Ocupação Galo

08/abr

A “Ocupação Galo” será inaugurada na Galeria Pretos Novos, Gamboa, Rio de Janeiro, RJ, no dia 08 de Abril, às 18 horas, quando será realizada, pela primeira vez, uma residência artística de uma semana, na qual o artista Galvani Galo expandirá suas pinturas murais em todas as paredes da galeria. Munido de tinta e pincéis em mãos, Galo realizará um trabalho site specific com seus personagens, híbridos de animais e máquinas, que possuem articulações mecânicas detalhadas e descritas em um sofisticado complexo que reporta aos manuais técnicos de engenharia mecânica. De acordo com o curador da mostra, Marco Antonio Teobaldo, sua pintura é carregada de ironia e reflete a inquietação do artista que tem exibidos seus trabalhos nas paredes  das construções das periferias dos grandes centros, sobretudo da grande São Paulo, cidade onde trabalha e reside.

 
A exposição terá ainda alguns objetos escultóricos (Toy Art), trabalhos em acrílica sobre tela e gravuras produzidas recentemente. Na mesma ocasião será lançado o programa Amigos do IPN, com o objetivo de sensibilizar um número maior de pessoas sobre a importância da preservação do sítio arqueológico, por meio de um sistema de doações voluntárias. A coordenação geral é de Ana Maria de la Merced Guimarães dos Anjos e a produção traz a assinatura da Quimera Empreendimentos Culturais.

 
A Galeria Pretos Novos tem acolhido dentro de sua programação diversas temáticas de exposições de artes visuais, realizadas por artistas contemporâneos do Rio de Janeiro e de outras localidades. A partir de pesquisa realizada pelo curador do espaço, os artistas convidados apresentam livremente suas propostas, tendo como ponto de partida suas percepções sobre o ambiente expositivo e a importante história que ele abriga. Esta experiência tem superado expectativas e trazido excelentes resultados, que se refletem na crescente visitação que a Galeria Pretos Novos vem recebendo, desde a sua inauguração.

 

 
De 08 de abril a 23 de maio.

RIEN exibe “Origem”

A mulher é a origem da vida e do amor. Este é o principal mote da nova série de RIEN, artista multidisciplinar que tem mostra aberta na Galeria Crivo, Vila Madalena, São Paulo, SP. A exposição, intitulada “ORIGEM”, reúne dez peças inéditas que buscam discutir questões muito mais fundamentais do que simplesmente a sensualidade e o sexy.

 

De acordo com o curador, Douglas Negrisolli, na série produzida por RIEN é possível identificar aspectos que vão além do trivial. “Há tópicos importantes, como a violência à mulher, como elas são subjugadas, maltratadas, mutiladas e humilhadas. Por isso, ele as retrata também para contemplá-las, como se, com isso, pudesse livrá-las da dor”.

 

O artista, de apenas 24 anos, revela que se baseia muito no controverso artista francês Gustave Courbet (1819 – 1877), autor de “A origem do mundo” (1866), obra que causa ainda hoje sentimentos diversos mundo afora. “Todos nós viemos de um ventre. É algo natural e deveria ser encarado como tal”, completa.

 

“ORIGEM” traz, além das imagens- pinturas e gravuras digitais – com certo grau explícito, uma outra curiosidade: a captação de sons. Durante toda a mostra, os visitantes são convidados a uma imersão no assunto, já que terão a percepção e interpretação visual e serão acompanhados de áudios provocantes e inspiradores, como a música que o artista ouviu durante dias a fio para pintar alguns quadros da exposição.

 

Devido à composição dos trabalhos, o curador Douglas Negrisolli sugere classificação etária de 12 anos para a visitação, disponível até o próximo dia 22 de maio.

 

 

Parceria

 

RIEN é representado de forma exclusiva pela OMA | Galeria, que cede seus trabalhos para a Galeria Crivo, em forma de parceria, com intuito de ampliar a visibilidade e criar novas oportunidades para que seguidores de outras regiões possam acompanhar o artista.

 

 

De 07 de abril a 22 de maio.

Graziela Pinto mostra Bios Vida

07/abr

Na mostra “BIOS VIDA”, individual de Graziela Pinto na Galeria Movimento, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, a artista apresenta 12 trabalhos (entre telas e instalações e um vídeo), utilizando técnica mista (grafite, tinta à óleo e estêncil), fruto de sua pesquisa e dedicação à produção desta série. A artista busca uma síntese formal de elementos recorrentes em sua poética, cheia de feminilidade, e elementos que compõem a natureza. As aves, por vezes tão fielmente retratadas, são insinuadas por meticulosas penas pintadas sobre telas ou bolas de madeira, estas protegidas por estruturas emaranhadas em cobre oportunamente chamadas de “ninhos”, grande novidade da mostra, inéditos em suas exposições.

 

Esferas brancas simuladas na pintura ganham diferentes cargas simbólicas conforme o desejo da artista: parecem ora leves, frívolas e efêmeras como bolhas de sabão, ora densas e firmes como feitas de pedra ou madeira maciça. No meio termo dessas permanências, elas são a vida presente, sugerida como tatu ou como ovo que secreta nova existência. A arte é, muitas vezes, entendida como espelho que reflete o espírito do artista e seu estado de ânimo. Se é verdadeira, essa colocação esclarece a representação de abrigos como os ninhos, os ovos, a carapaça do tatu ou as cascas que protegem as sementes dos frutos no momento em que Graziela, grávida, aguarda a chegada de seu segundo filho.

 

 

De 16 de abril a 20 de maio.

Marino Marini no Brasil

02/abr

A exposição “Marino Marini: do arcaísmo ao fim da forma” abre a programação 2015 da Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS. Com curadoria de Alberto Salvadori, a entidade gaúcha inaugura a primeira exposição do consagrado artista no Brasil, um nome de projeção internacional.

 

 
Sobre a obra e o artista

 
Do arcaismo ao fim da forma Marino Marini nasce em uma pequena cidade, Pistoia, onde não permanece indiferente às grandes lições giottescas, às de Masaccio e de Pisano e, particularmente, às importantes coleções etrusca e egípcia do museu arqueológico da vizinha Florença. A ligação do artista toscano com a antiguidade faz parte de uma dimensão que pertence ao tempo de seu estudo e de sua formação. As suas esculturas, assim como as egípcias, apresentam-se por assemblage lógica, sem nenhum interesse ilusionístico, introduzindo, assim, outro dado essencial para ler a sua obra: o valor absoluto que ele confere à relação entre arte e arquitetura. Quatro temáticas tiveram particular importância para Marini, três das quais antigas: o retrato, a Pomona e os cavaleiros. A essas deve se somar o tema do circo, com os malabaristas, as bailarinas e os acrobatas. Marino era extremamente fascinado pelo mundo do circo, e a natureza do ofício do malabarista, do palhaço, dos acrobatas intrigava-o. Entreter o público, ser capaz de pertencer a uma tipologia de máscara eterna, tinha tornado esses sujeitos importantes para o seu imaginário. As Pomonas, ao contrário, são a encarnação, segundo Marini, do eterno feminino. A antiga divindade da fertilidade nos é posta como metáfora do nascimento, da plenitude sensual da vida. O cavaleiro e o cavalo estão, desde os anos 30, dentre os temas que mais interessaram a pesquisa de Marino Marini. “As minhas estátuas equestres exprimem o tormento causado pelos eventos deste século. A inquietude do meu cavalo aumenta a cada nova obra. Eu aspiro tornar visível o último estágio da dissolução de um mito, do mito do individualismo heróico e vitorioso do homem de virtudes, dos humanistas”. Convivem história e mito, realidade e fé, testemunhas de que as obras do artista devem ser lidas como passagens que marcam o devir da história. As coisas mudam com o proceder do confronto bélico na Europa, as esculturas se tornam formas seccionadas arquitetonicamente pela grande tragédia. O próprio Marino define as obras do período como arquiteturas de uma enorme tragédia que se liberará, em seguida, no famoso Anjo da cidade, de 1950, que até hoje domina o Canal Grande. A partir dos anos 50 Marini volta a praticar a pintura com maior intensidade. Com cores brilhantes e encorpadas, fechadas em um campo geometrizante que se destaca sobre o fundo plano e com formas sempre mais desagregadas, as obras pictóricas definem, assim como a escultura, uma evidente mudança de chave expressiva. Desenho, gráfica, pintura e escultura vivem em Marini uma simbiose dinâmica, um enredo dificilmente desatável, carregado de tensões e de páthos. O retrato se insere no percurso de Marini como representação dos valores humanos, no qual ele ensaiou o limite mais alto de um criador de formas. A capacidade plástica e a pura invenção são subjugadas à verdade fisionômica do modelo, e os quatro retratos aqui expostos nos colocam diante de tamanha força da representação. O ano de 1950 é decisivo porque o artista decidiu aceitar o convite para ir a Nova York. Em 14 de fevereiro, foi aberta a primeira individual de Marini na cidade americana e iniciou-se um percurso de reconhecimentos internacionais que não mais se encerrou. Estamos na série dos Milagres, eventos ao mesmo tempo terrenos e sobrenaturais, que aludem à morte do homem, ao seu declínio. Dentre as obras presentes nas mostras de 1951 e de 1952, são representadas a dissidência, a ruptura da harmonia entre cavalo e cavaleiro, a ingovernabilidade dos eventos. Tal condição fora de controle constitui o ato final de uma tragédia que encontra no Grito, de 1962, também presente na mostra, sua conclusão. Uma palavra-chave para compreender a escultura de Marino é “tensão”. O artista, mais que sobre o próprio movimento, incide sobre o instante de imobilidade que aparece forçado pela forma na composição e, através do qual, surge o movimento ou a escultura morre. Dentre os oito pequenos bronzes presentes nesta mostra, em Figuras abstratas e Composições, dos anos 60, não é mais perceptível a presença de cavalos e cavaleiros que vivem escondidos nos planos e nos cortes da matéria. Abstração e geometrização não são outra coisa que a ampliação da gama expressiva, da figuração de Marino Marini. Em Uma forma em uma ideia, de 1964, o artista atinge a desagregação e constitui o ato final de uma tragédia interior. Eis então que a série sobre papel Composição, de 1960, e as três grandes têmperas sobre papel – Intensidade (1967), Energias e Vivacidade, ambas de 1968 – colocam-nos de frente a uma pintura íntima e que se esquiva de qualquer construção formal, própria de um artista que não ficou fora de seu tempo. A obra Dois elementos (1971) fecha a narrativa escultural de Marini.

 

 
De 10 de março a 20 de junho.

Baravelli, a retrospectiva

A partir de 11 de abril, a retrospectiva de Luiz Paulo Baravelli pode ser conferida na Galeria Marcelo Guarnieri, Jardins, São Paulo, SP.

 
Aos 72 anos de idade e cinco décadas de intensa produção, Luiz Paulo Baravelli é um artista que opta pelo método distinto do caminho da sensibilidade. Suas obras feitas de idas e vindas, como em “emaranhados”, dialogam com a arquitetura – seu campo de formação – com a figura do corpo feminino, a poesia de W. H. Auden, e, sobretudo, com o espírito de contestação – poética – que compõe o cenário de um possível pós-modernismo

 
Foi na cidade de São Paulo, como aluno e parceiro de Weslley Duke Lee, que formou, ao lado de nomes proeminentes como Carlos Fajardo, Frederico Nasser e Jose Rezende, a Escola Brasil. Além da crítica à produção da época, destacavam a produção artística como experiência de ensino, reavaliando movimentos importantes e contemporâneos como a Pop Art e o Tropicalismo.

 
“Analisar os cinquenta anos de produção nos leva a reflexão sobre as mudanças globais ocorridas ao longo desse período, e, também, nos faz refletir sobre como esse conjunto de obras dialoga conosco no tempo presente”, conta o curador e marchand Marcelo Guarnieri.

 
A ênfase da retrospectiva de São Paulo recai sobre o trabalho de pintura do mestre. Autoafirmando-se como um pintor, mesmo no trabalho das peças tridimensionais, a abordagem concilia as três dimensões com o pictórico.

 
Para a individual de São Paulo, serão apresentadas 60 obras, entre 10 pinturas/recortes e 50 croquis e desenhos dos anos 60 até os dias atuais, que serviram de base para as respectivas obras expostas. Trabalhando de madrugada em seu atelier – parando, apenas, quando o dia começa – o recorte faz jus à fama de incansável artista que Baravelli carrega. Antes de produzir qualquer obra em relevo, executa vários esboços, croquis, e faz extensa pesquisa de materiais. Sua sensibilidade é a do tempo, incluindo aí a paciência de se “perder”, horas a fio, no labirinto da criação, no qual a forma e a vida não se separam. Sua obra é um testemunho que ultrapassa um começo e um fim, uma narrativa linear, para que possamos enxergar sinais de dentro, como a luz da noite.

 
“Para um visitante que não conheça meu trabalho esta exposição pode trazer uma perplexidade. A variedade do trabalho é enorme e, sem consultar as etiquetas, é difícil adivinhar as datas em que as obras foram feitas. Penso uma explicação que pode ser redutiva, mas serve para começar: lá atrás, no começo da década de 60 me propus a ter uma sensibilidade em vez de ter um método. Naquela época predominava aqui o concretismo, com suas regras, rigores e tabus. Visitando as exposições deles eu pensava: o que estas artistas fazem quando não estão pintando? Será que andam na rua, olham para as pessoas e as coisas? Por que isso não aparece no trabalho? Porque não enfrentam o mundo em sua riqueza e complexidade em vez de se confinar a uma clausura árida e metódica?”, reflete Baravelli sobre o seu trabalho.

 

 
De 11 de abril a 09 de maio.

Catunda no Galpão Fortes Vilaça

01/abr

A nova exposição de Leda Catunda no Galpão Fortes Vilaça, Barra Funda, São Paulo, SP, apresenta pinturas, gravuras, aquarelas, colagens e esculturas, além de um papel de parede estampado desenvolvido especialmente para a mostra. Com o título “Leda Catunda e o gosto dos outros”, a artista traz para o corpo de suas obras um apanhado de referências pop em que questiona conceitos de beleza, exotismo, o bom e o mau gosto.

 

 
Catunda frequentemente analisa o poder exercido pela cultura pop de converter imagens e objetos em signos de status social e pertencimento. Debruça-se, portanto, sobre o gosto das pessoas e suas relações com conforto, identificação e consumo. Ela se apropria de objetos do cotidiano (em geral toalhas, cobertores e roupas), separando-os por temas ou semelhanças, e então realiza interferências que lhes atribuem novas cores, volumes e texturas. Não escapam ao seu olhar a morbidade das camisetas de rock (presentes nas pinturas Botão e Botão II), a objetificação da mulher na publicidade (em MG – Mulheres Gostosas), a profusão das selfies de férias (em Indonésia), os locais exóticos idealizados pelo universo do surfe (na série Ásia).

 

 
Os conceitos de bom gosto e de belo, tão rígidos outrora, são assumidos  pela artista como parâmetros dinâmicos na sociedade contemporânea, diluídos em valores que eventualmente englobam o kitsch e o cafona. Leda Catunda, sensível a essas mutações, procura reconhecer esse novo belo presente no gosto dos outros e assim identificar a ânsia desenfreada do indivíduo de ver-se representado em uma imagem.

 

 
Todas as obras da exposição foram realizadas tomando por base a estrutura dos desenhos no papel de parede. São padrões que, na prática da artista, geralmente surgem nas aquarelas, multiplicam-se nas gravuras e ganham corpo em pinturas e esculturas. O papel de parede, por sua vez, age como síntese do seu vocabulário particular, marcado por contornos arredondados e macios. A exposição contempla todos esses suportes, sendo possível observar, por exemplo, a gravura Drops transfigurar-se nas pinturas da série Borboleta. Com esse diálogo, Catunda explicita o sentido de unidade entre as diversas linguagens desenvolvidas ao longo de sua trajetória.

 

 

 

 
Sobre a artista

 

 
Leda Catunda nasceu em São Paulo em 1961, cidade onde vive e trabalha. Entre suas exposições individuais, destaca-se a mostra Pinturas Recentes, no Museu Oscar Niemeyer (Curitiba, 2013) e que itinerou também para o MAM Rio (Rio de Janeiro, 2013); além de Leda Catunda: 1983-2008, mostra retrospectiva realizada na Estação Pinacoteca (São Paulo, 2009). Uma das expoentes da chamada Geração 80, a artista esteve nas antológicas Como Vai Você, Geração 80?, Parque Lage (Rio de Janeiro, 1984); e Pintura como Meio, MAC-USP (São Paulo, 1983). Sua carreira inclui ainda participações em três Bienais de São Paulo (1994, 1985 e 1983), além da Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2001) e da Bienal de Havana (Cuba, 1984). Sua obra está presente em diversas coleções públicas, como: Instituto Inhotim (Brumadinho); MAM Rio de Janeiro; Fundação ARCO (Madrid, Espanha); Stedelijk Museum (Amsterdã, Holanda); além de Pinacoteca do Estado, MAC-USP, MASP, MAM (todas de São Paulo).

 

 

 

 

 
De 11 de abril a 23 de maio.

Polípticos de Bruno Veiga

31/mar

A nova exposição individual de Bruno Veiga, “Polípticos”, acontece na Galeria da Gávea, Rio de Janeiro, RJ, traz uma reflexão sobre Brasil contemporâneo e texto de apresentação de Iatã Cannabrava. Desdobramento de um processo de observação que começou nas eleições de 2014, a exposição é composta por fragmentos de imagens dos candidatos com as quais cidadãos cariocas foram obrigados a conviver diariamente durante o período eleitoral do ano passado. Nos banners pelas ruas, os retratos mostravam olhares e sorrisos muito semelhantes, uma consequência direta da supremacia da estratégia publicitária sobre diferenças políticas. Os cartazes eram muito parecidos e, ao mesmo tempo, tão distantes quando registrados em macrofotografia, técnica usada pelo fotógrafo neste trabalho.

 

Segundo Bruno Veiga, uma das ideias da exposição é chamar atenção para os detalhes que o olho humano não vê, como as retículas que formam a impressão de uma imagem digital. “É importante não ignorar o fator político. Faço uma reflexão sobre a tendência, desde a queda do Muro de Berlim, da convergência das práticas dos partidos da centro-direita até a centro-esquerda e o consequente aumento da percepção pelo cidadão de que ‘os políticos são todos iguais’, ponto de vista com o qual eu não concordo. Optei então por discutir essa realidade por meio de jogos de profundidade e da plasticidade, um caminho mais subjetivo”.

 

 

Sobre o artista

 

Bruno Veiga tem 13 individuais no currículo, entre elas Paisagem Blindada (2013, Galeria da Gávea, Rio de Janeiro), Território Suburbano (2013, Parque das Ruínas, Rio de Janeiro), Garagem Hermética (2013, FotoRio, Centro Municipal de Arte Helio Oiticica, Rio de Janeiro) e Pedras Portuguesas (2010, Galeria da Gávea, Rio de Janeiro), para citar as mais recentes. Sua trajetória como fotógrafo começou nos anos 80, com trabalhos para os jornais O Globo e Jornal do Brasil, e seguiu nos anos 90 na Agência Tyba, como freelancer. Já em 1995, abriu a Strana Agência Fotográfica. Suas obras podem ser encontradas em coleções do Brasil e exterior, como a Maison Européene de la Photographie, de Paris, o Instituto Itaú Cultural, de São Paulo e no MAM-RJ.

 

 

Até 15 de maio.

Cores na SIM galeria

A dinâmica SIM galeria, Curitiba, PR, apresenta a exposição individual de pinturas de Rafael Alonso com “Calça de ginástica” e curadoria de Felipe Scovino.

 

 

A palavra do curador

 

Calça de ginástica: ontem e hoje

 

Nesse universo onde se mistura saúde e disciplina com o corpo, o artista expõe de forma crítica o consumo desmensurado da sociedade. Há um certo descarte e rapidez no uso desses tênis, calças e shorts. E essas características de certa forma são deslocadas para uma pincelada rápida e veloz que Alonso aplica sobre as telas. Se a indústria da moda vende seus produtos como algo que reflete um despojamento, um bem-estar consigo mesmo, as pinturas de Alonso convergem para um ponto distante: comportam-se de forma estranha a esse corpo disciplinado. São exageradamente coloridas e em alguns momentos ressaltam ou ampliam marcas ou símbolos que estavam camuflados, entre outros tantos, e que são encontrados em bermudas ou em tênis de corrida multicoloridos.

 

Estas pinturas repousam sobre um terreno em que são estimulados sentidos contraditórios, porque se há uma aversão por conta de um estímulo cromático que causa um certo choque no uso de cores muito díspares em seu conjunto, por outro lado esse mesmo sistema estimula um jogo óptico que possui um acento Pop e afirmo não apenas por uma trama de cores e formas que o aproxima desse universo mas substancialmente pelo caráter corrosivo do Pop e principalmente pelos acentos irônico e, como já dito, debochado.

 

O trabalho de Alonso oxigena o estado da pintura contemporânea, numa cena em que muitas vezes penso estar inchada de “novos” valores, métodos ou estratégias, todos eles, claro, bem questionáveis. Como um cronista contemporâneo, seu trabalho expõe as incongruências da sociedade, experimenta outros campos de atuação para a cor ao mesmo tempo em que não retira a pintura do seu modelo crítico de refletir sobre o seu tempo e lugar.  (Felipe Scovino).

 

 

De 31 de março a 02 de maio.

No Centro de Artes Hélio Oiticica

O Centro de Artes Hélio Oiticica, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição panorâmica “Osmar Dillon – não objetos poéticos”, composta de objetos, desenhos e documentos do artista Osmar Dillon produzidos entre 1959 e 1972. A curadoria é de Izabela Pucu com a colaboração do pintor Roberto Feitosa.

 

 
Revisão histórica

 
O Centro de Artes Hélio Oiticica apresenta uma singela exposição do arquiteto, artista e poeta Osmar Dillon (Belém, 1930-RJ, 2013), cuja obra integrava poesia e pintura resultando em trabalhos categorizados como livros-poemas e não objetos verbais. Vivendo no Rio na época da eclosão do Neoconcretismo, participou das Exposições de Arte Neoconcreta de 1960 e 1961, fundamentais para os posteriores desenvolvimentos artísticos brasileiros.

 
Embora tenha se ligado ao movimento e estado presente nestes eventos, Osmar Dillon, que parece ter sido um homem discreto, não alcançou a mesma notoriedade dos colegas Lygia Clark, Lygia Pape e Hélio Oiticica, ou Ferreira Gullar, cuja obra poética-plástica veio acompanhada de um discurso conceitual sofisticado que gerou a “Teoria do não objeto” (1960).

 
Esta exposição procura contribuir para o reposicionamento da obra de Dillon na história da arte brasileira do século XX, apoiando-se em uma pesquisa correta e reunindo trabalhos e projetos executados entre 1960-73, sendo alguns praticamente inéditos. Como aponta a curadora Izabela Pucu, as obras reunidas mostram o interesse de Dillon na relação entre palavra e visualidade. A curadoria, construída em parceria com o companheiro de vida do artista, Roberto Feitosa, dá ao conjunto um ar sutilmente amoroso e despojado, evidenciado logo no início do percurso com uma carta de Feitosa sobre/para Dillon, datilografada em papel amarelado e emoldurada. Ali ficamos sabendo que o artista era um homem muito criativo, de bons amigos e reservado, desinteressado em self-marketing e networking — o que explicaria de certo modo a pouca visibilidade que sua obra recebeu nas últimas décadas.

 
A exposição, que é curta, tem trabalhos formalmente curiosos, agradáveis e bem literais no sentido de se quererem entender como literatura, imagem e desenho. Dillon, formado em arquitetura em 1954, testemunhou o desenvolvimento da arte concreta e do design no Brasil, e tais referências são marcantes no conjunto de não objetos e livro-poemas selecionados.

 

 
A FRUIÇÃO DO TOQUE

 
Fica claro que estas obras tridimensionais feitas em madeira, papel, ferro, espelho ou acrílico, participativas ou não, expressam imagens que se completam pela matéria e sua forma, em uma pesquisa artística consonante com discursos da arte dos anos 1960-70. Bons exemplos são a escultura-poema-objeto “Arte e Sopro” (1960-1961) e o totem “Boca-Eco/Sexo-Ovo” (1970). É possível tocar em vários dos trabalhos, com e sem a orientação de um monitor, sendo essencial para a fruição dos livros-poema especialmente.

 
A mostra termina em uma sala grande com alguns desenhos e uma tela da série Devorantes, de 1969, todos de inspiração surrealistas, que não chegam a despertar grande interesse por aparentarem ser uma amostra muito pequena do que foi uma grande pesquisa do artista. Neste espaço também se encontram os desenhos/projetos da série “Estudo para um Monumento Vivencial I, II e III” (1961-1970) que dialogam de modo complexo com o horizonte e a arquitetura da recém inaugurada Brasília. Em uma parede, documentos e artigos de jornal ajudam a contar a trajetória de Dillon entre os anos 1960-70, assim como um pouco do cenário da arte de vanguarda do período.

 
Ao lado desses registros, quinze poemas do artista, datilografados em papel amarelado e emoldurados, encerram o percurso de modo tocante. São composições muito simples e ritmadas, que de certa maneira concentram o pensamento que dá corpo aos trabalhos tridimensionais. Finda a visita fica a sensação de que Osmar Dillon ainda tem muito para ser estudado e exibido, sendo este só um primeiro passo, pequeno e importante, para uma revisão mais ampla de sua obra poética.
Fonte/texto: Daniela Labra/O Globo/Rio Show.

 

 
Até 23 de maio.

Volpi, uma homenagem

O pintor Alfredo Volpi é o tema de uma exposição panorâmica que leva seu sobrenome: “Volpi, uma homenagem”. A mostra é composta de 23 obras, sendo cinco delas inéditas, cartaz do Paulo Kuczynski Escritório de Arte, Cerqueira César, São Paulo, SP. A exibição apresenta – com seleção de trabalhos feita pelo marchand Paulo Kuczynski -, abriga paisagens, fachadas, figuras de santos e composições abstratas produzidas entre os anos 1930 e 1960. Obras que nunca foram exibidas poderão ser vistas na exposição, fazem parte de três fases do artista: uma marinha de Itanhaém do final da década de 30, uma fachada de casas da década de 50, os santos São Benedito e Santa Luzia do início dos anos 60, e uma composição de bandeirinhas do final dos 1960. A curadoria é de Paulo Venâncio Filho e o projeto expográfico traz a assinatura de Pedro Mendes da Rocha.

 

 

 

A palavra de Paulo Kuczynski

 

 

“Há anos planejo esta mostra. Foquei minha procura por obras que revelassem a linha evolutiva de Volpi, naquele que é considerado o melhor período do artista, que abrange o início dos anos 1930 a 1940, quando ele se concentra em suas notáveis marinhas e paisagens, passando pela década de 1950, com suas famosas fachadas e início do abandono da perspectiva, e os anos 1960, quando, com tão poucos elementos, ele cria uma abstração única na pintura.”.

 

 
Até 08 de maio.