Amélia Toledo, Dobras da Memória

10/set

Uma das precursoras da arte interativa no Brasil, Amélia Toledo chega à Galeria Murilo Castro, Belo Horizonte, MG, com a exposição “Dobras da Memória”. Gratuita e inédita, a mostra integra a quarta edição do Circuito 10 Contemporâneo e fica aberta à visitação até o próximo dia 29 de setembro. São cerca de 25 obras icônicas, escolhidas por Marcus Lontra Costa – mesmo curador de “Lembrei que Esqueci”, exposição dedicada à trajetória da artista plástica paulistana, que ganhou dois grandes prêmios de crítica, no ano passado.

 
“Dobras da Memória” é um marco para a galeria Murilo Castro, que agora passa a representar Amélia Toledo (1926-2017) em Minas Gerais. “Estamos muito honrados em representar esta grande artista e fazer sua primeira exposição depois de ‘Lembrei que Esqueci’, eleita a melhor exposição de 2017 pela Associação Brasileira de Críticos de Arte”, afirma Murilo Castro. “Conheci a obra de Amélia quando ainda era colecionador, há mais de 30 anos. Agora, depois de mais de um ano de negociações, chegamos a esse formato. Faremos não só essa mostra, mas também garantiremos uma presença mais significativa da artista na ArtRio 2018”, completa o galerista.

 

De acordo com Marcus Lontra Costra, a arte de Amélia Toledo buscava a criação coletiva e a aproximação com as pessoas  – características que resultaram em trabalhos como as “Esferas de Resina”, as “Marcianitas” e as “Esferas Hápticas”. “São experiências, na maioria das vezes, lúdicas e despojadas de critérios e dos materiais eruditos, que poderiam vir a engessar suas sinceras e afetuosas empreitadas abstratas. Objetos lúdicos à espera do toque, do abraço e do envolvimento, cheios de poesia e sedução”, afirma o curador.

 

Ganham destaque na mostra as esculturas “Dragões Cantores” (2007) – concebidas com pedras em estado bruto e esculpidas pelo impacto causado pelas ondas do mar sobre um pilar de concreto bruto –-e “Impulsos” (1999-2017), composto por pedras parcialmente polidas, como quartzo, ametista e calcita. Amélia tem uma presença muito importante na arte brasileira e na arte interativa em particular, porque sempre foi muito altiva nesse sentido. Suas obras são como se estivessem saindo dela mesmo, ela não criava se preocupando com o mercado”, sublinha Murilo Castro.

 

4º Circuito 10 Contemporâneo

 

Unir forças para formar novos públicos, fomentar e renovar o mercado da arte em Belo Horizonte. Esses são alguns dos objetivos do 10 Contemporâneo, projeto pioneiro que reúne, desde 2016, algumas das principais galerias de arte da capital mineira. Juntas, as galerias vêm promovendo uma série de ações colaborativas e populares – sendo a principal delas o Circuito 10 Contemporâneo, cuja quarta edição teve início no último dia 1º e segue até 29/9, simultaneamente em nove galerias.

 

Nesta edição, além da Galeria Murilo Castro, participam AM Galeria, Beatriz Abi-Ackl, Celma Albuquerque, Lemos de Sá, Manoel Macedo, Orlando Lemos, Periscópio e Studio Cícero Mafra. Cada galeria realiza uma exposição inédita, com obras de artistas locais e nacionais, de diferentes gerações e linguagens, que vão de pinturas a esculturas, passando por desenhos, colagens, bordados e fotografias.

 

 

Sobre a Galeria Murilo Castro

 

A Murilo Castro é uma galeria de arte contemporânea inaugurada em 2002 na capital mineira. Por meio de exposições e representação de artistas, a galeria destaca artistas estabelecidos, em meio de carreira e talentos emergentes que atuam local e internacionalmente. Além do programa de exposições, e participação feiras de arte nacionais e internacionais, a Galeria Murilo Castro realiza uma série de palestras que conectam a comunidade, profissionais de arte e artistas para gerar respostas às questões sociais e culturais, desenvolvendo uma relação mais próxima entre os artistas e público interessado em aprender e colecionar arte contemporânea.

A Caixa Preta na FIC

15/ago

Entre os dias 18 de agosto a 14 de outubro, a Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, apresenta a exposição “Caixa Preta”. Com curadoria de Bernardo José de Souza, Eduardo Sterzi, Fernanda Brenner e Verônica Stigger, a coletiva traz obras de 40 artistas – entre fotógrafos, poetas, arquitetos, cineastas e artistas visuais – como Augusto de Campos, Júlio Plaza, Carlos Fajardo, Eliseu Visconti, Chelpa Ferro, Iberê Camargo, Manabu Mabe, Mauro Restiffe, Nuno Ramos, Oscar Niemayer e Waltercio Caldas. Usando como metáfora a caixa-preta dos aviões – que registram importantes informações que antecedem um momento crítico, ao mesmo tempo em que guardam outras informações banais -, a exposição reflete sobre a relação entre arte e mundo, entre algumas obras de arte e o atual momento político do país e do mundo, mas também entre essas obras e o sistema das artes. Dessa forma, a exposição reúne “caixas-pretas” muito singulares, a serem localizadas, abertas, interpretadas e reinterpretadas. Os curadores pesquisaram e investigaram diversas coleções e acervos, públicos, privados e pessoais, na busca por elementos sem visibilidade, de interesse relativo ou simplesmente esquecidos, no intuito de aprofundar questões presentes nas muitas “caixas-pretas” com as quais convivemos, sejam elas de teor histórico, acadêmico ou artístico.

 

A exposição vai contar com uma série de atividades paralelas, como Seminário Sobre acidentes e caixas pretas do passado, do presente e do futuro, em que em que historiadores, engenheiros, filósofos e outros especialistas analisam as relações entre arte, política, ciência e história.

 

 

Artistas

 

Alfi Vivern | Augusto de Campos e Julio Plaza | Caio Fernando Abreu | Carlos Augusto Lima | Carlos Fajardo | Carlos Zilio | Chelpa Ferro | Daniel Jacoby | Dirnei Prates | Eliseu Visconti | Fabiana Faleiros | Fernando Corona | Eva e Franco Mattes | Frederico Filippi | Gabriela Greeb e Mario Ramiro | Gilberto Perin | Guilherme Peters e Roberto Winter | Iberê Camargo | Jac Leirner | Jeronimus Van Diest | Jordi Burch | José Marchand Assumpção | Kevin Simón Mancera | Letícia Lopes | Manabu Mabe | Marília Garcia | Mauro Restiffe | Nuno Ramos | Oscar Niemeyer | Pedro Motta | Pedro Victor Brandão | Rafael Borges Amaral | Regina Parra | Rodrigo Matheus | Runo Lagomarsino | Telmo Lanes e Rogério Nazari | Waltercio Caldas | Wilfredo Prieto.

 

 

Curadores: Bernardo José de Souza, Eduardo Sterzi, Fernanda Brenner e Veronica Stigger.

 

 

Sobre Iberê Camargo

 

Restinga Seca, 1914 – Porto Alegre, 1994 – Iberê Camargo é um dos grandes nomes da arte brasileira do século 20. Autor de uma extensa obra, que inclui pinturas, desenhos, guaches e gravuras, Iberê nunca se filiou a correntes ou movimentos, mas exerceu forte liderança no meio artístico e intelectual brasileiro. Dentre as diferentes facetas de sua vasta produção, o artista desenvolveu as conhecidas séries “Carretéis”, “Ciclistas” e “As Idiotas”, que marcaram sua trajetória. Grande parte de sua produção, estimada em mais de sete mil obras, compõe hoje o acervo da Fundação Iberê Camargo.

Valeska Soares na Pinacoteca

07/ago

A Pinacoteca de São Paulo, Luz, São Paulo, SP, museu da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, apresenta, até 22 de outubro, a exposição “Valeska Soares: Entrementes”. Com curadoria de Júlia Rebouças, a mostra ocupa o quarto andar e o espaço de entrada da Pina Estação e expõe uma seleção de 3o anos de produção da mineira, desde o final dos anos 1980, trazendo como temas principais o sujeito e o corpo, a memória e os afetos, e as relações entre espaço, tempo e linguagem.

 

Nascida em Belo Horizonte, em 1957, e radicada em Nova York desde o início da década de 1990, Soares tem a escultura como primeira linguagem e pertence a um grupo internacional de artistas que expandiu as possibilidades da instalação na arte, engajando subjetivamente o espectador. Suas obras, geralmente, recorrem a narrativas ficcionais da literatura para tecer experiências de intimidade e desejo que ultrapassam o campo individual e alcançam a sensibilidade coletiva.

 

Através de materiais evocativos, a artista explora a tensão criada pelas oposições. Suas esculturas e instalações frequentemente apresentam materiais reflexivos, como aço inoxidável e espelhos, em contraste com substâncias orgânicas e sensoriais, como flores, com intuito de ampliar a experiência do visitante no espaço. Neste sentido, Soares se utiliza de diversas técnicas sensoriais, incluindo o som para criar atmosferas e vivências que são tanto convidativas quanto perturbadoras.

 

Para a exposição na Pinacoteca, a curadora selecionou um conjunto de 40 obras provenientes do acervo do museu, de coleções particulares e da própria artista, sendo que algumas dessas últimas são inéditas no Brasil. São pinturas, colagens, objetos, instalações e esculturas que, como o título sugere, apresentam zonas intermediárias de contato: intersecções entre o indivíduo e a sociedade, entre o encoberto/misterioso e o explícito, passado e futuro, etc. “A mostra explora também obras que lançam mão da ideia de coletividade, seja pelo recurso da coleção, explorado em diversos trabalhos por Soares, seja pela constituição de uma experiência compartilhada, como em Epílogo (2016) ou Vagalume(2007)”, define a curadora.

 

“Valeska Soares: Entrementes” trata, de modo geral, de tudo daquilo que, mesmo sendo matéria de foro íntimo, pode ser vivido em comunhão. “Neste sentido, Detour(2002) – inspirado no conto As cidades e o desejo, do escritor italiano Ítalo Calvino – é um trabalho central, pois parte da ideia de um mesmo sonho que é sonhado e narrado por diferentes pessoas”, conta Rebouças. No conto, os sonhadores, na esperança de encontrar o objeto de seu desejo- — uma mulher que corre desnuda — acabam por criar uma cidade que replica os caminhos onde a perderam. A partir da história, Soares constrói um ambiente que, embora confinado, sugere infinitas saídas pelo resultado de espelhamentos.

 

A artista ainda incorpora qualidades arquitetônicas à sua prática, herança da formação acadêmica neste campo. Nesta perspectiva, ela agrega a ideia de ponto de fuga como eixo central e toma o espaço não apenas como ente físico e ilusório, mas um lugar que possibilita ao visitante perceber-se em relação a ele. “A artista não afasta seus trabalhos do público. As obras dão-se a ver, deixam pistas sobre o processo de sua elaboração, estão evidentes em sua constituição material, abrem-se para o jogo do engajamento sensível e da participação”, diz Rebouças.

 

“Parte da força de sua poética está naquilo que evapora, escorre, esmaece, murcha, silencia, rescinde, derrete, quebra”, complementa a curadora. A instalação “Untitled” (From Vanishing Points), de 1998, pertencente ao acervo da Pinacoteca, é um exemplo disso. Nesta, a artista reproduz um conjunto de vasos de plantas tal como estavam dispostos em seu jardim. Replicados em cera, porcelana e alumínio, marcam a ausência da vida como força orgânica, ao passo que são indícios de um outro tempo ou existência que escapa à tentativa de contenção. Replicam assim a estrutura da memória, uma vez que só é possível lembrar a partir do presente, e é da experiência do agora que se preenchem as lacunas do passado.

 

A mostra de Valeska Soares integra a série de retrospectivas de artistas que iniciaram suas carreiras a partir dos anos 1980, apresentadas sempre no 4º andar da Pina Estação.

 

 

Sobre a artista

 

Valeska Soares nasceu em Belo Horizonte/MG, em 1957, e vive e trabalha em Nova York/EUA. É bacharel em Arquitetura pela Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro, e pós-graduada em História da Arte e da Arquitetura pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), também no Rio de Janeiro. Após mudar-se para Nova York, em 1992, realizou MFA (Master of Fine Arts) no Pratt Institute, no Brooklyn e, em seguida, começou a frequentar a New York University, School of Education onde se candidata a Doctor of Arts. Sua primeira mostra individual em um museu aconteceu no Portland Institute for Contemporary Art, EUA, em 1998, e sua primeira retrospectiva foi apresentada no Museu de Arte da Pampulha/MG, em 2002. No ano seguinte, uma grande mostra dedicada à sua prática ocorreu no Bronx Museum for the Arts, Nova York/EUA. Soares produziu instalações site-specificpara diversos espaços, incluindo o inSite, em San Diego-Tijuana/EUA (2000); o Museo Tamayo, na Cidade do México (2003) e o Instituto Inhotim, em Brumadinho/MG (2008). Foi uma das indicadas, em 2001, ao Millenium Prize, oferecido pela National Gallery of Canada Foundation. Também participou de diversas bienais, incluindo a de São Paulo (1994, 1998 e 2009); de Veneza/Itália (2005); e a Sharjah Biennial, nos Emirados Árabes (2009).

 

 

Sobre a curadora

 
Júlia Rebouças nasceu em Aracaju/SE, em 1984, e vive entre Belo Horizonte e São Paulo. É curadora, pesquisadora e crítica de arte. Foi cocuradora da 32ª Bienal de São Paulo, Incerteza Viva(2016). De 2007 a 2015, trabalhou no departamento curatorial do Instituto Inhotim/MG. Colaborou com a Associação Cultural Videobrasil, integrando a comissão curadora dos 18º e 19º Festivais Internacionais de Arte Contemporânea SESC Videobrasil, em São Paulo. Foi curadora adjunta da 9ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre (Se o clima for favorável), em 2013. Realizou diversos projetos curatoriais independentes, dentre os quais destacam-se a exposição MitoMotim, no Galpão VB, em São Paulo, de abril a julho de 2018, e Zona de Instabilidade, com obras da artista Lais Myrrha, na Caixa Cultural Sé, em São Paulo, em 2013, e na Caixa Cultural Brasília, em 2014. Integrou o corpo de jurados do concurso que selecionou o projeto arquitetônico e curatorial do Pavilhão do Brasil na Expo Milano 2015, realizado em janeiro de 2014, em Brasília. Desenvolve projetos editoriais e escreve textos para catálogos de exposições, livros de artista e colabora com revistas de arte. Graduou-se em Comunicação Social/ Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco (2006). É mestre e doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade Federal de Minas Gerais (2017).

 

 

 

Catálogo

 
“Valeska Soares: Entrementes”será complementada com um catálogo que reúne textos de Júlia Rebouças e das curadoras Maria do Carmo Pontes, Melissa Rocha e Isabella Rjeille. Também inclui imagens da exposição e de outras obras, além de uma adaptação da obra “Disclaimer”, especialmente para a publicação.

 

 

Múltiplos da artista

 

Valeska Soares participa do Projeto de Múltiplos, criado pela Pinacoteca, com o objetivo de angariar recursos para a instituição. Para este, a artista concebeu uma tiragem de 20 impressões de 5 gravuras, que misturam processos digitais e de serigrafia a partir de uma nova interpretação da obra Doubleface, de 2017, na qual ela se apropria de retratos pintados a óleo por outros artistas e intervém sobre eles. Para o Múltiplo desenvolvido especialmente para a Pinacoteca, o ponto de partida foram cinco retratos de mulheres pertencentes ao acervo do museu. Os trabalhos podem ser adquiridos de forma avulsa ou em conjunto. Doubleface – 5 trabalhos de 54,4cm x 42 cm
Ed. 20 + 2 P.A. (cada).

Lauren Shapiro em São Paulo

01/ago

A Galeria VilaNova, Vila Nova Conceição, São Paulo, SP, inaugura “Fragile Terrains”, da artista visual norte-americana Lauren Shapiro, sob curadoria de Sebastiano Varoli. Em parceria inédita com a Art Bastion Gallery, sediada em Miami, Flórida, USA, a individual apresenta quinze esculturas, uma instalação e uma projeção, as quais fazem referência à relação insustentável da sociedade com o ecossistema, revelando estruturas vivas encontradas pela artista na natureza – cuidadosamente coletadas por meio de moldes, em florestas e rios -, que emergem do solo e interagem com elementos arquitetônicos da paisagem urbana.

 

O trabalho de Lauren Shapiro busca inspiração nos fenômenos climáticos, nas conexões entre sistemas ecológicos e nas geometrias ocultas na natureza, além da influência humana nestes ambientes. Residente em Miami, é fascinada pela interconexão dos sistemas aquáticos do planeta e ciente de como o avanço do nível do mar em inúmeras regiões costeiras tem relação com o derretimento de geleiras, em razão do aquecimento global.

 

Em um site-specific, Lauren Shapiro visitou florestas e rios, de onde coletou formas – com uso de moldes de silicone – de objetos naturais. A partir desses protótipos, a artista cria as partes que compõem suas esculturas em argila, empilhando-as uma acima ou ao lado da outra, o que resulta em um trabalho frágil e de natureza transitória – sendo as eventuais alterações físicas de sua obra registradas em fotografia e vídeo. Sobre esta estrutura, ainda são inseridos origames em papel dobrado. Desta forma, suas peças fazem referência às questões de fragmentação florestal, erosão e da insustentabilidade na maneira como o homem se relaciona com o meio-ambiente.

 

 

De 07 de agosto a 08 de setembro.

Iole de Freitas na Silvia Cintra + Box 4

26/jul

Inaugura dia 09 de agosto a nova individual da artista Iole de Freitas na Silvia Cintra + Box 4, Gávea, Rio de Janeiro, RJ. O título da mostra é “Papel de aço”. Em exibição nove esculturas brancas, de pequeno e médio porte, que ocuparão  o espaço da galeria da mesma forma como ficaram no atelier da artista – apoiadas em compensados de madeira simples – durante todo o processo de pesquisa.

 

Esta nova série é um desdobramento da exposição “O peso de cada um”, realizada em maio no MAM do Rio de Janeiro, quando a artista deixa o emprego das chapas de poliuretano com que vinha trabalhando há anos e se concentrou apenas no aço inox. O desafio da mostra na galeria foi o de realizar esculturas em uma escala bem menor do que as que foram exibidas no museu, e propor uma nova relação com elas. Agora a obra não mais se relaciona com o espaço e com a arquitetura e sim com o próprio corpo da obra.

 

O começo dessa pesquisa foi feito com papéis vulgares, cartolinas, que Iole recortava e dobrava explorando as possibilidades do côncavo e do convexo. O passo seguinte foi transpor esse resultado para o alumínio, que já é um material mais grosso e pesado e posteriormente, já na calandra, reproduzir isso no aço, o material final da obra.

 

Mas ainda faltava um elemento, a cor, que apareceu da necessidade da artista em trazer luminosidade e transparência para as esculturas. Com inúmeras camadas de pintura branca e lixa, Iole consegue reproduzir nas peças a luz, a sombra e a rugosidade do papel.

 

Faz parte da mostra ainda um vídeo no qual o espectador terá a oportunidade de ver a própria artista falando sobre seu processo criativo.

 

 

Até 15 de setembro.

Emmathomas: inéditos de Mundano

20/jul

Em “Vozes Mundanas”, o artista apresenta cerca de 40 trabalhos entre telas, esculturas e obras interativas que refletem problemas sociais, políticos e ambientais da atualidade. Um muro que separa o mundo real de um fictício. De um lado, a tinta cinza em alusão às vozes e cores caladas nas ruas de São Paulo. Do outro, telas, esculturas, objetos e instalações de cores vívidas e pulsantes, ruídos que fazem referência a uma série de problemáticas da atualidade: dos impactos ocasionados pela crise de água à questão dos refugiados em diversos pontos do globo. É esse o tom de “Vozes Mundanas”, exposição inédita do artista Mundano curada por Ricardo Resende, que será apresentada na Emmathomas Galeria, Jardim Paulista, São Paulo, SP.

 

À frente do espaço, uma escultura de dois metros, construída com extintores e botijão de gás. É ela que recebe o público, prestes a cruzar o Muro Social, obra de grandes proporções que delimita a mostra. “É o muro separatista, Muro de Berlim, do Donald Trump, dos refugiados, do condomínio: uma separação entre realidades distintas” pontua Mundano, que se define artivista, termo que condensa a ideia de arte como recurso de revolução social.

 

Se de um lado a cidade mostra-se como um ambiente frio, quase asséptico, do outro, o caos insere o visitante em um universo lúdico, suscitando uma série de questionamentos. Por meio dos cerca de 40 trabalhos que compõem a exposição, Mundano propõe uma pausa para conscientização e convida o público para a resistir em prol da preservação ambiental e por causas ligadas aos direitos humanos.

 

“O grande desafio dessa mostra é manter ou permanecer com as veias de artivista, integradas e ativadas no espaço comercial de arte. Ver um artista ainda disposto a manifestar-se, a preocupar-se com o outro e com o coletivo nas paredes de uma galeria, é, de fato, um alento quando se observa o mundo em que prevalece o individualismo, a banalidade e a competição nas relações humanas”, declara o curador Ricardo Resende.

 

O corpo da obra de Mundano surge de peças e instrumentos de reuso que ele mesmo encontra nas ruas ou daquilo que os catadores de materiais recicláveis oferecem a ele. Dessa busca, o reaproveitamento de insumos como livros que datam 100 anos ou mesmo revistas descartadas que, nas mãos do artista, se transformaram em colagens que tratam do desperdício.

 

Figura quase onipresente na exposição, o megafone, recurso bastante comum às manifestações sociais, é representado em diversas obras, ora ampliando a voz das mulheres, ora salvando dezenas de refugiados à deriva. O objeto aparece também em Panelofone, obra que faz referência aos panelaços, tão presentes em manifestações não só no Brasil e que atualmente caiu em desuso.

 

Para ressoar a voz de um dos maiores desastres ambientais do Brasil, em Mariana, MG, no ano de 2016, Mundano utilizou em grande parte de suas obras a lama tóxica coletada às margens do Rio Doce – o pigmento terroso contrasta com a paleta de cores marcantes característica do artista. O uso do resíduo como matéria-prima alerta para as consequências reais, sentidas ainda hoje pelos moradores da região.

 

O cacto, planta característica em sua produção, personifica o povo brasileiro, acostumado a resistir às adversidades mesmo com poucos recursos. Construídos a partir de extintores e torneiras, buscam chamar atenção para crise hídrica que volta a atingir níveis alarmantes em São Paulo e por todo o país.

 

O espaço expositivo será ainda ocupado por uma série de sons e vozes que reforçam o tom de protesto que permeia a mostra. Os áudios que vão ecoar em meio as obras são dos mais diversos momentos da história, da ditadura militar às recentes manifestações dos caminhoneiros. A trilha também abrange manifestações indígenas, marchas religiosas, de estudantes e professores em luta por seus direitos – todas essas vozes serão amplificadas durante a exposição. ”São palavras de ordem, gritos de vozes mundanas”, pontua.

 

 

 

De 24 de julho a 25 de agosto.

Coletiva na Sancovsky

17/jul

A Galeria Sancovsky, Jardim Paulistano, São Paulo, SP, convida para a abertura de “A Imensa Preguiça”, exposição coletiva com curadoria de Guilherme Teixeira. A partir do dia 19 de julho, a Galeria Sancovsky apresenta a exposição “A Imensa Preguiça”, mostra coletiva que busca explorar as relações de dissolução da forma e da ideia de derretimento a partir da ressignificação e destruição de objetos comuns e cotidianos no trabalho de dez artistas. Colocando em diálogo diversas linguagens como vídeo, escultura, pintura e instalações, a exposição se propõe à criação de um espaço de alucinação infinita, onde a prática e o objeto se tensionam na busca do movimento entre dissolução e reiteração de um utilitarismo cotidiano, o ready-made, o ócio e o gesto.

 

Participam os artistas André Barion, Andre Bontorim, Beatriz Ruco, Eleni Bagaki, Gabriella Garcia, Ignacio Gatica, Pedro Caetano, Renato Castanhari, Ricardo Carioba e Sergio Pinzón

 

 

De 19 de julho a 18 de agosto

ArtRio : galerias selecionadas

12/jul

A ArtRio chega a sua oitava edição e reforça, entre suas principais metas, a valorização da arte brasileira. O comitê de seleção já definiu as galerias que participarão dos programas PANORAMA e VISTA. A feira acontece entre os dias 26 e 30 de setembro, na Marina da Glória.

 

As galerias e artistas participantes dos programas SOLO, MIRA, BRASIL CONTEMPORÂNEO, PALAVRA e IDA serão definidos pelos curadores.

 

Em 2018, a feira de arte irá focar na qualidade, inovação e apresentação de novos nomes para possibilitar ao público uma experiência enriquecedora e diferenciada de visitação, possibilitando, também, uma ampliação do colecionismo.

 

“Temos muito orgulho do espaço conquistado pela ArtRio frente ao cenário mundial da arte. Entre nossas prioridades está reforçar a arte brasileira neste mercado, tanto com o reconhecimento aos grandes nomes de nossa história como também com a apresentação de nova geração de artistas. Temos hoje no Brasil um mercado amadurecido, em total sintonia com as melhores práticas e regras éticas da cadeia global. Nossos artistas são destaques de grandes mostras em países europeus e nos Estados Unidos, e estão presentes em algumas das mais importantes coleções privadas e acervos de museus e instituições. Assim como em outros anos, vamos receber na ArtRio grupos de colecionadores e curadores brasileiros e internacionais”, reforça Brenda Valansi, presidente da ArtRio.

 

O comitê de seleção de 2018 é formado pelos galeristas Alexandre Gabriel (Fortes D’Aloia & Gabriel/ SP e RJ); Anita Schwartz (Anita Schwartz Galeria de Arte / RJ); Elsa Ravazzolo (A Gentil Carioca / RJ); Eduardo Brandão (Galeria Vermelho / SP) e Max Perlingeiro (Pinakotheke / RJ, SP e FOR).

 

A ArtRio é apresentada pelo Bradesco, pelo sétimo ano consecutivo, através da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura. O evento tem patrocínio de Stella Artois, apoio do site hoteis.come apoio institucional da Valid, Bondinho Pão de Açúcar, Bacardi e Estácio. A rede Windsor será a rede de hotel oficial do evento.

 

A feira de arte faz parte do calendário oficial de eventos da cidade do Rio de Janeiro.

 

Programas

 

  • PANORAMA

 

Participam galerias com atuação estabelecida no mercado de arte moderna e contemporânea.

 

  • VISTA

 

Programa dedicado às galerias jovens, com até 10 anos de existência, contando com projetos expositivos desenvolvidos exclusivamente para a feira.

 

Galerias participantes da ArtRio 2018

 

PANORAMA

 

  • A Gentil Carioca – Rio de Janeiro
  • Almeida & Dale Galeria de Arte – São Paulo
  • Anita Schwartz Galeria de Arte – Rio de Janeiro
  • Athena Contemporânea – Rio de Janeiro
  • Athena Galeria de Arte – Rio de Janeiro
  • Bergamin & Gomide – São Paulo
  • Carbono Galeria – São Paulo
  • Casa Triângulo – São Paulo
  • Cassia Bomeny Galeria – Rio de Janeiro
  • Celma Albuquerque – Belo Horizonte
  • Emmathomas Galeria – São Paulo
  • Fólio – São Paulo
  • Fortes D´Aloia & Gabriel – São Paulo / Rio de Janeiro
  • Galeria de Arte Ipanema – Rio de Janeiro
  • Galeria Estação – São Paulo
  • Galeria Inox – Rio de Janeiro
  • Galeria Karla Osorio – Brasília
  • Galeria Marilia Razuk – São Paulo
  • Galeria Millan – São Paulo
  • Galeria Murilo Castro – Belo Horizonte
  • Galeria Nara Roesler – São Paulo / Rio de Janeiro / Nova York
  • Galeria Ralph Camargo – São Paulo
  • Galeria Superfície – São Paulo
  • Gustavo Rebello Arte – Rio de Janeiro
  • Hilda Araujo Escritório de Arte – São Paulo
  • Luciana Caravello Arte Contemporânea – Rio de Janeiro
  • Lurixs– Rio de Janeiro
  • Marcia Barrozo do Amaral Galeria de Arte – Rio de Janeiro
  • Matias Brotas Arte Contemporânea – Vitória
  • Mercedes Viegas Arte Contemporânea – Rio de Janeiro
  • Movimento Arte Contemporânea – Rio de Janeiro
  • Mul.ti.plo Espaço Arte – Rio de Janeiro
  • Paulo Kuczynski Escritório de Arte – São Paulo
  • Pinakotheke – Rio de Janeiro / São Paulo / Fortaleza
  • Portas Vilaseca Galeria – Rio de Janeiro
  • Roberto Alban Galeria – Salvador
  • Ronie Mesquita Galeria – Rio de Janeiro
  • Silvia Cintra + Box 4 – Rio de Janeiro
  • SIM Galeria – Curitiba
  • Simões de Assis Galeria de Arte – Curitiba
  • Vermelho – São Paulo
  • Zipper Galeria – São Paulo

 

VISTA

 

  • Boiler Galeria – Curitiba
  • Cavalo – Rio de Janeiro
  • Central Galeria – São Paulo – ESTREIA
  • C. Galeria – Rio de Janeiro
  • Espace L & Coleção Finkelstein – Genebra (Suíça)
  • Gaby Indio da Costa Arte Contemporânea – Rio de Janeiro
  • Janaína Torres Galeria – São Paulo – ESTREIA
  • Martha Pagy Escritório de Arte – Rio de Janeiro
  • Sé Galeria – São Paulo – ESTREIA

 

 

A editora Taschen terá um estande com seus principais títulos.

 

Curadoria

 

A ArtRio 2018 terá em sua programação os seguintes programas curados:

 

MIRA – indo para sua segunda edição em 2018, o programa cresce e, além do vídeo, incorpora também a música. As obras serão projetadas em um grande telão ao ar livre. O curador David Gryn faz sua estreia na ArtRio. Gryn é curador do programa de vídeo da Art Basel Miami Beach. A música ao vivo terá a assinatura do DJ inglês Max Reinhardt, músico, locutor e apresentador do Late Junction na BBC Radio 3.

 

BRASIL CONTEMPORÂNEO – primeira edição esse ano, terá curadoria de Bernardo Mosqueira e será dedicado a galerias e/ou artistas fora do eixo Rio de Janeiro – São Paulo. A criação deste novo programa possibilitará um destaque para uma visão mais ampla da produção artística nacional.

 

IDA – dedicado ao design, ganha novo formato em 2018 com a curadoria de Renato Tomasi. Com a participação de designers, galerias e estúdios, o programa estará mais integrado à feira e pretende mostrar a diversidade da produção brasileira tanto pela ótica da criação e produção como também pela variedade de matérias primas encontradas no país.

 

SOLO – Programa destinado a projetos expositivos que exibam um recorte das coleções de importantes colecionadores de arte.

 

PALAVRA – com curadoria da poetisa e artista plástica Claudia Sehbe, mostra como a palavra – escrita e falada – está presente nos diferentes processos de criação da arte.

 

Mais do que uma feira de reconhecimento internacional, a ArtRio é uma grande plataforma de arte, com atividades e projetos que acontecem ao longo de todo o ano para a difusão do conceito de arte no país, solidificar o mercado e estimular o crescimento de um novo público.

 

 

De 27 a 30 de setembro (quinta-feira a domingo)

Preview – 26 de setembro (quarta-feira)

Ingressos: R$ 40 / R$ 20

Local: Marina da Glória – Av. Infante Dom Henrique, S/N

art lab na Galeria Marcelo Guarnieri

05/jul

Distribuídos em um quadrado de setenta centímetros, vinte e quatro ponteiros vermelhos giram sem parar. Em outro quadrado de setenta centímetros, giram em tic tac outros vinte e quatro também ponteiros, também vermelhos. São os Relógios para perder a hora de Guto Lacaz, dois dos trabalhos que integram a exposição “art lab”, na Galeria Marcelo Guarnieri, Jardins, São Paulo, SP. As duas peças formam uma imagem clara do que se apresenta na mostra: objetos animados cumprindo funções absurdas, hipnóticas e humoradas que te convidam para uma dança sem hora pra acabar. O tempo nesta exposição seria algo semelhante ao tempo das crianças, um tempo tomado completamente pela brincadeira, em que a repetição e o delírio se fazem necessários no processo de aprendizagem.

 

Neste caso, uma desaprendizagem, pois aqui adentramos o universo dos objetos que deixaram de ser servos de seu próprio destino: a funcionalidade. Lacaz constrói com tais objetos uma relação tão íntima, que parece ouvir deles os seus desejos mais sórdidos, então retorce os seus sentidos e os liberta da chatice de serem úteis. Em alguns casos o artista vai além, dissecando suas objetidades de tal modo que acabam reduzidos a engrenagens de formas e cores e assim viram coisas: coisas ópticas, cinéticas, elétricas, lunáticas.

 

É o caso de Dauquad cinético, uma espécie de carrossel manipulável formado por quadrados de acrílico coloridos e de superfícies espelhadas que se refletem e projetam cores em diversos ângulos. Ou de Bossa Nova, um conjunto de peças quadradas e brancas que formam um painel também quadrado de dois metros e meio em lento e constante movimento, semelhante ao das ondas do mar. Os títulos dos trabalhos de Lacaz também são algo para se ter em conta, às vezes surgem como contraponto ao que se vê nas obras, às vezes funcionam como chaves de acesso.

 

Tudo o que for produto da criação humana, seja na ciência, na indústria ou na arte, pode virar assunto, em uma abordagem menos celebrativa e talvez mais crítica, certamente bem humorada. Há uma descrença não só pela ideia de progresso científico, mas também pelos grandes símbolos e certezas inventadas pela humanidade. Desse modo, Guto Lacaz convoca em alguns de seus trabalhos elementos clássicos das obras de figuras como Marcel Duchamp e Nam June Paik e os apresenta em novas situações, dando a eles o poder de performar a sua própria existência.

 

Paik Line, trabalho inédito, é constituído por uma torre de televisores modificados. A peça faz referência a Zen for TV, obra de 1963 do artista Nam June Paik, na qual reduz a imagem da tela a um feixe de luz, privando a televisão de sua própria forma e função. O desenho gerado pela linha que atravessa uma extremidade à outra do visor e a posição vertical do aparelho remetem a uma estrutura totêmica, reforçando o caráter contemplativo e imersivo da TV, agora de um jeito anormal. A partir daí Lacaz exagera e multiplica essa ação por seis, construindo um grande totem de mais de dois metros.

 

Em art lab tudo se movimenta e ainda que em curto-circuito, nos movimentamos também. A exposição é a primeira individual de Guto Lacaz na unidade São Paulo da Galeria Marcelo Guarnieri e marca os 40 anos de produção do artista. “Pra mim arte é energia. Importante distinguir arte de obra de arte. Arte é o que está entre a obra de arte e o espectador, algo meio fluido, um plasma. É isso que eu acho que é energia, quando você passa por uma obra de arte e essa obra te capta, é pura energia o que está acontecendo entre você e a obra de arte.”, conclui Guto.
 

Sobre o artista

 

Guto Lacaz, nasceu em
1948. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil. Artista multimídia, arquiteto, designer e cenógrafo, Guto Lacaz vem investigando, desde fins dos anos 70, as possibilidades da arte, da ciência e da tecnologia a partir de uma aproximação com os objetos de uso cotidiano. Bem humoradas e às vezes absurdas, suas obras buscam desestabilizar comportamentos e leituras automáticas comuns em nossa interação com a materialidade e a espacialidade. Sempre interessado na relação com o espectador, desenvolve seu trabalho em desenhos, objetos, performances, ilustrações, livros, instalações e intervenções em espaços públicos. Guto inventa um mundo torto e maravilhoso onde um batalhão de aspiradores de pó mantém bolas de isopor suspensas no ar e onde cadeiras enfileiradas de um auditório vazio flutuam silenciosas sobre as águas de um lago. Em 2017 ganhou o prêmio APCA na categoria “Fronteiras da Arquitetura”.

 

Membro da Alliance Graphic Internationalle  – AGI. Formado em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São José dos Campos em 1974. Em 1995 ganha a bolsa Gugenheim. Entre suas principais exposições individuais, intervenções urbanas e obras públicas, destacam-se: As Quatro Revoluções Industriais – 15 painéis na Av Paulista (2018); Adoraroda. Largo da Batata, Mostra 3M de Arte, São Paulo (2017); Ondas d’água. Sesc Belenzinho, São Paulo (2011); Eletro Livros. Maria Antonia USP, São Paulo (2012); Maquetes Reunidas. Capela do Morumbi – DPH, São Paulo (2008); Garoa Modernista e Pinacotrens. Octógono, Pinacoteca do Estado de São Paulo (2005); Recortes. Paço Imperial do Rio de Janeiro (1994); Periscópio. Arte Cidade II, São Paulo (1994); Auditório para Questões Delicadas – Lago do Ibirapuera, São Paulo (1989). Entre suas principais exposições coletivas, destacam-se: YOYO, tudo que vai volta. SESC Belenzinho, São Paulo (2018); Situações: a Instalação no Acervo da Pinacoteca do Estado, São Paulo (2017); As Margens dos Mares. SESC Pinheiros, São Paulo (2015); Invento | As Revoluções que nos Inventaram. Pavilhão da Oca – Parque Ibirapuera, São Paulo (2015); Diálogos com Palatnik. MAM-SP (2014); III Bienal da Bahia (2014); Trajetória da Luz na Arte Brasileira. Itaú Cultural, São Paulo (2001); 95 Gwangju Biennale, Coreia do Sul (1995); Brazil Projects, PS1 New York (1988); Modernidade – Arte Brasileira no século XX. MAM-SP (1988); A Trama do Gosto – Um Outro Olhar sobre o Cotidiano. Fundação Bienal, São Paulo (1987); 18ª Bienal Internacional de São Paulo (1985); Primeira Mostra do Móvel e do Objeto Inusitado. MIS, São Paulo (1978).

 

 

Até 21 de julho

Cidades invisíveis de Luiz Martins

04/jul

O Museu de Arte Sacra de São Paulo -MAS-SP, Estação Tiradentes, São Paulo, SP, instituição da Secretaria da Cultura do Estado, inaugura “Cidades Invisíveis”, do artista plástico brasileiro Luiz Martins, sob curadoria de Ian Duarte Lucas. A mostra – formada por esculturas, fotografias e vídeos – elege o tempo presente, mesmo que instantâneo, como tema, e se desenvolve a partir do livro homônimo de Ítalo Calvino. Atento à passagem do tempo – em especial acerca de como o indivíduo se relaciona com seus entornos privado e coletivo -, o artista busca, nesta produção, uma poética dentro da relação homem – cidade, considerando vestígios esquecidos pelas ruas.

 

A cidade é cenário para importantes manifestações humanas, que se desdobram em suas entranhas. “Em constante mutação, o homem se insere neste novelo de passagem: passagem do tempo, que tudo transforma, e cria novos significados na memória de quem habita a cidade. E essa poética se manifesta pelos objetos que o homem cria e utiliza em suas mais diversas atividades”, comenta o curador. Em “Cidades Invisíveis”, Luiz Martinsutiliza a linguagem tridimensional para abordar o espaço e suas novas possibilidades territoriais, restaurando e ressignificando o cotidiano pela aplicação do conceito de “semióforo” em objetos e fragmentos, os quais perdem o status de “coisa” e passam a transmitir energia e força afetiva. Nas palavras de José Carlos Marçal de Barros, diretor executivo do MAS-SP: “Na mostra, Luiz Martins nos mostra as cidades que não vemos, nos conduz a pensar no que existe por traz da máscara arquitetônica de grandescidades nas quais vivemos e que, na realidade, não conhecemos. Sentimentos, paixões, alegrias e tristezas, emoções que poucas vezes afloram à vista do público”.

 

Ao se deparar com a presente exposição, espera-se que o espectador entenda a potencialidade de cada objeto, os quais representam, em suma, os reflexos do drama interior do homem em sociedade. Espera-se que sentimentos da individualidade contemporânea se tornem visíveis através deste processo mental. Nos dizeres do curador: “O homem, enquanto um ser artista, é antes de tudo um ser sociável: se expressa na construção de diferentes diálogos com o seu tempo, a sociedade em que se insere, e consigo mesmo. Materializar esta expressão na forma da obra de arte é a maneira mais sublime de contemplar a fugacidade destas relações. O esquecimento desfigura os vestígios que o homem produz, e cabe ao artista revelar a poética destes objetos, por meio de sua sensibilidade, ao perceber algo latente e revelador nas coisas mais simples do cotidiano, memórias de uma vida que o tempo implacavelmente apagou”.

 

 

Sobre o museu

 

Instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, o Museu de Arte Sacra de São Pauloé uma das mais importantes instituições do gênero no país. É fruto de um convênio celebrado entre o Governo do Estado e a Mitra Arquidiocesana de São Paulo, em 28 de outubro de 1969, e sua instalação data de 28 de junho de 1970. Desde então, o Museu de Arte Sacra de São Paulopassou a ocupar ala do Mosteiro de Nossa Senhora da Imaculada Conceição da Luz, na avenida Tiradentes, centro da capital paulista. A edificação é um dos mais importantes monumentos da arquitetura colonial paulista, construído em taipa de pilão, raro exemplar remanescente na cidade, última chácara conventual da cidade. Foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 1943, e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico do Estado de São Paulo, em 1979. Tem grande parte de seu acervo também tombado pelo IPHAN, desde 1969, cujo inestimável patrimônio compreende relíquias das histórias do Brasil e mundial. O Museu de Arte Sacra de São Paulodetém uma vasta coleção de obras criadas entre os séculos 16 e 20, contando com exemplares raros e significativos. São mais de 18 mil itens no acervo. O museu possui obras de nomes reconhecidos, como Frei Agostinho da Piedade, Frei Agostinho de Jesus, Antônio Francisco de Lisboa, o “Aleijadinho” e Benedito Calixto de Jesus. Destacam-se também as coleções de presépios, prataria e ourivesaria, lampadários, mobiliário, retábulos, altares, vestimentas, livros litúrgicos e numismática.