Fotos em co-autoria indígena

13/ago

Em 2008, o fotógrafo e educador visual Danilo Christidis começou a visitar Vherá Poty, cacique da aldeia Guarani Mbyá de Itapuã, em Viamão, no Rio Grande do Sul, a fim de ensiná-lo a fotografar. Não demorou muito para que os papéis se invertessem – Poty se mostrou um fotografo talentoso e passou a ensinar a Danilo como perceber sua comunidade, cultura, filosofia e costumes. “Vamos te receber como uma criança, que precisa ser ensinada a perceber o mundo como nós percebemos”, disse o cacique.

 

O resultado desse intercâmbio está no livro de fotografias “Os Guarani Mbyá”, com registros feitos pela dupla ao longo de sete anos em visita a quinze comunidades indígenas dos Mbyá, subgrupo Guarani que mantém uma unidade religiosa e linguística bem delineada, o que permite o reconhecimento de seus iguais ainda que em aldeias distantes. Do livro, foram selecionadas 24 fotografias para a exposição de mesmo nome, que estreou em Porto Alegre em 2015,já passou por Tucumán (Argentina) e Montevidéu (Uruguai), e chega ao Rio de Janeiro, agora em exposição no Rio Design Barra.

 

As imagens compõe um retrato único de uma sociodiversidade pouco conhecida pelos brasileiros, em íntima comunhão com as matas subtropicais do sul e sudeste do Brasil, distinta por características como organização social, relação com a natureza, religiosidade, arte, educação, medicina, modos produtivos e manejo de recursos naturais, culinária, gestação e parto, além da compreensão da infância, velhice, nascimento e morte. A importância do entorno como fonte para a vida Guarani-Mbyá se reflete em todos os aspectos do “seu modo de ser”.

 

Quem traz a exposição pela primeira vez ao Rio de Janeiro é a marca carioca Reserva, através de seu programa de incentivo ao empreendedorismo social, Rebeldes com Causa. No período da exposição, a loja Reserva do Rio Design Barra terá venda exclusiva do livro “Os Guarani Mbyá”, por R$ 99,00, com renda destinada a projetos sociais conduzidos por Vherá Poty.

 

 
De 15 de agosto a 04 de setembro.

Diferentes olhares na Virgilio

A exposição Raros Vintages & Inéditos, cartaz da Galeria Virgilio, Pinheiros, S~]ao Paulo, SP, traz o trabalho de 32 fotógrafos brasileiros, de várias regiões do país com um resgate histórico da construção da história da fotografia brasileira nas últimas cinco décadas. Trata-se de uma exibição com diferentes olhares, técnicas e suportes diversos e algumas produções contemporâneas, com curadoria de Fausto Chermont.

 

As obras revelam o significado que as fotografias tiveram ao longo do tempo em que foram realizadas, e que trazidas para o presente, proporcionam uma reflexão sobre as imagens e os artistas que ajudaram a construir esta trajetória. São profissionais com idade entre 39 e 67 anos de carreira extensa e ainda em atividade, premiados e que participaram de exposições nacionais e internacionais, com livros publicados.

 

Com o incremento microeletrônico e o advento das mídias digitais – com suas facilidades e conveniências e também por um inegável avanço qualitativo –, a fotografia vive um momento de consolidação de um novo modo de produção. Momento este em que se instala uma dicotomia entre uma produção eminentemente artesanal e histórica e os novos métodos automatizados, possibilitados pela tecnologia digital. Uma revisita técnica, tecnológica e estética do que foi produzido entre os anos 1970 e hoje e os autores que vivem esta transformação estão narrando visualmente esta experiência. São eles: Ana Lucia Mariz (SP), Antonio Saggese (SP), Artur Lescher (SP), Cesar Barreto (RJ), Claudio Machado (RJ), Daniel Renault (MG), Dimitri Lee (SP), Eduardo Castanho (SP), Eustáquio Neves (MG), Fausto Chermont (SP), Fred Jordão (PE), Gentil Barreiras (CE), Guilherme Maranhão (RJ), Hilton Ribeiro (SP), Kenji Ota (SP), Luiz Carlos Felizardo (RS), Marcelo Lerner (SP), Mônica Zarattini (SP), Nair Benedicto (SP), Neide Jallageas (SP), Patricia Yamamoto (SP), Paulo Angerami (SP), Penna Prearo (SP), Ricardo de Vicq (RJ), Roberto Linsker (SP), Roger Sassaki (SP), Rogerio Assis (PA), Rogerio Reis (RJ), Rosa Gauditano (SP), Silvio Dworecki (SP) Vania Toledo (MG) e Zé de Boni (SP).

 

Os fotógrafos que desenvolvem processos diversos, são pesquisadores de técnicas históricas, híbridas e alternativas com diferentes abordagens e olhares em diferentes épocas. Vania Toledo, por exemplo, escolheu uma foto de 1991, época que sofreu um grave atropelamento. No trabalho ela quis fazer uma homenagem à morte com a atriz Gulia Gam e usou uma luz de cinema, soturna que ilumina basicamente o rosto com um clima de morte ou pós-morte. Já Rosa Gauditano optou por um trabalho de 2008 que faz parte do livro Índios os Primeiros Habitantes e mostra oito etnias indígenas e seus rituais.

 

Na foto “Máquina”, Artur Lescher e Fausto Chermont usaram de muita engenharia para chegar ao resultado final. Em “Raros Vintages & Inéditos”, Silvio Dworecki apresenta uma coletânea de séries usadas para sua Tese de Livre Docência à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Numa delas, mostra as andanças de um elefante e seus encontros. Assim, cada prancha apresenta várias fotos como que a solicitar a atenção do espectador. As narrativas de cada imagem, são únicas, advindas do histórico de experiências profissionais e pessoais de cada artista.

 

“Colocados lado a lado, a produção imediatamente contemporânea, dialoga intensamente com o passado das sombras nas cavernas queimadas, estas hoje são projetadas sobre telas de Amoled – active-matrix organic light-emitting diode. Não importa o nome, pois amanhã já terá outro. É disso que se trata a exposição “Raros Vintages & Inéditos”, define o curador da mostra, Fausto Chermont.

 

Além da exposição, faz parte da programação palestras, mesa redonda, visitas guiadas e outras atividades com os artistas, de forma a sugerir um fórum de debates sobre a fotografia no Brasil e ampliar a perspectiva de uma discussão sobre o tema, por meio de agentes que ajudaram a construir e produziram parte deste tecido histórico.

 

 

De 19 de agosto a 15 de outubro.

Destaques/Seleção Olímpica

09/ago

A Galeria de Arte Ipanema, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, realiza a mostra “Destaques do acervo – Seleção olímpica”, com cerca de 40 obras de artistas como Cildo Meireles, Carlos Cruz-Diez, Rubens Gerchman, Franz Weissmann, Henrique Oliveira, Olimpíada e Paralimpíada, Jesus Soto, Raymundo Colares, Beatriz Milhazes, Amilcar de Castro, Frans Krajcberg, José Resende, Waltercio Caldas, Sarah Morris, Lygia Clark, Lygia Pape, Sergio Camargo, Djanira, Di Cavalcanti, Alberto Guignard, Alfredo Volpi, Djanira, Julio Le Parc, Manabu Mabe, Wanda Pimentel, Maria Leontina, Victor Vasarely, Luis Tomasello, Juan Mele, Tomie Ohtake, Aluisio Carvão, Mira Schendel.

 

Dentre as pérolas do acervo da histórica galeria sediada na Rua Aníbal de Mendonça, Ipanema, está o conjunto de oito desenhos “Descala”, feitos em 2003 por Cildo Meireles, gravados quimicamente em chapas de aço carbono. De Carlos Cruz-Diez, um dos pioneiros da arte cinética, estará exposta a obra “Physichromie nº 1848” (2013), que se transforma à medida que o espectador olha enquanto caminha a sua frente. O raro trabalho “Tô Fora SP” (1968), de Rubens Gerchman, pintura com tinta acrílica sobre cartão, também está na exposição. Do escultor Franz Weissmann, a galeria mostrará “Coluna”  (1989), em ferro pintado, com 81 cm de altura. O paulista Henrique Oliveira, que já frequentava o circuito internacional da arte ganhou ainda mais notoriedade ao integrar a 29ª Bienal Internacional de São Paulo, em 2010. Dele, será mostrada a pintura com acrílica sobre tela, também de 2010.

 

 

Breve histórico

 

Fundada por Luiz Sève, aos 24 anos, que cursava o último ano de engenharia na PUC, e sua tia Maria Luiza (Marilu) de Paula Ribeiro, a Galeria de Arte Ipanema teve como terceiro sócio Luiz Eduardo Guinle, e se instalou em 1965 em um dos salões do Copacabana Palace, passando depois para o térreo do Hotel, na Avenida Atlântica, onde permaneceu até 1973. Em 1968, Frederico Sève, irmão mais moço de Luiz Sève, entrou na sociedade no lugar de Luiz Eduardo Guinle. Com direção de Frederico Sève, a Galeria de Arte Ipanema manteve também um espaço em São Paulo, entre 1972 e 1989, na Rua Oscar Freire, em uma casa projetada por Ruy Ohtake especialmente para este fim, e depois na Rua da Consolação. Frederico permaneceu na sociedade até 2002.

 

Atualmente, Luiz Sève dirige a galeria ao lado de sua filha Luciana, no número 173 da Rua Aníbal de Mendonça, em Ipanema, até finalizar a construção do espaço que tem projeto arquitetônico assinado por Miguel Pinto Guimarães, previsto para 2017, na quadra da praia da mesma rua, no endereço original que ocupou desde 1972 (ano compartilhado com o espaço no Hotel Copacabana Palace).

 

 

Até 24 de setembro.

O novo espaço da dotART

A dotART galeria, Centro, São Paulo, SP, inaugura novo espaço cultural e apresenta a partir do dia 17 de agosto, para visitação das exposições individuais de quatro importantes artistas contemporâneos: Marina Saleme, Alvaro Seixas, Daniel Lannes e Roberto Freitas. As exposições têm curadoria assinada pelo diretor artístico da dotART galeria, Wilson Lázaro.

 

No dia 20 de agosto, a galeria inaugura a CASA dotART, Rua São Paulo, 249, Centro, e, em parceria com a Revista Ernesto, presenteia a cidade com este novo espaço cultural. A inauguração contará com a abertura de três exposições individuais, do panamense Jhafis Quintero e dos brasileiros Roberto Freitas e Alvaro Seixas. A entrada é gratuita e deve ser agendada por email. A partir do próximo ano, a CASA dotARTdará início a seu programa de residências artísticas, com a proposta de que os artistas acolhidos possam transformar o local em atelier, experimentando cotidianamente temas como centro, território e conviver junto, de forma específica, e criação, de forma geral.

 

 

Até 01 de outubro

Desordem | Baró + Emma Thomas

08/ago

A Baro + Emma Thomas, Barra Funda, São Paulo, SP, apresenta a mostra coletiva “Desordem”.Qual ordem interessa? O que há de organizado e bem instalado em nossas latitudes hoje? Nada parece ter sustentação possível, o equilíbrio dos dias acontece em corda frouxa, a perna trêmula, a visão turva, a vidraça quebrada, a cortina e o varal se debatendo com o vento, um muro que cai, as contas disparatadas, a sinalização desarrumadas, a política nos pregando peça, sempre. Uma coisa é pôr idéias arranjadas, outra é lidar com país de pessoas, dizia Guimarães Rosa. E diria ainda, há quem não arruma por não querer as coisas arranjadas.

 

Pois a desarrumação pode ser uma forma de ordem, já que arrumar pode ser desordenar. Pois basta folhear livro de enciclopédia ou poesia pra perceber que em uma forma semântica expandida, a desordem não é a falta de ordem, mas a negação da ordem. Uma anti-ordem, uma outra forma possível de ordem, não imposta, mas que se estrutura em meio às aparências do desordenado, organicamente, diriam uns. Pois há também a confusão dos olhos do outro, que encontram desordem onde as coisas estão como estão.

 

Em meio a uma crise inédita de representação, quando não mais confiamos ao outro tanto os nossos anseios mais particulares como aqueles mais distribuídos, quando as formas típicas de ordenação parecem não mais funcionar, há que se questionar a própria ordem.

 

Diante da conspiração objetiva da ordem das coisas, percebemos um conspiração difusa, com a qual nos identificamos. Tendemos à desobediência?

 

Pois há a ordem que indica poder, estabelecida por aquele que instaura os valores, as verdades e as regras. A desordem evidência a fragilidade do sistema imposto, demonstra pelo deslocar mínimo que a ordenação é um ponto de vista de uma pessoa e seu grupo de seguidores. A ordem é frágil, a desordem resistência.

 

Então seria viável voltar a acreditar que estaremos nos preparando para sairmos de uma condição de amotinados e pensarmos nas transformações que importam.

 

Artistas participantes: Almandrade | Courtney Smith | David Medalla | Eduardo Stupia | Elena Damiani | Hugo Frasa | Iván Navarro | Ivan Padovani | Jonas Arrabal | Júlia Milward | Lourival Cuquinha | Lucas Bambozzi | Lucas Simões | Moris | Ramon Vieitez Ricardo Alcaide | Susana Bastos | Victor Leguy.

 

Até 25 de agosto.

Baravelli no Rio

A próxima exposição da Galeria Marcelo Guarnieri, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, será com Luiz Paulo Baravelli, um dos grandes mestres vivos da arte nacional. Na mostra do Rio será apresentada uma série de “Caras”, produção que começou no final do ano passado a avançou até este momento. Além disso, Baravelli também traz um série de “Totens”, expostos no MAM Rio na década de 1970, dialogando com esta produção mais recente. Esta é a primeira vez que as obras voltam a serem expostas no Rio de Janeiro. Baravelli foi um dos fundadores da Escola Brasil com José Rezende, Fajardo e Frederico Nasser e foi um dos responsáveis pela formação de grandes artistas da Geração 80 como Leda Catunda, Flavia Ribeiro, entre outros.

 

O marchand Marcelo Guarnieri abre as portas para uma nova exposição exibindo duas fases da extensa produção assinada pelo artista paulistano Luiz Paulo Baravelli. Daí o nome” Duas das Partes: uma alusão à reunião de mais de uma série” – nesse caso quatro esculturas Krazy Kats, mostradas no MAM do Rio de Janeiro pela primeira vez há 40 anos, e sete obras do trabalho “Caras”, série originalmente exposta na Bienal de Veneza em 1984 e retomada por Baravelli no ano passado como sequência de uma cronologia circular – e não-linear – de trabalho. Em outras palavras, nesta atual exposição, Baravelli retoma o que foi produzido no começo da década de 1980, e também apresenta um pulo de 32 anos: o que ficou para trás e o que só agora faz sentido.

 

“Assim, esses acessórios para as paisagens do Krazy Kat, de 40 anos atrás, têm uma relação não evidente com as grandes obras de Caras. Em uma pintura como a Mona Lisa há uma grande figura em primeiro plano e lá no fundo há uma paisagem. A noção de espaço de um pintor é telescópica ao englobar duas distâncias em um conjunto coerente. Esta ‘telescopagem’ acontece aqui, de modo mais radical ao vermos rostos em extremo close e elementos de uma paisagem sem a paisagem”, explica o artista. “Acessórios de paisagens contrastados com rostos vistos em close colocam uma questão curiosa de chegar perto e ir para longe que é tão importante em meu trabalho.”

 

E o conceito de profundidade extrapola o espaço, discorrendo no tempo. Baravelli explica: “retomei a experiência de criação das caras 32 anos depois e este hiato faz uma espécie de percurso por uma paisagem temporal. As peças viajaram de uma exposição no MAM do Rio em 1976 até outra em Ipanema no ano de 2016.”
Sobre as novas e antigas caras de Baravelli, elas não possuem corpos, são autônomas e vivem dentro de sua lógica. Sem corpo a cabeça pode escolher a perna que bem entender, o pé que achar mais interessante, a vida que quiser seguir. Essa lógica se estende para a construção das obras – materiais dos mais diversos usos – tinta acrílica, encáustica, crayon, esmalte e goma-laca – utilizados sobre compensado recortado. As curvas dos trabalhos sugerem as imagens que são completadas pela pintura: uma mão que é cabelo e um cabelo que também é mão.

 

A escala dos trabalhos é algo fundamental, um rosto sem corpo que encara o espectador impondo uma presença intimidadora em a escala maior que a do corpo humano. O trabalhos maiores têm a dimensão de 220 x 160 cm, os menores 120 x 90 cm e são complementados por uma série de desenhos que serviram de apoio para a construção dos trabalhos da atual mostra. Baravelli é a prova viva da riqueza e atemporalidade da inteligência criativa que move artistas e estudiosos, mantendo-os sempre na ativa.

 

 

Sobre o artista

 

Nascido em 1942 na cidade de São Paulo, onde vive e trabalha, Luiz Paulo Baravelli estudou arquitetura na FAU-USP, desenho e pintura na Fundação Armando Álvares Penteado e, mais tarde, com o pintor Wesley Duke Lee, o qual exerceu grande influência em sua carreira. Foi um dos fundadores da Escola Brasil ao lado de Fajardo, José Rezende e Frederico Nasser, um espaço onde os artistas ministravam cursos livres de arte, e que movimentou a cena cultural de São Paulo nos anos 70. Foi co-editor da revista Malasartes, entre 1975 e 1976, e da revista Arte em São Paulo, no período de 1981 a 1983. Teve como alunos Leda Catunda, Flavia Ribeiro, entre outros, que foram o responsáveis pela volta da pintura nos anos 80, e que tinham em Baravelli o seu mestre. O artista sempre explora diversos materiais e técnicas em suas obras as quais frequentemente aparecem em “suportes não-suportes” com formatos irregulares (recortes) e se transfiguram como a própria natureza humana e a natureza das coisas em geral. São imagens-objeto. Aborda um “consciente virtual” que mistura impulsos humanos, espaço, tempo e referências culturais e se torna uma representação que desafia a realidade aparente, uma mise en scène da sociedade contemporânea ao estilo do artista.

 

 

 

Até 17 de setembro.

Coleções do MAM RIO

27/jul

Neste sábado, dia 30 de julho, o MAM Rio, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ, inaugura a grande exposição “Em polvorosa – Um panorama das coleções do MAM Rio”, com destaques de seu acervo, com obras de mais de 100 artistas, brasileiros e estrangeiros, selecionadas pelos curadores Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes. A mostra vai ocupar todo o segundo andar do Museu, incluindo o Salão Monumental, em uma área de quase 2.500 metros quadrados O curador quis mostrar para o público a joia arquitetônica que é o prédio do MAM, projetado em 1958 por Affonso Reidy, e retirou divisórias, permitindo ao público uma rara perspectiva do amplo espaço do segundo andar. De um extremo a outro do espaço, há 123 metros de extensão.

 

A primeira preocupação do curador foi a de escolher obras de qualidade inegável, as quais chama de highlights, como as de Pollock, Keith Hering, Brancusi, Giacometti, Lucio Fontana, Henri Moore, Rodin, Calder, Joseph Albers, Barry Flanagan, VittoAcconti, Antonio Dias, Cildo Meireles, Nelson Leirner, Ivens Machado, Waltercio Caldas, Antonio Manuel, José Damasceno, Artur Barrio, Regina Silveira, Willys de Castro, Hércules Barsotti, Lygia Clark e Hélio Oiticica.

 

E, também, privilegiar artistas “muito conhecidos, mas pouco mostrados”, como Anita Malfatti, que “tem desenhos a carvão lindos, pouco vistos”. As obras serão articuladas por aproximações estéticas e por épocas, com alas dedicadas aos anos 1920, com o modernismo, aos anos 1950/60, com o abstracionismo, o concretismo, o neoconcretismo, a nova figuração, e à arte contemporânea.

 

Na entrada do segundo andar do museu, estará um texto sobre a mostra e uma homenagem ao artista Tunga, falecido recentemente, junto ao trabalho que dá título à exposição, da série “Desenhos em polvorosa”, de 1996, em pastel seco sobre papel, pertencente à Coleção Gilberto Chateaubriand/MAM Rio. Um dos destaques da exposição é o conjunto reunido pela primeira vez de importantes instalações de artistas brasileiros: “Poeta/Pornógrafo”, de 1973, de Antonio Dias; “Alegria”, de 1999, de Adriana Varejão, “Cerimônia em três tempos”, de 1973, de Ivens Machado; “Ping-ping, a construção do abismo no piscar dos cegos”, de 1980, de Waltercio Caldas; “Fantasma”, de 1994, de Antonio Manuel (em sua versão original, montada em 2001; “Motim II”, de 1998, de José Damasceno; “Marulho”, de 1991, de Cildo Meireles, não vista no Rio de Janeiro desde sua primeira apresentação, no MAM, em 2002 e “Graphos 2” de 1996, de Regina Silveira. Serão apresentados, ainda; “De dentro para fora”, de 1970, de Artur Barrio; “Lute”, de 1967, de Rubens Gerchman.

 

Ao invés de textos explicativos, Fernando Cocchiarale optou por dar o contexto histórico do Brasil, para as obras de arte, por meio de fotografias dispostas em nove vitrines, de 1,70m cada, distribuídas pelo espaço expositivo. São registros do Brasil imperial, com nobres, escravos, etnográficos, do cotidiano, da vida política, ou ainda de grupos como garimpeiros, candangos e índios, de mais de 20 fotógrafos, de Franz Keller, Marc Ferrez, Jorge Henrique Papf, Martín Chambi, Alberto Ferreira Lima, Luis Humberto, Walter Firmo, Luis Brito, Milton Guran, Orlando Azevedo, Orlando Brito, Leopoldo Plentz, Duda Bentes, Carlos Terrana, André Dusek, Nino Rezendee AntonioDorgivan, entre outros.

 

“O território onde a imagem e a palavra se encontram é o fotojornalismo. É de sua natureza uma proximidade muito grande com a notícia, que é verbal. A foto é uma sobrenotícia. As coleções do MAM têm maravilhosas obras que podem ser consideradas fotojornalismo. Franz Keller mostra em 1870 índios cobertos artificialmente, porque eles não poderiam aparecer com ‘suas vergonhas’ à mostra, como disse Pero Vaz de Caminha, e foram adaptados à moral vitoriana. Papff tem umas fotografias incríveis de cafezais”, destaca.

 

Dentre as mais de 100 obras, estarão também as dos artistas Brecheret, Bruno Giorgi, Lygia Clark, Regina Vater, Diane Airbus, Marcia X(com “A cadeira careca”, seu último trabalho, feito em 2004 com Ricardo Ventura), Luiz Pizarro, Jorge Duarte, Carlos Vergara, Guilherme Vaz, Marcelo Moscheta e Jonathas de Andrade.

 

“Não acho que a arte tem que estar a serviço de nenhum discurso. Não há continuidade entre a experiência visual e discurso. Se eu e Fernanda Lopes “editarmos” bem, podemos criar um certo fluxo semântico com a exposição”, complementa Fernando Cocchiarale.

 

 

Até 06 de novembro.

 

 

Dois fotógrafos

26/jul

A partir do dia 30 de julho, a unidade paulistana da Galeria Marcelo Guarnieri, Jardins, São Paulo, SP, abrigará uma nova exposição que permitirá ao público uma compreensão maior do trabalho de Mário Cravo Neto. Além de peças assinadas pelo grande nome da fotografia nacional, o espaço também exibirá imagens produzidas pelo amigo inseparável Vicente Sampaio, que o acompanhou até o fim de sua trajetória artística, encerrada em 2009 aos 62 anos.

 

Nome cultuado da fotografia nacional e protagonista de exposições grandiosas dentro e fora do país, Mário Cravo Neto desenvolveu uma linguagem singular através de suas lentes: brasileira e universal ao mesmo tempo, ela vem fundamentada entre o universo religioso africano e a arte contemporânea. Os panos de fundo também são múltiplos e neles podem aparecer as ruas da Bahia – cidade onde nasceu e cresceu em berço artístico – e em cidades maiores, como Berlin e Nova York, ou então alcançar altos níveis técnicos dentro de estúdio.

Graças à curadoria apurada da exposição, o expectador será contemplado com uma maioria de obras inéditas e também algumas peças icônicas que pontuam a trajetória de Mário Cravo Neto. Todas elas com uma certa áura de mistério e da mística sagrada oriunda do Candomblé.

 

A série “Eterno Agora”, a mais famosa de Mário Cravo Neto, aparece complementada por cópias de época inéditas. Produzidas do final de 1970 até a década de 1990, as fotografias têm impressão em gelatina e prata e são todas em preto em branco.

 

Já a série “Laróyè”, composta apenas por imagens coloridas, reúne fotografias feitas nas ruas da Bahia, onde, além de captar a atmosfera e a veneração à ancestralidade e cultura africanas, Mário Cravo Neto também expressa uma crítica social sutil. Dentro da série “Nova York e Bahia” aparece a compilação de cópias vintage de fotografias realizadas nas duas cidades a partir da década de 1960.

 

Além disso, a Galeria Marcelo Guarnieri também apresenta imagens criadas por Mário Cravo Neto em uma época de aprendizagem no início do seu percurso. Alguns exemplos são “Mulher na Ladeira de São Felix”, clicada em 1965 – quando ele tinha 18 anos e considerou esta imagem digna de um fotógrafo profissional – e também imagens inéditas e assinadas (tiragem de época) registradas em Nova York nos anos de 1968 e 1969, como o show de Jimi Hendrix, cenas do Central Park e de seus filhos Christian e Lua na Dinamarca.

 

Na ala dos trabalhos de autoria do fotógrafo Vicente Sampaio, comparsa criativo de Mário desde os auge do experimentalismo fotográfico que vivenciaram na Bahia durante a década de 1970, a coletânea de imagens tem carga mais afetiva e mostra imagens inéditas nas quais Mário aparece como personagem em momentos de emoções diversas.

 

Dessa convivência diária – de 1973 até os anos 1990 – Vicente Sampaio possui cerca de 200 fotos que narram uma história de amizade e inquietação artística, além de um registro comportamental de época. Seis dessas fotos serão exibidas na exposição.

 

Mariozinho, como os amigos carinhosamente o chamavam, e Vicente Sampaio formavam uma dupla das mais fecundas na cidade de Salvador no final dos anos 1960 e durante toda a década de 1970. Eram vizinhos no Bairro da Boca do Rio, na época reduto de artistas e malucos beleza de todos os tipos. Até o guitarrista Frank Zappa deu as caras por lá durante algum tempo. Os dois compartilhavam o aprendizado fotográfico. Desde o início, nada escapava das lentes do Vicente.

 

 

A palavra de Vicente Sampaio

 

“Há três anos perdemos Cravo Neto, o Mariozinho. Na época abalado, tive o ímpeto de postar nossas fotos juntos em um tempo grandioso que não escapa da memória, os tais anos 70… Éramos jovens e doidos na Bahia mágica daquele tempo, na fruição do momento e tesão de apreender fotograficamente toda aquela insanidade visual que víamos pela frente. Tive o privilégio de conviver com ele durante bons anos e bem próximo. Éramos até vizinhos de casa, o fundo de seu estúdio dava para a minha rua, quase em frente de minha casa. Trocávamos figurinhas noturnas, num vai e vem incessante de um laboratório para outro. Dessa convivência, além de uma bela e gigante exposição no MAM-Bahia em 76, que marcou época, ficou um registro de fotografias espontâneas, sem nenhuma pretensão, a não ser exercitar o clique. Momentos como a imagem de 1975 com  Mario no hospital, depois de um acidente automobilístico; ou a foto da foto, que mostra o fotógrafo num estúdio em Salvador tirando uma foto 3×4 para o passaporte.”

 

 

Até 27 de agosto.

Nos Correios Rio

25/jul

Contar 120 anos de história da relação entre o cinema e o esporte internacional, brasileiro e olímpico é o objeto da exposição “Memórias do Esporte”, que o Centro Cultural Correios, Centro,  Rio de Janeiro, RJ, apresenta. Esta é a única exibição audiovisual da programação cultural da Rio 2016. A partir do acervo da Federação Internacional de Cinema e Televisão Esportivos (FICTS), avalizada pelo Comitê Olímpico Nacional (COI), e de coleções brasileiras, os curadores J. C. Soares e J. J. Soares editaram 30 vídeos que compõem uma  incursão por registros raros e inéditos de manifestações esportivas pelo mundo, de 1896 até hoje.

 

Os irmãos cineastas J. C. e J. J., que  pesquisam há uma década a conexão do esporte com o cinema, também assinam as trilhas sonoras individualizadas. Cada monitor de 42” tem como personagem principal uma modalidade esportiva. Às imagens inéditas foram acrescidas narrações sobre a história daquele esporte. Há ainda legendas ao lado de cada tela com mais informação e curiosidades.

 

O filme mais antigo da exposição é um jogo de bocha em Lyon, França, de 1896, um dos primeiros realizados pelos irmãos Lumière, inventores do cinema. Em uma sala reservada estarão os registros mais recentes: as transmissões ao vivo de 16 canais da Sportv. Ainda dos irmãos Lumière, há o primeiro filme ficcional de esporte, uma comédia, com atores lutando boxe, de 1897, e outras raridades da memória do desporto, como esportes indígenas, a final do campeonato paulista de futebol de 1909 e os últimos dias do Derby Club, o templo do turfe, de 1925, onde hoje está o Maracanã.

 

A prosa poética esportiva de Armando Nogueira está presente com diversos trechos de seu livro “A Chama que não se Apaga” e com citações de pensadores e poetas como Jean-Jacques Rousseau, Walt Whitman, Jean Giraudoux e o romano Juvenal, autor de “Mens sana in corpore sano”, impressos nas paredes do espaço expositivo. A linha do tempo que abarca, além de Olimpíadas, Copas do Mundo, Jogos Pan-Americanos e Jogos Olímpicos de Inverno é outra atração da mostra. O Brasil participa pela primeira vez de uma Olimpíada em 1920, na Antuérpia.

 

 

Sala Brasil

 

Um espaço exclusivamente dedicado ao Brasil reúne imagens preciosas, por exemplo, do tempo da Expedição Rondon à Amazônia, iniciada em 1910, destacando os esportes indígenas como a canoagem e o cabeçobol, um jogo de bola com a cabeça, praticado até hoje. O país ganha também uma linha do tempo própria.

 

 

Paralimpíadas e o mundo

 

A exposição tem ainda um longa metragem sobre as Paralimpíadas de Inverno de Sóchi, Rússia, de 2014, e uma seleção de filmes sobre esportes de 113 países em duas sessões diárias.

 

Catálogo e visita guiada

 

Acompanha a exposição um catálogo que será lançado em 20 de agosto, com distribuição gratuita e visita guiada pelos curadores. Entrada franca. “Memórias do Esporte” em o patrocínio dos CORREIOS, co-patrocínio do JW Marriott Rio de Janeiro e da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura do Rio e apoio da SPORTV. A mostra, é uma proddução da Artepadilla.

 

De 28 de Julho a 25 de setembro.

Los Carpinteros no CCBB/SP

A exposição “Objeto Vital”, do coletivo Los Carpinteros entra em cartaz no CCBB, Centro, São Paulo, SP. Composta por mais de 70 obras, o grupo é um dos coletivos de arte mais aclamados da atualidade. Por meio da utilização criativa da arquitetura, da escultura e do design os artistas questionam a utilidade e exploram o choque entre função e objeto com uma forte crítica e apelo social de cunho sagaz e bem-humorado. O público poderá acompanhar todas as fases do coletivo, desde a década de 1990 até obras inéditas, feitas especialmente para a exposição. A curadoria é de Rodolfo de Athayde.Haverá uma mesa redonda com o curador, os artistas Marco Castillo, Dagoberto Rodriguez, Alexandre Arrechea (que saiu do coletivo em 2003) e teóricos do mundo da arte contemporânea.A exposição traz desenhos, aquarelas, esculturas, instalações, vídeos e obras em site specific. O público poderá acompanhar todas as fases do coletivo, desde a década de 1990 até obras inéditas, feitas especialmente para a exposição no Brasil, a partir de ideias e desenhos anteriores.

 

“O objeto será o protagonista desta exposição, forçado a uma constante metamorfose pela ideia artística: imaginado em desenhos, projetado e testado nas maquetes tridimensionais ou alcançando sua vitalidade máxima como utopia realizada nas grandes instalações”, descreve o curador.

 

Fundado em 1992, o coletivo reunia Marco Castillo, Alexandre Arrechea e Dagoberto Rodriguez. O nome foi atribuído aos artistas por alguns de seus colegas, em virtude da empatia com o material trabalhado e com o ofício que foi resgatado como estratégia estética.Em 2003, Alexandre Arrechea deixou o grupo e Marcos e Dagoberto deram continuidade ao trabalho. Na abertura da exposição brasileira, a convite dos amigos Marcos e Dagoberto, Alexandre Arrechea e outras personalidades que marcaram a carreira do coletivo também estarão presentes.

 

Estrutura da mostra

 

Los Carpinteros: Objeto Vital será apresentada em três segmentos:

 

  1. Objeto de Ofício

 

É o segmento dedicado ao primeiro período, determinado pela manufatura artesanal de objetos inspirados pelas vivências do cotidiano e o uso intensivo da aquarela como parte do processo de visualização da ideia inicial da obra. Os trabalhos são fruto da intensa troca criativa ocorrida durante o período da formação dos artistas, no Instituto Superior de Arte em Havana. Naturalmente,  também refletem o contexto cubano dos anos 1990, em franca crise econômica.

 

  1. Objeto Possuído

 

Apresenta o momento em que o trabalho de Los Carpinteroscomeça a ganhar representatividade em importantes coleções no mundo com obras que, para além das problemáticas especificamente cubanas, falam de questões existenciais universais. “A transterritorialidade característica da arte contemporânea leva os artistas a um terreno aberto em que dividem preocupações com criadores de diversas nacionalidades, à margem de suas origens”, afirma o curador. Muitos dos projetos ambiciosos que tinham sido esboçados no papel são materializados nesse momento com a abertura de novas perspectivas. Dentro deste segmento foi reservado um lugar especial para os objetos de som: aquelas obras que têm um vínculo direto com a música, expressão cultural por excelência que marca a ideia do “ser cubano”.

 

  1. Espaço-Objeto

 

Neste núcleo é dedicada atenção especial à arquitetura e às estruturas, temáticas constantes na obra dos artistas, que reiteradamente selecionam referências do entorno urbano para subvertê-las, ao alterar contexto e funcionalidade. Esse diálogo, característico do trabalho de Los Carpinteros, permeia toda a exposição e terá neste segmento um espaço reservado.

 

 

Roteiro de datas e locais no Brasil:

 

CCBB São Paulo: de 30 julho a 12 de outubro de 2016

 

CCBB Brasília: de 22 de novembro de 2016 a 15 de janeiro de 2017

 

CCBB Belo Horizonte: de 01 de fevereiro a 24 de abril de 2017

 

CCBB Rio de Janeiro : de 17 maio a 7 de agosto de 2017