Na Silvia Cintra + Box 4

20/jun

Renata Har expõe na Silvia Cintra + Box 4, Gávea, Rio de Janeiro, RJ. “alabastro” é uma formação natural calcária que foi tomada como ponto de partida pela artista para sua primeira individual na galeria. Na mostra, que conta com curadoria de Caique Tizzi, a artista desvenda através de alegorias visuais e poéticas a relação do alabastro com a sua materialidade geológica e as suas múltiplas interpretações.

 

A exposição é uma grande instalação composta de mídias variadas. Uma grande pintura sobre carpete com tinta spray, pigmento, tinta e colagem de objetos; outra pintura em tela com betume, lantejoulas, farinha e goma damar; esculturas em gesso com purpurina, vidro e neon e ainda uma série de monotipias sobre papel.

 

Uma grande banheira de ferro com pintura preta naval e óleo e outra escultura feita com tecido e balões prateados vazios também fazem parte da mostra e serão usados por Renata em uma ação performática na noite de abertura.

 

“alabastro” também conta com o vídeo Guerra e Esbórnia feito em parceria com o cineasta Karim Aïnouz a partir de imagens de arquivo encontradas na internet que mostram a formação geológica do alabastro. Esse vídeo funciona como texto curatorial e descreve um mundo onde a água se transformou em calcário. Esta mostra é assinalada como a primeira exposição da artista no Brasil.

 

 

Sobre a artista

 

Renata Har deixou o país para estudar na França, na École des Beaux-Arts, em Paris sob a tutela de Christian Boltanski. Vive desde 2012 em Berlim, onde também atua, junto com Caique Tizzi, em um coletivo de artistas chamado Agora.

 

 

De 08 de julho a 04 de agosto.

Brecheret na DAN galeria

07/jun

Com curadoria de Daisy Peccinini, especialista na obra do artista, a mostra traz uma série de desenhos e esculturas daquele que é considerado um dos escultores mais importantes do país e criador de um dos monumentos mais icônicos e significativos da cidade de São Paulo, o “Monumento às Bandeiras”. A mostra inclui criações do escultor de um período que vai de 1916 a 1955, apresentando ao público um panorama bastante abrangente de sua carreira artística. São 46 obras, entre esculturas e desenhos, que se dividem em núcleos e subnúcleos. Entre elas, há um desenho inédito, produzido no início de sua carreira. “Brecheret: Encantamento e Força”, com curadoria de Daisy Peccinini, é o cartaz atual da Dan Galeria, Jardim América, São Paulo, SP.

 

 

A exposição

por Daisy Peccinini

 

A exposição apresenta obras que definem as linhas de força da produção de Victor Brecheret (1894-1955). No espaço, vibram formas e volumes que testemunham os temas de sua predileção; que persistem, tomados e retomados no correr das quatro décadas de sua importante produção. É evidente que o tema do feminino prepondera apresentando-se como um grupo marcante, com um número maior de obras, em contraponto com as poucas exceções de esculturas que representam o masculino e, mais ainda, a rara abordagem do tema do idílio, entre o masculino e feminino. Um segundo também importante tema é o da arte indígena, considerando-se Brecheret um pioneiro, entre os escultores modernos, na pesquisa dos modelados e entalhes praticados pelos povos originais de nossa terra, que ele translada para as esculturas de modelagem da argila, com uma profunda sensibilidade das formas orgânicas.

 

A arte sacra, desde o início de seu percurso artístico, tem um lugar especial e suas pequenas e douradas virgens são exaltadas nos anos 1920 por críticos de arte da Escola de Paris. O tema sacro é recorrente em vários momentos das décadas seguintes, lembrando na década de 1940 o conjunto significativo da Via Sacra e das monumentais esculturas de Cristo Crucificado e de São Paulo, na Capela do Hospital das Clínicas, e outros temas usuais religiosos foram abordados, como Anunciação, Cristo, Maria, São Jerônimo e São Francisco, este último de sua predileção, representado de variadas formas, com animais e com instrumento musical.

 

Finalmente nesta apresentação de esculturas, destaca-se o tema dos cavalos aos quais Brecheret sempre teve uma grande paixão e deles fez presença importante, desde o primeiro projeto do Monumento às Bandeiras (1920) até o projeto realizado (1933-1954), está presente também no Monumento a Caxias, quer na escultura monumental equestre, quer nos relevos da elevada base em granito. Marcam fortemente as fachadas do Jockey Club de São Paulo, em painéis de mármore travertino nos quais Brecheret realiza uma saga de vida e de vitórias nas corridas.

 

Nessa variabilidade de temas e códigos de formas de diferentes próprios de fases do percurso artístico de Brecheret, duas qualidades se impõem como marcas estilísticas permanentes do grande escultor: o encantamento e a força. De fato, essas obras, que pertencem a diferentes momentos de sua copiosa produção, têm em si mesmas essas duas qualidades. Encantamento, uma especial sedução pela impecável fatura, fazendo os olhares deslizarem pelos volumes flexuosos, interagindo com a sensibilidade e prazer de cada um que os contempla.

 

Se de um lado existem encantamentos, por outro lado há conjuntamente a força, um élan que integra as partes numa pulsão centrífuga de modo que os volumes sedutores possuem força e tensão que os aglutina e geram uma aura monumental. A apresentação das esculturas e desenhos de Brecheret na Dan Galeria seguem os eixos de força da produção do escultor.os, Exposição, São Paulo.

 

Quando? Abertura: 8 de junho, das 19h às 22h; Período expositivo: de 8 de junho a 10 de julho de 2017

 

Los Carpinteros no Rio

06/jun

Composta por mais de 70 obras, “Objeto Vital”, cartaz do CCBB, Centro, Rio de Janeiro, RJ, reúne parte da obra do coletivo artístico Los Carpinteros desde suas origens até hoje. A exposição pretende desvendar esse conceito da “vitalidade” que os objetos ganham através da arte, e essa descoberta é proposta por meio de uma arqueologia da obra dos artistas. Esta é a maior exposição já montada pelo coletivo cubano que apresenta três eixos temáticos: objeto do ofício, objeto possuído e espaço-objeto. Por meio da utilização criativa da arquitetura, da escultura e do design, os artistas exploram o choque entre função e objeto com uma forte crítica e apelo social de cunho sagaz e bem-humorado. O público poderá acompanhar todas as fases do coletivo, desde a década de 1990 até obras inéditas, feitas especialmente para esta exposição. A curadoria traz a assinatura de Rodolfo de Athayde. No dia 03 de maio aconteceu uma palestra com os artistas Marco Castillo e Dagoberto Rodriguez.

 

 

Sobre Los Carpinteros

 

O coletivo Los Carpinteros foi fundado em 1992 por Alexandre Arrechea, Dagoberto Rodriguez e Marco Castillo, e manteve-se essa configuração até 2003, ano em que Alexandre Arrechea sai do coletivo para cumprir carreira solo.

 

 

 

Até 02 de agosto.

O feminino na escultura

02/jun

Anita Schwartz Galeria de Arte, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, inaugurou a exposição “Molde – Conversas em torno da escultura e do corpo feminino”, uma coletiva composta por artistas mulheres. A mostra reúne esculturas de treze artistas, de várias gerações: Ana Hortides, Carla Guagliardi, Celeida Tostes, Daisy Xavier, Daniela Antonelli, Estela Sokol, Gabriela Mureb, Lais Myrrha, Regina Vater, Wanda Pimentel, Maíra Senise, Maura Barros e Tatiana Chalhou.

 

A mostra terá 30 esculturas em diferentes materiais, como barro, madeira, cerâmica, bronze, vidro, minerais, osso, mármore entre outros, de treze artistas, em uma seleção que une trajetórias consagradas a jovens nomes da arte contemporânea brasileira.

 

Anita Schwartz, uma das mais destacadas, antigas e respeitadas galeristas brasileiras, nascida em Recife e radicada no Rio, atua no mercado da arte há mais de trinta anos. Desde 2008 a sede de sua galeria fica em um belo edifício de três andares, de quase mil metros quadrados, projetado por Cadas Abranches, no Baixo Gávea, construído especialmente para abrigar exposições e sua reserva técnica.

 

 
Até 1º de julho.

Três no Santander Cultural

31/maio

Dentro da proposta de valorizar o trabalho curatorial neste ano, o Santander Cultural, Porto Alegre, RS, inaugurou a exposição que leva o nome dos seus artistas integrantes: “Zerbini, Barrão, Albano”. Ao todo, são 43 obras, em diferentes técnicas, como pintura, gravura, escultura e fotografia. A seleção para cada artista ficou a cargo de um curador diferente. As obras de Luiz Zerbini, SP, tiveram a curadoria de Marcelo Campos. As de Barrão, RJ, de Felipe Scovino; e as de Albano, SP, por Douglas Freitas. “Foram seis cabeças dividindo o mesmo espaço”, explicou o diretor-superintendente do Santander Cultural, Carlos Trevi. Com estilos diferentes, o desafio foi promover o diálogo entre as diferentes linguagens de cada artista.

 

As esculturas de Barrão ocupam a parte central da galeria, com trabalhos na cor branca. “Geralmente meus trabalhos têm escala menor, mas como fiz obras especialmente para esta exposição, levei em conta o espaço e fiz em escala maior”, explica Barrão. As obras de Albano e Zerbini estão nas laterais. Zerbini apresenta monotipias, pinturas e, em primeira mão, três mesas, cujos superfícies de vidro lembram praias e ondas. Já Albano traz instalações que abordam a questão da luz e da sombra e um tríptico fotográfico.

 

 
Até 16 de julho.

Mostra Bienal com 30 artistas

Depois do sucesso da edição de 2015/2016, a CAIXA Econômica Federal orgulhosamente apresenta a segunda Mostra Bienal CAIXA de Novos Artistas, Centro, Galeria 4. A exposição, que reúne trabalhos de 30 novos talentos das artes visuais de todo o Brasil, aporta primeiro na CAIXA Cultural Rio de Janeiro. A curadoria é de Liliana Magalhães, premiada gestora cultural com experiência em mostras nacionais e internacionais; a expografia é do reconhecido cenógrafo Sérgio Marimba e, participando de uma intervenção exibida na abertura, o artista visual Batman Zavareze.

 

Durante quase dois meses, os cariocas terão a oportunidade de apreciar, em primeira mão, 37 obras de artistas contemporâneos provenientes de 12 estados brasileiros: Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Os trabalhos que integram a exposição contemplam diversos suportes, de desenhos a esculturas, passando por fotografias, gravuras, instalações, intervenções, pinturas e vídeo.

 

O conceito curatorial desta edição gira em torno da configuração das relações urbanas no momento atual. De modo a concretizar essa abordagem, a curadoria priorizou trabalhos que apresentassem qualidades artísticas resultantes da experimentação e da força poética visual. Assim, não só a potência do assunto de cada trabalho, mas também a contundência da abordagem dos diferentes artistas determinou a escolha dos nomes presentes na exposição.

 

“As obras apresentadas na mostra têm um potente diálogo contemporâneo e revelam um panorama das linguagens e propostas de uma emergente geração das artes visuais. Suas narrativas revelam o artista como um ator social crítico, pleno de cidadania, que se expõe e nos projeta para as complexas relações que se dão nas grandes cidades”, explica a curadora Liliana Magalhães. “As questões de gênero, raça, consumo, política, ética, meio ambiente e afirmação de direitos humanos e civis aparecem como uma síntese do agudo momento de transformação que vivemos”, enumera.

 

Os participantes da coletiva tiveram seus trabalhos selecionados em duas etapas: primeiro, por uma comissão de seleção; e, finalmente, pela curadora. Foram 616 artistas concorrendo com 1.414 obras inscritas. Seguindo o regulamento, foram escolhidos nomes que ainda não exibiram trabalhos em exposição individual, colocando em prática mais uma iniciativa da instituição em divulgar novos artistas. “É uma grande oportunidade de visibilidade para os artistas que estão em início de carreira que apresentam trabalhos com originalidade, experimentação, inovação, conceito e contemporaneidade”, comenta o diretor executivo de Marketing e Comunicação da CAIXA, Mário Ferreira Neto.

 

Após a temporada no Rio, ainda em 2017, a exposição visitará São Paulo e Brasília. Ao longo de 2018, a mostra circulará por todas as outras unidades da CAIXA Cultural: Fortaleza, Recife, Salvador, Curitiba.

 

Participantes

Adriano Catenzaro (PR) – Adriano Catenzaro nasceu em 1979, em Curitiba, onde vive e trabalha. Formado em design gráfico e de embalagens, produz obras que exploram a colagem manual de recortes de papéis. Selecionado para o 5º Salão de Outono da América Latina e 24º Salão Curitibano de Artes Visuais, também foi premiado no IV Prêmio a La Ilustración Latinoamericana Diseño en Palermo.

 

 

Alessandra Buffe (SP) – Formada em Artes Plásticas (FAAP) e Desenho Industrial (USP), Alessandra Buffe participou de exposições como Diálogos de Atelier – Gravurar (Santos, 2017); 4º SOAL – Salão de Outono da América Latina (SP, 2016);  Surrealismo Tenerife – Círculo de Bellas Artes de Tenerife (Espanha, 2015); escultura Árvore (2013) e  escultura Ciclo (2014), no Cemitério Memorial Parque das Cerejeiras – SP.

 

 

Ana Kawajiri (PR) – Ana Kawajiri é brasileira, nascida em Curitiba, Paraná. É artista plástica, historiadora da Arte e museóloga. Desde 2014 reside em Brasília, Distrito Federal. Cursou Pintura na Escola de Música e Belas Artes em Curitiba-PR e História da Arte e Museologia na École du Louvre em Paris, França. Realiza trabalhos em pintura, desenho, colagem, fotografia, bordado e arte-objeto.

 

 

Andrea Vasconcelos (ES) – Andréa Vasconcelos nasceu em 1964, em Linhares (ES). Vive e trabalha em Belo Horizonte, MG. Graduou-se em Artes Visuais pela Escola Guignard UEMG com habilitação em pintura em 2015.  Frequenta o Grupo de Estudos de Pintura Contemporânea no Ateliê Alan Fontes. Além disso, realizou residência artística no Ateliê de Pintura Steve Tyerman, na Austrália, nos anos de 2015 e 2016.

 

 

Cátia Lantyer (BA) – Baiana de Dias D’ávila e residente em Salvador, Cátia Lantyer é mestranda no Programa de Pós-Graduação em Literatura e Cultura da Universidade Federal da Bahia. Participou do Circuito das Artes 2014, com o ensaio fotográfico “A urbis e a imagem”. Artista selecionada pelo projeto Mapa da Palavra, da FUNCEB, em 2016, fez parte de mesa redonda na Feira Literária de Cachoeira.

 

 

Cecília Urioste (PE) – Cecília Urioste nasceu em Recife em 1980, onde reside atualmente. Morou em Madrid em 2007, onde cursou o Master em Fotografia de Arte na EFTI. Participação na exposição coletiva Encontros de Agosto, no Centro Cultural Dragão do Mar (Fortaleza-CE), em 2016; selecionada pelo Funcultura para desenvolvimento da pesquisa artística – Recife, 2016.

 

Denise Silveira (RJ)Carioca, Denise Silveira formou-se em Design na UFRJ, onde seu desejo pelas artes plásticas foi despertado. Anos depois, retomou a antiga paixão e iniciou seus estudos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Na EAV, produziu uma série de experimentos com texturas diversas, dentre elas Nuvem, que integrará sua primeira exposição.

 

 

Elaine Stankiewich (PR) – Elaine Stankiewich é artista visual e designer. Nascida em Francisco Beltrão, em 1979, vive em Curitiba. Bacharel em Gravura e pós-graduada em Poéticas Visuais, na EMPAP-PR. Participou de mostras como Novas Poéticas RJ (2016); Arte na Fábrika, Curitiba (2016); 24º Salão Curitibano de Artes Visuais (2016); e o Núcleo de Artes Visuais SESI-PR (2015).

 

Felipe Seixas (SP) – Felipe Seixas (São Bernardo do Campo, 1989) vive e trabalha em São Paulo, onde se graduou em Design Digital pela Universidade Anhanguera. Entre suas principais exposições estão a sua primeira individual, ‘(I)matérico presente’, além de participação na 1° Bienal de Arte Contemporânea Sesc DF.  Em 2015, recebeu a Menção Especial no 22° Salão de Artes Plásticas de Praia Grande.

 

 

Fernando Bueno (GO) – Artista autodidata, astrônomo, fotógrafo e músico, Fernando Bueno nasceu em Guarulhos (SP) e atualmente reside em Goiânia (GO). Atualmente cursando Administração de Empresas, foi convidado para expor seus trabalhos em Londres, na Brick Lane Gallery (15 de julho de 2015) e em Florença (20 de julho de 2015).

 

 

Guilherme Malaquias (BA) – Nascido e criado em Salvador/Bahia, é formado em Arquitetura e Urbanismo na Universidade Salvador. Participa de projetos sociais realizados em algumas comunidades da capital baiana, em ações voluntárias. Integrou exposições coletivas, com mais destaque para as realizadas pela rede social Instagram. A partir daí, foi convidado para exposições em Brasília, São Paulo e Colômbia.

 

 

Jefferson Medeiros (RJ) – Nascido e criado em São Gonçalo (RJ), onde reside atualmente. Tem Licenciatura em História e Pós-Graduação em Ensino de Histórias e Culturas Africanas e Afro-brasileiras.

 

 

Joana Bueno (RJ) – Joana Bueno nasceu no Rio de Janeiro em 1982, cidade onde vive e trabalha. Começou a estudar artes no ano de 2000, em cursos livres de desenho, pintura e teoria da arte na EAV do Parque Lage. Possui curso superior em Artes e Indumentária. Inicia sua carreira como figurinista no teatro e cinema e depois como diretora de arte, atuando por quatro anos como carnavalesca.

 

 

João Paulo Racy (RJ) – João Paulo Racy é artista e diretor de fotografia. Nasceu em 1981, no Rio de Janeiro, e atualmente vive e trabalha entre Rio e São Paulo. Foi contemplado com o prêmio Aquisição no 42º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto (SP) e no 15º Salão de Artes de Jataí (GO). Participou de exposições no Brasil, Alemanha, Espanha e Argentina.

 

 

José Viana (PA) – Nascido em 1988, em Belém (PA), é graduado em Comunicação Social e estudou Artes Visuais no Instituto Nacional del Arte, em Buenos Aires (Argentina). Recebeu Prêmio Arte Monumento Brasil 2016, com a obra Ímpeto; selecionado para Temporada de Projetos / Paço das Artes 2016 como Raio Verde, duo com Camila Fialho, com a obra 330 (ou sobre uma única viagem).

 

José de Arimatéa (PI) – Natural de Pedro II, Piauí, onde vive e atua até hoje, José de Arimatéa é formado em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Piauí, e atua como arte-educador. Participou de exposições coletivas e salões, sendo premiado duas vezes no Salão de Artes Plásticas de Teresina, na categoria Desenho (2011 e 2012).

 

 

Julie Brasil (RJ) – Julie Brasil nasceu na Guatemala, viveu em São Francisco, São Paulo e mora no Rio de Janeiro. É bacharel em pintura, mestre em Artes Visuais e atualmente é doutoranda em Imagem e Cultura pela UFRJ. Seu trabalho gravita entre os temas trauma, política, consumo e ironia. Participou de coletivas no Festival de Vídeos de Kassel, IBEU, SESC, Centro de Arte Hélio Oiticica, MUBE e Furnas.

 

Karine de Lima (DF) – Nascida em Belo Horizonte, atuou na área de meio ambiente por mais de dez anos. Após graduar em artes visuais na UFMG, mudou-se para Brasília, onde vive e trabalha. Desde 2016 se dedica à produção artística, na qual aborda  experiências humanas em relação à natureza e ao espaço.

 

 

Leonardo Savaris (RS) – Leonardo Savaris é natural de Caxias do Sul/RS, começou a fotografar em 2011 e, no ano seguinte, ingressou na faculdade de fotografia (Unisinos). Desde então atua como freelancer e vem aprimorando seu trabalho, merecendo destaque em publicações, exposições coletivas e concursos especializados. Destacam-se: Carta das Laranjeiras (BA), Paraty em Foco (RJ), Ateliê da Imagem (RJ), Mosaicografia (RS).

 

Lidia Malynowskyj (SP) – Nascida em Santos (SP), ingressou em 2008 no curso de Artes Plásticas na Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, onde viveu até 2011. Depois, mudou-se para Bertioga, onde reside e trabalha. Selecionada para exposições coletivas como o Salão de Piracicaba, Praia Grande e Jataí. Participou de residências artísticas internacionais, na Islândia (2013) e Hungria (2015)

 

 

Lucas Lugarinho Braga (RJ)Aos 25 anos, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Graduado pela Escola de Belas Artes da UFRJ em Pintura (2016), participou de exposições coletivas no Centro Cultural Calouste Gulbekian (RJ), Castelinho do Flamengo (RJ) e o Museo Del Chopo (Cidade do México). Em 2016 esteve na Cidade do México, por meio da bolsa Becas de Estancias Creativa, oferecida pelo governo mexicano.

 

 

 

Luciano Feijão (ES) – Mestre em Artes pela Universidade Federal do Espírito Santo, foi membro fundador do grupo Célula de Gravura, em 2009, com pesquisa em litografia. Participou de exposições individuais e coletivas em Vitória (ES), São Paulo (SP), Los Angeles (EUA) e Cidade do México (México). Produz ilustrações profissionalmente para livros, jornais e revistas desde 2003. Foi professor no Departamento de Artes Visuais / UFES e hoje coordena o NUPIE – Núcleo de Pesquisa em Ilustração Editorial / UFES / SESC.

 

Luiz Guimarães (RJ) – Administrador de empresas formado pela Universidade Fumec (BH), com pós-graduação em Gestão Logística e Supply Chain pela Fundação Dom Cabral. De 2012 até 2016 foi diretor administrativo financeiro do Museu de Arte do Rio – MAR. É mestrando em História e Crítica de Arte pelo Programa de Pós-graduação em Artes (PPGARTES) da UERJ.

 

 

Marcela Antunes (RJ) – Graduada em Artes Visuais pela UERJ, Marcela Antunes atualmente cursa o Mestrado em Arte e Cultura Contemporânea na mesma instituição. Desde 2005 pesquisa relações entre as linguagens da performance e da fotografia. Participou de residências, festivais de performance e workshops no Brasil, Lituânia, Noruega, República Checa, Índia, México, Colômbia e Espanha.

 

 

Natalie Mirêdia (ES) – Natalie Mirêdia nasceu em 1992 em Vitória (ES) e se formou em Artes Plásticas na UFES. Atualmente mora em São Paulo e trabalha como artista e produtora cultural no Performe-se Festival. Participou de mostras no Brasil e exterior, como New Worlds: Violence Remains de Video/Performance Latinoamericano (Helsinki) e  Venice Experimental Video and Performance Art Festival (Veneza).

 

Natasha Ulbrich Kulczynski (RS) – Natasha Kulczynski nasceu e reside em Porto Alegre, é formada em Design e Artes Visuais, e atualmente cursa o mestrado em Artes Visuais pelo PPGAV (UFRGS). Participou do Projeto Cantigas do Mundo – Le Comptines á Travers le Monde, Espaço de Arte Sapato Florido, 2015; da exposição Expressões do Múltiplo, 2017; e coletivas na Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, Porto Alegre, RS..

 

 

Paula Viana (SP) – Nascida em São Paulo em 1982, cidade onde graduou-se em Psicologia e vive até hoje, pela PUC-SP, em 2008. Atualmente trabalhando com criação em design gráfico, Paula Viana atua como professora de Arte e Experimentação para crianças e participa do Coletivo de Artistas da Casa Lumieiro.

 

 

Rafael Antonio Ghirardello  (SP) – Natural de São Paulo, onde reside, Rafael Antonio Ghirardello é graduado em Comunicação das Artes do Corpo (PUC/SP), com habilitação em Teatro e Dança, e com licenciatura em Artes Plásticas pela USP. Atua como cenógrafo e aderecista de teatro, incluindo espetáculos como Cacilda !!!!! e Macumba Antropofágica, do Teatro Oficina. Realiza trabalhos em artes plásticas para o cinema, teatro e cubo-branco.

 

 

Sanzio Marden (SP) – Mineiro de Ponte Nova, cresceu em Belo Horizonte e trabalhou com Patrimônio Histórico nos Estados do Ceará, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Formado em Artes Plásticas pela Escola de Artes Visuais Guignard, em Belo Horizonte, especializou-se em Arte e Educação pela Universidade Estadual Vale do Acaraú-CE

 

 

Talitha Filipe (DF) – Nascida em Brasília, onde se formou em Arquitetura e Urbanismo pela UNB e reside até hoje, Talitha Filipe iniciou em 2011 sua segunda graduação, em Artes Plásticas, na mesma instituição. Em setembro deste ano inicia o mestrado na Faculdade de Belas Artes na Universidade do Porto, Portugal, na área de Arte e Design para o Espaço Público.

 

 

 

De 30 de maio a 23 de julho.

Beatriz Milhazes no Rio

16/maio

Pintora por excelência, Beatriz Milhazes vem recentemente experimentando as potencialidades e desafios da escultura. O resultado desse processo, iniciado em 2010, pode ser visto na exposição “Marola, Mariola e Marilola”, a partir do dia 20 de maio, na Carpintaria, novo espaço da Fortes D’Aloia & Gabriel, no Rio de Janeiro, RJ.

 

São três grandes trabalhos tridimensionais, que apresentam forte sintonia com suas telas, gravuras e colagens, mas propõem novos e instigantes nexos perceptivos. Como se seus motivos característicos – como o círculo, a flor e o arabesco – tomassem conta do espaço e estabelecessem entre si um novo tipo de relação corporal, física, determinada também pelos intervalos entre elementos e pela posição do espectador. Dependendo do ângulo em que você observa a peça, forma-se um outro trabalho. É uma vivência concreta, em que o corpo da obra relaciona-se com o corpo do observador. “Esta possibilidade física é uma área de investigação que a pintura não oferece”, esclarece.

 

As três esculturas que dão título à mostra foram criadas ao longo de cinco anos de pesquisa – com a realização de diversas maquetes em tamanho natural – na Durham Press, estúdio na Pensilvânia, USA, onde Beatriz desenvolve, desde 1996, sua produção gráfica, em paralelo a uma intensa agenda de trabalho e exposições. São peças grandes, com altura que varia entre 2,26 e 2,89 metros e que lidam com o espaço de diferentes maneiras, quer potencializando o corpo da obra (as circunvoluções de Marola criam um corpo mais denso no espaço, com largura e espessura quase equivalentes), quer servindo como divisor de campos, como no caso de “Marilola”, que tem menos de meio metro de espessura e funciona quase como uma cortina. Inéditas no Brasil, as três peças foram exibidas nas galerias que representam a artista em Paris e Nova York (James Cohan Gallery, NY, e Max Hetzler, Berlin/Paris).

 

Os títulos, como costuma acontecer na produção de Milhazes, são interessantes chaves de leitura. Além de promoverem a conexão entre as obras, reafirmam a importância do ritmo, da sonoridade e da brasilidade em seu trabalho. A primeira e maior delas, que segundo ela ainda apresenta uma forte conexão com a ideia do móbile, remete ao ir e vir das ondas, à noção de movimento constante e sedutor.

 

“Mariola”, doce popular, também traz ecos da cultura vernacular que tanto alimenta a artista, enquanto “Marilola” brinca com a sonoridade, num jogo lúdico de palavras, num procedimento que se assemelha ao jogo espacial que ela cria a partir da associação de diferentes materiais e cores. Nas três peças, o conjunto é articulado a partir de um desenho em metal, que serve de suporte para os diferentes elementos. Há nessas composições uma lógica semelhante à da colagem, fortemente presente na pintura de Milhazes.

 

Tudo começou com um cenário feito por Beatriz para um espetáculo de dança de sua irmã, a coreógrafa Márcia Milhazes, em 2004. Ao criar uma espécie de lustre no centro do palco, ela foge pela primeira vez da ideia de painel que sempre havia regido seu trabalho cenográfico e coloca diante de si um desafio tridimensional que viria a se tornar cada vez mais agudo.

 

O primeiro resultado desse mergulho no espaço foi a série “Gamboa” (que esteve presente na mostra realizada há quatro anos no Paço Imperial), que para a artista ainda não pertenceriam ao campo escultórico. “Não considero que “Gamboa” lide com o volume, com o espaço arquitetônico, físico”, diz. Outra diferença em relação à experiência de Gamboa é o tipo de material utilizado. Enquanto o primeiro debruçava-se sobre elementos próximos à cultura do carnaval e da festa de rua, nas esculturas mais recentes Beatriz buscou propositalmente trabalhar com elementos mais resistentes, com materiais atraentes como os metais polidos, o acrílico e a madeira, transformada em suporte para intervenções pictóricas.

 

“Sou uma pessoa do bidimensional. Minhas ideias, conceitos estão totalmente ligados ao plano”, afirma, explicando como foi difícil e instigante esse desafio. “A maior dificuldade foi começar a raciocinar em três dimensões”, explica. Trata-se de um processo cheio de idas e vindas, no qual procurou “a partir do meu repertório, aprofundar, trabalhar verticalmente, evoluindo na tridimensionalidade”. “Foi quase uma aventura”, conclui Beatriz, que este semestre terá grande parte de sua obra reunida em um volume da série especial que a editora alemã Taschen dedica a grandes pintores contemporâneos. O livro, em grande formato, terá tiragem limitada (assinada de próprio punho pela artista) e será lançado em quatro idiomas: alemão, inglês, francês e português. Beatriz fará assim parte de um seleto grupo de homenageados que já inclui nomes como Jeff Koons, Cristopher Wool, Neo Rauch, Albert Ohelen, Darren Almond, Ai WeiWei e David Hockney.

 

“Marola, Mariola e Marilola”, que reforça a vocação experimental e de promoção de cruzamentos entre diferentes linguagens da Carpintaria.

 

 

 

Até 15 de julho.

 

 

Sobre a artista

 

Beatriz Milhazes é formada em Comunicação Social. Ingressou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage em 1980, onde estudou até 1983. Como professora de pintura, lecionou até 1996. Milhazes é considerada uma das mais importantes artistas brasileiras. Consolidou sua carreira no circuito nacional e internacional de artes visuais com participação nas bienais de Veneza  – 2003 -, São Paulo – 1998 e 2004 -, e Shangai – 2006 -, e exposições individuais em museus e instituições prestigiosas, como a Pinacoteca do Estado de São Paulo – 2008 -; Fondation Cartier, Paris – 2009 -; Fondation Beyeler, Basel -2011 -; Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa – 2012 ; Museo de Arte Latinoamericano, Malba, Buenos Aires – 2012 -; e, mais recentemente, o Paço Imperial, Rio de Janeiro,  – 2013-, e o Pérez Art Museum, Miami, USA,  – 2014/2015. Suas obras integram as coleções do Museum of Modern Art (MoMA), Solomon R. Guggenheim Museum e The Metropolitan Museum of Art (Met), em Nova York; do 21st Century Museum of Contemporary Art, no Japão; e do Museo Reina Sofia, em Madrid, entre outros. A artista vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Nelson Felix na Millan

15/maio

A Galeria Millan, Vila Madalena, São Paulo, SP, apresenta até o dia 20 de maio, a exposição inédita de Nelson Felix “Variações para Cítera e Santa Rosa”. A mostra, que ocupa os espaços da Galeria e do Anexo Millan, reúne esculturas e desenhos que refletem as ações do quarto trabalho da série “Método poético para descontrole de localidade”, iniciada em 1984.

 

“O Método poético, como expressa o título, visa traduzir uma ideia de espaço, de construção poética, que amalgama locais por meio do desenho e ações semelhantes”, explica o artista. Como uma ópera e seus atos, as três obras anteriores – “4 Cantos”, “Verso” e “Um Canto Para Aonde Não Há Canto” -, foram realizadas em Portugal (2007/08), em Brasília (2009/11) e São Paulo (2011/13). E agora o quarto trabalho na Galeria Millan e no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, simultaneamente.

 

“Como nos livros de poesia moderna, em que desenhos ou gravuras criavam uma relação entre texto e imagem, o “Método” possui um processo similar. Nesse sentido, esculturas, desenhos, ações, fotografias, vídeos e deslocamentos ilustram um texto, formando uma noção de lugar, que submete-se a um desenho no próprio globo terrestre”, revela Nelson Felix.

 

Em “Variações para Citéra e Santa Rosa”, como no projeto no MAM carioca, Nelson Felix elege o poema de Mallarmé “Um Lance de Dados Jamais abolirá o Acaso” para desestruturar a ideia de um só espaço expositivo. Partindo desse princípio, ele lança um dado, com o número seis em todas as faces, sobre um mapa-múndi, em uma data e hora estabelecidas e em um local incidental do curso de uma estrada. O dado, jogado, define seu acaso, não mais pela aleatoriedade do número, mas sim pela aleatoriedade de sua posição indicada sobre o mapa. Com isso, o artista viaja a Cítera, ilha jônica grega e a Santa Rosa, no pampa argentino.

 

Na Galeria e no Anexo Millan encontra-se em exposição, dezoito desenhos (em lacre, mármore, planta, cabo de aço, bronze e tecido) e sete esculturas (em mármore de Carrara, bronze, planta e tv), que remetem ao poeta francês e aos espaços percorridos pelo artista. “Existe hoje um entrecruzamento de fatores físicos e não-físicos acoplados ao entorno da arte, fatores como: informações, significados, história, hierarquia, tempo etc.; o nosso espaço atual, pelo menos em arte, não é mais tão limpo. Neste quarto trabalho, como nos anteriores, também reúnem-se ambientes externos e internos, mas seu interesse encontra-se nos múltiplos significados criados no próprio sítio da exposição”, conclui o artista.

Suzana Queiroga no MNBA

Completando dez anos de criação, o projeto “Ver e Sentir através do toque” do Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, RJ, voltado para a acessibilidade e a sustentabilidade, inaugura uma nova fase: o foco agora se volta para a arte contemporânea.

 

Nesta nova etapa a convidada é a artista visual Suzana Queiroga, integrante da famosa Geração 80 do Parque Lage, cuja exposição o MNBA abre na Sala Mario Barata, no dia 16 de maio, às 12h, em evento integrante da 15ª Semana dos Museus, promovida pelo IBRAM.

 

Um dos destaques da mostra é a obra “Topos”, um relevo em gesso doado em 2009 ao MNBA, produzida já com a intenção de participar de um projeto educativo, no qual a relação com a obra pudesse ser estimulada a partir da percepção tátil.

 

Além desta, serão exibidas outras três obras, sendo que uma delas será produzida na abertura da exposição, focando no desenvolvimento de uma rica experiência sensorial com cegos e videntes. Suzana Queiroga vai apresentar um mapa interativo da região onde se localiza o Museu Nacional de Belas Artes, além de outras obras que poderão ser tateadas.

 

O trabalho “Topos” será ambientado num novo contexto, onde a percepção visual pode ser minimizada e outros sentidos precisam ser ativados, o relevo, junto a outras obras, ganha novas dimensões e um espaço ampliado. Em um ambiente com pouca iluminação e sem informação textual, pretende-se acionar outros sentidos, que as cores ganhem som, cheiro, textura, sentimentos e sensações.

 

“É um caminho a ser percorrido com o corpo, onde o tempo é ativado e uma narrativa se inicia. Aqui, dar espaço aos outros sentidos é uma oportunidade singular de reaprender o mundo”, explicam os curadoes Daniel Barretto, Simone Bibian e Rossano Antenuzzi, todos técnicos do Museu Nacional de Belas Artes/Ibram/MinC.

 

Paralelamente, haverá uma mesa-redonda com a artista e seus convidados, discutindo o tema da ciência e arte, incluindo a participação de uma neurocientista.
Iniciado em 2007, o projeto previu a possibilidade do toque em reproduções em baixo relevo e algumas maquetes, feitas a partir do acervo artístico do museu, de obras especialmente selecionadas para este trabalho. O objetivo foi possibilitar a experimentação estética e o conhecimento sobre história da arte e processos artísticos, tornando-os acessíveis às pessoas cegas e com baixa visão, de forma a democratizar o acesso à cultura.

Véio na Gustavo Rebello

11/maio

O artista sergipano Véio mostra esculturas na galeria Gustavo Rebello Arte, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ. Cícero Alves dos Santos, conhecido no mundo das artes como Véio, exibe esculturas talhadas em troncos, galhos e raízes, nessa que é a sua primeira exposição individual no Rio de Janeiro. O trabalho deste artista combina aspectos da tradição popular – como a escultura em madeira, o aproveitamento das figuras sugeridas por troncos e galhos e o uso de ferramentas rudimentares – com cores intensas, muito mais próximas das cores industriais que dos matizes da natureza.

 

Essa estridência algo pop é intensificada por uma imaginação formidável, que nos faz ver em suas madeiras figuras híbridas, que compartilham traços dos bichos que conhecemos com os androides e transformers de filmes e desenhos animados. Com um simples canivete, Cícero esculpe formas diminutas em tamanho, mas com uma figuração enigmática, que lhes restitui a força reduzida pela escala.

 

Cícero Alves dos Santos vive nos arredores de Nossa Senhora da Glória, uma importante cidade do sertão de Sergipe, com aproximadamente 50 mil habitantes e uma feira de renome no Estado. A convivência com um ambiente tão ambíguo e dinâmico certamente instigou ainda mais o talento desse sertanejo incomum, que fez da preservação da memória de sua gente a razão de sua existência, mostrando um mundo rural que vai desaparecendo. Trabalho este que já foi exibido em Londres, em individual na Seeds Gallery, e já participou de coletiva na Fundação Cartier, em Paris.

 

“Quando a Vilma Eid, da Galeria Estação, sondou-me a respeito de uma mostra do trabalho do Véio, minha resposta afirmativa foi imediata. A obra do artista sempre me fascinou, pois dialoga com as questões da arte brasileira atual, não fica restrito ao rótulo de arte ingênua e popular, transcende”, analisa Gustavo Rebello.

 

“O que chama logo a atenção é o modo livre e franco como essa fauna imaginária chega ao real. Quase sempre em movimento, mais ou menos como um bicho sai do mato e, de repente, surge à nossa frente. Não sei, sinceramente, se Véio conhece Picasso e Miró. Em todo caso, eles o conhecem, rondam o seu imaginário, participam de seu processo de produção. A divertida economia de meios, a espontaneidade com que vêm a ser, certo tônus vital descontraído, talvez as deixem mais à vontade sob a rubrica do Pitoresco”, diz o curador da exposição, Ronaldo Brito.       

 

Véio é como um repentista ágil, a improvisar com as madeiras nativas de seu habitat agreste, acompanhando ou contrariando as rimas de sua morfologia, e delas tirar efeitos inesperados. Alguma peças se me afiguram quase ready-mades do sertão – duas ou três manobras inspiradas bastam ao artista para transformar os galhos secos de uma árvore morta num bicho ligeiro de escultura.

 

“A nenhum texto crítico, ainda que curto e despretensioso, seria perdoável calar-se diante do pequeno escândalo que representa a cor na escultura de Véio. E não apenas porque se mostram cores abertas, sem nuances ou matizes, extrovertidas e vibrantes, aptas a competir com a luz brutal do sertão. Mesmo o seu negro parece suscetível de brilhar no escuro. O importante é que atuam de maneira substantiva na definição do corpo da escultura, caracterizam a sua personalidade. Intuitivamente, Véio faria um uso topológico da cor. Elas promovem a interação entre as partes das peças de modo a torná-las um Todo descontínuo moderno. As esculturas não se resumem a simples figuras projetadas contra um fundo neutro. Elas reagem a seu entorno, acontecem no mundo”, finaliza o curador da exposição, Ronaldo Brito.

 

 

Apresentação

 

Esta é mais uma conquista do Cícero Alves dos Santos, Véio. De Nossa Senhora da Glória a Paris, Veneza, Londres, e agora o Rio de Janeiro. Homem sensível, ele percebeu cedo seu dom. Tinha consciência de que era artista e, quando o conheci, sabia muito bem que o que desejava era o reconhecimento. Conseguiu, e isso não é algo fácil. Escultor desde sempre, seu trabalho ganhou espaço no mercado de arte entre colecionadores e instituições, como a Pinacoteca de São Paulo e a Fundação Cartier em Paris. No Rio de Janeiro ele está nas coleções do MAM e do MAR. Seu nome e sua obra são conhecidos e reconhecidos. A associação feliz da Galeria Estação com a Gustavo Rebello Galeria de Arte nos trouxe aqui. Gustavo, querido amigo e admirador do Véio, tornou-se importante parceiro para que a Cidade Maravilhosa também seja palco e sede desta individual. E o fato de o Ronaldo Brito ter aceitado, com alegria, o convite para a curadoria coroa este projeto. Seu texto, generoso e preciso, é mais um passo para a compreensão da obra contemporânea do Véio. Precisa ser lido e assimilado porque, entre muitos atributos, tem o mérito de contribuir para acabar com as falsas fronteiras na arte.

Divirtam-se.

Vilma Eid

 

 

A palavra do Curador

 

De Surpresa no Mundo

 

O que chama logo a atenção é o modo livre e franco como esta fauna imaginária chega ao real. Quase sempre em movimento, mais ou menos como um bicho sai do mato e, de repente, surge à nossa frente. E não se trata de um movimento representado – sua própria formalização é que é movimentada, rápida e sucinta a escultura se apresenta e nos interroga.  Traduz assim o ideal moderno da autossuficiência da forma: ela sustenta a sua surpresa estética como se quisesse aparecer, de novo e sempre, pela primeira vez. Não sei, sinceramente, se Véio conhece Picasso e Miró. Em todo caso, eles o conhecem, rondam o seu imaginário, participam de seu processo de produção.

 

Dado o seu aspecto disforme, muitas dessas figuras mereceriam se incluir na categoria do Grotesco. Poderiam até responder ao célebre apelo surrealista de André Breton: “A beleza será convulsiva ou não será”. No entanto, a divertida economia de meios, a espontaneidade com que vêm a ser, certo tônus vital descontraído talvez as deixem mais à vontade sob a rubrica do Pitoresco. A meu olhar, pelo menos, não parecem nada assustadoras. Estranhamente familiares, teriam com certeza algo de onírico, jamais evocam contudo o terror do pesadelo. Mas o principal, o que de fato interessa é o seu modus operandi poético. Reparem a desenvoltura com que fazem coincidir meios e modos – seja qual for o seu enigma de origem, sua aparência intrigante, as contorções da madeira nunca perdem de vista a exigência escultórica básica: a peça há de ficar de pé por si mesma. Esses bichos inverossímeis começam por enfrentar o teste de realidade elementar: existir por conta própria, exercer sua liberdade de ação.

 

À contracorrente do cânone da chamada Arte Popular Brasileira (de resto, no modesto entendimento do crítico outsider nesse domínio, uma classificação essencialista caduca) as esculturas de Véio são tudo menos hieráticas. Não surgem, estáticas e extáticas, do fundo do tempo, a conservar tradições e vivências varridas pela ação predatória da modernidade. Tampouco obedecem à religiosidade inerradicável de certa estatuária humilde que costuma ser agraciada – e, com isso, esteticamente sublimada – com a aura da humanidade pura. Em comparação, já por sua mobilidade casual, a escultura de Véio resulta decididamente profana. Ninguém ousará contestar sua extração mítica; dito isso, ela vale sobretudo por seus achados formais, indissociáveis, é evidente, de seu conteúdo de verdade histórico e existencial. Ela nos atrai justo por sua contemporaneidade, porque nela pulsa uma vida imaginativa atual.

 

De imediato, sem preâmbulos, nos descobrimos às voltas com uma verve combinatória capaz de articular, desarticular e rearticular seus elementos plásticos de maneira coerente e inventiva. Nesse sentido, Véio demonstraria, acima de tudo, expediente. É o repentista ágil, a improvisar com as madeiras nativas de seu habitat agreste, acompanhando ou contrariando as rimas de sua morfologia, e delas tirar efeitos inesperados. Algumas peças se me afiguram quase ready-mades do sertão – duas ou três manobras inspiradas bastam ao artista para transformar os galhos secos de uma árvore morta num bicho ligeiro de escultura.

 

A nenhum texto crítico, ainda que curto e despretensioso, seria perdoável calar-se diante do pequeno escândalo que representa a cor na escultura de Véio. E não apenas porque se mostram cores abertas, sem nuances ou matizes, extrovertidas e vibrantes, aptas a competir com a luz brutal do sertão. Mesmo o seu negro parece suscetível de brilhar no escuro. O importante é que atuam de maneira substantiva na definição do corpo da escultura, caracterizam a sua personalidade. Intuitivamente, Véio faria um uso topológico da cor. Elas promovem a interação entre as partes das peças de modo a torná-las um Todo descontínuo moderno. As esculturas não se resumem a simples figuras projetadas contra um fundo neutro. Elas reagem a seu entorno, acontecem no mundo.

Ronaldo Brito

 

 

Até 25 de maio.