Glauco Rodrigues em Paris

22/abr

 

A obra de Glauco Castilhos Rodrigues, com sua brasilidade, índios, papagaios, verdes, amarelos e azuis, inicia um giro que começa com exposição retrospectiva em Paris na École Nationale de Beaux-Arts. O artista morreu em 2004 no Rio de Janeiro. Em 2012, Nicolas Bourriaud, diretor da École Nationale des Beaux-Arts de Paris, esteve no Rio de Janeiro, conheceu no Museu de Arte Moderna, a coleção de quadros do artista, que pertencia a Coleção Gilberto Chateaubriand e selecionou mais de 20 obras.

 

Bourriaud, um dos mais respeitados teóricos de arte na Europa, escolheu a arte de Glauco Rodrigues para compor um novo espaço na École des Beaux, em sua inauguração. Nicolas Bourriaud também visitou o atelier do artista e em contato com Norma Estellita Pessôa, viúva do artista e responsável por sua obra, escolheu mais alguns trabalhos para compor a exposição. Para a viúva que luta pela preservação do legado de um dos maiores nomes da arte contemporânea brasileira, é um reconhecimento. “Bourriaud fez apreciações bastante interessantes sobre a trajetória pictórica de Glauco, tudo isso é um grande reconhecimento ao excepcional artista que ele foi e é. Estou me preparando para esse grande momento”, diz Norma Estellita Pessôa.

 

Conferência

 

No dia 25 de abril, em Paris, na Sala de Conferências da École des Beaux-Arts, Roberto  Cabot realiza a conferência “Glauco Rodrigues, decodificar o dispositivo moderno”. A arte brasileira começou no início dos anos 60 e 70 do século XX, uma desconstrução do modernismo, e, portanto, sua própria identidade nacional, criando pilares que sustentam grande parte da produção brasileira contemporânea atual. Um pólo desta desconstrução é Glauco Rodrigues, que teve uma carreira solo, mas, no entanto, crucial. A conferência de Roberto Cabot oferece uma contextualização da obra de Glauco Rodrigues através de uma análise das circunstâncias históricas e abordagens artísticas no Brasil nos anos de 1960 à 1970.

 

Sobre o artista

 

Glauco Rodrigues nasceu em Bagé, RS, em 1929, e morreu no Rio de Janeiro, RJ, em 2004. Pintor, desenhista, gravador, ilustrador e cenógrafo. Começou a pintar, como autodidata, em Bagé, em 1945. Alguns anos depois, passa a frequentar, com bolsa de estudos da Prefeitura de Bagé, a Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Em 1951 funda o Clube de Gravura de Bagé, com Glênio Bianchetti e Danúbio Gonçalves. Nesse período, passa a residir em Porto Alegre e integra o Clube de Gravura da capital, fundado por Carlos Scliar e Vasco Prado. Em 1958, transfere residência de Porto Alegre para o Rio de Janeiro e a seguir reside em Roma, de 1962 a 1965, lá realiza exposição individual na Embaixada do Brasil e participa de exibições coletivas em diversos países europeus. Ao retornar, integra importantes exposições como “Opinião 66”, no MAM-Rio. A obra de Glauco Rodrigues no fim da década de 1950 se aproxima da abstração, mas no começo dos anos 1960, volta à figuração quando o artista começa a produzir sob o impacto da arte pop, tratando com humor temas nacionais, inspirando séries como “Terra Brasilis”, de 1970, “Carta de Pero Vaz de Caminha”, de 1971, “No País do Carnaval”, de 1982, entre outras. Após o prêmio Golfinho de Ouro Artes Plásticas do Governo do Rio de Janeiro, publica o livro “Glauco Rodrigues”, de autoria de Luis Fernando Veríssimo, no qual reúne a quase totalidade de sua obra. Em 1999 recebe o Prêmio Ministério da Cultura Cândido Portinari de Artes Plásticas.

 

A partir de 24 de abril.

Casa Daros no Rio

10/abr

Após uma demorada espera, em função de obras realizadas para adaptação do espaço, a Casa Daros, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, iniciou atividades com a exposição coletiva “Cantos Cuentos Colombianos”. A exposição revela ao público a diversidade de pesquisas e técnicas dos artistas Doris Salcedo, Fernando Arias, José Alejandro Restrepo, Juan Manuel Echavarría, María Fernanda Cardoso, Miguel Ángel Rojas, Nadín Ospina, Oscar Muñoz, Oswaldo Macià e Rosemberg Sandoval, com obras pertencentes à Coleção Daros Latinamerica. A mostra foi apresentada inicialmente em Zurique, Suíça, em duas partes: a primeira, de outubro de 2004 a janeiro de 2005; e a segunda, de janeiro a abril de 2005, tendo sido a maior mostra de arte colombiana contemporânea já realizada na Europa. Naquela ocasião, a mostra funcionou como uma reavaliação dessa geração de artistas da arte colombiana no mundo. A curadoria é de Hans-Michael Herzog.

 

Até 08 de setembro.

Adriana Varejão no MALBA

09/abr

 

Chama-se “Adriana Varejão: Historia en los márgenes”, retrospectiva dos 22 anos de carreira da artista, agora no MALBA, Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires, Buenos Aires, Argentina. Nascida no Rio de Janeiro, Adriana Varejão tornou-se um dos nomes mais importantes e valorizados da arte contemporânea brasileira. Foram selecionadas 40 obras especialmente para esta ocasião, oriundas do acervo da artista, coleções particulares e institucionais.

 

Suas obras encontram-se em museus como o Guggenheim, NY; Tate Modern, Londres; Fondation Cartier pour l´art Contemporain, Paris; Fundación “La Caixa”, Barcelona e Inhotim Centro de Arte Contemporânea, Brumadinho, MG, Brasil. Participou de quase uma centena de exposições entre mostras coletivas e bienais internacionais. Entre as exposições individuais realizadas, destacam-se: Centro Cultural de Belém, Lisboa, Portugal; Hara Museum, Tóquio, Japão; Fondation Cartier, Paris, França; MAM-São Paulo, São Paulo, SP, Brasil e MAM-Rio, Rio de Janeiro, Brasil.

 

“Margem remete a mar, mas também àquilo que está fora do centro”, daí o título da mostra. Para Adiana Varejão, “a história é algo vivo, o passado não é fechado nem morto, mas está sendo constantemente recriado, e essa é uma das principais motivações do trabalho”. A exposição foi realizada pelos museus MAM-SP e MAM-Rio e a curadoria é de Adriano Pedrosa.

 

Até 10 de junho.

Pinakotheke: Mabe, livro e exposição

08/abr

Ao comemorar dez anos de atividades na cidade de São Paulo, a Pinakotheke, Morumbi, São Paulo, SP, inaugura a exposição “Manabu Mabe (1924-1997) anos 1950 e 1960” que reúne 36 pinturas, a maioria inédita, das décadas de 1950 e 1960 e lança um livro correlato de autoria de Paulo Herkenhoff, uma iniciativa do Banco BTG Pactual. Nesta exposição, a galeria introduz o sistema QR Code para que os visitantes visualizem em seus celulares e tablets informações complementares de cada obra: vídeos, áudios e novas referências.

 

A mostra ressalta a produção de Mabe a partir do abstracionismo, nas décadas de 1950 e 1960, período em que o artista alcança o reconhecimento máximo. O núcleo principal das obras reunidas refere-se à coleção Profili, formada na década de 1960 por Arturo Profili, amigo de Mabe e seu primeiro agente, fundador da Galeria Sistina em São Paulo e da Galeria Profili na Itália, onde Mabe realizou bem sucedidas exposições. Esta coleção nunca exposta na sua totalidade representa o melhor da produção do artista deste período.

 

Já o livro homônimo, concebido pela Edições Pinakotheke (bilíngue português-inglês) apresenta texto do crítico Paulo Herkenhoff, excertos de textos publicados no Brasil e no exterior e mais de 150 reproduções. A publicação “Manabu Mabe (1924-1997) anos 1950 e 1960” traz ainda uma cronologia ilustrada com fotos de diversas épocas da vida do artista.

 

Conforme destaca Paulo Herkenhoff, o estudo da produção de Mabe implica compreender seus embates, suas conquistas, hesitações e contradições, a persistência dos liames orientais em sua produção, a excelência do ato pictórico-caligráfico e o sentido de sua pintura no contexto da modernidade brasileira do pós-guerra.  “Sua pintura permite, na verdade, compreender o modo de recepção intelectual da arte abstrata no processo liderado pela Bienal de São Paulo e, mesmo, indicar as fragilidades e incongruências na compreensão conceitual da pintura vigente”, afirma o crítico. Segundo ele, ainda, os artistas brasileiros nascidos no Japão, como Mabe, Tomie, Shiró, trazem um traço, um nome próprio ideogramático (e a língua, o olhar, a caligrafia pictórica, uma visão de mundo que expande o campo da pintura).

 

Sobre o artista

 

Manabu Mabe, pintor, gravador, ilustrador, nasce no Japão em 1924. Emigra com a família para o Brasil em 1934. Trabalha na lavoura de café no interior de São Paulo. Interessado em pintura, começa a pesquisar em revistas japonesas e livros sobre arte e inicia a prática da pintura em 1945. No fim da década de 1940, muda-se para a cidade de São Paulo. Integra-se ao Grupo Seibi e participa das reuniões de estudos do Grupo 15. Na década de 1950 tem participação ativa no contexto da arte brasileira torna-se um dos artistas mais destacados do abstracionismo informal no país.

 

A partir de 1957 inicia a sua trajetória no campo da abstração. Manabu Mabe explora em suas obras o empastamento, a textura e o traço e se revela um colorista de porte. Ao voltar-se para o universo das formas caligráficas, percebe também as possibilidades de criar uma linguagem lírica com a cor. Dessa forma, em meados desta década começa a aproximar-se também de certos aspectos do tachismo.

 

Em 1959, Mabe alcança consagração nacional e internacional. Recebe o prêmio de melhor pintor nacional na V Bienal de São Paulo. Sobre a premiação de Mabe comentou o crítico Mario Pedrosa no que chamou de “ofensiva tachista e informal”: “Um jovem artista japonês desconhecido, Manabu Mabe, é o vitorioso. Mal chegado do interior de São Paulo, onde fazia seu estágio obrigatório de imigrante, Mabe ganha instantânea notoriedade. De gosto inefavelmente japonês, as manchas de Mabe têm um poder emocional de fácil comunicabilidade, e com elas inaugura-se em definitivo a voga tachista no Brasil”. Neste mesmo ano, é homenageado com o artigo “The Year of Manabu Mabe”, publicado na revista Time, em Nova York.

 

Vitorioso também na I Bienal de Paris, no ano seguinte recebeu o cobiçado Prêmio Fiat na XXX Bienal de Veneza. Daí em diante sua carreira segue em franca ascensão. Realiza grandes mostras nos Estados Unidos e na Europa; e pela primeira vez expõe no Japão, em 1965. A partir da década de 1970, cristaliza seus procedimentos anteriores – que reaparecem estilizadamente em quase toda sua produção, incorpora em seus quadros figuras humanas e formas de animais, apenas insinuadas ou sugeridas, mas em geral representadas em grandes dimensões. Paralelamente, as grandes massas transparentes e etéreas com que vinha trabalhando adquirem um aspecto de solidez.

 

Nos anos 1980 as figuras voltam em suas telas, mas em formas abstratas e sutis. As espatuladas mesclam as cores e surgem novas formas, novas cores. As composições são ricas em detalhes. Cada espaço da tela tem sua própria concepção e surgem as formas geométricas em contradição com as formas gestuais. As cores são cada vez mais vibrantes, sem agredir o espectador que contempla a obra.

 

No dia 30 de janeiro de 1979, um trágico acidente aéreo fez com que o artista perdesse uma quantidade significativa das melhores obras produzidas ao longo de sua carreira. Um avião cargueiro decola do aeroporto de Narita no Japão ao término da sua exposição e desaparece de forma misteriosa. De 1980 até a sua morte em 1997 realiza inúmeras exposições no Brasil e no exterior.

 

Até 18 de maio.

No Espaço Cultural Citi

O crítico de arte Jacob Klintowitz assina a apresentação e a curadoria da exposição individual de Manu Maltez no Espaço Cultural Citi, Paulista, São Paulo, SP. Artista multimídia, Manu Maltez é um destes artistas jovens que respira arte e utiliza todos os meios dos quais tem conhecimento para expressar-se seja desenho, gravura, música, ou atuando como instrumentista, editor e ilustrador.

 

Manu Maltez por Jacob Klintowitz

 

O fragmento e o paradoxo.

 

Talvez seja a intermitência na produção o que causa certa espécie em Manu Maltez. Eu acompanho o seu trabalho há muitos anos e tenho sempre a impressão de que ele cria por imersão profunda: a cada série um mergulho no incógnito. E, logo depois, ele se dedica à outra coisa. Assim ele desenha, faz gravura, compõe, toca contrabaixo, ilustra poemas e ficção que o emociona, edita livros. E esta amplitude de interesses explica porque a sua imagem pessoal é um pouco difusa. A nossa ainda é uma época de especialistas. O lado paradoxal, entre outros elementos, é que, após obter qualidade, ele parece desinteressado da continuação.

 

É claro que este artista se move por desafios formais. Encontrar o equivalente visual do poema “O corvo”, de Edgar Allan Poe é uma temeridade. Está longe de ser o melhor de Poe, mas é o mais famoso e o mais comentado. As traduções são inúmeras e este poema é acompanhado por um brilhante ensaio de Poe sobre a construção literária. É um paradoxo, pois o romântico e expressionista Poe faz um tratado cartesiano sobre o processo criativo do poema. Em minha opinião trata-se não de uma descrição veraz, do ponto de vista histórico, mas de outra obra de ficção. Esta contradição essencial deve ter atraído de maneira fatal Manu Maltez.

 

O que é fascinante é a qualidade do seu desenho. Feito de densidades diferentes, gestual e preciso ao mesmo tempo, muitas vezes ele lembra os esboços e estudos de mestres renascentistas. O acabamento contemporâneo, com o seu conceito de mostrar o processo do fazer – os andaimes da obra – pode recordar o que antigamente era só um estudo. É o caso de Maltez. Mas nele a memória associativa é requintada. E a sua gravura, para ficarmos no terreno visual, criada com o mínimo de elementos, retoma a extraordinária tradição brasileira da gravura que já nos deu Marcello Grassmann, Octávio Araújo, Mário Gruber, Maria Bonomi, Anna Letycia, Lívio Abramo, Oswaldo Goeldi, entre tantos outros importantes artistas.

 

Manu Maltez é um jovem artista de talento afirmativo. A amplitude de suas realizações é animadora. Este admirador de Kafka, Goya, Fellini, Grassmann, Goeldi, Rosa, Stravinsky, Poe, Glauber, Tom, Iberê, Thelonius Monk, tem nos habituado à pequenas séries de alta qualidade. Fragmentos. Agora, na passagem para a maturidade artística, talvez seja a hora de nos apresentar uma sinfônica completa.

 

Até 24 de maio.

Vik Muniz: Espelhos de papel

27/mar

Vik Muniz inaugura a sua primeira mostra na Galeria Nara Roesler, Jardim Europa, São Paulo, SP, espaço que passou a representá-lo no Brasil desde o ano passado e no qual ele inicialmente estreou, em novembro último, no papel de curador, assinando uma coletânea dedicada à Op-art. “Espelhos de papel”, a nova exposição, com onze obras inéditas, é a primeira individual de Muniz em São Paulo desde 2010.

 

As obras apresentadas pertencem à nova série “Imagens de Revista 2”, na qual o artista vem trabalhando nos últimos dois anos. Tendo mais uma vez a fotografia como objeto final de sua produção, Vik volta a se apropriar dos fragmentos de revistas., utilizando papéis rasgados, criteriosamente escolhidos a partir de imagens de publicações variadas. “Elas precisam ser rasgadas para parecerem mais acidentais, como se tivessem caído ali como confetes”, diz ele sobre o processo de colagens.

 

Vik Muniz joga com os limites da representação, recompondo imagens de obras referenciais que já fazem parte do repertório visual do espectador. A série atual parte do constante interesse do artista pelas ilusões de ótica e pelas brincadeiras, que ele diz explorar igualmente a sério. Vik conta que em visitas a museus observou que os espectadores, às vezes, se moviam para frente e para trás, numa espécie de transe, enquanto exploravam a fronteira mágica entre conceito e objeto. Para ele, justo nesse ponto de transição dá-se o encontro que considera o sublime em arte: “Esses são os momentos que contêm em sua transcendência a própria natureza da representação”.

 

Em seu texto de apresentação da mostra “Espelhos de papel”, o jornalista Christopher Turner observa que, à primeira vista, as obras parecem familiares, uma galeria de imagens famosas.“Mas quando olhadas de perto elas não são o que parecem”. Cada quadro é uma colagem composta por centenas de imagens artisticamente arrumadas de acordo com a gradação de cores: “Esse vertiginoso mosaico de imagens superpostas, que dissolvem o plano do quadro numa multiplicidade de pontos focais, foi escaneado e ampliado para que o espectador possa ver os cabelos, as fibras e até a celulose do papel cortado nas bordas”, escreve Turner.

 

O conjunto de fotografias digitais C-print em grandes formatos, que constitui a montagem da Galeria Nara Roesler, foi selecionado pelo próprio Vik Muniz. A mostra “Espelhos de papel” inclui composições a partir das pinturas de Monet, Coubert, de Kooning e Wilhelm Eckersberg, entre outras. Os trabalhos foram produzidos nos estúdios do Brooklyn, em Nova York, e da Gávea, Rio de Janeiro, cidades entre as quais o artista se divide atualmente.

 

Para a crítica e curadora Luisa Duarte, “…sua obra abriga uma espécie de método que solicita do público um olhar retrospectivo diante do trabalho. Para “ler” uma de suas fotos, é preciso indagar o processo de feitura, os materiais empregados, identificar a imagem, para que possamos, enfim, nos aproximar do seu significado. A obra coloca em jogo uma série de perguntas para o olhar, e é nessa zona de dúvida que construímos nosso entendimento”.

 

Simultaneamente à mostra solo de Vik Muniz, a Galeria Nara Roesler apresenta, na programação paralela do projeto Roesler Hotel, a individual “Atacama: 1234567” – da curadora chilena Alexia Tala, que traz pela primeira vez ao Brasil a obra do artista britânico Hamish Fulton.

 

Sobre o artista

 

Vik Muniz nasceu em 1961, em São Paulo, SP. Vive e trabalha em Nova York e Rio de Janeiro. Participou de inúmeras bienais, como da 49ª Bienal de Veneza, Itália, 2001; 24ª Bienal Internacional de São Paulo, Brasil, 1998; Bienal de Arte Contemporânea de Moscou, Rússia, 2009, entre outras. “Vik”, no Centro de Arte Contemporânea de Málaga, Espanha, 2012; “Relicário”, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, Brasil, 2011; e “Vik Muniz”, no Nichido Contemporary Art, em Tóquio, Japão, 2010, são suas mais recentes exposições individuais. Algumas das mostras coletivas de que participou são: “Swept Away”, no Museum of Arts and Design, em Nova York, 2012, e “Pure Paper”, na Rena Bransten Gallery, em São Francisco, 2011, ambas nos Estados Unidos; “Fragments latino-américains’, na Maison de l’Amérique Latine, em Paris, França, 2010; e “Surface Tension”, no Metropolitan Museum of Art, em Nova York, Estados Unidos, 2009. Suas obras integram acervos como os do Centre Georges Pompidou, em Paris, França; Guggenheim Museum, em Nova York, Estados Unidos; Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madri, Espanha; e Inhotim – Instituto de Arte Contemporânea, em Brumadinho, MG, Brasil.

 

De 2 de abril a 11 de maio.

O carretel de Iberê Camargo

A Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, inaugura nova exposição, com a duração de um ano, na qual serão exibidas 21 pinturas, 32 gravuras e 4 desenhos de Iberê Camargo. entre 23 de março de 2013 e 23 de março de 2014. A curadoria é de Michael Asbury. Esta exposição apresenta o desenvolvimento da temática do carretel dentro da trajetória pictórica de Iberê Camargo. Sendo esta sua mais prolongada série de trabalhos, a mostra explora sua significação cambiante, da suposta aproximação às vanguardas construtivas do pós Guerra no Brasil, à relação da matéria da tinta ao drama psicológico do gesto.

 

O carretel é o tema mais recorrente na obra de Iberê, aludindo às memórias de sua infância. A exposição Iberê Camargo: o carretel – “meu personagem” exibe um mapeamento da trajetória do artista, mostrando o objeto representado de diversas formas: desde o gênero natureza-morta, inspirado no trabalho de Giorgio Morandi, até as interpretações mais abstratas.

 

A palavra do curador Michael Asbury

 

Ao considerar a significância da temática do carretel na obra de Iberê Camargo, verifica-se o desenrolar de argumentos muitas vezes antagônicos. Se para o artista essa forma tinha características afetivas vindas das suas mais longínquas memórias – seus brinquedos de infância que ele desenterrara do “fundo do rio da vida” –, a crítica, apesar do consenso sobre a posição privilegiada como tema na obra, tem apresentado ao longo dos anos várias hipóteses sobre o que leva o carretel a ter tal importância.

 

Organizados inicialmente em um arranjo frontal rítmico, primeiramente sobre mesas, os primeiros carretéis de Iberê invocam o legado de Morandi. Mais tarde, com o crescente abandono do artifício da perspectiva, apresentam-se cada vez mais próximos à superfície da tela que, à medida que a tinta engrossa, parece os engolir. É a partir desse procedimento que descrições contemporâneas sobre a metamorfose a que Iberê sujeita os carretéis vieram a considerá-los o último estágio do artista a caminho da abstração. Tal procedimento foi visto, no calor da hora, como prova de sua passagem ao informalismo, tendência bastante em voga no final dos anos 50 e início dos 60. Entretanto, a evidência de estudos preparatórios para suas composições, mesmo aquelas de aparência abstrata, nega tal associação, convidando, a partir dos anos 1990, hipóteses que aproximavam o artista das vanguardas construtivas, que, então, ganhavam crescente reconhecimento no incipiente cânone da arte brasileira. Os carretéis levariam o artista, dessa forma, a um processo que considerava o objeto forma autônoma na pintura, em que a memória pessoal vem a ser mera anedota. Há ainda outro posicionamento que considera a maestria da matéria pintada posição singular de um expressionismo levado a seus limites. O artista vem a ser o solitário, sobrecarregado pela dor da vida, melancólico sobre a irreversível perda da inocência que expressa sua condição existencial através de grossas tintas que, agora, se tornam metáforas de uma escorregadia, movediça e pessimista apreensão da vida.

 

Todas essas dimensões críticas privilegiam, no entanto, a pintura sobre os outros meios empregados por Iberê. A atual exposição visa justapor pinturas e gravuras com a intenção de provocar um desequilíbrio à estrutura crítica a qual os Carretéis têm sido submetidos, sugerindo uma ênfase na questão da repetição da forma ao ponto de reconsiderá-la, em toda sua ambiguidade entre o lúdico e o melancólico, signo do próprio ser.

 

De 23 de março de 2013 a 23 de março de 2014.

Sete artistas na Almacén

25/mar

A mostra coletiva “Cor Matéria”, que a Almacén Galeria de Arte, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ, exibe 25 obras de diferentes cores, texturas e formatos de sete artistas exclusivos do cast da galeria. Entre os expositores, os nomes de Cássio Lázaro, Guilherme Secchin, Herton Roitman, Luiz Badia, Silvio Baptista, Wagdy Radwan e Walter Goldfarb.

 

Pretos, brancos ou coloridos os traçados e cortes impressos nas obras dos artistas da Almacén Galeria de Arte fizeram do espaço, uma grife no mercado de arte contemporânea na cidade do Rio de Janeiro exibindo a sensibilidade de pintores, escultores e fotógrafos renomados desde 1986, ano em que foi inaugurada. A exposição atual celebra a excelência de quase três décadas no segmento. Coube ao curador Alexandre Morucci a tarefa de tornar uniforme a diversidade de estilos e formas dos sete artistas selecionados para a exposição.

 

“Ao trazer um recorte de matizes cromáticos basais, ligadas à natureza primordial da composição pictórica, podemos ressaltar o coeficiente matérico da cor, como um ponto importante de ligação entre estes artistas. Ratificados sob o aspecto matéria que a cor (cor-pigmento versus cor-luz) atua em suas obras, podem reafirmar particularidades que consolidam as identidades autônomas de suas obras” diz o curador.

 

Até 20 de abril.

Rubem Grilo no MNBA

24/mar

Uma síntese da carreira de um dos maiores gravadores vivos do Brasil poderá ser vista, em rara oportunidade, na exposição “Rubem Grilo –  a trajetória do artista – aquisição de 500 obras, Prêmio de Artes Plásticas Marcoantonio Vilaça”, em exibição no Museu Nacional de Belas Artes, Centro, Rio de Janeiro, RJ. Nada menos do que 123 obras, de diferentes datas e formatos, em xilogravuras, exibidos na sala Clarival Valadares, o conjunto representa um resumo da produção do artista abrangendo 43 anos de atividade profissional, entre 1971 a 2012.

 

Entre as obras, temos as primeiras xilogravuras do início da década de 70. São anos de formação, que servem como referências. Com o tempo a produção se adensa, na identidade e na experiência. As mudanças que acontecem, num jogo natural de uma busca criativa, permanecem refletidas, no fluxo, a coerência deste percurso, avaliado pelo conjunto exposto. A exposição simboliza o coroamento de uma das trajetórias mais sólidas e criativas da gravura nacional. A mostra se insere na etapa conclusiva do projeto premiado, cujo compromisso consiste na transferência de 500 obras para o Gabinete de Gravura do MNBA.

 

A aquisição atual, decorrente da premiação, soma-se à doação ao MNBA feita anteriormente pelo artista de aproximadamente 900 obras. Segundo o colecionador George Kornis, que escreve o texto crítico da exposição, “Ao construir, ao longo de 5 décadas, uma obra que está inscrita na história da arte e em particular na história da gravura no Brasil, Rubem Grilo se credencia para apresentar uma síntese dessa produção; não satisfeito em ser apenas um grande artista ele agora, em uma ação exemplar, expande a presença da sua obra no acervo do Gabinete de Gravura do M NBA tornando-a amplamente acessível ao publico”.

 

Sobre o artista

 

Mineiro de Pouso Alegre, MG, nascido em 1946, mas há muito radicado no Rio de Janeiro, Rubem Grilo realizou as primeiras xilogravuras em 1971. Ilustrou diversos jornais de 1973 a 1985, como Opinião, Movimento, Folhetim (Folha de São Paulo, Pasquim , Retrato do Brasil, entre outros. Criou as vinhetas do Segundo Caderno na reforma gráfica do jornal O Globo, em 1995. Atualmente, é colaborador semanal da Ilustrada (Folha de São Paulo). Rubem Grilo conta mais de 60 exposições individuais no Brasil e no exterior. Como reconhecimento ao conjunto de sua obra recebeu prêmios como o Golfinho de Ouro, do Conselho Estadual de Cultura do Rio de Janeiro, em 2002; 2º Prêmio da Xylon Internacional, Suíça, em 1990; Prêmio de viagem ao exterior- 1984,no Salão Nacional de Artes Plásticas; 1ª Bienal Internacional Del Grabado, Montevidéu, Uruguai – 1983. Em 2011, foi contemplado pelo Prêmio de Artes Plásticas  Marcantônio Vilaça, projeto inscrito pelo Edital de Concurso Público 2- Prêmio Procultura de Estímulo às Artes Visuais 2010- Funarte- MinC. Trabalhos de Rubem Grilo ilustram as revistas Graphis e Who’s Who in Art Graphic, Suíça; Novum Gerbrauchasgrafik, Alemanha; Print, Estados Unidos; Idea, Japão; Bicephale,  França; Gráfica,  Brasil, entre outras.

 

Até 05 de maio

Em Ribeirão Preto

23/mar

A galeria Marcelo Guarnieri, Ribeirão Preto, São Paulo, SP, agora em novo endereço, inaugurou as exposições de Tomie Ohtake, Alice Shintani e Acervo Aberto #1. Após sete anos mantendo suas atividades na Rua São José, a galeria passa agora a ocupar um novo edifício na Rua Nélio Guimarães, 1290. O espaço foi ampliado visando uma maior flexibilidade expositiva, o que permitirá a realização de projetos simultâneos e a possibilidade de exibir parte do acervo.

 

A abertura contou a exposição terceira individual de Tomie Ohtake na galeria. A exposição é formada por pinturas, esculturas e gravuras de décadas distintas e a mostra é parte integrante das comemorações do centenário da artista. Tomie mantém grande vitalidade em seu processo de produção, realizando trabalhos em diversos suportes e escalas. Seus gestos são livres e com referenciais orgânicos. Desde os anos 60 há uma linha coerente e potente nas obras da artista. Em Ribeirão Preto podemos ver um de seus projetos no Teatro Pedro II, para o qual a artista desenhou a cúpula para a reinauguração da casa nos anos 90.

 

Sobre a artista

 

Tomie Ohtake vive e trabalha em São Paulo, SP. Nasceu em Kyoto, no Japão, em 1913. Veio ao Brasil na década de 30, radicando-se em São Paulo. Em 1968 naturaliza-se brasileira. Começa sua produção apenas com 40 anos de idade e a partir disso desenvolve um caminho coerente que perpassa seis décadas ininterruptas. Tomie Ohtake participou de diversas bienais internacionais como as de São Paulo, Veneza, Bienal Latino-Americana de Havana e diversas outras. Em suas exposições recentes destaca: Pinturas Cegas, na Fundação Iberê Camargo – Porto Alegre; Mulheres, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói; A Poética da Forma, Museu Oscar Niemeyer – Curitiba, dentre outras.

 

Alice Shintani / O cru e o cozido

 

Alice Shintani vem trabalhando a partir de uma idéia expandida de pintura que abrange do suporte tradicional sobre tela a intervenções pictóricas e ambientes imersivos. “Procuro criar situações que embaralhem de alguma forma esse jeito de olhar dos nossos tempos, de rotular e descartar imediatamente. A idéia é propor uma experiência que seja um tanto irreprodutível através das imagens, isto é, que você possa criar as suas próprias conexões com o trabalho ali ao vivo (e com as pessoas, com o mundo), que isso ainda valha a pena nesses nossos dias tão midiáticos.”

 

Para a inauguração da nova Galeria Marcelo Guarnieri, a artista apresenta uma série inédita de pinturas. “O Cru e o Cozido”, título que ilustra a mostra, homenageia a obra homônima do antropólogo Claude Lévi-Strauss, célebre por uma análise cuidadosa de centenas de mitos ameríndios, a partir da qual apresenta um olhar afetivo e pleno de alteridade sobre as múltiplas culturas desse Outro e, por consequência, sobre o modo como percebemos a cultura ocidental e a nós mesmos. Referências à parte, a mostra é proposta como uma experiência silenciosa e aberta ao observador participante, convidando-o a movimentar o seu próprio repertório de ideias e a sua imaginação particular.

 

Sobre a artista

 

Alice Shintani vive e trabalha em São Paulo, SP. Neta de imigrantes japoneses, Alice Shintani é formada em Engenharia de Computação pela UNICAMP. Realizou diversas exposições individuais entre elas “Hanafuda”, Galeria Mercedes Viegas, Rio de Janeiro, RJ, 2012; “Bakemono”, Casa Triângulo, São Paulo, SP, 2011; “Sinopse”, Galeria Mercedes Viegas, Rio de Janeiro, RJ, 2010; “Éter”, Galeria Virgilio, São paulo, SP, 2009; Galeria Marcelo Guarnieri, Campinas, São Paulo, SP, 2008; “Quimera”, Galeria Virgílio, São Paulo, SP, 2007, entre outras. Principais mostras coletivas: “Além da Forma: plano, matéria, espaço e tempo” e “O Colecionador de Sonhos”, Instituto Figueiredo Ferraz, 2012-2013; “Técnicas de Desaparecimento”, Cuba, 2012; “Rumos Artes Visuais”, Instituto Itaú Cultural, São Paulo, SP; Espaço Ecco,  Brasília, DF e Paço Imperial, Rio de Janeiro, RJ, 2009; “Nova Arte Nova”, CCBB RJ e SP, 2008; “Oriente, Ocidente”, Centro Cultural São Paulo, 2008; “Temporada de Projetos”, Paço das Artes, São Paulo, SP, 2007. Em 2012 recebeu premiação no “II Concurso Itamaraty de Arte Contemporânea”, através de júri formado por grupo de curadores internacionais.

 

Até 27 de abril.