Antropofagia no Santander

30/out

Com o título “Mensagens de Uma Nova América” a 10ª Bienal do Mercosul retoma sua vocação histórica ao priorizar novamente a arte produzida nos países da América Latina. No Santander Cultural, Grande Hall e Galerias superiores, Centro Histórico, Porto Alegre, RS, está a mostra “Antropofagia Neobarroca”.

 

Esta exposição se estrutura a partir do conceito de antropofagia de Oswald de Andrade em conjunção com o neobarroco. Por meio desta mostra a 10ª Bienal do Mercosul buscará explorar como estratégias que remontam a formas de caráter indígena que confrontaram e modificaram sistemas europeus de colonização cultural em uma espécie de antropofagia cultural que se mostra atual ainda hoje.

 

 

Até 06 de dezembro.

Museu Alfredo Andersen exibe Alfi Vivern

Está em cartaz no Museu Alfredo Andersen, Curitiba, Paraná, a mostra “Outros planos”, do escultor Alfi Vivern. Trata-se da primeira exposição a ocupar o espaço recém-batizado de Sala do Artista Convidado.

 

Compõem a mostra uma esmerada série de peças em basalto.  “As escadas em basalto desta série exploram os altos e baixos e o valor escondido em cada plano, bem como o nascimento e morte do movimento, da ação e seus ritmos possíveis”, explica o artista.

 

Para a diretora do Museu Alfredo Andersen, Débora Russo, as obras de Alfi Vivern dialogam com o espaço expositivo, ela diz mais: “…as peças são esculpidas em basalto, material que resiste ao tempo, assim como o museu. As escadas do artista projetam novas espacialidades onde as curvas talhadas possam ser visitadas em seu movimento, estes altos e baixos se apresentam no basalto milenar e convidam a pensar sobre o tempo e as forças que nele atuam”.

 

 

Sobre o artista

 

Alfi Vivern é escultor e gravador. Nasceu em Buenos Aires em 12 de setembro de 1948. Aos 20 anos se formou em desenho publicitário e por dois anos frequentou o Instituto Di Tella. Veio ao Brasil em 1972 para montar seu primeiro ateliê em Salvador, Bahia. Em sua carreira como artista, participou de simpósios na América Latina, Europa e Ásia, ministrou inúmeros workshops, palestras e compôs mesa de jurados em diferentes eventos de artes plásticas. Seu trabalho ganhou prêmios e concursos, entre eles: Primeiro Prêmio no EMAAR International Art Symposium, Dubai, em 2007; Prêmio na 1ª Bienal de Escultura, León-México, em 2006; e Primeiro Prêmio no III Concurso Internacional de la Talla en Piedras, Barichara-Colômbia, em 1996.

 

 

Até 03 de janeiro de 2016.

Desenhos e bronzes

29/out

O artista e escultor mineiro Leo Santana estreia na Galeria Scenarium, Centro Antigo, Rio de Janeiro, RJ, a exposição “Do Outro Lado do Desenho”. Mundialmente conhecido por sua obra “Drummond no Calçadão”, instalada desde 2002 em Copacabana, o artista escolheu o Rio de Janeiro como ponto de partida para apresentar a diversidade da sua obra em uma nova trajetória.

 

Em 25 anos de criação, a escultura em bronze tem sido a manifestação principal do seu trabalho em diversos espaços públicos do Brasil e do exterior. Eternizadas em bronze, figuras importantes das artes e da história brasileiras foram homenageadas pela contribuição inestimável que deram à nossa cultura. A principal característica das esculturas em bronze de Leo Santana, figuradas em tamanho natural, é o fato de se relacionarem no mesmo nível do chão, sem pedestal, com o público circundante. Talvez por isso, Drummond no Calçadão seja, atualmente, um dos monumentos públicos mais visitados, fotografados e abraçados do Rio de Janeiro.

 

Na obra de Leo Santana, a vivência do tridimensional amadureceu e ele vem encontrando, em sua trajetória criativa, “grande satisfação em experimentar o outro lado do objeto desenhado”.  Para essa nova exposição, serão apresentadas peças em bronze, de dimensões variadas, que dialogam com desenhos especialmente criados a partir da observação do artista destas mesmas esculturas. Do outro lado do desenho está o vulto pleno, a tridimensionalidade, o movimento. O jogo entre claro e escuro, presente tanto no desenho quanto nas esculturas, será explorado em toda a exposição. “Os volumes são feitos de claros e escuros. No desenho, o artista desenha a sombra. Na escultura, a sombra surge pelo volume criado pelo artista. Essa inversão do processo, de criar desenhos utilizando esculturas como modelos, poderá ser percebida pelo público durante a exposição”, explica o artista. Ao todo, estarão expostos na Galeria 16 desenhos e 28 esculturas em bronze, algumas delas com o tamanho quase real de uma pessoa.

 

O histórico casarão do século XIX, totalmente restaurado e situado no coração do Rio Antigo, foi escolhido por Leo Santana para expor suas obras em razão da riqueza de contrastes presentes no lugar. A Galeria Scenarium é um espaço multicultural.

 

 

De 27 de outubro a 21 de novembro.

Formas incandescentes

23/out

O artista Mauricio Bentes foi saudade como um dos grandes nomes da escultura brasileira da década de 1980 até o ano 2000. Com curadoria de Marcus Lontra, sua obra ganha uma mostra panorâmica no Paço Imperial, Centro, Rio de Janeiro, RJ. A mostra “Mauricio Bentes: formas incandescentes”, apresenta 35 obras que buscam sintetizar a trajetória curta – porém dinâmica e espetacular – do artista falecido precocemente em 2003, aos 45 anos.

 

Discípulo de Celeida Tostes na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio e de Haroldo Barroso nas Oficinas do Museu do Ingá, em Niterói, Bentes tem uma produção caracterizada pela criação de artefatos de extrema potência artística, que ultrapassam os limites da escultura e envolve outros sentidos além da visão. Sua obra tridimensional transita por esculturas, instalações, videoinstalações, monumentos públicos, intervenções, cenografias para cinema, espetáculos teatrais e balés. Inicialmente em cerâmica e depois em ferro e aço, suas obras caracterizam-se por uma ação incisiva do fogo que molda e transforma os materiais. Utilizando a solda, o artista produziu uma “metalurgia poética” onde as formas surgem “em pleno estado de suspensão”. A introdução do néon e de outros recursos de luminosidade, sugerem ora elementos vindos do interior da terra ora estranhos e belos meteoritos de espaços distantes do universo. Ao mesmo tempo, o artista realizou trabalhos de grandes dimensões, produzindo elementos cenográficos e de integração arquitetônica, como no caso das criações para os prédios públicos da cidade de Palmas, no Tocantins. Em 1989, assumiu a direção da Oficina de Escultura do Ingá, onde permaneceu até 2002.

 

 

O texto do curador

Maurício Bentes Formas Incandescentes

 
As obras que integram a exposição “formas incandescentes” buscam sintetizar a trajetória curta – porém dinâmica e espetacular – de Maurício Bentes, caracterizada pela criação de artefatos escultóricos de extrema potência artística. Coerente com os ideais de sua geração, o artista entendia as práticas de seu ofício como instrumento fundamental em seu processo criativo. Ele era o homem do projeto, o arquiteto, mas era também o operário, o construtor. A escultura surge pelo domínio do fogo; primeiro pelo cozimento do barro e depois pela fundição, pela forja e pelas soldas dos metais. Aluno de Celeida Tostes e Haroldo Barroso, com a primeira aprendeu a ver a arte como processo, como gestação, compreendendo a arte como organismo vivo e dinâmico, e, com o segundo, a fundamental importância do método de construção, da clareza formal e da objetiva definição de seus propósitos. Maurício Bentes é o artista dos contrastes e nele habita o ímpeto da dualidade. A obra de arte nasce do embate de ações opostas: a organicidade e a construção, o opaco e a luminosidade, a tradição e o novo. O ferro é noite, silêncio e mistério; a solda sangra, é sede, cera e suor, e a luz é a imanência do ser, o útero encantado da verdade. Seus trabalhos dialogam com os móbiles de Calder, com os cinéticos de Palatnik, com a luminosa pop art de Dan Flavin, com a modulação construtiva de Franz Weissmann. Dessa diversa e variada fonte de referências surge uma obra vibrante e apaixonada, um espetáculo visual de grande impacto, luzes da escuridão. Essa é a estranha natureza que povoa o universo de Maurício Bentes. São pedras, rochas, cristais, superfícies e interiores, “meninos que comem luz”. A reunião de um conjunto expressivo de obras do artista no mesmo espaço físico permite aflorar a integridade e a coerência de suas ações e reafirma a importância da arte como estratégia de sobrevivência do espírito libertário e criativo do homem sobre a Terra. Marcus de Lontra Costa, curador.

 

 

Até 29 de novembro.

Not Vital no Paço Imperial

O Paço Imperial, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a obra do célebre escultor suíço Not Vital na primeira exposição institucional do artista na América do Sul. Aos mais de 60 anos de idade e com uma carreira que perpassa quatro décadas, Vital surge como pensador singular e original, cuja prática artística envolve filosofias sobre habitação e vida material. Acostumado a um estilo de vida nômade, Not Vital é um incansável viajante e explorador curioso. Sua obra busca inspiração e admiração em muitos lugares distintos e díspares que, ao longo do tempo, chamou de lar. Criado no pequeno vilarejo de Sent, situado na região elevada e montanhosa do vale Engadin, na Suíça, Vital, desde então, viajou ao redor do mundo. Primeiro fixou residência em Nova York, durante a década de 1980, e, depois, internacionalmente, entre continentes, montou estúdios e construiu esculturas arquitetônicas como habitações transitórias em centros urbanos e vastas paisagens desde o Cairo, Patagônia, no Chile, até Agadez, em Níger, Pequim, na China, Flores, ilha da Indonésia, e no Rio de Janeiro. A mostra foiorganizada por Olivier Renaud-Clément.

 

Envolvendo-se com as impressões culturais locais e assimilando-as em sua prática artística mais ampla, Vital traz obras nesta exposição que exploram o relacionamento entre materialidade, forma e significado; elas apresentam temas familiares que o artista concebe de modos totalmente inesperados. “HEADs” de 2013-2015 é um novo conjunto de obras que traz outra concepção do retrato e atravessa o representacional com o abstrato. Vital buscou inspiração na forma do Buda, que encontrou durante uma viagem ao Laos, em 2013. Transformando a intensa espiritualidade e incrível beleza do ídolo em sua linguagem escultural especial, Vital reduz a representação figurativa a contornos sutis que negam qualquer conceito de expressão individualizada. Desse modo, tanto separadas como coletivamente, as esculturas de Vital evocam as formas mais antigas da arte pré-histórica. Contudo, confeccionada em aço monocromático altamente refletor, sua obra pertence enfaticamente aos avanços tecnológicos da sociedade atual. Desde 2008, quando instalou seu estúdio no distrito artístico de Caochangdi, em Pequim, Not Vital vem colaborando com artesãos chineses especializados para produzir esculturas em aço inoxidável. Para a série “HEADs”, a técnica de revestimento por deposição física de vapor foi empregada de forma a criar superfícies refletoras muito polidas e luminosas. Dominando a presença física dos próprios espaços que habitam, as silhuetas ameaçadoras das esculturas de Vital mobilizam o espectador em um remoinho de reflexõesfluidas.

 

 

Numa instalação que ocupa uma parede inteira de uma galeria, Not Vital apresenta “750 Knives”, obra de 2004. Para esta obra, o artista fincou 750 lâminas de tamanhos variados na parede. Do outro lado, as pontas afiadas projetam-se para fora. Neste trabalho de minimalismo imbuído de poesia, Vital cria um relacionamento entre a obra de arte e o espectador que é ao mesmo tempo ameaçador e instigante. Embora desconcertante em sua devastadora violência, a parede possui uma energia tranquila e poderosa, oferecendo uma imagem de beleza surreal. Incitando a forma escultural da obra com uma surpreendente estética de pintura, as sombras criam desenhos em fluxo, um contrapeso para os óbvios atos de provocação.

 

Utilizando novamente a parede como tela, o artista cria uma obra site-specific para o Paço Imperial que traz uma grande semelhança com os vestígios explosivos de uma guerra de bolas de neve. Em “Snowball Wall”, obra de 2015, Vital emprega a arte performática, jogando contra a parede “bolas de neve” de gesso, cujas formas se rompem com o impacto. O artista usou gesso durante toda a sua carreira e explicou muitas vezes que a atração pelo material origina-se do fato que, por um curto período, o gesso toma a consistência da neve. Transformando e elevando formas corriqueiras em criações extraordinárias, ricamente imbuídas de sentido e significado, Not Vital combina uma diversidade de impressões duradouras e experiências pessoais de terras estrangeiras e populações locais que coletou ao longo de muitos anos. A gênese do trabalho de Vital explora com intensidade seu estilo de vida nômade, mas é igualmente influenciada por seu relacionamento, na infância, com a natureza e sua casa nos Alpes suíços. Essa tensão comanda relacionamentos líricos e contrastantes, que exploram temas de cultura e natureza, abstração e mutação, artifício humano e espécie animal, contextualizando também a beleza misteriosa e o jogo conceitual tão profundamente enraizados na essência da obra de Not Vital. Junto com a exposição no Paço Imperial, Not Vital está construindo uma “House to Watch the Sunset”, no Ji-Paraná, perto de Manaus.

 

 

Sobre o artista

 

 
Nascido em 1948 em Sent, na Suíça, Not Vital estudou em Paris e Roma antes de se mudar para Nova York em 1974. Escultor, Vital é também pintor, construtor de pontes, casas e torres, nômade e eterno explorador. Atualmente, mora e trabalha entre o Rio de Janeiro, Pequim e Sent. Not Vital realizou mostras institucionais individuais em: Museo d’Arte di Mendrisio, Mendrisio, Suíça (2015); Musées d’Art et d’Histoire, Genebra, Suíça (2014); Isola di San Giorgio Maggiore, Veneza, Itália (2013); Ullens Centre for Contemporary Art, Pequim, China (2011); Museo Cantonale d’Arte di Lugano, Suíça (2007); The Arts Club of Chicago, EUA (2006) e Kunsthalle Bielefeld, Alemanha (2005). Em 2001, participou da 49º Bienal de Veneza (com curadoria de Harald Szeeman). Sua obra compõe acervos públicos ao redor do mundo, tais como: Carnegie Institute, Pittsburg, EUA; Dallas Museum of Art, Dallas, EUA; Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York, EUA; Kunstmuseum Bern, Berna, Suíça; Kunsthalle Bielefeld, Bielefeld, Alemanha; Kunstmuseum Luzern, Lucerna, Suíça; Musées d’Art et d’Histoire, Genebra, Suíça; Museum of Fine Arts, Boston, EUA; Museum der Moderne, Salzburgo, Áustria; Philadelphia Museum, Filadélfia, EUA; The Museum of Modern Art, Nova York, EUA; The Ashmolean Museum, Oxford, Reino Unido; The Brooklyn Museum, Brooklyn, EUA; Toyota Municipal Museum of Art, Aichi, Japão.

 

 

Até 29 de novembro.

10ª Bienal do Mercosul

22/out

A cerimônia oficial de abertura da 10ª Bienal do Mercosul, que ganhou a titulação geral de “Mensagens de Uma Nova América”, ocorre nesta sexta-feira, dia 23 (e até 06 de dezembro), no Santander Cultural, Centro Histórico, Porto Alegre, RS. Está sendo anunciada a presença de membros da Diretoria e do Conselho de Administração, equipe curatorial desta edição, artistas, patrocinadores e parceiros.
A mostra “Antropofagia Neobarroca”, situada no Santander Cultural estará aberta para visitação.As demais mostras abrem para visitação no sábado, 24 de outubro. Em exibição obras dos mais importantes artistas latinos de diversas épocas como dentre outros, Maria Martins, Iberê Camargo, Tunga, Ione Saldanha, Hélio Oitica, Tomie Ohtake, Estevão Silva, Wesley Duke Lee, Amílcar de Castro, Carmelo Arden Quin, Cruz Diez, Tunga, Cildo Meireles, Adriana Varejão, Carlos Asp, João Fahrion, Liuba, Pedro Américo, Oswaldo Maciá, Rubén Ortiz-Toreres, Romanita Disconzi, Avatar Morais, Paulo O. Flores, Didonet Thomas, Francisco Ugarte, Luiz Zerbini e Daniel Lezama.

 

 

Mostras, Espaços Expositivos e Horários

 

Modernismo em Paralaxe
MARGS – Praça da Alfândega, s/n – Centro
Horário: De terça a domingo, das 9h às 19h

 

Biografia da Vida Urbana
Memorial do Rio Grande do Sul – Praça da Alfândega, s/n – Centro
Horário: De terça a domingo, das 9h às 19h

 

Antropofagia Neobarroca
Santander Cultural – Praça da Alfândega, s/n – Centro
Horário: De terça a sábado, das 9h às 19h. Domingo, das 13h às 19h

 

Marginália da Forma / Olfatória: o cheiro na arte
A poeira e o mundo dos objetos/Aparatos do Corpo
Usina do Gasômetro – Av. Pres. João Goulart, 551 – Centro
Horário: De terça a domingo, das 9h às 21h.

 

Plataforma Síntese
Instituto Ling – R. João Caetano, 440 – Três Figueiras
Horário: De segunda a sexta, das 10h30 às 22h. Sábado, das 10h30 às 21h. Domingo, das 10h30 às 20h

 

Programa Educativo e a obra A Logo for America – Alfredo Jaar –

Centro Cultural CEEE Erico Verissimo – R. dos Andradas, 1223 – Centro Histórico
Horário: De terça a sexta, das 10h às 19h. Sábado, das 10h às 18h

Giovani Caramello, nova série

21/out

Em novembro, ele que emocionou e intrigou os fãs de esculturas hiper-realistas em todo o Brasil está de volta e com novidades. Após um período em pesquisa e produção, Giovani Caramello, artista representado pela OMA | Galeria, São Bernardo do Campo, São Paulo, SP, apresenta sua mais nova série de esculturas, ainda inédita, a “Segunda Chance”, na PARTE – Feira de Arte Contemporânea –, edição Paço das Artes, em novembro. Composta, inicialmente, por quatro bustos, sendo que somente duas estarão disponíveis para visitação no estande da galeria durante o evento, as peças contam com uma cicatriz no peito que faz uma alusão a cirurgia de transplante de coração. “Para o Giovani todos nós temos possibilidades de renascer todos os dias, e uma das formas mais frequentes de ‘renascer’ em um estado positivo é a proximidade com a morte material. Isso nos faz refletir a respeito do quão frágil a matéria é e como podemos aproveitar as chances diárias que nos são dadas”, revela Thomaz Pacheco, da OMA | Galeria.

 

Entre as curiosidades da nova série estão o próprio processo produtivo de cada peça, que dura em média dois meses para ser finalizado, e os materiais que tornam as texturas mais próximas a de um ser humano real, como fios de cabelos naturais e a aplicação de silicone por toda a extensão da peça.  Segundo o artista, a inspiração de “Segunda Chance” deu-se na fragilidade da vida e a oportunidade de sempre tentar algo novo e melhor todos os dias. “Minha motivação veio de diversas fontes, como em um livro que li e o autor faz afirmações sobre a nossa capacidade de renascer diariamente. Ao criar essa série,  eu mesmo tentei algo novo, por exemplo, ao iniciar as quatro obras simultaneamente. Arrisquei para acertar e ainda estou pensando se vou manter essa metodologia, mas o mais válido nisso tudo é que tentei uma coisa diferente em meu trabalho”, conta.

 

Em novembro, as peças do artista poderão ser vistas na PARTE – Feira de Arte Contemporânea –, edição Paço das Artes, São Paulo, SP, entre os dias 4 e 8, no estande da OMA | Galeria. Além dele, outros cinco artistas representados pela galeria – Andrey Rossi, Daniel Melim, Nario Barbosa, RIEN e Thiago Toes – e uma artista visual convidada, Juliana Veloso, vão apresentar suas mais recentes e inéditas produções. Enquanto o evento não começa, confira as primeiras imagens de I, da série “Segunda Chance”.

 

 

Sobre a OMA Galeria

 

A OMA | Galeria é o primeiro espaço privado de artes visuais do ABC. Localizada em São Bernardo do Campo, a galeria está sob os cuidados do galerista Thomaz Pacheco. Em pouco tempo, o espaço tornou-se referência na região e destaca-se no circuito das artes por seus projetos culturais, como encontros, workshops e debates (promovidos pelo OMA| Educação e OMA | Cultural), e por seu quadro de artistas representados (Andrey Rossi, Daniel Melim, Giovani Caramello, Henrique Belotti, Nario Barbosa, RIEN e Thiago Toes).

 

 

De 04 a 08 de novembro na  PARTE – Feira de Arte Contemporânea, São Paulo, SP. 

Patrícia Piccinini no CCBB/SP

14/out

“A evolução é uma história de extinções”, diz a artista Patricia Piccinini – e um passeio pelo Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, onde estão abrigadas agora as 41 obras de sua mostra “ComCiência”, que nos faz indagar sobre o futuro.

 

Interessada na relação entre o natural e o artificial, a australiana cria algumas de suas esculturas hiper-realistas de silicone como se fossem seres híbridos originados de experimentações genéticas – suas Metafloras (2015), por exemplo, assemelham-se a flores de pele e pelos. “A genética é uma aposta no escuro e Patricia fala muito sobre uma ética flexível”, define Marcello Dantas, curador da exposição, primeira individual da criadora no País.

 

De fato, esse é um tema pungente levantado em “ComCiência”, que também será apresentada em Brasília. Entretanto, é importante destacar que, principalmente, a artista questiona por meio de sua pesquisa na maneira como se dá o nosso confronto com a estranheza.

 

As peças escultóricas de Patricia Piccinini, que podem levar até 18 meses de execução, têm, curiosamente, uma delicadeza apesar do aspecto orgânico e de certas metamorfoses. As criaturas da australiana, realizadas em um estúdio em Melbourne que, abrigado em uma antiga fábrica, mais parece um “laboratório de efeitos especiais de cinema”, como conta Dantas, inspiram afeto mesmo que fiquem entre o humano, o animal e o surreal. “Crio situações nas quais o público é convidado a sentir empatia”, afirma a artista. Logo no hall do CCBB, A Grande Mãe (2005) representa uma macaca gigante que amamenta um bebê. Já em O Tão Esperado (2008), um menino e um estranho ser estão adormecidos. “Para que você durma com uma pessoa, você tem que realmente confiar nela”, comenta.

“A questão emocional é fundamental na minha obra porque é através da emoção que nos engajamos em algo”, explica Patricia. “Hoje em dia é muito difícil chamar a atenção das pessoas”, diz a australiana sobre o conforto que sente com o caráter espetacular de suas obras. “Eu poderia fazer um trabalho entediante para provar quão intelectual eu sou, mas não é esse o meu objetivo. Quero me conectar com as pessoas. Sou inclusiva e o mundo da arte é o oposto.”

 

Desenhista por formação, a artista, que nasceu em 1965 em Serra Leoa, mas vive na Austrália desde 1972, executa suas obras com a ajuda de um time de profissionais. “Trabalho com iluminadores, maquiadores, pessoas da indústria do cinema que conseguem traduzir os meus desenhos, que nascem da minha imaginação, para formas tridimensionais”, destaca Patricia, que também cria – e exibe em “ComCiência” – fotografias e filmes.

 

 

Até 04 de janeiro de 2016.

 

Fonte: Diário do Grande ABC – Cultura & Lazer

Equilíbrio e atração

17/set

José Carlos Machado é um “hábil designer do impossível”. Desde a década de 80 tem se dedicado à pesquisa na escultura sobre as formas geométricas e suas relações com a lei da gravidade. Conhecido pelo uso do ímã, matéria-prima que confere às suas criações a liberdade do movimento, José Carlos Machado apresenta sua recente e inédita produção na unidade dos Jardins, São Paulo, SP, da Galeria Marcelo Guarnieri.

 

São doze obras, com dimensões variadas, que se configuram como um “ensaio em suspensão”, relacionando as formas com o espaço. Os materiais, que vão desde a madeira, o ferro, o ímã e a fita de aço desafiam às leis da percepção sensorial, como nas obras inspiradas em móbiles, ou que necessitam da força do ar para o movimento ou a flutuação.

 

Intitulando-se como um “equilibrista”, o artista – ao contrário da sua formação em Arquitetura – não projeta a obra no desenho, tudo nasce, ou melhor, é “descoberto”, por meio da experiência dos materiais e as suas sugestões de formas, e possibilidades de relações com o ato do movimento. Neste exercício de “tentativa e erro”, e percepção da potência do mover-se na matéria bruta, interessa a naturalidade das cores dos materiais, em detrimento da aplicação de outra que não pertence – originalmente – aquela matéria-prima.

 

Os trabalhos de José Carlos Machado não desafiam somente às leis naturais da percepção, num diálogo com a física, mas abrem uma senda no espaço. Como se fosse uma folha de papel em branco, o artista desenha, traça, coloca em fuga, como numa dança, as linhas geométricas de suas esculturas. Os movimentos que daí derivam contam com o acaso: o encontro de “atração” da força da natureza (a matéria-prima e o ar), e as formas sugeridas pelo artista.

 

 

Sobre o artista

 

José Carlos Machado (Zé Bico) não inventa: descobre. Descobriu que o tempo altera a química das coisas, que o uso de ímãs cria zonas de tensão, que agrupar as peças em duplos/pares propicia contrastes conceituais. E assim, vai dobrando, cortando e enroscando suas peças (sem soldas) em busca de um equilíbrio cada vez mais precário onde o mínimo é o máximo – um achado que confere à sua obra uma insustentável leveza. Amilcar de Castro deu as melhores lições de esculturas ancoradas no chão; José Carlos é um aprendiz aviador, prestes a ocupar o ar enquanto espaço.” – Lisette Lagnado In: Poéticas Atraentes (1989).

 

 

De 19 de setembro a 17 de outubro.

Paternosto na Dan galeria

11/set

A Dan Galeria, Jardim América, São Paulo, SP, exibe a exposição individual do artista argentino César Paternosto.  A mostra reúne 16 obras e duas esculturas, criadas especialmente para esta ocasião. César Paternosto iniciou a carreira artística como pintor abstrato geométrico no início dos anos 1960, após uma trajetória como pintor figurativo e informalista, escola europeia iniciada durante a Segunda Guerra, em paralelo ao abstracionismo americano. Em 1967, ao mudar-se para Nova York, já com uma carreira consolidada, Paternosto expande as fronteiras formais e teóricas da pintura, convertendo suas criações em objetos, deixando de lado a apreciação frontal da obra.

 

 

Até 12 de outubro.