Programação #31Bienal

16/set

Programa no Tempo, ativação de obras, performances, atividades educativas, no Parque Ibirapuera, São Paulo, SP.

 

10 set • 19h • Pavilhão Bienal • área Parque • térreo – no Tempo | Sarau Kambinda

 

O sarau pretende promover a poesia e o encontro de poetas e artistas que fazem parte do movimento cultural periférico e de matriz africana.

 

14 set • 16h • Pavilhão Bienal • área Parque • térreo – no Tempo | O Menor Sarau do Mundo

 

Intervenção poética em que participam o poeta Giovani Baffô e um público de até três pessoas sob um guarda-chuva. Com duração de um minuto e vinte segundos, o poeta
decla­mará três poemas curtos autorais de alto teor de entorpecimento.

 

17 set • 15h • Parque do Ibirapuera • portão 5 – Ativação de obra | “… – OHPERA – MUDA – …”, por Alejandra Riera e UEINZZ

 

O encontro acontece ao lado do atual Centro de Convivência e Cooperativa (CECCO), antigo armazém convertido em refúgio provisório das atividades da Cinemateca Brasileira – entre as quais um cineclube – depois do incêndio de 1957.  Ali, grupo monta um cinema provisório para a exibição do filme “… – OHPERA – MUDA…”

 

17 set • 19h • Pavilhão Bienal • área Parque • térreo – Educativo | Encontro Oba Inã + Mcs

Tunga na Mendes Wood

15/set

Com obras compostas de terracota, gesso e cristais,Tunga criou as esculturas que se encontram em cartaz na Galeria Mendes Wood, Jardim Paulista, São Paulo, SP. A mesma mostra agora exibida, “From La Voie Humide”, recebeu boas críticas recentemente em sua primeira inauguração, em Nova York. O artista exibe formas de caldeirões, tripés e partes de corpos relacionados, uma referência diretamente ligada à Alquimia. Também estão expostos desenhos recentes. As esculturas foram concebidas nos últimos anos. Os trabalhos mesclam e sintetizam interesses diversos do artista, como a Poesia, Psicologia, Física e Alquimia.

 

 

Até 04 de outubro.

Duas na Casa da Imagem

Marcia Xavier e Letícia Ramos, na Casa da Imagem, Sé, São Paulo, SP, a partir de um ensaio fotográfico, científico-policial, que pertence ao acervo da Coleção de Fotografias do Museu da Cidade, sobre um ato de vandalismo no prédio da Prefeitura no dia 02 de agosto de 1947, desenvolveram uma instalação sonora e visual, criando um ambiente de mistério e  tensão inspirado nessas imagens.

 

Ao entrar pelo corredor que dá acesso às duas salas expositivas, o visitante é acompanhado pelo áudio da instalação sonora que percorre toda e exposição. Como o som não fica aparente, não se sabe se o que se ouve esta acontecendo ao vivo ou não. O espectador é seguido por passos no corredor que dá acesso à primeira sala, toda iluminada por retroprojetores dispostos no chão aos pares, ora iluminando as três paredes, ora fazendo uma projeção de imagens ou objetos, como num fotograma. As duas janelas dessa sala são vedadas, uma por imagem de duas pessoas como vistas através dela e a outra por madeira com uma lente incrustada no painel, um olho mágico que faz ver uma das imagens do vandalismo impressa em um material transparente, que dá uma sensação de 3D ou de um negativo de vidro. Nas duas paredes há dois ensaios: um sobre a queda de um arquivo e outro sobre a queda de uma folha de papel.

 

São fotografias realizadas com a técnica da estroboscopia, inspiradas nas imagens resultantes de experiências de estudo do movimento. No ambiente há vários áudios soando ao mesmo tempo — passos, bagunças e vidro quebrado. Já na segunda sala, depara-se com um filme e seu projetor 16mm; thriller de suspense realizado com uma colagem de imagens do arquivo e outras captadas pelas artistas nas novas salas do DEOPS, acompanhados pelo áudio de uma respiração.

 

 

Sobre as artistas

 

Marcia Xavier (Belo Horizonte – MG – 1967). Graduada em 1989 em Comunicação Visual pela Fundação Armando Álvares Penteado em São Paulo. Pesquisa a imagem em movimento e suas distorções. Constrói aparelhos ópticos como lunetas, binóculos e telescópios, um híbrido do cinema com a escultura. Realizou mais de dez individuais em galerias e museus e cinqüenta coletivas, ao longo de 16 anos de carreira. Exposições internacionais: 2012 Eloge du vertige, Maison Européenne de la Photographie, Paris, França; 2007 Institut Valencia d’Art Modern, Espanha; 2005 Gabarito na Galeria 111 em Lisboa, Portugal; 2003 Layers of Brazilian Art, Faulconer Gallery, Iwoa, EUA; 2002 Jogos Excêntricos, Galeria do Museu Botanique Bruxelas, Bélgica; 2000 Museu de las artes de Guadalaraja, México. Esteve na VI Bienal de Havana 1997; III  Bienal do Mercosul 2001 e IV Bienal de Curitiba 2007 e das Paralelas a Bienal de São Paulo I, II, III e IV. Ganhou prêmio nos Salões de Ribeirão Preto e Belo Horizonte. Concebeu uma obra múltipla editada pela Fundação Bienal de São Paulo em 2009. Participou das Feiras de Arte: Frieze Londres, Basel Miami e Arco Madri. Faz parte das seguintes coleções: Société Generale d’art Contemporain, Paris, França; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e Museu de Arte Moderna de São Paulo; Banco Itaú S.A e SESC BELENZINHO. Lançou em 2003 o livro ET EU TU, em parceria com Arnaldo Antunes pela editora Cosac e Naif, ganhador do prêmio Jabuti de 2004 pelo projeto gráfico e produção editorial. Participou das seguintes Performances em parceria com Arnaldo Antunes: 2011 Museu Miró, Barcelona, Espanha; 2010 Festival Brazil, Southbank Center, Londres, Inglaterra; 2009 Multiplicidades, Oi Futuro Rio de Janeiro 2008/2009 e Festival de poesia em Berlim 2008.

 

Letícia Ramos (Santo Antônio da Patrulha – RS, Brasil,1976). Cursou Arquitetura e Urbanismo na UFRGS e Cinema na Fundação Armando Álvares Penteado, FAAP. Seu foco de investigação artística é a criação de aparatos fotográficos próprios para a captação e reconstrução do movimento e sua apresentação em video , instalação e fotografia. Seus trabalhos possuem um forte caráter processual e geralmente se inserem dentro de projetos de investigação mais ampla.  A artista foi ganhadora de importantes prêmios e bolsas para a pesquisa e realização artistica, entre eles, o Prêmio Marc Ferréz de criação fotográfica para o desenvolvimento do projeto Bitácora (2011/2012). Como resultado desta pesquisa, publicou o livro de artista “Cuaderno de Bitácora” e  participou da residência The artic circle (2011) a bordo de um veleiro rumo ao Pólo Norte. O trabalho fotográfico produzido durante a expedição, foi vencedor do Prêmio Brasil Fotografia – pesquisas contemporâneas (2012). Em 2103 foi participante do programa “Islan Session – visitas a ilha, “ da 9º Bienal do Mercosul e desenvolveu o projeto de filme 35mm , livro , web e LP, VOSTOK, uma viagem ficcional a um lago pré-histórico submerso na Antártida. No mesmo ano  foi contemplada pela bolsa  de fotografia do Instituto Moreira Salles e Revista Zum e desenvolveu a pesquisa MICROFILME . Recentemente foi ganhadora do importante prêmio internacional de fotografia, BESPHOTO 2014 . No momento está com duas outras exposições em cartaz: “Nos sempre teremos marte ” – Museu Fundação Berardo, Lisboa e VOSTOK _ screnning # 1 – individual da artista em sua galeria Mendes Wood DM – SP.

 

 

 

 De 20 de setembro a 19 de outubro. 

Ivan Grilo no CCSP

Com curadoria de Bernardo Mosqueira, “Quando cai o céu” é a nova individual do artista Ivan Grilo, será o próximo cartaz do CCSP – Centro Cultural São Paulo, Paraíso, São Paulo, SP. A exposição, que é fruto da premiação que o artista conquistou no edital PROAC Artes Visuais 2013, apresenta 13 conjuntos de trabalhos, entre fotografias e instalações. Ao ser agraciado com o prêmio, Grilo foi pesquisar os arquivos do Centro Cultural São Paulo, onde encontrou documentos de uma rica pesquisa idealizada em 1938 por Mário de Andrade, então diretor do Departamento de Cultura da cidade de São Paulo.

 

Ao mesmo tempo em que as manifestações populares corriam o risco de desaparecer com a crescente urbanização do país, o avanço tecnológico da época trazia novas possibilidades de captação destes eventos através de fotos, áudios e filmes.  Foi essa questão que levou o importante escritor a organizar a Missão de Pesquisas Folclóricas, expedição que buscou mapear as origens da cultura popular brasileira. Não fosse a chegada de Prestes Maia ao governo Municipal, a expedição se concluiria e o levantamento inicial proposto não teria parando em Pernambuco, mas alcançando o culturalmente rico estado da Bahia.

 

Interessados mais no que deixou de ser registrado pela equipe de Mário de Andrade, Ivan Grilo e Bernardo Mosqueira foram a campo em busca de subsídios para a realização da presente exposição. Em “Quando cai o céu”, Ivan Grilo busca mesclar as influências das vivências com as culturas ancestrais africanas adquiridas durante a viagem à Bahia com o modelo cartesiano de trabalho que sempre adotou em suas produções.

 

 

A palavra do curador

 

“Nosso trabalho se relacionava, então, também, com toda a genealogia de artistas viajantes interessados no Homem. Logo que optamos pela Bahia, decidimos ir a Cachoeira: importante cidade pra história do povo negro no Brasil. Em Salvador, antes, tivemos acesso irrestrito a todo o material da Fundação Pierre Verger, e lá encontramos a certidão de sua passagem por aquele município. Porém, logo entendemos que nosso interesse não seria registrar (capturar e trazer) a imagem do exótico. Diferente disso, nosso interesse é a crítica social e as narrativas: mais especificamente, somos encantados pela relação entre resistência e história oral. Os trabalhos de Ivan expandem, preenchem e iluminam a interseção entre o rigor conceitual, a crítica social e a criação (ou tradução) de narrativas poéticas. Não há nada nessa montagem que não tenha razão de ser”.

 

Ainda segundo o curador, “A história do povo negro no Brasil não é de vencedores, nem perdedores, nem vencidos, mas, sim, uma história de sobreviventes em glória. “Somos escolhidos da sorte. Somos tambores ricos de fé. (…). Somos o amor e seus aliados. Somos os filhos dos encantados”, ouvimos na Bahia. Por isso, “Quando cai o céu” é apenas onde começamos a contar a história de algumas nações que foram muito mais violentamente exploradas do que pensamos, mas que são muito mais do que se pode imaginar”, completa.

 

 

Sobre o artista

 

Ivan Grilo, 1986, vive e trabalha em Itatiba/SP. Graduado em Artes Visuais pela PUC-Campinas, atuou durante três anos como artista-assistente no atelier de Marcelo Moscheta. Atualmente participa das exposições coletivas: “Novas Aquisições da Coleção Gilberto Chateaubriand”, no MAM (RJ) e “Pororoca, a Amazônia no MAR”, no Museu de Arte do Rio. Em 2013 exibiu “Estudo para medir forças” na Casa França-Brasil (RJ), integrando o Projeto Cofre; além de ser premiado no edital PROAC Artes Visuais, do Governo do Estado de São Paulo, que deu origem à presente exposição. Em 2012 recebeu o Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, além de ter sido indicado ao Prêmio Investidor Profissional de Arte (PIPA) e ter participado da residência internacional “Transitante: entre álbuns e arquivos” no Arquivo Municipal Fotográfico de Lisboa / Portugal. Dentre as principais coletivas estão: “Bienal MASP Pirelli de Fotografia”, em São Paulo, “I Bienal do Barro” em Caruaru-PE, “2nd Ural BiennialofContemporaryArt”, na Rússia, “16a Bienal de Cerveira”, em Portugal, “11a Bienal do Recôncavo” em São Félix / BA, e “Arte Pará”, no Museu Histórico do Estado do Pará. Tem obras nos acervos do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro/Coleção Gilberto Chateaubriand (MAM), no Museu de Arte do Rio (MAR), na Fundação Bienal de Cerveira, entre outros. Atualmente é representado por Luciana Caravello Arte Contemporânea (RJ) e SIM Galeria (PR).

 

 

Sobre o CCSP

 

Espaço público de cultura e convívio, o Centro Cultural São Paulo (da Secretaria Municipal de Cultura) recebe o público em quatro pavimentos de uma área de 46.500 m² localizada entre as ruas Vergueiro e a 23 de maio, e entre as estações Vergueiro e Paraíso do Metrô. Inaugurado em 13 de maio de 1982, a partir da necessidade de uma extensão da Biblioteca Mário de Andrade, transformou-se em um dos primeiros espaços culturais multidisciplinares do país. O projeto concebido por um grupo de arquitetos coordenado por Eurico Prado Lopes e Luiz Telles deu origem a um espaço caracterizado pela arquitetura do encontro, que atualmente oferece: um conjunto de bibliotecas com acervo multidisciplinar, expressivas coleções da cidade de São Paulo – Coleção de Arte da Cidade, Discoteca Oneyda Alvarenga, Missão de Pesquisas Folclóricas de Mário de Andrade, Arquivo Multimeios e Coleção Memória do Centro Cultural São Paulo.

 

 

De 20 de setembro a 07 de dezembro.

DOIS NA VILANOVA

A Galeria Vilanova, Vila Nova Conceição, São Paulo, SP, inaugura a exposição “Entre Flores e Entrelinhas”, dos artistas plásticos Virgilio Neves e Vitor Azambuja, com curadoria de Bianca Boeckel. Para a mostra, foram selecionadas 11 obras inéditas – entre desenhos e pinturas -, cujo tema principal é a primavera e as sensações que acompanham essa estação, em trabalhos que envolvem todos os nossos sentidos e reproduzem flores, cores e aromas.

 

Em duas telas e quatro desenhos, Virgilio Neves cria linhas que ocupam o campo visual dos suportes e que delimitam imagens de maneira aleatória, entregue ao acaso. Após procurar por diversos tipos de ferramentas, o artista iniciou uma pesquisa com extrato de própolis líquido, utilizando este elemento em seus desenhos juntamente com uma caneta definitiva. O resultado obtido foi surpreendente não apenas pelos valores formais, mas pelas metáforas que surgiram a partir de então: “O aroma do própolis trazia sensações positivas que me devolviam à infância. E o poder de fixação desta substância e do seu aroma sobre o papel também estavam intimamente ligados ao poder de fixação desta memória em minha mente.”, comenta.

 

Por sua vez, Vitor Azambuja apresenta cinco telas com um tema recorrente em sua produção: a exuberância das rosas, em tons de cores inusitados e sempre surpreendentes – sua já conhecida marca. Apesar de sua inspiração na natureza, o artista não pinta pela observação e sim pela imaginação – a harmonia na combinação de suas cores não é fruto da reprodução, mas sim o resultado de um ato criativo autônomo. Formado em música pelo Conservatório Brasileiro de Música, como pianista, “para ele as flores, principalmente, o levam indubitavelmente aos sons que delas exalam”, disse Geraldo Edson de Andrade, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte.

 

Em uma celebração ao início da estação mais florida do ano, a primavera, “Entre Flores e Entrelinhas” propicia ao público uma nova visão sobre um tema corriqueiro, com pinturas e desenhos que não apenas se complementam, mas também estreitam o diálogo com o espectador. Nas palavras de Bianca Boeckel: “As obras dos dois artistas cantam e dançam diante dos nossos olhos”.

 

 

De 20 de setembro a 03 de novembro.

Obras Religiosas de Brecheret

10/set

O Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS-SP, exibe “Brecheret e sua Visão do Sagrado”, com curadoria de Sandra Brecheret Pellegrini e expografia de Haron Cohen. Composta por 35 esculturas, 4 desenhos e 4 fotografias, a mostra nos revela o lugar preponderante que a temática do sagrado ocupou na vida do escultor ítalo-brasileiro Victor Brecheret.

 

Ao longo de toda carreira de Victor Brecheret, seu impulso criativo é especialmente refletido em suas esculturas religiosas, sendo a primeira manifestação desse tema, que se tem conhecimento, a obra “Pietá”, por volta da primeira década do século XX. “Embora Brecheret nunca tenha se vinculado exclusivamente a temas religiosos, retornava sempre àquilo que transmitia sua criação interna, trazendo de dentro de si a sua fé.”, comenta Sandra Brecheret Pellegrini. Para a exposição no MAS-SP, foram selecionadas obras da coleção particular da curadora, da qual destacam-se Madonas, Virgens e Pietás confeccionadas em gesso e bronze, entre 1920 e 1940; Virgens com criança e Anjos, cenas bíblicas (Santa Ceia, Senhor dos Passos, Anunciação), crucifixos e santos (São Francisco, São Jerônimo, São Paulo) feitos em gesso, bronze patinado, terracota e madeira, nas décadas de 1940 e 1950; além de imagens masculinas, em sua maior parte dos anos 1940, esculpidas em gesso.

 

Dentro do universo religioso, Victor Brecheret concebeu esculturas que exibem seu cuidado e primor em todos os aspectos, inclusive em relação às características fisionômicas, como podemos observar nos Sacerdotes e Apóstolos, que exibem expressões faciais bem marcadas como se estivessem refletindo a busca de razões internas e meditações espirituais. Em Os Anjos e os Santos, o semblante é de felicidade, de certa forma nostálgico, relembrando o recebimento da luz divina. Já no final de sua vida, produziu esculturas delicadas, em barro cozido (terracota), se aproximando da estética do barroco brasileiro e demonstrando um preciosismo notável. De acordo com Sandra Brecheret Pellegrini, o ponto alto da escultura religiosa de Brecheret é, sem dúvida, a figura de São Francisco: “Explorada sob vários ângulos, tamanhos e formas, nos leva a acreditar que seja o santo de sua preferência, por seu amor à natureza.”

 

A mostra “Brecheret e sua Visão do Sagrado” transmite todo o amor que o escultor sentia pelas artes plásticas, sentimento com o qual se dedicou inteiramente ao ofício. Ressalta seu brilhantismo na trajetória artística de uma obra que teve início no século passado e que permanece hígida, atual, moderna, provocante. Cativa a memória dos paulistanos, por sua presença através de esculturas espalhadas pela cidade, as quais conferiram à capital parte de sua identidade social e cultural.

 

 

De 18 de setembro a 16 de novembro.

Raquel Arnaud exibe Julian Schnabel

08/set

A Galeria Raquel Arnaud, Vila Madalena, São Paulo, SP, em parceria com o MASP e a galeria norte-americana Gagosian, traz ao Brasil seis obras do artista e cineasta norte-americano Julian Schnabel. A mostra, que ocorre paralelamente à retrospectiva organizada pelo MASP -– “Julian Schnabel – Paintings 1998-2014″ – traz ao público trabalhos que representam a contemporaneidade na produção do artista. Trata-se de seis telas concebidas em grande formato e que traduzem parte do potencial de uma obra marcada, entre outros, pela constante diversidade de suportes, temas, e, nesse caso pictórico, materiais.

 

Um dos grandes nomes artísticos da cena contemporânea mundial, reconhecido por dirigir os filmes “Basquiat” e O “Escafandro e a Borboleta”, o artista e cineasta Julian Schnabel é também conhecido por sua figura quase mítica, sua carreira muitas vezes controversa, e pelo caráter compulsivo e relativamente intenso com que, nessas mesmas características, imprime marcas em seu trabalho.

 

Dotado de uma notável capacidade em desenvolver transformações, Julian Schnabel experimenta uma vasta alquimia entre fontes e materiais, desafiando as próprias noções de moderação, racionalidade e ordem que poderiam estar implícitas em sua produção. A atitude barroca incorporada em suas pinturas ganha escalas audaciosas e passaram, ao longo do tempo, a combinar tinta a óleo e técnicas de colagem; elementos pictóricos clássicos inspirados na arte histórica; características neo-expressionistas, abstratas e figurativas.

 

Para tratar de temas adequadamente amplos, como a sexualidade, a obsessão, o sofrimento, a redenção, a morte e a religiosidade, Julian Schnabel faz uso de uma particular diversidade de materiais, como pratos quebrados, tecidos  típicos de cenários de teatro Kabuki, lonas e veludo, e toda uma infinidade de imagens, nomes e fragmentos de linguagem, bem como densas camadas de tinta, resina viscosa e reprodução digital aplicada.

 

 

Sobre o artista

 

Julian Schnabel, Nova Iorque, 1951, vive e trabalha em Nova Iorque e Montauk, Long Island. Sua primeira exposição individual foi no Contemporary Arts Museum, em Houston, em 1975. Desde então seu trabalho tem sido exposto em renomadas instituições internacionais como a Tate Gallery, Londres (1983), o Whitney Museum of American Art, em Nova Iorque (1987), Inverleith House, em Edimburgo (2003); Schirn Kunsthalle, Frankfurt e Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madri (ambos 2004); Mostra d’Oltramare, Nápoles (2005); Schloss Derneburg, Alemanha, Tabacalera Donostia, San Sebastian, e The Beijing World Art Museum, China (todos 2007), assim como na Art Gallery of Ontario, Toronto (2010). Seu trabalho faz parte dos principais museus internacionais e coleções particulares, como o Metropolitan Museum of Art; o Museum of Modern Art (MoMa); o Guggenheim Museum; o Whitney Museum of  American Art; o Museum of Contemporary Art, e o Broad Art Foundation, Los Angeles; Reina Sofia, Madri, e no Centre Georges Pompidou, Paris.

 

 

Até 11 de outubro.

Liuba na Marcelo Guarnieri

01/set

Com o objetivo de aproximar o público das obras e do universo da artista, a galeria Marcelo Guarnieri, Jardim Paulista, São Paulo, SP, inaugura a exposição “LIUBA”, que reproduz parte do atelier da artista em São Paulo. A produção artística de Liuba dividiu-se nas três cidades em que residiu e estudou: Paris, Zurique e São Paulo. Na última, o seu atelier no bairro do Jardim Europa, preserva parte das obras de seu acervo, e testemunha a memória do processo de criação e execução de suas esculturas.

 

Para reconstrução do clima e da atmosfera do ambiente, a galeria selecionou 40 obras em bronze, de sua profícua fase dos anos 60 e 70. Com trabalhos que variam entre pequenas e médias peças, as esculturas da artista ganharam notoriedade do público e da crítica especializada, pelas formas e traços que remetem à agressividade de pássaros ou do humano em sua face animalesca. Aproximando-se de sua geração contemporânea, e do grito expressivo dos artistas modernos, suas obras podem ser vistas em museus e coleções ao redor do mundo, e em obras públicas ao redor do rio Sena em Paris, como “Upright Sculpture” de 1977, e “Animal I”, de 1985, ambas no Quai Saint Bernard.

 

Dois bustos, um retrato em bronze do marido Ernesto Wolf, e o outro do irmão, em gesso, que ficavam virados de costas no atelier da artista, denotavam a mudança de linguagem de sua produção. Se na década de 60, Liuba esculpia cabeças tradicionais, nos anos 70, após exercitar as suas formas-pássaros, a artista retoma o imaginário dos bustos, conferindo uma linguagem própria e autoral. Os bustos sugerem, por sua vez, uma aproximação zoomórfica, na qual o humano equilibra-se com o animal.  Além das esculturas, três desenhos de estudos, as bases originais em gesso das peças em bronze e instrumentos de trabalho, serão expostos na galeria. Complementa-se à exposição, a exibição inédita do ensaio visual “LIUBA”, realizado por Luana Capobianco, com imagens das obras, dos materiais utilizados na execução das peças e seus ateliês de São Paulo e Paris.

 

 

Sobre a artista

 

Nascida em 1923 na Bulgária, Liuba Wolf ingressa na Escola de Belas Artes de Genebra em 1943. Em 1944 começa a estudar escultura com Germaine Richier, a princípio na Suiça, depois em Paris, em 1946, onde passa a viver e trabalhar em seu atelier. Em 1949, ainda vivendo em Paris, monta atelier também em São Paulo. Casa-se com Ernesto Wolf em 1958 no Brasil, e passa a dividir seu tempo entre os  ateliers de São Paulo e Paris. A partir de 1989 estabelece atelier também na Suiça. Morre em São Paulo em 2005. Liuba Wolf participou anualmente do Salon de la Jeune Sculpture de Paris no período entre 1964 e 1979, e em inúmeros salões de arte no Brasil entre eles o Salão Nacional de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1962 e 1963 como também a participação sistemática do Panorama de Arte Atual Brasileira no MAM de São Paulo no período de 1970 a 1985. Realizou diversas exposições individuais, destacando-se a no MAM-Rio em 1965, no Museu de Saint Paul de Vence na França em 1968, na Galeria Achim Moeller em Londres em 1972, no Hakone Open Air Museum no Japão em 1985 e na Pinacoteca do Estado de São Paulo em 1996. Suas participações em exposições coletivas incluem também as mostras: Bienal de Carrara em 1962, 12º e 13ª Biennale Internazionale del Bronzetto na Itália (1979 e 1981), Artistas Latino Americanos no Museu Nacional de Arte Moderna de Paris (1967), 7ª/ 8ª/9ª e 12ª Bienal Internacional de São Paulo (1963/1965/1967 e 1973). Foi premiada no Salon d´Automne em Paris em 1947 e 1957, no Salão Nacional de Arte Moderna no Rio de Janeiro em 1962 e na 7º Bienal Internacional de São Paulo em 1963. Suas obras intregram importantes coleções públicas internacionais como a do Fond National d’Art Contemporain de Paris, do Museu de Saint Paul de Vence na França, do Kunsthelle de Nuremberg na  Alemanha, do Hakone Open Air Museum no Japão e do Musée de la Sculpture en Plein Air de la Ville de Paris; e integram também importantes coleções públicas nacionais como a do Museu de Arte Moderna de São Paulo, do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, da Coleção da Bienal de São Paulo e do Museu do Artista Brasileiro em Brasília. A artista também possui obras em importantes coleções privadas em diversos países tais como Brasil, Argentina, Canadá, Inglaterra, França, Alemanha, Japão, Suíça e Estados Unidos.

 

 

Comentário sobre a sua obra

 

A partir da década de 50 Liuba Wolf afasta-se da expressão essencialmente figurativa que até então caracteriza seus trabalhos e passando a produzir uma obra situada na fronteira entre a figuração e a abstração, a representação geométrica e o mundo orgânico. Utilizou principalmente o bronze para as suas esculturas, ainda que eventualmente tenha se utilizado de outros materiais, como nas composições do início dos anos 70, produzidas em poliéster. Realizou diversos desenhos e esboços de suas obras. Dedicou-se também à criação de joias.

 

 

De 06 de setembro a 18 de outubro.

Tudela: “Três metades” na Fortes Vilaça

25/ago

Chama-se “Três metades”, a segunda exposição do artista peruano Armando Andrade Tudela na Galeria Fortes Vilaça, Vila Madalena, São Paulo, SP. A mostra é composta por três séries de trabalhos que exploram noções em torno da arquitetura e nomadismo.

 

Em “Rama”, galhos encontrados nas ruas são fundidos em bronze e têm uma sacola plástica pendurada em sua extremidade.  O conteúdo das sacolas revela objetos de uso diário – livros, aparelhos de celular e camisetas –  misturados aos materiais de estúdio do artista como o gesso e placas de cobre. As esculturas sugerem pequenos instantâneos da subjetividade contemporânea,  personificam-se como as figuras alongadas de Giacometti, ao mesmo tempo em que denotam resquícios de algo passageiro ou de alguém em movimento.

 

A pesquisa de Tudela volta-se com frequência para o modo como aspectos culturais de origens e tempos distintos se colidem em objetos de natureza híbrida.  Em “Metades XXL”, grandes pedaços de tecido (tela, cetim e zíper) impresso são recortados e costurados em formas descontruídas de quimono, poncho, Parangolé e também bandeira ou estandarte. Os padrões impressos partem de imagens distorcidas de tipologia digital mas também de desenhos em que o artista arrasta pedaços de gesso sobre o papel num processo de transferência. As imagens se revezam em interior e exterior e entre os dois lados do tecido pendurado no espaço. A obra ganha contornos de uma arquitetura precária, um abrigo.

 

“we transfer (SP)” é um grupo de trabalhos de gesso batizado com o nome do serviço online de transferência de arquivos digitais. São esculturas abstratas de gesso que se apresentam também como artefatos de uma arqueologia contemporânea que inclui folhetos de viagem, cartões de crédito e afins.

 

 

Sobre o artista

 

Armando Andrade Tudela nasceu em 1975 em Lima, Peru, e atualmente vive em Lyon, França. O artista já participou de diversas exposições importantes, dentre as quais destacam-se: Bienal de Cuenca, Equador, 2014; Under the Same Sun: Art from Latin America Today, Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York, EUA, 2014; Panorama da Arte Brasileira, MAM, São Paulo (2009); Bienal de Lyon, França (2007); Bienal de São Paulo, 2006; Bienal de Xangai, China, 2006; Trienal de Torino, Itália, 2005. Dentre suas exposições individuais, destacam-se Liquidación no Museo de Arte de Lima, no Peru, 2012; e Ahir, demà, no Museu d’ Art Contemporani de Barcelona, Espanha, 2010. Sua obra está presente em diversas coleções públicas, como: MoMA, EUA; Museu d’Art Contemporani de Barcelona, Espanha; Museum fur Moderne Kunst, Alemanha; Solomon R. Guggenheim Museum, EUA; Tate, Reino Unido.

 

 
 
 
De 30 de agosto a 27 de setembro.

Cildo Meireles na Luisa Strina

A Galeria Luisa Strina, Cerqueira César, São Paulo, SP, apresenta “Pling Pling”, exposição individual de Cildo Meireles, um artista cuja relação de longa data com a galeria remonta a várias décadas. Em paralelo à Bienal de São Paulo, “Pling Pling” explora a relação entre o sensorial e a mente, a política e ética – temas que envolveram Cildo Meireles em sua prática ao longo dos últimos cinquenta anos. A exposição apresenta obras nunca antes exibidas em São Paulo, baseada na retrospectiva de Cildo Meireles em 2013, no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, em Madri, que viajou ao Museu Serralves n’O Porto e ao HangarBicocca, em Milão, no começo deste ano.

 

A exposição inclui uma seleção de instalações e uma pintura, cobrindo toda a carreira do artista, desde sua elogiada série “”Espaços Virtuais, datada da década de 1960, até trabalhos mais recentes. O foco central da exposição é a instalação de grandes dimensões “Pling Pling”, de 2009, anteriormente exibida como parte da coletiva “Making Worlds”, com curadoria de Daniel Birnbaum para a 53ª Bienal de Veneza, em 2009. A obra toma a forma de um espaço construído dentro da galeria, composto por seis salas, cada uma pintada com uma cor primária ou secundária diferente e equipada com uma tela de vídeo que exibe um tom complementar. No estilo típico de Cildo Meireles, a escala e a cor saturada são usadas para criar uma experiência multissensorial para o visitante enquanto caminha pela instalação.

 

 

Sobre o artista

 

Nascido no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha, Cildo Meireles é considerado um dos principais representantes da arte conceitual, com a criação de algumas das obras mais instigantes de sua era, no sentido estético e filosófico. O trabalho de Cildo Meireles trata ideias complexas com expressão frugal única, que se inspira nas formas neoconcretas dos mestres da vanguarda histórica brasileira. A tumultuada história política e social do Brasil também está embrenhada de modo fundamental em sua obra: Cildo Meireles combina a poetização de seus antecessores com a coragem e o realismo de sua experiência social.

 

A obra de Cildo Meireles foi exposta no mundo todo, incluindo as 37ª, 50ª, 51a e 53ª Bienais de Veneza; as 16ª, 20ª e 24ª Bienais de São Paulo; as 6ª e 8ª Bienais de Istambul; as 1 e 6ª Bienais do Mercosul; o Festival Internacional de Arte de Lofoten, Noruega; a Bienal de Liverpool de 2004; e a Documenta, Kassel, em 1992 e 2002.
Entre suas exposições individuais recentes estão as realizadas em Kunsthal 44 Møen, na Dinamarca; HangarBicocca, em Milão; Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, em Madri; Museu Serralves n’O Porto; Centro Itaú Cultural, em São Paulo; Museo Universitario de Arte Contemporáneo (MUAC), na Cidade do México; MACBA, em Barcelona, Tate Modern, em Londres; Estação Pinacoteca, em São Paulo; Museu Vale do Rio Doce, no Espírito Santo; Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro; Portikus im Leinwandhaus, em Frankfurt; Kunstreverein in Hamburg, em Hamburgo; Galerie Lelong, em Nova York; Musée d’Art Moderne et Contemporain de Strasbourg, em Estrasburgo; New Museum, em Nova York; Galeria Luisa Strina, em São Paulo; e Miami Art Museum, em Miami – entre outras. As coletivas recentes incluem Museu de Arte Moderna (MAM), em São Paulo; Museum of Contemporary Art Chicago (MCA), em Chicago; Museum of Contemporary Art Tokyo, em Tóquio; e MoMA, em Nova York.

 

 

Até 27 de setembro.