Siron em Salvador na Paulo Darzé Galeria

08/nov

“Trabalho resultante de uma interpretação e análise peculiar, que sempre aponta para várias direções sem perder a estabilidade, busca constantemente o novo sem se olvidar de sua obra pregressa. Não tem receio em se arriscar, se expor e de não se fazer compreendido, pois tudo não passa de uma questão de tempo. Jamais se acomodou às fórmulas aclamadas, embora as revisite, como se vê a presente exposição, “Miragens”. Continua com vigor que contagia uma arte que surpreende sempre, e isso após meio século de pintura. Na mostra atual, o artista se utiliza do conceito da ilusão sedutora, do engano, do sonho e da quimera para abordar, de forma lúdica, mas marcante, o que se passa no mundo”.

 

 

Estas são palavras de Charles Cosac na apresentação da exposição “Miragens”, de Siron Franco, com abertura no dia 12 de novembro, das 19 às 22 horas, na Paulo Darzé Galeria, Salvador, Bahia, e temporada até 13 de dezembro.

 

 

Seguindo na sua apresentação afirma: “As repetidas figuras humanas são simples imagens, massas ou volumes de cores que podem deixar a interpretação clássica para ser apenas resultado do índice de refração. Quem sabe aspirando virem a se tornar uma verdade? Imagens superpostas, duplicadas, diferentes camadas de zonas pictóricas atravessadas evocam o conceito de miragem, confundindo quem as observa, como em um trompe-l’oeil.  A utilização da técnica que poderíamos mesmo chamar de pontilhismo, aqui sob nova e criativa interpretação, deixando que suas formas e cores sejam o tema e buscando ocultar o que seria o alvo a ser decantado. O colorido marcante e as diferentes texturas reforçam o conceito de trompe-l’oeil, buscando talvez esconder e, ao mesmo tempo, revelar as visões. Sem sabermos como realmente interpretá-las, algumas imagens nos levam a conceitos religiosos, outras à supostas questões do homem, da natureza e do meio-ambiente. Siron surpreende a cada nova mostra. Na última, realizada em 2018, “Em nome de Deus”, as obras também suscitavam dúvidas quanto ao “sacro” conceito do que estava sendo retratado. Agora, nos entrega e nos envolve em ilusões, exigindo e aguçando a nossa capacidade de interpretação. São obras que exigem observação demorada e repetida, sem garantia de que venhamos saber o que realmente se passa sob nossos olhos. São belas representações do ilusório, do diáfano, a miragem se faz”.

 

 

Ainda no catálogo, em outro texto-apresentação, Claudius Portugal diz: “Esta é uma arte relacionada diretamente a um compromisso de mundo, o mundo em que vive, sendo realizada na sua temática de coisas vistas, vividas, inventadas, e uma construção que privilegia não apenas o olhar, mas o viver a vida, no sentido amplo de homem e de cidadão, seus sonhos e seus pesadelos. Mas como qualquer artista, a biografia está na poesia, na trajetória desta sua arte, que tem na cor, ou na luz, uma gerando a outra como vida, a revelação da busca através das variantes de um figurativismo, hoje menos identificáveis à primeira vista, mas seja como for, uma obra que nasce da realidade para criar uma nova realidade, esta agora chamada arte, nos seus temas de natureza, bichos e homens, vigorosas na capacidade inventiva de continuar a produzir imagens enquanto pintura. Obra instigante, criativa, em primeiro lugar como pintura, mas abarcando também o desenho, a ilustração, as instalações, os monumentos em locais públicos, o que o torna com esta diversidade de atuação e de atitudes, um dos artistas brasileiros vivos mais conhecidos do grande público”.

 

 

Sobre o artista

 

 

Siron Franco nasceu em 25 de julho de 1947, na cidade de Goiás Velho, antiga capital do estado de Goiás. Em 1950 mudou-se para Goiânia, indo residir numa zona de classe média baixa, o Bairro Popular. Foi exatamente nessa localidade onde se deu o desastre com o Césio-137, em 1987. Em 1959 tem-se a primeira obra conhecida de Siron. Aos doze anos passa a frequentar a Universidade Católica de Goiás num curso livre, saindo aos dezessete, após ter mandado alguns desenhos para avaliação, sem revelar a idade. Em 1960 manteve os primeiros contatos com a atividade artística de forma sistemática e passa a frequentar o Estúdio ao Ar Livre, supervisionado por dois pintores locais, D.J. Oliveira e Cleber Gouvêa. Esteve aí apenas como um observador por lhe faltar tempo e dinheiro para as aulas. Mas foi neste espaço que encontrou, além da grande ajuda dos pintores citados, o pintor Confaloni, fundador da primeira Escola de Belas-Artes de Goiânia e seu primeiro mentor. Em 1961 começa a trabalhar numa editora, emprego que lhe permite conseguir uma coisa cara para ele: o papel. A partir de 1962, enquanto desenvolvia de maneira autodidata e através da observação e da experimentação passou a dominar as técnicas do desenho e da pintura, e começou a desempenhar a atividade de retratista. Além disso, executava trabalhos de desenho gráfico.

 

 

Datam de 1967 em Goiânia/GO suas primeiras mostras individuais. De lá para cá tem participado de exposições individuais e coletivas em importantes galerias, museus nacionais e internacionais como MASP, MAM-RJ, MAM-SP, Pinacoteca do Estado de São Paulo, The Bronx Museum of the Arts nos Estados Unidos e Nagoya City Art Museum no Japão. Participou da 2ª Bienal de Havana em 1986, de diversas edições do Panorama da Arte Brasileira do MAM-SP. Seus trabalhos resultam de uma relação intensa com a matéria, facilmente observável nas generosas camadas de tinta a óleo que utiliza em suas pinturas, ou na diversidade de materiais brutos que escolhe para compor suas esculturas ou instalações, tal qual o concreto, aço, chumbo, mármore e resina. Essa intensidade ganha ares dramáticos nos corpos ou fragmentos de corpos que retrata com frequência, sejam corpos de bichos, de gente, de santos, mortos ou vivos. O ar soturno do universo que criou ao longo de seus mais de cinquenta anos de atividade incorpora a sátira e o absurdo para abordar questões políticas e sociais, como a relação violenta e desequilibrada que o homem possui com a natureza e com a sua própria humanidade.

 

 

Sua primeira aparição nacional foi na II Bienal da Bahia, 1968, mostra fechada pelo regime militar na noite de abertura, quando duas de suas obras foram destruídas, sobrevivendo apenas o “Cavalo de Troia”, que recebeu o Prêmio de Aquisição. Em 1973 recebe o prêmio Viagem do I Salão Global da Primavera/Rede Globo de Televisão, o que lhe permite uma permanência de seis meses no México. Em 1974, na XII Bienal Nacional de São Paulo, recebe prêmio em dinheiro e é eleito o melhor pintor do ano e único representante brasileiro na próxima Bienal Internacional e no XIII Salão Nacional de Arte Moderna, do Rio de Janeiro, o prêmio Isenção do Júri. Em 1975, na XIII Bienal Internacional de São Paulo recebe o prêmio Internacional de Pintura, e o Prêmio Viagem ao Exterior no XXIV Salão Nacional de Arte Moderna/ Rio de Janeiro, o que lhe possibilitou permanecer na Europa durante dois anos. Em 1980 o Prêmio Críticos de Arte de São Paulo, “A Melhor Exposição do Ano”, e o Prêmio Dez Artistas da Década Hilton. São Paulo. Participa da IV Bienal Internacional de Medellín, Colômbia, 1981. Ganha em 1982 o Prêmio Mário Pedrosa “A Melhor Exposição do Ano”. Rio de Janeiro. Em 1984 participa da IV Bienal Ibero-americana de Arte, México, onde recebe o prêmio Menção Honorífica. Em 1987 recebe no Rio Grande do Sul o Prêmio Lei Sarney. Em 2002 o Prêmio Mário Pedrosa Artista Contemporâneo do ano 2000. ABCA/ Brasil. Suas obras integram coleções de museus nacionais e internacionais, como Metropolitan Museum of Art, Nova York/Estados Unidos; University of Essex Collection of Art from Latin America, Colchester/Grã Bretanha; Museu Salvador Allende, Santiago do Chile/Chile; Monterey Museum of Contemporary Art – MARCO, Monterrey/México; Museu Nacional de Belas Artes – MNBA, Rio de Janeiro/Brasil; Museu de Arte de São Paulo – MASP, São Paulo/Brasil; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM/RJ, Rio de Janeiro/Brasil; Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM/SP, São Paulo/Brasil; Museu de Arte de Belo Horizonte, Belo Horizonte/Brasil; Museu de Arte Moderna da Bahia – MAM/BA, Salvador/Bahia; Museu de Arte Moderna de Brasília, Brasília/Brasil. Sua relação com a Bahia, aonde veio a ter posteriormente atelier, começa 1968 na II Bienal Nacional da Bahia, quando ganha o prêmio Aquisição. Em seguida realiza individual, 1980, no MAM/BA. Em 1985 faz sua primeira exposição, “Pinturas Recentes”, na Paulo Darzé Galeria, ainda com o nome Escritório de Arte da Bahia. Novamente expõe na mesma galeria em 1991 e 1996. Em 2001 traz a mostra “Casulos” para o MAM/BA. Em 2002, uma nova mostra no Paulo Darzé Galeria de Arte, “Siron Franco: desenhos”. E, agora, 2019, na Paulo Darzé Galeria, a mostra “Vestígio”. Siron Franco vive e trabalha em Goiânia, Goiás.

 

 

34ª Bienal de São Paulo – Faz escuro mas eu canto

Conversa aberta com Philipp Fleischmann

 

09 de Novembro – Sábado – entre 11 e 13h

 

Philipp Fleischmann (n. 1985, Hollabrunn, Áustria) cria obras entre os campos das artes visuais e do cinema. Ele desenvolve uma pesquisa em torno do filme analógico e cria, a cada filme, configurações de câmera site-specific para que o material da filmagem se relacione com o assunto da gravação. Fleischmann vai realizar uma obra inédita para a 34ª Bienal, a partir da arquitetura do Pavilhão da Bienal.

 

Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo

 

Entrada gratuita / 50 vagas (participação por ordem de chegada)

 

Exibindo Cildo Meireles

07/nov

Exposição “Entrevendo – Cildo Meireles”, obedece a curadoria de Júlia Rebouças e Diego Matos e encontra-se em exibição na Área de Convivência, Galpão e Deck do Sesc Pompeia, São Paulo, SP. A mostra abrange obras e projetos desde o início de sua produção, nos anos 1960, até os dias atuais, em diferentes linguagens artísticas e meios de expressão.

 

Cildo Meireles é um artista incontornável para a arte contemporânea brasileira e internacional. Desde suas primeiras obras desenvolvidas em desenho, que datam de 1963, até o presente, Meireles tem engendrado uma produção tão diversa quanto rica, em que proposições conceituais e sua materialização formal se dão em complexa simplicidade. De maneira análoga, as relações entre forma e conteúdo, poesia e política, abstração e figuração engajam de maneira abrangente o público com a experiência artística. Os trabalhos desdobram-se em distintos suportes, sendo amplamente reconhecido por suas instalações, mas também fazendo-se notar por sua obra em desenho, escultura, pintura, trabalhos sonoros, performances, entre outros.

 

A exposição busca elaborar a multiplicidade de acepções da ideia de sentido na obra de Meireles: modalidade de sensações (tato, visão, olfato, paladar, audição), a faculdade de compreender, perceber; tino, senso; pontos de vista; direções, orientações de movimento; significados; alvos, fins, propósitos, o que parece englobar não apenas aspectos conceituais e teóricos concernentes à obra do artista, mas também distintos suportes e linguagens. Os jogos semânticos e as distintas camadas de percepção, sensação e entendimento são caros ao artista, que com sua produção promove imediato engajamento do público e ao mesmo tempo o envolve numa diversificada trama de possibilidades de experiência.

 

Em um espaço de mais de 3000m2, a mostra poderá ser vislumbrada na Área de Convivência, Galpão e Deck. “Entrevendo foi pensada para dialogar com essa condição democrática e generosa que vemos no Sesc Pompeia. É importante apresentar a produção de Cildo Meireles para um público grande e diverso, fazê-lo participar e se engajar com sua obra, em diferentes linguagens, suportes e temas”, diz a curadora Júlia Rebouças. Ela também conta que, durante a curadoria, guiou-se pela ideia polissêmica de sentido associada à obra de Cildo, navegando por conceitos como sensação, compreensão, sinestesia, escala, direção e propósito.

 

Por dentro da exposição

 

Um total de 150 obras, criadas por Cildo entre os anos 1960 e os dias de hoje. “Entrevendo”, a obra que nomeia a mostra, encontra-se exposta na Área de Convivência e convida o visitante a caminhar contra um ventilador de ar quente em uma instalação cilíndrica.

 

No mesmo espaço, está “Amerikkka” (1991/2013), obra inédita no país e que faz nascer uma América a partir de aproximadamente 17 mil ovos de madeira e 33 mil balas de armas de fogo.

 

Outra grande instalação é “Missão, Missões” (Como construir catedrais) (1987/2019), que será apresentada em um novo formato, circular, e pensa os processos missionários de catequização de indígenas a partir de milhares de moedas, ossos de boi, centenas de hóstias. Essas são apenas três de um total de 150 trabalhos fundamentais para compreender a arte brasileira.

Até 02 de fevereiro de 2020.

 

Bruce Conner na Bergamin & Gomide

05/nov

Em sua quarta exposição do ano, Bergamin & Gomide, Jardim Paulista, São Paulo, SP, apresenta uma exposição individual do artista norte-americano Bruce Conner, trazendo mais de 20 obras de arte que ao longo da carreira do artista revolucionaram o cinema e a vídeo arte. Bruce Conner produziu desenhos, esculturas de montagens, pinturas, gravando colagens e fotografias, no entanto, foram seus filmes que definitivamente distinguiram a originalidade de sua obra, sendo reconhecida como uma das figuras mais importantes da contracultura do século XX.

Além de fotografias e desenhos, uma estrutura especial será construída para o filme BREAKAWAY (1966), uma espécie de caixa de instalação dentro da galeria, fornecendo a experiência imersiva ao universo de Bruce Conner. No filme que inspirou o título da exposição, Conner apresenta Toni Basil, sua amiga, dançarina, coreógrafa e cantora, dançando na frente de um fundo preto. Lá, ele implementa zoom estonteante de câmera, efeitos estroboscópicos e cortes rápidos que transformam a coreografia de Basil em um espetáculo psicodélico de movimento pulsante e hipnotizante. Segundo Basil, o filme nasceu de um processo colaborativo, de uma cooperação entre os dois artistas que misturaram os meios de vanguarda social, sexual, artístico e de emancipação. Surgiu como um trabalho híbrido de filme de dança ou cinema de metrô, cinema underground e videoarte, aproveitando as aspirações utópicas que permeiam o pop americano na cultura da década de 1960. A carreira de Toni Basil também vai além de seu desempenho no BREAKAWAY. Ela foi recentemente convidada pelo cineasta Quentin Tarantino a coreografar seu filme “Era uma vez em Hollywood”. Em entrevista ao The New York Times, Tarantino declarou que ele considera Basil a “Deusa do Go-Go”, estilo de dança que nasceu em boates nos anos 1960.

Simultaneamente à exposição “BREAKAWAY” na Bergamin & Gomide, o IMS Paulista – Instituto Moreira Salles – apresentará uma agenda especial de trabalhos dedicada ao corpo de Bruce Conner. O programa inclui palestras com Michelle Silva, do Conner Family Trust, além de retrospectiva de sua filmografia, destacando filmes como A MOVIE (1958), COSMIC RAY (1961), CROSSROADS (1976), entre outros.

 

Sobre o artista

 

Bruce Conner nasceu em 1933, em McPherson, Kansas, Estados Unidos da América. Iniciou sua carreira no final dos anos 1950 como artista multimídia, reconhecido por suas assemblages, esculturas surrealistas, filmes de vanguarda, pinturas, gravuras e desenhos.

Conectado com os movimentos revolucionários e contraculturais do século XX, como os poetas Beat e a cena punk, fez inovações funcionais, geralmente usando montagens de imagens existentes e incorporando música pop em seus filmes. Sua estética única e senso experimentalista inspiraram gerações de cineastas. Embora tenha sido precursor do gênero videoclipe e chamado como “o pai da MTV”, Conner evitou todos os esquemas de classificação sobre sua própria produção artística, e nunca comprometer-se com o mainstream e permanecer leal ao seu visual e conteúdo conceitual. Bruce Conner deixou um legado extenso e realizou ao longo de sua carreira várias exposições coletivas. Recentemente, seu corpo de trabalho foi apresentado em um show retrospectivo no IMS Paulista – Instituto Moreira Salles – apresentará uma agenda especial de trabalhos dedicada ao corpo de Bruce Conner. O programa inclui palestras com Michelle Silva, do Conner Family Trust, além de retrospectiva de sua filmografia, destacando filmes como A MOVIE (1958), COSMIC RAY (1961), CROSSROADS (1976), entre outros. IMS Paulista – Instituto Moreira Salles – apresentará uma agenda especial de trabalhos dedicada ao corpo de Bruce Conner. O programa inclui palestras com Michelle Silva, do Conner Family Trust, além de retrospectiva de sua filmografia, destacando filmes como A MOVIE (1958), COSMIC RAY (1961), CROSSROADS (1976), entre outros. Bruce Conner deixou um extenso legado e participou de inúmeras exposições individuais e coletivas. Recentemente o San Francisco Museum of Modern Art – SFMoMA, MoMA de Nova Iorque e o Museu Nacional Reina Sofia, em Madrid apresentaram exposição retrospectiva de sua obra. O artista faleceu aos 74 anos, em 2008, na cidade de San Francisco, Califórnia.

 

De 05 de novembro a 05 de dezembro.

 

O Jubileu de Ouro de Ricardo Camargo

04/nov

Ricardo Camargo, marchand, com décadas de atividade no mercado cultural brasileiro, comemora o seu Jubileu de Ouro com a 16ª edição da mostra coletiva “Mercado de Arte”, exibindo 60 obras de 31 artistas e homenagem aos 120 anos de nascimento do pintor Vicente do Rego Monteiro.

 

Ricardo Camargo iniciou sua atuação no mercado de arte, de forma concreta, após a realização de sua primeira venda aos 17 anos de idade. A partir daquele momento, e ao longo de sua trajetória, firmou parcerias com Ralph Camargo, Paulo Figueiredo Filho, José Duarte de Aguiar, Ugo di Pace e relacionou-se com pessoas que se tornaram importantes para a arte brasileira, como Pietro Maria Bardi, Volpi, Wesley Duke Lee, Flávio de Carvalho, entre tantos. Uma das características que diferenciam a atuação de Ricardo Camargo é a diversidade de estilos com os quais trabalha. Em seu currículo, constam exposições com obras que remontam à Arte Pré-Colombiana, passando com destaque pelas modernistas e chegando às contemporâneas.

 

Seu compromisso com a disseminação da cultura e sua dedicação ao circuito de arte está representada em projeto especial realizado em parceria com Patricia Lee, onde conceituaram e inauguraram, em 2015, o Wesley Duke Lee Art Institute, dedicado a preservar a memória e a obra do artista.

 

Entre os projetos que criou, está a exposição “Mercado de Arte”, agora em sua 16ª edição. Essa mostra coletiva tem um diferencial: apenas é apresentada quando for possível reunir, no mínimo, 20 obras inéditas ou trabalhos que estão fora do mercado há mais de 30 anos. Em ação simultânea, Ricardo Camargo faz uma homenagem aos 120 anos de nascimento de Vicente Rego Monteiro, com 8 obras do importante artista brasileiro e texto de Olivio Tavares de Araujo.

 

Todos esses eventos não representam uma celebração de conquistas do passado. A disposição, inteligência e visão do mercado de arte de Ricardo Camargo, na verdade, celebram o início de uma nova jornada: os novos 50 anos.

 

De 12 de novembro a 20 de dezembro.

 

Le Parc & OSGEMEOS no Rio

A Carpintaria, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a partir de 06 de novembro “Julio Le Parc & OSGEMEOS”, exposição com curadoria de Pedro Alonzo que dá continuidade ao programa experimental do espaço, cuja vocação é a proposição de diálogos entre diferentes criadores, linguagens e formas de expressão. Tomando a abstração geométrica como eixo central deste encontro, a mostra reúne pinturas e instalações que enfatizam as afinidades criativas destes artistas de gerações distintas. Le Parc – consagrado artista argentino radicado em Paris, pioneiro da Arte Cinética -, exibe obras que vão desde a década de 1950 até as mais atuais, incluindo um grande móbile reflexivo criado em 2018. Por sua vez, OSGEMEOS – artistas paulistanos, donos de um estilo único desenvolvido através de grandes murais e exposições imersivas – apresentam trabalhos inéditos, entre pinturas sobre madeira e uma instalação com vasos de cerâmica.

 

A obra de OSGEMEOS é frequentemente caracterizada por um estilo figurativo arrojado, imediatamente reconhecível, que tem origem em suas pinturas murais nas ruas de São Paulo. No entanto, um olhar mais atento revela também uma atenção especial no emprego da abstração geométrica, presente nos padrões coloridos que estampam seus cenários e as roupas de seus típicos personagens amarelos. Essa desconstrução do trabalho de OSGEMEOS leva a uma aproximação com Julio Le Parc, um artista de uma geração anterior, não apenas no uso da cor e da abstração geométrica, mas também na intenção de romper as barreiras que separam a arte da sociedade. Outras similaridades podem ser observadas nos grandes ambientes imersivos que empregam cor, geometria e elementos em movimento, compartilhadas pelos artistas. Demonstra-se ainda no comprometimento mútuo para engajar o público através de encantamento e surpresa, atenuando o limite entre realidade e fantasia para desafiar sua percepção.

 

Ao estabelecer um diálogo entre Julio Le Parc e OSGEMEOS, é fundamental considerar noções de Arte e Ciência, contemplando a aparente distinção entre a abordagem científica de Le Parc e o processo reconhecidamente intuitivo de OSGEMEOS. Em última instância, a exposição realça as afinidades formais e conceituais que existem entre os artistas, assim como questiona as aparentes distinções entre método científico e o processo artístico. Para obter sucesso na ciência ou na arte, há de se combinar pesquisa, intuição e principalmente a liberdade para experimentação.

 

Sobre os artistas e o curador

 

Julio Le Parc nasceu em Mendoza, Argentina, em 1928. Vive e trabalha em Paris desde 1958. Recentemente, sua obra tem sido o tema de grandes retrospectivas em instituições como o The Metropolitan Museum of Art (Nova York, 2018), Instituto Tomie Ohtake (São Paulo, 2017); Perez Art Museum (Miami, 2016), Serpentine Galleries (Londres, 2014), Malba (Buenos Aires, 2014), Palais de Tokyo (Paris, 2013). Seus trabalhos estão presentes em diversas coleções, tais como: Albright-Knox (Buffalo), Cisneros Fontanals Art Foundation (Miami), Daros Collection (Zurique), MAM-SP (São Paulo), Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris (Paris), MoMA (Nova York), Tate (Londres), Walker Art Center (Minneapolis).

 

A dupla OSGEMEOS é formada pelos irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo, nascidos em 1974 em São Paulo, onde vivem e trabalham. Seus projetos recentes incluem exposições individuais em: Frist Art Museum (Nashville, 2019), Hamburger Bahnhof (em colaboração com Flying Steps) (Berlim, 2019), Mattress Factory (Pittsburgh, 2018), Pirelli HangarBicocca (Milão, 2016), Museu Casa do Pontal (Rio de Janeiro, 2015), ICA (Boston, 2012). Suas obras estão presentes em coleções importantes ao redor do mundo, como: MOT (Tóquio), Franks-Suss Collection (Londres), MAM-SP (São Paulo), Pinacoteca do Estado de São Paulo (São Paulo), Museu Casa do Pontal (Rio de Janeiro).

 

Pedro Alonzo é um curador independente baseado em Boston. Atualmente curador adjunto no Dallas Contemporary, ele já foi curador adjunto no ICA Boston (2011 – 2013) e no Instituto de Artes Visuais da Universidade de Wisconsin, Milwaukee (1996 -2002). Desde 2006, especializou-se em produzir exposições que transcendem os limites das paredes dos museus e espalham-se pela paisagem urbana, apresentadas em várias instituições como: Museo Tamayo (Cidade do México City), Baltic Centre for Contemporary Art (Newcastle), Pinchuk Art Centre (Kiev), Museum of Contemporary Art (San Diego), MARCO (Monterrey).

 

A exposição conta com a parceria da Galeria Nara Roesler, representante de Julio Le Parc.

 

Até 28 de dezembro.

 

Fundação Iberê Camargo na Feira do Livro

Pela primeira vez, a Fundação Iberê Camargo vai integrar a programação da 65ª Feira do Livro de Porto Alegre, RS, apresentando atividades que marcam um novo reposicionamento do centro cultural e possibilita um encontro entre as mais diversas linguagens. As atividades gratuitas ocorrem nos dias 16, na Fundação, e 17, na Praça da Alfândega. Destaque para a contação de história e oficina de gravura com o artista Xadalu.

 

“Nesta parceria com a Feira do Livro, queremos ampliar nossa atuação e fomentar a cultura por meio da inserção de todas as linguagens artísticas, partindo das artes visuais, passando pelas artes cênicas, pela música até a literatura”, explica Robson Outeiro, superintendente executivo da Fundação Iberê Camargo.

 

Programação

 

Cantos e Acalantos | Contação de História Teatral
Contador: José Mauro Brant (RJ)

 
Quando: 16 de novembro | Sábado | 17h
Local: Fundação Iberê Camargo

 

Entrada franca

 

Em “Cantos e Acalantos”, José Mauro Brant cria uma apresentação inspirada nas primeiras histórias ouvidas na infância e nos acalantos cantados pelas famílias para embalar seus filhos. As músicas folclóricas são mescladas a histórias, como o Negrinho do Pastoreio, João Jil e Surrão Mágico. A ideia do espetáculo é recuperar cantigas, contos tradicionais brasileiros e difundir o livro e a leitura.

 

Brant é ator, cantor, autor e diretor de mais de 80 óperas e espetáculos musicais. Em 1996 estreou “Contos, Cantos e Acalantos”, que deu origem a um CD homônimo, e se apresenta em teatros, escolas e hospitais no Brasil e exterior.

 

Contos indígenas e oficina de gravura em isopor
Artista: Xadalu

 
Quando: 17 de novembro | Domingo | 10h
Local: Praça de Autógrafos – Ciclo Arte na Praça
Classificação etária: 6 a 12 anos

 

Entrada franca

 

 

Os contos, lendas e histórias indígenas estão muito mais presentes em nossas vidas do que imaginamos. Eles trazem valores, como o reconhecimento da sabedoria dos mais velhos e o respeito à natureza. Para aproximar as crianças da cultura indígena, Xadalu apresenta contos e histórias, brinquedos, animais e suas obras.

 

Durante o encontro, os participantes farão uma introdução à técnica da gravura a partir da experimentação, criando suas próprias obras inspiradas nas ilustrações e objetos apresentados, investigando as diferentes possibilidades de representação de imagens.

 

Xadalu é artista visual urbano com uma obra que transita entre intervenções nas ruas e exposições em museus, galerias e centros culturais. Sua produção diversificada mescla as colagens da sticker art a técnicas e linguagens como a serigrafia, a pintura, a fotografia e o objeto.

 

 

Bruno Big no Oi STU Open

Dono de uma forte identidade, com uma linha marcante e espontânea, o artista visual Bruno Big será o responsável por levar cor e arte para o maior evento de skate e cultura urbana da América Latina, o Oi STU Open. Big fará o pôster e toda identidade visual do evento, que acontece de 11 a 17 de novembro, reunindo os melhores skatistas do mundo na Praça Duó, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ.

 

A arte desse ano junta o coração com o skate, retratando o amor pelo esporte. “O coração sempre foi um dos temas nos meus trabalhos. Existe muita simbologia em torno desse órgão que faz nosso sangue pulsar. Busquei sintetizar de forma gráfica a paixão pelo esporte, pois não importa se você é competidor profissional, ou se o skate é sua filosofia de vida ou se é apenas o seu rolé no lazer. O importante é saber aproveitar a liberdade que o skate nos proporciona”, afirma Big.

 

Apaixonado pela arte e pela sensação que ela provoca, ao longo de anos de pesquisa, Bruno Big conseguiu desenvolver sua linguagem e estilo próprio e, graças a isso, garantiu o reconhecimento dentro e fora do país. Sua presença nas ruas é marcante. Gosta do desafio e da resposta que ela oferece. A busca pelo espaço a ser pintado, a adaptação a diferentes suportes e a interação das pessoas que circulam nas ruas enquanto ele cria, gera uma energia que é fundamental como artista.

 

Sobre o Oi STU Open

 

O Oi STU Open está ainda maior, se consolidando como um grande festival de cultura urbana. A edição de 2019 terá muitos shows, exposições de arte, talks, moda e gastronomia. O palco STU Music receberá DJs e bandas como DJ Tamenpi, Nomade Orquestra, A Filial, Flora Matos, Black Alien e muito mais, animando os finais de tarde e noites na Praça Duó. Na STU Gallery, uma exposição de Bruno Big.

 

Já na STU Street Fair, marcas urbanas vão levar o estilo das ruas para dentro do festival. Na Oi House, oficinas e workshops completam a programação, que terá, ainda, um complexo gastronômico com muitas opções de food trucks e cervejas artesanais no STU Hangout. Tudo bem a cara do festival, que segue deixando legados tangíveis e intangíveis para a cidade. As obras de restauração das pistas da Praça Duó já estão a todo vapor. Em breve cariocas e skatistas de todo o mundo poderão usufruir da praça, que já um point do skate mundial.

 

Apresentado pela Oi, que assina o naming rights do evento, o Oi STU OPEN é viabilizado pela Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Juventude, através da Lei Estadual de Incentivo ao Esporte. Conta com o apoio da Vans e TNT Energy Drink, parceria do Canal OFF e Grupo Coruja, além do apoio institucional da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, da Rioeventos e da Riotur. O Oi STU OPEN é homologado pela Confederação Brasileira de Skate (CBSk), Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e World Skate. A idealização e realização é da Rio de Negócios.

 

Mostra inédita de No Martins

01/nov

A Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea, Gamboa, Rio de Janeiro, RJ, exibe a exposição “Aos que foram, aos que aqui estão e aos que virão”, do artista visual paulistano, No Martins, curadoria de Marco Antonio Teobaldo. O artista aponta o seu interesse para as questões vividas pela população negra no Brasil, cuja perspectiva da desigualdade torna-se material fértil para a sua produção artística. Segundo análise do curador da mostra, “…a violência contra o povo negro que parece nunca ter cessado, é evidenciada na poética de No Martins, que emociona com a força de seu grito silencioso”.

 

Em recente viagem para África, para o programa de residência artística Angola Air, No Martins deu continuidade à pintura dos retratos iniciados no Brasil, da “série Pretos Novos”, em pequenos formatos e que remetem às fotografias 3×4, com rostos de pessoas que ele conheceu e fotografou, cujos ancestrais bantos foram brutalmente mortos e sepultados no Cemitério dos Pretos Novos (1789 – 1830). No Martins desenvolveu uma pesquisa sobre a rota escravocrata a partir do porto de Luanda, que resultou na performance que dá o título desta mostra, “Aos que foram, aos que aqui estão e aos que virão”, na qual ele acende três velas com 1,70 de altura e mais de 50 quilos cada uma, na praia do Museu da Escravatura. Este trabalho é apresentado em vídeo e propõe uma reflexão sobre o passado, presente e futuro, em que nesta linha tênue do tempo, a partida daquelas pessoas escravizadas para as Américas, ainda afeta a vida de seus descendentes nos dois continentes.

 

Na noite da abertura da exposição, ocorreu o debate “Arte Contemporânea de Angola a Diáspora”, que se propõe a gerar um diálogo intergeracional sobre arte contemporânea africana e afrodescendente, no qual foi tratada a relação entre decolonialidade ética e estética. Este recorte atravessa tempo espaço e as próprias lutas, com a participação do artista angolano Kapela Paulo, considerado o papa da Arte Contemporânea em seu país, da artista afro-escocesa Sekai Machache e de No Martins, mediado por Ana Beatriz Almeida, colaboradora da 01.01 Art Platform.

 

 

 

ANIMAL, duas exposições

A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta em suas unidades de São Paulo e Ribeirão Preto a exposição “ANIMAL”, com obras de Alfredo Volpi, Ana Elisa Egreja, Ana Paula Oliveira, Claudia Jaguaribe, Cristina Canale, Edu Simões, Eleonore Koch, Ernesto De Fiori, Gabriela Machado, Guima, Guto Lacaz, Ivan Serpa, Julio Villani, Liuba, Luiz Paulo Baravelli, Lygia Clark, Marcelo Grassmann, Marianita Luzzatti, Mario Cravo Neto, Milton Dacosta, Niobe Xandó, Paola Junqueira, Pierre Verger, Ranchinho, Renato Rios, Rodrigo Braga, Rogério Degaki, Silvia Velludo, Siron Franco, Tarsila do Amaral, Tatiana Blass, Thomaz Ianelli, Victor Brecheret, Vincent Ciantar e Yamamoto Masao.

 

A mostra de 2019, dividida nas duas unidades da Galeria, é uma reedição da exposição que ocorreu na galeria de Ribeirão Preto em 2010, com texto de apresentação novamente assinado pela pesquisadora e cientista Anette Hoffmann. A partir da inclusão de novos trabalhos, a reedição pretende ampliar a leitura sobre o fascínio que, em todas as épocas, o animal despertou na mente humana. Poderão ser vistas obras em linguagens diversas como pintura, fotografia e escultura produzidas em um período que compreende meados da década de 1930 até o ano de 2016 em diferentes partes do mundo, do Vietnã de Pierre Verger às Ilhas Galápagos de Claudia Jaguaribe. Os bichos que compõem a mostra se apresentam em múltiplas configurações, de um despojado sapo à giz de cera de um Volpi da década de 1950 a um complexo “Autorretrato como gato coruja” de Luiz Paulo Baravelli.

 

O caráter das relações que se estabeleceram entre o homem e o animal ao longo da história foram das mais diversas. Mágicas, sangrentas, sagradas ou violentas, foram sendo construídas por nós a partir da necessidade de compreendermos a nossa própria humanidade – ou animalidade – e o nosso elo com o divino ou sobrenatural. Do consumo de sua carne, couro e força de trabalho, passando por sua dominação e domesticação progressiva, até a sua clonagem em laboratório, é possível observar uma dinâmica em que o animal ocupa uma posição de subalternidade. No entanto, no imaginário ou até mesmo no cotidiano de muitas culturas, as fronteiras entre o homem e o animal foram frequentemente cruzadas.

 

As obras reunidas na exposição nos convidam a refletir tanto sobre questões ancestrais quanto tecnológicas, nos localizando na iminência de um futuro pós-humano e nos conclamando a rever nosso conceito de humanidade. Anette Hoffmann, em seu texto de apresentação comenta: “como muitos viajantes que no passado aportaram no Novo Mundo, Ivan Serpa constrói um bestiário pessoal, numa espécie de inquietante transgenia poética. Marcello Grassmann percebe o animal como um espelho no qual se refletem as múltiplas facetas de seu próprio ser. Valeu-se desta percepção para desenvolver a capacidade de evadir-se em outras vidas, num procedimento metamórfico capaz de levá-lo ao fundo de si próprio. Dentro de uma concepção anímica, muito presente em sua produção artística, Mario Cravo Neto promove fusões que propiciam ao homem acesso, mediado pelos animais, ao sagrado imanente na natureza.”

 

Em Ribeirão Preto e em São Paulo até 08 de fevereiro de 2020.