As cores de Mario Cravo Neto

09/jan

 

A exposição inédita “Tudo Era Novo Sob o Sol da Bahia”, do artista visual Mario Cravo Neto, que pode ser vista até o dia 18 de fevereiro na Galeria Mario Cohen, nasceu da parceria entre a Galeria Mario Cohen e o Instituto Mario Cravo Neto. O filho do artista, Christian Cravo, abriu o acervo do Instituto MCN, em Salvador, para a curadoria de Mario Cohen. Nesse cuidadoso trabalho de seleção, Cohen buscou fotografias em cores menos óbvias do artista, como a série “Geometrias” e os retratos coloridos de cenas da cultura baiana. A mostra traz 22 obras e mais da metade das imagens selecionadas pela curadoria serão expostas ao público pela primeira vez. Os trabalhos remontam a diferentes fases do fotógrafo, durante as décadas de 1970, 1980 e 1990.

 

Sobre o artista

Nascido e criado na Bahia, o fotógrafo vivenciou, nas décadas de 1950 e 1960, a efervescência da cena artística baiana, convivendo com grandes nomes da cultura nacional como Jorge Amado, Dorival Caymmi, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia. Mario Cravo Neto também aprendeu novas formas de enxergar a beleza da cultura popular local com o antropólogo francês Pierre Verger, que influenciou diretamente sua produção. Dessa forma, os temas abordados por ele giram em torno da religiosidade, do povo baiano, da natureza e do candomblé. O artista é um dos nomes mais importantes da fotografia contemporânea brasileira, reconhecido internacionalmente e com trabalhos expostos em acervos de diversos países, como França, Estados Unidos, Espanha e Holanda.

 

Sobre a galeria

A exposição marca também a inauguração da nova Galeria Mario Cohen. Fundada em 2000, esta que foi a primeira galeria especializada em fine art photography da América Latina, abriu seu novo espaço, na Rua Capitão Francisco, 69, Jardim Europa. Com projeto original de Isay Weinfeld e atualizado pelo arquiteto André Vainer, a nova galeria possui 137m² e abriga importante acervo de nomes como Cristiano Mascaro, Bob Wolfenson, Ellen von Unwerth, Gui Paganini, MAR+VIN, Norman Parkinson, Pierre Verger, Sebastião Salgado, entre outros.

 

LIUBA no MUBE

20/dez

 

Bichos, plantas, bestas, deuses e personagens de mitos – apesar da origem europeia, LIUBA foi uma das esculturas que parece ter melhor entendido nosso imaginário ancestral, originário e popular. Mas, apesar de ter participado de três Bienais de São Paulo e ter apresentado uma individual importante no MAM RJ em 1965, ela é uma artista pouco conhecida pelo grande público e quase nunca citada nas aulas de história da arte. Uma grande falha.

Uma ótima oportunidade para mergulhar no universo dessa artista tão poderosa é visitar a exposição “LIUBA – Corpo Indomável”, curada por Diego Matos no MUBE, Jardim Europa, São Paulo, SP. Maior exposição panorâmica da artista desde 1996, quando Emanoel Araújo reuniu trabalhos da artista na Pinacoteca de São Paulo, a mostra apresenta 200 obras entre esculturas, relevos, gessos, desenhos e estudos e nos ajuda a compreender melhor como seu trabalho se desenvolveu ao longo de seis décadas.

Liuba nasceu na Bulgária onde cresceu envolvida por um cenário cultural e intelectual poderoso promovido pelos pais. Estudou música e literatura e, aos 20 anos, mudou-se para a Suíça, para fugir das invasões durante a Segunda Guerra, onde se envolveu pela primeira vez com artes visuais. Trabalhou com Germaine Richier entre os anos de 1943 a 1949, nos ateliês em Zurique e Paris, mantendo a amizade e as trocas intelectuais com ela até o fim da vida.  Seus pais escolheram São Paulo para se exilar. E, depois de passar pelos EUA e em alguns países da África, ela chegou ao Brasil em 1958 e permanceu.

É interessante notar como as esculturas vão mudando e sua primeira preocupação em representar o corpo feminino se transforma numa pesquisa instigante sobre a geometria de animais alados. E a preocupação com a figuração, muitas vezes influenciada pela representação egípcia, passa para estudos de figuras mais abstratas, revezando entre um acabamento mais polido e outros mais ásperos, deixando excessos e marcas pós-fundição.

Vale reparar, ainda, nas fotos que ela fez de suas esculturas usando as belíssimas joias que desenhou. Outro destaque é a uma madona em bronze, com mais de 3,20 m de altura, encomendada pelo arquiteto Franz Heep para o projeto da Paróquia São Domingos – ela está localizada na frente de uma faixa de vidro por onde entra uma luz quase divina no museu e de onde podemos ver o desenho do principal conceito de arquitetura de Paulo Mendes da Rocha quando idealizou o museu: uma pedra de concreto flutuando (dizem que essa era a vista preferida do arquiteto!)

Destaque especial para a expografia idealizada por Diego Matos que abriu a clarabóia do museu, resolvendo um problema crucial do MUBE: a iluminação. As posições das obras, umas olhando para outras, também ficou especial e criou diálogos formais e temáticos ao longo da carreira da artista. Outro gol marcado pela curadoria foi assumir as bases que a própria LIUBA usava para mostrar os trabalhos: blocos de tijolos do cimento e bancos cheios de tintas e marcas do tempo começaram a ser adotados pela artista como base das obras quando ela fez a individual no MAM – como o museu ainda não estava pronto, LIUBA pegou objetos e materiais da construção para fazer a expografia. Simples e chique como a mostra.

Até 05 de fevereiro de 2023.

 

 

Homenagem a Aldemir Martins

19/dez

 

Em cartaz na Choque Cultural, Jardim Paulista, São Paulo, SP, exposição “Aldemir em casa” reúne trabalhos do artista cearense, que completaria 100 anos em 2022.

Através da apresentação de esboços, cadernos de estudo, desenhos sobre papel e uma pintura-desenho em nanquim sobre tela, “Aldemir em casa” traz uma celebração do desenho de Aldemir Martins, que em 1956 recebeu o prêmio máximo da Bienal de Veneza e grande reconhecimento internacional. Em cartaz até 20 de janeiro, a mostra reúne obras que, em sua maioria, datam de 1948 a 1968, entre elas os primeiros esboços de gatos, um caderno da época em que o artista viveu em Roma, retratos de sua esposa, Cora, em casa, e uma parede com sete desenhos que perfazem uma linha cronológica da filha, Mariana Pabst Martins – que assina a curadoria da exposição.

“Através de uma escolha muito pessoal dos desenhos presentes nessa mostra, eu quis iluminar a personalidade  do trabalho do meu pai, expressa na precisão e fluidez do gesto, na intimidade com a pena e o pincel, no rigor do pensamento e no prazer do traço”, explica Mariana. Como o título sugere, “Aldemir em casa” aborda o fazer do artista num contexto de intimidade.

Afirma Mariana Pabst Martins que “…meu pai desenhava todos os dias, o tempo todo, no quarto ou na sala, conversando com amigos ou quieto no seu silêncio pessoal. A imagem dele desenhando vem acompanhada do barulho da pena riscando o papel e do cheiro de nanquim. O gesto elegante e fluido que resultava num traço longo e curvo convivia com a rispidez das hachuras rápidas tracejadas com vigor”.

Marina Pabst Martins procurou colocar lado a lado as nuances gestuais que pode observar cotidianamente com “Aldemir Martins em casa”. Assim, o núcleo principal da mostra traz o exercício do desenho nas mais diversas abordagens, seja em trabalhos de elaboração complexa e densas, seja de mínimos desenhos de pouquíssimos traços. “Não distingui esboços, rabiscos, estudos ou desenhos aparentemente mais bem acabados: para Aldemir não havia nenhuma hierarquia entre os desenhos feitos no papel que forrava a mesa de trabalho daqueles produzidos num papel 100% algodão ou num Schoeller martelado: ambos eram dignos de serem bem emoldurados e expostos”, ela explica.

 

 

Curador da Bienal de Veneza

 

A Bienal de Veneza anunciou que Adriano Pedrosa, diretor artístico do Masp, será o curador da seção de artes visuais da próxima edição da mostra, que acontece na cidade italiana de 20 de abril a 24 de novembro de 2024.

“Sinto-me honrado e grato por esta nominação de prestígio. A Bienal é certamente a plataforma mais importante para a arte contemporânea no mundo, e é um desafio emocionante e uma responsabilidade para mim realizar este projeto”, declarou o curador, que será o primeiro latino-americano a assumir este cargo na antiga e renomada mostra de arte internacional. A indicação veio de Roberto Cicutto, diretor geral da instituição.

 

Sobre o curador

Pedrosa é diretor artístico do Masp desde 2014. Foi curador-adjunto da 24ª Bienal de São Paulo (1998), da Bienal da Antropofagia, que teve como curador-geral Paulo Herkenhoff. Ao lado de Cristina Freire, José Roca, Rosa Martínez, foi cocurador da 27a Bienal de São Paulo, Como viver junto (2006), que teve curadoria geral de Lisette Lagnado. Adriano Pedrosa participou ainda como curador do InSite_05 (San Diego Museum of Art, Centro Cultural Tijuana, 2005), diretor artístico da 2a Trienal de San Juan (2009), curador do 31º Panorama da Arte Brasileira-Mamõyaguara opá mamõ pupé (Museu de Arte Moderna, São Paulo, 2009), co-curador da 12ª Bienal de Istambul, curador do Pavilhão de São Paulo na 9ª Bienal de Xangai (2012), entre outros projetos. Em 2023, foi homenageado com o Prêmio Audrey Irmas de Excelência Curatorial, concedido a ele pela Central de Estudos Curatoriais do Bard College, em Nova York.

 

 

Mul.ti.plo exibe José Resende

16/dez

 

“Rotação e Translação” traz esculturas inéditas de um dos nomes de maior destaque da arte contemporânea brasileira. É a primeira mostra do artista paulista no Rio de Janeiro após mais de uma década, quando expôs no MAM, em 2011. Com texto crítico de Ronaldo Brito, exposição vai até 24 de fevereiro de 2023, com obras que conversam com o espaço da galeria.

Aos 77 anos e com mais de 50 anos de uma sólida e exitosa carreira, o artista paulista volta a expor na capital carioca depois de uma década. Em sua última exposição na cidade, em 2011, ele ocupou o saguão monumental do MAM. Dessa vez, o desafio foi criar obras que conversassem com o espaço da galeria no Leblon. Assinando o texto da mostra está um dos mais relevantes pensadores do país, o crítico de arte e professor Ronaldo Brito, que também participou do projeto no MAM. Na Mul.ti.plo, José Resende apresenta 14 obras inéditas em materiais como latão, mola latonada, cobre e cabo de aço. A exposição de José Resende na Mul.ti.plo abre-se em dois tempos. No primeiro, estão obras maiores, que se desdobram delas mesmas, como numa experiência de multiplicação. São cinco esculturas de parede (de cerca de 260 x 80 x 40 cm) e duas de chão (de aproximadamente 45 x 42 x 115 cm), elaboradas a partir de tubos de latão articulados com cabo de aço. “Uma peça sai da outra, mas cada uma tem uma unidade diferente e uma relação de mobilidade com o espaço da galeria”, explica o artista. Em contraponto, estão seis esculturas menores, de cerca de 45 x 42 x 115 cm, que trabalham a questão da tensão e também do movimento a partir de hastes e molas.

O nome da exposição, “Rotação e translação”, partiu do texto crítico de Ronaldo Brito e se refere a uma frase do artista norte-americano Carl Andre. “Em resposta à perplexidade diante de suas peças literais, o escultor minimalista insistia que elas tinham, sim, base: a terra. José Resende pontuaria – a terra, em movimento de rotação e translação”, escreve Ronaldo, que também assinou o texto da exposição no MAM-RJ em 2011. Os dois têm uma parceria profissional de longa data.

Conhecido por suas obras em grande escala, como a monumental instalação com vagões pendurados com cabo de aço, em São Paulo, em 2011, José Resende tem várias obras em locais públicos do Rio. Uma delas é a escultura apelidada de “O passante”, no Largo da Carioca, e “A negona”, no corredor cultural do Centro. “O convite da Mul.ti.plo para expor novamente no Rio me deu muito prazer. Essa ausência de 11 anos estava para ser cortada. Eu estava me cobrando isso e achando que não cabia ficar tão ausente numa cidade onde fui sempre tão bem recebido e também tenho essa presença em espaços públicos que me envaidece muito”, diz o artista, que expõe pela primeira vez na galeria. “José Resende é um criador de exceções. Sua poética, sempre renovada, traz uma potência que se revela a cada novo trabalho”, diz Maneco Müller, que comanda a Mul.ti.plo em parceria com Stella Ramos.

 

Sobre o artista

José Resende nasce em São Paulo, 1945. Vive e trabalha em São Paulo, SP. Formado em arquitetura pela Universidade Mackenzie, São Paulo, cursa gravura na FAAP. Em 1963 estuda com Wesley Duke Lee e, entre 1964 e 1967, é estagiário no escritório do arquiteto Paulo Mendes da Rocha. Em 1966, funda com Nelson Leirner, Wesley Duke Lee, Geraldo de Barros, Carlos Fajardo e Frederico Nasser a Rex Gallery and Sons. Em 1967, ganha o Prêmio de Aquisição da 9ª Bienal de São Paulo. Em 1970, realiza uma individual no MAM-RJ e no MAC-USP. No mesmo ano, funda com Carlos Fajardo, Frederico Nasser e Luís Baravelli o centro de experimentação artística Escola Brasil, onde leciona por quatro anos. Em 1974, realiza exposição individual no MASP, São Paulo. Em 1980, recebe menção honrosa na representação do Brasil na 11ª Biennale de Paris. No mesmo ano, edita a publicação sobre arte “A Parte do Fogo” junto com um grupo de críticos e artistas. Em 1984, recebe bolsa da John Simon Guggenheim Memorial Foundation, residindo em NY até 1985. Em 1988, participa da 43° Bienal de Veneza. Em 1992, Participa da Documenta 9, Kassel, Alemanha. José Resende desenvolveu ao longo de sua carreira uma atuação pungente dentro do debate da arte e da cultura no Brasil, sobretudo entre 1960 e 1980, época da ditadura militar. A partir da década de 1990, desenvolve inúmeros projetos, permanentes e temporários, especialmente para espaços urbanos. Além de expor diversas vezes na Bienal Internacional de São Paulo (9°, 17°, 20ª e 24ª) e em importantes instituições nacionais e internacionais ao longo dos seus mais de 50 anos de carreira. Seus trabalhos figuram em importantes coleções públicas como MoMA (Museum of Modern Art), Museu de Arte Moderna de São Paulo e Pinacoteca do Estado de São Paulo. Sua última exposição foi na Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS.

 

Exposição na Casa Roberto Marinho

15/dez

 

A mostra “Alegria aqui é mato – 10 olhares sobre a Coleção Roberto Marinho” conta com dez salas e ficará aberta até março de 2023. Fernanda Montenegro, Adriana Calcanhotto e Glauco Campello estão entre os nomes convidados a organizarem as salas com peças selecionadas.

Ao longo de seis décadas, a Casa Roberto Marinho, como residência do jornalista carioca, foi palco de manifestações de diversos setores da criação: peças de teatro, apresentações musicais, saraus literários e projeções de filmes. Ao seguir esta tradição festiva, o instituto cultural localizado no Cosme Velho, Zona Sul do Rio de Janeiro, apresenta a exposição “Alegria aqui é mato – 10 olhares sobre a Coleção Roberto Marinho”, com curadoria geral de Lauro Cavalcanti.

Reunindo cerca de 200 obras, a mostra é composta pelo olhar atento de dez personalidades de vertentes variadas, que se dedicaram por meses ao estudo da Coleção Roberto Marinho. A atriz Fernanda Montenegro, os músicos Adriana Calcanhotto e Paulinho da Viola, o cineasta Antonio Carlos da Fontoura, o fotógrafo Walter Carvalho, o arquiteto Glauco Campello, o designer Victor Burton e os artistas plásticos Gabriela Machado, José Damasceno e Marcos Chaves foram convidados a organizar suas salas com peças selecionadas a partir do acervo – que reúne cerca de 1.400 itens – dialogando, por vezes, com trabalhos de sua autoria e/ou de outras coleções particulares.

Lauro Cavalcanti, diretor da Casa, explicou que o título da mostra surgiu no processo de sua feitura. “Na seleção inicial da sala a cargo de Victor Burton, constava uma fotografia do norte-americano Hart Preston: um flagrante do carnaval carioca de 1942 em que um folião exibe um cartaz com a frase “Tristeza aqui é mato”. Ambíguo, ainda que festivo, sobressaía-se nele a palavra “tristeza'”, disse o diretor. “No lugar de “tristeza”, escrevemos “alegria”. Alegria de viver e de criar. “Mato”, na gíria antiga, significava abundância. Pois nesta exposição, pautada pela pluralidade e fortaleza da cultura brasileira, arte é mato”, ele afirma.

A mostra ficará aberta para visitação até o dia 19 de março de 2023.

 

Poteiro em exposição panorâmica

 

Exposição sobre Antonio Poteiro reúne trabalhos que contam a trajetória do pintor. O português filho e neto de ceramistas, nascido e criado em olarias, construiu um mundo de mitos e fantasias inspirados em questões sérias e reais, uma mistura cuja dimensão pode ser acompanhada com detalhes em “As matérias vivas de Antonio Poteiro: Barro, cor e poesia”. Em cartaz no Museu Nacional da República, Brasília, DF, a partir de 15 de dezembro, a exposição tem curadoria do também artista Divino Sobral e traz um percurso bastante completo sobre a trajetória do português que era também goiano e ganhou o Brasil com pinturas e esculturas naifs.

Antonio Poteiro morreu há 10 anos. Se estivesse vivo, estaria prestes a completar 97 anos. Pensando nessa trajetória que se estende por praticamente todo o século 20, Divino Sobral foi atrás de obras capazes de sintetizar os percursos do artista e contextualizá-lo em um tempo, em uma região e na própria família. “O grande volume de obras são do Poteiro, mas tem três gerações da família, que são três peças do pai, que era português e chegou ao Brasil um ano depois do nascimento de Poteiro. Ele era de uma família de ceramistas da região de Braga. Para mim, Poteiro carrega no sangue essa herança de arte, embora ele, durante grande parte da vida, não quisesse ser poteiro”, diz o curador.

Fonte: Correio Braziliense

 

34ª Bienal de São Paulo – Faz escuro mas eu canto

 

Abertura da 34ª Bienal em Arles, na França com obras de Regina Silveira, Noa Eshkol, Carmela Gross e Daiara Tukano, artistas que estarão na itinerância da 34ª Bienal de São Paulo em Arles.

No dia 16 de dezembro, o programa de mostras itinerantes da “34ª Bienal de São Paulo – Faz escuro mas eu canto” desembarca em seu último destino: a cidade de Arles. A exposição fica em cartaz até 05 de março de 2023 e foi realizada e produzida pela Fundação Bienal de São Paulo em parceria com o LUMA Arles, com apoio da Fundação ENGIE.

A mostra, com curadoria de Jacopo Crivelli Visconti e Vassilis Oikonomopoulos, é organizada a partir dos enunciados “A ronda da morte de Hélio Oiticica”, “Cantos Tikmũ’ũn”, “O sino de Ouro Preto” e “Os retratos de Frederick Douglass” e conta com trabalhos de Alice Shintani, Amie Siegel, Carmela Gross, Daiara Tukano, Gala Porras-Kim, Jaider Esbell, Manthia Diawara, Naomi Rincón Gallardo, Noa Eshkol, Regina Silveira, Seba Calfuqueo, Sueli Maxakali, Victor Anicet e Zózimo Bulbul. Na abertura da exposição e no dia seguinte, Seba Calfuqueo realizará uma performance inédita. Não deixe de conferir o registro em nossas redes sociais.

O LUMA Arles é localizado no Parc des Ateliers, um parque industrial construído no século 19 voltado à manutenção e construção de locomotivas. Remodelado, desde 2013 ele é voltado a atividades culturais.

Saiba tudo sobre as itinerâncias em nosso site.
34ª Bienal de São Paulo – Faz escuro mas eu canto
Programa de mostras itinerantes

LUMA Arles
Arles (França)
16 de dezembro de 2022 – 05 de março de 2023
Les Forges, Parc des Ateliers
35 avenue Victor Hugo
13200 Arles

Aislan Pankararu – novo artista representado

14/dez

 

A Galatea tem o prazer de anunciar uma nova representação.

Aislan Pankararu nasceu em Petrolândia, em Pernambuco, no Brasil, em 1990. Originário do povo Pankararu, passou a sua infância na aldeia mãe Brejo dos Padres, no interior de Pernambuco, onde sua avó lhe transmitia as tradições dos seus ancestrais. Mais tarde, dirige-se à cidade para estudar, formando-se pela Faculdade de Medicina na Universidade de Brasília. Tendo o costume de desenhar quando criança, Aislan retoma a prática como autodidata no ano de 2019 e decide se dedicar à carreira artística.

O trabalho de Aislan Pankararu nasce da memória de suas origens e da necessidade de entrar em contato e expressar a sua ancestralidade. Produzindo desenho e pintura sobre papel Kraft e sobre tela, o artista se utiliza de elementos pictóricos tradicionais da pintura corporal de seu povo para elaborar os seus traços e figuras. Dotadas de movimento e constituídas pela mistura de tintas e cores, as obras de Aislan Pankararu evocam a riqueza visual e simbólica dos Pankararu a fim de ressaltar a sua luta e resistência.

Em 2020, em parceria com a comissão de Humanização do Hospital Universitário de Brasília (HUB), onde estudou, realizou sua primeira exposição Abá Pukuá (“Abá” significa “homem” em tupi-guarani e “Pukuá” significa céu em kaypó). Em 2021, inaugurou a mostra Yeposanóng no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília. No mesmo ano, ilustrou os textos do projeto Teatro e povos indígenas, da n-1 edições; participou da Residência Kaaysá, sob a coordenação de Rodrigo Villela, em São Sebastião, São Paulo; e criou a ilustração utilizada como identidade visual do festival de música Indígenas.BR. Produziu as ilustrações do 1º Festival de Filmes Indígenas do Brasil, que aconteceu no Institute of Contemporary Arts, em Londres.

Em 2022, participou das coletivas NOW, no Museu Inimá de Paula, em Belo Horizonte; Um século de agora, no Itaú Cultural, em São Paulo; e O amanhã possível: história da arte em tempos de crises socioambientais, na Galeria de Artes do Instituto de Artes da Unicamp – GAIA, em Campinas, São Paulo. Seu trabalho está presente no acervo do Instituto Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais.

Márcia Falcão ilustra Machado de Assis

13/dez

 

Um dos textos mais brilhantes de Machado de Assis, “Pai contra mãe”, de 1906, faz um duro retrato da sociedade brasileira de sua época, expondo com crueza a escravização, a miséria e a violência vivida por negros e pobres no Brasil. O conto desenha a história de sujeitos que vivem na engrenagem da opressão de um sistema capitalista escravocrata, com as violências racial e de gênero que persistem em pleno século XXI.

 

Esta edição ilustrada por uma série de pinturas inéditas da artista carioca Márcia Falcão, criadas especialmente para o livro, conta com um ensaio crítico inédito do professor e pesquisador José Fernando Peixoto de Azevedo e outro da jornalista e escritora Bianca Santana, além de texto assinado pelo jornalista Tiago Rogero, criador do projeto Querino, para quem “Machado escancara não só as muitas formas de tortura naturalizadas pela “boa gente brasileira”, mas especialmente o fato de que, naqueles tempos – e até hoje – a pessoa africana ou afrodescendente era – e é – uma cidadã de segunda classe no Brasil. Uma vida que vale menos e que, muitas vezes, não tem nem o direito de nascer.”

 

Sobre o autor

Machado de Assis, jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, nasceu no Morro do Livramento, no Rio de Janeiro, em 21 de junho de 1839, e faleceu na mesma cidade em 29 de setembro de 1908. Publicou seu primeiro livro de poemas, “Crisálidas”, em 1864 e seu primeiro romance, “Ressurreição”, em 1872. Mantinha forte colaboração com jornais e revistas da época, como O Cruzeiro, A Estação e Revista Brasileira, nos quais publicava crônicas, contos, romances e poemas, que vinham a público em forma de folhetim antes de serem publicados em livros. Assim, saíram as primeiras versões de “A mão e a luva” (1874), “Memórias póstumas de Brás Cubas” (1880), “Quincas Borba” (1886-1891), entre outros. Em 1881, publicou em livro “Memórias póstumas de Brás Cubas”, inaugurando assim sua fase realista, a qual inclui suas obras mais conhecidas: “Quincas Borba”, “Dom Casmurro”, “Esaú e Jacó” e “Memorial de Aires”. Em 1897, foi eleito presidente da Academia Brasileira de Letras, cargo que ocupou por mais de dez anos. A instituição que ajudara a fundar no ano anterior ficou conhecida como Casa de Machado de Assis. Em 1906, publicou o livro de contos e peças teatrais “Relíquias da casa velha”, no qual se encontra “Pai contra mãe”. Em 2020, a Cobogó publicou uma edição especial de seu livro “O alienista”, ilustrada por obras da artista Rivane Neuenschwander.

 

Sobre a artista

Márcia Falcão nasceu no Rio de Janeiro em 1985, foi criada no bairro de Irajá e vive e trabalha no subúrbio carioca. Partindo da própria experiência, as pinturas figurativas da artista apresentam expressivas representações do corpo feminino, sublinhando a complexidade do contexto social em que este se encontra inserido, atravessado por uma paisagem dubiamente bela e violenta. O feminino, a maternidade, os padrões de beleza e a violência de gênero são temas recorrentes que perpassam suas telas, marcadas pelo gesto e pela fisicalidade. Em 2022, a artista apresentou sua primeira exposição individual em São Paulo, na Fortes D’Aloia & Gabriel, um desdobramento da mostra ocorrida na Carpintaria, no Rio de Janeiro, em 2021. Entre suas principais exposições coletivas destacam-se: “Parábola do Progresso” (2022), Sesc Pompeia, São Paulo; “MAR + Enciclopédia Negra” (2022), Museu de Arte do Rio (MAR), Rio de Janeiro; “Crônicas Cariocas” (2021), Museu de Arte do Rio (MAR), Rio de Janeiro; “Engraved into the Body” (2021), Tanya Bonakdar Gallery, Nova York, entre outras. A série de pinturas que ilustrou este livro foi executada especialmente para esta edição de “Pai contra mãe”.

 

Sobre Bianca Santana

Bianca Santana é doutora em Ciência da Informação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), escritora e jornalista. É autora dos livros “Quando me descobri negra” (2015), “Continuo preta: A vida de Sueli Carneiro” (2021) e “Arruda e guiné: Resistência negra no Brasil contemporâneo” (2022).

 

Sobre José Fernando Peixoto de Azevedo

Dramaturgo, roteirista, diretor de teatro e cinema, curador e professor da Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD/ECA-USP). É coordenador da “Coleção Encruzilhada da Cobogó”, que publica autores que refletem o presente lançando luz sobre o antirracismo, os feminismos e o pensamento em perspectiva crítica negra.

 

Sobre Tiago Rogero

Nascido em 1988 em Belo Horizonte, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Jornalista, é um dos diretores da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo e trabalhou em jornais como O Globo, O Estado de S.Paulo e a rádio Band News FM. É idealizador do “Projeto Querino” – podcast que mostra como a História explica o Brasil de hoje – e de “Vidas negras e Negra voz”. Atualmente atua como gerente de criação na Rádio Novelo. Pelo 5º episódio de “Negra voz”, recebeu o 42º Prêmio Vladimir Herzog na categoria Produção Jornalística em Áudio.

 

Ficha Técnica

Autor Machado de Assis

Textos complementares Bianca Santana e José Fernando Peixoto de Azevedo

Texto de orelha Tiago Rogero

Ilustração Márcia Falcão

Idioma Português

Número de páginas 72

ISBN 978-65-5691-088-8

Capa Bloco Gráfico

Encadernação Brochura

Formato 13,8 x 19 cm

Ano de publicação 2022