Novas mostras na Pinacoteca Rubem Berta

07/maio

A Pinacoteca Ruben Berta, Centro Histórico, Porto Alegre, RS, exibe duas exposições sendo “Princípio & Consequências” a que reúne a produção recente da escultora Joyce Schleiniger. Nascida em Santa Maria, participou ao longo de cinquenta anos de inúmeras exposições coletivas e individuais. Também se dedicou ao ensino, de 1966 a 1985, nas faculdades Palestrina, Feevale e Universidade Federal de Pelotas. Graduada em Escultura pelo Instituto de Artes da UFRGS, fez aperfeiçoamentos em escultura, pintura, cerâmica e educação. A partir da sua emigração para a Califórnia em 1985, Joyce Schleiniger abriu seu próprio atelier, onde além do trabalho artístico, proporciona cursos, consultoria, queimas e restaurações. Também produz painéis cerâmicos para fontes, murais e objetos cerâmicos numa integração do utilitário com a pura forma escultórica. Inspirada pela observação da natureza reinventa formas sob o signo da simetria e da repetição de elementos recorrentes.

 

Em consonância com o fascínio pelo corpo despertado pela obra tridimensional de Joyce Schleiniger, a Pinacoteca Ruben Berta oferece ao visitante a oportunidade de se entregar a um cruzamento de olhares com a produção de vários artistas do seu próprio acervo que escolheram o corpo para plasmar a criatividade no plano bidimensional.

 

A exposição intitulada “O Testemunho do Corpo” reúne trabalhos de brasileiros e estrangeiros, datados entre 1871 e 1965, e que possibilitam perceber diálogos entre diferentes gerações na representação da figura humana. Desta maneira a Pinacoteca persiste no objetivo institucional de vivificar o seu acervo através de um instigante encontro poético das esculturas de Joyce Schleiniger com quadros que trazem as assinaturas de Almeida Júnior, Batista da Costa, Di Cavalcanti, Eliseu Visconti, John Johnstone, José Perissinotto, Judith Fortes, PedroAmérico, Luís Nelson Ganem, Maité D´Elba e Vilma Pasqualini.

 

 

De 7 de maio a 12 de junho.

Show off de Marcelo Stefanovicz

29/abr

O GRIS Escritório de Arte, Pinheiros, São Paulo, SP, abriu a exposição “Show Off”, do artista plástico Marcelo Stefanovicz, com curadoria de Paulo Azeco. A mostra é composta por 22 trabalhos – entre esculturas, fotografias e pinturas – que contam histórias e trazem a força do espontâneo como agente modificador e decisivo na elaboração das narrativas.
Em sua nova individual, Marcelo Stefanovicz constrói uma relação íntima com a imagem, seja ela autoral ou apropriada. “Minha inspiração surge de descobertas. Sendo assim, a própria ideia de descobrir é para mim a narrativa.”, comenta. Seu processo criativo é baseado na experimentação e na intuição, gerando novos significados em sua obra que, ao negar um objeto, o evidencia e enaltece ao mesmo tempo. Nas palavras do curador da mostra: “Sua imagem final é densa, cheia de camadas, induzindo o espectador a uma análise que compreende não só o que ali se apresenta, mas o processo de composição.”.

 

Utilizando este mesmo princípio estético de construção, alguns trabalhos de Marcelo Stefanovicz miram para o universo do design experimental, no qual objetos do cotidiano, encontrados aleatoriamente, são empregados como suporte ou meio para a execução da obra. Neste sentido, temos a série Parasitas, que trata dessa relação entre o design e a arte com mais evidência: a partir de lâmpadas e circuito elétrico, são criadas obras tridimensionais que, apesar de se valerem da mesma intervenção plástica e gestual de suas pinturas, continuam sendo lâmpadas e mantendo sua função primeira, qual seja a de propagar luz.
O trabalho de Marcelo Stefanovicz, ao ser revelado pelo ocultamento, trava um diálogo com a narrativa contemporânea, que busca seu discurso no questionamento individual, na omissão e negação. “A melhor história a ser contada, em alguns casos, pode ser aquela que é apenas sugerida.”, conclui o curador Paulo Azeco.

 

 
Até 23 de maio.

Coletiva no Castelinho

27/abr

A partir do dia 12 de maio, o Centro Cultural Municipal Oduvaldo Vianna Filho – o Castelinho do Flamengo – Praia do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ, será ocupado por nove artistas na exposição “Coquetel”.

 

André Renaud, Bernardo Zabalaga, Isabela Sá Roriz, Jeferson Andrade, Joana Traub Csekö, Julia Csekö, Leo Ayres, Mario Grisolli e Zé Carlos Garcia apresentarão trabalhos inéditos, concebidos especialmente para a exposição e em diálogo com a arquitetura eclética que caracteriza o espaço. “Coquetel” pretende reintroduzir este centro cultural da prefeitura do Rio de Janeiro no circuito da arte contemporânea. O local, que já foi cenário de trabalhos de artistas como Marcos Chaves, Ana Miguel, Claudia Bakker e Renato Bezerra de Melo, agora se torna palco de instalações de artistas emergentes.

 

O grupo escolhido para o projeto enfatiza a variedade de mídias e estratégias usadas na arte contemporânea – objeto, escultura, fotografia, apropriações. “Coquetel” trará para o público uma amostragem da diversidade e da maleabilidade com as quais a arte de hoje trabalha, não se intimidando diante de diferentes espaços e situações, mas criando a partir de diversos contextos e suas particularidades.

 

No térreo, Zé Carlos Garcia apresenta uma de suas esculturas aladas, sendo acompanhado na sala ao lado por André Renaud, com duas pilhas de lixo que se espelham.

 

No primeiro andar, Joana Traub Csekö revela um de seus foto-objetos, criado especialmente para o local; Isabela Sá Roriz cria móveis que se desfazem em líquido; e Bernardo Zabalaga mostra o resultado de uma de suas terapias energéticas.

 

No segundo andar, Jeferson Andrade expõe uma pesquisa feita a partir de fotos pessoais de um soldado encontradas na rua; Leo Ayres constrói um viveiro de plantas caseiras; Julia Csekö exibe uma de suas esculturas da série Híbridos; e Mario Grisolli nos provoca com uma máquina construída com o motor de um espremedor de sucos.

 

Na abertura, haverá uma ação-ritual de Bernardo Zabalaga e uma leitura performática de Jeferson Andrade..

 

A exposição contará ainda com duas conversas com curadores, críticos e artistas, nos dias 9 e 30 de junho, quando serão debatidos os temas “arte e magia” e “outros circuitos”.

 

 

De 12 de maio a 12 de julho.

No SESC Santo André

17/abr

O Sesc Santo André, SP, exibe “A Experiência da Arte”, com curadoria de Evandro Salles e nove obras, independentes entre si, dos artistas Cildo Meireles, Eduardo Coimbra, Eleonora Fabião, Ernesto Neto, Waltercio Caldas, Wlademir Dias-Pino e Vik Muniz. Entre esculturas, fotografias, instalações, obras sonoras, performances e poemas visuais, a mostra propõe uma imersão plena no universo poético da arte, ao apresentar peças com diferentes abordagens e estratégias de relação com o público: algumas de total interatividade, outras reflexivas ou inteiramente contemplativas.

 

Concebida no formato de grandes instalações, expostas em aproximadamente 1.700m2 de área interna e externa, “A Experiência da Arte” proporciona ao público a vivência da arte como um acontecimento especial, essencialmente poético, de natureza individual e intransferível. O projeto curatorial repensa o papel da mediação entre obra e espectador, no intuito de incentivar a criação de sistemas próprios de vivência e usufruto da arte. Neste sentido, são evitadas legendas, informações biográficas, discursos comparativos, informações históricas, abordagens sociológicas, antropológicas e demais informações que, segundo Evandro Salles, funcionam como “impedimentos que atravessam e obstruem o caráter essencialmente poético do objeto de arte”.

 

Entre os trabalhos expostos, Cildo Meireles apresenta “RIO OIR” e “Malhas da Liberdade – versão nº 4”. O primeiro, uma obra sonora criada pelo artista em 2012 e que acabou se transformando em longa-metragem, CD e instalação. A obra reúne o som gravado nos principais rios da enorme rede fluvial brasileira, do Amazonas ao São Francisco. “RIO OIR – Ouvir o Rio” convida o público a pensar a água como elemento fundamental da vida no planeta. Por sua vez, “Malhas da Liberdade – versão nº 4” representa uma estrutura de plástico, feita de maneira que as peças podem se encaixar umas às outras indefinidamente, gerando uma variedade incontável de formas e configurações. Apesar da estrutura criar grades que limitam e, de alguma maneira, cerceiam o fluxo, seu desenho permite um inesperado espaço de ultrapassagem, de liberdade de articulação, onde o público interfere e opera um subversivo encontro de saídas e alternativas de caminho.

 

Eduardo Coimbra exibe “Escultura V”, um conjunto escultórico-arquitetônico composto por módulos em estrutura de ferro pintado, com formato de cubos em três tamanhos distintos. Essas peças, de forte inclinação construtivista, são empilhadas criando uma enorme estrutura, que pode ser escalada, ocupada e utilizada pelos visitantes de infinitas maneiras.

 

Por sua vez, a artista Eleonora Fabião traz um conjunto de trabalhos que denominou “Ações Andeenses”, sendo a obra central a performance “Converso Sobre Qualquer Assunto”, na qual se disponibiliza para conversar sobre qualquer coisa, com qualquer pessoa que reaja ao convite da artista. Esta ação ocorrerá uma vez por mês, durante os seis meses de duração da mostra.

 

“Riogiboia” é o título da obra de Ernesto Neto, também concebida especialmente para a exposição. Grande escultura penetrável, de forte impacto visual, tem o formato de uma cobra-labirinto com 122 metros de extensão, podendo ser percorrida em seu interior. Seu piso é feito de madeira, com incrustações de pedra que formam desenhos de signos indígenas tradicionais. Em torno dessa estrutura, grandes painéis são cobertos por fotografias da selva amazônica, justapostas à selva de edifícios que São Paulo configura. Entre esses dois blocos de imagens, as nuvens definem um fluxo do mais precioso líquido: a água. A oposição Urbe-Floresta se apresenta como fonte de reflexão sobre os mitos culturais brasileiros, a necessidade de sua preservação e, ao mesmo tempo, sua projeção no universo urbano.

 

Waltercio Caldas expõe as obras “Camuflagem” e “Inflamáveis”. A primeira, um corredor feito por espelhos, onde algumas poucas palavras problematizam a passagem do público pela estrutura, fazendo com que o olhar do visitante torne-se o objeto central da própria obra. Inflamáveis trata de linguagem e suas codificações. Um carrinho de bombeiro, colocado provocativamente dentro de uma grande vitrine, não possui sua cor característica – o vermelho –, cor esta que “escorrega” literalmente para a parede localizada em frente à vitrine. Significado e significante se descolam um do outro, fazendo com que o carrinho, totalmente branco, revele-se de forma imprevista e inusitada ao olhar do público.

 

Wlademir Dias-Pino, um dos fundadores dos movimentos de poesia construtivista no Brasil e do Poema Processo, apresenta uma nova versão de seu clássico livro “A Ave”. O poeta, hoje aos 88 anos de idade, propõe uma instalação na qual o público, usando o mesmo universo de palavras do poema e seu sistema de leitura, pode produzir novas articulações da obra em uma enorme superfície, coberta com tinta magnética. Assim, os vocábulos e linhas do poema, impressos em forma de imãs, podem ser manipulados em infindáveis possibilidades.

 

Vik Muniz apresenta quatro grandes trabalhos fotográficos em metacrilato, e oferece ao público o seu “Estúdio Vik Muniz”. Neste espaço interativo, seu método de trabalho e de criação fotográfica é disponibilizado, para que qualquer pessoa produza suas próprias imagens, as quais são impressas e também postas em exposição.

 

A mostra, que não tem nenhum roteiro de visitação pré-fixado ou trajetória pré-estabelecida, tem entretanto como seu espaço introdutório a “Sala de Encontro”, usada tanto para receber o público em seus primeiros momentos na área expositiva como para prepará-lo para percorrer um dos trajetos possíveis da mostra. Esta sala funciona como uma espécie de “passagem” entre o mundo cotidiano e o mundo da arte, onde o visitante se preparar para percorrer um universo de natureza mais sensível e complexa.

 

“A Experiência da Arte” não tem um tema central, nem busca a uniformidade de leitura entre estilos e técnicas artísticas. Elimina ao máximo todo tipo de mediação, em prol da livre absorção da poética do objeto de arte. Nas palavras do curador, “Uma exposição de arte é um lugar para ver e experimentar objetos totalmente diferentes daqueles do mundo cotidiano. Eles funcionam para o pensamento, para o olhar e para o coração.”.

 

 

De 21 de abril a 25 de outubro.

Santander : Artes Visuais I e II

16/abr

Santander  : Artes Visuais I

 

O Santander Cultural, Centro Histórico, Porto Alegre, RS, apresenta o “RS Contemporâneo: CORPO SANTO”, através dos trabalhos de Felipe Caldas. A obra de Felipe Caldas expõe com determinação nos traços e forte intencionalidade um cruzamento tão comum ao brasileiro: elementos de diferentes religiões atendendo à mesma crença. Na exposição “CORPO SANTO”, Felipe alia com delicadeza técnica e vivências pessoais e entrega trabalhos carregados de signos comuns ao mesmo e a distintos públicos. Com curadoria do carioca Raphael Fonseca, o artista exibe no Santander Cultural pinturas, desenhos e uma escultura em bambu e papel.

 

 
Até 26 de abril.

 

 

 

Santander  : Artes Visuais II

 

 
Outra exposição do projeto “RS Contemporâneo” no Santander Cultural é “ o vento dissipa lembranças de uma realidade anterior”, de Leonardo Remor e curadoria de Bernardo Mosqueira. De Getúlio Vargas, no interior do Rio Grande do Sul, Leonardo Remor traz projeções de vídeo e um trailer caseiro em trabalhos que têm a intenção de comprovar os efeitos da passagem do tempo. Com transmissões ao vivo de pontos externos do Santander Cultural em diferentes escalas de tempo, a exposição “o vento dissipa as lembranças de uma realidade anterior”  faz com que o visitante ‘assista’ os efeitos da sua própria evolução temporal. As palavras do curador da mostra, o carioca Bernardo Mosqueira, são precisas: “são as pessoas e seus comportamentos aqui dentro que podem gerar interesse”.

 

 
Até 26 de abril.

Duas mostras no MAM-Rio

13/abr

O MAM- Rio, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ, inaugura duas duas exposições: a primeira mostra individual do consagrado artista mexicano Damián Ortega e “Ver e ser visto”, que abordará as relações entre arte, imagem e psicanálise.

 

O artista Damián Ortega, que se divide entre a Cidade do México e Berlim, apresentará no Espaço Monumental do MAM Rio a exposição “O fim da matéria”, com uma instalação inédita em que um grande cubo de isopor de cerca de 6mx6mx6m será transformado durante o período da exposição por um grupo de escultores anônimos brasileiros, que originalmente trabalham para o carnaval. Todos os dias eles irão retirar pedaços deste cubo para fazer esculturas que, juntas, funcionarão como uma espécie de inventário da história da escultura. Dentre as obras que serão feitas em isopor estão trabalhos de artistas como Alberto Giacometti, Louise Bourgeois, Jeff Koons, Henry Moore, Ernesto Neto, Rodin, entre outros. Esta é a primeira exposição individual do artista no Rio de Janeiro, que só expôs anteriormente em uma instituição no Brasil em 2007, no Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte,MG.

 

 

Até 14 de julho.

 

 

Ver e ser Visto

 

Já a mostra “Ver e ser Visto” tem curadoria do psicanalista Guilherme Gutman e terá obras em diferentes técnicas e suportes, como pinturas, desenhos, esculturas e instalações, de cerca de 60 artistas brasileiros e estrangeiros, como Artur Barrio, Angelo Venosa, Anna Maria Maiolino, Carlos Zílio, Djanira, Gustavo Speridião, José Damasceno, Mira Schendel, Pancetti, Vieira da Silva, Waltercio Caldas, Wesley Duke Lee, entre outros.

 

Como parte da exposição, serão realizadas performances no MAM Rio.

 

No dia da abertura, às 19h, o artista Tiago Rivaldo apresentará “Horizonte de nós dois”.

 

No dia 18 de abril, às 16h, serão realizadas mais três performances: a terceira etapa da performance “Horizonte de nós dois”, chamada “Banco de Olhos”; “(Estudo para) um corpo ideal”, de Raphael Couto, e “Veste Nu”, de Daniel Toledo, Ana Hupe.

 

 

Até 19 de julho.

Ascânio MMM na SP Arte

07/abr

A galeria Marcia Barrozo do Amaral, Rio de Janeiro, RJ, apresenta trabalhos Ascânio MMM para SP Arte, Pavilhão da Bienal, Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP. A marchande Marcia investe no trabalho deste grande artista que criou peças exclusivas para a feira. O escultor Ascânio MMM, conhecido também por seus trabalhos em madeira, participará com 12 obras em alumínio, material que o encanta e vem trabalhando nos últimos anos. Os trabalhos carregam um movimento inédito, por conta de um estudo feito pelo artista com os parafusos que prendem as peças de alumínio, que, desta vez, também recebem o espelho. Ascânio Maria Martins Monteiro, nasceu em Fão, Portugal, em 1941, mas é naturalizado brasileiro.

 

 

Entre 09 e 12 de abril.

Marino Marini no Brasil

02/abr

A exposição “Marino Marini: do arcaísmo ao fim da forma” abre a programação 2015 da Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS. Com curadoria de Alberto Salvadori, a entidade gaúcha inaugura a primeira exposição do consagrado artista no Brasil, um nome de projeção internacional.

 

 
Sobre a obra e o artista

 
Do arcaismo ao fim da forma Marino Marini nasce em uma pequena cidade, Pistoia, onde não permanece indiferente às grandes lições giottescas, às de Masaccio e de Pisano e, particularmente, às importantes coleções etrusca e egípcia do museu arqueológico da vizinha Florença. A ligação do artista toscano com a antiguidade faz parte de uma dimensão que pertence ao tempo de seu estudo e de sua formação. As suas esculturas, assim como as egípcias, apresentam-se por assemblage lógica, sem nenhum interesse ilusionístico, introduzindo, assim, outro dado essencial para ler a sua obra: o valor absoluto que ele confere à relação entre arte e arquitetura. Quatro temáticas tiveram particular importância para Marini, três das quais antigas: o retrato, a Pomona e os cavaleiros. A essas deve se somar o tema do circo, com os malabaristas, as bailarinas e os acrobatas. Marino era extremamente fascinado pelo mundo do circo, e a natureza do ofício do malabarista, do palhaço, dos acrobatas intrigava-o. Entreter o público, ser capaz de pertencer a uma tipologia de máscara eterna, tinha tornado esses sujeitos importantes para o seu imaginário. As Pomonas, ao contrário, são a encarnação, segundo Marini, do eterno feminino. A antiga divindade da fertilidade nos é posta como metáfora do nascimento, da plenitude sensual da vida. O cavaleiro e o cavalo estão, desde os anos 30, dentre os temas que mais interessaram a pesquisa de Marino Marini. “As minhas estátuas equestres exprimem o tormento causado pelos eventos deste século. A inquietude do meu cavalo aumenta a cada nova obra. Eu aspiro tornar visível o último estágio da dissolução de um mito, do mito do individualismo heróico e vitorioso do homem de virtudes, dos humanistas”. Convivem história e mito, realidade e fé, testemunhas de que as obras do artista devem ser lidas como passagens que marcam o devir da história. As coisas mudam com o proceder do confronto bélico na Europa, as esculturas se tornam formas seccionadas arquitetonicamente pela grande tragédia. O próprio Marino define as obras do período como arquiteturas de uma enorme tragédia que se liberará, em seguida, no famoso Anjo da cidade, de 1950, que até hoje domina o Canal Grande. A partir dos anos 50 Marini volta a praticar a pintura com maior intensidade. Com cores brilhantes e encorpadas, fechadas em um campo geometrizante que se destaca sobre o fundo plano e com formas sempre mais desagregadas, as obras pictóricas definem, assim como a escultura, uma evidente mudança de chave expressiva. Desenho, gráfica, pintura e escultura vivem em Marini uma simbiose dinâmica, um enredo dificilmente desatável, carregado de tensões e de páthos. O retrato se insere no percurso de Marini como representação dos valores humanos, no qual ele ensaiou o limite mais alto de um criador de formas. A capacidade plástica e a pura invenção são subjugadas à verdade fisionômica do modelo, e os quatro retratos aqui expostos nos colocam diante de tamanha força da representação. O ano de 1950 é decisivo porque o artista decidiu aceitar o convite para ir a Nova York. Em 14 de fevereiro, foi aberta a primeira individual de Marini na cidade americana e iniciou-se um percurso de reconhecimentos internacionais que não mais se encerrou. Estamos na série dos Milagres, eventos ao mesmo tempo terrenos e sobrenaturais, que aludem à morte do homem, ao seu declínio. Dentre as obras presentes nas mostras de 1951 e de 1952, são representadas a dissidência, a ruptura da harmonia entre cavalo e cavaleiro, a ingovernabilidade dos eventos. Tal condição fora de controle constitui o ato final de uma tragédia que encontra no Grito, de 1962, também presente na mostra, sua conclusão. Uma palavra-chave para compreender a escultura de Marino é “tensão”. O artista, mais que sobre o próprio movimento, incide sobre o instante de imobilidade que aparece forçado pela forma na composição e, através do qual, surge o movimento ou a escultura morre. Dentre os oito pequenos bronzes presentes nesta mostra, em Figuras abstratas e Composições, dos anos 60, não é mais perceptível a presença de cavalos e cavaleiros que vivem escondidos nos planos e nos cortes da matéria. Abstração e geometrização não são outra coisa que a ampliação da gama expressiva, da figuração de Marino Marini. Em Uma forma em uma ideia, de 1964, o artista atinge a desagregação e constitui o ato final de uma tragédia interior. Eis então que a série sobre papel Composição, de 1960, e as três grandes têmperas sobre papel – Intensidade (1967), Energias e Vivacidade, ambas de 1968 – colocam-nos de frente a uma pintura íntima e que se esquiva de qualquer construção formal, própria de um artista que não ficou fora de seu tempo. A obra Dois elementos (1971) fecha a narrativa escultural de Marini.

 

 
De 10 de março a 20 de junho.

Catunda no Galpão Fortes Vilaça

01/abr

A nova exposição de Leda Catunda no Galpão Fortes Vilaça, Barra Funda, São Paulo, SP, apresenta pinturas, gravuras, aquarelas, colagens e esculturas, além de um papel de parede estampado desenvolvido especialmente para a mostra. Com o título “Leda Catunda e o gosto dos outros”, a artista traz para o corpo de suas obras um apanhado de referências pop em que questiona conceitos de beleza, exotismo, o bom e o mau gosto.

 

 
Catunda frequentemente analisa o poder exercido pela cultura pop de converter imagens e objetos em signos de status social e pertencimento. Debruça-se, portanto, sobre o gosto das pessoas e suas relações com conforto, identificação e consumo. Ela se apropria de objetos do cotidiano (em geral toalhas, cobertores e roupas), separando-os por temas ou semelhanças, e então realiza interferências que lhes atribuem novas cores, volumes e texturas. Não escapam ao seu olhar a morbidade das camisetas de rock (presentes nas pinturas Botão e Botão II), a objetificação da mulher na publicidade (em MG – Mulheres Gostosas), a profusão das selfies de férias (em Indonésia), os locais exóticos idealizados pelo universo do surfe (na série Ásia).

 

 
Os conceitos de bom gosto e de belo, tão rígidos outrora, são assumidos  pela artista como parâmetros dinâmicos na sociedade contemporânea, diluídos em valores que eventualmente englobam o kitsch e o cafona. Leda Catunda, sensível a essas mutações, procura reconhecer esse novo belo presente no gosto dos outros e assim identificar a ânsia desenfreada do indivíduo de ver-se representado em uma imagem.

 

 
Todas as obras da exposição foram realizadas tomando por base a estrutura dos desenhos no papel de parede. São padrões que, na prática da artista, geralmente surgem nas aquarelas, multiplicam-se nas gravuras e ganham corpo em pinturas e esculturas. O papel de parede, por sua vez, age como síntese do seu vocabulário particular, marcado por contornos arredondados e macios. A exposição contempla todos esses suportes, sendo possível observar, por exemplo, a gravura Drops transfigurar-se nas pinturas da série Borboleta. Com esse diálogo, Catunda explicita o sentido de unidade entre as diversas linguagens desenvolvidas ao longo de sua trajetória.

 

 

 

 
Sobre a artista

 

 
Leda Catunda nasceu em São Paulo em 1961, cidade onde vive e trabalha. Entre suas exposições individuais, destaca-se a mostra Pinturas Recentes, no Museu Oscar Niemeyer (Curitiba, 2013) e que itinerou também para o MAM Rio (Rio de Janeiro, 2013); além de Leda Catunda: 1983-2008, mostra retrospectiva realizada na Estação Pinacoteca (São Paulo, 2009). Uma das expoentes da chamada Geração 80, a artista esteve nas antológicas Como Vai Você, Geração 80?, Parque Lage (Rio de Janeiro, 1984); e Pintura como Meio, MAC-USP (São Paulo, 1983). Sua carreira inclui ainda participações em três Bienais de São Paulo (1994, 1985 e 1983), além da Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2001) e da Bienal de Havana (Cuba, 1984). Sua obra está presente em diversas coleções públicas, como: Instituto Inhotim (Brumadinho); MAM Rio de Janeiro; Fundação ARCO (Madrid, Espanha); Stedelijk Museum (Amsterdã, Holanda); além de Pinacoteca do Estado, MAC-USP, MASP, MAM (todas de São Paulo).

 

 

 

 

 
De 11 de abril a 23 de maio.

Nova mostra de Maria Lynch

20/mar

A Anita Schwartz Galeria de Arte, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição “Aforismas, Rizomas e Selvageria”, individual de Maria Lynch. O chão do grande salão térreo da galeria, que tem 140 metros quadrados de área, será inteiramente coberto com pipoca, que será fabricada pela artista no próprio espaço de exibição. Neste espaço, serão apresentadas doze obras inéditas, produzidas este ano especialmente para a mostra – sete pinturas em grande formato e seis esculturas. A mostra será acompanhada de uma entrevista com a curadora Luisa Duarte.

 

“Um cenário, um ambiente, uma cena; pipoca vira adereço no chão, vira sonoplastia, o espectador pisa, não come. Participa ao entrar, o papel do entertainment é sensorialmente alterado”, diz Maria Lynch.

 

As pinturas em grande formato, com tamanhos que chegam a 2m X 3,45m, com cores fortes e vibrantes, características do trabalho da artista, serão colocadas na parede próxima ao chão e não na altura dos olhos, como é de costume nas exposições. A mostra terá, ainda, uma escultura de parede, de 180cm de diâmetro, em tecido e acrylon, e quatro esculturas de chão, intituladas “Dramatização Invertida”, feitas com brinquedos de plástico, e pintadas cada uma de uma cor: verde, branco, rosa e laranja. “Aqui utilizo brinquedos de plástico que brincamos na infância para projetarmos o ser adulto, aqui inverto essa ordem fazendo o adulto lidar com esta dissolução”, explica a artista.

 

Ao entrar, a mostra sugere elementos de cinema. “O filme está em proporção alterada, o que está dentro da tela não se mexe, falo da pintura, mas fazendo com que ela confronte o espectador de uma outra maneira. Nessa minha busca pelo que se expande da pintura, o que ativa o sensorial e o sensível do imaginário, pratico romper com este sistema, provocar a estranheza da ambiguidade do sentir, da memória, essa fragmentada para excluir a lógica”, afirma a artista.

 

 

Sobre a artista

 

Maria Lynch nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, em 1981, e atualmente vive e trabalha em Nova York. É formada pela Chelsea College of Art and Design, Londres, onde concluiu pós- graduação e mestrado em 2008. Entre suas principais exposições estão “The Jerwood Drawing Prize”, em 2008, com itinerância a partir de Londres para outras cidades da Inglaterra. No mesmo ano participou de “Nova Arte Nova”, no CCBB, Rio e São Paulo, com curadoria de Paulo Venâncio Filho. Em 2010, ganhou o Prêmio Funarte de Artes Plásticas Marcantônio Vilaça. Em 2011, integrou a 6º Bienal de Curitiba Vento Sul, com curadoria de Alfons Hug. Em 2012, mostrou a instalação “Ocupação Macia”, no Paço Imperial, Rio, e a performance “Incorporáveis”, no MAM Rio. Foi convidada para expor durante as Olimpíadas de Londres, 2012, no Barbican Centre. Em 2013, fez exposição individual “Acontecimento Encarnado”, na Anita Schwartz Galeria de Arte e mostrou “Bordalianos do Brasil” na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, Portugal. Depois de realizar uma residência artística na Residence Unlimited, em Nova York, EUA, em 2014 foi contemplada com o Prêmio da Embaixada brasileira para uma exposição individual na Storefront For Art and Arquitecture, em Nova York , EUA, que será realizada em maio deste ano. Maria Lynch está presente em importantes coleções públicas como Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Centro Cultural Candido Mendes, no Rio, Brasil, Coleção Gilberto Chateubriand, Brasil/MAM Rio, Ministério das Relações Exteriores, Palácio do Itamaraty, e Committee for Olympic Fine Arts, em Londres.

 

 

De 26 de março a 09 de maio.