A trajetória de Antonio Bokel

06/abr

O livro “Ver” será lançado dia 08 de abril no Lounge SP, no Pavilhão da Bienal, São Paulo, SP, apresentando um dos percursos mais instigantes da arte contemporânea no Brasil. Nos últimos 15 anos, o carioca Antonio Bokel testou quase todas as possibilidades da arte. Interage com o espaço urbano através do lambe-lambe de propaganda, das pichações e do grafite. O discurso das ruas, em palavras e a imagens, ganha vários outros significados com o uso de técnicas mistas. Colagem e fotografia. Os suportes utilizados por ele passam pela instalação, quadros, moda, esculturas. Artista incansável, seu acervo tão diverso contabiliza mais de três mil imagens. 100 delas, a parte mais representativa de sua trajetória em ordem cronológica, foi selecionada para o livro Antonio Bokel: Ver, Réptil Editora, 160 páginas, R$ 80,00. A obra, com textos dos curadores Vanda Klabin, Daniela Name, Oswaldo Carvalho, Mario Gioia e do artista plástico Pedro Sánchez será lançada dia 8 de abril no Pavilhão da Bienal, durante a feira internacional de arte moderna e contemporânea SP-Arte 2017.
Uma parceria da Réptil Editora com a Mercedes Viegas Galeria, o título percorre em 160 páginas os principais trabalhos do artista carioca. “Um diplomata talentoso, um articulador, um criador de mundos”. A análise é de Pedro Sánchez, um dos cinco convidados a observar a produção de Bokel.

 

 
Lançamento

 

 

Livro de Antonio Bokel – “Ver”,Réptil Editora, 160 páginas. R$ 80,00.
08 de abril de 2017, às 18hs.
Lounge Sp-arte no Pavilhão Ciccilo Matarazzo, Pavilhão da Bienal. Parque do Ibirapuera – Portão 3.

 
Sobre o artista

 

Antonio Bokel nasceu no Rio de Janeiro, em 14 de abril de 1978. O contato com a arte começou bem antes do Curso de Design na Univercidade, onde se formou em 2004. “Um dos passatempos preferidos da infância era pintar com guache. Eu e uma tia, Vera Lucia, pintora autodidata, ficávamos horas pintando”, recorda Antonio. Na faculdade de Design Gráfico, Bokel teve aulas de fotografia, curso de modelo vivo com Bandeira de Mello, de pintura com João Magalhães, no Parque Laje, Rio de Janeiro. Em 2003, fez sua primeira exposição individual na Ken´s Gallery, na Via Lambertesca, em Florença, Itália. “Onde passei quase um ano, fazendo pesquisas e testando várias linguagens”. Ao retornar ao Rio, fundou a marca de moda Soul Seventy com a estilista Amanda Mujica. As peças eram vendidas na praia, no Posto 9, e logo foram parar na semana de moda carioca, o Fashion Rio.

 

Em 2008 participou da exposição de Verão na galeria Silvia Cintra + Box 4, neste mesmo ano e no e anos seguinte participou da SP arte, representado pela mesma, atingindo grande sucesso de vendas em 2009. Em 2010, realizou as exposições “Cruzes e Credos”, na Jaime Portas Vilaseca Galeria, Rio de Janeiro, e “AAAAA No Thing But Truth”, na Sid Lee Collective Gallery, em Amsterdam, Holanda. Em 2011, participou da 1ª exposição ARTUR – Artistas Unidos em Residência, em Lagos, Portugal. Neste mesmo ano, também realizou duas exposições individuais: “Corpus Cordex”, no Centro Cultural Solar de Botafogo, Rio de Janeiro, Grafitti, “Error”, na FB Gallery, Nova York. Em 2012, participa da exposição “Gramática Urbana”,no Centro de Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro. No mesmo ano fez sua individual, “Transfiguração do Rastro”, no mesmo museu. 2013 participou da exposição e residência artística “Movimentos Paralelos” na República Dominicana. Em 2014 mais uma exposição individual “Na Periferia do Mundo” com curadoria de Vanda Klabin , onde ocupou 5 salas do Centro Cultural Justiça Federal, no Rio de Janeiro. Foram no total 35 obras entre pinturas, fotografias , esculturas e vídeo. Seu trabalho já foi publicado nas revistas brasileiras Zupi, Vizoo e Santa, e na espanhola Rojo. Possui obras em coleções brasileiras , como a de Gilberto Chateubriand e BGA Investimentos. Bokel tem alguns trabalhos no acervo do MAM, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e do MAR Museu de Arte do Rio. Em 2015 foi um dos indicados ao prêmio PIPA. Em 2016 participa da exposição coletiva “Point of View/site specific”, nos jardins do Palácio da Pena, em Sintra, Portugal. Atualmente é representado pela galeria Mercedes Viegas, no Rio de Janeiro, galeria Matias Brotas em Vitória e AM galeria em Belo Horizonte.

Curso com Catunda/Dunley

03/abr

Curso Manifestos de artistas do Século XX – Abril 2017 – Vagas limitadas
O curso abordará a História da Arte do Século XX, baseado na leitura e discussão de manifestos e textos de artistas que protagonizaram as vanguardas desde o inicio do século até aproximadamente os anos 70.
Leda Catunda e Bruno Dunley, professores e artistas, atuarão juntos em todas as aulas, com intervalos na apresentação da pesquisa e a discussão com os alunos.
Uma bibliografia será recomendada no ato da inscrição para que os participantes possam, de antemão se familiarizar com o tema.
As aulas contarão, além dos textos dos manifestos em questão, também com uma seleção de imagens das obras referentes à cada período abordado.
Pretende-se, desta maneira, propor um ponto de vista diferente daquele encontrado nos livros de História da Arte, trazendo uma visão mais aguda e visceral, presente nas palavras que os próprios artistas escolheram pra falar sobre aquilo em que estavam pensando.

 

 

Calendário bimestral Março • 3 encontros
Dias:11 de abril a 30 de maio, terças-feiras Horário: das 19h30 às 22h30.
Valores:4x R$ 300,00 Estacionamento:Valet no local, R$ 20,00 pelo período.
Número de telefone para inscrições: (11) 33602726

 

 

Sobre Leda Catunda
Com três participações na Bienal de São Paulo e um grande número de exposições individuais e participações coletivas em instituições brasileiras e internacionais, Leda Catunda é uma de nossas artistas mais respeitadas. Doutora em artes pela ECA-USP, com vasta experiência educacional, trata-se de uma artista cujo trabalho combina um caráter com formação teórica e fortemente experimental.

 
Sobre Bruno Dunley
O artista vive e trabalha em São Paulo. Formou-se bacharel em Artes Visuais pela Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, e bacharel em Fotografia pelo SENAC, na mesma cidade. Por seu envolvimento com o Grupo 2000e8, desenvolveu um pensamento crítico acerca da trajetória da pintura no mundo contemporâneo. Atualmente é representado pela galeria Nara Roesler.

Fiaminghi no IAC

28/mar

Inaugurando o calendário do ano, o IAC, Instituto de Arte Contemporânea, Vila Mariana, São Paulo, SP, apresenta mais uma ação de seu Grupo Experimental de Curadoria, “Fiaminghi – Pensamentos compostos”, dando continuidade ao programa de exposições que busca divulgar o acervo da instituição, constituído por importantes arquivos de artistas brasileiros.

 

Esta exposição reúne um expressivo número de obras e documentos entre desenhos, esboços, projetos, produtos gráficos e estudos realizados por Hermelindo Fiaminghi (São Paulo, 1920 – 2004), desde os anos 1950 até a década de 1990. Dos desenhos e projetos, passando por suas experiências junto ao Grupo Ruptura, a produção em têmpera e os offsets dos anos 1970, a exposição traz um importante panorama da obra de Fiaminghi, ao mesmo tempo em que apresenta aspectos de seu pensamento visual e modo de produção.

 

Com uma obra plástica marcada pela forte influência de suas experiências profissionais como litógrafo da indústria gráfica e como publicitário, a mostra revela aspectos fundamentais das soluções poéticas encontradas pelo artista. A imagem fotográfica tem papel crucial nas questões sobre cor e sua relação com a luz. O artista passa a denominar de corluz a produção na qual utiliza, de maneira extremamente original e criativa, a presença dos fotolitos e das provas gráficas, acentuando os efeitos criados por uma enorme ampliação das retículas.

 

Fiaminghi, junto com outros artistas, aderiu ao Grupo Ruptura em 1955 e ajudou a organizar, em 1956, a 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta. Sobre esse período, o próprio Fiaminghi afirma que somente na 3ª Bienal de São Paulo se deu conta – devido à crítica que o enquadrou na arte concreta – de que ele era um artista concreto. Foi nessa época que buscou descobrir do que se tratava esse tipo de arte e quais seus pressupostos. Ao refletir sobre essa fase, o artista afirmou que “O quadro concreto começa quando você chega. (…). Na arte concreta a coisa é limpa, é clara! O que você está vendo, é!”

 

 

Sobre o artista

 

Hermelindo Fiaminghi nasceu em São Paulo em 1920. Tornou-se conhecido como pintor e desenhista, mas também atuou profissionalmente como publicitário, litógrafo e artista gráfico. Suas experiências profissionais, em todas essas áreas correlatas, influenciaram mutuamente sua pesquisa imagética. No Liceu de Artes e Ofícios, foi aluno entre 1936 e 1941, onde estudou com Waldemar da Costa. Trabalhou em várias empresas de publicidade e, também, na indústria gráfica. Participou das mudanças iniciadas pelos movimentos construtivos e aderiu ao Grupo Ruptura. Nesse âmbito, atuou junto aos poetas concretos, desenvolvendo o projeto gráfico de vários poemas.

 

Frequentou o atelier de Alfredo Volpi de 1959 a 1966. Junto com Cordeiro, Féjer, Mauricio Nogueira Lima e Décio Pignatari, fundou, em 1958, o Atelier Livre do Brás. Ali desenvolveu a série virtuais, considerada como uma passagem da produção construtiva, vinculada aos pressupostos concretos, para uma pesquisa na qual começa um trabalho de desconstrução, tornando suas formas e o uso de cores e do espaço menos rígidas. A partir dos anos 1960, passa a nomear parte importante de sua produção com o uso adaptado do termo corluz. Nessa fase, utiliza retículas na forma de fotolitos e o offset por meio do sistema CMYK de cores, no qual cada cor é impressa separadamente. Por outro lado, nessa mesma década, começa a trabalhar com têmpera e, nela, da mesma forma, privilegia os estudos com a cor.

 

O artista expôs em várias Bienais Internacionais de São Paulo, em exposições individuais e coletivas e sua obra faz parte de importantes coleções públicas e privadas no Brasil e no exterior. Além disso, atuou como professor, júri e membro de conselhos. Faleceu em 2004 também na cidade de São Paulo. Desde 2017, o Instituto de Arte Contemporânea abriga seu arquivo pessoal.

 

 

Sobre o Grupo Experimental de Curadoria do IAC

 

Já pela segunda vez, o Instituto de Arte Contemporânea abre espaço para que o processo curatorial – das coleções e das exposições – seja colocado em questão por meio do envolvimento de distintos personagens e, portanto, de múltiplos olhares sobre seu acervo. A criação do Grupo Experimental de Curadoria envolveu, na preparação da exposição “Fiaminghi – Pensamentos compostos”, formações conceituais diferenciadas em uma elaboração final coletiva. O processo de conhecimento do arquivo pessoal de Hermelindo Fiaminghi tem sido bastante rico: seus desenhos, gravuras, fotolitos, offsets, pinturas, fotografias, projetos, estudos, revelam-se de maneira inusitada, a cada novo olhar. Trabalhar em conjunto e contar com diversas consultorias tem sido um processo complexo e bastante afinado com a própria produção de Fiaminghi que foi um pesquisador incessante e que, a partir de um certo momento, compreendeu – e nos deu a conhecer – sobre a importância fundamental da des-construção para a compreensão da arte como manifestação. Suas despaisagens e desretratos são ‘apenas’ mais uma faceta dessa personalidade inquieta e riquíssima que, agora, o Grupo Experimental de Curadoria do Instituto de Arte Contemporânea apresenta ao seu público.

 

 

Sobre o IAC

 

O Instituto de Arte Contemporânea – IAC, entidade cultural sem fins lucrativos, foi criado com a finalidade principal de preservar documentos e difundir a obra de artistas brasileiros de tendência construtiva. Os arquivos destes artistas, entre eles Willys de Castro, Sérgio Camargo, Amilcar de Castro (em parceria com o Instituto Amilcar de Castro), Sérvulo Esmeraldo, Luis Sacilotto, Lothar Charoux e, mais recentemente, Hermelindo Fiaminghi têm na instituição um espaço próprio para a exposição e pesquisa com documentação arquivística, bibliográfica e museológica, armazenada em banco de dados específico. Os acervos têm finalidade de pesquisa e divulgação da obra dos artistas por meio do trabalho com seus documentos preparatórios (cartas, agendas, esboços etc.). Assim, podem ser usados em exposições internas ou cedidos a outras instituições, em publicações, em estudos e quaisquer outros usos de caráter cultural e/ou acadêmico.

 

O IAC pesquisa, coleta, organiza e disponibiliza quaisquer fontes de informação sobre os artistas relacionados em seu acervo e, através de uma interface online, permite que pesquisadores de qualquer parte do mundo acessem seu banco de dados. Promover ações educativas e intercâmbios culturais com museus e instituições com a mesma linguagem em outros países também estão entre os objetivos da instituição. Desde julho de 2011, o IAC funciona no primeiro andar do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, na Vila Mariana.

 

 

Até 01 de julho.

Contaminações

27/mar

Será aberta no dia 28 de março, a exposição “Contaminações”, diálogos dos artistas Álvaro Franca, Cristiano Mascaro, Eder Santos, Franklin Cassaro, Heleno Bernardi e Roberto Evangelista com as obras “Eles eram muitos cavalos”, de Luiz Ruffato; “Zero”, de Ignácio de Loyola Brandão; e “O concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro”, de Sergio Sant’Anna. Daniela Thomas e Felipe Tassara assinam a criação e o projeto expográfico. A mostra ficará aberta de 29 de março a 02 de julho no SESC Ipiranga, Rua Bom Pastor, 822, São Paulo, SP.

 

Waltercio Caldas/desenhos e esculturas

23/mar

A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta, em sua unidade de Ribeirão Preto, SP, exposição individual de Waltercio Caldas. A mostra, que reúne desenhos e objetos produzidos, em sua grande maioria, nos últimos cinco anos, nos aproxima do interesse do artista pela construção de significados através do olhar e do encontro com o desconhecido.

 

A busca de Caldas é por um olhar modificado pelo espanto do objeto sem nome e sem história.

 

Pelo estado de suspensão em que nos encontramos quando em situações fronteiriças, do espaço “entre”: entre realidade e ilusão, silêncio e matéria, bidimensional e tridimensional, entre palavra e imagem, entre a linha do horizonte e o abismo.

 

A geometria, sendo estruturada por razões matemáticas, é comumente associada à ideia de certeza, assertividade e previsibilidade, no entanto, dentro do trabalho de Caldas, ela parece nos apontar para uma realidade que vai além desses limites: seja nos desenhos sobre papel, quando a linha ou o ponto ganham um corpo e se lançam no espaço para além da superfície, seja nas arestas de seus sólidos geométricos que, ora se apresentando irregulares entre si, ora sugerindo um caminho ainda a ser percorrido até que o volume se complete, nos projetam para outros planos que não se presentificam no traçado. É uma espécie de dúvida do mundo que mobiliza a produção de Waltercio Caldas e que solicita ao observador especulações sobre ele a partir do olhar.

 

A transparência e o reflexo são elementos igualmente importantes nos trabalhos apresentados nesta exposição, que, embora não sejam constituídos por espelhos ou vidros – materiais presentes em muitas das peças do artista -, possuem em sua composição os dados dessas naturezas. É o caso da obra Sem Título, de 2013, composta por arestas de aço inox que sugerem duas formas tridimensionais que se enfrentam, se espelham e que são mediadas por um bloco preto e maciço de obsidiana negra polida. Na cultura Asteca, tal pedra servia de matéria prima para o poderoso espelho de obsidiana, símbolo do deus da feitiçaria, Tezcatlipoca, cujo significado se dá por “Espelho Esfumaçado”; era utilizado em rituais de adivinhação por xamãs e entendido como um objeto que refletia ao mesmo tempo observador e observado. Esse quase- duplo não-idêntico de arestas que se reflete através de um “Espelho Esfumaçado”, parece nos colocar diante da distorção, condição inerente, embora muitas vezes imperceptível, dos materiais reflexivos e translúcidos, e que pode também dar origem ao efeito, a que chamamos de ilusão, dos arranjos da imagem sobre o olho. Tal efeito é explorado ainda nos desenhos, como, por exemplo, naquele de 2014 em que vemos formas ovais ganharem volume e saltarem do plano por meio do jogo de luz e sombra no uso do pastel, ou em outros que se constroem seguindo as leis da perspectiva euclidiana.

 

O repertório da história da arte é entendido por Caldas como material de trabalho, tanto quanto é  o bronze, o aço inoxidável, o ar, os fios de lã ou os campos de cor. “Considero a arte um fluxo, um rio que cada artista faz movimentar um pouco. Por outro lado, vejo a história da arte como  uma matéria contínua, resultado desse fluxo, onde um ou outro trabalho me interessa particularmente. […] Minha intenção ao utilizar a história da arte como matéria plástica é dar crédito a esse fluxo. Materializá-lo de modo que o reconhecimento dessas mudanças se torne assunto do trabalho […]”

 

O uso que faz das palavras em algumas de suas obras, afirma seu interesse pela linguagem como ponte entre uma imagem visível e uma imagem possível e, mais do que isso, como aquilo que pode provocar um momento de desorientação psíquica, um estranhamento. A palavra ganha uma espécie de vida que extrapola a sua função dominante, sugerindo imagens que rearranjam o funcionamento do organismo que habita, seja no desenho, seja no objeto, seja na instalação.

 

 

 

Sobre o artista

 

Waltercio Caldas nasceu em 1946 no Rio de Janeiro, cidade onde vive e trabalha. Suas obras encontram-se nas seguintes coleções: Museum of Modern Art, Nova York, EUA; National Gallery of Art, Washington, EUA; Fundación Cisneros – Colección Patricia Phelps de Cisneros, Nova York, EUA; Caracas, Venezuela; Blanton Museum of Art, Austin, Texas, EUA; Neue Galerie, Staatliche Museen, Kassel, Alemanha; Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil; Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brasil. Participou de inúmeras exposições individuais e coletivas desde o final dos anos 1960, destacando-se: Bienal de Veneza, Itália; Bienal Internacional de São Paulo, Brasil; Documenta, Kassel, Alemanha; Gwangju Biennale, Coreia do Sul; Bienal de Cuenca, Equador; Bienal de Havana, Cuba; Bienal do Mercosul, Porto Alegre, Brasil; Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil; Stedelijk Museum Schiedam, Holanda; Queens Museum of Art, Nova York, EUA; MAR – Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro, Brasil; Malba, Fundación Constantini, Buenos Aires, Argentina.

 

 

De 18 de março a 17 de maio.

 

Individual de Thiago Honório

14/mar

A Galeria Luisa  Strina, Cerqueira César, São Paulo, SP, apresenta “Solo”, primeira exposição individual do artista mineiro Thiago Honório na galeria.Honório apresenta o trabalho “Roca”. Trata-se de uma cabeça de imagem de roca ou de vestir do século XVIII disposta sobre sólido geométrico produzido com um procedimento construtivo brasileiro utilizado no período colonial no repertório das construções dos séculos XVIII e XIX, conhecido como pau a pique, taipa de mão, taipa de sopapo ou taipa de sebe.

 

Essa técnica vernacular consiste no entrelaçamento de ripas ou toras de madeiras verticais com vigas de bambu horizontais e amarradas entre si por cipó, engendrando uma grande estrutura tramada cujos vãos se preenchem com barro, resultando numa parede. Das práticas da chamada arquitetura de terra é uma das mais recorrentes, principalmente nas zonas rurais.

 

A cabeça, estátua ou imagem de roca designa a tipologia de imagens sacras processionais que são travestidas com trajes de tecidos, perucas e adornadas com pedras preciosas, semipreciosas ou bijuterias. A palavra roca, como substantivo feminino, significa bastão, haste ou vara, possuindo na extremidade um bojo que se enrola a rama do algodão, do linho, da lã: roca de fiar. Também denota a formação volumosa e elevada de pedra, rocha, rochedo, penhasco.

 

Segundo Thiago Honório: “A imagem de roca tradicionalmente aparece em procissões e consiste numa estrutura de madeira articulável que dá a ver apenas a cabeça, mãos ou braços e, às vezes, os pés da peça esculpida, envolta em indumentária e adereços que a caracterizam conforme seus usos litúrgicos. Grande parte dessas imagens era construída numa escala aproximada da escala natural do corpo humano”. Este gênero de imagens adquiriu considerável difusão no Brasil, sobretudo na Bahia e em Minas Gerais durante o período Barroco, estendendo-se até meados do século XIX.

 

No caso de “Roca”, obra que ocupa sozinha grande área da sala de exposições, a cabeça da imagem de roca encontra-se no topo de um “monte” geométrico de pau a pique e taipa de mão.

 

Na exposição “Solo”, a obra “Roca” apresenta-se fincada na terra, solo; com o duplo sentido da ideia de solo, nesse caso tanto a apresentação destinada ao solista quanto a terra. O trabalho busca problematizar à maneira metalinguística as noções de solo, camadas da terra, piso, chão de construção ou casa, ou a superfície que é construída para se pisar; substrato físico sobre o qual se fazem obras. Em sentido figurado, faz referência a nação, país ou região: em solo brasileiro, solo fértil. A etmologia do substantivo solo vem do latim sŏlum, que significa fundo, fundamento, pavimento e planta do pé. E também solo no sentido de só; a solo na ideia de executado por uma só voz ou instrumento; do latim sōlus, a, um a partir da noção de só, solitário; e também pode ser a dança, a ginástica artística, o trecho musical, a apresentação teatral, a exposição individual ou a seção a ser executada por um único intérprete.

 

 

 

Sobre o artista

 

Exposições recentes do artista nascido em Carmo da Paranaíba, em 1979, incluem “Trabalho”, MASP Museu de Arte de São Paulo, 2016; “Boate Azul” em colaboração com Pedro Vieira, Museu de Arte da Pampulha, 2016; “Títulos”, Paço das Artes, 2015. Ainda em 2016, Thiago Honório lançou o seu primeiro livro intitulado {[( )]} – publicado pela editora IKREK – e premiado pelo ProAC. Em 2017 lançará “Augusta”, publicado pela mesma editora. Possui obras nos acervos do MASP; MAC/USP Museu de Contemporânea da Universidade de São Paulo; MAR Museu de Arte do Rio; MAM/SP Museu de Arte Moderna de São Paulo; MAB/FAAP Museu de Arte Brasileira e na Pinacoteca do Estado de São Paulo.

 

 

 

De 14 de março a 29 de abril.

Muntadas

“Dérive Veneziane”

 

Projeção no Anexo da Galeria Luisa Strina -aos sábados – Cerqueira César, São Paulo, SP.

 

18 Março – 29 Abril 2017

Abertura: 14 março, às 19hs

 

O filme – filmado durante a noite de um barco – propõe um lado diferente, alternativo da Veneza estereotipada e clichê – uma Veneza escondida, uma Veneza desconhecida, uma Veneza misteriosa.

 

Inspirando-se na deriva dos Situacionistas, teoria descrita por Guy Debord como “um modo de comportamento experimental ligado às condições da sociedade urbana: uma técnica de passagem rápida por ambientes variados”, o filme “Dérive Veneziane” leva os espectadores a um passeio noturno, estranho e surreal, pelos canais icônicos de Veneza, onde eles encontram o inesperado e o imprevisto.

 

O filme estreou no 72º  Festival de Cinema de Veneza, Itália, em 2015.

Alfredo Jaar na Luisa Strina

A Galeria Luisa Strina, Cerqueira César, São Paulo, SP, apresenta “The Politics of Images”, segunda exposição individual de Alfredo Jaar na galeria. Alfredo Jaar, Chile, 1956, é artista, arquiteto e vídeo maker. Após completar seus estudos no Chile, fixou-se – em 1982 -, Nova York, cidade onde vive e trabalha atualmente. Sua prática artística é focada na criação, distribuição e circulação de imagens na esfera pública.

 

O ponto de partida da exposição é a instalação “The Sound of Silence”, de 2006, “um teatro construído para uma única imagem” (Jacques Rancière). O trabalho conta a história de Kevin Carter (1960 – 1994), fotojornalista sul-africano que se tornou famoso por sua fotografia ganhadora do prêmio Pulitzer. Tirada enquanto Carter se reportava do Sudão em 1993, a fotografia mostra uma criança em estado de inanição se rastejando pelo chão enquanto um abutre a observa. Após o suicídio do autor, a fotografia se tornou propriedade de sua filha Patricia Megan Carter e seus direitos são controlados pela Corbis, a maior agência fotográfica do mundo, a qual controla mais de cem milhões de imagens e é de propriedade de Bill Gates. Usando uma linguagem sucinta, Jaar questiona não só os limites do representável e da possibilidade de observar, mas também trata de questões de responsabilidade tanto do fotógrafo individualmente quanto daqueles que controlam a circulação e a disseminação das imagens, e finalmente, o espectador.

 

“One Million Points of Light”, de 2005, foi realizado na costa de Angola, em Luanda. A câmera foi posicionada em direção ao oceano, apontando diretamente ao Brasil, em memória e homenagem aos 14 milhões de escravos enviados de Angola para o Brasil. A fotografia é reproduzida numa caixa de luz e em cartões postais que os visitantes são convidados a levar para casa.

 

“Searching for Africa in LIFE”, de 1996, foca na ausência de representação e na ausência da África na revista de notícias LIFE (a LIFE foi uma revista de fotojornalismo, fundada em 1936 por Henry Luce- também fundador da revista Time – e encerrou suas atividades com a edição de maio de 2000). O trabalho consiste em uma coleção de 2128 capas, de 1936 a 1996, mostradas em ordem cronológica e visando refletir a chocante escassez de cobertura do continente africano por uma das mais influentes revistas do mundo.

 

Jaar usa uma fórmula similar no trabalho intitulado “From Time to Time”, de 2006, o qual, outra vez, traz à tona os esteriótipos racistas que governam a percepção da mídia ocidental em relação à África. São nove capas recentes da revista Time dedicadas à África divididas pelos únicos três assuntos geralmente cobertos: doenças, fome e conflito armado.

 

 

Sobre o artista

 

Alfredo Jaar realizou exposições individuais em instituições como o New Museum, Nova York, 1992; White chapel Gallery, Londres, 1992; Museum of  Contemporary Art, Chicago, 1992; Moderna Museet, Estocolmo, 1994; Museum of Contemporary Art, Roma, 2005; Berlinische Galerie, Alte National galerie e Neue Gesellschaft für Bildende Kunst, Berlim, 2012; e Museum  of  Contemporary Art Kiasma, Helsinki, 2014.

 

O trabalho do artista faz parte de coleções tais como a do Museum of Modern Art, Nova York; Tate Collection, Londres; Guggenheim Museum, Nova York; LACMA e MOCA, Los Angeles; Centro de Arte Reina Sofia, Madrid; Centre Georges Pompidou, Paris; Moderna Museet, Estocolmo; e MASP, São Paulo.O artista participou de algumas das mais estabelecidas exposições coletivas ao redor do mundo, tais como a Bienal de Veneza (1986, 2007, 2009, 2013); Documenta, Kassel (1987, 2002); e Bienal Internacional de São Paulo (1987, 1989, 2010).

 

 

De 14 de março a 29 de abril.

Marcelo Lange na Verve Galeria

10/mar

A Verve Galeria, Jardim Paulista, São Paulo, SP, abrirá, em 16 de marco, “Substantivo Abstrato”, exposição individual de Marcelo Lange com curadoria de Ian Duarte Lucas. O termo “substantivo abstrato” é aquele quedesigna seres que dependem de outros para se manifestar ou existir e, nesse caso, os trabalhos estão diretamente relacionados com as interferências humanas, transformando a matéria básica a partir dessa ação, contemplando o efeito proposto pelo artista.

 

O conceito diretor da mostra tem como pilar principal uma definição em que a “arte não é 100% pura”; seu resultado final é o de todas as intervenções externas provocadas pelo artista e outros elementos por ele selecionados. Como define Ian Duarte Lucas, “o artista plástico explora técnicas e processos não convencionais na produção de suas obras. Trabalhando no campo da abstração, a série inédita de pinturas em que comunica a expressão do mundo interior e as inúmeras interferências do ser humano e da arte no contexto contemporâneo. ”

 

A abstração para Marcelo Lange já se destaca durante seu processo de pintura. Não há limitação em tonalidades ou combinações pictóricas; elas nascem conforme as sensações e sentimentos do artista, gerando uma ampla combinação de cores. O artista pouco se utiliza do pincel, preferindo jogar tinta na tela e espalha-la com a mão, criando assim uma maior proximidade e intimidade táctil com as obras.

 

A expressão dos significados trocados para a melhor forma como são observados é o mote dessa exposição, que abarca toda a história decorrente das transformações que vem ocorrendo no mundo. O próprio artista declara que busca ampliar a diversidade de materiais e técnicas utilizadas para ir ao encontro da poética escolhida.

 

 

Sobre o artista 

 

Natural de São Paulo, Marcelo Lange é bacharelado em economia e psicologia e atua no mercado financeiro desde 1991. Iniciou sua carreira artística com algumas pinturas no ano de 2003 e fotografa desde 2015, mas só entrou de fato no circuito das artes em maio de 2016, com sua primeira exposição individual na Galeria Lordello e Gobbi, sob a curadoria de Deyse Peccinini. Depois, em dezembro do mesmo ano, participou da exposição coletiva na Art Lab Gallery, com curadoria de Marcia Goldstein. Agora, exibe seus trabalhos pela primeira vez na Verve Galeria, com a mostra individual, Substantivo Abstrato.

 

 

De 16 de março a 16 de abril.

Luiz Zerbini/Monotipias

Neste sábado, 11 de março, Luiz Zerbini abre nova exposição no Galpão da Fortes D’Aloia & Gabriel, Barra Funda, São Paulo, SP, dessa vez apenas com monotipias – algo inédito na carreira do artista. Os trabalhos são impressões a partir de folhas, flores, galhos e espinhos, colhidas e impressas em Inhotim. Em sua nova exposição no Galpão da Fortes D’Aloia& Gabriel, Luiz Zerbini expõe gravuras pela primeira vez em sua longa carreira. “Monotipias” é o resultado da imersão do artista nesse universo com o impressor João Sánchez. Os dois saíram do Rio de Janeiro rumo a Inhotim em um caminhão levando uma prensa. Chegando lá, foram em busca das espécies raras do Jardim Botânico que serviriam de matrizes para estas obras.

 

Em incursões passadas pela gravura, Zerbini nunca se satisfazia com os trabalhos. As gravuras lhe pareciam adaptações de suas de pinturas e essa falta de uma autonomia o incomodava. Durante o desenvolvimento do livro de artista “Minhas Impressões”, UQ! Editions, 2016, porém, sua relação com a técnica mudou. As monotipias com plantas apareceram como uma subversão da técnica, uma impressão direta em que as espécies são utilizadas como matrizes para as próprias imagens.

 

As composições privilegiam contornos e texturas de cada espécie em uma paleta reduzida de marrons, verdes e pretos. As espécies ocupam o papel – sempre do mesmo formato vertical – em movimentos distintos. A singular Costela de Adão se mostra inteira, frontal, como num retrato em close-up. Já o Ipê é desfeito em fragmentos positivos e negativos que se sobrepõem numa nuvem cinza. Outros trabalhos flertam com imagens da história da arte. A Embaúba, em corte seco e alto contraste, nos faz pensar nas flores de Andy Warhol, assim como o Jardim Japonês, que aspira a outras épocas e também a outros estados de contemplação. Se a técnica aparece como uma novidade, a flora tropical largamente conhecida de suas pinturas reaparece como a musa central. Os trabalhos revelam um tipo de simplicidade que só um longo tempo de observação proporciona. Há uma troca evidente e incessante entre o olhar do artista e essas plantas.

 

 

Sobre o artista

 

Luiz Zerbini nasceu em 1959, em São Paulo, mas vive e trabalha no Rio de Janeiro desde 1982. Entre suas exposições recentes, destacam-se as individuais: amor lugar comum, Inhotim, Brumadinho, 2013 – atual; “Pinturas”, Casa Daros, Rio de Janeiro, 2014; “Amor”, MAM, Rio de Janeiro, 2012. Sua obra está presente em diversas coleções públicas, como: Inhotim, Instituto Itaú Cultural (São Paulo), MAM Rio de Janeiro, MAM São Paulo, entre outras.

 

 

Estrelas Escolhidas*

Luiz Zerbini

 

Estou com a mesma calça há três dias. Estava andando no mato ainda há pouco, antes de entrar neste avião de volta para o Rio. Estava atrás dos destaques botânicos que me foram apresentados como estrelas. Estrelas botânicas. Agora, para mim, apenas estrelas. Pensando sobre as cores concluí que o verde é uma espécie de cinza. A mata quando cobre a terra de verde espalha uma neutralidade cromática morna, onde animais, flores e frutos pipocam cintilantes como estrelas numa noite sem lua.João e eu partimos para o Inhotim com a prensa nova no caminhão, capaz de imprimir um papel de 106 x 81 cm. Seguimos à procura das maiores e mais belas folhas do Jardim Botânico de lá. Durante uma semana trabalhamos exaustivamente felizes nas monotipias que ilustram este livro. Colhíamos as folhas e flores com a ajuda dos jardineiros de manhã bem cedo, enchíamos o carrinho e seguíamos para o almoxarifado onde instalamos a prensa. Por mim, eu passaria o mundo todo pela prensa. O João me dizia o que era possível passar e como faríamos isso. As matrizes eram folhas, frutas, cascas e espinhos. Foram impressas por nós diretamente no papel.

*Texto originalmente publicado no livro “Artenatureza: Inhotim espaço tempo”. Instituto Inhotim, 2016.

 

 

 

De 11 de março a 06 de maio.