, Evandro Soares, Marcelo Solá e Rafael Vicente, sob curadoria de Vanda Klabin.

Com pesquisas artísticas completamente distintas e naturais de diferentes estados do Brasil, Armarinhos Teixeira, Evandro Soares, Marcelo Solá e Rafael Vicente estarão reunidos no dia 11 de setembro, quando inauguram a coletiva “Manobras Contemporâneas”, com curadoria de Vanda Klabin, na a.thebaldigaleria, Casa Shopping, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ.

O diálogo proposto entre seus trabalhos, no entanto, revela particular conexão através de uma sinuosidade contemporânea: cada artista introduz sua própria investigação, questionando o espaço e os materiais em suas produções. Seja através da pintura, escultura ou instalação, cerca de 40 obras revelam um tensionamento poético entre forma, matéria e conceito, convidando o espectador a refletir sobre as fronteiras da arte atual.

“A arte contemporânea protagoniza experiências que estabelecem o nervo das suas inquietações que ela apresenta no seu interior, com seus descompassos, atritos e ambiguidades. A exposição coletiva “Manobras Contemporâneas”, composta por quatro artistas em diálogo, fazem parte desse mapeamento poético. Seus trabalhos são direcionados para um universo de práticas artísticas multidirecionadas e interrogativas, na qual cada artista anuncia o seu embate entre o modo de ser e de fazer. Está presente um acidentado percurso entre as obras, dado que as fronteiras entre os diferenciados trabalhos se fluidificam, se entrelaçam e perdem as suas linhas demarcatórias, pois estão situadas num lugar intervalar, com suas infinitas modulações”, afirma a historiadora e curadora Vanda Klabin.

Sobre os artistas.

Armarinhos Teixeira vive e trabalha em São Paulo. Nos anos 1980, deu início às oficinas de arte no Centro Cultural São Paulo e, mais tarde, aprimorou-se nas oficinas de arte da USP-SP. Desde os anos 1990, estuda a morfologia dos elementos que estão entre a cidade, a mata e as áreas áridas. Numa via de expressão de intensidade, a construção de novos amparos que se espalham como uma miragem contemporânea. A partir daí, cria em extensão esculturas, instalações, desenhos e interrogativas em outras mídias apresentando Bioarte. Armarinhos Teixeira cria pontes entre a arte e a ciência. Ocupando o território da Bioarte, busca a incorporação de uma compreensão do mundo vivo, ambientalmente sustentável e potencialmente regenerativo. A integração de processos artísticos e naturais determina o conceito da Bioarte.

Evandro Soares nasceu no sertão de Piritiba (1975), no povoado Largo do Piritiba da região da Chapada Diamantina, na Bahia. Aos dois anos de idade, Evandro Soares se muda para o Morro do Chapéu com sua família e por lá conclui os seus estudos fundamentais, iniciando vida profissional como aprendiz de serralheiro. Aos dezenove anos, já habilidoso em seu ofício, vai para Goiânia, cidade que muito contribuiu para que se encontrasse como o artista que já era. Foi frequentando  exposições, conhecendo artistas da cidade e visitando museus e ateliês que evoluiu em seu processo de criação. Em 2012, é premiado na Bienal Naïfs do Brasil em Piracicaba, São Paulo, e no ano seguinte participa do Salão de Arte Contemporânea de Jundiaí, onde também é premiado. Este foi o começo de uma longa trajetória que o projetaria no circuito nacional e internacional de arte.

Marcelo Solá nasceu em Goiânia (1971), onde vive e trabalha. Possui sua obra orientada para a nova área limítrofe do desenho, um desenho-pintura, às vezes desenho-instalação, ou com a inserção de objetos, sempre como atividade ampliada, quase obsessiva, e que vem adquirindo características fora do gênero. Sua produção vem atraindo a atenção da crítica mais inteligente, e o artista possui obras em coleções públicas tais como do MAM – SP, MAR – RJ e Museu de Arte de Recife – PE.

Rafael Vicente nasceu em Niterói, Rio de Janeiro, RJ (1986). Realiza um trabalho artístico bastante influenciado pela paisagem urbana. Rafael Vicente faz uso notável das perspectivas e de uma paleta de cores que remete ao ambiente de grandes metrópoles.  Suas pinturas se iniciam em telas e se expandem pelas paredes, invadindo o espaço expositivo. É bacharel em Pintura pela Escola de Belas Artes da UFRJ, frequentou o curso de Análise e inserção na produção contemporânea com Iole de Freitas EAV,  Parque Lage, Rio de Janeiro. O artista também cumpriu residências em países como Paris (Pave D´Orsay pela Art San´s Lab), Espanha (Casa Brasil de Madri) e Moçambique, onde participou, em 2006, da Bienal Internacional realizada naquela capital, Maputo. E, em cada uma dessas mostras, sua produção teve a chancela dos mais importantes curadores do país. São nomes como os de Vanda Klabin, Fabiana de Moraes, Jorge Salomão e Marcus Lontra.

Vivian Caccuri lança livro e realiza exposição.

10/set

No sábado, 13 de setembro, a partir das 19h, Vivian Caccuri inaugura sua individual NOCETRA n’A Gentil Carioca, Centro, Rio de Janeiro. Na mesma ocasião, a artista lança o livro Criatura Som e seus Espectros (Act Editora).

A mostra, que ocupará os dois prédios da galeria, reúne um conjunto de obras inéditas e, segundo a curadora Marielsa Castro Vizcarra,”parte do desejo do artista de ir além da tendência de racionalizar cada gesto e desmantelar a falsa dicotomia entre corpo e mente, ou sentimento e pensamento. Por meio de paisagens sonoras imersivas, animações, sonogramas bordados, desenhos e esculturas, Caccuri retrata o momento fugidio em que a emoção exaltada dissolve a consciência – quando as fronteiras do eu se derretem em pura sensação e restauram um ritmo interior do tempo há muito perdido. Tais sons privados são amplificados e projetados no espaço, pareados com imagens de mulheres que se dissolvem em abstrações. Nocetra permeia o limite entre o público e o privado, e convida o público a ouvir e sentir junto.” A abertura celebra os 22 anos da Galeria com uma festa conduzida por PEKØ liveset (Vera Fischer Era Clubber), CRIS O. (Crizin da ZO, Equipe 7Rio) e Bia Marques. Na mesma ocasião, serão apresentados a Parede Gentil nº 44 (Área Indígena), de Xadalu Tupã Jekupé, e a Camisa Educação nº 92, de Ana Matheus Abbade. Para completar, teremos um bolo especial criado por Rose Afefé e Madah Sodré.

Nos últimos 15 anos, Vivian Caccuri vem desenvolvendo instalações, obras sonoras, performances, desenhos e bordados que investigam como o som pode desorientar a experiência cotidiana e inspirar novas formas de vida. Explorando a relação entre som e cultura, a prática artística de Caccuri busca destacar aspectos ativos, mas pouco reconhecidos, do som. Escreveu seu primeiro livro na Universidade de Princeton, “Music is What I Make”, publicado pela Bloomsbury NYC em “Making it Heard”, e pela editora 7 Letras como “O que faço é música”. Foi indicada para o Future Generation Art Prize e participou de exposições internacionais como a Bienal de São Paulo, a Bienal de Kochi, a Bienal de Veneza, o New Museum, o Museo Jumex e o Highline Art. Suas obras integram as coleções da Pinacoteca do Estado de São Paulo; Coleção Gilberto Chateaubriand MAM Rio; Instituto Inhotim, Brumadinho (MG); Pérez Art Museum Miami, EUA; ICA Miami, EUA, e Berggruen Collection, Berlim (Alemanha).

Arte moderna e contemporânea brasileira.

A Galatea participa da 15ª edição da feira ArtRio, que ocorre entre 10 e 14 de setembro, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, RJ. A galeria apresenta uma seleção de obras composta por nomes fundamentais da arte moderna e contemporânea brasileira, além de artistas que exerceram influência na cena nacional ou que por ela foram influenciados, abarcando desde jovens talentos emergentes a nomes consolidados.

ArtRio 2025, Galatea | Estande B7.

A robusta lista de artistas reúne Alfredo Volpi, Allan Weber, Angelo de Aquino, Arnaldo Ferrari, Arthur Palhano, Ascânio MMM, Bruno Novelli, Carolina Cordeiro, Dani Cavalier, Edival Ramosa, Estela Sokol, Francisco Galeno, Franz Weissmann, Gabriel Branco, Gabriela Melzer, Georgete Melhem, Ione Saldanha, Israel Pedrosa, Joaquim Tenreiro, Julio Le Parc, Luiz Zerbini, Marilia Kranz, Max Bill, Mira Schendel, Montez Magno, Mucki Botkay, Raymundo Colares, Rubem Ludolf, Sarah Morris, Ubi Bava e Ygor Landarin.

O conjunto propõe um diálogo entre a arte contemporânea e vertentes de destaque na arte do século XX, como a arte concreta, o construtivismo geométrico, a abstração informal, a arte têxtil e a chamada arte popular. A amplitude temporal abarcada pela seleção de artistas reflete e articula os pilares conceituais do programa da Galatea: ser um ponto de fomento e convergência entre culturas, temporalidades, estilos e gêneros distintos, gerando uma rica fricção entre o antigo e o novo, o canônico e o não-canônico, o erudito e o informal.

Qualquer forma é outra forma.

08/set

Apartamento 61 e Simões de Assis apresentam “Qualquer forma é outra forma”, exposição coletiva que ocupa a sede da casa-galeria, e reúne 23 artistas brasileiros de diferentes gerações em diálogo com 13 nomes fundamentais do design moderno e contemporâneo com a casa modernista construída por Victor Brecheret no final da década de 1930.

Com a colaboração de galerias, ateliês e estúdios, a mostra parte da ideia de que as categorizações polarizadas que surgiram ao longo da história da arte – como abstrato e figurativo, geométrico e gestual, simbólico e material – não dão conta de abarcar a complexidade da produção contemporânea, que desafia essas oposições.

Assim, apresentamos obras que exploram sistemas diversos de construção e expressão, misturando racionalidade cartesiana, geometria orgânica, gesto intuitivo, materialidade bruta e jogos de linguagem. Em conjunto, elas ativam a arquitetura da casa e seu mobiliário, criando novas relações de escala e vibração entre corpo, objeto e espaço.

Artistas participantes.

Alexandre Canonico  Alexandre da Cunha  Amelia Toledo  Ana Hortides  Anderson Borba  Aurelio Martinez Flores  Celina Zilberberg  Claudio Cretti  Daniel Acosta  Emanoel Araujo  Estúdio Rain  Giancarlo Palanti  Ione Saldanha  Jacque Faus  Janete Costa  João Trevisan  Joaquim Tenreiro  Jorge Zalszupin  Lenora de Barros  Lina Bo Bardi  Lucio Costa  Luiz Solano  Mano Penalva  Marcelo Pacheco  Marepe  Mari Ra  Marilá Dardot  Maximiliano Crovato  Mestre Didi  Nelson Leirner  Nino Cais Niobe Xandó  Paola Muller  Rodrigo Sassi  Sergio Rodrigues  Suanê.

A figura humana em evidência.

Recorte do acervo que reúne cerca de 1.500 peças, construído ao longo de 30 anos, pode ser visitado no Museu de Arte de Blumenau (MAB) na Sala Pedro Dantas. A mostra “A figura humana”, um recorte na Coleção Dalacorte, traz obras selecionadas pelo Instituto Dalacorte, sediado em Getúlio Vargas (RS). A seleção de peças apresentadas em primeira mão é a abertura da quarta temporada de exposições do ano. Em exibição obras de Henrique Fuhro, Roth, Magliani, Glauco Rodrigues, Marcelo Grasmann, Fernando Duval, Ruth Schneider, Saint Clair Cemin, Rubem Grillo, dentre outros.

A exposição propõe um olhar sobre a representação da figura humana ao longo da história da arte, evidenciando diferentes estilos, técnicas e épocas. Como ressalta o curador e dicionarista Renato Rosa, “…colecionar é um ato de preservação e generosidade, e trazer obras de coleções particulares ao espaço público é sempre motivo de celebração. O público terá a oportunidade de conhecer trabalhos que, antes guardados, agora dialogam com novos olhares”.

O Instituto Dalacorte é reconhecido por sua atuação na preservação e difusão da arte, abrigando um acervo de relevância nacional. Sua missão inclui promover o acesso e o diálogo entre artistas, obras e comunidade.

A exposição fica em cartaz até 26 de outubro.

Primeira individual na Austrália.

03/set

O escultor Leo Stockinger vai apresentar pela primeira vez sua exposição “Vísceras – Corpo e Existência”, em Sydney, na Austrália, país onde vive desde 2005. A mostra seráinaugurada no próximo dia 26 de setembro na Scratch Art Space (Sydenham Rd, Marrickville). As obras poderão ser visitadas até o dia 05 de outubro. O artista já participou de mostras coletivas em Brasília e Paraty, e esteve em cartaz no início do ano com sua primeira mostra individual no Brasil, durante a Bienal do Mercosul. Estudou escultura na National Art School de Sydney e, incorporou influências diversas à sua produção, que reflete uma vivência multicultural e a busca por novas formas de expressão, sem perder a conexão com a tradição da escultura: “Expandi minha visão sobre a arte, absorvendo referências que vão da tradição indígena australiana à arte asiática e ocidental contemporânea”.

“Vísceras – Corpo e Existência” ganhou vida quando Leo Stockinger  encontrou um material vermelho de aspecto molhado e surpreendente plasticidade – um adesivo que evocava a matéria viva da carne e das vísceras. “Busquei corpos fossilizados nos troncos de árvores mortas na praia. Eram vestígios do tempo, restos esquecidos que carregavam histórias em suas fibras secas”, revela.

Da fusão desses elementos nasceram corpos escultóricos únicos, onde madeira e adesivo se incorporam em diferentes formas e tamanhos, ressignificando a matéria e transformando-a em arte. Onde o espectador é convidado a sentir o que só a alma é capaz de enxergar: “A carne agora pulsa novamente – não mais inerte, mas víscera viva, reconfigurada pela arte”, complementa o artista. Há beleza e desconforto. Atração e repúdio. Tesão e medo. Instigados pela profunda estranheza das vísceras expostas e em constante busca de padrões pré-estabelecidos, o espectador impacta-se diante do que cada corpo deseja comunicar. Gestos, sensações e formas fundidas em matéria e dúvida. As esculturas de Leo Stockinger ultrapassam a beleza plástica e nos fazem perguntas. Sobre gênero, energia sexual, culpa, posse, raiva, vergonha, relações e desejo. Corpo e mente cúmplices em cada peça do artista e naqueles que são tocados pela sua criação. Carne, signo, desejo, símbolo.

Textos assinados pelo crítico de arte Jacob Klintowitz e pelo artista Tom Isaacs, de Sydney, refletem sobre a poética e o impacto do trabalho de Leo Stockinger.

Sobre o artista

crítico de arte Jacob Klintowitz e pelo artista Tom Isaacs, de Sydney, refletem sobre a poética e o impacto do trabalho de Leo Stockinger, em Sydney, Austrália. Nascido em Porto Alegre, RS, Brasil, em 1980, radicou-se na Austrália há duas décadas, onde vive e trabalha. Leo Syockinger cresceu literalmente no meio da arte. Sua herança começa na família, com seu avô, Francisco (Xico) Stockinger, reconhecido escultor, que exerceu uma influência fundamental em sua vida. Desde menino, frequentava o ateliê e, imerso naquele ambiente mágico, via formas surgindo do gesso, do barro, do metal e da madeira. Aprendeu os fundamentos da escultura e, ainda jovem, estudou também desenho com o pintor Danúbio Gonçalves, consolidando seu olhar sobre traços e sombras. Embora tenha iniciado sua trajetória acadêmica estudando Direito no Brasil, Leo Stockinger optou por seguir seu verdadeiro chamado, dedicando-se integralmente às artes. Sua formação na National Art School consolidou sua pesquisa escultórica, permitindo-lhe aprofundar a exploração da forma e da matéria. Em abril de 2025, trouxe para Porto Alegre-RS, Brasil, dentro do Projeto Portas Abertas – Fundação Bienal do Mercosul, a exposição “Vísceras-Corpo e Existência”, uma  realização da Galeria de Arte Stockinger.

Galatea na ArtRio 2025.

A Galatea participará da 15ª edição da feira ArtRio, que ocorre entre 10 e 14 de setembro, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. A galeria exibirá uma seleção de obras composta por nomes fundamentais da arte moderna e contemporânea brasileira, além de artistas que exerceram influência na cena nacional ou que por ela foram influenciados, abarcando desde jovens talentos emergentes a nomes consolidados.

A robusta lista de artistas reúne Alfredo Volpi, Allan Weber, Angelo de Aquino, Arnaldo Ferrari, Arthur Palhano, Ascânio MMM, Bruno Novelli, Carolina Cordeiro, Dani Cavalier, Edival Ramosa, Estela Sokol, Francisco Galeno, Franz Weissmann, Gabriel Branco, Gabriela Melzer, Georgete Melhem, Ione Saldanha, Israel Pedrosa, Joaquim Tenreiro, Julio Le Parc, Luiz Zerbini, Marilia Kranz, Max Bill, Mira Schendel, Montez Magno, Mucki Botkay, Raymundo Colares, Rubem Ludolf, Sarah Morris, Ubi Bava e Ygor Landarin.

O conjunto propõe um diálogo entre a arte contemporânea e vertentes de destaque na arte do século XX, como a arte concreta, o construtivismo geométrico, a abstração informal, a arte têxtil e a chamada arte popular. A amplitude temporal abarcada pela seleção de artistas reflete e articula os pilares conceituais do programa da Galatea: ser um ponto de fomento e convergência entre culturas, temporalidades, estilos e gêneros distintos, gerando uma rica fricção entre o antigo e o novo, o canônico e o não-canônico, o erudito e o informal.

As engrenagens de Gabriela Mureb.

02/set

 

A Central galeria, Higienópolis, São Paulo, SP, apresenta a partir de 02 de setembro a exibição individual de Gabriela Mureb, “Cavalo-vapor”. A exposição inaugura a nova sede da galeria, ocupando os dois andares do espaço com instalações, esculturas e um filme.

Artista em destaque na Trienal do New Museum em 2021 e na 13ª Bienal do Mercosul em 2023, Gabriela Mureb elabora, em sua obra, ruídos entre corpo, objetos técnicos e máquinas, em trabalhos que se apresentam ora como sobreposições de engrenagens, ora como sistemas em funcionamento.

A Arte Popular vista por Cesar Aché.

01/set

A exposição da Coleção de Arte Popular de Cesar Aché na Galeria Evandro Carneiro Arte, Gávea, Rio de Janeiro, RJ,  será exibida entre 09 de setembro e  06 de outubro.

Cesar Aché é um dos mais importantes colecionadores de Arte Popular do país. Começou a formar a sua coleção em 1975, quando adquiriu uma peça do artista Nino, em Fortaleza. Um ano depois, inaugurou a sua galeria em Ipanema, centro do mercado de arte naquele tempo. Era um espaço muito charmoso que inovou na decoração de interiores, com um chão de sisal natural e móveis desenhados por ele mesmo. Sua loja iniciou com a venda de gravuras – Cesar Aché sempre gostou de arte em papel – e em 1977 a arte popular foi incorporada ao acervo.

Ele viajava pelo Brasil todo, conhecendo e visitando artistas, escutando histórias locais e comprando obras… Muito rapidamente começou a separar as suas preferências, em meio às compras que fazia para a galeria. “Ao longo dos anos eu fui fazendo uma seleção do que eu mais gostava porque minha coleção nunca foi uma acumulação. Cada uma dessas foi comprada individualmente e por um motivo. Nada aqui veio aos lotes. Mesmo os Ex-votos eu comprei um a um.” (Cesar Aché, 2025).

Em entrevista oral à autora, em julho 2025, Cesar Aché rememorou a história de sua coleção e alguns dos trechos de nossa conversa seguem aqui destacados como citações diretas porque ele explica o processo muito melhor do que eu poderia retransmitir. Transformei as minhas perguntas em intertítulos, interconectando fluxos e temas. Cabe salientar que as peças que ele coleciona foram escolhidas com muito esmero e individualmente, conforme acima. São peças com 40 anos de trajetória e cujas histórias lhe foram passadas pelos próprios artistas. Esta é uma característica fundamental dos trechos que se seguem: as histórias que Cesar Aché conta, ele escutou da própria fonte oral de cada uma dessas tradições. São histórias regionais e populares contadas por meio da arte e expressas nessa exposição.

As obras expostas nesta mostra – concebida e curada por Cesar Aché para acontecer na Galeria Evandro Carneiro Arte, estão todas à venda. Como dito no início deste texto, a concepção de coleção dele nunca foi acumulativa. Primar pela qualidade sempre foi mais importante do que a quantidade. Assim, chegou um determinado momento em que Cesar resolveu passar adiante as suas peças, em conjunto com as histórias que delas emanam. Cada uma com sua peculiaridade e narrativa.

Laura Olivieri Carneiro.

Preservação cultural e usos da cor pelos artistas

“O meu olho sempre foi o da preservação. Eu tinha muito interesse no aspecto formal das obras: como é que esses artistas resolveram a espacialidade, os cortes e o uso das cores? Como a cor foi usada? Porque o uso da cor é diferente em cada um desses artistas. Todos do interior e naquela época em que eu tinha a loja, então, não havia internet nem nada, eles nunca viram nada de arte, nunca viram os fauvistas alemães. E veja, esse Nino aqui como o uso da cor é interessante! Há outros artistas que quase não usam a cor. A Noemiza usa exclusivamente a cor do barro e o branco. O Sr. Ulisses usa mais para realçar os detalhes. A cor no sr. Ulisses sublinha a escultura, mas não é um elemento essencial. É mais ou menos – fazendo um paralelo – como o uso da cor pelo Rubem Valentim em seus relevos, em que o Rubem faz um relevo e toda a silhueta é coberta de uma cor. O sr. Ulisses acentua os volumes com uma linha de cor. Já o Nino usa a cor para definir os planos de corte da obra.” (Cesar Aché, 2025).

Temas e ciclos: memória social e diversidade regional

“Naqueles anos, havia temas, cenas e tipos de criações que deixaram de existir, como os brinquedos populares. Esses brinquedos eram feitos por pessoas pobres para crianças pobres brincarem. Mas as coisas foram mudando no país e no mundo… Em uma viagem mais recente que fiz ao Ceará – que sempre foi um grande centro de Arte Popular e as coisas convergiam para Fortaleza para serem vendidas nos mercados e nas feirinhas das ruas e das praças – perguntei por brinquedos para um artista velhinho que me disse literalmente o seguinte: “Ah, meu senhor, eu sei muito bem o que o senhor está procurando. Já vendi muito brinquedo, mas hoje nem filho de pobre brinca mais com esse tipo de coisa. Filho de pobre quer brinquedo chinês.” O que ainda se acha hoje de brinquedo, são feitos para serem enfeites (como essa roda gigante cujas luzinhas piscam e o carrossel que vou botar na exposição).”

“Alguns artistas eu tenho mais que outros. A Noemiza por exemplo e o Vitalino faziam as obras a partir dos ciclos do casamento, do trabalho, das profissões, dos presépios… E como eu tinha muito acesso eu comprava.”

“Havia dois meninos, primos, que trabalhavam a tradição local: um fazia as lendas do folclore e o outro fazia peças com onças a partir das histórias que eles ouviam. Fábulas com tamanduás (Wanderley) e coisas assim. Eu gostava de recolher as obras porque as peças contam histórias. Tudo na minha coleção tem história e a maioria tem mais de 40 anos. E eu conservo bem, cuido. Aqueles panos bordados (Cesar vai mostrando as peças) estão guardados há 15 anos em um baú, embaladinhos em plásticos. Eu comprei de um comerciante de Minas Gerais. Essa Nena, uma Babel de barro, ela é discípula do João das Alagoas. João montou um ateliê coletivo, fez um forno e ensinou a vizinhança. Esse São Jorge é do Leonilson.”

“O Vitalino não fez escola, os filhos eram seus herdeiros, era uma guilda familiar. Zé Caboclo e Manuel Eudócio aprenderam com o Vitalino, mas não são discípulos dele, criavam com a sua própria característica.”

“Nhô Caboclo, por exemplo, não ensinou ninguém. Vivia na rua, abandonado, quase um indigente mas era um gênio.” (Cesar Aché, 2025).

Todos os trechos acima são partes de uma conversa oral com Cesar Aché em julho de 2025 e transcritas pela autora em agosto do mesmo ano para o folder da exposição de sua coleção na Galeria Evandro Carneiro Arte.